EntreContos

Detox Literário.

A Coisa no armário (Rafael Luiz Garcia)

Deitado no chão no último lampejo de sanidade que lhe restara, seu cérebro teimou em culpá-lo por aquele cenário horrível, que mesmo antecipado por sua mente, se fazia violentamente óbvio e inevitável. O horror estava à sua frente.

Agora, estático pelo pânico, e com a face transfigurada em uma máscara de total desespero e terror, ele via um flashback em sua mente. Aquela coisa que as pessoas dizem que acontece sempre que se está para morrer, mas só se vê em filmes. Nos microssegundos anteriores ao completo estado de desvario que tomou sua mente … viu tais cenas passarem na sua frente.

– Que dia amor! Estou adorando tudo aqui. Hoje pegamos um trabalho para um filme grande que está para estrear. Robôs gigantes lutando… armas tiros, explosões…  acho que vai ser a coisa mais difícil que já fiz…

– Será que é algum Transformers? – disse Afonso, sentado na varanda limpando uma bota com um pano molhado. Ao seu lado, um balde de água com seu conteúdo já marrom devido às quantidades de lama e concreto que saíram do calçado.

– Isso! Você sabe que não gosto muito desse tipo de filme, mas faz parte do trabalho… e parece muito desafiador! Vai ser legal. Devemos começar no mês que vem.

– Que bom amor… –  Afonso dirigiu a esposa o sorriso mais genuíno que conseguia enquanto colocava a bota recém limpa junto a outra. Em seguida se levantou e entrou pela porta da varanda, deixando o calçado do lado de fora para secar.

– Estou tão feliz de estar aqui com você – ela colocou as duas mãos no rosto do marido e lhe deu um beijo – o trabalho dos meus sonhos, no país dos meus sonhos! Logo você vai estar trabalhando na sua área também e estaremos completos!

Afonso retribuiu o beijo da esposa, que sempre lhe deixava mais feliz.  A mulher o largou e foi para a bancada da cozinha, arrumar os talheres para cozinhar. Enquanto isso, Afonso entrou em seu quarto, ouvindo-a tagarelar da cozinha.

O quarto do casal, recém montado, ainda tinha mobília precária. Uma cama ao centro e um criado mudo em cada lado. A escrivaninha ficava na frente da cama, onde ele gostava de escrever enquanto conversava com a esposa na cama até ela dormir. Havia uma poltrona-puff que rapidamente foi transformada em “depósito-de-roupas-que-não-estão-sujas-o-suficiente-para-lavar-nem-limpas-o-suficiente-para-pôr-no-armário”, e havia o armário embutido na parede. O armário tinha portas brancas de correr e nunca podia estar totalmente aberto. Para ter acesso ao seu lado, Afonso precisava correr a porta para a esquerda, bloqueando o lado de Suzana, e vice-versa, mais ainda assim, era melhor que o armário velho de madeira que haviam deixado no Brasil.

Ouvindo Suzana falar sobre os hábitos de higiene de seus colegas, Afonso se abaixou ao lado da cama para pegar o carregador de seu celular, que estava plugado na tomada, mas ao pôr a mão no eletrônico, ouviu um barulho dentro do armário. Ergueu-se, ressabiado, olhando as portas brancas com pequenos entalhos em madeira. O armário estava fechado, mas sem dúvida, o barulho fora lá dentro.

Afonso caminhou até ele e correu a porta para a esquerda, abrindo o seu lado. Suas roupas pareciam em perfeita ordem, dos tons mais claros à esquerda, aos mais escuros, à direita. Olhando para a prateleira em cima, seus cintos e casacos de frio estavam arrumados como havia deixado. Olhou para o chão e viu a causa do barulho, sua camisa da seleção brasileira havia caído, com cabide e tudo. Ele abaixou-se para pegá-la, ergueu-a no ar, tapando sua visão do fundo do armário. Desamarrotou a camisa da melhor forma que pôde e a devolveu para seu lugar no cabideiro, entre a camisa vermelha com o logotipo do Superman e uma camiseta verde. Olhou casualmente para o fundo do armário, vendo apenas escuridão. Fechou a porta e voltou para a sala.

– Esqueci de dizer… Convidei a Sra. Emma para o jantar hoje mais tarde. Ela deve vir com o marido. Tudo bem?

– Sim… tudo bem… – disse Afonso enquanto pegava do sofá o casaco verde fluorescente que usava no trabalho e o colocava no cesto de roupa suja – mas poderia ter me consultado antes…

– Tudo bem… desculpe… é que precisamos fazer amigos aqui… conhecer as pessoas, e ela foi tão amável hoje no saguão e no elevador… eles parecem ser simpáticos.

– Sim, parecem… –  pegou uma grande faca afiada e parou ao lado da esposa. Ela lhe passou uma cebola, a qual ele começou a fatiar, ouvindo-a falar novamente sobre o novo e empolgante trabalho, mesmo depois de quatro meses.

O casal convidado chegou. Emma, uma senhora já beirando os sessenta, trazia uma sacola nas mãos enrugadas. Ethan, o marido, um homem com a pele vermelha e ressecada pelos anos de trabalho continuo sob o sol, ostentava um bigode grande, puramente branco e bem escovado, talvez, para suprir a total falta de cabelos na cabeça. A voz possante tentava encobrir o sorriso ligeiramente sem graça e Afonso imediatamente percebeu que ele também fora vítima de um convite para jantar inesperado.

Emma depositou a sacola sobre a bancada da cozinha e dela retirou uma bela torta de amoras e uma garrafa de vinho tinto. As mulheres tagarelavam e riam arrumando a mesa enquanto os dois homens, ficavam parados, sem jeito, com sorrisos amarelos e sem ter o que dizer, como bonecos sem ventríloquo.

Ao fim do jantar, Ethan perguntou se poderia fumar na varanda, e diante da afirmação positiva, encaminhou-se para o ar puro, sob as críticas da esposa, que acentuava sua falta de educação ao fumar em casa alheia.

Como um bom anfitrião e lembrando da política de fazer amigos Afonso foi atrás de Ethan na varanda e, sentou-se na poltrona de vime, sinalizando para que o idoso se sentasse também.

– O que está achando do Canadá, …?

– Frio…  – Respondeu Afonso. Ambos riram – … mas bastante acolhedor e seguro. Estou feliz de estarmos aqui. A vida no Brasil estava ficando bem difícil…

– Sempre ouço dizer que é um lugar muito bonito, mas violento… muitos assaltos…

– Sim… foi o principal motivo para termos nos mudado. Tínhamos bons empregos lá, mas a proposta que Suzana recebeu era irrecusável… além de termos a oportunidade de morar num lugar onde não precisamos todos os dias nos preocupar em não perder a vida.

-É uma pena… uma pena… – Ethan se reclinou na poltrona, esticou e cruzou as pernas, soltando uma fumaça espessa do velho cachimbo – E vocês planejam ficar aqui?

– Acho que sim… o emprego de Suzana é permanente, e eu vou fazendo um trabalhinho aqui e ali até nos firmarmos. Não tenho vontade de voltar ao Brasil tão cedo. Temos família, parentes e amigos lá, mas não queremos construir uma família num local tão inseguro.

Afonso viu que o velho parecia absorto em pensamentos, olhando para as estrelas e soltando baforadas sem tirar o cachimbo da boca. Resolveu imitar sua visita, olhando para o céu e contemplando as estrelas. Mas subitamente, Ethan voltou a falar, como se nunca houvessem interrompido a conversa:

– Este apartamento estava vazio há muito tempo… mais de 1 ano.

– É mesmo? – respondeu … interessado – Por que será que ninguém o quis? O valor de aluguel está ótimo, mas pensando bem, até a imobiliária me pareceu um pouco vacilante na hora de alugá-lo para mim. Insistiram que haviam localizações melhores…  Quase tive de brigar para aluga-lo.

– Hum… – Ethan continuava olhando para o céu – Talvez eles estejam com medo… já desapareceram pessoas aqui. Os últimos inquilinos foram dois irmãos indianos. Estavam aqui para estudar e trabalhar, mas… num belo dia, simplesmente sumiram.

Afonso se conteve para não suspirar de tédio. Velhos eram velhos em qualquer lugar. Sempre as mesmas manias. Agora ele contaria causos macabros

Agora, Ethan narrava a história de um casal de Sul coreanos que morara no sexto andar por alguns meses. A despeito dos indianos, que sumiram sem deixar vestígios, no caso do casal oriental, a mulher se jogara pela janela e o marido voltou para seu país no mesmo dia.

Ethan ainda entrava num terceiro caso, onde há mais de sete anos uma família síria que vivera no prédio fora aparentemente assassinada pelo próprio pai, mas … já mal o ouvia. Não ligava para essas crendices. Olhou para a sala da casa. … e Emma conversavam no sofá. A velha apesar da pele clara europeia, tinha alguns traços bem característicos dos nativos norte-americanos. O rosto anguloso, os olhos estreitos e inteligentes e até o cabelo negro e bem liso junto à cabeça. Enquanto observava na aparência física de Emma, Afonso ouvia o que ela conversava com sua esposa, mesmo sob do falatório de Ethan.

Emma falava em tom de desgosto sobre estava difícil sua filha arranjar emprego.  Ela gostaria que sua menina trabalhasse perto de casa, apenas um emprego temporário, para que ela aprenda a guardar dinheiro e a ter responsabilidade, mas todos os empregos ao redor já estão preenchidos. Em sua maioria, imigrantes.

Ela falava com desdém, sobre a enxurrada de indianos, sírios, filipinos e chineses tomando conta da cidade. Todos os bons empregos eram rapidamente tomados por eles, que chegavam no país e assolavam a cidade como avalanche, batendo de porta em porta atrás de emprego às 5 da manhã. Não havia como sua filha competir com aquelas pessoas que imploravam trabalho aos empregadores. Trabalhadores sempre dispostos, que fariam de tudo por um salário mínimo. Pais e mães de família que vinham sempre com 3,4,5 filhos para sustentar. Sua menina precisava apenas de algo simples, que não lhe tomasse muito tempo e dedicação, mas graças a esses imigrantes, estava cada vez mais difícil.

Afonso olhou para sua mulher, que parecia bem absorta na conversa. Emma era bem xenófoba pelo visto… e parecia que a mulher não percebia que o seu casal anfitrião também era estrangeiro.

Pelas dez da noite o casal anunciou sua saída. Agradeceram o convite e agradeceram por ter novos vizinhos tão educados.

– Parece que eles não gostam muito de imigrantes né… – falou Afonso pouco depois que o casal se fora.

– Não sei… acho que eles são velhos e acabam implicando com qualquer coisa, só isso – replicou a esposa. Sua face estava avermelhada pelo consumo do vinho e ela tinha um sorriso malicioso no rosto – Vou tomar um banho tá? – Ela virou se de costas e o olhou por cima do ombro, ao mesmo tempo que deixava a saia cair no chão da sala, e seguiu de calcinha para o banheiro.

Afonso não precisou de segundo convite para se juntar à esposa.

A primeira vez foi quando na penumbra do quarto, Afonso penetrava sua esposa com o vigor de recém namorados.  A respiração saindo entrecortada pelos lábios semiabertos e o leve gemido que escapava dela a cada movimento de sua pélvis o excitava, e só fazia aumentar a intensidade do sexo. Ele enterrou os dentes no pescoço da mulher fazendo-a se contorcer e segurar sua nuca, pressionando seu rosto contra o pescoço dela. Ele se lembrou de sentir o perfume e a textura dos cabelos castanhos de sua mulher roçando em sua face. Ergeu o rosto encarando-a e fez mais um movimento firme, levantando a cabeça e olhando casualmente para porta do armário entreaberta. Viu um par de olhos brancos dentro do armário os observando na escuridão, entre as roupas.

Uma sensação de fraqueza lhe acometeu. Uma bolha gelada de ar se inflou em seu peito, subindo para a garganta, obstruindo- lhe a fala e a respiração. A visão aterradora foi suficiente para lhe sugar todo o vigor e vontade. Seu pênis amoleceu e diminuiu dentro de sua consorte instantaneamente, enquanto o frio rasgava sua espinha, da nuca ao cóccix.

Suzana lhe inquiriu, chamando sua atenção e seu olhar novamente para ela, e no momento em que ele voltou seus olhos para o armário novamente, não havia qualquer sinal daqueles olhos cruéis, que antes haviam se fixado nele como os de um falcão num rato.

Passado o susto, deixando sua esposa sem resposta para uma segunda pergunta, Afonso levantou-se rapidamente da cama, acendendo as luzes do quarto, enquanto com a mão esquerda correu a porta do armário para a esquerda, abrindo-o totalmente. Encontrou apenas suas roupas penduradas normalmente. Ele colocou a mão no rosto tapando a boca num gesto de interrogação e ignorando a terceira pergunta de sua mulher, correu a porta do armário para a direita, tendo acesso à outra parte do armário, mas estava tão somente repleta apenas por roupas. Nenhum sinal do portador daqueles olhos tão vorazes que divisou da cama.

Agora, sua esposa soava realmente furiosa por estar sendo ignorada, ele inventou uma desculpa qualquer que lhe veio à mente e se recolheu à cama, olhando o escuro do armário, mas nada mais apareceu. Mesmo assim, a lembrança daqueles olhos tão terríveis lhe impediu de prosseguir o sexo. Só conseguia imaginar o desejo emanado daqueles olhos. Eles desejavam trucidá-lo, esquarteja-lo, se embebedar em seu sangue e devorar até seus últimos ossos. Não dormiu bem.

A segunda experiência com o armário ocorreu-lhe semanas depois, quando sozinho em casa após chegar mais cedo, tomou seu banho quente e lembrando de ter se esquecido de levar suas roupas para o banheiro, saiu com a toalha enrolada na cintura caminhando até seu quarto e correu a porta do seu lado do armário para pegar uma cueca e um short.

Naquele momento algo se mexeu dentro do armário, como se algum bicho de proporções avantajadas acabasse de ser flagrado. Ao correr a porta, algo farfalhou dentro do armário fazendo barulho e se aninhando no lado de sua esposa, não contudo, sem passar despercebido.

Ante o susto tão inesperado, … deu um salto para trás, caindo em cima da cama. A queda não parou por aí, fazendo- o rolar e cair em frente a janela que dava visão para os prédios lá fora. Ele se levantou, assustado, segurando o colchão com força e olhando para a parte aberta de seu armário. Apenas suas roupas estavam ali.

Cautelosamente, Afonso se levantou e deu a volta pela cama, se espremendo pela porta do quarto para passar o mais longe possível do armário. Quando voltou, trazia o cabo da vassoura e se colocando o mais longe possível, correu a porta do armário para o outro lado esperando encontrar sabe-se-lá-o-quê. Mas apenas viu o lado destinado à Suzana.

Superando o medo que agora se materializava nas marteladas do coração em seu peito, ele respirou fundo, se acalmando, e aproximou-se para averiguar com minúcia. Não havia nada! Moveu os vestidos de sua esposa nos cabides, tirou os calçados dos lugares, chegou a olhar dentro deles, mas nada encontrou. Nem um mosquito. Agora, já com as batidas de seu coração estabilizadas e com a respiração tranquila, se viu no meio da bagunça de roupas e pertences de Suzana no chão e se sentiu ridículo. Um adulto com medo de monstros no armário. Ele rapidamente arrumou as coisas de volta em seus lugares antes que a dona chegasse em casa e partiu para a cozinha para fazer o jantar.

Na terceira vez, chegando da rua Afonso abriu a porta do apartamento, sentindo o cheiro de comida, Suzana devia estar fazendo algo gostoso. Mas a descontração deu lugar ao medo no momento em que por centésimos de segundo, divisou em seu quarto uma sombra vinda do armário. O molho de chaves caiu de sua mão ruidosamente no chão de azulejos do corredor de entrada da casa

Não era a sombra de seu armário refletida por alguma luz, era algo pior, talvez algum ser desconhecido e incompreensível pela mente humana. Um ser que a simples presença emana terror e loucura. Um arrepio eriçou todos os pelos de seu corpo. Naquele rápido instante que viu a sombra antes dela fugir rapidamente da sua visão, ele soube, realmente havia algo ali. Afonso piscou o máximo que pôde, mas não havia mais nada no quarto. Nem sinal de sombra.

Ele se aproximou lentamente pelo corredor, sequer tirou os sapatos sujos pela neve que caia lá fora. Cada passo era um suplício, como uma ida para a toca de uma fera horrenda. Mas algo lhe impulsionava adiante, algo indizível, no âmago de seu ser.

Finalmente, ele lentamente colocou a cabeça dentro do quarto, podendo olhar o armário. A porta de correr estava novamente entreaberta. Dentro dele, só se viam suas roupas. Seu suéter azul, sua jaqueta de couro, suas camisas sociais. Embaixo, seus sapatos e as gavetas com todas as suas miudezas.

Afonso respirava rapidamente enquanto seu corpo tremia como nunca. Ele sabia!! Sabia que havia algo ali, em seu armário. Lentamente, colocou o corpo para dentro do cômodo centímetro por centímetro, sem tirar os olhos do armário, e se aproximou até ficar próximo da porta entreaberta, procurando qualquer sinal de vida, ou seja lá o que fosse aquilo, mas não viu nada. Apenas suas roupas e pertences.

De súbito, ele pensou ver um vulto lá dentro. Um salto o fez se arremessar contra a parede e a quina da porta machucando suas costas. Ainda sem tirar os olhos do armário, se perguntou se não seria sua mente lhe pregando peças.  Naquele instante, ouviu a voz da esposa, que saía do banheiro e já reclamava das botas sujando o carpete

As reclamações da esposa lhe trouxeram um pouco de volta ao mundo real, sem ilusões, fantasmas ou monstros. Não contaria a ela, não mesmo. Ela jamais acreditaria. Seria ridículo. Um homem adulto com medo de monstros no armário! Balbuciou um pedido de desculpas por não ter tirado os sapatos. Esbravejando e informando-o de que ele mesmo limparia aquela sujeira, Suzana passou por ele entrando no quarto.  Em um gesto de puro reflexo, um engasgo deixou sua garganta sem conseguir formar palavra, enquanto sua mão segurou firme o braço da mulher, impedindo-a de prosseguir.

Surpresa, Suzana olhou para o marido. Ele, com uma exclamação, soltou o braço dela espantado por seu próprio ato. A esposa o chamou de maluco e entrou no quarto indo em direção às cortinas para fechá-las. Afonso entrou atrás dela, receoso, com o olhar que ora ia para o armário, e ora ia para a mulher, que agora falava com ele.

Suzana despiu a calça e a jogou na poltrona do outro lado da cama e se dirigiu para o armário para pegar uma muda de roupa.

Paralisado na porta do cômodo, Afonso sentiu um gelo lhe subir pela garganta e se espalhar pelo maxilar quando viu a esposa enfiar a cabeça dentro do armário atrás de roupas limpas. Ela fuçou ali por alguns segundos, que lhe pareceram uma eternidade, e em seguida, puxou um short colorido colocando-o no ombro. Ela se esticou na ponta dos pés para alcançar as roupas de baixo que ficavam na parte mais alta. Ele costumava se excitar com aquela visão, mas tudo o que sentiu foi apenas uma bolha crescer em seu peito.

Por que ela se comportava assim tão normalmente em frente aquele armário que abrigava aquela coisa horrenda? Como ela não sentia ou via o que ele sentiu e viu? A boca da mulher se movia sem parar, sem notar que ele não a estava ouvindo. Ela agora tirava uma saia azul do armário e a observava girando-a no cabide e falando algo sobre dar algumas roupas que não lhe serviam mais.

“ SAI LOGO DAÍ!”

Parecia que estava se demorando na porta do armário apenas para lhe torturar! Sentiu uma gota de suor descendo pelas suas costas até se encontrar com a calça. Agora ela experimentava uma blusa de alça vermelha!!! Não sabia qual sensação lhe tomava mais o coração, o medo ou a raiva, aquela mulher idiota arriscava a maldita vida ali experimentando aquelas merdas de roupas!

Finalmente, ela devolveu as roupas ao armário e fechou-o.  Naquele momento, ele imaginou que a sombra iria destruir a porta do armário, clamando por liberdade, e com sua fome e suas presas vorazes atacaria sua esposa ali na sua frente. Mas a porta permaneceu fechada enquanto ela saía do quarto e se dirigia de volta ao banheiro. A mulher olhou para o chão sujo pelas pegadas imundas e esbravejou novamente, fechando a porta do banheiro.

Afonso respirou aliviado, ainda estático no mesmo lugar, e olhou para o armário novamente. Sabia que a coisa estava lá. Ela podia enganar sua esposa, mas não a ele.

Os dias foram se passando, e nem sinal daquela coisa que o aterrorizava tanto. Suzana abria e fechava o armário impunemente, e a cada vez, ele tremia e temia pela vida dela. A Coisa estava brincando com ele.

Afonso passou a só pensar no armário e a cada vez que o via com as portas entreabertas, fixava seus olhos ali, esperando alguma movimentação que denunciasse a presença da coisa. Mas nada acontecia. Ele sabia, a coisa estava esperando.

Mais dias se passaram. Sua obsessão pelo armário atingia níveis críticos. Não por ter descoberto mais evidencias da existência daquela Coisa temível, mas pelo contrário. Nem sinal do monstro. Do ser maldito e dissimulado que aguardava pacientemente a hora de atacar. Cada vez que sua esposa parava na frente do armário, era para ele um momento de tortura, seria daquela vez que ela seria atacada e esquartejada pela fera inconcebível? O alívio de vê-la sair a salvo de perto das malditas portas de correr só era suplantado pelo horror de vê-la se aproximar novamente e passar minutos ali, experimentando roupas, buscando apetrechos, examinando os saltos de seus sapatos.

Um dia, não aguentando mais aquela situação, tentou abordar o assunto com Suzana de forma casual. Tinha que tentar:

– Amor… estou realmente detestando esse apartamento…  Acho que devemos nos mudar.

Afonso não entendeu: – Por que? Esse apartamento é tão bom… nunca conseguiremos outro pelo mesmo preço.

– Não sei… acho que é muito longe do nosso trabalho. – Ele tinha de inventar qualquer desculpa – Acho que precisamos de algo mais próximo do Centro…

– Longe? – Respondeu ela incrédula – Meu trabalho é a vinte minutos daqui. O seu a dez! Temos pontos de ônibus bem aqui na porta… por que está dizendo isso? Achei que estivesse satisfeito.

– Estou…  – Ele não tinha melhores argumentos. De fato, o apartamento conseguido era incrível. Tanto pelo preço, muito abaixo da média, quanto pela localização e utilidades. Fora vencido. – … você tem razão, deixa pra lá…

A esposa se aproximou e o abraçou: – Sei que está sendo difícil para você… pra mim também. Assim que estivermos estabelecidos, podemos ver uma casa maior.

– Sim, você está certa… – disse … sem esperança – Esquece. Acho que estou um pouco estressado, só isso.

Suzana beijou seu marido de forma carinhosa nos lábios. O assunto estava encerrado.

Agora, Afonso deixava de fazer as costumeiras horas extras no trabalho, voando de volta para casa para certificar-se de que sua mulher estava bem. De que não seria atacada em sua ausência. Tinha a certeza baseada em nada que, enquanto ele estivesse observando, a coisa não ousaria sair do armário. Seus dias em casa, eram um suplício ante tão repugnante hóspede. Seus dias no trabalho, excruciantes ao imaginar que Suzana poderia estar abrindo o maldito armário naquele exato momento.

Havia momentos em que chegava a querer que acontecesse logo, apenas para acabar com aquela agonia terrível. A expectativa o consumia, mas a cada noite que dormia, após certificar-se de estarem bem fechadas as portas de correr do famigerado armário, Afonso agradecia por ter sido adiado o dia.

A sensação agora, estava insuportável. Não podia mais ficar em silêncio enquanto aquele terror permanecia em seu encalço. Sua mente não vivia mais. Havia apenas o foco naquele predador sinistro que habitava seu armário e preparava-se para o momento que atacaria o casal. Preferia passar por louco para a esposa a se submeter a tal risco. Precisavam sair dali!

– … Preciso lhe falar… não estou bem aqui. Precisamos ir embora deste apartamento o quanto antes.

A mulher pausou a série que o casal assistia na sala e olhou assustada para o marido: – Por que meu amor?

– O … armário… tem alguma coisa naquele armário. Você não vai acreditar em mim, nem precisa. Mas eu não ficarei mais neste apartamento. E quero que você venha comigo.

Suzana foi indulgente. Já havia reparado certa perturbação no marido, apesar dele se esforçar para esconder, e já estava começando a se preocupar. Por isso, resolveu racionalizar o problema do marido:

– Mas o que você acha que tem no armário? Se quiser, podemos abrir e dar uma vasculhada, tirar todas as roupas e… – a mulher foi interrompida pela reação rápida e insana de … Ele agarrou seus braços, encarando-a com olhos vidrados. Ela enxergou loucura e terror naquele olhar e sentiu sua carne ser penetrada pelas unhas do marido.

-Não! – Disse ele – Não vamos olhar nada! Vamos sair daqui, urgente.

Ela jamais o vira tão perturbado. Era como se de fato, a vida deles corresse risco. Não podia se opor aquela reação e aquele olhar.

– Tudo bem… mas pode me soltar? Está me machucando!

Afonso pareceu voltar a si. Era como se tivesse sido acometido por alguma insanidade instantânea. Seus olhos voltaram a ser expressivos e seu rosto desanuviou. Ele soltou os braços dela, deixando a marca de suas unhas na pele da mulher, mas não se desculpou.

– Hoje vamos começar a procurar novas casas em algum lugar que seja ok para nós dois. Em algumas semanas no máximo, saímos – ela parecia resignada.

– Não! Tem que ser mais rápido que isso. Precisamos sair daqui ainda essa semana. Vou achar algum lugar que dê para pagarmos e não seja longe do trabalho. Vou fazer isso agora e ligar nas imobiliárias locais. Acho que conseguiremos sair ainda essa semana. TEMOS que sair ainda nessa semana.

Suzana começava a se assustar com a atitude psicótica do marido. Será que ele estava tendo alguma crise por estar vivendo longe do Brasil? Depressão, insanidade temporária… não sabia, mas não iria contrariá-lo. Não com ele naquele estado. Assim que ele se acalmasse, barganharia a mudança com a condição dele visitar um psicólogo.

Afonso se sentiu pouco melhor. Não aguentaria aquela atmosfera aterradora por muito mais tempo. Logo estariam longe daquela casa e do maldito armário e seja lá o que estivesse lá dentro. Só mais alguns dias… teria que ser forte mais alguns dias, apesar do simples fato de estar dentro de casa lhe trazer angústia e um medo quase incontrolável. Sabia que estava chegando a hora. Só esperava que saíssem antes.

Foi quando numa tarde, ajudava sua mulher no almoço dominical. Ele fatiava os legumes enquanto ela temperava uma carne suculenta. Haviam achado uma boa casa, algumas centenas de dólares mais cara que o atual apartamento, porém, mais ampla e próxima ao Centro. Mudariam dali a três dias… Só mais três malditos dias!

Afonso abaixou-se para pegar o descascador no armário da cozinha, não encontrando o utensílio, perguntou à esposa sem se levantar.

– Comprei um novo… o velho perdeu o fio. – respondeu Suzana – Acabei esquecendo na bolsa, espere aí…

Ele continuou vasculhando ao armário da cozinha e finalmente achou o descascador velho e levantou-se  com a ferramenta na mão. Nem sinal da mulher. Seus olhos foram do pano onde ela acabara de limpar as mãos para seus pés entrando no quarto. A bolsa estava no armário!

Ouviu o som da porta de correr abrindo o armário. Um arrepio horrível desceu de sua nuca e espalhou por todo seu corpo, trazendo a sensação de puro horror.

O som da porta do armário foi sucedido por um grito abafado e um som gorgolejante. Como um cão que engole um naco grande de carne de uma só vez.

Vacilante, Afonso caminhou até o quarto com o coração acelerado, enquanto ouvia baques surdos vindo do local. O simples fato de ir naquela direção era esforço sobre-humano que fazia pela esposa. Ele estacou no limiar do cômodo, nem sinal da sua mulher. Agora, seus olhos arregalados só se comparavam à sua boca, que cada vez se abria mais ante o horror da cena que se formou à sua mente. Seu corpo começou a tremer enquanto ouvia sons abafados e horrendos vindo de dentro de seu armário. Algo se debatia lá dentro numa luta mortal e já perdida.

O  dia chegara. Um soluço lhe obstruiu a garganta. Olhos arregalados e lacrimejantes. As portas do armário agora estavam estáticas, e os sons de luta agora se aquietaram.

A coisa lá dentro acabara de devorar sua mulher. Um flashback passou em sua mente.

O armário não era normal. Definitivamente não era. Ele não podia trocar de armário, nem mais se mudar. Com lágrimas vertendo dos olhos, percebeu. Só podia esperar.

Um sorriso se estampou em seu rosto e ele abriu a boca e os olhos o máximo que pôde, enquanto saliva escorria por seus lábios e pingava pelo queixo. Deixou seu corpo escorregar pela parede até sentar-se no chão e em seguida, deitou-se olhando para a janela e o céu lá fora. Levou as mãos ao rosto e arranhou a pele. Gritou alto. Arranhava com mais força e o sangue começou a lhe verter pelos dedos. Gargalhou mais alto ainda. Suas mãos agora mutilavam seu rosto, mas ele continuava a gritar, a rir e a chorar. Suas pernas se sacudiam no ar, sem rumo, batendo com força no chão e nas paredes. Ouviu a porta de correr do armário se abrir lentamente, mas já não importava mais. Riu com mais força, chorou mais lágrimas e gritou mais alto.

Ethan estava deitado em sua cama, lendo sob a luz do abajour. Acabara de ouvir um grito horrendo vindo do apartamento dos imigrantes, quando sua esposa, soturna, entrou no quarto e se deitou ao seu lado.

– Está feito? – Perguntou ele sem erguer os olhos da leitura.

Ela proferiu algumas rápidas palavras na antiga língua algonquiana aprendida com seus avós, encerrando a conjuração.

– Sim.

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41 comentários em “A Coisa no armário (Rafael Luiz Garcia)

  1. Pedro Paulo
    13 de novembro de 2017

    Olá, entrecontista. Para este desafio me importa que o autor consiga escrever uma boa história enquanto em bom uso dos elementos de suspense e terror. Significa dizer que, para além de estar dentro do tema, o conto tem que ser escrito em amplo domínio da língua portuguesa e em uma boa condução da narrativa. Espero que o meu comentário sirva como uma crítica construtiva. Boa sorte!

    É clara a pretensão do autor de nos colocar diante do terror do desconhecido, daquilo que não se entende e que, de tão incompreensível, destrói a mente de humanos. O início da história nos apresenta o protagonista catatônico, depois cortando para cenas do seu dia-a-dia que explicam como é a sua vida, de modo que a partir daí ficamos esperando para ver como aquilo vai acontecer.

    Eu não estive dando muita atenção à parte técnica dos contos, mas este aqui precisa de uma revisão para corrigir pontuação e, mais importante, cortar descrições inconvenientes. Citando o caso que me fez pensar isso pela primeira vez (mas se repete ao longo da leitura). Quando ele se afasta do armário branco e o autor complementa dizendo com “pequenos adornos” ou algo assim. O modo como foi escrito rompe a harmonia da leitura e mescla um momento de ação a um de descrição. Não que isso não possa ser feito, mas acabou deixando a leitura truncada do modo como foi aparecendo.

    Voltando à trama, que é o mais importante. A criatura no armário é intrigante e a situação do protagonista é agonizante nos primeiros momentos, com ele sem poder se mudar ou contar aquilo para alguém, sempre temeroso pela esposa. Desse modo, ele ficou impelido a enfrentar a coisa de alguma maneira. Infelizmente, o autor não tomou esse rumo, deixando a criatura desconhecida. Claro, a falta de informação pode ser crucial para deixar o leitor ansiando por uma resposta, mas em nenhum momento o autor desenvolve mais a tal criatura do armário. Não há nada além dos seus olhos brancos, sem mais nada adicionado e com as mesmas menções de sons e movimentos estranhos. O medo que a personagem sente é transmitido pelo texto, mas é um pouco vazio.

    A conclusão deixa o conto mais redondo, fazendo valer aquela visita do casal e a tal xenofobia da esposa. Caso não fosse incluso, eu até teria esquecido da tal visita. Enfim, o que sugiro é uma revisão para pontuar melhor o texto, cortar ou realocar descrições, investindo um pouco mais em dar um impacto maior à criatura, mais do que simplesmente por meio do personagem e do seu medo.

  2. Renata Rothstein
    11 de novembro de 2017

    Muito criativo, a ideia inicial é ótima, o autor tem potencial, mas como esticou o conto, hein?demais, na minha humile opinião.
    Precisa de uma revisão, sendo q isso ñ influenciou em nada na leitura e avaliação.
    Seu conto me empolgou!

  3. Anorkinda Neide
    10 de novembro de 2017

    Olá!
    Gostei muito! Tema recorrente em contos de terror, mas não tenho problemas com isso, você conseguiu segurar a agonia até o final, o texto nem me pareceu grande!
    Tb não vi problemas com o epílogo, era óbvio, mas sem ele ficaria incompleto.
    Pensei todo o tempo q nada aconteceria à esposa, ao menos, não o que ele esperava, mas aconteceu exatamente.. até achei engraçado imaginar a mulher engolida no armário, imaginei os pezinhos balançando pra fora… hauhua
    Mas teve terror, sim e inteligente… Que xenofobia, hein!! e com ritual indígena, meus antepassados se reviraram no túmulo agora! hahua
    Tudo bem, é ficção é terror e vc tinha q inovar!
    Parabens pelo trabalho
    Abração e boa sorte!

  4. Evandro Furtado
    10 de novembro de 2017

    Esse desafio e seus malditos epilogos. Por que? Por que colocar essa porcaria de final? O texto é ótimo, amarradinho. As referências a Poe, Lovecraft e King estão aí, bem inseridas. Os personagens são memoráveis, a narrativa muito bem trabalhada, os diálogos verossímeis. Pra que a porcaria do epílogo? Fico nervoso com isso. Parece que apareceu um editor chato do nada e perguntou: “O que aconteceu? Os leitores não vão entender isso. Precisa explicar!”. Não, não precisa. A partir de agora travarei uma guerra contra os epílogos no EC!

  5. Pedro Luna
    9 de novembro de 2017

    Infelizmente não gostei. Primeiro porque acredito que não houve um bom tratamento do suspense no conto.

    Explico: o título meio que já entrega. A presença do casal amigo no início e a menção a xenofobia já da indícios que eles estarão envolvidos na treta. Em paralelo a isso, a situação do armário é apresentada muiiiiito lentamente. Como literalmente a coisa só se materializa nos últimos parágrafos, todo o anterior do conto é uma longa construção de suspense, só que é um suspense que não funciona muito. É uma repetição de cenas do sujeito com medo do armário, uma repetição dos seus pensamentos e de suas tentativas de convencer a mulher a se mudar. A coisa não aparece, só os olhos, e ainda não sabemos se é loucura ou não. Como o fim deixa claro que não é loucura, não entendi porque tanta insistência em tentar confundir o leitor. A coisa não era loucura do cara, então você podia ter ido logo ao que importava.

    Então é um conto bem escrito, mas que não soube trabalhar o suspense, se tornando cansativo em suas repetições.

  6. Fabio Baptista
    8 de novembro de 2017

    A abertura do conto me fez ter a impressão de que viria uma bomba.
    – antecipado por sua mente, se fazia violentamente óbvio e inevitável. O horror estava à sua frente.
    Logo em seguida já se repete mente e frente de novo.

    Mas logo em seguida a parte técnica melhora, apesar de vários pequenos problemas espalhados por todo o texto. A trama, principalmente, também ajuda no salto de qualidade.

    – Que dia amor
    >>> Que dia, amor
    >>> Sempre vírgula antes do vocativo. O mesmo problema se repete em outros pontos.

    – depósito-de-roupas-que-não-estão-sujas-o-suficiente-para-lavar-nem-limpas-o-suficiente-para-pôr-no-armário
    >>> É meio exagerado, mas tipo… eu gosto e uso essas coisas de vez em quando. Sou desses kkkkk.

    – mais ainda assim
    >>> mas

    – Tudo bem… desculpe… é que precisamos fazer amigos aqui…
    >>> outra coisa que costumo usar (e vivo me policiando) são as reticências. O exagero (como foi o caso aqui e em outros diálogos) pode deixar a coisa meio truncada.

    – continuo
    >>> contínuo

    – enquanto os dois homens, ficavam parados
    >>> sem essa vírgula, não se separa o sujeito da ação

    – lembrando da política de fazer amigos Afonso
    >>> já aqui, faltou a vírgula antes do Afonso

    – aluga-lo
    >>> alugá-lo

    – Agora ele contaria causos macabros
    >>> faltou ponto final, assim como pontuação adequada em muitos diálogos

    – … e Emma conversavam no sofá
    >>> Não entendi o porquê dessas reticências substituindo o nome
    >>> Aliás, notei que no decorrer do conto isso se repete.
    >>> Voltando aqui após encerrar a leitura

    – sobre estava difícil
    >>> sobre como estava difícil

    – para que ela aprenda a guardar dinheiro
    >>> mudança de tempo verbal

    – ela tinha
    >>> cacofonia

    – Ela virou se
    >>> Ela virou-se

    – Seu pênis amoleceu
    >>> Completei com “feito bolacha de maizena molhada” (culpa do conto do Gustavo no último desafio)

    – evidencias
    >>> evidências

    Então, a história é até simples e baseada na premissa do apartamento maldito, já quase tão explorada aqui no desafio quanto a pedofilia, mas há alguns elementos que a diferenciam (país estrangeiro, xenofobia) e, sobretudo, a boa construção do suspense.
    Essa expectativa pelo monstro foi muito boa, embora tenha ficado um pouco repetitivo o “vai não vai”, tipo… mais de uma vez pensei “é agora” e não foi. Quase passou do ponto. Quase.

    Mas o legal foi que, pelo menos para mim, não houve dúvida se o cara estava louco (seria outra hipótese de desfecho), sempre acreditei que havia um monstro mesmo.

    – Não ligava para essas crendices
    >>> Então… aqui acho que já não fica tanto no campo da crendice. Tipo, se acabei de mudar para o apartamento e os vizinhos começam a falar que pessoas foram assassinadas e se suicidaram ali, acho que seria natural ouvir com atenção pelo menos, não? Ainda mais com o agravante da própria imobiliária ter agido de modo estranho. Mas a dúvida que fica é: só casais estrangeiros moravam ali?

    – Precisamos sair daqui ainda essa semana.
    >>> tinha que sair no primeiro dia! rsrs

    Depois que terminei de ler, os vilões da história ficaram óbvios, mas não vou dizer que foi previsível porque eu não desconfiei dos velhos! hauhauuha

    Bom conto.

    Abraço!

  7. Daniel Reis
    7 de novembro de 2017

    Estimado colega entrecontista: gostei muito do critério da localização espacial, fornecendo informações a conta-gotas. Destaco também uma frase bacana: “os dois homens, ficavam parados, sem jeito, com sorrisos amarelos e sem ter o que dizer, como bonecos sem ventríloquo.” Na questão de críticas, algo que em vários contos desse desafio eu observei, é a predominância do cenário como elemento deflagrador – o apartamento maldito, como situação paradigmática. Ainda sobre a técnica, a frase “Emma era bem xenófoba pelo visto…” telegrafa o final da história e tira um pouco do suspense. De toda forma, um bom conto, a meu ver. Sucesso no desafio, grande abraço!

  8. Marco Aurélio Saraiva
    7 de novembro de 2017

    =====TRAMA=====

    O conto tem um roteiro fechadinho, com mistério, desenvolvimento e clímax. No final, novamente como muitas histórias de terror, o mal prevalece. Não vi nada de muito inovador, mas a história foi bem executada, seguido um script com claro propósito. Aqui e ali algumas coisas incomodaram a leitura, mas no geral é um conto de terror bem formulado.

    Das coisas que me incomodaram, uma delas foi a psicose do marido. A “coisa no armário” apareceu três vezes e então nunca mais, jamais realmente afetando-o de alguma forma significativa, mas ele desenvolveu uma loucura extrema ao ponto de sacrificar a moradia e a sua relação com a esposa para sair dali. Uma pessoa razoável tentaria se remediar ou buscar qualquer tipo de ajuda. Ou até mesmo dispensaria o caso como um “medo bobo”, já que nunca mais voltou a ocorrer. Afonso parecia uma pessoa bem razoável.
    É claro que você usa a ideia dele “sentir” o monstro ali; “saber” que ele estava lá. Mas talvez você não tenha conseguido passar este sentimento ao leitor já que eu não senti toda esta motivação para a loucura de Afonso, então ela me pareceu um tanto gratuita.

    Um segundo incômodo foi o suspense. Há uma tentativa de gerar algum suspense com a visita do casal de amigos idosos, mas ficou óbvio demais que eram eles os responsáveis pelas mortes. Até mesmo por quê, são os únicos outros personagens da trama, e deixam bem claro que odeiam imigrantes. É quase um Scooby-doo extremo: tentaram assustar os novos inquilinos estrangeiros e, quando não conseguiram, mataram-nos.

    =====TÉCNICA=====

    Você brilha nas descrições dos seus personagens. Ethan e Emma foram muito bem descritos. O sexo entre Afonso e a esposa foi vívido.

    No mais, sua técnica é boa, com uma leitura leve e sem rodeios. Porém, identifiquei vários pontos de melhoria:

    1) Evitar repetição de palavras. Você repete “armário” dezenas de vezes durante todo o conto. Algumas vezes a palavra se repete muito próxima de outra. Acontece também com outras palavras, como “coisa”. Isso trava a leitura. Segue alguns exemplos:

    “…que mesmo antecipado por sua mente, se fazia violentamente óbvio e inevitável. O horror estava à sua frente.
    Agora, estático pelo pânico, e com a face transfigurada em uma máscara de total desespero e terror, ele via um flashback em sua mente. Aquela coisa que as pessoas dizem que acontece sempre que se está para morrer, mas só se vê em filmes. Nos microssegundos anteriores ao completo estado de desvario que tomou sua mente … viu tais cenas passarem na sua frente…” – MENTE-MENTE-FRENTE-MENTE-MENTE-FRENTE

    “Uma cama ao centro e um criado mudo em cada lado. A escrivaninha ficava na frente da cama, onde ele gostava de escrever enquanto conversava com a esposa na cama até ela dormir…” – CAMA

    “…”depósito-de-roupas-que-não-estão-sujas-o-suficiente-para-lavar-nem-limpas-o-suficiente-para-pôr-no-armário”, e havia o armário embutido na parede. O armário tinha portas…” – ARMÁRIO

    “Finalmente, ele lentamente colocou a cabeça dentro do quarto, podendo olhar o armário. A porta de correr estava novamente entreaberta…” – MENTE

    2) Você escreveu uma série de redundâncias como “casacos de frio” e “afirmação positiva”.

    3) Você abusa das reticências.

    4) O conto pede uma revisão mais apurada. Há uma série de vírgulas fora do lugar, e também muitos problemas de digitação errada. Coisas que uma segunda e terceira leituras resolvem.

  9. Luis Guilherme
    6 de novembro de 2017

    Boa tardde, amigo, ce ta bao?

    Como tenho dito, este desafio é especial pra mim, pois amo terror. Por isso, tenho lido os contos com bastante expectativa. Dito isto, vamos ao seu:

    Gostei! Seu conto apresente diversos problemas na parte técnica, especialmente com vírgulas (e pontuação em geral), crase e revisão.

    Porém, como provavelmente (dado o número de comentaristas que já passaram por aqui), isso já foi amplamente abordado, vou me abster de te incomodar com isso.

    Falando do enredo e da história, gostei bastante.

    O conto é muito interessante. Tirando algumas repetições de situações e exageros, você criou um clima de tensão e suspense que me agradaram bastante, e tornaram a leitura prazerosa.

    Fiquei muito curioso sobre a criatura no armário, e com o passar do conto foi ficando bem legal o crescimento da loucura do marido, que casou muito bem com a crescente de suspense em torno do armário.

    O desfecho é bem legal, também, embora esperado.

    Ficou meio explícito que o problema era eles serem imigrantes, e que a canadense estava envolvida. Talvez se você tivesse dissolvido as informações um pouco mais, em vez de deixar tudo explícito, o fim poderia ter sido mais surpreendente. Apenas um apontamento que achei legal fazer. Como a informação é a chave do plot twist, se você a entregasse de forma mais diluída, poderia aumentar a surpresa final.

    Enfim, cbom conto, que merece uma revisão mais apurada.

    PArabéns e boa sorte.

  10. iolandinhapinheiro
    6 de novembro de 2017

    Olá, autor.

    Temos aqui um conto que carece de uma boa revisão. O uso de frases clichê para criar efeito de pavor, a repetição de palavras num mesmo período, a pontuação irregular, tudo isso atrapalhou o seu conto, mas, por outro lado, eu consegui sentir uma coisa que sempre procuro em textos deste gênero – a tensão. Que texto tenso, camarada! Aquela primeira aparição do cara do armário me deu medo. Agora fiquei até receosa de abrir meu guarda-roupa e não é receio de que a roupa caia toda sobre mim não.

    Gostei de vc ter levado o leitor (eu) a pensar que o cara estava ficando maluco e no fim mostrar que realmente existia um demônio lá, que acabou matando o casal. O comentário final da vizinha foi um ótimo arremate.

    Enfim. Todo mundo já falou o que eu tinha para falar.

    No fim eu gostei muito do clima. Revise e vai ficar joia.

    Beijos,

    Iolanda

  11. Gustavo Araujo
    5 de novembro de 2017

    À medida que avançamos nas leituras começamos a perceber certos padrões de narrativa. Há as casas mal assombradas, há a pedofilia e há os surtos de loucura. Este parece ser o viés aqui. O título faz alusão a “A Coisa no Umbral”, do Lovecraft, todavia com um mote original, bacana até, relativo à xenofobia. O protagonista é o cara que vai, gradativamente, enlouquecendo por julgar que há algo no armário do apartamento que acabou de alugar com a esposa. Essa espiral de loucura vai se acentuando até que nós, leitores, percebemos que não era loucura, mas sim um ser real que habitava o fundo das prateleiras, por entre as camisas de cores em degradê. Um ser que devora a pobre da menina e que termina por dar o mesmo destino ao marido dela. O ser, sabemos no fim, fora invocado pelo casal indígena que vive no apartamento de baixo, que não quer saber de estrangeiros. Um clichê, claro, mas no terror é quase impossível não fugir deles. O fato é que não consegui comprar a insanidade do protagonista, nem mesmo da forma paulatina como foi apresentada. Na verdade, achei um tanto acelerada. Talvez pelo fato de se tratar de um conto, talvez pelo fato de achar o marido um tanto fraco como pessoa. A isso somem-se os erros de concordância e de ortografia que pontilham o texto, denotando certa pressa ou falta de tempo para revisão. Enfim, é uma boa ideia e que pode ser melhorada, com o devido tempo e paciência, livre das amarras do desafio.

  12. Rose Hahn
    4 de novembro de 2017

    Salve H.P., buenas o intuito do desafio é o nosso aprendizado, certo? Então vamos ver no que posso contribuir, ou atrapalhar, com o seu. A mim pareceu estranho a questão do diálogo com os vizinhos, quando a Emma reclama da filha não ter emprego por causa dos imigrantes. Em se tratando de Canadá não achei muito verossímil, além da taxa de desemprego no país ser baixíssima, não considero comum os nativos do país perderem lugar para os imigrantes, e me corrija se estiver errada. Quanto ao enredo, já li uns dois ou três contos aqui de casal apaixonado que mora em apartamento e há algum armário ou mortes misteriosas no prédio. A mim não me abala a repetição, o que conta é a forma como cada autor trata a sua história, e eu gostei da sua “pegada” para o gênero, e não me estenderei nas questões gramaticais já relatadas pelos colegas, nada que uma boa revisão não resolva. Falar em “pegada”, vou confessar que o seu conto me arrancou uma enorme gargalhada em: “Seu pênis amoleceu e diminuiu dentro de sua consorte instantaneamente, enquanto o frio rasgava sua espinha, da nuca ao cóccix”, momento relax do desafio. Agora, a pergunta que não quer calar? Por que Afonso não se livrou antes do maldito armário? Abçs.

  13. Pedro Teixeira
    30 de outubro de 2017

    Um bom conto. Começa e se desenvolve bem, com personagens e uma trama interessantes. O texto está bem escrito, mas noteis alguns problemas, como alguns adjetivos em excesso, especialmente “maldito” que se repete ao menos 4 vezes na segunda metade do conto. Em relação à voz narrativa, notei que há um tom mais coloquial em algumas passagens e mais rebuscado, num estilo lovecraftiano, em outras, que quebra um pouco o senso de unidade do conto.
    A tensão vai progredindo de um modo que fisga o leitor, com bom ritmo e distribuição de enredo. Achei no geral a primeira parte mais bem escrita e revisada que a primeira. Isso faz com que a qualidade da narrativa caia um pouco, mas se recupera no ótimo e surpreendente final.
    Ergeu o rosto – ergueu;
    Um ser que a simples presença – cuja simples presença;
    Afonso sentiu um gelo lhe subir pela garganta – achei estranha essa impressão, é daquelas que me tiram da leitura por eu não conseguir pensar na sensação, sabe?
    arriscava a maldita vida,malditas portas de correr, maldito armário – muitas repetições;
    Afonso não entendeu – aqui acho que seria Suzana, né?
    apartamento conseguido – outro exemplo de adjetivo que me pareceu desnecessário;
    Seus dias em casa, eram um suplício ante tão repugnante hóspede – exemplo daquele tom mais rebuscado que destoa do restante do texto;
    Com lágrimas vertendo dos olhos – tenho dificuldades com essas frases sobre lágrimas porque a redundância acaba ficando inevitável.

  14. Antonio Stegues Batista
    29 de outubro de 2017

    ENREDO: Casal de idosos, que não gostam de imigrantes, usam de magia negra para matá-os.. Regular, não é ruim nem bom…

    PERSONAGENS: Comuns, sem muito destaque.

    ESCRITA: Algumas frases são mal feitas, você escolheu palavras erradas para compô-las, principalmente os adjetivos e sinônimos. Além disso as ações se repetem em frente ao armário, sem trazer grandes novidades, ou revelações, quer dizer, muitas palavras e pouco conteúdo.

    TERROR: A revelação dos velhos assassinos deu um susto! Boa sorte.

  15. Lucas Maziero
    29 de outubro de 2017

    Minha primeira impressão pós leitura foi de desgosto, pelo conto estar mal escrito e cansativo. Mas depois eu tive uma segunda impressão, e esta foi um pouco melhor. O conto precisar ser revisado, e mesmo reescrito em muitas passagens, evitando repetições e a obviedade, como ilustro com essas frases:

    “sequer tirou os sapatos sujos pela neve que caia lá fora” — sujos pela neve já estaria bom.

    “Sabia que havia algo ali, em seu armário.” — não precisava repetir tanto que havia algo no armário, já foi dito e com certeza toda menção a isso (e foram muitas) pode ser bem reduzida.

    “As reclamações da esposa lhe trouxeram um pouco de volta ao mundo real, sem ilusões, fantasmas ou monstros” — sem dúvida o mundo real não tem fantasmas ou monstros.

    “armário atrás de roupas limpas.” — óbvio.

    Ler essa história foi como assistir aos episódios de terror do Chapolin Colorado, principalmente na cena em que Suzana procura por roupas no armário, e Afonso fica se retorcendo, sem falar nada e ao mesmo tempo sem nada de fato acontecer, fazendo com que não se levasse a sério o pretenso horror. Até aqui me senti desgostoso, mas depois melhorou.

    Mas antes da ação realmente acontecer, ficou um “chove não molha” muito enjoativo, uma hora Afonso via os olhos cruéis e noutra hora não os via mais, mais a frente voltava a ver um vulto e o vulto sumia, e nada acontecia.

    Agora a cena em que Suzana é pega pelo monstro do armário, aí sim senti empolgação. Dessa parte em diante o conto reassumiu a que veio. Gostei do final, a Emma xenofóbica é na verdade a coisa no armário. Ficou também condizente o enlouquecimento de Afonso após os dias e semanas tenso e arrematado pela morte da esposa. Pode-se corrigir os erros, evitar o que mencionei no começo, acrescentar mais ação, e o conto ficaria bem melhor.

    Parabéns!

  16. Fil Felix
    28 de outubro de 2017

    A história é legal, pegando como base várias ideias clássicas de filmes e livros de terror, o monstro embaixo da cama/ no armário em casas mal-assombradas. Gosto muito de horror oriental e lembrei de vários longas que tratam algo do tipo, como Ju-On (espírito no armário/ sótão) e Água Negra (goteiras estranhas), inclusive o final, com o protagonista enlouquecendo e de boca aberta é semelhante ao final do Chamado. As similaridades é devido essa estrutura já clássica, como os vizinhos que fazem uma visita e são os responsáveis pela coisa toda.

    Tratar a questão da xenofobia foi interessante e o desenvolvimento faz crescer um bom suspense, porém o texto precisa de uma boa revisão. Cenas boas como a do sexo interrompido, acabaram prejudicadas pelos erros de construção e algumas partes que não entendi, como as reticências. Particularmente, eu tiraria a última parte (com o casal explicando que são os responsáveis). Além de dar aquela velha justificativa, acaba caindo também na velha história de índios mágicos e vingativos. Talvez se ocorresse na Louisiana e trocasse eles pelo vodu, ficaria mais redondinha.

  17. Fernando.
    28 de outubro de 2017

    Que mudança essa acontecida com este casal pra o Canadá. Ufa, morar logo em um apartamento assombrado por um armário, aliás, por um armário comandado por um belo de um armário que adquire vida e gera tensão, ao não atacar de imediato as suas presas. Um conto com um enredo até legal, mas que não me encantou. Quem sabe porque teve a leitura bastante travada pelas repetições e pelo texto necessitando de uma boa revisão. Também senti alguns problemas na condução da narrativa, o que me prejudicou a leitura. Bem, sinto estar diante de uma boa história, mas que necessita ser melhor desenvolvida. Meu abraço.

  18. angst447
    28 de outubro de 2017

    T (tema) – O conto está dentro do tema proposto pelo desafio.

    E (estilo) – Foco nas descrições do armário e do que acontece dentro dele. Talvez, tenha exagerado um pouco nessas passagens, pois acabam cansando. Acredito que o(a) autor(a) tenha talento para narrativas mais curtas (“tamu junto”) e por isso deu algumas voltas desnecessárias.

    R (revisão) – Alguns erros e repetições de palavras passaram, como já apontaram os colegas, mas nada que não se resolva com uma revisão mais atenta.

    R (ritmo) – Devido às voltas que já citei, o ritmo ficou um pouco prejudicado. Algumas passagens funcionam melhor pois a leitura não empaca. Mais uma vez, digo que se o texto fosse mais curto, esse problema não existiria. Culpe o limite de palavras!

    O (óbvio ou não) – Não achei nada muito óbvio, embora tenha desconfiado que o casal de vizinhos teriam um peso maior no terror. Ficou claro que o autor não estava dando espaço aos personagens para depois esvaziar seu significado na trama.

    R (restou) – Uma inquietação devido à curiosidade quanto ao destino da Suzana e a dificuldade de aceitar que os vizinhos nutrissem tanta repulsa pelo casal brasileiro, já que eles mesmos não se encaixavam em um padrão. Tudo bem, que a mulher era descendente dos nativos, mas mesmo assim, achei um tanto forçado.

    Boa sorte!

  19. Rafael Soler
    28 de outubro de 2017

    Um conto interessante, que desenvolve uma trama já conhecida de um jeito interessante, mas que poderia ter sido melhor.
    A gramática me tirou do texto em alguns momentos. Algumas frases ficaram truncadas demais e percebi a repetição de palavras em alguns pontos. Uma revisão resolveria isso.
    O ritmo poderia ser um poco mais dinâmico, a coisa toda demora um pouco para acontecer.
    E achei o fim bem previsível. A revelação da xenofobia dos vizinhos poderia ter sido um pouco mais leve, para camuflar melhor a revelação final.

  20. José paulo
    27 de outubro de 2017

    Conto interessante apesar de “armario” já ser um tema pra lá de consagrado em filmes e textos de terror. Mesmo assim o autor soube dar um clima caprichado de suspense e mesmo de terror as cenas. Certamente deve ter sido escrito as pressas, pois os erros de redação constatados jamais passariam imperceptíveis por um escritor capacitado como vejo vc ser. Notei também um certo alongamento em alguns trechos, certamente, para cumprir a meta de palavras do regulamento. Conto de fácil leitura, rápido e inteligente. Gostei

  21. Fheluany Nogueira
    26 de outubro de 2017

    Enredo e criatividade – Acho que não entendi bem a história. Era um monstro (sobrenatural) dentro do armário, controlado pelo casal de idosos ou era o próprio casal que, de alguma forma, talvez uma passagem secreta, assassinava os moradores estrangeiros? A premissa, com psicopatas ou com entidades, é terrível. Boa ideia!

    Terror e emoção – Contou-se muito do medo que o protagonista sentia, mas não foi mostrado. As cenas de terror demoraram muito a acontecer. Tudo bem morno.

    Escrita e revisão – O texto exige uma atenta revisão, são muitos e reiterados deslizes gramaticais e estruturais.

    No geral, bom trabalho. Parabéns pela participação. Abraços.

  22. Vanessa Honorato
    26 de outubro de 2017

    Acho que a coisa demorou demais para acontecer, mas acredito que era um meio de enlouquecer o personagem. Senti falta de saber o que aconteceu, de fato, dentro do armário com a Suzana. Não desconfiei do casal preconceituoso, foi um bom fim.

  23. Jorge Santos
    25 de outubro de 2017

    Olá.
    Gostei da exploração desse medo irracional que é o dos armários, tão bem explorados no cinema. Mais irracional ainda é o medo dos monstros debaixo da cama. Este medo vem-nos da infância e ficam para sempre, manifestando-se muitas vezes de forma inconsciente. Gostei também da incursão pelo erótico, mostrando uma escrita madura. A referência aos transformers parece que surge ao acaso, mas uma referência aos Algonquianos, espíritos transformistas do folclore indígena, desfaz o engano. O ritmo é a linguagem são adequados.

  24. Luiz Henrique
    25 de outubro de 2017

    Pela primeira impressão o enredo parece querer enveredar pelo tema fácil dos armários fantasmagóricos, mas não, logo a trama toma outros rumos, levando-nos para o que há de mais horroroso na alma humana. O mesquinho e asqueroso senti-mento do menosprezo pelo outro. A inveja e o indiscutível machismo que impera no sentimento do homem, ainda que mais contemporâneo seja ele, este mesmo que vive o século XXI. Embora que inadmissível, porém, infelizmente, mais do que nunca vivo e atuante. A boa narrativa enriquece a trama com uma condução firme. Apenas alguns erros gramaticais foram cometidos, coisa que uma boa releitura não resolva. Um ótimo conto.

  25. Leo Jardim
    25 de outubro de 2017

    # A Coisa no armário (H.P. Bachman)

    Autor(a), desculpe-me por não ter tempo para formatar o comentário melhor. Em caso de dúvida, é só perguntar.

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫):

    – o fim é bem legal e se amarra à cena dos vizinhos xenófobos, que parecia estar sobrando (acabou sendo um bom foreshadow)
    – o meio ficou cansativo e não passou a tensão corretamente
    – qdo ele teve a certeza que havia algo no armário, ele deveria ter se mudado na hora e não esperado tanto tempo, essa parte de estendeu demais
    – se o mostro do armário era um feitiço, o que foram as outras aparições? Por que os vizinhos não fizeram o trabalho logo?

    📝 Técnica (⭐⭐▫▫▫):

    – primeira frase muito longa (outras tb)
    – texto muito truncado
    – cautela com o uso de palavras pouco usuais como “divisou”, acaba parecendo falso erudismo
    – vírgula do aposto: Que dia *vírgula* amor!
    – excessos de reticências
    – *recém limpa* junto *a* outra (recém-limpa) (à)
    – o barulho fora lá dentro (essa mistura de fora e dentro, mesmo que correta deve ser evitada para não travar a leitura)
    – viu a causa do barulho *dois pontos* sua camisa da seleção brasileira havia caído
    – enquanto os dois homens *sem vírgula* ficavam parados
    – Como um bom anfitrião e lembrando da política de fazer amigos *vírgula* Afonso foi atrás de Ethan na varanda e *sem vírgula* sentou-se na poltrona
    – *Agora* ele contaria causos macabros. (…) *Agora*, Ethan narrava a história (repetição próxima)
    – Enquanto observava *na* aparência física de Emma (a)
    – para que ela *aprendesse* a guardar dinheiro e a ter responsabilidade, mas todos os empregos ao redor já *estavam* preenchidos (variação do tempo verbal)
    – 3, *espaço* 4, *espaço* 5 filhos (é de praxe usar por extenso qdo o número é de uma só palavra: três, quatro, cinco…)
    – Ela *virou se* de costas (virou-se)
    – A primeira vez foi quando *vírgula* na penumbra do quarto, Afonso penetrava sua esposa com o vigor de *recém namorados* (recém- namorados)
    – (desisti de continuar a revisão daqui para frente para me ater somente à trama)

    🎯 Tema (⭐⭐):

    – adequado, mas não senti medo

    💡 Criatividade (⭐⭐▫):

    – elementos batidos e alguns novos, como o uso da xenofobia

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫):

    – meio cansativo no meio
    – final bom, fechando toda a trama

  26. Evelyn Postali
    25 de outubro de 2017

    Caro(a) Autor(a),
    Isso é clássico, não é? Coisas no armário. O monstro no armário. O conto é bom, mas precisa de revisão. Cuidadosa, ok? Está dentro do desafio no meu entendimento. E que horripilante ser devorado por um armário. Eu gostei do roteiro, de como as coisas foram se construindo. Então, boa sorte no desafio.

  27. werneck2017
    23 de outubro de 2017

    Olá,

    Qualquer texto que traga como premissa a xenofobia é louvável. A língua alonquina é um dialeto indígena do Quebec, um grupo étnico que, juntamente com os negros sofre preconceito e perseguições. Esse dialeto tem a maior parte dos significados incorporados nos verbos e minha sugestão seria que a partir disso fosse cadenciada a loucura/feitiço do protagonista, que – a meu ver – passa muito tempo esperando o armário se manifestar sem que nada aconteça, o que enriqueceria a trama que nessa parte fica morna, uma expectativa de atuação do armário que custa a se concretizar.
    No mais, boa sorte no desafio.

  28. Andre Brizola
    23 de outubro de 2017

    Salve, H.P!

    Gostei do enredo. O monstro do armário é um aspecto das histórias de terror que acabamos conhecendo pelos filmes e desenhos animados norte-americanos, e é bem tradicional, sobretudo nos EUA. Sua versão vai um pouco além do padrão, agregando ao terror elementos atuais, como a xenofobia, e ficou interessante.
    Eu não sou (normalmente) afetado pela qualidade gramatical do texto, me atendo mais à criatividade do enredo. Entretanto, foi difícil de ignorar certos detalhes que teriam sido corrigidos com uma revisão mais profunda. Algumas construções geraram tamanho ruído durante a leitura que tive que voltar ao início do parágrafo para tentar entender melhor do que se tratava, como em “lembrando de ter se esquecido”.
    Senti que a relação inicial de Afonso com o armário não foi totalmente trabalhada, e isso me gerou uma sensação de vazio. Levo em consideração a minha experiência com o assunto: se suponho que há algo dentro de meu armário, eu fuçaria em tudo procurando pelo problema, pois se fosse um rato, minha roupa não poderia servir de ninho para o bicho. Por outro lado, mais adiante na trama, Afonso já está perturbado o suficiente para saber que quer abandonar o apartamento, mas ainda dorme com sua esposa no mesmo quarto do armário; novamente, se fosse eu teria migrado para o sofá da sala.
    Gostei muito da caracterização do casal de idosos responsável pelas mortes. Foge do estereótipo e é uma surpresa bem vinda!

    É isso! Boa sorte no desafio!

  29. Paula Giannini
    21 de outubro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Quando entramos no desafio do E.C., não imaginamos o quanto seremos criticados, não é? Erros que revisamos e outros que talvez não, são minuciosamente apontados, através da lente de aumento de colegas escritores.

    O lado bom é que, superado o sangue que ferve no início, aprendemos muito uns com os outros por aqui. Além disso, todos que criticam são igualmente criticados por nós. Não sei se esse é o seu primeiro desafio por aqui. Se não for, delete meu comentário. Se for, aproveite as dicas e continue firme, escrevendo, reescrevendo e revisando sempre. Além de continuar firme, participando dos desafios aqui conosco.

    Agora vamos ao conto em si.

    A premissa que você criou é muito boa. Partindo de um arquétipo clássico do terror, o armário amaldiçoado, você explora xenofobia e intolerância.

    É interessante notar que o preconceito ao casal mais jovem parte justamente de alguém que, certamente, também sofre com os preconceitos. Acredito que pertencer a uma etnia indígena, ainda que ancestral, atraia os olhos dos praticantes de bulliyng de plantão da mesma forma que estrangeiros, negros, gays, mulheres e todas as demais populações que sofrem com a intolerância em nossa sociedade. Aliás, refletindo por aqui, quem não? Gordos, magros, altos, baixos, latinos, índios, negros, trans, mulheres, enfim. Sempre haverá um que não tolera o outro, o diferente de si mesmo.

    O ser humano precisa aprender a conviver.

    Em seu conto, no entanto, isso não só não acontece, como a xenofobia é levada ao extremo do assassinato, ainda que por um assassinato forjado por meios sobrenaturais.

    Parabéns.

    Desejo-lhe sorte no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini

  30. Ana Maria Monteiro
    20 de outubro de 2017

    Olá, HP. Bem, sou sincera, os outros comentadores já disseram tudo o que eu iria dizer. Só reforço que realmente a palavra “armário” foi tão excessivamente repetida que já nem seria necessário haver alguma coisa lá dentro.
    Aponto algumas coisas que ficaram por referia até aqui:
    “anos de trabalho continuo sob o sol” – contínuo
    “… e Emma conversavam no sofá.” – acho que era Suzana em lugar dos três pontos.
    “sujos pela neve que caia lá fora.” – caía
    “Não por ter descoberto mais evidencias” – evidências
    “Não podia se opor aquela reação e aquele olhar.” – àquela e àquele
    Quanto à sua escrita ela é jovem e de qualidade. O tema abordado, afinal xenofobia, daria pano para mangas e foi uma pena não ter levado mais longe, uma vez que até ao momento foi o único conto que integrou esse terror da vida real.
    Corroboro as dicas dos colegas: ler e reler, prestar atenção às repetições, rever tudo com muito cuidado.
    A história conseguiu tirar do armário outro tipo de monstros que realmente deveriam aterrorizar-nos e a chave para isso aparecer só no final, esteve muito bem.
    Adequou-se ao tema proposto com ousadia e originalidade.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  31. Edinaldo Garcia
    19 de outubro de 2017

    Escrita: é boa, fluída. A técnica é simples – ressalto que isso não é crítica e sim elogio – prefiro textos simples àqueles rebuscados e confusos que contam e contam e nada dizem. O seu se desenvolve bem, cena por cena. O terror vai crescendo aos poucos. Achei que faltou um ápice maior no final. Terminou sem um impacto maior. O texto meio que vai prevendo o que vai acontecer e nada surpreendente acontece. Penso que o personagem principal tinha que retalhar o armário quando a obsessão começou em vez de ficar tremendo de medo passivamente. O texto até brinca com isso, mas senti que faltou uma atitude mais forte do protagonista.

    Terror: É sim um conto de terror. Realista e traz reflexões interessantes.

    Nível de interesse durante a leitura: Não senti vontade de abandonar a leitura e isso é um bom sinal.

    Língua Portuguesa: É muito boa. Revisão é sempre bem vinda. Uso de vírgulas erradas, faltando em alguns momentos sobretudo na separação de aposto e vocativo, nada que estrague o texto ou me faça subtrair pontos. Não tenho preciosismo por gramática, só me incomodo quando ela começa a aparecer mais do que o enredo e isso não aconteceu aqui.

    – Que dia amor!
    – Que bom amor…
    Por que meu amor? – todos deveriam ter uma vírgula antes de “amor”. Aposto separando vocativo.

    Afonso dirigiu a esposa – Afonso dirigiu à esposa – sem a crase o sentido seria que Afonso dirigiu a esposa como quem dirige um carro.

    aluga-lo – alugá-lo – não sei por que o word não corrige esse erro. Da forma que você escreveu nem existe.

    Agradeceram o convite e agradeceram por ter novos vizinhos tão educados. – ficou um agradeceram a mais que dava sim para ser suprimido.

    Parece que eles não gostam muito de imigrantes né… – não entendi essa reticências. Seria melhor uma ponto de interrogação depois do “né”, e uma vírgula antes dele também. Na verdade houve algumas reticências que eu achei desnecessárias.

    daquela Coisa temível – acredito que essa “coisa” escrito com “C” foi erro de digitação mesmo.

    Afonso não entendeu: – Por que? – acho que Suzana não entendeu.

    Veredito: Bom. Gostei bastante.

  32. mariasantino1
    18 de outubro de 2017

    Olá, autor!

    Olha só, se a casa ficasse colada com a dos vizinhos então o monstro no armário poderia ser somente um trote para expulsá-los, mas não me pareceu ser isso. Percebi que pelo comentário da visita, ela não curtia estrangeiros, mas é uma pena esse fato ter aparecido apenas uma vez, pois me pareceu um argumento bom para os acontecimentos (Ethan e Emma ficaram obscurecidos na trama).
    Findei o conto e fui correndo pesquisar o que seria língua algonquiana, mas, reafirmo, essas informações mereciam maior destaque para o texto.

    Observe as repetições da palavra “armário”, muitas delas podem ser limadas do texto sem qualquer prejuízo, além de, em outros casos, somente o contexto já informar sobre o que se está falando. Há alguns problemas quanto ao uso da vírgula que seria muito bom arrumar >>> Que bom (,) amor … Vou tomar um banho (,)tá?… Por que(,) meu amor?

    Esses pontos que mencionei deixaram a narrativa travada.

    Boa sorte no desafio.

  33. Miquéias Dell'Orti
    18 de outubro de 2017

    Olá Hewlett-Packard,

    A xenofobia está presente no conto de uma forma bem inusitada, já que quem (realiza?) o ato nefasto, é um casal de velhinhos, que à princípio parecem simpáticos e receptivos.

    Pra mim, isso dá margem a uma discussão muito mais abrangente do que apenas a xenofobia: a falsidade e o egoísmo humano, características que, infelizmente, são inerentes a todos nós, em maior ou menor grau e, as vezes, podem vir de quem menos se espera. Gostei muito da forma como você abordou esse tema. Me levou a uma reflexão e acho que esse é o principal objetivo da boa literatura, fazer-nos pensar de forma crítica.

    Também gostei, até certo ponto, da fluidez da narrativa. As cenas têm uma cadência bacana e a ação está sempre presente, sem excessos de descrição, o que não deixa o texto enfadonho.

    Falando como leitor, tenho apenas uma coisa para apontar: em certas passagens, eu sentia uma vontade quase incontrolável de dar um salto na narrativa até que algo realmente acontecesse na história. Não estou dizendo que a narrativa estava travada, mas algumas cenas pareceram estar lá gratuitamente, sabe? Como se você as tivesse colocado apenas para fazer um volume no texto.

    Minha opinião: com uma revisada bacana e uns cortes nas partes excedentes, o texto ficaria perfeito.

    Parabéns e boa sorte!

  34. Olisomar Pires
    18 de outubro de 2017

    Impacto sobre o eu-leitor: baixo.

    Narrativa/enredo: casal em adaptação num outro país morre vítima de “algo”.

    Escrita: razoável. Alguns erros que podem ser corrigidos facilmente numa revisão posterior.

    Construção: o texto é “longo”, no sentido de ter sido esticado. Outro problema que notei, talvez para que ocorresse o esticamento, são as cenas “agora vai”, só que não vão e voltam ao mesmo ponto.

    Creio que faltou uma exploração melhor do que habitava o armário ou como se deu a participação do casal velho para o desenrolar das coisas.

  35. Lolita
    16 de outubro de 2017

    A história – Hoje ocorreu um atentado na Somália, centenas de mortos. Admito que ler esse conto depois dessa notícia foi complicado, pois a história (apesar de diferente) trata sobre o mesmo tema: o terror da intolerância assassina. Excelente.

    A escrita – Não vou repetir o que os colegas já falaram, mas admito que a parte das descrições das roupas de Afonso foram realmente desnecessárias. Aconselho o autor a enxugar o texto e publicá-lo novamente, vale o esforço.

    A impressão – uma agonia no coração. Parabéns pelo excelente conto e boa sorte no desafio.

  36. Paulo Luís
    16 de outubro de 2017

    A princípio o conto parece enveredar para o simples, o velho e manjado armário, e suas tradicionais mazelas de assustar pobres crentes em superstições, (ao evitar os famigerados monstros de desenho animado e seus babões fantasmagóricos, as-sustadores de criancinhas). Entretanto, ao avançar, percebem-se outras intenções, olhando pela percepção do psicológico, aquela que habita o protagonista: o sentimento da inveja, junto com o ranço do machismo arraigado na alma do homem. O que evidencia um monstro, não dentro do armário, mas sim, dentro de si. Mais uma prova inequívoca de que o terror não está no sobrenatural, mas na natureza cruel do homem. O desenvolvimento da narrativa valoriza o suspense, pela forma como foi conduzido. A escrita flui bem, no entanto, poderia ser mais curto. Há erros gramaticais, mas isso já foi anotado pelos colegas neste painel de comentários, mais experimentados neste campo do conhecimento. É o que basta.

  37. Angelo Rodrigues
    15 de outubro de 2017

    Caro H.P. Buchman,

    vejo no seu conto uma boa ideia, boa mesmo, embora acredite que possa ser melhor trabalhada com muitas revisões.
    A primeira delas é que o texto foi “engordado” (me pareceu) em direção às 3.000 palavras que o desafio pedia. O parágrafo que fala da camisa da seleção brasileira caindo com cabide e tudo é perfeitamente dispensável, não empurra a trama adiante e só nos faz lembrar da seleção brasileira sob o comando do Dunga, onde até os cabides com a camisa da seleção despencavam ladeira abaixo, um horror.
    Acredito que você seja bem jovem. Isso é bem legal, dado que, jovem ainda, tem um grande talento e vontade de escrever. Mas coisas precisam ser observadas. Alguém tão jovem tende a imaginar que alguém beirando os sessenta anos tenha as mãos enrugadas: “Emma, uma senhora que já beirava os sessenta, trazia uma sacola nas mãos enrugadas.” Fiquei olhando minhas mãos, feliz por não ter sequer uma ruguinha de nada, nem nas mãos nem no rosto.
    No conto existem duas tramas, uma delas explicitada por você, a da xenofobia do casal Ethan e Emma, a outra, bem mais sutil, liga-se psicanaliticamente ao fato de que o monstro no armário era, de fato, a inveja que Afonso tinha pelo sucesso de Suzana, onde ele, efetivamente, a seguia até o Canadá para um emprego que realmente valia a pena (para ela). O sucesso de Suzana, representado/transmutado em inveja por Afonso, devorou Suzana, matando-a. Acho que essa é realmente a trama, a obsessão do marido Afonso.
    Isso se explica pelo fato de não haver qualquer sentido no medo incontrolável que Afonso tinha do armário. Em momento algum seu medo fez qualquer sentido, um medo insubmisso só explicado pela inveja. A inveja sim, essa fez sentido, particularmente pela explicitação da submissão que ele dirigia a ela – isso é visível em diversos trechos.
    Algumas construções de parágrafos explicam isso, pois, a despeito de ser Suzana a mulher de bom emprego, é sempre Afonso que chega do trabalho e encontra Suzana cuidando da casa, como se ela fosse permanentemente rebaixada a dona de casa. O tal bom emprego não tem, de fato, relevância na vida de Suzana. Logo de início, o conto diz que Suzana vai para a bancada da cozinha e o marido fica a ouvi-la tagarelar do quarto. Quanta inveja e submissão!
    Dentro da linha do “engordamento” do texto, veja este parágrafo: “…seu pênis amoleceu e diminuiu dentro de sua consorte instantaneamente, enquanto o frio rasgava sua espinha, da nuca ao cóccix.” Isso significa apenas: “Afonso broxou.”
    Outra coisa, em lugar algum do mundo as roupas de baixo ficam na parte alta do armário. Nunca. As roupas de baixo sempre precisam estar sob o minucioso escrutínio dos olhos, masculinos ou femininos.
    Acredito que se consideradas minhas assertivas – se aos seus olhos forem relevantes – o conto poderá crescer e crescer. As duas ideias são boas, a da inveja e da xenofobia, se juntas ainda mais.

    Boa sorte com no desafio e obrigado por nos deixar conhecer seu trabalho.

  38. Ricardo Gnecco Falco
    15 de outubro de 2017

    Olá! Segue abaixo o resultado da Leitura Crítica feita por mim em seu texto, com o genuíno intuito de contribuir com sua caminhada neste árduo, porém prazeroso, mundo da escrita:

    Gramática (1,5 pts) –> Sim, escrever é a arte de cortar palavras… Mas sem se esquecer de cuidar das que foram poupadas! Ou seja, uma boa e atenciosa revisão é FUNDAMENTAL — e não apenas para este quesito — em um texto, ainda mais em um trabalho que estará concorrendo com os de outros escritores… Aqui, já de cara, nos damos com um problema fonético, na construção frasal já do primeiro parágrafo (de abertura) da obra. Não é nada terrível, mas como o meu intuito aqui é ajudar a quem escreveu este conto a enxergar onde o mesmo poderia ser melhorado, por que não ajudar com a audição também? 😉 Leia em voz alta, frisando o que vou destacar em maiúsculas: “…sua mENTE, se fazia violentamENTE óbvio e inevitável. O horror estava à sua frENTE.”. Entendeu? CertamENTE… 🙂 Segundo parágrafo: “…tomou sua mENTE … viu tais cenas passarem na sua frENTE.” Isso se chama cacoete, e é um vício de linguagem que, se não nos atentarmos, vai tomando conta da mente da gente lentamente… Rs! E faz parte do processo de revisão ‘limar’ estes vícios no texto. Basta substituir mente por cabeça ou pensamento, frente por diante ou adiante, certamente por de forma certeira, violentamente por de maneira violenta, ou forte, ou qualquer outra forma que ‘quebre’ os ramos desta árvore podre. Eu, por exemplo, quando finalizo uma história, abro logo o “localizar e substituir” do Word e vou digitando os cacoetes que eu já percebi que eu costumo escrever. Isso acontece muito com os ‘mentes’ da vida, mas também com os aquele/aquela/daquele/daquela/daquilo/dele/dela… Com os seu/seus/sua/suas… Com os um/uma/uns/umas… Todo/todas/todo/toda. E por aí vai! Vi que o mestre Selga já pontuou outros errinhos gramaticais e de pontuação mais abaixo, então vou deixar aqui só essa questão dos vícios de linguagem/cacoetes mesmo, ok? Digita estas (e outras) palavras no Word com seu texto aberto e manda o programa localizá-las. Se estiverem muito repetidas e/ou próximas umas das outras, faça as substituições pertinentes. Basta utilizar sinônimos ou reformular certas descrições! #ficadica!

    Criatividade (2 pts) –> Este é, sem a menor sombra de dúvida, o quesito MAIS IMPORTANTE (e consequentemente possuidor do maior peso em sua nota final) de todos… Temos uma história de um ‘Monstro do Armário”, que vai aos poucos mexendo com a mente do protagonista, até este tornar-se louco. Não é nada novo este tema, mas o fato de no final da história descobrirmos que não se trata de um monstro real (dããã), mas sim de um tipo de feitiço que seus vizinhos lhe infringiram, traz uma renovada na temática já tão batida.

    Adequação ao tema “Terror” (0,5 pt) –> Como estamos em um Desafio TEMÁTICO, não tem como avaliar sua obra sem levar em consideração este “pequeno” detalhe, rs! Assim sendo, mesmo eu o tendo valorizado apenas com meio ponto, ao final do somatório isso poderá representar a presença (ou não) de seu trabalho lá no pódio e, caso você seja uma pessoa competitiva… Pode ficar tranquila! O texto está totalmente dentro da temática pedida. Monstro dentro de armário, maridão enlouquecendo, histórias pregressas de sumiços e suicídios, bruxaria… Tem tudo que o formato pede! 😉

    Emoção (1 pt) –> Bem… Eu fiquei com vontade de chegar ao fim da história. Fato. Porém, o texto muito truncado, excessivamente detalhista e, mais grave de tudo, mal revisado (muitas repetições de palavras), tirou bastante o meu tesão da leitura. E a história é legal, vai num crescendo e tal; mas realmente a falta ou relapso na questão da revisão do texto deu um soco no estômago do leitor, que começa até a ‘relevar’ os problemas previamente apontados no decorrer da leitura. E o pior de tudo é que todos os problemas seriam extintos se este texto tivesse passado por uma boa revisão. Foi criada uma tensão, um desejo de se saber o que iria acontecer e até mesmo um final legal, fugindo do óbvio. Mas essas repetições de palavras… Pena mesmo. Gostaria de poder dar uma nota melhor para este trabalho, mas não seria justo com os outros autores. Fica a experiência para o autor buscar (e matar) dentro do armário de suas prioridades o “Monstro da Falta de Revisão”. 😦

    Enredo –> Se você for bom em Matemática (como aliás todo escritor de ficção gostaria de ser…), vai ter reparado que a soma dos pontos totais dos quesitos prévios já atingiu o limite de pontos da nota máxima a ser atribuída aos trabalhos do presente Desafio (5,0), conforme as regras estipuladas pelo nosso Anfitrião aqui no EntreContos! Portanto, como já levei em conta o Enredo da história ao avaliar (e notificar) a Criatividade da sua obra, este quesito aqui será utilizado apenas para demonstrar que eu, enquanto avaliador, li realmente o seu texto (e para os espertinhos que vierem depois de mim poderem aproveitar alguma coisa, tb)! :O
    A história é sobre um casal que se muda do Brasil para o Canadá e é visitado, à convite, por outro casal, que são seus vizinhos na nova morada. Lá dentro da casa dos protagonistas, a mulher do casal de vizinhos (com ascendência indígena) lança algum tipo de feitiço no protagonista que, em uma espiral crescente de loucura, começa a visualizar e temer uma criatura que habitaria no armário que ele divide com a esposa, até perder de vez a razão e, quiçá (isso fica implícito), assassinar a esposa e pular pela janela do apartamento. 😉

    Boa sorte no Desafio!

    • Ricardo Gnecco Falco
      15 de outubro de 2017

      * a convite (sem crase, RicK, please… 😦 )

      Nota Máxima: 5,0
      Sua Nota: 0,5 (que pena…) + 1,5 + 0,5 + 0,5 = 2,5

  39. Regina Ruth Rincon Caires
    14 de outubro de 2017

    Interessante! Casal decide viver no Canadá para fugir da violência do país de origem. O terror é colocado na história através de um tema bem atual: a intolerância, a segregação racial. O texto tem muitas incorreções de linguagem, pontuação confusa, exige uma detalhada revisão. Gostei muito do enredo, da construção da história, mas acho que o autor poderia ter enroscado mais a trama, prender a atenção do leitor, não dar folga ao suspense. Faltou isso. A leitura ficou, por muitas vezes, morna. De repente, o medo ficava esquecido. Quando voltava, não havia aquecimento suficiente para ferver. Assim foi durante toda a narrativa.

    Boa sorte, H.P. Bachman!

    Abraços…

  40. Eduardo Selga
    14 de outubro de 2017

    É um bom enredo, uma forma diferente e mesmo inusitada de abordar um dos grandes males contemporâneos, a xenofobia. Para um argumento conhecido no terror, o guarda-roupa ou armário mal-assombrado, foi encontrada uma saída bem interessante, de modo a não cair na mesmice. Eu já estava considerando que o casal convidado para o jantar estava sobrando no texto, quando no desfecho a necessidade deles foi explicada. Também foi uma boa sacada a personagem Emma, responsável pelo provável feitiço, apesar de xenófoba, não ser ariana, e sim descendentes de indígenas. Surpreendente porque os grupos indígenas estão na mesma condição dos grupos imigrantes, ou seja, à margem. A escolha funcionou para nos lembrar de algo óbvio, mas esquecido por muitos: a realidade não é tão esquemática quanto gostaríamos.

    Os personagens estão bem feitos, embora considere demasiado o tempo que o protagonista demorou até dizer à esposa o que ele enxergava no guarda-roupa. Se ele mesmo tivesse dúvidas sobre o que via, se era ilusão ou real, seria outra coisa, mas o protagonista não duvida de si mesmo.

    Há muitos erros de construção frasal, o que, em minha opinião, prejudicou um melhor desempenho do texto.

    Em “[…] que mesmo antecipado por sua mente, se fazia violentamente óbvio e inevitável. O horror estava à sua frente” a partícula ENTE aparece três vezes, causando um efeito desagradável.

    Em “Que dia amor!” falta VÍRGULA após AMOR. O mesmo problema se repete em “[…] armas tiros […]”, em “[…] e lembrando da política de fazer amigos Afonso foi atrás […]” (onde deveria haver VÍRGULA após E e após AMIGOS) e várias outras situações.

    Em “[…] colocava a bota recém limpa junto a outra” faltou acento indicativo de CRASE em À OUTRA, o mesmo acontecendo em “[…] assim tão normalmente em frente aquele [ÀQUELE] armário […]”.

    Em “[…] ele também fora vítima de um convite para jantar inesperado” a construção não é feliz, pois o que é INESPERADO é o CONVITE, não o JANTAR.

    Em “[…] mais de 1 ano” deveria ser UM ANO.

    Em “Quase tive de brigar para aluga-lo” deveria ser ALUGÁ-LO.

    Em “Emma falava em tom de desgosto sobre estava difícil sua filha arranjar emprego” parece FALTAR PALAVRA entre SOBRE e ESTAVA.

    Em “[…] mas estava tão somente repleta apenas por roupas” há um PLEONASMO: TÃO SOMENTE e APENAS significam a mesma coisa.

    Em “Ante o susto tão inesperado, … deu um salto para trás […]” as reticências não cabem após a vírgula.

    Em “[…] talvez algum ser desconhecido e incompreensível pela mente humana” o correto seria À MENTE.

    Em “Naquele rápido instante que viu a sombra antes dela fugir […]” deveria ser EM QUE.

    Em “Afonso não entendeu: – Por que?” não é AFONSO quem fala, e sim SUZANA.

    Em “A mulher pausou a série que o casal assistia […]” seria A QUE.

E Então? O que achou?

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Publicado às 13 de outubro de 2017 por em Terror e marcado .