EntreContos

Detox Literário.

A capelinha para Santo Antônio (Zeca Bandeira de Mello)

Sentei a seu lado na arquibancada. Ele estava nervoso, gritando com o treinador do time. O fiz com a intenção de conhecer melhor a minha vítima e pegar certa intimidade com ela. E me pus a assistir a partida também. Fiz comentários altos, ponderei e critiquei a atuação de alguns atletas. Eu entendia bem de futebol e conhecia os reclamos da massa.

– Treinador de merda! Gritou o homem que eu iria matar em minutos.

Concordei discretamente com sua critica. Dei-lhe um olhar solidário e isso nos aproximou. Arrisquei um berro dentro da mesma temática e ele concordou com a cabeça. Em segundos estávamos apresentando opções de jogadas ou substituições de jogadores. E veio o gol que nos fez abraçar e pular… O gol que nos fez amigos.  

Ele era jovem, mulato e um pouco magro. Ainda bem. A criança ao seu lado pediu um sorvete…

– Pai, me dá?

– To duro, moleque.

Ofereci-me para pagar. Disse que o garoto estava dando sorte e comprei de bom grado. O menino, escurinho, não tinha sete anos e riu com uma boca incompleta quando desembrulhou o papel colorido e gelado. Acho que não viu mais o jogo. Com o canto dos olhos, reparei enjoado ele se melar até os olhos, enquanto o pai, concentrado, me apontava mais uma falha do centroavante.

Ao fim, com o humor em alta pela vitória, estendeu-me a mão e disse uma gíria que parecia uma despedida. Quando lhe perguntei se estava de carro, respondeu-me apenas:

– Vou pro morro, irmão.

Ao indicar-me de que morro falava, ofereci para deixá-lo perto, uma vez que passaria por ali. Concordou. Para mim, a saída do estádio em direção ao carro foi o momento mais difícil de meu plano. Eu teria que manter uma conversa com aquele indivíduo que mal conhecia a fim de não fazê-lo não desistir da ideia de levá-lo até perto de sua casa… Ou ainda dele não tomar outro rumo por desconfiar de minhas boas intenções. Eu teria que fingir naturalidade, embora tenha me transformado num bom ator. Sim, não poderia perguntar sobre sua vida ou trabalho. Nada disso. Não deveria invadir o seu mundo particular. Ficamos no futebol, e na escalação do time para o próximo jogo.

A rua estava cheia. Muita gente gritando e agitando bandeiras. Muitos carros parados. Meu novo amigo ajeitou-se no carona e pediu para o filho ficar queito atrás dele. Liguei o radio. A locução dos gols do jogo ajudou-me a manter o astral do encontro. O menino perguntou se podia dormir e o pai concordou. Melhor assim. Três quilômetros depois, tentei chegar meu banco para trás. Sou alto, nada mais natural. Fiz força, mas o banco não se mexeu. Parei em um recuo e passei para o banco de trás. Solicitei a meu carona que ele levantasse a alavanca do meu banco enquanto eu faria a força contrária. Atendeu-me, felizmente. Lancei da seringa maior que me aguardava pronta no orifício da porta e lhe espetei o ombro não tão musculoso. Ele ensaiou um palavrão, mas caiu sem conseguir me olhar.

Apliquei no homem uma anestesia geral, que o fez apagar em três segundos. Por estar já abaixado, a queda não produziu muito barulho. O filho, já sonolento, não percebeu grandes alterações no carro. Apliquei então uma dose menor na criança, usando a outra seringa.

A viagem transcorreu tranquila. Cheguei duas horas e meia depois de encerrado o jogo que assistimos. Fiz boa parte ouvindo ainda os comentários e as entrevistas. A noite estava nublada, mas sem apresentar perigo de chuvas. Estava tudo muito deserto, também pudera, as horas estavam adiantadas para aquele canto do Estado. Parei o carro. Coloquei botas e luvas e me desloquei para dentro. Achei o buraco com dez minutos exatos de caminhada. Admirei o meu trabalho. Uma escavação de quatro metros e vinte de profundidade com dois metros de diâmetro. Poucas pedras no caminho. Se as encontrei, eu mesmo as cortei. Foram 16 dias para dar por concluído o poço, e muitos calos nas mãos. Não precisei de cúmplices. Melhor assim. E saiu bom. Sorte não ter chovido. Do contrario teria eu feito uma piscina e não uma cova.

Comecei pelo mais fácil… O menino. Dormia solto no banco de trás. Não foi difícil tirá-lo dali e colocá-lo no carrinho que escondi na mala. O chão, não tão acidentado, permitiu que eu acelerasse as passadas e chegasse de volta ao buraco num tempo semelhante ao que fiz na primeira viagem. Joguei o menino no chão e quebrei suas perninhas com quem quebra os ossinhos de um galeto. Seu leve sacolejo apontou-me que a anestesia começava perder o efeito. Preferi não quebrar-lhe os braços. Apenas os amarrei para trás, e cobri bem a boca com varias voltas de fita de ultra-aderência. Feito o montinho levei-o ao buraco e o segurei pelo braço. Quando o soltei ele caiu de costas, mas não se machucou tanto devido a lama macia que no fundo deixei acumular.

O pai deu mais trabalho. Eu não era mais criança e não tão forte para fazer tudo sozinho com tranquilidade. Na verdade o procedimento foi o mesmo… Mas o arrastei até o carrinho e o trouxe numa velocidade evidentemente menor. Ao joga-lo no chão, quebrei também seus dois pulsos. Capricho talvez. Não precisava dos dois. Podia também cortar-lhe a língua, mas preferi usar o mesmo expediente da fita. Evitaria sangue. Arrastei-lhe com os pés e já na borda, empurrei-o com cuidado para que não caísse de cabeça ou que seu corpo não esmagasse o filho deitado ao fundo. Deu certo. Se quebrou algo mais, não passou de uma ou duas costelas. Nada que o impedisse de acordar. Mais rápido do que supus, coloquei os dois corpos dentro do buraco que eu, orgulhosamente cavara… E que ninguém viu.

Havia me preparado. Levara cadeira e suprimentos para atravessar o resto da noite e mais um dia, se precisasse. Queria acompanhar cada minuto de perto. O despertar, as expressões, os gritos contidos e as reações de horror. Trouxe um farnel para ver tudo e comentar cada lance em voz alta como se na arquibancada estivesse. Daria palpites, indicaria posições, provocaria… Mas não diria nomes feios. Educado, manteria a linha. Trouxe até sorvete, e me lambuzaria quando o visse o pequeno morrer.

Eu era um ótimo medico, mas não sabia calcular quanto tempo demoraria um adulto e uma criança para morreram numa situação daquelas. Por via das duvidas levei um isopor razoavelmente grande.

Estranhamente o homem, que parecia estar dormindo mais profundamente foi o primeiro a acordar. Girou o pescoço e arregalou os olhos provavelmente pela dor. Suas pupilas giraram, e tentou se desamarrar. Inflou o rosto, sacudiu as pernas e se arrastou na lama. Estranhamente não olhou para cima, de onde eu acompanhava a cena comendo um queijo quente em fatias de pão integral. Ficou parado um tempo, mirando a lateral do buraco. Talvez estivesse tentando por o raciocínio em ordem, ou mesmo procurando saber onde se achava através da lembrança das ultimas imagens. Súbito, virou-se de lado e avistou o filho adormecido ao seu lado. Jogou-se até ele, e o bolinou com os joelhos. Não podia ser rápido… A dor profunda pelos ossos quebrados lhe tirava a precisão. Deu um gemido abafado para comemorar o despertar de sua criança. Ela foi mais ligeira, e não demorou a identificar o paizinho amarrado. Mas também não conseguiu gritar. Se o fez, foi pela inflamação do olhar, ou pelo rubor da face. E eu lá de cima, saboreando um suco de mamão com laranja, divertia-me com aquele diálogo meio sem nexo de dois serem trocando urros. E então ele olhou para mim. Achou-me finalmente. Lembrou-se de meu rosto. Pensei que eu sentiria algum medo por ser à primeira vez que matava alguém… Mas qual. Aquilo me deu prazer. Os quatro olhos que agora me miravam de baixo para cima me enchiam de orgulho pelo sucesso de minhas intenções. Os olhares estavam em minhas planilhas, em meu roteiro. E meu riso também. A criança iria morrer em primeiro, e o pai sentia isso. E essa morte, confesso, seria a cereja no bolo de meus planos. Não fora calculada. Era uma obra do acaso. Um prêmio para o meu trabalho. Abri mais um queijo quente, mas o fechei. Lembrei-me do sorvete. E o chupei olhando o menino estrebuchando-se como um epilético. Sacudindo-se como que a procura de ar… Clamando pelo pai que não poderia lhe dar socorro, pois estava tão mal quanto ele. Morriam juntos e agoniados. E eu chupava o palito. E agora chegava a minha hora de falar. Não dei instruções. Não disse que o treinador era isso ou aquilo. Não indiquei o melhor caminho para a morte, e nem falei de vitoria. Eu disse apenas quem eu era. E porque fazia aquilo. E mesmo esfacelado, ele parou para me ouvir.

 

Antonio foi abordado por quatro menores e um adulto. Não respondeu. Assutou-se com a ação ofensiva. Viu uma arma nas mãos de um deles e obedeceu imediatamente abrindo o vidro. Jamais havia visto um revolver de perto. Tinha 18 anos, feitos na semana passada. Reuniu a turma do último ano da escola, numa pizzaria. Obviamente não fui… e nem a mãe. Tímido, era um ótimo esportista. Conhecido por seus feitos na natação, não fazia disso motivo para se destacar em algum grupo, mas para dar-lhe a chance de mostrar sua humildade.

Havia passado para Engenharia, após um ano inteiro de estudos. Há dois meses frequentava a faculdade federal. Adorava ir para lá. Comprei um carro e lhe dei com satisfação, por realmente merecer. Aprendeu a dirigir e passou a ter uma rotina.

Por não ter amigos na faculdade ainda, ia e vinha sozinho, pensando nos estudos ou simplesmente cantando em voz alta. E nesse dia errou.  Não podia entrar ali. A rua era a terceira à direita e não aquela. Antonio foi mesmo abordado por quatro menores e um adulto que o mandaram sair do carro, imediatamente. Não que tenha optado por obedecer, mas esse era o seu instinto numa situação dessas. Sabia que não deveria reagir, afrontar ou tentar negociar com eles. Deveria obedecer a comandos dados, e sair do carro foi a solicitação recebida. E o fez.

A manhã estava começando e não havia muita gente naquela entrada da comunidade. Os meninos queriam brincar. E Antonio ainda não sabia que virara o brinquedo. Por isso não entendeu quando recebeu o primeiro chute no corpo. Olhou para o agressor e com os olhos perguntou: – Por quê? Mas outro tapa na cabeça veio por trás e o jogou no chão. Ajoelhou-se. Queriam vê-lo gritar. Deveria ter gritado… Ou não. Sua resistência era alta, não exatamente por ser forte, mas por ser ingênuo e querer mostrar-se forte. A emoção da brincadeira aumentou pela ótima atuação de Antônio. O adulto ria e aplaudia o feito das crianças. Meu filho tinha um bom coração. Se pudesse aplaudia os covardes também. Se de mim lembrou enquanto se deixava surrar, não sei. Calculo que sim. Desejava saber por que faziam aquilo. Por que lhe batiam forte por todo o corpo. Ele não lhes fez mal. Orou em voz alta, e isso foi motivo para mais socos. Não conhecia técnica alguma de luta. Só sabia ser rápido no nado de costas. E só. Não conseguia reagir. Faltava a índole. Voltava a cara para um agressor e ao receber o soco, virava-se para o outro ao lado. Por que lhe arrancavam tanto sangue? Por que o faziam girar? Por que, passavam pessoas por ali e nada faziam? Estava conhecendo a vida da forma mais cruel. Monstros o apresentava. E eu, enquanto isso, atendia no consultório… e minha esposa resolvia problemas no fórum.

O carro de Antônio não era de luxo. Não ostentávamos. Muito menos ele. Certamente proporia que ficassem com tudo, se lhe dessem a chance. Mas ele só saltou do carro de braços para cima seguindo a ordem dos menores, e nada falou. E tudo se deu. Em pé, um tanto curvo e encharcado de sangue foi alvo fácil para o chute derradeiro em sua cara. O homem mais velho, o único mais velho, vendo que o brinquedo das crianças não teria mais conserto, ordenou que fosse ele descartado. Puxaram Antonio pela perna e o arrastaram por bons metros até a encosta. Outros monstros foram aderindo ao cortejo e na borda, meu filho levantou os braços e pediu ajuda. Estava vivo ainda. Riram. O adulto se aproximou dele, e o empurrou… Como se estivesse desligando a televisão e mandando suas crianças para a cama.

 

Antonio tomou café da manhã comigo. Disse que ia pra a faculdade. Perguntei-lhe se tinha dinheiro. Ele disse que sim. Pegou o carro e seguiu seu caminho. Mas entrou onde não devia… Foi o ultimo sinal que o identificador do carro captou antes do veículo ser desmontado. À partir dessa informação, parei a minha vida. Tinha alguma renda, fechei o consultório e me aposentei. Separei de minha mulher e passei a fazer de um plano a razão de meu viver. Larguei o apartamento para ela e comprei uma casinha simples na mesma comunidade de onde recebi o ultimo sinal. Nunca fui ator, até o dia que soube de tudo que fizeram com meu filho gratuitamente. Então deixei de ser médico e virei um monstro. O mais terrível de todos. Um monstro hipócrita. Eu tomei conhecimento de toda a história. Desde as humilhações até quando lhe jogarem, ainda vivo, em uma encosta como um boneco escangalhado. E tudo pelas mãos daquele torcedor que tinha o assento vizinho ao meu, naquele estádio de futebol. Eu sabia de sua ida ao jogo. Eu sabia do desejo do filho de ir. Eu sabia que iriam de ônibus e sozinhos. Eu fiz vizinhos, amigos e cheguei batizar alguns meninos que virariam monstros como eu um dia. Eu sabia que aquele assassino iria reclamar do juiz, e sabia até que o menino iria pedir um sorvete.

Fui me chegando aos poucos. Virei boa gente. Ajudei à muitos, e soube também pedir indicações. Mantive discrição e arranquei o queria. Descobri o homem e o vi mesmo sem ele me ver… e os monstros fazem isso. São coverdes como eu por terem a exclusividade do ponto de vista. O bandido não tinha dinheiro para comprar um sorvete para o seu filho, mas eu tinha. E comprei, e apoiei os seus comentários a respeito do jogo. Em troca ele me ajudou a chegar o banco para trás e dar seu ombro para que eu lhe aplicasse uma injeção e o fizesse dormir. Eu nunca manejei uma arma, mas sabia mexer numa seringa como ninguém. Fazer aquele homem dormir para mim, era mais fácil do que comprar o sorvete para o menino.

E agora estavam lá embaixo, há pouco mais de quatro metros e com os membros quebrados e amarrados. Não tinham como reagir, mesmo tendo o instinto. Como Deus eu lhes tirei o poder de agir. Somente de pensar. E isso estava no roteiro que dei minha vida para construí-lo.

Eu não devia ter coberto a boca do menino. Que ele gritasse loucamente. Ninguém o ouviria dali. Ele estava debilitado, cheio de dores pelos ossinhos quebrados. Seria bom ver o pai vendo o filho berrar. E sem nada poder fazer. Sim, isso me daria um prazer imenso. Comi uma pizza fria. Não estava gostosa, mas tinha muito orégano, e eu adoro orégano. Sentei-me em minha cadeirinha na boca do buraco e às 18hs em ponto, a criança morreu. Deu um ultimo suspiro e soltou o corpinho amarrado. O pai levantou o rosto, e talvez tenha chorado. Aproximou a cabeça e deitou-se sobre a criança. Talvez com isso estivesse se despedindo dela. Tinha sorte. Deixei que o fizesse… Mas não por muito tempo. Levantei-me e comecei a jogar terra sobre o menino. Instintivamente o pai tirou a cabeça e foi para o outro lado. Não desviou os olhos de mim agora. Tentou encarar-me com um ar de desafio. E para esse olhar, bebi um refrigerante. Arrotei alto e ri daquela cara séria. Quando anoiteceu por fim, lá pelas 19h, comecei a jogar areia sobre o adulto. E iniciei pelos pezinhos. Logo enchi as bordas. Depois cobri o filho como um todo e as pernas do homem, o dorso, e por fim, seus olhar desafiador. Num instinto ele levantou os braços e pediu ajuda. Estava vivo ainda. Ri. Aproximei-me e empurrei o monte de areia para dentro… Como se estivesse desligando a televisão.

 

Voltei somente na semana seguinte aquele local. Por ano fiquei na comunidade ainda, controlando a repercussão do desaparecimento daquele homem. Não se falou muita coisa. Alguém deu cabo dele e pronto! Um dia, um amigo me mandou uma ambulância e saí da comunidade nela. Mandei um empregado dar a noticia à todos. Muitos deviam ter sofrido com minha morte.

Fui morar definitivamente na fazenda. Na semana seguinte que fechei o buraco, reuni os empregados no local, e comandei pessoalmente o erguimento da capela. Um amigo fez o desenho. Ficou bonita. Minha única exigência era que aquele círculo com dois metros de diametro fosse base para o altar, que estamparia uma linda imagem de Santo Antonio comprada na Itália. No colo do santo o menino Jesus parecia sofrer. Durante o resto de minha vida, a cada manhã eu me dirigi à capela e rezei por meu filho. Conseguia ver na imagem daquela inocente criança o meu Antonio quando bebe, em meu colo, adormecendo com meus carinhos. O via crescido, jogando botão comigo, ou futebol, ou lendo livros ao meu lado. Aprendemos um com o outro. Eu o admirava. Eu o amava. Mais do que tudo.

Não sei se sou um monstro. Mandei fazer uma capela e rezo por Antonio todos os dias.  Fico ali por horas e peço que ele olhe por mim. Numa noite, mandaram me chamar. Bateram na porta aos gritos. Zezinho Ferroeiro acabara de morrer. Fora a capela rezar e jurou que viu o menino Jesus chorando um creme branco. O maluquinho disse que provou e jurou ser sorvete. Zezinho morreu logo depois de ter limpado os olhos do santinho e não pode, com isso confirmar a historia. Apenas gritou e anunciou o milagre. Todos riram do insano. Mas a partir daquela noite, uma outra criança tomaria o rosto do menino Jesus.

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69 comentários em “A capelinha para Santo Antônio (Zeca Bandeira de Mello)

  1. Pedro Paulo
    13 de novembro de 2017

    Olá, entrecontista. Para este desafio me importa que o autor consiga escrever uma boa história enquanto em bom uso dos elementos de suspense e terror. Significa dizer que, para além de estar dentro do tema, o conto tem que ser escrito em amplo domínio da língua portuguesa e em uma boa condução da narrativa. Espero que o meu comentário sirva como uma crítica construtiva. Boa sorte!

    Lamento, caro autor, mas a história não teve um impacto verdadeiro em mim. Quer dizer, sua escrita com certeza me deixou desconfortável e furioso com o protagonista, o que prova que o conto é bom. O “porém” que eu coloco é que não funcionou para mim com uma história de terror. Claro, há terror na situação em que pai e filho passam, mas a perspectiva deles não é a que seguimos e acabamos sentindo mais pena do que medo.

    A primeira parte é marcada por isto, pela criação dessa situação horripilante. Até aí, os acontecimentos chocam. Há medo pelo que mais o protagonista vai fazer com aqueles dois, mas é um medo que antecede o choque, que já sabemos para onde a situação vai, não é o do suspense. A intenção dele é tortura-los e mata-los, então isto já sabemos e “não há o que temer”, pois a história seguirá o roteiro do torturador.

    A segunda parte nos situa sobre o personagem e o seu histórico, explicando as motivações para atos tão vis. Como se tratava de um narrador personagem, é interessante ver como a emoção afeta a sua descrição dos fatos, a ênfase da inocência de Antônio e como ele foi torturado e morto. Li esse trecho achando um tanto dramático demais, como se estivesse se esforçando para nos fazer entender a dor da personagem (e a essa altura eu já o odiava demais pelas malvadezas com a criança), mas é de se entender, dada a paternidade dele.

    Quando voltamos ao primeiro caso da história, pai e filho no poço sob o olhar do seu algoz, agora entendemos sobre o protagonista, mas a situação continua a mesma, tal como as expectativas, que não são grandes. O menino morre, o pai é enterrado vivo, tudo muito bem descrito, fator permanente em todo o conto.

    A história lembra bastante o filme “Law Abiding Citzen”, contando a consumação de uma vingança que vai nos sendo esclarecida ao longo da leitura, mostrando que o autor tem domínio da narrativa. Ainda assim, devo repetir que não achei um conto aterrorizante, funcionando mais em chocar o leitor e bem escrito ao contar uma história fechada.

  2. Renata Rothstein
    11 de novembro de 2017

    Bom conto, a narrativa flui fácil, senti a ansiedade na psicopatia do médico que torna-se vingaador, ou seja, monstro, assim como os q arruinaram sua vida.
    Não entro na questão de violência, acho q são casos e casos, e só na pele é q sabemos o q de fato “rola”, so…
    Lembrei meio q dos filmes com Charles Bronson.Não é terror, é um baita drama psicológico, gostei.
    Abraço

  3. Evandro Furtado
    10 de novembro de 2017

    O conto é bastante consistente apesar de apresentar alguns probleminhas de redação. Mas a história é forte, impactante, com personagens bastante interessantes. O suspense é construído da forma certa. Gostei da quebra de lineariadade, ela deu uma perspectiva muito diferenciada à história. Quando você lê a primeira parte a visão é uma, depois que o protagonista conta a sua história a visão que se tem é outra. Isso é algo notável em um conto.

  4. Rafael Penha
    10 de novembro de 2017

    Olá , autor.

    Muito bom o conto!

    A linguagem é simples e direta, faz o leitor querer continuar a leitura.
    A ambientação é corriqueira e verossímil.

    Experimentar o terror visto pelo ponto de vista do Predador é raro e quando bem executado, maravilhoso. Como o caso aqui em questão.

    Os toques de sadismo foram bem mostrados. Achei que faltou um melhor desenvolvimento da crescente de ódio do protagonista, mas o tom combina com a narrativa direta e sem rodeios.

    Excelente!

  5. Pedro Luna
    9 de novembro de 2017

    O grande pulo do gato do conto é a sua capacidade de deixar o leitor desconfortável. Porém, infelizmente em sua metade, ele acaba por quebrar esse desconforto que criou.

    Explico: o sujeito aparentemente parece realizar a tortura com o pai e o filho de modo aleatório. Isso foi ótimo e perturbador. Pessoalmente, me perturba esse tipo de coisa. Você viver sua vida e do nada alguém vir e te prejudicar desse modo tão horrível. Lembrei do filme O Silêncio do Lago. Até aí o conto estava ótimo.

    Só que depois vem a explicação do personagem, e há uma tentativa (mesmo que não seja sua intenção, ela existe) de humanizar os seus atos e demonizar o sujeito preso no buraco. Não gostei porque tirou o impacto que mencionei anteriormente. De conto de psicopatia pura, virou conto de vingança. Então no geral achei um texto um pouco indeciso.

    Ainda assim, foi uma ótima leitura.

  6. Fabio Baptista
    8 de novembro de 2017

    Eu gostei bastante da técnica – ela é direta e, aliada à boa trama, prende totalmente a atenção.
    No entanto, alguns pequenos erros de revisão, provavelmente ocasionados pelo deadline, foram se somando ao longo da narrativa e formaram um volume grande demais para ser ignorado na atribuição da nota.

    – – Treinador de merda! Gritou o homem
    >>> – Treinador de merda! – gritou o homem

    – critica
    >>> crítica

    – disse uma gíria que parecia uma despedida
    >>> isso é logo no começo, mas estou relendo o conto e já sei o desfecho. Depois de todo o plano, ele já estaria acostumado com as gírias, não?

    – a fim de não fazê-lo não desistir
    >>> sobrou um “não”

    – varias / duvidas / medico / …
    >>> várias / dúvidas / médico

    – Eu não era mais criança e não tão forte para fazer tudo sozinho com tranquilidade.
    >>> Essa frase ficou meio sem sentido. Ou meio óbvia demais.

    – quando o visse o pequeno
    >>> quando visse

    – dois serem trocando
    >>> seres

    – por ser à primeira vez
    >>> sem crase

    – seria a cereja no bolo
    >>> nada a ver com a avaliação, mas lembrei que estavam reclamando desse termo lá no Face (nos comentários, não no conto rsrs)

    – Monstros o apresentava
    >>> Eu entendi, mas faltou algo nessa frase.

    – São coverdes
    >>> covardes

    – na boca do buraco e às 18hs em ponto
    >>> Pô… que hora foi esse jogo?

    – seus olhar desafiador
    >>> seu

    – Voltei somente na semana seguinte aquele local
    >>> àquele

    – Por ano fiquei na comunidade
    >>> um ano?

    A trama é muito boa! Polêmica, cheia de alternativas, crueldades e reflexões, do jeito que eu gosto.
    Acho que o melhor título para esse conto seria “Como nascem os monstros” (outro ótimo conto deste desafio). Todo o mote me lembra um pouco (putz, acho que sou o comentarista que sempre quer enfiar uma referência hahaua) aquela ideia do Coringa em “A Piada Mortal”, de que basta um dia ruim para que as pessoas se transformem. Aqui, diferente de lá, o cara se transforma mesmo.

    Não sei se o conto teria ainda mais peso se o pai/filho capturados fossem estranhos, selecionados aleatoriamente apenas pela cor e local em que moravam.

    Enfim, independente disso, toda a execução foi muito boa.

    Apenas o parágrafo final que destoou completamente (senti o mesmo no conto “A escuridão e o coaxar”), inserindo um elemento sobrenatural totalmente dispensável. Na minha opinião o impacto seria bem maior se acabasse no “Eu o amava. Mais do que tudo.”.

    Muito bom conto!

    Abração.

  7. Daniel Reis
    7 de novembro de 2017

    Amigo autor: é notável como a dicção lusitana mostrou-se neste desafio, com muitos bons trabalhos dos amigos d´além-mar. Achei apenas algumas construções confusas, nada que não possa ser melhorado com uma reescrita atenta – por exemplo: “ a fim de não fazê-lo não desistir da ideia de levá-lo até perto de sua casa…” – a dupla negativa confunde um pouco o entendimento. Também algumas ações, como “Apliquei então uma dose menor na criança, usando a outra seringa” me pareceram curiosas. No geral, não está entre os meus favoritos, mas não deixo de reconhecer o mérito da escrita. Boa sorte!

  8. Luis Guilherme
    7 de novembro de 2017

    Falaa aee, meu amigo, td bão?

    Como estou lendo em ordem de postagem, o seu é o ultimo. Ufa, que odisseia! rsrs

    Passei o desafio todo comentando que amo terror e que estava ansioso pelos contos. Agora, finalmente, li o último, e gostei do que vi até aqui.

    Seu conto se enquadra nesse gostar. É um bom conto, interessante, intenso, agoniante e com uma trama bem construída.

    Pra não chover no molhado, não vou ficar repetindo sobre erros gramaticais e de revisão. Acho que você já deve ter lido bastante a respeito.

    Sobre a trama: é boa.

    Confesso que estava gostando da ideia de ele ser um psicopata sem motivação, e que saber que se tratava de uma vingança tirou um pouco da graça pra mim. Pq? Pq acho o acaso o maior aliado do terror. Quer dizer, quando um psicopata mata ao acaso, você fica com aquela sensação terrível de “poderia ser eu”.

    Porém, no caso da vingança, acaba nao gerando tanto medo (pelo menos pra mim), pois sei que não me encaixo por não ter o perfil da vítima, sabe?

    enfim, apenas minha opinião. Isso não tira o brilho do conto.

    Gostei bastante das cenas finais, sobre a capelinha. Tinha esquecido do título, e foi agradável quando ela apareceu.

    Não entendi, porém, o último parágrafo. Reli algumas vezes, e nao tenho ctza doq
    quis dizer. A criança assassinada “possui” a imagem de Jesus?

    Enfim, um belo trabalho, fechando à altura o desafio.

    Parabéns e boa sorte!

    • Ricardo Mazella
      7 de novembro de 2017

      Muito obrigado pelo comentario. Poxa, quanto a essa frase final lamento nao poder lhe explicar, pois nao faço a menor ideia de onde vc a tirou.

  9. Marco Aurélio Saraiva
    7 de novembro de 2017

    =====TRAMA=====

    Um enredo muito bem criado, com um excelente roteiro. O narrador e também assassino tem uma motivação clara, e que nos faz ter compaixão por ele, substituindo o asco que sentimos inicialmente por vê-lo como um assassino frio.

    Quem era o vilão da história? Gostei do conto por não responder de todo esta pergunta. O narrador é tão vilão quanto o homem do morro, rebaixando-se a ele e tirando também a vida de um inocente, apenas uma criança. Pior, você consegue fazer o leitor ficar confuso em dilemas. Sentimos pena do narrador, e até um pouco de felicidade por ver que ele conseguiu a sua vingança… mas um menino inocente perdeu a sua vida no processo. E agora?

    Você trabalha muito bem esta questão. A psiquê do narrador é explorada de forma profunda, e ele mesmo se faz esta pergunta vez após vez. Tenta redimir a morte do seu filho amado com a morte do seu assassino e também do filho deste, criando, inclusive, uma capela. Mas sabe, no fundo da sua mente, que fez algo de mal; de muito errado. Por isso, pondera se é um monstro. No final, na última frase do conto, ele percebe que a sua vingança foi longe demais quando tirou também a vida daquela criança.

    O conto levanta outras questões como, por exemplo, a validade da vingança. O leitor sabe que o narrador fez algo de muito errado ao buscar vingança com as próprias mãos, e que, ao fim, se rebaixou ao mesmo nível do animal que assassinou o seu filho. No fundo, o conto é sobre o espiral de degradação que um homem pode seguir após perda tão terrível e impunidade tamanha. Mas o conto também deixa no coração do leitor um pequeno sentimento de triunfo ao saber que a vingança foi alcançada, abalando as estruturas da ética.

    Excelente!

    Também gostaria de comentar sobre a sua construção de personagem. Você teve amplo espaço para construir o narrador, e o fez muito bem. Ele é minucioso e astuto. Estas são as suas armas. Sabia que não poderia usar a força bruta, mas poderia valer-se do conhecimento e do fator surpresa. Ele contava minutos, dias e passos. Sabia os momentos corretos e como aproveitá-los. Além disso, você mostrou a sua determinação. Com uma frase curta, deixou claro que ele tornou-se um psicopata: “Separei de minha mulher e passei a fazer de um plano a razão de meu viver”. Ele largou tudo em prol deste objetivo doentio. Esta pequena frase demonstra que a sua busca pela vingança não teria limites.

    Avistei apenas uma possível falha de continuidade: no início do conto ele fala que a morte da criança era um surpresa agradável; inesperada:

    “A criança iria morrer em primeiro, e o pai sentia isso. E essa morte, confesso, seria a cereja no bolo de meus planos. Não fora calculada. Era uma obra do acaso. Um prêmio para o meu trabalho.”

    Mas depois ele diz que já tinha tudo previsto, inclusive a presença da criança:

    “Eu sabia que aquele assassino iria reclamar do juiz, e sabia até que o menino iria pedir um sorvete.”

    Ora, se ele sabia que a criança estaria lá, como não saberia que ela também morreria?

    Enfim, foi uma falha boba e de pouca importância. Um conto excelente!

    =====TÉCNICA=====

    Eu daria nota máxima para a sua técnica não fossem alguns erros de revisão que acabaram saltando aos olhos pela quantidade. Não são terríveis, nem atrapalharam muito a leitura, mas como foram vários, tirarei alguns pontinhos. A frase a seguir é um bom exemplo do que precisa ser melhorado:

    “Pensei que eu sentiria algum medo por ser à primeira vez que matava alguém… Mas qual. Aquilo me deu prazer.”

    Há uma crase que não deveria existir, e esse “mas qual” parece perdido ali, como se faltasse uma palavra.

    Tirando estas pequenas falhinhas de revisão, a sua escrita é excelente. Você usa as pausas nas horas corretas, ditando bem o ritmo da narrativa. Suas descrições são muito boas. Você não se perde em palavras e frases rebuscadas, optando por, ao invés disso, imbuir suas descrições com sentimento. Toda a narrativa tem um certo tom apático, tal qual o narrador, que finalmente atinge seu objetivo, mas que jamais sentirá plena felicidade com isso dada a natureza do seu plano. Suas palavras atingem picos breves de felicidade quando ele a sente (como, por exemplo, ele percebe que conseguiu completar o seu plano, e que tudo deu certo como o fato de não ter chovido), mas logo volta à apatia. Você também soube explorar o lado psicológico do personagem muito bem.

    Parabéns!

  10. Gustavo Araujo
    5 de novembro de 2017

    Creio que este conto seja o mais eficiente no quesito “provocar medo”. Isso porque o terror incutido é real, verdadeiro, e não uma alusão ao sobrenatural. É algo que poderia acontecer a qualquer um de nós – e que infelizmente acontece. Basta ver as notícias sobre violência urbana. Ninguém está livre de encontrar um psicopata ou algo do gênero e é isso que torna a vida em nossas cidades tão assustadora.

    Contudo, a segunda parte minou um pouco essa atmosfera de horror. O protagonista nos apresenta uma justificativa, algo com o que não concordamos necessariamente, mas que serve para compreendermos sua mente doentia. Trata-se de uma vingança dirigida exatamente contra o algoz de seu próprio filho.

    Acredito que se essa explicação não fosse dada, ou que se as vítimas se tratassem de representes da comunidade onde o menino perdera a vida, a história ganharia em termos de arrebatamento, porque aí sim teríamos certeza de que a vingança não teria limites. Associada à loucura, poderia ser direcionada indistintamente, tornando-a ainda mais terrível na medida em que qualquer um poderia ser atingido.

    De todo modo, o conto é muito bom. Claro, está coalhado de erros de gramática, de concordância, de ortografia, denotando a pressa e a urgência na postagem. Contudo, uma vez superado o desafio e com a devida revisão, há de se tornar um texto memorável. Parabéns ao autor.

  11. Rose Hahn
    4 de novembro de 2017

    Sr. Mazela, o seu conto é o último que leio no desafio e fechou com chave de ouro, pois foi o mais aterrorizante de todos, na minha opinião. Só não vai levar um cincão pela falta de revisão, mas tenha certeza que estará bem perto disso. Vc. recriou o médico e o monstro com propriedade, o início do conto já chega chegando, com o monstro se apresentando à sua vítima, e a cena do poço é perturbadora, angustiante, ainda mais com uma criança junto, não se faz isso com uma mãe, seu malvado. Não tenho muito mais o que dizer, o que é um ótimo sinal, parabéns!

  12. Ricardo Mazella
    31 de outubro de 2017

    Não acredito naquele milagre do santinho. Foi anunciado por um tipo que não posso confiar. Ele morreu e não tem como interroga-lo. Sabe, as vezes penso que aquele milagre estava em mim.

  13. Anorkinda Neide
    31 de outubro de 2017

    Buenas, cá estou, meio sem tempo pra comentar, mas vamos lá…
    O conto é muito bom em sua essência… rsrs e todo mundo já te explicou os problemas e vc mesmo deve estar batendo a cabeça na parede por tantos erros, inclusive no enredo, sei q farás uma boa costura neste texto num breve futuro.
    Realmente a cena da morte dos dois no buraco foi tao forte, acho q a mais forte do desafio, pra mim (tá certo q falta eu ler um monte ainda…) mas pq eu acho q será insuperável? Porque eu não conseguia prosseguir a leitura com atenção, pq aquela cena não saía da minha cabeça…
    Mas depois prossegui… o texto foi decaindo, decaindo, revelando a pressa do autor (por isso sei que quando o texto for refeito com tempo e cuidado ficará redondinho!) e vc perdeu totalmente o controle do conto no último parágrafo, ali diz muita coisa, introduz um personagem q morre!! e que traz um milagre, coisa muito importante q deveria ganhar vários parágrafos.
    ao terminar eu fiquei um tempão me perguntando quem era aquele Zé q lambeu sorvete.. rsrs dá pra entender, mas nao consegui assimilar ele ali, no fim de tudo. coitado do Zé..
    E sobre o monstro em que o médico se transformou, penso assim: as circunstâncias ativam um gatilho em cada pessoa… outra pessoa nas mesmas circunstâncias não reagiria daquela maneira (Se tornando um assassino frio e calculista) se não houvesse dentro dela esta natureza encapsulada.
    Enfim, foi uma boa leitura, apesar dos pesares 🙂
    Abração e boa sorte

    • Anorkinda Neide
      31 de outubro de 2017

      ahh não é Zé, é Zezinho, viu como esse personagem não deixou marcas? rsrsrs

      • Ricardo Mazella
        31 de outubro de 2017

        zezinho era um servente. Eu mal o conhecia. Morreu misteriosamente depois de anunciar o tal milagre. Nunca acreditei naquilo. Mas não sei como…ele me faz sofrer até hoje. Talvez por isso tenha errado tanto na escrita quando resolvi confessar meu crime.

    • Ricardo Mazella
      31 de outubro de 2017

      Senhora, sou um homem bom, creia. Mas a senhora nao faz ideia do quanto podemos nos transformar quando estamos diante da cara do medo real.

  14. Lucas Maziero
    30 de outubro de 2017

    De propósito somos levados a pensar que o médico praticou aquele ato (que depois sabemos ser uma vingança) sem nenhum motivo (não que haja qualquer motivo para manietar e assassinar alguém; porém apenas quero analisar o conto do ponto de vista da ficção, e não do ponto de vista da realidade), mas depois se descobre que ele foi movido pela dor da perda do filho, e as vítimas então passam a ser vistas como monstros, e o médico como um vingador da justiça não feita. No entanto ele acaba sendo o verdadeiro monstro. Dá-lhe Dexter Morgan!

    Senti-me afetado (ponto positivo em impactar o leitor) nas cenas de sadismo, senti repulsa. Enquanto as vítimas sofriam no fundo do poço, o médico saboreava pão integral com queijo quente (não se sabe como ele esquentou o queijo) e tomava suco de mamão com laranja. Esse prosaísmo acabou assinalando a cena. Isso é bom.

    Em contrapartida, o conto está mal escrito, e há alguns equívocos como em dizer que pai e filho “trocaram urros” estando com as bocas seladas, e na passagem em que o médico narra tim tim por tim tim como se deu o assalto e assassinato de seu filho Antônio (pois como ele poderia saber tantos detalhes sendo algo que quase ninguém daria com a língua nos dentes sobre o ocorrido?). Falta também concisão nas mesmas passagens sobre o filho.

    Boa tacada ao forjar a própria morte e assim poder desaparecer sem levantar suspeitas. Não digo o mesmo sobre erguer a capelinha bem em cima da superfície fechada do poço, pois me parece uma atitude sem nexo levando em consideração não os seus parafusos a menos, mas a intenção de ser um lugar “puro” para rezar pelo filho. A não ser que se trate da cereja do bolo do sadismo. Mas entendi, se assim não fosse, não teria como construir o final com a imagem do santinho vertento “sorvete” pelos olhos. Isso para mim constitui uma contradição na trama, “forçar” para poder dar certo.

    Enfim, é um conto com uma boa ideia, mas que não foi bem desenvolvido e muito menos revisado. Gostei parcialmente.

    Parabéns!

    • Ricardo Mazella
      31 de outubro de 2017

      Senhor, tu não fazes ideia do quanto de detalhes podemos colher quando se dedica uma vida para investigar. Espero que nunca saiba.
      Aqueles dois animais na cova trocaram urros por estares com as bocas lacradas. Se eu não pudesse lacres, talvez gritassem.
      Lembro que foi bom saborear meu queijo quente…mesmo que frio.
      Almas do outro mundo aparecendo na capela? Não entendeste que estas almas hoje tanto me atormentam? Precisaria eu escrever?

      • Ricardo Mazella
        31 de outubro de 2017

        Não acredito naquele milagre do santinho. Foi anunciado por um tipo que não posso confiar. Ele morreu e não tem como interroga-lo. Sabe, as vezes penso que aquele milagre estava em mim.

    • Ricardo Mazella
      31 de outubro de 2017

      Caro, tu não fazes ideia do quanto de detalhes podemos colher quando se dedica uma vida para investigar. Espero que nunca saiba.
      Aqueles dois animais na cova trocaram urros por estares com as bocas lacradas. Se eu não pudesse lacres, talvez gritassem.
      Lembro que foi bom saborear meu queijo quente…mesmo que frio.
      Almas do outro mundo aparecendo na capela? Não entendeste que estas almas hoje tanto me atormentam? Precisaria eu escrever?

  15. Pedro Teixeira
    30 de outubro de 2017

    A leitura até flui com facilidade, considerando os problemas da revisão. Tem uma trama interessante, com boa construção de personagens, mas a narrativa ficou muito reta, sem emoção, uma sequência de ações que choca mas não cria imersão. Senti falta de mais sensações, de mais dados sobre a ambientação. Acho que se fosse não linear e trabalhasse mais com os eventos da capelinha, com aparições das duas pessoas mortas por ele,por exemplo, poderia trazer mais impacto. Há algumas construções muito boas, outras nem tanto. No geral, é um trabalho interessante, mas que não me cativou.

    • Ricardo Mazella
      31 de outubro de 2017

      Almas do outro mundo aparecendo na capela? Não entendestes o quanto elas me atormentam mesmo sem aparecer? Precisaria eu escrever? Eu os vejo mesmo sem te-los aqui.

  16. Antonio Stegues Batista
    29 de outubro de 2017

    ENREDO: Homem se torna assassino para se vingar da morte do filho. Regular, pois nada é original, novo.

    PERSONAGEM: Protagonista/narrador, personalidade forte, por quento de seus atos.Supõe-se ter uma personalidade vingativa, não ter escrúpulos nem piedade.

    ESCRITA:: Alguns erros de construção. A arte está, não no quê dizer, mas como dizer! Algumas ideias boas, mas logo em seguida, esmorece, perde o vigor. A escrita tem altos e baixos.

    TERROR: Regular, apenas a sensação de desconforto em imaginar o homem e suas maldades.

    • Ricardo Mazella
      31 de outubro de 2017

      Senhor, como eu gostaria que o enredo dessa confissão tivesse a simplicidade que escreveste.

  17. Rafael Soler
    29 de outubro de 2017

    Mais um conto muito bom do desafio!
    Os dois pontos que mais gostei foram: como a história foi narrada de forma não linear e a justificativa do protagonista para cometer os assassinatos. Os tons de cinza do personagem principal fizeram um bem danado para a trama.
    O final, com a capela sobre o lugar onde os corpos foram depositados, deu um toque macabro para o conto que realçou a loucura do protagonista de forma excelente.

    Quanto ao lado negativo da obra, acho que o texto precisa de uma boa revisão. Alguns erros me tiraram da trama.

    Mas, no geral, é um ótimo conto!

    😀

    • Ricardo Mazella
      31 de outubro de 2017

      Senhor, permitam-me confessar: fiz a capela sobre a cova para que jamais descobrissem os corpos. Mas as vezes acho que os corpos me acharam.

  18. Fernando.
    28 de outubro de 2017

    Caramba, que história você me traz! Cá estou eu impressionado com a sua criatividade. Um conto que está muito bem narrado, um terror que vai num crescendo até explodir à beira do poço da vingança e nos fundos dele. Você é um grande contador de história. Conseguiu me prender profundamente dentro do seu relato. Uma história terrível, diga-se de passagem. Que pena que não tenha havido um cuidado maior com a revisão do texto e isto, não que tenha me atrapalhado a leitura, mas me incomodou. Também fiquei um pouco incomodado com a questão social trazida pela sua narrativa, amigo. O filho universitário do médico bem sucedido versus o filho do bandido preto da favela que pagará pela monstruosidade do pai. Mas, de repente, trata-se de algo que somente eu tenha reparado e que nem tenha existido. Bem, enfim, é isto. Parabéns pela sua história tão tremendamente terrível, digo mais uma vez. Terror de primeira, o que significa que cumpriu a que veio dentro do desafio.

    • Ricardo Mazella
      31 de outubro de 2017

      Senhor, creia que não descrimino ninguém. Se disse que o menino era escuro, era porque ele era. Fui um médico competente, e meu sucesso foi fruto do meu trabalho. Amigo, sou um homem bom. E se erros na escrita vieram, creia, foi muito difícil essa confissão.

  19. Fil Felix
    27 de outubro de 2017

    É um conto muito bom, dentro do tema terror acaba se destacando por gerar esse desconforto no leitor. Não chega a aterrorizar ou gerar medo, mas se apoia em cima do sadismo e das descrições de tortura, criando uma imagem forte em nossa cabeça. Uma ferramenta bastante utilizada nas histórias com o intuito de chocar, a lá Jogos Mortais e afins. A escrita rebolou um pouco em alguns momentos, mas de maneira geral foi bem fluida. Dois pontos no conto me incomodaram um pouco, o primeiro quando começa a justificar os motivos do pai. Não sei se foi impressão, mas há um fundo aí de crítica (ou não) social, em relacionar o filho rico, de carro e faculdade, assassinado pelos pretos e pobres da favela. Além da vingança em si, repetindo o que os caras fizeram, incluindo matar a criança que nada tinha a ver, virando um monstro como ele mesmo diz, sinto que não acaba se aprofundando e levantando alguma questão no leitor. Até me surpreendi em ver quem “entendeu” a vingança do pai. Talvez, questão já pessoal, se houvesse uma indagação ou um mergulho na mente do pai, em ele ver o que está fazendo, bambear entre o prazer da vingança e o remorso por fazê-la, tornaria mais rica a história. Não morri, mas já cheguei a passar por uma situação semelhante ao de Antônio, fui todo picotado, levando vários pontos no rosto, acabei me impressionando com a cena.

    • Ricardo Mazella
      31 de outubro de 2017

      Senhor, não tive dúvida ao fazê-lo. E vc não teria também. Sempre achei que essa reação estivesse muito longe de mim. Acredite, para virarmos monstros, basta uma notocia pelo telefone e tudo o que vc eh ou aprendeu, vai pelo ralo. Isso eh aterrorizante. O resto eh brincadeira.

  20. angst447
    27 de outubro de 2017

    T (tema) – O conto está dentro do tema proposto pelo desafio.

    E (estilo) – Estilo claro,sem rebuscamentos. Apenas achei que algumas explicações de repetiram sem necessidade, já que a ideia havia ficado clara. O tipo de trama me fez lembrar do conto Homens de Preto do coleguinha Fabio Baptista.

    R (revisão) – Alguns erros passaram como já esclareceram os colegas. Nada muito grave, só detalhes que podem ser consertados sem dificuldade.

    R (ritmo) – O ritmo da narrativa está muito bom, A leitura flui com facilidade, sem entraves.

    O (óbvio ou não) – A princípio, não entendemos o porquê da crueldade do médico, mas aos poucos, isso é esclarecido e mudamos de lado. Claro que a morte da criança comove, pois não tem culpa do crime do pai.

    R (restou) – A certeza de que o autor é muito hábil com as palavras e sabe construir uma linha narrativa capaz de prender o interesse do leitor. Gostei!

    Boa sorte!

    • Ricardo Mazella
      31 de outubro de 2017

      Senhor, não quis meter medo. Com essa confissão, quis mostrar que os monstro da vida real estão a solta…e até dentro de nos mesmos.

  21. Lolita
    27 de outubro de 2017

    A história – Que dor, autor. Um pai ferido, devolvendo a dor para outro pai. O amor que nos faz monstros.

    A escrita – Excelente, fluida. Sem erros e a construção do pai é excelente: é perturbador torcer por um assassino.

    A impressão – O pior dos terrores para os pais. Meus parabéns pelo excelente conto e boa sorte no desafio.

    • Ricardo Mazella
      31 de outubro de 2017

      Que dor, senhora! Que dor! Dor que não passa e que me faz ver fantasmas o tempo todo. Queria estar certo que o servente insano inventou o choro do menino Jesus. Queria saber se Deus entendeu a minha monstruosidade.

  22. Luiz Henrique
    26 de outubro de 2017

    Um grande argumento, cujo domínio do autor, muito firme, chega impressionar pela naturalidade da descrição, dando, inclusive, uma sensação verossímil. Parecendo que o autor tenha vivenciado os fatos. Seja o verdadeiro dono da história. O enredo com um desenvolvimento super ágil e intenso. haverá quem diga que este tipo de trama não corresponda ao tema terror. Que o digam. Terror pior que esse não há. Não fossem certos problemas gramaticais e teria nota máxima, com certeza.

    • Ricardo Mazella
      31 de outubro de 2017

      Senhor. Tu me acolheste. Tu não fazes ideia do que existe dentro de cada um de nós. Prometo compreender-lhe um dia, se vier a tona o mostro que dentro de ti se abriga.

  23. Fheluany Nogueira
    26 de outubro de 2017

    Enredo e criatividade – A história de um justiceiro — o médico, que deveria salvar vidas, de forma fria e cruel, vinga a morte do filho (pareceu-me que foi morto em um desafio, um ritual, um jogo perverso). A narrativa foi bem construída, o desenvolvimento não linear criou suspense e a construção da capelinha sobre a cova feita pelo protagonista foi uma forte ironia. Vi a cena do sorvete e do rosto do menino que se transfigurava com um sentimento de culpa que se estabelecia no matador. Não entendi o porquê da morte do homem ao lamber o creme, desnecessária.

    Terror e emoção – O terror da realidade, da perversidade humana é o mais assustador e aqui aparece em dose dupla: o fortuito assassinato de Antônio e a vingança posterior.

    Escrita e revisão – O texto apresenta muitos deslizes que pedem uma revisão atenta.

    Parabéns pela participação. Abraços.

    • Ricardo Mazella
      31 de outubro de 2017

      Senhora, a morte do servente simplesmente aconteceu. Eu pouco o conhecia. Mas quisera eu não ter ocorrido. Eu iria saber da veracidade desse milagre. Agora essa dúvida me atormenta. Fantasmas adentram aquela capelinha e me fazem sofrer o tempo todo.

  24. Vanessa Honorato
    26 de outubro de 2017

    “Antonio foi mesmo abordado por quatro menores e um adulto (…) vendo que o brinquedo das crianças não teria mais conserto” – Um desses menores seria o menino, filho do bandido? Será que ele se vingará dos outros assassinos? Sim, porque não é pelo fato de serem menores que não agiram com malícia.
    Não se corrige um erro com outro. Apesar do motivo, o personagem se transformou em um monstro, uma pena… O maior terror é como o personagem é frio, age com calma e tranquilidade, macabro!
    Só não entendi muito bem essa da Capelinha, pra mim ela ficou sobrando, rsrsrs; acho que não peguei o espírito da coisa.
    Conto muito bom.

    • Ricardo Mazella
      31 de outubro de 2017

      Senhora, não se corrige um erro com outro. Eu também pensava assim. Como a senhora, eu também na fui um homem bom e justo. Essa capelinha, que a não sentes motivo para existir, me atormenta em todos os meus dias.

  25. iolandinhapinheiro
    25 de outubro de 2017

    Querido autor, rompi a sequência de leituras em ordem de envio para vir aqui, porque ouvi falar muito bem do seu conto. E concordo com as pessoas. Conto muito bom. A gente começa o conto com raiva do cara, como assim, matar um pai e uma criança? Cheguei a pensar, no começo, que ele ia deixar o menininho em algum lugar e só iria matar o pai, mas aí eu entendi tudo. A gente não pensa nisso, mas bandido também tem família. Filho, esposa, casa, e ainda tem time, vai ao estádio. À medida que o conto se desenrolava iam aparecendo os motivos do narrador. E que motivos. Tenho apenas um filho e estou sempre apreensiva quanto à segurança dele. Não sou uma criatura violenta mas não sei o que faria se tivesse em minhas mãos o assassino do meu bebê. Depois que soube o que fizeram com Antonio, deixei de sentir pena do homem com o menino. Só achei que o cara deveria saber o motivo de sua desgraça. Morreu sem entender porque morria. Pode me chamar de sádica, mas morrer com a culpa lhe corroendo seria mais eficiente.

    Não sou de ligar para miudezas gramaticais se elas não atrapalharem o entendimento do conto, então, para mim, o seu está perfeito. Parabéns, amigo, escreva muito mais porque vc é bom.

    Abraços,

    Iolanda.

    • Anorkinda Neide
      30 de outubro de 2017

      Iolandinha
      eu entendi que o medico/assassino contou sim, para a vítima/bandido os motivos, ele narra toda a historia de Antonio para o cara q tá na cova, assim entendi.. to precisando fazer uma releitura, mas acho q é isso, sim.. rsrs

      • iolandinhapinheiro
        30 de outubro de 2017

        Acho que vc está certa. Deixei escapar este detalhe durante a leitura. Beijos, Kinda.

    • Ricardo Mazella
      31 de outubro de 2017

      Sim, minha cara. Tenha sua vida dentro da linha do carater e da decência. Mas esteja prevenida pois tudo poderá mudar. Tenha medo dos monstros incontroláveis que existem dentro de cada um de nós. O meu veio a tona e hoje me domina e me aterroriza. Um acontecimento como esse que relatei pode acontecer facilmente com cada um de nós. Vc está esta certa em manter-se com medo.

      • iolandinhapinheiro
        31 de outubro de 2017

        Nossa! Medo! Não venha com essa conversa ou eu diminuo sua nota, hein? Entrou no personagem foi? Hahaha. Gostei.

  26. Leo Jardim
    25 de outubro de 2017

    # A capelinha para Santo Antônio (Ricardo Mazela)

    Autor(a), desculpe-me por não ter tempo para formatar o comentário melhor. Em caso de dúvida, é só perguntar.

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫):

    – trama inventiva e bem formatada, primeiro mostra o assassinato cruel de, à princípio, um homem comum e uma criança e, depois, explica oq o levou àquilo
    – o último trecho, a parte do Zezinho, ficou sobrando, não causou o efeito desejado e mais parece um apêndice na trama
    – o menino morreu de quê? Se foi de fome, precisava de mais uns dias. Se foi de dor, não ficou claro.

    📝 Técnica (⭐⭐▫▫▫):

    – Treinador de merda! (não é um grito comum… eu colocaria algo como “seu merda – gritou criticando o treinador” ou algo assim)
    – O *fiz* com a intenção de conhecer melhor a minha vítima (…) *Fiz* comentários altos (repetição próxima)
    – pontuação do diálogo
    – a fim de *não* fazê-lo *não* desistir da ideia (sobrou um “não”)
    – diálogo meio sem nexo de dois *serem* (seres?) trocando urros
    – por ser *à* (a) primeira vez que matava alguém
    – Ajudei *à* (a) muitos
    – Num instinto *vírgula* ele levantou os braços
    – Por (um) ano *vírgula* fiquei na comunidade
    – No colo do santo *vírgula* o menino Jesus parecia sofrer
    – Conseguia ver *vírgula* na imagem daquela inocente criança *vírgulas* o meu Antonio quando bebe, em meu colo
    – Zezinho morreu logo depois de ter limpado os olhos do santinho e não *pode* (pôde ou pude?), com isso *vírgula* confirmar a historia

    🎯 Tema (⭐▫):

    – não é um conto de terror, pois não chegamos a temer pela vida de ninguém. É, porém, um conto de vingança com alguns elementos de terror

    💡 Criatividade (⭐⭐▫):

    – muitos clichês, mas inventivo

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫):

    – a história bem montada agradou: ver atrocidades de um homem cruel e depois entender seus objetivos ficou legal
    – a parte da capela ficou longa, poderia ter encerrado com o assassino rezando nela e ponto
    – estendendo demais o fim, acabou reduzindo o impacto
    – no fim, o impacto do texto estava nos assassinatos. Poderia ter encerrado após terminar de jogar a terra, citando em um parágrafo curto que tinha construído uma capela naquele local

    OBS.: sobre pontuação no diálogo, sugiro essa leitura: http://www.recantodasletras.com.br/artigos/5330279

  27. Evelyn Postali
    25 de outubro de 2017

    Caro(a) Autor(a),
    Esse é o segundo conto que leio e, no final, queria ter ‘deslido’, ou não ter construído imagem alguma em minha mente. Isso não é ruim. Eu creio que o terror mais medonho é aquele que vem do homem e não do sobrenatural. Porque o ser humano pode ser muito cruel. Contudo, é possível entender – não digo, aceitar – os motivos de tudo ter acontecido. Enfim… É um conto muito bom. Tem erros de escrita. A leitura travou um pouco. Precisa de uma revisão. Boa sorte no desafio.

  28. Jorge Santos
    24 de outubro de 2017

    Olá autor.
    O seu conto é desconfortante. Narra a transformação de um homem num monstro. A actualidade do mundo violento em que vivemos está ali espelhada, de uma forma crua. Este conto irá ferir, decerto, a sensibilidade de muita gente. O ritmo é adequado, mas o conto peca por diversos erros de linguagem. Talvez a pressa tenha feito o autor menosprezar a revisão, mas esta é sempre necessária.

    • Ricardo Mazella
      31 de outubro de 2017

      Sim, amigo. A pressa (muita) e o peso da confissão tiraram-me a precisão da escrita.

  29. Eduardo Selga
    23 de outubro de 2017

    É um conto muito bem narrado, porém mal escrito. Vamos ao primeiro aspecto:

    Assim como alguns contos postados nesse Desafio, “A capelinha para Santo Antônio” não se contenta apenas com uma camada narrativa e trabalha com elementos que têm força enquanto símbolos. Repete o exemplo de “Nossos próprios deuses”, “O livro de Jonas”, “Felidae”, dentre vários outros. Ou seja, há coisas que rompem o campo denotativo e significam mais que elas mesmas. Por exemplo, e principalmente, o Menino Jesus. No conto, esse componente da imagem sacra, pertencente à iconografia católica, é a representação de dois meninos mortos, sem invalidar a representação clássica: o do torcedor e do filho do narrador-personagem, sendo que, neste último uso o termo “menino” não no sentido literal de “criança do sexo masculino” e sim no sentido afetivo de “filho querido”.

    Uma passagem que demonstra essa simbologia é “No colo do santo o menino Jesus parecia sofrer”. Se pegarmos a imagem de Santo Antônio de Pádua, a criança não demonstra sofrimento, então o que temos é a percepção do narrador-personagem, afetada pelo duplo homicídio e pela eterna dor da perda do seu filho. Na verdade, o suposto sofrimento do menino da imagem é a projeção do sofrimento dele, pai. É uma trindade de sofrimento na imagem do Menino Jesus: o pai, seu filho e o filho do outro pai. Nesse sentido, o desfecho merece atenção.

    “O maluquinho disse que provou e jurou ser sorvete. Zezinho morreu logo depois de ter limpado os olhos do santinho e não pode, com isso confirmar a historia. Apenas gritou e anunciou o milagre. Todos riram do insano. Mas a partir daquela noite, uma outra criança tomaria o rosto do menino Jesus”.

    A percepção do pai ganha materialidade no sorvete (o menino negro, assassinado), e quando ele diz “Mas a partir daquela noite, uma outra criança tomaria o rosto do menino Jesus”, fica-me uma pergunta inquietante: que outra criança seria essa, o filho do narrador-personagem ou ele próprio? Levanto a segunda possibilidade porque o desejo de vingança no nível apresentado pelo protagonista ou é uma patologia ou é uma infantilidade (quem tem ou já teve filhos sabe o quanto eles podem ser vingativos), o que, num adulto, também pode ser patologia.

    A frieza do protagonista é outro ponto alto do conto. O(a) autor(a) conseguiu emprestar ao seu narrador-personagem um caráter quase inumano. Só não o é porque a extrema crueldade é característica humana, bem como a grande capacidade de amar. Podemos ver essa frieza em “Joguei o menino no chão e quebrei suas perninhas com quem quebra os ossinhos de um galeto”, e a inumanidade em “Feito o montinho levei-o ao buraco e o segurei pelo braço”, em que a criança deixa de sê-la a passar a ser identificada como “montinho”.

    A voz narradora nos surpreende. O trecho “Meu filho tinha um bom coração. Se pudesse aplaudia os covardes também. Se de mim lembrou enquanto se deixava surrar, não sei. Calculo que sim. Desejava saber por que faziam aquilo” está inserido num parágrafo em que o narrador parece estar numa distante e impessoal terceira pessoa. O choque causado pela súbita aproximação do narrador da coisa narrada é muito interessante.

    Vamos ao segundo aspecto.

    Há uma série de problemas gramaticais que comprometem a inteireza do texto, citarei apenas alguns.

    Em “O fiz com a intenção de conhecer” e “O via crescido […]” há pronome obliquo iniciando oração.

    Em “Cheguei duas horas e meia depois de encerrado o jogo que assistimos” o correto seria A QUE assistimos.

    O trecho “[…] diálogo meio sem nexo de dois serem trocando urros” não faz sentido. Talvez seja SERES ao invés de SEREM.

    O trecho “A criança iria morrer em primeiro […]” parece estar incompleto, pois MORRER EM PRIMEIRO não faz sentido.

    Em “Ajudei à muitos […]” não há sinal indicativo de CRASE; em “Voltei somente na semana seguinte aquele local” o correto seria ÀQUELE.

    • Ricardo Mazella
      31 de outubro de 2017

      Sim, amigo. A pressa (muita) e o peso da confissão tiraram-me a precisão da escrita. Agradeço por entenderes minhas emoções dentro dessa confissão. Torço para que vc possa se manter bom para o resto de sua vida. Vc entendeu minhas maldades…porem creia…nao são minhas. Ela eh fruto daquilo que me transformei. Foi difícil dizer isso no último dia, no ultimo minuto do desafio. Perdão pelo português errado. Mas fico feliz pois minha aflição o atingiu. Senti-me acolhido.

  30. werneck2017
    23 de outubro de 2017

    Olá,
    Eu, pessoalmente, acho que esse tipo de terror tão palpável, tão possível de acontecer com qualquer um, é o que mais aflige. Terror de primeira. Sadismo também. Um conto que traz uma narrativa enxuta, equilibrada, transformando a crueldade dos homens (volto a dizer, tão fácil de ser empreendida por qualquer humano em tempos correntes) e a vingança em premissa.
    Os erros de gramática e ortografia já foram apontados pelos colegas, então não tornarei a mencionar.
    Narrativa fluente, sem adjetivos em exagero, enxuto. Parabéns. Boa sorte no desafio

  31. Paula Giannini
    23 de outubro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Seu conto é o último que li. E foi o primeiro no qual precisei parar para retomar a leitura mais tarde. Talvez você tenha me surpreendido em um dia mais sensível, talvez (e é) o conto seja de fato bem forte.

    Você escolheu uma premissa muito real (de fato a vida é bem mais apavorante que a ficção ou o sobrenatural) e, mais que isso, tratou o assunto sem a menor intenção de maniqueísmo. O protagonista é um bom homem, ou melhor, um homem civilizado, até o momento em que alguém o fere naquilo que lhe há de mais caro. A própria família, ou, ainda pior, o próprio filho. Perder um filho é algo inimaginável para quem é pai ou mãe, e a reflexão que o autor faz é: até onde alguém ferido profundamente pode chegar. Existe de fato uma natureza dúbia no ser humano. Todos somos bons e maus, uns mais (muito mais), outros menos. O conto é forte. A premissa ainda mais.

    A violência impressa no texto também é alta. A longa cena de assassinato é terrível e agoniante. Ela conduz o leitor por um caminho que, se foi pensado, demonstra um imenso talento de contador(a) de histórias do(a) autor(a). No início sentimos ódio do protagonista, depois, quando seus motivos nos são revelados, sentimos pena para, em seguida, ficar uma sensação de perplexidade.

    É importante notar aqui o que ocorre no final do texto. A interpretação a seguir é minha como leitora. Talvez correta, talvez não. Mas, ainda assim, é a interpretação de um(a) de seus leitores; Eu. 😉

    Para mim, ao chorar sorvete e passar a ter o rosto da criança assassinada, o texto sugere, com grande sutileza algo novo na vida daquele médico. Assim como o leitor, o protagonista percorre todo o caminho da catarse. Ele sente ódio, depois sente o terrível gosto de sua vingança para, dentro da capela sentir, finalmente, culpa. Culpa. Nao pelo adulto, mas pela criança que, como seu filho, merecia uma chance de vida. Assim, o texto, além de nos aterrorizar, horrorizando durante toda a narrativa, ainda promete um terror maior para além do que está escrito, para além da vida desse pai. A partir dali a culpa andará com ele, pelo resto de seus dias e de mãos dadas com a saudade que sente do filho.

    Sobre a revisão, direi o que já ouvi por aqui e o que repito sempre, para todos os participantes que incorrem nesse erro. Gramática se aprende, se aperfeiçoa, se revisa, mas o talento para contar uma boa história é algo raro. E você o tem.

    Parabéns.

    Desejo-lhe sorte no desafio.

    E continue conosco.

    Beijos
    Paula Giannini

    • Ricardo Mazella
      23 de outubro de 2017

      Paula. seu comentario me emocionou profundamente pelo seu alcance de entendimento do texto… e não pode ter gostado simplesmente.Digo que escrevi esse conto por 5hs ininterruptas no derradeiro dia do desafio. Consegui fazer apenas uma correcao superficial com o Word e enviei três minutos depois da meia noite.O mediador, generosamente, conseguiu po-lo no concurso. Entretanto tem me incomodado muito essa quantidade de erros que acabaram passando. Penso muito, ate aqui, se vale continuar…Mas em respeito ao seu texto e a ótima mediação do Gustavo, vou continuar e dar a cara a tapa. Muito obrigado por sua sensibilidade.

      • Paula Giannini
        1 de novembro de 2017

        Olá, querido! Mesmo revisando, sempre deixo passar erros e mais erros. O importante é escrever sempre e continuar por aqui. Aprendemos muito uns com os outros.
        Parabéns pela coragem.
        Beijos
        Paula Giannini

  32. Andre Brizola
    23 de outubro de 2017

    Salve, Ricardo!

    A fim de analisar seu conto com mais propriedade, passei a encará-lo como uma história em três atos, sendo o primeiro o sequestro, o segundo o flashback, e o terceiro a conclusão, com a edificação da capela. O enredo, embora longe de ser original, consegue amarrar os três atos de forma bastante satisfatória, de modo que a leitura fica muito ágil e prazerosa (embora o tema seja asqueroso).
    Fiquei bastante satisfeito com as descrições minuciosas de algumas cenas, pois elas acentuaram o clima cruel que permeia todo o texto. Penso que isso faça com que o horror seja predominante, mas há terror, sem dúvida alguma.
    Faltou um pouco de revisão. Normalmente não me incomodo, mas aqui os ruídos foram se acumulando. São coisas pequenas e fáceis de corrigir (e os colegas já apontaram as principais nos comentários anteriores). Mas, com ou sem erros de gramática, no final, o que importa pra mim é ter a sensação de ter encarado um bom enredo com as características do gênero objeto do desafio. E acho que o conto apresentou tudo.
    Pra finalizar tenho que dizer que gostaria que o terceiro ato tivesse um papel um pouco maior para a trama, pois é a ideia mais interessante do conto.

    É isso! Boa sorte no desafio!

  33. Ana Maria Monteiro
    20 de outubro de 2017

    Olá, Ricardo. Gostei muito da sua história, onde os vilões são também humanos. Levou ao limite a dualidade intrínseca a ser-se pessoa, habitado pelo bem e pelo mal.
    O conto, muito bem narrado e conduzido, possui todos os elementos duma boa história de terror.
    Então, você é um contador de histórias. Falta aprender muito, treinar muito.
    Felizmente que outros, antes de mim, já apontaram quase tudo o que haveria a apontar.
    Mas, para ficar bem, enquanto história publicável, por assim dizer, teria que ser reescrita parágrafo por parágrafo.
    É o que menos conta para quem escreve há pouco tempo, porque o que faz falta a um autor é essa capacidade de imaginar e dar vida a histórias e personagens.
    Você conseguiu esse feito extraordinário de levar a que um leitor, se solidarize com os personagens e, simultaneamente, os deteste. Conseguiu que se deseje o melhor e o pior, que se pense “Ainda bem que isto é só uma história”.
    Muito para andar, é certo, mas só aprendizagem e treino. A terra é de qualidade e fértil. Continue.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

    • Ricardo Mazella
      21 de outubro de 2017

      Sra. Ana. É uma honra receber seu comentario. Escrevi esse conto em 5 horas ininterruptas no último dia do desafio, de 7hs a meia noite. Deu tempo de fazer uma correcao pelo Word e só. Após envia-lo o li publicado 3 minutos depois…e me senti constrangido pela quantidade de erros gramaticais e alguns vicios na condição de algumas frases. Sou grato a muitos aqui que os apontaram e me deram sugestões…e gratos a outros que não gostaram do texto e foram sinceros. O que discordo é ter lido que meu conto não se adequa a tematica do desafio. Penso ter escrito um conto sobre medo e o quanto uma pessoa do bem pode se transformar em mau num piscar de olhos. O que lhe mete medo Sra Ana? Pois não me atrai os monstros e espíritos impalpáveis e quase infantis. Não me atrai o medo pelo suspense em si…Mas o medo que mete medo e não precisa de artifícios. Medo que tira o sono sem precisar de cara feia. Medo que está diante de mim…e que pode me fazer virar uma alma terrível ou acabar com a minha vida com um telefonema. Medo real. Essa sutileza me atrai, me abominae e me fez tentar transcreve-la…mesmo que no último dia, no ultimo minuto. Muito obrigado a Sra e a todos que opinaram até então.

  34. Olisomar Pires
    19 de outubro de 2017

    Impacto sobre o eu-leitor: médio.

    Narrativa/enredo: sujeito se vinga pela morte do filho ao assassinar um dos responsáveis e seu filho. Usa requintes de crueldade.

    Escrita: razoável. Há alguns pequenos deslizes, mas que podem ser facilmente revisados.

    Construção:O texto inteiro se prende ao crime premeditado. Entendo que os toques de tortura não substituem o que seria considerado “terror” nos moldes que se espera, ou pelo meno eu espero, nesse desafio.

    O conto traz algo como horror contra a crueldade, principalmente no caso da criança, mas em momento algum chega sequer a sugerir medo ou angústia ou a expectativa do desconhecido.

    Lamento, é um texto bom, mas não se adaptou ao tema no meu ponto de vista, talvez no finalzinho, mas o garoto também morreu, assassinado ao que consta, vítima já da loucura do sujeito o que volta o conto para a realidade da mente adoecida do protagonista.

    • Ricardo Mazella
      31 de outubro de 2017

      Que tipo de terror esperas? Eu também já tive medo de vampiros, maldições e rituais. Hoje tenho medo das pessoas boas.

  35. mariasantino1
    18 de outubro de 2017

    Olá, Bom Dia!

    Então, autor(a), houve muitos problemas aí com a acentuação de palavras e erros de digitação (ri da palavra “coverdes” no lugar de “covardes” — ri mas sei que foi errado ).
    Ó, se me permite a intromissão, o desfecho do seu texto é muito mais interessante que o conto em si e, acredito que para o tema terror, você poderia ter usado ele como base e espalhar essa aura misteriosa, ao invés de falar sobre vingança de um crime.
    Bem, o texto começa já deixando claro o que vai acontecer e o leitor fica na expectativa da morte (essa frase soou estranha, né?). Você emprega cinismo para repassar a persona do algoz, porém, a meu, ver isso deixou o texto sem muita emoção ( limpa,corta, cozinha…). A explicação dos motivos que levaram o médico a matar também está sem sabor, porque você mastigou bastante, talvez porque ficou com medo de ser mal interpretado (a) e acusado (a) de romantizar o assassínio, não sei. Só sei que ficou explicadinho demais (olha, ele só fez isso,porque fizeram isso a ele).
    Enfim, um conto sobre pessoas que morrem em uma capela é mais original que um médico que mata alguém por vingança. Sentimentos e metáforas aproximam a pessoa leitora da narrativa e fixam melhor os acontecimentos, personagens e cenários.

    Parabéns e boa sorte!

  36. Miquéias Dell'Orti
    15 de outubro de 2017

    Olá Autor(a),

    Gostei do ponto de vista da narrativa e de como a história foi conduzida, como a descoberta do assassinato de Antonio pelo homem jogado no buraco. Foi uma surpresa e tanto. Ver a morte do assassino do próprio filho e do filho desse assassino, assim, lentamente, e ainda comendo uns petiscos pra se entreter, é de uma crueldade tamanha, totalmente dentro da pegada terror proposta pelo desafio.

    Apesar do risco, por ser um tema recorrente, não achei a história clichê, acho que muito por conta da ambientação, do jogo de futebol principalmente, cenário pouco comum para narrativas como essa.
    “Vou pro morro, irmão” .. aqui fiquei na dúvida por que desde o início, eu via a história acontecendo no Rio, mas essa gíria “irmão” é bastante comum aqui em São Paulo.

    Só o final não me cativou. Fiquei esperando algo mais surpreendente, o fato da imagem “chorar?” sorvete… sei lá… como leitor, não me convenceu 😦

    Além disso, alguns pontos que precisam ser revisados acabaram atrapalhando um pouco a fluidez da narrativa, cito abaixo alguns que percebi:

    “A fim de não fazê-lo não desistir.” – A fim de não fazê-lo desistir, tem um não a mais aí

    “Pediu para o filho ficar queito atrás dele.” – “quieto”

    “Quebrei suas perninhas com quem…” – “…como quem…

    “O pai deu mais trabalho. Eu não era mais criança e não tão forte para fazer tudo sozinho com tranquilidade.” – Eu não entendi mito bem essa passagem. Se ele não era mais criança, não deveria ser mais forte então? Ou na verdade você queria se referir ao pai?

    “Ao joga-lo no chão, quebrei também seus dois pulsos.” – Ele havia quebrado as pernas do garoto antes e não os braços, então acho que esse “também” ficou deslocado.

    “Quanto tempo demoraria um adulto e uma criança para morreram numa situação daquelas.” – “morrerem”

    Acho que é isso.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  37. Angelo Rodrigues
    15 de outubro de 2017

    Caro Ricardo Mazela,

    conto interessante, tem bom ritmo e a condução da história está muito bem encaminhada. Há diversos momentos onde o texto precisa ser revisto, mas nada que me dificultasse a compreensão.
    A vingança do pai constituiu-se uma trama bem urdida, bem arrumada. Surpreendeu-me a construção da capela sobre os corpos do menino e do pai agressor. Normalmente, igrejas se erguem sobre o “bem”, nunca sobre o “mal”, naquele momento representado pelo casal. Mas, pareceu-me uma questão de escolha. Respeito isso.
    Não sei se é realmente uma história de terror, tenho dúvidas se não é uma boa história sobre crimes e vinganças. Ver o drama de Antônio, da criança e do pai agressor, não me causou terror, mas repulsa, particularmente porque sabemos como isso se dá de fato aqui entre nós. Não é terror, mas algo quase quotidiano.
    Veja, a história é boa, não a desmereço em momento algum ao dizer isso.
    Abaixo, alguns colegas comentaram sobre o texto (redação) e acho que não preciso mais fazê-lo, salvo pela lembrança de que o termo “bolinar” traz como significado “esfregar (-se) com propósitos sexuais”, nada além disso, e nunca no sentido de cutucar o outro.

    Boa sorte, Ricardo, e obrigado por nos deixar conhecer seu conto.

  38. Paulo Luís
    15 de outubro de 2017

    Um conto horripilante de bom. De uma narrativa brilhante. O enredo excepcional, e a escrita mais que fluída, corrente, ligeira. Não fosse tantos erros de gramática seria nota máxima, não tenhas dúvidas. Embora neste caso, em virtude da qualidade da criação, dos males esse é o menor. Muitos alegarão que seu conto não é de terror, porque não assusta. Ora!, mas se isso não é terror eu não sei o que mais será terror na terra dos homens.

  39. Ricardo Gnecco Falco
    15 de outubro de 2017

    Olá! Segue abaixo o resultado da Leitura Crítica feita por mim em seu texto, com o genuíno intuito de contribuir com sua caminhada neste árduo, porém prazeroso, mundo da escrita:

    Gramática (1,5 pts) –> Sim, escrever é a arte de cortar palavras… Mas sem se esquecer de cuidar das que foram poupadas! Ou seja, uma boa e atenciosa revisão é FUNDAMENTAL — e não apenas para este quesito — em um texto, ainda mais em um trabalho que estará concorrendo com o de outros escritores… Então vamos lá!
    Faltou um travessão já no primeiro diálogo/frase, para expressar o final da fala da personagem e o reinício da ‘fala’ do narrador (mesmo quando o narrador é um deles), ex: “– Treinador de merda! (–) Gritou o homem que eu iria matar em minutos.”; faltou acento em “critica”, que vira verbo ao invés de ‘crítica’; aqui “…a fim de não fazê-lo não desistir da ideia…” duas negativas se tornam uma afirmativa (como na matemática) e, ao final, você acabou dizendo o oposto do que queria ter dito; aqui “A noite estava nublada, mas sem apresentar perigo de chuvas. Estava tudo muito deserto, também pudera, as horas estavam adiantadas para aquele canto do Estado…” podemos notar 3 vezes a palavra ou variação “estava/m”, deixando o texto um pouco pobre. Substituir pelo verbo ter ou haver dá uma melhorada nisso. Aqui “dois serem (seres?) trocando urros” tem que consertar tb; aqui “A criança iria morrer em primeiro, e o…” esse ‘em’ parece sobrar; aqui “Por que, passavam pessoas por ali e nada faziam?” é a vírgula a sobrar; “Monstros o apresentava.” tb precisa ser mexido; “e arranquei o (que) queria.”, idem; aqui tb “…São coverdes como eu”; faltou vírgula aqui tb “Como Deus(,) eu lhes tirei o…”; e aqui, pra não deixar ninguém bêbado, é bom colocar um acento circunflexo no bebê “…o meu Antonio quando bebe, em meu colo…”.

    Criatividade (2 pts) –> Este é, sem a menor sombra de dúvida, o quesito MAIS IMPORTANTE (e consequentemente possuidor do maior peso em sua nota final) de todos… Eu achei bem criativa a história, principalmente pela forma em que os personagens vão sendo apresentados ao leitor. Primeiro vemos um monstro assassino. Depois, entendemos que o monstro verdadeiro é o adulto que foi raptado, assassino do filho de seu sequestrador. Então somos apresentados ao filho e sua história fatídica. E, por último, surge um “castigo” divino, na aparição de um miraculoso choro de sorvete. Por estas viradas na trama, o conto ficou bem bacana e bastante criativo. Parabéns!

    Adequação ao tema “Terror” (0,5 pt) –> Como estamos em um Desafio TEMÁTICO, não tem como avaliar sua obra sem levar em consideração este “pequeno” detalhe, rs! Assim sendo, mesmo eu o tendo valorizado apenas com meio ponto, ao final do somatório isso poderá representar a presença (ou não) de seu trabalho lá no pódio e, caso você seja uma pessoa competitiva… Porém, no caso aqui existe sim um terror. Não aquele classicão, mas temos monstros humanos(?) e, até mesmo, monstruosidades capazes de causarem uma resposta divina, na imagem de um milagre; meio dúbio, mas um milagre. Faltou só ter contado a história do ferreiro, para sabermos porque ele morreu assim. Talvez pela gula… Rs!

    Emoção (1 pt) –> Beleza! Imaginemos que você escreveu tudo certinho… Sem erros de pontuação, acentuação, troca de caracteres, conjugação, sentido… Teve uma belezura de ideia para a sua história; inovadora, inédita, daquelas que só vislumbramos em nossas mentes uma vez na vida… Tudo dentro do tema proposto pelo Desafio e tal… Pronto! É pódio na certa, correto? Bem… Não se eu DORMIR durante a leitura do seu conto! Ou preferir parar novamente de ler o seu texto para, após já ter agendado a consulta anual com o proctologista, decidir marcar a extração daquele dente sobrando lá atrás da boca… O que, definitivamente, NÃO FOI O CASO aqui. 😉 Parabéns novamente!

    Enredo –> Se você for bom em Matemática (como, aliás, todo escritor de ficção gostaria de ser…), vai ter reparado que a soma dos pontos totais dos quesitos prévios já atingiu o limite de pontos da nota máxima a ser atribuída aos trabalhos do presente Desafio (5,0), conforme as regras estipuladas pelo nosso Anfitrião aqui no EntreContos! Portanto, como já levei em conta o Enredo da história ao avaliar (e notificar) a Criatividade da sua obra, este quesito aqui será utilizado apenas para demonstrar que eu, enquanto avaliador, li realmente o seu texto… Sua história conta sobre o sequestro de um assassino e seu filho, executado (o sequestro) pelo pai de outro filho, morto pelo sequestrado anteriormente, de forma cruel e, portanto, com a mesma crueza acaba morrendo, junto de seu filho. Tanta crueza que até um milagre divino ocorre ao final da história, como uma lembrança de “contas a pagar” deixada pelo Todo Poderoso para o pai que se transformou em um monstro e matou, sem arrependimento, um inocente como também era seu filho…

    Boa sorte no Desafio! 🙂

  40. Regina Ruth Rincon Caires
    14 de outubro de 2017

    Excepcional! Quanta crueldade, quando sadismo, meu Deus! E que desconforto esta leitura me causou, misericórdia…

    Mais uma vez, um conto que narra, de início, a parte final da história. Técnica aprimorada, que exige muita concentração, muita competência. Muitos deslizes na linguagem, crases indevidas, pontuação falha, o texto merece uma severa correção. Mas o autor possui enorme intimidade com a arte de narrar, de contar, conhece profundamente a boa construção de um enredo para o texto. Particularmente, gostei desta frase: “… riu com a boca incompleta…”. Para mim, é um conto, consertados os erros de escrita, que agrupa todos os elementos de um texto campeão para este desafio.

    Parabéns, Ricardo Mazela!

    Boa sorte!

  41. Edinaldo Garcia
    14 de outubro de 2017

    Escrita: Percebo que você tem boas ideias, mas precisa amadurecer e está no caminho certo. Não desista e nunca ache que sabe demais. Leia e escreva bastante.

    Terror: Gostei muito da primeira cena, da descrição do psicopata matando o pai e o filho. Depois descobrimos tratar-se de uma vingança. Pra mim a partir da segunda cena o texto perde um pouco do terror inicial. Não que tenha ficado ruim, não é isso. O final ficou excelente. O enredo deu uma oscilada, mas no geral é uma estória de terror. Me questiono o porquê do protagonista ter limitado sua vingança apenas ao adulto, os outros menores de idade também poderiam ter sofrido, né?

    Nível de interesse durante a leitura: Me senti dentro do que o autor se propôs, apesar de ter achado um trecho repetitivo e isso me incomodou um pouco.

    Língua Portuguesa: O texto precisa de muita revisão. Comecei tomando nota de tudo e no meio me arrependi e quis parar, mas não parei, só temo que deixei passar algumas coisas por não ter me preocupado com detalhes a partir da metade. Você sabe construir o enredo; tem períodos até bons, mas me parece que está começando agora sua jornada literária. Não pare! Continue lendo e escrevendo.

    Houve problemas de acentuação. Percebi também que você tem dificuldade com vírgulas. Há tantos problemas com elas que nem vou citá-los aqui, só os mais graves. Orações intercaladas é uma matéria que você precisa estudar urgentemente. (dica)

    Sentei a seu lado na arquibancada. – muitos dizem que esse “a seu lado” não está errado. Para mim está, pois a preposição e o artigo se fazem necessário. Ninguém fala “de seu lado” seria “do seu lado” ou seja, “ao seu lado”. Não sei se consegui explicar isso.

    sua critica – sua crítica

    To duro, moleque. – mesmo que “tô” seja abreviação de “estou” precisa do acento circunflexo. Eu nem sei como se pronuncia da maneira que você escreveu.

    a fim de não fazê-lo não desistir da ideia de levá-lo até perto de sua casa. – Acredito que sobrou um “não” neste período.

    ficar queito atrás dele – quieto.

    Liguei o radio – rádio

    quebrei suas perninhas com quem quebra os ossinhos de um galeto – como quem quebra.

    com varias voltas – várias

    Ao joga-lo no chão – jogá-lo

    Arrastei-lhe com os pés e já na borda – Arrastei-o. Arrastar é verbo transitivo direto, portanto se usa os artigos “o”, “a”, não “lhe”.

    quando o visse o pequeno morrer. – Acho que sobrou um “o” aqui.

    medico – médico

    Súbito, virou-se de lado e avistou o filho – essa me deixou em dúvida, penso que “subitamente” ou “de súbito” ficaria melhor.

    ou pelo rubor da face. – Negro ficar vermelho (!)

    ser à primeira vez que matava alguém – a primeira vez.

    vitória – vitória

    Assutou-se – assustou-se. Errinho de digitação, isso realmente acontece. Com você até aconteceu pouco. Eu erro muitooo nesse ponto. Vou escrever “monstro”, por exemplo e escrevo “mostro”. Revisãozinha conserta isso fácil.

    Se pudesse aplaudia os covardes também – aplaudiria (Futuro do pretérito)

    Por que, passavam – essa vírgula mal usada me incomodou muito para deixar passar.

    ultimo – último

    À partir – apesar de ser uma locução adverbial prepositiva, “partir” é verbo segundo a morfologia das palavras, e há outra regra de que diz que antes de verbo não se usa crase. (Eu sei que é loucura, mas é verdade).

    até quando lhe jogarem – o jogarem.

    cheguei batizar – cheguei a batizar

    Fui me chegando aos poucos – Fui me achegando aos poucos

    Ajudei à muitos – a muitos

    arranquei o queria – o que queria

    coverdes – covardes

    Por ano – anos

    à todos – a todos

    diametro – diâmetro

    Veredito: O autor tem potencial, mas ainda está muito cru.

E Então? O que achou?

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Publicado às 14 de outubro de 2017 por em Terror e marcado .