EntreContos

Detox Literário.

Pelúcias (Teddy)

O suicídio mata mais jovens que o HIV em todo mundo. Leio a notícia e me entristeço. Há outros dados quando rolo a tela do computador. De acordo com a OMS, 800 mil cometem suicídios todos os anos. Grande parte dos casos ocorre na faixa dos 15 aos 29 anos. Apenas os acidentes de trânsito matam mais. Um suicida a cada 40 segundos no mundo.

Muito anos depois fui lembrar de um passeio de trem que fiz com meu pai. Aguardávamos na plataforma após de ter passado pela catraca, o sol listrando o chão de cimento pelo intervalo entre as grades. Ele sentou no banco e eu fui até a borda da estação. Olhei para baixo e vi os trilhos metálicos, os parafusos tingidos de ferrugem e os papéis de bala. Uma barata saiu de um buraco e passou agitada por cima de uma guimba de cigarro. Meu pai gritou de onde estava, pedindo que eu não ultrapassasse a faixa amarela. Vi a listra já quase apagada sob meus pés. Não parecia um aviso contundente.

O trem surgiu pequenino e insignificante. Depois foi aumentando. Dei um passo atrás, respeitando o aviso de meu pai. Veio o som, o ar dando passagem à serpente apressada. Vi meu corpo sobre os trilhos, as partes se separando, o algodão e o enchimento em uma desordem esbranquiçada. Fechei os olhos e acompanhei o som. A máquina a se aproximava. Senti uma presença, meu pai à minha esquerda. Não consegui me mover.

O brasil é o oitavo país do mundo em suicídios, aponta um relatório da ONU. A Índia é a campeã. Avanço no artigo, mas quase não há novidades. Um ou outro lampejo sobre o assunto surge quando morre uma celebridade. Prêmios póstumos, materiais inéditos, gravações exclusivas. Uma nota chama minha atenção no fim da página: para cada caso fatal há pelo menos outras 20 tentativas fracassadas. Fato novo, pois achei que eu fosse o único. Conto duas tentativas e ainda estou por aqui.

— Talvez você esteja amaldiçoado — ela diz quando chega. Estamos a sós na enfermaria. Mari larga suas coisas no chão e senta na cadeira ao lado da maca.

— Amaldiçoado? — deixo o celular de lado, intrigado com o que ela diz.

— É! O que mais tem é bicho de pelúcia amaldiçoado por aí. Acho que você não consegue morrer, sabe?

— Deixa de besteira, Mari.

Ela se levanta e dá um beijo na minha testa. Sinto cheiro de tinta quando ela se debruça sobre mim. É familiar. É o cheiro de Mari.

— Ainda não foi dessa vez, querido. Não é melhor desistir?

— Você deixaria de pintar suas listras?

— De jeito nenhum.

Era a segunda vez que eu tentava o suicídio, Mari sempre por perto. Lembro quando a vi pela primeira vez. Era desengonçada, mas havia certa graça em seu jeito. Vinha galopando, como se pudesse disfarçar. Fazia um trabalho magnífico com a tinta, pitando uma por uma as listras que cobriam seu corpo. Geralmente aparecia tingida de preto, mas não era incomum que viesse de branco. Às vezes trocava a tinta por maquiagem. Usava um aplique para aumentar a crina, mas não tinha como disfarçar o focinho curto por mais que tentasse emular um cavalo.

— Você precisa parar, benzinho — ela diz enquanto pinta um dos cascos de azul.

— A decisão é definitiva, Mari. Achei que você fosse me apoiar.

Mari estava lá quando saí da primeira cirurgia e também depois, quando apareci na casa dos meus pais sem o bico de pato que me assombrava por anos. Tá um gato, ela disse ao me ver dias depois sem a proteção que ajudava a cicatrizar os pontos. Gato, Mari? É, tá meio felino, disse enquanto ria da minha reação. Foi ela quem me socorreu quando meu pai, vendo o que eu havia feito, avisou que eu havia sido banido da família.

Minha mãe aparece no hospital à tarde. Mari a cumprimenta e diz que vai buscar alguma coisa para comer. Ela se senta na cadeira ao lado da cama e me olha com ternura. Pergunta se estou bem e depois afaga minha cabeça. Seus dedos tocam de leve a ferida em volta do meu pescoço. Você precisa entender seu pai, ela diz. Ele já está velho, é um cabeça-dura, não entende nada dessas modernidades. Não argumento com minha mãe. Eu entendo o velho. É estúpido e antiquado, mas eu entendo. Como ele, há milhões.

Fiquei por um tempo no apartamento de Mari após ser expulso de casa. Foi quando surgiu a ideia de tirar a cauda. Sentia-me desengonçado com ela, atrapalhava até para caminhar. Era útil na água, mas não ajudava fora dela. Uma clínica clandestina fez a remoção. Uma semana para cicatrizar, Mari ao meu lado. Amiga e companheira. Talvez nos apaixonássemos se a anatomia não fosse um obstáculo. Talvez fosse a paixão que me fizesse mudar de ideia, mas não aconteceu.

Voltávamos tarde de um bar. Era a primeira vez que caminhava pelas ruas depois da cirurgia na cauda. Caminhava sem aquele apêndice que me pregava ao chão. Mari estava comigo, testemunha de minha felicidade. Um grupo de toupeiras vinha no sentido contrário. Uma delas cochichou algo com outras duas enquanto olhavam em nossa direção. Depois riram. Em qualquer outra circunstância eu atravessaria a rua e seguiria meu caminho pela calçada livre, mas naquele dia achei que não era preciso. Para algumas situações basta dar as costas uma única vez; para outras, é preciso repetir e repetir, e eu estava cansado daquela repetição. Abracei Mari e seguimos adiante. Achei que fossem passar direto, mas viram algo — sempre veem algo — e estancaram na nossa frente. Falaram sobre a maquiagem que Mari usava sobre as listras. Quando tentei defendê-la, viram a cicatriz em meu rosto, o lugar onde deveria haver um bico de pato. Viram também os cortes que eu fazia nas membranas entre os dedos e depois não precisaram ver mais nada. Não nos mataram porque uma ambulância, confundida com uma viatura de polícia, surgiu na avenida.

Ajudei Mari a se levantar. Estava mais preocupada em refazer a maquiagem do que com as pancadas que havia recebido. Eu também sentia dores por todo o corpo, mas tentei parecer forte. Voltamos para casa e choramos no escuro até dormir. No dia seguinte decidi que não queria mais viver.

A primeira tentativa foi com os remédios. Contei para Mari o plano antes da execução e ela tentou me dissuadir da ideia. Disse que compreendia, que sentia vontade também, mas que eu deixasse de pensar naquilo. Acha que é fácil ser égua nesse corpo de zebra? Ela baixou os olhos e bebericou da taça de vinho. Só me falta a coragem, Quinzinho. Quando chegou à noite, encontrou meu corpo sobre o carpete. A garrafa estava aberta na mesa e a caixa de remédios no chão, ao meu lado. Correu ao telefone e chamou a emergência. Dizem que foi por sorte que sobrevivi.

Confessei a Mari que tentaria novamente. Precisei explicar mais de uma vez meus motivos. Depois da conversa, ela resolveu que me apoiaria. A segunda tentativa foi com o varal de roupas. Subi no tanque, amarrei a corda em volta do pescoço e saltei. As buchas velhas e as roldanas não suportaram meu peso. O aparelho cedeu e eu bati com a cabeça. Passei quase um dia inteiro desacordado.

Foi no hospital que lembrei do passeio de trem. Um comerciante passou vendendo doces dentro do comboio. Meu pai fez um sinal para o homem ao ver meu agito diante das promessas açucaradas. Sacou a carteira e ordenou que eu escolhesse. Ele pagou e depois ficou em silêncio. Não era um homem de muitas palavras, a cara sempre fechada, os sentimentos fechados em um lugar de difícil acesso. Descendo da estação, caminhamos até o mercado popular. Na volta, senti a mesma tentação de me jogar sobre os trilhos. Mal sabia que seria uma solução para anos depois.

Oitocentos mil cometem suicídios todos os anos. Um número redondo, exato. Seria preciso muito mais gente para mudar a estatística. Oitocentos mil e um comentem suicídio todos os anos. Não é algo que caiba em uma manchete de jornal. Quantos seriam ornitorrincos?

Quando me jogo sobre o trilho, a poucos metros do trem em movimento, o mundo parece o mesmo: um suicida a cada 40 segundos.

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26 comentários em “Pelúcias (Teddy)

  1. jowilton
    22 de abril de 2018

    Um bom conto. Assossiei a estória aos casos de pessoas que não se identificam com o corpo que nasceram, com o sexo que nasceram. A questão de gênero e asexualidade e como isto pode perturbar a quem se vê excluído do mundo dito normal, levando ao suicídio. Está bem escrito. Boa sorte no desafio.

  2. Andre Brizola
    21 de abril de 2018

    Salve, Teddy!

    Eu achei o conto interessante, pois nos coloca frente a perspectiva suicida do que entendi ser um bicho de pelúcia. Traça um paralelo com a realidade fria do suicídio com as menções às estatísticas, e não falha em mostrar o perigo real do fato (o suicida pode estar próximo e ninguém desconfiar, até que…).
    O conto está bem ajustado, tem uma estrutura que favorece o entendimento fácil, mas devo dizer que não notei traços de experimentalismo, tema do desafio. Extrapolando muito pode-se encontrar algo que justifique a participação como texto experimental (se encaramos o bicho de pelúcia como um ser real e não como metáfora; mas é isso?). Mas é pouco.
    O conto é bom. Mas não achei que é experimental.

    É isso! Boa sorte no desafio!

  3. Ana Carolina Machado
    21 de abril de 2018

    Oiii. Muito bom. Achei interessante o animal escolhido ser o ornitorrinco, pois ele é uma animal que é como se fosse a junção de vários, com o bico de pato e o rabo de castor, sendo mamífero e botando ovos, é como se ele fosse uma metáfora de como vários sentimentos tão diferentes entre si podem levar a pessoa a fazer o que o personagem fez, é uma reflexão muito importante. O fato de os personagens serem pelúcias também achei muito interessante, ainda mais interessante os animais terem sentimentos como os seres humanos, acho que daria um bom filme. O tema experimental foi bem trabalhado. Parabéns. Abraços.

  4. Priscila Pereira
    21 de abril de 2018

    Oi Teddy,
    Eu fiquei pensando o tempo todo em que bicho seria o protagonista, não havia pensado em ornitorrinco… Pelo nome é pela parte onde ele imaginava o enchimento se espalhando pelos trilhos eu já saquei que os personagens eram bichos de pelúcia. É uma realidade triste mesmo a quantidade de pessoas com insatisfeitas consigo mesmas. Não conseguem aceitar quem são. Seu texto mostra muito bem isso.
    Está precisando de uma boa revisão.
    Boa sorte!!

  5. Jorge Santos
    21 de abril de 2018

    Olá, Teddy. Este seu texto forçou-me a uma reflexão sobre suicídio, um grave problema, tratado aqui de uma forma estranha, que se vai revelando gradualmente numa narrativa com alguns problemas ao nível gramatical. Ficou-me a ideia de que este problema foi tratado com superficialidade. A sua relativização é sempre perigosa e fez-me lembrar de casos que ouvi que experimentaram atirar-se de varandas porque pensavam ser super-herois com o dom de voar.

  6. angst447
    21 de abril de 2018

    Interessante o jogo de contrastes apresentado neste conto: um mundo fofo de bichinhos de pelúcia e a realidade dura do suicídio.
    Os marginalizados também existem no mundo das pelúcias e tentam se adequar aos padrões de fofice esperada.
    O começo da narrativa trava um pouco, com o peso dos dados estatísticos de morte, o “climão” deprimente dos trilhos e a ideia de suicídio.
    Talvez o autor tenha pretendido fazer uma crítica à exposição de uma realidade falsa nas redes sociais, onde tudo parece ser fofo, macio e colorido como os bichinhos de pelúcia, mas que por trás desses seres aparentemente felizes, há muita dor, rejeição e instintos suicidas. Só estou viajando aqui… ;(
    Bom, acho que valeu como experiência, mas seria interessante modificar um pouco o ritmo do começo do conto para poder atrair a atenção mais de imediato.
    Boa sorte!

  7. Higor Benízio
    20 de abril de 2018

    Particularmente não gosto de alegorias, muito menos dessa coisa de transformar insatisfações com a vida em fetiche. Não vi nada de experimental também, o conto não arrisca nada, nada mesmo. É claro que o autor (a) demonstra alguma competência narrando, deste ponto de vista o texto é ok. Recomendo ao autor(a) que busque fugir destes moldes cansativos, que soam como uma choradeira sem fim. Um bom conto, que trata das insatisfações cotidianas de um jeito maduro e louvável é “Amor”, de Clarice Lispector (link para ler online: http://www.releituras.com/clispector_amor.asp) , fica a dica de leitura.

  8. iolandinhapinheiro
    19 de abril de 2018

    Olá, autor!

    Achei muito fofo o seu conto. Fiquei imaginando um mundo povoado por bichinhos de pelúcia e suas crises existenciais e gostei do que vi. Acho que o experimentalismo foi a utilização das pelúcias com sentimentos humanos mas com problemas de pelúcias.

    O suicídio parece algo pouco possível para quem pode ter o corpo completamente despedaçado e depois se curar com simples costuras. Talvez ele tivesse êxiito se escolhesse o fogo, né?

    Também gostei do relacionamento dele com a zebra que se pintava para escapar do usual preto e branco, pareceu um pouco provocativo, sair do seu natural, achei que a zebra pintada e o ornitorrinco operado representaram um pouco as pessoas trans e homo da vida. Não foi à toa que vc escolheu toupeiras (um símbolo de ignorância) para espancá-los. Caiu como uma luva.

    A única ressalva que faço é que não entendi bem a cronologia dos fatos. O evento do suicídio no trem foi antes ou depois dos outros suicídios?

    Muito bom conto, amigo!

    Parabéns e sorte no desafio.

    • iolandinhapinheiro
      19 de abril de 2018

      Das outras tentativas, rs

  9. Bianca Machado
    18 de abril de 2018

    Olá, autor/autora. Não me sinto em condições de fazer comentários muito técnicos
    dessa vez. Então tentei passar as minhas impressões de leitura, da forma como senti assim que a terminei. Desde já, parabenizo por ter participado!

    Então, vamos ao que interessa!
    ————————————————
    .

    O comecinho achei meio sem graça, mas tudo foi melhorando, ainda bem. Talvez a parte “informativa” fosse desnecessária, podendo ser toda eliminada e o conto ganhasse mais começando a partir do segundo parágrafo. O conto tem em grande parte um clima terno. E que personagens mais fofos! A relação entre os amigos foi escrita de forma bem gostosa de ler. O autor/autora tornou essas personagens bem próximas do leitor, eu pelo menos me senti como se estivesse lendo algo ocorrido com amigos queridos. Acho que no final poderia ter “ousado” um pouco mais. Ou ter colocado um tantinho
    mais de carga dramática, uma catarse, algo do tipo, mas está muito bom. Parabéns!

  10. Fabio Baptista
    16 de abril de 2018

    Achei o início do conto fraco: muito enciclopédico, com praticamente todos os erros de revisão concentrados ali, em poucos parágrafos, o que me fez ter a sensação de que estava diante de uma bomba.

    Felizmente, a coisa melhorou muito no decorrer, com tudo parecendo se encaixar de forma mais natural justamente quando o fantástico (nosso protagonista era um bicho de pelúcia) foi revelado. A amizade com Mari ficou bem legal e o clima todo da história me trouxe o mesmo bom sentimento da leitura do (magnífico) conto “Pop Art”.

    A forma não traz nada de diferente, mas acredito que seja um dos poucos casos no desafio em que a adequação se deu pela trama, absurda e tristemente real com personagens irreais, funcionando como grandes metáforas.

    Gostei bastante!

    Abraço.

  11. Paula Giannini
    14 de abril de 2018

    Olá autor(a),

    Tudo bem?

    Quem são as Zebras e os Ornitorrincos de nosso mundo? Os excluídos? Os diferentes? Os que se sentem excluídos e diferentes? Os que não se ajustam de alguma forma ao contexto social vigente. Todos nós. Todos nos sentimos de algum modo desajustados. E, se não, algo há aí de errado.

    O texto nos traz uma espécie de alegoria de pelúcia de nosso mundo. Jovens que sofrem bullying, pessoas que não se adequam ao mundo, ao próprio corpo, à própria sexualidade, à não aceitação do mundo diante do direito de escolha de cada um de nós.

    É interessante notar o estranhamento causado ao se trazer um tema tão pesado como o suicídio, abordado pelo ponto de vista de personagens tão leves e que nos remetem ao imaginário infantil. Assim, o texto consegue, de algum modo, lançar uma lente de aumento ao desconforto sentido pelos personagens. Aqui, o distanciamento funciona como um tipo de aproximação do bizarro de um modo muito eficaz.

    O texto me remeteu à triste cena do I.A., quando o Ursinho costura a si mesmo para guardar a mecha de cabelo da mamãe. A sensação, para mim, foi a mesma. Um conto rico e imagético, oportuno e atual. Gostei muito.

    Parabéns por seu conto.

    Sucesso no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini

  12. Regina Ruth Rincon Caires
    12 de abril de 2018

    Viver é perigoso. Aqui está um conto que grita as dores de um potencial suicida. A vida é simples, extremamente simples, mas o homem é complexo, inexplicavelmente complexo. Nem tão inexplicável. Basta tentar conhecer o incrível enrosco de “fios” que formam o nosso cérebro. Tomando por base as inúmeras estatísticas do conto, é dito que o cérebro é o “computador central” de nosso corpo, que representa apenas 2% da nossa massa corporal, porém consome mais de 20% do nosso oxigênio. Comanda inúmeras atividades sensoriais e neurológicas. Então, visualize postes de energia elétrica que a gente encontra nos bairros mais miseráveis. Aquela gambiarra de “gatos”…

    Somos piores que isso. No circuito todo, estão os transtornos mentais e emocionais (infinitamente mais comuns do que imaginamos), as tragédias, “bullying”, desamor, desprezo, abandono, separação, discórdia, incompreensão, preconceito, rejeição, decepção, carência, ausência, desamparo, desgosto, alienação, desafeição, enfim, vagões e vagões de sentimentos negativos. É claro que pode haver, na vida, mais beleza que feiura, mas nem todos os viventes a enxergam assim. Infelizmente.

    Portanto, cada leitor entende o texto de acordo com a sua “fiação”. Cada um com o seu grau de assimilação, entende o que consegue entender. O que passa disso pode parecer confuso. O leitor pode mergulhar na narrativa, quase se afogando, ou caminhar sobre as ondas.

    O suicídio horroriza. Pouco sabemos sobre os “bichos” que transitam na mente de um propenso suicida. Fogem do conhecimento da nossa fauna. Vivem no âmago.

    Teddy, adorei o seu conto, adorei a abordagem de uma realidade tão presente.

    Mergulhei, viajei, sofri. Que lindo trabalho!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

  13. Ricardo Gnecco Falco
    12 de abril de 2018

    PONTOS POSITIVOS = A participação neste Desafio. Parabéns ao autor por ter criado um texto, publicado e estar participando aqui com a gente deste Certame!

    PONTOS NEGATIVOS = O não-atendimento (ao meu ver, claro) do presente trabalho ao tema do Desafio. Não consegui identificar um experimentalismo, mesmo que latente, no que tange ao texto apreciado, cuja escrita, vale destacar, é muito boa.

    IMPRESSÕES PESSOAIS = Talvez o autor tenha pensado em experimentar de uma maneira que eu, enquanto leitor/analista, não tenha sido capaz de identificar. Ao final, assimilando o pseudônimo escolhido pelo criador da obra e a pergunta de seu protagonista quanto aos ornitorrincos, fazemos a analogia do algodão nos trilhos (no início) com o que ocorre no final do texto, o que é bem legal. Porém, personagens de pelúcia que são ‘suicidados’ por alguém com distúrbios pode até ter ser um enredo interessante (para alguns), ou até mesmo compreendido como pseudo-metáforas para o que ocorreria no interior do protagonista, desde uma tenra idade; mas não suprem a carência do palpável experimentalismo na obra apresentada, conforme solicitado pelo Desafio e esperado pelos leitores. Contudo, foi um bom texto. Parabéns!

    SUGESTÕES PERTINENTES = Ousar mais no quesito temático deste Certame.

    Boa sorte no Desafio!

  14. Rose Hahn
    10 de abril de 2018

    Caro Autor, alinhada com a proposta do desafio, estou “experimentando” uma forma diferente de tecer os comentários: concisa, objetiva, sem firulas, e seguindo os aspectos de avaliação de acordo com a técnica literária desenvolvida pelo meu conterrâneo, o Analista de Bagé, a técnica do “joelhaço”:

    . Escrita: Animalesca. Considere um elogio;
    . Enredo: Suicídio do bicho de pelúcia e uma zebra garbosa.
    . Adequação ao tema: Por conta da bicharada. De resto, um conto.
    . Emoção: “Os sentimentos fechados em um lugar de difícil acesso.”
    . Criatividade: Estatísticas de suicídios. Angustiante.

    . Nota: Merece mais, pela criatividade e participação, sorry!

  15. Evelyn Postali
    9 de abril de 2018

    “Personagens pelúcios”, como chama o Eric Novello, são criações de Tim Davys, pseudônimo de um escritor que usa de personagens animais em seus livros. Eu também já escrevi um conto tendo como base esse tipo de construção e personagens – Pat Coelha contra o Porco. Vou atrever-me a convidá-lo(a) a ler o conto que está na antologia do Leitor Cabuloso (http://leitorcabuloso.com.br/2017/12/realidades-cabulosas-ano-1/) disponível para leitura gratuita. Então, considero experimental. O tema já é bem batido no sentido de já ter sido abordado várias vezes. Contudo, nunca se esgotam os pontos de vista. É um bom conto. Bem escrito. Certinho. Do começo ao fim.

  16. Mariana
    8 de abril de 2018

    Recentemente presenciei um episódio desses com uma pessoa próxima e, por isso, o meu julgamento sobre o texto foi afetado. As questões de identidade conflitante, do bullying, do quanto há de animalesco em nós bastavam-se. Quanto ao desenvolvimento, há um claro experimentalismo, mas a escrita poderia sim ter deixado a narrativa menos confusa. Enfim, o seu trabalho mexeu comigo e isso é primordial na arte. Parabéns e boa sorte no desafio

  17. Cirineu
    4 de abril de 2018

    Adorei, não obstante não tenha identificado o caráter experimental e pense que o final poderia ser melhor. O estilo narrativo é primoroso, não obstante um ou dois prováveis errinhos gramaticais. O humor inserido no texto com sutileza cirúrgica, as pistas indicativas da natureza dos personagens gradativamente adicionadas… Parabéns!

  18. werneck2017
    3 de abril de 2018

    Olá,

    A narrativa começa como um texto jornalístico, com números e fatos a respeito do suicídio, continua como uma crônica e, finalmente, termina como um conto propriamente dito. Quanto ao contexto, vejo-o como uma alegoria sobre o comportamento do ser humano em sociedade. Somos bonecos, somos marionetes, somos toupeiras, éguas, zebras, patos etc. Estranhos. Nem sempre aceitos, nem sempre acolhidos. E surgem os preconceitos, contra homossexuais, negros, gordos, pobres, deficientes e tantos outros. E sofremos. Uma bela analogia sobre a humanidade e intolerância, até mesmo dos pais.

    Não o vejo muito como experimental. De resto, muito bom!

  19. Paulo Luís Ferreira
    3 de abril de 2018

    Vi mais como uma Crônica? Um artigo de jornal? Menos um conto experimental, muito embora um bom tema a ser discutido, será a temática o experimental, mas seria o suficiente para o experimentalismo? o suicida por ele mesmo? Em seguida vêm as imagens surrealistas corporal das personagens, bicho real, pelúcia, pessoa. O enredo me pareceu confuso, ao mesmo tempo em que queria dizer tantas coisas, nada dizia, embora muito bem descrito, em sua narrativa. Exceção feita a alguns erros frasais, (ou descuido de digitação? A máquina a se aproximava). De qualquer modo, acredito ter alcançado o mote do desafio. Muito boa sorte.

  20. Fheluany Nogueira
    3 de abril de 2018

    O texto mescla reportagem estatística e ficção. A ficção li como uma representação figurativa que transmite outro significado que o da simples adição ao literal: o abstrato está representado de forma concreta, simbolicamente, pelas metáforas, imagens e comparações.
    É uma história simples, que admite várias interpretações, sobre animais, pessoas e brinquedos, mas no fundo se trata de uma reflexão sobre vida-corpo, inclusão social, bullying, suicídio. Não há muita fluidez, o texto pareceu-me confuso em alguns trechos. Boa sorte no desafio. Parabéns pela participação. Abraço.

  21. Antonio Stegues Batista
    3 de abril de 2018

    Teddy faz lembrar do filme Ted, um ursinho de pelúcia que ganha vida. Pois Teddy, você fez um experimentalismo, trocando os humanos por bichos de panos, pelúcia e sei lá mais o quê, para falar sobre suicídio, creio. Bonecos imitando humanos com seus problemas e suas tragédias. O protagonista é um boneco que tenta se suicidar:”Vi meu corpo sobre os trilhos, as partes se separando, o algodão e o enchimento em uma desordem esbranquiçada”. Só que, uma frase mais abaixo muda tudo: “Seria preciso muito mais gente para mudar a estatística.”. De qualquer forma achei seu conto uma fábula experimental, legal. Boa sorte.

  22. Angelo Rodrigues
    3 de abril de 2018

    Oi, Teddy,

    gostei do seu conto.
    Tem um caráter aberto, permitindo muitas interpretações.
    Imaginei-o uma grande metáfora acerca dos desajustes que sofrem os adolescentes (e nem sempre apenas os adolescentes) com o seu próprio corpo.
    Foi assim que vi seu trabalho, uma metáfora acerca do corpo e também de suas possíveis mobilidades (homem-mulher, mulher-homem e homem-bicho e por aí vai).
    No que diz respeito ao experimentalismo, estou aceitando que toda escrita é uma experiência, e isso me basta.

    Na parte em que o conto inicia, há uma série de observações (não sei se pesquisadas ou não, e talvez isso nem importe) que gostaria de comentar.

    Alguns dados estão próximos do correto, outros nem tanto (e não digo que você tenha se equivocado nas estatísticas, mas… é que os dados não estão exatamente onde deveriam estar).
    Alarmam-se acerca do HIV (isso é bom, sem dúvida, sempre é bom que se alarmem com algo que destrói ou mata humanos), mas alarmam-se apenas porque o HIV mata (e agora nem isso) aqueles que não se querem deixar morrer, ou seja, pessoas especiais. Pouco se dá noticias ou importância ao fato de que na África, o HIV mata tão barbaramente, mas é lá, na África, então está tudo certo. O HIV mata, certamente, bem-bem-bem menos que doenças endêmicas pelo mundo, particularmente na África, América do Sul e parte da Ásia, e… silêncio, ou quase.
    Não há maior taxa de mortalidade no mundo do que aquelas decorrentes de crianças que não conseguem chegar aos 5 (CINCO) anos, exatamente porque a essas mortes não se dá lá muita importância. Onde acontecem? Dá pra imaginar.
    Os jovens que morrem entre 15 e 29 anos, morrem certamente muito mais em decorrência da violência nas grandes cidades e não por suicídio, que tem uma taxa efetivamente ridícula diante da violência no trânsito, nas brigas, no tráfico de drogas e por aí vai.
    Há alguns anos, num congresso sobre a África, um milionário (Soros) disse a uma ativista africana que sabia que a África precisava de auxílio, claro, mas que ela, a África, ainda deveria fazer por merecê-lo. Dá pra acreditar que depois de tantos impérios europeus por lá, uma ativista africana ainda tenha que ouvir essa asneira?

    Estou dizendo essas coisas todas, até meio obliquas aqui, porque me dediquei a isso por anos, escrevi livro acerca disso (um livro muito chato que só tem números), mas não poderia perder a oportunidade de disser que, no que diz respeito à mortalidade de humanos (esqueça por enquanto a dos seus bichos), temos construído uma visão bastante esquisita no que diz respeito ao que realmente importa sob o ponto de vista exatamente… humano.

    Boa sorte no desafio.

  23. Ana Maria Monteiro
    3 de abril de 2018

    Olá, Teddy. Apercebi-me bem cedo na leitura de que estava a ler uma alegoria. Ainda assim, os parentescos sobraram um pouco, penso que teria conseguido um melhor resultado final se não recorresse a ligações familiares, talvez usando apenas nomes de outros intervenientes, possivelmente amigos que se manifestariam, ficasse melhor. Tive que fazer alguma ginástica mental (não pertinente) para conseguir enquadrar pai, mãe,operações e visitas ao hospital para um peluche que, por sua vez, não representa um humano mas antes um animal.
    Tirando isso, o conto está bem e experimental. E você “travestiu” em peluches muitos dos socialmente considerados diferentes por conta de se sentirem mal na sua pele, no seu género, no papel que é suposto ser o seu. Nesse contexto, a cena de bullying está muito bem metida, sendo talvez o ponto mais alto da história.
    As reflexões sobre o suicídio (embora limitadas aos “porquês” de algumas minorias), também não passam em branco nem são gratuitas.
    Então, tirando o diminuto incómodo trazido pelas tais relações difíceis de encaixar, gostei bastante e achei pertinente. Trata-se de um conto com substrato, que de forma leve induz a uma reflexão, muito bom, isso.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  24. José Américo de Moura
    3 de abril de 2018

    Bom dia meu caro escritor, cá estou eu lendo o seu conto, são 4 horas da manhã, perdi o sono e veja só, liguei o micro computador e fui ler seu conto. Agora que não durmo mais, que imaginação que tem o ser humano. Eu via todo tipo de bicho, da zebra a um cavalo corredor que frustado pensava em suicídio. Pobre do animal, por mais que tentasse não conseguia alcançar o seu objetivo. Eu gostei de ler, devido ao adiantado ou atrasado da hora, eu viajei na sua narrativa, ela me ajudou a esquecer dos problemas que não estão me deixando dormir.
    Parabéns e boa sorte.

  25. Fernando Cyrino.
    2 de abril de 2018

    Olá, Teddy, cá estou eu com a sua história. Com certeza que o experimentalismo está firme dentro dela. Mas te conto que ela não me encantou. Ao contrário, achei seu conto um tanto quanto confuso. Algo assim como se tivessem sido cortadas dele algumas frases que me melhorassem a compreensão do texto. Um homem esquisito, “um pouco ave, um pouco mamífero e um pouco réptil, junto a uma amiga que queria ser zebra, tão incompreendida e sofredora de bullying, por se verem tão incompreendidos e não aceitos pela bicharada, terminam por desejar a morte. Fazer parte da estatística humana. E aí me veio a confusão, pois que achei que ficou meio solta essa transmutação gente bicho, bicho gente. E piorou mais ainda com a entrada dos bichos de pelúcia (presentes desde o título, por sinal) São os animaizinhos de pelúcia das crianças os suicidas? Mas aí onde fica o pai que expulsa o filho ornitorrinco e o mesmo pai (ou seria outro) que lhe compra doces no trem? Bem, é isto, estou com muito mais dúvidas ainda. Achei tudo bem confuso. Vejamos se os demais têm mais clareza do que você, Teddy, quis me passar. De toda forma, bem pode ser que a incapacidade de entendimento seja somente minha. Meu abraço.

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Publicado em 2 de abril de 2018 por em Experimental.