EntreContos

Detox Literário.

A Mensagem (Rafael Penha)

 

– Bom dia, Dra. Blue! – Jon Fisher ergueu-se. Abriu um sorriso ainda maior ao cruzarem os olhares. Ellie não gostava muito desse apelido que ele lhe deu, devido à profunda coloração turquesa de seus olhos.

– Bom dia, Jon. Chegou cedo hoje.

– Sim, hoje o chefe vem visitar, esqueceu?

Lá vinham mais cobranças e ameaças, pensou a mulher.

Ellie pôs nos ouvidos um enorme par de headfones que estava em cima da mesa. Em seguida, se dirigiu para a copa, ainda ouvindo Jon tagarelar sobre o dispositivo mental que o pessoal da neuropsicologia havia desenvolvido.

Eleanora fazia parte do NCPD, o mais creditável sistema de busca por vida alienígena do mundo. Sua pesquisa se baseava na emissão de mensagens ao espaço e esperas por respostas. Antes, o laboratório usava apenas sinais de rádio, luz ou ondas eletromagnéticas, mas após sua incorporação ao programa, conseguiram aprimorar e até criar novas formas de emissão.

Entretanto, ela gostava mesmo, era das antigas ondas de rádio. Ouvia sons vindos de estrelas, constelações e até galáxias distantes, mas infelizmente, apenas ecos de um passado distante, fadados a jamais serem explorados pela raça humana.

Estava apoiada na copa, sorvendo seu café enquanto sua mente flertava com o inconcebível, quando a porta do laboratório foi aberta, sem cerimônia, e um grupo de engravatados entrou.

– Bom dia a todos. – Um homem encabeçava o grupo. Alto, o rosto marcado pelo tempo, o bigode espesso e os cabelos grisalhos alisados lhe confeririam uma aparência respeitável, não fossem os óculos escuros.

– Bom dia Secretário Patton  – respondeu Fisher. Ellie se aproximou a contragosto.

– Olá, Ellie.

– Bom dia, Howard…

– Como vão as coisas por aqui? – o homem cruzou as mãos atrás do corpo.

Quer que eu dê a corda para me enforcar…” – Bom… estão indo bem. Tivemos alguns sons e leituras interessantes no sistema Teegarden. Estamos terminando algumas observações e iniciaremos a pesquisa no sistema de Vega. “Pronto. Corda dada”

Howard Patton suspirou: – Vocês sabem que… o laboratório de ótica cognitiva fez avanços inacreditáveis nos últimos meses? Nós estamos perto de mais uma descoberta que pode mudar o mundo.

– Infelizmente, encontrar e se comunicar com vida inteligente alienígena em um universo infinito é um processo um pouco demorado…

– Bem Ellie, serei direto. Temos reparado que seu programa não tem correspondido da forma esperada, e acredito que seja por sua falta de foco, ultimamente. Anda sozinha com seus fones de ouvido pela neve, trabalha além do horário estipulado… Para o próprio bem da pesquisa, estou lhe enviando de recesso novamente. Creio que um bom descanso lhe cairá bem.

 

Dessa vez, Jon não se conteve: – De novo?? Ellie voltou de recesso há menos de 2 meses! Precisamos dela.

– Eu estou bem, Howard. Só preciso de espaço para trabalhar. Só iremos colher frutos se semeá-los. Imagine! Imagine como o mundo poderia mudar, evoluir, se unir, caso encontremos algo lá fora! – Foi sua última cartada.

– Eu sei, Ellie, eu sei. Mas não há como convencer o congresso dessa fantasia científica. Sinto muito, mas já está decidido. Sua passagem está reservada para esta noite – Howard Patton se virou e saiu, seguido pelos asseclas.

Ante a saída do Secretário, os dois cientistas ficaram em silêncio. Eleanora olhava para uma foto em cima de sua mesa. Uma bonita menina acompanhada de dois idosos. “Papai e mamãe… sim, será bom vê-los”.

Ao fim do expediente, ela voltou ao dormitório, pequeno cubículo que vinha lhe servindo de moradia por tanto tempo.

De mala pronta, dirigiu-se para o estacionamento, lembrando-se dos pais. Ambos sorridentes, na mesa de Natal, vestidos com suéteres. Se entristeceu. Andava se dedicando tanto ao trabalho que mal lembrava dos pais. Eram sempre as mesmas lembranças. Mas remediaria isso, em breve.

Ela dirigiu até chegar ao prédio-guarita. Ainda teria que dirigir mais alguns quilômetros pela mata fechada até chegar ao pequeno aeroporto. Não entendia o motivo de tantos testes para entrar e sair da instalação. A cientista desceu e entrou numa das portas do único corredor da edificação, chegando numa espécie de consultório médico. Um senhor de cabelos escassos e óculos na ponta do nariz estava lhe esperando.

– Eleanora, como vai?

– Vou bem, Doutor.

– Vamos então, senão você vai perder seu avião.

A loira o acompanhou até um equipamento grande no meio da sala. Sentou-se encaixando o rosto nele. Era semelhante a um oftalmoscópio, a diferença era um encaixe para o nariz.  Tentando esquecer a tristeza, focou na imagem que era exibida no display.

– Inspire – Disse o médico. Ela inspirou  – Expire. Ele repetiu o comando mais algumas vezes.

– Agora, dê uma piscada bem longa, feche os olhos. – Ela fechou.

– Abra. – Ela abriu.

– Bem-vinda de volta, Ellie.

A cientista nem acreditava. Suas férias voaram. Os dez dias passaram a jato e, ela já estava de volta ao trabalho. Mas sentia-se descansada e pronta para o desafio.

Ellie colocou os headsets enquanto conferia planilhas de cálculo. Sua equipe nada descobrira sobre Teegarden, mas aqueles sons esparsos e desconexos lhe pareciam fazer algum sentido.

Mais tarde, já no quarto e ainda ouvindo as horas de gravações, sentou-se com lápis e papel trabalhando no caso e, sequer percebeu que adormecia sobre a mesa, ouvindo os misteriosos sons do espaço.

Acordou sobressaltada. Correu para o banho tentando conter a excitação. Não sabia exatamente com o que sonhara, mas acordou com a uma possível tradução para os sons vindos do espaço.  Um trecho! Um trecho que passava desapercebido na gravação e se fez nítido durante seu sono. Ela mal podia acreditar. Correu para o laboratório. Os sons, à primeira vista, nada pareciam, mas em seu cérebro, conseguia discernir palavras. Talvez até uma mensagem! Não sabia explicar como havia chegado àquelas palavras, mas com a ajuda dos outros, poderia chegar a uma forma concisa de tradução.

O dia passou voando e já tarde da noite, sozinha no laboratório, com olheiras e descabelada, Ellie, bateu o lápis na mesa. Eles não haviam percebido o que percebera, mas ali estava a resposta. Em meio aos papeis à sua frente, uma folha com apenas uma frase se destacava:

Você… nos aguente… voltaremos…

Ellie colocou os cabelos para trás respirando fundo. Aquela seria a maior descoberta da história. Seres alienígenas há dezenas de anos-luz, entrando em contato com a raça humana! Eram palavras desconexas, mas a mensagem não parecia completa. Precisava continuar trabalhando nela. Mas por que só ela conseguia ver uma tradução naqueles sons?

Chegando aos dormitórios, acenou para algumas pessoas na entrada, eles foram corteses, mas nenhum olhou para ela. Estranho.

Se sentia estranha. Olhou para a foto dos pais no criado-mudo. As mesmas lembranças. Mas por que não conseguia se lembrar dos pais de outra forma? Aliás, não lembrava sequer do caminho que fizera ao ir e voltar do recesso. Era o trabalho. Estava lhe tomando todo o tempo, e agora parecia tomar até sua memória e sanidade. Mas não sucumbiria à pressão e exaustão. Cumpriria seu objetivo, colocaria seu nome na história e voltaria para casa, realizada.

Súbito, uma batida na porta a sobressaltou. Ao abrir, Jon esgueirou-se para dentro antes mesmo de ser convidado.

– O que houve, Jon? Que cara é essa?

– Ellie, não posso demorar. Preciso lhe dizer: melhor focarmos em outra parte de nossa pesquisa.

Eleanora quedou-se incrédula: – Como assim? No meio dessa descoberta?

– Não foi bem uma descoberta… você sabe. Só você consegue ler, seja lá o que isso for. Mas não acho que eles vão gostar. Melhor prosseguirmos para Vega. – Dr. Fisher olhava para os pés enquanto falava.

– Jon, eu não posso abandonar isso assim. Sei que podemos provar o que descobrimos.

Ele abriu a porta, já de saída: – Eu só queria te avisar. É perigoso, Ellie…– Sem esperar resposta, Jon foi embora.

Eleanora sentou-se na cama, não conseguia entender a atitude do colega. Aquela descoberta era imensurável. Poderia mudar os rumos sombrios que o mundo estava seguindo e caminhar para a paz! Conversaria com ele.

De manhã, Eleanora estava estática, frente à água corrente da pia.  Mais sonhos. Ela se sentia diferente, como se não pertencesse àquele lugar. Ouviu o canto dos pássaros lá fora e viu os raios amarelos do sol penetrarem o banheiro. Tudo lhe parecia estranho, alienígena.

No escritório, ela aguardava seus companheiros chegarem para continuar as pesquisas, mas apenas recebera um memorando notificando da saída de Jon Fisher.

Ellie sentou-se aturdida. Lembrava das palavras dele, que agora, se mesclavam com a mensagem vinda do espaço. “Nos aguente…”

Colocou as mãos entre os cabelos. Sabia que havia uma conexão entre tudo. As constantes pressões de Howard Patton, a mensagem do espaço, sua falta de lembranças, a súbita saída do colega.

Eleanora saiu do laboratório e seguiu para o único lugar onde poderia ter alguma resposta. Em seu caminho, as pessoas continuavam lhe cumprimentando normalmente, mas algo estava errado… Por que tanta gente passou a suar óculos de sol em plena instalação? Não havia razão para aquilo.

Entrou no elevador e pressionou o último andar. Chegou ao andar da diretoria do projeto. Muitos militares circulavam por ali e aquilo não era normal. Ela não via, mas sentia os olhares pesando sobre si, tão logo passava pelas pessoas. Por que eles estavam agindo dessa forma? Será que sabiam de sua descoberta? Estariam vigiando-a?

“É perigoso…” “Aguente!”

Neste momento, chegou ao gabinete do Secretário Patton.

– Em que posso ser útil, Ellie?

Eleanora já tinha o discurso pronto. O motivo da demissão de Jon, as cobranças, a espionagem, mas… as palavras descobertas calavam fundo em seu âmago.

– Howard…  – ela suspirou – … sei que acabei de voltar de férias, mas não estou conseguindo trabalhar. Preciso me ausentar por algum tempo.

Para sua surpresa, Patton assentiu – Claro, eu entendo. Sinto muito por não lhe notificar da saída do Dr. Fisher, segundo ele, era uma emergência. Partiu essa manhã.

Todos vocês precisam de um descanso – ele continuou – Você está liberada até se sentir melhor, Ellie. Pode pegar o avião de volta, hoje à noite.

– Obrigado – ela se retirou. Soltou o ar. Parecia que esteve presa numa câmara com um monstro. Não sabia dizer o motivo da tensão.

Ao sair do gabinete, esbarrou num trio de homens que entravam, derrubando algumas fichas. Ela se agachou junto a um deles para pegar os objetos no chão, e assim que olhou nos olhos dele, este abriu um sorriso e seus olhos exibiram alegria genuína. Aquele olhar lembrava o que todos costumavam lhe dirigir quando olhavam para ela. O homem foi apressado por seus colegas, que usavam óculos escuros, e os três desapareceram pela porta do gabinete do Secretário, deixando Eleanora ali, confusa.

Ela seguiu firme para o elevador. Agora tinha certeza, seja lá o que fossem aquelas pessoas ou coisas, acabavam dobrados pelos seus olhos, seja lá o que eles tenham. Aquilo não era normal. Precisava sair dali imediatamente e espairecer longe daquele lugar misterioso, que há poucos dias, lhe era mais comum que sua própria casa.

No corredor, à medida que avançava, via militares se mobilizando. Alguns falando ao rádio, assim que ela passava, outros levavam as mãos aos coldres à sua mera aproximação. Ela não podia estar louca. Apressada, andou pelas instalações sob essa atmosfera ameaçadora, até finalmente atingir os dormitórios.

Aguardou até a noite, onde o movimento era bem menos intenso, para deixar o alojamento. Poderia ser paranoia sua ou a mais pura verdade, mas não voltaria até ter certeza da segurança e “normalidade” do lugar.

Dirigiu até o prédio-guarita, onde deparou-se com a cancela fechada. A neve caia impiedosa lá fora, e ela desceu, indo fazer o exame de saída. Ela adentrou o prédio e seguiu pelo corredor até o consultório do Dr. Eisenbouer. Este foi amigável como sempre, mesmo para, agora, os desconfiados olhos de Ellie.

A loira teve seu sangue extraído, como de costume, e sentou-se no oftalmoscópio.

– Inspire.  – Ela inspirou. – Expire.

-Inspire – Ellie, em um segundo de dúvida, afastou o rosto do interior do equipamento olhando-o. Ali, reparou o ar turvo, uma espécie de gás inodoro e invisível era emitido pelo aparelho. Não havia mais dúvida!

A mulher num salto saiu da máquina e atingiu a mesa do velho médico, que mal percebera. Ela pegou o  crachá em cima da mesa e correu para a porta. Ao sair, passou o cartão no leitor, prendendo o velho lá dentro. O médico gritou:

– Ellie! O que está fazendo? Me deixe sair!

Enquanto disparava pelo corredor, Ellie pôde ouvir os gritos do Dr. Eisenbouer mudando de tom:

– Ela está fugindo!! Peguem-na!! Peguem-na!

Corria vendo pelas janelas seu carro ligado lá fora. Sua esperança era chegar até ele.

Mas tal esperança se transformou em horror quando pelas janelas, viu diversas figuras brancas cercando o automóvel.  Eram seres humanoides empunhando armas. Eles faziam um perímetro ao redor de seu carro e já ameaçavam entrar no prédio. Seria impossível fugir de carro. Incontinenti, a mulher, deu meia volta, esperando chegar à janela no final do corredor, que dava para uma floresta de pinheiros. Atingiu o objetivo no momento em que os seres penetravam o prédio.

– Parada! – Uma voz metálica soou, ameaçadora.

Eleanora já estava com a janela entreaberta e enfiou seu diminuto corpo pela fresta esperando ultrapassá-la. Ouviu disparos atingirem a parede e uma dor lancinante no braço direito. Desvencilhou-se da janela sem esperar um barranco coberto de neve, imediatamente atrás do prédio. Ela rolou ribanceira abaixo se engolfando na neve, mas ao pé da encosta, reergueu -se.  O braço doía horrores, mas aquilo não a deteria agora. Olhou para cima e pôde divisar as criaturas vindo pelas laterais e por dentro do prédio, emitindo feixes vermelhos dos olhos e das armas.

Ellie fugiu floresta adentro, utilizando uma energia que não sabia ter. Tinha que chegar a alguma civilização antes de ser pega, o aeroporto talvez. Corria entre os pinheiros com disposição atlética até divisar um rio correndo lentamente, congelado nas margens. Saltou de pedra em pedra até chegar na margem oposta. Precisava subir uma elevação para prosseguir na fuga. A árvore coberta de neve, com grandes raízes lhe serviria bem. Trincando os dentes, usou toda sua força para, com um braço só, içar-se até o terreno alto. Olhou o braço. Uma marca redonda e roxa ornava seu bíceps. Doía demais.

Como aquilo podia estar acontecendo? Naquela manhã estava no laboratório, entusiasmada com sua descoberta. À noite, estava sendo caçada por criaturas bizarras. Viu as luzes se aproximando na outra margem e partiu em carreira novamente. Um zumbido terrível a ensurdeceu. Um helicóptero sobrevoava o local.

Correu por algum tempo até parar, ofegante, e se encostar atrás de um pequeno monte de neve. A energia que lhe acometera se fora, e agora, estava ofegante e sentia o peso do braço dolorido. Olhou para trás. Os seres brancos se aproximavam, descendo a floresta congelada. Fez menção de seguir em frente, mas viu-se encurralada. Mais seres brancos a cercavam, apontando seus fachos escarlates para ela.

Ela ergueu o braço bom em tom de súplica:

– Parem, por favor! Quem são vocês? Eu só quero ir pra casa!

Ante as lágrimas vertendo dos belos olhos azuis da extraterrestre, o líder da operação ergueu o punho fechado para seus homens, que avançavam protegidos pelo uniforme tático para neve. Fecharam um círculo ao redor da mulher.

– Por favor. Me deixem em paz. Eu… Eu só quero voltar pra casa!

Ellie viu um deles abaixar a arma. Será que havia compreendido? O homem, acenou para outro, que se aproximou também, e ergueu um pouco sua arma. Um som abafado foi ouvido e Eleanora sentiu uma picada na perna. Um dardo enfiado em sua coxa.

O mundo girou uma vez, duas vezes, na terceira, não viu mais nada.

A não ser um verdadeiro caleidoscópio de cores. Uma torrente de luzes multicoloridas passava por ela. Elllie voava num túnel. As paredes eram feitas de pura energia e luz. Do infravermelho ao ultravioleta, todo o espectro de cores conhecido e desconhecido pelo homem passava diante de seus olhos. Uma montanha russa psicodélica. Seu corpo estava inerte e seus cabelos, esvoaçavam ante a velocidade inconcebível.

As paredes, antes luz, agora eram dados. Equações matemáticas de antes, de agora e de depois. E ela sabia resolvê-las. Entendia-as melhor a cada milésimo de segundo, interpretando-as não como problemas, mas como soluções, até se tornarem linguagem. Não escrita, não falada, mas sentida. Emoções sentimentos, sons, cheiros e sabores a engoliram num mar de autoconhecimento. E Ellie apreendeu. E se lembrou.

– Foi o Pentobarbital – disse uma voz – Ela não inalou a quantidade certa e o efeito foi oposto. Deu-lhe o triplo de energia até vocês a pegarem. Ela nunca tinha ido tão longe.

– Sim – a voz de Howard Patton era notória – ela está se lembrando cada vez mais rápido. Por isso, precisamos que vocês também sejam mais rápidos em suas pesquisas, Dr. Eisenbouer.

– Mais rápido? Você sabe o quanto já progredimos e revolucionamos o mundo só com o estudo do cérebro e dos olhos dela? A Reciclagem ainda não está totalmente desenvolvida, mas…

– Sem mais, Doutor. Em breve, a Reciclagem não funcionará nela. Precisamos continuar firmes.

O médico alisou os cabelos dourados da alienígena deitada na maca:  – Esses olhos… Tão linda… Tão gentil… – Gostaria que pudéssemos convencê-la a cooperar.

– Você sabe que isso já foi tentado. Não há outra forma. Precisamos estimular o cérebro dela a continuar trabalhando, enquanto extraímos o máximo de conhecimento possível.

Neste momento, Ellie, ainda torpe, proferiu de súbito:

– Perdoe-os… eles não sabem o que fazem…

O Neurobiólogo e o Secretário se entreolharam e viram que a espécime falava dormindo.

– Bem… – disse Patton – Pode levá-la para a Reciclagem. Espero que dure mais dessa vez.

O médico nada respondeu. Alisou o rosto perfeito da alien e empurrou a maca para a sala do procedimento.

Depois de tudo, Ellie estava feliz. Sabia que em breve, voltaria pra casa. Decifrara totalmente a mensagem vinda do espaço.

“Aguente. Voltaremos por você.”

 

Fim

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Sobre Fabio Baptista

31 comentários em “A Mensagem (Rafael Penha)

  1. Daniel Reis
    12 de outubro de 2018

    Prezado Autor: inicialmente, esclareço que, neste Desafio, dividi a análise em duas etapas – primeira e segunda (ou até terceira e quarta) leitura, com um certo espaçamento. Vamos às impressões:

    PRIMEIRA LEITURA: gostei da premissa do conto, do reboot da consciência e tal. Mas tive uma dificuldade grande em aceitar os diálogos, me pareceram bem padrão Hollywood, filmão mesmo. Ouvi até com a voz do dublador em português.

    LEITURAS ADICIONAIS: não mudou nada minha percepção, acho que até fiquei mais crítico com as marcações de diálogo e com a quantidade de informação que teve que ser colocada ali… mas nada que uma boa reescrita não possa resolver.

    Desejo a você, e a todos os participantes, sucesso no desafio e em seus futuros projetos literários!

  2. Priscila Pereira
    11 de outubro de 2018

    Olá Grey,
    Esse conto foi o que mais me prendeu a atenção e me fez ficar vidrada querendo ler até o fim logo pra descobrir do que se tratava… Gostei muito, o final não me decepcionou! Tudo muito bem pensado, bem costurado, bem executado, gera muita curiosidade e tensão nas cenas de ação. Você soube levar o suspensa até o final. Parabéns! Ótimo conto! O primeiro que leio onde o alien é tão doce os experimentos do governo tão humanos.
    Boa sorte!
    Até mais!

  3. Rafael Penha
    9 de outubro de 2018

    Olá Grey,

    Um conto interessante, com um enredo meio clichê.

    PONTOS POSITIVOS: A história parece ter sido construída como um roteiro de cinema, com conflitos bem definidos, atos, clímax, uma verdadeira jornada do herói. A tensao fica interessante no final do conto.

    PONTOS NEGATIVOS: O texto pareceu corrido em diversos pontos, parece que a hitória não coube em 3000 palavras. A personalidade da protagonista não é bem aprofundada, o que implica na falta de conexão do leitor com a trama. Algumas palavras repetidas muito próximas, em incomodaram um pouco.

    Um conto legal, num ritmo bem cadenciado e crescente, com um final bem climático, mas poderia ter desenvolvido melhor a pobre Ellie.

    Grande abraço!

  4. Pedro Paulo
    9 de outubro de 2018

    Antes de começar, esclarecerei alguns dos critérios a partir dos quais estarei avaliando, ainda que a nota não vá estar totalmente definida antes do desafio. Avaliarei o conto a partir do domínio da língua portuguesa, da estruturação da narrativa, da adequação ao tema e, enfim, mas não menos importante, da criatividade. Vê-se que são critérios interligados. Vamos lá!

    Aqui o autor brinca com o nosso senso de segurança, pouco a pouco pontuando desconfianças no lugar em que se encontra a personagem e nas pessoas que a rodeiam. No início somos levados a pensar que o conflito é outro, com a protagonista submetida a um homem um pouco autoritário e incompreensivo e tendo que passar por um processo suspeito sempre que deixa o lugar. Então, veja bem, aí foi o primeiro momento em que algo errado pareceu existir, nos levando a pensar que talvez a pesquisa da personagem estivesse sendo mal direcionada pelos seus superiores, nos restando saber o motivo. Portanto, o autor se aproveitou de uma situação um pouco “comum” nesse tipo de história para desenvolver o seu mistério, em que o entrave é “institucional” e, portanto, existe um grande sistema empenhado em ocultar a verdade. Considerando a temática alienígena, também já se sabe logo que o segredo é algo de natureza extraterrestre. Com tudo isso já um tanto “esclarecido” no começo do conto, a mensagem que é traduzida no início e o desenrolar cada vez mais sufocante da trama foram bons pontos de equilíbrio para acentuar o suspense que de outro modo não surtiria tanto efeito ao ter se optado pelo “ponto de partida comum” mencionado acima. Portanto, com esse equilíbrio, a revelação de que se tratava de uma humana em um laboratório alienígena foi mais chocante. A partir da descoberta lê-se sobre uma cena de fuga que para mim não teve muito apelo, exceto pelo momento em que é atingida pelo dardo, no qual somos imersos na confusão sensorial da personagem. O final surpreende com a revelação definitiva de sua situação e junta a surpresa ao entendimento completo do que a mensagem significava, de modo que, embora a personagem encerre ainda presa, sobra esperança. Julgo que é um conto bem escrito, cujo suspense não foi totalmente desenvolvido por conta dos elementos demasiados comuns que o compõem (para não dizer “clichê”), especificamente aqueles apontados no início, que desde já nos desenharam uma atmosfera artificial da qual desconfiar. Um dos colegas do desafio ponderou que um fato engraçado era que acabávamos sempre sabendo do que se tratava “a coisa misteriosa” que está por detrás da trama, dado que o tema é “alienígenas”. Acho que este conto não soube muito bem contornar esse desafio “dinamizar o mistério”.

  5. Sarah Nascimento
    6 de outubro de 2018

    Olá! Achei seu conto legal, principalmente alguns detalhes que são colocados no meio e no início, mas que só fazem sentido no final dele. Tem vários momentos assim, como por exemplo o trecho em que a Eleanor saía de férias.
    Eu fiquei espantada com a rapidez desse momento. Achei tão estranho quanto ela. O detalhe dos olhos azuis e do porque da mensagem fazer sentido para ela ficou bem legal também.
    Este John que trabalhava com ela tentou avisá-la sobre o que realmente estava acontecendo? Ele fugiu mesmo ou fazia parte da equipe que cuidava dela? Não entendi isso muito bem.
    Foi bom o modo como o mistério se desenvolveu.
    Minha parte favorita foi a fuga e resgate na floresta cheia de neve.
    Como o foco é na Eleanor, conseguimos ver os humanos na visão dela, nós como os alienígenas estranhos e tal.
    Um outro ponto que eu queria citar é que achei o meio e final do conto mais interessantes, emocionantes e intrigantes que o início. O começo não me prendeu muito para dizer a verdade, porém o final compensou isso de forma excelente.
    Parabéns pela criatividade. Minha única sugestão seria tentar investir mais no começo da história.

  6. Amanda Gomez
    5 de outubro de 2018

    Olá, Gray

    Seu conto começa com uma pegada bem comum, digo, algo que se espera em um conto sobre alienígenas.. cientistas, estudos.. uma protagonista curiosa ao mesmo tempo que alheia a realidade. Depois da parte em que ela relembra a mensagem e começa o mistério e ação as coisas ficam bem melhores. Dali em diante a história me prendeu a atenção, fiquei criando teorias sobre o que seria afinal essa mensagem.

    A resolução ficou ótima, tem uma dubiedade, não sabemos se ela é uma humana ou uma Alien, o que sabemos é que é um prisioneira de estudos, e que tinham alguém com ela quando chegou nesse lugar… e que espera por ele… eles. Deu pra sentir também um começo de romance entre ela e um de seus ”algozes”

    Gostei, até senti falta de uma continuação. 🙂

    Boa sorte!

  7. Dônovan Ferreira Rodrigues
    5 de outubro de 2018

    Olá tudo bom, autor?
    Então… seu conto é bom pra caralho. Muito bem escrito e me prendeu do começo ao fim. Um início que prende, um mistério que cativa e um final que surpreende. Parabéns.

    Agora algumas coisas que talvez sejam apenas gosto pessoal, talvez não, mas cabe a você dizer se importam ou não.

    “Eleanora fazia parte do NCPD, o mais creditável sistema de busca por vida alienígena do mundo. Sua pesquisa se baseava na emissão de mensagens ao espaço e esperas por respostas. Antes, o laboratório usava apenas sinais de rádio, luz ou ondas eletromagnéticas, mas após sua incorporação ao programa, conseguiram aprimorar e até criar novas formas de emissão”. Eu sei que é muito comum que, na literatura, contemos as coisas para ambientar, mas será que o trabalho não ficaria mais rico se pudéssemos MOSTRAR. Uma manchete em um jornal jogado na mesa, um prêmio em uma prateleira, um papel timbrando em uma gaveta, um relatório que ela estivesse escrevendo, um post-it sobre a atualização do software de busca. Talvez até mesmo um diálogo conote mais criatividade e engenhosidade por parte do autor do que apenas contar sobre as coisas como narrador.

    “Estava apoiada na copa, sorvendo seu café enquanto sua mente flertava com o inconcebível”. bonito na forma, útil na função. Que nice.

    “De manhã, Eleanora estava estática, frente à água corrente da pia. Mais sonhos. Ela se sentia diferente, como se não pertencesse àquele lugar. Ouviu o canto dos pássaros lá fora e viu os raios amarelos do sol penetrarem o banheiro. Tudo lhe parecia estranho, alienígena”. Já haviam sido dadas dicas de que ela não fosse humana, com mais dicas parece deixar a coisa óbvia demais e talvez faça perder a graça quando a hora chegar.

    “– Você sabe que isso já foi tentado. Não há outra forma. Precisamos estimular o cérebro dela a continuar trabalhando, enquanto extraímos o máximo de conhecimento possível”. Ambos os personagens parecem já estar familiarizados com a personagem, ou seja, os dois sabem disso, então por que um diria para o outro assim de forma tão didática? Isso parece fazer o diálogo ficar meio forçado.

    No mais: MUITO FODA o seu texto. Demais mesmo. Parabéns.
    Espero não ter causado nenhum desconforto e que só o que seja útil e bom faça parte de ti.
    Té.

  8. Fabio Baptista
    4 de outubro de 2018

    Anotações durante a leitura:

    – Ellie não gostava muito desse apelido que ele lhe deu, devido à profunda coloração turquesa
    >>> começando cedo as minhas chatices… só um apontamento de frase que poderia ser melhor trabalhada. Claro que pelo contexto é perfeitamente possível saber que o que vem depois de “devido à” se refere ao motivo do apelido, mas pelo posicionamento das vírgulas pode gerar uma ambiguidade (que é rapidamente desfeita pelo cérebro, mas até aí já teve a travada na leitura), como se o “devido à” fosse explicar o motivo de Ellie não gostar do apelido.
    >>> Sugestão: Ellie não gostava muito desse apelido, que recebera devido à profunda coloração turquesa (…)

    – Lá vinham
    >>> geralmente esses “vinha”, “vinham”, “tinha”, “tinham” geram cacofonias. Melhor evitar.

    – Entretanto, ela gostava mesmo, era das antigas
    >>> Entretanto, ela gostava mesmo era das antigas

    – Bem Ellie, serei direto.
    >>> – Bem, Ellie, serei direto.

    – Suas férias voaram.
    >>> Caramba, voaram mesmo… parece até que faltou um pedaço na história 😦
    >>> Ok, depois fica claro que são lapsos de memória

    – mas acordou com a uma possível
    >>> sobrou um “a”

    – acabavam dobrados pelos seus olhos, seja lá o que eles tenham
    >>> esse tenham gerou uma mistura de tempos verbais na frase

    – a mulher, deu meia volta
    >>> não se separa com vírgula o sujeito da ação

    – Perdoe-os… eles não sabem o que fazem…
    >>> Isos me deixou tipo… “como assim???”

    ————————–

    Impressões finais:

    A técnica está ok, um pouco dura em alguns momentos, com uma pegada de roteiro que às vezes exagera nos detalhamentos. Nenhum erro gramatical mais grave, apenas me incomodei com o uso equivocado de vírgulas.

    A trama começou com um ar de “A Chegada”, em relação à tradução de uma mensagem alienígena e tal. Quando a protagonista desconfia que tem algo errado e a ação começa, o conto deveria melhorar, mas eu acabei não curtindo muito. Acho que os nomes americanos não ajudaram muito, mas, independente disso, faltou algo para que eu pudesse me conectar à Ellie e me importar mais com o destino dela.

    Abraço!

  9. Bruna Francielle
    4 de outubro de 2018

    Não posso dizer que não gostei do enredo: alienígena abandonada na Terra sendo estudada sem saber por grupo de cientistas que a enganam, e recebe uma mensagem de esperança que alguém vai vir buscá-la.
    Mas a execução deixou muito a desejar. Eu não consegui me prender a história.
    Alguns detalhes me pareceram desnecessários e serviram apenas pra encher linhas.
    Já em outras cenas, como quando a Ellie começa a correr dos cientistas sem mais nem menos, careceram de maiores detalhes.

  10. Delane Leonardo
    4 de outubro de 2018

    Olá! Tive a impressão de estar assistindo a um filme! Fiquei impressionada com a sua capacidade de construir imagens tão nítidas! A primeira parte do texto me cobrou mais concentração para a reconstrução dos sentidos e das intenções pretendidos por você. Talvez por não ser tão familiarizada com textos de ficção científica, fiz uma leitura mais lenta. Entretanto, quando ela resolve fugir, passei a acompanhar o ritmo dos fatos e entrei verdadeiramente na trama. Nesse momento, o texto me conquistou como leitora e isso me fez relê-lo para complementar as lacunas que todo texto tem, afinal textos hipercompletos são redundantes. E o seu foi na justa medida. Ah… adorei a reviravolta do texto e até o que normalmente me incomoda – os nomes em língua estrangeira. No seu texto, eles pareceram contribuir com a coerência global. Parabéns!

  11. Evandro Furtado
    4 de outubro de 2018

    Pontos Negativos

    – Nada aparente;

    Pontos Positivos

    – Um dos aspectos mais interessante do texto é a ambiguidade que permeia a origem da protagonista. É impossível estabelecer se ela é alien ou humana e o mesmo em relação a seus captores. Ambas as opções são interessantes e oferecem diferentes olhares para o contos.

    Balanço final: Average

  12. Jorge Santos
    3 de outubro de 2018

    Gostei do texto, embora tenha achado que alguns pontos deveriam ter sido mais aprofundados. O desfecho é inesperado e a tensão é mantida de forma eficaz. O leitor é levado a crer que está perante uma situação familiar, mas depois vemos que as peças não encaixam. Achei que o ritmo poderia ser melhor. Gostei dos diálogos e da linguagem.

  13. Fheluany Nogueira
    1 de outubro de 2018

    Temos aqui um thriller cinematográfico que usa suspense, tensão e excitação como principais elementos. A protagonista recorre a percepções extra-sensoriais, a fragmentos de memórias e percebe que está vivendo uma realidade virtual, como em MATRIX, por exemplo. Fugir foi impossível e ela volta para o laboratório em que pensava ser a doutora, mas, na verdade, é a cobaia. Só não consegui captar bem quem é terráqueo e quem é alienígena.

    No prólogo, o ritmo é o da rotina, mais calmo e depois que ela descobre quem é, torna-se mais ágil e dinâmico, prende o leitor. O texto contém alguns deslizes de pontuação, ortografia, colocação de pronomes e uso de tempos verbais. Nada que atrapalhe a compreensão e fluidez.

    Parabéns pelo trabalho. Boa sorte no desafio. Abraço.

  14. angst447
    28 de setembro de 2018

    Olá, autor, tudo bem?
    O conto tem uma pegada de filme de ação voltado ao público jovem.
    O ritmo da narrativa, os diálogos e a estrutura geral favorecem uma leitura rápida e fluída.
    Achei interessante a elaboração da personagem principal como uma cientista que na verdade é de outro mundo.
    Os flashes e os esquecimentos, tudo isso explica a inconsciência da sua própria identidade.
    Boa sorte!

  15. Fil Felix
    27 de setembro de 2018

    Boa noite! Seu conto utiliza de uma estrutura que gosto muito e já foi bastante usada por aí, que é a da realidade programada, da descoberta do protagonista de que não está vivendo sua verdadeira realidade, culminando numa tentativa de fuga, quase sempre inviável. Show de Trumam, Stepford Wives, Os Esquecidos, algumas tramas que abordam essa estrutura. Não falo como ponto negativo, só uma observação. Eu curto bastante e acabei entrando melhor na densidade do texto, tentar descobrir quem é alienígena, quem é humano. Qual a rotina que utilizaram pra induzirem ela. O papel da câmera do sono. Várias coisas interessantes.

    Só achei a narrativa um pouco corrida de mais. Chega uma hora, principalmente no momento em que ela desperta, que tudo acontece bem rápido, uma ação seguida da outra, sem dar fôlego ao leitor. Contrastando com o início, que é mais calmo e reflexivo.

  16. Fabio D'Oliveira
    27 de setembro de 2018

    Acho justo esclarecer como avalio cada texto. Eu tento enxergar a essência do escritor e de sua escrita. Eu tento sentir o que o escritor sentia ao escrever. Eu tento entender a mensagem do conto. Eu tento mergulhar naquela história que o autor quis passar. Apenas ler o que está ali, apreciar o que foi oferecido, procurar entrar na história. Assim como todo bom leitor. Mas mantenho a atenção e meu sentido crítico. Então, já peço desculpas por qualquer coisa que fale que te cause alguma dor. Um texto que criamos é como um filho.

    – O que vi: Uma escrita razoável e uma narrativa descritiva sólida. Até o momento da ação, do clímax da história, tudo se mantém constante. Não vi nada impressionante. Mas também não vi nada de ruim. Porém, no momento que entramos nas percepções dela da realidade, da conspiração que enfrenta, e da fuga, a qualidade da narrativa diminui. Parece que o autor se empolgou, não sei, pois tudo fica inconstante e meio corrido. A leitura ficava cansativa e, do nada, ficava relaxante. Uma profusão de ideias, de fato. Faltou lapidação nessas partes. Vi um autor que gosta de escrever e se empolga com suas histórias. Isso é bom. Mas é bom fazer tudo com calma, às vezes.

    – O que senti: Não senti muita coisa. A história me intrigou um pouco no início, mas os personagens são superficiais demais para mim, sendo assim difícil ter um envolvimento maior com eles, mais empatia, sabe? Depois da primeira folga, de fato, ficou meio evidente que algo estava errado. Não houve a inserção dessa ideia de forma gradual e harmoniosa. Com a quebra da narrativa, e os saltos de alguns detalhes importantes que iriam enriquecer o conto (como a apresentação da mensagem que ela descobriu), fica mais difícil ainda sentir algo. A leitura foi um pouco cansativa, também, e a imagem da mulher no início me impediu de imaginá-la da forma como queria. Talvez a história fosse grande demais para o limite de palavras, por isso saltos narrativos de algumas cenas importantes e uma transição de cenas que deixou a desejar. Acredite, sofro disso até hoje pra escrever contos. Sempre crescem mais que deveriam e isso acaba deixando o conto ruim.

    – O que entendi: A protagonista é uma alienígena presa num planeta diferente do seu. Acredito que seja a Terra. Usam-se de sua biologia para melhorarem sua tecnologia atual. Ela está sendo manipulada, contida, mas recebe uma mensagem que parece despertá-la. Seus contemporâneos estão vindo resgatá-la, mas ela precisará aguentar até isso. Parece, também, que não é a primeira vez que uma tentativa de fuga acontece. Acompanhamos apenas mais uma delas, talvez com a primeira inserção da mensagem. De fato, olhando bem, a história não sai do comum, não parece trazer muitas mensagens memoráveis, tampouco impressiona em algum detalhe. Com uma escrita mediana, acabou se tornando um conto também mediano. A leitura não foi um tormento, porém, e acredito que o autor gosta de escrever, que tenha paixão por isso. Não deve parar e sempre buscar sua evolução como escritor. Como sempre digo, nem todas as ideias podem ser aproveitar dentro de alguns parâmetros. Algo que funcionaria muito bem como livro pode ser uma tragédia como conto.

  17. Paula Giannini
    25 de setembro de 2018

    Olá Autor(A),

    Tudo bem?

    Seu conto aposta em uma premissa que parte da construção da personagem protagonista. Em uma trama conduzida com a calma de quem já tem uma história planejada, acompanhamos a história da cientista que, a princípio, não sabemos ser na verdade o foco de toda a pesquisa do local onde trabalhava, ou melhor, era ela, justamente, a extraterrestre.

    Assim, o(a) autor(a) consegue, não só surpreender o leitor, como levá-lo cheio de interesse ao longo da trama. Repito aqui o que já disse em alguns contos do desafio: há todo um universo dentro da cabeça do(a) autor(a), com fôlego para uma narrativa mais longa.

    Este é mais um dos trabalhos deste certame que daria um excelente roteiro. Hollywood está perdendo a verve de ótimos e criativos brasileiros.

    Parabéns por escrever.

    Beijos e boa sorte no desafio.

    Paula Giannini

  18. Victor O. de Faria
    24 de setembro de 2018

    ET (Enredo, Texto)
    E: Uma bela homenagem ao filme Contato. Convence em suas idas e vindas, e também achei interessante a parte dos apagões. A forma utilizada não é nova, mas aqui o autor até se saiu bem em esconder a identidade da protagonista. Precisa de uma revisão gramatical mais apurada, mas a história prende como um todo. Não é o primeiro a deixar o final em aberto, mas foi a melhor escolha. Há certa correria nas passagens de fuga, e essas poderiam ser melhor trabalhadas num projeto futuro. O ritmo é inconstante. Começa lento, há um pulo no meio e volta ao marasmo ao fim. Necessita de maior equilíbrio.
    T: Notei apenas uma ou outra palavra incorreta e certa pressa nas frases. Com um pouquinho mais de lapidação, vai se tornar um grande texto.

  19. Miquéias Dell'Orti
    17 de setembro de 2018

    Olá!

    Um conto rápido, direto e muito bem construído. Gostei da história da dra. Blue e sua corrida pela sobrevivência. A ação envolve a gente durante quase toda a história e a simplicidade (no bom sentido) da escrita faz com que não consigamos parar.

    Gostei do detalhe em que você evoca o “axioma” da sci fi com alienígenas: nunca confie em homens de terno com óculos escuros.

    Achei uns dois erros de digitação que nem vale a pena citar, pois não influenciou em nada minha leitura.

    No meio do conto já tive uma leve inclinação do que nos esperava. Mesmo assim, isso não o fez perder potência e o final foi uma surpresa bacana.

    Enfim, um ótimo trabalho. Parabéns!

  20. Evelyn Postali
    16 de setembro de 2018

    Gostei muito do seu conto. Quem diria que ela era a alienígena! Eu gostei do ritmo que a escrita imprimiu à leitura. Gostei de como diálogos e descrições se organizaram para compor todo o texto. Não vi descrições superficiais e tampouco descrições maçantes, que deixam o texto arrastado e de aborrecer.
    Eu não vi erros de escrita, então, está de boa. Se outros apontarem, uma revisão mais apurada dá jeito em tudo, de qualquer maneira.
    Boa sorte no desafio. Abraços!

  21. Alessandro Diniz
    13 de setembro de 2018

    Olá, Grey! Eu gostei muito do seu conto. Algumas coisas sobre as instalações me fizeram lembrar realmente sobre aquelas instituições de pesquisa que vemos em filmes. A atmosfera de confusão em torno da protagonista também funcionou bem. Seu domínio da língua portuguesa é ótimo. Só estranhei as vírgulas separando o sujeito do verbo em duas ocasiões. Uma aqui: “O homem, acenou para outro, que se aproximou também, e ergueu um pouco sua arma.” E aqui: “Incontinenti, a mulher, deu meia volta, esperando chegar à janela no final do corredor, que dava para uma floresta de pinheiros.”. Se você tivesse utilizado assim: O homem, que se aproximou também, acenou para outro e ergueu um pouco sua arma., aí justificaria a vírgula. A mesma coisa aqui: Incontinenti, a mulher, esperando chegar à janela no final do corredor, que dava para uma floresta de pinheiros, deu meia volta.”. Aqui faltou uma vírgula: “A mulher num salto saiu da máquina”. Pareceu que ela estava só com um sapato de salto. Assim ficaria melhor: A mulher, de um salto, saiu da máquina. Mas nada disso interferiu no todo. O texto é limpo, o modo como escreve é fluído. E teve a famosa reviravolta que as pessoas tanto gostam, a mulher é que era alienígena. surpreendente, pois ela estava sendo estudada e manipulada, achando que fosse uma humana. Parabéns!

  22. Caio Freitas
    12 de setembro de 2018

    Muito bom o conto. Dá para perceber, lá pelo meio do texto, que há algo diferente nela, e, a partir daí, a história é muito bem construída. Se houvesse mais espaço, gostaria de ver mais a fundo do que os olhos da Dra. Ellie são capazes. Parabéns.

  23. Wilson Barros
    12 de setembro de 2018

    Gostei muito dessa imagem e sua profunda coloração turquesa, Mr. Grasse Tyson. Também apreciei o secretário ser parente de um antigo General conhecido meu, que gosta de dar bofetadas. A ideia foi muito criativa. O final foi muito bem elaborado no estilo de um roteiro de ação. Aliás, o conto dava um filme e tanto, Hollywood não sabe o que está perdendo.

  24. iolandinhapinheiro
    12 de setembro de 2018

    Olá, autor!

    Achei muito legal o seu conto, a ambientação está super bem feita e dá para imaginar o laboratório, as pessoas, o porta retrato, as cenas de ação.

    A ideia de inversão ficou bacana, quem esperaria que a cientista que procurava aliens fosse, ela própria, uma extraterrestre? Gostei de como vc conduziu a trama deixando o impacto para a hora certa e dando ideia de continuidade cíclica à técnica que usavam com ela para que não conseguisse se lembrar de sua própria natureza.

    O enredo é bem costurado, não encontrei inconsistências, o plot não foi antecipado, a gramática está ok, o ritmo do conto é ótimo. Apenas a palavra “torpe” que significa desprezível, abjeto, deveria ser substituída por “entorpecida” que significa: débil, adormecido.

    Fora isso, achei o conto muito bom, meus parabéns.

    Sorte no desafio.

  25. Antonio Stegues Batista
    11 de setembro de 2018

    Gostei demais desse conto, uma história interessante, enredo ágil, escrita simples, mas ações perfeitas, com bastante suspense. Um enredo original, uma boa ideia. As frases são coerentes, diretas, lógicas. Penso que há uma palavra errada na frase; “Lá vinham mais cobranças e ameaças- pensou a mulher”. Acho que o certo seria; “Lá vem mais cobranças e ameaças – pensou a mulher.” Ou; ” – Lá vinham mais cobranças e ameaças- pensava a mulher.” Porquanto que o tempo verbal é passado. Mas isso não é importante deu para entender perfeitamente. Um excelente conto. Boa sorte.

  26. Marco Aurélio Saraiva
    10 de setembro de 2018

    Gostei! Uma história bem pensada, com muita imaginação. O “plot twist” por descobrir que o alienígena na verdade era a própria Ellie me pegou desprevenido. A sua narrativa é bem corrida, mas não tanto a ponto de fazer toda a trama parecer “condensada” em 3000 palavras. A sua escrita é simples e eficaz, às vezes simples além do necessário mas, na maior parte do tempo, acessível e agradável.

    Gostei muito da originalidade da sua trama. Gostei muito, também, de como você a conduziu. Você tem muita criatividade e consegue estruturar bem os seus pensamentos.

    Acho que os pontos que tirarei do seu conto se devem exclusivamente à sua técnica. Não há erros grosseiros, mas vi muitas vírgulas fora do lugar e alguns erros de digitação. Como falei antes, a sua escrita é corrida – às vezes demais. Você também esmiúça muito a trama, guiando o leitor mesmo quando ele não precisa ser guiado, quase que duvidando da capacidade do seu leitor em entender todos os detalhes da sua trama. Uma parte considerável do seu texto poderia ter sido cortada, deixando que o leitor descobrisse por si só o desenrolar do enredo e, ao mesmo tempo, dando mais espaço para o conto respirar, diminuindo um pouco o ritmo da narrativa. Por fim, a escolha dos nomes e lugares americanizados é algo que sempre me desagrada um pouco já que a sua história poderia ter se passado em QUALQUER LUGAR do mundo, inclusive, por que não, no Brasil. Mas isso é mais opinião pessoal.

    Enfim, uma história empolgante e muito imaginativa, bem elaborada, mas um pouco mal executada.

  27. Mariana
    9 de setembro de 2018

    É uma narrativa sólida, o autor escreveu com segurança a trama. A construção do retorno da memória a partir da mensagem a ser decifrada e a passagem da fuga na floresta foram tão bem escritas que me lembraram tramas do personagem Bourne. Apreciei a imagem também, ela funciona para a construção da personagem… A minha única questão é que, lá pelo terceiro parágrafo, já tinha descoberto o segredo da Ellie. Mas, enfim, nem sempre precisamos inventar a roda – o autor fez um excelente trabalho aqui. Parabéns e boa sorte no desafio.

  28. Anderson Roberto do Rosario
    8 de setembro de 2018

    Um conto surpreendente, bem escrito. Com um enigma que vai se revelando de forma homeopática e magistral. O conto está perfeito. Nada a considerar. Parabéns e boa sorte.

  29. Emanuel Maurin
    7 de setembro de 2018

    O texto flui bem do começo, no meio fica um pouco menos intenso e volta fluir no final, mas não entendi que tipo de reciclagem estavam fazendo em Ellie. Gostei da apresentação da personagem principal e do primeiro parágrafo, pois acho interessante quando a descrição física de um personagem é feita no decorrer da história.

  30. Ricardo Gnecco Falco
    5 de setembro de 2018

    Olá, Grey! Gostei da agilidade na narrativa, que vai se desenvolvendo de forma crescente e contínua, até levar o leitor ao ápice da ação do conto (a tentativa de fuga da base), para depois trazê-lo de volta para dentro da personagem. Algumas vírgulas mal colocadas e palavras repetidas, mas nada que atrapalhasse o desenvolver da leitura. Gostei da tensão latente da narrativa, da cena do desmascaramento do Dr. Eisenbouer e do fato de Ellie não se abater, mesmo após a descoberta da mentira na qual vivia (a foto clichê dos pais velhinhos e de suéter, na mesa de Natal, deu o tom que que permeia todo o trabalho). Obrigado por compartilhar sua história! Boa sorte no Desafio!
    Paz e Bem!

  31. José Geraldo Gouvea (@jggouvea)
    2 de setembro de 2018

    Mais um texto que me prendeu do início ao fim. Econômico, não explica nada que esteja fora da linha de ação. Direto, não perde tempo com tergiversações, mas constrói a personagem gradualmente. Achei que a narrativa poderia se beneficiar de um pouco mais de beleza de linguagem, mas não vou criticar isso na minha nota, porque é uma questão de estilo. De qualquer forma, considerando que o texto tem 2947 palavras, bastante perto do limite, sugiro que a versão definitiva, não tendo que enfrentar esse teto, consiga melhorar as transições narrativas e adicionar alguns pontos de tensão. Uma coisa que eu achei que ficou faltando, por exemplo, foi a explicação satisfatória para os óculos escuros aparecerem de repente. Embora tenha funcionado como elemento de estranheza, funcionaria melhor se posteriormente fosse revelado algo como, por exemplo algum tipo de poder ou radiação emanado de Eleonora.

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Informação

Publicado em 2 de setembro de 2018 por em Alienígenas.