EntreContos

Detox Literário.

Fruto (D. Margarida)

Já tinham sido mais frequentes as noites em que Manuela acordava de sobressalto. As mãos apalpavam o vazio onde antes podia sentir, por através da pele do seu abdômen, seu filho aninhado em seu útero. Chorara em todas essas ocasiões. Abandonava Luiza adormecida na cama, servia-se de um copo de leite na cozinha e então saía para o alpendre, onde podia contemplar o céu estrelado, arrepiada e abraçando o próprio corpo. Antes das estrelas, porém, demorava um melancólico olhar na lápide de Ítalo, pequenina no espaço tomado de mato que ficava entre a hortinha e a cerca. Nessas numerosas noites insones, caminhava até ali e se sentava mais o seu menininho, abraçando os joelhos com o olhar perdido no prateado cintilante que se distribuía pelo céu escuro. Era comum que Luiza a encontrasse de manhã, dormindo recostada na lápide de seu filho morto, na companhia apenas de um copo com restos de leite.

Esses tinham sido os piores dias. Luiza se experimentara na cozinha, recebendo apenas negativas desinteressadas de Manuela que, se comia, detinha-se em refeições fáceis que não demandavam preparo. Sua noiva já não se preocupava em atender aos freelances de onde tirava os rendimentos ou mesmo em cuidar da casa, das galinhas ou da horta. Sem trabalhar, mantinha-se no quarto, entretida pelo rolar entorpecente dos variados feeds que acessava em seu celular. Luiza nunca a culpou. Não carregara a criança, mas ela própria também enfrentara o processo da inseminação artificial, tal como arcava com as dívidas que vieram.

Mas houve melhora.

Luiza se surpreendeu quando escutou a noiva dizer que: “deveria fazer alguma coisa na lápide do Ítalo”. Manuela escolhera flores. Empenhara-se em estudá-las, averiguara o espaço e então coloriu de branco e amarelo os arredores da lápide, cuidando para que depois de algum tempo despontassem crisântemos e margaridas a formarem uma colorida cerca perfumada. O tempo de estudo e de cultivo fez bem a Manuela, que até voltara a comer e largara o celular. Ela não deixara de acordar no meio da noite e adormecer recostada à lápide, mas agora a encontrava sorrindo e um dia, pela primeira vez em muito tempo, ela respondeu às suas carícias. Deitaram-se ali mesmo, no meio das flores.

Também perdera Ítalo e também sentira e sentia o vazio. Quando saía para trabalhar no escritório, na verdade fugia, pois era quando podia escapar do luto que obscurecia a casa. Todas as suas lágrimas foram derramadas fora do sítio, por Ítalo, pela sua própria covardia e pelo sufocante senso de desesperança que se apoderava cada vez mais de sua monotonia cotidiana e mesmo dos seus sonhos. Mas os beijos de Manuela bastaram para restaurá-la à realidade. Aquela era a sua noiva, a mulher que amava e com quem ousara tentar a maternidade. Luiza, que fazia careta para religiões, agradecia aos céus, sem saber exatamente para quem. Não sabia ou chegaria a saber que era dali que viria a verdadeira desgraça.

Aconteceu em uma das noites que o vazio despertara Manuela. A mãe enlutada seguiu seu roteiro insone, descendo até a cozinha para um copo de leite e então se dirigindo para o alpendre, de onde podia enxergar o seu jardim, os ramos coroados de pétalas indo e voltando, ritmados pela brisa. Todas as flores flexionaram para baixo e a própria Manuela se abaixou um pouco diante da súbita pressão que se impôs quando o cometa passou por cima do sítio, caindo até sumir entre a mata alta. Um estrondo avisou de sua aterrissagem, seguido de uma rajada de vento que a fez recuar dois passos. As folhas farfalharam, as paredes estalaram; todo o ambiente protestou contra a repentina mudança de ares.

Manuela ficou na mesma posição por alguns instantes, meio agachada como para se proteger de algo. Não percebera que no susto quebrara o corpo, alguma das vidraças tendo aberto caminho pela sua carne. Pingava no chão uma mistura rosada de sangue e leite. Não retornou para amparar o ferimento, ao invés disso começando uma caminhada até o possível local de aterrissagem daquele cometa.

Passada a cerca, caminhou uns trezentos metros até encontrá-lo. Sua passagem havia chamuscado a mata, desenhando um círculo tosco em seu entorno. Os fios de grama tinham um brilho verde queimando as suas pontas e o próprio cometa se iluminava na mesma cor, tingindo os arredores de esmeralda. Havia um odor metálico e o ar lhe parecia denso, difícil de inspirar. Sentiu a cabeça doer, recolheu a mão ferida ao peito, percebendo que gotejava sangue pelo chão. Um passo à frente contribuiu para a tontura e mais um trouxe um zunido aos ouvidos. Ficava óbvio que não deveria se aproximar, mas ainda assim o fazia. Teve a impressão de que não era responsável pelos próprios movimentos. Não piscava e sentia os olhos doerem, ardidos da luminosidade do corpo extraterrestre. Esticou-lhe a mão saudável, confirmando o intenso calor que emanava da rocha. Não se queimou ao toque e no lugar disso um morno afável seguiu pelo seu braço, como faria a eletricidade. Manuela sorriu, deleitada. O cometa se quebrara com o impacto e não precisou de muita força para partir a rocha que segurava. O pedaço se separou do cometa num chiado. O fragmento em sua mão tinha o tamanho de uma maçã e os vértices afiados, de modo que teve que tomar cuidado para não acabar se cortando de novo. O brilho verde se mantivera. Manuela passou as costas da mão no nariz, sem perceber enxugar sangue que escorria.

Retornou pelo mesmo caminho que veio, dirigindo passos mecânicos até o sítio. Não cessou o sorriso em nenhum momento. De volta ao outro lado da cerca, virou-se para a lápide, um discreto bloco de mármore brotando entre flores brancas e amarelas. Abaixou-se sobre ela e depositou o pedaço sobre a terra. Abaixada, o sangue fez o caminho da narina ao queixo e dali à queda livre, gotejando sobre o rochedo. Aquilo que não havia queimado a sua mão fez o sangue evaporar na mesma hora, num breve e estridente chiado. Viu o rochedo dourar por um breve momento, como se fosse flamejar. Imediatamente pôs a mão cortada pouco acima dele e fechou com força, fazendo uma careta enquanto mais sangue escorria sobre aquela pequena amostra extraterrestre. O resultado foi o mesmo que derrubar água sobre uma chapa quente e o pedaço do cometa incandesceu e avermelhou. Emitia um zunido. O fragmento afundou um pouco na terra, como se sua intensidade estivesse abrindo caminho até o pequeno túmulo que acomodava o natimorto de Manuela. Ela só parou quando se sentiu tonta. Devagar, voltou até a casa, limpou a bagunça que fizera sob o alpendre, improvisou um curativo e, sorrindo, foi dormir.

Lá fora, iniciava-se a germinação.

***

Luiza experimentara a sua vez de tristeza. Ao lado da mãe, chorou de verdade, como fazia no trabalho nas estratégicas saídas para fumar. Em soluços balbuciou para a mãe uma tentativa de explicar o que havia a feito retornar para casa em que crescera. Não via a noiva tinha uma semana. Nos anos que acumularam de relacionamento, nora e sogra sempre se gostaram. Luiza, que nunca teve um apetite especial por esportes, costumava revirar os olhos para a barulhenta empolgação que as duas mulheres faziam enquanto assistiam ao campeonato de futebol europeu.

Manuela e sua mãe eram próximas a ponto de falarem sobre a sua vida enquanto não estava presente, mas, ainda que constrangedor, Luiza felicitava-se com aquilo. Manuela nunca conhecera a própria mãe. Morrera no parto e, inicialmente, ficara com o pai, mas o sacana não demorou muito a destratar a filha e perder a guarda para sua avó materna, de quem herdara o sítio. Entendia que Manuela tinha com a sogra um relacionamento materno e, mais do que isso, situava-a numa família, algo em que nunca pôde verdadeiramente se encaixar… mas então Luiza e Manuela tentaram ter uma família elas próprias e o fracasso as separara.

Pouco antes de deixá-la no sítio, Luiza tentou ir até a família “biológica” dela. Isto era o seu pai. O sujeito limitou-se a atendê-la na porta. Já tinham se visto de relance, numa ocasião burocrática. O mesmo olhar desdenhoso que lhe dera naquela vez, recebeu ali também, embora agora também parecesse surpreso. Ele tentava esconder o choque, é claro. Não queria fazer parecer que Luiza podia levá-lo a qualquer tipo de emoção. Não estou sequer aos seus pés, afinal.

─ Manu não está bem.

Para tudo o que acontecera, aquilo minimizava bastante a situação, mas não quis detalhar para o homem. Ele, por sua vez, só levantou uma das sobrancelhas, como se tivesse lhe dito algo que não fazia sentido.

─ Manuela?

Desgraçado…

─ Manuela.

Ele cruzou os braços, lábios franzidos e as sobrancelhas levantadas naquela altura de puro menosprezo.

─ Que houve?

─ Depois do… ─ Manu não especificara o quanto dissera ao pai do que acontecera, mas era certo que ele sabia do aborto ─ Depois do ocorrido, ela não tem sido a mesma. Melhorou um pouco depois de um tempo, mas… acho que é pior dessa vez… ela está se machucando, acho que precisa buscar ajuda.

Ele balançou a cabeça. Repetiu o gesto por um bom tempo antes de responder, expressão inalterada.

─ É claro!

Luiza não o entendeu.

─ Esse negócio que vocês fizeram de inseminação artificial só podia dar nisso! Uma coisa dessas não é natural, então perderam o bebê. Agora a Manuela tá ficando doida? Ora, é óbvio.

Paciência. Muita.

─ Manu está com alguma…

Manuela.

─ Manuela… Manuela está doente, acredito que depressão. Não tem a ver com a inseminação, mas por ter perdido Ítalo. ─ ele soltou uma risadinha ao escutar o nome da criança ─ Ela melhorou quando começou a cultivar flores, mas começou a crescer outra coisa… e acho que está fazendo mal a ela.

─ É aquele sítio. Qual das duas é fazendeira, me diga? Estão fazendo o quê lá, pelo amor de Deus? Ficam as duas lá sem saber fazer as coisas, uma olhando pra outra… ─ debochava ─ Acho que Manuela tá é caindo na real. Tá vendo que não é assim que se faz as coisas…

─ Que coisas? ─ Luiza se economizava.

─ Viver afastada da família… com uma mulher.

─ Eu sou a família dela.

─ Família? Família é mãe, pai, irmão. Você tá lá se aproveitando só pra ela achar que pode fazer o que quer. Gente da sua idade tá achando que tudo é certo e que pode qualquer coisa. Não existe “família” assim não, menina, mulher com mulher. Vocês estão é loucas, querendo viver mundo de faz de conta no sítio. Devem ficar as duas junto das galinhas achando que estão na sincronia da natureza ou qualquer merda do tipo.

─ O senhor é a família dela?

─ A de verdade. A única que resta.

─ Se fosse, estaria com ela em todos os momentos, não só quando quer um pedaço da propriedade.

A considerar a barriga inchada, o olhar desfocado e a leve corcunda, surpreendeu a velocidade com que o homem se moveu. Com uma mão, puxou-lhe pelo rosto, apertando suas bochechas com o polegar e o indicador.

─ Eu sou o pai dela!

Felizmente, ele não tinha de força o que demonstrara de rapidez. Com um recuo e um empurrão, Luiza livrou-se do aperto, emendando o movimento em uma retirada apressada e amedrontada. Não contara o episódio para a mãe, sabendo que poderia preocupá-la ainda mais. Dias mais tarde, voltara a pensar naquele infeliz encontro. O que dera em sua cabeça para achar que seu “sogro” faria alguma coisa, afinal? Com tudo que ouvira sobre ele, foi estúpida em buscá-lo. Luiza não dormiu pensando sobre isso, mas sabia a verdade desde o começo. O que a levou a ir atrás do pai de Manu foi o mesmo que a motivara a deixá-la: covardia. Porque alguma coisa, qualquer coisa tem que resolver a situação.

Naquela madrugada insone, compreendeu. Manu não era uma situação, era sua noiva. Luiza voltaria ao sítio.

***

Quando uma ave ingere um fruto, responsabiliza-se pela futura semeadura, um aleatório evento de fertilização, um acidente que origina. Manu cumpria o papel da ave, mas não era humilde o suficiente para acreditar que se tratava de um acidente. Vivera para aquilo. Luiza não havia compreendido e saiu aos gritos, dizendo que enlouquecera, mas já esperava isso da noiva. Mesmo antes da germinação, conscientizava-se da distância que se abriu entre as duas depois de Ítalo. Não era remediável e também não precisava ser, Manu tinha outra responsabilidade agora.

No primeiro dia crescera como uma muda, diminuta, rosa e inchada, pequenos ramos arroxeados se espalhando pelo seu interior tais como veias. A única folha larga que ondulava em seu topo cintilava. Manu sangrava sobre ela todo dia, observando o crescimento no dia seguinte. Em cinco dias ultrapassava a sua altura. Luiza quis cortá-la e foi assim que brigaram. Ela não entenderia a magnitude daquilo. Quando sua noiva deixou o sítio, a árvore esmagara as margaridas e crisântemos com suas raízes brasis. Uma parte da cerca já sucumbia ao seu esplendor. A Árvore não se avexava, projetava-se em todas as direções. Erguia-se hirsuta, largas folhas brilhantes a farfalhar e zunir em seu topo. O som que faziam era como o de um sussurro, como se dissessem algo. Em pouco tempo a árvore estendeu sua copa sobre a casa, esplendorosa. Numa noite, o forte desejo por entender o cochicho de suas folhas a impeliu a se aninhar nos espinhos dos seus ramos. Desnuda, Manu a embebia de seu sangue. A Árvore se retorcia e a acolhia, nutrindo-se. Naquela primeira noite em que dormiram juntas, discerniu seus dizeres: germinar, crescer, florescer, frutificar. Germinar, crescer, florescer, frutificar.

Germinar.

Crescer.

Florescer.

Frutificar.

Manu fechara os olhos e enxergara, distantes, os planetas multicolores, resplandecendo tais como as estrelas, em cores nunca avistadas na Terra. Alteravam o seu brilho, combinavam e recombinavam as cores. As florestas matizadas frutificaram naqueles planetas, por que não na Terra? Outros povos desconhecidos aos humanos também tentaram derrubá-las, mas nada podia se colocar no caminho da natureza. Eram árvores designadas para crescer, não para serem derrubadas. Titânicas, invictas e imortais. Onde quer que fosse, germinavam, cresciam, floresciam e frutificavam. Adaptavam-se. Então Manu soube. Ela, logo ela, recebera aquele presente. Felicitava-se, pois sabia que a Árvore floresceria antes que esgotasse o seu sangue.

Até a noite da flor, alimentou-se apenas de sua seiva. As roupas sobravam em seu corpo magro e então andava nua, evidentes em sua pele pálida as marcas que deixavam os espinhos dia após dia. Ela bebia seu mel e se sentava aguardando a Lua, quando se comunicariam de novo. Durante o dia, mal se dava conta de como o sítio se alterava. As raízes no subsolo desnivelavam o chão, subprodutos da Árvore a crescer. As galinhas tinham sido sufocadas e drenadas pelos ramos e de dentro dos seus cadáveres nasciam novas plantinhas. A casa não demorou a ruir, apoderada pela Árvore. À noite, o sítio se projetava no distante como uma estrela rosácea, tão forte seu brilho que Luiza pôde enxergar de longe. Chegava pela estradinha de terra.

***

Luiza não cogitou que a Árvore também tivesse soterrado Manu e foi essa única convicção que dirigiu seus passos melindrosos para o outro lado do sítio, onde antes ficava a lápide de Ítalo. As raízes eram protuberantes e despontavam acima do solo como grosseiros arcos escarlates. Mais de uma vez teve que pular de um ponto para outro, tanto que as raízes empurraram e rebaixaram a terra. Atravessado o sítio, olhou para cima, centenas de metros para cima, para alcançar o topo da árvore, uma imensa copa cintilante, aquela que avistara quando ainda estava a quilômetros dali. Uma Árvore Titã. Mal reconheceu sua noiva na figura magricela e esquálida que se colocava de pé em cima de uma das protuberantes raízes da árvore. Quando Manu se virou, Luiza levou a mão à boca para impedir um grito.

─ Você veio, meu amor.

Ela sorria, exibindo a gengiva cinzenta. Os olhos mal estavam abertos, como se sonambulasse. Luiza esticou a mão para ela, pronta para correr em sua direção, mas então o chão se moveu e entre as duas despontou uma massiva raiz, atirando-a para o chão. Levantando-se, sentiu a mão presa e com um puxão, sentiu lacerarem seu pulso. Gritou ao cair para trás, recolhendo a mão ferida para si, sem conseguir impedir que gotejasse mais sangue sobre os pequenos ramos rosados e espinhosos que se cruzavam pelo chão, os mesmos que a machucaram. Viu eles cintilarem ao entrarem em contato com o sangue. Gemeu, assombrada pelas palavras que invadiram sua mente. Germinar, crescer, florescer, frutificar. Mas era o resultado lógico que a aterrorizara e emudecera: elas vão crescer por cima da gente. Acima de si, Manu gritava alucinações:

─ Sim! Sim, Luiza. É preciso o sangue de nós duas! Somos noivas, só assim é certo. É nosso. O nosso fruto!

E se silenciou, abrindo bem com os olhos como se ouvisse algo. Luiza chorava, Manu alargou o sorriso mais uma vez.

─ É hora.

Escutaram um ringido alto e assistiram à Árvore se desconjuntar, adquirindo uma aparência tentacular. Articulou-se, seus galhos se afastando, parecia se abrir. De lá de cima, viu o ramo mais alto se delongar até que defrontasse Manuela. Na ponta cintilava uma flor, largas pétalas carmesins, brilho radioativo. Igualava Manu em tamanho. A flor perdeu a cor, murchou, remexeu, inflou e se endureceu, retomando o rubro. Tinha um aspecto gelatinoso, cor de carne. Manu precisou das duas mãos para puxá-la para si.

─ Ítalo… ─ sussurrou.

Luiza assistiu, estática, à sua noiva abocanhar aquele fruto, tão forte sua mordida que o sumo – viscoso, aparência sanguínea – escorreu pelos cantos da boca.

Iniciava-se a germinação.

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Sobre Fabio Baptista

10 comentários em “Fruto (D. Margarida)

  1. Victor O. de Faria
    21 de setembro de 2018

    E: Terror de primeira. Diferente de outros aqui, teve uma crítica leve, que se encaixou bem no contexto, não sendo desnecessária. As coisas foram se desenhando de forma gradativa, num suspense crescente, até seu fatídico final. Uma abordagem bastante diferenciada e criativa, apesar de beber da fonte de alguns filmes antigos. Mas do jeito que foi tratado, trouxe novidades ao gênero. Intimista e assustador. Termina com o choque típico de histórias assim. O autor acertou em deixar o envolvimento geral de fora, focando apenas em três personagens principais.
    T: Só notei um “corpo” no lugar de “copo”. Bem escrito e eficiente em transmitir as emoções à flor da pele.

  2. Antonio Stegues Batista
    16 de setembro de 2018

    Então, o conto começa com um clima e termina com outro, bem forte e contundente. Ficou bom é isso mesmo. Gostei de algumas frases, de outras não, achei que algumas palavras foram inadequadas para compor a ideia e o tempo verbal passado. Achei estranho Manuela não queimar a mão numa pedra que caiu incandescente do espaço devido a fricção com a atmosfera. E depois, ela colocar a pedra sobre o túmulo e espremer o sangue sobre ela. Ela estava em transe? A pedra, ou o que estava dentro dela controlava a mente e a vontade de Manuela? De qualquer forma, o final salvou o texto, é a parte mais forte do enredo. A parte das relações mãe, pai e noiva, podiam ser melhor trabalhadas.É isso. Boa sorte.

  3. Priscila Pereira
    14 de setembro de 2018

    Oi D. Margarida! Nossa, quanta criatividade!! Parabéns! Então temos uma árvore alienígena vampira… Sinistro…
    O começo do conto sugere que será um drama cotidiano e no final vemos que na verdade é um terror bem contado… Imaginei a árvore soterrando as galinhas, cruzes!! Tudo muito aterrorizante!
    Boa sorte e até mais!

  4. Wilson Barros
    13 de setembro de 2018

    A cena do começo é tocante. Aliás todo o conto é. As construções do cenário são muito bem descritivas, eletrizantes, tipo “os beijos de Manuela bastaram para restaurá-la à realidade “,“agradecia aos céus, sem saber exatamente para quem. “,“Todas as flores flexionaram para baixo “,“Quando uma ave ingere um fruto, responsabiliza-se pela futura semeadura”. Há muitas construções literárias nesse conto. Gostei dos toques arrepiantes do “Cemitério” de Stephen King. Bom, algumas construções regionalistas ficaram meio estranhas “por através”, “sentava mais o seu menininho”, parecem puros vícios de linguagem. Sugiro ainda que o autor invista na clareza, algumas partes estão meio difíceis de entender, ambíguas. Apenas como exemplo, em “Manuela e sua mãe eram próximas a ponto de falarem sobre a sua vida enquanto não estava presente, mas, ainda que constrangedor, Luiza felicitava-se com aquilo. “, o “sua vida” pode-se referir à de três pessoas. O conto é muito empolgante, claro, principalmente porque trata de muitos temas atuais, de relevância, como aborto, inseminação artificial, homossexualidade, as famílias, etc. A leitura tornou-se compulsiva, felicito o autor por suas escolhas. Na verdade é uma grande peça, desejo boa sorte ao escritor, e espero minhas recomendações lhe sejam úteis.

  5. Caio Freitas
    12 de setembro de 2018

    Excelente conto. Consegue mostrar a relação entre as garotas e entre seus pais (uma com a mãe e outra com o pai), de forma que nos sentimos próximos aos personagens. Gostei tanto que até senti vontade de saber mais sobre a morte do garoto. O final também é muito bom. O tamanho do texto permitiu contar a história e ainda deixar para nossa imaginação o que vem depois. Está mais que de parabéns.

  6. iolandinhapinheiro
    11 de setembro de 2018

    Olá, autor!

    Gostei bastante do seu conto: a linguagem tem um toque de poesia, dando suavidade a uma história surreal e muito sinistra. O tema foi abordado de forma muitíssimo criativa e envolvente. O tempo inteiro eu imaginei que o Ítalo ia aparecer de dentro de um fruto da árvore extraterrestre, lembrando de alguma forma do filme Invasores de Corpos.

    O autor foi feliz abordando outras questões como o relacionamento entre duas mulheres e os obstáculos que, naturalmente, encontrariam por conta disso, na figura do pai de Manu. Ao contrário de textos que tentam forçar em quem lê uma posição igual a dele (autor) através de uma política panfletária, o autor desta trama conta a história e seus desdobramentos sem levantar bandeiras, cabendo ao leitor se identificar com o lado que quiser. Acho isso muito legal e adulto.

    O conto consegue imprimir um medo difuso que, no lugar de afastar a leitura, faz com que ela fique mais sedutora, com um suspense trabalhado na medida para agradar os mais diversos gostos. Um conto muito bom que ganhou o meu interesse do começo ao fim.

    A história teve muita fluidez, não vi necessidade de revisão, e houve coerência nos destinos escolhidos para o fechamento da trama.

    Sendo assim só me resta parabenizar e desejar sorte no desafio.

    Abraço muito cearense da Iolandinha.

  7. Ricardo Gnecco Falco
    6 de setembro de 2018

    Olá, D. Margarida! Tudo bem? Terminei de ler o seu texto agora e gostei da originalidade da história; a começar pelo casal de protagonistas. Ao final da leitura fica aquele sentimento de que todo um filme se passou na mente do leitor, o que significa que a narrativa é recheada de informações relevantes e ações diversas. Achei a primeira parte (da caída do meteoro) mais visual, mais fluída. Do meio da história para o final (a partir do plantio da rocha extraterrena no jardim das flores e dos restos mortais de Italo), o ritmo dá uma caída, devido aos cortes de cenas e transposições geográficas. Mas o saldo é positivo e fica a memória de uma história interessante, cuja leitura foi válida! Desejo-lhe sorte no Desafio! Saudações!
    Paz e Bem!

  8. José Geraldo Gouvea (@jggouvea)
    4 de setembro de 2018

    Um texto que tem seus méritos e que se baseia em uma premissa original, mas que tem certos defeitos, de forma e de fundo, que prejudicam a apreciação de suas qualidades.

    O primeiro desses defeitos é que há muita coisa aí que está contada indiretamente, mas que precisaria de mais proximidade. E há outras coisas, contadas com excesso de proximidade, que poderiam ser meramente mencionadas. Em parte esse equívoco decorre da autora não ter pensado em empregar a convenção de unidade de tempo-espaço-ação. Houvesse feito isso, perceberia que sobraria espaço para desenvolver a história.

    A primeira coisa que tenho feito é sempre copiar o texto, colar em meu editor favorito e acionar a contagem de palavras. Nos casos em que há muito espaço sobrando e o texto ainda está chocho, vejo isso como um sinal de dificuldade do autor para desenvolver a história. Não é o caso. Com 2952 palavras, este texto está muito perto do limite máximo permitido e, portanto, teria sido difícil desenvolvê-lo mais.

    Isso nos leva a pensar o que poderia ser feito para torná-lo melhor. Bem, eu creio que está bem claro que a narrativa em ordem cronológica foi um erro, pois ela permite que a história comece muito lentamente. O momento ideal para começar a história seria no retorno de Luzia para casa, voltando da propriedade de seu sogro. Os antecedentes seriam narrados em flashbacks. A natureza do meteoro seria revelada por Manuela somente no encontro final, seria o plot twist da história, e, quando o leitor menos esperasse, a mordida no fruto revelaria um segundo e mais profundo plot-twist.

    Muita coisa dá para cortar, como, por exemplo, os detalhes da noite da queda do meteorito, a conversa específica entre Luzia e o sogro (você nem lhe deu um nome, mas lhe deu diversas falas). Uma coisa que poderia ser acrescentada é a motivação de Luzia para fugir de casa sendo o aparecimento da estranha árvore, e o seu retorno, causado pela lembrança de Manu a lhe dizer que não havia motivo para ter medo, aliado ao desprezo pelo sogro. Mencionar o isolamento geográfico da região ajudaria a “obrigar’ Luzia a voltar.

    Essas sugestões que faço ajudariam a melhorar o suspense do conto e fazer os seus conflitos mais críveis.

    Apesar desses reparos que faço, achei o conto bastante bom (a gente só se preocupa em comentar longamente quando leu com atenção e só faz tanta sugestão quando vê potencial no texto e no autor) e lhe darei boa nota.

    Esse é comentário que deve ficar

  9. Alessandro Diniz
    1 de setembro de 2018

    Oi, D. Margarida! Seu conto é muito bom. Começa com uma atmosfera nostálgica e sombria que se mantém até fim, mas com um suspense se elevando em alguns pontos. Funcionou bem. Predeu minha atenção e aguçou minha curiosidade. O modo como escreve é simples. É leve. Bonito. Seu português é ótimo! Só aqui vc cometeu um deslize e escreveu de forma coloquial: “Viu eles cintilarem”. Só achei algumas partes um pouco confusas, como em partes em que Luiza conversa com o pai de Manu e aqui: “Manuela e sua mãe eram próximas a ponto de falarem sobre a sua vida enquanto não estava presente”. Parece que vc se referia a mão biológica de Manuela. Mas nada disso importa muito. O texto é ótimo! Parabéns!

  10. Anderson Roberto do Rosario
    1 de setembro de 2018

    Um conto que fala de depressão, solidão, reconciliação. Aspectos verdadeiros e intensos, tratados pela autora de forma fria e ao mesmo tempo verdadeira.Temos a a figura do sogro de Luiza, que retrata o preconceito e machismo de uma sociedade. Mas por outro lado também vemos um relacionamento abalado pela desgraça que se abateu sobre elas, sobre Manuela. Sem aceitar a perda do filho. As duas sozinhas, tentando levar a vida, superar este trauma. O corpo estranho (cometa), vindo de outro mundo, pode ter causado alucinações fortíssimas ou as duas acabaram sucumbindo a loucura. Como vimos Manuela é a primeira a se entregar por ser a mais frágil, pois foi ela quem perdeu o filho. Depois Luiza. Mas também temos outros possíveis caminhos. De fato o cometa com algum organismo vivo alienígena pode ter se alimentado de Ítalo de Manuela e de Luiza, para então recomeçar o interminável ciclo, enfim. Gosto de contos onde possibilidades são possíveis e ficam abertas. De negativo achei que faltou explorar mais o drama das duas, flashbacks do passado, alguma conversa onde ficasse alguma ponta visível para que percebessemos essa mágoa, esse distanciamento das duas, a separação. Isso não é explicado. Talvez ajudasse inclusive a nos situar na depressão que Manuela sofre e no porque Luiza resolve procurar o sogro, mesmo sabendo que ele não era a melhor pessoa para a ocasião. Meus parabéns pelo conto, gostei bastante mesmo. Desejo-lhe sorte no desafio.

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Informação

Publicado em 1 de setembro de 2018 por em Alienígenas.