EntreContos

Detox Literário.

Nosso dom (Capitã Açúcar)

Eu sempre tentei ser feliz, juro. Quando pequena, ia à escola apenas para ser alvo de risadas, comentários cruéis de outras crianças que mal sabiam como funcionava a vida, mas já aprendiam a tratar os outros como meros grãos de areia, e mesmo assim conseguia sorrir ao olhar para o céu matutino. Pois é, de certa forma eles pisavam na sua dignidade, mas de tanto ouvir que eu era retardada o suficiente, acho que aprendi a levar isso como um obstáculo à ser superado. Eu era o grão de areia que conseguiu uma poção do crescimento.

Bem, otimismo é tudo. Já diria minha irmã, Lara. E acho que foi ela quem conseguiu plantar a felicidade em minha vida, afinal, quando a conheci, eu não passava de uma magrela trancada dentro de um quarto, me mutilando e odiando ter nascido. Essa parte de mim ainda existia, não posso negar. Já faziam cinco anos que eu não tinha recaídas, mas o medo era como minha sombra. Estava grudado em minha pele e me seguia a cada passo.

Eu tinha dez anos quando conheci minha irmã. Antes que você pergunte ou tenha alguma dúvida a respeito, não temos os mesmos pais, tampouco somos gêmeas. Meu pai se casou com a mãe dela, e, por obrigação, tivemos que conviver. Mas isso não foi problema. Lara estudava na mesma sala que eu, por isso eu já a conhecia à distância como a garota nerd da primeira cadeira. Mas, quando a vi de perto pela primeira vez, tentando me fazer sair debaixo do beliche porque estava com medo, foi de um jeito um tanto cômico.

— Quer paçoca? — ela perguntou, espiando e estendendo a mão com um pacotinho amarelo.

— Está tentando me comprar com doces. Alguém te obrigou a vir aqui.

— Não. — ela disse, tímida. — Eu sei que tu gosta, sempre come no recreio.

— Doces me acalmam, ou me agitam… quer dizer, me deixam bem…

— Eu prefiro salgados.

Nesse momento, saí um pouco de baixo da cama para a encarar.

— Não diga uma bobagem dessa no meu quarto. Estamos no casulo dos doces, guria.

— Eu sei que os doces não vivem sem os salgados. Agora… quer paçoca?

Não consegui mais conter o sorriso que tanto faltava em meu rosto desde aquele dia. De início, ela tinha se tornado minha melhor amiga. Falávamos de tudo, sem o mínimo pudor infantil. Nossas risadas incomodavam tanto os outros colegas que alguns até faziam questão de rir junto, mas riam da nossa cara.

Um dia, Luan, o colega mais descolado, resolveu juntar os restos do lanche de todas as crianças e jogar em meu rosto na hora do recreio. Eu fiz o que sempre fazia: corri para o banheiro.

— Sabe o que eles são para mim? — eu disse enquanto Lara ajudava a limpar meu uniforme. — Uns merdas!

— Tu tem aprendido muitos palavrões, Elisa. – ela comentou, preocupada.

— Eu sempre ouvi palavrões.

O tempo foi passando. A cada ano eu me aproximava ainda mais dela de um jeito único. Ninguém sabia explicar. Até que chegou o momento que eu não conseguia mais viver sem sua companhia.

E eu descobri isso de um jeito inesperado.

Faz exatamente um ano que aconteceu. Estávamos indo para a escola a pé como sempre, mas naquela manhã nublada de dezembro, eu senti uma atmosfera meio tensa. Não sabia se era o sono da Lara me afetando, ou se ainda estávamos sonâmbulas. A questão é que não ouvimos a buzina. E, consequentemente, não vimos o caminhão descontrolado atravessando a calçada em direção ao prédio da esquina onde paramos.

Não consegui gritar. Não consegui empurra-la. Não consegui saltar na frente dela.

Não conseguia mais viver.

Depois daquilo, tudo o que faziam comigo era manter-me longe do hospital. Lara passava por várias cirurgias, não acordava há dias. Eu dizia, implorava aos prantos para me deixarem ficar ali, só aguardando, só nutrindo a esperança de vê-la sair correndo daquela sala para me abraçar e oferecer um doce, como sempre fazia quando queria arrancar o sorriso perdido dentro de mim. Ela sempre o achava.

Eu tinha quinze anos na época. Sabia bem o suficiente quando as coisas estavam graves e ninguém queria se quer comentar a respeito. O medo da superstição típico da raça humana.

— Deixa eu entrar! Eu não vou… fazer nada! Eu só quero… esperar minha irmã!

— Você não pode entrar, Elisa. — disse aquela tia que eu nunca tinha visto na vida e que me viu só quando eu era bebê. Ela insistia em ficar no meu pé desde o acidente e me arrastava para fora do hospital. — Vá para casa.

— Eu não vou! Não entende que eu quero ficar ao lado dela?!

— Fique do lado dela em casa! Reze! Mas espere a cirurgia acabar, menina! Se não a Lara vai morrer! É isso que você quer? Ajude seus pais ao invés de atrapalhar!

— Ah, você não é cega! Que ótimo! Só presta atenção numa coisa: quando minha irmã acordar eu vou estar ao lado dela. E você não vai fazer merda nenhuma para me afastar. Entendeu?

Não ouvi sua resposta através daquelas rugas de inúmeras plásticas. Saí correndo pela rua do hospital, em direção a qualquer lugar. Em busca da liberdade e da luz que só uma pessoa conseguia me dar. Mas, antes de tudo, atrás da luz que a faria voltar.

Um dia, finalmente, pude voltar a ver minha irmã. Não foi muito bom descobrir que ela estava em coma, mas pelo menos eu ainda mantinha a esperança. Era difícil, confesso. Sempre que a via naquela cama, sabia o quanto teria que ser forte. Mais forte do que ela sempre me ensinou.

Os primeiros dias foram tranquilos, mas eu não aguentava ficar parada, ouvindo o bip bip das máquinas e ansiando que seus olhos abrissem. Eu não era tão otimista assim. Eita, o otimismo estava saindo. Isso era ruim. Alerta vermelho.

Foi quando tive a ideia de começar a ler uma história para ela a cada visita. Eu sempre lia meus livros favoritos, alguns até ela achava malucos e viajantes demais, mas eu sempre amei algumas fantasias. Sabia que a cada leitura ela não entenderia muito bem a história, por isso aproveitava e contava sobre cada personagem. Contei sobre Harry Potter, Percy Jackson… ah, e li aqueles quadrinhos do Batman que ela tanto amava. Com onze anos, costumávamos pegar as roupas do armário de casa para tentar nos fantasiar como os super-heróis. Nos tornávamos a bat e a supergirl.

Ela uma vez tinha pedido aulas de Star Wars. Por que não ali? Eu tinha todas as tardes do mundo.

Mas não sei quantos dias se passaram. Não sei quantas noites comecei a perder o sono formulando a próxima leitura do dia seguinte. Só sei que a cada dia, era um novo desafio. Era um novo encontro com minha irmã no seu pequeno mundinho. Um mundinho recheado de histórias…

Ah, mana… como eu queria poder salvá-la com um brigadeiro. Eu ia encher ele de açúcar e sal para você.

— Eu não posso te perder! — choraminguei, uma vez, entre o tecido do lençol que a cobria na cama. Minhas lágrimas encharcavam suas mãos pálidas e finas que eu sempre brinquei de guerra de dedões. Ali, estava imóvel.

Sempre me disseram que eu devia parar de viver em outros mundos. Insistiam em colocar meus pés no chão quando o que eu mais gostava era voar, navegar bem longe daquele mundo que só me trazia desgraça. Aquele mundo que fazia você enxergar cada parte miserável existente em você, que fazia você só se encolher no canto de duas paredes mofadas, olhando para dentro de si mesmo e vendo, sentindo cada parte humilhada diante dos outros. O mundo te faz ver isso. Ele tem as próprias armas da crueldade, e se você não está preparado, vai atrofiando do mesmo modo que eu atrofiava a cada dia.

Minhas armas se esgotavam a cada dia. Ouvia constantemente dos médicos que a situação era grave. Um eufemismo patético. Era esse o modo de dizer que minha irmã não ia sobreviver, e que todo o meu esforço era em vão. Meus colegas do primeiro ano do Ensino Médio sempre souberam ser repugnantes ao seu modo, inclusive debochavam do estado de Lara no hospital. Com ela ao meu lado aprendi a me segurar. Tanto para o meu próprio bem quanto para os outros. Mas, naquele meu estado, ao som da primeira piadinha e o primeiro empurrão no corredor… Bem, eu carregava uma faca de cozinha na minha mochila por algumas razões.

Não cheguei a usá-la de fato. Eram quatro contra uma, mais uma multidão ao redor incentivando não apenas que eu machucasse alguém, mas que eu apenas me cortasse. Piscando e tentando fazer meu coração acalmar, de repente não existiam mais colegas e sim diversos minotauros coloridos, como o que aparecia em Percy Jackson. Eu balançava a cabeça, esfregava o rosto, e lá estavam os rostos de Darth Maul.  

Todos sabiam dos ataques da depressiva, isso não era novidade. Mas ali eu era um bicho. Um pequeno monstrinho divertido para todo mundo.

Cada olhar… cada sorriso… cada risada… foram eles que me deixaram louca. E estava acontecendo o mesmo de anos atrás.

Lara não estava ali. Onde ela estava? Por que não podia estar com a minha irmã?!

Por que eu não conseguia sentir mais aquela vontade de sorrir?

Consegui largar aquela faça e sair correndo pelo corredor da escola enquanto o diretor me chamava. Não tinha noção de tempo. Talvez eu devesse ir embora e encontrar com papai do céu. Não adiantava mais. Eu era tão inútil que nem minha irmã eu conseguia ajudar. Quando entrei no banheiro, mergulhei a cabeça na pia atrás de um bom jato de água que me fizesse acordar e limpar as lágrimas ardentes em minhas bochechas. Lara sempre dizia que, como boa filha de Poseidon que eu era, a água era minha melhor amiga. E eu sempre concordei. Água era tudo. Só faltava o brilho da filha de Apolo para me fazer feliz.

Eu precisava dela. Da minha essência.

Olhei-me no espelho. Podia ouvir os passos dos meus colegas do lado de fora do banheiro. Queriam ver a atração da escola e o seu show, mas eu ainda me continha. Duas partes brigavam entre si. Aquela em que eu queria poder ser ninguém e não ter nascido. Não ser o estorvo e a chacota de todos. Mas a outra parte, a que conseguia manter-me encarando o espelho para ver aquela garota descabelada, com olheiras e rosto cheio de cicatrizes de arranhões cometidos por ela mesma, fazendo com que eu apenas enfrentasse a sombra dentro de meu ser. Essa era a parte de Lara.

A parte feliz de minha irmã.

— Eu estou contigo, mana. — ouvi sua voz. — Tu é a minha supergirl.

Quando saí do banheiro, fiz um show. Mas foi o MEU show. Passei por cada um daquele corredor. Eu usava a minha própria varinha mágica comprada no Olivaras (a melhor loja de varinhas do mundo bruxo) para fazer todos os meus colegas flutuarem. Além disso, usava emprestada a capa do Batman. Lara dizia que no escuro era uma ótima camuflagem, e como ela não estava ali com seu brilho, meu mundo era tão sombrio quanto um céu eterno em tom âmbar. Mas de resto, eu era a supergirl completa.

Caminhando como nunca pelos corredores daquela escola, sustentei cada olhar. Consegui deixar a minha marca indo em direção à saída, derrubando todos aqueles que queriam me pegar.

— Tu vai ser expulsa, sua retardada! — disse uma das minhas colegas, rindo.

Eu apenas a encarei.

— Eu não vou morrer por causa disso. Já tu vai, não é? Quer passar de ano colando… Boa sorte. Eu vou salvar minha irmã.

De repente, larguei um pequeno jato a laser pelos meus olhos e ela saiu correndo, acompanhada de suas amigas. A última visão que tive foi daqueles adolescentes repugnantes me encarando antes de eu subir na janela mais próxima e pular, sem esperar sermões.

— Elisa! — o diretor gritava, mas isso não passou de sussurros em meus ouvidos.

Eu voava pelas ruas de Porto Alegre do jeito que a mana me ensinou. Olhava para o céu, enxergava os passarinhos cantando ao meu lado. Sentia aquele frescor esvoaçando em meu rosto, bagunçando ainda mais o meu cabelo. Pouco importava. Pela primeira vez em dois meses, eu sorria. Gargalhava para o mundo. Alegrava-me com a vida ao lado de minha irmã. Por que ela já estava comigo para sempre.

Às vezes percebemos a felicidade de maneiras estúpidas. Por que não voando?

Cheguei ao hospital sabendo que teria muitas explicações a dar. Normalmente, vidas de super heróis secretos são assim mesmo, ainda mais quando era preciso chegar lá o mais rápido possível. Eu sabia das broncas, felizmente não causei engarrafamentos nas ruas.

Ao entrar no quarto para ver minha irmã mais uma vez, mal a enxerguei quando fui abraçada e analisada de cima a baixo por papai.

— Levar uma faca para a escola, Elisa?! Ainda por cima fugir? Onde tu andava com a cabeça? Está tudo bem?

— Sim, pai…

— Tu se machucou? Alguém fez alguma coisa?

Meus pais não sabiam o quão depressiva eu era, por isso insistiram em perguntar se alguém tinha me machucado. Eles mal sabiam que metade das minhas cicatrizes eram por minha culpa.

— Eu já disse que estou bem. — me afastei dos dois.

— Ela já esteve bem pior. — ouvi uma voz rouca ao fundo do quarto.

Pisquei. Quase não acreditei nos meus próprios ouvidos.

— L-Lara? — perguntei e olhei para os meus pais, que sorriam, emocionados.

— Pois é, parece que a gente acorda e descobre que a própria irmã está querendo se matar. Eu acho que dormindo tinha sonhos melhores, não acha?

Perdi a fala ao encontrar os olhos de minha irmã abertos. Eles me encaravam, sorrindo por si próprios. Na verdade, tinha perdido minha consciência.

— Essa era a notícia boa do dia, Lis. — papai contou. — Ela acabou de me pedir para não brigar contigo.  

— Lara… eu…

Não aguentei mais um segundo em meu lugar. Quando apenas corri em sua direção e a abracei, só com a sensação de estar em seus braços novamente a deixando me apertar do jeito que eu tanto precisava, minhas forças estavam renovadas. Simplesmente a abracei como nunca antes na vida. Um abraço. Apenas isso que eu ansiava há meses.

— Tu estavas comigo, mana. – eu disse, escondendo o rosto em seu peito. Ela tinha cheiro de hospital.  

— Eu sempre estou. E sempre estarei.

— Não foge mais de mim… por favor. — pedi. — Eu te amo muito.

— Não vou fugir nunca. Se eu não fiz isso ouvindo suas histórias, imagina agora. — ela sorriu. — E eu te amo mais… Deixa eu ver teus dentes agora, supergirl?

Abri um sorriso enorme, ignorando as lágrimas, e começamos a rir. Depois disso, Lara e eu continuamos ainda mais juntas. Ela sabe que se precisar de mim, invento qualquer coisa para fazê-la sorrir. Ainda estava aprendendo a lidar com o mundo e, na pior das situações…

— Ei, mana… — pegava um pequeno pacotinho do bolso. — Quer paçoca?

Anúncios

21 comentários em “Nosso dom (Capitã Açúcar)

  1. Gustavo Araujo
    17 de dezembro de 2017

    É um conto competente naquilo a que se propõe. Uma temática adolescente, com referências à cultura correspondente, tratando de uma garota que sofre bullying e que encontra na meia irmã o porto seguro para seguir em frente. Quando a meia irmã cai vítima de um acidente, a protagonista vê-se diante do dilema entre entregar-se de vez aos algozes, sucumbindo, ou dar a volta por cima, afirmando-se, utilizando para tanto uma metáfora de super-poder. Claro que a abordagem ao tema é livre, mas para mim, houve aí certa fuga ao tema, já que a ideia, pelo menos na minha concepção, era conhecer as diferentes maneiras como pessoas comuns se deparariam com uma habilidade sobre humana. Ao utilizar as ofensas contra si, de modo a buscar forças para superá-las, a protagonista demonstra força de vontade, sim, mas não se trata de algo incomum. Enfim, não vou descontar pontos por isso, mas penso que a proposta era outra. De todo modo, como eu disse, o comnto está bem escrito, envolve o leitor e, oferecido ao público-alvo adequado, pode fazer um baita sucesso. Se posso sugerir alguma coisa, é que você, autor, disponibilize este texto lá na Amazon. Tenho um palpite de que será bem recebido.

  2. Pedro Luna
    17 de dezembro de 2017

    Então,acabei não gostando tanto por conta de algumas coisas. Primeiro que o uso da imaginação como poder me parece clichê demais. Pior que esse é um clichê que quer fugir dos clichês (o poder mais tradicional), e acaba se tornando um clichê (no desafio existem muitos outros contos onde os poderes na verdade não existem)

    O segundo ponto são as referências nerd, um negócio que particularmente me deixa bem irritado. Até pq é um recurso usado a exaustão hoje em dia.

    E terceiro, acho que o conto pesa a mão na tentativa de emocionar. Fica muito repetitivo o ciclo de sofrimento da personagem e as milhares de vezes em que ela fala da irmã e é explicado que as duas se amam, são uma coisa só, e tal.

    Enfim, por incrível que pareça após dizer tudo o que não curti, ainda assim achei uma boa leitura, pois passou bem e me deixou atento. Mas o conto como um todo não me agradou muito.

  3. Pedro Paulo
    17 de dezembro de 2017

    Olá, entrecontista. Para este desafio me importa que o autor consiga escrever uma boa história enquanto adequada ao tema do certame. Significa dizer que, para além de estar dentro do tema, o conto tem que ser escrito em amplo domínio da língua portuguesa e em uma boa condução da narrativa. Espero que o meu comentário sirva como uma crítica construtiva. Boa sorte!

    Neste conto, ficamos na perspectiva de Elisa, que narra sobre os tormentos que enfrenta na escola, a depressão pela qual passa, suas consequências e sobre como a relação com a sua irmã a salva das angústias que se acumulam no seu cotidiano. A autora foi mais ou menos bem-sucedida em nos trazer uma protagonista isolada e, de certo modo, desesperada. Por um lado, sentimos compaixão pela garota e pelas dificuldades que passa, igualmente sufocados pela sua tristeza. Por outro, para trazê-la, a autora teve que dispensar explicações maiores sobre sua relação com o pai e a madrasta, ou um aprofundamento maior no bullying que ela sofre, em momentos recorrendo a estereótipos e situações improváveis para criar um ambiente realmente antagônico para a protagonista, como quando vemos “Luan, o colega mais descolado”. Do jeito que foi colocado, algumas coisas ficaram bem artificiais, o que talvez se justifica por estarmos na perspectiva da personagem.

    No entanto, passados esses problemas da trama, o destaque é merecido à relação dela com a irmã, único espaço em que podemos ver felicidade e estabilidade na protagonista, algo que a autora conseguiu retratar demonstrando com situações e reflexões da personagem. O que a autora teve mais dificuldade, ao meu ver, foi quando escreveu sobre o tempo em que Lara ficou hospitalizada. Neste ponto, a escrita ficou um pouco repetitiva, com Elisa sempre falando de como sentia falta da irmã e precisava estar com ela, narrando momentos em que ficava com ela e como isso lhe importava e a fazia sofrer. Foi um pouco cansativo e, como precedeu o clímax, diminuiu o impacto daquele momento que veio para ser a nota alta do conto, quando ela incorpora as próprias heroínas para ir atrás da irmã. Ainda assim, também sentimos falta de Lara e nos felicitamos em vê-la voltar.

    Portanto, avalio como um conto em que faltou à autora mais percepção para cortar certos trechos e desenvolver melhor outros que poderiam ter dado mais sustância à história que nos é contada. Também faltou revisão ao texto. Apesar disso, a autora se mostrou capaz de nos trazer contextos opressivos e relacionamentos fortes que parecem ser reais.

    • Pedro Paulo
      17 de dezembro de 2017

      Outra coisa que devo comentar é sobre o desafio dentro da trama. A relação com superpoderes existe, mesmo que de forma indireta. Eu não estou considerando o “poder da imaginação” como um potencial para participação neste desafio, mas compreendo o que significou dentro deste conto e se trata de mais um mérito da autora.

      • Pedro Paulo
        17 de dezembro de 2017

        Caramba.

        Sobre a trama dentro do desafio!******

  4. Amanda Gomez
    17 de dezembro de 2017

    Olá!

    O texto realmente tem bastante açúcar, não é meu tipo de leitura favorita, mas tem seus créditos.

    Particularmente eu tenho estado pouco receptiva a história muito dramáticas , aquelas cenas que não tem uma finalidade grande pra história em si e sim para sensibilizar o leitor, talvez por isso seu conto não tenha me cativado muito.

    A leitura da uma travadas por alguns problemas de revisão, não consegui visualizar muito bem a idade da menina, uma hora parecia uma criança outra uma jovem.

    O plano de fundo da história é interessante, há a superação, amizade, uma mensagem positiva e o final feliz. Se a menina tivesse morrido e a outra voltasse a se cortar eu não teria gostado nenhum pouco.

    O super poder…bem, acredito que esse não é o convencional, trata-se do poder da imaginação, é isso é válido sim, por que não

    Um bom conto.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  5. Fheluany Nogueira
    17 de dezembro de 2017

    Superpoder: a força da imaginação. “Nosso Dom” porque o poder foi instigado pela irmã postiça.

    Enredo e criatividade: Narrativa com carga emocional forte, em primeira pessoa. Na introdução, a narradora adulta relembra fatos da infância, no tom amargo de quem foi discriminada, penso que, por QI baixo. Essa deficiência foi mostrada de forma bem sutil na narrativa, mas justificaria o relato em tom infantil, a imaturidade de Elisa, com pouca capacidade de interação social e linha de pensamento bem específica, dificuldade para ajustar-se à situação nova do acidente, falta de prevenção e credulidade excessiva e seu apego à irmã, que tendo a mesma idade (são de mesma turma na escola), aparenta ser mais velha. Assim, a oposição sal/açúcar ficou instigante, pois caracteriza cada uma delas .

    Estilo e linguagem: O texto necessita de revisão, traz trechos confusos, falhas gramaticais que não afetaram a leitura e interpretação (por exemplo, concordância verbal – “faziam cinco anos”; uso da crase – “à ser”; posição do átono – “Nos tornávamos”; ortografia e sentido – “se quer”/sequer, acentuação e uso da vírgulas.

    Gostei muito da ideia e da execução, apesar de colocar em dúvida a abordagem, em cheio, do tema . Parabéns pelo trabalho! Abraços.

  6. Catarina
    16 de dezembro de 2017

    Achei a linguagem do conto muito infantil para uma narradora com mais de 15 anos. Ficou um pouco afetado. Embora com uma grande carga emocional, não consegui me emocionar com a narrativa; peço desculpas. Talvez por algumas partes repetitivas ou pela lentidão da trama, mas gostei do final feliz; andamos carentes de esperança. O superpoder passou sem muito impacto.

  7. Luis Guilherme
    15 de dezembro de 2017

    Olá, amigo (a).. tudo bão por ai?

    Um conto bem emotivo.

    Fico meio dividido sobre ter gostado ou não. Por um lado, achei que tem uma carga emotiva muito forte, que acaba tocando em certos momentos. Porém, essa mesma carga emotiva acabou deixando o texto doce demais, e acabou passando um pouco do ponto, na minha opinião.

    Acho que a narração ficou excessivamente carregada de emoção, o que acabou passando um pouco do tom.

    Mas, como já falei, também tem momentos muito bons! Acho que você filho numa linha tênue entre o drama exagerado e uma emoção mais real. Bom, isso tudo é minha opinião.

    Quanto ao enredo, eu gostei. O sofrimento da garota foi bem construído. Achei que você meio que hiperbolizou a maldade dos adolescentes.. não que eles não sejam malvados, rsrs, mas acho que acabou ficando um pouco acima do tom (já falei sobre isso acima).

    Mas o desenrolar da história é bem bonito, e trata sobre como relações de vida podem salvar vidas e resgatar as pessoas de seus sofrimento mais profundos. É uma mensagem empoderadora que foi bem trabalhada.

    Sobre o tema, devo dizer que achei um pouco insuficiente a adequação. Confesso que esperava, pra esse desafio, super-poderes que afetassem diretamente o enredo. Quer dizer, a questão não é nem o superpoder ser imaginário, mas ao menos que, mesmo imaginário, afetasse mais diretamente a historia.

    Entendo que o imaginário da garota a tenha ajudado a superar o momento de maior dificuldade (o clímax na escola), mas ainda assim achei que ficou um pouco abaixo do esperado a adequação. Mas isso não tira muito da nota, é apenas algo que achei válido pontuar.

    Por fim, existem alguns problemas de revisão no texto, que merece uma revisão mais apurada. Nada que afete a qualidade da leitura.

    Enfim, bom conto, com uma carga emocional que oscila entre o ideal e o exagerado, mas que possui um enredo forte que se apóia sobre as relações de valor que podem mudar vidas.

    Parabéns e boa sorte!

  8. Paula Giannini
    14 de dezembro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Você nos trouxe um conto com temática adolescente. Um gênero que, como tal, tem suas características próprias, como, por exemplo, tratar justamente da temática jovem de maneira a se comunicar com o leitor, levando-o a auto identificação. Isso é mais que empatia, pois o jovem, recém-saído da infância, costuma ver seus problemas como algo ainda maior do que eles realmente o são. Assim, vendo-se refletido no personagem, ele sente que não está só no mundo.

    É um gênero difícil. Um escorregão e podemos cair facilmente no piegas, pois nele se trata de automutilação, de bullying, de drogas, enfim.

    Nesse sentido, o(a) autor(a) soube conduzir seu conto muito bem, criando uma história delicada e imagética para o leitor, tenha ele a idade que for.

    Interessante notar que, ao dar voz à personagem principal, irmã mais nova, o autor foca em seu ponto de vista e narra da exata maneira como um jovem o faria.

    Mesmo no momento de sonho, onde, vestindo o personagem super-heroína, a protagonista se imagina voando ou lançado raios por seus olhos, o(a) escritor(a) o faz, partindo do interior da personagem, transportando, assim, o leitor, para a mesma experiência que a menina. Quem lê esse trecho precisa, inclusive, de um afastamento posterior, para compreender que a passagem nada mais era que a “verdade interior” da personagem, em sua “vingança” adolescente.

    Parabéns.

    Desejo-lhe sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  9. Antonio Stegues Batista
    13 de dezembro de 2017

    Então, Elisa, um menina recalcada, ganha uma meia-irmã e as duas se tornam realmente duas irmãs que se amavam como tal. Uma delas sofre um acidente e entra em coma, o que faz Elisa se desesperar. Parecia que ela iria sucumbir sozinha sem o incentivo da irmã, diante do mundo, do bullying na escola. Mas ela resolve imaginar que tem superpoderes e ignora as piadas dos colegas. No fim, a irmã se salva e tudo fica bem. Não é um enredo sensacional, é bom. Porém, tem elementos para uma história mais comprida e melhor, acho. Boa sorte.

  10. Regina Ruth Rincon Caires
    12 de dezembro de 2017

    O superpoder, pelo que compreendi , está na força da imaginação, na transmissão de bons fluidos, no mais autêntico desejo (aquele que brota lá, no âmago, só conhecido pelo “sentidor”). Narrativa densa, introspectiva, fundamentada na dor, na angústia e, paradoxalmente, traduz a doçura de um amor incondicional. Personagens bem marcadas. O texto necessita de revisão, há períodos confusos, complexos. A dualidade sal/açúcar é interessante, bem registrada quando comparadas as pessoalidades. O título, quando lido, tem um som estranho.
    Belo texto, belo enfoque.
    Parabéns, Capitã Açúcar!
    Boa sorte!

  11. Rubem Cabral
    12 de dezembro de 2017

    Olá, Capitã Açúcar.

    Gostei do conto, em linhas gerais. A relação das meio-irmãs e a construção das personagens foi boa, os diálogos foram também. Apenas o enredo não me cativou muito e a abordagem do tema do desafio pareceu-me muito tênue.

    O texto está bem escrito, vi bem poucas coisas por acertar.

    Abraços e boa sorte no desafio!

  12. Miquéias Dell'Orti
    11 de dezembro de 2017

    Oi,

    Um texto bem escrito e bastante açucarado (principalmente no final). Isso não é ruim, só não é meu tipo preferido de texto. Mesmo assim, a leitura foi agradável. Gostei da relação das duas irmãs.

    Infelizmente, não encontrei relação com o tema, até há referências aos superpoderes, mas tudo dentro do imaginativo de Elisa… não sei… nesse quesito, não me convenceu 😦

    Existe um ponto que me deixou confuso… se ela conheceu a irmã quando tinha 10 anos, por que diabos acharíamos que eram gêmeas? Como você sugeriu isso, fiquei tentando achar alguma relação… se houver explicação, aguardo-a ao final do desafio 🙂

    Vou antecipadamente pedir desculpas pela sinceridade, mas para mim Elisa pareceu uma guria birrenta e mimada… dessas menininhas rebeldes sem causa que tem tudo mas se fazem de deprimidas para chamar a atenção… o pior de tudo é que nem os episódios de bullying na escola (que deveriam ser o ponto alto para sentirmos um pouco de simpatia por ela) serviram para eu gostar da menina. Não sei se por causa das suas ações, ou por causa da forma como ela agia diante das situações… ou talvez por que eu esteja ficando velho mesmo rs.

    De qualquer forma, para mim, um escritor acerta na construção quando o personagem criado nos cativa de alguma forma e… bem… acho que nesse caso o objetivo de construir um bom personagem foi atingido. Achei a personalidade dela ficou bem trabalhada (e espero sinceramente que você entenda essa minha antipatia como um ponto positivo).

    Parabéns pelo trabalho!

  13. Priscila Pereira
    11 de dezembro de 2017

    Super poder: imaginação e amor fraternal

    Oi Capitã, seu texto é muito bom, bem escrito, uma ótima estória, personagens muito boas e bem utilizadas, a trama é bem interessante e açucarada! O super poder sendo usado como parte da imaginação das irmãs foi muito bem empregado e na minha visão se adequa bem ao tema proposto. Gostei imensamente do final feliz! Esse é um texto que deveria ser publicado em livros escolares. Gostei muito! Parabéns e boa sorte!

  14. Givago Domingues Thimoti
    11 de dezembro de 2017

    Olá, Capitã Açúcar!

    É um texto forte, sem dúvida. Recheado de sentimentos… Parece ser um daqueles textos que o escritor se entrega cega e fielmente.

    Acho que o super poder de Elisa é a imaginação. Geralmente, é a saída preferida por pessoas que sofrem bullying ou quando são postas diante de situações complicadas.

    No texto, é notável a dor que Elisa sente quando sua irmã entra em coma e os problemas que enfrenta. É possível compartilhar, mesmo por um pequeno momento, a angústia e o sofrimento da garota. Acredito que isso é o maior trunfo do seu texto.

    Entretanto, em alguma parte do texto, a história fica confusa. De forma alguma tira o brilhantismo, porém, é algo que precisa ser trabalhado.

    Parabéns e boa sorte!

  15. Neusa Maria Fontolan
    10 de dezembro de 2017

    Um grande amor entre irmãs. Tudo se complica quando Lara sofre um acidente, Elisa perde o chão. Não consegue viver sem a irmã por perto.
    Eu fiquei boiando na parte em que Elisa jogou um pequeno jato a laser pelos olhos, e também na parte em que ela pula da janela e sai voando.
    Ela realmente fez isso ou foi imaginação?
    Se ela tinha poderes, porque não os usou para se defender?
    Se foi imaginação, como pulou da janela e saiu voando?
    ??
    Parabéns e obrigada por escrever.

  16. Sigridi Borges
    9 de dezembro de 2017

    Olá, Capitã Açúcar!
    Gostei muito do seu texto.
    Sou uma simples leitora, mas me pareceu ser apenas uma crônica. Talvez por pensar que o sobrenatural ocorrido ou o superpoder de Elisa possa ter sido apenas fruto de sua imaginação.
    Conheço muitos exemplos estampados na Elisa e fiquei feliz por ela ter encontrado apoio em sua mais nova irmã, Lara.
    Aprecio finais felizes até porque são eles que nos fazem acreditar que nem tudo é ruim. Existe amor no mundo, sim.
    Claro que me deu uma vontade absurda agora de comer paçoca!
    Agradeço.

  17. Evelyn Postali
    9 de dezembro de 2017

    Caro(a) Autor(a),
    A relação entre irmãos biológicos não é sempre um mar de rosas. Entre irmãos não-biológicos, então… Acho que tudo ficou bem no final, mas foi dramático para a personagem esperar pela melhora da irmã. Acho que a conexão entre elas é bem forte e isso resultou na melhora. Eu vi alguns erros de construção – umas vírgulas faltando para o entendimento, algumas frases que poderiam ser mais diretas. No mais, é uma boa história.
    Boa sorte no desafio!

  18. Angelo Rodrigues
    9 de dezembro de 2017

    Cara Capitã Açúcar,

    superpoder: confesso que o achei limítrofe. Digo porquê: vi-o na imaginação de Elisa, não nos fatos em si.

    Texto muito bom e doce relativamente ao relacionamento entre irmãs. Um pouco dramático, claro, mas isso não chegou a ser ruim. Bom texto.

    Em determinados momentos o texto se constrói de modo a fazer “parecer” que se trata efetivamente de um superpoder, tal como voar sobre as ruas de Porto Alegre, só que não.

    Crianças inseguras tornam-se, segundo suas índoles, recolhidas ou agressivas além da conta. Esse foi parte do tema desenvolvido, abordando ambos os lados dessas personalidades.

    Boa sorte no desafio.

  19. Olisomar Pires
    9 de dezembro de 2017

    Pontos positivos: a abordagem de um tema complexo. Jovens sem estabilidade emocional que são ainda mais desestabilizadas por colegas. Crianças frutos de uma época terrível.

    Pontos negativos: o texto carece de uma boa revisão, especialmente na primeira parte. Limpar as frases. Há momentos de certa confusão para o entendimento. E não houve atendimento ao tema, no meu entender.

    Impressões pessoais: o texto é bom, apenas forçou um pouco no drama.

    Sugestões pertinentes: explicitar bem o superpoder, que no caso não existe ou poderia até existir se a jovem não fosse tão problemática, o que nos leva a desconfiar do seu testemunho.

    E assim por diante: ficou muito bom a garota ter conseguido superar seu medo e ter enfrentado a turba, apenas desafiando-os sem agressividade. Geralmente, os valentões fogem ao primeiro sinal de reação.

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado em 7 de dezembro de 2017 por em Superpoderes.