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Detox Literário.

Pode ser a Farsa Cruel – Artigo (Estela Goulart)

Como o tempo passa diferente para as pessoas? Você já deve ter se perguntado isso. É uma explicação inexplicável onde somente os físicos encontram as respostas. Ou nem eles encontram. Já se indagou a hipótese de tudo o que existe não ser exatamente o que pensamos? Tudo pode ser apenas uma ilusão, ou nem isso. E se toda a ciência, toda a ideia de vida e de consciência, assuntos humanísticos acerca do “todo”, não for o “tudo”? E se todas as parafernálias comprovadas, ondas gravitacionais, leis gerais, fórmulas matemáticas das quais todos acreditamos fazer sentido (e, sim, realmente fazem para nós) não forem apenas meras ilusões e tudo não ser aquilo cujos pensamentos humanos discernem?

Estar baseando questões no “e se” é também um fator a se contrariar. Costumamos usar hipóteses para atingir as respostas, mas quem dirá que as hipóteses também fazem sentido? Não vamos entrar no mérito. Seria confusão demais além das milhares de confusões pré-existentes na sociedade humana. Em síntese… ou melhor, sem síntese, porque explicar em resumo sempre deixa lacunas vazias… a pergunta geral é: “E se tudo comprovado estiver errado?“. Pode achar e idiotice, palhaçada, coisa de quem não tem nada para escrever… foda-se.

E, sim, eu tenho o que escrever. “Bom para mim“, eu sei.

O ser humano é uma formiga. Uma formiga repugnante provida de uma consciência esnobe. O mundo gira em torno dos umbigos da humanidade, daquelas visões superiores capazes de ultrapassar a barreira do considerado “decente e sóbrio” para flutuar, permear e arraigar na raiz chamada geração. Anos e anos, séculos, segundos, milésimos… o que é isso? Existe uma comparação bastante famosa na qual supomos o tempo de formação do planeta Terra em um dia, uma semana ou um ano, como preferir. Em todos, sem exceção, a formiga pensante surge apenas nos “últimos finais”. É como mostrar-nos um documento e dizer “Olha só como somos novos perante o mundo!“.

Há quem acredite, há quem não. Estou aqui apenas para perguntar.

Sim, o tempo passa diferente para cada um. O planeta Terra poderia estar rindo a uma hora dessas, vislumbrando de camarote a nossa vida.

Quem são essas bactérias percorrendo o meu lindo corpo arredondado, causando espinhas e furúnculos em minha superfície tão pacífica?“, diria.

Mas, considerando a parte em que personificar as coisas e atribuir-lhes características humanas é um feito exclusivamente humano (ah, não diga!), talvez ela não esteja desse jeito. Quem vai dizer que não existe uma outra forma de ver o mundo? E quem vai dizer que a Terra não pode exercer nenhuma influência? Ela deve mesmo ser apenas um corpo imerso no espaço? Nós podemos falar… porque ninguém mais pode falar então? Existe uma regra escrita no formulário correto da existência afirmando sobre os únicos e apropriados  métodos de comunicação? Todos devem se entender apenas por línguas ou dialetos característicos dos humanos?

Percebeu como não conseguimos discernir o diferente de nós? E as pessoas ainda vem dizer que para o bem de todos devemos seguir alguém apenas porque tem poder? O que é esse tal poder? Poder de comandar outras formigas ambiciosas e, caso fujam de controle, disseminar o ódio como melhor maneira? Disseminar o ódio entre nós mesmos? Qual o sentido disso?

O ser humano foi capaz de atrofiar-se durante toda a existência. Chamamos de evolução o fato de começar a pensar, diferir daqueles seres primitivos que, para nós, não sabem fazer nada além de comer, viver e se reproduzir. Não trabalham, não falam, não interagem… não fazem o que os humanos fazem! Olha que maravilha! Novamente estamos nos classificando como superiores diante do mundo. Só porque uma tartaruga não é igual a qualquer humano, quem vai dizer que ela não tem uma “vida tartarugosa” no seu contexto de réptil? O que não conseguimos ver significa “não existir“?

Hipóteses comprovadas… contem outra. Sei que alguém no decorrer desse texto deve estar se perguntando que baboseira é essa proferida por mim, mas também conheço a “questão de perspectiva“. A sua pode não ser igual, isso tanto me importa. Ainda somos humanos “incapazes” de discernir o diferente. E se somos assim, inaptos, estou apenas escrevendo para o vento. Tudo bem, uma folha deve ser muito mais digna com poucas lidas atentas do que com milhões de leitores impacientes com a arte de apenas ler. Bela passada de olhos. Se não está a ler isso letras maiúsculas costumam chamar a atenção. Palavrões escritos, no mesmo contexto.

Por que? Palavrões são a liberdade da fala. Deparar-se com algum escrito, super claro e óbvio, é, pelo menos, no mínimo impactante. A não ser que alguém tenha passado a vida inteira lendo livros considerados chulos e impróprios para uma boa formação vocabular. Concordo. Mas não é estranho considerar “caralho” mais extravasante do que… sei lá, por exemplo “libroda”? Duas palavras aparentemente sem sentido, mas com pesos diferentes e gritantes.

Por que? Costumes de geração a geração. Talvez esteja ficando claro: isso enquadra-se apenas na vida humana, porém não posso finalizar refutando a ideia de que exista dialetos iguais aos nossos. Assim como tudo pode ser diferente, o que impede de ser igual?

Mas, convenhamos, é bem mais comum estipular vidas parecidas a nossa fora da Terra do que totalmente diferentes. Até porque o diferente ainda não nos visitou. Por isso é complicado falar disso sem parecer anormal ou “metida a sabe-tudo”. Sendo óbvia: o anormal é o diferente. Sendo óbvia de novo: só estou sendo bem óbvia a respeito das coisas.

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3 comentários em “Pode ser a Farsa Cruel – Artigo (Estela Goulart)

  1. Antonio Stegues Batista
    24 de novembro de 2017

    Olá, Estela! Você começa falando do tempo e aborda outros assuntos. Existem livros e filmes que falam sobre uma outra realidade, não a que conhecemos. Há quem acredita que a terra é plana! O universo sempre foi o mesmo, a vida das pessoas é que mudam e para cada um, o tempo e a realidade pode ser diferente. Gostei das suas ideias.É um bom texto.

  2. Fil Felix
    20 de novembro de 2017

    Estela, certo dia na faculdade uma professora que admiro disse que usar muito do termo/ conceito “evolução” passava uma sensação errada. Estávamos apresentando um trabalho de um pintor e sempre falávamos “esse período evoluiu pra esse, tal técnica evolui pra essa etc…”. Que dava a impressão de algo ser melhor que o anterior, o que não necessariamente é. Que, nas palavras dela, cada coisa é o melhor que pode ser em seu determinado tempo. E passei a ver as coisas um pouco desse jeito.

    Então não me conectei tanto ao seu artigo, que tem uma visão mais pessimista das coisas. Estamos em constante transformações… hipóteses, teorias, tudo pode mudar um dia. Mas é inevitável que há o dia depois do outro, que pessoas são diferentes, temos o dom e a maldição de poder pensar, refletir e discutir (ou não) sobre as coisas. Somos uma mancha na Terra que se acredita ser um pouco mais do que é, em parte por religião, outra por ganância. Não diferirmos o diferente nem em nós mesmos, só observar o tanto de preconceito contra gay, negro, gordo, imigrante, tudo que foge do padrão aceito. Não é só o não-humano. E, pra mim, isso se deve justamente à complexidade das pessoas. Outros animais possuem seus sistemas de comunicação, de sobrevivência, suas inteligências, memórias e tudo o mais. Mas assim como só o ser humano cria, só a gente é capaz de problematizar. E aí, é pegar o carrinho de rolemã e descer a ladeira.

    Em relação ao texto, acho que faltou uma revisão em alguns pontos pra deixar as ideias mais claras.

    • Estela Goulart
      24 de novembro de 2017

      entendido, muito obrigada. Vou tentar melhorar.

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Publicado às 20 de novembro de 2017 por em Artigos e marcado .