EntreContos

Literatura que desafia.

Mestre Tainha de Casa Forte (Gustavo Aquino)

“Peço licença aos gênios do cordel”

Para Alex e Rafael Matos,

os verdadeiros criadores de Tainha.

 

Pernambuco,

Ibimirim,

29 de abril de 1985

 

Professor César Bem-Velho,

 

Receio, por hora, que Tainha exista somente no imaginário nordestino.

Ilustro tal constatação com base nas pesquisas realizadas que, embora tenham propiciado grande acúmulo de causos folclóricos, não foram suficientes para me conduzir além da esfera da oralidade. Resumindo, continuo refém de fábulas, patacoadas, epopéias das carochinhas isentas de qualquer embasamento documental.

Prolegômenos à parte, vamos ao que interessa…

Os pescadores de Piúma confirmaram as narrativas que diziam que Tainha, antes de correr mundo afora, trabalhara nas jangadas do Porto da Saudade. Embora divergentes, as histórias locais convergem-se a uma única gênesis mítica: foi ali que a suposta odisséia tainhense principiou.

Estive também em Gemedera. E, depois de ler todos os cordéis acerca do tema, descobri que fora nesse povoado que Tainha sagrara-se capoeirista sob a tutela da mestra Querequequê-de-Iansã. A título de curiosidade, destaco a embolada que trouxe essa faceta do mito à luz da interpretação:

 

Mão no chão,

pé no vento.

Tainha espalhou alento,

debalou sina,

quebranto, bereketê.

Pois sua mestra-rainha,

foi Querequequê.

 

Sendo a finada mestra personalidade de renome naqueles ermos, achei por bem comparecer ao seu barracão no intuito de vistoriar quaisquer documentos capazes de fornecer alguma pista historiográfica. Revirei tudo, professor, mas findei não encontrando nada. Combalido pela ausência de provas, enveredei novamente na senda da oralidade e entrevistei três de seus alunos que ainda encontravam-se vivos: Charutinho, Doze-Homens e Moleza.

Prezarei aqui pela brevidade, pois obtive desses decanos as mais absurdas informações. O tal Charutinho enfatizara as supostas acrobacias de Tainha enquanto que Doze-Homens, meneando a cabeça e pitando seu cachimbo, limitava-se em aquiescer àquelas exorbitâncias. E Moleza, um negro aparentado de palmeira, ao contar-me que Tainha difundira a técnica – peço licença pelo palavreado – “meia-lua de cuzada“, ficou irritadíssimo com os meus porquês de tal feito não ter sido registrado no Dicionário de Capoeira do renomado Mestre Cobrinha de Apipucos. O gigantão gritou desagravos e Doze-Homens, soltando fumaça de trem maluco pelo cachimbo, teve que segurá-lo antes que a tal cuzada fosse despachada em mim.

É, professor, são eventos como esse que ilustram o nosso ingrato ofício. Parafraseando o filósofo Almir Corrupião: “De que serve a oralidade quando não conseguimos precisar a verita da mendarium?”.

Subscrevo-me aqui dizendo que estarei em Recife por conta do XII Seminário Folclorista. Espero que lá eu possa ser nutrido com menos fados e mais comprovações embasadas em critérios científicos.

 

Sinceramente,

 

Aritana Cascudinho.

 

***

 

Pernambuco,

Recife,

10 de maio de 1985

 

Professor César Bem-Velho,

 

O seminário contou com valiosíssimos apontamentos e destaco aqui as declarações do folclorista Santana Aroeira e as do filólogo Ordep Fomini.

Dito isso, começo do começo e início do inicio com as contribuições de Aroeira que, a saber, são duas…

A primeira concerne ao epíteto utilizado por Tainha. O folclorista achou o nome “Mestre Tainha de Casa Forte” nos registros policiais da década de 30 e estabeleceu, acertadamente, a ponte capaz de ligar esse indivíduo ao nosso mítico personagem graças a uma descrição feita por um oficial da época que diz:

 

Mestre Tainha de Casa Forte, capoeirista oriundo de Gemedera, detido por prática ilegal de capoeiragem“.

 

Com o reforço da tinta, destaco:

 

(…) capoeirista oriundo de Gemedera…“.

 

Ai está, professor!

Ai está o que tanto faltou nesses dois anos de pesquisa: comprovação historiográfica.

A segunda é a leitura pormenorizada de todos os feitos da lenda reunidos no artigo intitulado Brūmārum Tainha. A relação é imensa e por isso transcrevo-a aqui numa linguagem corrida, acrescentando algumas coisas que passaram longe dos olhos de Aroeira. De acordo com o Brūmārum, Mestre Tainha de Casa Forte foi: puxador de xáreu, tocou nos forrós de Jaboatão, virou em todos os santos, contrariou o destino torto dos ciganos, fendeu chifre de touro melado na tapa, atirou tarrafa em mais de um açude, aprendeu mistérios de um cacique de pele colorida, navegou seios de donzelas, nunca fugiu de remandiola, semeou lábios, colheu beijos na boca, enamorou-se de mulher de zona, dedilhou baiana nos folguedos de Salvador, era mentira bem contada que acabou virando sete mil sete verdades, travou peleja em muito mangue, foi homem até debaixo de outro homem, comeu chumbo e cuspiu bala de parabelo, decifrou os segredos entalhados na Pedra do Ingá, fez promessa de vagabundo, singrou nos ares, refrescou-se nos bares, aprendeu com rapariga muita língua de outros mares, na tocaia do amor ganhou no começo e no fim foi devedor, deitou-se com Kerpimanha num Quarup de lua-clara, deflorou a madrugada, lavou a culpa como se fosse cristão, leu saudade quando escreviam solidão, perdeu-se na vida, achou-se na morte, não deixou herança para seu ninguém e caiu no oco do mundo.

Agora, caso as revelações acima não tenham lhe deixado de boca aberta, prepare o queixo para o que vem a seguir…

O filólogo Ordep Fomini encontrou no acervo do cordelista Vevé Capiba o diário do especialista polonês em oralidade nordestina Bartz Szhunpauzer. Em uma das páginas do achado, uma crônica nominada Ellerni fiŝkapti en lando ec sanktulo Cucaniensis foi localizada. Escrita em esperanto, ela narra o encerramento da aventura do herói Fiŝkapti e seu companheiro Rivero Trinkaĵon na busca de uma terra mítica chamada Cucaniensis.

E o que isso tem a ver com o nosso Mestre Tainha?

Fomini explica…

A tradução do esperanto Fiŝkapti para nossa língua refere-se ao grupo particular de peixes pertencentes à família dos mugilídeos: ou seja, a tainha. Já Cucaniensis, que nada mais é que o equivalente francês Cockaigne – nome atribuído ao paraíso terrestre do universo da Baixa Idade Média –, desdobrou-se no nordeste brasileiro como Cocanha e, mais tarde, pela pena de Manuel Camilo dos Santos, em São Saruê.

A tradução do título une, numa mesma sela, Fiŝkapti e Mestre Tainha de Casa Forte:

 

Ellerni fiŝkapti en lando ec sanktulo Cucaniensis /

Mestre Tainha na Terra de São Saruê

 

E não é tudo…

Lembra-se de Trinkâjon?

Fomini também o passou pelo escrutínio da tradução e, para dar mais corpo ao embasamento, valeu-se do antigo repente de Arrigo Cariri – o famoso cantador de coco que embalou as polcas de Capibaribe.

 

Tainha feemeiro,

amigou-se de órfão ribeirinho

e não teve na vida um outro companheiro.

Era o dito maninho

homem de peleja e muito caminho.

Bravura de suçuarana e touro tinhoso.

Parceiro de copo, bozó e zona.

Diga-me quem é que carrega nome de rio glorioso:

Paraguaçu Dosona.

 

Depois fez as devidas aproximações lingüísticas: Rivero, em esperanto, significa “rio de águas prateadas” talqualmente o termo tupi-português “paraguaçu”. E Trinkâjon, referindo-se ao ato de “sorver em grandes doses“, aproximava-se de forma perfeita à palavra “dosona“.

Voilà!

Paraguaçu Dosona é Rivero Trinkaĵon!

Rivero Trinkaĵon é Paraguaçu Dosona!

Findado o mistério, Fomini se despediu do seminário anunciando que a crônica “Mestre Tainha e a Terra de São Saruê” estava em processo de tradução e que em breve seria revelada ao público.

Finalizo essa extensa carta dizendo que retornarei ao Rio de Janeiro daqui algumas semanas e, munido com mais embasamentos, creio que poderemos finalmente marcar uma reunião com o Departamento de História da UFRJ para apresentarmos os resultados de nossa pesquisa.

 

Afetuosamente,

 

Aritana Cascudinho.

 

PS: Peço prudência de sua parte, mesmo sabendo que é o mais prudente dos homens. Comentar qualquer coisa entre os professores do departamento, sem os respaldos científicos que estão comigo, poderia fragilizar o argumento de tudo o que construímos até aqui.

 

***

 

Rio de Janeiro,

Copacabana,  

24 de maio de 1985

 

Cascudinho,

 

Antecipo profundas desculpas e esclareço que não tive a mais remota intenção de comprometer nossa pesquisa. Você sabe, mais do que ninguém, o quanto lutei para que Tainha tivesse todo o respaldo acadêmico possível.

Enfim, conto-lhe o triste ocorrido…

Eu havia terminado de ministrar a última aula.

Então, fui até o bar do Mamadeira e, sentando-me à mesinha mais discreta, ao coro dos instrumentos que o trio de Quintinha da Sanfona ensaiava sobre o palco, tomei umas em nome de Tainha e a nossa pesquisa.  

O bar começou a encher. Saudei alguns conhecidos, professores e alunos que, como eu, cumpriam a rotina noturna de todas as sextas-feiras. Quando já me antecipava para ir embora – você sabe que não gosto de aglomerações – escutei Mamadeira dizer que haveria um sarau de repentes nos intervalos de cada música. Animei-me com aquilo, Cascudinho, pois vi ali a devida oportunidade de homenagear o Mestre de Casa Forte com alguns versinhos de minha autoria.

Assim, embalado nesse pensamento, rememorando fragmentos de ambas as missivas que me haviam sido encaminhadas, versei no primeiro refresco:

 

Tainha e Dosona

pelo mundão sem porteira.

Sinas e glórias.

Fodelança a vida inteira.

 

Fez-se um silêncio total.

Professores, alunos e todos os que conheciam meu feitio severão dentro das adjacências da universidade, me olharam com espanto devido àquele linguajar vulgar. Dissimulei como pude e juro que até tentei sair à francesa. Entretanto, um coro de vozes explodiu em clamores de mais e eu, ignorando todo o bom senso, emendei de carretilha:

 

Camará, camaradinho,

eu conto é trova boa.

História do maior herói nordestino.

Aquele que deitou cabelo pelo sertão e ainda riu à toa.

Abanquem-se os do sudeste, do leste, do norte,

para escutar as façanhas do cafuzo de Casa Forte.

 

Berros e mais berros ribombaram pelo bar.

Mamadeira – nordestino “até a tampa” como sempre afirmara –, quando ouviu sobre aquele desconhecido herói, baixou rodadas de cachaça em sua memória. O trio de Quintinha tentou encadear um xote, mas foi interrompido pelos pedidos esgoelados de novos repentes de minha autoria. Empoleirei-me nos ombros de uma garota que estava ao meu lado e, equilibrando-se por conta da embriaguez, emprosei:

 

Tainha e Dosona,

no oco do mundo.

Tainha é rei de ribalta e zona.

Dosona é maestro-vagamundo.

Um dá tesoura, cuzada, tapona.

O outro de rabo é cativo.

 

As pessoas que estavam nas mesas mais próximas repetiram os versos. A embolada encorpou, saçaricou nas bocas, preencheu o ar. Fui tomado por uma profunda felicidade diante de tamanha ovação. E, emocionado, propus um brinde final. Copos foram erguidos e, na força da lágrima e do gogó, saudei o Mestre de Casa Forte.

Foi aí que tudo descambou, Cascudinho…

Tudo ruiu no instante em que aquele repente cortou o espaço. E tomo a liberdade de escrevê-lo aqui para que você possa aquilatar o quão desaforadas foram as palavras:

 

De um improviso nunca corro,

pois correr não é comigo.

E digo e redigo,

para que fique na boca do povo:

Tainha é história de mentiroso.

Brisa de tanto tomar amansa-corno,

fuleragem nascida em cabeça de garoto.

 

Quando “fuleragem-nascida-em-cabeça-de-garoto” ressoou em meus ouvidos, uma ira cega tomou conta de mim. Cuspi a bebida na cara de todos os que acompanhavam o brinde e indaguei, aos urros, acerca de quem havia composto aquele desplante. Prontamente, espantados com aquela raiva súbita, me indicaram o responsável…

Recorda-se de Martinho Guiga? O professor de Historiografia Brasileira? Aquele que quase travou nossa primeira abordagem sobre Tainha anos atrás?

Pois bem, era ele!

Afastei as mesas e, esquecendo de minha idade avançada, parti para cima do canalha. A violência se fez dona do pedaço e até Mamadeira, ao ver que o nome do conterrâneo Tainha havia sido manchado, desceu a mão em todos os que estavam próximos. Cadeiras voaram, garrafas foram quebradas e até mesmo os alunos que tentaram me tirar de cima de Martinho levaram uns pescoções.

Tudo foi muito rápido e, para lhe ser franco, não lembro bem em qual momento a polícia interveio na situação. Só sei que quando dei por mim estava no 12ª DP de Copacabana com Mamadeira desacordado à minha direita e Quintinha da Sanfona à esquerda. Depois de algumas horas fomos liberados e eu retornei para casa.

Que vergonha ter de lhe contar esse infeliz incidente…

Que vergonha…

Sinto muito mesmo, Cascudinho…

Encerro dizendo que recebi, hoje de manhã, um telefonema do Departamento de História e fui convocado para prestar explicações. Lhe manterei informado sobre o meu destino e o destino de nossa pesquisa.

 

Envergonhadamente,

 

César Bem-Velho.

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44 comentários em “Mestre Tainha de Casa Forte (Gustavo Aquino)

  1. Renata Rothstein
    1 de setembro de 2017

    Olá, Rabelê, belê? Rsrs
    Então, seu conto já me fez rir de verdade desde o início, você é extremamente criativo com os nomes e as razões por trás deles, e tanto em desenvolvimento quanto ritmo e finalização, achei tudo perfeito.
    Acho que você será um dos 3 primeiros colocados, e desde já, meus parabéns!
    Nota 10

  2. Marco Aurélio Saraiva
    1 de setembro de 2017

    Que escrita bonita de ler. Suas palavras são arte, escolhidas a dedo, como se você passasse horas escrevendo um único parágrafo, e outras horas revisando-o até atingir a perfeição.

    A sua escrita é quase impecável, mas a técnica é muito rebuscada; especialmente quando falamos de um texto que deveria ser cômico. O conto é escrito de maneira tão séria e formal, que tive dificuldades de encontrar qualquer humor nele. Mas consegui encontrá-lo, enfim.

    A trama é boa e prende o leitor. Gostei de ler sobre Tainha e seus feitos, assim como gostei de acompanhar a pesquisa de Cascudinho. Foi um bom conto, apesar do humor sutil.

    Abraço!

  3. Wender Lemes
    1 de setembro de 2017

    Olá! Primeiramente, obrigado por investir seu tempo nessa empreitada que compartilhamos. Para organizar melhor, dividirei minha avaliação entre aspectos técnicos (ortografia, organização, estética), aspectos subjetivos (criatividade, apelo emocional) e minha compreensão geral sobre o conto.

    ****

    Aspectos técnicos: a escrita em cartas permite essa troca de narradores que, no conto, acaba formando dois eixos diferentes. Primeiramente, temos a narrativa em torno de Tainha, pela pesquisa do Cascudinho; posteriormente, o foco da narrativa passa a ser o professor César, enquanto o herói e seus cordéis assumem um segundo plano. Da parte ortográfica, vi apenas uma confusão no trocadilho com a palavra “início”.

    Aspectos subjetivos: os protagonistas das duas partes (se tratarmos Tainha como protagonista) são bem cativantes, sendo que há uma proximidade maior quanto ao professor, uma vez que Tainha é descrito no passado e não se apresenta como um personagem propriamente do conto, mas de cordéis e histórias do passado.

    Compreensão geral: tive a impressão de ter lido um conto com mais de 2000 palavras. Creio que o limite tenha sido explorado ao máximo, mas não é isso que causa tal impressão. Penso que a responsabilidade seja da mudança de foco, como se estivéssemos lendo duas histórias distintas. Também tive a sensação da existência de um contexto que desconheço, como se a história de Tainha fosse realmente algo que já existia antes do conto. De qualquer forma, conseguiu trabalhar bem a atenção do início ao fim.

    Parabéns e boa sorte.

  4. Thiago de Melo
    1 de setembro de 2017

    Amigo Rabelê,

    Gostei muito da sua história. Gostei de ela ter sido escrita apenas com cartas e de como você foi narrando o que acontecia a partir das cartas. Deu pra acompanhar direitinho. Também gostei do seu domínio do idioma. Só encontrei um pequeno erro ao final do texto, mas que não comprometeu em nada a sua narrativa. O único problema é que não achei engraçado. Algumas partes estão divertidas, alguns dos versos estão bem legais, mas, no geral, não é uma história de comédia. E isso não significa que o texto é ruim. Achei muito bom, mas sem grandes sorrisos. Um bom trabalho. Parabéns pelo texto.
    Um abraço!

  5. Leo Jardim
    31 de agosto de 2017

    Mestre Tainha de Casa Forte (Rabelê)

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): gostei do regionalismo e da forma como a história foi contada. O parágrafo que enumera as proezas de Tainha ficou muito bom. A parte da tradução do esperanto ficou meio pesada e acabei me desconectando um pouco. A confusão da última carta foi legal, mas senti que muita coisa da trama terminou solta, como os motivos de irem contra o trabalho deles, ou o real objetivo deles em provar a existência de Mestre Tainha.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): um conto epistolar, mas no qual os interlocutores têm bastante cuidado com a linguagem, deixando o texto um pouco denso demais, mas com passagens muito bonitas de se ler (gostei especialmente do parágrafo que descreve Tainha, como adiantei). Destaca-se aqui, também, o ótimo trabalho de pesquisa.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): um texto regionalista, mas com bastante toque próprio.

    🎯 Tema (⭐⭐): mesmo não me fazendo rir, percebi que o autor tentou trabalhar a comicidade.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫▫▫): já pontuadas todas as muitas qualidades do texto, devo dizer que o impacto para mim não foi muito forte, principalmente porque me desconectei da história na parte do esperanto e não vi muito sentido na briga da última carta. É um bom texto, mas que não me agradou em cheio.

    🤡 #euRi: infelizmente não ri nesse conto 😕

    ⚠️ Nota 7,5

  6. Priscila Pereira
    29 de agosto de 2017

    Olá Rebelê.
    Seu conto é muito interessante de acompanhar, mas não achei humor algum, desculpe. Está indiscutivelmente bem escrito, muito original a forma epistolar com que foi escrito e a cena do bar está perfeitamente nítida. Parabéns!! Mas não caiu no meu gosto como comédia. Ótimo conto, não como comédia. Boa sorte!!

  7. Evandro Furtado
    29 de agosto de 2017

    Olá, caro(a) autor(a)

    Vou tentar explicar como será meu método de avaliação para esse desafio. Dos dez pontos, eu confiro 2,5 para três categorias: elementos de gênero, conteúdo e forma. No primeiro, eu considero o gênero literário adotado e como você se apropriou de elementos inerentes e alheios a ele, de forma a compor seu texto. O conteúdo se refere ao cerne do conto, o que você trabalha nele, qual é o tema trabalhado. Na forma eu avalio conceitos linguísticos e estéticos. Em cada categoria, você começa com 2 pontos e vai ganhando ou perdendo a partir da leitura. Assim, são seis pontos com os quais você começa, e, a não ser que seu texto tenha problemas que considero que possam prejudicar o resultado, vai ficar com eles até o final. É claro que, uma das categorias pode se destacar positivamente de tal forma que ela pode “roubar” pontos de outras e aumentar sua nota final. Como eu sou bonzinho, o reverso não acontece. Mas, você me pergunta: não tá faltando 2,5 pontos aí? Sim. E esses dois eu atribuo para aquele “feeling” final, a forma como eu vejo o texto ao fim da leitura. Nos comentários, eu apontarei apenas problemas e virtudes, assim, se não comentar alguma categoria, significa que ela ficou naquela média dos dois pontos, ok?

    Acho que duas coisas prejudicam o andamento do conto. A primeira é a forma como ele é organizado/disposto. As divisões não são muito bem pontuadas, e confundem o leitor. A trama, por sua vez, também não é lá simples, e requer um nível de atenção tremendo para ser seguida. E claro que isso seria um mérito se esse processo não fosse cansativo. Às vezes a objetividade é bem-vinda.

  8. Vitor De Lerbo
    28 de agosto de 2017

    O texto está bem escrito, as rimas foram feitas com competência e enriquecem a trama e o final é divertido.

    Mas, ao meu ver, a história demora para engrenar; até termos a história contada pelo professor, o único parágrafo de destaque é aquele em que são enumerados os feitos de Tainha. No mais, a leitura é um pouco arrastada.

    Boa sorte!

  9. Amanda Gomez
    26 de agosto de 2017

    Olá,

    Bom, esse é seguramente o texto mais difícil que li até o momento, difícil no sentido de compreensão mesmo, nem com um dicionário do lado onde estive explicado todos os termos,palavras,nomes eu seria capaz de entender a natureza de todas elas. Não compreendi seu conto, o li inteiro tentei me apegar a detalhes mas não funcionou, acabou se tornando uma leitura muito travada e cansativa.

    Não acho, de todo modo que o texto seja ruim, pra quem entende, ou entendeu, pra quem aprecia o estilo pode ter sido maravilhoso, infelizmente não foi o meu caso. Diante disso, encontrar humor tornou-se impossível também.

    Os repentes,alguns versos são bonitos, algumas freses tem impacto, mas como um texto de comédia, não funcionou para mim.

    Boa sorte no desafio.

  10. Juliana Calafange
    26 de agosto de 2017

    É muito difícil fazer rir. Ainda mais escrevendo. Eu mesma me considero uma ótima contadora de piadas, mas me peguei na maior saia justa ao tentar escrever um conto de comédia para este desafio. É a diferença entre a oralidade e a escrita. Além disso, o humor é uma coisa muito relativa, diferente pra cada um. O que me faz rir, pode não ter a menor graça para outra pessoa. Assim, eu procurei avaliar os contos levando em consideração, não necessariamente o que me fez rir, e sim alguns aspectos básicos do texto de comédia: o conto apresenta situações e/ou personagens engraçadas? A premissa da história é engraçada? Na linguagem e/ou no estilo predomina a comicidade? Espero não ofender ninguém com nenhum comentário, lembrando que a proposta do EC é sempre a de construir, trocar, experimentar, errar e acertar! Então, lá vai:
    Vc escreve muito bem, seu vocabulário é vasto, nota-se que houve esmero na construção das frases e na pesquisa. A história do tal Tainha é uma boa viagem às entranhas históricas da cultura brasileira, especialmente a nordestina.
    Mas só as palavras engraçadas e o vocabulário robusto não bastaram pra dar graça à primeira parte do texto. Senti falta de uma situação cômica, aquele linguajar acadêmico todo foi longo demais e acabou ficando cansativo. Na última parte a coisa melhora, com a resposta do Cesar Bem-Velho. A situação que ele descreve, aí sim, é muito engraçada, a cena é bem contada e eu dei risada aqui. Não sei se sua intenção foi usar o contraste entre as duas linguagens pra tirar graça, mas comigo não deu muito certo. Parabéns e boa sorte!

  11. Paula Giannini
    25 de agosto de 2017

    Olá, Rabelê,

    Tudo bem?

    A história do pesquisador em busca da origem do capoeirista é tão crível, que chegou a me parecer um relato de pesquisa real. É incrível a riqueza de detalhes sobre o trabalho de busca de seu personagem em terreno insólito, assim como é em toda e qualquer pesquisa que trabalhe com material impalpável. Oralidade, antigos documentos perdidos, nomes que sumiram na história.

    Sei disso porque minha mãe, há mais de 10 anos está envolvida com genealogia e descobriu uma tetravó cuja história o tempo parece ter-se encarregado de tentar apagar. Ela era Marieta Baderna, a bailarina que deu origem ao vocábulo baderna no Brasil e no mundo, mas que, sendo uma mulher além de seu tempo, nem mesmo a família fez questão de preservar em sua memória. Tudo o que circulava sobre ela até uns anos, eram lendas e inverdades.

    Quanto ao conto, seu texto é muito bem escrito, mesclando o epistolar à oralidade do repente. Gosto do estilo quase ensaístico.

    Sobre o desafio em si: comédia. Não sei se, caso encontrasse estre trabalho em outro lugar, o classificaria como tal. Certamente, por outro lado, não é drama. Então, vamos lá, será comédia se assim você diz que é.

    Parabéns.

    Beijos

    Paula Giannini

  12. angst447
    25 de agosto de 2017

    Olá, autor(a), tudo bem?
    O conto está muito bem escrito, revelando uma linguagem erudita que se mistura ao linguajar típico das emboladas. Tomar este rumo foi bastante arriscado, pois nem todos apreciam tal “sofisticação”.
    Quanto à adequação ao tema do desafio, sinto que me falta a sutileza necessária para apreciar o tipo de humor apresentado aqui. Não consegui achar muita graça da troca de cartas ou dos personagens. Afirmo isso, envergonhadamente.
    O ritmo da narrativa foi prejudicado pelos parágrafos explicativos, mais para tese do que “causo”. Os versos da embolada e o formato de carta ajudaram um pouco a agilizar a leitura.
    Confesso que, mesmo relendo, compreendi pouco do enredo apresentado, mas fiquei com vontade de comer tainha. 🙂
    Boa sorte!

  13. Anderson Henrique
    25 de agosto de 2017

    Charutinho, doze-homens e Moleza. Ótimos nomes. O texto é espetacular. O mistério acerca de Tainha é envolvente e me parecia que estava se encaminhando para um thriller com direito a mistérios, textos apócrifos e etc. O próprio texto me levou pra longe da comédia. Achei que ele é ótimo e os repentes são incríveis, mas fico receoso quanto à adequação. Acho que a comédia ficou ali pela sutileza das referências, nomes e citações mesmo. Não acho que invalida a participação ou que deva diminuir a pontuação, mas vamos ver os outros. Eu gostei.

  14. iolandinhapinheiro
    25 de agosto de 2017

    Avaliação

    Técnica: O autor usa a comunicação através de cartas para desenrolar a procura de dados sobre um certo Mestre Tainha. A escrita é bem superior aos outros contos que li (quase todos) ainda que escorregue feio colocando iniciando uma frase com um pronome oblíquo, trocando as grafias de inicio (verbo) com início (substantivo).

    Fluidez: A história fica com uma cara de documentário/pesquisa e ainda foram colocadas letras de emboladas que tinham alguma relação com o objeto da pesquisa. Estas informações e essa linguagem que se afasta do coloquial, criam uma espécie de muro entre a obra e o leitor.

    Entenda, num conto normal este recurso só teria deixado o texto mais arrastado, mas o objetivo aqui era trazer um conto de comédia, e o leitor, esperando este tipo de texto, encontra resumos de palestras, dados culturais, pesquisas de campo… Ficou tudo meio chato e comprometeu a fluidez da obra.

    Graça: Foi colocada uma cena de briga num bar frequentado por professores universitários, e acho que ali estaria a parte do humor, mas não aconteceu. Felizmente há muita riqueza no seu conto para ser considerada, mas graça mesmo, não teve.

    Boa sorte

  15. Lucas Maziero
    24 de agosto de 2017

    Opinião geral: Gostei, apesar de não ter compreendido de onde parti com a leitura e onde cheguei.

    Gramática: Muito boa, mesmo que haja alguns poucos erros de colocação pronominal.

    Narrativa: Um estilo que aprecio, linguajar rico. Pareceu-me destoante que o aluno usasse de um modo de falar mais rebuscado que o do professor (não que isso não possa acontecer, mas aí caímos na questão da verossimilhança…).

    Criatividade: Engenhoso criar um conto assim (lembrou-me Umberto Eco, que falava e falava e não chegava a lugar algum). Confesso que não compreendi de todo a ideia. Se entendi direito, foi algo assim: que falar sobre o mestre Tainha, para alguém do meio acadêmico, soa como insensatez, ainda que empolgante no meio popular.

    Comédia: Não é um conto para rir, empolgar-se, pelo menos para mim. Porém, humorístico é, toda essa pesquisa séria para descobrir algo que talvez não fosse para ser levado a sério, sei lá, eis aí a graça da coisa. Essa foi a minha impressão da leitura.

    Parabéns!

  16. Fabio Baptista
    22 de agosto de 2017

    SOBRE O SISTEMA DE COMENTÁRIO: copiei descaradamente o amigo Brian Lancaster, adicionando mais um animal ao zoológico: GIRAFA!

    *******************
    *** (G)RAÇA
    *******************

    Só dei risada em dois momentos pontuais:

    – foi homem até debaixo de outro homem
    – Fodelança a vida inteira.

    O restante do conto foi de um humor sutil demais, ou rebuscado demais, para o meu paladar.

    *******************
    *** (I)NTERESSE
    *******************
    Até o início da última carta, tive que me forçar a continuar a leitura, voltando alguns pontos onde a leitura se dispersava.
    A última carta, com os repentes, foi mais dinâmica e prendeu melhor a atenção.

    *******************
    *** (R)OTEIRO
    *******************
    Difícil avaliar trama e enredo nesse esquema epistolar.
    Tudo gira em torno da figura lendária de mestre tainha e da pesquisa para descobrir mais informações. Mas essas informações surgem sem muito impacto… as traduções do esperanto, por exemplo, acabam não surtindo efeito nem de curiosidade, nem de humor, nem de Deus Ex, nem nada.

    O “embate” final também não teve muito peso, porque o outro cara meio que caiu ali de para-quedas. Talvez pudesse ter trabalhado melhor essa rivalidade antes, para então utilizá-la.

    *******************
    *** (A)MBIENTAÇÃO
    *******************
    Aqui ficou muito bom. O texto transpira capoeira e música.

    *******************
    *** (F)ORMA
    *******************
    Está muito bem escrito, com um regionalismo que não faz muito meu gosto, mas inegavelmente bem construído.

    – Receio, por hora
    >>> por ora

    – sete mil sete verdades
    >>> sobrou um sete aí… ou faltou um “vezes”… ou eu não entendi kkkk

    – equilibrando-se por conta da embriaguez
    >>> equilibrando-me

    *******************
    *** (A)DEQUAÇÃO
    *******************
    Não senti que está 100% adequado, mas há presença de humor, sim.

    NOTA: 7,5

  17. Roselaine Hahn
    22 de agosto de 2017

    Caro autor, achei um conto por demais erudito para um desafio Comédia, acho que ele cairia como um pitelzinho no desafio Folclore. Além do que, pareceu-me que a pesquisa tratada no conto transbordou na narrativa, sobrou informações regionalistas, faltou a comédia. Talvez toda a graça da contação de uma linguagem própria à determinada região, tenha sido melhor entendida por outros leitores, eu, confesso envergonhada, fiquei devendo. À margem disso, fica a certeza de que a sua escrita é primorosa, toda ajustadinha, sem tirar, nem por. Sorte no desafio, abçs.

  18. Ana Maria Monteiro
    22 de agosto de 2017

    Olá colega de escritas. O meu comentário será breve e sucinto. Se após o término do desafio, pretender que entre em detalhes, fico à disposição. Os meus critérios, além do facto de você ter participado (que valorizo com pontuação igual para todos) basear-se-ão nos seguintes aspetos: Escrita, ortografia e revisão; Enredo e criatividade; Adequação ao tema e, por fim e porque sou humana, o quanto gostei enquanto leitora. Parabéns e boa sorte no desafio.

    Então vamos lá: Este é um conto que eu não gostaria de comentar, mas tenho que o fazer. Com comentários abertos, valer-me-ia do possível entendimento de outros colegas para melhor fundamentar a minha opinião; assim, não posso fazê-lo. Foi muito difícil para mim, conseguir acompanhar o texto que não cheguei a entender bem. Nem pensar em falar em falhas de revisão, linguagem ou ortografia; a minha atenção toda não era suficiente só para tentar compreender o argumento. Daí que acredito que seja comédia, mas não posso afirmá-lo, nem ao oposto. Não sei. Vou dar uma nota apontada ao centro para evitar ser injusta. Não posso dizer mais nada. Desculpe.

  19. Fernando.
    21 de agosto de 2017

    Que história gostosa de ler você me traz, Rabelê. Um conto leve, uma narrativa interessante, criativo o jeito que achou, redigindo em maneiras de cartas. Texto muito bem escrito e a narrativa prende. Do que senti falta mesmo foi do tal humor e, cá com os meus botões me pergunto se não estarei sendo muito ranzinza? Fato é que esperava mais desse final. Mestre Tainha merecia mais, mais graça, mais força no fechamento, foi o que eu achei. Meu abraço

  20. Rubem Cabral
    21 de agosto de 2017

    Olá, Rabelê.

    Gostei muito do seu conto. O texto é muito brasileiro, a qualidade da escrita é excelente, as cartas parecem reais.

    A história de um mítico capoeirista e dos professores entusiasmados com suas descobertas, as emboladas e tudo mais resultou em algo muito original também.

    Contra o texto, apenas posso dizer que não foi muito cômico. Há a “cuzada”, há o professor arrumando confusão no bar, mas o humor foi, em geral, bem discreto.

    Abraços e boa sorte no desafio.

  21. Regina Ruth Rincon Caires
    20 de agosto de 2017

    Vivi a construção de uma tese! O autor deve ser professor de História e deve ter nascido/vivido no Nordeste. Será que acertei?! Texto lindo, narrativa mesclada de repentes, cordéis, de uma criatividade extrema, de “neologismos” fantásticos. Dentre os nomes dos personagens, decifrei um: ORDEP = Pedro ao contrário!!!!!!!!! Arrigo Cariri, Almir Corrupião, Paraguaçu Dosona, muito bom… Parabéns, Rabelê!!! Ah! Aprendi uma palavra nova:”prolegômeno”!

  22. Rsollberg
    19 de agosto de 2017

    Hahahaha

    Fala Rabele

    Seu texto é fantástico. As frases bem elaboradas, as palavras escolhidas com a precisão de uma meia-lua de cuzada. Os personagens são ótimos e dão charme ao enredo. A estrutura epistolar deu força ao conto, bem como as as letras inseridas ali e acolá.
    Meu único porém é que parece apenas um trecho de algo maior, como se a aventura terminasse no meio. Até curto um ar lacónico, o espaço para especulação. Mas aqui fiquei deveras empolgado com o tal reconhecimento da lenda.

    Na parte técnica, não tenho nada a apontar ou corrigir. Afinal, estou diante de alguém que sabe muito bem o que faz!

    Parabéns

  23. Alex Alexandre da Rosa
    17 de agosto de 2017

    Olá autor(a)
    Texto bem escrito, criativo. confesso fiquei meio confuso kkkk

  24. Bia Machado
    17 de agosto de 2017

    Desenvolvimento da narrativa – 1,5/3 – Desculpe-me, mas para mim o desenvolvimento da narrativa foi complicado demais. A ponto de eu ser obrigada a confessar que não entendi quase nada e que desanimei totalmente com a leitura. Foi difícil chegar até o final, pois me desesperei tanto por não estar entendendo isso tudo que escreveu, assim como por também não ter visto graça em nada disso. Desculpe.
    Personagens – 1/3 -Não ajudaram a me envolver com a história.
    Gosto – 0/1 – Sinto muito, mas não gostei, e nem foi por questão de ter graça ou não, foi por não ter entendido mesmo.
    Adequação ao tema – 0,5/1 – Pra mim não se adequou totalmente.
    Revisão – 1/1 – Quanto a isso, nada que eu tenha notado.
    Participação – 1/1 – Valeu a tentativa. Boa sorte.

    Aviso quanto às notas dadas aqui em cada item: até a postagem da minha avaliação de todos os contos os valores podem ser mudados. Ao final, comparo um conto a outro lido para ver se é preciso aumentar ou diminuir um pouco a nota, se dois contos merecem mesmo a mesma nota ou não.

  25. Pedro Luna
    17 de agosto de 2017

    Considerei um texto experimental, que tem na falsa ideia de “pesquisa séria e real” a comicidade. Infelizmente para mim não foi o bastante para gostar, mas o texto é bem escrito e tem valor. Enxerguei nele traços de Bolano e Pynchon, principalmente no caráter detetivesco e na enxurrada de personagens, nomes e fatos históricos que vão sendo apresentados e costurando uma confusa história.

    Além da trama da busca por registros históricos do tal Tainha (me lembrou a pesquisa que fiz pro meu livro reportagem), o resto me foi de difícil assimilação. Sinceramente, não me foi prazeroso como leitura, mas parabéns pelo seu trabalho.

  26. Davenir Viganon
    16 de agosto de 2017

    O texto é muito gostoso de ler, e o fato dos personagens principais serem historiadores me ganhou de cara. As nuances da pesquisa, a politica da pesquisa, a pesquisa da história oral, tudo perfeito. O texto é comico mas não me fez dar risadas, contudo me deixou muito alegre ao fim da leitura e acho isso tão bom quando um que me fizesse gargalhar. Obrigado por trazer este conto para nós.

  27. Catarina Cunha
    16 de agosto de 2017

    O texto, embora de vocabulário riquíssimo, é lento e cansativo para uma comédia. Os parágrafos são enormes, o que dificulta o rápido entendimento que a comédia implora.

    Só nos últimos parágrafos encontrei uma dose homeopática de humor. Uma pena, porque o texto é primoroso.

    Auge: “(…) deflorou a madrugada, lavou a culpa como se fosse cristão, leu saudade quando escreviam solidão, perdeu-se na vida, achou-se na morte, não deixou herança para seu ninguém e caiu no oco do mundo.” – Passagem maravilhosa, profundo desmantelo.

    Sugestão:

    Mais ação e menos explicação.

  28. Luis Guilherme
    16 de agosto de 2017

    Bom diaaa, tudo bão?

    Olha, seu conto tá impecavelmente escrito, demonstra o domínio total do idioma e de muitas técnicas, além de muito conhecimento folclórico e de idiomas. Realmente é muito bonito esteticamente, e tem um quê poético agradável. A escrita tá excelente, diria mesmo perfeita.

    Porém, acho que demorou muito pra apresentar o aspecto humor. Eu tava incomodado com isso, até a cena final do bar, que foi muito boa e engraçada.

    Acho que pra um conto num desafio de comédia, foi muito técnico e sério, o que acabou atrapalhando um pouco.

    O fim alavanca bastante, e sem dúvida sua nota vai ser boa. Mas um pouco mais de humor durante o texto resultaria numa maior ainda.

    Não tenho muito o que comentar, não tenho apontamentos pra fazer sobre o texto, pois, como disse, tá impecável.

    Você sem dúvida é um dos tubarões do grupo heheheh.

    Parabéns e boa sorte!

  29. Givago Domingues Thimoti
    15 de agosto de 2017

    Adequação ao tema proposto: Por mais que seja um dos textos, nesse Desafio, com a melhor das escritas, o enredo não tem é a apropriado ao tema. Posso até estar enganado, mas não vi nenhum sinal de comédia, a não ser pelo desfecho…
    Criatividade: Alta.
    Emoção: O impacto foi baixo. Para mim, a leitura foi truncada devido à linguagem excessivamente culta.
    Enredo: A história é muito boa. O desenvolvimento, com os cordéis, está perfeito. Os repentes também ficaram muito bons. .
    Gramática: Única observação que faço:

    “Dito isso, começo do começo e início do inicio com as contribuições de Aroeira que, a saber, são duas…” Creio que a conjugação do verbo iniciar no presente do indicativo seja “eu inicio”. Portanto, o correto seria; “e inicio do início…”

    PS: O talento do autor é claro… Uma pena que ele pecou na escolha da história.

  30. Wilson Barros Júnior
    15 de agosto de 2017

    O pseudônimo já é instigante, leva a querer saber se o autor fará jus ao célebre criador dos gigantescos comediantes, Gargântua e Pantagruel. Bom, já que o sistema é fechado e os comentários só serão publicados no final, posso afirmar que com certeza o autor do conto ou é oriundo do Selga ou do Rubem Cabral. O conto é realmente excepcional, as frases valem o conto, tipo “navegou seios de donzelas, nunca fugiu de remandiola, semeou lábios, colheu beijos na boca”, “deflorou a madrugada”. A história também é insólita, contida, moderna. Interessante como a comédia sempre acaba em tragédia nesse desafio. Muito boas a história e a leitura, mais um finalista.

  31. Cilas Medi
    15 de agosto de 2017

    Olá Rabelê,
    Epopéias = epopeias.
    Odisséia = odisseia.
    Debalou = debelou.
    encontravam-se = se encontravam
    mendarium? = O que significa?
    Remandiola = burla, logro. (Google é o máximo) e o autor letrado.
    Ellerni fiŝkapti en lando ec sanktulo Cucaniensis = Aprender a pescar em um país mesmo um Cucaniensis santo (Esperanto)
    Lingüísticas = linguísticas
    saçaricou = sassaricou
    Destaquei alguns erros de uma falta de revisão e itens, mais para ter conhecimento do que se tratava. Não diminui em nada o texto, mas conflita com quem não está habituado ao regionalismo e o conto o faz com bastante propriedade. Não ri, mas não quer dizer que a confusão não possa ser colocada como hilária por boa parte dos leitores. Cumpriu parcialmente o compromisso de comédia.

  32. Ricardo Gnecco Falco
    15 de agosto de 2017

    Olá autor(a)! Tudo bem?
    Estou aqui agora, logo após ter me deleitado com a leitura de sua obra, exercendo a função não mais de leitor, mas sim de julgador de seu texto. Por isso, para ser justo com você (e com os/as demais), darei notas para todos os trabalhos com base nos MESMOS quesitos, que estão listados abaixo. Desejo-lhe boa sorte do Desafio e lhe agradeço pela oportunidade de conhecer sua criação! Um forte abraço,
    Paz e Bem! 🙂

    —–

    1) Está BEM ESCRITO? (0/3) –> 1,5

    Sim, no sentido ortográfico. Tirando um “…estarei em Recife …”, não percebi nada mais que saltasse aos olhos. Porém, no sentido da escrita adotada pelo autor, cabe dizer que não gostei do estilo escolhido, pois o mesmo exigiu do leitor (deste leitor aqui, é claro) uma atenção triplicada e que, desta forma, não me deixou à vontade para experimentar um fluir que, penso eu, se espera de um texto de comédia, principalmente em um ambiente como este, virtual e onde devemos realizar uma série de leituras. Em poucas palavras: faltou leveza.

    2) A história é CRIATIVA? (0/3) –> 1

    Não achei. Contudo, o estilo o é, embora funcione mais como um entrave do que como uma qualidade para a leitura desta história.

    3) O humor é INTELIGENTE? (0/3) –> 1,5

    É existente na história, mas de forma irônica o humor encontrado neste texto tende a agradar em maior grau a corpos docentes de entidades educacionais do que ao público leitor normal/comum. Trata-se de um humor para “não-leigos”. 😉

    4) Eu dei RISADA? (0/1) –> 0

    Em momento algum.

    ——-
    4
    ——-
    OBS: Se as notas por mim expressas aqui somarem um valor DIFERENTE (para mais ou para menos) da que será, ao final de todas as leituras, postada no respectivo campo de avaliação geral do site (onde estarão listados todos os contos concorrentes deste grupo e suas respectivas notas finais, e que terão valor oficial), o fato se deverá, provavelmente, por eu ter mexido na nota previamente colocada aqui na avaliação inicial, com base na amplitude de conhecimento obtida após término de todas as leituras, podendo portanto ocorrer uma mudança de paradigma em meu padrão avaliativo inicial.

  33. Pedro Paulo
    14 de agosto de 2017

    Começo em parabenizar o estilo narrativo, muito bem conduzido para nos fazer acreditar que lemos uma correspondência entre amigos. Mais do que isso, abro parênteses para dizer que o conto tem um apelo (não tão) particular a mim, uma vez que sou graduando em História e ligeiramente familiar com a prática de pesquisa e seus impasses. Sou muito mais familiar, porém, com a picuinha entre professores e pesquisadores da área. Com isso, consegui reconhecer de primeira a atmosfera acadêmica em que está mergulhado o conto. Ainda sobre a escrita, devo destacar os aspectos culturais do Nordeste sob a ótica da pesquisa. Talvez também valha como apelo pessoal, pois sou nordestino, não um muito em toque com os aspectos culturais da terra, mas suficientemente imerso para reconhecer quando é bem feito.

    Muito bem, falemos agora da relação do conto e comédia. Como já supracitado, o conto é cuidadoso com nomes e a construção da expectativa em torno do mito, nos quais já há um certo humor com as nomenclaturas curiosas, como “Doze Homens” ou os nomes dos próprios correspondentes. Para além disso, vê-se uma sátira à pesquisa e a como ela dá voltas enormes para ser extraído algum resultado, de um modo tão mirabolante que, quando o resgate das pesquisas polonesas em esperanto aparece no texto, talvez peça por uma releitura, havendo tantos nomes e pesquisas citadas. E, enfim, a frustração final que consta relatada com imensa tristeza pelo professor da UERJ, quebrando as expectativas do leitor com um constrangimento inesperado.

    Este é não é o primeiro conto que, com uma escrita muito bem articulada, traz o humor sutilmente, sem trata-lo diretamente ou sem contexto. A parte mais bem humorada do texto é a que, fiel aos fins absurdos da pesquisa, relata longamente os tamanhos feitos do Mestre Tainha, impressionando e fazendo rir os poderes que o aspecto mitológico conferem a um homem, ainda presente em tantos heróis da História. Para além disso, o humor se encontra aqui e ali, na situação que os personagens acabam se colocando e nas desventuras absurdas da pesquisa.

  34. Elisa Ribeiro
    13 de agosto de 2017

    Olá Autor,

    Um texto muito original e criativo.

    Seu tema, me parece, são as futilidades e vaidades acadêmicas. Você se vale da ironia para ridicularizar a Academia e assim fazer rir. O problema que vejo é que, sendo a comédia um gênero sobretudo popular, seu texto atinge um público específico.

    O gênero epistolar valorizou sua narrativa, que me prendeu apesar da complicação de algumas partes da história.

    Tirando o pronome átono lhe começando o último parágrafo (ficou muito feio, principalmente porque o sujeito personagem é um acadêmico. Ou teria sido isso uma ironia também??) o texto me pareceu bem revisado.

    Parabéns pelo trabalho.

  35. Jorge Santos
    13 de agosto de 2017

    Conto que deve ter dado algum trabalho. Consigo notar a riqueza da sua linguagem e as tradições brasileiras. No entanto, enquanto português, creio que me faltam algumas referências culturais para conseguir compreender totalmente o texto, parecendo ser algo confuso.
    Gostei da estrutura.

  36. Gustavo Araujo
    11 de agosto de 2017

    O nível de escrita neste texto revela um autor seguro, conhecedor da arte da escrita e, mais do que isso, um apaixonado pela cultura e pelo folclore brasileiros. Não há como não imergir na busca pela comprovação da existência de Mestre Tainha, não há como não torcer pela Cascudinho, para que ela, em suas andanças, não só obtenha a prova documental que tanto almeja, mas que também nos contemple – por meio das missivas ao professor Bem-Velho, com as lendas e com os “dizem-por-aí” a respeito do famoso capoeirista.

    De fato, o conto, em sua maior parte, é um deleite para os olhos. Há, em certo trecho, uma das mais inspiradas passagens que já vi por aqui. Mesmo correndo o risco de tornar este comentário imenso, vou reproduzi-la para foçar nova leitura.

    “De acordo com o Brūmārum, Mestre Tainha de Casa Forte foi: puxador de xáreu, tocou nos forrós de Jaboatão, virou em todos os santos, contrariou o destino torto dos ciganos, fendeu chifre de touro melado na tapa, atirou tarrafa em mais de um açude, aprendeu mistérios de um cacique de pele colorida, navegou seios de donzelas, nunca fugiu de remandiola, semeou lábios, colheu beijos na boca, enamorou-se de mulher de zona, dedilhou baiana nos folguedos de Salvador, era mentira bem contada que acabou virando sete mil sete verdades, travou peleja em muito mangue, foi homem até debaixo de outro homem, comeu chumbo e cuspiu bala de parabelo, decifrou os segredos entalhados na Pedra do Ingá, fez promessa de vagabundo, singrou nos ares, refrescou-se nos bares, aprendeu com rapariga muita língua de outros mares, na tocaia do amor ganhou no começo e no fim foi devedor, deitou-se com Kerpimanha num Quarup de lua-clara, deflorou a madrugada, lavou a culpa como se fosse cristão, leu saudade quando escreviam solidão, perdeu-se na vida, achou-se na morte, não deixou herança para seu ninguém e caiu no oco do mundo.”

    Sim, o conto é no geral muito bom. A ideia de narrar através de missivas tornou-o mais pessoal, fazendo com que o leitor mais dedicado pudesse se aproximar melhor não só do Mestre, como também daqueles que tentavam reconstruí-lo. Isso tudo funcionou muito bem até o trecho final, quando entra a carta do Prof. Bem-Velho. Talvez, na ânsia de refletir os ares de comédia exigidos pelo desafio, o autor tenha se excedido um pouco, criando uma situação que, a meu ver, não se coadunou com o desenvolvimento inicial. Digo isso porque os primeiros 2/3 da narrativa carregam certo ar melancólico, de suspense até, quando se percebe a tentativa dos pesquisadores em resgatar a imagem do capoeirista. E isso coroado por versos inspirados e envolventes.

    No terço final isso se quebra, dada a comicidade um pouco forçada que se tenta imprimir. Creio que se a opção fosse pelo drama, ou melhor, se o conto se encerrasse com um efeito dramático – por favor não confunda com melodrama – o arremate teria sido perfeito, transformando este num conto memorável, quem sabe um dos melhores de toda a história entrecontista, ainda que longe da comédia.

    Sugestão óbvia: foda-se a comédia. Reescreva essa parte. Este conto não precisa ser engraçado; ao contrário, clama por um arremate profundo, que cause enlevo, como se faz no desenvolvimento.

  37. Brian Oliveira Lancaster
    10 de agosto de 2017

    JACU (Jeito, Adequação, Carisma, Unidade)
    J: Texto bastante carregado de regionalismos, mas fácil de compreender. O estilo carta já apareceu por aqui, e trouxe alguma criatividade e novo fôlego à cena literária. Nesse caso foi bem utilizado. A história envolve, e tem seu jeitão de causo de sertão, mas é um tanto complexa em suas camadas mais profundas. – 8,0
    A: O humor está muito nas entrelinhas e, ao mesmo tempo, permeia a camada externa. Terminei com uma sensação estranha; em dúvida. Tem seu ar cômico, mas a história assume contornos mais sérios em seu desenvolvimento – talvez pelo formato escolhido. – 7,0
    C: Como há somente dois personagens principais, é mais fácil criar identificação imediata com o escritor. Alguns floreios soaram meio pedantes, mas entendo a proposta do protagonista. A conexão, num texto em primeira pessoa, é imediata. – 9,0
    U: Não tenho do que reclamar. Mas como prefiro texto mais simples, de fácil acesso, isso acaba pesando na nota final. Já fiz alguns textos assim, no gênero FC, e foram mal recebidos. Aprecio o sabor literário do contexto, mas há uma briga interna que prefere textos mais comuns. – 8,0
    [8,0]

  38. werneck2017
    9 de agosto de 2017

    Olá Rabelê,
    O texto é de difícil leitura e compreensão. Ao menos para mim o foi, então, peço desculpas de antemão por não ter conseguido apreender-lhe a essência. O Tainha, personagem que suscita o interesse e pesquisa (e que dá nome ao conto) é o menos comentado. Não sabemos quem ele é ao final, na leitura que não fluiu. Tive de parar diversas vezes e voltar para entender.
    Quanto à gramática, o texto me apresenta bem escrito, com um ou outro neologismo proposital que dá estilo. Entretanto, a linguagem formal ,devido se tratar de um meio acadêmico, é formal em demasia. Talvez isso tenha sido proposital também, uma vez que o cordel descamba um pouco para a “fodelança” e que dá balanço à situação que vai se criando.
    Quanto à criatividade, o texto insere o cordel, o que é algo agradável, utilizando a linguagem simples do povo.
    Quanto à adequação ao gênero proposto, pareceu-me adequado, sem contudo conseguir fazer-me rir, ou apresentar um humor mais insinuante.
    Quanto à emoção, o texto não me comoveu. Quanto ao enredo, o texto pareceu-me bem construído, criando uma situação, até chegar ao desfecho final.
    Minha nota é 6,0.

  39. Fheluany Nogueira
    9 de agosto de 2017

    Um modo, assim, arrevesado de escrever, o jogo e a inventividade de palavras, a mescla do gênero epistolar, versos, literatura de cordel e desafios de repentistas caracterizaram este conto. Os nomes próprios, topônimos e pessoais, também resultam de um arranjo especial e criativo.

    O discurso narrativo é pretensioso e provocador; ele é que constitui a comédia, já que não existe um conflito maior, a não ser a pesquisa sobre um capoeirista do passado. A leitura fica meio entravada por causa do vocabulário, de anagramas, de trocadilhos e outros ludopédios diversos, mesmo com o texto bem escrito, sem problemas gramaticais ou estruturais importantes e o bom ritmo.

    Acredito que somente um leitor mais experiente vai saber apreciar a elaboração do trabalho em que, através das palavras, parece haver uma homologia com a maneira singular com que são praticados os movimentos ardilosos da capoeira.

    Parabéns pela participação. Abraços.

  40. Antonio Stegues Batista
    7 de agosto de 2017

    Não fiquei sabendo o que é real, o que é ficção, parece uma mistura dos dois. Não entendi o vocabulário regional incluído. O tema parece folclore e não li nada engraçado, pois que, o tema proposto é comédia. Ficou muito bom o enredo, as falas, a linguagem, mas não achei nada engraçado, não ri,não houve comédia, as situações cômicas, absurdas palhaçadas.

  41. Bruna Francielle
    7 de agosto de 2017

    tema: adequado

    Pontos fortes: é mesmo uma boa peça, a escrita rebuscada não foi impossível de se compreender, tornando o conto acessível mesmo usando palavras “difíceis”. Não deve ter sido fácil concluir esse conto, com bastante garbo. Acho que merece uns pontos pelo empenho. Gostei do desfecho também, em meio a cartas tão sérias, terminar em uma confusão de bar que parou na polícia. Ficou bacana.

    Pontos fracos: O desenrolar do conto foi bem bacana, porém não entendi porque a Tainha seria descredibilizada se foi outra pessoa, que não o “Bom-velho” a rimar que era mentira e invenção. Apenas uma rima, porque levariam a sério? Confesso que até pesquisei Tainha no google, não tendo encontrado o motivo do assunto do conto. Vi que tinha um peixe e festas com esse peixe, mas não sei se é isso de que se trata esse conto. La no começo deu a entender que seria algum tipo de ser folclórico e foi como imaginei ele.

  42. Eduardo Selga
    6 de agosto de 2017

    Há muitas qualidades nesse conto primorosamente escrito, não pelo uso de um discurso acadêmico em si, o famoso “falar difícil”, e sim pela adequação da linguagem usada ao enredo. Boa parte do humor foi provocado por essa linguagem, na medida em que, em contraponto ao registro linguístico popular também presente no conto, por meio dos versos de cordel, ela soa ridícula. Algo como um intelectual falando de conceitos elaboradíssimos no meio de uma mesa bar.

    O interessante é que, sendo a norma padrão “superior” à popular, e tendo a narrativa grande quantidade de parágrafos dentro dessa “superioridade”, seria de se esperar que o ridicularizado fosse o discurso ligado ao povo. Se o(a) autor(a) tivesse usado a norma culta, que é a padrão desengessada e a meio caminho entre esta e a popular, o efeito de humor não seria notável.

    Há uma passagem que, além de bem humorada, reflete bem essa questão da linguagem: quando um dos professores se embebeda e põe-se a recitar versos relativos ao Mestre Tainha. Simbolicamente, é o erudito se rendendo ao popular. Não se convertendo, pois o professor estava sob efeito de álcool, mas é como se o cumprimentasse respeitosamente. E aí se encontra o elemento ridículo, muito importante na comédia. O leitor recebe a informação como uma espécie de falta de bom senso do professor, como se ele estivesse fora de seu lugar discursivo.

    É comédia, mas também é poesia, uma mistura muito feliz. E novamente a linguagem se mostra fundamental. Temos o poema popular, que se importa mais com a sonoridade do que com a imagem, e temos o inverso, passagens cuja poesia está na imagem, como em “[…]navegou seios de donzelas, nunca fugiu de remandiola, semeou lábios, colheu beijos na boca […]” e “[…]deflorou a madrugada, lavou a culpa como se fosse cristão, leu saudade quando escreviam solidão […]”.

  43. Olisomar Pires
    5 de agosto de 2017

    Fantástico escrito. Uma viagem aos encantos do passado e seus mitos populares.

    Tainha é personagem forte, lembra-me um livro que li há alguns anos sobre alguém parecido, não recordo o nome no momento.

    Muito bem conduzido, é cativante e muito interessante.

    Acredito que o autor tenha intencionado deixar a parte da comédia para o caso da briga da última parte. Vá lá, que fique assim, o texto compensa.

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Publicado às 5 de agosto de 2017 por em Comédia - Grupo 1, Comédia Finalistas e marcado .