EntreContos

Detox Literário.

A Canção do Vazio em 6 Atos (Fil Félix)

 

ATO 1: ANTÍFONA BAILADA

 

A acústica do vácuo espacial retumbou com a passagem de Lady Godiva, que comandava sua orquestra sobre o silêncio da noite. Um rastro de migalhas cósmicas era deixado nos locais por onde trespassava, consumia e sugava o néctar sagrado das matérias. Uma criatura de apetite voraz, mais que parasita: predadora; insaciável. O cinturão de asteroides em seu percurso sentiu a ressonância emanamdo do seu corpo, como cavalgando um cavalo branco, trotando espaço afora. Cada passo uma nota. E ao aproximar-se, abriu a fivela do cinturão num só lamento, gemido em dó menor. Consumiu tudo, prosseguindo seu cavalgar. Toda nua, despida de julgamentos. Passou raspando, quase que bailando ao som da habanera, pelo planeta vermelho: l’amour… estava apaixonada pelo planeta azul.

 

ATO 2: RÉQUIEM PARA A TERRA

 

A notícia percorreu rápida todos os meios de comunicação: canais de TV, estações de rádio, matérias em jornais e na internet. Em questão de minutos, após o vazamento por fontes de órgãos públicos, o caos instalou-se na Terra. Os líderes mundiais foram obrigados a pronunciarem a derradeira canção terrestre, em todos os canais possíveis. Um comunicado aos moldes de Orson Welles, confirmando os boatos de uma guerra dos mundos contemporânea.

 

Há pouco mais de um ano descobrimos que uma enorme massa alienígena, de composição desconhecida, estava viajando há anos luz pelo espaço. Destruindo o que encontrasse no caminho. Nossas tentativas de contato foram negadas. Denominamos a criatura de Lady Godiva e, há algumas horas, ela desviou de Marte e segue em direção à Terra. Pela velocidade, prevemos impacto em menos de quatro meses […]

 

Havia um plano de contingência, obviamente. De fugir: ilustres e milionários no comando, abandonando o barco azul e verde à fome de Godiva. O povo, essa massa terrestre, la pasta delle persone, entregue. A cabeça da gente servida em bandeja de prata. As pessoas de fé agarraram-se em retiros, céticos desmentiram o Governo: novo golpe; conspiração. O fim estava próximo. E o fim, como um arrebatamento, sempre liberou o que há de mais íntimo em cada um.

 

ATO 3: CULTO AO TEMPO

 

Otelo fitou sua avó por alguns minutos, dois ou três, que pareceram a eternidade. Ela, na altura dos seus 86 anos, bastante senil, definhava sobre uma cadeira de descanso, colocada junto à janela a fim de receber os primeiros raios do sol. Dona Eulália. Uma flor, como costumavam chamá-la, murchando. Ele, na outra extremidade da sala, à meia sombra e com o semblante sério, apoiava o braço no sofá, reflexivo. Ambos terminaram de mastigar o último pedaço do bolo, servido momentos antes. Era aniversário dele: uma festa solitária, apenas os dois, comemorando seu 36º ano. Será que ela ainda me reconhece?, ele pensou, antes de transferir o olhar para a janela, para o sol que pousava lá fora.

 

Não acreditou nas notícias, quatro meses antes. Na idéia de que o mundo estava com os dias contados. Não pôde acreditar nos vizinhos abandonando seus apartamentos, na gente da rua abarrotando de malas os seus veículos, correndo, fugindo. O bairro, antes extremamente volumoso e barulhento, ficou vazio. Ele optou por permanecer ao lado da avó, que não teria condições de viajar, quiçá percorrer o país em busca de proteção, pois dependia do neto para as atividades mais básicas. Ele a alimentava, banhava e limpava. E optou por fazê-la companhia, também na tentativa de superar o abandono da esposa, que seguiu rumo ao Norte, onde, segundo os boatos, haviam vários bunkers. Quis acreditar em sua própria crença: não é verdade, não pode ser. E aos poucos, assim como as ruas do bairro, os comércios e a própria dispensa da casa se esvaziavam, o mesmo ocorria à alma de Otelo. Engoliu o pedaço do bolo e fitou a avó pela última vez. Ele sentiu, ao observá-la novamente, cada ruga e dobra do seu rosto, todas as marcas do tempo – este titã insano e deplorável – que esta seria a derradeira vez. Da janela, um pequeno zunido aos poucos transformou-se em coro: o canto plural de Lady Godiva. Otelo percebeu, ao olhar melhor o horizonte, uma mancha surgindo no lusco-fusco, um brilho, como que reluzindo do corpo nu da invasora, que tocava as primeiras notas de sua nova sinfonia mortal, um deslizar de toques sobre um piano cósmico.

 

Naquele momento soube que não veria mais Dona Eulália. A perderia, em nome de sua própria liberdade. Mas não para Lady Godiva. Não. A velhice, muito mais que a morte, o apavorava. Cada aniversário era, para Otelo, um punhado a mais de areia descendo pela ampulheta da vida. Ficava angustiado, principalmente por ver em sua avó uma espécie de espelho, do que poderia aguardá-lo no futuro. Tomado por um vazio existencial, questionando suas verdades e mentiras, o que foi e o que não poderia mais ser em sua própria vida, estava Otelo ali, à meia sombra, no dia do impacto final. Os olhos vidrados em Dona Eulália.

 

ATO 4: HOSANA

 

Lady Godiva começou a entoar sua canção de guerra ao aproximar-se da atmosfera terrestre. Protegida por uma Nave-Mãe, feita de um duro casco furta-cor, não sentiu o impacto da passagem. Pelo contrário: o contato da nave, superaquecendo e disparando faíscas, exibiu um espetáculo de cores. Uma aurora boreal que dançou em todo o céu da Terra. Emanando radiação e ondas de rádio, afetando toda e qualquer pessoa no planeta. E assim, cada qual ao seu modo, passaram a ouvir a ópera espacial de Lady Godiva, cantada numa voz baixa, porém hipnotizante. Grave, porém macia. Uma poderosa voz de contralto, sustentando uma nota pela eternidade. Uma ária em dialeto estranho, extraterrestre. Ao fundo, o pesar das cordas de um violoncelo cósmico. Triste e apaixonada, Lady Godiva, uma criatura de puro instinto, percorreu em círculos a via láctea, cantando sua própria Ave Maria, que ecoou pela mente de cada pessoa na Terra, despertando o íntimo em cada uma delas.

 

ATO 5: PIETÀ ÀS AVESSAS

 

Debruçado sobre o peitoral da janela, Otelo relembrou seus 36 anos e percebeu a vida que vivera à mercê dos outros. A infância dolorosa. A juventude solitária. O casamento que não dera certo. A filha natimorta. Sua avó; essa mulher que presenciou, distante, a todos esses momentos. Ali, como se aos primeiros acordes de uma orquestra fossem num crescendo, Otelo deu-se por derrotado: o quão banal fora sua vida. Um dedilhar pesado na corda de um dos violinos e a primeira lágrima escorregou por sua face.

 

Lady Godiva aproximava-se da Terra, liberando seus gases radioativos, deixando o ar mais rarefeito, despertando o íntimo em cada ser abandonado. Otelo podia ter certeza que esta era a explicação para seu momento de lamúria. Não acreditava que poderia sofrer um colapso, não agora, pensava. O fim iminente, a incerteza de ser devorado por uma criatura completamente estranha e amorfa não poderia, jamais, tirá-lo de si. Esse encontro com o desconhecido, no entanto, era o que o seduzia.

 

Dona Eulália já não possuía a gana da juventude, não deixara-se seduzir. Estava senil, mal ouvia. E, no novo acorde dessa orquestra mental que era o arauto da devoradora de mundos, o friccionar rápido dos arcos nas cordas dos violinos, cada vez mais rápidos, anunciaram a mise en scène: uma tosse, uma mão idosa levada à boca, sangue; um eco, repetido diversas vezes. Otelo, tirado de sua concentração, correu em direção à avó, deu-lhe pequenos tapas nas costas e percebeu o suor escorrendo entre as rugas. Foi a cozinha, a fim de molhar um pano, apaziguar a febre da mulher. Mas aquelas rugas… era como olhar as rachaduras de um solo árido. A seca e a morte desérticas. Que o fizeram mudar de ideia: a Ave Maria de Lady Godiva ecoando em seu ouvido, um coro gregoriano ao fundo, os violoncelos e violinos em polvorosa, o delírio aumentando. Aproximou-se da senhora, debruçando sobre ela e, com a orquestra num estrondo, atravessou a faca em seu peito. Pôde ouvir um último suspiro. Otelo ajoelhou e apoiou a cabeça no colo daquela que um dia o vira nascer.

 

ATO 6: CONTATO DE MIL GRAUS

 

Foi como se retornasse cada ano de sua vida: lembrou da juventude, quando era solitário, porém livre. E era a mesma sensação. Retornou mais um pouco e, com as mãos ensanguentadas, atravessou a sala do apartamento engatinhando, arrastando-se, manchando de vermelho o tapete, móveis e parede. Maculando todo o apartamento. O choro brotou de sua garganta e, em desespero, gritou. E se não fosse o fim? Quais seriam suas consequências? Pensou, olhando para a janela, para o clarão vindo lá fora. Era ela: enorme, como nunca imaginara. Um casco reluzente circuncidava uma massa disforme. Não possuía olhos, mas inúmeras cavidades, como tubos de um órgão, o som através do sopro. E tentáculos finos e delicados brotavam de todo seu corpo sob o casco, movimentando-se como a crina dos cavalos, o mesmo material dos arcos de violinos.

 

Era Lady Godiva. E Otelo estava apaixonado pela presença cósmica dela. Linda, essa extraterrestre que fora sua Salomé, sua Titânia. Ele sentiu a pele queimar e percebeu que sim, havia vida inteligente lá fora, e até mais que isso: era bela, harmoniosa e tocante. Seu corpo ebuliu em pequenos espasmos, imaginou estando ao lado da fera de outro mundo, um prazer dominou sua mente, culminando num grande orgasmo sideral. Otelo retornou ao início da vida e, como tudo ao seu redor, foi consumido em chamas. Contato de mil graus, a Terra em banquete. E sua consciência humana, onde quer que estivesse, dançou pelo vácuo do tempo. A fera desconhecida, que não conseguiu domar, que o transformou em outro Otelo, que olhou para ele como um espelho, continuou a trotar pela escuridão do espaço, entoando a canção do vazio. Lady Godiva mergulhou no fosso do abismo, incompreendida, com a fome incessante e o eterno desejo de retornar para casa.

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Sobre Fabio Baptista

33 comentários em “A Canção do Vazio em 6 Atos (Fil Félix)

  1. Daniel Reis
    12 de outubro de 2018

    Prezado Autor: inicialmente, esclareço que, neste Desafio, dividi a análise em duas etapas – primeira e segunda (ou até terceira e quarta) leitura, com um certo espaçamento. Vamos às impressões:

    PRIMEIRA LEITURA: o título já assusta – seis atos!!! E isso se confirma na leitura, com capítulos nominados (o que, gosto pessoal, eu não costumo usar), fartas descrições do universo interior dos personagens e referências da alta e da baixa cultura. Não entendi muita coisa, mas o autor domina bem o idioma e é culto.

    LEITURAS ADICIONAIS: tentei ler mais duas vezes o texto e me deixou com uma impressão cada vez mais rococó, com filigranas e exageros. Acho que o experimentalismo me cansou um pouco, ultimamente, e esse texto saiu do meu universo compreensivo. De qualquer forma, parabéns ao autor pela coragem.

    Desejo a você, e a todos os participantes, sucesso no desafio e em seus futuros projetos literários!

  2. Priscila Pereira
    11 de outubro de 2018

    Olá Domênico,
    Seu conto é muito intenso né, eu curti bastante. Um amo óperas e o Réquiem, musica clássica no geral… então pra mim foi muito interessante essa mistura de conto e ópera. Lady Godiva é certamente o aliem mais memorável desse desafio, terrível e ao mesmo tempo fascinante!
    A estória do Otelo e sua avó ficou muito verossímil e causou empatia.
    Um conto muito inteligente, bem pensado e executado. Com uma beleza e profundidade invejáveis.
    Parabéns e boa sorte!
    Até mais!

  3. Miquéias Dell'Orti
    11 de outubro de 2018

    Olá!!

    A estética desse conto foi o que mais m atraiu. Há um trabalho muito dedicado do autor em montar os atos e construir as imagens em cada um deles de forma a nos fazer perceber (até certo ponto) indícios sonoros da obra, como se estivéssemos realmente ouvindo um grande ópera.

    O drama do personagem e suas frustrações diante dos anos perdidos nos faz pensar. Coloca-nos em uma reflexão acerca da nossa própria insignificância. E ainda, (pelo menos interpretei dessa forma),apesar da referência ao Otelo de Shakespeare, que mata sua amada injustamente. O Otelo de nosso conto, mata a vó, e se vê cercado pelo remorso e pelo medo “e se o fim do mundo não for verdade? Quais serão as consequências para mim?”, algo parecido ao que acontece com o Raskólnikov de Crime e Castigo.

    Minhas únicas ressalvas seriam por alguns poucos erros que encontrei e que podem ser suprimidos facilmente em uma revisão. Cito alguns:

    emanamdo – emanando

    haviam – havia

    e o uso incorreto dos pronomes demonstrativos: este/esse e esta/essa.

    No mais, um belo conto, sem dúvidas.

    Parabéns!

  4. Pedro Paulo
    10 de outubro de 2018

    Antes de começar, esclarecerei alguns dos critérios a partir dos quais estarei avaliando, ainda que a nota não vá estar totalmente definida antes do desafio. Avaliarei o conto a partir do domínio da língua portuguesa, da estruturação da narrativa, da adequação ao tema e, enfim, mas não menos importante, da criatividade. Vê-se que são critérios interligados. Vamos lá!

    Separarei análises para cada ato, primeiramente assinalando logo que a divisão em atos serviu muito bem ao enredo, permitindo que o autor desenvolvesse aspectos diferentes em cada momento da narrativa, cada qual diretamente contribuinte para a montagem da trama, fazendo com que a soma de todos os elementos se fizesse de forma coerente e verdadeiramente impactante.

    O ato número 1, mais curto, nos introduz à criatura alienígena, nos dispondo logo seus principais aspectos: a sonoridade retumbante; seus potenciais destrutivo e predatório; e o quão colossal é. Encerrou-o nos colocando Lady Godiva, essa esplendorosa ameaça, em direção à Terra, já aí iniciando o conflito.

    O ato número 2 é panorâmico, fazendo saber como a chegada iminente da Lady Godiva foi sentida pelos terráqueos e equiparando sua chegada, muito apropriadamente, ao arrebatamento. O terceiro ato é importante por fazer duas coisas: em primeiro lugar, nos tira do confronto iminente entre Lady Godiva e a Terra; e em segundo, aproveita essa mudança de foco para nos apresentar ao protagonista e seu conflito individual, refletido na figura da avó, que materializa para ele a crueldade da passagem do tempo e lembra ao próprio que o tempo também passa para ele. É só mais próximo do final que Otelo e Lady Godiva se encontram, e sua aparição é muito bem descrita: um bloquear de céus, uma orquestra do apocalipse.

    O ato número quatro transfere o ponto de vista para a chegada de Godiva, praticamente servindo para relatar sua entrada na atmosfera. Aqui, aproveito para comentar um aspecto da narrativa que faz da leitura muito prazerosa, que é a linguagem empregada, essencialmente poética, com metáforas e analogias que enriquecem essa figura monstruosa e celestial que é Lady Godiva. Escolho o ato número quatro para comentar esse aspecto porque se aproveitou de um fato técnico, a entrada na atmosfera, para nos descrever uma linda imagem. Ao mesmo tempo, o ato não é meramente descritivo, pois retoma a consequência principal de sua chegada: o íntimo de cada um será acordado. E justamente por termos conhecido Otelo e o seu medo do tempo no ato anterior, conseguimos criar expectativa para o que vem a seguir.

    Ato número 5. O efeito do arrebatamento, o principal conflito da personagem e o contato completo entre alienígena e homem: tudo isso se soma nesse momento, quando Otelo assassina a vó. Seria um ato vazio se não tivéssemos tido um recorte específico para conhecermos o protagonista e o que a vó significava para ele, da mesma maneira que reservar um momento para descrever a natureza peculiar e influente de Lady Godiva nos serviu para entender essa consequência semifinal entre homem e alienígena.

    E para o verdadeiro fim, o ato número 6, temos a consumação entre o contato de Lady Godiva e a Terra, que acompanhamos pela perspectiva de Otelo. Dessa maneira, a descrição ficou dividida entre a destruição da Terra e a peculiar sensação prazerosa de estar sendo consumido, sentida por Otelo como a instalação de uma paixão que beira ao sexual, um “orgasmo sideral”. Tudo relatado em boa linguagem poética. Ou seja, a divisão em atos contribuiu para o conto e nos permitiu uma história com elementos bem desenvolvidos. Parabéns!

  5. Evandro Furtado
    10 de outubro de 2018

    Pontos Negativos

    – Nada aparente;

    Pontos Positivos

    – O conto evoca uma narrativa épica/teatral, misturando elementos de forma muito singular e própria;
    – Gostei da divisão em atos e em como cada um tem sua própria forma de ser. A escrita poética também contribui para isso;
    – O final deixa na gente uma sensação de pequenez em relação ao resto do universo. Há algo de niilista, por aqui, já que no final tudo perde sentido. Ou sentidos novos são construídos? De fato é impossível dizer, mas há uma beleza diante de tal realização. As amarras se quebram, tudo se esfacela em incertezas.

    Balanço Final: Outstanding

  6. Amanda Gomez
    10 de outubro de 2018

    Oi, Domênico.

    Temos aqui um conto em que a criatividade e originalidade chamam bastante atenção, o conto é visual e sonoro entregando uma experiência muito interessante ao leitor, Lady Godiva é uma figura sensacional, gostei de tudo nela, das descrições de sua aparência, do ser incompreendido, da sua fome romântica. Gostei desse ” apocalipse” sendo visto pelos olhos de um homem sem perspectiva, em sonhos, sem medo… foi interessante vê ele se reencontrando no fim, se enxergando, visitando o seu íntimo.

    A narrativa é densa mas achei com bastante fluidez também, instigante… um tanto poética também.

    Parabéns pelo trabalho. Boa sorte!

  7. Sarah Nascimento
    9 de outubro de 2018

    Olá! Conto criativo e interessante! Sua criatura alienígena é única e poderosa. Legal a sua divisão em atos e os títulos deles, deu um toque a mais na história.
    Você escreve muito bem. Os pensamentos e sentimentos do Otelo deixam a gente entender como ele vê toda a situação.
    Achei meio extremo ele ter matado a avó. Porém foi legal colocar o medo dele caso não acontecesse nada e ele tivesse de lidar com o que tinha feito.
    A descrição da alenígena ficou ótima também.
    Achei a comparação com música um pouco estranha. Ela faz sentido para o conto, mas só encaixou perfeitamente com os acontecimentos nas partes finais.
    Não tenho ponto negativo para citar, parabéns pelo conto.

  8. Fabio Baptista
    9 de outubro de 2018

    Anotações durante a leitura:

    – ATO 2: RÉQUIEM PARA A TERRA
    >>> Gostei demais desse título. Gosto tanto dessa palavra réquiem e acho que nunca a escrevi em uma história.

    – A notícia percorreu rápida todos os meios
    >>> rapidamente

    – estava viajando há anos luz pelo espaço
    >>> anos-luz é uma medida de distância, não de tempo. Isso conflita com o “há”. Seria correto “por anos-luz”.

    – E optou por fazê-la companhia
    >>> fazer companhia a ela

    – haviam vários bunkers
    >>> havia

    – dispensa da casa
    >>> despensa

    – todas as marcas do tempo – este titã insano e deplorável
    >>> gostei

    – uma espécie de espelho, do que poderia aguardá-lo
    >>> sem a vírgula

    – em cada
    >>> ficou um pouco repetitivo no final do ato 4 e início do 5

    – uma mão
    >>> cacofonia

    – Foi a cozinha
    >>> à

    – com a orquestra num estrondo, atravessou a faca em seu peito
    >>> isso surpreendeu, ficou legal!

    – Um casco reluzente circuncidava uma massa disforme
    >>> circundava (circuncidava é outra coisa! kkkk)

    – culminando num grande orgasmo sideral
    >>> credo, que delícia hahaha

    – E sua consciência humana, onde quer que estivesse, dançou pelo vácuo do tempo
    >>> boa!

    ———————

    Impressões finais:

    Foi um dos contos que mais gostei no desafio. A estrutura, em formato de ópera (pelo menos eu imaginei assim), foi bastante criativa e a técnica é bem apurada, apresentando várias construções bonitas, tanto pela escolha das palavras quanto pelas imagens criadas. Só pecou um pouco além da conta na revisão, infelizmente.

    Na trama, é impossível não lembrar de Galactus naquele filme do Quarteto e o Surfista, quando ele era tipo uma fumaça e tal. Embora, pensando melhor, Lady Godiva talvez se pareça mais com o Galactus da HQ que viaja com a nave e tudo mais. Enfim… o interessante foi abordar essa ameaça cósmica de um ponto de vista bem humano, de um cara que simplesmente não tinha o que fazer diante do fim e seguiu ali cuidando da avó, até tomar a decisão surpreendente que comentei acima e, depois, se entregar à Lady Godiva.

    Ótima tragédia. Ótimo conto.

    Abraço!

  9. Rafael Penha
    8 de outubro de 2018

    Olá, Domenico,

    Seu conto é extremamente original, poético, visceral e bonito. Tem um enredo excelente, mas peca na execução.

    PONTOS POSITIVOS: A forma poética que a história é narrada, as descrições e a forma como o enredo é conduzido são excelentes. A criatura, Lady Godiva me lemnrou os Deuses Lovecraftianos, cegos e loucos, e um pouco do Galactus da Marvel. As reações na Tera são vívidas, a ligaçãod e Otelo com sua avó é bem explorada e tocante, o plot Twist no final é absolutamente imprevisível e estarrecedor e o final, triste, mas coerente.

    PONTOS NEGATIVOS: Achei que o tema do desafio foi apenas arranhado, pois, por mais que o monstro seja alienígena, ele parece mais, uma força da natureza do que propriamente um Alien, mas ainda assim, relevo. Além disso, particularmente, não gosto quando conceitos ciêntíficos são aplicados de forma errada, apenas para tentar dar um aspecto mais ciêntifico. Explico:

    – Seu conto peca na primeira frase, que me fez torcer o nariz: “acústica do vácuo espacial”. Não há som no espaço, assim, não pode haver acustica. Eu entendo o caráter metafórico, mas isso me incomodou.
    -Outra foi: “Há anos- luz”. Ano-luz é unidade de tempo, não de distancia.

    Ademais, por mais que o final do conto tenha me agradado, eu sinceramente esperava um final mais fantástico e feliz. O amor de Otelo pela sua avó, que vc construiu era tão bonito que merecia ser recompensado, mas vc o arrebatou de nós. Eu preferia um final feliz, mas este outro também foi excelente.

    Ultima crítica é quanto a gramática, há alguns erros que realmente incomodaram, mas tenho certeza que outros, mais qualificados, vão apontar .

    Eu realmente adorei o conto, mas fiquei triste com o fim, apesar deste ter sido ótimo. Ele é original, verossímil, bem descrito, bem narrado e com um ótimo enredo. Escorregou nos apontamentos que fiz, mas sem dúvida, um dos melhores do certame.

    Grande abraço!

  10. Dônovan Ferreira Rodrigues
    5 de outubro de 2018

    Em primeiro lugar parabéns. Escrever já é difícil, agora escrever bem assim… puts, um desafio. Um conto muito bem apoiado em prosa poética e em figuras de beleza. Não é meu estilo favorito, mas mesmo assim deve-se admirar uma boa ideia, mesmo quando não concordamos com ela. E esse conto é isso,uma boa ideia que, à sua maneira, pelo menos comigo, chegou aonde deveria: admiração. Tive um pouco de dificuldade de imaginar a massa alienígena e sua proteção de casco, não sei se era a intenção ou não, mas talvez isso se deva pelo fato de o modo de escrita não me fisgar logo de começo,nesse caso, imagino, a mente deixa de se importar com a criação do cenário. Enfim, parabéns de verdade pela capacidade e… talvez, apenas talvez, hajam referências demais o que, como um colega acima disse, talvez não acrescente ao texto.

    • Dônovan Ferreira Rodrigues
      5 de outubro de 2018

      Ps: Esse conto me lembrou muito o filme “Melancolia”. Era a intenção?

  11. Bruna Francielle
    4 de outubro de 2018

    Logo no começo do seu conto, pensei: “Ishi”, porque eu sou péssima pra entender escrita “poética” ( quando a história é cheia de “devaneios” e coisas “ilógicas”, geralmente eu não consigo extrair sentido e pra mim é o mesmo que ler em grego), mas, felizmente, essa escrita poética foi apenas na primeira e última parte – o meio foi mais claro, lógico e deu pra entender melhor.
    Fiquei me perguntando se os nomes colocados na história (como Otelo, Lady Godiva) teriam algum significado especial pra história, ou se foram escolhidos ao acaso. Confesso que no momento não será possível eu pesquisar os nomes pra saber se eles tem significado ou não, até porque imagino que não.
    A impressão é que li um texto sobre um neto e sua avó, feito de divagações e questionamentos do neto em relação a velhice, a sua vida e a sua avó. A parte alienígena ficou de fundo, de ambientação. Mas isso não foi de forma alguma um ponto negativo. Pelo contrário, deixou a história leve e fácil de ser lida, podendo causar até certa identificação no leitor.
    Pela narrativa se percebe que o autor(a) é muito bom com português e sabe escrever uma história de forma profissional.

  12. Jorge Santos
    3 de outubro de 2018

    Conto com principio, meio, fim e duas linhas narrativas que o complementam na perfeição. Por um lado, um ser alienigena que está apaixonado pelo planeta, mas para quem é irrelevante a vida que nele existe. No calor da paixão, milhões de vidas serão ceifadas, mas que de dane:o que importa é o amor. Por esse mesmo sentimento, o amor de um filho pela sua mãe, a personagem principal humana aceita sacrificar-se, numa clara alusão ao sacrifício que os pais estão sempre prontos para fazer pelos filhos. Tendo gostado das ideias apresentadas, da estrutura e do ritmo, gostei menos da linguagem, que creio poder ser melhorada.

  13. Emanuel Maurin
    28 de setembro de 2018

    Muitas metáforas deram leveza no início de seu conto. Não vou mentir dizendo que foi fácil interpretar toda narrativa que fala sobre um alienígena devorador de mundo, que não foi. Talvez o conto esteja além de minha compreensão, mas gostei muito da prosa poética. Reli algumas vezes para tentar entender, não foi uma leitura maçante e gostei do resultado.

  14. Delane Leonardo
    28 de setembro de 2018

    Sinto-me inclinada a reconhecer o seu trabalho como reflexo de muito esmero e vontade de fugir ao óbvio, pois o tema-desafio já foi explorado à exaustão, o que complicou o nosso trabalho. Confesso que considerei a leitura difícil, em função do excesso de elementos que compõem sua estrutura. Vou comentar o que achei mais desafiador: a linguagem em prosa poética. Seu texto explora muito as possibilidades da linguagem figurada. Tanto que, em determinados pontos, senti-me perdida. Para o meu gosto, houve excesso; mas isso é pessoal. Uma coisa positiva que me chamou a atenção foi o caráter híbrido do seu texto. Considerei muito interessante inserir no seu conto elementos de outros gêneros. Quanto às citações de personagens…. bom, foram muitas e outros colegas já teceram comentários bem interessantes. Concordo com aquele que disse que talvez não tenham cumprido seu propósito. Pelo menos não à primeira vista.
    Por fim, devo dizer que o estilo adotado por você neste texto não vai ao encontro do que gosto de ler, nem me despertou o interesse por algo parecido. Mas não posso afirmar categoricamente que não é um bom texto. Só não me agradou.

  15. Fabio D'Oliveira
    27 de setembro de 2018

    Acho justo esclarecer como avalio cada texto. Eu tento enxergar a essência do escritor e de sua escrita. Eu tento sentir o que o escritor sentia ao escrever. Eu tento entender a mensagem do conto. Eu tento mergulhar naquela história que o autor quis passar. Apenas ler o que está ali, apreciar o que foi oferecido, procurar entrar na história. Assim como todo bom leitor. Mas mantenho a atenção e meu sentido crítico. Então, já peço desculpas por qualquer coisa que fale que te cause alguma dor. Um texto que criamos é como um filho.

    – O que vi: Beleza. Sim, isso, acima de tudo. Em cada frase, vi beleza. Beleza, beleza e beleza. O escritor desse conto é talentoso e deve escrever, nem que seja como hobby, pois parece que ama fazer o que faz e como faz. Parabéns!

    – O que senti: O conto me capturou. E ele funciona muito bem da forma como foi construído. É uma história redonda, bem fechada, bem contada. Não precisa mais mexer nela. Está perfeita como está. Senti a dor de Otelo e até pena de Dona Eulália. Mais uma vez: parabéns!

    – O que entendi: Um alienígena gigantesco, que atravessa o universo, sentindo-se atraído pela vida (talvez querendo consumi-la). Otelo é um homem cansado da vida que tem, frustrado, que detesta a ideia da velhice, e que cede ao fim eminente. Abraça a loucura com tudo, matando aquilo que o impedia de viver sua própria vida. Bem, pelo menos ele acreditava que impedia. Dá pra sentir tudo, nesse texto. Amei, de verdade. Não adianta me alongar, pois terei apenas elogios para o escritor.

  16. Paula Giannini
    25 de setembro de 2018

    Olá Autor(a),

    Tudo bem?

    Seu conto aposta em uma espécie de sinfonia-escrita para decolar no desafio. Um texto rico em prosa poética e muito interessante ao utilizar a metáfora da música para conduzir o leitor (quase como em uma ópera) ao grande e apoteótico final da humanidade.

    Assim, em um espetáculo de luz e som, vemos o mundo do personagem se acabar em um vislumbre de amor. Para mim, como leitora, funciona quase como uma homenagem ao instante de se estar vivo. Ainda que no segundo final, ainda que no último suspiro, Otelo sente, se encanta e se perde com a paixão a que deveríamos nos entregar a cada segundo de nossas vidas.

    Parabéns por escrever.

    Desejo-lhe sucesso no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  17. Victor O. de Faria
    24 de setembro de 2018

    ET (Enredo, Texto)
    E: Criativo. No entanto, o nome é um pouquinho ridículo e quase tira a beleza do conto, pois leva-nos a pensar que se trata de uma sátira, mas logo depois o texto assume tons mais sérios e melancólicos. As sensações são muito bem descritas e é interessante esse encontro com algo desconhecido (literalmente), o qual não se tem, ou se terá, controle. Ponto pra isso. Quase como a passagem de um cometa etéreo, que deixa em seu rastro uma epidemia tóxica. É um conto que cria imagens muito vívidas, mesmo com seu final trágico. Fiquei curioso para saber mais sobre essas criaturas sonoras gigantes.
    T: Acho que só notei uma palavra errada ali no início, mas o restante flui muito bem, de modo suave.

  18. Mariana
    23 de setembro de 2018

    O interessante do conto é que os grandes personagens da ópera são banalmente humanos – todos nós já conhecemos figuras como Otelo,flores murchas como Eulália… E o interessante é que essa história tão comum acaba atravessada por uma Godiva frenética que, de certa forma,acaba salvando Otelo de sua mediocridade. A estrutura é interessante e o texto tem um tom que beira o sexual, de uma forma boa. Só não entendi esse Otelo tão calmo, mas os nomes também ajudaram na atmosfera. Não é uma leitura fácil, mas foi intensa e interessante. Parabéns e boa sorte no desafio.

  19. Fheluany Nogueira
    18 de setembro de 2018

    O conto parece-me uma ópera de réquiem — Mozart, Verdi, Wolfgang compuseram obras desse tipo — isto é, uma missa fúnebre apresentada como uma ação cênica acompanhada de música teatral, desprovida de partes faladas.

    No conto, a alienígena Lady Godiva simboliza o desconhecido, a morte e, depois com o deslumbramento do protagonista, é a libertação (por isso ele mata a idosa doente). Assim, o drama é a aproximação da morte, o medo do desconhecido, que é apresentado utilizando os elementos típicos do teatro: cenografia e atuação (a tragédia do apocalipse representado pela destruição da Terra e, mais pessoal, a morte da avó). Não há diálogos e a música está na semântica escolhida pelo autor.

    O enredo: uma esfera do tamanho de um planeta, representando o mal supremo, está a aproximar-se da Terra a uma velocidade vertiginosa e ameaça todas as formas de vida (como no filme Quinto Elemento); de outro lado, o drama particular de Otelo e a avó.

    O texto é pretensioso, no bom sentido, com linguagem grandiloquente, recheada de metáforas, significados múltiplos e referências simbólicas, que o aproximam de um poema épico, com um herói representante da coletividade.

    Não consigo definir se gostei ou não, mas foi uma leitura prazerosa e considero, no conjunto um bom trabalho, criativo, original.

    Parabéns pela participação. Abraço.👏

  20. Marco Aurélio Saraiva
    16 de setembro de 2018

    Olá!

    Eu não conhecia a lenda de Lady Godiva até agora. Terminei de ler o conto e fui procurar. Confesso que foi difícil fazer a ponte entre a lenda e o seu conto e, para dizer a verdade, nem sei se consigo até agora.

    Vamos primeiro para os elogios: sua escrita é maravilhosa, poética, divina. Cheia de significados, nuances e referências. Ler o seu conto foi como apreciar uma bela obra de arte na parede, daquelas que, mesmo que você não entenda, te fazem pensar.

    A meu ver o conto tem toda a sua base em Otelo e a sua avó Eulália. Otelo vê na sua avó um futuro sombrio, e percebe que sua vida não teve significância ou impacto algum no vasto mundo em que vive. Ainda pior, ele coloca tudo em perspectiva e percebe que sequer seria um grão de areia na história do universo. Viu-se como um nada, alguém que nada realizou, fadado a terminar a sua vida como a sua vó, a essência sumindo aos poucos com o tempo. Assim, no ápice destes pensamentos, ele esfaqueia a própria Eulália, como que em uma tentativa de matar o próprio futuro em desespero.

    Lady Godiva para mim é apenas esta perspectiva que ele vislumbrou: a complexidade do universo diante da nossa insignificância. Um pensamento que nos assusta. Ela também significa, de certa forma, o nosso desejo (ou a nossa visão) de que o mundo acabe quando nós acabamos. Afinal, de certa forma, é isso mesmo que acontece. E, ao encravar a faca em Eulália, Otelo desejou que o mundo acabasse em seguida, com medo das consequências. Talvez ele tenha se matado. Talvez, simplesmente, tenha desistido de tudo.

    Enfim, um conto muto bonito, uma escrita primorosa e poética e que, se há um pecado nele, talvez seja o fato de estar aberto demais a interpretações.

    Abraço!

  21. angst447
    14 de setembro de 2018

    Olá, autor, tudo bem?
    Conto bem escrito, dividido em atos de uma ópera. Há várias referências no seu texto: Otelo, Antifona, Lady Godiva, Requiem, os 86 anos que lembram o ano 1986 quando o cometa Halley passou por aqui, Pietá, contato de mil graus (referência a contato de terceiro grau?), Salomé. Enfim, uma miscelânea de elementos culturais.
    Há o emprego de um tom teatral que predomina em toda a narrativa, chegando ao auge com o assassinato para poupar a avó de coisa pior… Godiva vem chegando, galopando, nua e descabelada…
    Não foi das leituras mais fáceis, mas resultou em um trabalho bem elaborado.
    Boa sorte!

  22. Caio Freitas
    13 de setembro de 2018

    O conto tem uma estrutura diferente dos demais, o que o torna mais interessante de ser lido. Só fiquei um pouco triste com o fim da dona Eulália. Se era para ela morrer daquele jeito, sem fazer nada, nem precisava estar lá. Pareceu que a ligção do rapaz com a avó não era tão profunda assim. Se ele estava tentando poupá-la de Lady Godiva, acredito que uma facada não seja o meio mais misericordioso. Parabéns pelo conto e boa sorte no concurso.

  23. iolandinhapinheiro
    12 de setembro de 2018

    Olá, autor!

    Seu conto é uma ópera. Refinada (na linguagem), elegante (na postura inabalável dos que serão dizimados), apaixonada (na entrega sem limites e com prazer àquela morte tão sedutora a qual foram destinados).

    Achei seu conto lindo, e mais que poético, achei teatral, com palavras, gestual, pensamentos e dramaticidade, tudo cuidadosamente trabalhado para criar beleza e estímulos sensoriais a quem lê.

    Gostei da sua alienígena colossal, cumprindo a sua missão aniquiladora, adorei ver um conto fugir do velho modelo do homenzinho verde de olhos negros.

    Parabéns pelo apuro, pelas escolhas, pela ambientação. Acho que só faltou um pouco mais de investimento nos personagens (Otelo e sua avó), mas talvez trazer muita empatia entre eles traria um descompasso com a opção distanciada (emoções controladas, inglesas) que o conto traz, deixando a dramaticidade aparecer em sua grandiosidade apenas no final.

    Parabéns, viu? Sorte no desafio.

  24. Evelyn Postali
    8 de setembro de 2018

    O vazio é a morte. A canção do vazio, para mim é a canção da morte. Seu conto é muito, muito bom. Porque a morte se aproxima e ela acontece, de fato, mesmo que queiramos outro final. Ela é derradeira e cruel e, nesse caso, sonora. Mas não apensa sonora. Ela é quente, radioativa. Ela é luminosa e reveladora. Eu gostei demais do uso de elementos de música, de coisas que me remeteram à ópera, de relações que você sutilmente me fez fazer.
    A questão de ser uma morte imposta é ainda mais cruel. Porque, nascemos com uma certeza: vamos morrer. É uma contagem regressiva. O que acontece no conto é uma imposição. O fim se aproxima para todos e em um dia determinado. Ela chega e varre tudo o que está pela frente. A agonia que desperta seu conto é a agonia de não se ter para onde fugir, de não se ter esconderijo, de perder-se a soma de muitas gerações.
    Eu levaria muito tempo para comentar se tivesse que descrever todas as imagens formadas em minha mente com a leitura desse conto. É impactante. Também não sei se conseguiria descrever os sons que algumas passagens despertaram em mim. Tem um amontoado de significados nele. Muitas relações que construí à medida que lia.
    Parabéns! Boa sorte no desafio. E abraços!

  25. Alessandro Diniz
    7 de setembro de 2018

    Oi, Domênico! Seu conto é interessante. O texto é bem coeso. Seu português é ótimo. A abordagem do tema foi bem diferente. Conseguiu criar uma atmosfera nostálgica boa e também a resignação a qual se entrega o protagonista. É um texto bastante floreado, tinha partes que vinha a visão de uma orquestra em minha mente, pois vc ainda não tinha dado forma à criatura. Achei um pouco repetitivo umas partes, especialmente “o tocar no íntimo das pessoas”, que ficou um pouco estranho. É um bom conto. Lembre que estou avaliando como escritor. Talvez um leitor comum não perceberia nada do que citei. Parabéns! Boa sorte!

  26. Antonio Stegues Batista
    6 de setembro de 2018

    Godiva, um nobre inglesa, cuja lenda diz que ela cavalgou nua pela cidade para cumprir uma promessa. Otelo, na obra Shakespeare, era casado com Desdêmona. Godiva realmente existiu, Otelo é personagem de uma peça de teatro. Achei que no conto os dois teriam uma referência, mas não tem. O autor quis fazer uma espécie de opera, mas algumas coisas não combinaram, inclusive o neto matando a avó por ela ser idosa, se era para ser uma opera trágica, não acho que ficou bom. Algumas frases e metáforas estão excelentes, mas o “alienígena” ficou meio forçado. Existe na história uma leve semelhança com o filme O Quinto Elemento, onde tem uma opera cantada por uma alienígena e um ser monstruoso que come mundos e ameaça o universo, consequentemente, a Terra. Leve semelhança. Boa sorte.

  27. Ricardo Gnecco Falco
    3 de setembro de 2018

    Muito bom o conto! Leva o leitor até bem próximo da alma de seu protagonista, através de uma sonora descrição de fatos externos (a chegada do Armagedom e os efeitos que tal proximidade imprime às sociedades) e — o mais interessante — também internos (os mais profundos medos, anseios e resoluções de Otelo). Achei legal o fato de não existir um “alienígena” propriamente dito, no sentido de um Ser (geralmente parecido com a gente) de outro mundo; mas sim todo ‘um outro mundo’ (Lady Godiva), que não vem apenas para aniquilar a Terra… Essa “massa” disforme e musical, encontra a afinação perfeita no protagonista; um uníssono que ‘dá forma’ ao conto, tornando esta apocalíptica história uma verdadeira sonata intrínseca, afundando o leitor dentro do emocional de Otelo. As metáforas e imagens inspiradas pela pele enrugada e pelo reverberante silêncio de dona Eulália ecoam por toda obra, contribuindo também para o gran finale desta ópera repleta de som e poesia. Parabéns pelo trabalho e obrigado por compartilhar sua criação! Foi uma leitura muito prazerosa. Boa sorte no Desafio!
    Paz e Bem!

  28. Wilson Barros
    3 de setembro de 2018

    Não há como não lembrar de Galactus, o devorador de mundos e dos episódios de Jornada nas Estrelas, Kirk, Spock e McCoy. Inicialmente pensei que o conto seria difícil de ler, mas logo descobri-o fluente. A frase “E o fim, como um arrebatamento, sempre liberou o que há de mais íntimo em cada um.” é um primor. Há muitas outras frases assim. O fim da humanidade proposto é poético, musical, artisticamente trabalhado ao estilo de Robert Frost, como o final de uma música ou poema. Já para o fim o conto torna-se especulativo, reflexivo, uma bela combinação com o início mais descritivo. Lembrei-me da música “Eu te devoro” de Djavan. Um conto denso e com ritmo.
    Eu noto que aqui as pessoas preferem os contos mais tradicionais, por isso, embora esse conto seja muito bom, talvez não seja muito aceito, mas isso faz parte.
    P.S. acho que o verbo “trepassar” pode ser usado aqui, no sentido de atravessar, cruzar, como nos versos da bela poetisa são-tomense Conceição Lima:

    “FRONTEIRA
    Trespassar é a sina dos que amam o mar.”

    Ou nesses, mais belos ainda:

    “ESTA VIAGEM
    Esta viagem não responde às minhas perguntas.
    Trespassei o aço das certezas.”

    (do livro “O País do Akendenguê”)

    Mais uma vez parabéns, seu conto é muito belo.

  29. Anderson Roberto do Rosario
    2 de setembro de 2018

    Estrutura diferente, falando de contos. Dividido em atos, como ópera ou uma peça de teatro. Não me chamou atenção, nem me atraiu a história. Talvez não estivesse preparado para algo assim. Gostei da poética, da escolha de palavras. Preocupação com a estética do texto. Mas enfim, desejo-lhe sorte no desafio.

  30. José Geraldo Gouvea (@jggouvea)
    2 de setembro de 2018

    Logo no primeiro parágrafo há uma escorregada semântica. O/a autor/a resolveu fazer uso de um certo preciosismo de vocabulário e pinçou uma palavra de dicionário, só que a empregou de forma inadequada. Trespassar não significa ‘atravessar’ no sentido de um lado a outro, mas ‘atravessar’ como uma flecha que entra de um lado e aponta do outro de um corpo. Uma bala atravessar, uma lança trespassa.

    Esse tipo de escorregada revela que o autor está mirando mais alto do que sua base, e está, portanto, inseguro.

    Esta impressão se mantém no excesso de pontuação, especialmente nas frases curtas, mais fáceis de concordar, mais fáceis de ler. Pode ser mais fácil de ler, mas o ritmo fica quebrado, anguloso, áspero.

    O efeito almejado parece ser o de um poema em prosa, muito mais que o de uma narrativa, mas as metáforas se perdem. As referências históricas e mitológicas não revelam, apenas distraem. Esperei que o nome “Lady Godiva” tivesse uma razão de ser, mas ele não tem. Não apenas esta Godiva não se caracteriza pela pureza e pelo desejo de proteger o povo, como tampouco está nua, visto que o/a autor/a diz que ela estava “Protegida por uma Nave-Mãe, feita de um duro casco furta-cor”. O mesmo se refere a Otelo, que não é uma pessoa roída pelo ciúme e nem enganado pela manipulação, mas alguém que se devota ao amor e que duvida das versões que lhe chegam. Desse jeito, os nomes parecem aleatórios demais e atrapalham em vez de ajudar.

    Enfim, não gostei.

    • Domenico
      3 de setembro de 2018

      Olá, José! A ideia, por falar de música, é sentir mais que racionalizar. O começo, como uma metáfora erótica, ela abre a fivela do cinturão, trespassa, há o néctar sagrado… Inclusive essa Lady Godiva surgiu mais da música do Fawcett que da figura histórica. Pena que não gostou, mas valeu pelo ponto de vista, num outro momento quem sabe não seja outra experiência.

  31. Nilza Amaral Antunes de Souza
    2 de setembro de 2018

    o contista devia planejar qual efeito intencionA motivar no
    receptor para que incidentes no ato de leitura pudessem ser evitados. Assim, o leitor
    era um objeto considerado fundamental no processo de criação literária, pois as ações
    voltadas à construção narrativa devem levar em conta o seu receptor, embora este
    não receba uma definição precisa ou um perfil ideal. O leitor, contudo, deve ser
    pensado como elemento importante para o alcance intencional da narrativa, vez que
    todo conto, escrito de forma breve, ou seja, texto curto, deve provocar no leitor a
    “elevação da alma”(cORTAZAR)
    Nesse conto o autor mescla saudades de sua vida passada, com epsódios futuristas, integrando Lady Godiva e Othelo em seus devaneios.A invasão alienigina provocando anseios e desejos irrealizados O futuro, a Ldy Godiva mesclado com o passadom as rugas desérticas da avó.Apesar do cacófito quase no final a imaginação prevaleceu e esse conto, quase uma noveleta, pleno de recordações e peças clássicas, talvez tenha provocado nos leitores como provocou em mim uma ária dos tempos futuros apoiado em fatos passados, trnasformando uma lady godiva em uma alienína romantica.

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Informação

Publicado em 2 de setembro de 2018 por em Alienígenas.