EntreContos

Detox Literário.

Eles Não São Feitos de Carne (Ezequiel Luz)

— Para falar a verdade, você não acha o lugar calmo demais? – O amigo não responde. Continua encarando o nada, distante como se ela não existisse.

— Acho que se fosse eu, já tinha surtado aqui. – Nem mesmo um sorriso de canto de boca. Ao que parecia, ele ficaria mais duas horas sem nem a olhar, se necessário fosse.

— E essas roupas… quem veste você? Ou você se veste? – Envoltos às árvores, vento, folhas, vegetação rasteira, roupas brancas, vários enfermeiros, muitos visitantes e até mesmo um laguinho com peixinhos e patos, ela se incomodava. Com uma naturalidade que a espanta, em um canto distante um homem desce com a boca até o chão. Magro, careca, olhar perdido. Ele come um pouco de grama e terra antes de ser impedido. Aquilo a faz ter uma ânsia de vômito. E aquele era apenas um dos pacientes, o que os outros muitos não faziam?

— Não vai dizer nada? – Diz a amiga se levantando, colocando-se na frente dele e abrindo os braços mostrando o local: – Você sabe que eu não gosto desse tipo de lugar. Eu já te contei que foi em um lugar assim que meu pai…

De uma face totalmente perdida, vazia, um sorriso emerge, um olhar profundo. Nic se levanta, faz uns alongamentos, vira de costas, analisa a árvore que lhe fazia sombra. Com alguma dificuldade começa a agarrar os galhos, subir.

— Jackson! – Sem reação ela olha para os lados procurando quem pudesse ajudá-la. Ao longe uma enfermeira aponta para aquele específico lado do manicômio e dois grandes homens se apressam em alcançá-los.

No alto de um galho firme, de pé, o vento soprando contra sua face. As folhas dançam ao seu redor.

— Nic, o que você está fazendo!? Desce daí! – Ele olha para baixo e dá um sorrisinho de canto de boca. Tira a camisa, a calça, a cueca, quase se desequilibra, mas consegue manter-se firme, nu. O corpo feio, flácido. Ele segura seu pênis, mira para cima e começa a urinar.

— Mas o que você…? – O choque entupiu o fluxo de ideias.

O homem urina para cima e o vento faz o líquido cair sobre seu rosto e corpo. Aquele absurdo total termina, ele olha para baixo, para os enfermeiros. Dá duas sacudidas, talvez pensando que as últimas gotas podiam manchar… a roupa? Jackson Nícolas assente com a cabeça, como se dissesse “terminei, já vou descer”.

Eles o seguram com violência, o imobilizam no chão enquanto outros dois homens puxam seu braço e aplicam o sedativo.

— Nos encontramos quando eu acordar? – Ele diz para ela.

Tudo preto.

Quando abre os olhos está preso, amarrado numa cama de hospital. Um quarto branco acolchoado, pé direito duplo, câmeras de segurança nos quatro vértices do teto. Ela está lá, ao seu lado. Em sua camiseta preta, uma ilustração de um “cérebro ” com os dizeres. “Real Brains Have Curves”. Aquela era outra roupa. Era outro dia? Com certeza.

— “Eles” não são feitos de carne.

Ela fica em silêncio enquanto ele parece se acostumar com a claridade, piscando os olhos.

— Camiseta legal – diz ele.

— Obrigado. – Ela responde olhando-a. – Ideia do pessoal do laboratório.

— Você está na mesma linha de pesquisa? – Ele parece sorridente, alegre. Menos nos olhos, tinha aquela coisa nos olhos.

— Da última vez que nos falamos era o que? – Ela pergunta.

— Psicologia comportamental.

— Mas isso faz tempo. Fui para psicobiologia e depois para a neurobio.

— Nossa. Parabéns. São campos… menos… subjetivos, né?

— Podemos dizer que se complementam.

— Certo.

— E você? Ainda no SETI?

— EU PAREÇO ESTAR EM ALGUM LABORATÓRIO PARA VOCÊ SUA PIRANHA?! – Ele explode em fúria enquanto força as amarras.

Ela se assusta, chega para trás. Eles ficam em silêncio por uns instantes. Ele respira ofegante, franze o cenho, mostra os dentes, grita, rosna. Quando os enfermeiros entram no quarto ele recobra totalmente o controle:

— Estou bem… estou bem. Mas se acharem necessário me fazer dormir de novo eu entendo. Talvez devessem fazer isso de um jeito definitivo. – A voz parecia muito triste, desolada, melancólica.

Os enfermeiros param. A enfermeira chefe parece colocar a mão no ouvido, como se prestasse atenção a um ponto eletrônico. Ela impede os brutamontes de o tocarem, olha o paciente e a visitante com desdém e sai.

Eles ficam calados um instante e a dama cria uma certa coragem.

— E que loucura foi aquela?

— Sim!

— O que?

— O que, o que?

— Eu perguntei que loucura foi aquela.

— Tenho certeza de que, o que quer que você esteja se referindo, está se referindo a mim desde que chegou aqui. Então tudo que tenho a dizer é “sim”, o que quer que tenha sido foi loucura, apenas loucura. – E depois continua – e “eles” não são feitos de carne.

— Quem?

Ele pigarreia e ela fica em alerta. Ele cospe bem no meio da cara dela. Mas ela desvia no último instante.

— Você sempre teve a mira ruim.

— É, mas não seria a primeira vez que trocaríamos fluídos. Já fizemos pior ou melhor.

Ela treme, tenta disfarçar, olha apenas com os olhos para câmera no alto.

— Não se preocupe, os homens atrás das câmeras sabem. A essa altura eles já sabem de tudo.  – Ela se afasta para uma posição mais segura. – E sobre mira ruim, há coisas que sei acertar. Eu sei acertar números.

Ela não faz pergunta nenhuma…

— E eles, os invasores, não são feitos de carne.

Cautelosa, arrisca. Talvez seja hora de um teste.

— Que números? – Ela pergunta enquanto ele abre um sorriso largo, contente.

— Na verdade nós somos só a placenta da verdadeira forma de vida que “eles” querem. É como se “eles” se alimentassem, vivessem, se multiplicassem usando cérebros. Mas sabe como é né? Cabeças são coisas falhas, frágeis. “Eles” não podem vir ainda, então “eles” têm agido do outro lado de forma que… que ensinemos as máquinas a pensar. Se você estivesse do outro lado, como eu, saberia… Pedaços de carne que falam, andam, pensam, que se esfregam contra o ar, dentro de outros pedaços de carne, em um tubo ligado a mais outros pedaços de carne chamados de boca, para produzir uma coisa tão simplória quanto isso que a gente chama de língua. Se tivesse visto o outro lado… ia entender.

— “Eles” são invasores? – Ela pergunta enquanto ele peida, e, ao que tudo indicava, fazia mais do que isso nas calças. E então o silêncio. Parecia que quando ela tentava perguntar sobre o que ele estava dizendo, ele não respondia. E que se ela tentasse repetir a estratégia de falar do penúltimo assunto, também não daria mais certo. Talvez a chave seja apenas não ser óbvia. Talvez até aleatória, não seguindo padrão nenhum. E o que seria menos óbvio do que repetir uma estratégia que tinha acabado de dar errado? Então:

— “Eles” são invasores?

— Eu já te disse que sempre amei sua capacidade de compreender o que está ao seu redor?

— J… – Quase responde, mas pensa melhor.

— Números, placenta e invasores? – Ela pergunta fazendo um malabarismo mental enquanto ele fecha os olhos. Ela aguarda algo estranho, mas nada ocorre. Ele apenas continua. Estava dando certo.

— No Experimento Filadélfia, na época da guerra, os militares tentaram fazer um navio inteiro ficar invisível, mas ele sumiu. De verdade. Desapareceu de lá, foi avistado em outro lugar e quando voltou as pessoas estavam com a mente aos pedaços, os corpos aos pedaços e alguns nem voltaram. Talvez eu tenha tentado reproduzir algumas dessas condições no meu laboratório.

Ela pensa um pouco, mas não diz nada. O Silêncio se prolonga absolutamente, um minuto, dois. Mas depois:

— Vou abrir a porta. O cheiro está incomodando bastante. – Levanta-se, abre a porta, a deixa aberta e troca algumas palavras com a enfermeira chefe, que parece não gostar daquilo.

— Perdão Alê, por não conseguir me fazer entender da mesma forma, mas você já parou para pensar no por que de a velocidade da luz ser absoluta?

— Não. – Diz ela soltando o ar que segurava por causa do cheiro. E ele, por sua vez, se rebate com todas as forças na maca. O primeiro impulso dela foi de se afastar, mas ela se levanta, vai até ele e dá um tapa forte na cara. O que o faz parar.

— Está tudo muito bem interligado. – Ele diz após o tapa, como se nada de diferente tivesse ocorrido. – O que a gente pode ver é resultado de uma confluência de infinitas energias que ocorrem do outro lado. Pode-se dizer até que o livre arbítrio, nem é livre, nem arbítrio e que a luz é a velocidade do pensamento dos mais elevados.

Quando ela se preparava para dizer algo ele continua.

— Erasmo de Roterdã nos elogiaria. Enfim, qual a velocidade do pensamento? Bom… a do impulso nervoso, me corrija, ou não… – e ele lhe lançou um olhar muito estranho, algo que, por algum motivo, queria dizer exatamente: “no entanto esteja preparada para as consequências se fizer o óbvio que é o ato de me corrigir. Mesmo assim não precisa ficar com medo, estou muito bem amarrado nessa cama”. Aquela sensação a fez gelar a espinha, mas disfarçou e continuou ouvindo. – Se eu não estiver errado, 400 Km/h. Mas só podemos medir algo se tivermos outro algo para comparar, não é?

— É. – ela respondeu insegura, mas seguir o óbvio, justamente por que deixar de segui-lo o tempo todo seria óbvio demais, funcionara dessa vez.

— Se uma mente não tem como se testar com coisas exteriores, não é racional esperar que ela reconheça sua própria variação. Um espelho não ajuda em nada quando o que se quer examinar são seus dois próprios olhos doentes. É isso que ocorre… a velocidade da luz não é constante, mas, e do outro lado conseguimos ver isso, quando ela desacelera, todo o resto desse lado também, quando ela acelera, o resto também. Salvas em raríssimas ocasiões. Tão raras que “eles” nem se preocuparam de nos isolar… Bom… Nessas ocasiões e na matéria escura que está por toda parte, mas somos cegos para ela. Assim como para “eles”. É como se tudo fosse uma grande mente, partes das energias das estrelas seriam impulsos elétricos e fragmentos de matéria e energia escura são os receptores. E tem os cabos que ligam umas coisas nas outras também. Mas isso é mais complicado.

Um pouco assustada, ela se levanta, vira sua cadeira e se senta de costas para ele. Ele parece aprovar essa reação.

— A chave então é parar as IAs. Todas e de todo tipo. Isso, é claro, se quisermos continuar vivendo. Ia fazer atrasar a vontade deles de vir e nossa espécie podia encontrar outro jeito bobo de se exterminar, mas mais tarde. Não que mereçamos viver de verdade. No fundo somos apenas maquininhas copiadoras de ideias. Somos arremedos de sistemas reprodutores de seres mais elevados, preparando o local para a chegada deles.

“Foi por isso que você explodiu os servidores, e… atirou naquelas pessoas?” Sentiu vontade de perguntar.

— Eu não fiz nada disso. – Disse ele assustando-a, por responder uma pergunta que ela apenas pensou. – Talvez alguém mais tenha feito, ou talvez amanhã, antes de morrer, alguém o faça, mas em proporções globais. Mas não estou preso aqui por isso. Não há nada que me ligue a crime algum. O motivo é outro. Por falar nisso, agora que percebi. Já passou das doze. E, nas quartas-feiras, eu só fico louco até o meio-dia. Acho que podemos agir normalmente, isto é, se as vozes da esquizofrenia de quarta a tarde não gritarem alto demais.

Ela, vagarosamente, se levanta, vira a cadeira, está de frente agora. Parece estar tudo bem, então arrisca:

— Você entende que…

— Que nada disso faz sentido? Claro… – Ele olha as câmeras ao redor. – Mesmo assim, quantos presidentes você acha que estão nos assistindo agora? Eu acho que são uns cinco, e dos grandes: EUA, Rússia, Alemanha, Japão e Wakanda.

—  “Wakanda”? – Ela pergunta ainda com medo, reticente.

— Foi só uma piada. – Ele responde. – Mas o motivo de eu estar aqui de verdade são números. Você lembra que eu os memorizo bem, não é?

— Sim. – Diz ela com cautela, mas aprendendo a se soltar.

— Lá não existe isso de passado e futuro, mas eu não consegui ver muito longe, só olhei em algumas direções e decorei os números dos cem sorteios desde que… – Ele para sem dizer nada. Uns instantes de silêncio.

— Desde? – Ela parecia fazer um esforço consciente para agir normalmente com ele, sem esperar uma reação estranha.

— Quando acordei, no laboratório, eu anotei umas sequências de números em um papel. Um montão delas. Sabe quando você sonha e se não anotar rápido você esquece?

— Sei.

— Pois é. Estava anotando uns números, umas contas. Até que senti uma coisa quente escorrer do meu rosto. Achei que era suor até ver a gota de sangue cair e manchar o papel. Fui no espelho e tinha uma barra de ferro atravessada daqui até aqui. – Ele aponta com os olhos e ela vê a marca dos pontos, já retirados. Os cortes pareciam recentes, mas bem cicatrizados e estavam na parte da frente da testa. Pareciam ser em um local não fatal do cérebro, se aquilo fosse verdade.

— E o que tinha nesses números?

O homem ri:

— O resultado das próximas loterias. Acho que quando desmaiei, antes da cirurgia para retirar a barra, devia estar na minha mão. Algum médico ou enfermeiro deve ter visto, ligado os pontos depois de um tempo e cometido a estupidez de ganhar mais de um prêmio seguido, ou dar os números para pessoas conhecidas.

— Entendo. Você disse que no experimento do navio, alguns não voltaram, por quê?

— Eu não sei. Não pude ver tudo, e ainda que pudesse, quando decaísse não ia caber tudo aqui nessa cabeça de carne.

— Preciso perguntar? – Diz ela testando outro algo.

— “Não”. – Diz ele sem mexer os lábios, assustando-a, sabendo o que ela tenta fazer. – Não precisa. Eu disse decaimento por que é como se lá eu fosse radioativo, como se precisasse voltar ao chumbo. Eu perdi energia e voltei para o estado menos organizado. Foi assim que voltei. Só precisei fazer força para cair no lugar correto. Mas errei por pouco, por isso a barra na cabeça quando voltei.

Ela fica parada, pensa por uns instantes.

— Entendo, mas ainda me resta uma dúvida. Aquilo na árvore, tinha uma razão?

Hoc est simplicissimum, eu sou louco. – Ele ri um pouco.

Ela olha para ele com desdém:

— Até os loucos tem seus motivos, mesmo que tolos. – Explica ela, insatisfeita com a resposta.

— Bom, você está certa. Olhando na direção correta, ou errada, tudo e todos, tem razão. Mas nesse caso não dá para falar. Isto é, se meus outros eus que sabem o resto da história não estivessem dormindo. – Ele fica com um olhar distante. – É estranho ter essa consciência, ver a guerra eterna de todos os seus eus lutando pelo “controle”. – Sacode a cabeça com violência, como se quisesse afastar pensamentos – Mas estou divagando. Enfim, eu contaria a você, se não fosse pelos presidentes ouvindo.

— Obrigado pela confiança. – Ela sussurrou se inclinando, sorrindo e olhando para as câmeras.

— Não é confiança – disse sério – amanhã você já vai estar morta mesmo. – Dá um sorriso largo. – Parabéns.

De fora do quarto dele ela é acompanhada por alguém que se diz o diretor da clínica.

— Obrigado por ter vindo. Achamos que sua visita foi de grande valia. Ele foi achado no laboratório, algo explodiu, prejudicou a cabeça dele. Não se preocupe com nada do que ele disse.

Ela sai olhando para uma a TV na sala de espera. Na tela o último número da loteria era sorteado: 22. Ali estavam, todos eles, toda aquela sequência. Eram todos os números que ele disse para ela enquanto piscava em Código Morse, repetidamente, assim que acordara. Os números da loteria, ele tinha lhe dado os números da loteria antes de serem sorteados.

O diretor se afasta de costas e ela consegue, com medo, ver dentro da cabeça dele: “Algo nas câmeras? O que? Enquanto piscava? Certo, vigiem-na. Vamos preparar a operação para amanhã”.

 

Em choque, pensativa, ela entra em seu carro, dá a partida e assim que sai dos muros ele surge, no banco de trás. Não se preocupe, não é hoje que você morre. Talvez nem amanhã. O alarme do lugar é acionado, sirenes são ouvidas. Ele olha para trás, pelo vidro.

— Eu dei uma forcinha para um dos enfermeiros desenvolver hipocondria. Tiveram de me amarrar na maca sem me dar banho antes. Ele fez um trabalho mal feito. Você deixou a porta aberta, tornou aquilo uma situação usual para quem visse de fora. Agora vamos, temos um hacker para encontrar.

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Sobre Fabio Baptista

18 comentários em “Eles Não São Feitos de Carne (Ezequiel Luz)

  1. Fabio Baptista
    21 de setembro de 2018

    “E, nas quartas-feiras, eu só fico louco até o meio-dia”. Pra mim essa foi a melhor frase do conto e, infelizmente, uma das poucas coisas que gostei.

    Tudo bem, entendo que provavelmente a intenção do(a) autor(a) foi mergulhar o leitor na loucura. Esse objetivo foi atingido com sucesso, sem dúvida. Mas uma coisa é deixar dúvidas sobre o que é real e o que é delírio dentro de uma narrativa estruturada onde o leitor tenha onde se apoiar. Outra é deixar o leitor no escuro, tentando encontrar alguma lógica para seguir. A loucura ficou mais com cara de confusão, dificultando muito o acompanhamento da história.

    Certas particularidades no modo de contar também contribuíram para deixar as coisas ainda mais nebulosas. A começar pela narração no presente, que sempre, ou quase sempre, causa confusão de tempos verbais e traz um ar de estranheza. Não é errado, mas exige um tempo de assimilação e se não for muito bem aplicado, vai mais atrapalhar do que ajudar. A marcação dos diálogos também não ajudou. Por exemplo:

    — Para falar a verdade, você não acha o lugar calmo demais? – O amigo não responde.

    Esse “o amigo não responde” deveria estar em outra linha, ou então ser algo tipo: “ela pergunta, mas o amigo não não responde”. Essas sentenças pós-diálogo em geral não apontavam o autor da fala e me perdi várias vezes.

    Alguns dos assuntos foram interessantes, fui até pesquisar sobre o experimento Filadélfia, por exemplo. E essas discussões sobre matéria escura, velocidades, etc. me agradam bastante, mas aqui apareceram apenas de relance, assim como a presença do tema do desafio. Talvez tudo isso que senti falta esteja aí, mas não fui capaz de entender.

    De qualquer forma, desculpe pela minha chatice, mas realmente não curti.

    Abraço!

  2. Fheluany Nogueira
    20 de setembro de 2018

    O conto me lembrou “O Alienista”, de Machado de Assis, com análises do comportamento humano (e alienígena?), por mostrar com ironia a fronteira da loucura e normalidade e por montar uma caricatura da tirania da ciência que deixa o leitor baralhado.

    Toda essa reflexão, mais o envolvimento com doido tão cativante e a extensão dos diálogos fizeram-me acreditar que o tema do Desafio foi abandonado. O ambiente da narrativa está bem construído e o protagonista muito bem trabalhado, mas não entendi bem o papel da mulher. Era uma visita? O desfecho, também ficou meio nebuloso e os deslizes com tempos verbais incomodaram um pouco.

    No todo, é um bom trabalho! Parabéns pela participação. Abraço.

  3. Victor O. de Faria
    20 de setembro de 2018

    ET (Enredo, Texto)
    E: Alienígenas etéreos, de outra dimensão, abordados de uma forma bem diferente do usual. Enredo interessantíssimo, mas com um final confuso. A tensão cresce e a “loucura com motivo” instiga a leitura. Um suspense muito bom, com partes escatológicas um tanto desnecessárias, com toques de física quântica e “bobagens” técnicas para dar cabo da verossimilhança. Gostei bastante, mas não entendi se o oficial perto do fim era um “deles”, pois conseguiu ouvir seus pensamentos, ou foi ela que adquiriu consciência de si mesma. Isso não ficou bem claro. Já o “jump” do personagem principal saiu um pouco do escopo realista em que o texto estava se direcionando. Termina bem, mas ainda pairam muitas dúvidas no ar.
    T: Bem escrito, com uma ou outra coisinha sem revisão, pois o texto se inicia no presente e termina no tempo verbal passado.

  4. Wilson Barros
    18 de setembro de 2018

    Há frases muito bem elaboradas, “Talvez devessem fazer isso de um jeito definitivo” ou “Erasmo de Roterdã nos elogiaria”. Todo um clima de “Lost”, com números de loteria, viagens no tempo, universos paralelos, experiências científicas… IA e o Matrix também estão misturados, causando um bom efeito. Gostei quando o louco se finge de mais louco ainda e menciona Wakanda, a nação africana do Pantera Negra. Por falar nisso, uma aluno recentemente fez uma professora de boba, apresentando um trabalho sobre “As disputas do poder em Wakanda”, levando-a a crer que o país realmente existia http://www.leiaja.com/cultura/2018/06/06/aluno-engana-professora-e-faz-apresentacao-sobre-wakanda/
    . As menções à matéria escura e à física quântica remetem ao excelente livro do “Blake crouch” e do Michio Kaku. O estilo é daqueles bem explicado e claro, que prima também pela correção. Resumindo, um conto bem instigante e agradável de ler. Sugestão: “Envoltos às àrvores”, é isso mesmo?

  5. Rafael Penha
    14 de setembro de 2018

    Olá, Ezequiel!

    Um conto louco!

    Pontos Positivos: A loucura demonstrada por Nic é contagiante e extremamente vívida. De fato, a oscilação entre loucura e sanidade flutuam numa linha tênue e misteriosa, que confunde o leitor, que é a intenção do conto. Ponto muito bem desenvolvido.

    Pontos Negativos: A princípio, o tema da história fica praticamente morto, visto que em poucos momtentos é sugerido na trama. O enredo também é carente de uma linha dedesenvolvimento que prenda o leitor. As passagens de diálogos são muito longas e, devido a loucura do personagem, cansativas e entediantes. Uma sugestão seria tentar dar menos palavras aos diálogos.

    Infelizmente, o conto não me agradou, pois não me prendeu.

    Abraço!

  6. Higor Benízio
    13 de setembro de 2018

    Tem muitas passagens com problemas no tempo verbal, tantas que incomada um bocado, e confundi a leitura. O tema do desafio não tem protagonismo nenhum, e tira-lo dai não mudaria nada. Espera mais de conversas e situações com um maluco, mas o exagero nas falas e talvez a falta de descrições, tenham matado o que seria o único potencial do texto.

  7. Evandro Furtado
    13 de setembro de 2018

    Pontos Negativos

    – Alguns probleminhas de paralelismo verbal ao longo do texto, com passado e presente misturando-se;
    – O final da história ficou meio confuso;

    Pontos Positivos

    – Gostei da ambientação, da ideia do que parecem ser dimensões paralelas. A loucura da história também é muito bem suportada pelo discurso maluco de Jackson;

    Balanço Final: Average

  8. Antonio Stegues Batista
    11 de setembro de 2018

    Para mim a história ficou bem confusa, não tenho certeza da conclusão a que cheguei. O enredo conta a história de um homem que consegue se teletransportar, mas ele fica com a mente danificada e é analisado por uma psiquiatra. Ela e Ele tem algumas conversas confusas e loucas que a gente perde o fio da meada. Há muita divagação que não leva a lugar nenhum e a nada explica. Desculpe, mas entendi pouca coisa, ou nada, não sei! Boa sorte.

  9. iolandinhapinheiro
    10 de setembro de 2018

    Olá, autor!

    Seu texto me fez lembrar de um filme que assisti recentemente, onde um rapaz trabalhava com espionagem industrial e usava a própria inteligência para roubar segredos e depois apagava as lembranças de dias, meses, anos de sua vida. Quando terminava o trabalho deixava pistas para si mesmo, de modo a lembrar do que era importante dentro do tempo que passou pelo processo. Acho que associei o seu conto ao filme citado porque também havia uma parte do filme onde ele tinha os números da loteria antes mesmo que fosse feito o sorteio, Gosto destas histórias que brincam com o que é real e o que só está na mente de alguém, e o seu conto faz isso, no início vc pensa que o personagem Nic é apenas uma pessoa perturbada mas ao longo do conto ele vai ficando cada vez mais lúcido e no fim tudo faz parte de um plano, encaixando as peças do conto. Parabéns e boa sorte

  10. Ricardo Gnecco Falco
    10 de setembro de 2018

    Olá, Ezequiel! Tudo bem? Terminei agora a leitura do seu conto e o que mais gostei foi a dinâmica que você conseguiu imprimir às falas das ‘personagens’. Isso deixou o seu texto ágil e fez a história chegar ao final sem que percebesse o tempo (e as linhas) passar(em). Como a história de Nic e sua relação com a (in)sanidade foi apresentada através de longos (e bem críveis) ‘diálogos’, a loucura de alguns fatos narrados não chegam a causar (uma esperada) estranheza. Quem de nós pode/poderia dizer que é 100% são em 100% do tempo? Enfim… Gostei da viagem e espero que ela não morra (tão) cedo… Boa sorte no Desafio! Saudações insanas,
    Paz e Bem!

  11. Anderson Roberto do Rosario
    9 de setembro de 2018

    Uma trama inteligente, bem desenvolvida. A referência ao Projeto Philadelphia foi brilhante e casou no enredo da história. Temos uma confluência entre realidade e alucinação, verdades e mentiras, tanto da parte dela quanto da parte dele. Mas acho que você deixou muitas brechas. Talvez a intenção fosse essa, mas a meu ver acabou atrapalhando no entendimento do conto. Parabéns e boa sorte no desafio.

  12. Pedro Paulo
    8 de setembro de 2018

    Antes de começar, esclarecerei alguns dos critérios a partir dos quais estarei avaliando, ainda que a nota não vá estar totalmente definida antes do desafio. Avaliarei o conto a partir do domínio da língua portuguesa, da estruturação da narrativa, da adequação ao tema e, enfim, mas não menos importante, da criatividade. Vê-se que são critérios interligados. Vamos lá!

    Um conto interessante cujo enredo se demonstra nos diálogos, estes marcando uma oposição entre a sanidade e uma misteriosa loucura. É um mistério porque pelo próprio tema do desafio e pelas coisas que fala, sabe-se que a loucura do homem esconde algo mais sinistro, ainda mais quando ele é o único que conhece uma porção ou a integridade da verdade. Por isso, a protagonista se torna mais identificável na medida que ficamos junto dela tentando decifrar o que ele quer dizer no final das contas. Foi uma ótima escolha fazer referência a algum tipo de relacionamento entre eles dois, pois aí nos fez entender porque a personagem está disposta a entende-lo. Portanto, assino que o autor soube escrever com agilidade, com descrições acertadas e momentos em que soube incluir nuances nas personagens. O defeito maior do conto é justamente porque o enredo não se desdobrou para além desse “jogo” entre as personagens, apontando no final um possível desdobramento, mas nem chegando perto de resolvê-lo, dando um aspecto de “prólogo” ao conto. Outro problema é que, narrado no presente, há mais de uma ocasião em que trocou para o passado ou futuro-do-pretérito, confundindo a concordância. É uma leitura que entretém, mas faltante em causar um impacto por não trazer uma conclusão satisfatória (até porque não houve tempo para tanto, o “jogo” dos diálogos consumindo a maior parte da leitura).

  13. Caio Freitas
    7 de setembro de 2018

    Olá, ezequiel. Falando sinceramente, não entendi nada do texto. Não entendi qual a dos números da loteria, nem o que toda a divagação sobre a velocidade da luz tem a ver com a história. Achei que você poderia ter explorado melhor o passado deles, ou o que foi que o cara fez, tipo, em quem ele atirou. Me senti decepcionado pois estava gostando da perspectiva de descobrir o que o tinha colocado naquele hospício, o que não se concretizou. Boa sorte.

  14. Evelyn Postali
    4 de setembro de 2018

    Eu gostei do final: ele fugindo com ela. A sensação que ficou – talvez porque eu me deixei levar pela leitura e me desliguei um pouco – foi de cumplicidade, ou algo como confiança. Não sei explicar. Isso porque, no meu entendimento, ele não poderia ficar naquele lugar. Apesar de ser maluco – também não sei o quão maluco ele era – não parecia ter muita loucura. Questiono muito essa coisa de loucura/sanidade. Tudo é tão relativo nesse mundo. Se nada é certo, tudo pode ser possível. Quem garante?
    A escrita está ok e apesar de considerar os diálogos muito longos, ou em grande número – eu achei que poderiam ser reduzidos – acho que eles podem ficar do jeito que estão.
    Boa sorte no desafio. Abraços!

  15. Sarah Nascimento
    31 de agosto de 2018

    Olá! Em primeiro lugar acho que você escreve bem. Gostei de como ficaram todas as cenas e descrições de lugares na história. Tem bastante diálogo, mas acho que eles são necessários, afinal é uma conversa o tempo todo.
    Eu fiquei aflita durante a história, o clima do conto faz isso com a gente.
    Interessante sua ideia de colocar os alienígenas como sendo algo da loucura do Nick, confesso que no começo demorou um pouco para eu entender que aquela moça não estava no hospício junto com o Nick.
    Gostei principalmente do final, não esperava que ele iria fugir com ela! Foi uma surpresa bem legal, parabéns.
    Minha dica só seria para tomar cuidado com o sentido do texto, ele é um pouco difícil de entender, já me deram essa dica dizendo pra não deixar uma história muito enigmática.
    Tem alguns detalhes que não fizeram sentido para mim, por exemplo, a explicação do Nick sobre como o universo funciona, os pensamentos e sobre os próprios alienígenas que ele fala tanto. De qualquer forma ficou uma boa história. Outro ponto que eu queria comentar é a falta de delicadeza dessa moça, digo, o Nick tem um surto e ela vai lá e dá um tapa nele. Isso não foi algo ruim, na verdade isso deixa a história bem mais real e forte.

  16. Nilza AA de Souza
    31 de agosto de 2018

    Achei longo, não gostei de algumas passagens que se excluídas não alterariam o sentido. Talvez eu desse uma nota 3

    • Fabio Baptista
      31 de agosto de 2018

      Prezada participante, favor realizar comentários mais detalhados e não expor as notas.

      Obrigado.

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Informação

Publicado em 31 de agosto de 2018 por em Alienígenas.