EntreContos

Detox Literário.

Espectro (Lee Rodrigues)

O ranger da madeira velha reclamava os passos pesados nos longos degraus da escada, a subida era sem pressa, como se quem subisse estivesse em dúvida se o faria ou não, ouvia-se um longo suspiro no último degrau, o de número treze – sim, eu contava –, contava um após outro, sempre no mesmo horário, com o mesmo espaço de tempo.  

Inerte, apoiado ao umbral da porta, olhava-me sem piscar, um olhar que embora estivesse fito em minha direção, atravessava-me perdido na atmosfera nostálgica que circundava o ambiente.

Os dias se arrastavam com o meu corpo preso à cama, lento, sem vontade, virando as estações apenas pela ordem natural dos ciclos, onde metodicamente o amanhecer  destravava o ferrolho das janelas  e de leve o vento assanhava as cortinas em finas ondas sobre a vidraça. Mas hoje, o sol não iluminou apenas o quarto, e eu pude observar traços de um rosto que me fizeram chorar nos escombros dos meus sonhos. A barba já grisalha no queixo escondia a cova pequena, mas eu sabia que estava lá, assim como também sabia a causa da magreza que andava disfarçada por um sobretudo. Mas foi o pousar da mala, e o brilho dos gomos polidos de uma corrente pesada que me fizeram ter a certeza que a hora havia chegado, e o medo veio a superfície.

***

Não ganhei da vida, mas aprendi bons bocados com ela, porque a cada rasteira, a mesma me dava ferramentas para reerguer-me, e apesar de todas as desvalias, não imaginei, nem por um momento de reflexão qualquer, que um dia estaria aqui, com a vida nas mãos daquele que há quarenta anos me enlutou, sim, eu não fui à luta, permaneci com o peso dos trajes sombrios que devoraram minha lucidez por um longo período, e essa aproximação foi como o remover de uma lápide, veio numa lufada quente de lembranças, de momentos empoeirados, camuflados numa semente envelhecida, cuja sombra da mais ínfima nuvem seria capaz de  trincar a casca na ameaça de brotar.  A emoção afluente desaguou nos olhos e abriu caminhos úmidos na sequidão do meu ser, encharcando o peito com a saudade de quando o meu corpo era desejado, dos bailes, namoros e planos…                                                                                                                                                    

Fui a noiva mais linda de Moema, um casamento planejado, uma casa escolhida a dedo e depois de anos de união, a decisão mais importante: ter um filho. E eu amei desfilar com aquele barrigão, fui a todas às consultas de pré-natal, atravessamos quarenta semanas de gestação vendo exames, ultrassons e ouvindo que estava tudo bem. Escolhemos cada detalhe do enxoval, pintura, berço, roupinhas, brinquedos e sonhos, sonhávamos mesmo antes de dormir, imaginávamos o rostinho, os dedos, a cor dos olhos, onde estudaria…

Na manhã em que Bento, com o rosto encostado na minha barriga, sentiu pela primeira vez nosso filho mexer, não sossegou até encontrar uma camisa diminuta do São Paulo, dizia que seu filho teria nome de anjo e seria pé quente – ao contrário do pai.  A criança nem tinha nascido e já tínhamos todo um futuro idealizado, ele iria muito mais além do que teríamos conquistado como escritores.

***

A chegada do bebê foi festejada por toda a família, o cheiro de lavanda que inundava a casa perfumou os melhores momentos da minha vida, foi um divisor de águas, eu estava vivendo a plenitude da maternidade, completamente entregue a um serzinho que ainda nem reconhecia o som da nossa voz, mas que já tinha se tornado o centro do universo.  Aguardamos ansiosamente por todas aquelas fases que os bebês passam, a primeira mamada, ficar firme no colo, o primeiro sorriso, o sentar sozinho, começar a engatinhar, os primeiros passinhos, e é claro, ouvir o primeiro “mamãe” e “papai”.

O fato do bebê não sugar o seio não trazia preocupação, na verdade, eu tinha medo que ficassem flácidos, então tratei de oferecer um “mingauzinho de panela” feito com muito amor. Quando dava a mamadeira e o acalentava em meu colo, lembro que cheirava o cabelinho e tinha vontade de guardar aquele aroma num potinho.  Rafael era uma criança tranquila, não chorava para comer, não fazia “birra” para sair do berço e eu me exibia dizendo que sabia bem como cuidar de uma criança.

Tinha muitas coisas que eu queria ter vivido com o meu filho, mas logo depois dos dois anos o Rafa bateu suas asas e voou para longe, onde nem a nossa voz, nem o nosso abraço o alcançavam. Eu não soube administrar o sentimento de perda, aquela ausência me bagunçava toda por dentro, queria o meu filho de volta, queria o seu olhar nos meus olhos, e esse desespero me fez algumas vezes gritar o seu nome, como se a histeria fosse capaz de emergi-lo das profundezas em que se encontrava. Tudo o que eu queria era ter forças para içar a âncora, mas nunca foi uma questão de força.

A falta da aceitação me empurrava para fora de uma realidade que eu não queria enfrentar, batia em portas de especialistas querendo respostas, soluções a curto prazo, e mais que isso, eu queria um culpado. Em casa as visitas foram minguando, sem festas, sem amigos e familiares. O choro era rotineiro, e eu já não reprimia a cabeça que batia insistentemente na parede; pelos corredores, eu fingia não ver os pés, que descalços, andavam atrapalhados pisando nas pontas, também fechava os olhos para os carrinhos virados, com as rodas girando para cima, e me controlava para não surtar com as gargalhadas que brotavam do nada. As severas perturbações do Espectro me definhavam.

***

Meses mais tarde engravidei novamente, não fora planejada, com a cabeça em outro mundo, eu não planejava mais nada, a contragosto suspendi o cigarro, hábito que havia retomado logo após a partida do Rafael, o que me deixou mais ansiosa, pois me privava dos cinco minutinhos de fuga, onde eu esvaziava a mente enquanto via a fumacinha se dissipar.

Os bebês nasceram sadios, mamavam “como se não houvesse amanhã”, queriam colo o dia inteiro, erguiam os braços para quem se aproximasse do berço, corriam pela sala, derrubavam e metiam tudo na boca. Apesar do desgaste, era um alivio perceber as diferenças entre eles e o irmão mais velho. As risadas retornaram ao nosso lar, contudo, os gritos do Rafa estavam presentes, assombrando, ecoando em minha mente.

A convivência foi ficando mais difícil, os gêmeos tomavam toda a minha atenção, o Bento precisou trabalhar fora, já que não havia mais tranquilidade para escrever seus romances em casa. Os objetos fora do lugar, os horários desregulados e a ausência do pai transformaram de vez o anjo em demônio. A quebra da rotina fez o Rafa regredir nas pequenas coisas que havíamos conseguido estabelecer. O barulho que as crianças faziam junto com todos os outros: o da televisão, o do chocalho, do cachorro que latia, o “tic-tac” do relógio pareciam reverberar em sua cabeça, e quando isso acontecia, ele se machucava, se mordia.  Alheio a tudo, rodava em torno de si com aqueles dedos nervosos que pareciam nunca se cansar. Bento me evitava, já não me buscava na cama, e eu cansada, tardei a perceber a falta de desejo do meu marido por mim, não o culpo, eu estava sempre queixosa, desgrenhada, sem brio, sem vigor. De repente não éramos mais um casal, só pessoas que dividiam o mesmo espaço, mas não os mesmos sonhos.

O matrimonio ruiu com as cobranças, de uma hora para outra, tínhamos mais defeitos que virtudes, ele não era mais o “cara” que me arrancava sorrisos bobos no meio da tarde, e eu já tinha perdido o viço da juventude, foi quando o Bento se engraçou por uma infame “blogueira” metida a “booktuber”.

Peguei os gêmeos e voltei para a casa da mamãe, voltar para a casa dos pais não é fácil, pior ainda é quando a bagagem inclui filhos. Deixei o Rafa com Bento, visitei-o poucas vezes, bem menos do que deveria e bem mais do que a vontade permitia. Numa dessas visitas percebi que as orelhas do meu filho estavam muito machucadas, nervoso, ele as puxava quando estava com fome, e estapeava o próprio rosto quando queria ser levado ao jardim, de modo que sempre estavam inchados e arroxeados, essa era uma das maneiras que usava para se comunicar, ferindo o próprio corpo. A ausência de estímulos era como uma jaula que alongava as suas barras, afastando-o do convívio social, aonde dia após dia, a humanidade do Rafa se perdia, abrindo passagem para um animal selvagem, coberto apenas por um tênue véu de civilização, cuja presença causava desconforto, dada a aparência descuidada e o comportamento indócil. Duas naturezas coabitavam um mesmo corpo; uma, silenciosa, com movimentos repetitivos; outra, bruta como um javali, uma fera contida por remédios. Ambas seguiam numa ascendente e letal inimizade, onde uma existia apenas para consumir a outra.

Foi nesse período que vi numa vitrine de loja um manequim vestido com um casaco, gorro e óculos de aviador, ele segurava uma maleta decorada com tachinhas, e da alça pendia uma corrente para ser puxada, imaginei que não daria muito certo por causa das rodinhas, temia que o Rafael fosse passar mais tempo girando as roldanas da maleta que olhando as borboletas no jardim. Mas eu comprei, e se ele não estivesse tão magro por causa do inquietante costume de comer só coisas pastosas – às vezes, nem parecia o mesmo menino que passava a mão no chão e lambia – o casaco não fecharia os botões.  Então, usei a roupa e os assessórios para estabelecer rotinas, dando mais uma forma de linguagem para ele mostrar, sem se machucar, o que queria. Colocava o gorro em sua cabeça, alisava as abas que desciam até o pescoço, e oferecia comida, o mesmo eu fazia com o casaco e os óculos de aviador, vestia-o, e íamos para o jardim, isso se repetiu por muitos finais de semana, mas depois que o pai levou uma outra mulher para debaixo dos lençóis que outrora me abrigaram, eu nunca mais voltei lá.  

Enterrei minha mãe, casei meus filhos, algumas vezes enganei a solidão com fracassadas aventuras amorosas, mas a verdade é que nenhum outro homem se encaixaria no espaço que tinha o tamanho certinho do Bento, mas isso, ele nunca ia saber, porque nem o AVC que me aprisionou nessa cama foi capaz de diminuir o meu orgulho. Depois do acidente vascular fiquei sob os cuidados de um Home Care, os gêmeos tinham família e carreira para cuidar, e eu, bem, eu tinha me tornado uma velha enferma, com a língua embolada e movimentos limitados – em companhia de uma enfermeira que estava ali para higienizar, medicar e alimentar o meu corpo e não para ouvir desabafos de uma escritora mal sucedida.

Até que comecei a receber as visitas do Rafa, o pai trazia pela manhã e o buscava à noite, Bento nunca subiu as escadas, o que me dava certo alivio não ser vista assim, no fundo queria vê-lo, só que o orgulho, ah… o orgulho, me fazia contar os passos na escada só para ter a certeza que era o Rafa quem subia mesmo,  porque desde que as visitas começaram, não houve uma só vez que faltasse o suspiro no último degrau – o de número treze –, mas hoje, o Rafa veio diferente, tinha uma maleta em sua mão esquerda, na direita, os  gomos da corrente que alisava para acalmar aqueles dedos sempre tão sinceros, dedos que não escondiam nenhum sentimento. A visão da mala rasgou a cortina da minha ignorância, foi como uma missiva endereçada ao meu entendimento. Depois de tantos anos pude compreender que não perdi uma criança para o autismo, perdi uma criança porque a que esperei nunca chegou a existir, e ali, reencontrei o meu primeiro filho.

Ele abriu a mala, tirou o gorro e o óculos de aviador, colocou-os em mim, pegou das mãos da enfermeira o meu desjejum, alimentou-me; depois em seus braços, desci as escadas e passamos a manhã olhando silenciosamente as borboletas no jardim.

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56 comentários em “Espectro (Lee Rodrigues)

  1. Wilson Barros
    23 de junho de 2017

    O estilo é aquele Machadiano, das memórias póstumas, que mais tarde foi retomado por Murilo Rubião mas inova ao alongar os parágrafos em trechos separados por vírgulas, o que desloca o conto da simples prosa para a prosa poética, artística. Já vi recurso parecido no clássico de Manuel Puig, “O Beijo da Mulher Aranha”. O conto tem momentos líricos, singelos, meigos, enternecedores, adoráveis A questão do autismo foi descrita de uma forma marcante, profunda. Um conto muito bom.

  2. Daniel Reis
    23 de junho de 2017

    (Prezado Autor: antes dos comentários, alerto que minha análise deve se restringir aos pontos que, na minha percepção, podem ser mais trabalhados, sem intenção de passar uma crítica literária, mas uma impressão de leitor. Espero que essas observações possam ajudá-lo a se aprimorar, assim com a leitura de seu conto também me ajudou. Um grande abraço).

    Espectro (Temple Grandin)

    ADEQUAÇÃO AO TEMA: existe, ainda que pareça “implantada a fórceps”.

    ASPECTOS TÉCNICOS: o autor sabe como manipular uma história para extrair drama e sentimentalismo. Mas o início, antecipando a cena final, pareceu deslocado. Talvez se começasse no quinto parágrafo…

    EFEITO: uma história estilo “cartas que o amor escreveu”. Pra quem não sabe, é um programa de rádio onde o locutor lê as cartas de ouvintes, que contam suas histórias de amor dramático.

  3. Sabrina Dalbelo
    23 de junho de 2017

    Olá autor (a).
    O teu conto é um drama familiar.
    A protagonista e uma coitada, uma sofrenilda, uma pessoa real pq essa mulher existe.
    O teu texto ficou um pouquinho extenso, com informações explicativas, talvez desnecessárias, até o fim da primeira metade.
    Daí ele começa a tratar do que importa e é aí que fica bom.
    Gostei do lirismo de projetar a imagem do desafio na personalidade do filho autista. Ela o via como um animal, afinal.
    A dica que quero te dar, que foi mega útil para mim é : “mesmo” não é substantivo. Cuida isso. Substitui por pronome pessoal, como ele ou ela…
    Um abraço

  4. Rubem Cabral
    23 de junho de 2017

    Olá, Temple.

    Resolvi adotar um padrão de avaliação. Como sugerido pelo EntreContos. Vamos lá:

    Adequação ao tema:
    Adequação mediana, já que o javali foi só uma metáfora.

    Qualidade da escrita (gramática, pontuação):
    O texto está bem escrito, em linhas gerais. Notei somente um acento “comido”.

    Desenvolvimento de personagens, qualidade literária (figuras de linguagem, descrições, diálogos):
    A narradora foi bem desenvolvida. O texto é bonito e melancólico, há boas descrições e algumas construções idem. Não há diálogos.

    Enredo (coerência, criatividade):
    Se compreendi bem, Rafael era autista e morreu aos dois anos, mas a narradora ainda via o seu espectro durante toda a sua vida: com ciúmes dos irmãos mais novos, etc. Ao final, reencontra o filho, que parece ser o único que ainda se importa com a mãe que virou estorvo. O conto foi criativo ao abordar o tema como uma fantasia infantil.

    Obrigado pela leitura e boa sorte no desafio!

  5. Raian Moreira
    22 de junho de 2017

    Curti a edição da imagem tema,muito bom. Agora cá entre nós, que maridão distraído.
    É um conto comum, com tema clichê, mas é cativante e doce, apesar do mistério.
    Não gosto de histórias com ritmo lento, mas a sua ficou muito boa. Sua trama deixa o leitor com vontade de ler mais e mais, tem objetivo.
    Boa sorte.

  6. Wender Lemes
    22 de junho de 2017

    Olá! Para organizar melhor, dividirei minha avaliação entre aspectos técnicos (ortografia, organização, estética), aspectos subjetivos (criatividade, apelo emocional) e minha compreensão geral sobre o conto. Tentarei comentar sem conferir antes a opinião dos colegas, mantendo meu feedback o mais natural possível. Peço desculpas prévias se acabar “chovendo no molhado” em algum ponto.

    ****

    Aspectos técnicos: não percebi problemas “destacáveis” na ortografia, mas penso que a organização das ideias deixou um pouco a desejar. Percebe-se que a intenção era provocar a dúvida no leitor, mantendo-o atento até a confirmação final. Entretanto, a dúvida parece sair do controle, transformando-se em confusão. O tema é parcialmente abordado.

    Aspectos subjetivos: o lado emocional é preponderante na trama. Não se poderia esperar menos com um assunto delicado como o tratado – e acredito que foi abordado com devida sutileza.

    Compreensão geral: em determinado momento, pensei que Rafael havia falecido (quando fala da dor da perda, do anjo que bateu asas tão cedo). Assim, enquanto continuava citando o nome dele, como se ele estivesse presente, o cérebro entrava em parafuso do lado de cá. Penso que a surpresa final não foi reservada apenas ao leitor, mas à mãe. Descobrimos juntos que Rafael ainda estava ali.

    Parabéns e boa sorte.

  7. Leo Jardim
    22 de junho de 2017

    Espectro (Temple Grandin)

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): achei o texto um pouco confuso. Os primeiros parágrafos são muito abstratos e boiei enquanto lia. Quando ela começa a narrar a vida dela e o nascimento do filho, fica bem melhor. Mas quando ela diz que o perdeu, a ideia natural era que ela havia falecido, o luto dela parecia reflexo disso. Quando ela separa do marido diz que mandou Rafa com ele, minha cabeça deu um nó e tive que ler de novo o texto algumas vezes pra entender. Só entendi mesmo quando ela disse sobre o autismo já no fim. O final, a parte da mala, ainda estou tentando entender :/

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): o texto contém algumas ótimas construções e um tom poético gostoso de ler, mas acaba errando um pouco a mão, causando a confusão que citei acima.

    ▪ O ranger da madeira velha reclamava os passos pesados nos longos degraus da escada *ponto* a subida era sem pressa (…) em dúvida se o faria ou não *ponto* ouvia-se um longo suspiro no último degrau (nesse primeiro parágrafo e alguns outros locais do texto, o autor poderia trocar algumas vírgulas por ponto)

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): o texto com certeza tem personalidade.

    🎯 Tema (⭐⭐): está adequado, mesmo não entendendo perfeitamente a função da mala.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): quando entendi a maior parte, achei o texto triste e tocante. Não compreender o todo me deixou um pouco frustrado. Acho que com pequenos ajustes, será um ótimo conto.

  8. Thiago de Melo
    22 de junho de 2017

    Olá Temple Grandin,
    Muito emocionante o seu conto. Muito bem escrito e que leva uma mensagem sobre como interpretar e aceitar as rasteiras que a vida nos dá.
    Gostei bastante de como a interação com o filho autista foi se dando aos poucos, e de como a personagem percebeu que ela não perdera o filho, mas sim, que o filho que ela havia idealizado nunca existira e que o filho dela era aquele que estava ali ao lado dela desde sempre.
    Achei, contudo, que o início do texto se demorou um pouco… a história leva um tempinho para engatar e achei que esse pedaço pode ser enxugado um pouco. Mas nada que atrapalhe a qualidade do seu conto. Meus parabéns!

  9. Victor Finkler Lachowski
    22 de junho de 2017

    Olá autor/a.
    Seu conto possui uma escrita suave, trata de um tema muito interessante, tanto o matrimonio quanto autismo, achei criativo, explorou um tema bem diferente dos outros contos.
    Achei a narrativa bacana, nada de especial, mas cumpre sua função. A adequação ao tema é bem parcial, não sei o quanto pode ser considerada dela.
    Infelizmente, por mais inusitado que tenha sido o conto, ele tem um enredo previsível, não ruim, mas você consegue adivinhar boa parte das surpresas da estória.
    Apesar dos pontos negativos, realço seus pontos positivos, você tem habilidade e criatividade.
    Boa sorte no desafio e nos presenteie com mais obras,
    Abraços.

  10. Bia Machado
    21 de junho de 2017

    Desenvolvimento: Eu ia dormir, porque está frio demais aqui e as mãos estão geladas. Comecei a ler o seu conto e o começo me desanimou um pouco. “O que isso tem a ver com a imagem do desafio? Cadê o javali no meio desse casamento, dos filhos etc.?” Mas aos poucos o desenvolvimento me pegou e eu tive que terminar, claro, recebendo aquela cacetada do final do conto. Como não me emocionar criando na mente o que você construiu e vendo as últimas linhas como um filme? Deus do céu… Eu fico imaginando o que fez para conseguir caber essa vida inteira dentro de 2000 palavras. Seria pedir muito que desenvolvesse essa história como um livro, ao menos uma novela…

    Personagens: Bem desenvolvidos, cada um com o seu papel e adequados dentro dele. A mim se mostraram muito humanos. E isso é um ponto positivo. A mulher é uma narradora que vai te despedaçando aos poucos e até agora, relembrando a narrativa das últimas linhas, chorei novamente.

    Emoção: Dá para saber o quanto gostei, não dá? A sensação que tenho é a de que ficarei dias com esse final na memória.

    Tema: Para mim está de acordo com o desafio. Um tanto de malabarismo para fazer encaixar, meio forçadinho nesse aspecto, mas ok.

    Gramática: Não tive condições de perceber nada que fosse muito relevante, admito que foi total emoção essa leitura, em detrimento da razão. Parabéns!

  11. catarinacunha2015
    20 de junho de 2017

    O INÍCIO me pareceu confuso, mas no final tudo se explica. O título e a ilustração nos induz a pensar no sobrenatural, o que foi um bom truque porque aumentou o impacto da TRADUÇÃO DA IMAGEM. O estilo é muito melodramático para meu gosto. Mas tenho que reconhecer que o (a) autor (a) sabe manipular o leitor com maestria.
    EFEITO autoflagelo. Odeio quando leio um conto em um estilo que não gosto e me apaixono pela história.

  12. M. A. Thompson
    19 de junho de 2017

    Olá!

    Usarei o padrão de avaliação sugerido pelo EntreContos, assim garanto o mesmo critério para todos:

    * Adequação ao tema: tangenciada.

    * Qualidade da escrita (gramática, pontuação): não me agradou muito algumas construções, mas pode ser minha incapacidade para entendê-las.

    * Desenvolvimento de personagens, qualidade literária (figuras de linguagem, descrições, diálogos): poderiam ser melhor desenvolvidos, precisei voltar o texto para ter certeza de algumas partes da narrativa.

    * Enredo (coerência, criatividade): o começo decepciona quando lemos o final. Talvez um começo mais a altura do gran finale me faria gostar mais do texto. Porém não foi escrito especificamente para mim, então…

    De um modo geral foi um bom conto e valeu a leitura no final.

    Parabéns e boa sorte no Desafio!

  13. Luis Guilherme
    17 de junho de 2017

    Olá, amigo, tudo bem?

    Cara, que reviravolta! Muito boa!

    Vamos por partes. Pra começar, achei a história um pouco confusa e truncada. Pra começar, fiquei com a impressão de que o narrador muda constantemente de homem pra mulher, o que me confundiu um pouco.

    A escrita é boa, mas em alguns momentos é confusa, o que atrapalha o fluxo de ideias.

    Mas, por outro lado, o texto tem uma carga emocional bem grande, tem uma bela metáfora, na “morte” do filho “não-perfeito”. A forma como é conduzido o sofrimento da mãe, o término do casamento, e tudo o mais.

    Gostei da figura do espectro, assombrando a mulher durante toda a vida, também.

    O desfecho é a cereja do bolo, surpreendente.

    Achei que ficou um pouco arrastado em alguns momentos, podendo ser encurtado, mas isso não prejudica o resultado final, é só uma observação.

    E, por fim, gostei da conclusão otimista: a mulher finalmente enxerga o filho como ele é, e toda aquela antiga mágoa se desfaz.

    Parabéns e boa sorte!

  14. Brian Oliveira Lancaster
    16 de junho de 2017

    EGO (Essência, Gosto, Organização)
    E: O texto quase se perde no meio, mas a parte final recompensa (e muito). Uma trama mais cotidiana, com ares de fantástico embutido, mas que se mantém no limiar dos gêneros; tarefa árdua, executada de maneira eficaz. Uma abordagem mais intimista e bastante diferenciada.
    G: Só fiquei um tanto confuso quando a mãe diz que perdeu o filho, pois ele reaparece depois. Foi colocado o mesmo nome na nova “cria”, ou realmente a mãe “bloqueou” da memória aquela criança? No entanto, é uma trama bastante singela, que dá novo sentido ao lermos a parte final. Traz uma excepcional carga dramática que resolve os conflitos do contexto. Triste, na medida, com certa esperança embutida.
    O: As frases iniciais soaram estranhas, talvez pela construção gramatical. Mas depois o texto flui que é uma beleza.

  15. Fil Felix
    15 de junho de 2017

    Um conto muito bem escrito e que “engana”, digamos assim, o leitor em diversos momentos. Do início ao fim mostra toda uma vida, das expectativas do nascimento do bebê, aos dramas familiares e o calvário final. A imagem-tema surge nas metáforas, nas entrelinhas. A história, de maneira geral, deu uma balançada em mim porque me fez lembrar de um livro que me marcou muito na infância, A Maldição do Silêncio, que trata sobre a morte e enfermidade entre crianças. De início imaginei que o primeiro bebê tivesse morrido, reaparecendo em memórias. Depois ele se torna um espectro, um fantasma quase suíno (o que é bem pavoroso), pra depois tomar forma como um jovem autista. Essa pequena confusão não sei se foi eu ou o conto que leva a isso. Ótima história, que passa realismo e confiança no que está escrevendo.

  16. juliana calafange da costa ribeiro
    15 de junho de 2017

    Não sei por que, mas no começo da leitura achei q o narrador era homem. Então, veio um confuso parágrafo sem pontos, “Não ganhei da vida, mas aprendi bons bocados com ela, porque a cada rasteira, a mesma me dava ferramentas para reerguer-me, e apesar de todas as desvalias, não imaginei, nem por um momento de reflexão qualquer, que um dia estaria aqui, com a vida nas mãos daquele que há quarenta anos me enlutou, sim, eu não fui à luta, permaneci com o peso dos trajes sombrios que devoraram minha lucidez por um longo período, e essa aproximação foi como o remover de uma lápide, veio numa lufada quente de lembranças, de momentos empoeirados, camuflados numa semente envelhecida, cuja sombra da mais ínfima nuvem seria capaz de trincar a casca na ameaça de brotar.”, o qual tive q reler para compreender. Logo em seguida, me surpreendi com a protagonista mulher. E a partir daí a narrativa muda, como se outra pessoa escrevesse, com uma linguagem mais simples, menos “floreios”. Mesmo no final da 3ª parte, quando sabemos o porquê do fantasma que aparece no início, a linguagem continua simples e fluida, o que eu prefiro, pois nos aproxima mais do personagem, e conseguimos, aí sim, sentir um pouco do seu sofrimento. A protagonista fala como se o filho estivesse morto, o q é uma boa analogia com a não aceitação do problema da criança. Mas a partir daí, o texto permanece muito tempo nesse luto da mãe, na sua recusa ao filho especial, na descrição da ruína do casamento. Acho q essa parte podia ser mais curta.
    A introdução do traje e da mala me pareceu forçado, não ficou bem colocado na história, virou um momento que causa estranheza ao leitor. O javali não existe no seu conto. E o final me pareceu confuso. De repente, o texto volta ao início, o filho autista já adulto aparece (ele é ou não um fantasma? Está ou não está morto?). E a protagonista, que passava os dias entrevada na cama, agora desce as escadas com ele até o jardim. Fiquei na dúvida, pois não me pareceu verossímil. Ou você quis dizer que ambos tinham morrido?
    O conto é bem escrito, com forte carga emocional, sem muitos erros de revisão, mas acho que não entrou muito no tema do desafio. Boa sorte!

  17. Cilas Medi
    15 de junho de 2017

    Olá Temple,
    mal sucedida = malsucedida.
    Uma grande surpresa. Ao ler a frase: “Tinha muitas coisas que eu queria ter vivido com o meu filho, mas logo depois dos dois anos o Rafa bateu suas asas e voou para longe, onde nem a nossa voz, nem o nosso abraço o alcançavam, imaginei a morte como companheira, como sempre. Mas o final nos diz corretamente o sofrimento de uma mãe que não soube compreender o fato de um filho excepcional. Um bom conto, sem erros aparentes, bem estruturado e, como deve ser, surpreende. Boa sorte no desafio, porque os elementos estão presentes e o cumpriu com uma boa criatividade.

  18. Antonio Stegues Batista
    14 de junho de 2017

    Não gostei do início da narrativa,alguns adjetivos não combinaram com a frase ou são desnecessários. A narrativa sobre primeiro filho da a impressão de que ele morreu, não ha uma referência do que tinha acontecido, somente “perdi meu filho”. Depois dos primeiros parágrafos a escrita flui normalmente, os fatos vão se aclarando. O enredo é muito bom, muito forte, uma boa ideia, mexe com as emoções do leitor. Com certeza terá bons pontos.

  19. Jowilton Amaral da Costa
    13 de junho de 2017

    Achei o conto médio. Está bem escrito e não percebi erros. A carga dramática no conto foi o que mais me incomodou. O conto foi escrito e pensado para gerar tristeza, forçando a barra algumas vezes. A primeira pessoa, na minha opinião, não foi uma boa escolha. O início me pegou, o tipo de narrativa densa parecia me levar para um conto de terror, talvez, esta frustração de se tratar de um conto dramático do cotidiano familiar e não um conto de terror, tenha contribuído para que eu não apreciasse mais o texto. Interessante como abordou a doença do menino. O enredo é simples. Boa sorte.

  20. Ana Monteiro
    12 de junho de 2017

    Olá Temple. Começo pela avaliação formal. A nível de escrita está quase perfeito com apenas duas ou três falhas na revisão; Criatividade, relativa, uma vez que a história propriamente dita é infelizmente muito habitual, tem alguns pormenores que aumentam a carga dramática (a própria doença da protagonista, por exemplo), mas não se pode afirmar que seja particularmente criativo; Adequação ao tema, bem encaixada, mas insuficiente; Emoção e enredo, são os pontos altos. Enquanto leitora (e esta parte não conta para avaliação) não apreciei particularmente. Percebi muito rapidamente que a criança não morreu e “os gritos” e outros sintomas apontaram-me diretamente para o autismo. A protagonista revela um egoísmo brutal perante tudo e todos; queixa-se de que o marido se ausenta para longe dela, mas vai-se embora levando os filhos saudáveis e abandonando aquele que mais necessita dela, deixa de o visitar a partir do momento em que outra mulher passa a coabitar com ele não querendo nem saber que papel essa mulher desempenhará na vida e desenvolvimento do filho. Enfim, um grande exercício, bem conduzido, na busca de empatia. Não sei se Temple Grandim apreciaria a apropriação que faz do seu nome para pseudónimo, mas não vem ao caso. O tema é “politicamente correto” e rende boa votação, além de que você escreve bem e não tenho dúvidas de que o seu conto vai ficar entre os primeiros. Boa sorte!

    • Temple Grandin
      14 de junho de 2017

      More lightness, mrs. Ana!

      Não há apropriação (rs), apenas um empréstimo inspirado naqueles “abraços” sempre tão sinceros.😉

  21. Afonso Elva
    11 de junho de 2017

    Acabei de ler o texto do “Mensageiro Interplanetário”, então, vou me repetir outra vez… Estou meio cansado de “Casamentos frustados”… Faço um apelo aos amigos escritores: Vamos escrever sobre casamentos felizes! Só pra variar um pouquinho 😉
    Apesar dessa minha afetação contra o excesso de relacionamentos frustados na literatura, o conto é bom. Escrita suave, é charmosa sem apelos estéticos. A forma como o tema aparece poderia ser um pouco melhor, faltou o javali. Tenho a impressão de que o texto já estava pronto, e foi adaptado para o desafio em alguma medida.
    Forte abraço

  22. Rose Hahn
    10 de junho de 2017

    Olá Temple, texto poético; segui a via oposta do que foi comentado por aqui, em sua maioria. Foi exatamente o início arrastado que me prendeu, assim como “os dias se arrastavam com o corpo preso à cama”. No entanto perdi o encanto na leitura com as descrições da feliz vida matrimonial. A carga dramática foi retomada com a chegada do bebê e se manteve até o gran finale. Parabéns! Abçs.

  23. Jorge Santos
    10 de junho de 2017

    Conto que narra a vida de uma mulher, narrada numa escrita feminina, onde as emoções tomam a grandeza de um personagem. Gostei da elegância da escrita e da forma pausada como narra a história. O drama é comum. Eu próprio já narrei histórias semelhantes, e uma das minhas personagens preferidas foi Alexandre, um autista, no meu primeiro romance. O paralelismo é assustador. Também Alexandre vai cuidar do avô que sofreu um AVC e a mãe é abandonada pelo pai. Parabéns.

  24. Fheluany Nogueira
    9 de junho de 2017

    O pseudônimo, título de filme sobre autismo, já me fez deduzir qual o assunto do conto, assim não pensei em nenhum momento que o menino morrera, entendi que ele era um espectro porque se afundara em um mundo particular. Imaginei também que o título podia se referir à mãe — um espectro de mãe que rejeitava o filho doente, que o abandonou pelos filhos normais.

    A ilustração com superposição das imagens ficou muito bonita e sugestiva, relacionada ao título. A trama é boa, emocionante e, com certeza, baseada em fatos reais; o ritmo ficou meio arrastado, a imagem-tema bastante forçada.

    É trabalho bom, uma ótima ideia e muito bem executada, poucos deslizes gramaticais que não prejudicaram a leitura agradável. Parabéns pela participação. Abraços.

  25. Fabio Baptista
    9 de junho de 2017

    Bom, devo confessar que perdi parte da experiência da leitura ao ler o comentário do Selga. Como as observações do professor são sempre um show à parte, acabei lendo o comentário dele antes do conto e descobri que o menino não estava morto.

    Eu ACHO que acabaria desconfiando disso sozinho no decorrer da leitura, porque a cara escritora dá muitas pistas, mas nunca saberei qual seria o impacto da surpresa.

    A narrativa é cadenciada, num ritmo mais poético que não me agrada muito. Há uma vida toda narrada em pouco espaço, isso resultou num certo excesso de “contar” sem muito do tal do “mostrar”, embora em alguns momentos a autora tenha descrito detalhes tão ricos sobre a vida conjugal e criação dos filhos que fica difícil imaginar que não sejam fragmentos de realidade (bom, acho que todos nós colocamos fragmentos de realidade nas histórias, mesmo quando narramos coisas completamente fora do nosso cotidiano como, sei lá… batalhas entre anjos e demônios, ou algo assim).

    Enfim… percebi, como nos filmes de cachorro, que mais cedo ou mais tarde o conto tentaria me arrancar uma lágrima. Porém a narração um pouco “distante” de muitos eventos sem muito foco em nenhum acabou me afastando um pouco do vínculo emocional que a história pedia para funcionar.

    E resisti facilmente ao embuste emotivo… até chegar ao último parágrafo.

    Ali, todo o mostrar que faltou ao longo do conto apareceu de uma vez, concentrado num desfecho belíssimo que… quase… quase me arrancou uma lágrima inédita. Foi o conto que chegou mais próximo disso aqui no EC (e olha que já li todos do Gustavo! hauauahua).

    – a mesma me dava
    >>> sempre recomendo (por gosto pessoal, claro) não usar “a mesma / o mesmo”, porque isso não fica legal nem em placa de aviso na porta do elevador.

    – só pessoas que dividiam o mesmo espaço, mas não os mesmos sonhos.
    >>> frase bem legal!

    – aonde dia após dia
    >>> onde

    – algumas vezes enganei a solidão com fracassadas aventuras amorosas
    >>> quem nunca? 😦

    Abraço!

  26. Iolandinha Pinheiro
    9 de junho de 2017

    Eu sou uma virginiana sistemática e quando estabeleço uma rotina me afastar dela é como cometer um sacrilégio. Instituí que neste desafio eu ia comentar os textos respeitando a sequência, e só não cumpri este plano porque acabei comentando O Limiar do Amanhã por engano, antes daqueles que o precederam. Nesta madrugada, quando ia comentar o conto que estava na fila, sucumbi à tentação de olhar dois outros, o seu entre eles, e o que aconteceu? Seu conto me puxou para dentro dele. Fui conquistada desde as primeiras palavras (lindas) que escorreram em rendas e sentimentos, por todo o conto. Suspeito que conheço a autora. Reconheci este estilo suave mas profundo, como se falasse de coração para coração, e o meu recebeu as mensagens. Parabéns, amiga. Mais uma vez vc me encantou. Um abraço e uma vitória. Beijos.

  27. Felipe Moreira
    9 de junho de 2017

    Não estou certo quanto a escolha de algumas palavras, mas no geral o vocabulário é bem empregado, porque a narradora tem um fluxo de consciência eloquente o bastante pra nos revelar essa epítome de toda uma vida, ou família, se assim preferir.

    O conto é bom, achei ousada a adequação do tema, porque pode parecer vago e oportuno, mas achei positivo, uma vez que vários contos se limitaram ao aspecto visual apenas. Ao longo da leitura não notei se há um conflito moral da personagem ou se ela apenas discorre o que aconteceu para alguém íntimo. Talvez o encerramento seja uma busca de redenção por tudo. Soou ambíguo.

    De qualquer forma, gostei do texto. E o curioso é que a chave central do seu enredo é tratado rapidamente e ainda assim achei chocante. Parabéns e boa sorte no desafio.

  28. Evelyn Postali
    8 de junho de 2017

    Oi, Temple Grandin,
    Gramática – Frases longas demais. Tornou a leitura cansativa. A cada parada, o fôlego gritava para abandonar. E abandonei. Duas vezes.
    Criatividade – É um bom tema, mas faltou algo para que ele pudesse arrancar de mim uma emoção mais intensa, um desejar não ter terminado, uma expressão de desconforto. Mesmo que a questão do autismo tenha sido o tema central, não há propriamente um desdobramento do que ele seja como possibilidade de entendimento do leitor.
    Adequação ao tema proposto – Ficou um pouco forçado o surgimento dos elementos da imagem, mas aceitável, dentro das possibilidades.
    Emoção – Pela dispersão de leitura, talvez não tenha me atingido algum sentimento. Foi algo meio mecânico cumpri-la. Além do mais, a questão do autismo não ficou clara de cara. Foi meio confusa deixando isso tudo passar como uma morte – e eu não quero que me interprete mal: se você tivesse abordado de forma direta o autismo, talvez o impacto de todo o tema tivesse sido outro e tocasse meu coração. E mesmo tendo consciência de que essa personagem é deveras egoísta, perdeu-se algo que poderia ter deixado o conto muito melhor.
    Enredo – Está bom. Não tem problema com a sequência, com a ordem das coisas. Não é um conto de movimento. É um conto para ser reflexivo.
    Boa sorte no desafio.
    Abraços!

  29. Pedro Luna
    7 de junho de 2017

    Gostei. O conto é forte e retrata bem as diversas tragédias vividas pelos personagens. Os trechos que traduzem as sensações da mãe de primeira viagem estão muito bacanas e conseguiram emocionar até eu, que sou homem e nem tive filhos ainda. Depois, o clima pesa e fica uma pequena sensação de desgraça em demasia, mas com o final, tudo se encaixa e o conto brilha. Era realmente uma realidade pesada, não é todo mundo que sabe lidar. A minha vizinha tem filho autista e enfrenta situações bem difíceis (mas também belos momentos).

    Enfim, acho que o escritor ou escritora soube lidar com a carga dramática do conto, e graças a Deus a enorme carga poética do início deu espaço para uma linguagem mais “careta” no meio, o que deu gás para a história. Não sou muito fã de textos tão poéticos.

    Enfim, muito bom conto.

  30. Givago Domingues Thimoti
    6 de junho de 2017

    Adequação ao tema proposto: Existente, porém, baixo.
    Criatividade: Eu gostei da forma como você “enganou” o leitor, fazendo com que fossemos acreditando que Rafael tinha morrido, misturando também com a coisa do espectro. Como o Ricardo Gnecco Falco citou, a criatividade não está na história em si, mas na FORMA na qual o conto é conduzido.
    Enredo: Uma mulher que olha para a sua vida, fazendo uma análise bem emotiva, principalmente da relação com o filho autista e o ex-marido. É um texto bonito, com altas cargas emotivas. O fato é que fiquei confuso com o texto e tive que recorrer à releitura e alguns comentários de leitores mais experientes do que eu para compreender (pelo menos eu acho que entendi) o texto.
    Emoção: Acho muito difícil não se sentir, no mínimo, tocado pela história de vida da narradora-personagem. Cada um vai reagir de uma forma ao conto. Em minha humilde opinião, o grande trunfo deste texto é justamente a capacidade que a autora, ou autor, teve de tocar o leitor. E, para mim, isso é o suficiente.
    Gramática: Com uma revisão, o conto ficaria bem melhor. Os períodos longos foram algo que me desagradou bastante.

    Parabéns!

  31. Fernando Cyrino
    5 de junho de 2017

    Que conto mais bonito e pungente! Nossa, de uma tristeza tamanha que me deixou aqui engasgado. Você escreve muito bem e foi me conduzindo na sua dificuldade em aceitar a partida de Rafael para seus mundos paralelos até que a vida se preencheu de novo com os gêmeos. Que bacana esse fecho com o resgate do filho a partir da indumentária do homem da foto. Senti falta do javali ser mostrado de maneira mais clara e aqui vejo o problema do conto. Faltou dar mais ênfase a ele que apenas bordeja a história. Parabéns pelo seu lindo conto.

  32. Elisa Ribeiro
    4 de junho de 2017

    Olá autor. O começo do seu conto quase me fez abandoná-lo. Quatro parágrafos antes de entrar na história. Apenas dois teriam surtido o mesmo resultado, sem o risco de fazer o leitor desistir da sua história. Ainda bem que não desisti. Sua história é ótima. Um dramalhão dos bons narrado com muita competência. Você sabe conduzir a emoção do leitor. Parabéns! Sua saída para a referência à imagem do desafio foi muito inteligente, mas forçadissima. Mas o conto valeu. Foi uma ótima leitura. Parabéns! Sucesso no desafio. Um abraço.

  33. Olá, Temple,
    Tudo bem?
    Quando terminei de ler seu conto pensei. Nossa, quanta tragédia. Entenda, isso não é uma crítica, apenas uma constatação sobre tudo o que ocorreu na vida de sua personagem. Parece que, assim como na vida real, alguns são “premiados” com uma dose menor ou maior de fatos terríveis também na ficção.
    Seu conto é muito bem escrito e conduz o leitor através de um crescente de informações e emoções, levando-o até o lugar onde você deseja que este vá.
    Logo no início, quando narra o casamento, a gravidez, a vida perfeita e cheia de amor da personagem, seu conto já me deixou intrigada. O título promete a tragédia citada acima e, obviamente, toda aquela felicidade logo terminaria. Intuí que algo não ia bem com o filho, no momento em que você conta o quanto o menino era quieto, não sugava o seio. Ou, ainda antes, quando nos exames de pré-natal o médico afirma sempre estar tudo bem. Nesse momento me veio à cabeça algo como Síndrome de Down e este raciocínio me remeteu imediatamente ao livro “O Filho Eterno” do Cristovão Tezza”.
    A narrativa seguiu e você fez crer por um breve momento que Rafael havia morrido. Logo, no entanto, percebi que não. Um jogo muito interessante, de um escritor hábil, que “brinca” com os sentimentos se seu leitor.
    Não era o menino quem estava morto. Mas sua mãe. Não a morte física. Mas a morte metafórica da negação, a primeira reação de muitos pais com filhos em condições como as de Rafael. A vida ao lado de um autista não é fácil e seu personagem, vivendo em um mundo de felicidade ilusória que criou para si mesmo, encapsulando-se em uma fantasia de contos de fada, sentiu-se impossibilitada de agir. Assim, em uma outra metáfora, ela mesma funciona como uma espécie de “autista” (em seu caso um espectro), incapaz de se “abrir” para o próprio filho.
    Amar em teoria é algo lindo e fácil, mas na prática não o é. A própria personagem se mostra aliviada por não amamentar, pensando em seus seios. Já aí, você planta a pista que esta será incapaz de se doar completamente.
    Lendo o conto até o final e refletindo após sobre ele, entendi o motivo de você ter apertado o parafuso e colocado a mulher em meio a um AVC que a paralisou. Nesse momento, cheguei a achar que cairia no piegas. Mas entendi que esta foi sua solução para que, meio que na pele do outro, a personagem conseguisse realmente enxergar o filho.
    Gostei muito da alusão ao Javali, na forma de Rafael. Javalis são associados à besta e Rafael, você mesma diz (acho que a autora é mulher), é nome de anjo. Mas, mais que isso, para mim, o desafio é: onde a imagem nos leva como escritores e não uma descrição da mesma com mala, roupa, aviador e tudo o mais. (Não que alguns não o tenham feito com primazia.)
    Para encerrar (Já escrivei bastante), seu conto me fez lembrar de um episódio pessoal. Certa vez levei meu filho com suspeita de apendicite ao hospital e lá, fiquei aguardando a confirmação ou não do diagnóstico. A meu lado, havia uma mulher com uma moça de uns 18 anos com paralisia cerebral (sei que nada tem a ver com autismo). Devo ter chorado, não sei… Então a mulher me olhou e disse. Seu filho tem 9 anos, está doente e vai ficar bom. A minha será uma criança durante toda a vida. Nunca vou esquecer a expressão daquela mãe. E seu conto me recordou dela.
    Parabéns por seu trabalho.
    Boa sorte no desafio.
    Beijos
    Paula Giannini

  34. Vitor De Lerbo
    3 de junho de 2017

    Texto com uma carga emocional enorme. Podemos sentir o peso nos ombros da protagonista nas suas palavras. Se o objetivo era passar a ideia de que o Rafa morreu, eu cai direitinho; até o final do conto, jurava que era o espírito dele que vivia na casa com o casal.

    Tecnicamente, o texto poderia ser melhor. As palavas são belas sim, mas as algumas frases são bastante longas e acabam cansando o leitor.

    Creio que o conto não tenha se aproximado realmente da imagem do desafio. Contudo, achei interessante a ideia de se comunicar com o filho através da roupa e o destaque para a mala no fim da história.

    Boa sorte!

  35. Neusa Maria Fontolan
    2 de junho de 2017

    Um conto que emociona. Não sei se foi sua intenção, mas eu não vi o Rafa como morto. Tem várias pistas onde sugere que ele está vivo, essa foi a primeira delas – “batia em portas de especialistas querendo respostas,” – O final foi de arrepiar, muito bom mesmo.
    Parabéns pelo belo conto.
    sucesso no desafio.

  36. Milton Meier Junior
    1 de junho de 2017

    um conto emocionante. muito triste, mas extremamente delicado e tocante. o autor(a) usa uma linguagem aparentemente simples, mas que causa um impacto emocional profundo; certas passagens são realmente poéticas e muito lindas. gostei muito. parabéns!

  37. Anorkinda Neide
    28 de maio de 2017

    Olá!
    Veja bem.. esta historia bem real e pungente e terrível, uma mãe que de tanto orgulho não consegue aceitar o filho autista, (mesmo que dê alguns passos em direção a isso, não é uma aceitação completa), mas esta história caberia num romance, um livro bem recheadinho de detalhes, de envolvimento, até vejo ele e acharia lindo!
    Mas num conto de 2000 palavras, vc teve que correr. E todo o drama, pq realmente é um drama foi vivido pela personagem em tao poucas linhas q ficou dificil de acompanhá-la.
    E vc quis guardar a informação de que o guri tinha autismo, por alguma razão, mas que acabou causando confusão, eu tb pensei q o garoto havia morrido e só me dei conta que não depois q ela separou-se e passou a visitar o guri na casa do pai, dae narrou os machucados e pude vir q o Rafa estava vivo.
    ‘o Rafa bateu suas asas e voou para longe, onde nem a nossa voz, nem o nosso abraço o alcançavam.’ esta frase me disse que ele morreu.. rsrs agora relendo, vejo q fala, sim, do autismo, mas eu tive q vir com esta informação, pq se não a tivesse continuaria pensando em morte e todo o parágrafo demonstra bem o autismo, mas pra quem já tem a informação, pq dá pra pensar em morte, sim, eu pensei.
    Talvez para quem convive de perto com esta realidade só a palavra Espectro já dá a informação do caso, mas pra mim, não me disse nada, além de fantasma e dae mesmo q a morte ficou fixada na minha cabeça.. rsrs
    Entao por isso, eu acho sim, q ficou um tanto confuso e tira a excelência do conto, q repito, daria um excelente livro.
    Agora, a cena final foi pra acabá..muito linda, linda mesmo, emocionante, estes amados autistas são anjos… 🙂
    Boa sorte a abraços

  38. Gilson Raimundo
    28 de maio de 2017

    Este foi mais um conto que deixou o pobre porquinho de lado, ter a liberdade de não se prender a um dos ícones básicos do desafio forçando o texto não foi uma boa idéia. O uso da roupa para ensinar o garoto a se comunicar sem se ferir foi ótimo, mas a foto proposta tinha muito mais. O conto traz um drama de convivência, por muitas vezes esperava mais do confronto que não apresenta grandes reviravoltas. A mãe desistiu do filho, não venceu a pressão, por orgulho e talvez pré conceito se entregou.

  39. Evandro Furtado
    25 de maio de 2017

    Olá, autor. Sigamos com a avaliação. Trarei três aspectos que considero essenciais para o conto: Elementos de gênero (em que gênero literário o conto de encaixa e como ele trabalha/transgride/satiriza ele), Conteúdo (a história em si e como ela é construída) e Forma (a narrativa, a linguagem utilizada).

    EG: Drama. A atmosfera é sombria e triste, com a personagem principal servindo como esse fio condutor de melancolia. O conto passa perto de fazer chorar, bem perto mesmo, o que indica o bom trabalho realizado.

    C: A história, no começo, é confusa, mas, aos poucos, vai se desvelando e revelando seus significados. Os personagens vão se construindo. Essa é uma estrutura interessante adotada pelo autor. A impressão é de um quebra-cabeça sendo montado aos poucos.

    N: A narrativa adotada é formidável. A primeira pessoa foi a escolha perfeita, considerando que confere um caráter intimista e aproxima o leitor do drama da personagem-narradora, fazendo com que se penetre em suas dores e tristezas.

  40. Marco Aurélio Saraiva
    25 de maio de 2017

    Caramba… um conto profundo, que pede para ser lido com atenção. Trata de sentimentos muito fortes e muito humanos, difíceis de interpretar para quem nunca passou pelo que a personagem passou.

    ===TRAMA===

    Muito boa. Excelente, na verdade. Um verdadeiro drama; a jornada da mãe pela aceitação do filho autista, e o suplício eterno de quem tem que lidar com esta situação pelo resto da vida.

    Tudo foi muito bem colocado. Todos os detalhes foram narrados. O conto tem uma breve passagem de tempo: começamos no presente, vamos para o passado e encontramos a personagem de novo no presente, para enfim alcançar o final.

    No caminho, sentimos a angústia dela, seus sofrimentos, seus sentimentos e suas iluminações. Você fez muito bem em narrar estes sentimentos: enquanto lia, senti um certo vazio interior, como se toda a minha vida passasse rápido demais, e sem pontos altos o suficiente. Foi uma sensação estranha, que só um escritor que sabe o que está fazendo consegue inspirar nos seus leitores.

    A trama é bem fechadinha e sem pontas soltas. Parabéns!

    ===TÉCNICA===

    Sua técnica é linda. Parece que você estava realmente inspirado(a) na escrita deste conto, jogando nele uma parte da sua alma. Infelizmente, o texto também está um pouco confuso, com frases longas demais e alguns erros de digitação, mas quem presta a devida atenção vê o brilho escondido nestas linhas de difícil leitura.

    O início é muito arrastado, mas o meio engata e a leitura segue fluida.

    Achei MUITO confuso o sentimento de perda da mãe. O pensamento óbvio era que ela havia perdido o filho na morte, e que ela estava ficando louca, com a presença da alma penada do filho a atormentar-lhe o dia-a-dia. Não fosse a sua explicação no final, de que Rafa era, na verdade, autista, eu jamais teria pescado isso. Essa confusão é boa, no sentido de que você realmente passa o sentimento da personagem: para ela, o filho havia morrido. Ela cuidava agora de uma “coisa” que não lhe agradava, tomava todo o seu tempo e tornava a sua vida miserável. Mas confusão tem também o lado ruim, que é o problema que vem com qualquer leitor confuso: aposto que vai ter gente que não vai pescar esse detalhe, estragando toda a experiência da leitura.

    Por fim, a chegada à aceitação da personagem no final, como uma espécie de redenção, é muito boa, e dá vontade de chorar.

    ===SALDO===

    Muito positivo, mesmo com as falhas na revisão e a confusão proposital imposta ao leitor. Para mim, depois que entendi que Rafa não estava mesmo morto, o sentimento foi mais de “iluminação” do que de “raiva”.

    Parabéns pelo excelente conto!

  41. 25 de maio de 2017

    Bom

  42. Priscila Pereira
    25 de maio de 2017

    Oi Temple, que texto emocionante!!! A linguagem está poética e cheia de sentimentos. A estória é clara e os personagens​ são marcantes. Ótimo conto. Parabéns!!!

  43. Gustavo Castro Araujo
    25 de maio de 2017

    É um texto belíssimo, de uma sensibilidade ímpar. Chego a pensar se a autora passou por algo assim na realidade, ou se esteve próxima a alguém que viveu essa experiência. O que se observa é a vida da personagem narradora, com suas conquistas e desilusões, alguém cuja existência revelou-se sofrida, mas resignada, contente, ao fim, com o pouco que lhe restou. O enredo me lembrou muito do Khaled Hosseini (especialmente em “O Silêncio das Montanhas”), com a realidade por vezes cruel prevalecendo sobre tudo o que sonhamos. A verossimilhança é evidente e por isso o conto choca. Quem é pai ou mãe certamente há de se identificar com a trama, seja pelo fato de viver algo parecido ou pelo fato de temê-lo. É um texto, enfim, que fala ao coração e que por isso, talvez, termine por alijar certa parte do público leitor. De todo modo, digo que funcionou comigo, por abordar muito bem esse conflito de sentimentos, isto é, por explorar exemplarmente a psicologia da narradora.

    Bem apropriada, aliás, a alusão a Temple Grandin, a cientista acometida por Asperger e que se tornou referência na área de abate de animais, fielmente retratada no excelente filme de mesmo nome, protagonizado pela ótima Claire Danes.

    O único senão do conto é a pouca alusão que se faz à imagem do desafio. Dá para pensar que o texto já existia e que foi adaptado para se enquadrar na proposta. Nada contra essa estratégia (eu mesmo já fiz isso um par de vezes), mas aqui a menção ao homem e ao javali metafórico ficaram fora do contexto, ou melhor, poderia ter sido substituída por qualquer coisa sem que o fio da meada se perdesse.

    De todo modo, como eu disse, o conto é tocante e merece ser bem avaliado apesar da fuga ao tema.

    Parabéns!

    • Gustavo Castro Araujo
      25 de maio de 2017

      Só complementando… O final foi de arrebentar. E olha que eu sou experiente nessa área. Não se faz isso com os outros!! Suor nos olhos!

  44. Mariana
    25 de maio de 2017

    Eu sou a orgulhosa mãe do Max, um menino autista. O texto me fez chorar e, desculpa, eu não vou conseguir fazer um comentário imparcial ou não dizer o quanto de raiva e perturbação me causou essa mãe. Enfim… Apenas um erro eu percebi (assessórios). Você mexeu comigo.

    • Temple
      25 de maio de 2017

      Mariana, abraço da Temple!

  45. Andreza Araujo
    24 de maio de 2017

    Olá, autor(a)! O texto é muito belo e me deixou com os olhos cheios de lágrimas ao final. Contudo, achei o ritmo um pouco lento, mas não sei se havia outra forma de contar essa história, pois ela emociona exatamente porque conhecemos todos os seus detalhes através dos olhos da mãe.

    As cenas onde descreve o autismo são bem reais, chega a dar um nó na garganta. Entretanto… cadê a imagem do desafio? Ok, teve mala, roupa de aviador e corrente, mas cadê o cenário e o javali? O animal foi usado metaforicamente numa passagem do texto, mas não era a mesma cena da imagem…

    Usar a roupa para “conversar” com o filho foi genial, e o final quando Rafa volta e faz o mesmo com a mãe inválida é de arrepiar. Mas não dá pra deixar de fora que o desafio foi parcialmente atendido. Uma pena que isto tenha acontecido com um texto tão bom, pois serei obrigada a tirar alguns pontinhos. 😦

  46. Sick Mind
    24 de maio de 2017

    A frase de abertura não é ruim, mas ficou tão extensa que, quando cheguei a primeira vírgula, respirei fundo para continuar. A maioria dos parágrafos são recheados com uma quantidade grande de palavras para dizer coisas simples. Uns dez anos atrás, eu teria adorado ler algo tão longo, porém, já não sou esse leitor.

    Ter buscado não usar a imagem do tema do concurso de forma literal, foi a melhor parte do texto. Mas o javali… algo de simbólico a ele passou batido por mim, mas não é culpa do autor(a), sou eu que não presto para ler dramas tão apelativos.

    A revisão parece legal. Tem início, meio e fim. Mas esse realismo e essa vida em que personagens apenas se casam, tem filhos, são alegres ou tristes, me desanimou um bocado. O autismo foi o ponto de quebra da história, sem ele o texto não me passaria emoção alguma.

  47. angst447
    24 de maio de 2017

    Olá, autor, tudo bem?
    O título do conto é quase uma pegadinha. Ao ler espectro, já pensei logo em fantasma, o que não deixou de ser retratado na sua narrativa. No entanto, depois da leitura, pode-se fazer a associação com o O Transtorno do Espectro Autista (TEA), ou Autismo. E lá está o espectro de novo. Ainda segundo a Wikipédia,”no âmbito científico um espectro é uma representação das amplitudes ou intensidades.”Portanto, o título com apenas uma palavra revela mais complexidade do que imaginamos a princípio.
    O tema proposto pelo desafio foi abordado, embora o javali em si não tenha aparecido. Talvez em metáfora, sendo o filho idealizado pela mãe, Rafael (nome de anjo – Deus curou), relacionado a figura do javali (onde se esperava um porquinho, surgiu um estranho javali). O homem da mala também é Rafael. Um amplo espectro.
    O conto está bem escrito, com passagens que namoram a poesia e outras que nos levam à reflexão.Bom ritmo, leitura flui bem.
    o medo veio a superfície.> o medo veio à superfície.
    Boa sorte!

  48. Eduardo Selga
    24 de maio de 2017

    O pilar fundamental para a literatura de qualidade está presente neste conto, qual seja, a habilidade no trato com as palavras. Não falo do malabarismo vocabular, que a depender do modo como se usa é instrumento perfeitamente válido, e sim da sutileza ao explorar os sentidos dos vocábulos, construindo desse modo atmosferas.

    Falo especificamente da maneira como o personagem Rafael é demonstrado pela narradora-personagem. A partir de certo ponto, têm-se a sensação de que ele teria falecido logo após os dois anos de idade (“Tinha muitas coisas que eu queria ter vivido com o meu filho, mas logo depois dos dois anos o Rafa bateu suas asas e voou para longe, onde nem a nossa voz, nem o nosso abraço o alcançavam”). No entanto, próximo do fim descobrimos que o bater de asas e o voar para longe são figuras de linguagem para designar, ocultamente, o território inóspito do autismo. O que, ao fim e ao cabo, do ponto de vista da narradora-personagem, ela que idealiza tanto a maternidade, significa morte. Do filho e dela. E disso temos uma boa dimensão quando o(a) autor(a) usa frases como “[…] e me controlava para não surtar com as gargalhadas que brotavam do nada”, em que há a nítida sugestão de que a criança é um fantasma, ou, como no título, um espectro.

    Essa palavra (“espectro”), inclusive, merece atenção. Está grafada com inicial maiúscula e está posta numa frase que sugere seu sentido no campo da física (“as severas perturbações do Espectro me definhavam”). A maiúscula, por um lado, concede uma pessoalidade à palavra, como se nomeasse um sujeito (Rafael, portanto); por outro lado, como essa grafia não é usual, a menção a “severas pertubações do Espectro” nos encaminha à Física, tendo força para sugerir o seguinte: a personagem é afetada pelo ambiente, alterado pela saudade do menino “morto” pelo autismo.

    De maneira leve, mesmo porque é um assunto delicado a ponto de ser considerado tabu em nossa sociedade, o conto aborda um tema que, narrativamente, dá muito pano para manga: o desejo sexual envolvendo mãe e filho, como podemos ver em “[…] mas a verdade é que nenhum outro homem se encaixaria no espaço que tinha o tamanho certinho do Bento, mas isso, ele nunca ia saber […]”.

    Como o tema não é o objeto primeiro do conto, o espaço a ele concedido pareceu-me adequado. Entretanto, num futuro e possível tratamento a ser dado ao texto, sem as amarras da quantidade de palavras, se esse aspecto tiver maior destaque a narrativa terá muito a ganhar, pois está nítida a necessária habilidade do(a) autor(a) para realizar tal abordagem.

    Entendo que o trecho “[…] e eu pude observar traços de um rosto que me fizeram chorar nos escombros dos meus sonhos” está mal construído, não obstante gramaticalmente esteja correto. É que ME FIZERAM, por estar no plural, está se referindo a TRAÇOS, mas a proximidade de UM ROSTO junto a ME FIZERAM dá a sensação de que a ação de fazer no plural foi executada pelo rosto, no singular. Seria interessante reconstruir o trecho, de modo a eliminar a ambiguidade e sensação de erro.

  49. Ricardo Gnecco Falco
    22 de maio de 2017

    Olá autor/autora! 🙂
    Obrigado por me presentear com a sua criação,
    permitindo-me ampliar meus horizontes literários e,
    assim, favorecendo meu próprio crescimento enquanto
    criativa criatura criadora! Gratidão! 😉
    Seguindo a sugestão de nosso Anfitrião, moderador e
    administrador deste Certame, avaliarei seu trabalho — e
    todos os demais — conforme o mesmo padrão, que segue
    abaixo, ao final.
    Desde já, desejo-lhe boa sorte no Desafio e um longo e
    próspero caminhar nesta prazerosa ‘labuta’ que é a arte
    da escrita!

    Grande abraço,

    Paz e Bem!

    *************************************************
    Avaliação da Obra:

    – GRAMÁTICA
    Só senti falta de uma crase aqui: “…e o medo veio a superfície.”. De resto, não percebi nada que me ofuscasse a leitura além das lágrimas.

    – CRIATIVIDADE
    Não reside na história, mas sim na FORMA com que a história é contada. E também na adaptação da foto-tema do Certame, que utiliza-se do poético para adequar a história à imagem proposta.

    – ADEQUAÇÃO AO TEMA PROPOSTO
    100%. Não tem O cara da foto, ou A mala da foto, ou ainda O javali animal da foto. Mas trajes, mala e principalmente javali estão presentes na narrativa; de forma poética, porém válida. E até mais interessante justamente por fugir do óbvio. Já li uns trocentos contos em que o narrador fica descrevendo a MESMA imagem vista na foto do Certame… Poucos, raríssimos, foram os/as autores/ras que se permitiram quebrar aquelas correntes e se libertaram do óbvio. Parabéns para estes autores/as, como é o caso aqui! Irão todos ganhar um pontinho extra por este ato de coragem e liberdade poética! 😉

    – EMOÇÃO
    Pura. Diria até que em demasia… Mas o/a autor/a entende do riscado, não deixando o texto correr em momento algum para o perigoso lado do simples dramalhão. É uma história triste; fato. Mas uma história muito bem contada e o/a autor/a manteve por todo tempo o domínio da pena.

    – ENREDO
    Galera a rodo falando que o filho (o primeiro, o Rafa) morreu de verdade… Rs! Foi, é claro, o que eu pensei no início, quando o/a próprio/a autor/a queria que eu pensasse isso, dizendo apenas que o menino de dois anos havia sido levado para longe… (e no final a própria mãe reconhece que este corte foi realmente uma morte, simbólica). Depois, é até uma surpresa quando percebemos que o menino, na verdade, não morrera, mas sim iniciara os indícios de seu autismo. (novo parênteses: penso que nem seria necessária a afirmação posterior sobre o autismo, mas creio que o/a autor/a não quis arriscar um não entendimento disto por parte dos leitores — visto que até o fazendo ainda tem gente pensando que a criança havia morrido de fato). A condução da trama/história é muito bem executada e, não fosse o drama em demasia, teria ficado perfeita. Mas, algo me diz que o/a autor/a curte essa parte… 😉 Parabéns pelo trabalho!

    *************************************************

    • Ricardo Gnecco Falco
      24 de junho de 2017

      Arrasou, Lee… Não que já não o tivesse, mas ganhou — mesmo — o meu respeito depois deste belo trabalho! Não curto escrever (assistir, suscitar, incentivar, aplaudir…) drama, pois acho que a vida “real”(?) já é mestra e insuperável neste quesito, mas realmente tenho que tirar o chapéu para este seu dramalhão aqui! (rs!)
      Acredito (agora ainda são 02:42 AM e o Anfitrião ainda não postou o resultado) que seu conto vá ficar entre os melhores colocados e, inclusive, falando no Anfitrião, sua escrita (e pegada sentimental) me lembrou bastante a dele. E isso é um baita de um elogio, moça! 😉
      Parabéns!

  50. Olisomar Pires
    21 de maio de 2017

    Tema: Adequação inexistente.

    Criatividade: normal. Criança autista com mãe desequilibrada pelo fato, e que o abandona vivo, se enche de remorsos e auto-piedade.

    Enredo: estilo poético, numa linha de tristeza e loucura crescente. As partes do texto se conectam, está bem conduzido, embora os primeiros parágrafos sejam muito lentos.

    Escrita: Não notei erros. O lirismo está presente forçando a emoção.

    Infelizmente, para mim, não funcionou. É um bom texto, com carga dramática, mas um tanto excessivo, meio forçado.

    Impacto: baixo.

    O jeito dramalhão não se justifica relatado em primeira pessoa, talvez se estivesse em 3ª pessoa não onisciente o impacto poderia ter sido maior.

    Boa sorte.

  51. Lucas F. Maziero (@lfmlucas)
    20 de maio de 2017

    As ideias deste conto estão mal distintas. Creio que houve falha na adequação da figura do homem e do javali.

    E também, o marido não desconfiava que a ex-esposa visitava o filho morto?

    Chegando ao final, eu já não sabia se o Rafa era o javali ou o homem com os óculos de aviador.

    No entanto, no que concerne à escrita, nada do que reclamar.

    Parabéns!

    P.S.: É só a opinião de um leitor. O que eu achei deste conto não tira nem acrescenta o valor que ele tem ou que merece. Um abraço.

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Publicado às 20 de maio de 2017 por em Imagem - 2017 e marcado .