EntreContos

Detox Literário.

Os Desafortunados (Evelyn Postali)

A galeria estava cheia, mas ela reparou no homem, no momento em que ele entrou, batendo as mãos no sobretudo de lã na tentativa de tirar a água e impressão de ter buscado abrigo casual, fugindo do aguaceiro que caía na cidade.

Observou-o à distância, trocando olhares disfarçados, numa dança sensual discreta, entre uma fotografia e outra, entre uma peça e outra da exposição.

¹

A sedução foi interrompida com a entrada dos artistas e seu espetáculo, mesclando música, poesia e Bukowski pulsando na voz dos performáticos. Ah… Bukowski e sua peculiar visão do mundo e dos desafortunados.

“Why do you haggle your beauty?” I asked. “Why don’t you just live with
it?”

“Because people think it’s all I have. Beauty is nothing, beauty won’t stay. You don’t know how lucky you are to be ugly, because if people like you you know it’s for something else.”

“O.k.,” I said, “I’m lucky.”

 “I don’t mean you’re ugly. People just think you’re ugly. You have a fascinating
face.” 
“Thanks.” 
We had another drink. 

“What are you doing?” she asked. 

“Nothing. I can’t get on to anything. No interest.”

 “Me neither. If you were a woman you could hustle.” 

“I don’t think I could ever make contact with that many strangers, it’s
wearing.” 
“You’re right, it’s wearing, everything is wearing.”  ²

 

Ela aceitou o vinho que o garçom ofereceu. Tomou um gole generoso. Puxou o ar e tomou outro, para ganhar a sensação de ter asas nos pés. Vinho tinto, sangue pulsante por afeto, qualquer resto de ilusão, ou envolvimento. O respirar dos amantes, o ombro dos solitários.

“Dientes de flores, cofia de rocío, 
manos de hierbas, tú, nodriza fina, 
tenme prestas las sábanas terrosas 
y el edredón de musgos escardados.

Voy a dormir, nodriza mía, acuéstame. 
Ponme una lámpara a la cabecera; 
una constelación; la que te guste; 
todas son buenas; bájala un poquito.

Déjame sola: oyes romper los brotes… 
te acuna un pie celeste desde arriba 
y un pájaro te traza unos compases

para que olvides… Gracias. Ah, un encargo: 
si él llama nuevamente por teléfono 
le dices que no insista, que he salido…” ³

A poesia recitada em sua mente diante da fotografia de Alfonsina Storni veio acompanhada da música de Mercedes Sosa. Ela imaginou-se deitada no mar, sendo levada pelas ondas. E lá estava o estranho, bem à sua frente. Precisava fazer as pazes com o destino, dar um basta na frieza de sua boca. Procurou pelo garçom e levou uma segunda taça.

 

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— Essas fotografias antigas, essas pinturas, pequenos objetos…  — Ela estendeu a bebida. Ele aceitou a oferta e segurou a taça. — São lindos. — Os olhos fixos nos dele, lançando um convite. Castanhos de tons diferentes se encontrando, enfim, diante de uma fotografia.

— A sociedade é doente — ele acusou. — Uma exposição sobre suicídio faz nosso olhar mergulhar no vazio da existência. Não deveria causar excitação, êxtase, fruição plena. Sexo é o que causa isso. Correr a mais de 120 por hora… Mas isso… É uma reverência à morte premeditada — apontou para o papel emoldurado mais adiante.

Masurao ga
Tabasamu tachi no
sayanari ni
Ikutose taete
Kyo no hatsushimo

— Leu Mishima?

— Spring snow, Runaway horses… — ela citou de imediato.

— Mishima era controverso, mas um romancista excepcional. Esse poema… Sabia que um dos elementos do seppuku é a composição de um poema jisei ou de morte? — E ele completou: — Os japoneses são dramáticos.

— Intensos, eu diria. Determinados. — Ela sussurrou bem próxima: —Não há muito ardor no Ocidente. Somos pessoas superficiais, vazias, mergulhados em nosso umbigo. A menos que sejamos artistas, poetas, escritores…

— Sou médico neurologista.

Ela soltou um riso discreto e bebericou o vinho.

— Você deve ser uma exceção — pontuou, querendo desculpar-se. — Sabia da exposição ou… — Ela percebeu o riso contido. — Como chegou até aqui?

— Estava chovendo muito. Quis fugir do mau tempo. — Ele aproximou-se um pouco mais. — Estou perdoado?

— Veio sozinho, então?

Ele confirmou com um balançar de cabeça e bebeu o vinho sem pressa, como se o tempo lhe pertencesse, e ela conteve o ímpeto de mordiscar os lábios finos, de tom rosé clássico.

— O destino é algo perturbador. Talvez a ordem cósmica conduza mesmo a ordem natural em determinados momentos. Ou talvez seja o tema da exposição que esteja atraindo os desafortunados. — Apontou para a foto. — O que pode ter colocado o jovem Robert Wiles, estudante de fotografia no lugar e na hora exata da morte de Evelyn McHale? O que o fez estar em frente ao Empire States segundos antes da queda?

— Intuição? — ela perguntou mesmo cética com relação à questão. — Pressentimento?

Deixaram o burburinho preencher o silêncio que cresceu e aproximaram-se de outra fotografia. Ela sentiu o cheiro amadeirado do perfume arrematar suas últimas barreiras.

— Ao menos Wiles não foi considerado um aproveitador… — Ele acrescentou. — Andy Warhol poderia ter sido considerado um. Apropriou-se da imagem, sem dar referências. Mesmo se a imagem fosse de domínio público, as citações ainda existem.

— Não é mais a mesma imagem. A fotografia original perdeu a essência. Warhol destruía as ligações com o original através da cópia repetida. Não se pode considerar apropriação indevida pelo processo de construção artístico. Além do mais, todo o artista é contraventor, controverso. Está à frente de seu tempo.

— A sociedade condena o que não conhece.

— Agora você não tem mais desculpas — ela o advertiu.

 

— De qualquer maneira, a morta está aí, desfigurada, exposta.

— Eternizada.

— Sob esse ponto de vista…

— Sou positiva.

— Entendo seu ponto.

— Sendo médico, não deveria ser positivo também?

— Sou realista, eu diria.

Pararam diante de um manuscrito original.

 

“(…)Vem para mim, amor… Ai não desprezes
A minha adoração de escrava louca!
Só te peço que deixes exalar
Meu último suspiro na tua boca!…” ¹⁰

 

Ela largou o vinho sobre a pequena mesa. Ele fez o mesmo.

— Deveríamos construir nossas teses.

— Deveríamos — ela concordou.

— Sobre o propósito dos deuses, os desafortunados e a crueldade da morte…

— A crueldade da vida…

A chuva havia dado uma trégua.

——————————————

Notas e links:

1 Bilhete suicida de Kurt Corbain Fonte: http://images6.fanpop.com/image/photos/37200000/Kurt-s-suicide-note-kurt-cobain-37277511-960-1280.jpg

2 Bukowski, Charles – The most beautiful woman in town  and other stories, 1983

https://www.youtube.com/watch?v=K4TUoOwyspY

Texto:  https://hellopoetry.com/poem/9444/the-most-beautiful-woman-in-town/

3 Storni, Alfonsina – Voy a dormir, outubro de 1938. Escrito dias antes de seu suicídio, em um solitário hotel de Mar del Plata. Seu corpo é resgatado do mar no dia 25 de outubro de 1938.

4 Sosa, Mercedes – Alfonsina y el mar , 1969 https://www.youtube.com/watch?v=cNMhgC1yg_U

5 Desenho feito no programa word. Artista desconhecido.

6 The sheaths of swords rattle
As after years of endurance
Brave men set out
To tread upon the first frost of the year.

Tradução livre:

As bainhas das espadas chocalham

Como depois de anos de resistência

Homens corajosos partem

Para pisar na primeira geada do ano.

https://grahamnunn.wordpress.com/tag/mishimas-death-poem/

7  Artigo: https://keithyorkcity.wordpress.com/2012/10/24/evelyn-mchale-a-beautiful-death-on-33rd-street/

8 Nota do New York Times, 1947.  https://keithyorkcity.wordpress.com/2012/10/24/evelyn-mchale-a-beautiful-death-on-33rd-street/

9 Andy Warhol – Suicide Fallen Body, 1962. http://janeander.tumblr.com/post/62750474578/andy-warhol-suicide-fallen-body-1962-warhol

10  Espanca, Florbela – Súplica, 383838  https://palavrastodaspalavras.wordpress.com/2008/07/26/suplica-poema-de-florbela-espanca/

11 Imagem da capa: Retrato de Thomas Chatterton, óleo sobre tela de Henry Wallis, 1856 https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Henry_Wallis_-_The_Death_of_Chatterton_-_Google_Art_Project.jpg

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50 comentários em “Os Desafortunados (Evelyn Postali)

  1. M. A. Thompson
    27 de abril de 2018

    Olá autor(a).
    Esse texto tinha tudo para não me agradar, mas agradou. Você foi bastante competente em reunir diferentes elementos para narrar o encontro do casal.

    Experimental sem dúvidas. Mas a narrativa, apesar de boa, ficou com gosto de quero mais, como se faltasse um desfecho.

    Boa sorte no desafio.

  2. Bianca Machado
    27 de abril de 2018

    Olá, autor/autora. Não me sinto em condições de fazer comentários muito técnicos dessa vez. Então tentei passar as minhas impressões de leitura, da forma como senti assim que a terminei. Desde já, parabenizo por ter participado!

    Então, vamos ao que interessa!
    ————————————————

    Uma leitura realmente experimental. Achei criativa a junção de tantas obras juntas e como você as organizou, digamos, de forma harmoniosa, pois eu mesma certamente não conseguiria esse efeito, por esse motivo dou os parabéns, mas apesar disso, confesso que não me empolgou tanto quanto eu gostaria. A parte do diálogo foi para mim a mais interessante, por isso acredito que poderia ter dado mais desenvolvimento a ela, ou é apenas minha vontade de que ela fosse um pouco maior, rs. Com certeza está dentro da proposta do desafio, é com certeza um
    ótimo trabalho.

  3. Amanda Gomez
    27 de abril de 2018

    Olá!

    Embora esteja respondendo apenas agora e, um pouquinho corrida.. já havia lido seu texto bem antes, mais de uma vez pra ser sincera.

    Eu gostei bastante da construção do texto, do que foi pensando, elaborado e enfim posto em prática, não sei dizer se o plano de fundo do seu conto é homem e a mulher se conhecendo casualmente e demonstrando uma intimidade e compatibilidade surpreendente, ou toda filosofia, todo o pensar sobre o tema da exposição que eles participam..acho que vai da perspectiva de cada um mesmo.

    Esses dois encontros, dois suportes do seu texto se casaram muito bem.. foi muito interessante acompanhar ao mesmo tempo as intenções por trás da conversa dos dois em meio a algo sombrio…mórbido até, mas muito humano que é a questão desses suicídios, dessas despedidas, desses momentos parados no tempo.

    Achei o conto de muito bom gosto.

    Parabéns e boa sorte no desafio!

  4. Amanda Dumani
    27 de abril de 2018

    O enredo é simples e o conto em si curto, mas é extremamente criativo e eficiente. Me agradou muito a forma que você utilizou as referências para construir o cenário de uma maneira significativa e não apenas como algo que o leitor pudesse se identificar e relacionar facilmente. Eu amo referências e ainda assim não foi isso que mais gostei no texto. Excelente!

  5. Cirineu Pereira
    27 de abril de 2018

    Bom, mas poderia ser melhor. Os links, as imagens, os anexos poderiam fazer parte da exposição e não tão somente dos diálogos. O enredo em si é inconclusivo, a trama me pareceu fraca (uma mulher tentando seduzir um homem indiferente aos sinais dela), os diálogos se reduzem às demonstrações de conhecimento típicas desse tipo de ambiente e, tal qual o cenário, remete ao cinema com toda sua artificialidade. É um conto, é experimental, mas para ser realmente bom precisaria atingir o leitor, transportá-lo, incitá-lo, desconfortá-lo, enfim, tocar quem o lê e comigo ao menos este propósito não foi satisfatoriamente atingido.

  6. Sabrina Dalbelo
    27 de abril de 2018

    Olá!
    Isso sim…
    O texto faz prova de que é possível sim fazer alusão à sedução e a conteúdo sexual sem ser absolutamente nada vulgar. O desejo, a fome e a sede de sexo estão no texto – acompanhadas dos diálogos metafóricos, de arte, de imagens – e tudo está em plena sintonia.
    A história é boa, o final é muito redondo, a linguagem é de alto nível.
    Parabéns.

  7. Daniel Reis
    26 de abril de 2018

    Sem dúvida, uma experimentação com colagens, remetendo a muito do que o próprio Warhol fazia. Um autor erudito, e que ousou não só na forma, mas no conteúdo do diálogo. Apenas um ponto – as citações finais me atrapalharam um pouco – gosto de ler as notas, e o vaivém me incomodou um pouco. Desejo sucesso no Desafio!

  8. Priscila Pereira
    25 de abril de 2018

    Olá Bendito,
    Seu conto é de enredo simples, mas muito bem escrito e interessante. As colagens deram a impressão de estarmos seguindo os protagonistas pela galeria, o que é ótimo.
    Esse passeio é uma ferramenta para a imersão do leitor no texto, um recurso visual muito bem empregado.
    Parabéns e boa sorte!!

  9. Gustavo Aquino Dos Reis
    24 de abril de 2018

    Que primoroso esse conto.

    Amei os detalhes, cada construção, a colagem da imagens.

    O enredo, embora muito bem tecido, não me empolgou tanto; porém, a escrita me chamou muito a atenção.

    Parabéns, autor(a).

    Os links no final – e sei, sim, que foram acrescidos para orientar o leitor – não me causaram uma boa impressão. Não sei, gosto mais das coisas herméticas.

  10. Ana Carolina Machado
    23 de abril de 2018

    Oiii. Achei muito interessante a forma como imagens e textos conversaram ao longo de toda a narrativa. E perto do fim também faz uma reflexão sobre arte, no momento em que fala da foto da menina que morreu e virou pop art, pois para um é uma forma de a expor e já o outro é uma forma de a eternizar. Parabéns. Abraços.

  11. Andre Brizola
    21 de abril de 2018

    Salve, Benedito!

    Gostei do conto. Um dos mais interessantes até o momento. Toda a conversa ao redor da exposição ficou muito bem montada em poucos caracteres, e isso é um mérito muito grande. Sobretudo porque o diálogo é cortado, a todo momento, pelas inserções das imagens, que deveriam interromper a linha de raciocínio. Mas não, isso apenas cria pausas, como as que seriam criadas se estivéssemos exatamente na mesma situação, dialogando ao mesmo tempo que paramos para analisar uma obra na parede. O efeito foi muito criativo.
    O experimentalismo do texto não é dos maiores, entretanto. Mas acredito que é o suficiente pra se adequar ao tema. E, pra mim é o suficiente.

    É isso! Boa sorte no desafio!

  12. Jorge Santos
    21 de abril de 2018

    Este foi um dos contos mais bem construídos e interessantes que encontrei neste desafio. Explora uma vertente mórbida da nossa natureza, que é a de ver interesse no sofrimento e desgraça dos outros. Se isso não acontecesse, se nos limitássemos a respeitar o sofrimento alheio, muito do poder dos media desvanecer-se-ia num instante. Mas é exactamente o contrário que se passa, e eu por mim falo, que li e reli o bilhete de suicídio de Cobain. É forçosamente rico um conto que nos leva a reflexões como esta, um conto feito com sabedoria por alguém com uma bagagem cultural invejável.

  13. Rose Hahn
    20 de abril de 2018

    Caro Autor, alinhada com a proposta do desafio, estou “experimentando” uma forma diferente de tecer os comentários: concisa, objetiva, sem firulas, e seguindo os aspectos de avaliação de acordo com a técnica literária do “joelhaço” desenvolvida pelo meu conterrâneo, o Analista de Bagé:

    . Escrita: De gente grande;
    . Enredo: De filme francês, elegante;
    . Adequação ao tema: Colagens, música, suicídio, com um bom vinho tinto, puro requinte;
    . Emoção: A exposição da desistência de viver.
    . Criatividade: Altíssima.

    . Nota: Não estás entre os Desafortunados do desafio.

  14. José Américo de Moura
    16 de abril de 2018

    Muito boa essa composição de linguagem que se encaixam levando o leitor a navegar na maionese.

    Parabéns e sorte no desafio

  15. Renata Afonso
    15 de abril de 2018

    Oi, Bendito!
    Já começo dando os parabéns pelo conto – experimental em cada linha, cada imagem, cada nota, tudo totalmente adequado e muito bem explorado.
    O título, contraste com o pseudônimo, já instiga o leitor, e daí a história dos protagonistas e suas citações ligadas ao tema suicídio, e a razão de ser dos personagens, e do conto, que não para no Desafio, vai além.
    Muito bom mesmo!
    Parabéns e boa sorte!

  16. Luís Amorim
    14 de abril de 2018

    Um belo conjunto de imagens, versos, desenhos numa exposição de arte onde duas pessoas desconhecidas até então se encontram. Vários idiomas e mais algarismos. Apesar da ousadia do texto proposto acaba por ser um trabalho muito baseado em colagens.

    • Bendito
      14 de abril de 2018

      Mas o desafio não era para ser experimental? Acredito que você não tenha entendido o propósito da coisa. E não deve ter lido com atenção. Tem uma história, ali, nas entrelinhas.

  17. rsollberg
    13 de abril de 2018

    Fala,. Bendito.

    Bem experimental! O autor consegue transportar o leitor para essa exposição sobre a efemeridade da vida, sobre o ponto final voluntário, sobre o suicídio. A colagem conseguiu criar uma sinestesia ótima, onde até o clima chuvoso do lado de fora conseguiu agir em beneficio da narrativa.

    Usar o Buko funciona quase como uma trapaça, na minha opinião, rs “a mulher mais bonita da cidade” é o melhor conto do mestre, possivelmente um dos melhores começos de toda a história. O diálogo usado nesse texto é um primor, pois ao mesmo tempo que ele é “simples” e direto, traz consigo uma carga dramática imensa, uma reflexão profunda e um pouco de filosofia de boteco..Aproveito para ressaltar que o diálogo do conto acompanha essa premissa, faz uso dessa ferramenta de forma sublime. Não é “enche linguiça”, há um aproveitamento claro das vozes, onde conseguimos quase que de imediato formar um pouco da persona dos personagens. O derradeiro momento, traduz tudo isso, pois carrega melancolia, certo nilismo e, um fatalismo na última frase, que serve perfeitamente ao tema central:;

    — Deveríamos construir nossas teses.

    — Deveríamos — ela concordou.

    — Sobre o propósito dos deuses, os desafortunados e a crueldade da morte…

    — A crueldade da vida…

    O caráter enigmático dos protagonistas também funciona muito bem, pois abre lacunas para o leitor; Pessoas desiludidas? Em busca de um alguém que compreenda sua visão de mundo? Estava realmente fugindo da chuiva? O acaso é assim tão perfeito?

    As reflexões sobre Warhol são muito oportunas. Bem como todas as referências usadas; Mercedes Soza é outra afronta, vez que é impossível ficar indiferente ao tamanho talento.
    Vou me permitir fazer uma observação, sem qualquer prejuizo ou crítica ao conto como está, mas acho que em respeito ao “suicídio” cabia um Kant em algum lugar. Digo isso porque tenho apreço especial pela temática, tento inclusive terminar um livro chamado “Perpectivas de um suicida sem coragem” e esse cara me ajudou bastante.

    Por fim, creio que até aqui foi o conto que mais experimentou com sucesso unindo forma e conteúdo.
    Parabéns e volte sempre!!

  18. Pedro Paulo
    12 de abril de 2018

    Olá, Bendito! Trouxe para o desafio uma bela combinação de imagens, poesias e enredo, convidando o leitor para acompanhar os dois personagens na exposição de arte. Os diálogos são acertados, construindo expectativa, e as artes vão orientando a conversa, ao mesmo tempo em que dão um senso de moção. Uma das participantes comentou utilizando a palavra mais correta para o conto: sensorial. A sensação que eu tive foi a de estar assistindo a um filme, cada arte que brotava servindo como uma câmera que acompanhava a andança dos potenciais amantes. Como é um texto que subsiste de outras artes, as fontes se apresentaram adequadas.

    Boa sorte!

  19. Anderson Henrique
    11 de abril de 2018

    Excelente! Tudo bem encaixado: imagem, texto, música, temática. Um dos melhores até aqui. Listar o que há de qualidade no texto seria repetir algo que o autor já sabe. Bem encadeado, planejado e executado. Coisa de quem sabe o que tá fazendo. Parabéns.

  20. Thata Pereira
    11 de abril de 2018

    Esse conto me lembrou muito um que escrevi para o tema música. As histórias têm foco diferente, mas meu conto também tinha algumas ‘interrupções”. Na época, o pessoal comentou dizendo que as interrupções, que era a letra da música, atrapalhavam a leitura do conto. Eu como autora, discordava, claro rs’ Acho que só agora isso ficou esclarecido para mim.

    Isso não é ruim, estamos em um desafio experimental. Assim como alguns gostaram no meu conto, muitos devem gostar dessa construção imagética. O fato de estarem em uma galeria e as imagens e textos expostos virem surgindo conforme os diálogos me agradou muito. Achei bonito. Apenas precisei ler o conto uma vez, pulando as imagens e não lendo os textos selecionados.

    E por falar em diálogos, foram, para mim, o ponto principal. Pena a distração causada pelos recortes, pois realmente ali houve um envolvimento entre a leitura e eu.

    Boa sorte!!

  21. iolandinhapinheiro
    10 de abril de 2018

    Olá, Bendito!

    O melhor do seu conto foi dar ao leitor fontes sensoriais para compor sua história- Carta, letra de música, foto, poesia, o desenho feito com números e caracteres, etc Gostei bastante de vc ter colocado as referências embaixo do texto, assim podemos ter acesso às suas fontes e complementar o que sabemos através destas informações. Esta leitora agradece.

    O texto em si, uma conversa entre duas pessoas refinadas numa galeria com obras sobre suicídio, é elegante, descritivo e estimulado pelas ilustrações, porém, mesmo muito bem “equipado” tem um enredo despretensioso ainda que muito bem escrito e livre de erros. Acho que foi a intenção do autor deixar o conto como a “fotografia” de um encontro apenas como o pano de fundo para o que deveria brilhar, a interação do leitor com os recursos colocados no texto.

    Foi experimental, foi criativo, obteve êxito.

    Parabéns e abraços.

  22. Catarina Cunha
    10 de abril de 2018

    Frase chave: “Precisava fazer as pazes com o destino, dar um basta na frieza de sua boca.”
    Tenho grande amor por artes plásticas, principalmente a que subverte o lugar comum e cria condições para a desconstrução e apropriação. Este conto se mostrou revelador ao conectar, com maestria, a tensão da arte com os pequenos suicídios interiores de cada um. É um experimento totalmente controlado, não uma “porralouquice” vomitada de forma aleatória. Cada imagem e cada palavra tem seu motivo de existir. Primoroso.

  23. Luis Guilherme Banzi Florido
    8 de abril de 2018

    Boa noite! Td bem por ai? Por aqui tbm!

    Gostei! Sabe o que seu conto me lembrou? Aqueles filmes em q duas p3ssoas comecam a se seduzir numa exposiçao de arte, se aproximam e comecam a ter un papo cabeca em que uma tenta demonstrar mais intelectualidade que a outra! Tem varios filmes assim.

    Nao digo, com isso, que seu conto nao seja original, so que foi a imagem que se formou enquanto lia.

    Gostei bastante do experimentalismo do conto. A estrutura me agradou bastante, apesar de nao contar con um enr3do profundo.

    É um encontro fortuito entre homem e mulher que, interessados um pelo outro, e influencjados pelo clima sombrio da exposicao, iniciam um papo filosofico sobre vida e morte. Me agrqdou muito, e a leitura fluiu facil e rapida.

    Muito bom! Parabens!

  24. werneck2017
    5 de abril de 2018

    Olá,

    Esse texto tem muitas camadas e elas vão te envolvendo à medida que a leitura avança. Quase se pode sentir a sedução entre os dois personagens. Um dia chuvoso, um encontro casual, um desejo de sexo e de morte, tudo bem despretensioso. Isso sem falar na colagem. As ilustrações se incorporam à prosa com maestria. Tudo parece bem casual, o diálogo, a sedução, a exposição, mas não é. Muito bom.

  25. S Ferrari
    2 de abril de 2018

    Gostei. O experimento é uma colagem boa? É. Sua curadoria foi boa. Quase hipster. Bom, bom. Colagens são uma febre. No tumblr tem bastante artistas dedicados a isso. E agora, colagens costuradas por um fio de história. Um cenário interessantíssimo. Acho que vc devia fazer mais. Para analisar os resultados. Sei que é isso que farei com o meu conto. Parabéns. (Ah, fico imaginando sem as notas de rodapé. Ficaria para poucos, né? Melhor como está) P.S. Kurt Cobain sucks hehehehe

  26. Ana Maria Monteiro
    31 de março de 2018

    Olá, Bendito. O seu conto é uma viagem sensorial e intelectual. A trama, densa, parece superficial. Gostei muito disso, geralmente é o oposto, leio imensos textos (um pouco por todo o lado) carregados de pretensão e sem qualquer sumo.
    Aqui passa o contrário e você, além de usar toda a parte gráfica para melhor contextualizar a ambientação e o conteúdo, também dá os devidos créditos, permitindo ao leitor posicionar-se de forma mais adequada nos casos em que não está familiarizado (e em alguns eu não estava).
    Óptimos diálogos, excelente ritmo, uma sensualidade que vai exalando sem se manifestar explicitamente, tudo no sítio certo.
    Depois ainda há essa associação que geralmente evitamos olhar entre “o cheiro da morte” que “atiça o instinto sexual”. Fez bem não explorar muito o assunto, há leitores “sensíveis” que poderiam apontar o dedo. Mas eu entendo que essa reacção, muito mais comum do que se pensa, não é mais que o instinto de sobrevivência perante a morte manifestando a necessidade de procriar, de afirmar a vida. Nada demais.
    E os outros casuais… são os melhores. As coisas mais determinantes da nossa vida acontecem quando menos esperamos, sem hora marcada e muita vezes (infelizmente) não nos damos conta de que estão a suceder e escapam-se-nos como areia por entre os dedos.
    Quanto ao tema, está adequadíssimo. Em suma, um excelente trabalho.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  27. angst447
    28 de março de 2018

    Gostei de ler o seu experimento, muito bem ilustrado, por sinal. Um enredo simples que se encaixa perfeitamente ao tema, com personagens críveis e sem grandes reviravoltas. Fiquei com esta impressão mesmo: palavras e imagens encaixam-se de forma harmônica. Mesmo no confronto de idéias opostas – suicídio e o flerte do casal – há sintonia,o que desfaz qualquer estranheza. Boa sorte!

  28. Paula Giannini
    28 de março de 2018

    Olá autor(a),

    Tudo bem?

    Seu trabalho é muito imagético, quase um conto concreto (se é que isso existe). Não consigo imaginar este texto sem as imagens e até a ilustração com letras feita pelo artistas desconhecido no word. Vivemos em um século onde tudo parece já ter sido feito e, por outro lado, onde o apelo das tecnologias, do visual, do sensorial é muito forte e nos abre um leque de novas possibilidades. Eu mesma, ao escrever, busco uma certa estética visual de uns tempos para cá. Palavras agradam e entram pelos olhos e ouvidos, mas as imagens parecem, em algumas ocasiões, complementar o que é dito. Aqui, a imagem é mais que ilustração, ela é parte orgânica do conto.

    O interessante ao se refletir sobre a estética do conto é perceber que o recurso se faz extremamente pertinente, visto que o texto fala de artes plásticas e da validade ou não da utilização de determinados recursos dentro desta. O ponto alto (em minha opinião) vai para a discussão sobre a validade ou não da exposição da foto de uma suicida autêntica.

    Em uma terceira camada, quase um acessório, ainda que muito vívido, há a história do casal em sedução enquanto percorrem os corredores da exposição.

    Um trabalho coerente, interessante e muito agradável de se ler.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini

  29. Ricardo Gnecco Falco
    23 de março de 2018

    PONTOS POSITIVOS = O “Je suis flirter avec vous” dá uma pegada despretensiosa ao conto. Gostei deste clima de sedução, de desejo e paquera em meio a uma exposição onde a Morte é glamourizada.

    PONTOS NEGATIVOS = Um desfecho aquém do esperado pelo leitor, sem grandes sobressaltos ou surpresas.

    IMPRESÕES PESSOAIS = Um texto bem gostoso de se ler. As inserções gráficas pouco agregam de valor para o trabalho, mas o colocam dentro do tema experimental proposto pelo Desafio, mesmo que apenas o tangenciando.

    SUGESTÕES PERTINENTES = Ousar mais no experimentalismo.

    Boa sorte no Desafio!

  30. Fabio Baptista
    23 de março de 2018

    A princípio, tirando a pirotecnia das imagens e desenhos feitos com as palavras, o conto parece ser extremamente simples. E, na verdade, a trama é extremamente simples: um cara foge da chuva, entra numa exposição, desperta o interesse de uma garota e eles têm uma conversa regada a vinho.

    Mas nesse diálogo, muito bem construído e soando bastante verossímil (ponto alto do conto), são levantadas questões interessantes sobre a arte e a vida. Eu gostei disso. É legal quando de algo aparentemente descompromissado surgem coisas que te fazem pensar.

    Acho que eu teria gostado mais desse conto se ele não tivesse os elementos experimentais, mas ainda assim, gostei.

    – tentativa de tirar a água e impressão de ter buscado abrigo casual
    >>> ou entendi errado a frase, ou faltou um “dando” antes do “impressão”

    Abraço!

    PS: o trecho final da carta do Kurt é triste pra caralho! 😦

  31. André Lima
    21 de março de 2018

    O conto é legal, embora seja linear demais. É notória a qualidade do autor em escrever bons diálogos, vejo claramente uma aptidão para roteiro (Se o autor já não for um roteirista). O diálogo entre a mulher e o homem acaba por ser a força do conto. Há um experimentalismo também na estética, utilizando desenho feito no word, uma mistureba de línguas também, mas acho que o tema foi pouco explorado (Suicídio é um mar de possibilidades dentro do experimentalismo).

    Faltou também um incidente, uma razão de ser do conto. Vamos lendo, lendo, esperando que esse incidente chegue para sabermos do que se trata a trama, mas ele não vem, o que faz com que a narrativa fique incompleta, como disse anteriormente: linear demais.

    O texto ficou legal no fim, quando entendemos, enfim, do que se trata. Há coisa boa aí, o trabalho é bom, o autor tem habilidade. Acho que uma atenção melhor na narrativa seria bem vinda.

    Boa sorte no desafio e parabéns pelo conto!

    • Bendito
      22 de março de 2018

      André!
      Explica pra mim… Só esse conto é linear no desafio? Quero aprender. Aponta para mim contos que não são lineares, para eu poder comparar.
      Obrigado!

      • André Lima
        23 de março de 2018

        Fala, Bendito. Não, não é apenas esse conto que é linear, comentei isso algumas vezes aqui no certame.
        O que vou falar não é uma regra quando se trata de literatura (Principalmente em uma competição experimental), mas ajuda bastante na hora de escrever uma história, seja uma obra literária ou um roteiro.
        Pra se compor a narrativa de uma história, deve-se ter alguns elementos. Uma boa história possui o que McKee chama de INCIDENTE INCITANTE (Outros teóricos de roteiro e de narrativas chamam apenas de incidente), que é o incidente muitas vezes incomum que dá a razão de ser da história. Exemplos? Em “O Caçador de Pipas” o Incidente Incitante é o estupro do garotinho; em “O Exorcista” é a possessão da menina; em “Jogo Perigoso” é a morte do cara após algemar a mulher na cama; enfim, o Incidente Incitante é o que faz o leitor saber do que se trata a história, é geralmente o que vem na sinopse de um livro/filme.

        Vejamos, o seu texto tem um incidente, que é o rapaz entrar na livraria após a chuva, mas esse incidente não é tão atrativo. Quando lemos, não percebemos de cara que esse é o incidente (Só ao fim do texto) e isso faz com que a gente fique procurando por ele (Consciente ou inconscientemente). A narrativa também não tem uma crise, não tem um clímax bem delimitado (Ou anti-clímax)… Quando digo que é linear é porque não há variações, a história segue um modelo do início ao fim.

        Mas mesmo assim ela consegue ser interessante (Uma obra literária pode sempre se reinventar, não existe REGRA, o que estou dizendo são apenas conceitos que podem ser usados ou não). Você escolheu um tema com um potencial enorme (Suicídio) e num certame experimental você tinha uma mina de ouro nas mãos. Então a minha crítica (Que já agradeço por ter aceitado muito bem, afinal, estamos todos aqui para aprender e eu aprendo muito com os comentários) foi em cima disso.

        Mas reforço aqui, você fez diálogos muito bons. Acho que deveria investir nisso aí! Eu tenho até um pouquinho de inveja, haha, pois adoraria ter essa habilidade de criar diálogos. Meus roteiros/contos são todos em volta de uma boa narrativa, os diálogos ficam em segundo plano… Fazer o que, limitação minha que tento aperfeiçoar! É isso, camarada, espero ter esclarecido meu post! Boa sorte no desafio novamente!

  32. Fernando Cyrino.
    20 de março de 2018

    Um interessante exercício sobre as questões do suicídio a partir do encontro de um casal em uma exposição. Leva-me a refletir sobre o sentido da arte, o uso da imagem e, principalmente, sobre o absurdo da finitude humana na medida em que se possa dar cabo da própria vida. Um conto pós moderno com temática dos ultrarromânticos? Sim, fiquei com esta impressão a respeito do seu trabalho. As colagens funcionaram bem, mas senti que a narrativa não conseguiu me abraçar de jeito. Fiquei meio de fora dela, mas, releve, eis que isto se deve bem mais a um problema meu.

  33. Jowilton Amaral da Costa
    20 de março de 2018

    Achei o conto médio. A história em si não me convenceu, achei bem despretensiosa a trama, ao contrário dos diálogo e a conversa sobre arte entre os personagens beirar o esnobismo. Achei interessante alguns poemas, gosto muito do velho Buk. As colagens não me disseram muita coisa também, apesar de estarem de acordo com o tema experimental. Boa sorte no desafio.

  34. Mariana
    17 de março de 2018

    Mulher e homem interessam-se em uma galeria, conversando sobre a vida e, ao mesmo tempo, buscando conhecerem-se. É um fragmento, o leitor sabe tanto dos dois quanto um personagem conhece o outro. O interessante é que eles caminham por uma exposição e o autor insere elementos da mesma no texto, como fotografias e cartas. Aí reside o experimental do texto, mas sem deixar o leitor no escuro – as notas são esclarecedoras. Um bom trabalho. Parabéns e boa sorte no desafio.

  35. Evandro Furtado
    16 de março de 2018

    A montagem é feita de forma interessante, evocando múltiplas mídias para compor o conto. Boa estratégia adotada.
    O enredo me pareceu confuso, sobretudo no início. Ganha mais sentido conforme avança, e podemos tirar uma discussão sobre arte. Rebuscada demais, no entanto, ela não consegue atingir seu verdadeiro objetivo. Talvez, se o autor tivesse trabalhado melhor o tema do suicídio, que flutua entre as mídias evocadas, ganharia-se força. A ligação entre a arte e a banalização da vida me parece um caminho interessante que poderia ter sido seguido.
    A escrita, a despeito disso, é bem estruturada, sem problemas aparentes.

  36. Higor Benízio
    14 de março de 2018

    “Sou médico neurologista” foi a melhor coisa deste conto. No mais, exceto as colagens que, pelo menos aqui, ficaram bacanas, o texto é mais do mesmo. Mais uma conversinha entre vazios que tentam se seduzir de um jeito egoísta e barato. Só trocou a bebida da vez.

    • Bendito
      23 de março de 2018

      Se eu fosse o organizador, desclassificaria seu comentário. Além de grosseiro é vazio.

      • Higor Benízio
        10 de abril de 2018

        Vejo que teci um par de meias no tamanho certo. Mas enfim, já que citou desclassificação, o que ocasionou em um pedido extremamente educado, que devo respeitar, aí vai. O item 7 do regulamento diz o seguinte: “7) Os comentários deverão ser FUNDAMENTADOS sob pena de desclassificação sumária. Por fundamentação, entenda-se a indicação de pontos positivos, de pontos negativos, impressões pessoais, sugestões pertinentes e assim por diante. Vale dizer, é imprescindível que o autor do comentário demonstre que leu o texto respectivo.”

        *Pontos positivos: As colagens ficaram bacanas, e ajudam a envolver o leitor na atmosfera proposta. Alguns contos do desafio (dos que li até o momento) falharam nesse ponto, são exemplos: “Uma Bagunça de Gotas Serenas”, “Memórias (fragmentadas) dadaístas”, “Ecdise”.

        *Pontos Negativos: A exemplo de Gaio e Tito (Ler Cap.1 Homens sem peito, do livro: “A abolição do Homem”, de Clive Staples Lewis) o autor(a) parece não estar ciente do impacto que este tipo de “Texto”, digamos assim, tem no leitor casual, ou, e o que é muito pior, tem plena consciência e o faz por pura perversão (no caso, prefiro acreditar na primeira hipótese). Ao acompanhar o jogo de sedução em que consiste a maior parte do texto, tudo que vemos são dois personagens que representam modelos fracassados de abstrações sociais e que, para amenizar sua culpa existencial (ver trecho da aula do professor Olavo de Carvalho no Youtube, Link:https://www.youtube.com/watch?v=y9XpcZS-Mck&t=78s) caçoam da fonte com a qual inflam seus próprios egos. E, para piorar a coisa toda, no trecho: ” — A sociedade é doente — ele acusou. — Uma exposição sobre suicídio faz nosso olhar mergulhar no vazio da existência. Não deveria causar excitação, êxtase, fruição plena. Sexo é o que causa isso. Correr a mais de 120 por hora… Mas isso… É uma reverência à morte premeditada — apontou para o papel emoldurado mais adiante.” O autor(a), usando-se de um personagem com alguma autoridade intelectual (médico neurologista), reduz as abstrações das quais ele próprio (personagem) faz uso, como quando fala da foto de Robert C Wiles, a mera incapacidade cognitiva. Em suma, o texto está dizendo para o leitor casual, por entre um véu de pompa e citações que visam a elevação da proposta: “É bacana ser medíocre, arrogante, confuso e contraditório!”. (Ver vídeo no Youtube ” The “Truth” About Depression , Paul Joseph Watson, Link: https://www.youtube.com/watch?v=8wW_-5omcgE&t=59s; Ler “O rosto de Deus”, de Roger Scruton).

        *Impressões pessoais: ““Sou médico neurologista” foi a melhor coisa deste conto. No mais, exceto as colagens que, pelo menos aqui, ficaram bacanas, o texto é mais do mesmo. Mais uma conversinha entre vazios que tentam se seduzir de um jeito egoísta e barato. Só trocou a bebida da vez.”

        *Sugestões pertinentes: Como foi dito no Episódio 4 – Desafio Superpoderes, do EntreCast (https://www.marcosaraiva.com.br/entrecast?wix-music-comp-id=comp-j9vv0xj0&wix-music-track-id=5741031244955648) : “Quem põe a bunda na janela, não pode reclamar de levar uns tapinhas”

        *E assim por diante: Escrita ok, sem grandes surpresas e nem imposição de um estilo marcante.

        ** OBS: Kurt Cobain tinha vergonha da imagem que passava de si mesmo para o público, consciente que era de sua influência e responsabilidade (Ler “Heavier Than Heaven”, de Charles R. Cross). Assim sendo, é de extremo mal gosto a introdução de sua carta de suicídio em textos com este viés que deprecia virtudes em favor de relativismos contemporâneos.

      • Higor Benízio
        11 de abril de 2018

        *Correção 1: o vídeo The “Truth” About Depression , Paul Joseph Watson, está com link errado, ver este: https://www.youtube.com/watch?v=FcZCZkekxxg

        *Mau

  37. Regina Ruth Rincon Caires
    13 de março de 2018

    Um trabalho original! Muito bem escrito. À medida que eu ia lendo, fui ficando presa ao encontro casual entre “ela” e o estranho” que fugia da chuva. Seguia pelos caminhos da galeria, percebia o jogo sensual dos dois. Mais que isso, ouvia as discussões sobre a arte dos desafortunados. Entrei, com algumas dificuldades, na dança dos idiomas, dos desenhos, das fotos. Durante a leitura, tirei algumas dúvidas na “santa” pesquisa google. Fiquei um pouco mais confortável diante dos versos de Florbela Espanca. Só um pouquinho. E caí no deleite da música de Mercedes Sosa, um tributo a Alfonsina Storni pelas suas dores e angústias. E somando informação daqui e dali, entendendo menos do que eu gostaria de entender, na afoiteza, nem percebi as marcações sobrescritas para observar as notas de rodapé. Bah!

    Um valioso texto experimental!

    Parabéns, Bendito Próspero Ventura! O seu trabalho ficou ótimo!

    Abraços…

  38. Antonio Stegues Batista
    12 de março de 2018

    Enquanto lia, fiquei imaginando o que dizer do texto em inglês, espanhol, das estranhas fotos inseridas, que eu não entendia nada, mas no fim do conto há as explicações, a tradução, inclusive os links, o que melhorou muito a minha opinião sobre o conto. Achei esse o melhor até agora. Muito bom, principalmente os diálogos dos dois personagens dentro da livraria. Eu não conhecia o bilhete de suicídio do Kurt, mas conhecia a foto do corpo de Evelyn sobre o carro e Warhol é um dos meus artistas plásticos preferidos. Parabéns e boa sorte.

  39. Fheluany Nogueira
    12 de março de 2018

    Temos uma “colagem”, técnica artística consistente que serve para juntar diversos tipos de elementos em algum suporte, criando um conteúdo novo. Pinturas, fotos, imagem de capa, desenhos formados com algarismos, poemas, carta, recorte de jornal, várias Línguas — sem dúvidas, um texto experimental rico, cultural e complementado por uma narrativa autoral, sensual e bem amarrada aos elementos “colados”. Gostei mais do pseudônimo (apesar de redundância) de que do título. “Ventura” era nome de um tio, quer dizer, “Boaventura”, mas ele só respondia pela abreviação.

    Parabéns pela ideia! Abraço.

  40. Rubem Cabral
    12 de março de 2018

    Olá, Bendito.

    É sem dúvidas um conto experimental, que fez uso de ótimas referências e, principalmente, de imagens. Gostei em especial de ler a carta do Cobain, pois não havia visto as notas de rodapé quando comecei a ler e não sabia do que se tratava.
    Talvez, contudo, pelos limites impostos pelo desafio, de somente 2000 palavras, penso que o corpo do conto foi principalmente um “recurso”, um pretexto (sem conotações negativas aqui) para a ótima compilação que você fez. Em outras palavras, o encontro de dois estranhos numa exposição sobre artistas infelizes funcionou mais como meio para a apreciação de obras de outrem: a poesia em espanhol, o desenho das mãos, de autoria desconhecida, a foto da suicida e o trabalho subsequente do Warhol, etc. Eu gostei, mas teria gostado mais se houvesse mais conteúdo de sua lavra.

    Abraços e boa sorte no desafio!

  41. Paulo Luís Ferreira
    11 de março de 2018

    Quem disse que não é possível se fazer o experimental com arte e inteligência? Eis um grande trabalho com requinte no tratamento de textos e imagens. Um enredo refinado, onde a colagem enriquece sobremaneira a originalidade das ideias do autor, sem desprezar uma história bem contada, temperada de sensualidade e exotismo. E ainda, o respeito com o leitor, ao expor links e notas necessárias para melhor compreensão do trabalho. Parabéns autor pelo magnânimo gesto e a qualidade da obra.

  42. Angelo Rodrigues
    11 de março de 2018

    Olá, Bendito,

    texto bem legal. Um avanço na MixLit ao se apropriar, também, de imagens (usando quotes de Bukowski, Storni, Cobain etc).
    A arrumação do texto pessoal, o encaixe nas apropriações (textos e imagens), ficaram bastante afinados.
    História simples embora bastante bem arranjada.

    Parabéns pelo texto e boa sorte no desafio.

  43. Matheus Pacheco
    11 de março de 2018

    Muitas linguas, muitas cores e muitos links, que texto lindo, sem brincadeira nenhuma, eu te digo que foi uma experiência muito boa, o jeito que todas as linguas se encaixavam ficou, na minha opinião excelente.
    Abração amigo.

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Publicado às 11 de março de 2018 por em Experimental e marcado .