EntreContos

Detox Literário.

A Canção do Vazio em 6 Atos (Domênico)

 

ATO 1: ANTÍFONA BAILADA

 

A acústica do vácuo espacial retumbou com a passagem de Lady Godiva, que comandava sua orquestra sobre o silêncio da noite. Um rastro de migalhas cósmicas era deixado nos locais por onde trespassava, consumia e sugava o néctar sagrado das matérias. Uma criatura de apetite voraz, mais que parasita: predadora; insaciável. O cinturão de asteroides em seu percurso sentiu a ressonância emanamdo do seu corpo, como cavalgando um cavalo branco, trotando espaço afora. Cada passo uma nota. E ao aproximar-se, abriu a fivela do cinturão num só lamento, gemido em dó menor. Consumiu tudo, prosseguindo seu cavalgar. Toda nua, despida de julgamentos. Passou raspando, quase que bailando ao som da habanera, pelo planeta vermelho: l’amour… estava apaixonada pelo planeta azul.

 

ATO 2: RÉQUIEM PARA A TERRA

 

A notícia percorreu rápida todos os meios de comunicação: canais de TV, estações de rádio, matérias em jornais e na internet. Em questão de minutos, após o vazamento por fontes de órgãos públicos, o caos instalou-se na Terra. Os líderes mundiais foram obrigados a pronunciarem a derradeira canção terrestre, em todos os canais possíveis. Um comunicado aos moldes de Orson Welles, confirmando os boatos de uma guerra dos mundos contemporânea.

 

Há pouco mais de um ano descobrimos que uma enorme massa alienígena, de composição desconhecida, estava viajando há anos luz pelo espaço. Destruindo o que encontrasse no caminho. Nossas tentativas de contato foram negadas. Denominamos a criatura de Lady Godiva e, há algumas horas, ela desviou de Marte e segue em direção à Terra. Pela velocidade, prevemos impacto em menos de quatro meses […]

 

Havia um plano de contingência, obviamente. De fugir: ilustres e milionários no comando, abandonando o barco azul e verde à fome de Godiva. O povo, essa massa terrestre, la pasta delle persone, entregue. A cabeça da gente servida em bandeja de prata. As pessoas de fé agarraram-se em retiros, céticos desmentiram o Governo: novo golpe; conspiração. O fim estava próximo. E o fim, como um arrebatamento, sempre liberou o que há de mais íntimo em cada um.

 

ATO 3: CULTO AO TEMPO

 

Otelo fitou sua avó por alguns minutos, dois ou três, que pareceram a eternidade. Ela, na altura dos seus 86 anos, bastante senil, definhava sobre uma cadeira de descanso, colocada junto à janela a fim de receber os primeiros raios do sol. Dona Eulália. Uma flor, como costumavam chamá-la, murchando. Ele, na outra extremidade da sala, à meia sombra e com o semblante sério, apoiava o braço no sofá, reflexivo. Ambos terminaram de mastigar o último pedaço do bolo, servido momentos antes. Era aniversário dele: uma festa solitária, apenas os dois, comemorando seu 36º ano. Será que ela ainda me reconhece?, ele pensou, antes de transferir o olhar para a janela, para o sol que pousava lá fora.

 

Não acreditou nas notícias, quatro meses antes. Na idéia de que o mundo estava com os dias contados. Não pôde acreditar nos vizinhos abandonando seus apartamentos, na gente da rua abarrotando de malas os seus veículos, correndo, fugindo. O bairro, antes extremamente volumoso e barulhento, ficou vazio. Ele optou por permanecer ao lado da avó, que não teria condições de viajar, quiçá percorrer o país em busca de proteção, pois dependia do neto para as atividades mais básicas. Ele a alimentava, banhava e limpava. E optou por fazê-la companhia, também na tentativa de superar o abandono da esposa, que seguiu rumo ao Norte, onde, segundo os boatos, haviam vários bunkers. Quis acreditar em sua própria crença: não é verdade, não pode ser. E aos poucos, assim como as ruas do bairro, os comércios e a própria dispensa da casa se esvaziavam, o mesmo ocorria à alma de Otelo. Engoliu o pedaço do bolo e fitou a avó pela última vez. Ele sentiu, ao observá-la novamente, cada ruga e dobra do seu rosto, todas as marcas do tempo – este titã insano e deplorável – que esta seria a derradeira vez. Da janela, um pequeno zunido aos poucos transformou-se em coro: o canto plural de Lady Godiva. Otelo percebeu, ao olhar melhor o horizonte, uma mancha surgindo no lusco-fusco, um brilho, como que reluzindo do corpo nu da invasora, que tocava as primeiras notas de sua nova sinfonia mortal, um deslizar de toques sobre um piano cósmico.

 

Naquele momento soube que não veria mais Dona Eulália. A perderia, em nome de sua própria liberdade. Mas não para Lady Godiva. Não. A velhice, muito mais que a morte, o apavorava. Cada aniversário era, para Otelo, um punhado a mais de areia descendo pela ampulheta da vida. Ficava angustiado, principalmente por ver em sua avó uma espécie de espelho, do que poderia aguardá-lo no futuro. Tomado por um vazio existencial, questionando suas verdades e mentiras, o que foi e o que não poderia mais ser em sua própria vida, estava Otelo ali, à meia sombra, no dia do impacto final. Os olhos vidrados em Dona Eulália.

 

ATO 4: HOSANA

 

Lady Godiva começou a entoar sua canção de guerra ao aproximar-se da atmosfera terrestre. Protegida por uma Nave-Mãe, feita de um duro casco furta-cor, não sentiu o impacto da passagem. Pelo contrário: o contato da nave, superaquecendo e disparando faíscas, exibiu um espetáculo de cores. Uma aurora boreal que dançou em todo o céu da Terra. Emanando radiação e ondas de rádio, afetando toda e qualquer pessoa no planeta. E assim, cada qual ao seu modo, passaram a ouvir a ópera espacial de Lady Godiva, cantada numa voz baixa, porém hipnotizante. Grave, porém macia. Uma poderosa voz de contralto, sustentando uma nota pela eternidade. Uma ária em dialeto estranho, extraterrestre. Ao fundo, o pesar das cordas de um violoncelo cósmico. Triste e apaixonada, Lady Godiva, uma criatura de puro instinto, percorreu em círculos a via láctea, cantando sua própria Ave Maria, que ecoou pela mente de cada pessoa na Terra, despertando o íntimo em cada uma delas.

 

ATO 5: PIETÀ ÀS AVESSAS

 

Debruçado sobre o peitoral da janela, Otelo relembrou seus 36 anos e percebeu a vida que vivera à mercê dos outros. A infância dolorosa. A juventude solitária. O casamento que não dera certo. A filha natimorta. Sua avó; essa mulher que presenciou, distante, a todos esses momentos. Ali, como se aos primeiros acordes de uma orquestra fossem num crescendo, Otelo deu-se por derrotado: o quão banal fora sua vida. Um dedilhar pesado na corda de um dos violinos e a primeira lágrima escorregou por sua face.

 

Lady Godiva aproximava-se da Terra, liberando seus gases radioativos, deixando o ar mais rarefeito, despertando o íntimo em cada ser abandonado. Otelo podia ter certeza que esta era a explicação para seu momento de lamúria. Não acreditava que poderia sofrer um colapso, não agora, pensava. O fim iminente, a incerteza de ser devorado por uma criatura completamente estranha e amorfa não poderia, jamais, tirá-lo de si. Esse encontro com o desconhecido, no entanto, era o que o seduzia.

 

Dona Eulália já não possuía a gana da juventude, não deixara-se seduzir. Estava senil, mal ouvia. E, no novo acorde dessa orquestra mental que era o arauto da devoradora de mundos, o friccionar rápido dos arcos nas cordas dos violinos, cada vez mais rápidos, anunciaram a mise en scène: uma tosse, uma mão idosa levada à boca, sangue; um eco, repetido diversas vezes. Otelo, tirado de sua concentração, correu em direção à avó, deu-lhe pequenos tapas nas costas e percebeu o suor escorrendo entre as rugas. Foi a cozinha, a fim de molhar um pano, apaziguar a febre da mulher. Mas aquelas rugas… era como olhar as rachaduras de um solo árido. A seca e a morte desérticas. Que o fizeram mudar de ideia: a Ave Maria de Lady Godiva ecoando em seu ouvido, um coro gregoriano ao fundo, os violoncelos e violinos em polvorosa, o delírio aumentando. Aproximou-se da senhora, debruçando sobre ela e, com a orquestra num estrondo, atravessou a faca em seu peito. Pôde ouvir um último suspiro. Otelo ajoelhou e apoiou a cabeça no colo daquela que um dia o vira nascer.

 

ATO 6: CONTATO DE MIL GRAUS

 

Foi como se retornasse cada ano de sua vida: lembrou da juventude, quando era solitário, porém livre. E era a mesma sensação. Retornou mais um pouco e, com as mãos ensanguentadas, atravessou a sala do apartamento engatinhando, arrastando-se, manchando de vermelho o tapete, móveis e parede. Maculando todo o apartamento. O choro brotou de sua garganta e, em desespero, gritou. E se não fosse o fim? Quais seriam suas consequências? Pensou, olhando para a janela, para o clarão vindo lá fora. Era ela: enorme, como nunca imaginara. Um casco reluzente circuncidava uma massa disforme. Não possuía olhos, mas inúmeras cavidades, como tubos de um órgão, o som através do sopro. E tentáculos finos e delicados brotavam de todo seu corpo sob o casco, movimentando-se como a crina dos cavalos, o mesmo material dos arcos de violinos.

 

Era Lady Godiva. E Otelo estava apaixonado pela presença cósmica dela. Linda, essa extraterrestre que fora sua Salomé, sua Titânia. Ele sentiu a pele queimar e percebeu que sim, havia vida inteligente lá fora, e até mais que isso: era bela, harmoniosa e tocante. Seu corpo ebuliu em pequenos espasmos, imaginou estando ao lado da fera de outro mundo, um prazer dominou sua mente, culminando num grande orgasmo sideral. Otelo retornou ao início da vida e, como tudo ao seu redor, foi consumido em chamas. Contato de mil graus, a Terra em banquete. E sua consciência humana, onde quer que estivesse, dançou pelo vácuo do tempo. A fera desconhecida, que não conseguiu domar, que o transformou em outro Otelo, que olhou para ele como um espelho, continuou a trotar pela escuridão do espaço, entoando a canção do vazio. Lady Godiva mergulhou no fosso do abismo, incompreendida, com a fome incessante e o eterno desejo de retornar para casa.

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Sobre Fabio Baptista

14 comentários em “A Canção do Vazio em 6 Atos (Domênico)

  1. Fheluany Nogueira
    18 de setembro de 2018

    O conto parece-me uma ópera de réquiem — Mozart, Verdi, Wolfgang compuseram obras desse tipo — isto é, uma missa fúnebre apresentada como uma ação cênica acompanhada de música teatral, desprovida de partes faladas.

    No conto, a alienígena Lady Godiva simboliza o desconhecido, a morte e, depois com o deslumbramento do protagonista, é a libertação (por isso ele mata a idosa doente). Assim, o drama é a aproximação da morte, o medo do desconhecido, que é apresentado utilizando os elementos típicos do teatro: cenografia e atuação (a tragédia do apocalipse representado pela destruição da Terra e, mais pessoal, a morte da avó). Não há diálogos e a música está na semântica escolhida pelo autor.

    O enredo: uma esfera do tamanho de um planeta, representando o mal supremo, está a aproximar-se da Terra a uma velocidade vertiginosa e ameaça todas as formas de vida (como no filme Quinto Elemento); de outro lado, o drama particular de Otelo e a avó.

    O texto é pretensioso, no bom sentido, com linguagem grandiloquente, recheada de metáforas, significados múltiplos e referências simbólicas, que o aproximam de um poema épico, com um herói representante da coletividade.

    Não consigo definir se gostei ou não, mas foi uma leitura prazerosa e considero, no conjunto um bom trabalho, criativo, original.

    Parabéns pela participação. Abraço.👏

  2. Marco Aurélio Saraiva
    16 de setembro de 2018

    Olá!

    Eu não conhecia a lenda de Lady Godiva até agora. Terminei de ler o conto e fui procurar. Confesso que foi difícil fazer a ponte entre a lenda e o seu conto e, para dizer a verdade, nem sei se consigo até agora.

    Vamos primeiro para os elogios: sua escrita é maravilhosa, poética, divina. Cheia de significados, nuances e referências. Ler o seu conto foi como apreciar uma bela obra de arte na parede, daquelas que, mesmo que você não entenda, te fazem pensar.

    A meu ver o conto tem toda a sua base em Otelo e a sua avó Eulália. Otelo vê na sua avó um futuro sombrio, e percebe que sua vida não teve significância ou impacto algum no vasto mundo em que vive. Ainda pior, ele coloca tudo em perspectiva e percebe que sequer seria um grão de areia na história do universo. Viu-se como um nada, alguém que nada realizou, fadado a terminar a sua vida como a sua vó, a essência sumindo aos poucos com o tempo. Assim, no ápice destes pensamentos, ele esfaqueia a própria Eulália, como que em uma tentativa de matar o próprio futuro em desespero.

    Lady Godiva para mim é apenas esta perspectiva que ele vislumbrou: a complexidade do universo diante da nossa insignificância. Um pensamento que nos assusta. Ela também significa, de certa forma, o nosso desejo (ou a nossa visão) de que o mundo acabe quando nós acabamos. Afinal, de certa forma, é isso mesmo que acontece. E, ao encravar a faca em Eulália, Otelo desejou que o mundo acabasse em seguida, com medo das consequências. Talvez ele tenha se matado. Talvez, simplesmente, tenha desistido de tudo.

    Enfim, um conto muto bonito, uma escrita primorosa e poética e que, se há um pecado nele, talvez seja o fato de estar aberto demais a interpretações.

    Abraço!

  3. angst447
    14 de setembro de 2018

    Olá, autor, tudo bem?
    Conto bem escrito, dividido em atos de uma ópera. Há várias referências no seu texto: Otelo, Antifona, Lady Godiva, Requiem, os 86 anos que lembram o ano 1986 quando o cometa Halley passou por aqui, Pietá, contato de mil graus (referência a contato de terceiro grau?), Salomé. Enfim, uma miscelânea de elementos culturais.
    Há o emprego de um tom teatral que predomina em toda a narrativa, chegando ao auge com o assassinato para poupar a avó de coisa pior… Godiva vem chegando, galopando, nua e descabelada…
    Não foi das leituras mais fáceis, mas resultou em um trabalho bem elaborado.
    Boa sorte!

  4. Caio Freitas
    13 de setembro de 2018

    O conto tem uma estrutura diferente dos demais, o que o torna mais interessante de ser lido. Só fiquei um pouco triste com o fim da dona Eulália. Se era para ela morrer daquele jeito, sem fazer nada, nem precisava estar lá. Pareceu que a ligção do rapaz com a avó não era tão profunda assim. Se ele estava tentando poupá-la de Lady Godiva, acredito que uma facada não seja o meio mais misericordioso. Parabéns pelo conto e boa sorte no concurso.

  5. iolandinhapinheiro
    12 de setembro de 2018

    Olá, autor!

    Seu conto é uma ópera. Refinada (na linguagem), elegante (na postura inabalável dos que serão dizimados), apaixonada (na entrega sem limites e com prazer àquela morte tão sedutora a qual foram destinados).

    Achei seu conto lindo, e mais que poético, achei teatral, com palavras, gestual, pensamentos e dramaticidade, tudo cuidadosamente trabalhado para criar beleza e estímulos sensoriais a quem lê.

    Gostei da sua alienígena colossal, cumprindo a sua missão aniquiladora, adorei ver um conto fugir do velho modelo do homenzinho verde de olhos negros.

    Parabéns pelo apuro, pelas escolhas, pela ambientação. Acho que só faltou um pouco mais de investimento nos personagens (Otelo e sua avó), mas talvez trazer muita empatia entre eles traria um descompasso com a opção distanciada (emoções controladas, inglesas) que o conto traz, deixando a dramaticidade aparecer em sua grandiosidade apenas no final.

    Parabéns, viu? Sorte no desafio.

  6. Evelyn Postali
    8 de setembro de 2018

    O vazio é a morte. A canção do vazio, para mim é a canção da morte. Seu conto é muito, muito bom. Porque a morte se aproxima e ela acontece, de fato, mesmo que queiramos outro final. Ela é derradeira e cruel e, nesse caso, sonora. Mas não apensa sonora. Ela é quente, radioativa. Ela é luminosa e reveladora. Eu gostei demais do uso de elementos de música, de coisas que me remeteram à ópera, de relações que você sutilmente me fez fazer.
    A questão de ser uma morte imposta é ainda mais cruel. Porque, nascemos com uma certeza: vamos morrer. É uma contagem regressiva. O que acontece no conto é uma imposição. O fim se aproxima para todos e em um dia determinado. Ela chega e varre tudo o que está pela frente. A agonia que desperta seu conto é a agonia de não se ter para onde fugir, de não se ter esconderijo, de perder-se a soma de muitas gerações.
    Eu levaria muito tempo para comentar se tivesse que descrever todas as imagens formadas em minha mente com a leitura desse conto. É impactante. Também não sei se conseguiria descrever os sons que algumas passagens despertaram em mim. Tem um amontoado de significados nele. Muitas relações que construí à medida que lia.
    Parabéns! Boa sorte no desafio. E abraços!

  7. Alessandro Diniz
    7 de setembro de 2018

    Oi, Domênico! Seu conto é interessante. O texto é bem coeso. Seu português é ótimo. A abordagem do tema foi bem diferente. Conseguiu criar uma atmosfera nostálgica boa e também a resignação a qual se entrega o protagonista. É um texto bastante floreado, tinha partes que vinha a visão de uma orquestra em minha mente, pois vc ainda não tinha dado forma à criatura. Achei um pouco repetitivo umas partes, especialmente “o tocar no íntimo das pessoas”, que ficou um pouco estranho. É um bom conto. Lembre que estou avaliando como escritor. Talvez um leitor comum não perceberia nada do que citei. Parabéns! Boa sorte!

  8. Antonio Stegues Batista
    6 de setembro de 2018

    Godiva, um nobre inglesa, cuja lenda diz que ela cavalgou nua pela cidade para cumprir uma promessa. Otelo, na obra Shakespeare, era casado com Desdêmona. Godiva realmente existiu, Otelo é personagem de uma peça de teatro. Achei que no conto os dois teriam uma referência, mas não tem. O autor quis fazer uma espécie de opera, mas algumas coisas não combinaram, inclusive o neto matando a avó por ela ser idosa, se era para ser uma opera trágica, não acho que ficou bom. Algumas frases e metáforas estão excelentes, mas o “alienígena” ficou meio forçado. Existe na história uma leve semelhança com o filme O Quinto Elemento, onde tem uma opera cantada por uma alienígena e um ser monstruoso que come mundos e ameaça o universo, consequentemente, a Terra. Leve semelhança. Boa sorte.

  9. Ricardo Gnecco Falco
    3 de setembro de 2018

    Muito bom o conto! Leva o leitor até bem próximo da alma de seu protagonista, através de uma sonora descrição de fatos externos (a chegada do Armagedom e os efeitos que tal proximidade imprime às sociedades) e — o mais interessante — também internos (os mais profundos medos, anseios e resoluções de Otelo). Achei legal o fato de não existir um “alienígena” propriamente dito, no sentido de um Ser (geralmente parecido com a gente) de outro mundo; mas sim todo ‘um outro mundo’ (Lady Godiva), que não vem apenas para aniquilar a Terra… Essa “massa” disforme e musical, encontra a afinação perfeita no protagonista; um uníssono que ‘dá forma’ ao conto, tornando esta apocalíptica história uma verdadeira sonata intrínseca, afundando o leitor dentro do emocional de Otelo. As metáforas e imagens inspiradas pela pele enrugada e pelo reverberante silêncio de dona Eulália ecoam por toda obra, contribuindo também para o gran finale desta ópera repleta de som e poesia. Parabéns pelo trabalho e obrigado por compartilhar sua criação! Foi uma leitura muito prazerosa. Boa sorte no Desafio!
    Paz e Bem!

  10. Wilson Barros
    3 de setembro de 2018

    Não há como não lembrar de Galactus, o devorador de mundos e dos episódios de Jornada nas Estrelas, Kirk, Spock e McCoy. Inicialmente pensei que o conto seria difícil de ler, mas logo descobri-o fluente. A frase “E o fim, como um arrebatamento, sempre liberou o que há de mais íntimo em cada um.” é um primor. Há muitas outras frases assim. O fim da humanidade proposto é poético, musical, artisticamente trabalhado ao estilo de Robert Frost, como o final de uma música ou poema. Já para o fim o conto torna-se especulativo, reflexivo, uma bela combinação com o início mais descritivo. Lembrei-me da música “Eu te devoro” de Djavan. Um conto denso e com ritmo.
    Eu noto que aqui as pessoas preferem os contos mais tradicionais, por isso, embora esse conto seja muito bom, talvez não seja muito aceito, mas isso faz parte.
    P.S. acho que o verbo “trepassar” pode ser usado aqui, no sentido de atravessar, cruzar, como nos versos da bela poetisa são-tomense Conceição Lima:

    “FRONTEIRA
    Trespassar é a sina dos que amam o mar.”

    Ou nesses, mais belos ainda:

    “ESTA VIAGEM
    Esta viagem não responde às minhas perguntas.
    Trespassei o aço das certezas.”

    (do livro “O País do Akendenguê”)

    Mais uma vez parabéns, seu conto é muito belo.

  11. Anderson Roberto do Rosario
    2 de setembro de 2018

    Estrutura diferente, falando de contos. Dividido em atos, como ópera ou uma peça de teatro. Não me chamou atenção, nem me atraiu a história. Talvez não estivesse preparado para algo assim. Gostei da poética, da escolha de palavras. Preocupação com a estética do texto. Mas enfim, desejo-lhe sorte no desafio.

  12. José Geraldo Gouvea (@jggouvea)
    2 de setembro de 2018

    Logo no primeiro parágrafo há uma escorregada semântica. O/a autor/a resolveu fazer uso de um certo preciosismo de vocabulário e pinçou uma palavra de dicionário, só que a empregou de forma inadequada. Trespassar não significa ‘atravessar’ no sentido de um lado a outro, mas ‘atravessar’ como uma flecha que entra de um lado e aponta do outro de um corpo. Uma bala atravessar, uma lança trespassa.

    Esse tipo de escorregada revela que o autor está mirando mais alto do que sua base, e está, portanto, inseguro.

    Esta impressão se mantém no excesso de pontuação, especialmente nas frases curtas, mais fáceis de concordar, mais fáceis de ler. Pode ser mais fácil de ler, mas o ritmo fica quebrado, anguloso, áspero.

    O efeito almejado parece ser o de um poema em prosa, muito mais que o de uma narrativa, mas as metáforas se perdem. As referências históricas e mitológicas não revelam, apenas distraem. Esperei que o nome “Lady Godiva” tivesse uma razão de ser, mas ele não tem. Não apenas esta Godiva não se caracteriza pela pureza e pelo desejo de proteger o povo, como tampouco está nua, visto que o/a autor/a diz que ela estava “Protegida por uma Nave-Mãe, feita de um duro casco furta-cor”. O mesmo se refere a Otelo, que não é uma pessoa roída pelo ciúme e nem enganado pela manipulação, mas alguém que se devota ao amor e que duvida das versões que lhe chegam. Desse jeito, os nomes parecem aleatórios demais e atrapalham em vez de ajudar.

    Enfim, não gostei.

    • Domenico
      3 de setembro de 2018

      Olá, José! A ideia, por falar de música, é sentir mais que racionalizar. O começo, como uma metáfora erótica, ela abre a fivela do cinturão, trespassa, há o néctar sagrado… Inclusive essa Lady Godiva surgiu mais da música do Fawcett que da figura histórica. Pena que não gostou, mas valeu pelo ponto de vista, num outro momento quem sabe não seja outra experiência.

  13. Nilza Amaral Antunes de Souza
    2 de setembro de 2018

    o contista devia planejar qual efeito intencionA motivar no
    receptor para que incidentes no ato de leitura pudessem ser evitados. Assim, o leitor
    era um objeto considerado fundamental no processo de criação literária, pois as ações
    voltadas à construção narrativa devem levar em conta o seu receptor, embora este
    não receba uma definição precisa ou um perfil ideal. O leitor, contudo, deve ser
    pensado como elemento importante para o alcance intencional da narrativa, vez que
    todo conto, escrito de forma breve, ou seja, texto curto, deve provocar no leitor a
    “elevação da alma”(cORTAZAR)
    Nesse conto o autor mescla saudades de sua vida passada, com epsódios futuristas, integrando Lady Godiva e Othelo em seus devaneios.A invasão alienigina provocando anseios e desejos irrealizados O futuro, a Ldy Godiva mesclado com o passadom as rugas desérticas da avó.Apesar do cacófito quase no final a imaginação prevaleceu e esse conto, quase uma noveleta, pleno de recordações e peças clássicas, talvez tenha provocado nos leitores como provocou em mim uma ária dos tempos futuros apoiado em fatos passados, trnasformando uma lady godiva em uma alienína romantica.

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Informação

Publicado em 2 de setembro de 2018 por em Alienígenas.