EntreContos

Detox Literário.

Taxa Zero em Partículas Rhaman (Rafael Penha)

Nasci num dia relativamente frio, talvez isso explique minha condição. Meu pai conta que se lembra de olhar o Termômetro minutos antes do meu nascimento. Fazia uns 67 graus. Mesmo no inverno, foi um dia bem frio né? Ele diz que meu choro o fez voltar a atenção para ao parto. Eu havia nascido. Saudável. Vivo. Só de constatar isso, meu velho já chorou de alegria.

Sei que fui levado rapidamente para as inspeções pós-natal, para confirmar os resultados dos exames feitos enquanto eu ainda gestava em minha mãe e, para a tristeza dos meus pais, foi confirmada a suspeita. Eu havia nascido especial.

Sim, especial. Diferente dos outros. Na verdade, eu era único! Um caso que não ocorria há milhares de ciclos. Mas isso não fez meus pais me amarem menos. Sempre foram muito carinhosos e zelosos. Sempre preocupados com o que eu podia fazer. E o que não podia.

Ao final do meu primeiro ano de vida, eles estavam conformados com minha condição, mas eu ainda não.  Eu não aceitava isso. Ainda hoje, crianças não aceitam diferenças tão facilmente, não é? A escola era meu pior pesadelo nesse um ano de vida. Ver crianças normais se descobrindo, fazendo proezas e me deixarem para trás em praticamente qualquer instância, era duro e humilhante pra mim.  

Claro que tentei! Eu era bom em algumas coisas. Mas eu não me destacava em nada, ao contrário dos outros.

O segundo inverno da minha vida também foi muito difícil. Com a puberdade chegando, eu só queria ser igual aos outros. Eu me sentia tratado como um ser frágil e estranho, tipo aqueles protótipos da primeira geração de androides da Weta, sabe? Não acredita? Ora, eu sou o paciente, acho que você deveria acreditar em mim né?

Ah, sim! Eu sei que é uma expressão, me desculpe por essa reação. Eu entro na defensiva muito fácil nesse assunto, por isso estou aqui. É que além do que você falou, sua imagem ficou um pouco destorcida… achei que estava rindo de mim. Claro, claro, você nunca faria isso. Eu deveria saber. Se importa se eu buscar um refrigerante? Você tem água aí? Pura!? Nossa! Acho que faz uns 40 ciclos que não bebo água pura. Sabe como é né, no preço que está, não dá para beber todo dia. Pois é… Ah sim obrigado, não se incomode, pode beber, eu estou bem com meu refri.

Mas onde parei? Ah sim, o inverno. Não sei por quê, mas sempre me deixa mais triste. Talvez por eu ter nascido num inverno. O verão costuma me deixar mais alegre, apesar de ser a época do ano onde as crianças demonstram mais a diferença entre mim e elas. O calor do sol me cansa muito rápido, mas muitas pessoas o toleram bem. Talvez pelo sol ser o motivo das Perícias, né… Mal sabem elas que se não sairmos daqui rapidinho ele vai ser o motivo da nossa morte. Você não sabe? Ele continua se expandindo. Sim… Já nem se ensina mais nas escolas, que costumava haver dois planetas antes da Terra no Sistema Solar, e que o Sol os engoliu. É… se pesquisar, você acha em algumas mídias sociais e assimilativas, mas esse tipo de informação vai ficando cada vez mais difícil de achar. Pelo que dizem, o Governo acha que pode haver pânico se a população souber disso com muitos detalhes. Muita gente nem sabe que hoje estamos na antiga órbita de Júpiter, acredita? A velha história de ignorância ser uma benção.

Sim, eu adoro astronomia. Claro que já pensei em ser um astrônomo ou cientista. Mas eu sempre ficava em último nas provas… Óbvio! O que eu posso fazer contra os caras que tem Raciocínio Matemático Acelerado? Geralmente, para conseguir uma posição nas empresas e assimiladoras desse ramo, elas exigem alguma Perícia nesse sentido.  Eu até li sobre um cara que conseguiu uma vaga para Mecânica Solar por ter nível S em Resistência Ocular Infravermelha e Ultravioleta, acredita? A vaga foi praticamente feita pra ele. Ele pode olhar o sol diretamente, por quanto tempo quiser. Dizem que no tempo em que o Sol era amarelo, ainda se podia olhar para ele nos eclipses, mas com ele nesse tamanho… nenhuma lua consegue tapá-lo. Esse cara consegue olhar bem para luz vermelha e estudar as partículas Rahman.  

Não… esses equipamentos não são mais fabricados… para que suprir as limitações de alguns, quando outros podem fazê-lo tranquilamente? Depois que as empresas descobriram que se pode economizar milhões contratando apenas pessoas com Perícias compatíveis para a maioria das vagas, é impossível alguém “não compatível” aspirar a uma vaga. Já, já tentei. Mas… apesar de gostar muito desse tema, acho que não é pra mim. É só um hobbie. Mas acabei divagando, não é? Nosso tempo está quase no fim… sim, eu sei que esse primeiro encontro é apenas para se conhecer, mas eu gostaria de ter sido mais direto. Tudo bem, sem problema, continuamos na próxima.

Sabe, eu acreditava que era tudo da minha cabeça. Que se eu me esforçasse, me focasse e dedicasse, eu despertaria minha Perícia. Eu conseguiria fazer algo melhor que os outros. Quando eu era adolescente e ainda morava no Continente Antigo, eu tentei de todas as formas despertá-la. Graças a isso, me machuquei muito, quebrei mais ossos do que me lembro, tentando ir ao limite físico. Tive dores de cabeça homéricas por me forçar a provações mentais. Mas nada acontecia. Jamais consegui despertar minha Perícia e acabava sendo chacota para os outros adolescentes, que eram ainda mais cruéis que as crianças nas gozações.

Por isso briguei muito nessa época. Eu não tinha nada, então, respeito eu pelo menos tinha que ter. Se alguém se exibia muito ou se me olhassem torto, eu já saía no braço. Bati muito, e apanhei muito também. Mas um dia cismei de brigar com um Nível C em Força. Achei que com agilidade e inteligência eu venceria e seria respeitado… Ele tentou me acertar seis vezes, errou todas. Na sétima, acertou, e foi o fim da luta, o fim das brigas e o fim da minha semana acordado.

Falar em Força me lembrou do meu primeiro emprego. Trabalhei na Equipe de Resgate Classe Delta da minha cidade. Sim, apesar de minhas limitações, consegui entrar. Tive que fazer os exames três vezes, e ainda contar com a ajuda de um amigo do meu pai que trabalha lá, porque todos que entram tem sempre alguma Perícia física e, uma ou outra Perícia mental.

Trabalhei lá uns 58 ciclos, mas tive que sair. Estava insuportável para mim. Os colegas e chefes acabavam me excluindo por eu não conseguir acompanhar a velocidade de alguns, ou não conseguir levantar os blocos mais pesados de lonsdaleíta e vibrânio. Me colocavam em alguma posição que simplesmente não atrapalhasse os caras de Força. No final, me sentia mais evitando atrapalhar o trabalho deles do que realmente ajudando. Sei que fiz a diferença algumas poucas vezes, salvando pessoas e androides, mas nada que me fizesse sentir respeitado e bem-vindo pelos meus colegas. Então acabei saindo.

Pois é, eu já fiz muita coisa nos meus quase 4 anos de vida. Aparento ser mais novo? Obrigado. Será que é por causa da taxa zero em partículas Rhaman? Brincadeira.

Nesta trajetória por tantos empregos, vivi me mudando também. Assim, acabei fazendo amigos, sim, mas muitos deles apenas se compadeciam da minha situação. Me tratavam como os médicos especialistas que meus pais me levavam quando era garoto. Como se fosse um rato de laboratório. Um experimento, frágil, que deve ser manuseado com cuidado e destreza, sabe?  Mesmo eu mostrando ser tão normal quanto eles, essa impressão nunca passou. Eu sempre fui “O Especial”. Mas isso tudo começou a me encher a paciência. Eu precisava mudar aquilo.

Nosso tempo está acabando né… tudo bem, foi bem a tempo, o forno está apitando na cozinha. Continuamos na próxima.

Com o tempo, fui aprendendo a me focar menos no que eu não posso fazer e mais no que posso fazer. Pois é, depois de muita assimilação de autoajuda, aprendi que era a melhor atitude. Não foi fácil, é claro. Quando saímos de casa, vemos dezenas de pessoas passando zunindo pelo céu, vultos dos velocistas, vozes encantadoras e volta e meia tenho que me proteger de Telepatas. Mas como eu, a maioria das pessoas ainda precisa de Jet-Mobiles para voar, veículos ou tem voz normal, então, se eu desconsiderar as Perícias específicas de cada um, acabo sendo igual a todos. Imagino como não devia ser na época em que as Perícias eram raras, e encaradas como superpoderes. Talvez os primeiros Peritos fossem tratados como eu sou agora.

Sim, eu entendo este conceito hoje, mas nem sempre foi tão fácil. O que me ajudou muito foi entender que a maioria não tem nível S em alguma Perícia, ou não tem Perícias Múltiplas. Assim, acabei conhecendo um lado diferente das pessoas. Nos intervalos das assimilações de Engenharia, conversei com muita gente com Raciocínio Matemático Acelerado, Lógico Induzido e diversos outros semelhantes. Todos eles já eram engenheiros, físicos, contadores, matemáticos, mechatrônicos… Alguns deles me contaram que queriam ser advogados, psicólogos e até esportistas, mas jamais conseguiram. A maioria sequer tentou. É bem mais fácil, rentável e incentivado trabalhar com a sua Perícia.

É verdade, o programa do Governo também contribui muito para isso. Nós avançamos muito “Explorando nosso Máximo”, né? O progresso nos empurrou nessa direção e realmente fizemos maravilhas, mas… a meu ver, pagamos um preço bem caro.  Eu tenho uma amiga com muita experiência em seleção de recursos humanos. Ela conta que em todas as empresas que trabalhou, os currículos enviados para vagas sem relação com a Perícia natural do candidato eram deletados, sem sequer ser considerados.

Meu pai por exemplo, já está aposentado. Trabalhou mais de oito anos utilizando sua Respiração Autônoma. Passou por diversas empresas de exploração submarina, construção marinha, resgates submarinos… Hoje, ele vive reclamando de nunca ter tentado ser piloto de concorde. Quero dizer, ele gostava do seu trabalho, pelo menos eu acho, mas sempre teve esse desejo reprimido e jamais concretizou.

Em meus últimos dois trabalhos tive muito tempo para refletir sobre a vida. Ano passado fui representante de vendas de uma empresa de jogos. Eu não tenho Presença, Vontade, Empatia Instantânea ou qualquer Perícia que me ajudasse nessa profissão, mas falo bem, e fiquei lá um bom tempo. Viajava muito para a Lua, Ceres, Palas, vez ou outra ia até mesmo a Próxima B. Isso! No sistema de Alpha Centauri. Foi terraformada há uns dois anos, hoje muita gente já vive lá. Com os tubos de explosão, a viagem dura alguns ciclos e é bem cansativa, mas é muito interessante. Eu aproveitei o máximo que pude para trabalhar assim, porque, mais cedo ou mais tarde, o teletransporte vai ser liberado e adeus viagens longas.

Mas como eu dizia, nesses ciclos de viagem, eu pude pensar e refletir muito. Lá mesmo, em Próxima B, o Governo já implantou o “Explorando nosso Máximo”. Utilizando as Perícias, as pesquisas e avanços tecnológicos já estão em nível bem acelerado e logo conseguiremos chegar ao Sistema de Barnard ou Lalandé. As pessoas estão tendo suas habilidades exploradas ao máximo para levar nossa raça mais longe. Eu me sentia triste por não poder contribuir, por não ter algo em que dar meu máximo. Eu realmente achava isso. Mas hoje, apendi que se trata mais de dinheiro e dominação do que evolução como espécie. Esta perspectiva me ajudou a superar esse pensamento.

Talvez por isso que os programas anti-suicídio e anti-estresse do Governo estão cada vez mais demandados por lá. Em alguns anos, a população de Próxima B estará tão estressada e desgostosa quanto a daqui, você não acha? Por que está me olhando assim? Hahaha que bom que você acha o mesmo, sinal que não estou louco, não é? Bem, nos vemos na próxima. Até!

Isso, lembrei! Na ultima sessão, eu estava falando sobre minhas reflexões. Depois que deixei o emprego de representante de vendas, passei algum tempo assimilando algumas matérias. Sim, durante as viagens interestelares nos tubos de explosão, tive tempo de sobra.

Assimilar conhecimento realmente me ajuda muito, não sei porque as crianças ainda precisam ir para a escola… Ah é? E nós adultos, não precisamos de aprendizado em convívio social? Hahaha, estou brincando, essa discussão vai longe, deixa pra lá, melhor voltarmos ao cerne.

Acho que assimilei tanta coisa, vi e tentei tanta coisa diferente durante minha vida, que tenho muita história pra contar. Por isso que consegui a coluna na Image. Agora mesmo, estou com um artigo aberto aqui, pra finalizar ainda.

Foi graças à Image, que consegui seu contato. Sim, estou satisfeito por enquanto, mas comigo, tudo pode mudar, não é? Estou realmente muito feliz de ter te encontrado, parece que sua Perícia é realmente incrível! Faz jus à fama. Ah que isso, não fique… você merece o elogio.

Mas estou eu divagando de novo e ainda não lhe falei o resultado de minhas reflexões, ou talvez o resultado de nossos encontros, não é? Tudo bem, vou aceitar o mérito, mas creio que você tem grande parte nisso. Sim, é isso mesmo! Depois de quase 4 anos, finalmente descobri minha Perícia! Devo dizer que é uma sensação gostosa ser o único no mundo com esta.  

Sim, eu trabalhei em muitos, muitos empregos, fazendo muitas, muitas coisas. Morei em muitos lugares e vi muita coisa. Hoje, estou satisfeito com a coluna na Image, mas amanhã posso estar de saco cheio e inventar outra coisa. Ser diferente me ensinou a ser adaptável e nômade, ao mesmo tempo. Nada me prende, eu não me prendo! Entendi que minha limitação me concede minha Perícia e, ainda estou aprendendo a lidar com ela, a explorá-la. Mas vejo um grande potencial.

Obrigado por me ajudar, me ouvir. Não, o prazer foi todo meu. Fui um desafio? Que nada, eu sou tão único quanto você é, mas vou encarar isso como um elogio. Com sua Perícia, você já descobriu a minha, não é? Sim, é isso! E me desculpe a falta de humildade, mas não há nenhuma outra no mundo melhor que ela.

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73 comentários em “Taxa Zero em Partículas Rhaman (Rafael Penha)

  1. Bianca Amaro
    31 de dezembro de 2017

    Olá!

    Um texto legal, já me apaixonei pelo início, com a parte de mostrar um calor infernal como um clima frio para o lugar. Criar um mundo utópico é algo que exige muito talento, criatividade e comprometimento, então o parabenizo pela criatividade!

    Mas achei que a narrativa poderia ser um pouco melhor, poderia fluir de um jeito melhor. Talvez se deixasse mais interessante do meio ao fim, eu teria achado melhor. Entende o que digo?

    Mas apesar da minha crítica, achei que o texto foi muito criativo!

    Enfim, parabéns e boa sorte!

    • Rafael Penha
      3 de janeiro de 2018

      Ola Bianca, obrigado por comentar. Sim, acho que o enredo poderia ter sido mais desenvolvido. É o que muita gente vem apontando. Obrigado!

  2. Fil Felix
    30 de dezembro de 2017

    Um conto que faz um convite ao diálogo com o leitor, com o protagonista conversando com algum terapeuta misterioso, que pode ser nós mesmos. Ou não. Acho que poderia ter sido pausado, entre as sessões, porque parece tudo muito texto corrido. Há um lance mais de ficção, com tempo diferente do nosso, temperatura, clima, um monte de planetas e coisas mil, pra nos diferenciar, isso é bom até um ponto, quando contextualiza a história, depois começa a sobrar. Gostei de como tratou os poderes como perícias e em ter utilizado os pontos, quase como um jogo de RPG ou de Trunfo, uma ideia ótima.

    • Rafael Penha
      3 de janeiro de 2018

      Oi Felix,

      O pessoal parece ter gostado dos elementos desse universo, mas ficou faltando enredo. Além disso, vc está certo, parece que exagerei nas referências. Obrigado pela dica. Grande abraço!

  3. Pedro Luna
    30 de dezembro de 2017

    Eu acredito que esse conto ficaria melhor se fosse alongado e desenvolvido através de personagens. Do modo como foi, uma espécie de jorro de informações, ficou um pouco cansativo e confuso. Até porque é um conto que se fixa apenas no que já passou, não há ações, ou um fio condutor que seduz. É meio difícil se envolver desse jeito. De toda forma, é interessante ver a sua criação de uma realidade futura, com grande apelo tecnológico. A escrita é boa, mas a trama podia se desenvolver de modo a atrair mais o leitor.

    • Rafael Penha
      3 de janeiro de 2018

      Fala, Pedro. Eu testei essa forma de narrativa confessional. Parece que preciso desenvolver mais né? Obrigado pela crítica. Grande abraço.

  4. Edinaldo Garcia
    30 de dezembro de 2017

    Taxa Zero em Partículas Rhaman (Héracles)

    Trama: Numa realidade futurística, os superpoderes são algo comuns, fazendo com que quem nãos os possua sofra preconceitos e tenham dificuldades de viver.

    Impressões: Um conto de interpretação bastante difícil, pois há muitas referências às tecnologias futuras. O universo do autor é interessantíssimo, mas para um conto curto ficam muitas informações soltas. Creio que daria um excelente romance. A criatividade da escrita é ótima, o tom intimista da linguem. Senti, contudo, a falta de um foco de enredo. A trama é apenas uma biografia sem nenhum episodio memorável. Mas é minha opinião, porque sei que há muitos contos biográficos neste desafios e outros que foram criticados por sair um pouco tom macro e focar por alguns parágrafos no micro, isto é detalhar algum episódio mais a fundo.

    Linguagem e escrita: É boa. Leve e joga o enredo para frente.

    Frescurites minhas:

    Saudável. Vivo. – Essa construção ficou um pouquinho estranha, pois quem é saudável obviamente está vivo. Talvez se invertesse as palavras funcionasse melhor.

    em certo trecho a palavras “acha” e “achar” se repetiram muito.

    Trecho muito bom: “Ele tentou me acertar seis vezes, errou todas. Na sétima, acertou, e foi o fim da luta, o fim das brigas e o fim da minha semana acordado.”

    Veredito: Um conto que tem seus méritos; uma trama para mais palavras do que o limite do desafio. Também há o fato de que eu sou um leitor ruim para esse tipo de enredo.

    • Rafael Penha
      3 de janeiro de 2018

      Olá, Edinaldo.

      Obrigado pela análise tão detida. De fato, o enredo é o que parece que ficou faltando no conto. Esse foi um teste nesse tipo de narrativa, a qual nunca tentei antes. Obrigado pelos apontamentos que sim, fazem todo sentido.

      Grande abraço.

  5. Priscila Pereira
    30 de dezembro de 2017

    Superpoder: não ter um poder…rsrsr

    Olá Herácles, sua ideia foi muito boa, muito boa mesmo!! Achei tudo muito interessante e original, só não gostei do formato de sessão de terapia… pena…
    Está bem escrito, cheio de situações interessantes que nos são só contadas e não mostradas, não são vividas e sim lembradas, não sei você me entende… Mas a sua imaginação e criatividade são enormes, gostei do universo que você criou. Parabéns e boa sorte!!

    • Rafael Penha
      3 de janeiro de 2018

      Oi Priscila! Entendi seu ponto e concordo com vc. Que bom que gostou desse universo, estou pensando se o descarto ou trabalho mais nele. Quanto ao enredo vc tem razão, e é o ponto que a maioria aqui tem abordado. Obrigado por comentar!

  6. Daniel Reis
    30 de dezembro de 2017

    28. Taxa zero em Partículas Rhaman (Héracles):
    Uma distopia/ficção científica bastante curiosa como PREMISSA, que se percebe nos detalhes (em quatro anos, já é um adulto, a temperatura média do local, etc.). Uma coisa que eu percebi nos Desafios é que a FC, em contos, necessita de muitas explicações para o leitor entender o contexto. E quando esse contexto é complexo, o leitor médio (eu, no caso) fica bem perdidinho na história. Por isso, apesar da TÉCNICA do autor ser bastante interessante, como se fossem sessões de confissão ou psicanálise, eu realmente me perdi na grande quantidade de informações. Como APERFEIÇOAMENTO, acho que essa história deveria ser transformada em romance, pois exige um desenvolvimento maior dos detalhes da história.

    • Rafael Penha
      3 de janeiro de 2018

      Oi, Daniel,

      DE fato, o enredo tem sido a maior crítica da galera. Vou focar mais nisso nos contos futuros. Pelo seu comentário, parece que abusei também das referências não é? Vou ficar atento nisso também.

      Obrigado pelo comentário!

  7. Ana Maria Monteiro
    29 de dezembro de 2017

    Olá, Héracles. Tudo bem? Desejo que esteja a viver um excelente período de festas.
    Começo por lhe apresentar a minha definição de conto: como lhe advém do próprio nome, em primeiro lugar um conto, conta, conta uma história, um momento, o que seja, mas destina-se a entreter e, eventualmente, a fazer pensar – ou não, pode ser simples entretenimento, não pode é ser outra coisa que não algo que conta.
    De igual forma deve prender a atenção, interessar, ser claro e agradar ao receptor. Este último factor é extremamente relativo na escrita onde, contrariamente ao que sucede com a oralidade, em que podemos adequar ao ouvinte o que contamos, ao escrever vamos ser lidos por pessoas que gostam e por outras que não gostam.
    Então, tentarei não levar em conta o aspecto de me agradar ou não.
    Ainda para este desafio, e porque no Entrecontos se trata disso mesmo, considero, além do já referido, a adequação ao tema e também (porque estamos a ser avaliados por colegas e entre iguais e que por isso mesmo são muito mais exigentes do que enquanto apenas simples leitores que todos somos) o cuidado e brio demonstrados pelo autor, fazendo uma revisão mínima do seu trabalho.
    A nota final procurará espelhar a minha percepção de todos os factores que nomeei.

    Parabéns, este foi o conto que mais gostei de ler até ao momento. Bem escrito, excelente técnica, original, adequadíssimo ao tema. Houve algumas expressões que me soaram estranhas, não sei se são gralhas de revisão ou se é mesmo esse o vosso modo de falar e então nem vou comentar. Você usou o tema do desafio ao contrário de todos os demais concorrentes, aqui a questão reside na falta de poderes num mundo onde o suposto é tê-los. A forma narrativa é excelente e desenvolta, não propriamente aquela que se usaria com um terapeuta, mas antes com um terapeuta imaginário. Existe uma moral subjacente, mas é apresentada e introduzida da forma certa. Você não tenta “vender-nos” um herói, limita-se a fazer-lhe uma boa terapia que o leva a chegar á conclusão acertada e que o coloca de bem consigo mesmo e com o mundo. Realmente, que mais se pode desejar? Logo eu, provavelmente a participante que menos gosta de FC, do que não faço segredo, fiquei de novo (já me sucedeu uma vez aqui no primeiro desafio em que participei) rendida a um conto desse género. Falta-me ler quase vinte, mas o seu, repito, é o que considero melhor até agora. Parabéns e boa sorte no desafio.
    Feliz 2018!

    • Rafael Penha
      3 de janeiro de 2018

      Olá, Ana Maria,

      Que bom que gostou do conto. O enredo poderia ter ficado mais trabalhado, mas estou fazendo testes de narrativa e esse foi um deles. Você não gosta de FC mas tá se rendendo aos poucos, heim!

      Grande abraço!

  8. Bia Machado
    28 de dezembro de 2017

    – Enredo: 1/1 – O título me chamou muito a atenção, assim como o início do conto. Mas conforme foi acontecendo o desenvolvimento, confesso que a coisa se tornou cansativa, pela forma como foi narrada. Mas o enredo daria um livro e tanto. Nesse conto há o que não aconteceu com outro conto que li há pouco: a verossimilhança. Gostei bastante.
    – Ritmo: 0,6/1 – Então, achei muito cansativa a estrutura dele. A segunda metade foi complicada de conseguir chegar ao final.

    Poderia ter dado voz ao psicólogo, terapeuta, sei lá, mas já seria uma quebra nesse ritmo que não ajuda a fluir muito.
    – Personagens: 0,7/1 – Sim, o cara é um bom contador de história, no melhor estilo Forest Gump, mas… não me conquistou de todo.
    – Emoção: 0,8/1 – Gostei, mas como já dito, a estrutura me desagradou um pouco. Queria ter gostado mais do texto.
    – Adequação ao tema: 0,5/0,5 – Sim, adequado. E muito criativo quanto à abordagem, parabéns!
    – Gramática: 0,5/0,5 – Nada que tenha me incomodado.

    Dicas: Mudar a estrutura do conto, acrescentando personagens ativos, nem que seja o terapeuta.

    Frase destaque: “Ver crianças normais se descobrindo, fazendo proezas e me deixarem para trás em praticamente qualquer instância, era duro e humilhante pra mim.”

    Obs.: A somatória dos pontos colocados aqui pode não indicar a nota final, visto que após ler tudo, farei uma ponderação entre todos os contos lidos, podendo aumentar ou diminuir essa nota final por conta de estabelecer uma sequência coerente, comparando todos os contos.

    • Rafael Penha
      3 de janeiro de 2018

      Oi, Bia,

      Que bom que gostou do conto. De fato, o pessoa vem falando bastante da narrativa e enredo deste conto. Foi minha primeira vez testando esse tipo de narrativa e concordo que possa ter ficar arrastado. Seu comentário ajudou muito a ver os pontos que tenho que corrigir. Obrigado!

  9. Higor Benízio
    28 de dezembro de 2017

    Essa coisa de terapia… Conto ficou muito chato e cansativo… Tente reescrevê-lo focando em boas situações, mais atraentes, menos previsíveis. Um bom exercício pode ser assistir a série “13 Reasons Why”

    • Rafael Penha
      3 de janeiro de 2018

      Olá, Higor,

      Sim, a narrativa acabou ficando lenta, não é? Eu já assisti a série e, achei bem interessante. Obrigado por comentar!

  10. Ana Carolina Machado
    27 de dezembro de 2017

    Oiii. Achei muito interessante a ambientação desse conto ser em um mundo futurista em que o Sol expandiu tanto que já destruiu os dois primeiros planetas. Eu gostei dessa ambientação porque sempre gostei muito de ver documentários sobre o espaço e uma vez vi um que falava da expansão do Sol e como após expandir o máximo ele viraria uma anã branca. Gostei muito também da forma de narração e de no final ter ficado um certo suspense sobre qual seria o superpoder(Perícia) do protagonista.Eu acredito que seja o superpoder da adaptação e concordo com ele é uma perícia melhor que as outras, pois com a adaptação é possível viver praticamente em qualquer lugar e em qualquer situação. Parabéns. Boa sorte!

    • Rafael Penha
      3 de janeiro de 2018

      Oi Ana,

      Que bom que você gostou da narrativa. Foi um teste que fiz nesse estilo, e pra falar a verdade, acho que não fui muito bem. Esse assunto de astronomia também me fascina, e tive um bom trabalho de pesquisa ao pegar todos eles e adaptar a este universo. Eu deixei o final em aberto para cada um imaginar o que quiser, mas eu tenho a perícia dele na minha cabeça, se quiser, te conto, rsrs. Obrigado por ler e por gostar!

      Grande abraço

  11. Gustavo Araujo
    27 de dezembro de 2017

    Excelente a ambientação. Num futuro distópico, as pessoas – todas as pessoas – nascem com um dom, que é aproveitado pela humanidade para que o coletivo evolua. Nesse contexto, quem nasce sem dom é que é “especial”. O autor consegue, com base nessa premissa, subverter a ordem, revelando grande criatividade. Apesar do enredo lembrar o filme Gattaca, com sua eugenia a todo custo, aqui parece haver certa liberdade das pessoas em escolher o que desejam fazer realmente, embora a maioria acabe trabalhando com sua perícia pessoal. Também gostei das referências futurísticas: nosso sistema solar já condenado pelo crescimento do sol, que deixou de ser amarelo, jogando a Terra (se é que é a Terra) para a órbita de Júpiter, fazendo com que a noção de “ano” tenha que se adaptar a essa nova distância. Enfim, uma ambientação muito bem construída, realçada pelo tom confessional da narração, que emula um diálogo, seja com o leitor, seja com um terapeuta. O problema é que fica nisso. Como leitor, me vi numa espécie de preâmbulo, de preparação para algo maior. Essa história, infelizmente, não aconteceu. Ficamos só nas preliminares. Enfim, um texto bem executado mas que falha ao abrir mão de uma história concreta.

    • Rafael Penha
      3 de janeiro de 2018

      Olá, Gustavo,

      Acredita que você foi um dos poucos que percebeu o lance do ano ser muito mais longo devido à órbita de Júpiter ser muito maior? Sim, por isso, 1 ano lá equivale a quase 11 dos nossos. Que bom que gostou do universo, estou pensando se o descarto ou se trabalho mais nele.

      Quanto à sua crítica, se refere ao enredo, certo? De fato, eu não costumo escrever assim, esse foi um teste de narrativa. Também prefiro narrar jornadas, como a clássica “do Herói”, por isso foi um grande esforço eu criar algo fora disso. Mesmo que o resultado não tenha sido dos melhores, gostei do exercício. Obrigado por comentar.

      Grande abraço!

  12. Hércules Barbosa
    27 de dezembro de 2017

    Saudações

    O conto a mim pareceu uma mescla de sessão psiquiátrica/ convite ao leitor em participar da narrativa e ficção científica. Os poderes do protagonista não me pareceram claros. O que eu entendi foi que pra ele a contagem temporal é diferente (ele tem quatro anos de idade) e vive em um sistema solar sem os planetas Mercúrio e Vênus. Ressalto que Gostei da iniciativa corajosa em incrementar ficção científica, tema ao qual não sou familiarizado

    Parabéns pelo trabalho e sucesso

    • Rafael Penha
      3 de janeiro de 2018

      Olá Hércules,

      Que bom que gostou da narrativa. No caso da contagem temporal, ela é diferente porque eles estão na órbita de Júpiter. Lá cada ano equivale a onze anos terrestres, por isso ele tem quatro anos. Aqui ele teria quarenta e quatro.

      Legal você ter gostado da Ficção Científica, é um campo realmente, extraordinário.

      Grande abraço!

  13. Fernando Cyrino.
    27 de dezembro de 2017

    Olá, Héracles, gostei muito do seu conto. Achei muito legal esta maneira que você encontrou em me trazer a sua história a partir de diálogos com um hipotético ouvinte. Bacana demais a sua criatividade. Não sou de curtir ficção científica mas esta sua narrativa me pegou de jeito. Trouxe-me muita informação interessante que só enriqueceu o seu texto e me deixou preso à espera do final, sempre adiado e que me aumentou o interesse. Está tudo muito bem escrito. Se há erros, eles não foram por mim percebidos. O final, bem aberto, me fez viajar na maionese e aí fiquei imaginando que a perícia encontrada enfim pelo nosso herói narrador, foi a competência em escrever. Ele era o único escritor… Gostei de ter imaginado assim. Parabéns.

    • Rafael Penha
      3 de janeiro de 2018

      Olá Fernando,

      Que bom que gostou do conto. As informações foram fruto de bastante pesquisa e adaptação mesmo. O final aberto tem esse exato propósito, deixar o leitor imaginar o que quiser.

      Obrigado e grande abraço!

  14. Marco Aurélio Saraiva
    26 de dezembro de 2017

    =====TRAMA=====

    Seu texto agride inicialmente por parecer ingênuo demais ou ambicioso demais, não sei dizer ao certo qual dos dois (apesar de parecerem antônimos). Mas conforme a leitura foi se aproximando da metade, eu, como leitor, comecei a absorver toda a ideia que você queria passar e, no final, minha cabeça explorava mil reflexões diferentes.

    Achei incrível a sua maneira diferente de abordar esse tema: a luta eterna entre Talento (ou aptidão) e Esforço. Isso gera uma discussão e tanto, que permeia muitas camadas da nossa sociedade. Os pais, por exemplo, conseguem exergar rapidamente que o seu filho tem facilidade com matemática ou com biologia, e já o encaminham para cursos ou profissões da área. Mas e se eles quiserem ser bailarinos? Ou, talvez, pintores? Professores? Ou mesmo, e se eles simplesmente quiserem ter os seus próprios negócios?

    Será que sempre temos que seguir o que nos é mais fácil fazer, muitas vezes abdicando dos nossos sonhos já que, afinal, nunca seremos tão bons quanto aqueles que têm o “dom”?

    Você explora essa questão de maneira magistral neste conto, escrevendo de forma diferente, envolvendo o leitor gradativamente e carregando ele no colo até o final, sem que ele perceba que o texto chegava ao fim.

    Além disso, a ambientação do seu conto está muito boa. Gostei das viagens espaciais, dos Peritos e suas Perícias, da expansão do sol, etc. Tudo tem seu valor e alguma base científica, é claro, permitindo extrapolações ou nossas famosas “licenças poéticas”.

    O final em aberto foi muito bom. Eu diria que a Perícia do narrador é justamente não ter Perícia alguma: ele está aberto a qualquer coisa, a aprender qualquer coisa. Ele chama de Perícia o que chamamos de Dedicação / Esforço / Força de Vontade. Com tempo e determinação, ele conseguia acoupar o lugar de aqualquer um. Isso foi genial por quê a ideia pode ser aplicada na nossa própria vida.

    Por fim, sempre que esse assunto vem a tona em alguma conversa, gosto de citar uma frase que li em algum lugar mas que desconheço a autoria:

    “Um homem esforçado e sem talento pode muito bem ultrapassar os feitos de um homem de talento e preguiçoso. Mas não há limites para aquele que tem o talento e é esforçado.”

    =====TÉCNICA=====

    A princípio achei a sua técnica um pouco incômoda. “Informal demais”, eu diria. Demorou um pouco para que eu assimilasse que era isso mesmo que você queria passar: um tom de informalidade; uma conversa entre paciente e psicólogo. Todo o conto é narrado em primeira pessoa, e você o fez muito bem. Apesar do estranhamento inicial, do meio para o final eu realmente mergulhei na sua escrita e passei a gostar muito dela.

    Há alguns problemas de digitação aqui e ali, mas nada muito comprometedor. No geral, a sua escrita é simples, mas acredito que isso tenha sido proposital já que o conto pedia um tom leve.

    Parabéns!

    • Rafael Penha
      3 de janeiro de 2018

      Olá, Marco Aurélio,

      DE fato, a narrativa é um pouco arrastada e outros colegas mencionaram isso. Que bom que você conseguiu se empolgar no decorrer do texto.

      Sim, eu quis principalmente dar um tom informal, como uma pessoa conversando com outra mesmo. Eu mesmo me senti agredido pela informalidade, mas era o tom que eu queria passar.

      Que bom que gostou do universo. Foi fruto de muita pesquisa e, como você mencionou ” Licença poética” aqui e ali.

      Gostei de ter de certa forma, subvertido o tema do desafio. Imaginei que a maioria criaria protagonistas superpoderosos e por isso, párias, deslocados da sociedade. Utilizei essa mesma estrutura, mas ao inverso.

      Obrigado por ter lido e, grande abraço!

  15. eduardoselga
    25 de dezembro de 2017

    Caro(a) autor(a).
    Antes de tudo, interpretações do literário são versões acerca do texto, não necessariamente verdades. Além disso, o fato de não haver a intenção de construir essa ou aquela imagem no conto não significa a inexistência dela.

    O conto tem um aspecto relevante em seu conteúdo, sobre o qual comentarei adiante, mas acredito que tenha havido um equívoco na estratégia narrativa, o que causou prejuízo a esse conteúdo, em razão de talvez o(a) autor(a) não perceber completamente esse conteúdo e, em função disso, ter optado por uma estrutura que o amarra, em detrimento de uma discursividade exacerbada e plana, no sentido de girar em torno de um mesmo eixo, sem, por exemplo, mudança de cenários ou variação de cenas. Em minha opinião isso contribuiu muito para certa diluição da força do enredo.

    Temos um protagonista que, aparentemente, conversa com um psicólogo ou coisa assim. No entanto, no desfecho acontece algo bem interessante, se notarmos bem: pode sugerir serem, na verdade, duas pessoas alinhavadas num mesmo discurso. Vou transcrever o trecho, pondo em caixa alta o que pode ser lido como interlocutor do personagem.

    Obrigado por me ajudar, me ouvir. NÃO, O PRAZER FOI TODO MEU. Fui um desafio? QUE NADA, EU SOU TÃO ÚNICO QUANTO VOCÊ É. MAS VOU ENCARAR ISSO COMO UM ELOGIO. Com sua Perícia, você já descobriu a minha, não é? SIM, É ISSO! E me desculpe a falta de humildade, mas não há nenhuma outra no mundo melhor que ela.

    Essa leitura, esse interlocutor disfarçado, não invalida interpretar o trecho do mesmo modo que ocorre em todo o resto, ou seja, um diálogo com luz sobre apenas um falante. Ambas as hipóteses estão postas. Há, inclusive, outra possibilidade: o personagem estar falando sozinho, supondo haver outra pessoa, resultado de desequilíbrios emocionais. E o fato de o personagem repetir várias vezes expressões que buscam chamar para si a atenção de um suposto interlocutor alimenta essa possibilidade. O resultado é muito bom se considerarmos o conjunto do tecido textual.

    É uma boa metáfora do nosso mundo pós-moderno, que teve palco depois da Segunda Guerra, no sentido de que nele não basta ser bom: é preciso ser absolutamente sensacional naquilo que se faz, caso contrário o sujeito é, na prática cotidiana, visto como um insuficiente; na vida profissional, as pessoas especialmente hábeis para algumas tarefas são vistas como peças de alto rendimento, não como pessoas. Isso, e todo o conjunto social que existe sustentando, causa doenças emocionais, como a depressão.

    No conto, temos o resultado da pressão social (“Ser diferente me ensinou a ser adaptável e nômade, ao mesmo tempo. Nada me prende, eu não me prendo!”), em que o sujeito perde a noção de coletividade (nômade) e pensa ser livre, quando na verdade ele está completamente preso.

    O desgaste emocional como regra: “[…] os programas anti-suicídio e anti-estresse do Governo estão cada vez mais demandados por lá. Em alguns anos, a população de Próxima B estará tão estressada e desgostosa quanto a daqui […]”.

    O narcisismo como ferramenta de sobrevivência na selva pós-moderna: “E me desculpe a falta de humildade, mas não há nenhuma outra [Perícia] no mundo melhor que ela”.

    No trecho “enquanto eu ainda gestava em minha mãe […]” há um equívoco na escolha vocabular. “Gestar” é gerar vida no interior do corpo da própria pessoa, o que não cabe na frase, cujo sentido é “era gestado”.

    No trecho “Me colocavam em alguma posição que simplesmente não atrapalhasse […]” há uma desobediência gramatical, qual seja, o pronome oblíquo em início de oração. Porém, como o coloquialismo domina o discurso narrativo do conto, está adequado.

    Em “[…] nos meus quase 4 anos de vida” a quantidade de anos está grafada em algarismo, quando deveria numeral, ou seja “quatro”.

    Se bem entendi, houve um salto abrupto da infância à adolescência, num período de um ano (“O segundo inverno da minha vida também foi muito difícil. Com a puberdade chegando, eu só queria ser igual aos outros”), sem estar ligado a superpoder.

    • Rafael Penha
      3 de janeiro de 2018

      Olá Selga,

      Realmente, a escolha narrativa e o enredo derrubaram meu conto. E você está certíssimo, eu não domino esta narrativa, na verdade, é a primeira vez que eu a testo. Ela de fato, contribuiu para “segurar” a história, ao invés de deixá-la voar. Obrigado pelas dicas gramaticais. São muito úteis e corrigirei o conto.

      Quanto ao salto abrupto a que se refere, é devido a órbita de Júpiter. O ano lá é muito mais extenso que aqui, por isso, alguém com um ano lá, equivale a alguém com onze na órbita da Terra. Por isso, o salto a que você se referiu e a contagem estranha da idade deles.

      Obrigado por comentar!

  16. Renata Rothstein
    25 de dezembro de 2017

    Oi, Héracles
    tudo bem?
    olha, vc trouxe uma ficção científica apresentada em forma de desabafo no estio que não acaba mais que me deu um baita nó na cabeça.
    Veja, vc é inegavelmente criativo, escreve bem, mas esse sujeito (estou falando do conto, não de vc, escritor) é prolixo e chato demais, não?
    Acho que de rpente numa outra apresentação o seu conto fique muito mais charmoso, pois talento e conhecimento de sci-fi há.
    Abraço

    • Rafael Penha
      8 de janeiro de 2018

      Olá, Renata

      De fato, a história ficou prolixa e o enredo, pouco usual. Vou trabalhar nisso. Agradeço pelo comentário!

  17. Leo Jardim
    25 de dezembro de 2017

    # Taxa Zero em Partículas Rhaman (Héracles)

    📜 Trama (⭐⭐⭐⭐▫):

    – a trama está meio escondida no diálogo do protagonista com um interlocutor, que parece ser um psicólogo (provavelmente com alguma Perícia relacionada a ler mentes ou emoções)
    – a apresentação do mundo no meio do diálogo ficou legal e bastante natural, mas cansou um pouco; algumas explicações sobraram; saber que naquele mundo há viagens interestelares é legal e útil para a trama, mas saber detalhes sobre Alfa Centauri ou sobre métodos de aprendizado do futuro ou que o Sol havia consumido dois planetas, por exemplo, não acrescentaram em nada à trama; sei que o universo criado é bastante rico, mas um conto só deve ter as informações necessárias para ele, sem sobras
    – mas, dito isso, achei universo criado muito legal: um mundo altamente futurístico e distópico onde todos têm alguma Perícia (me lembrou RPG) e existe uma opressão e uso intenso desses poderes
    – nas partes em que o personagem desiste de divagar sobre o mundo e foca nele mesmo, o conto se destaca bem mais: foi bem legal acompanhar essa saga dele em busca de auto-afirmação; no fim, o autor optou por deixar o poder dele em aberto, mas ficou subentendido que era algo como persistência ou adaptabilidade

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫):

    – o uso de diálogo para contar a história ficou bem legal e não ficou forçada como às vezes acontece o uso desse recurso
    – de resto, só peguei uns problemas de pontuação:
    – foi um dia bem frio *vírgula* né?
    – deveria acreditar em mim *vírgula* né?
    – Sabe como é *vírgula* né
    – Ah sim *vírgula* obrigado

    💡 Criatividade (⭐⭐▫):

    – o mundo criado é um conjunto de histórias conhecidas, mas juntas formaram um universo único

    🎯 Tema (⭐⭐):

    – o mundo é cheio de superpoderosos, gostei dos exemplos dados

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫):

    – o texto não arranca lágrimas nem faz cabeças explodirem, mas possui um fim satisfatório
    – fiquei na dúvida se esse final aberto trabalhou à favor ou contra, ainda estou dividido: por um lado fez com que os leitores tivessem que descobrir o poder do narrador, por outro causa uma certa frustração por não dar certeza

    • Rafael Penha
      9 de janeiro de 2018

      Fala, Leo

      Seus apontamentos são bastante pertinentes, e o pessoal andou apontando coisas parecidas sobre a quantidade de referências. Acho que realmente pesei a mão. Obrigado pelas dicas de gramática foram bastante úteis.

      eu tenho optado por deixar finais abertos, pois gosto de pensar que a história continua na cabeça do leitor, ou se conclua nela. Mas entendo o tom frustrante que esse recurso deixa.

      Grande abraço.

  18. Amanda Gomez
    25 de dezembro de 2017

    Olá autor!

    Como gosto de SCI fi eu gostei bastante no mundo que vc criou, os detalhes descritos são bem interessantes, e dariam uma história bem legal se fosse em um outro formato. Formato de história mesmo, com cenas de ação, aventura e etc. O ponto fraco do seu texto é a narrativa que vc escolheu, primeira pessoa…e ainda nessa forma reflexiva. De fato se tornou cansativa, pq ela não anda, não tem reviravoltas é um caminho reto e apenas isso. O personagem tbm é bem chatinho, ficar na cabeça dele não foi a experiência mais emocionante. Mas mesmo com essas ressalvas eu gostei do seu conto, da criatividade. Quando ele voltar a ser seu, nos conte essa história da forma convencional que tenho certeza que vai ser muito boa.

    Parabéns, boa sorte no desafio!

    • Rafael Penha
      9 de janeiro de 2018

      Oi Amanda,

      Ainda estou pensando se descarto ou invisto neste universo. Mas suas questões são bem válidas. Me arrisquei nesse tipo de narrativa pela primeira vez, e não foi o melhor dos resultados. Mas obrigado por comentar!

      Grande abraço!

  19. Estela Goulart
    23 de dezembro de 2017

    Olá. Gostei bastante do conto no fato da conversa entre narrador e leitor. Ele fala conosco, e isso é interessante. No quesito do enredo, não consegui identificar a Perícia que o personagem tanto falou, mas consegui me imaginar conversando com ele em algum local intergalático por aí. Foi bem construída essa sua abordagem. Parabéns e boa sorte.

    • Rafael Penha
      9 de janeiro de 2018

      Oi Estela,

      Que bom que gostou do conto. Arrisquei na forma de narrativa, a qual não domino, mas apesar dos pesares, gostei do resultado.
      A perícia é pra vc mesmo imaginar!

      Obrigado por comentar !

  20. Sigridi Borges
    23 de dezembro de 2017

    Olá, Héricles!
    Para mim, um texto muito difícil de focar.
    Precisei ler com bastante atenção.
    Não faz meu estilo, mas nem por isso deixa de ser um texto interessante.
    Não consegui detectar um superpoder.
    Contos em primeira pessoa não me prendem muito, mas isso é gosto particular.
    Pareceu-me ser uma conversa entre paciente e terapeuta. Ao mesmo tempo, pensei ser só um sonho ou a imaginação da personagem.
    Em todo caso, obrigada por escrever.

    • Rafael Penha
      9 de janeiro de 2018

      Olá Sigridi,

      Obrigado por ler!

  21. Felipe Rodrigues Araujo
    23 de dezembro de 2017

    Os elementos científicos travaram um pouco a narrativa, o protagonista não fala qual a sua limitação, mas acredito que fosse nenhuma, achei interessante quando me deu a sensação de estar dialogando com o protagonista. O final me agradou, este questionamento sobre qual seria a perícia do personagem, pois acho que a resposta é: o poder é a escrita.

    • Rafael Penha
      9 de janeiro de 2018

      Olá, Felipe

      Acho que exagerei nos elementos do universo. Estou retrabalhando o conto com isso em mente. A perícia do personagem fica a seu critério!!

      Obrigado por ler!

  22. angst447
    22 de dezembro de 2017

    Olá, Herácles, tudo bem?
    O tema proposto pelo desafio foi abordado como FC. Tenho uma certa preguiça de ler textos futurísticos, por isso li seu conto ontem e reli hoje para ter uma visão mais imparcial.
    Há algumas falhas de revisão, principalmente na questão da pontuação. Enxugar alguns parágrafos também agregaria significado ao texto.
    O ritmo pareceu-me oscilar, ora mais contido, ora mais acelerado. Algumas explicações sobre o passado da humanidade tornaram o ritmo emperrado. Precisa mesmo explicar tudo o que aconteceu? O recurso de usar um interlocutor (terapeuta) funcionou bem, pelo menos para esta leitora aqui.
    E acredito que a sua Perícia tenha potencial!
    Boa sorte!

  23. Jorge Santos
    21 de dezembro de 2017

    Conto de ficção científica no meio de um desafio de Superpoderes. No meio de tanto conhecimento científico e de tanta ficção, o leitor, mesmo o adepto deste género literário como eu, sente-se perdido. É conto expositivo, sem grande desenvolvimento e sem desfecho. Não faço ideia qual seria a sua perícia. Mas a confusão foi tanta que também não me deu curiosidade em saber.

  24. Luis Guilherme
    21 de dezembro de 2017

    Olá, amigo, tudo bem?

    Gostei! Confesso que no começo tava achando um pouco cansativa a narração. O cara fala pra cacete! hahahah

    Mas o enredo foi me ganhando. A ambientação distópica é muito boa. Consegui ler de forma fluente, imaginando cada cena e cada situação.

    Tanto que não queria terminar logo. Pra mim tava super prazerosa a leitura.

    Tem alguns erros gramaticais, principalmente no uso da vírgula, mas que não afeta a leitura (só achei bom apontar).

    Interessante que você tenha seguido o caminho inverso de todos que li até agora: ao invés de trazer um personagem que tem superpoderes no meio de milhões que não o tem, você traz um que é bulinado pelo motivo oposto. Aliás, quanto bullying nesse desafio, não? Acho que o pessoal seguiu bastante nessa linha do diferente/rejeitado.

    O crescimento do personagem é bem legal! Consegui acompanhar a mudança dele conforme fala com o (me perdoe se estiver errado) super-psicólogo. Será q esse era o superpoder do interlocutor do rapaz: A supercapacidade como psicologo?

    Fiquei um tempo refletindo sobre o superpoder do rapaz, que ele descobre no final. Pra mim, a resposta é: esforço constante. Sei que soa meio clichê, mas a perseverança e a capacidade de continuar persistindo me parece o maior superpoder da realidade, e rendo boas historias. Já viu a historia do Rock Lee, do Naruto, por exemplo? Boa pra caramba!

    Enfim, gostei mesmo! Acho que a parte técnica pode ser melhorada, mas o mais importante tá ali: uma história boa, bem desenvolvida e de leitura super prazerosa.

    Parabéns e boa sorte!

  25. João Freitas
    21 de dezembro de 2017

    Olá. 🙂

    Gostei da escrita descontraída que conseguiu com muito sucesso criar a ideia de diálogo. Foi fácil para mim imaginar o seu mundo distópico e futurista e ao contrário de outros comentários, não senti o excesso de informação. O seu conto tem passagens muito interessantes e se tiver uma crítica a fazer, posso dizer que o seu conto não me parece um conto mas sim um capítulo de um romance. Talvez o venha a ser mesmo? 🙂

    Boa sorte e obrigado por ter escrito!

  26. Iolandinha Pinheiro
    21 de dezembro de 2017

    Olá, autor.

    Li o seu conto lembrando o tempo inteiro de um filme que adoro chamado Gattaca.

    Neste filme a reprodução natural deu lugar à criação de seres humanos perfeitos em laboratórios, ressaltando os melhores gentes do pai e da mãe, para que nasçam com características ideais para determinados trabalhos. Os pais do personagem principal, porém, têm ainda uma visão romantizada do mundo e optam por ter um filho de forma natural. Por causa desta escolha o menino sofre, durante toda a vida, o opróbrio da sociedade. O garoto quer ser astronautas mas vira uma espécie de indivíduo indesejado para o qual estão apenas destinadas atividades subalternas. e ele acabe trabalhando como faxineiro do lugar onde sonha trabalhar como astronauta. Pelo que entendi do seu conto, o rapaz que monologa por todo o conto foi acometido por um problema genético raro e por isso se sentia inferiorizado pelos demais, especialmente pelas pessoas da geração dele, onde, aparentemente todos são dotados de superpoderes e ele, não.

    Durante algumas sessões com o seu terapeuta (?) o homem vai contando a sua história e nestas oportunidades o autor aproveita para ir mostrando ao leitor como é a vida no nosso planeta após o começo da expansão solar (que faz parte do processo de morte da nossa estrela).

    A ideia é boa, a escrita é eficiente, mas eu acho que o método de passar as informações não foi o mais eficiente, pelo menos para mim. Achei estranho o cara ter que contar toda a história do planeta para uma pessoa que também morava lá. Por acaso o terapeuta havia estado em coma por uns trinta anos para não saber de nada e o paciente precisar contar tudo para ele?

    Essa escolha de colocar o sujeito para falar, falar, falar, testou um bocado a minha paciência (a pouca que eu tenho), então eu achei que o texto não teve fluidez.

    Em suma: parabéns pela ideia e pela escrita. Gostei da sua abordagem quanto aos superpoderes, mas o seu conto me cansou.

    Beijão e sorte no desafio.

    Iolanda.

  27. Pedro Paulo
    20 de dezembro de 2017

    Olá, entrecontista. Para este desafio me importa que o autor consiga escrever uma boa história enquanto adequada ao tema do certame. Significa dizer que, para além de estar dentro do tema, o conto tem que ser escrito em amplo domínio da língua portuguesa e em uma boa condução da narrativa. Espero que o meu comentário sirva como uma crítica construtiva. Boa sorte!

    O autor escreve muito bem, tendo conseguido convencer durante toda a leitura que a personagem estava conversando conosco (ou com uma segunda figura). A narrativa não é uma que tenha uma sucessão de eventos, com início, meio e fim. Não, o que há aqui é um depoimento, uma longa reflexão acerca da situação da protagonista, das suas limitações, tristezas e do seu lugar no mundo. Levando isso em conta, é interessante que o autor tenha conseguido criar um universo instigante em torno da personagem, em nenhum momento esquecendo de focar mais nas reflexões dele enquanto vai apresentando aquele cenário futurístico. Em contrapartida, a leitura fica um pouco arrastada, sem uma progressão para nenhum lugar, uma vez que a personagem fala mais de como se sente do que sobre algo que ocorreu. Então não começamos em ponto A e ficamos ansiando para chegarmos em ponto B, o que lemos é uma enxurrada de lembranças e ponderações que não constituem uma história só, mas uma coleção de momentos – nenhum deles especificamente marcante – que nos dão uma ideia do deslocamento da personagem. Contudo, o final ainda tem o seu impacto, com ele superando o que antes achava um grande problema, vendo vantagens em sua posição. Entendo que o autor é bastante criativo e tem o potencial para escrever bons contos em universos mirabolantes. Aqui, só faltou delinear uma história específica e envolvente para nos contar.

  28. Givago Domingues Thimoti
    19 de dezembro de 2017

    Olá, Herácles

    Tudo bem?

    Pois é, não curti o conto. A verdade é que fiquei muito confuso, tentando acompanhar a fala do personagem. Não entendi muita coisa. Achei a leitura muito truncada. Na minha opinião, a ideia de fazer uma conversa entre paciente e terapeuta deve ser usada em qualquer coisa, menos FC, já que o gênero demanda o conhecimento prévio do leitor, para que ele não fique voando como eu.

    Quanto à gramática, acho que vale a pena revisar para evitar a repetição de palavras.

    Boa sorte!

  29. Paula Giannini
    19 de dezembro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Uma das coisas que mais aprecio na literatura é a construção da linguagem. Em seu conto, você nos traz uma estrutura de diálogo. Assim, o texto em primeira pessoa trava uma conversa com uma terceira pessoa, que não leitor. Uma espécie de interlocutor que, ao passo que não interage ou responde, faz-se presente e até ativo dentro da trama, já que vemos o narrador discorrer, por vezes, sobre as opiniões deste.

    Dessa forma, o trabalho nos remete a uma sessão de terapia, onde quem fala é apenas o paciente, ao passo que o terapeuta não só nada diz, como, o que diz (se é que o faz) é na verdade uma projeção do que pensa o próprio confessor.

    Partindo desse “solilóquio”, o(a) autor(a) nos apresenta, aos poucos, um universo Imaginário, uma distopia em um futuro distante na qual se desenvolve a trama. Esse universo único, criado pelo(a) autor(a), onde, como em todo bom texto de FC, imperam leis próprias e coerentes com tudo o quanto se relaciona com personagem e histórias, nos mostra o quão íntimos estão criador e criatura (no caso aqui o texto).

    Como leitora, confesso que viajei em seu universo. Imagino este conto como a primeira parte de uma história bem mais longa, descortinando o poder do não poder do narrador, bem como tudo mais acerca de outros sóis e de seres possuidores de dons inatos que, se por um lado o qualificam, por outro, os limitam em suas escolhas e sonhos.

    Gostei muito!

    Quero mais.

    Desejo-lhe sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  30. Catarina Cunha
    19 de dezembro de 2017

    Acho que houve um excessivo divagar: “Mas estou eu divagando de novo e ainda não lhe falei o resultado de minhas reflexões,…” e acredito que a perícia do personagem era ser prolixo.
    O texto é uma viagem futurística com sacações nerds muito divertidas: a explosão do sol, a raridade da água, o alto desenvolvimento cerebral em pouco tempo, etc. Uma FC inofensiva cheia de ideias, criativo, mas como conto não me encantou; faltou força narrativa.

  31. Fheluany Nogueira
    18 de dezembro de 2017

    Superpoder: Perícias físicas e mentais que determinavam a função do perito na sociedade; o protagonista não possuía nenhuma habilidade especial, assim poderia ser adaptável e nômade, livre.

    Enredo e criatividade: primeiro pesquisei o título – Rhaman são nanopartículas resultantes da poluição ambiental alcançam o cérebro e podem provocar doenças como o Alzheimer, segundo um estudo britânico ainda não comprovado. Na trama, no futuro, seriam as partículas que determinam a capacidade especial que todos possuíam, menos o protagonista. Passa a mensagem da inclusão social e auto-aceitação. Através dessa conversa, o espaço-tempo distópico é retratado em detalhes e coerentemente.

    Estilo e linguagem: carece de revisão na pontuação, frases confusas, parágrafos extensos. Os neologismos completam bem a ambientação. O formato do texto é interessante, mas um pouco explicativo, cansativo e complexo: monólogo do homem “taxa zero” com seu terapeuta.

    Gostei bastante da excelente FC. Parabéns pelo trabalho! Abraços.

  32. Andre Brizola
    17 de dezembro de 2017

    Salve, Héracles!

    Meu, é muita informação! Muito informação de verdade. O paciente personagem é verborrágico, parece até não respirar direito. Embora tenhamos conhecimento de um pouco de seu mundo através do falatório, conseguimos saber muito pouco dele mesmo, além daquilo que ele mesmo conta, e que não é suficiente para construir uma conexão.
    Já com relação ao mundo, parece que há tanta informação que a impressão é a de que acabamos ficando conhecendo pouco. Algumas coisas são interessantes, como a própria menção aos superpoderes,aqui chamados de perícias. Entretanto, há certos detalhes que simplesmente passam batido por não termos mais parâmetros.
    No final fica a dúvida se esse mundo realmente existe ou se o paciente está relatando um mundo ficcional. Ter apenas o ponto de vista dele acaba gerando essa possibilidade.
    O questionamento sobre o estresse e a busca incessante por melhorias é interessante. Se esse tivesse sido o foco da conversa teria sido mais impactante, acredito.

    É isso! Boa sorte no desafio!

  33. Antonio Stegues Batista
    16 de dezembro de 2017

    Num futuro distante, um homem, conversa com seu terapeuta.Nessa conversa ele discorre sobre sua vida e através dela, temos uma visão do seu mundo. Um texto com alguns aspectos estranhos, teorias futurística, ficção e realidade, nomes de coisas inventadas pelo autor (também fiz isso em alguns contos de ficção científica). Gostei do conto, acho uma boa ideia. Deve ter dado trabalho para criar toda essa complexidade, isento de absurdos. Boa sorte.

  34. Regina Ruth Rincon Caires
    14 de dezembro de 2017

    Herácles.

  35. Regina Ruth Rincon Caires
    14 de dezembro de 2017

    Um texto complicado que custei a entender. Li e reli cada parágrafo, tive dificuldade. Narrativas futuristas formam um nó cego nas minhas ideias. Li com muito carinho e com muita atenção, acho que compreendi quase tudo. A escrita merece uma revisão, principalmente no quesito “pontuação”. Há períodos confusos. O autor tem extrema facilidade de juntar palavras, aos montes. É palavroso, constrói parágrafos fartos. Entendi como um relato, uma conversa com um ouvinte “mudo” (médico, padre, psicólogo, amigo). Ou um monólogo.
    Texto interessante, diferente de tudo que li até agora.
    Boa sorte, Héracles!

  36. Rubem Cabral
    14 de dezembro de 2017

    Olá, Heracles.

    Gostei do conto. É uma FC bem viajada, mas gosto de textos assim. De início, quando se falou em 67 graus no inverno eu pensei que fosse alguma “pegadinha”, pois você não citou a escala usada (67°F daria uns 19,4°C, por exemplo). Mas depois entendi a coisa da expansão do sol e etc. Cientificamente falando, o sol deve se expandir até mais ou menos próximo da órbita da Terra, então penso que na altura da órbita de Júpiter as temperaturas estariam bem mais baixas que 67 graus, mas isso é um detalhe sem importância.

    O universo criado é bem interessante, assim como o personagem: um homem comum num mundo cheio de gente com superpoderes. A conversa com o psicólogo (?) ficou um tanto explicativa em alguns momentos, feito quanto ele fala das colônias extrasolares (Viajava muito para a Lua, Ceres, Palas, vez ou outra ia até mesmo a Próxima B. Isso! No sistema de Alpha Centauri. Foi terraformada há uns dois anos, hoje muita gente já vive lá.) – isso deveria ser de conhecimento geral da sociedade, o trecho é principalmente informação para o leitor.

    Quanto à escrita, há algumas vírgulas “comidas”, mas nada muito sério. O conto está bem escrito e bem dosado no uso de neologismos.

    Enfim, foi um bom conto, que atendeu bem ao tema do desafio.

    Abraços e boa sorte no desafio!

  37. Paulo Ferreira
    13 de dezembro de 2017

    Não vi nenhum superpoder, apenas a descrição de um fictício tempo num longínquo futuro. Um diálogo complexo com um hipotético interlocutor, que só próximo ao final se percebe ser um provável terapeuta. Cujos termos atípicos não ajudam em nada a compreensão do leitor. Local imaginário, circunstância hipotética, onde situações são arquitetadas extra terra futura. Entretanto, não se pode negar que se trata de um conto bastante peculiar. Se o autor não tivesse se empolgado tanto em sua personificação linguística teria nos ajudado muito. Mas a ideia do conto é muito boa. Percebi alguns problemas de digitação, mas nada que uma revisão mais atenta não resolva. Valeu pela viagem interestelar.

    • Rafael Penha
      31 de dezembro de 2017

      De fato, se eu tivesse optado por uma narrativa mais usual, o conto poderia ter outra cara. Obrigado pelo comentário!

  38. Miquéias Dell'Orti
    13 de dezembro de 2017

    Oi,

    Sua narrativa se passa em um mundo distópico muito bacana. Complexo e com uma história interessante nas entrelinhas. Mas acho que 2500 palavras são pouco para mostrar toda a grandeza dessa sua ideia.

    O recurso de utilizar, digamos, um texto em segunda(?) pessoa ficou muito legal. Eu gostei da forma de relato com o terapeuta que a narrativa ficou.

    Há um ponto que me intrigou… existe a referência de que as Perícias se desenvolveram por causa da aproximação do Sol. Mas depois o narrador fala de pessoas com Perícias desenvolvidas que foram trabalhar em outros sistemas, até em outras galáxias (se não estou errado). Existe um motivo para isso? A questão do Sol é só uma pista falsa? As partículas Rhaman vêm de onde, então?

    Infelizmente (e por total ignorância minha) não consegui descobrir qual seria exatamente a Perícia do outro interlocutor. Ele era telepata? Lia mentes? Projetava-se na mente das pessoas? Aguardo explicações rs.

    Parabéns pelo trabalho!

    • Rafael Penha
      31 de dezembro de 2017

      Olá, Miquéias,

      Que bom que gostou do conto. Estou treinando formas diferentes de narrativa e essa foi um teste para essa em tom confessional, sem diálogos.

      Quanto à suas dúvidas, as partículas Rhaman, sim, são originadas graças à luz do sol vermelho, que contaminou as pessoas da Terra e afetou seu DNA gerando esses superpoderes. Assim, elas não necessariamente dependem de estar sempre irradiadas pelo sol vermelho, visto que é algo que já está inerente a elas devido à séculos de exposição humana à estas partículas. Desta forma, mesmo que elas saiam do alcance do sol, elas continuam tendo suas perícias.

      Quanto à segunda dúvida, a ideia era deixar em aberto mesmo, pra cada um interpretar como quiser, mas na minha mente, a Perícia do protagonista é não ter Perícia, ou seja, não ter grilhões. Em uma única palavra: Liberdade.

      Obrigado por comentar e grande abraço!

  39. Mariana
    13 de dezembro de 2017

    O poder dele seria não ter superpoder? O conto, como já foi dito pelos colegas, possui muita informação de um universo que o autor deve ter criado ou estar criando (isso é notável, diga-se de passagem). No entanto, nesse limite curto, tanta complexidade não funcionou muito bem. Uma enxugada e uma maior clareza da condição do protagonista deixaria o texto muito mais interessante. De repente, a inserção da perspectiva de outros personagens também seria uma boa. Parabéns e boa sorte no desafio.

    • Rafael Penha
      31 de dezembro de 2017

      Olá, Mariana,

      Obrigado por comentar, de fato, a narrativa é o que recebeu mais críticas. Foi um bom teste, pois nunca escrevi dessa forma. Obrigado pelo comentário!

  40. Neusa Maria Fontolan
    13 de dezembro de 2017

    Então, eu até copiei e colei no Word para ver se não tinha mais de 2.500 palavras de tão arrastada que foi essa leitura. Passei quase o tempo todo imaginando uma formiga. Só quase no final me toquei que o protagonista falava com um psicólogo ou algo do tipo. Não tem uma história, apenas desabafos de sei lá quem.
    Parabéns e obrigada por escrever.

    • Rafael Penha
      31 de dezembro de 2017

      Olá, Neusa. De fato, o enredo foi pobre. Obrigado pelo comentário!

  41. Fabio Baptista
    10 de dezembro de 2017

    Então… até gosto desse esquema de dinâmica de terapia, mas aqui não funcionou muito bem. Foram muitos elementos inseridos nos dramas do personagem, muita coisa pro leitor ficar se perguntando “putz, como será que isso funciona?” (tipo a consciência de já não ter perícias no primeiro ano de vida) antes de conseguir mergulhar na história.

    História aliás, não teve muita… apenas as reflexões/lamentações do personagem (que, sinceramente, não consegui saber com certeza se era um androide ou não… sendo androide, o conceito de superpoder perde impacto).

    Algumas imagens desse mundo pós-apocalíptico foram interessantes. O lance da explosão do Sol é algo que sempre me chama a atenção, por exemplo. Mas infelizmente foi pouco.

    A parte narrativa corre bem, com alguns deslizes na gramática como em “destorcida”.

    Abraço!

    • Rafael Penha
      31 de dezembro de 2017

      Olá, Fábio. de fato, a narrativa foi a maior reclamação do pessoal. Eu nunca escrevi dessa forma e este foi um teste. Parece que preciso continuar tentando.

      Quanto à dúvida, ele era de fato um humano mesmo.

      Obrigado pelo comentário, grande abraço!

  42. Angelo Rodrigues
    10 de dezembro de 2017

    Caro senhor Héracles,

    superpoder: confesso que não consegui depreender nenhum.

    seu conto, longo, demora bastante, por propósito, delinear efetivamente a personagem. Apenas no sexto parágrafo fica claro que é um relato em direção a um ouvinte que, pelo que entendi, tratava-se de um psicólogo ou algo assim em seu mundo distópico/paralelo/imaginado:
    “… sim, eu sei que esse primeiro encontro é apenas para se conhecer, mas eu gostaria de ter sido mais direto. Tudo bem, sem problema, continuamos na próxima.”

    Tive dificuldades em continuar lendo, uma vez que diversas referências criadas por você não se justificam no texto (Força C, 50 ciclos, população de Próxima B, etc) não ganham corpo por não terem um pé na dimensão apreensível do leitor. Creio que seria, hoje, chegar em casa e dizer pra esposa que comprou 500 almeidinhas de carne fresca. O que ela pensaria? Isso é muito ou pouco? E que carne é essa? Pois foi como fiquei, sem referências para fazer juízo do que acontecia, passando apenas ao mundo das suposições.

    O conto paira solto sobre uma ideia que não se realiza, como se flutuasse sobre referências, apenas. Algumas coisas se tornam óbvias, como a elevação da temperatura do planeta por conta da expansão do Sol, com anos alongados tornando-os expandidos em dias (por isso vivendo-se poucos anos na nova realidade), mas isso não se torna bastante para mergulhar no discurso.

    Boa sorte no desafio.

    • Rafael Penha
      31 de dezembro de 2017

      Olá, Angelo. O superpoder que você não percebeu estava em todos à volta do personagem, menos nele. São as perícias. Mas você está certo quanto à quantidade de referências ao universo criado. Vou me atentar a isso. Obrigado e grande abraço!

  43. Evelyn Postali
    10 de dezembro de 2017

    Caro(a) Autor(a),
    Contos em primeira pessoa e assim, sem ação, se arrastam para o final. E eu senti essa dificuldade em chegar ao final porque esperava que o protagonista fizesse algo acontecer ao longo do tempo, não apenas contando sua experiência, como se eu, leitor, fosse o psicólogo, ou o amigo ouvidor. Ficou difícil da metade para o fim. E se você inserisse diálogos? E se o personagem dialogasse ao mesmo tempo em que estivesse agindo? Perguntei-me como seria. Mas gostei do universo que criou e quase cheguei a pensar que esse ser fosse parte mecânico, ou alguma mutação entre o humano e a máquina. Olha os delírios aqui; uma leitora viajando para além do texto. Não percebi erros de construção ou gramática.
    Boa sorte no desafio.

    • Rafael Penha
      31 de dezembro de 2017

      Sim, Evelyn, parece que a forma de narrativa foi o ponto fraco. Mas, foi um teste. Nunca escrevi nesse estilo. Obrigado e grande abraço!

  44. Olisomar Pires
    10 de dezembro de 2017

    Pontos positivos; a criação de um mundo distópico (ou utópico, a depender de quem leia) é um exercício bastante difícil e o autor conseguiu desenhar bem esse mundo no seu texto.

    Pontos negativos: o estilo em tom confessional ou psiquiátrico reduz bastante o impacto nesse caso, uma vez que só temos a opinião do protagonista.

    Impressões pessoais: tive a sensação de ser tudo um sonho ou delírio da personagem em conversa com seu médico.

    Sugestões pertinentes: inserir elementos ou fatos que provem a visão do protagonista.

    E assim por diante: bom texto que traz uma bela mensagem de otimismo sobre a necessidade da auto-aceitação.

    • Rafael Penha
      31 de dezembro de 2017

      Obrigado pelo comentário, Olissomar. Sua crítica está em consonância com a maioria, parece que o problema do conto foi mesmo o estilo de narrativa. Grande abraço!

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Publicado às 9 de dezembro de 2017 por em Superpoderes e marcado .