EntreContos

Detox Literário.

Vamos brincar de Stop? (Sandra Gonçalves)

Stop!

M!

Nome. Cor. Personalidade.

Marina. Morena. Menina minguada que mastiga mágoas e morde mordaças. Uma monga. Um melodrama de memórias mal-entendidas. Mente para si mesma que tem um mundo mágico. Mentalidade de mongol. É mal-arranjada, maltrapilha, maltratada, mal-amada, malcheirosa, malgrado a membrana que a mantém mansa. E manca. Muito. Não é malandra. Ainda não.

Animal.

Macaca maceta que ainda mama. Machona que machuca quem malina dela. Macaca-prego, Marcelino murmura maquiavélico. Mexerico maledicente. Marina amua e marcha até o menino. Malvado. Maldito. Malfadado. A mão de Marina, quase maçarico, quase maçaneta, marca e magoa o membro do metido. E macula sua honra. Maldade. Maldade pura. Madalena, a magistrada com voz de maritaca, a mesma da madrasta maluca da menina, ameaça. Marina mostra medo. Mal-acostumada a malandros e malandras. Maldita, Marina murmura. Malcriada, Madalena maldiz com voz de marmota machucada. Mocreia metida a mulher.

Cidade, estado.

Monte Triste. Minas Gerais. Maldição de montanha mal-confiada. Cheia de mal-de-coito, mal-de-gota, mal-de-lázaro, mal-de-bicho, mal-de-engasgo. Ela muda de mês em mês. Maricá. Macaé. Miracema. Magé. Miguel Pereira. Até se amuar em Mangueira. Moradora do mesmo município de Marcelino, mesmo entorno miserável de origem modesta. O menino também muda a cada mês. Não quer morrer. Marina tem medo. Medo de monstro, medo de morte, medo dos machos à mostra. Os maiores, maledicentes. E tem medo da miséria, essa malha maleitosa e maléfica que não mascara mal-estares.

Flor, fruta.

Malmequer. Manga. Mas Marina mingua sem medidas. E sem malícia. E sem misericórdia. Sem merenda, sem almoço e sem manjar. E sem conseguir manusear manuscrito e estudo. Mendiga mandioca e mandinga. Qualquer mandamento, com magnanimidade. Mirrada, desmaia momentaneamente na escola à mingua. Miúda e magoável.  Madalena, maníaca, se amansa e manda mercar qualquer mercadoria na mercearia. A mão-aberta está de mãos atadas. Mão quase-morta. Marca passo na escola sem merenda. Mira a menina moribunda. Mortiça. Mareja os olhos.

Profissão.

Médica. Magnânima. É o que ela quer ser. Médica de animais. Mas a menina Marina, mandril moreno de membro magoado, não se mantém, massacrada pela miséria que faz manobra pelos meandros dos municípios, melindrosa, mendicante, mentirosa. Ao final, menospreza a todos, meneando nas mãos a morte. E Marina quase morre mofina nos braços da magistrada Madalena. Amuada, malina que vai ser dama. Dama-da-noite. Meretriz. Sem merenda, sem mérito e sem medalha.

O miserê memorável.

A mingua.

Stop!

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53 comentários em “Vamos brincar de Stop? (Sandra Gonçalves)

  1. Amanda Gomez
    27 de abril de 2018

    Olá, Vinicius!

    Olha, um texto que só de olhar a forma percebemos um trabalhão que deu pra construí-lo, só nessas disposição o autor já está de parabéns. Não bastasse a forma o conteúdo também é muito rico… uma história que posse se encaixar com tantas mulheres desse nosso Brasil, não só as com M. Uma história sofrida, batalhada, que no fim… infelizmente não chega ao lugar desejado… vai saber se ela ao menos saberia dizer qual lugar é esse.

    E ainda fostes o primeiro a entrar no desafio, parabéns! Começamos bem.

    Ficou bacana o fato de não ser tudo com letra M, de ter as ligações, deixou o texto mais fácil de ler…

    Parabéns, e boa sorte no desafio!

  2. Cirineu Pereira
    26 de abril de 2018

    Puxa, acho que o título, por demais revelador, tirou parte da graça do conto. Eu o teria chamado somente “M”, ou “Letra M”, teria subtitulado os parágrafos com as categorias e finalizado o conto com a palavra STOP, talvez até mesmo insinuando a morte da protagonista. Enfim, não quis dizer que eu o faria melhor, não. Nem tão pouco tive tão boa ideia, é fácil apontar melhorias possíveis em obras prontas. Não, o que quero dizer é que talvez tenhas te precipitado, talvez devesses tê-lo revisado um pouco mais antes de publicá-lo. Talvez ater-se menos às palavras iniciadas pela letra M – ainda que elas deem uma graça toda especial ao conto – e ter investido um pouco mais no enredo.

  3. Daniel Reis
    26 de abril de 2018

    Primeiramente, parabéns pela coragem de começar o Desafio Experimental.
    Gostei muito da experimentação com a forma (código), da letra M do jogo infantil, como premissa. Mas acho que, em alguns momento, a busca da palavra certa para contar a história acabou dando à personagem um destino imerecido. Stop – mas continue sempre em frente! Abs

  4. Amanda Dumani
    26 de abril de 2018

    A estrutura de jogo de palavras deu um dinamismo bom ao texto. As interrupções e mudanças de “temas” foram um bom descanso para a repetição incansável do m. Neste formato o ideal seria que o texto fosse de fato integralmente composto de palavras com m, porém o desenvolvimento da história com um começo aparentemente despretensioso um final cheio de significado justifica qualquer ferramenta empregada pelo autor ao meu ver. Além de se encaixar perfeitamente ao tema. Sinceramente não tenho sugestões. Espero que o esforço seja tão recompensador para o autor como o foi para a leitora.

  5. Ana Carolina Machado
    25 de abril de 2018

    Oiiii. Achei o conto muito interessante e me fez lembrar da época em que brincava de stop na escola. O conto é uma crítica social muito bem elaborada, falando de como a Marina desde pequena não tinha acesso aos seus direitos mais básicos como o acesso a merenda na escola e por isso não tinha meio de realizar seus sonhos, como o de ser médica . achei o conto muito triste por ser extremamente real. Um tempo desses li uma notícia sobre uma criança que desmaiou na escola porque estava com fome. Essas coisas partem o meu coração.
    Parabéns pelo seu conto. Abraços.

  6. M. A. Thompson
    23 de abril de 2018

    Olá autor(a).

    Seu conto foi de leitura breve e agradável, bem diferente de alguns que exigiram o malabarismo da tradução em partes.

    Resumo: uma menina com sonhos mas que diante das vicissitudes da vida tende a acabar como tantas outras, frustrada, miserável e na prostituição.

    O experimentalismo existe nessa apropriação do jogo para formar o texto que narra a história. A propósito, não conhecia o Stop!

    Parabéns pelo excelente trabalho.

  7. angst447
    22 de abril de 2018

    Bem bacana esta ideia de trazer o jogo STOP para narrar uma história tão real que chega a doer. Marina que quer ser médica de bichos e deve acabar como meretriz, sem mérito, sem mais nada.
    Linguagem bem trabalhada, não me incomodaram as poucas palavras que não começaram com M, na verdade, eram mais preposições ou coisas do gênero. O vocabulário está em dia, hein, autor?
    O tamanho do texto foi feliz, pois propicia fluidez e ritmo à narrativa. Nada se perdeu, nada foi excessivo. Encantadora leitura.
    Boa sorte!

  8. Andre Brizola
    21 de abril de 2018

    Salve, Vinicius!

    Em primeiro lugar, devo dizer que achei que a aliteração seria um recurso que apareceria bastante no desafio. E de cara, no primeiro texto, já o encontro. Mas eu comecei dizendo isso para enaltecer o gancho que você utilizou para abusar muito da aliteração. Utilizar o Stop como estrutura para a narração foi excelente. Ótima ideia.
    A opção por um conto curto também casou bem com a narrativa. Ampliar os tópicos a serem desenvolvidos ia dar uma travada no enredo, que é simples, porém bastante realista e triste.

    É isso! Boa sorte no desafio!

  9. Jorge Santos
    21 de abril de 2018

    Feroz crítica social, escrita sob a forma de jogo de palavras. Aos poucos, vamos descobrindo a vida de Marina, uma menina pobre que sonha ser veterinária, mas que é apanhada pela vida e se torna prostituta. Foi esta a leitura que fiz do conto. Devo acrescentar que a escolha das palavras a começar pela mesma letra (exercício que sou incapaz de fazer) resulta algo entediante pelas constantes repetições.

  10. Gustavo Aquino Dos Reis
    20 de abril de 2018

    Interessante e muito criativa a maneira lúdica do conto.

    As palavras se encaixam com muita perfeição. O autor, sabiamente, deixou o enredo nas entrelinhas – tão nas entrelinhas que, quase, passei batido por ele.

    Só tenho elogios para esse trabalho.

    Parabéns.

  11. Bianca Machado
    18 de abril de 2018

    Olá, autor/autora. Não me sinto em condições de fazer comentários muito técnicos
    dessa vez. Então tentei passar as minhas impressões de leitura, da forma como senti assim que a terminei. Desde já, parabenizo por ter participado!

    Então, vamos ao que interessa!
    ————————————————
    .

    Muito interessante e engenhoso no formato de misturar a brincadeira de stop com aliterações. Algumas palavras não sabia o significado e fui procurar. Isso é muito bom. O tom do texto é poético e melancólico, ao menos eu senti assim. Personagens: Bem construídos e se encaixam completamente ao texto. Em meio à
    brincadeira com as palavras, nos prendemos ao seu drama pessoal. Impressões Pessoais: Gostei muito da estrutura e assim, em blocos, não me cansou. Fiquei totalmente presa pela narrativa, gostei muito mesmo! Sugestões: Complicado sugerir algo para um texto que, em minha leitura, não precisa mudar nada. Até o
    tamanho, pra mim, penso estar de bom tamanho. Maior do que é, poderia vir a cansar. Parabéns pra você!

  12. Renata Afonso
    14 de abril de 2018

    Muito bom, poético e sensível, triste e real. E vou dizer, você merece todos os parabéns por conseguir escrever um conto com essa musicalidade, ótimo enredo e desenvolvimento, utilizando a letra ‘m’, quase todo o tempo.E por isso, não pare, nunca!
    Excelente, parabéns!

  13. Pedro Paulo
    10 de abril de 2018

    Olá, Vinícius.

    Adorei o seu conto. Primeiro em seu formato, concebido dentro da brincadeira “Stop”. Já no título, vê-se um convite para brincarmos e, sem aviso, pois escritor e leitor não se comunicam, a brincadeira começa. Paramos na letra “M”, sem muita ideia de para onde vai, mas cientes do desafio que o autor faz a si próprio. Limitado a uma só letra, mostrou-se muito habilidoso na escolha do vocabulário, conseguindo se manter coesivo, coerente e, incrivelmente, musical. Experimentei ler em voz alta e conferi como o texto flui na língua, parecendo paródia de tão rápido que se fala, além do efeito causado pelo uso constante da letra “M”. Há um enredo, girando em torno da personagem “Marina”, uma história que tem início, meio e fim. Um fim triste que, nas poucas palavras, repetidas de forma bem articulada, vem com impacto. Enquanto obedece às regras da brincadeira, o texto também segue o que se espera de um conto, nos trazendo uma trama completa. O meu parâmetro para o experimental não é fixo, tampouco se orientando pela regra de “fuga do convencional”. Para mim, o experimental fica expresso na proposta do autor e aqui ela é evidente e bem executada. Parabéns!

  14. Sabrina Dalbelo
    9 de abril de 2018

    Puxa, que texto bacana!

    Contar a vida de alguém com apenas alguns tópicos da brincadeira stop e se utilizar de uma letra, da bela letra “m”, tão sonora, tão redonda… muito legal.
    Parabéns, deu super certo. Ficou lindo!

    Quando a letra M não inicia a palavra, ela se mostra como um imponente fonema e é aí que ela está presente: na nossa mente ao ler o texto.

    Ficou bem escrito, coerente e mostrou conhecimento, agilidade, paciência, sensibilidade e acuidade por parte do(a) autor(a).

    Não stop!

  15. iolandinhapinheiro
    8 de abril de 2018

    Boa noite, figura.

    Achei bem bacana esta mistura de jogo da adedonha (stop) com uma espécie de tautograma, em prosa. Ainda que tanto a técnica do tautograma (em poesia), quanto o joguinho de palavras sejam muito conhecidos, a mistura do dois trouxe o experimentalismo para o seu texto.

    Encontramos aqui um desafio dentro do desafio, uma vez que o esforço do autor foi muito maior ao tentar, e conseguir, dar sentido e sequência aos fatos através de palavras em sua maioria iniciadas pela consoante M.

    As informações são dadas de forma econômica, direta, mas isso não rouba a emoção que o autor quer passar, apenas transmite a sua ideia sem enfeites. Gosto de enfeites, a falta deles deixa o conto mais coerente com a proposta do autor.

    Sua estória se adequou com perfeição ao tema do desafio, não encontrei problemas gramaticais, e achei sua ideia muito inteligente.

    Um abraço e sorte no desafio.

  16. Rsollberg
    8 de abril de 2018

    Ei, Vinicius.

    Experimental é, entrecontistas!
    Estratégia exemplar, extremamente eficaz.

    Esse estilo especial, elaborado e eloquente. Elenco eclético.
    Euforia estranha em estória “engraçada”, emotiva, emaranhado elucidativo.
    Enredo escondido em entrelinhas, edição efetiva.
    Eventos enlaçados entre estética escolhida.
    Em efeito é espetacular. Eximia escrita.

    Elevo elogio efusivo; elétrico efervescente.

  17. Rose Hahn
    8 de abril de 2018

    Caro Autor, alinhada com a proposta do desafio, estou “experimentando” uma forma diferente de tecer os comentários: concisa, objetiva, sem firulas, e seguindo os aspectos de avaliação de acordo com a técnica literária desenvolvida pelo meu conterrâneo, o Analista de Bagé, a técnica do “joelhaço”:

    Nesse conto farei uma exceção ao experimentalismo para contar que a 1a. ideia que me veio a cabeça, qdo. foi divulgado o desafio, era de fazer um conto com a brincadeira Stop, ou seja, o autor psicografou a minha ideia, no entanto, confesso, com a inveja escorrendo no canto da boca, de que não teria feito algo tão Maravilhoso.
    . Escrita: Magnânima;
    . Enredo: Magistral.
    . Adequação ao tema: Maravilhosamente adequado.
    . Emoção: “Meretriz. Sem merenda, sem mérito e sem medalha”. Lembrei-me de “A hora da estrela”, da Clarice Lispector.
    . Criatividade: Muita, máxima.

    . Nota: Vai para o Stop10 do Entrecontos (talvez perca uns décimos de nota por conta do plágio mediúnico, e da minha inveja). Abçs.

  18. Luís Amorim
    7 de abril de 2018

    O título do conto não tem qualquer palavra começada pela letra “M”. E mesmo havendo algumas outras palavras durante o texto que também seguem a mesma ausência, talvez fosse quase impossível estruturar um enredo só com palavras começadas pela mesma letra. Gostei mais da primeira parte, o primeiro parágrafo, o que me leva a concluir que este género de textos não podem ter extensão muito grande, devido à repetição que se ouve na sua leitura. Mas sem dúvida que que se enquadra no experimentalismo proposto.

  19. Catarina Cunha
    5 de abril de 2018

    Frase destaque: “A mão de Marina, quase maçarico, quase maçaneta, marca e magoa o membro do metido.”

    Com certeza aqui o esforço técnico foi além de qualquer zona de conforto. Não é um reles passeio pelo dicionário e sim uma trama intimista, decorada com hercúleo trabalho braçal de controle de vocabulário e narrativa. Enxuto, cadenciado e de fácil digestão. Parabéns!

  20. Anderson Henrique
    2 de abril de 2018

    Um bom conto e que está dentro tema proposto. Mal posso imaginar o trabalho de estruturar o texto dessa forma. Há uma ou outra liberdade na proposta, em palavras que não iniciam com a letra M, mas que ainda assim funcionam dentro da melodia do texto. Tive dificuldade durante a primeira leitura, pois fiquei preso na sonoridade (que é ótima), como se fosse uma canção. Depois reli e captei a história. Gostei do resgate do joguete infantil. Ele constribui com a construção, pois evita a questão de ser apenas um exercício com a letra M. História trágica, sem grande inventividades, mas que funciona. Parabéns pela experimentação, que apesar de não ser nova, foi executada de maneira competente.

  21. S Ferrari
    2 de abril de 2018

    Olá. Acho que vou declinar do convite de brincar disso contigo nas próximas vezes. Achei que a estrutura não se sustenta por mais de 2 parágrafos. Achei bem chato a partir disso. Por conta da inundação de repetição somadas com o enredo. O enredo não chama atenção. O que se conta é maçante, a forma que se conta, interessante, mas limitada a um curto trecho. No fim, é “meu bem, meu mal” e na terra da experimentação, você pode tentar mais seguindo mesmo formato, microcontos, talvez.

  22. Rodrigo
    31 de março de 2018

    Vinícius, gostei da ideia, mas acho que, com tantos “M´s”, a verdadeira história por detrás da estrutura perde-se. Porém, dou valor ao trabalho.
    Continue colega!

  23. Priscila Pereira
    29 de março de 2018

    Oi Vinícius,
    Deve ter dado um trabalhão escrever esse conto heim, e ainda foi o primeiro a postar! Parabéns por isso!!
    Eu gostei bastante, a estória é triste, crua, dramática e tudo com a letra M . Cara, tu é fera!!
    Boa sorte!

  24. Luis Guilherme
    28 de março de 2018

    Bom diaaa! Tudo bão por ai, Vini?

    Demorei uma eternidade pra começar as leituras, e finalmente tomei vergonha na cara. E olha, deixa eu dizer que começou MUITO bem! Caramba, amei seu conto. Não dá pra dizer que a forma seja absolutamente inovadora, mas foi criativa e muito bem aproveitada.

    Em especial, o que se destaca é o vocabulário riquíssimo e extremamente agradável que você usa. As palavras casam muito bem.Além disso, achei muito acertada a decisão de não usar apenas palavras com M. Acho que ficaria muito travado. Mas mesmo as palavras sem M no começo foram bem escolhidas, e soam como parte do todo. Bom trabalho!

    O enredo é discreto, mas intenso, e a construção da personagem é muito boa.

    Mano, minhas mais massivas monções, me mostrei amoroso pela sua manobra. heheheh

    Abraço e parabéns!

  25. Ana Maria Monteiro
    25 de março de 2018

    Não stop. Faça com todo o abecedário, ficou muito bom. Pensava eu que era especialista nesse jogo que aqui chamamos também de países (porque é sempre essa a primeira hipótese para alocar a letra que sai), pensava, mas já não estou muito segura disso. Você fez um excelente trabalho e absolutamente dentro do que o mais exigente entre os exigentes pode entender por experimental. Li no próprio dia que foi publicado, mas só hoje vim comentar. Tem ritmo, cadência, história (o que é muito importante e alguns esqueceram ao entrar no experimentalismo), melodia, tristeza (muita) e, por isso mesmo, credibilidade. Que mais dizer? Parabéns e boa sorte no desafio.

  26. Ricardo Gnecco Falco
    23 de março de 2018

    PONTOS POSITIVOS = A inovação na forma de contar uma história. E não falo com relação ao uso das iniciais das palavras, mas sim pela mistura da pureza infantil, das brincadeiras de crianças, de seus sonhos e anseios… Com a dureza da vida em meio a uma realidade não tão colorida.

    PONTOS NEGATIVOS = Algumas poucas palavras, em cada um dos módulos, que não obedeceram a premissa da inicial com a letra “M”. É claro que seria ainda mais difícil de se conseguir um sentido, um direcionamento, um desenvolvimento no roteiro predefinido para a história (triste) que é contada, mas… Como a premissa era a inicial das palavras, falava mentalmente um “ooops” em cada uma que fugia desta regrinha; claro que não levando em consideração as interjeições e as palavras compostas.

    IMPRESÕES PESSOAIS = Uma boa interpretação para flertar com o “Experimental” do tema, embora não me tenha causado aquela exclamação, ao final da leitura (“UAU!!!”), que sempre foi, é e será muito bem-vinda em um conto.

    SUGESTÕES PERTINENTES = Continuar experimentando; tanto em formatos, quanto em conteúdos. Afinal, não devemos nunca dar um “STOP” em nossa criatividade, visto que, ao contrário de Marina, o Céu é o limite para os autores!

    Boa sorte no Desafio!

  27. Fernando Cyrino.
    20 de março de 2018

    Puxa, começamos bem o desafio. O primeiro conto que leio e já o achei muito legal. Você traz a noção de jogo e isto, realmente, é muito experimental. E há por trás, quando vou relendo o seu conto, a clareza de ver meio que oculto pelo belo uso da letra M uma história que vai sendo construída que faz com que a brincadeira do jogo não se encerre em si mesma, mas que seja vista a partir da trama tecida por trás e, por que não, no entorno dele. Parabéns pelo seu belo experimento literário. Grande abraço.

  28. Thata Pereira
    19 de março de 2018

    Uma das maiores vantagens desse conto é ele ser curtinho. As muitas palavras iniciadas com “M” dão um ritmo de leitura que é quase como uma canção de ninar rs’ Mas não, isso não é ruim, é apenas uma falta de costume. Até porque uma experiência para o autor, em um desafio como esse também precisa significar uma experiência para o leitor. O fato do conto ser curto possibilitou uma nova leitura, dessa vez prestando uma maior atenção na história e não no como ela foi escrita.

    Eu gostei muito. Principalmente do recurso utilizado para explorar a história: a brincadeira stop. Para mim meio que soou como se a vida estivesse brincando. Até o modo como o conto é divido, que faz referência à brincadeira, me deu essa impressão. Medo.

    Boa sorte!

  29. Jefferson Lemos
    17 de março de 2018

    Olá!

    Devo dizer que depois de uma segunda leitura, o conto se apresenta ainda mais primoroso. Pensando em voltar aos desafios, questionei hoje meu professor de Literatura Brasileira acerca do experimentalismo. Ele citou alguns exemplos, e encontrei muito dessa estética, dessa inovação, que ele disse, aqui.

    Além de mesclar a literatura com o jogo, a estruturação do texto segue um padrão sonoro que funciona muito bem quando lido em voz alta. Alguém citou a sonoridade da palavra M, que é quase melódica, e basta vocalizar as palavras aqui para se perceber isso.

    Gostei, além desse artifício, da maneira como você conduziu a história dentro dessa experimentação. O texto não perde caindo fora de um contexto e consegue manter um linearidade excelente, que quando analisada com o conjunto e o modo como foi trabalhado, acrescentam ainda mais. Não tenho um histórico de leitura intenso dos movimentos de vanguarda (surrealismo, dadá, cubismo, futurismo, etc), mas o contato com esse texto me agradou muito (comecei lendo-o com o nariz virado, confesso). Antonio Candido costuma dizer que todo tipo de arte, de certa forma, é algo experimental em alguma escala. Esse texto com certeza é um deles.

    Gostei muito, parabéns e boa sorte!

  30. Fil Felix
    14 de março de 2018

    Um conto que soa como música. Adorei a maneira como utilizou do jogo Stop pra guiar toda a vida da guria, passando por sua personalidade, sonhos e o destino ingrato. A estrutura é ótima, adotando tudo começando pela letra M (pegando a ideia do jogo) e ir explorando a personagem a partir dos temas (nome, cidade, profissão). Achei uma ideia interessantíssima. Como já falaram, num primeiro momento (por conta da sonoridade), tudo parece bastante confuso, mas mesmo assim saltam aos olhos, parece música. E o que conseguimos absorver em cada momento já ajuda a construir a imagem da Marina. Muito bom. É um conto que prima pela maneira como foi feito.

  31. Evelyn Postali
    14 de março de 2018

    Tenho tanta coisa para dizer desse conto… A começar pela sonoridade. A letra M é uma das mais melodiosas. A letra já é tem suavidade, não é agressiva, não passa dureza. Também tem a procura das palavras para dar sentido a tudo. Quanta palavra forte, intensa. Um trabalho minucioso e merecedor de nota com louvor, não há dúvida. A história de Marina tem começo, meio e fim, tem coerência, tem uma essência mágica. Tem sentido, tem tudo da vida. Tem tudo de tudo. Vai se mergulhando na cadência e entendendo os detalhes tão sutilmente expostos. Um texto criativo, sensível. Não vi muito assim por aí e isso me encantou.

  32. Fabio Baptista
    14 de março de 2018

    Eu li esse texto algumas vezes até conseguir absorver a história. Num primeiro momento (e num segundo momento também), a sonoridade das palavras encadeadas acaba sobrepondo completamente a trama e, ao término da leitura, eu não conseguiria dizer com certeza o que havia acabado de ler.

    O engraçado é que mesmo se nada fizesse sentido, se fossem apenas frases soltas com a particularidade das palavras iniciarem com a mesma letra, ainda assim o texto seria bom dentro do desafio. Quando as coisas fazem sentido (e, como eu disse, isso só ocorreu pra mim após algumas leituras), quando a história triste de Marina nos salta aos olhos, claro que o texto ganha ainda mais brilho.

    Experimental, com certeza. Gostei.

    Abraço!

  33. Mariana
    14 de março de 2018

    Eu adoro stop!

    Sobre o texto, na primeira leitura acreditei estar diante de um amontoado de palavras sem sentido. Porém, revelou-se uma história tão brasileira (quantas Marinas por aí…). O autor fez uma hábil prosa poética, meus parabéns.
    Boa sorte no desafio!

    • Mariana
      14 de março de 2018

      E, apesar do final tristemente realista, quero acreditar em outra chance para as Marinas.

  34. Jowilton Amaral da Costa
    13 de março de 2018

    Achei um bom conto. Essa brincadeira de stop eu conheço como adedonha. A construção é bem interessante e mostra uma amplo repertório de palavras com M por parte do autor. Temos a impressão que quem conta a história é uma criança, apesar de parecer certas palavras que são distantes do léxico infantil. O texto poderia muito bem ser considerado uma prosa poética. Tem ritmo de poema. Na minha opinião não há enredo. A técnica é boa e a criatividade alta. Boa sorte no desafio.

  35. Rubem Cabral
    12 de março de 2018

    Olá, Vinicius.

    Gostei do conto: a partir do conceito do jogo “Stop!” você construiu uma história interessante que se desenvolve a cada conceito que o jogo cobra do jogador. Normalmente textos que abusam de aliterações podem cansar um pouco, mas o seu logrou contar a história e brincar com o uso da letra “M” sem fazê-lo, conseguindo até em alguns momentos soar como poesia.

    Abraços e boa sorte no desafio!

  36. Gustavo de Andrade
    11 de março de 2018

    Gostei desse experimento.
    Todas as palavras parecem ter profunda razão de ser, não estão aí só por um capricho formal; forma e conteúdo estão a igual serviço de uma só narrativa, potente e melancólica. Quis saber mais de Marina e Madalena, o convento ou orfanato ou sei lá o que onde elas vivem seus dias. Quero saber da Marina meretriz, ao mesmo tempo em que sinto dor com ela. Parabéns ao contista!
    NOTA: 9,0/10 (tiro um ponto porque em alguns momentos foi difícil entender o que estava acontecendo).

  37. Regina Ruth Rincon Caires
    11 de março de 2018

    Vamos brincar de Stop? (Vinícius Sampaio)

    Texto magnificamente construído tendo como guarida a letra M. De início, há um olhar enviesado do leitor, imagina-se uma narrativa maçante, forçada. A boa surpresa vem por conta da delícia da leitura. Texto que, apesar de trazer uma construção divertida, criativa, traduz uma mensagem forte, perfeita. Destaco algumas pérolas:

    “Marina tem medo. Medo de monstro, medo de morte, medo dos machos à mostra. Os maiores, maledicentes. E tem medo da miséria, essa malha maleitosa e maléfica que não mascara mal-estares.”

    “Mas Marina mingua sem medidas. E sem malícia. E sem misericórdia. Sem merenda, sem almoço e sem manjar. E sem conseguir manusear manuscrito e estudo. Mendiga mandioca e mandinga.”

    “Ao final, menospreza a todos, meneando nas mãos a morte. E Marina quase morre mofina nos braços da magistrada Madalena. Amuada, malina que vai ser dama. Dama-da-noite. Meretriz. Sem merenda, sem mérito e sem medalha.”

    O autor é extremamente habilidoso. Um baita conhecedor da linguagem (que, por sinal, é refinada), fez uma construção elogiável, criou uma narrativa de teor compacto, real. Achei uma belezura.

    Menino ou menina, mesuras mil pela maravilha deste maduro material aqui mostrado.
    Parabéns!
    Abraços…

  38. Fheluany Nogueira
    10 de março de 2018

    Que bom começo para esta edição! Texto lúdico, que brinca com as palavras como no jogo-título ( Para cada tema, os jogadores devem encontrar uma palavra que comece com a letra sorteada). Já temos a primeira experiência, seguida de outra estrutural: cada subtítulo corresponde a um elemento da narrativa.O conjunto compõe uma história forte, de fundo social, verossímil. Não posso afirmar que é meu favorito porque é o primeiro que leio. Parabéns pela inventividade e ousadia. Sucesso e abraço.

  39. Paulo Luís Ferreira
    10 de março de 2018

    Até mesmo os discípulos e partidários da filosofia de Aristóteles deverão sublinhar a qualidade desta inteligente escrita. Muito bem montada a estrutura da narrativa de belas construções como: (Machona que machuca quem malina dela – A mão de Marina, quase maçarico, quase maçaneta, marca e magoa o membro do metido…). Dão uma originalidade ao conto. Sem desprezar um enredo engajado, comprometido com o contemporâneo da mulher das marginais periferias sociais. Muito bom.

  40. Matheus Pacheco
    10 de março de 2018

    Sempre me considerei bom em jogar stop, mas olha, esse texto me deixou no chinelo, quando eu li a primeira vez eu pensava que era só um monte de palavras aleatórias começadas com M, mas não, é um história que se desenrola muito bem por sinal.
    Abração amigo

  41. Sinuhe LP
    10 de março de 2018

    Stop! A vida parou, ou foi o automóvel?

  42. Antonio Stegues Batista
    10 de março de 2018

    Escrever um conto começando com uma letra, não é novo. O difícil é escrever uma história dessa forma, com todas as frases, dar coerência a ela, interligar os sentidos, dar começo meio e fim ao enredo e isso você conseguiu. Não é original, mas está dentro do tema e é muito bom. Boa sorte Vinicius.

  43. Higor Benízio
    9 de março de 2018

    Realmente um miserê memorável, hehe, só tem M aí, na linguagem e no enredo. Gostei do conto e acho que cumpre bem a proposta do desafio. Fico imaginando o autor(a) caçando as palavras… (eu não conseguiria)

  44. José Américo de Moura
    8 de março de 2018

    Fantástico, viajei com Marina, não a Marina Morena do baiano Dorival Caymmi, mas uma Marina como tantas outras mulheres que vieram ao mundo para sofrer.

  45. André Lima
    8 de março de 2018

    Ah, apenas para deixar claro, pois posso ser mal interpretado:

    Quando digo que já vi essa estrutura em um poema de Chico Anysio, não estou querendo DESCARACTERIZAR o conto como uma obra experimental. Ele é sim experimental. E muito! Principalmente pela dualidade que me referi no post anterior.

  46. André Lima
    8 de março de 2018

    Um conto com uma estrutura interessante, embora com uma ideia não muito original (Lembra-me muito um poema de Chico Anysio – provável fonte de inspiração do autor).

    Mas a força do conto não está na linguagem propriamente dita, mas sim na forte habilidade do autor em utilizar essa maneira de contar e ainda conseguir uma excelente história. O que poderia ser um empecilho ao desenvolvimento do texto, acaba por nos surpreender. Temos aqui uma personagem (Mariana) extremamente bem desenvolvida, com sua psique bem explorada desde o primeiro parágrafo.

    Outra coisa que me chama a atenção é a dualidade. Eu adoro dualidades. E aqui está presente na forma lúdica em que a história é narrada (Um jogo de stop) com a narração propriamente dita de uma história totalmente urbana, seríssima, de uma trajetória de vida comum a muitas mulheres.

    É um texto bom, criativo e habilidoso. Gostei do resultado final.

    Boa sorte no desafio!

  47. Jose Angelo
    7 de março de 2018

    Texto legal.
    Não inova na forma. Conteúdo bem estruturado.
    Acho que decorre de algum jogo. Por óbvio, Stop!
    Sei lá se é isso.
    Brinca com a extrema aliteração das palavras. Aqui, os sons do eMe.

    Acho que a gente já ultrapassou, no FB, a discussão do que é ou deixa de ser “Experimental”. Então tá, é tudo experimental, e vamos nessa.
    Bacana ser o primeiro a postar. Desprendido, sem dúvida.
    Antes que comecem a cavar erros de português, com ou sem intenção de os cometer, acho que será impossível apontá-los quando o assunto é experimentar. Palavras, construções, sintaxes, sonoridades etc.
    Combino que estará, para mim, tudo perfeito nesse ramo das escritas.
    Outras coisas.
    Como avaliar?
    Acho que vou ficar com as muitas variantes entre o “gostei muito” e o “gostei pouco”
    Nem consigo imaginar que no desafio encontraremos apenas “Contos”. Tudo será possível.
    Teremos textos que representam ideias com intenção de experimentar. Linguagem, sons, palavras, induções compreensivas etc.

    Parabéns ao primeiro e boa sorte no desafio.

    • Angelo Rodrigues
      7 de março de 2018

      Quem é José Angelo? É Angelo Rodrigues. Ficamos acertados assim.

  48. Evandro Furtado
    7 de março de 2018

    O conto adota uma estratégia extremamente perigosa. E sucede. O trabalho com a linguagem é fino. Inteligente por parte do autor não se preocupar que todas as palavras começassem com a letra “M” até porque, além de tornar o trabalho impossível, isso prejudicaria o aspecto do enredo. A inserção de outras palavras, sobretudo elementos de ligação, não prejudicou a sonoridade do conto. Aliás, conto a ser lido em voz alta porque é, de fato, obra de arte. A história, no entanto, é o que espanta. Porque, normalmente, nesse tipo de situação, com um trabalho tão refinado com a linguagem, a trama fica em segundo plano. Não foi o caso. O autor conseguiu manter a história coesa e coerente. A forma como foi escrita confere, também, margem para interpretação, o que torna o texto ainda mais rico. Por fim, não digo que isso foi experimental, foi muito além disso. A experiência sucedeu e se deu de forma tão natural que faz parecer fácil.

    Só resta deixar-lhe um:

    OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOUTSTANDING!!!

    • Paula Giannini
      23 de março de 2018

      Olá, autor(a),

      Tudo bem?

      Acredito que contar uma história seja algo que transcende a palavra. Pode parecer estranho eu dizer isso em meio a um desafio entre escritores, mais que isso, em um conto que lança mão, justamente, de um jogo de palavras para construir seu trabalho. No entanto acredito, de fato, no poder do subtexto.

      Para se construir o dito através do não dito, porém, é necessário talento. Aptidão, técnica e maturidade precisam andar juntos para se transformar em enredo, uma história que o leitor apenas entreve em meio ao belo jogo musical que compõem as palavras como acontece aqui, nessa brincadeira de Stop.

      Assim, em uma construção onde a organização das palavras poderia, à principio, parecer algo aleatório ou sem sentido, o entendimento da história vai se elaborando não só através daquilo que o(a) autor(a) sugere, tangendo o leitor através da hábil escolha dos vocábulos, mas, de igual modo, através da trama que o próprio leitor inventa, à partir de suas próprias sensações durante a leitura. Dessa forma, de certo modo, o(a) autor(a) rompe a quarta parede ao convidar o público a participar do jogo.

      Só a título de curiosidade, Stop é um de meus jogos preferidos. Artifício de que lanço mão, sempre que tenho muita gente reunida em um dia de chuva, por exemplo. Funciona sempre.

      Parabéns por seu trabalho.

      Sorte no desafio.

      Beijos

      Paula Giannini

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Informação

Publicado às 7 de março de 2018 por em Experimental e marcado .