EntreContos

Literatura que desafia.

Às moscas (Wender Lemes)

A cafeteria de dona Hermínia sempre foi um dos estabelecimentos mais inóspitos do reservado município gaúcho de Não-Me-Toque. O finado marido dera-lhe – antes de falecer, como pode-se supor – a ideia de nomear seu empreendimento como “Café Teria”. Da mesma forma que o trocadilho, o sucesso da anfitriã ficou no futuro do pretérito.

Em todo caso, dizer que ninguém visitava dona Hermínia seria falta de consideração com seus poucos, mas contumazes, clientes. Entre eles, o bom padre Ambrósio, fiel à broa com café pela manhã e a Deus sobre todas as coisas.

***

Do lado de fora, uma senhora fazia vista grossa ao comportamento inapropriado de seu Poodle. O cachorrinho deixara um presente aos distraídos bem na porta da cafeteria, fétido e inevitável. Sentado a uma mesa de canto, padre Ambrósio tomava seu sistemático cafezinho preto e fingia ler o jornal dominical enquanto aguardava a atenção da anfitriã.

– Vai uma broa hoje, padre?

A broa chegou, com seu aroma cativante de quitute, e padre Ambrósio a mordiscou. Sentia a gula apoderar-se de sua vontade, mas Deus haveria de perdoá-lo. Assim, intercalando broa, café e jornal, o padre ia cumprindo um de seus rituais matutinos não tão ilustres. Demorou alguns minutos até perceber que era observado por centenas de olhinhos do outro lado da mesa.

“Bom dia, padre. Com sua licença, meu nome é Venceslau, gostaria de ter um dedinho de prosa com o senhor. Acho que não é muito comum uma mosca que se preocupe com o Inefável. Não sou como as outras, eu gostaria muito de visitar o Paraíso. Bem, de certo modo, até entendo minhas companheiras – nossa expectativa de vida é tão curta comparada à dos humanos. Quem pode culpá-las por não pensarem na vida após morte? Mal temos tempo de perceber que estamos vivas.”

Enquanto a mosca destrinchava seu monólogo, padre Ambrósio dobrava discretamente o jornal, sem desviar a atenção do inseto.

“Talvez, Deus tenha me feito assim com algum propósito. Sei que o senhor vai dizer que todas as criaturas são iguais perante Ele, e que todas têm algum propósito. Mas padre, não consigo deixar de me questionar: por que eu? Entre todas as centenas de milhares de moscas que nascem a cada dia, por que justamente eu teria que carregar o fardo da consciência? E mais: por que todo esse conhecimento inato, se provavelmente não conseguirei mantê-lo até a próxima semana? Não me parece justo.”

Naturalmente, a percepção do tempo é diferente entre humanos e insetos. Somente por esse particular fenômeno, a pequenina em questão pôde levar tão longe seu falatório. Do contrário, teria sido interrompida antes de terminar a primeira frase.

“Padre, sei que o senhor é um homem ocupado, não quero também ficar tomando seu tempo. É a primeira vez que me sinto à vontade para abrir meu coração a um humano, sem medo de ser enxotada logo em seguida. O senhor, como servo de Deus, não me enxotaria, não é? Claro que não. Enfim, o que me traz à sua presença é justamente minha preocupação com o Divino. Como disse, sei que não tenho muito mais tempo de vida, nunca tive. Também sei que tudo é incerto quando passamos para o outro lado, mas o senhor acha que uma mosca sem o sacramento do batismo tem direito ao Céu? Eu gostaria de…”

Neste momento, em um gesto infinitamente deplorável ao olhar da mosca, padre Ambrósio fez cantar o jornal matutino. No final das contas, era um homem santo, mas não um santo propriamente dito. Além de tudo, não havia captado mísera palavra do que Venceslau dissera naqueles cinco segundos entre a percepção de sua presença, a dobra do jornal e o derradeiro ataque.

Notou o padre, com certo alívio, que o inseto não chegou a estampar seu jornal após o atentado, nem mesmo no obituário. Errara o alvo, mas eximira-se de um assassinato em pleno desjejum.

– Dona Hermínia, podes me trazer mais um café?

Cabe dizer aqui que a madame do Poodle já havia sumido das proximidades, embora o resquício de sua displicência ainda repousasse na entrada da cafeteria. O montinho de cocô acabou servindo de aeroporto para um pouso forçado após a fuga. A mosca sentia-se traída, desamparada, furiosa como nunca antes.

“Padre de uma figa. O que custava me responder? Tanta teologia e nenhuma educação. Vai me pagar por essa, ah se vai!”

E refletiu pelo que pareceu uma eternidade, elaborando os planos mais sórdidos que sua existência minúscula poderia conceber. Alguns estratagemas envolviam investidas kamikazes contra a garganta do padre. Outros, menos empolgados, pressupunham infectar a água benta da igreja, tirando a credibilidade da instituição. De repente, percebeu que a melhor entre todas as possibilidades estava bem ao alcance de suas patas.

***

– Às vezes, mesmo eu perco um pouco da fé, Dona Hermínia.

– Não deverias sair dizendo esse tipo de coisa por aí. Que pensarão teus fiéis?

– Na melhor das hipóteses, que sou humano. É que leio este periódico dia após dia, há anos. Mudam as manchetes, os classificados, mas sempre há alguém roubando alguém, matando outrem; uns vendendo sofás, outros abdicando da alma.

– É, o mundo anda muito estranho.

– Eu mesmo quase cometi um crime imperdoável minutos atrás. Quase tirei uma vida!

– Meu Deus, padre?! De quem?!

– Do inseto que pousou aqui na minha mesa.

– Mas o senhor me mata do coração. Não digas bobagens.

– Pois é sério. O que a senhora pensaria se o Pai, de repente, lhe batesse com um ônibus? Não por mérito, ou necessidade. Apenas porque ele pode.

– Abusastes do vinho na vigília, ou perdestes de vez a compostura, padre? Ora, termine logo essa broa e pare de me encher a cabeça com essa conversa sem sentido.

Padre Ambrósio levou à boca o último pedaço de broa. Percebeu que gostava da figura da anfitriã. Certa honestidade como a dela fazia falta ao mundo.

A mosca voltara aos arredores, com aterrisagens aqui e ali, entremeadas pelo esfregar maquiavélico de suas patinhas. Estamparia um sorriso de orelha a orelha, se tivesse dentes… ou orelhas. Felizmente, não os tinha, isso faria dela o animal mais estranho na face da Terra.

“Isso mesmo, danado, coma tudo.”

O padre não tentou mais expulsá-la, ou tirar sua vida. Via-se tão apequenado quanto ela. Talvez tivesse finalmente contemplado a face de Deus com nitidez; talvez a tivesse esquecido por completo. Fato é que se sentia mais como uma mosca do que como um cordeiro.

O religioso pagou sua conta, retirou-se cabisbaixo e, por assim estar, notou as fezes do Poodle na saída. Desviou do montinho, sem saber que acabara de ingerir uma ínfima parte dele. Sim, Venceslau cumpriu sua vingança ao limpar as patinhas de cocô na broa do sacerdote. Sob o olhar multifocal daquele pequeníssimo ser, uma penitência mais do que merecida.

“Perdoe-me, padre, porque pequei.”

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47 comentários em “Às moscas (Wender Lemes)

  1. Wender Lemes
    2 de setembro de 2017

    Olá! Passando para agradecer a todos pelas leituras cuidadosas e sinceras. Fiquei muito feliz com os comentários, acho até que foram gentis demais. Quando postei, não tinha muitas esperanças de passar para a segunda fase. Ganhar um desafio seria bom, mas ganhar um 10 da Madame Cat não tem preço. Aprendi a deixar meus textos mais enxutos com você, Catarina, a tentar valorizar a essência e cortar o dispensável, muito obrigado por isso também. Cláudia, sobre as “centenas de olhinhos”, o trecho ficou meio confuso mesmo, quis dizer sobre o olho composto das moscas, dividido em vários outros pequenos olhos. Juliana, fico muito honrado que queira usa minha história, tem minha total permissão. Se esqueci de responder a alguma dúvida, por favor, me avisem.

    Enfim, parabéns a todos pelas participações e, mais uma vez, muito obrigado por me acolherem. Acho que esse foi um dos desafios mais controversos de que participei, talvez por isso um dos mais difíceis (eu sei, sempre digo que o desafio atual foi um dos mais difíceis, mas é porque os desafios sempre são difíceis para mim e eu tenho a memória fraca).

    Forte abraço! Até a próxima!

  2. Marco Aurélio Saraiva
    1 de setembro de 2017

    Cara… é por essas e outras que não passei para a segunda fase. Com tanta criatividade assim… fica difícil competir.

    Seu conto é muito bem bolado, com uma história muito legal, e escrito de uma forma envolvente, direta e de fácil assimilação. Você não perde o leitor em momento algum, e a sua escrita eloquente é gostosa de ler, divertida e bonita. Não vi falhas. Você tem o real domínio das palavras!

    O conto é bem fechado, sem pontas soltas, e me fez rir diversas vezes. Uma verdadeira obra de arte. Você passeia pela cafeteria da Dona Hermínia… dá uma volta, introduz o padre como um mero coadjuvante… para só então fazer o leitor perceber que, afinal, era ele o personagem principal!

    E quando ele interrompe o discurso da mosca… meu deus!! Genial! Morri de rir! Não tinha como ver essa chegando.

    Destaco os trechos abaixo… muito bem construídos!

    “O finado marido dera-lhe – antes de falecer, como pode-se supor – a ideia de nomear seu empreendimento como “Café Teria”. Da mesma forma que o trocadilho, o sucesso da anfitriã ficou no futuro do pretérito.”

    “Notou o padre, com certo alívio, que o inseto não chegou a estampar seu jornal após o atentado, nem mesmo no obituário. Errara o alvo, mas eximira-se de um assassinato em pleno desjejum.”

    Parabéns pelo excelente trabalho. Infelizmente não tenho nada a acrescentar, senão falar que este é um dos melhores contos do certame.

    Boa sorte! Abração!

  3. Renata Rothstein
    1 de setembro de 2017

    Oi, Elias, tudo bem?
    Gostei muito do seu conto, é inteligente, bem escrito, divertido e leve, eu achei muito boa a vingança da pobre mosca em busca de um sentido para a existência rsrs
    Parabéns, nota 8,5

  4. Thiago de Melo
    1 de setembro de 2017

    Amigo Elias,

    Gostei da sua história. Está muito bem escrita e com um apelo ao inusitado muito interessante. Também achei engraçada a fala inicial da mosca kkkk. Não são todas que se preocupam com o inefável mesmo! Um texto muito leve e divertido. Só que achei a parte inicial melhor que o final. A parte da mosca falando “come tudo” e o restante ficou um pouco previsível e o texto deu uma caída. Um bom trabalho mesmo assim.
    Abraço!

  5. Leo Jardim
    31 de agosto de 2017

    Às moscas (Elias Varejeira)

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): bastante simples, mas inventiva. Divertida de ler, pois não é sempre que vemos uma mosca vingativa. O mais legal é que fiquei pensando que, pensando dessa forma, será que todas as moscas são assim (vingativas)? rsrs

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): muito boa, leitura fácil e com fluidez. Não chega a se destacar por si só, privilegiando a narrativa.

    💡 Criatividade (⭐⭐⭐): achei muito criativa essa ideia de contar a versão da mosca no caso do cocô na comida 🙂

    🎯 Tema (⭐⭐): sem dúvidas é uma comédia inteligente e divertida.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): não é daqueles contos de gargalhar ou de explodir cabeças com reviravoltas inteligentes, mas é bastante simpático e criativo. No fim, descobrir que a grande vingança da nossa simpática protagonista é posar com as patas de cocô na broa do padre, algo que praticamente todas as moscas fazem, e ficar feliz com isso como se estivéssemos do lado dela, é bastante legal.

    🤡 #euRi:

    ▪ Da mesma forma que o trocadilho, o sucesso da anfitriã ficou no futuro do pretérito 🙂

    ▪ Venceslau cumpriu sua vingança ao limpar as patinhas de cocô na broa do sacerdote 😃

    ⚠️ Nota 8,0

  6. Evandro Furtado
    28 de agosto de 2017

    Olá, caro(a) autor(a)

    Vou tentar explicar como será meu método de avaliação para esse desafio. Dos dez pontos, eu confiro 2,5 para três categorias: elementos de gênero, conteúdo e forma. No primeiro, eu considero o gênero literário adotado e como você se apropriou de elementos inerentes e alheios a ele, de forma a compor seu texto. O conteúdo se refere ao cerne do conto, o que você trabalha nele, qual é o tema trabalhado. Na forma eu avalio conceitos linguísticos e estéticos. Em cada categoria, você começa com 2 pontos e vai ganhando ou perdendo a partir da leitura. Assim, são seis pontos com os quais você começa, e, a não ser que seu texto tenha problemas que considero que possam prejudicar o resultado, vai ficar com eles até o final. É claro que, uma das categorias pode se destacar positivamente de tal forma que ela pode “roubar” pontos de outras e aumentar sua nota final. Como eu sou bonzinho, o reverso não acontece. Mas, você me pergunta: não tá faltando 2,5 pontos aí? Sim. E esses dois eu atribuo para aquele “feeling” final, a forma como eu vejo o texto ao fim da leitura. Nos comentários, eu apontarei apenas problemas e virtudes, assim, se não comentar alguma categoria, significa que ela ficou naquela média dos dois pontos, ok?

    Se eu pudesse conferir ao conto um adjetivo eu apontaria como inofensivo. A história parece não levar a lugar nenhum. Não há, de fato, um conflito ou algo que faça o leitor sair da zona de conforto para se importar com o que está acontecendo. Além disso, há a questão do tema. Mais uma vez me parece que o conto cai muito mais para o lado do absurdo do que do ridículo.

  7. Vitor De Lerbo
    28 de agosto de 2017

    Texto muito bem escrito e, mesmo com a trama escatológica, cheio de classe.

    O levantamento inusitado por parte da mosca, ao meu ver, é ainda mais cômico do que a vingança tramada por ela, também bem feita.

    Boa sorte!

  8. Juliana Calafange
    26 de agosto de 2017

    É muito difícil fazer rir. Ainda mais escrevendo. Eu mesma me considero uma ótima contadora de piadas, mas me peguei na maior saia justa ao tentar escrever um conto de comédia para este desafio. É a diferença entre a oralidade e a escrita. Além disso, o humor é uma coisa muito relativa, diferente pra cada um. O que me faz rir, pode não ter a menor graça para outra pessoa. Assim, eu procurei avaliar os contos levando em consideração, não necessariamente o que me fez rir, e sim alguns aspectos básicos do texto de comédia: o conto apresenta situações e/ou personagens engraçadas? A premissa da história é engraçada? Na linguagem e/ou no estilo predomina a comicidade? Espero não ofender ninguém com nenhum comentário, lembrando que a proposta do EC é sempre a de construir, trocar, experimentar, errar e acertar! Então, lá vai:
    Que delícia seu conto, Elias! Divertido, inusitado, e ainda tem uma mensagem bem bacana no final. Quero sua autorização pra transformar essa história num roteiro de animação. Eu já visualizei as cenas todas, escutei a vozinha da mosca falando com o padre e tudo! Não vi erros de revisão, achei o ‘timming’ muito bom, enfim… Parabéns!

  9. Paula Giannini
    25 de agosto de 2017

    Olá, Elias,

    Tudo bem?

    O ponto alto de seu texto, ao menos para mim, é a reflexão que ele faz. Comédia pode fazer reflexão? Sim, pode e deve. Reflexões, críticas, paródias, enfim.

    Pobre criatura fadada a não possuir uma alma. Pobre criatura dotada da maior de todas as maldições, a consciência do existir e, consequentemente da própria morte. Eis que, pois, a criatura que se descobre finita, não a descoberta instintiva da qual todo ser vivo é dotado, mas a filosófica, a de saber, com dor, que sua história termina; parte em busca de explicações metafísicas para sua vida. Busca sua alma. Para o dogma católico (bem como para outras inúmeras religiões), no entanto, o pequeno inseto nada mais é que mosca. E como tal, claro, não tem alma. O papel que lhe serve é o de incômoda praga, esmagada na pancada do jornal, no inseticida, na sola do sapato e pronto. Ninguém pensará em assassinato ao esmagar um inseto. Alguns talvez sim. O seu Padre, por exemplo.

    É nesse ponto que o autor, certamente consciente de sua criação, dota a “desalmada” criatura da capacidade de engenho e vingança. Ora, o que é um pecadinho para quem já está de fato condenado? E assim, o leitor torce pelo inseto e suas asquerosas patas a contaminar o lanche do Pároco. Bingo! Muito bom.
    Criar empatia com o vilão, transformando-o em mocinho é um golpe de mestre.

    Parabéns.

    Sucesso no certame.

    Beijos

    Paula Giannini

  10. Priscila Pereira
    25 de agosto de 2017

    Olá Elias.
    Gostei bastante do conto. Sem apelações, sem pretensão de hilaridade, simples, inteligente e perspicaz. Os personagens são fortes e bem delineados e a mosca é uma figurinha!! Gostei dela!! Parabéns e boa sorte!!

  11. Anderson Henrique
    25 de agosto de 2017

    Bom texto, agil e consistente. Boa escolha de nomes (Não-me-toque, Café Teria). O humor justamente no absurdo da trama que se apoia na vingaça da mosca e nas indagações do padre. Quando o texto faz um corte para a narração do poodle fazendo cocô, eu achei que ele e a dona teriam um papel fundamental na história, mas essa passagem serviu apenas pra deixar a bosta ali como munição pra mosca. Essa cena não é um problema, mas acho que ela poderia ser encurtada com uma breve menção apenas e não ser retomada posteriormente em alguns trechos do texto. Mas, com diria o poeta, é apenas uma opinião. É um bom texto, sem dúvida. A frase final é ótima.

  12. Amanda Gomez
    25 de agosto de 2017

    Olá, Elias.

    Bem, você quase partiu meu coração quando deu a entender que o padre tinha matado a mosca, veja só.. a coitada foi amaldiçoada com a consciência.. e viveria seus poucos dias..ou horas de vida indagando sobre a vida as voltas em fezes de animais e etc. Eu to com sério problema com empatia a animais nesse desafio, a história do frango ainda me revolta ( mas isso é uma outra história, literalmente)

    Não sei quem é mais estranho, a mosca ou o padre.. e quantos padres temos neste desafio… No geral eu achei a história curiosa.. interessante… mas não engraçada. Não sei se encaixaria em comédia, não sei mesmo. Mesmo que o final tenha um ar…de humor, ainda assim não funciona.

    Mas a mosca é simpática, e fiquei contente pela vingança e por ela seguir em frente…ainda que meio triste por ela não ter ninguém a falar.

    Boa sorte no desafio.

  13. Rsollberg
    24 de agosto de 2017

    Hahaha

    Gostei muito desse conto,que até agora é um dos melhores começos do desafio “O finado marido dera-lhe – antes de falecer, como pode-se supor – a ideia de nomear seu empreendimento como “Café Teria”. Da mesma forma que o trocadilho, o sucesso da anfitriã ficou no futuro do pretérito.”

    O ambiente é trabalhado para a história com minitramas que se juntam para justificar o final, o Padre, a mosca e o coco do Poodle. Esse topo de recurso é muito difícil de ser aplicado qdo se tem pouco espaço, mas aqui o autor conseguiu
    A história traz um humor mais refinado, reflexivo. Invertendo os papeis da racionalidade e a troca de consciência. Razão e instinto alternando nos personagens.

    Meu único apontamento é que algumas palavras repetidas em curto espaço poderiam ser suprimidas ou trocadas por algum sinônimo, como Padre e Broa.

    De qualquer modo, um ótimo conto!
    Parabéns

  14. iolandinhapinheiro
    24 de agosto de 2017

    Avaliação

    Técnica: A escrita era coloquial, bastante direta, o enredo simples e inteligente, acho que houve uma pouco de informação desnecessária no início do conto, mas depois que engrenou, tudo deu certinho. O personagem Venceslau tem carisma, e vê-lo discursando para o padre me fez lembrar da piada do ratinho e da elefanta, rs.

    Fluidez: Fora os excessos do começo, foi um conto que me diverti lendo. Bem escrito, poucos personagens, bem concatenado, valeu muito, fluidez ótima.

    Graça: Teve sim. A trama a partir da entrada de Venceslau é bem divertida. Parabéns.

    Boa sorte

  15. Fabio Baptista
    24 de agosto de 2017

    SOBRE O SISTEMA DE COMENTÁRIO: copiei descaradamente o amigo Brian Lancaster, adicionando mais um animal ao zoológico: GIRAFA!

    *******************
    *** (G)RAÇA
    *******************

    Começou bem engraçado e eu tive impressão de que finalmente havia me deparado com uma boa comédia. Mas depois enveredou pra um lado que não me fez achar tanta graça.

    – antes de falecer, como pode-se supor
    >>> esse tipo de intervenção é meio infame… mas eu gosto kkkk

    – Da mesma forma que o trocadilho, o sucesso da anfitriã ficou no futuro do pretérito.
    >>> boa! kkkk

    *******************
    *** (I)NTERESSE
    *******************
    Prendeu minha atenção o tempo todo.

    *******************
    *** (R)OTEIRO
    *******************
    Então, aqui cai mais no gosto pessoal (a verdade é que sempre cai).
    Senti um ar mais de crônica, mas isso não foi necessariamente um problema.

    Eu não curti muito o lance da mosca falar e não ser ouvida, sei lá… e a vingança dela também não foi das melhores.

    *******************
    *** (A)MBIENTAÇÃO
    *******************
    Poderia ter descrito um pouquinho melhor a cafeteria, mas talvez isso tirasse agilidade do texto. No final, ficou bom.

    Os personagens são bons, principalmente a mosca falante.

    *******************
    *** (F)ORMA
    *******************
    Muito bem escrito, com construções de frases bem inteligentes.

    *******************
    *** (A)DEQUAÇÃO
    *******************
    Total.

    NOTA: 8,5

  16. angst447
    23 de agosto de 2017

    Olá, autor(a), tudo bem?
    Não cheguei a rir do seu texto, mas sem dúvida, é um conto bem humorado, leve e que não ficará às moscas por aqui. Desafio cumprido.
    Não encontrei lapsos de revisão. O conto está muito bem escrito, revelando habilidade notável com as palavras e descrições.
    O ritmo da narrativa é prazeroso, sem interrupções ou sustos. Nada de grandes surpresas,mas a curiosidade é despertada logo nas primeiras linhas. Uma história simples, quase de desenho animado, a mosca do cocô do bandido, digo do poodle da madame.
    Só teve uma coisa que não compreendi bem.Na passagem ” era observado por centenas de olhinhos do outro lado da mesa”, passou a ideia de que várias moscas estavam olhando para o padre – centenas de olhos….Depois me explica?
    Boa sorte!

  17. Rubem Cabral
    23 de agosto de 2017

    Olá, Elias Varejeira.

    O conto é divertido, embora não realmente cômico. O texto passa graça e é bem escrito também, inclusive com bons diálogos.

    Apenas senti falta de mais enredo. Desde que o padre irritou a mosca imaginei que ela se vingaria usando o cocô do poodle, que não estaria lá na entrada da loja por simples acaso. Então, quanto à história, penso que o conto poderia “entregar” mais.

    Abraços e boa sorte no desafio.

  18. Ana Maria Monteiro
    22 de agosto de 2017

    Olá colega de escritas. O meu comentário será breve e sucinto. Se após o término do desafio, pretender que entre em detalhes, fico à disposição. Os meus critérios, além do facto de você ter participado (que valorizo com pontuação igual para todos) basear-se-ão nos seguintes aspetos: Escrita, ortografia e revisão; Enredo e criatividade; Adequação ao tema e, por fim e porque sou humana, o quanto gostei enquanto leitora. Parabéns e boa sorte no desafio.

    Então vamos lá: Notei algumas acentuações fora do pretendido, mas nada que altere a qualidade do texto. O enredo é engraçado e recordou-me uma história que escrevi em tempos sobre uma mosca na sopa dum restaurante e a hesitação do protagonista entre devolver a sopa ou tentar salvar-lhe a vida, acabando com a saída de ambos do restaurante. Até por isso, gostei do conto. Mas achei que, enquanto comédia, passou um pouco ao lado. Tem, mas pouca. Gostei bastante de ler.

  19. Fernando.
    21 de agosto de 2017

    Meu caro Elias Varejeira (epa, que nome arranjaste!?). Pois é, amigo, que criativa a sua história, gostei muito da mosca falante diante do padre e sua broa. Da consciência e humanidade do padre. Achei interessante a sua reflexão. Até mesmo da vingança da mosca, quase assassinada, apesar do jeito que tal vingança foi executada. Criativo, bem escrito, legal seu conto, mas do que senti falta mesmo foi do humor. Uma história bacana me ficou na cabeça. Estarei sendo ranzinza, tal o padre Ambrósio em seus dias de menor fé? Bem, pode ser, bem como também possa ser que meu humor é daqueles esquisitos, sabe? Então releve estas palavras, caro Elias. Meu abraço.

  20. Catarina Cunha
    20 de agosto de 2017

    10! Nota 10!

  21. Regina Ruth Rincon Caires
    20 de agosto de 2017

    Texto muito bem escrito, denota o total domínio que o autor tem da língua portuguesa. Correto, pontuação exemplar, claro, lógico, fluente. Enredo bem costurado, estrutura sem qualquer deslize. Teor condizente com o propósito, uma maravilha! Parabéns, Elias Varejeira!

  22. Roselaine Hahn
    19 de agosto de 2017

    Olá ser Varejeira, o seu conto é repugnante, num bom sentido. O seu conto é um tanto metafísico, gostei, não necessariamente pelo humor, mas pela profundidade da consciência da mosca. Achei um primor o parágrafo: “Talvez, Deus tenha me feito assim com algum propósito. Sei que o senhor vai dizer que todas as criaturas são iguais perante Ele, e que todas têm algum propósito. Mas padre, não consigo deixar de me questionar: por que eu? Entre todas as centenas de milhares de moscas que nascem a cada dia, por que justamente eu teria que carregar o fardo da consciência? E mais: por que todo esse conhecimento inato, se provavelmente não conseguirei mantê-lo até a próxima semana?” Achei que a elucubração bem caberia a qualquer um de nós. Ah, mas estamos falando de comédia né?O seu conto é bem escrito, sem dúvida; engraçado? Nem tanto, mas o que não tira o brilho dele, pela fluidez, com o embate entre o padre e a mosca, bem construído; até lembrei da mosca do Raul Seixas. É isso, sorte pra vc. no desafio.

  23. Lucas Maziero
    19 de agosto de 2017

    A vida corriqueira seguindo seu curso e eis que, pasmem!, surge uma mosca singular: e o que ela faz? Faz merda, nos dois sentidos! Preocupada com o divino, ela não faz nada além cometer um pecadozinho, e é aqui que reside a piada máxima do conto.

    Opinião geral: Gostei.

    Gramática: Boa! Apenas dois errinhos à toa.

    Narrativa: Gostoso de ler, coerente com a ideia apresentada.

    Criatividade: Bem, a ideia não é tão boa, mas a forma como foi desenvolvida a tornou entretida, embora pudesse ter tomado um rumo mais cômico. Em contrapartida, nesse absurdo da mosca singular, se encontra a graça, e mesmo sendo especial, não passou de um incômodo para o padre, ainda que este considerou como errado caso a teria matado.

    Comédia: É divertido, se bem que senti falta de um ritmo mais debochado (por exemplo: o diálogo entre o padre e dona Hermínia ficou um tanto deslocado dentro da proposta, algo sério em meio à comicidade – não que esteja errado, mas aqui ficou sobrando, se soube me expressar.

    Parabéns!

  24. Alex Alexandre da Rosa
    17 de agosto de 2017

    Olá autor(a)
    Muito bom o texto, bem escrito. Palavras pontuais. Narração e diálogos bem conduzido. Humor leve, mas compensou na criatividade. Parabéns!

  25. Davenir Viganon
    16 de agosto de 2017

    Título sucinto e bem sacado. Adorei o nonsense de misturar o bucólico com cocô. O resultado não ficou um cocô, longe disso. É um texto de comédia (parece óbvio dizer, mas quando comentar que não for, ai fará diferença.). Achei bem bolado o tom cotidiano de tratar as proporções e pontos de vista. O conto é divertido pela situação e é bem leve. Obrigado por trazer este conto para nós.

  26. Ricardo Gnecco Falco
    15 de agosto de 2017

    Olá autor(a)! Tudo bem?
    Estou aqui agora, logo após ter me deleitado com a leitura de sua obra, exercendo a função não mais de leitor, mas sim de julgador de seu texto. Por isso, para ser justo com você (e com os/as demais), darei notas para todos os trabalhos com base nos MESMOS quesitos, que estão listados abaixo. Desejo-lhe boa sorte do Desafio e lhe agradeço pela oportunidade de conhecer sua criação! Um forte abraço,
    Paz e Bem! 🙂

    —–

    1) Está BEM ESCRITO? (0/3) –> 2,5

    Sim, o texto está muito bem escrito e consegue rapidamente domar o sentido de realidade do leitor, colocando-o diante de uma mosca consciente não apenas de sua existência como, o que é ainda pior, de sua finitude. Não percebi nenhum farpa durante a leitura, tanto no que tange a ortografia quanto ao estilo da escrita. Somente para reforçar o estereotipo da perfeição, o primeiro parágrafo poderia conter menos traços (palavras compostas, verbos e apóstrofes).

    2) A história é CRIATIVA? (0/3) –> 2

    Dar “voz” e inteligência a animais não é assim nenhuma Brastemp na literatura, mas penso que aqui foi bem desenvolvida a opção. No conjunto da obra, formou uma interessante história.

    3) O humor é INTELIGENTE? (0/3) –> 1,5

    O humor é bastante filosófico e, com exceção do final pouco inovador, conseguiu dar conta do recado que o/a autor/a desejava transmitir.

    4) Eu dei RISADA? (0/1) –> 0

    Não. Eu confesso…

    ——-
    6
    ——-
    OBS: Se as notas por mim expressas aqui somarem um valor DIFERENTE (para mais ou para menos) da que será, ao final de todas as leituras, postada no respectivo campo de avaliação geral do site (onde estarão listados todos os contos concorrentes deste grupo e suas respectivas notas finais, e que terão valor oficial), o fato se deverá, provavelmente, por eu ter mexido na nota previamente colocada aqui na avaliação inicial, com base na amplitude de conhecimento obtida após término de todas as leituras, podendo portanto ocorrer uma mudança de paradigma em meu padrão avaliativo inicial.

  27. Luis Guilherme
    15 de agosto de 2017

    Noiteee, tudo bem?

    Gostei! Em especial, a mosca-personagem é excelente!

    O conto é leve, super bem escrito, tem um humor inquestionável e natural, e agrada muito na leitura.

    Sua linguagem é muito boa, fluída e agradável, e não notei nenhum erro gramatical que me chamasse atenção.

    A fluidez da historia é valorizada pelo excelente enredo, salpicado de belas sacadas e tiradas.
    Em especial, gostei muito da cena:

    “A mosca voltara aos arredores, com aterrisagens aqui e ali, entremeadas pelo esfregar maquiavélico de suas patinhas. Estamparia um sorriso de orelha a orelha, se tivesse dentes… ou orelhas. Felizmente, não os tinha, isso faria dela o animal mais estranho na face da Terra.

    “Isso mesmo, danado, coma tudo.” ”

    Fiquei vendo a imagem se passar na minha cabeça. Muito bom!

    Também adorei a frase final, fechou com chave de ouro.

    Enfim, belíssimo trabalho, um dos meus preferidos, até agora.

    Parabéns e boa sorte!

  28. Bia Machado
    15 de agosto de 2017

    Desenvolvimento da narrativa – 2/3 – Gostei da narrativa e até achei graça na situação cômica de uma mosca querendo se vingar. Mas pra mim o conto peca na questão de desenvolver demais, colocar filosofia demais na coisa. Fosse mais nonsense, teria agradado ainda mais. Pra mim, a narrativa vai melhorando para o final.
    Personagens – 2/3 – Estão aí, fazendo parte da trama, mas não conquistam, não me
    fazem torcer por eles, não me levam para dentro da história.
    Gosto – 0,5/1 – Gostei, sim, achei uma boa narrativa, mas nada de mais, nada que o
    faça se destacar.
    Adequação ao tema – 0,5/1 – Quase. Como disse no primeiro item, fosse mais nonsense, teria sido engraçado. Há um ou dois momentos de um “sorrisinho leve” meu na trama, porém não creio que dá para dizer que atendeu totalmente ao que o desafio colocava como tema.
    Revisão – 1/1 – Pra mim, ok, muito bem revisado.
    Participação – 1/1 – Parabéns por ter enviado o conto.

  29. Wilson Barros Júnior
    15 de agosto de 2017

    Um conto interessante, cheio de frases bem construídas, como “Da mesma forma que o trocadilho, o sucesso da anfitriã ficou no futuro do pretérito”, ou “fez cantar o jornal matutino”, que atraem a atenção para a leitura. A ideia é muito interessante, uma comédia “animista”, com um toque de realismo fantástico. Os nomes são bem escolhidos, como Hermínia, que remete à magia, Não-Me-Toque, que lembra moscas. O conto todo é econômico, minimalista, um efeito que só se consegue eliminando os excessos. O final fechou bem o conto, dando-lhe coerência e solidez, a confissão no final foi realmente cômica.

  30. Cilas Medi
    15 de agosto de 2017

    Olá Elias,
    “Padre de uma figa. O que custava me responder? Tanta teologia e nenhuma educação. Vai me pagar por essa, ah se vai!” = “Padre de uma figa. O que custava me responder? Tanta teologia e nenhuma educação. Vai me pagar por essa, ah se vai!” – Explicação: O texto deveria acompanhar o itálico, já que é pensamento.
    Um conto que terminou pelo título e logo após o cocô. O restante foi consequência e uma extensão para poder participar do desafio, ao encerrar com um pouco mais de mil palavras. Sem graça e sem sorriso nenhum. Não cumpriu o prometido.

  31. Catarina Cunha
    15 de agosto de 2017

    Humor inteligente e elegante. Nada de gargalhadas, só a desprezível constatação da piada que nós humanos somos. Premissa inovadora (pelo menos para mim) diante do país da piada pronta.

    Auge: “Entre eles, o bom padre Ambrósio, fiel à broa com café pela manhã e a Deus sobre todas as coisas.” Toda a síntese do conto em uma única frase. Ela desperta a curiosidade em relação à broa.

    Sugestão:

    Me ensinar a ser tão controlado (a) e maquiavélico (a).

  32. Catarina Cunha
    15 de agosto de 2017

    Humor inteligente e elegante. Nada de gargalhadas, só a desprezível constatação da piada que nós humanos somos. Premissa inovadora (pelo menos para mim) diante do país da piada pronta.

    Auge: “Entre eles, o bom padre Ambrósio, fiel à broa com café pela manhã e a Deus sobre todas as coisas.” Toda a síntese do conto em uma única frase. Ela desperta a curiosidade em relação à broa.

    Sugestão:

    Me ensinar a ser tão controlado (a) e maquiavélico.

  33. Givago Domingues Thimoti
    14 de agosto de 2017

    Adequação ao tema proposto: Bem adequado.
    Criatividade: Alta. Foi um conto interessante, até certo ponto. Confesso que me decepcionei um pouco quando vi que não rolaria uma questão existencial. Porém, pensando por um outro lado, acho que seria muito difícil transformar uma conversa sobre existencialismo em algo engraçado. Ainda assim, gostaria de ver como se sairia essa mistura
    Emoção: O impacto foi médio. Arrancou um sorrisinho meu
    Enredo: Gostei. Achei que foi bem desenvolvido e um texto bem fechadinho. A leitura não foi truncada. Quando eu menos esperava, já estava no final.
    Gramática: Não notei nenhum erro.

  34. Elisa Ribeiro
    13 de agosto de 2017

    Olá Autor,

    Gostei do seu argumento. Um embate entre uma mosca consciente e um padre sem consciência.

    Os personagens me pareceram um pouco esquemáticos, meio cartoon. Achei que você poderia ter “carregado” com um pouco mais de humor as atitudes do padre. Por exemplo, caracterizar uma hipotética glutonice do padre com o consumo de coxinhas gordurosas de galinha ao invés de broa com café, tão frugal. Se me permite uma sugestão, eu trocaria a raça do cachorrinho da madame por um Lulu da Pomerânia mais fashion atualmente do que Poodle.

    O narrador explica demais e dá muitas opiniões, o que para o meu gosto, fez pesar o texto. De positivo, destaco as falas da mosca consciente, para mim, o ponto alto do texto.

    O conto tem bom vocabulário e me pareceu impecável do ponto de vista gramatical.

    Boa sorte!

  35. Jorge Santos
    13 de agosto de 2017

    Conto bem escrito, com princípio meio e fim. O tema está implícito, de humor inteligente. A vingança de uma mosca ignorada é subtil, tal como este conto o é. Se fará alguém rir, é mais complicado afirmar.

  36. Gustavokeno (@Gustavinyl)
    11 de agosto de 2017

    Escatológico e teológico. Combinação inusitada.

    O trabalho é bem escrito, com construções frasais elegantemente tecidas. O começo dá aquele sabor regionalista, daqueles que nós faz sentir nos arredores da cidadezinha.

    Porém, a anedota da mosca Venceslau com o padre não me cativou. Infelizmente.
    Achei, não sei, um tanto quanto raso. Notei que o conto é curto. Talvez, se o autor tivesse expandido mais um pouquinho a coisa funcionasse comigo.

  37. Pedro Paulo
    10 de agosto de 2017

    O começo do conto nos explica o ambiente, começando pelo seu aspecto notável de inospitalidade e poucos visitantes fiéis, um deles o Padre, ao redor do qual a história gira. Isso é feito rapidamente, em dois parágrafos, demonstrando um domínio da narrativa. Pouco depois, vemos que o padre é comprometido com sua fé ao ponderar a própria gula, já traçando um perfil do personagem, e então vem a estrela do conto: Venceslau, a mosca.

    E para mim isso é uma ótima tirada. Acredito que comédia envolve expectativa e que utilizar um fato corriqueiro para surpreender contribui com o humor. Portanto, a mosca filósofa em seu discurso de redenção é engraçado e, ao mesmo tempo, cativante, algo que não se imagina nas moscas de todo dia. O trágico e impossível monólogo da mosca é entrecortado por alguns avanços da reação do Padre e, logo antes da reação completa, descobrimos que o discurso do pobre Venceslau pouco importa pela diferença de percepção de tempo e o pároco não pôde nem escutá-lo, enxotando-o logo. Apesar da ação violenta do homem de batina, o mesmo preserva caráter ao desabafar sua atitude assassina e temos o vislumbre de uma reflexão no diálogo do Padre com a anfitriã, o que contribui para a construção do caráter do Padre.

    Enquanto isso, Venceslau coloca sua vingança em andamento e as palavras são muito bem escolhidas para narrar as ações da mosca. Imaginar uma mosca com dentes e orelhas foi mesmo aterrador e certeiro para relatar o triunfo da mosca. Enfim, ficamos a par da vingança da mosca e o padre sai, abatido, enquanto a mosca saboreia a vitória. No entanto, senti falta de uma certa conclusão para a busca da mosca pela salvação. O conto encerra com Venceslau comemorando sua vingança, mas, depois disso, aposto que a mosca teria se sentido tão frustrada quanto o padre. O desfecho, embora bem-humorado, pareceu ter aberto mão do conflito que centraliza a trama.

  38. Pedro Luna
    8 de agosto de 2017

    Haha, me pergunto se o escritor teve a ideia ao ver uma cena de moscas sobrevoando o monte de bosta em alguma calçada. Olha, gostei da leitura. Foi bem inesperado esse lance de mosca filosofa, com direito a questionamentos feitos por seres humanos – o dom da inteligência versus o inevitável fim, no caso dela, um fim bem mais rápido. A vingança da mosquinha não foi tão terrível assim, mas seguiu o tom divertido e leve do restante do texto.

    O único ponto baixo, mas que não tornou de maneira nenhum o conto em algo ruim, é que os primeiros parágrafos falando sobre a cafeteria, sua origem, me parecem dispensáveis e não fazem muita diferença no restante do texto.

    Então é isso. O conto é simples, bem escrito, curto, tem situações inesperadas e diferentes que prendem a atenção e diverte. Bom texto.

  39. Brian Oliveira Lancaster
    8 de agosto de 2017

    JACU (Jeito, Adequação, Carisma, Unidade)
    J: Divertido pelo insólito. Aplicar características humanas a objetos e animais geralmente causam a estranheza necessária e deixa o leitor curioso. – 8,5
    A: Achei bem-humorado, não dei risadas (sei que esse não é o objetivo final), mas permaneceu cômico até o fim. Tem cara de crônica, com entrelinhas bem pontuadas e uma certa crítica embutida. O que cativa é o inusitado. Esperava um final um tanto diferente, como ele engolir a mosca ou algo do tipo, mas acabou utilizando-se do lugar-comum e isso desanimou um pouquinho. – 8,0
    C: A mosca é o personagem principal, muito carismática, mais até do que os outros personagens. A impessoalidade na pessoa do padre deve ter sido proposital. Não que isso afete o contexto, mas os humanos pareceram apenas parte do cenário, sem profundidade. – 8,5
    U: Faltou um itálico em uma frase da mosca (sim, coisa de chato, mas não seguiu o padrão). Fora isso, muito bem escrito, com algumas nuances aqui e ali que dão o tom da história. – 9,0
    [8,5]

  40. werneck2017
    7 de agosto de 2017

    Olá Elias,

    Adorei seu texto. Estória muito criativa, uma mosca com consciência e preocupada com a vida após a morte. E pecadora, e raivosa, tal qual os humanos.
    O enredo é de uma leveza peculiar, captando a atenção do leitor logo de início, instigando a curiosidade até o desfecho final.
    O texto está adequado ao gênero de comédia, por certo. Sem erros gramaticas, muito coeso, coerente, parágrafos bem construídos.
    Minha nota é 9,8.

  41. Eduardo Selga
    6 de agosto de 2017

    É enredo original uma mosca com preocupações filosóficas tentar um diálogo com um padre, mas o resultado fica muito mais no âmbito do insólito do que no território da comédia. Não que uma coisa necessariamente elimine a outra, muito ao contrário, mas nesse conto um se sobrepôs ao outro. O final confere algum humor ao conto, por haver uma escatologia moderada.

    No entanto, há uma “frieza” no conto que não se coaduna bem com a comédia. Ou, tentando explicar melhor: a personificação da mosca Venceslau ficou muito boa, mas ocorre um contraste entre o inseto e os personagens Dona Hermínia e o padre Ambrósio, que são, por assim dizer, “demasiado humanos” relativamente à mosca, conforme é possível captar pelo diálogo entre eles. Então, temos uma personagem humanizada e dois outros, humanos. isso pode gerar uma espécie de fosso na percepção do leitor quanto aos personagens.

    Ocorre que personificar um inseto, em literatura, não é de fato muito mais do que foi realizado pelo autor. A frieza localiza-se, então, no fato de a mosca não ser a personificação de um homem qualquer, vulgar, e sim de alguém preocupado com a manifestação de Deus. Como o padre o é. Assim, por associação nem sempre consciente por parte do leitor, a mosca é tão ou mais religiosa que ele. Essa estranheza, típica do fantástico, pode causar no leitor certa frieza.

    A escatologia não se relaciona apenas à matéria excretada pelo corpo: é também a doutrina, presente em todas as religiões abraâmicas, relacionada ao fim do mundo e ao destino dos fiéis e dos infiéis.

    Pois bem. Temos uma personagem que comete um ato escatológico, no primeiro sentido, tendo como vítima um personagem que está diretamente relacionado à escatologia no segundo sentido. A relação entre ambos os sentidos é que a contaminação do imaginário coletivo pela ideia apocalíptica e religiosa de fim dos tempos, coisa que nos ocorre hoje, costuma provocar manifestações escatológicas (excrementos) em diversos níveis da sociedade.

  42. Bruna Francielle
    5 de agosto de 2017

    Tema: razoavelmente adequado

    Pontos fortes: Conseguiu por um pouco de sentido num enredo non-sense. Me refiro ao fato do padre ter refletido sobre o acontecido, sobre ter gerado uma reflexão ele ter quase matado a mosca. Gostei da atitude da mosca em ir conversar com o padre, do monólogo que ela fez, conseguiu imprimir uma personalidade na mosca, apesar de ter sido uma personalidade meio humana demais. Tem o crédito do conto não ser chato, e de ser simples de se compreender.

    Pontos fracos: Achei que apesar da história ser non sense, se saiu bem até a parte final, onde derrubou expectativas. A vingança da mosca não fez jus a introdução da parte final, que parecia prometer algo inusitado, impensável e surpreendente, e no fim algo sem essas qualidades ocorreu. Outro final , mais surpreendente, poderia ter fechado melhor. Infelizmente, para mim, fechou mal o conto. No geral, ficou um pouco esdrúxulo, misturou reflexões interessantes com o grotesco. Não tenho certeza se essa foi uma boa combinação.

  43. Gustavo Araujo
    5 de agosto de 2017

    É um conto divertido, simples, com certo humor kafkiano. O insólito é bem vindo no momento em que a mosca e seus mil olhos aparecem, lançando questões filosóficas ao padre, o que revela uma boa dose de criatividade. Contudo, há certo telegrafismo na condução do final, eis que permite entrever a atitude revanchista da mosquinha, besuntando as patas com o material canino posto em frente ao estabelecimento alimentício para se vingar da jornalada que quase acaba com a sua vida. Nesse contexto, o arrependimento do padre me pareceu um pouco deslocado. Pessoalmente, preferi o embate entre o homem e o inseto. Se o conto tivesse caminhado para esse lado, do confronto, eu teria gostado mais. De todo modo, é um bom trabalho, bem escrito e que certamente diverte pela ousadia. Parabéns.

  44. Fheluany Nogueira
    5 de agosto de 2017

    A comédia, neste conto, encontrou espaço enquanto forma de manifestação crítica na esfera social, o cotidiano visto com o humor (bastante leve). O título e o pseudônimo são justificados pelo insucesso da cafeteria, o cocô do cachorro onde não deveria estar e infestado de moscas e a “mosca de consciência” tentando discutir religião com o padre.

    Quanto ao estilo, não há muitas inovações; ficaram divertidos alguns jogos de palavras e as frases da mosca que imitam a linguagem religiosa. A construção e o sentido da história são bem claros e fáceis de seguir; a leitura é fluida, o ritmo é bom. Não há deslizes gramaticais sérios; incomodou, um pouco, verbos conjugados na segunda pessoa do plural nos diálogos. No geral, gostei.

    Parabéns pela participação. Abraços.

  45. António Correia
    5 de agosto de 2017

    Adorei! Considero este texto uma beleza, onde o autor nos brinda com este
    tipo de humor inteligente

  46. Antonio Stegues Batista
    5 de agosto de 2017

    O texto é bem escrito, frases de efeito, o enredo até que é bom, mas não é tão engraçado quanto parece. A mosca se vingando do padre por ele não ter ouvido suas palavras, é absurdo, mas algumas coisas absurdas são também engraçadas, porém, nesse caso não consegui rir da vingança da mosca.

  47. Olisomar Pires
    5 de agosto de 2017

    Conto bem divertido. O drama existencial mosquífero foi tratado muito tranquila e proporcionalmente bem, sem cair no caricato.

    Escrita segura, não notei erros que maculassem ou travassem a leitura.

    O insólito fica por conta da imagem geral suscitada. Hilário.

    É possível especular filosoficamente, mas deixo isso para os mais literatos, atenho-me ao simples espetáculo do divertimento e este cumpriu seu papel.

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Publicado às 5 de agosto de 2017 por em Comédia - Grupo 1, Comédia Finalistas e marcado .