EntreContos

Detox Literário.

A Mensagem (Grey Tysson)

 

– Bom dia, Dra. Blue! – Jon Fisher ergueu-se. Abriu um sorriso ainda maior ao cruzarem os olhares. Ellie não gostava muito desse apelido que ele lhe deu, devido à profunda coloração turquesa de seus olhos.

– Bom dia, Jon. Chegou cedo hoje.

– Sim, hoje o chefe vem visitar, esqueceu?

Lá vinham mais cobranças e ameaças, pensou a mulher.

Ellie pôs nos ouvidos um enorme par de headfones que estava em cima da mesa. Em seguida, se dirigiu para a copa, ainda ouvindo Jon tagarelar sobre o dispositivo mental que o pessoal da neuropsicologia havia desenvolvido.

Eleanora fazia parte do NCPD, o mais creditável sistema de busca por vida alienígena do mundo. Sua pesquisa se baseava na emissão de mensagens ao espaço e esperas por respostas. Antes, o laboratório usava apenas sinais de rádio, luz ou ondas eletromagnéticas, mas após sua incorporação ao programa, conseguiram aprimorar e até criar novas formas de emissão.

Entretanto, ela gostava mesmo, era das antigas ondas de rádio. Ouvia sons vindos de estrelas, constelações e até galáxias distantes, mas infelizmente, apenas ecos de um passado distante, fadados a jamais serem explorados pela raça humana.

Estava apoiada na copa, sorvendo seu café enquanto sua mente flertava com o inconcebível, quando a porta do laboratório foi aberta, sem cerimônia, e um grupo de engravatados entrou.

– Bom dia a todos. – Um homem encabeçava o grupo. Alto, o rosto marcado pelo tempo, o bigode espesso e os cabelos grisalhos alisados lhe confeririam uma aparência respeitável, não fossem os óculos escuros.

– Bom dia Secretário Patton  – respondeu Fisher. Ellie se aproximou a contragosto.

– Olá, Ellie.

– Bom dia, Howard…

– Como vão as coisas por aqui? – o homem cruzou as mãos atrás do corpo.

Quer que eu dê a corda para me enforcar…” – Bom… estão indo bem. Tivemos alguns sons e leituras interessantes no sistema Teegarden. Estamos terminando algumas observações e iniciaremos a pesquisa no sistema de Vega. “Pronto. Corda dada”

Howard Patton suspirou: – Vocês sabem que… o laboratório de ótica cognitiva fez avanços inacreditáveis nos últimos meses? Nós estamos perto de mais uma descoberta que pode mudar o mundo.

– Infelizmente, encontrar e se comunicar com vida inteligente alienígena em um universo infinito é um processo um pouco demorado…

– Bem Ellie, serei direto. Temos reparado que seu programa não tem correspondido da forma esperada, e acredito que seja por sua falta de foco, ultimamente. Anda sozinha com seus fones de ouvido pela neve, trabalha além do horário estipulado… Para o próprio bem da pesquisa, estou lhe enviando de recesso novamente. Creio que um bom descanso lhe cairá bem.

 

Dessa vez, Jon não se conteve: – De novo?? Ellie voltou de recesso há menos de 2 meses! Precisamos dela.

– Eu estou bem, Howard. Só preciso de espaço para trabalhar. Só iremos colher frutos se semeá-los. Imagine! Imagine como o mundo poderia mudar, evoluir, se unir, caso encontremos algo lá fora! – Foi sua última cartada.

– Eu sei, Ellie, eu sei. Mas não há como convencer o congresso dessa fantasia científica. Sinto muito, mas já está decidido. Sua passagem está reservada para esta noite – Howard Patton se virou e saiu, seguido pelos asseclas.

Ante a saída do Secretário, os dois cientistas ficaram em silêncio. Eleanora olhava para uma foto em cima de sua mesa. Uma bonita menina acompanhada de dois idosos. “Papai e mamãe… sim, será bom vê-los”.

Ao fim do expediente, ela voltou ao dormitório, pequeno cubículo que vinha lhe servindo de moradia por tanto tempo.

De mala pronta, dirigiu-se para o estacionamento, lembrando-se dos pais. Ambos sorridentes, na mesa de Natal, vestidos com suéteres. Se entristeceu. Andava se dedicando tanto ao trabalho que mal lembrava dos pais. Eram sempre as mesmas lembranças. Mas remediaria isso, em breve.

Ela dirigiu até chegar ao prédio-guarita. Ainda teria que dirigir mais alguns quilômetros pela mata fechada até chegar ao pequeno aeroporto. Não entendia o motivo de tantos testes para entrar e sair da instalação. A cientista desceu e entrou numa das portas do único corredor da edificação, chegando numa espécie de consultório médico. Um senhor de cabelos escassos e óculos na ponta do nariz estava lhe esperando.

– Eleanora, como vai?

– Vou bem, Doutor.

– Vamos então, senão você vai perder seu avião.

A loira o acompanhou até um equipamento grande no meio da sala. Sentou-se encaixando o rosto nele. Era semelhante a um oftalmoscópio, a diferença era um encaixe para o nariz.  Tentando esquecer a tristeza, focou na imagem que era exibida no display.

– Inspire – Disse o médico. Ela inspirou  – Expire. Ele repetiu o comando mais algumas vezes.

– Agora, dê uma piscada bem longa, feche os olhos. – Ela fechou.

– Abra. – Ela abriu.

– Bem-vinda de volta, Ellie.

A cientista nem acreditava. Suas férias voaram. Os dez dias passaram a jato e, ela já estava de volta ao trabalho. Mas sentia-se descansada e pronta para o desafio.

Ellie colocou os headsets enquanto conferia planilhas de cálculo. Sua equipe nada descobrira sobre Teegarden, mas aqueles sons esparsos e desconexos lhe pareciam fazer algum sentido.

Mais tarde, já no quarto e ainda ouvindo as horas de gravações, sentou-se com lápis e papel trabalhando no caso e, sequer percebeu que adormecia sobre a mesa, ouvindo os misteriosos sons do espaço.

Acordou sobressaltada. Correu para o banho tentando conter a excitação. Não sabia exatamente com o que sonhara, mas acordou com a uma possível tradução para os sons vindos do espaço.  Um trecho! Um trecho que passava desapercebido na gravação e se fez nítido durante seu sono. Ela mal podia acreditar. Correu para o laboratório. Os sons, à primeira vista, nada pareciam, mas em seu cérebro, conseguia discernir palavras. Talvez até uma mensagem! Não sabia explicar como havia chegado àquelas palavras, mas com a ajuda dos outros, poderia chegar a uma forma concisa de tradução.

O dia passou voando e já tarde da noite, sozinha no laboratório, com olheiras e descabelada, Ellie, bateu o lápis na mesa. Eles não haviam percebido o que percebera, mas ali estava a resposta. Em meio aos papeis à sua frente, uma folha com apenas uma frase se destacava:

Você… nos aguente… voltaremos…

Ellie colocou os cabelos para trás respirando fundo. Aquela seria a maior descoberta da história. Seres alienígenas há dezenas de anos-luz, entrando em contato com a raça humana! Eram palavras desconexas, mas a mensagem não parecia completa. Precisava continuar trabalhando nela. Mas por que só ela conseguia ver uma tradução naqueles sons?

Chegando aos dormitórios, acenou para algumas pessoas na entrada, eles foram corteses, mas nenhum olhou para ela. Estranho.

Se sentia estranha. Olhou para a foto dos pais no criado-mudo. As mesmas lembranças. Mas por que não conseguia se lembrar dos pais de outra forma? Aliás, não lembrava sequer do caminho que fizera ao ir e voltar do recesso. Era o trabalho. Estava lhe tomando todo o tempo, e agora parecia tomar até sua memória e sanidade. Mas não sucumbiria à pressão e exaustão. Cumpriria seu objetivo, colocaria seu nome na história e voltaria para casa, realizada.

Súbito, uma batida na porta a sobressaltou. Ao abrir, Jon esgueirou-se para dentro antes mesmo de ser convidado.

– O que houve, Jon? Que cara é essa?

– Ellie, não posso demorar. Preciso lhe dizer: melhor focarmos em outra parte de nossa pesquisa.

Eleanora quedou-se incrédula: – Como assim? No meio dessa descoberta?

– Não foi bem uma descoberta… você sabe. Só você consegue ler, seja lá o que isso for. Mas não acho que eles vão gostar. Melhor prosseguirmos para Vega. – Dr. Fisher olhava para os pés enquanto falava.

– Jon, eu não posso abandonar isso assim. Sei que podemos provar o que descobrimos.

Ele abriu a porta, já de saída: – Eu só queria te avisar. É perigoso, Ellie…– Sem esperar resposta, Jon foi embora.

Eleanora sentou-se na cama, não conseguia entender a atitude do colega. Aquela descoberta era imensurável. Poderia mudar os rumos sombrios que o mundo estava seguindo e caminhar para a paz! Conversaria com ele.

De manhã, Eleanora estava estática, frente à água corrente da pia.  Mais sonhos. Ela se sentia diferente, como se não pertencesse àquele lugar. Ouviu o canto dos pássaros lá fora e viu os raios amarelos do sol penetrarem o banheiro. Tudo lhe parecia estranho, alienígena.

No escritório, ela aguardava seus companheiros chegarem para continuar as pesquisas, mas apenas recebera um memorando notificando da saída de Jon Fisher.

Ellie sentou-se aturdida. Lembrava das palavras dele, que agora, se mesclavam com a mensagem vinda do espaço. “Nos aguente…”

Colocou as mãos entre os cabelos. Sabia que havia uma conexão entre tudo. As constantes pressões de Howard Patton, a mensagem do espaço, sua falta de lembranças, a súbita saída do colega.

Eleanora saiu do laboratório e seguiu para o único lugar onde poderia ter alguma resposta. Em seu caminho, as pessoas continuavam lhe cumprimentando normalmente, mas algo estava errado… Por que tanta gente passou a suar óculos de sol em plena instalação? Não havia razão para aquilo.

Entrou no elevador e pressionou o último andar. Chegou ao andar da diretoria do projeto. Muitos militares circulavam por ali e aquilo não era normal. Ela não via, mas sentia os olhares pesando sobre si, tão logo passava pelas pessoas. Por que eles estavam agindo dessa forma? Será que sabiam de sua descoberta? Estariam vigiando-a?

“É perigoso…” “Aguente!”

Neste momento, chegou ao gabinete do Secretário Patton.

– Em que posso ser útil, Ellie?

Eleanora já tinha o discurso pronto. O motivo da demissão de Jon, as cobranças, a espionagem, mas… as palavras descobertas calavam fundo em seu âmago.

– Howard…  – ela suspirou – … sei que acabei de voltar de férias, mas não estou conseguindo trabalhar. Preciso me ausentar por algum tempo.

Para sua surpresa, Patton assentiu – Claro, eu entendo. Sinto muito por não lhe notificar da saída do Dr. Fisher, segundo ele, era uma emergência. Partiu essa manhã.

Todos vocês precisam de um descanso – ele continuou – Você está liberada até se sentir melhor, Ellie. Pode pegar o avião de volta, hoje à noite.

– Obrigado – ela se retirou. Soltou o ar. Parecia que esteve presa numa câmara com um monstro. Não sabia dizer o motivo da tensão.

Ao sair do gabinete, esbarrou num trio de homens que entravam, derrubando algumas fichas. Ela se agachou junto a um deles para pegar os objetos no chão, e assim que olhou nos olhos dele, este abriu um sorriso e seus olhos exibiram alegria genuína. Aquele olhar lembrava o que todos costumavam lhe dirigir quando olhavam para ela. O homem foi apressado por seus colegas, que usavam óculos escuros, e os três desapareceram pela porta do gabinete do Secretário, deixando Eleanora ali, confusa.

Ela seguiu firme para o elevador. Agora tinha certeza, seja lá o que fossem aquelas pessoas ou coisas, acabavam dobrados pelos seus olhos, seja lá o que eles tenham. Aquilo não era normal. Precisava sair dali imediatamente e espairecer longe daquele lugar misterioso, que há poucos dias, lhe era mais comum que sua própria casa.

No corredor, à medida que avançava, via militares se mobilizando. Alguns falando ao rádio, assim que ela passava, outros levavam as mãos aos coldres à sua mera aproximação. Ela não podia estar louca. Apressada, andou pelas instalações sob essa atmosfera ameaçadora, até finalmente atingir os dormitórios.

Aguardou até a noite, onde o movimento era bem menos intenso, para deixar o alojamento. Poderia ser paranoia sua ou a mais pura verdade, mas não voltaria até ter certeza da segurança e “normalidade” do lugar.

Dirigiu até o prédio-guarita, onde deparou-se com a cancela fechada. A neve caia impiedosa lá fora, e ela desceu, indo fazer o exame de saída. Ela adentrou o prédio e seguiu pelo corredor até o consultório do Dr. Eisenbouer. Este foi amigável como sempre, mesmo para, agora, os desconfiados olhos de Ellie.

A loira teve seu sangue extraído, como de costume, e sentou-se no oftalmoscópio.

– Inspire.  – Ela inspirou. – Expire.

-Inspire – Ellie, em um segundo de dúvida, afastou o rosto do interior do equipamento olhando-o. Ali, reparou o ar turvo, uma espécie de gás inodoro e invisível era emitido pelo aparelho. Não havia mais dúvida!

A mulher num salto saiu da máquina e atingiu a mesa do velho médico, que mal percebera. Ela pegou o  crachá em cima da mesa e correu para a porta. Ao sair, passou o cartão no leitor, prendendo o velho lá dentro. O médico gritou:

– Ellie! O que está fazendo? Me deixe sair!

Enquanto disparava pelo corredor, Ellie pôde ouvir os gritos do Dr. Eisenbouer mudando de tom:

– Ela está fugindo!! Peguem-na!! Peguem-na!

Corria vendo pelas janelas seu carro ligado lá fora. Sua esperança era chegar até ele.

Mas tal esperança se transformou em horror quando pelas janelas, viu diversas figuras brancas cercando o automóvel.  Eram seres humanoides empunhando armas. Eles faziam um perímetro ao redor de seu carro e já ameaçavam entrar no prédio. Seria impossível fugir de carro. Incontinenti, a mulher, deu meia volta, esperando chegar à janela no final do corredor, que dava para uma floresta de pinheiros. Atingiu o objetivo no momento em que os seres penetravam o prédio.

– Parada! – Uma voz metálica soou, ameaçadora.

Eleanora já estava com a janela entreaberta e enfiou seu diminuto corpo pela fresta esperando ultrapassá-la. Ouviu disparos atingirem a parede e uma dor lancinante no braço direito. Desvencilhou-se da janela sem esperar um barranco coberto de neve, imediatamente atrás do prédio. Ela rolou ribanceira abaixo se engolfando na neve, mas ao pé da encosta, reergueu -se.  O braço doía horrores, mas aquilo não a deteria agora. Olhou para cima e pôde divisar as criaturas vindo pelas laterais e por dentro do prédio, emitindo feixes vermelhos dos olhos e das armas.

Ellie fugiu floresta adentro, utilizando uma energia que não sabia ter. Tinha que chegar a alguma civilização antes de ser pega, o aeroporto talvez. Corria entre os pinheiros com disposição atlética até divisar um rio correndo lentamente, congelado nas margens. Saltou de pedra em pedra até chegar na margem oposta. Precisava subir uma elevação para prosseguir na fuga. A árvore coberta de neve, com grandes raízes lhe serviria bem. Trincando os dentes, usou toda sua força para, com um braço só, içar-se até o terreno alto. Olhou o braço. Uma marca redonda e roxa ornava seu bíceps. Doía demais.

Como aquilo podia estar acontecendo? Naquela manhã estava no laboratório, entusiasmada com sua descoberta. À noite, estava sendo caçada por criaturas bizarras. Viu as luzes se aproximando na outra margem e partiu em carreira novamente. Um zumbido terrível a ensurdeceu. Um helicóptero sobrevoava o local.

Correu por algum tempo até parar, ofegante, e se encostar atrás de um pequeno monte de neve. A energia que lhe acometera se fora, e agora, estava ofegante e sentia o peso do braço dolorido. Olhou para trás. Os seres brancos se aproximavam, descendo a floresta congelada. Fez menção de seguir em frente, mas viu-se encurralada. Mais seres brancos a cercavam, apontando seus fachos escarlates para ela.

Ela ergueu o braço bom em tom de súplica:

– Parem, por favor! Quem são vocês? Eu só quero ir pra casa!

Ante as lágrimas vertendo dos belos olhos azuis da extraterrestre, o líder da operação ergueu o punho fechado para seus homens, que avançavam protegidos pelo uniforme tático para neve. Fecharam um círculo ao redor da mulher.

– Por favor. Me deixem em paz. Eu… Eu só quero voltar pra casa!

Ellie viu um deles abaixar a arma. Será que havia compreendido? O homem, acenou para outro, que se aproximou também, e ergueu um pouco sua arma. Um som abafado foi ouvido e Eleanora sentiu uma picada na perna. Um dardo enfiado em sua coxa.

O mundo girou uma vez, duas vezes, na terceira, não viu mais nada.

A não ser um verdadeiro caleidoscópio de cores. Uma torrente de luzes multicoloridas passava por ela. Elllie voava num túnel. As paredes eram feitas de pura energia e luz. Do infravermelho ao ultravioleta, todo o espectro de cores conhecido e desconhecido pelo homem passava diante de seus olhos. Uma montanha russa psicodélica. Seu corpo estava inerte e seus cabelos, esvoaçavam ante a velocidade inconcebível.

As paredes, antes luz, agora eram dados. Equações matemáticas de antes, de agora e de depois. E ela sabia resolvê-las. Entendia-as melhor a cada milésimo de segundo, interpretando-as não como problemas, mas como soluções, até se tornarem linguagem. Não escrita, não falada, mas sentida. Emoções sentimentos, sons, cheiros e sabores a engoliram num mar de autoconhecimento. E Ellie apreendeu. E se lembrou.

– Foi o Pentobarbital – disse uma voz – Ela não inalou a quantidade certa e o efeito foi oposto. Deu-lhe o triplo de energia até vocês a pegarem. Ela nunca tinha ido tão longe.

– Sim – a voz de Howard Patton era notória – ela está se lembrando cada vez mais rápido. Por isso, precisamos que vocês também sejam mais rápidos em suas pesquisas, Dr. Eisenbouer.

– Mais rápido? Você sabe o quanto já progredimos e revolucionamos o mundo só com o estudo do cérebro e dos olhos dela? A Reciclagem ainda não está totalmente desenvolvida, mas…

– Sem mais, Doutor. Em breve, a Reciclagem não funcionará nela. Precisamos continuar firmes.

O médico alisou os cabelos dourados da alienígena deitada na maca:  – Esses olhos… Tão linda… Tão gentil… – Gostaria que pudéssemos convencê-la a cooperar.

– Você sabe que isso já foi tentado. Não há outra forma. Precisamos estimular o cérebro dela a continuar trabalhando, enquanto extraímos o máximo de conhecimento possível.

Neste momento, Ellie, ainda torpe, proferiu de súbito:

– Perdoe-os… eles não sabem o que fazem…

O Neurobiólogo e o Secretário se entreolharam e viram que a espécime falava dormindo.

– Bem… – disse Patton – Pode levá-la para a Reciclagem. Espero que dure mais dessa vez.

O médico nada respondeu. Alisou o rosto perfeito da alien e empurrou a maca para a sala do procedimento.

Depois de tudo, Ellie estava feliz. Sabia que em breve, voltaria pra casa. Decifrara totalmente a mensagem vinda do espaço.

“Aguente. Voltaremos por você.”

 

Fim

Anúncios

Sobre Fabio Baptista

13 comentários em “A Mensagem (Grey Tysson)

  1. Miquéias Dell'Orti
    17 de setembro de 2018

    Olá!

    Um conto rápido, direto e muito bem construído. Gostei da história da dra. Blue e sua corrida pela sobrevivência. A ação envolve a gente durante quase toda a história e a simplicidade (no bom sentido) da escrita faz com que não consigamos parar.

    Gostei do detalhe em que você evoca o “axioma” da sci fi com alienígenas: nunca confie em homens de terno com óculos escuros.

    Achei uns dois erros de digitação que nem vale a pena citar, pois não influenciou em nada minha leitura.

    No meio do conto já tive uma leve inclinação do que nos esperava. Mesmo assim, isso não o fez perder potência e o final foi uma surpresa bacana.

    Enfim, um ótimo trabalho. Parabéns!

  2. Evelyn Postali
    16 de setembro de 2018

    Gostei muito do seu conto. Quem diria que ela era a alienígena! Eu gostei do ritmo que a escrita imprimiu à leitura. Gostei de como diálogos e descrições se organizaram para compor todo o texto. Não vi descrições superficiais e tampouco descrições maçantes, que deixam o texto arrastado e de aborrecer.
    Eu não vi erros de escrita, então, está de boa. Se outros apontarem, uma revisão mais apurada dá jeito em tudo, de qualquer maneira.
    Boa sorte no desafio. Abraços!

  3. Alessandro Diniz
    13 de setembro de 2018

    Olá, Grey! Eu gostei muito do seu conto. Algumas coisas sobre as instalações me fizeram lembrar realmente sobre aquelas instituições de pesquisa que vemos em filmes. A atmosfera de confusão em torno da protagonista também funcionou bem. Seu domínio da língua portuguesa é ótimo. Só estranhei as vírgulas separando o sujeito do verbo em duas ocasiões. Uma aqui: “O homem, acenou para outro, que se aproximou também, e ergueu um pouco sua arma.” E aqui: “Incontinenti, a mulher, deu meia volta, esperando chegar à janela no final do corredor, que dava para uma floresta de pinheiros.”. Se você tivesse utilizado assim: O homem, que se aproximou também, acenou para outro e ergueu um pouco sua arma., aí justificaria a vírgula. A mesma coisa aqui: Incontinenti, a mulher, esperando chegar à janela no final do corredor, que dava para uma floresta de pinheiros, deu meia volta.”. Aqui faltou uma vírgula: “A mulher num salto saiu da máquina”. Pareceu que ela estava só com um sapato de salto. Assim ficaria melhor: A mulher, de um salto, saiu da máquina. Mas nada disso interferiu no todo. O texto é limpo, o modo como escreve é fluído. E teve a famosa reviravolta que as pessoas tanto gostam, a mulher é que era alienígena. surpreendente, pois ela estava sendo estudada e manipulada, achando que fosse uma humana. Parabéns!

  4. Caio Freitas
    12 de setembro de 2018

    Muito bom o conto. Dá para perceber, lá pelo meio do texto, que há algo diferente nela, e, a partir daí, a história é muito bem construída. Se houvesse mais espaço, gostaria de ver mais a fundo do que os olhos da Dra. Ellie são capazes. Parabéns.

  5. Wilson Barros
    12 de setembro de 2018

    Gostei muito dessa imagem e sua profunda coloração turquesa, Mr. Grasse Tyson. Também apreciei o secretário ser parente de um antigo General conhecido meu, que gosta de dar bofetadas. A ideia foi muito criativa. O final foi muito bem elaborado no estilo de um roteiro de ação. Aliás, o conto dava um filme e tanto, Hollywood não sabe o que está perdendo.

  6. iolandinhapinheiro
    12 de setembro de 2018

    Olá, autor!

    Achei muito legal o seu conto, a ambientação está super bem feita e dá para imaginar o laboratório, as pessoas, o porta retrato, as cenas de ação.

    A ideia de inversão ficou bacana, quem esperaria que a cientista que procurava aliens fosse, ela própria, uma extraterrestre? Gostei de como vc conduziu a trama deixando o impacto para a hora certa e dando ideia de continuidade cíclica à técnica que usavam com ela para que não conseguisse se lembrar de sua própria natureza.

    O enredo é bem costurado, não encontrei inconsistências, o plot não foi antecipado, a gramática está ok, o ritmo do conto é ótimo. Apenas a palavra “torpe” que significa desprezível, abjeto, deveria ser substituída por “entorpecida” que significa: débil, adormecido.

    Fora isso, achei o conto muito bom, meus parabéns.

    Sorte no desafio.

  7. Antonio Stegues Batista
    11 de setembro de 2018

    Gostei demais desse conto, uma história interessante, enredo ágil, escrita simples, mas ações perfeitas, com bastante suspense. Um enredo original, uma boa ideia. As frases são coerentes, diretas, lógicas. Penso que há uma palavra errada na frase; “Lá vinham mais cobranças e ameaças- pensou a mulher”. Acho que o certo seria; “Lá vem mais cobranças e ameaças – pensou a mulher.” Ou; ” – Lá vinham mais cobranças e ameaças- pensava a mulher.” Porquanto que o tempo verbal é passado. Mas isso não é importante deu para entender perfeitamente. Um excelente conto. Boa sorte.

  8. Marco Aurélio Saraiva
    10 de setembro de 2018

    Gostei! Uma história bem pensada, com muita imaginação. O “plot twist” por descobrir que o alienígena na verdade era a própria Ellie me pegou desprevenido. A sua narrativa é bem corrida, mas não tanto a ponto de fazer toda a trama parecer “condensada” em 3000 palavras. A sua escrita é simples e eficaz, às vezes simples além do necessário mas, na maior parte do tempo, acessível e agradável.

    Gostei muito da originalidade da sua trama. Gostei muito, também, de como você a conduziu. Você tem muita criatividade e consegue estruturar bem os seus pensamentos.

    Acho que os pontos que tirarei do seu conto se devem exclusivamente à sua técnica. Não há erros grosseiros, mas vi muitas vírgulas fora do lugar e alguns erros de digitação. Como falei antes, a sua escrita é corrida – às vezes demais. Você também esmiúça muito a trama, guiando o leitor mesmo quando ele não precisa ser guiado, quase que duvidando da capacidade do seu leitor em entender todos os detalhes da sua trama. Uma parte considerável do seu texto poderia ter sido cortada, deixando que o leitor descobrisse por si só o desenrolar do enredo e, ao mesmo tempo, dando mais espaço para o conto respirar, diminuindo um pouco o ritmo da narrativa. Por fim, a escolha dos nomes e lugares americanizados é algo que sempre me desagrada um pouco já que a sua história poderia ter se passado em QUALQUER LUGAR do mundo, inclusive, por que não, no Brasil. Mas isso é mais opinião pessoal.

    Enfim, uma história empolgante e muito imaginativa, bem elaborada, mas um pouco mal executada.

  9. Mariana
    9 de setembro de 2018

    É uma narrativa sólida, o autor escreveu com segurança a trama. A construção do retorno da memória a partir da mensagem a ser decifrada e a passagem da fuga na floresta foram tão bem escritas que me lembraram tramas do personagem Bourne. Apreciei a imagem também, ela funciona para a construção da personagem… A minha única questão é que, lá pelo terceiro parágrafo, já tinha descoberto o segredo da Ellie. Mas, enfim, nem sempre precisamos inventar a roda – o autor fez um excelente trabalho aqui. Parabéns e boa sorte no desafio.

  10. Anderson Roberto do Rosario
    8 de setembro de 2018

    Um conto surpreendente, bem escrito. Com um enigma que vai se revelando de forma homeopática e magistral. O conto está perfeito. Nada a considerar. Parabéns e boa sorte.

  11. Emanuel Maurin
    7 de setembro de 2018

    O texto flui bem do começo, no meio fica um pouco menos intenso e volta fluir no final, mas não entendi que tipo de reciclagem estavam fazendo em Ellie. Gostei da apresentação da personagem principal e do primeiro parágrafo, pois acho interessante quando a descrição física de um personagem é feita no decorrer da história.

  12. Ricardo Gnecco Falco
    5 de setembro de 2018

    Olá, Grey! Gostei da agilidade na narrativa, que vai se desenvolvendo de forma crescente e contínua, até levar o leitor ao ápice da ação do conto (a tentativa de fuga da base), para depois trazê-lo de volta para dentro da personagem. Algumas vírgulas mal colocadas e palavras repetidas, mas nada que atrapalhasse o desenvolver da leitura. Gostei da tensão latente da narrativa, da cena do desmascaramento do Dr. Eisenbouer e do fato de Ellie não se abater, mesmo após a descoberta da mentira na qual vivia (a foto clichê dos pais velhinhos e de suéter, na mesa de Natal, deu o tom que que permeia todo o trabalho). Obrigado por compartilhar sua história! Boa sorte no Desafio!
    Paz e Bem!

  13. José Geraldo Gouvea (@jggouvea)
    2 de setembro de 2018

    Mais um texto que me prendeu do início ao fim. Econômico, não explica nada que esteja fora da linha de ação. Direto, não perde tempo com tergiversações, mas constrói a personagem gradualmente. Achei que a narrativa poderia se beneficiar de um pouco mais de beleza de linguagem, mas não vou criticar isso na minha nota, porque é uma questão de estilo. De qualquer forma, considerando que o texto tem 2947 palavras, bastante perto do limite, sugiro que a versão definitiva, não tendo que enfrentar esse teto, consiga melhorar as transições narrativas e adicionar alguns pontos de tensão. Uma coisa que eu achei que ficou faltando, por exemplo, foi a explicação satisfatória para os óculos escuros aparecerem de repente. Embora tenha funcionado como elemento de estranheza, funcionaria melhor se posteriormente fosse revelado algo como, por exemplo algum tipo de poder ou radiação emanado de Eleonora.

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Informação

Publicado em 2 de setembro de 2018 por em Alienígenas.