EntreContos

Detox Literário.

Por muito tempo ainda (Noone)

Ele notou ser diferente no dia em que foi cortado do coral infantil. “Queremos um padrão vocal”, comunicaram a seus pais sem coragem de colidir olhares.

A mãe se levantou quase arrancando o garoto da cadeira: “Vamos, filho, parece que sua “voz” não é boa o bastante”. O pai, acostumado com esses reveses, somente agradeceu e saiu com o chapéu na mão.

O menino tinha nove ou dez anos de idade. Não importa. “São todos muito parecidos”, diziam. Ele apenas chorava.

Em casa, parede-meia com meio mundo, outra reunião de família e a criança ouvia como se fosse chuva: “Eles não gostam da gente, acostume-se”, “você não é um igual”, “estude muito, trabalhe”, “lute contra si mesmo, não contra os outros”, “seu pai e eu não estaremos aqui a vida toda”.

Sozinho, o garoto se beliscava tentando saber por que era menos que alguém.  “Tenho braços e pernas, cabeça. Sei falar, escrever e corro também”, ele pensava. “Sou normal, sim”. Mas no outro dia, as coisas não se encaixavam. Nada de brincadeiras em grupo, sem beijo da professora ou conversas animadas. Poucos o rodeavam. Uma sombra. Alguém somente tolerado com menos ou mais intolerância.

Com o tempo, passou a culpar seus pais mestiços. Não eram Puros. Por conseqüência, a impureza estava no seu sangue. A mancha que lhe expunha e fazia-o indesejado. Herança de família.

O pai trabalhava no ramo da construção civil. Tinha fama de competência e seriedade. Empresas diversas o procuravam; mesmo assim, o salário era pouco. Sempre era pouco para pessoas como ele. “A vida é assim, eu sou assim e assim será”, era seu cobertor roto de tanto uso. Socialmente, o pai era inferior à mãe, porque carregava a quinta geração impura consigo.

Sua mãe, produto de apenas segunda miscigenação, conservava algum traço da pureza. Era mais limpinha. Durante a juventude, usou dessa característica muitas vezes e quase foi aceita. Mas não conseguia sustentar a coisa muito tempo e quando reconhecida como “sangue sujo”, o encanto se desfazia como nuvens chorosas. Geralmente o desprezo pelos mestiços metidos a Puros era bem maior. Ela aceitou o fato e desistiu de si.

Quando se casaram, prometeram não ter filhos. Queriam evitar o sofrimento da criança. Possivelmente teria o sangue mais rarefeito ainda. Um convite para ataques. Não contribuiriam com a produção de gado. Porém, a vida não pergunta o que as pessoas querem. Ela joga nos seus braços o que bem entende. Dessa vez deixou um neném bonitinho como um bezerro, mas tão Impuro pelos padrões rotineiros que mesmo os médicos, acostumados com tantos nascimentos similares, hesitaram tocá-lo.

A mãe, deitada na maca, ainda de pernas arreganhadas, sentiu o asco por trás das máscaras brancas. E chorou.  Seu filho estava marcado.

Durante a época da inocência, enquanto crescia, o jovenzinho não percebia tanto. Ele sorria e brincava com pessoas que não o olhavam direito, desviavam do seu caminho ou simplesmente o ignoravam. Era uma criança sendo criança, imune à tristeza dos adultos.

Porém, crianças crescem. O episódio do coral foi o primeiro de que se lembrava melhor demonstrando existir algo errado. Outros aconteceram. Nunca foi espancado. A sociedade evoluíra bastante. Isso estaria bem abaixo da consciência magnânima de que muito se orgulhavam. O desprezo era mais sutil, quase uma carícia com urtiga. Desculpas bondosas, mas cortantes como pedra lascada: “O clube está cheio, volte depois”, “Não, infelizmente seu perfil não é o que procuramos para o cargo ”, “Olha, você é bem bacana, mas não posso ir ao cinema”. E assim os dias desabavam. Vítima e testemunha de outras vítimas. Ele cada vez mais ensimesmado.

A certa altura da vida, com os pais já falecidos, conseguiu emprego simples numa indústria siderúrgica, apesar da graduação com boas notas em engenharia eletrônica.  “Não temos vagas para engenheiros”, ouviu muitas vezes. “Para mim não tem vaga”,  respondia quando estava mais bravo que de costume. Os recrutadores não comentavam. Eram educados demais para serem sinceros.

Morava no gueto Paradayse. Um aglomerado urbano recheado de corredores estreitos, mal iluminados e perigosos. Afogado em meio a vizinhos tão Impuros como ele. Todos frustrados, ressentidos e omissos com os braços erguidos buscando uma esperança. Se houvesse sonhos coloridos que fugissem rumo aos céus nas noites quentes, somente os dele seriam vistos. Os demais não sonhavam. E se sonhassem, seria em preto e branco. “Seja um anônimo e não terá problemas”, aconselhava seu pai, curvado definitivamente.

Ele não queria ser assim. Precisava ter uma coluna e um nome. E dizia repetidamente que era alguém. Enlouquecia. Então um dia, aconteceu.

XXX

Lamentamos informar, mas os seus serviços não são mais necessários. Por favor, compareça ao setor de desligamento em até 48 horas. Agradecemos seu trabalho e …”  e continuava no mesmo tom a carta de demissão recebida logo de manhã, no domingo.

Após ler, foi deitar-se novamente. “Lamentam nada. Menos um Impuro nessa porcaria de empresa”, disse para o teto.

Ainda com o papel nas mãos, dormiu até bem tarde. Há tempos não se sentia tão bem. A última vez foi por ocasião do atropelamento acidental do seu colega de classe. Usara uma bicicleta. Trazia no joelho a marca de dez pontos suturados e na alma a satisfação do semblante assustado do moleque Purinho com suas roupas brancas e cara de poney chorão, esparramado no asfalto, sujo do sangue que fugia de vários cortes. Uma ótima lembrança, sempre requisitada se a pressão fosse sufocante demais.

Ao acordar, banhou-se e saiu. Nada levava nas mãos. Não pretendia voltar.

XXX

– Eles não podem ler nossas mentes – disse um deles – essa é nossa vantagem.

A reunião clandestina acontecia de forma intermitente há alguns anos. Havia uma dezena ou mais de Impuros que se arriscavam nesse encontro furtivo. Dessa vez, o local escolhido foi o píer Sete da praia Grega. Abandonado e muito distante para turistas, era adequado para os homens discutirem sem medo seus mais secretos anseios. Sentaram-se  de modo que todos se vissem e ouvissem.

– Não lêem em nossas cabeças, mas sabem ler relatórios detalhados de nossas vidas. Eles sentem que alguma coisa está acontecendo e estão vigiando. Hoje mesmo vi dois agentes da Polícia Nacional disfarçados – retrucou alguém, preocupado com o espaço aberto onde se encontravam, apesar da noite alta.

– Como você sabe que eram polícias? – argüiu outro – seu medo te faz ver coisas.

Uma tensão evidente se criou. Todos ali já estavam se arriscando muito. Reuniões noturnas sem prévio aviso às autoridades eram consideradas crime grave. Não havia covardes.

– Amigos, estamos todos juntos. Deixem que os inimigos nos agridam. Para que facilitar o trabalho deles? – falou o integrante mais recente – hoje mesmo fui despedido, então acho que o momento chegou – essa última informação alertou a todos – depende de vocês agora – concluiu.

– Foi demitido hoje? Disseram por quê? É muito estranho isso – falou em voz alta novamente aquele que viu ou pensou ter visto policiais.

– Todos sabemos o porquê: fui descartado porque não existimos para eles. Mas tudo está pronto. Eu estou pronto. O emprego perdido é só a gota que faltava – finalizou o jovem enquanto acendia um cigarro e tragava profundamente.

O líder da reunião e de todos, homem de certa idade, Impuro até os ossos, pôs-se de pé e disse:

– Os Puros com seus poderes sobrenaturais tem nos subjugado há tempo demais. Eles lêem mentes, controlam os elementos da Terra como bem entendem, se transportam no tempo e espaço a todo instante. Tantos poderes. Mas são preguiçosos e mesquinhos. Poderiam melhorar a vida de todos, mas preferem garantir somente suas regalias – parou um momento para beber a água trazida no cantil e para que suas palavras encontrassem eco nos homens – eles são a ruína do planeta. Nós, que eles tanto desprezam, por não possuirmos nada antinatural, somos os verdadeiros donos desse mundo. Nós é que mantemos tudo ajustado.

O grupo estava eletrizado. Já haviam escutado esse discurso antes, mas dessa vez sentiram que um passo de chumbo estava prestes a ser dado. O líder continuou:

– É possível que todos nós sejamos presos ou liquidados, mas isso é poeira, pois viver escravizado não é estar vivo. Já estávamos mortos antes mesmos de sermos concebidos, nossos pais são cadáveres. Essa é a verdade. Nós apenas fingimos não saber.

Após outra pausa, dessa vez mais longa, ouviu-se a ordem:

– Vocês sabem o que fazer. Façam por vocês e os filhos que virão!

Sem perguntas desnecessárias, saíram sem se despedirem e rumaram para seus locais de ação previamente estudados. Avisariam seus contatos e estes a outros, sucessivamente. Ficaram somente o mais velho dos homens e aquele mais novo, recém desempregado. O sol nasceria em breve.

– Sem você, não teríamos um plano – disse o velho.

– Sim, eu sei – respondeu sem orgulho ou vaidade – mas se falhar, terá sido tudo por nada.

– Aí é que você se engana. Nunca houve resistência, hoje somos mais que muitos espalhados por todos os lugares. Assim que dermos o sinal, o seu sinal, a realidade será alterada para sempre.

– Então vou indo – falou o rapaz, tenso – não quero desapontar ninguém. E ao sair, escutou o velho ainda dizendo:

– Sei que não temos nomes, por motivo de segurança, mas diante do seu papel hoje, preciso saber para registro, caso não dê certo.

O jovem não se virou para o outro. Com uma mão no bolso e a outra segurando o cigarro disse apenas:

– Spartacus. Esse é meu nome.

Por algum tempo, o homem experiente na praia o observou se afastando. “Ódio, ele tem. Tomara que não seja só isso”, cochichou para o vento.

 

XXX

– Filho – disse sua mãe – ouça com atenção.

O jovem então com dezenove anos estava sentado de frente a ela.

– Você não deve contar a ninguém, porque é perigoso para todos nós, nem seu pai sabe, você entendeu?

– Mãe, fala de uma vez – ele era todo curiosidade.

Em seguida, ficou sabendo que  não era Impuro.

– Há muitos anos, consegui despertar um restinho de poder em meu sangue mestiço – ela falava orgulhosa – conectei-me à sua mente e encontrei seu dom.

Ele, aturdido:  “ A natureza da evolução não segue uma linha reta, afinal.

– Seu poder se esconde, é invisível – esclareceu a mãe – talvez existam outros que não saibam.

– O meu poder, qual é? – perguntou sem pensar em ninguém mais.

Ela explicou e ensinou como controlá-lo. Depois disso, todos os dias se resumiam em planejar um modo de destruir aquilo que o destruiu. Vingança.

 

XXX

A primeira explosão aconteceu exatamente às nove horas da manhã. Apesar do estrago material, não levantou suspeita. As equipes de socorro foram avisadas e controlaram o fogo.

A segunda bomba foi detonada cinquenta e cinco minutos depois a quilômetros distantes da primeira ocorrência. Uma grande nuvem de fogo e fumaça tomou os céus. Novamente, os Puros  não se preocuparam e mandaram Impuros dominar a situação.

Uma terceira, quarta e quinta detonações aconteceram. Cada uma se sobrepondo à outra em potência. O intervalo entre elas diminuiu para dez minutos. As demais foram explodindo cada vez mais próximas umas das outras. Não havia mais como não perceber que a coisa estava orquestrada.

O governo central deslocou seus mais importantes cidadãos para os diversos pontos de destruição em busca de explicações.

Os Impuros que haviam se organizado começaram a segunda fase do ataque. Saíram armados pelas ruas em cada canto do planeta. Invadiram casas, hospitais, escolas, edifícios, buscando todos os Puros que pudessem encontrar. E se aproveitando de sua surpresa, os matavam. Vingança.

Ao diagnosticarem o ataque em larga escala, o Alto Comando, inicialmente, se assustou com a violência. Uma rebelião, sem dúvida alguma. Depois, com pesar, concluíram que seria preciso uma medida equivalente: “Se não reagirmos, seremos exterminados, vejam os números, eles nos chacinam se tem chance. Estão loucos”.

Então, o uso letal dos poderes foi aprovado.

Os Impuros não tiveram chance. Nunca tiveram. Foram dominados facilmente. O líder foi um dos primeiros a serem eliminados. O mundo completara outro ciclo. E os donos do poder permaneceram no lugar. Um pouco mais atentos, talvez.

Foram julgados traidores do bem comum e punidos com a esterilização de todos impuros com mais de 10 anos de idade. Pagaram um preço nunca sonhado pela revolta. Demoraria muito tempo até surgir outra.

XXX

Assim que saiu da reunião no píer Sete, Spartacus se dirigiu para o túnel que levava à caldeira principal da fábrica onde trabalhava. Ele estava desativado há anos e não havia vigilância. Entrou sem problemas e aguardou a hora combinada.

Enquanto esperava, lembrou da dificuldade em convencer os demais de seu poder e intenção. Ele mesmo não sabia a extensão da sua força. Havia testado, claro, mas sempre em pequenas proporções. Mesmo assim com dores horríveis.

Quando descobriu o grupo de combate, percebeu estar no caminho certo. Ele não conseguiria eliminar todos somente com seu poder, precisava do auxílio de outras mãos.

Spartacus, voltando de suas lembranças, cônscio da gravidade do que iniciaria, afirmou  diante do aço em que tocava, como oração a um amuleto:

– Não sei se está certo o que farei. Sei apenas que posso fazer. E quero. Isso é muito mais do que preciso. Nunca mais serei anônimo no meio de tantos outros –  silenciou.

Faltando cinco minutos para nove horas, Spartacus se concentrou e do seu corpo emanaram eflúvios azulados cada vez mais densos. Essas manifestações corriam por seus braços e impregnavam tudo em sua volta. Em determinado momento, fechou os olhos, sentiu a onda explosiva varrer seu corpo e ser expulsa. Foi a primeira bomba.

Após dez minutos, na clareira aberta pela explosão, partículas orgânicas pequeninas foram se erguendo do solo, escorrendo pelo próprio ar e se concentrando num único ponto. Aos poucos esses elementos criaram uma forma semelhante a um ser humano em posição fetal, a qual foi se materializando sempre mais.

Mais um tanto passado e Spartacus se levantou inteiramente. Estava vivo. “Deu certo”, ele constatou entre dores gigantescas.

Ciente que a missão apenas se iniciara, tocou o solo e se integrou a ele viajando velozmente para o local escolhido da próxima detonação. Em lá chegando, saiu da terra como se emergindo de um lago, apontou para o prédio militar diante de si, não se importando com as pessoas presentes, concentrou-se e explodiu novamente.

Repetiu o feito dezenas de vezes até ser surpreendido e anulado pela equipe especial de Puros que antecipou o próximo alvo. Eles o envolveram numa bolha eletromagnética que restringia totalmente suas explosões.

Ao se perceber vencido, desistiu da batalha. Tentou falar, mas foi calado por forças alheias à sua vontade. Pressentiu o destino cruel que lhe seria imposto.

“Sua voz não é boa o bastante”, “lute contra si mesmo”, escutou a mãe dizer para um menino sem rosto.

Resoluto, pegou uma pedra calcinada, longa e fina como adaga. Cravou-a no peito de uma vez só com as duas mãos. Enfim, seu sangue correu livre pelo corpo nu, lavando-o, fugindo para se esconder no solo.

Ninguém perguntou seu nome. Não seria lembrado jamais. Spartacus, que nunca existiu, deixou de existir definitivamente.

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26 comentários em “Por muito tempo ainda (Noone)

  1. Renata Rothstein
    18 de dezembro de 2017

    Oi, Noone!
    Contaço, já vou dizendo….vc conseguiu sintetizar muito bem a triste história de Spartacus, sua revolta, seu treinamento para o momento em que finalmente vingaria a raça dos Impuros, a raça que ele acreditava fazer parte.
    Spartacus, o herói/bandido, um homem bomba, um vingador. gostei, embora particularmente veja que essa história de vinança, principalmente contra um grupo “mais foerte” que o outro não tenha como terminar bem, e isso vc mostrou aqui, com excelência.
    Eu ñ sei se viajei nessa parte, mas achei estranho a mãe paticipar do treinamento do filho.
    Achei ótimo seu conto, meus parabéns!

  2. Sigridi Borges
    16 de dezembro de 2017

    Olá, Noone!
    Não sei se gostaria de ter esse superpoder: ler mentes.
    Já fico cansada e, por vezes, insatisfeita, em presenciar certos atos das pessoas, que dirá ainda ler seus pensamentos!
    No início, saber que não possuía um superpoder, depois descobrir que sim. Saber lidar com as diferenças é algo muito importante a ser trabalhado. Nos cabe aqui uma excelente reflexão.
    Achei o final muito triste.
    Mas…
    Obrigada por escrever.

  3. Leo Jardim
    16 de dezembro de 2017

    # Por muito tempo ainda (Noone)

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫):

    – achei a premissa fantástica e a forma como ela foi sendo apresentada aos poucos funcionou muito bem: pois os impuros, no fim, eram aqueles que não tinham poderes, numa sociedade em que a raça dominante era composta de superpoderosos
    – o maior destaque é a forma como é abordada o paralelo da questão racial, muito semelhante aos dias de hoje: o racismo muitas vezes é implícito e existe mesmo em sociedades mais avançadas, como os europeus
    – a parte da execução do plano eu não gostei muito: primeiro contou como foi e que não deu certo (isso foi anticlimático); depois mostrou a participação de Spartacus, que tinha tudo para ser muito boa, por ele ter poderes, mas já sabíamos que o plano não daria certo
    – o final triste é uma grande arma em contos, mas a morte do protagonista deve fazer sentido para ser sentida pelos leitores; neste conto, ela foi inútil e isso deixou o texto meio broxante; se ao menos ele tivesse acedido uma pequena fagulha de esperança…

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫):

    – muito boa, bem narrada, sem erros
    – não se destaca por si só, mas conduz a trama com muita eficiência

    💡 Criatividade (⭐⭐▫):

    – a questão racial e a dos superiores contra os mais fracos é super válido, mas bastante usado
    – essa parte revolucionária também é bastante comum
    – a roupagem nova de poderosos contra sem poderes deu um ar de novidade

    🎯 Tema (⭐⭐):

    – gostei muito dessa sociedade onde todos têm poderes
    – senti falta, porém, de ver mais esse mundo com poderes; vimos apenas os poderes do Spartacus

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫):

    – o texto me deixou bastante empolgado tanto na premissa quanto quando descobri que o menino tinha poderes
    – o problema é que essa empolgação não foi trabalhada corretamente, então acabou se transformando em frustração na mesma proporção

  4. Fheluany Nogueira
    15 de dezembro de 2017

    Superpoder: Ler mentes, controlar os elementos da terra e transportarem-se no tempo e espaço são os poderes desenvolvidos por uma facção da sociedade, que os usou para dominar a maioria, que executava o trabalho necessário.

    Enredo e criatividade: Esta distopia remeteu-me a muitas outras obras, Harry Potter, Divergentes, 1984, Spartacus e até á divisão real de castas de países e populações de religião Hindu ou às diferenças sociais de povos em desenvolvimento. Em todas essas situações há histórias de perseguições e revoltas, enfim, trazem críticas sociais. Aqui o desfecho foi triste, deu em nada (como o pseudônimo e o título sugeriram).

    Estilo e linguagem: Texto bem organizado e estruturado, escrito sem falhas gramaticais que travassem a leitura ou entendimento. Gostei da ideia e de execução, mas sinto que faltou algo mais. Parabéns pela participação! Abraços.

  5. Iolandinha Pinheiro
    15 de dezembro de 2017

    O seu conto me fez lembrar da sociedade dividida por castas que ocorre na Índia. Estas situações de separação são sempre injustas e prejudiciais. Achei interessante vc ter criado um mundo diferente e não ter passado horas e horas contando como ele é. Vc simplesmente inseriu o leitor neste seu mundo e saiu pincelando aqui e ali as diferenças para não perder a fluidez do texto, ótima escolha. Gostei também da referência ao escravo/ herói trácio Spartacus. Usei muito a história deste sujeito no tempo em que dava aulas. Boa escolha. Para resumir, o seu conto trouxe uma história em que havia superpoderes dos dois lados, tinha um tom de crítica social e foi escrito com competência. Uma pena que os planos de Spartacus e seus amigos impuros não tenha dado certo, mas achei que ficou realista. A maioria das rebeliões acaba em fracasso mesmo. A gramática está ok, o tema está presente, a história está fechadinha. Parabéns por tudo. Um abraço e sorte no desafio.

  6. Estela Goulart
    14 de dezembro de 2017

    Olá, Noone. A distopia é bem trabalhada no texto, e o enredo encaixa bem ao que você quis dizer. Entendi que no fim, tudo foi apenas uma baderna e não serviu para melhorar a situação da sociedade de fato. É um bom texto, porém não para um conto, onde há limite de palavras. Faltaram informações a especificar, principalmente a respeito dos Puros e dos Impuros. Parabéns e boa sorte.

  7. Miquéias Dell'Orti
    13 de dezembro de 2017

    Oi,

    Um belo conto sobre preconceito e aceitação de diferenças, com uma crítica velada a nossa sociedade.

    Gostei dos poderes, tipo seres humanos superiores, que leem mentes e controlam a matéria.

    Não entendi o nome do protagonista. Quais foram os motivos dessa escolha?

    O final deixa qualquer esperança de salvação dos “normais”, fugindo do happy end convencional e nos deixando com a sensação de que nada do que fizessem mudaria o rumo das coisas como estão.

    Parabéns pelo trabalho!

  8. Catarina
    13 de dezembro de 2017

    Fiquei um pouco confusa quanto aos poderes dos “puros”, quando lemos: “– Eles não podem ler nossas mentes – disse um deles – essa é nossa vantagem.” ou “Eles lêem mentes, controlam os elementos da Terra como bem entendem, se transportam no tempo e espaço a todo instante.” Leem ou não leem mentes? (OBS: o acento caiu na Reforma Ortográfica, mas isso é bobagem, não tiro ponto). Acho que esse poder não ficou claro como é exercido. Talvez com a segregação e a escravidão. Mas como chegaram a esse ponto de superioridade? Enfim, senti um buraco na trama, embora a escrita seja fluida e correta.

    Gosto de contos que mexem com a diferença de classes sociais e este aqui começou de forma muito intensa e terminou bem. Só sugiro dar uma arrumada na trama do centrão no campo, talvez colocar um centro-avante mais atuante.

  9. Givago Domingues Thimoti
    12 de dezembro de 2017

    Olá, Noone!

    Gostei do conto. A distopia foi muito bem escrita e a história me conquistou. A situação do Spartacus e outros impuros torna quase impossível não lembrarmos de casos de minorias em inúmeras sociedades.

    Bem adequado ao tema

    Parabéns pelo texto e boa sorte!

  10. Luis Guilherme
    12 de dezembro de 2017

    Ola, amigo, tudo bem?

    Seu conto me lembrou o universo de x-men, mas, no seu caso, são os “mutantes”, ou aqueles com poderes, que detém o poder, e não o contrário. Em x-men, os mutantes são marginalizados e caçados. Já no universo que você criou, provavelmente futurista e distópico (gosto bastante desse tipo de história), os marginalizados são os que não desenvolveram os poderes.

    O conto é interessante, mas achei que faltou espaço pra desenvolver melhor a história. Distopias proporcionam histórias super longas e detalhadas, uma vez que o proprio universo em que acontecem é desconhecido ao leitor. Por exemplo: o que causou a mutação? Em que local se passa a história? Como está estruturada a sociedade? E a questão sócio-cultural e geográfica?

    Entende? Tem muitos detalhes que enriquecem uma distopia, e que obviamente não cabem num limite tão pequeno.

    Pq digo isto? Não pra criticar simplesmente o conto, mas sim pra incentiva-lo a desenvolver melhor essa historia apos o desafio, pq tem muito espaço pra criar. E eu leria a versão estendida.

    Mas vamos lá:

    A história é boa! Não é nada exatamente inovador, mas mesmo assim, como disse, esse tipo de historia me interessa bastante.

    Só achei que teve duas coisas que tiraram a surpresa final:

    1- o nome do protagonista. Sabendo que Spartacus foi derrotado na revolução, logo suspeitei do final do seu conto.

    2- não entendi bem pq você conta a derrota da revolução antes do final do conto. Achei que tirou o impacto final.

    Enfim, é um bom conto, com bastante potencial, mas que acho que merece um trabalho mais detalhado, usando um número maior de palavras, o que enriqueceria o enredo.

    Parabéns pelo trabalho e boa sorte!

    • Luis Guilherme
      12 de dezembro de 2017

      Ah, esqueci de falar:

      A realidade dos impuros me lembrou muito a questão da desigualdade social que nós realmente vivemos. É uma realidade muito triste, que foi bem retratada no conto. Esse foi um ponto bem positivo.

      Não sei se foi sua intenção, mas consegui traçar um paralelo entre ficação e realidade enquanto lia, o que gerou empatia na leitura. Parabéns!

  11. Neusa Maria Fontolan
    9 de dezembro de 2017

    Um povo com poderes. Leem mentes, controlam os elementos da terra e se transportam no tempo e espaço. E com um preconceito enorme para com aqueles sem poderes, os chamados mestiços.
    Torci para que Spartacus desse uma reviravolta em tudo, mas ele só fez um pouco de barulho e nada mais, isso resultou na morte de muitos mestiços, o que favoreceu o povo preconceituoso.
    Parabéns e obrigada por escrever.

  12. Paula Giannini
    9 de dezembro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Distopias cabem perfeitamente nesse desafio. Ao passo que um superpoder pode parecer uma benção, ele também deve transformar vida do herói em problema.
    Em seu caso, o herói (que a princípio nem sabe possuir seu poder) é vítima de preconceito e segregação. E, em uma espécie de paralelo com inúmeras situações sociais que vivemos hoje (ou melhor, com as quais a humanidade sempre conviveu), ele se encontra à margem, impedido de usufruir dos benefícios do convívio pleno com outros seres humanos.

    É interessante notar que o autor deu o foco aos excluídos, através da qualificação ou não de seu “sangue”. Assim, a herança genética seria responsável pelo destino de todo e qualquer cidadão, sem chance de ascensão a uma nova posição. A premissa lembra várias e tristes passagens de nossa história. Como o nazismo ou a situação em que vivem hoje inúmeros exilados dentro de seus próprios países por questões religiosas ou mesmo raciais.

    O protagonista, no entanto, em um ponto de virada para a trama, descobre que, não só possui um dom ou poder, como os “escolhidos” dentro da estrutura imaginada pelo(a) autor(a), como este, ainda, é uma espécie de super dom. Ele possui uma capacidade de destruição sem precedentes.

    Assim, ao passo que o homem poderia “passar para o outro lado” facilmente, ele escolhe permanecer na posição em que se encontra desde seu nascimento. Qual sua ambição? Simplesmente destruir os causadores do mal.

    E assim ele o faz, em prejuízo da própria integridade física. Da própria vida.
    Acredito que o conto tenha fôlego para uma narrativa mais longa, preenchendo lacunas deixadas para trás, em uma trama muitíssimo interessante. Realmente enxerguei a cidade, os pais, e a sociedade “limpa” que o(a) autor(a) criou. Parabéns para o escritor que sabe construir todo um universo coerente para sua FC.

    A sensação que me ficou como leitora, ao final de uma reflexão para comentar, foi a de que, talvez, a mensagem que, mesmo sem querer, a trama passe, é a de que os impuros seriam de fato perigosos, visto que o protagonista sai explodindo a tudo e todos, sem a intenção de uma tomada de poder ou consciência.
    Então, fica aqui a reflexão para nós, escritores, sobre nossas escolhas na hora de escrever.

    Parabéns.

    Desejo-lhe sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  13. Pedro Paulo
    9 de dezembro de 2017

    Olá, entrecontista. Para este desafio me importa que o autor consiga escrever uma boa história enquanto adequada ao tema do certame. Significa dizer que, para além de estar dentro do tema, o conto tem que ser escrito em amplo domínio da língua portuguesa e em uma boa condução da narrativa. Espero que o meu comentário sirva como uma crítica construtiva. Boa sorte!

    Aqui nos é apresentada uma história em que os superpoderes estão no centro da trama, motivando a própria ordem social em que o personagem existe, inevitavelmente opressora e delimitada, e colocando a jornada desse protagonista em colisão com a ordem vigente. Um plano de fundo que o autor soube construir enquanto também colocando a história para frente, expandindo o universo do conto a partir das situações que vemos o protagonista passar.

    O revés disso é que, para além das angústias causadas pelo preconceito e marginalização, não vemos muito mais do Spartacus, deixando-o um pouco superficial, para servir somente à trama e sem um desenvolvimento próprio. Com o texto direcionado em nos ambientar na desigualdade deste universo, houve pouca brecha para o desenvolvimento de um protagonista mais ativo. Não é no sentido de fazer a trama andar, porque isso você faz muito bem e Spartacus é responsável pela morte de milhares de pessoas no levante revolucionário mais violento da história. Outra coisa que senti falta foi a de uma personalização mais aprofundada e menos apática dos “Puros”, que só aparecem como empecilhos ao personagem, sem uma diversificação. Talvez, caso aparecessem jornais ou qualquer forma de trazê-los de forma menos antagonizada.

    É uma história com início, meio e fim, cuja temática está totalmente de acordo com a que é proposta no desafio. O universo é instigante e a sensação de indignação é trazida com força a partir das injustiças cometidas com os impuros e a própria revolta da personagem. O que poderia ter melhorado é uma profundidade maior no protagonista, fazendo-o ser para além da revolução, dando a ele mais a perder ou a ansiar do que a desesperança pura enquanto explode prédios e prédios.

  14. Priscila Pereira
    8 de dezembro de 2017

    Super poder: se explodir e se regenerar.

    Oi Noone, seu texto é bem interessante, entendi que os puros eram as pessoas que possuíam algum poder e os impuros eram os que não possuíam. Logicamente essa luta já estava ganha por parte de quem possuía super poderes. Gostei da forma como você conduziu a estória, revelando o poder dele no final. Achei interessante também o protagonista mesmo quando descobriu que possuíam um poder e na verdade não era impuro, não se juntou aos puros e sim tentou libertar os impuros. Gostei disso. Parabéns e boa sorte!?

  15. Antonio Stegues Batista
    7 de dezembro de 2017

    O conto é uma versão de Spartacos que viveu na época de Cristo, de origem trácia, capturado pelos romanos e feito escravo e depois gladiador. Foi líder da revolta dos escravos na Roma antiga. No conto, Spatacus é mestiço, considerado impuro. Isso num mundo fictício, mesmo assim, ficou meio confuso os sentidos da história. Quem estava no poder? Os puros. Que raça eram? Uma raça superior, portanto detinha o poder. Superior só porque eram mais fortes? Ou por causa da cor da pele? Mesmo com grande poder, Spartacus perde. Destino? Ficou frustrante essa parte. Boa sorte no Desafio.

  16. Regina Ruth Rincon Caires
    5 de dezembro de 2017

    Belo texto! Escrita impecável, abundância de frases curtas. Li e reli. Muitas informações contadas avidamente exigem uma pausa. Enredo criativo, enfoque interessante para a eterna discussão puros/impuros. Escrita fluente que deixa o leitor motivado a chegar ao final. O autor tem total domínio da linguagem. Craque. Desfecho triste, heroico. Destaco algumas pérolas que encontrei, gostei bastante: “parede-meia com meio mundo” – “era seu cobertor roto de tanto uso” – “quase uma carícia com urtiga” – “eram educados demais para serem sinceros”.

    Parabéns, Noone!

    Boa sorte!

  17. Rubem Cabral
    5 de dezembro de 2017

    Olá, Noone.

    Gostei do conto. Do enredo, em especial. Foi interessante ler sobre uma sociedade de puros e impuros e dos poderes da casta superior.

    A qualidade da escrita foi boa e a organização da história também, inclusive com o flashback do causador das explosões.

    Penso, contudo, que o conto falhou em desenvolver as personagens. Spartacus, em especial, não gerou uma imagem mental e nem um pouco de empatia, o que foi uma pena. Sei que o espaço foi curto, mas talvez um pouco de descrições ou diálogos pudessem nos aproximar mais do “herói”.

    Abraços e boa sorte no desafio.

  18. Fabio Baptista
    4 de dezembro de 2017

    A parte gramatical está boa e a narrativa, apesar do excesso de frases curtas (que trunca um pouco a leitura em determinadas partes), está ok.

    A história, no entanto, não me cativou. O plot, a questão do preconceito e tal, me lembrou bastante X-Men (que nunca foi meu grupo preferido), mas faltou um pouco de “mostrar” para que eu pudesse me cativar mais por esse mundo de mestiços e poderes antigos enraízados em suas veias. Até despertou minha curiosidade qual seria a natureza dessa “mutação”, em pontos específicos há metáforas sobre equinos e bovinos e cheguei a pensar que talvez não fossem só metáforas, mas essa ideia acaba não evoluindo.

    O maior problema, acredito, é que tudo ficou muito corrido, muitos elementos apresentados num curto espaço, tirando o impacto do final pirotécnico. Gostaria de ter torcido por Spartacus, ter sentido a necessidade de vingança que ele sentiu. Gostaria de ter ficado triste com sua morte. Mas infelizmente não consegui.

    – “Se houvesse sonhos coloridos que fugissem rumo aos céus nas noites quentes”
    >>> Gostei dessa frase e também da frase final

    Abraço!

  19. Paulo Ferreira
    3 de dezembro de 2017

    É um conto de difícil compreensão. A princípio parece narrar à triste trajetória de um João ninguém jogado no meio a uma enxurrada de preconceitos. Em seguida parece tratar-se de uma questão de casta indiana? Não consegui entender direito, tampouco de onde emana esse tal poder. Cujo poder não pareceu ser tão poderoso assim, visto ter sido dominado tão facilmente e sem nenhuma contra-ofensiva. Foram derrotados com muita facilidade. Enfim bem complicado mesmo. Embora não negue ser um conto muito bem urdido e bem conduzido. Uma escrita bem posta, sem problemas com a gramática. Um bom conto.

  20. Olisomar Pires
    3 de dezembro de 2017

    Pontos positivos: escrita fluida. Leitura sem entraves. Personagens bem delineados. Tema que levanta reflexões sobre a inutilidade ou hipocrisia de revoluções violentas.

    Pontos negativos: A luta na revolta em si não foi destacada e contida muito rápido. Talvez essa fosse a ideia, reforçando a fragilidade dos revoltosos.

    Impressões pessoais: as diferenças entre Puros e Impuros ultrapassaram definições de raça, a coisa pode ser aplicada a qualquer tipo de deficiência independente da origem étnica do individuo.

    Sugestões pertinentes: seria interessante saber a origem dos superpoderes.

    E assim por diante: o texto expõe uma realidade praticamente imutável desde que o mundo é mundo, o final é a prova dessa situação. E mesmo que os impuros tivessem êxito, o mundo continuaria dividido, com a diferença de que seriam outros no comando, mas com a mesma discriminação. Essa seria a imutabilidade do sistema.

    Parabéns.

  21. Bianca Amaro
    3 de dezembro de 2017

    Olá. Tudo bem?
    Parabéns pelo seu texto, foi criativo e interessante.
    Um ótimo uso da gramática, tenho que dizer, e você escreveu de um jeito que nos faz querer ler mais e mais, sem conseguir parar. Escreve de um modo que conseguimos visualizar muito bem o que a história conta, o que é difícil de se fazer.
    Os personagens são bons e marcantes, além do fato de que a trama é boa.
    Uma boa história sobre a revolução dos oprimidos, onde se luta por um objetivo. Porém, acho que o personagem principal desistiu muito facilmente. Porém, o fato dele ter se suicidado deixou o final um pouco triste. Mas ele morreu honrado, felizmente. O modo que escreveu sobre a morte do personagem foi ótima, emocionante e envolvente.
    O título combinou muito bem com o texto, assim como a imagem.
    Meus parabéns novamente, e boa sorte!

  22. Angelo Rodrigues
    3 de dezembro de 2017

    Caro Noone,

    seu conto guardou uma expectativa por tempo longo demais, deixando-me imaginar que se tratava de uma questão “racial”. Não era, tinha uma outra cor, mais para a fantasia, embora ainda grudada ao conceito da pureza e da impureza racial.
    Esse, de certa forma, é o segundo conto que trata do mesmo assunto, ainda que este o faça mais diretamente.
    Cumpre a trajetória clichê dos revoltosos, com reuniões e animações por meio de discursos inflamados, secretismos e coisa e tal. Tudo bem, esse pode ser um caminho.
    Notei um certo descompasso quando os pais de Spartacus, sabendo-o impuro, ainda tentam elevá-lo ao mundo dos puros, quando isso não seria possível, dada a franca separação de classes (isso é mostrado logo no início). Depois, algo que os pais dele já sabiam, revelam que ele não era quem imaginava ser, tinha poderes.

    O título que você adotou “Por muito tempo ainda”, me passou a ideia de que o fracasso da intentona sinalizava que, como nas questões raciais hoje existentes no mundo, tudo ainda passará por longos períodos de luta. A morte de Spartacus, embora demonstre um fim melancólico teve essa indicação, da tristeza de que os desvalidos ainda terão que esperar por muito tempo para terem direitos reconhecidos.
    Legal. Mas isso tem um problema (pelo menos para mim), dado que não compreendido esse sutil arranjo que você construiu, o conto ficou parecendo uma ode ao eterno e circular fracasso dos “desvalidos”. Outra coisa que me pareceu poderia ser mais bem arranjada, é o fato de que Spartacus é, na verdade um puro, o que o torna um “superior” que virá para salvar os “inferiores”. Não sei se isso é bom sob o ponto de vista da construção da história. Bem, mas é a sua história.
    Imaginei que os puros tomariam para si as rédeas do destino sem a condução de outros que não eles. É como vi.

    Parabéns pelo conto.

    • Angelo Rodrigues
      5 de dezembro de 2017

      Corrigindo: “Imaginei que os IMPUROS tomariam para si as rédeas do destino sem a condução de outros que não eles. É como vi.”

  23. Evelyn Postali
    3 de dezembro de 2017

    Caro(a) autor(a),
    Que final triste. Tanta luta por nada. Ficou a expectativa de reviravolta. Eu meio que me decepcionei com o final. Se bem que eu posso ter perdido alguma coisa no meio do caminho. Contudo, essa história poderia ser maior. Talvez trabalhar os personagens, sim, mas a trama merecia um alongamento, porque me pareceu bem mais complexa e com possibilidades bem maiores do que essa que apresentou. Eu gostei da questão das diferenças, mas é meio clichê eu acho. Já li histórias com essa base. Não percebi erros de gramática e gostei dos diálogos.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

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Informação

Publicado em 3 de dezembro de 2017 por em Superpoderes.