EntreContos

Detox Literário.

Indo ou Vindo (Curupira)

Aquele era seu lugar nos finais de tarde. Ali, abrigada sob a imensa quaresmeira, acomoda-se no velho banco e fixa os olhos num ponto. Apenas um arvoredo cerca a casa de repouso. Pela serenidade dos olhos, pelo esboço de sorrisos, deve enxergar maravilhas. É a moradora que mais recebe visitas. Não passa um dia sem carinho de um filho, de um neto, de um bisneto. E retribui. Não lhe sobrou um resto de memória. Aluada, não sabe quem lhe acarinha, não sabe o nome, de onde vem. Nem sabe em que lugar está. Não importa. Acaricia de volta, conversa, brinca, ri muito. Não chora. E nem fica triste quando alguém se despede, ou quando alguém disfarça lágrima. E os dedos, mansos, não mais se preocupam em teclar letras, os olhos já não querem ler. Desertada de querenças, nem pensa nisso.

Dias e dias ligada a tubos, gravemente enferma. Semanas e semanas no ambiente angustiante da UTI, com o ruído contínuo dos monitores dos sinais vitais, eletrodos grudados no corpo, aparelho de pressão atrelado, sensores de função cerebral. Acabrunhada. Isso tudo poderia atazanar todos lá, menos ela. Alguma coisa foi desengatada antes disso. A gana da lida fora desenraizada. Finou de vez.

Descompromissada, lia pouco. Passava os dias a escrever. Abastanças de palavras brotavam e ficavam encavaladas no pensamento, criavam corpo e fugiam do domínio. Arrebentavam barragens imaginárias e, incontroláveis, escorriam feito enxurrada inundando sem pedir passagem. E era um esparramo de contentamento. Nem reparava o dia acabar.

Na realidade, a vida não havia mudado tanto. Apesar de não sentir mais a consumição do relógio, reservava uma terna dose de tempo aos seus amores. Sem qualquer medição. Incondicional. Ao menor apelo, ainda que desimportante, estava lá, pronta. Não havia peso, havia gosto. Haveria tempo para tudo. Acreditava nisso.

E o dia chegou. Aquela sensação de liberdade, aquele descontrole de tempo, um não saber o que fazer com as mãos, com as ideias. Aquele acordar sobressaltado como se tivesse perdido a hora. Interessante que, antes, havia uma programação detalhada! Devagar saberia como lidar com a largueza, a mesma largueza que deixara lá atrás, na infância. Certamente, com muito menos estripulias, o corpo limitava um pouco. Um pouco. Chegara ao seu deleite. Como havia sonhado em lambuzar-se no ócio!  Sem prazo, sem cossa.

Nos últimos anos, havia uma canseira derramada. Um arrasto. Por inúmeras vezes, viu-se agarrada pelo desânimo, pela produção minguada. O avesso de tudo que sempre fora. O trabalho virou suplício, fardo desumano. O desassossego das leis, direitos que mudavam da noite para o dia. Era o navegar sem leme. O porto, a cada alteração, ficava ainda mais distante e as forças minavam a olhos vistos…

Os desafios das novas máquinas, monstros assustadores da modernidade, a encantoavam. Enxergou desta maneira. Sentiu na pele… Atravessara várias mudanças: políticas de toda sorte, conquista de direitos, quebra de costumes, avanço do mercado de trabalho, liberação da mulher. Não podia dizer que compreendia tudo, mas procurava ajeitar-se ainda que nos ângulos mais apertados.

Em plena idade da loba, a vida lhe impôs a demanda do mudar de ofício. Passo arriscado. Todos os balaústres da zona de conforto foram derreados. Encontrava-se em um descampado, sem qualquer sombra. Campo minado. E quanta insônia, quanta insegurança, quanta dúvida. Devorava as leis, mas a labuta exigia mais que isso. Exigia sabedoria, equilíbrio, imparcialidade, cautela, bom senso. E fazia um extremo malabarismo interior para ajeitar tudo isso num ser, que até então, julgava tão insignificante. Mas que não era. Viveu tempo suficiente para entender isso…

A maternidade lhe trouxe a plenitude da vida. Desfrutava dela como se fosse um coroamento de graças, sentia a mesma pureza de quando estava metida em vestes de anjo, com asas de papelão e penas, lá atrás, nas antigas procissões. A prenhez lhe conferia a candura de criança e, num mesmo prumo, a robusteza de entestar o “quefazer”. Aparente desacorde. Mas só aparente. Oscilava entre menina e leoa. Canseira?! Nem parava para conferir. Tempos de olheiras profundas, cabelos em constante desalinho, unhas por fazer, roupas largas ou apertadas, cochilos testemunhados pelo fogão nas madrugadas, banhos relâmpagos com porta aberta… E muito riso. Dor de amor?! Muitas! Inúmeras! Sobre isso precisava decidir, pensar, agir… Depois, depois.  Haverá tempo.

A mocidade foi divertida. Prazerosa. Amizades arraigadas na infância. Enroscamento de afeto, confiança, cumplicidade velada. Imaculável. Bailes inesquecíveis, pés valsantes, “rockantes”, “twistantes”, “bolerantes”. Biritas?! Nada além de cuba-libre, ponche ou meia-de-seda.  Transgressão?! Um cigarrinho de filtro, vez ou outra, puro desejo do novo. Amassos?! Muitos, apesar de exigirem exaustivos cuidados. Época sem contraceptivos, perigo iminente! Fazer o quê?! Primeiro, era pura escolha e, depois, reza forte…

Não passou bem-fadada pela puberdade. Mistérios, inseguranças, medos. Os adultos nada comentavam, não havia folhetins que a orientassem. As meninas falavam com meninas, os meninos falavam com meninos. Resultado: era uma cambada de sonsos que saíam da conversa mais abestados do que entraram. Tudo era aprendido no acontecer. As situações ficavam sempre amoitadas, toldadas. Sem sombra de dúvida, para ela foi uma travessia desaconchegada. De qualquer modo, varou.

A meninice dela foi feito “batatinha quando nasce, espalha rama”…  Literalmente, esparramada pelo chão. Trazia alguma coisa de bicho. E também concebeu profunda simbiose com as árvores. Juntas, viravam galhos enlaçados e cantantes ao vento. Buscavam altura, crescer, conseguir enxergar outros horizontes… Enfim, foi a cria mais esfolada, estropiada e perebenta da ninhada.  Joelhos ásperos e desenhados por cicatrizes, cotovelos ralados, pés cascudos aversos a qualquer pisante. Desinquieta. Afoitamento desmedido. Indomável. Contentamento vazava até pelos poros.

A mãe contava que, de pequena, não havia controle. Desde que a moleca ensaiara os primeiros passos, na casa, os objetos voavam pelos ares, as louças viravam cacos. Nem mesmo as cadeiras, amontoadas e impedindo as passagens pelas portas, eram barreiras. Escalava como se fossem escadas. E, quando ainda no ventre, dava a sensação de que lá, dentro, acontecia um tropel. Nem a pilha de travesseiro a lhe proteger a imensa barriga, que dançava de um lado a outro, trazia sossego nas raras horas de sono. Confessava que, apesar de já haver parido três crianças, sentia medo do que estava por vir. Mas, grande medo – grande misericórdia, numa manhã serena, a caçulinha nasceu feito quiabo.  Dizer que era bonita?! Não deixava de ser. Era cativante. Olhos nos olhos, a presa caía, combalida. E não tinha como não acarinhar… Na casa, não havia choro. Apenas sorriso. A criaturinha não era desertada de querenças, ainda nem imaginava isso.

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26 comentários em “Indo ou Vindo (Curupira)

  1. Bianca Machado
    21 de abril de 2018

    Olá, autor/autora. Não me sinto em condições de fazer comentários muito técnicos dessa vez. Então tentei passar as minhas impressões de leitura, da forma como senti assim que a terminei. Desde já, parabenizo por ter participado!

    Então, vamos ao que interessa!
    ————————————————

    Como não lembrar de Benjamin Button? Um dos filmes de que mais gostei. Uma escrita fluente, poética e segura. Se não for uma autora, me surpreenderei. E, se for uma mulher, terei invejinha branca dessa segurança na narrativa. Está adequado ao concurso, em sua estrutura, nada de mais, mas bem pensado e uma oportunidade de trazer ao mundo um texto muito bonito. Parabéns!

  2. Andre Brizola
    21 de abril de 2018

    Salve, Curupira!

    Conto muito bem escrito, com escolha muito cuidadosa de palavras e frases construídas de forma complexa, mas sem pedantismo, o que o torna ainda mais bonito. Eu gosto de usar o termo “elegante” para descrever esse tipo de texto pois é a impressão que me dá. É um esmero natural.
    Achei interessante a estrutura adotada aqui. Um texto que vai, mas que vem também. O detalhe com as duas imagens foi um toque a mais de cuidado com o conto. Nota-se que tudo aqui foi feito por alguém que realmente gosta de escrever, e que trata suas criações como proles, e não como simples textos.
    Deixo um pequeno senão, pois o enredo acaba ficando um pouco aquém do restante. Um pouco mais de ousadia aqui teria deixado tudo muito mais brilhante.

    É isso! Boa sorte no desafio!

  3. Evelyn Postali
    21 de abril de 2018

    Muito sutil esse ir e vir. Escrita habilidosa e rica em detalhe. Pensei estar escutando coisas de mim mesma em determinados momentos. Assim como outro conto escrito de trás para frente, há experimentalismo, embora leve e não haja ousadias maiores. Eu li de forma ininterrupta e sem perceber, então, a escrita não deixou a leitura arrastada. É um conto muito bom.

  4. Jorge Santos
    21 de abril de 2018

    Olá, Curupira. Neste desafio, este foi o único texto que li até agora que creio conseguir apontar o autor. Posso estar enganado. Não interessa. Este é um texto de uma ternura intensa, como plena de ternura deve ser a vida das mulheres. A estrutura cronológica inversa não é novidade e como experimentalismo sabe a pouco, por muito que o conto esteja bem escrito. Eu próprio usei este recurso no primeiro livro que publiquei, a vida de um homem em que cada capítulo correspondia a uma década de vida. Iniciava no dia da sua morte e terminava com o momento do seu nascimento, já no epílogo. Este seu conto segue uma estrutura semelhante. Mas, mesmo assim, gostei bastante.

  5. Paula Giannini
    20 de abril de 2018

    Olá autor(a),

    Tudo bem?

    Contar uma história cronologicamente ao contrário não seria nenhuma novidade, não fosse pela habilidade de quem a escreve em, ao subverter o tempo, fazê-lo de modo tão sutil e orgânico dentro da trama. O modo como tudo se desenrola, parece até natural. Ao ler este trabalho, tem-se a impressão de que é esta, exatamente a ordem correta dos fatos. E assim é. Por que não? É. Porque parte da memória de uma narradora no presente que, ao reconstituir a própria vida, emenda um fato no outro como quem gira um parafuso ao contrário. Do modo como está construído soa quase natural o fato de ser mãe surgindo antes da gravidez, a juventude antes da infância e por aí vai.

    Partindo do fim, no derradeiro instante em um hospital, tem-se a impressão de que a narradora recolhe o fio de sua vida, descosturando-a como quem desfaz um tricô. Dessa forma, a protagonista refaz todo o seu percurso de volta para casa. De volta ao início, ao nada, ao momento primordial de sua própria existência.

    Belíssimo conto de prosa poética e colocado aqui, quase no finalzinho do desafio, como que a fechar um ciclo com chave de ouro.

    Ponto alto para o momento em que a mãe olha o bebê pela primeira vez nos olhos. “A presa caía, combalida” é uma das metáforas mais lindas que se pode encontrar para tal instante que, por outro lado, também remete ao fim e à morte da protagonista.

    Parabéns por seu texto.

    Sucesso no certame.

    Beijos
    Paula Giannini

  6. iolandinhapinheiro
    20 de abril de 2018

    Olá, autor!

    Que redação linda a sua! As palavras compõem um rico bordado. pleno de nuances e delicadeza.

    O experimentalismo ficou por conta da ordem cronológica alterada, justificando a imagem e o título.

    O primeiro parágrafo está um primor de tão lindo. Mas, para mim, pessoa de atenção prejudicada e concentração de um peixe disléxico, o texto ficou um tanto arrastado. Todavia a qualidade literária é tão evidente que a falta de fluidez não chega a enterrar a história.

    Eu que não sou público para estes mergulhos profundos na alma do personagem, esta verborragia que emenda uma impressão na outra. É isso! Um abraço amigo.

    Parabéns pelo lindo conto. Sucesso!

  7. Sabrina Dalbelo
    18 de abril de 2018

    Olá,
    Gostei bastante. Achei o texto rico de palavras, forma, conteúdo e contexto.
    O autor ou autora mostrou habilidade com as palavras e uma sensibilidade muito lúcida. Explico: narrou coisas lindas (de trás para frente no tempo) com verdade e ternura.
    Parabéns pelo vocabulário.
    Eu vi experimentalismo suficiente, na medida em que o texto faz muito sentido de trás para frente na linha temporal, até culminar na imagem do texto completo, como se estivesse, ele próprio, nascendo.
    Grande abraço

  8. Priscila Pereira
    17 de abril de 2018

    Olá Curupira
    Eu gostei demais do seu conto!! A vida, de trás pra frente de uma mulher, avó, mãe, escritora, leitora, filha… Ficou muito bonita e poética. Gostei imenso das palavras utilizadas, a leitura, para mim, foi um encantamento!
    Parabéns e boa sorte!!

  9. Higor Benízio
    13 de abril de 2018

    Talvez o autor tenha apostado que escrever “de trás para frente” seria experimentalismo suficiente. Acho que pode até ser, porém, por tratar-se de um texto cheio de sentimento, isso acabou ficando tão natural ao ponto de não parecer que foi uma tentativa de experimentalismo, mas um toque de charme. É um conto excelente, delicado e muito bem escrito. Mas acabou não soando “experimental”.

  10. Ricardo Gnecco Falco
    11 de abril de 2018

    PONTOS POSITIVOS = A singeleza da narrativa, calma e serena. Gostei do efeito trás-pra-frente, que faz com que um texto pequeno (no sentido do tamanho, ou número de palavras) pareça durar bem mais tempo… O tempo de uma vida inteira. Parabéns!

    PONTOS NEGATIVOS = A falta de uma ousadia um pouquinho maior, por parte do(a) autor(a), no que tange o tema do Desafio. Está contado de trás-pra-frente, é vero, mas acredito que o(a) autor(a) poderia ter sido um pouco mais ousado(a) no quesito experimental. Mas, tá bom…

    IMPRESSÕES PESSOAIS = Como escrevi acima, a leitura pareceu durar muito mais tempo do que o texto parecia conter em palavras. E isso deveu-se não por uma leitura de difícil compreensão ou falhas na narrativa, gramática ou sintaxe… Mas, ao contrário, o trabalho ultrapassou os limites físicos da escrita, levando o leitor (este aqui, pelo menos) em um passeio longo e gostoso através da história de uma vida muito bem vivida. Deu aquela sensação de reafirmação do ditado: não importa a partida ou a chegada, o que vale é o caminho (e o caminhar)!

    SUGESTÕES PERTINENTES = Tentar ousar um pouquinho mais no quesito Experimental; talvez com a inserção de alguns elementos que ultrapassem (assim como aconteceu com as palavras) o formato ‘texto+figura’, já bem batido.

    Boa sorte no Desafio!

  11. Mariana
    10 de abril de 2018

    É uma bela escrita, de uma sinceridade que pouco se encontra. Nesse sentido, o autor traz um trabalho singelo, a trajetória de uma pessoa comum, que destoa ao lado de tantas experimentações e maluquices do desafio. Nesse sentido, o formato da história, de ponta cabeça, deu o tom para o conto estar dentro do solicitado. Nada excepcional, mas nessa vida nem tudo precisa ser. Há beleza também no comum. Parabéns e boa sorte no desafio.

  12. Jowilton Amaral da Costa
    10 de abril de 2018

    Confesso que não percebi de início que a história estava sendo contada de trás para frente. ocorreu um desconforto com a mudança de tempos verbais, mas, depois entendi, os primeiros parágrafos são no presente para representarem os dias atuais, na medida que a história vai retrocedendo no tempo os tempos verbais vão para o passado. Achei interessante isto. O conto em si não me impactou o suficiente. Achei uma história comum, – nada contra as histórias comuns -, com pouco brilho narrativo, ao meu ver. Bem escrito, mas também bem comportado, o que fez com que a emoção da leitura não fosse alta. Média técnica, médio impacto, boa criatividade

  13. Paulo Luís Ferreira
    9 de abril de 2018

    Não há como não fazer uma analogia ao filme Benjamin Button. Mas infelizmente ficou só nisso uma história contada com fim-meio-começo, linearmente de trás pra frente. Faltou um “Q” de invenção, para dar um tom mais especial para um enredo bem interessante, trama que poderia ser acrescentada com algum algo a mais. Embora de uma narrativa por demais envolvente, deliciosa mesmo a escrita, sem atropelos gramaticais. Apenas alguns deslizes, mas nada que desabone. Enfim uma história muito bem contada de escrita prazerosa. E um final bem simpático e, porque não, criativo

  14. Antonio Stegues Batista
    9 de abril de 2018

    A história de alguém, desde a infância até a velhice, a senilidade, ou vice-versa. Não resta dúvida que foi bem escrita, com boas frases, mas algumas apenas deram comprimento ao conto. Achei dentro do tema, mas não foi nenhuma surpresa, algo original, pois não é novidade contar a história de alguém, da velhice para a infância. No entanto, valeu! Boa sorte.

  15. José Américo de Moura
    8 de abril de 2018

    Um conto de fácil compreensão, simples, já percebi tudo quando vi os pés do curupira, mas me enganei com a autor ao ver que ele comentara esse conto, ou será que fez para me enganar. Foi como contar um história de ponta cabeça. Será isso um conto experimenta? Eu acho que sim De qualquer modo foi uma boa história, bem escrita e agradável de se ler.

    Parabéns amigo e boa sorte.

  16. Cirineu Pereira
    8 de abril de 2018

    Uma boa retórica, no entanto, ao meu ver o enredo exigiria mais, pois falta aqui uma trama, um conflito, um dilema, uma questão. Contar uma vida (de forma tão sucinta) de trás para frente é válido enquanto conto experimental? Provavelmente sim, ainda que me soe tão pouco.

  17. Ana Maria Monteiro
    8 de abril de 2018

    Olá Curupira. Que bom que a angústia inicial criada pela descrição de estado de senilidade da sua protagonista, logo foi atenuada pela frase “Alguma coisa foi desengatada antes disso.”
    Por mais que nos doa, sempre acho melhor quando existe uma falência cognitiva prévia à incapacidade física; sofrem os que amam, mas a pessoa está, ao menos, descansada.
    Essa história contada de trás para a frente, levou-me na viagem. Também já tenho uns anitos e recordar ocupa cada vez mais espaço no meu viver.
    Além de que o percurso narrado é muito semelhante ao meu. Só espero que a morte me leve antes que a vida me roube de mim. Enfim, adiante.
    A história está muito bem escrita e contada, envolve. Impossível não criar empatia desde o primeiro momento com essa doce velhinha.
    Atende ao tema,o que também é importante. E é algo que faz com delicadeza extrema. Muito bom.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  18. Renata Rothstein
    7 de abril de 2018

    Oi, Curupira!
    Primeiramente, meu muito obrigada por trazer um conto (experimental) tão bonito e tocante, poético e altamente envolvente.
    Não sei se ando muito sensível, mas fui às lágrimas aqui com a história, Indo ou Vindo, não sei, de alguma forma me vi no papel da protagonista, nessa vida contada ao contrário – mais uma brilhante sacada, o pseudônimo – Curupira – esclarece o conto e lembra o nosso folclore.
    Você escreve maravilhosamente bem, Curupra!
    Boa sorte!

  19. Rose Hahn
    7 de abril de 2018

    Caro Autor, alinhada com a proposta do desafio, estou “experimentando” uma forma diferente de tecer os comentários: concisa, objetiva, sem firulas, e seguindo os aspectos de avaliação de acordo com a técnica literária desenvolvida pelo meu conterrâneo, o Analista de Bagé, a técnica do “joelhaço”:
    . Escrita: Indo ou vindo, ainda não cheguei a uma conclusão;
    . Enredo: De trás pra frente, do velho para o novo, lembrou o filme do bonitão Brad Pitt;
    . Adequação ao tema: Experimentou .
    . Emoção: Por conta da narrativa poética.
    . Criatividade: Amarrou todas as pontas de trás pra frente.

    . Nota: Menos do que vc. merece, pela criatividade e por ter metido a cara pra apanhar no desafio, que é o que fazemos aqui.

  20. angst447
    7 de abril de 2018

    O texto segue os passos de curupira. Quando você pensa que ele está indo, ele está voltando. Também me fez pensar nas memórias de alguém muito idoso, que se perde no vai e vem do passado, presente e futuro. Daí a sutileza do emprego dos tempos verbais adequados a cada momento. A vida da protagonista narrada de trás para frente, sem cortes ou sobressaltos. Conto bem escrito, com bom ritmo e fluidez. Experimento aprovado.

  21. Fheluany Nogueira
    7 de abril de 2018

    Outro texto que me lembrou o Curioso Caso de Benjamin Button que nasceu de forma incomum, com a aparência e doenças de uma pessoa em torno dos oitenta anos mesmo sendo um bebê e ao invés de envelhecer com o passar do tempo, rejuvenesce. A narração, aqui se inicia com a mulher idosa e com o recurso dos tempos verbais vai apresentando as diversas fases de idade de forma decrescente. As frases curtas e quase soltas gramaticalmente permitem uma leitura de baixo para cima e daí a cronologia é normal — da infância para a velhice. Deve ter sido bem trabalhoso construir o texto assim, uma experiência e tanto. Diante desta inversão, o pseudônimo, o título, e a imagem final (sugere um círculo) foram justificados.

    Interessante usei a ilustração deste conto em um minimalista — Na Folga de Sábado — sobre um desencontro amoroso.

    O texto está bem construído, estruturado, frases bonitas, vocabulário rico, traz muita emoção. Enfim, gostei. Parabéns, abraço.

  22. Angelo Rodrigues
    7 de abril de 2018

    Caro Curupira,

    antes mesmo de ler seu conto, corri ao Dicionário de Folclore Brasileiro, do Luis da Câmara Cascudo para relembrar de Curupira. Diz assim:
    “Um dos mais espantosos e populares entes fantásticos das matas brasileiras. De curu, contração de corumi, e pira, corpo, corpo de menino. O curupira é representado por um anão, cabeleira rubra, pés ao inverso, calcanhares para frente…”
    E por aí vai.
    Uma das mais sutis dicas que encontrei para me avisar que deveria também saber o conto às avessas. Nem a foto diz tanto (falo da que está em cima do texto), que mais fala de idas e vindas que de engodo no ritmo da leitura. A de baixo, é certo, me empurra à circularidade (a segunda dica).
    Então comecei a ler.
    Texto bem escrito, embora, pela forma como foi abordado, deixa dúvidas quanto a alguns acertos ou erros (talvez dubiedades seria melhor) no uso de palavras, sua hermenêutica e exegese (andei assistindo a algumas discussões no egrégio STF). Cito uma: desertada, onde talvez coubesse deserdada. O primeiro dizendo do vazio e a segunda do abandono. Talvez tão próximas que não merecesse que eu reparasse no fato.
    Gosto de leituras com ritmo poético, e logo as primeiras frases, a despeito das questões verbo-temporais, achei bem legal.
    “Aquele era seu lugar nos finais de tarde. Ali, abrigada sob a imensa quaresmeira, acomoda-se no velho banco e fixa os olhos num ponto. Apenas um arvoredo cerca a casa de repouso.”
    É isso. Parabéns e boa sorte no desafio.

  23. Regina Ruth Rincon Caires
    7 de abril de 2018

    O texto é bem escrito, tem uma estrutura diferente. Não encontrei deslizes aparentes, linguagem simples. É um texto que me prende, tipo de leitura na qual me sinto confortável.

    Interessante a maneira de a narrativa partir do presente (basta observar o tempo verbal do primeiro parágrafo) e ir recuando no contar a vida da personagem. Percebe-se que o narrador descreve a personagem no presente, hoje, decrépita, e na sequência vai retrocedendo no tempo e mostrando as suas diversas “faces” durante a vida. Há o recurso de “ida e vinda” na história narrada.

    Gostei do pseudônimo usado. Anãozinho danadinho que tentava “trapacear” deixando pegadas enganosas para confundir os caçadores. Ia para um lado, mas deixava rastros contrários.

    Fiquei pensando na foto do final do texto. Um cartucho de papel. O início e o final do texto. Início e fim. “INDO OU VINDO”. É um “truque”. Verdade, sem alterar o entendimento da narrativa, os parágrafos podem ser lidos na sequência normal – e podem ser lidos do final para o começo! Dá no mesmo…

    Parabéns, Curupira!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

  24. werneck2017
    7 de abril de 2018

    Olá,

    Um texto muito bem escrito. A história de uma mulher contada de trás para sempre. O primeiro parágrafo é terno. Eu, como leitora, logo me identifiquei. Como não se identificar com a velhice, que, com sorte, diz respeito a todos os seres? Mas, por alguma razão, eu me perdi com o decorrer da leitura. Não sei explicar o que faltou para me ater a esse personagem que sofre, que diz respeito a mim e a todos. Talvez o conflito inicial, a memória que falha no corpo que também falha. A história prossegue, bem executada até o final, mas faltou o ingrediente básico, o conflito, aquilo com que me identifiquei no início. Boa sorte no desafio.

  25. Fabio Baptista
    7 de abril de 2018

    O texto está bem escrito. Um tipo de escrita que não me agrada muito, mas bem exrcutada. Tirando uma mistura de tempo verbal ali no começo (que causou uma péssima primeira impressão), não vi problemas técnicos.

    Mas a trama simples e, principalmente, o jeito cadenciado de avançar (ou retroceder) nessa trama, não me cativaram. A ideia de contar a história “de frente para trás”, talvez não seja lá o maior dos experimentos, mas foi suficiente para enquadrar o texto no tema.

    Um conto bem executado, mas do qual eu não sou público alvo.

    Abraço!

  26. Fernando Cyrino.
    7 de abril de 2018

    Meu caro (ou minha cara) Curupira, cá estou eu me deliciando com a sua história. Saboreio-a gostosamente. Sabe quando a gente fica com aquela sensação de que gostaria de ter escrito o conto? Seria isto o que se acostumou chamar por aí de inveja? Gostei da condução, gostei da liberdade que usou em relação ao tempo, começando com a nossa heroína já no final do caminho para em seguida vir passeando pelas passagens da sua vida. Gosto, muito das frase curtas. E, melhor ainda, elas estão perfeitas na sua história. Dizer mais o quê? Beleza pura. Receba o meu abraço fraterno de parabéns,

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Publicado em 7 de abril de 2018 por em Experimental.