EntreContos

Detox Literário.

Expurgação (Peki, 1817)

As sementes da terceira guerra mundial começaram a ser plantadas assim que a segunda guerra terminou. Mas essa guerra seria diferente de todas anteriores, pois os povos de um mesmo país passariam a lutar entre si, professando aliança com correntes mundiais que excedem o comprometimento com a pátria.

Diversos movimentos revolucionários foram fomentados, sincronizadamente, por todo o espectro cristão mundial.

Protestos com faixas passaram a ser protestos com facas e bastões para quebrar as propriedades públicas e privadas. As demandas dos revolucionários aumentavam assim como seu grau de violência.

Alberto ainda se lembrava de quando jagunços do MST invadiram a pequena propriedade de terra que sua família possuía no Mato Grosso e cortaram os tendões das vacas e bois e botaram fogo em toda a plantação. Um evento traumático que ocorreu quando ainda tinha 9 anos. Lembrava com clareza de sua mãe chorando, implorando para pararem, e de seu pai puxando ela para dentro do carro para que fugissem, temendo pela integridade física de sua família.

Quinze anos depois, a família foi obrigada a sair da fazenda numa “Reforma Agrária pela igualdade” (assim como centenas de famílias). Eventualmente, a prosperidade que reinava naquelas terras foi corroída, pois os pelegos não tinham capacidade para lidar com a terra, e milhões de brasileiros começaram a passar fome. Com as pessoas produtivas tiradas das produções, o Brasil parou de exportar comida, e teve que começar a importar.

Sendo as minorias divididas por características físicas, preferências sexuais, religiões anticristãs, ateísmo e espírito de servidão. Outros poderiam enriquecer com isto na mídia e política. Já as maiorias eram compostas por pessoas de vários tipos, insatisfeitas com as atitudes revolucionárias, em sua maioria conservadoras, alguns compartilhando certas ideias econômicas esquerdistas, mas contra o radicalismo.

As minorias radicais voltaram para as ruas, com mais demandas para uma população já extirpada de seus bens, direitos e sem esperança para o futuro (as chamadas “maiorias”), mas desta vez, estavam armados com metralhadoras e diversas outras armas, que, por ajuda de seus financiadores estrangeiros passaram a aparecer em suas mãos. Sendo esses financiadores também parte da minoria, uma vez que formavam o 0,0001% mais rico do mundo.

A “maioria”, acuada e oprimida pelo politicamente correto, aumentou seus clamores por segurança. O governo ignorava e a mídia estava do lado dos revolucionários, emitindo reportagens falsas para que os revolucionários ficassem cada vez mais zangados.

Enquanto isso acontecia no Brasil, minorias radicais também estavam armadas em outros países das Américas, Europa e África. As últimas imagens que Alberto viu de Paris pelo computador eram embasbacantes: milhares de militantes islâmicos empunhavam AKs 47s em desfiles pelas ruas, cantando e proferindo ameaças ininteligíveis.
Nos Estados Unidos, uma imensa orgia para celebrar a diversidade foi organizada por ONGS no Central Park em Nova York. Dentre os participantes estavam pedófilos e zoófilos que orgulhosamente praticavam suas perversões em público. Crianças e animais foram levados por outros participantes para aprenderem desde cedo os “valores elevados” do politicamente correto.

“Deus não existe! Tudo é permitido!“, celebravam os presentes.

EUA e a NATO guerreavam contra a China.

Israel numa guerra particular contra vizinhos do Oriente Médio.

O mundo judaico-cristão estava um caos, e os cristãos desiludidos com a democracia. Ansiavam por alguém que os ajudassem.

Os espíritos dos anjos pairavam nas águas acima do firmamento. Turyel, Ertayel, Yonyael e Azasyel lideravam um exército de criaturas que estava prestes a descer para a Terra, sedentos por almas deístas.

Alberto não se lembrava quando, mas em algum momento no passado as pessoas começaram a ser cobradas (sem perceber) para escolherem lados em todos os assuntos.

“Você é contra ou a favor do casamento gay?”

“Contra ou a favor do aborto?”

“Policial ou bandido?“

Incrivelmente, boa parte das perguntas iam de encontro com a cultura predominante anterior. Como se por design, as grandes mídias começaram a fazer grande propaganda de promiscuidade, violência, falta de respeito pela autoridade, entre outros, e o governo entrou em seguida com diversas políticas públicas revolucionárias, gerando uma minoria radical que gradualmente foi ganhando a antipatia da “maioria”. Hegelianamente, surgiu um movimento reacionário.

Porém o movimento reacionário não tinha espírito sanguinolento nem armas adequadas para contra-atacar os radicais. Alguns chegaram ao cúmulo de clamar por intervenções militares, tamanho era o desespero e horror causados pela barbárie revolucionária.

A destruição total das ruas, lojas, assalto dos mercados mostrava um Brasil cada vez menos civilizado. Alguns dentro os reacionários se armavam como podiam, percebendo que em algum momento teriam de enfrentar as minorias, senão suas famílias morreriam de fome ou violência.

Devido ao caos, as pessoas ficavam trancadas em casa.

Certo dia, a mãe de Alberto, doente e sem remédios, ligou a televisão na Globo, onde o Jornal Nacional estava passando.

Na tela, via-se a imagem do presidente reeleito pela sexta vez, Molusco, quase batendo as botas, mas ainda bem de saúde.

Um povo de vermelho se juntava aos pés dele, tentando tocá-lo como se fosse um deus.

Cumpanheiros (sic): Anuncio que, finalmente, a estátua está pronta. – Olhou para Lulinha, filho e sucessor ao lado, e piscou, dizendo: – A próxima será sua!

A multidão gritava de alegria, enquanto comiam os pães que receberam para participar do evento. Molusco então se encaminhou para o centro do palco, onde cortou uma fita vermelha, e um lençol que cobria a estátua escorregou, mostrando uma enorme estátua de ouro reluzente com seu rosto e nove dedos que saudavam a platéia.

A cena foi cortada para momentos depois, quando diversos fiéis foram depositar suas ofertas nos pés do gigante Molusco. Muitos faziam preces para a estátua. Diversos homens de preto com fuzis foram designados para proteção do monumento.

Em outra cena, via-se diversos grupos organizados de minorias pelo país comemorando a estátua como um “símbolo contra o fascismo”.

Depois disso, o repórter começou a falar sobre como cada vez mais pessoas estavam vendo UFOs pelo mundo.

Logo em seguida, a moça do tempo começou a falar do clima, em frente a uma imagem da Terra em forma de bolota.

Era começo da tarde do dia 23 de Setembro de 2038 quando um revolucionário usando uma camiseta do Che invadiu o terreno de Alberto para roubar batatas que ele plantava quase que clandestinamente. O dito cujo estava armado com uma espingarda. Com medo de tentar argumentar sobre as batatas com o analfabeto-funcional armado, Alberto escondeu-se. Àquela altura, sua mãe já havia sucumbido à doença, e Alberto morava sozinho com seu fiel cachorro, Giulius.

Sem poder controlar seu amigo, Giulius deu um latido ao perceber um estranho no terreno, o que chamou a atenção do analfabeto funcional que estava ali. Agora, pensou Alberto, o revolucionário iria querer também roubar o cachorro pra comer, e talvez até mesmo o próprio Alberto, pois canibalismo era algo normal naquela horrenda época que viviam de “comunismo vibrante”.

Esquecendo as batatas e pensando nas proteínas, o criminoso desviou sua atenção para a casa. Sem rodeios, atirou na porta e entrou. O coração de Alberto passou a bater mais forte, preocupado que Giulius fizesse mais barulhos. Tentou tampar a boca do animal, sem sucesso.

O pelego era burro e violento, mas não surdo, e percebeu a direção de onde vinha o som.

“É nosso fim”, pensou Alberto, que começou a orar embaixo da cama agarrado a Giulius.

O bandido entrou onde eles estavam, e começou a vasculhar.

Ergueu a cama violentamente, e sorriu quando viu as duas carnes vivas ali. “Meu jantar”, pensou. “Obrigado, sinhô Molusco”.

Com medo, Alberto demorou para abrir os olhos, mas ficou feliz quando o fez.

Uma sombra negra estava atrás do bandido, preparando-se para atacá-lo.

“Sem tolerância para o intolerante”, declarou o revolucionário, então ajeitou a arma pra atirar em Alberto, mas seu dedo jamais chegou ao botão de disparo.

A criatura atrás dele atravessou o próprio braço no meio da cabeça do homem, e a cabeça dividiu-se em duas como se fossem fatias de pão sendo cortadas. Só quando o corpo caiu duro no chão que Alberto pode ver a criatura. Sua alegria se dissipou na hora.

“O que foi isso que eu vi?”, a pergunta atormentava Alberto desde o começo da tarde, quando uma bizarra criatura de aspecto reptiliano o salvou de um revolucionário canibal. Parecia um pequeno dinossauro, mas consciente. “Só pode ter sido um UFO. Ou um demônio..”

Alberto trocou o corpo do revolucionário por um pé de abobrinhas com um canibal que morava próximo mas que prometera jamais atacar Alberto em memória de sua “antiga amizade”.

Os deuses voltaram. E eles querem ser adorados pelas almas deístas.

Mais tarde naquele dia, o mundo inteiro testemunhou algo jamais visto na história. Um som grave, como de um motor, permeou por toda a superfície da Terra, em meio ao caos histórico de guerras civis e multinacionais, misturado a algo que pareciam trombetas.

Alberto correu para fora de casa, olhando para os céus. Os quatro bilhões de pessoas ainda vivos fizeram o mesmo, senão naquele momento, quando inúmeras luzes começaram a aparecer no céu.

“São os aliens!”, gritaram alguns. “É o fim do mundo, Jesus está voltando!”, gritaram outros.

Uma imensa agitação se espalhou por todo aquele círculo terrestre, enquanto as pessoas testemunhavam luzes e imensos objetos brilhantes descendo do céu em direção à Terra.

As Tvs e computadores foram ligados mundialmente por pessoas em busca de informações, mas como de praxe, apenas desinformação estava disponível.

Foi apenas no dia seguinte que a imagem do presidente americano foi transmitida em todos os aparelhos em um discurso:

“Os alienígenas fizeram contato”, ele disse. “Eu sei que vocês tem muitas perguntas, mas não é possível responder todas agora. Estamos avaliando para saber se eles vieram em paz ou se… são uma ameaça.”.

Na mesma noite deste dia, os aliens fizeram uma apresentação perante a Terra, tomando posse de todas as estações de rádio, TV e internet, e tendo habilidade de falar em todas as línguas.

“Somos do planeta Sekhmeth, do sistema solar de Nephthys, há 250.000 trilhões de km da Terra. Temos observado vocês, humanos, há décadas. Vemos a destruição que vocês tem causado na sua casa, e como a população anda oprimida pelos governos.

Viemos para restaurar a paz e a prosperidade. Assim como era no tempo em que nós criamos vocês.”

Uma pausa foi feita. Então, prosseguiram: “Calma, tudo será explicado a seu tempo.”

A comunicação foi interrompida, e inúmeros debates e opiniões começaram a se formar a respeito disso em todo o círculo terrestre.

Não demorou para que os governos se sentissem publicamente ameaçados com o discurso daqueles seres, os chamarem de intrusos e aprontarem os exércitos. Também fizeram discursos para suas populações, urgindo para que todos se unissem contra essa ameaça. Mas para as chamadas “maiorias” não havia nada de valor para salvar, e isso logo ficou claro.

Logo as alianças se formaram, dessa vez entre os que apoiavam o governo e os que apoiavam os Ets. Os revolucionários permaneceram com seu supremo líder, e os outros pela primeira vez em muito tempo tiveram esperança de liberdade e prosperidade.

“Nós não queremos os que defendem os governos. Viemos para testar os da fé.”

A mídia agora passava a atacar os aliens, fazendo as cabeças mais sugestionáveis da população temer os “intrusos” e dizendo que a evolução do regime comunista estava em perigo, assim como o supremo líder, Molusco da Silva e seu sucessor, o soberano Lulinha.

Convenceram muitos a entrar para o exército, e também chamaram os grupos armados para se juntar à luta.

Os alienígenas soltaram as bestas que traziam consigo na Terra. Alguns eram seres gigantes que antes seriam perfeitos personagens de histórias de ficção. Outros eram seres alados com aparências de gárgula.

Os exércitos mundiais por sua vez lutavam contra eles com o uso de tanques e armas de laser e pólvora. Bazucas, tudo o que houvesse a disposição. Os revolucionários radicais também atacavam os seres “em nome da Revolución”.

Um banho de sangue de proporções épicas aconteceu. Para cada alien que o governo e seus comparsas matavam, mil dos deles morriam.

“Àqueles que não se opõe a nós, façam um símbolo em suas testas. Viemos para destruir os governos!”, haviam dito os aliens, mostrando qual era o símbolo. Era parecido com a conhecida figura do planeta Saturno, que por sua vez também era parecido com algumas das naves daquelas criaturas. Se constituía de uma bola com um risco horizontal no meio.

Alberto, já tendo sido salvo uma vez, imediatamente desenhou o símbolo na testa.

Os governos por sua vez, lembravam à população: “Nós alimentamos vocês, damos casas e tudo que vocês tem! Vocês correm o risco de perderem tudo isso e voltarem para a época que os fascistas reinavam com seu capitalismo opressor e com sua polícia opressora! Lembrem que eles odeiam vocês! Agora vocês possuem as terras e os bens democraticamente repassados a vocês e podem perder tudo! Lute pelo seu país contra os invasores fascistas!”.

Pelas ruas, cartazes espalhados onde se lia: “Alíens fascistas! Voltem pro seu planeta!”, “Nem um direito a menos!”, e outros lemas que foram embutidos nas mentes revolucionárias por seus líderes dotados de espírito humorístico.

Quase que do dia para a noite, os exércitos foram sendo derrotados, juntamente com seus comparsas revolucionários.

“Não, o fascismo não pode vencer!”, murmuravam alguns que, covardemente, desenharam o símbolo mesmo torcendo pelo Governo.

O propósito da existência dos grupos de minorias radicais estava completo, assim como havia sido projetado no século 19, e agora elas deveriam sair do caminho.

Está acabado agora.”, disse um dos aliens. “Todos os que estão vivos hoje, testemunharam os horrores do ateísmo com seus próprios olhos.”.

Pelo mundo, milhões de pessoas balançaram a cabeça, concordando com a declaração dos aliens.

Foram perdas de seus entes queridos, foi a opressão com a qual os governos ateístas os trataram.”.

Nesse momento, uma lágrima escorreu pelo rosto emocionado de Alberto, lembrando de como sua mãe morreu por falta de remédios, inexistentes no país naqueles anos de socialismo. Só o que havia eram drogas nas ruas: heroína, LSD e outras que Alberto nem sabia o nome. Ele mesmo quase fora assassinado para ser comido por um canibal.

E nós vimos tudo. E nos compadecemos com sua situação.”.

Alberto chorou.

Foi por isso que nós voltamos: para ensiná-los a verdadeira doutrina espiritual dos deuses.”. O alien fez uma pausa significativa. Seus imensos olhos fitaram a câmera e causaram calafrios nos espectadores de todo mundo. “Portanto, a partir de agora, eu declaro o ateísmo proibido para sempre.”.

Os aliens fizeram contagens da população e análises. A antiga fazenda de Alberto foi restituída a ele.

A anarquia deu lugar à ordem. Os ets implantaram sua tecnologia avançada, treinando e colocando Cyborgs e drones para patrulhar as ruas, a fim de garantir o direito de ir, vir, trabalhar e etc.

O papa da Igreja Católica, que durante todo o tempo ficou entrincheirado num salão de segurança subterrâneo embaixo do Vaticano, finalmente ressurgiu para fazer um pronunciamento oficial.

“Nessa hora, devemos lembrar o ensinamento de Jesus: sermos humildes. E aqui estou, sendo humilde, para admitir que nossa Igreja estava errada durante todo esse tempo.”.

Feito isso, ele despiu seu enorme chapéu papal.

“Devemos reconhecer os aliens como nossos criadores e nossos salvadores. Eles nos salvaram da heresia que imperava nesse planeta. E agora vão nos iluminar com seus ensinamentos. Estejamos abertos a ouvi-los.”.

Vários dos aliens foram até o Vaticano, e ao lado do papa, um deles fez um novo pronunciamento:

“Nós sabemos como suas almas deístas anseiam por um deus. E por isso, resolvemos voltar. Sim, voltar, porque aqui estivemos muito antes. Tudo isso será esclarecido em breve. Mas agora, o que quero dizer é que não não voltaremos a abandonar a Terra. Nosso líder irá coabitar com uma humana, para demonstrar a aliança de nossas diferentes espécies, e a cria será o símbolo dessa aliança. Um futuro rei que irá governar a todos com justiça. Na verdade, ele estará no nosso lugar… no lugar dos deuses. Quando voltarmos para nosso planeta, ele irá ficar. Um novo tempo começa.”.

Anos se passaram, e a prosperidade voltou a reinar no Brasil.

A pequena propriedade de Alberto frutificou desimpedida, alimentando algumas centenas de pessoas que viviam em seu bairro com alguns dos condimentos que ele, com trabalho duro, produzia.

Alberto estava obviamente muito feliz e aliviado. Todo o inferno que ele viveu desde criança havia terminado. “Graças aos aliens.”, pensou.

Mas mal sabia ele que no futuro, sua filha recém nascida poderia conhecer um outro tipo de inferno quando se rejeitasse a adorar o novo deus que nascia na Terra.

Alberto terminou seus dias adorando os aliens.

Voltando ao ano de 2038, no final da Terceira Guerra, que na sua segunda fase viu os alienígenas se juntarem a maioria, os ex-presidentes dos países envolvidos na guerra, dados como desaparecidos desde o final da mesma, se encontravam agora todos no Vaticano, para prestar adoração aos deuses.

Milhões de pessoas em seus comandos haviam morrido, entre soldados e revolucionários, mas eram uma baixa necessária. “Não se faz um omelete sem quebrar os ovos.”, pensou Molusco no local.

“Vocês fizeram muito bem seu trabalho.”, disse um dos aliens, que finalmente aparecera depois de horas de espera. Todos os ex-presidentes ali presentes se prostraram no chão em sinal de adoração. O alien continuou: “Como prometido, irão ter um bom cargo no submundo.”.

Obrigado, mestre. – disseram vários.

Serão mandados pro segundo inferno, o segundo mais light entre os sete níveis. – respondeu o alien. – Lá, irão se encontrar com seus fiéis, uma vez que vocês foram seus deuses na vida, serão também na morte. – Fez uma pausa, e prosseguiu, antes de telepaticamente matar todos os humanos ali presentes: “Espero que tenham aproveitado a riqueza da Terra.”.

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Sobre Fabio Baptista

30 comentários em “Expurgação (Peki, 1817)

  1. Rafael Penha
    20 de setembro de 2018

    Olá Peki,

    Pontos Positivos: Apesar de clichê, a história narrada tem potencial. O autor tem bom dominio da gramática e a narrativa tem fluidez. Existe um universo bem desenvolvido, mas infelizmente comprimido em apenas 3.000 palavras.

    Pontos Negativos: Na minha opinião, contos que tenham algum cunho político devem exprimir sua opinião de forma irônica, no subtexto, ou no minimo, de forma sutil. Aqui, vê se de forma gritante, muito mais a opinião pessoal do autor do que um narrador alheio a posições políticas. E muitas das vezes, o esforço do autor de colocar suas idéias sobre tais pessoas ou sistemas politco-economicos se sobrepõe ao enredo, deixando a trama de lado para tecer xingamentos ou desqualificações a um ou outro.O enredo acaba indo pra segundo plano devido a agressividade do autor, que chama mais atenção do que a história em si.

    Se tirar toda a opinião do autor e deixar apenas o suficiente para a história prosseguir, se tornará um conto bem interessante.

    Abraço!

  2. Victor O. de Faria
    19 de setembro de 2018

    ET (Enredo, Texto)
    E: Um texto nada sutil com uma forte pegada autoral. Demora um pouco a engrenar, pois a profusão de ideias corre num fluxo contínuo, sem pausas. Como sugestão, iniciaria o texto com a cena da salvação do Alberto pelo alien, ou até a chegada deles, então o restante se encaixaria melhor. Vi várias partes que poderiam ser cortadas, pois não acrescentam nada à história e apenas servem para “destrinchar” um ódio incomum que, infelizmente, transbordou do autor para o texto. A parte do personagem na periferia foi a mais agradável, e talvez, se o restante do texto mantivesse essa pegada mais intimista, o resultado teria sido melhor e me agradaria mais, como leitor.
    T: Nesse quesito é bem resolvido, apesar de pausas inexistentes no contexto. O enredo todo se mantém no padrão relato, sem alteração de tempos verbais, consistente. Só a ideia geral mesmo poderia ser mais concisa.

  3. Fabio Baptista
    15 de setembro de 2018

    Minhas anotações durante a leitura:

    – passariam / professando / excedem
    >>> “excediam” ficaria melhor

    – passaram a ser protestos com facas
    >>> caramba… meio profético isso, hein? #medo

    – pessoas produtivas tiradas das produções
    >>> melhor evitar essa repetição

    – Alguns dentro os reacionários
    >>> dentre

    – quase batendo as botas, mas ainda bem de saúde
    >>> isso ficou contraditório

    – enquanto comiam os pães que receberam para participar do evento
    >>> No futuro pararam de rechear com mortadela? kkkkkkkkkkkkkkkkk

    ———————–

    Impressões finais:

    Meu, esse é um daqueles contos difíceis de comentar huahauha. Vamos lá, primeiro a parte técnica: eu curti bastante o jeito que a história foi escrita, ela tem um tom épico, meio bíblico/apocalíptico que obviamente casa muito bem com os fatos narrados. Poucos erros de revisão e leitura bem fluida, atrapalhada vez ou outra pelo excesso de caricaturas e estereótipos.

    Agora a parte complicada, a trama. Durante boa parte da leitura, fiquei com impressão de estar lendo “O Apocalipse segundo Cabo Daciolo” kkkkkkkk. O mundo colapsando numa distopia esquerdista, totalmente exagerada. E é nesse exagero que reside o X da questão: será que foi proposital ou o autor perdeu a mão? E essa questão levanta outra questão: para o leitor (eu, no caso) deveria ser importante se é proposital ou não, se o autor acredita nisso ou naquilo, ou tudo que deveria contar são suas (do leitor, ou minhas, no caso) percepções?
    Devaneios à parte, para mim a história foi divertida, caótica, com o absurdo conseguindo prender a atenção e despertar a curiosidade para o próximo passo.

    Achei interessante as referências bíblicas e pelo que entendi os aliens eram na verdade demônios que deixaram o anticristo por aqui.

    Um conto corajoso, isso não se pode negar.

    Abraço!

  4. Fil Felix
    8 de setembro de 2018

    Um conto com ares de crônica, que faz uma sátira dos tempos atuais. Apesar dos nomes diferentes, é bem evidente as referências ao Lula, às exposições de arte que causaram polêmica, a ideia de que comunista come gente, da fama de ladrão do movimento MST. Isso, falando por mim, acaba prejudicando o conto em se tratando de crítica. Porque fica caricato, partidário e muito propagandista, com as ideias longe da realidade. O MST, por exemplo, é o maior produtor de orgânicos do Brasil.

    A parte estrutural é interessante, gostei de como utilizou das referências bíblicas, como o símbolo da besta, as trombetas, a chegada de um messias híbrido. A questão de adorar falsos deuses, estátuas e cia, de usar a ideia dos Deuses Astronautas. Essas referências da mitologia cristã poderiam cruzar com a mitologia egípcia, por exemplo (como a adoração ao Lula e depois ao Alien faraó). Mas há, no percorrer do texto, uma vontade sempre de expor negativamente a “minoria”, o PT, o Lula e toda essa gente, que faz perder o ritmo.

    • PEKI, 1817
      9 de setembro de 2018

      Obrigado pelo seu comentário generoso, Fil Félix.
      Sim, há uma referência à mitologia egípcia em uma das falas dos falsos alienígenas. (““Somos do planeta >>Sekhmeth<>Nephthys<<")
      Os deuses astronautas no conto, referência que você astutamente percebeu, são os anjos caídos da Bíblia, e não ets de outro planeta, porque não existem outros planetas no mundo em que se passa o conto.
      Estes anjos teriam vindo anteriormente na forma de deuses egípcios.

      "Mas há, no percorrer do texto, uma vontade sempre de expor negativamente a “minoria”"

      É que a base do conto envolve uma "guerra civil" entre "minorias" e "maiorias", baseada na percepção das "maiorias", uma ideia que foi inspirada em uma suposta hipótese verídica para o acontecimento da "terceira guerra mundial" (é possível descobrir a origem da ideia do conto descodificando um pequeno detalhe em anagrama, mas acho que ninguém irá fazer isso).

  5. Anderson Roberto do Rosario
    7 de setembro de 2018

    Uma alegoria mal conduzida do apocalipse bíblico. Cheia de metáforas religiosas, políticas e que não acrescentam nada para criar um cenário crivel ou satisfatório. Sabe, quando Aldous Huxley criou Admirável Mundo Novo ele o fez de uma forma tão condensada, amarrando as coisas umas nas outras, que embora falasse de algo tão fora da nossa realidade, ele nos fez viver tudo de forma real e que convencesse. Não foi o seu caso, parece que o conto vem com o intuito de atacar ou simplesmente de nos dizer o que pensa o escritor (que na verdade nem nos interessa) e isso não rende nunca uma boa história. Imaginar um mundo completamente novo é uma coisa, quando se faz isso com conhecimento, verossimilhança, agora, da forma como foi feito aqui não tem êxito. Isso que posso dizer do seu conto. Espero que não leve para o lado pessoal e saiba entender o que eu quis dizer. Foi como eu vi, outros podem achar um bom conto. Pra mim faltaram muitas coisas. Talvez possa ser melhor trabalhado futuramente. Boa sorte no desafio.

    • PEKI, 1817
      8 de setembro de 2018

      Exceto que não tem nada a ver com apocalipse (não vejo o que pode ter suscitado essa conclusão). Nunca consegui ler este livro que você citou, mas está na minha lista.

      “Não foi o seu caso, parece que o conto vem com o intuito de atacar ou simplesmente de nos dizer o que pensa o escritor ”

      ? Não sei a que se refere.
      Várias cenas foram baseadas em fatos reais (canibalismo no comunismo, cenas do mst, até coisas como a estátua do político e o título de “supremo líder” foram referências reais a Coréia do Norte).
      Eu não defendo meu modo de pensar no conto (a ideia principal do conto foi baseada em um suposto plano de ação real, e é possível descobrir isso descodificando um ou outro detalhe, mas não parece que ninguém aqui tem esse costume) . Não é um conto a favor de uma ideologia política ou algo do tipo. Pode ser um conto contra uma ideologia, mas não é a favor de nenhuma.

  6. iolandinhapinheiro
    6 de setembro de 2018

    Creindeuspai, amigo, que conto foi esse ?! Vamos lá. A experiência que vivi com o seu texto foi ler um relato escrito por uma pessoa antipetista que usa um pano de fundo distópico para emitir suas opiniões políticas. Sinceramente, eu não gostei e olha que eu nem sou petista. Acho que só estou cansada de ver pessoas despejando suas frustrações contra a situação do país vinte e quatro horas por dia em redes sociais, para ainda ter que ler estas mesmas coisas onde eu esperava ver uma história empolgante.

    Outro problema foi ler toda a descrição do mundo dentro da ambientação que vc pretendia nos colocar, mas aí a culpa nem é sua, contos sobre o futuro e contos sobre outros mundos em sua maioria caem nesta armadilha, para conseguir inserir o leitor dentro de um panorama fora da realidade gastam vários parágrafos contando sem mostrar, cansando leitor.

    Acho que nesta altura vc já deve estar me xingando, mas eu estou sendo absolutamente sincera, e, se aceita um conselho de alguém que quer o seu sucesso: deixe a política (principalmente a nacional) de fora dos seus contos, sempre haverá gente que pensa o inverso do que vc colocou na sua trama e já vai indispor a pessoa contra o que vc escreveu.

    É inegável que vc tem muita criatividade e encontrei poucos erros no seu texto, mas o conto acabou cometendo o maior pecado que uma história pode ter – falta de fluidez, com tanta explicação o conto ficou um tantinho aborrecido, mas o complicado mesmo foi o tom propagandista de direita que permeou o seu trabalho. Ficou desagradável. Se o conto tivesse sido escrito atacando o Bolsonaro, ou qualquer outro candidato, eu também não teria gostado.

    A história ganha muito mais graça e desperta o interesse do leitor depois da chegada dos alienígenas, além de, obviamente, promover a adequação do conto ao tema proposto, acho que esta segunda parte salvou o texto, logo, se um dia resolver modificar o conto, enxugue-o bastante em seu início e coloque logo a trama onde há mais ação.

    Vou finalizando por aqui desejando sorte e torcendo para não ter arrumado uma inimizade, rs

    Abraços

    • PEKI, 1817
      7 de setembro de 2018

      ” mas o complicado mesmo foi o tom propagandista de direita que permeou o seu trabalho. ”

      Várias pessoas disseram que eu, a pessoa que escreveu o conto, transmiti meu “posicionamento político” no conto. Bem, eu afirmo que não transmiti, até porque, nem tenho certeza de qual seria meu posicionamento. O que pode ser afirmado é que o conto é antimarxista, além disso é apenas suposição e imaginação do(a) leitor(a).

  7. Emanuel Maurin
    5 de setembro de 2018

    Acho que em um mundo caótico onde exista canibalismo e vários países em guerra interna, falta logística para internet e redes de transmissão mundial, (quem organizava essa rede?). Assim como exércitos organizados destruindo aliens, nessas partes me perdi um pouco, pois já que existia o exército organizado e forte para lutar com com os arruaceiros, por que não lutavam? Esse mesmo exército poderia colocar paz no mundo antes da chegada dos aliens. Tirando essa minha duvida, achei o conto engraçado e com um final surpreendente, onde o mundo se purifica pelos extraterrestres invasores. Gostei.

  8. José Geraldo Gouvea (@jggouvea)
    3 de setembro de 2018

    My Holy Infodump. Seu texto começa com um verbete da Wikipedia. Isso é uma fraqueza. Eu só passei do terceiro parágrafo porque sou obrigado a ler e comentar. Lembrou até uma piada antiga, da Novos Escritores Brasileiros. Alguém deu uma dica segundo a qual os autores iniciantes deveriam escrever suas histórias em ordem cronológica a partir do princípio, e um gaiato, que não sei quem fui, tomou uma advertência do admin da comu ao escrever em um post: “No princípio a Terra era sem forma e vazia…”

    Outra coisa que eu notei em seu texto foi colocar de forma didática demais a questão da política. Por mais que eu seja um cara super politizado a ponto de estar batendo boca no Twitter nesse exato momento, a verdade é que na ficção eu evito politica, a não ser, raramente, quando dá para contrabandear alguma coisa. Essa abordagem de “obra-tese” não me encanta. Não porque eu ache que seja impossível ficar bom, mas porque eu acho que é muito mais fácil desandar e desagradar. Então eu tenho a humildade de evitar.

    No seu caso, ficou cansativo. Seu conto tinha de começar lá pelo meio, quando “Alberto não se lembrava”. Porque a partir desse momento ele se torna bem mais legível.

    Mesmo assim o seu texto ainda padece de didatismo. Acredito que você tem lido muitos textos de não-ficção e está com dificuldade para encontrar uma voz narrativa. Exemplo:

    “Hegelianamente, surgiu um movimento reacionário.”

    O que eu chamo de didatismo é o que outros chamam de “vício expositivo”. Você narra demais, esfrega demais a cena na cara do leitor.

    E não usa metáforas, mas abusa de rótulos e de narrador preconceituoso:

    “Com medo de tentar argumentar sobre as batatas com o analfabeto-funcional armado”

    Como o personagem-foco sabe que a pessoa que invade suas terras é um analfabeto funcional. E por que ele mesmo julga não ser?

    Veja bem, não é uma questão de ideologia, é que a informação vem na superfície, sem base que a sustente. A essa altura ainda não sabemos quem é Alberto, mas o invasor, que sequer será visto e só terá uma fala, é rotulado de muitas maneiras.

    No fundo, o que se denota em seu texto é um maniqueísmo: seu narrador é uma pessoa impoluta diante de um mal absoluto. Isso não tem que ser ruim, mas para funcionar é preciso que o texto tenha um caráter simbólico mais forte, e não pode isso ser esfregado no nariz do leitor dessa forma. Do jeito que você fez, até parece Ayn Rand (e ser chamado disso, em termos de literatura de ficção, equivale a um insulto).

    O que me parece é que você tem mais raiva do que talento (pelo menos usa mais a primeira do que o segundo na construção deste texto) e o resultado é uma obra que baba pelo canto da metafórica boca, mas não apresenta boa estrutura narrativa em momento algum e ainda agride o leitor com infodump e com uma metralhadora giratória de eventos nunca explicados.

    Em parte, os defeitos que eu cito decorrem de você querer colocar dentro de 3000 palavras um grande arco narrativo que requereria centenas de páginas. Talvez se você desconcentrasse a ação e desse uma “guaribada” na linguagem (pondo um pouco mais de lirismo e removendo os rótulos prontos) você conseguisse um romance que seria até agradável de ler. Muitas obras de cunho conservador, como “Deixados Para Trás” e “A Fonte” (essa última da famigerada Rand), se beneficiam de serem mais longas.

    Mas eu, sinceramente, não lhe recomendo lê-las para aprender coisa alguma.

    • PEKI, 1817
      7 de setembro de 2018

      “Como o personagem-foco sabe que a pessoa que invade suas terras é um analfabeto funcional. E por que ele mesmo julga não ser?”

      Pois bem. A camiseta do Che Guevara é um indício do analfabetismo funcional do personagem. Ele vive em um país colapsado pelo marxismo, claramente é pobre (pois precisa roubar para comer) e mesmo assim, ele defende a ideologia e o governo que possibilitaram este desastre. Ora, fica implícito que ele não consegue compreender muito bem as coisas.
      É verdade que em nenhum momento o personagem Alberto lê um livro, mas sua capacidade de ser um agricultor de sucesso sugere que ele não seja um analfabeto funcional – mesmo vivendo dentro de uma MATRIX, onde ele acredita na TV e que o governo é mesmo inimigo dos “alienígenas”.

      “No fundo, o que se denota em seu texto é um maniqueísmo: seu narrador é uma pessoa impoluta diante de um mal absoluto. ”
      Bem, respeito sua opinião. Mas não é isso que eu tentei passar com o conto. Tentei mostrar que o Alberto não sabe de todas as coisas, sendo ele mesmo enganado em vários aspectos.

      “Acredito que você tem lido muitos textos de não-ficção e está com dificuldade para encontrar uma voz narrativa.”

      Ahaha. Sua percepção pode ter sido correta. Eu não só leio livros de não-ficção, como os de ficção que eu leio TAMBÉM tem a ver com realidade, críticas sociais, previsões, e tal.

  9. Miquéias Dell'Orti
    2 de setembro de 2018

    Olá, Peki.

    Gostei do tom cômico do seu conto. Algumas partes ficaram muito boas, como a cena de Alberto e Giulius sendo atacados pelo “analfabeto funcional”.

    Um ponto que considero muito positivo foi a mudança do “estilo” no decorrer da narrativa. Eu senti um clima todo de seriedade no começo da história, mas depois ela partiu para a sátira de forma muito natural, sem deixar aquela impressão estranha de mudança repentina de tom, sabe?

    Minha única ressalva seria quanto ao excesso de suas influências ideológicas carregando a história. É claro que aquele contexto crítico no fundo sempre dá um destaque a mais, mas, para mim, acho que passou um pouquinho do ponto e algumas partes soaram mais como um discurso velado da sua posição do que com uma boa história.

    De qualquer forma, esse fato em si não o isenta do bom trabalho.

    Parabéns!

  10. Fheluany Nogueira
    31 de agosto de 2018

    Narrativa bem estruturada, traz uma sátira, em tons de caricatura, que diverte com a ideia de uma exagerada purificação do mundo civilizado. Não sei se misturar ficção e fatos, mesmo de forma disfarçada, foi um bom recurso. O texto ficou meio apologético, desde o título.

    Percebi os “deuses aliens”; foi interessante trazê-los da Bíblia, mesmo, que demorassem muito a intervir no destino da humanidade, tudo estava um enorme caos. Gostei da filosofia, da alienação do protagonista e do fel descarregado. Valeu! Foi uma boa leitura.

    Parabéns pela participação. Abraço.

  11. Antonio Stegues Batista
    31 de agosto de 2018

    O conto é uma história de humor com uma mistura de ideias, algumas contraditórias e estranhas, como UFO ( Objeto Voador não Identificado, em português e pelego, gíria que designa aliado do governo e patrões. “Hegelianamente, surgiu um movimento reácionário”. Hegelianismo é uma corrente filosófica que tem como base o idealismo transcendental, e o reacionário é contrário à democracia e ao idealismo.) O caos do mundo descrito é realmente um caos! No meio há referencia a Molusco (molusco e lula dá no mesmo), uma péssima ideia, pois foge da ficção. Boa sorte.

    • PEKI, 1817
      31 de agosto de 2018

      Eu me referia, de forma ilustrativa, à dialética hegeliana: tese e antítese. Revolucionário e reacionário.

  12. Nilza Amaral
    27 de agosto de 2018

    Muito longo, muita distância do tema dado.Não gostei da mistura religião e ficção cientifica.

  13. Evelyn Postali
    26 de agosto de 2018

    Cheguei ao final cansada. Primeiro porque tem muita informação, devaneio, alegoria. É um bocado de coisas para um conto com três mil palavras. Segundo porque talvez o ritmo tenha me feito confusa. Houve um exagero na acentuação do grande medo da humanidade de bem e, talvez, porque não sou nenhuma expert nesse assunto, isso provocou uma leitura lenta.
    Seu protagonista é meio passivo. Ele vê tudo acontecendo e não nos aponta um norte. Talvez por isso se chegue ao final sem ter muita noção do que você realmente quis dizer, pensando apenas na constatação de algo, sem a reflexão sobre a luz emanada pela oposição.
    O conto está bem escrito.
    Boa sorte no desafio! Abraços!

  14. Caio Freitas
    26 de agosto de 2018

    Olá, PEKI. Acho que entendi mais ou menos a ideia do seu conto, mas também penso que você talvez tenha ido longe de mais na hora de mostrar como o comunismo é ruim. Caiu em alguns velhos clichês como do vagabundo que gosta de invadir terras para matar o fazendeiro inocente. Mas também mostrou, também de forma exagerada, como algumas pessoas chegam a quase adorar os líderes populistas. Concluindo, acho que pode ser um texto cansativo, especialmente para alguém que tenha uma posição ideológica um pouco diferente da sua, devido aos excessos. Boa sorte no concurso.

  15. Evandro Furtado
    25 de agosto de 2018

    Obs: Alguém levou os dizeres de que comunistas comem criancinhas longe demais

    Pontos Negativos

    – Há um certo exagero propagandista na história. Muitas vezes o narrador se envolve, deixando claro seu posicionamento;
    – A resolução final parece um pouco preguiçosa, sem um fechamento recompensador;

    Pontos Positivos

    – Não há erros estruturais;
    – O conto entretém, ainda que pelos absurdos;
    – O tom satírico é divertido

    Balanço Final: Average

  16. Sarah Nascimento
    22 de agosto de 2018

    Seu conto é forte, frenético, cheio de guerra e de ação. Dói pensar em um futuro dessa forma. O completo e terrível caos. Achei legal você ambientar isso tudo no Brasil. Só achei sacanagem os aliens criadores chegarem só quando tudo está perdido entende?
    Demoraram bastante heim? Enfim, deve ser pela distância.
    Como eu falei antes, os acontecimentos são frenéticos e as vezes é bom tomar cuidado, porque acontece muita coisa rápido demais sabe? A gente se perde um pouco no que está lendo.
    Achei legal como desenvolveu tudo do ponto de vista do Auberto e também do seu “apocalipse”. Bem criativo como colocou alguns símbolos, por exemplo o círculo na testa daqueles que eram afavor dos aliens.
    Um trechinho da história ficou confuso para mim, quando diz: “Para cada alien que o governo e seus comparsas matavam, mil dos deles morriam.”, acho que poderia ser “mil homens morriam”, ou “mil seres humanos morriam”. Por ter tanta ação eu não entendi na hora quem eram os mil que morriam nessa parte. Enfim, muito criativo, parabéns. E um último comentário: você é um autor/autora impiedoso/a.

    • PEKI, 1817
      22 de agosto de 2018

      Obrigado, Sarah, pelo seu comentário generoso. “Só achei sacanagem os aliens criadores chegarem só quando tudo está perdido entende?
      Demoraram bastante heim? Enfim, deve ser pela distância.” . Mas é aí que tá. Eu revelei quem eram os aliens no início da história. Eles não vieram de outro planeta (porque no mundo onde a história se passa, não existem planetas). “Águas acima do firmamento”, “círculo terrestre” (círculo e esfera são coisas diferentes), “anjos”, “Inferno”: a história se passa na cosmologia bíblica. Acho que ninguém notou isso mesmo com todas as dicas que eu deixei pela história. E eu pensei que levaria tomatadas por causa disso.
      Quanto aos aliens demorarem: a estratégia deles pode ser definida como “dividir pra conquistar” e “ordem do caos”.

  17. Thiago Lopes
    22 de agosto de 2018

    Olavo de Carvalho, quer dizer então que além de astrólogo e pseudo-filósofo, você se meteu a escrever contos? Brincadeiras à parte, o conto é engraçado, esse é o forte. Imaginei que num desafio com o tema proposto choveria aqui os clichês de sempre, e seu conto, autor, me surpreendeu pelo inusitado. É o forte do seu texto, Às vezes a bílis resulta em histórias divertidas. Quanto à tentativa de alegoria, aí me decepcionou um pouco, faltou desenvolver mais para poder acrescentar tantas informações, ficando muito mais no plano panorâmico, resultando em poucas cenas, o que dificultou na formação de uma imagem viva, real, dinâmica que costuma haver nos bons contos. De resto, vejo no seu texto que você domina muito bem a narração, a impressão é que você consegue expressar bem o que quer dizer, coisa que é muito difícil de fazer, ainda mais para nós que estamos apenas começando. Talvez uma cinzelada, uma elaboração maior fará com que ganhe ainda mais em qualidade. Abs.

    • PEKI, 1817
      22 de agosto de 2018

      Obrigado, Thiago, pelo seu feedback e apontamentos.

  18. Higor Benízio
    20 de agosto de 2018

    Me fez lembra Enéas, quando disse que o Brasil “Possuí um governo alienígena”. E ele estava certo, visto que o debate patético que acontece hoje em nosso país é feito como se vivêssemos isolados do resto do planeta. O conto não é ruim, tem um tom meio profético, e talvez tenha abordado essa questão do capital estrangeiro de um jeito bem decente. E está bem escrito e tudo mais. Porém, pessoalmente, não gosto deste tipo de texto. Certo que toda a literatura é um evocativo da realidade, mas, por que evocar aspectos efêmeros e feios, se podemos evocar o que é belo e eterno (virtudes, amor, belezas naturais, o homem em seus valores imutáveis, contemplação amorosa etc)? Abçs

    • PEKI, 1817
      21 de agosto de 2018

      Obrigado, Higor Benízio. Sobre o que você disse: “O conto não é ruim, tem um tom meio profético” , ahaha, confesso que ser profético foi um de meus objetivos com este conto.

  19. Pedro Paulo
    17 de agosto de 2018

    Olá, Peki!

    Antes de começar, esclarecerei alguns dos critérios a partir dos quais estarei avaliando, ainda que a nota não vá estar totalmente definida antes do desafio. Avaliarei o conto a partir do domínio da língua portuguesa, da estruturação da narrativa, da adequação ao tema e, enfim, mas não menos importante, da criatividade. Vê-se que são critérios interligados.

    Encerrei o conto um tanto confuso, sem saber direito o que foi buscado nele. Apesar de não ter entendido a orientação procurada, devo destacar que escreve muito bem. Há o protagonista, Alberto, representado como uma pobre vítima (e acho uma caracterização justa, pois é um personagem que passa a maioria da trama em passividade, independente do que sentisse sobre o contexto e mesmo isso não é tão investigado quanto o sofrimento constante da personagem), mas o conto é narrado de forma panorâmica, focando justamente o que está acontecendo em geral e a progressão absurda dos fatos, que o autor soube narrar perfeitamente, sem fazer o leitor se perder em meio aos caos.

    Mas temos que entender esse caos. Ao meu ver, foi uma interpretação totalmente cartunesca do que seria a radicalização de certos ideais e perspectivas de mundo, levando o planeta à sua total degradação. No entanto, alguns trechos me confundiram quanto ao nível de “pitoresco” buscado aqui, especialmente a insistência em demarcar algumas oposições como a cristandade (não deísmo, nesse momento) e o ateísmo, aqui polos de bom e mau, respectivamente. Da mesma maneira, assuntos como aborto e orientação sexual (denotado como “preferência” sexual no texto) ficam dentro do “regime de destruição” que centraliza a narrativa. Acredito que o pior tenha sido a total distorção do sentido de “minorias” e “maiorias”. Pode achar que estou impregnando minha avaliação com as minhas próprias ideologias, mas não houve um equilíbrio que me mostrasse se é de fato uma piada (ainda que mal equilibrada) ou se trata de uma narrativa que leva a sua visão de mundo às “últimas consequências”. Com isso, cheguei ao trecho do guerrilheiro canibal sem achar hilariante como essa cena absurda deveria ser justamente por não saber se ali o conto pretendia humor ou seriedade. Sei que, um pouco desconfortável, não ri.

    E sobre os alienígenas! Achei bem interessante trazê-los como seres que buscam a devoção, algo que realmente diferencia a abordagem e o proceder da invasão. Portanto, deu maior sentido à narrativa panorâmica, fazendo a revelação final deles estarem manipulando o mundo ser igualmente surpreendente e coerente com a maneira que a história vinha sendo contada. Agregou, inclusive, mais significado à personagem do Alberto, que se tornou ele mesmo um devoto, ainda que suas perdas tenham sido provocadas indiretamente pelos alienígenas aos quais foi fiel. Isto equilibrou, sem deixar a resolução da história como um final autenticamente feliz. Enfim, eu pensei em reclamar da marginalidade dos aliens durante o conto, mas então concluí que era nos bastidores que eles deveriam estar, de fato. Boa sorte!

    • PEKI, 1817
      21 de agosto de 2018

      Obrigado, Pedro Paulo, pela sinceridade de sua análise. Tentei ilustrar o personagem “Alberto” como sendo alguém também alienado (tentei deixar isso óbvio na parte em que ele assiste “Jornal Nacional” da “Globo”, o maior meio de controle e desinformação do país). Foi uma “tentativa de crítica” ao cidadão comum que muitas vezes é manipulado pela TV (tentei personificar o cidadão comum como sendo “Alberto”).

  20. Wilson Barros
    17 de agosto de 2018

    Muito engraçado, pitoresco. É um retrato do que pode acontecer caso ideias radicais prevaleçam. Claro, tudo isso já aconteceu na segunda guerra mundial – o nazismo foi a cristalização e radicalização com base em ideias falsas. Aqui o autor trata do descontrole provocado por uma ideologia tipicamente associada à “esquerda”. Nesse ponto, minha opinião é que qualquer tipo de radicalização conduz ao abismo. Uma reforma agrária mal planejada, que seja movida pela simples intenção demagógica de um líder mostrar que apoia os sem-terra, que defende uma “inclusão social”, pode facilmente resultar em improdutividade e fome, piores do que já ocorreu em qualquer cultura feudal. Essa é a temática central do conto do autor, que apesar de escrito em um estilo leve, não deixa de ser profundo. Aliás, recentemente, conversei por várias horas com um agricultor exatamente sobre isso.
    A técnica do autor é muito boa. Encontrei algumas falhas, mas nada que extrapole ou não possa ser resolvido por uma revisão mais acurada. Percebi algo interessante: a necessidade que o autor tem de se fazer claro. Parece um compromisso com os leitores mais exigentes. Por exemplo, eu comecei a achar estranho quando (spoiler) o Alberto trocou o corpo do revolucionário com um canibal, e pensei “por que não foi comido?”. Mas logo o autor explica que foi em nome de algo denominado amizade…(/spoiler).
    Como eu disse, várias cenas parecem construída com a intenção de fazer rir. Devo reconhecer que o autor atingiu plenamente seu objetivo. Finalizo parodiando o autor, em uma das suas frases hilárias: “Espero que aproveitem a riqueza do conto.”

    • PEKI, 1817
      21 de agosto de 2018

      Obrigado, Wilson Barros. Seu comentário foi muito generoso. Fiquei muito feliz 🙂

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Informação

Publicado em 16 de agosto de 2018 por em Alienígenas.