EntreContos

Detox Literário.

Pelúcias (Anderson Henrique)

O suicídio mata mais jovens que o HIV em todo mundo. Leio a notícia e me entristeço. Há outros dados quando rolo a tela do computador. De acordo com a OMS, 800 mil cometem suicídios todos os anos. Grande parte dos casos ocorre na faixa dos 15 aos 29 anos. Apenas os acidentes de trânsito matam mais. Um suicida a cada 40 segundos no mundo.

Muito anos depois fui lembrar de um passeio de trem que fiz com meu pai. Aguardávamos na plataforma após de ter passado pela catraca, o sol listrando o chão de cimento pelo intervalo entre as grades. Ele sentou no banco e eu fui até a borda da estação. Olhei para baixo e vi os trilhos metálicos, os parafusos tingidos de ferrugem e os papéis de bala. Uma barata saiu de um buraco e passou agitada por cima de uma guimba de cigarro. Meu pai gritou de onde estava, pedindo que eu não ultrapassasse a faixa amarela. Vi a listra já quase apagada sob meus pés. Não parecia um aviso contundente.

O trem surgiu pequenino e insignificante. Depois foi aumentando. Dei um passo atrás, respeitando o aviso de meu pai. Veio o som, o ar dando passagem à serpente apressada. Vi meu corpo sobre os trilhos, as partes se separando, o algodão e o enchimento em uma desordem esbranquiçada. Fechei os olhos e acompanhei o som. A máquina a se aproximava. Senti uma presença, meu pai à minha esquerda. Não consegui me mover.

O brasil é o oitavo país do mundo em suicídios, aponta um relatório da ONU. A Índia é a campeã. Avanço no artigo, mas quase não há novidades. Um ou outro lampejo sobre o assunto surge quando morre uma celebridade. Prêmios póstumos, materiais inéditos, gravações exclusivas. Uma nota chama minha atenção no fim da página: para cada caso fatal há pelo menos outras 20 tentativas fracassadas. Fato novo, pois achei que eu fosse o único. Conto duas tentativas e ainda estou por aqui.

— Talvez você esteja amaldiçoado — ela diz quando chega. Estamos a sós na enfermaria. Mari larga suas coisas no chão e senta na cadeira ao lado da maca.

— Amaldiçoado? — deixo o celular de lado, intrigado com o que ela diz.

— É! O que mais tem é bicho de pelúcia amaldiçoado por aí. Acho que você não consegue morrer, sabe?

— Deixa de besteira, Mari.

Ela se levanta e dá um beijo na minha testa. Sinto cheiro de tinta quando ela se debruça sobre mim. É familiar. É o cheiro de Mari.

— Ainda não foi dessa vez, querido. Não é melhor desistir?

— Você deixaria de pintar suas listras?

— De jeito nenhum.

Era a segunda vez que eu tentava o suicídio, Mari sempre por perto. Lembro quando a vi pela primeira vez. Era desengonçada, mas havia certa graça em seu jeito. Vinha galopando, como se pudesse disfarçar. Fazia um trabalho magnífico com a tinta, pitando uma por uma as listras que cobriam seu corpo. Geralmente aparecia tingida de preto, mas não era incomum que viesse de branco. Às vezes trocava a tinta por maquiagem. Usava um aplique para aumentar a crina, mas não tinha como disfarçar o focinho curto por mais que tentasse emular um cavalo.

— Você precisa parar, benzinho — ela diz enquanto pinta um dos cascos de azul.

— A decisão é definitiva, Mari. Achei que você fosse me apoiar.

Mari estava lá quando saí da primeira cirurgia e também depois, quando apareci na casa dos meus pais sem o bico de pato que me assombrava por anos. Tá um gato, ela disse ao me ver dias depois sem a proteção que ajudava a cicatrizar os pontos. Gato, Mari? É, tá meio felino, disse enquanto ria da minha reação. Foi ela quem me socorreu quando meu pai, vendo o que eu havia feito, avisou que eu havia sido banido da família.

Minha mãe aparece no hospital à tarde. Mari a cumprimenta e diz que vai buscar alguma coisa para comer. Ela se senta na cadeira ao lado da cama e me olha com ternura. Pergunta se estou bem e depois afaga minha cabeça. Seus dedos tocam de leve a ferida em volta do meu pescoço. Você precisa entender seu pai, ela diz. Ele já está velho, é um cabeça-dura, não entende nada dessas modernidades. Não argumento com minha mãe. Eu entendo o velho. É estúpido e antiquado, mas eu entendo. Como ele, há milhões.

Fiquei por um tempo no apartamento de Mari após ser expulso de casa. Foi quando surgiu a ideia de tirar a cauda. Sentia-me desengonçado com ela, atrapalhava até para caminhar. Era útil na água, mas não ajudava fora dela. Uma clínica clandestina fez a remoção. Uma semana para cicatrizar, Mari ao meu lado. Amiga e companheira. Talvez nos apaixonássemos se a anatomia não fosse um obstáculo. Talvez fosse a paixão que me fizesse mudar de ideia, mas não aconteceu.

Voltávamos tarde de um bar. Era a primeira vez que caminhava pelas ruas depois da cirurgia na cauda. Caminhava sem aquele apêndice que me pregava ao chão. Mari estava comigo, testemunha de minha felicidade. Um grupo de toupeiras vinha no sentido contrário. Uma delas cochichou algo com outras duas enquanto olhavam em nossa direção. Depois riram. Em qualquer outra circunstância eu atravessaria a rua e seguiria meu caminho pela calçada livre, mas naquele dia achei que não era preciso. Para algumas situações basta dar as costas uma única vez; para outras, é preciso repetir e repetir, e eu estava cansado daquela repetição. Abracei Mari e seguimos adiante. Achei que fossem passar direto, mas viram algo — sempre veem algo — e estancaram na nossa frente. Falaram sobre a maquiagem que Mari usava sobre as listras. Quando tentei defendê-la, viram a cicatriz em meu rosto, o lugar onde deveria haver um bico de pato. Viram também os cortes que eu fazia nas membranas entre os dedos e depois não precisaram ver mais nada. Não nos mataram porque uma ambulância, confundida com uma viatura de polícia, surgiu na avenida.

Ajudei Mari a se levantar. Estava mais preocupada em refazer a maquiagem do que com as pancadas que havia recebido. Eu também sentia dores por todo o corpo, mas tentei parecer forte. Voltamos para casa e choramos no escuro até dormir. No dia seguinte decidi que não queria mais viver.

A primeira tentativa foi com os remédios. Contei para Mari o plano antes da execução e ela tentou me dissuadir da ideia. Disse que compreendia, que sentia vontade também, mas que eu deixasse de pensar naquilo. Acha que é fácil ser égua nesse corpo de zebra? Ela baixou os olhos e bebericou da taça de vinho. Só me falta a coragem, Quinzinho. Quando chegou à noite, encontrou meu corpo sobre o carpete. A garrafa estava aberta na mesa e a caixa de remédios no chão, ao meu lado. Correu ao telefone e chamou a emergência. Dizem que foi por sorte que sobrevivi.

Confessei a Mari que tentaria novamente. Precisei explicar mais de uma vez meus motivos. Depois da conversa, ela resolveu que me apoiaria. A segunda tentativa foi com o varal de roupas. Subi no tanque, amarrei a corda em volta do pescoço e saltei. As buchas velhas e as roldanas não suportaram meu peso. O aparelho cedeu e eu bati com a cabeça. Passei quase um dia inteiro desacordado.

Foi no hospital que lembrei do passeio de trem. Um comerciante passou vendendo doces dentro do comboio. Meu pai fez um sinal para o homem ao ver meu agito diante das promessas açucaradas. Sacou a carteira e ordenou que eu escolhesse. Ele pagou e depois ficou em silêncio. Não era um homem de muitas palavras, a cara sempre fechada, os sentimentos fechados em um lugar de difícil acesso. Descendo da estação, caminhamos até o mercado popular. Na volta, senti a mesma tentação de me jogar sobre os trilhos. Mal sabia que seria uma solução para anos depois.

Oitocentos mil cometem suicídios todos os anos. Um número redondo, exato. Seria preciso muito mais gente para mudar a estatística. Oitocentos mil e um comentem suicídio todos os anos. Não é algo que caiba em uma manchete de jornal. Quantos seriam ornitorrincos?

Quando me jogo sobre o trilho, a poucos metros do trem em movimento, o mundo parece o mesmo: um suicida a cada 40 segundos.

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42 comentários em “Pelúcias (Anderson Henrique)

  1. M. A. Thompson
    28 de abril de 2018

    Olá autor(a).

    Coincidentemente essa semana pelo menos umas três entrevistas que assisti foi sobre o tema suicídio. Ao contrário de incomodar-me eu gosto do gótico, do mórbido, dessa relação tênue entre vida e morte e tudo o mais o que existe antes e depois. Esse foi um dos poucos contos que a narrativa me agradou a ponto de relevar a ausência da ousadia experimental e uma pequena confusão entre as personagens.

    Boa sorte no desafio!

  2. Amanda Dumani
    27 de abril de 2018

    Suicídio, preconceito, intolerância… Nossa, que conto forte! A sua abordagem me impressionou. Usar pelúcias no lugar de pessoas abriu a discussão para qualquer tipo de sentimento de inadequação que alguém pode sentir. E como é ridículo que a pessoa seja menosprezada simplesmente por mudar algo que ela/ele não reconhece como seu. Confesso que o final me incomodou muito por motivos pessoais. É meio chato falar isso, mas lembre que palavras são gatilhos poderosos para pessoas que estão vulneráveis.

  3. Matheus Pacheco
    27 de abril de 2018

    Primeiramente eu devo me desculpar pela pressa que este comentário está sendo escrito, correndo riscos de má interpretação dos contos ou erros gramaticais..
    Olha, eu vou dizer que eu não curti muito, não por ter achado o tema meio batido, mas sim por não se encaixar no experimento, tudo bem fazer um conto sobre suicidio com o protagonista se mata no final não é extremamente um experimento ….
    Mas foi um bom texto

  4. RenataRothstein
    27 de abril de 2018

    Assunto grave bem explorado através de um experimento ao mesmo tempo pesado e sutil, de forma que a reflexão é despertada, fica aquele aviso de que é preciso olhar para os lados- e ver, prestar atenção.
    Achei que talvez os motivos para os altos índices de suicídio pudesse ser mais trabalhado, só sugestão minha, mesmo.
    Boa sorte, parabéns pelo trabalho!

  5. Gustavo Aquino Dos Reis
    27 de abril de 2018

    Pelúcias

    Poxa, que trabalho bem executado. Traz temas de extrema importância e constrói um enredo que é um soco no nosso estômago. Acho que literatura é exatamente isso que você, autor(a), fez. Chocar, Nos impactar e nos fazer se colocar no lugar do outro.

    Parabéns.

  6. Rubem Cabral
    27 de abril de 2018

    Olá, Teddy.

    Seu conto lembrou-me um pouco o livro “Mastigando Humanos”, do Santiago Nazarian.

    Gostei da mistura pesada, de um mundo de bichos de pelúcia, dos personagens “trans” (de alguma forma eles são) e do bullying e tentativas de suicídio. Isso tudo foi bem criativo. Só achei que a história tinha fôlego para mais desenvolvimento, que você se fixou por demais na questão da inadequação e na compulsão suicida, algum outro conflito ou alívio cômico poderia dar mais diversidade à mistura.

    Abraços e boa sorte no desafio.

  7. Daniel Reis
    26 de abril de 2018

    Ah, o ornitorrinco! Que personagem interessante! E a zebra Mari! Uma fábula (na acepção de Esopo), a história trata de temas seríssimos, com autoaceitação, o sentir-se deslocado, a intolerância, a questão do suicídio. A um passo, porém sem resvalar no panfletário. O experimental concentrou-se no absurdo, e cumpriu o necessário no desafio. Parabéns, autor!

  8. André Lima
    26 de abril de 2018

    Uma ideia excelente, uma narrativa que tem uma crescente incrível! Adorei a forma de escrita do autor.

    Temos um tema que é um mar de possibilidades dentro do experimentalismo e aqui temos uma escolha muito interessante. Em certos momentos me lembrei de “Ted”, dos criadores de Family Guy, o que emprestou ao conto um climão de humor negro.

    O único defeito do conto é a falta de revisão. São diversos erros, mas nada que apague a técnica de envolver o leitor no texto. Gostei muito, muito mesmo!

    Parabéns e boa sorte no desafio!

  9. Thata Pereira
    26 de abril de 2018

    A escolha de como o tema seria tratado foi fantástica, curiosa e bem diferente do normal. Gostei disso. É possível encontrar aqui diversas críticas através das metáforas presentes no conto. Ao contrário de alguns, eu gostei muito do início, porque eu realmente consegui imaginar todo aquele momento, ouvir o barulho, sentir o vento. Pensei tanto nisso enquanto lia que achei engraçado perceber que alguns não gostaram. Acontece.

    Experimental? Não sei. Depende do autor. Novamente digo que não estou me atentando a isso para votar, porque isso depende de muitos fatores, ligados ao autor que ainda não conhecemos, mas fica aqui a minha dúvida.

    Boa sorte!!

  10. Catarina Cunha
    25 de abril de 2018

    Frase chave: “Para algumas situações basta dar as costas uma única vez; para outras, é preciso repetir e repetir, e eu estava cansado daquela repetição.”

    A narrativa começa lenta, depois melhora. O experimental está na premissa e trama bizarra, com personagens inviáveis; gosto disso. Bichos de pelúcia não morrem, estão amaldiçoados; como o urso Ted do filme.

    O (a) autor (a) não desviou da zona de conforto, o que deixou um espaço aberto que poderia ser preenchido com mais ousadia. Humor elegante, quase sádico.

  11. Amanda Gomez
    25 de abril de 2018

    Olá!

    Texto complexo de leitura densa… um pouco lenta.

    As estatísticas não me agradaram muito, ficou meio aquém… mas entendi a necessidade do personagem se envolver com elas, é igual quando sentimento alguns sintomas e vamos ao Google pesquisar sobre o que é e sentimos um reconforto em saber que não é o único… coisas humanas.

    Entendi que o menino é um transexual, as cirurgias, o afastamento do pai, a surra que levou, trata-se disso. Achei interessante a forma alegórica que isso foi passado, tirando essa forma diferente ´texto é relativamente simples.

    O experimental apesar de bem sutil está presente, não dá pra julgar muito esse mérito, o texto teve baixo impacto pra mim, mas é um bom texto no geral.

    Parabéns, boa sorte no desafio!

  12. Sabrina Dalbelo
    24 de abril de 2018

    Olá,

    Um bom texto. Um estrutura concatenada, uma boa fluidez e a mensagem de que viver é realmente um desafio.
    Até mesmo os bichos de pelúcia têm seus problemas de autoestima, de inclusão social, de frustrações e de depressão.
    Os dados estatísticos acrescentaram realidade ao conto, dando contornos de uma metáfora em relação ao dilema vivido pelo homem, nesse mesmo sentido.
    Boa sorte!

  13. Luís Amorim
    24 de abril de 2018

    O tema do suicídio percorre o conto, um tema forte no qual o início parece uma notícia de jornal. O género conto aparece mais para a frente e numa vertente alegórica os peluches tomam conta do enredo. Pode-se dizer que é pouco experimental mas hoje em dia raramente se utiliza a alegoria para enriquecer um texto, é tudo muito directo, sem grande riqueza literária. E aqui ela existe.

  14. Rsollberg
    23 de abril de 2018

    Fala. Teddy.

    O conto é muito bom porque apesar dos personagens “absurdos” as situações são absolutamente reais. Basta trocarmos as figuras de pelúcia por pessoas que termos um conto dramático, onde o protagonista enfrenta as dificuldades hodiernas de uma sensação excruciante de não pertencimento, ao corpo, a sociedade, ao mundo. Em um exercício de imaginação é como se o autor tivesse que esconder a verdadeira face da obra para passar por algum censor, pessoas não, bichos de pelúcia ok. Sim, porque o distante é sempre socialmente mais aceitável, lá acontece isso, aqui jamais! Quantos não são os jovens descontentes com seu corpo, sua vida, seu papel na sociedade, que resolvem por cessar essa angustia de uma vez por todas?
    Os dados no conto – apesar de em certos momentos surgirem de forma didática, creio que o melhor lugar possível para o surgimento dessa informações seria o diálogo – deixam claro a gravidade do problema; uma pandemia. O poeta urbano já dizia, o mal do século é a solidão.

    O texto em geral está bem escrito, percebi apenas um paralelismo na parte do hospital quando a mãe aparece. A linguagem direta com pequenas reflexões casou bem com o tom relato confessional. Adorei essa parte “Vi a listra já quase apagada sob meus pés. Não parecia um aviso contundente.” pois é, penso nisso direto, é quase como um brinquedo sem advertência de um parque de diversão para suicidas e psicopatas.Custa colocar uma barreira?

    A escolha do ornitorrinco como personagem principal foi um grande acerto,pois ele é uma animal que quebra regras, rebelde por natureza, é um mamífero que coloca ovo, tem penas, bico, é carnivoro, uma sucessão de erros biológicos que me faz acreditar no senso de humor de um criador axial. Se as criaturas fossem cruéis, sem dúvida seria a vítima perfeita de bullyng nas florestas australianas. Não por outra razão, a escolha da outra personagem também foi uma bela sacada. Nela é possível traçarmos um paralelo com a falta de identificação. O que parece ser uma questão banal, ao contrario, torna se um problema de imagem e de identidade, tendo em vista uma sociedade diversificada por raças e etnias. Ou seja, um híbrido,mestiço, perdido pois não é branco, nem negro, nem cavalo, nem jumento. Não tenho qualquer dúvidas que essa criatura tão bombardeada por todos os lados tem o único sonho de ser um cavalo branco. A gangue de toupeiras (outra bela alegoria) demonstra o comportamento violento e abusivo que o “semelhante diferente” sofre no dia-a-dia.

    Vejo nessa obra potencial para fazer parte de cartilhas de estudantes, pois irá gerar inúmeros debates sobre questões de diversidade, comportamento e identidade. Pense nisso, autor!

    Parabéns e volte sempre

  15. Luis Guilherme Banzi Florido
    23 de abril de 2018

    boa tarrrde! td bem?

    que enredo interessante! me pareceu uma grande parábola, uma representação metafórica de como a discriminação e os padrões impostos pela sociedade levam muitos jovens ao suicídio, motivados pela incapacidade de se aceitarem como são.

    a forma como a história foi contada me agradou bastante.. começa bem estranha, mas aos poucos vai se esclarecendo.

    ao mesmo tempo, é um conto bem triste. lida, de forma crua, com a realidade do suicídio, um dos males do século.

    só achei que pecou um pouco no experimentalismo. me parece uma história comum (o que não seria ruim, obviamente, não fosse o tema do desafio). mas bem, é só minha opinião.

    enfim, um bom conto, que aborda um tema forte e pesado por meio de uma interessante alegoria. parabens e boa sorte!

  16. Evandro Furtado
    23 de abril de 2018

    Esse conto é sem dúvida, bastante interessante. Ele começa confuso, com a gente questionando WTF? Então as coisas vão se explicando, pouco a pouco, e revelando uma puta alegoria criada pelo autor. Talvez pudesse ter arriscado mais no experimentalismo, sem dúvida, mas o tema apresentando, na forma como foi, apontando para a sensação de não pertencimento a um mundo intolerante, sem dúvidas, merece um parabéns.

  17. jowilton
    22 de abril de 2018

    Um bom conto. Assossiei a estória aos casos de pessoas que não se identificam com o corpo que nasceram, com o sexo que nasceram. A questão de gênero e asexualidade e como isto pode perturbar a quem se vê excluído do mundo dito normal, levando ao suicídio. Está bem escrito. Boa sorte no desafio.

  18. Andre Brizola
    21 de abril de 2018

    Salve, Teddy!

    Eu achei o conto interessante, pois nos coloca frente a perspectiva suicida do que entendi ser um bicho de pelúcia. Traça um paralelo com a realidade fria do suicídio com as menções às estatísticas, e não falha em mostrar o perigo real do fato (o suicida pode estar próximo e ninguém desconfiar, até que…).
    O conto está bem ajustado, tem uma estrutura que favorece o entendimento fácil, mas devo dizer que não notei traços de experimentalismo, tema do desafio. Extrapolando muito pode-se encontrar algo que justifique a participação como texto experimental (se encaramos o bicho de pelúcia como um ser real e não como metáfora; mas é isso?). Mas é pouco.
    O conto é bom. Mas não achei que é experimental.

    É isso! Boa sorte no desafio!

  19. Ana Carolina Machado
    21 de abril de 2018

    Oiii. Muito bom. Achei interessante o animal escolhido ser o ornitorrinco, pois ele é uma animal que é como se fosse a junção de vários, com o bico de pato e o rabo de castor, sendo mamífero e botando ovos, é como se ele fosse uma metáfora de como vários sentimentos tão diferentes entre si podem levar a pessoa a fazer o que o personagem fez, é uma reflexão muito importante. O fato de os personagens serem pelúcias também achei muito interessante, ainda mais interessante os animais terem sentimentos como os seres humanos, acho que daria um bom filme. O tema experimental foi bem trabalhado. Parabéns. Abraços.

  20. Priscila Pereira
    21 de abril de 2018

    Oi Teddy,
    Eu fiquei pensando o tempo todo em que bicho seria o protagonista, não havia pensado em ornitorrinco… Pelo nome é pela parte onde ele imaginava o enchimento se espalhando pelos trilhos eu já saquei que os personagens eram bichos de pelúcia. É uma realidade triste mesmo a quantidade de pessoas com insatisfeitas consigo mesmas. Não conseguem aceitar quem são. Seu texto mostra muito bem isso.
    Está precisando de uma boa revisão.
    Boa sorte!!

  21. Jorge Santos
    21 de abril de 2018

    Olá, Teddy. Este seu texto forçou-me a uma reflexão sobre suicídio, um grave problema, tratado aqui de uma forma estranha, que se vai revelando gradualmente numa narrativa com alguns problemas ao nível gramatical. Ficou-me a ideia de que este problema foi tratado com superficialidade. A sua relativização é sempre perigosa e fez-me lembrar de casos que ouvi que experimentaram atirar-se de varandas porque pensavam ser super-herois com o dom de voar.

  22. angst447
    21 de abril de 2018

    Interessante o jogo de contrastes apresentado neste conto: um mundo fofo de bichinhos de pelúcia e a realidade dura do suicídio.
    Os marginalizados também existem no mundo das pelúcias e tentam se adequar aos padrões de fofice esperada.
    O começo da narrativa trava um pouco, com o peso dos dados estatísticos de morte, o “climão” deprimente dos trilhos e a ideia de suicídio.
    Talvez o autor tenha pretendido fazer uma crítica à exposição de uma realidade falsa nas redes sociais, onde tudo parece ser fofo, macio e colorido como os bichinhos de pelúcia, mas que por trás desses seres aparentemente felizes, há muita dor, rejeição e instintos suicidas. Só estou viajando aqui… ;(
    Bom, acho que valeu como experiência, mas seria interessante modificar um pouco o ritmo do começo do conto para poder atrair a atenção mais de imediato.
    Boa sorte!

  23. Higor Benízio
    20 de abril de 2018

    Particularmente não gosto de alegorias, muito menos dessa coisa de transformar insatisfações com a vida em fetiche. Não vi nada de experimental também, o conto não arrisca nada, nada mesmo. É claro que o autor (a) demonstra alguma competência narrando, deste ponto de vista o texto é ok. Recomendo ao autor(a) que busque fugir destes moldes cansativos, que soam como uma choradeira sem fim. Um bom conto, que trata das insatisfações cotidianas de um jeito maduro e louvável é “Amor”, de Clarice Lispector (link para ler online: http://www.releituras.com/clispector_amor.asp) , fica a dica de leitura.

  24. iolandinhapinheiro
    19 de abril de 2018

    Olá, autor!

    Achei muito fofo o seu conto. Fiquei imaginando um mundo povoado por bichinhos de pelúcia e suas crises existenciais e gostei do que vi. Acho que o experimentalismo foi a utilização das pelúcias com sentimentos humanos mas com problemas de pelúcias.

    O suicídio parece algo pouco possível para quem pode ter o corpo completamente despedaçado e depois se curar com simples costuras. Talvez ele tivesse êxiito se escolhesse o fogo, né?

    Também gostei do relacionamento dele com a zebra que se pintava para escapar do usual preto e branco, pareceu um pouco provocativo, sair do seu natural, achei que a zebra pintada e o ornitorrinco operado representaram um pouco as pessoas trans e homo da vida. Não foi à toa que vc escolheu toupeiras (um símbolo de ignorância) para espancá-los. Caiu como uma luva.

    A única ressalva que faço é que não entendi bem a cronologia dos fatos. O evento do suicídio no trem foi antes ou depois dos outros suicídios?

    Muito bom conto, amigo!

    Parabéns e sorte no desafio.

    • iolandinhapinheiro
      19 de abril de 2018

      Das outras tentativas, rs

  25. Bianca Machado
    18 de abril de 2018

    Olá, autor/autora. Não me sinto em condições de fazer comentários muito técnicos
    dessa vez. Então tentei passar as minhas impressões de leitura, da forma como senti assim que a terminei. Desde já, parabenizo por ter participado!

    Então, vamos ao que interessa!
    ————————————————
    .

    O comecinho achei meio sem graça, mas tudo foi melhorando, ainda bem. Talvez a parte “informativa” fosse desnecessária, podendo ser toda eliminada e o conto ganhasse mais começando a partir do segundo parágrafo. O conto tem em grande parte um clima terno. E que personagens mais fofos! A relação entre os amigos foi escrita de forma bem gostosa de ler. O autor/autora tornou essas personagens bem próximas do leitor, eu pelo menos me senti como se estivesse lendo algo ocorrido com amigos queridos. Acho que no final poderia ter “ousado” um pouco mais. Ou ter colocado um tantinho
    mais de carga dramática, uma catarse, algo do tipo, mas está muito bom. Parabéns!

  26. Fabio Baptista
    16 de abril de 2018

    Achei o início do conto fraco: muito enciclopédico, com praticamente todos os erros de revisão concentrados ali, em poucos parágrafos, o que me fez ter a sensação de que estava diante de uma bomba.

    Felizmente, a coisa melhorou muito no decorrer, com tudo parecendo se encaixar de forma mais natural justamente quando o fantástico (nosso protagonista era um bicho de pelúcia) foi revelado. A amizade com Mari ficou bem legal e o clima todo da história me trouxe o mesmo bom sentimento da leitura do (magnífico) conto “Pop Art”.

    A forma não traz nada de diferente, mas acredito que seja um dos poucos casos no desafio em que a adequação se deu pela trama, absurda e tristemente real com personagens irreais, funcionando como grandes metáforas.

    Gostei bastante!

    Abraço.

  27. Paula Giannini
    14 de abril de 2018

    Olá autor(a),

    Tudo bem?

    Quem são as Zebras e os Ornitorrincos de nosso mundo? Os excluídos? Os diferentes? Os que se sentem excluídos e diferentes? Os que não se ajustam de alguma forma ao contexto social vigente. Todos nós. Todos nos sentimos de algum modo desajustados. E, se não, algo há aí de errado.

    O texto nos traz uma espécie de alegoria de pelúcia de nosso mundo. Jovens que sofrem bullying, pessoas que não se adequam ao mundo, ao próprio corpo, à própria sexualidade, à não aceitação do mundo diante do direito de escolha de cada um de nós.

    É interessante notar o estranhamento causado ao se trazer um tema tão pesado como o suicídio, abordado pelo ponto de vista de personagens tão leves e que nos remetem ao imaginário infantil. Assim, o texto consegue, de algum modo, lançar uma lente de aumento ao desconforto sentido pelos personagens. Aqui, o distanciamento funciona como um tipo de aproximação do bizarro de um modo muito eficaz.

    O texto me remeteu à triste cena do I.A., quando o Ursinho costura a si mesmo para guardar a mecha de cabelo da mamãe. A sensação, para mim, foi a mesma. Um conto rico e imagético, oportuno e atual. Gostei muito.

    Parabéns por seu conto.

    Sucesso no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini

  28. Regina Ruth Rincon Caires
    12 de abril de 2018

    Viver é perigoso. Aqui está um conto que grita as dores de um potencial suicida. A vida é simples, extremamente simples, mas o homem é complexo, inexplicavelmente complexo. Nem tão inexplicável. Basta tentar conhecer o incrível enrosco de “fios” que formam o nosso cérebro. Tomando por base as inúmeras estatísticas do conto, é dito que o cérebro é o “computador central” de nosso corpo, que representa apenas 2% da nossa massa corporal, porém consome mais de 20% do nosso oxigênio. Comanda inúmeras atividades sensoriais e neurológicas. Então, visualize postes de energia elétrica que a gente encontra nos bairros mais miseráveis. Aquela gambiarra de “gatos”…

    Somos piores que isso. No circuito todo, estão os transtornos mentais e emocionais (infinitamente mais comuns do que imaginamos), as tragédias, “bullying”, desamor, desprezo, abandono, separação, discórdia, incompreensão, preconceito, rejeição, decepção, carência, ausência, desamparo, desgosto, alienação, desafeição, enfim, vagões e vagões de sentimentos negativos. É claro que pode haver, na vida, mais beleza que feiura, mas nem todos os viventes a enxergam assim. Infelizmente.

    Portanto, cada leitor entende o texto de acordo com a sua “fiação”. Cada um com o seu grau de assimilação, entende o que consegue entender. O que passa disso pode parecer confuso. O leitor pode mergulhar na narrativa, quase se afogando, ou caminhar sobre as ondas.

    O suicídio horroriza. Pouco sabemos sobre os “bichos” que transitam na mente de um propenso suicida. Fogem do conhecimento da nossa fauna. Vivem no âmago.

    Teddy, adorei o seu conto, adorei a abordagem de uma realidade tão presente.

    Mergulhei, viajei, sofri. Que lindo trabalho!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

  29. Ricardo Gnecco Falco
    12 de abril de 2018

    PONTOS POSITIVOS = A participação neste Desafio. Parabéns ao autor por ter criado um texto, publicado e estar participando aqui com a gente deste Certame!

    PONTOS NEGATIVOS = O não-atendimento (ao meu ver, claro) do presente trabalho ao tema do Desafio. Não consegui identificar um experimentalismo, mesmo que latente, no que tange ao texto apreciado, cuja escrita, vale destacar, é muito boa.

    IMPRESSÕES PESSOAIS = Talvez o autor tenha pensado em experimentar de uma maneira que eu, enquanto leitor/analista, não tenha sido capaz de identificar. Ao final, assimilando o pseudônimo escolhido pelo criador da obra e a pergunta de seu protagonista quanto aos ornitorrincos, fazemos a analogia do algodão nos trilhos (no início) com o que ocorre no final do texto, o que é bem legal. Porém, personagens de pelúcia que são ‘suicidados’ por alguém com distúrbios pode até ter ser um enredo interessante (para alguns), ou até mesmo compreendido como pseudo-metáforas para o que ocorreria no interior do protagonista, desde uma tenra idade; mas não suprem a carência do palpável experimentalismo na obra apresentada, conforme solicitado pelo Desafio e esperado pelos leitores. Contudo, foi um bom texto. Parabéns!

    SUGESTÕES PERTINENTES = Ousar mais no quesito temático deste Certame.

    Boa sorte no Desafio!

  30. Rose Hahn
    10 de abril de 2018

    Caro Autor, alinhada com a proposta do desafio, estou “experimentando” uma forma diferente de tecer os comentários: concisa, objetiva, sem firulas, e seguindo os aspectos de avaliação de acordo com a técnica literária desenvolvida pelo meu conterrâneo, o Analista de Bagé, a técnica do “joelhaço”:

    . Escrita: Animalesca. Considere um elogio;
    . Enredo: Suicídio do bicho de pelúcia e uma zebra garbosa.
    . Adequação ao tema: Por conta da bicharada. De resto, um conto.
    . Emoção: “Os sentimentos fechados em um lugar de difícil acesso.”
    . Criatividade: Estatísticas de suicídios. Angustiante.

    . Nota: Merece mais, pela criatividade e participação, sorry!

  31. Evelyn Postali
    9 de abril de 2018

    “Personagens pelúcios”, como chama o Eric Novello, são criações de Tim Davys, pseudônimo de um escritor que usa de personagens animais em seus livros. Eu também já escrevi um conto tendo como base esse tipo de construção e personagens – Pat Coelha contra o Porco. Vou atrever-me a convidá-lo(a) a ler o conto que está na antologia do Leitor Cabuloso (http://leitorcabuloso.com.br/2017/12/realidades-cabulosas-ano-1/) disponível para leitura gratuita. Então, considero experimental. O tema já é bem batido no sentido de já ter sido abordado várias vezes. Contudo, nunca se esgotam os pontos de vista. É um bom conto. Bem escrito. Certinho. Do começo ao fim.

  32. Mariana
    8 de abril de 2018

    Recentemente presenciei um episódio desses com uma pessoa próxima e, por isso, o meu julgamento sobre o texto foi afetado. As questões de identidade conflitante, do bullying, do quanto há de animalesco em nós bastavam-se. Quanto ao desenvolvimento, há um claro experimentalismo, mas a escrita poderia sim ter deixado a narrativa menos confusa. Enfim, o seu trabalho mexeu comigo e isso é primordial na arte. Parabéns e boa sorte no desafio

  33. Cirineu
    4 de abril de 2018

    Adorei, não obstante não tenha identificado o caráter experimental e pense que o final poderia ser melhor. O estilo narrativo é primoroso, não obstante um ou dois prováveis errinhos gramaticais. O humor inserido no texto com sutileza cirúrgica, as pistas indicativas da natureza dos personagens gradativamente adicionadas… Parabéns!

  34. werneck2017
    3 de abril de 2018

    Olá,

    A narrativa começa como um texto jornalístico, com números e fatos a respeito do suicídio, continua como uma crônica e, finalmente, termina como um conto propriamente dito. Quanto ao contexto, vejo-o como uma alegoria sobre o comportamento do ser humano em sociedade. Somos bonecos, somos marionetes, somos toupeiras, éguas, zebras, patos etc. Estranhos. Nem sempre aceitos, nem sempre acolhidos. E surgem os preconceitos, contra homossexuais, negros, gordos, pobres, deficientes e tantos outros. E sofremos. Uma bela analogia sobre a humanidade e intolerância, até mesmo dos pais.

    Não o vejo muito como experimental. De resto, muito bom!

  35. Paulo Luís Ferreira
    3 de abril de 2018

    Vi mais como uma Crônica? Um artigo de jornal? Menos um conto experimental, muito embora um bom tema a ser discutido, será a temática o experimental, mas seria o suficiente para o experimentalismo? o suicida por ele mesmo? Em seguida vêm as imagens surrealistas corporal das personagens, bicho real, pelúcia, pessoa. O enredo me pareceu confuso, ao mesmo tempo em que queria dizer tantas coisas, nada dizia, embora muito bem descrito, em sua narrativa. Exceção feita a alguns erros frasais, (ou descuido de digitação? A máquina a se aproximava). De qualquer modo, acredito ter alcançado o mote do desafio. Muito boa sorte.

  36. Fheluany Nogueira
    3 de abril de 2018

    O texto mescla reportagem estatística e ficção. A ficção li como uma representação figurativa que transmite outro significado que o da simples adição ao literal: o abstrato está representado de forma concreta, simbolicamente, pelas metáforas, imagens e comparações.
    É uma história simples, que admite várias interpretações, sobre animais, pessoas e brinquedos, mas no fundo se trata de uma reflexão sobre vida-corpo, inclusão social, bullying, suicídio. Não há muita fluidez, o texto pareceu-me confuso em alguns trechos. Boa sorte no desafio. Parabéns pela participação. Abraço.

  37. Antonio Stegues Batista
    3 de abril de 2018

    Teddy faz lembrar do filme Ted, um ursinho de pelúcia que ganha vida. Pois Teddy, você fez um experimentalismo, trocando os humanos por bichos de panos, pelúcia e sei lá mais o quê, para falar sobre suicídio, creio. Bonecos imitando humanos com seus problemas e suas tragédias. O protagonista é um boneco que tenta se suicidar:”Vi meu corpo sobre os trilhos, as partes se separando, o algodão e o enchimento em uma desordem esbranquiçada”. Só que, uma frase mais abaixo muda tudo: “Seria preciso muito mais gente para mudar a estatística.”. De qualquer forma achei seu conto uma fábula experimental, legal. Boa sorte.

  38. Angelo Rodrigues
    3 de abril de 2018

    Oi, Teddy,

    gostei do seu conto.
    Tem um caráter aberto, permitindo muitas interpretações.
    Imaginei-o uma grande metáfora acerca dos desajustes que sofrem os adolescentes (e nem sempre apenas os adolescentes) com o seu próprio corpo.
    Foi assim que vi seu trabalho, uma metáfora acerca do corpo e também de suas possíveis mobilidades (homem-mulher, mulher-homem e homem-bicho e por aí vai).
    No que diz respeito ao experimentalismo, estou aceitando que toda escrita é uma experiência, e isso me basta.

    Na parte em que o conto inicia, há uma série de observações (não sei se pesquisadas ou não, e talvez isso nem importe) que gostaria de comentar.

    Alguns dados estão próximos do correto, outros nem tanto (e não digo que você tenha se equivocado nas estatísticas, mas… é que os dados não estão exatamente onde deveriam estar).
    Alarmam-se acerca do HIV (isso é bom, sem dúvida, sempre é bom que se alarmem com algo que destrói ou mata humanos), mas alarmam-se apenas porque o HIV mata (e agora nem isso) aqueles que não se querem deixar morrer, ou seja, pessoas especiais. Pouco se dá noticias ou importância ao fato de que na África, o HIV mata tão barbaramente, mas é lá, na África, então está tudo certo. O HIV mata, certamente, bem-bem-bem menos que doenças endêmicas pelo mundo, particularmente na África, América do Sul e parte da Ásia, e… silêncio, ou quase.
    Não há maior taxa de mortalidade no mundo do que aquelas decorrentes de crianças que não conseguem chegar aos 5 (CINCO) anos, exatamente porque a essas mortes não se dá lá muita importância. Onde acontecem? Dá pra imaginar.
    Os jovens que morrem entre 15 e 29 anos, morrem certamente muito mais em decorrência da violência nas grandes cidades e não por suicídio, que tem uma taxa efetivamente ridícula diante da violência no trânsito, nas brigas, no tráfico de drogas e por aí vai.
    Há alguns anos, num congresso sobre a África, um milionário (Soros) disse a uma ativista africana que sabia que a África precisava de auxílio, claro, mas que ela, a África, ainda deveria fazer por merecê-lo. Dá pra acreditar que depois de tantos impérios europeus por lá, uma ativista africana ainda tenha que ouvir essa asneira?

    Estou dizendo essas coisas todas, até meio obliquas aqui, porque me dediquei a isso por anos, escrevi livro acerca disso (um livro muito chato que só tem números), mas não poderia perder a oportunidade de disser que, no que diz respeito à mortalidade de humanos (esqueça por enquanto a dos seus bichos), temos construído uma visão bastante esquisita no que diz respeito ao que realmente importa sob o ponto de vista exatamente… humano.

    Boa sorte no desafio.

  39. Ana Maria Monteiro
    3 de abril de 2018

    Olá, Teddy. Apercebi-me bem cedo na leitura de que estava a ler uma alegoria. Ainda assim, os parentescos sobraram um pouco, penso que teria conseguido um melhor resultado final se não recorresse a ligações familiares, talvez usando apenas nomes de outros intervenientes, possivelmente amigos que se manifestariam, ficasse melhor. Tive que fazer alguma ginástica mental (não pertinente) para conseguir enquadrar pai, mãe,operações e visitas ao hospital para um peluche que, por sua vez, não representa um humano mas antes um animal.
    Tirando isso, o conto está bem e experimental. E você “travestiu” em peluches muitos dos socialmente considerados diferentes por conta de se sentirem mal na sua pele, no seu género, no papel que é suposto ser o seu. Nesse contexto, a cena de bullying está muito bem metida, sendo talvez o ponto mais alto da história.
    As reflexões sobre o suicídio (embora limitadas aos “porquês” de algumas minorias), também não passam em branco nem são gratuitas.
    Então, tirando o diminuto incómodo trazido pelas tais relações difíceis de encaixar, gostei bastante e achei pertinente. Trata-se de um conto com substrato, que de forma leve induz a uma reflexão, muito bom, isso.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  40. José Américo de Moura
    3 de abril de 2018

    Bom dia meu caro escritor, cá estou eu lendo o seu conto, são 4 horas da manhã, perdi o sono e veja só, liguei o micro computador e fui ler seu conto. Agora que não durmo mais, que imaginação que tem o ser humano. Eu via todo tipo de bicho, da zebra a um cavalo corredor que frustado pensava em suicídio. Pobre do animal, por mais que tentasse não conseguia alcançar o seu objetivo. Eu gostei de ler, devido ao adiantado ou atrasado da hora, eu viajei na sua narrativa, ela me ajudou a esquecer dos problemas que não estão me deixando dormir.
    Parabéns e boa sorte.

  41. Fernando Cyrino.
    2 de abril de 2018

    Olá, Teddy, cá estou eu com a sua história. Com certeza que o experimentalismo está firme dentro dela. Mas te conto que ela não me encantou. Ao contrário, achei seu conto um tanto quanto confuso. Algo assim como se tivessem sido cortadas dele algumas frases que me melhorassem a compreensão do texto. Um homem esquisito, “um pouco ave, um pouco mamífero e um pouco réptil, junto a uma amiga que queria ser zebra, tão incompreendida e sofredora de bullying, por se verem tão incompreendidos e não aceitos pela bicharada, terminam por desejar a morte. Fazer parte da estatística humana. E aí me veio a confusão, pois que achei que ficou meio solta essa transmutação gente bicho, bicho gente. E piorou mais ainda com a entrada dos bichos de pelúcia (presentes desde o título, por sinal) São os animaizinhos de pelúcia das crianças os suicidas? Mas aí onde fica o pai que expulsa o filho ornitorrinco e o mesmo pai (ou seria outro) que lhe compra doces no trem? Bem, é isto, estou com muito mais dúvidas ainda. Achei tudo bem confuso. Vejamos se os demais têm mais clareza do que você, Teddy, quis me passar. De toda forma, bem pode ser que a incapacidade de entendimento seja somente minha. Meu abraço.

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Publicado às 2 de abril de 2018 por em Experimental e marcado .