EntreContos

Literatura que desafia.

Rutilene Regina e seus desatramores (Renata Rothstein)

Rutilene Regina e sua energúmena vida, ali, atochada naquela mesma esquina, havia 6 anos. Moça que ainda trazia nas feições cansadas de quem escolheu (mas diz que não teve opção, claro) ganhar a vida alugando o corpo e vendendo a esquálida alma pelas ruas do subúrbio, a preço de banana.

É, de banana Rutilene sabia tudo. É que ela cresceu trabalhando com o pai, numa feira livre (livre, por quê? cumpriu pena, pagou fiança? ela pensava, se achando engraçada) ali pelos bequinhos do bairro que acompanhava a linha férrea. Ou o contrário, tanto faz.

Lugarzinho mais horroroso para existir, terrível para visitar, o “ó’ para residir.

Fazer o que, foi lá que Rutilene Regina nasceu, aprendeu a lei da selva, a lei da salva, a lei do raio que o parta ao cubo.

Vivia num quarto e sala numa comunidade (ex favela, ok?) com o pai e mais 3 irmãos. A mãe abandonou o lar após uma sessão de porrada com Sandoval, o companheiro pau pra toda obra e cacete também com quem desde bem novinha aprendeu a dividir a comida, e somar os problemas.

Vida de suburbano sub-pobre não é um mar de rosas. Não sabe o que é sub-pobre? É mais ou menos o mesmo que ferradinho, ferradaço e mal pago.

O fato é que a mãe, Cremildes, saiu um dia alegando ir ao postinho ver se ligava as “trombas’ e não voltou nunca mais.

O pai de Rutilene Regina, o Sandoval, feirante, continuou a vida, pensando no futuro daquelas pobres e indefesas crianças abandonadas pela mãe.

No fundo deu graças a Deus, já fazia tempo que não queria olhar os cornos da mulher e mais: menos uma boca pra alimentar. E pensava: “ Cremildes devia de ter uma lombriga insaciável, porque ô mulher desgracenta de faminta e magra que nem um bambu de dieta. Vai tarde!”- suspirava, o recalque sangrando unicórnios fluorescentes pela testa enrugada.

E o tempo passou, Rutilene ali, na labuta, acompanhando o pai e as bananas…via tanta banana que chegava a ter pesadelos com bananas assassinas no seu encalço.

Largou os estudos, o pai dizia que moça bonita que nem ela podia arranjar bom casamento, que era mais garantido e tal e coisa.

Rutilene confiou. Até aí, tudo certo, só que Rutilex não obstante suas inúmeras zero qualidades, no caso – não era bonita, aliás ela era o cão chupando manga, tampouco inteligente, e ninguém ali nas redondezas poderia sequer proporcionar um bom ajuntamento, muito menos um ótimo casamento.

E a cacetérrima vida na feira, todas as terças e domingos, e as frutas, as freguesas cretinas reclamando do preço de tudo. O tédio e o sonho de ser qualquer troço que não fosse ela mesma levaram Rutilene Regina a investir nas ideias que algumas amiguinhas do muquiço onde se divertia todo sábado, o bar Ou Dá ou Desce, colocaram na sua fraca cabecinha.

Rutilene pintou as unhas de vermelho 77, o “Glitter Super Candy Girl Power”, oxigenou os cabelos, comprou umas lentes de contato coloridas em 72 prestações, fez carinha de quem tá gostando demais na frente do espelho manchado de casa – e foi.

No bar (bar? hohoho) o sistema era à la carte. E o melhor, os frequentadores não eram chatos, nem exigentes. Era só dar, que dava tudo certo!

Rutilene chegou chegando. Esbanjando simpatia e sotaque, era a rainha do Ou Dá ou Desce.

Chegava a atender quinze homens suados e nojentos por noite (sempre se prevenindo, molecada). De vez em quando um casal, uma mulherzinha…começou a juntar uma graninha, pretendia, é claro, sair daquela vida.

Foi aí que seu coraçãozinho multifacetado e sonhador, causador de tanta diarréia mental, daquelas incontidas,  colocou tudo a perder: Rutilene Regina foi apresentada a Valdomiro Raimundo, um sujeito grande e com cara de psicopata que ia na casa das primas todos os dias e pagava, e pagava bem.

Foi amor à primeira pica,  ops, primeira vista. Depois de 3 noites diretaço no quarto imundo do estabelecimento, Val (como gostava de ser chamado), teve a brilhante ideia: ia tirar Rutilene dessa vidinha de sofrimento, servindo de pasto, servindo suas pobres carnes desnutridas aos homens de muita má vontade.

E lá foram os dois pombinhos coabitar na casinha de Val, lugar humilde, mas honesto.

O que Rutilene não podia jamais imaginar é que Valdomiro – o Safado, era casado há mais de 20 anos.

E lá estava Ruti, ex-mulher da vida recém desempregada, morando na casa de seu cliente e “protetor”, juntamente com Paloma – Palomita – a esposa.

Paloma era cabeleireira, manicure, esteticista, manobrista, revendia Avon e Hinode, e além de tudo isso, era travesti.

Sim, sim, sim…agora o trio casal estava formado: Rutilene, Valdomiro e Paloma.

Foram até felizes, por um tempo. Sim, durante três longos dias foram felizes. Ensinaram, aprenderam, esqueceram que já sabiam e maníacos, gritavam aos ventos: “- Não devemos nada a ninguém, seus fofoqueiros, ninguém paga as nossas contas!”. A velha história babaca de sempre. Pense: onde já se viu, é lógico que ninguém vai pagar as contas dos outros. Né? Dãã!

Acontece que Val, homem mal e inescrupuloso, resolveu, tentado pelo demo (seu diabinho malvado!) ganhar uma graninha extra, colocando Rutilene e Paloma pra trabalhar na esquina, bem ao lado da Igreja mais tradicional do bairro. Provação para os religiosos.

Ele era o empresário, dizia, e negociava o programa com os clientes ali mesmo, na rua.

Qualquer uma era 15,00, levando as duas dava pra fechar o pacote por 30,00 (oi?). E assim foram levando. Literalmente.

Rutilene e Paloma acabaram se tornando grandes amigas. Assim, sem querer, Ruti notou que Paloma tinha uma coisa bem grande. Interessante, até. “- Pena que não usa, vida injusta essa…” – suspirava, pelos cantos.

Um dia Valdomiro chegou em casa, encontrou as duas conversando, rindo, Paloma estava ensinando Rutilene a fazer unhas de acrigel, o must do momento, e segurava suas mãos.

Val coçou a testa devagar, sem perceber.

E o tempo foi passando, as meninas cansando daquilo, de dia no salão, à noite na esquina, vidinha mais ou menos, Rutilene se achou filosofando que isso não era certo, que há anos não via o pai – até porque ele morrera há seis anos – enfim, tudo ficou muito claro na cabecinha noiada de Rutilene: ela e Paloma precisavam acabar com aquilo, acabar com a farsa, assumir que estavam apaixonadas, apaixonados, sei lá! – e acabar com Valdomiro, o explorador.

Haviam descoberto que ele estava saindo com uma coroa da Zona Sul, cheia das jóias e dos perfumes caros. Até viagem pros States ele fez. E elas ali, sofrendo caladas, usadas e perdidamente apaixonadas um (a) pelo(a) outro(a).

Rutilene largou a esquina e caminhou a passos largos para a casinha onde o trio morava.

Entrou, viu Paloma se preparando pro trabalho, deu-lhe um belo tapa pelo meio da cara e já foi arrancando as roupas, enquanto revelava seu sentimento. E seus planos.

Amaram-se como loucos até de manhã. Paloma era descomunal. Uauuu!! Como conseguia manter “aquilo tudo” escondido? Rutilene nem queria saber. Vida nova!

Esperaram Valdomiro chegar em casa. Ruti no seu vestido mais bonito, Paloma, agora Maxwell Orlando, de calça e camiseta.

“- Mas que pouurra é essa?!” – foi logo gritando Val, ainda com o cheiro do perfume francês da amante grã fina, enquanto olhava num canto da sala as malas ( na verdade sacolas plásticas de supermercado), arrumadas ao lado da porta.

E o surreal da coisa, as duas, os dois, o seu ganha pão e amorzinho grátis de cada dia ali, de mãos dadas, dizendo que se amavam? Nããããoooooo!!

Valdomiro não aguentou, teve uma crise de pelancas que subiu pela coluna, atingiu os nervos, correu até a cozinha e escolheu o melhor facão, decidido a defender a honra.

Debaixo do seu teto? Corno? Perder a mulher pra Paloma? Puta que los parió, não, não, nãooooooooooo!!

E foi aquele quiprocó na residência do trio, Ruti gritando, Max tentando bater do jeito que, a bem da verdade, não sabia, as unhas de acrigel que esquecera de tirar atrapalhando, um furdunço dozinfernu.

Valdomiro enlouquecido, com a faca, e a música sensual tocando no rádio e invadindo a cena, que parecia coreograda: “Des-pa-ci-to…”.

Foi quando Val tropeçou e não se sabe como, num os casos mais bizarros de todos os tempos, em todos os universos, o facão passou decepando-lhe aquilo que ele considera seu maior patrimônio. Seu pau. É, tadinho.

E nos seus ouvidos tumultuados ouvia: “Tchau pau-zi-to…

Valdomiro caiu urrando de dor segurando os bagos enquanto ao seu lado seu ex-pau se contorcia, como um rabo de lagartixa.

Rutilene só exprimiu um “Oh!” – e desmaiou. Paloma Max, Max Paloma lembrou dos velhos tempos e sentiu uma pontinha de inveja, que rechaçou imediatamente: ” – Sai, capeta! Sou muito macho!”.

E então vieram a ambulância, os vizinhos, os jornais e os curiosos para ver o “moço” que perdera o pênis durante uma briga “familiar”.

Ficou um tempo no hospital, mas deu PT. Perda total. A madame da Zona Sul mandou flores e um pau elétrico, dizendo que poderiam se divertir, ainda.

Valdomiro achou um deboche e deu o tal acessório pra uma senhorinha de uns 80 anos que estava lá, visitando o marido, militar aposentado de seus 85 anos.

Notou que os olhinhos dela brilharam. E o mundo dele brilhou! Sentiu que podia, sim, ser uma pessoa melhor.

Quando teve alta do hospital procurou Rutilene Regina e Maxwell, agora casados e donos de um salão de beleza.

Pediu abrigo. E os dois, Ruti e Max, aceitaram. Com uma condição. O Valdopinto (povo ruim, ó o apelido que puseram no homem) devolveria com juros e correção monetária o que tirou deles durante aqueles longos seis anos.

E, toda noite, lá ia Valdeth Valdopinto, ganhar a vida. Não era triste, não. Sublimou.

Sua melhor cliente era a madame da Zona Sul, com um novo brinquedinho, que brilhava no escuro. Conformou-se e até curte!

Rutilene Regina e Maxwell tiveram seis filhos, têm uma rede de salões de beleza, passam sempre as férias em Muriqui e vivem felizes – para sempre, juram.

Ah, o Max ainda usa as unhas de acrigel. Acha “bonitinho” e que combina com a personalidade dele.

“E quem irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que não existe razão?”

Eu, não!

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28 comentários em “Rutilene Regina e seus desatramores (Renata Rothstein)

  1. Amanda Gomez
    1 de setembro de 2017

    Oi, Violeta.

    Gostei do seu conto, até pensei que ele fosse maior do que realmente é, você conseguiu colocar bastante coisa.

    A personagem já tem um nome impactante, tem um carisma peculiar, e uma personalidade marcante. Foi interessante acompanhar sua trajetória, seu trabalho, seus amores… Foi uma vida difícil, e ela conseguiu levá-la com uma boa dose de ironia.

    A parte do romance combinou com todo o contexto, deu um diferencial embora que tenha ficado esperando por algo diferente. A conclusão foi satisfatória, achei legal ela ter conseguido subir alguns degraus na vida
    O texto está bem escrito, com muito fluidez que deixou a leitura fácil e agradável. Não digo que sorri, oi gargalhei, mas é um texto inegavelmente de comédia.

    Parabéns!

  2. adnamagomez
    31 de agosto de 2017

    Oi, Violeta.

    Gostei do seu conto, até pensei que ele fosse maior do que realmente é, você conseguiu colocar bastante coisa.

    A personagem já tem um nome impactante, tem um carisma peculiar, e uma personalidade marcante. Foi interessante acompanhar sua trajetória, seu trabalho, seus amores… Foi uma vida difícil, e ela conseguiu levá-la com uma boa dose de ironia.

    A parte do romance combinou com todo o contexto, deu um diferencial embora que tenha ficado esperando por algo diferente. A conclusão foi satisfatória, achei legal ela ter conseguido subir alguns degraus na vida
    O texto está bem escrito, com muito fluidez que deixou a leitura fácil e agradável. Não digo que sorri, oi gargalhei, mas é um texto inegavelmente de comédia.

    Parabéns!

  3. Roselaine Hahn
    26 de agosto de 2017

    Então essa é a famosa Rutilene Regina….Sorry Rutinha, mas a essa altura da vida, vc. já deve estar sabendo que o seu conto não passou para a próxima fase. Eu não votei, estou noutro grupo, e qual nota eu daria? Sabe que eu não sei. Acho que vc. fez uma escolha arriscada, de sorte ou azar mesmo. Deu azar. A ideia é mt boa, o conto tem momentos de boa graça, porém do meio pro fim, ele descambou para uma escrita mais chula, no sentido das palavras e palavrões, e as coisas foram sendo enxertadas, muitas coisas, acho que perdeu um pouco o fio da meada. A mim, particularmente, não incomodou os termos, mas tudo em excesso vai cansando os ouvidos, talvez tenha pegado isso na pontuação da moçada que votou. Sei lá, não quero fazer intriga, mas eu se fosse vc. botava o pau na mesa. kkkk, essa foi boa né? Abçs.

  4. Fernando.
    21 de agosto de 2017

    olá, Violeta Alencar, interessante a sua história com o trio de paixão. A menina que desde as bananas é fixada em símbolos fálicos. Ficou legal a sua história. Confesso que algumas cenas que acredito tenham sido postas para criar humor não me geraram esse sentimento. Como exemplo quero citar a briga com o facão fazendo o corte terrível na vida de Valdomiro. Bem, é isto, grande abraço.

  5. Catarina Cunha
    20 de agosto de 2017

    Nota 8,2

  6. Pedro Luna
    18 de agosto de 2017

    Como o cidadão cortou o próprio pau? Ele estava brigando nu por acaso? Kk. Sinceramente, acredito que esse trecho exista somente para justificar a piada do “Tchau pau-zi-to…” que viria a seguir. E é por isso que não gostei do conto. Ele parece montado para fazer caber alguma piada ali e outra aqui. A trama, sinceramente, é fraca e os personagens, com seus nomes duplos, não tem carisma. Principalmente a protagonista. Olha, infelizmente não gostei do conto. De positivo, só a criatividade desvairada que juntou homem, mulher, travesti e criou um caldo grosso, mas não gostoso.

    : /

  7. Bia Machado
    18 de agosto de 2017

    Desenvolvimento da narrativa – 1,5/3 – Achei o conto mais triste do que engraçado. Uma tragicomédia. Deu dó da Rutilene. Algumas poucas piadinhas me soaram engraçadas, mas não o suficiente. O drama sobressaiu. Essa provavelmente não foi sua intenção, mas foi assim que fiz a leitura do seu texto.
    Personagens – 1,5/3 – Como eu disse, tragicômicos.
    Gosto – 0,5/1 – Fiquei no meio-termo. Talvez lendo uma segunda vez… Agora, porém…
    Adequação ao tema – 1/1 – Sim, foi uma tentativa. Comigo não funcionou, porém.
    Revisão – 1/1 – Não vi nada que se destacasse.
    Participação – 1/1 – Valeu pela participação.

    Aviso quanto às notas dadas aqui em cada item: até a postagem da minha avaliação de todos os contos os valores podem ser

    mudados. Ao final, comparo um conto a outro lido para ver se é preciso aumentar ou diminuir um pouco a nota, se dois contos merecem mesmo a mesma nota ou não.

  8. Alex Alexandre da Rosa
    17 de agosto de 2017

    Olá autor(a)
    Texto bem escrito, direto, com doses de humor( alguns trocadilhos engraçados). um desfecho interessante. Parabens.

  9. Luis Guilherme
    17 de agosto de 2017

    Taaaaarde! Td bão?

    O conto é engraçado! A narrativa foi construída em cima do ridículo, e esse elemento foi bem utilizado durante a trama. A interação do narrador com o leitor é um dos pontos altos. A linguagem vulgar da narrativa casou bem com o enredo absurdo, dando consistência ao conto.

    Tem algumas cenas realmente bem engraçadas, especialmente “Tchau Pau-zito”.. hahahahahah ri mto nessa parte.

    Tem alguns estereótipos que achei um pouco exagerados, mas isso é opinião particular e não vem ao caso.

    Para efeitos do desafio (e de nota), tem vários aspectos que valorizam: humor (boas tiradas e narrador ditando um ritmo divertido do conto), bom enredo, situações ridículas que configuram a comédia.

    Acho que a escrita merecia uma revisão mais apurada, mas nada que prejudique o todo.

    Parabéns e boa sorte!

  10. Catarina Cunha
    17 de agosto de 2017

    O texto não flui bem. Por quê? Não sei. Talvez por algumas interferências esquisitas do narrador Exemplo: “(sempre se prevenindo, molecada)” ou estranhas construções, como: “unicórnios fluorescentes pela testa enrugada.” – Unicórnio = um só corno, ele tinha dois?. Achei o conto melancólico, forçando um pouco o humor (“ganhar a vida alugando o corpo e vendendo a esquálida alma pelas ruas do subúrbio, a preço de banana.”). Só começa a ter graça a partir da briga.

    Auge: “Paloma era cabeleireira, manicure, esteticista, manobrista, revendia Avon e Hinode, e além de tudo isso, era travesti.” – Enfim, um ser completo.

    Sugestão:

    A trama é boa e merece ser aprimorada. Eu retiraria, ou substituiria, essas expressões e julgamentos sociais. Afinal é uma comédia.

  11. Priscila Pereira
    17 de agosto de 2017

    Oi Violeta!
    Este comentário não serve como avaliação, é só a minha opinião sobre o seu texto.
    Então… que texto bizarro…kkk no bom sentido. Tem muita informação em pouco espaço, está bem humorado e bem escrito. Os personagens são fortes e tem personalidade própria. Não é meu estilo de humor, mas é inegavelmente um ótimo texto. Parabéns e boa sorte!!

  12. Davenir Viganon
    17 de agosto de 2017

    Algo ficou faltando e algo ficou sobrando. Faltaram diálogos e sobrou estoria. O texto é bastante cômico mas não tão engraçado. Não deu pra conhecer os personagens direito e tudo ficou raso. Esperava mais ousadia e o final terminou como uma família comercial de margarina e isso me decepcionou um pouco.

  13. Wilson Barros Júnior
    15 de agosto de 2017

    Gostei de “alugar o corpo e vender a alma”, dá um tom bem Ken Follet. Outras frases também dão ideia do descontentamento urbano, como a “a lei do raio que o parta ao cubo”. As frases cáusticas dão ao conto um tom de autores contemporâneos, herdeiros de Rubem Fonseca e sua “violência urbana”, tipo Ana Paula Maia. Essa história poderia até dar um conto erótico. O estilo é marcante, lembra o da Claudia. A comédia é meio violenta, as mutilações, etc. mas não deixa de ser uma comédia urbana. A categoria do conto merece, na minha opinião, o evoluir de fase.

  14. Gustavokeno (@Gustavinyl)
    15 de agosto de 2017

    Violeta,

    o conto é bem escrito, tem sacadas interessantes. Algumas cenas ficaram bem descritas, outras me soaram forçadas (o facão decepando o pau do Valdomiro). O humor está presente aqui, mas de uma maneira absurda.

    Enfim, acho que é essa a palavra. É um conto absurdo, com altos e baixos. Mas que cumpre a proposta.

    Parabéns.

  15. Cilas Medi
    15 de agosto de 2017

    Olá Violeta,
    Não encontrei graça em parte nenhuma. Uma história de horror, decepção, constrangimento, surreal, depreciativa e, verdadeiramente, decepcionante para um desafio de comédia. Todos os neologismos seguem na mesma toada.

  16. Pedro Paulo
    15 de agosto de 2017

    A vida de Rutilene é uma sucessão de acontecimentos ruins que são escritos com agilidade, com os fatos marcantes passando rápido e as novas situações da protagonista indo e vindo sem perdermos tempo. Isso tudo com uma oralidade bem articulada que contribui para o humor na trama. Os absurdos também são bem contornados de modo que acabamos acostumados com o universo desventuroso de Rutilene, aceitando-o até o fim.

    Em relação ao cômico, o maior que há no conto é a própria maneira com a qual foi escrito, assemelhando uma história falada. Nas demais tentativas de fazer comédia, o que vem é uma série de tiradas ruins e um humor apelativo que cansa logo, perdendo seu efeito antes da metade do conto.

  17. Brian Oliveira Lancaster
    14 de agosto de 2017

    JACU (Jeito, Adequação, Carisma, Unidade)
    J: Texto bem divertido, com alguns exageros, que foca mais no cotidiano. Engraçado como a “cultura brasileira” proporciona momentos inusitados. Só aqui mesmo. – 8,0
    A: O narrador se intromete muito e isso tira um pouco da graça. Só o jogo de palavras já estava de bom tamanho. Tem seu lado humorístico, mas tem seu lado trágico também. Ao meu ver, a comicidade se sobressaiu – se o intuito era imitar as novelas mexicanas, conseguiu, em partes. – 8,0
    C: Um texto até simples, mas que prende pelo suspense. O histórico da personagem principal convence. Os outros seguem estereótipos conhecidos de novelas, contudo, não tiram o brilho do contexto. – 8,0
    U: Há algumas frases com construções estranhas e um ou outro tempo verbal trocado. Entretanto, isso não tira a graça da tragicomédia. Queria ter gostado mais, mas a onisciência da escritora(or) atrapalhou um pouquinho a execução. – 7,5
    [7,8]

  18. Elisa Ribeiro
    13 de agosto de 2017

    Olá Autor,

    Um triângulo amoroso entre um gay, um cafetão e a heroína Rutilene. Achei o enredo meio confuso. Val tirou Ruti da rua, depois colocou de novo, dessa vez junto com a “mulher” oficial. No primeiro parágrafo, o narrador diz que Rute está há seis anos na esquina. Mais adiante fala que o pai de Ruti está morto há seis anos. No entanto a narrativa faz supor períodos de tempo muito mais breves.

    Quanto ao vocabulário, logo no primeiro parágrafo, as palavras energúmena e atochada me pareceram inadequadas ao contexto. Algo como “vida bestial” e “limitada àquela esquina”, por exemplo, me soariam melhor. Também no primeiro parágrafo, há um “nas” em lugar de “as”. Ou seja, o texto precisa de revisão.

    Para o meu gosto, embora se trate de um texto de humor, o narrador poderia fazer menos piadinhas, “desaparecendo” um pouco do texto e descrevendo os fatos sem dar tantas opiniões.

    Parabéns pela participação!

  19. Antonio Stegues Batista
    13 de agosto de 2017

    Achei uma boa comédia, não foi excelente mas foi uma boa história com algumas cenas e frases engraçadas e outras soaram sem graça, pelo menos não consegui rir quando o cara foi capado, achei uma tragédia. Rutilene deriva de rutilante, que rutila, brilha, cintila e ela brilhou realmente mais do que as piadas. Conto bem escrito, sem erros de gramática e ficou legal as variações gramaticais.

  20. Jorge Santos
    13 de agosto de 2017

    Perfeito a todos os níveis: caracterização das personagens, ritmo, linguagem, arco da narrativa. Crítica social profunda. Este texto mereceria ser passado a livro e eu estaria comprador. Parabéns. Nota 10.

  21. Eduardo Selga
    11 de agosto de 2017

    O conto busca gerar humor a partir da ridicularização da pobreza e de certo modo de ser atribuído à população pobre. Ou seja, estereótipos sociais, o que, ao menos nesse grupo do desafio Entrecontos, tem sido um caráter dominante. Zomba-se da classe baixa. Mas de onde vem a zombaria que repicamos no cotidiano e em textos como esse? (por favor, não acreditemos que isso acontece por ser “natural”). Das camadas altas, as mesmas que determinam o que é bonito e feio na arte. Bom, se elas têm esse poder, o conceito emitido por elas é no mínimo suspeito, porque são classes sociais opostas.

    Ainda assim, temos mais um conto que procura o humor onde não existe, considerando o meu ponto de vista. Por exemplo: “o fato é que a mãe, Cremildes, saiu um dia alegando ir ao postinho ver se ligava as ‘trombas’ e não voltou nunca mais”. Qual é a graça em alguém que pronuncia as palavras fora da norma padrão? (sim, pois o trecho não é a reprodução de alguém que escreve “trombas” e sim de quem fala “trombas”). Possivelmente reside no fato de ser diferente. Ou seja, a diferença não é aceitável.

    Engraçado isso, não?

    Pela lógica do “falar correto”, “trompas” (com P) está completamente equivocado, pois trata-se do plural de um instrumento de sopro. No entanto, as pessoas escolarizadas usam o termo, equivocadamente, para referir-se a “trompas de Falópio”, parte do sistema reprodutivo feminino. Vamos condenar quem corta o “Falópio” das “trompas”, porque afinal é muito engraçado alguém dizer que tem dentro de si um instrumento de sopro?

    O texto é mal construído. Logo no primeiro parágrafo temos “moça que ainda trazia nas feições cansadas de quem escolheu (mas diz que não teve opção, claro) ganhar a vida alugando o corpo e vendendo a esquálida alma pelas ruas do subúrbio[…]”, uma oração em que não se explica o que a personagem trazia nas feições do rosto. Diz da prostituição, do corpo magro, mas não completa o início do trecho.

    Em “fazer o que, foi lá que Rutilene Regina nasceu, aprendeu a lei da selva, a lei da salva, a lei do raio que o parta ao cubo” comete-se o pecado do queísmo (“fazer o que”, “foi lá que Rutilene” e “raio que o parta”. Além disso, o início da oração é uma pergunta. Porém, onde está o ponto de interrogação?

    Em “[…]só que Rutilex não obstante suas inúmeras zero qualidades[…]” uma contradição. “Inúmeras” refere-se a coisas tão numerosas que é impossível serem contadas; “zero” é ausência de quantidade. Uma palavra choca-se com a outra. Teria sido melhor escrever “inúmeros defeitos”.

    Em “acontece que Val, homem mal e inescrupuloso […]” há uma assonância sem nenhum efeito estético (“val” e “mal”).

  22. Fheluany Nogueira
    11 de agosto de 2017

    No fundo, temos aqui uma comédia romântica, Rutilene passou por várias situações embaraçosas para, no final, viver feliz para sempre com o amor, diferente, encontrado nas aventuras; aliás esta é a informação transmitida pelo título. “Desatramores” é neologismo (desastrados amores)?

    Estilo e assunto se fundem, os jogos de palavras, trocadilhos e duplos sentidos as expressões populares e até os clichês dão certa vivacidade ao texto e acabam por fazer rir.

    Bom trabalho. Parabéns pela participação. Abraços.

  23. Ricardo Gnecco Falco
    10 de agosto de 2017

    Olá autor(a)! Tudo bem?
    Estou aqui agora, logo após ter me deleitado com a leitura de sua obra, exercendo a função não mais de leitor, mas sim de julgador de seu texto. Por isso, para ser justo com você (e com os/as demais), darei notas para todos os trabalhos com base nos MESMOS quesitos, que estão listados abaixo. Desejo-lhe boa sorte do Desafio e lhe agradeço pela oportunidade de conhecer sua criação! Um forte abraço,
    Paz e Bem! 🙂

    —–

    1) Está BEM ESCRITO? (0/3) –> 1,5

    Poucos erros (não estou contando, é claro, com os propositais modos de falar das personagens), que mais parecem lapsos do que desconhecimento de regras; portanto não interferiram tanto na leitura. No entanto, este quesito ficou com a metade dos pontos possíveis devido a “voz narrativa” escolhida pela autora que, ao meu ver (dããã, lógico!), não foi muito apropriada para esta ‘comédia da vida privada’. Pense bem, autora, e me diga se o texto não iria ganhar muito mais vida, emoção e — principalmente — PROJEÇÃO, se narrado na voz de uma das (quem sabe até das 3) próprias personagens??? Digo isto porque da forma que ficou, ou seja, com um narrador onisciente, com senso de humor e tomando posicionamentos, a história meio que se distancia do leitor, como se esta voz narrativa funcionasse como um caleidoscópio exibindo a história. Bem… Pelo menos foi a esta a sensação que eu tive; mas longe disto significar que o texto foi mal escrito. Significa, apenas, que poderia ter ido além… 😉

    2) A história é CRIATIVA? (0/3) –> 1,5

    Por abordar meio que uma junção de diversos fatos/notícias facilmente encontrados e lidos em páginas de revistas e jornais de circulação nacional, a história perde um pouco neste quesito; pois mostra (lógico que concentrados em uma mesma narrativa) exatamente tudo o que a mídia mais gosta, procura e costuma veicular em suas publicações e, portanto, que já existem em nosso “inconsciente coletivo”.

    3) O humor é INTELIGENTE? (0/3) –> 1,5

    Diria que trata-se de uma comédia de costumes e, então, tangencia mais a criticidade social do que outros aspectos mais filosóficos de abrangência mais significativa enquanto obra literária.

    4) Eu dei RISADA? (0/1) –> 0,5

    Eu não ri, mas percebi a comicidade na história e, por isso mesmo, não descontarei por completo o ponto deste quesito.

    ——-
    5
    ——-
    OBS: Se as notas por mim expressas aqui somarem um valor DIFERENTE (para mais ou para menos) da que será, ao final de todas as leituras, postada no respectivo campo de avaliação geral do site (onde estarão listados todos os contos concorrentes deste grupo e suas respectivas notas finais, e que terão valor oficial), o fato se deverá, provavelmente, por eu ter mexido na nota previamente colocada aqui na avaliação inicial, com base na amplitude de conhecimento obtida após término de todas as leituras, podendo portanto ocorrer uma mudança de paradigma em meu padrão avaliativo inicial.

  24. Givago Domingues Thimoti
    10 de agosto de 2017

    Adequação ao tema proposto: Médio para alto.
    Criatividade: Alta.
    Emoção: Por um momento, eu me lembrei do Cortiço, do Alvares de Azevedo. Poderia ser uma versão paródia e moderna. Muito mais pela condição sub-humana dos personagens do que por qualquer outro aspecto.
    Enredo: Um enredo cheio de revira-voltas, Uma hora, Ruti está por cima, outra por está baixo. Foi desenvolvido com qualidade.
    Gramática: Algumas observações:
    – “- Não devemos nada a ninguém, seus fofoqueiros, ninguém paga as nossas contas!” Acredito que não precisa do travessão quando têm aspas.
    – ” Um dia Valdomiro chegou em casa, encontrou as duas conversando, rindo, Paloma estava ensinando Rutilene a fazer unhas de acrigel, o must do momento, e segurava suas mãos.” Acredito que o correto seria; … encontrou as duas conversando, rindo. Paloma estava ensinando…”

    – a palavra “à la carte” deveria estar em itálico.

    A leitura, todavia, não foi truncada.

  25. werneck2017
    9 de agosto de 2017

    Olá Violeta!

    O texto é muito divertido e cheio de peripécias e pontos de virada, o que surpreende pela criatividade.
    O enredo é interessante, bem conduzido, vai suscitando a curiosidade até o clímax e o desfecho final, muito interessante.
    O texto é bem construído, com coerência e uma linguagem informal que facilita a imaginação do universo no qual vivem os personagens.
    Os elementos da comédia escrachada estão presentes e o leitor logo cria empatia com os protagonistas e a estória.
    Minha nota é 9,5.

  26. Olisomar Pires
    6 de agosto de 2017

    Muito bem escrito, num estilo largadão, no bom sentido.

    O narrador é torcedor e passa raiva, torce, enfim, participa, ficou bacana. Suas opiniões, do narrador, são o ponto alto do texto.

    A história é uma sucessão de venturas e desventuras mais trágicas que cômicas, porém que no conjunto, após tudo passado, fazem rir, como acontece na vida real.

    Texto malandro com gente esquisita, ficou legal e eles aguentam mais birita !

  27. Bruna Francielle
    6 de agosto de 2017

    Tema: adequado

    Pontos fortes: O ponto mais forte é ser uma comédia – engraçada/divertida. Até então um dos que eu mais gostei. Nem parece que usou só 2 mil palavras, criou uma história robusta e cheia de nuances e reviravoltas dentro de um pequeno limite, uma proeza improvável. Conseguiu dizer muito com pouco. O personagem mais cativante, se é que pode se dizer que é um personagem, foi o “narrador”. Conseguiu transformar dramas e vidas horríveis em algo engraçado, meio “piriguetes da favela”. A narrativa ficou leve, não precisou forçar para ficar cômico. Teve até uma “Justiça cósmica” no final, onde o explorador passou a ser explorado. Eu não costumo gostar de triângulos amorosos por serem extremamente batidos toda vez, mas o seu foi uma exceção, conseguiu inovar e ser inusitado. Foram várias as passagens inspiradas no seu conto. Por exemplo, achei muito engraçada essa: “Rutilene pintou as unhas de vermelho 77, o “Glitter Super Candy Girl Power”, ”

    Pontos fracos: Bem, para não ficar sem nada esse item de avaliação, achei apenas estranho Rutilene, descrita como meio burrinha, no fim ter uma carreira profissional de sucesso, sendo inclusive dona de vários salões. Maxwell também não parecia a pessoa mais esperta do mundo. Apesar do final ter ficado legal, ficou um tanto inverosímel. E eu não acho que esse trio tenha ficado inverosímel, porque é uma história que dá pra imaginar ocorrendo na realidade, só esse final mesmo que foi forçado.

  28. Gustavo Araujo
    5 de agosto de 2017

    A primeira metade revela uma autora que navega bem pelo drama. Ao tratar da realidade de Rutilene, com suas agruras e sede de vencer, temperada por uma narração irônica, inconformada até, percebe-se que se o desafio tivesse uma temática mais social, séria, questionadora, este conto seria forte candidato. Lá pela metade, a autora parece se lembrar de que precisa fazer o leitor rir, e tenta, de alguma maneira, emprestar ao conto um viés cômico, partindo para o absurdo. Essa mudança de tom infelizmente não funcionou, justamente por conta do teor pesado e engajado da primeira parte. Há boas tiradas mesmo na segunda parte e eu confesso que ri em algumas delas (como no “tchau pau-zi-to”), mas isso, sozinho, não sustenta a história. Essa irregularidade acabou prejudicando um tanto a leitura, tendo em mente que deveria tratar-se de comédia.

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Publicado às 5 de agosto de 2017 por em Comédia - Grupo 1 e marcado .