EntreContos

Literatura que desafia.

Ao bater das caixas (Fátima Heluany)

Seis de setembro, dia em que não pude abandonar-me ao abandono. Como num susto estava aqui na praça que deixei há dezesseis anos. Pensava em como seria voltar. Não sabia como reagiria àquela situação absurda. O longo-largo jardim me inundava de flores, arbustos e bancos. E a Igreja no meio, diferente de todas depois conhecidas.

Os três mastros erguidos quinze dias antes estampavam os padroeiros: São Domingos, Santa Catarina, São Roque, Santa Ifigênia, Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, os santos do rosário de Maria. Em cada um tremulava um estandarte com imagem de dois deles. Eram eles que abriam um corredor para o desfile dos congadeiros em frente à capela.

Os fogos estavam armados bem em frente do coreto. Quando se acendeu o pavio que girou a primeira roda de fogo, senti que estava em um  ambiente mágico. Eram olhos arregalados e risadas de alvos dentes que, com o clarão das flores em luzes coloridas, davam a impressão de existir fogo vivo no rosto de todos os festantes. Eu sabia que quando o rastilho se propagasse para as outras rodas, girando ao contrário e em vários sentidos, ia haver muita admiração, muito assombro.

— Vá para Pinheirinho, dance as congadas, carregue a bandeira. E fé, muita fé… Santa Ifigênia haverá de ajudar! — aconselhou vovó.

— Não lembra? É festa de rua. Você era pequena e gostava muito. — ainda ressoavam as palavras que tentavam me persuadir de que era a coisa certa a ser feita.

— Tem outros ternos, mas o “de Sainha” é o mais tradicional. Vou telefonar para Pedro, é o capitão atual; nosso primo, e vai aprovar. — Havia planejado todo o esquema, a confecção das roupas, coroa e enfeites. Toda animada se pôs a matracar, antes que eu pudesse retrucar:

— A coroa significa a Santíssima Trindade e homenageia a Princesa Isabel. Os vestidos são da época do império, foram encurtando com o tempo para mostrar o saiote, viraram a sainha. Rosa, a cor da alegria; as fitas coloridas cruzadas em xis na vestimenta simbolizam a felicidade dos escravos pela libertação e a paz. . Em dia de festa, com a pressa, fica difícil fixar estas faixas em volta da roupa. É emocionante como todos se ajudam colocando-as exatamente da maneira correta. — Por que fui desabafar com vovó? Deveria já saber que as soluções dela eram malucas. Não sabia se lhe dava atenção ou fugia dali, pois as explicações continuavam:

— Cada membro fica responsável por adornar o próprio capacete, do jeito que mais achar conveniente, respeitando sempre a hierarquia “Pai, Filho e Espírito Santo”. Bordam os chapéus com lantejoulas, mini-terços, gliter e pedrarias. Recomendam cuidado para não manchar ou rasgar qualquer peça. Não são fardas individuais, não é possível fazer peças sob medida, faltam recursos, por isso vou montar o conjunto para você.

Ah! promessas… E lá estava eu, num grupo com homens, mulheres e crianças, todos no figurino especial. Desde a manhã caminhava pelas ruas da cidade, passamos até pelo cemitério. Lá, o som das caixas cessou e em silêncio seguimos até o túmulo do fundador do terno, onde depositaram a bandeira; tocante o Canto das Almas:

“Eu andava perambulando

sem ter nada pra comer,

Fui pedir às almas santas

para vir me socorrer…”

Com aquela andança o apetite despertou. Que delícia de almoço! “Sempre os mesmos pratos?” — perguntei à festeira. Ela respondeu que na cidade são muitas as pessoas que alcançam graças e que em troca oferecem refeições aos ternos como paga. Promessas…

— A comida é para além dos integrantes do terno, para todos que comparecerem aqui. Vale pelo canto de agradecimento:

“Deus te salve mesa farta,

Neste sagrado momento,

É aqui que encontramos,

A comida pro nosso sustento,

São Benedito abençoa quem preparou este alimento…”

A mulher ainda esmiuçou que havia também os “guardadores da bandeira”, famílias que juramentam guardar a bandeira quando termina a festa até começar a próxima do ano seguinte, responsabilidade passada de pai para filho.  

— Todos da cidade levam cada ato muito a sério, pois somos roceiros, precisamos da chuva… Se ao bater das caixas do Congo, a chuva não vier, teremos ano de miséria…

Faltava pouco… O sol morria um pouco, a fadiga diminuía quando divisava a recompensa; sentia-me arrastada pelas ondas dos cantos. Era somente enfrentar o cortejo na praça e, depois da missa, a procissão. A “boa velhinha” me convenceu a carregar o andor de São Benedito, que, na tarde anterior já havia ajudado a decorar com galões e flores naturais. Quantas instruções!

Endureciam-me os músculos, contraíam-se os nervos… Dores me fustigavam, coisa indistinta. Eu me apertava e me segurava. Tinha que fazer aquilo. Poderia fechar os olhos por uns momentos? Cansaço doído, sol queimante, mas a causa era merecedora de tamanho sacrifício. Pior se vovó tivesse prometido que eu viesse descalça, acorrentada; vestida de anjo até poderia ser…

Cada passo distraía um pouco, mas tudo somado era nada. Pensei: vou descansar dez minutos; fixei-os no relógio e comecei a inventar coisas, imagens-relâmpago passando pela cabeça, fugas por terras mal sonhadas.

Ao pôr do sol, por um instante o estado de separação é esquecido. A multidão aglomerava. Os olhos de Carlos me devoravam; o coração sabia tudo, mas não se abria. Foi complicado fazê-lo entender a situação. Não podia contar-lhe que ele era a causa da promessa. Meu namorado não me acenava um futuro, não se decidia a romper com a noiva, não gostava mais dela, não havia mais empolgação; nós estávamos apaixonados, trabalhávamos juntos e vivíamos uma relação intensa. Confidenciei com vovó e tudo desembocou aqui. Ah! promessas…

Voltei ao relógio, ele dizia que o tempo passara muito pouco, mas ele correu rápido pelos cantos de meus olhos, enchendo-os de tambores franjas e cores: Rei e Rainha do Congo prosseguiam em procissão até a Igreja do Rosário, onde seriam coroados pelo vigário.  O apito do capitão puxou o fole da sanfona, a magia aconteceu… as caixas marcavam o ritmo acompanhadas por pandeiro, violão, tamborim, repique, e timbal. O bailado recomeçava, a energia envolvia os presentes. Eram cantos de fé, cheios de luzes e imagens:

“Eu agora vou saudar,

Com prazer e alegria,

Vou saudar as seis imagens,

Do Rosário de Maria!”

Eu rebolava com a capa florida amarrada às costas, balançante a cada pulo e coreografia com a espada. Saber que Carlos me observava, devolveu-me o vigor. As rodas girando em vários sentidos com cores diversas, e jogando luminosas e coloridas faíscas para todos os lados, estabeleciam um pasmo geral no povo.  Era o “dançar trocado” que tanto ensaiara com minha velhota, enquanto ela retratava cada detalhe:

— Vá sem medo! Quem ama está mais perto do divino. Sempre que dança, canta, toca música, vive a religião de verdade. Faça parte de um dos grupos: Congos de Cima com Fidalgos e Rei, os cristãos. Congos de Baixo ou do Embaixador, os pagãos, mouros, infiéis. Cada um tem o seu papel, é só representação, pode escolher a sua companhia. Você possui a pureza de coração necessária!

Carlos se colocara no melhor lugar para assistir à dança e reza; continuava com os olhos fixos em mim, esquecido do cordão de brincantes ou do lundum iniciado pela Rainha do Congo, a negra imensa e gorda que parecia ainda maior com as saias rodadas e os colares enrolando e cobrindo as gorduras do pescoço. Carregava uma coroa dourada e prateada na cabeça e na mão, um cetro cheio de fitas que usava para chamar os cavalheiros escolhidos.

“A bandeira vem de longe pra saudar essa morada

Viva o cravo viva a rosa viva o rei desta congada

Minha Virgem do Rosário hoje chegou o nosso dia

Deus permita que nós cheguemos todos juntos na portilha”

A  esperança e  o amor me arrebatavam e eu repicava os passos com energia, no ritmo certo dos tambores e atabaques. Evitava bailar igual ou repetido, mais afoita e ligeira, inventava novo passo dentro naquela mesma marcação. Saltos, voltas e bamboleios, girava para ele, desejava encantá-lo e dominar a cadência no gingar das pernas e cotovelos, misturar-me no ferver da dança e  esquecer a canseira. Estava solta na dança, livre aos olhos que chispavam de malícia. Era um movimento desgarrado, balançava, mexia e remexia sem perder o compasso.

“O galo do céu cantou

Todo mundo respondeu

A estrela anunciou

Que nasceu o Menino-Deus”

Quando dei por mim, tinha perdido o tempo, o tino, as distâncias e até o chão que pisava já sem rumo. Não havia confusão ou certeza. Foi assim: um gesto, duas mãos convergindo; Carlos me puxou, agarrando e envolvendo-me como a noite e me guiou para onde senti a quentura dele nos braços, nos seios, e nas coxas. A música seguia no distante…

”Viva o cravo viva a rosa

Viva o rei desta congada

Meu senhor dono da casa

Mostra a sua devoção

Receba são Benedito

E os congos de pé no chão

Oi lai ô le rarai”

 

Já era maio. O tempo passava rápido, muitos eram os preparativos. O casamento seria um acontecimento de gala: convites, bufê, padrinhos, damas, convidados, flores, muitas flores. Tudo organizado.

Dia do júbilo. O meu vestido era rico em tecido, véu sobre o rosto e cauda longa. O buquê era de flores raras com miolo de estrasse. Chorei no altar ao lado do noivo. A palavra de Deus foi anunciada. O padre, amigável, indicou o púlpito para a vovó que fez a primeira leitura, sobre o amor que Paulo apregoara aos Coríntios 1.13. No dia seguinte, com o coração cheio deste mesmo amor, ela viajaria, transbordando em lágrimas, para dar início a outra missão.

No final da cerimônia, saímos através de um corredor imenso de convidados. Os carros entraram por uma estradinha vicinal, percorrendo campos, arvoredos. Era uma cena de filme… O salão ricamente decorado, a comida farta, a música, os cumprimentos e abraços com desejos de felicidades.

— Eu não disse que daria certo?! Não tem como escapar do milagre das Congadas! Agora Carlos é todo seu! — vovó abraçou-me de forma triunfal — Vou continuar rezando por vocês. Nunca deixe de se maravilhar para que os mistérios se desvendem para você. Eu fiz a promessa e você a cumpriu, trabalhou duro.

Meu marido jogou para os amigos solteiros as ligas de rendas que ele elegantemente retirara de minhas pernas, e eu joguei o lindo buquê de flores com pedrinhas de estrasse, que,  como por encanto caiu no colo de vovó.

Era o destino gritando outra vez. A boa velhinha presentearia Santa Ifigênia com o brilhante ramalhete. Nada mais justo.

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41 comentários em “Ao bater das caixas (Fátima Heluany)

  1. mitou
    31 de março de 2017

    o conto começou muito bem, tinha uma linha narrativa bem interessante ,porem ele se perdeu no final, com a passagem de tempo abrupta. o final se perdeu em uma felicidade que parecia meio obvia desde o começo do conto

  2. Wender Lemes
    31 de março de 2017

    Olá! Para organizar melhor, dividirei minha avaliação em três partes: a técnica, o apelo e o conjunto da obra.

    Técnica: o conto começou bastante arrastado para mim. Percebi que as explicações/orientações da avó tinham basicamente duas funções: explorar a temática que estava abordando e passar ao leitor a sensação de fadiga que a própria protagonista estava tendo com tantos detalhes. No primeiro caso, funcionou bem, a Congada ficou perfeitamente esmiuçada. No segundo, funcionou além da conta, pois a fadiga extravasou os limites do conto.

    Apelo: no decorrer da leitura, mais especificamente quando começa a festividade, a narrativa ganhou dinâmica e me pareceu mais interessante, mas receio que o começo realmente tenha drenado a stamina, pois nesse momento eu já progredia aos solavancos.

    Conjunto: peço desculpas se falhei como leitor. Gramaticalmente, o conto está muito bom, mas creio que não consegui absorvê-lo como quem escreveu planejava.

    Parabéns e boa sorte.

  3. Pedro Luna
    31 de março de 2017

    Olha, no começo eu não estava gostando. Estava claro o conhecimento do escritor sobre a tal manifestação cultural, mandingas, ou a sua habilidade para inventar uma, mas a leitura não decolava. No entanto, após ficar claro as intenções amorosas da personagem, sua promessa em conquistar o cidadão, e onde finalmente é explicado o porque das dicas da avó, o conto muda de figura e achei bem bonito. A cena da dança ficou muito boa, e saber que ela conseguiu no final, casar com Carlos, deixa o sorriso no rosto do leitor. Gostei.

  4. jggouvea
    30 de março de 2017

    É admirável o interesse da autora pelo congado e a pesquisa que ela fez, mas o conto falha em se transcrever como ficção por causa do excesso de didatismo. Se Ayn Rand fosse escrever sobre folclore brasileiro ela criaria personagens assim, e se ela tivesse um limite de duas mil páginas (e resistisse ao impulso de se matar em vez de se conter em tão pouco) certamente o ritmo ficaria assim. Os personagens ensinam muito, explicam muito, e agem muito pouco. Eles não têm muita individualidade e nem motivações claras.

    Vamos às notas:

    Média 6,42
    Introdução 6,0
    Enredo 6,0
    Personagens 6,0
    Cenário 6,0
    Linguagem 6,0
    Coesão 8,0

  5. Bia Machado
    30 de março de 2017

    Fluidez da narrativa: (4/4)
    Construção das personagens: (3/3)
    Adequação ao Tema: (1/1)
    Emoção: (1/1)
    Estética/revisão: (1/1)

    Outro conto do qual não tenho o que tirar de pontuação! E por que tiraria, se gostei de tudo também? A narrativa me levou, as personagens me conquistaram, está adequado ao tema, a estética também condiz com o estilo do conto. De revisão, nada que atrapalhe, dá pra resolver em uma revisão mais atenta depois. Muito bom!

  6. Marsal
    30 de março de 2017

    Olá, autor (a). Parabéns pelo seu conto. Vamos aos comentários:
    a) Adequação ao tema: bastante adequado
    b) Enredo: demorou um pouco para eu entender o enredo em si, durante algum tempo pensei que era apenas uma descrição de uma festa de Santa Efigenia, do ponto de vista da protagonista. No final, tudo fica claro
    c) Estilo: conto muito bem escrito, de alta qualidade (ao menos na minha opinião). Narrativa flui bem, mas não no “piloto automático”, e’ preciso degustar a leitura aos poucos. Minha única sugestão seria separar os parágrafos finais (começando com “Já era maio…”) com algum recurso para deixar bem claro para o leitor que vários meses se passaram. Meu primeiro impulso foi pensar que os acontecimentos que se seguem occorreram ainda durante a festa de Santa Efigenia, ou logo depois.
    d) Impressão geral: Um conto de alta qualidade. Boa sorte no desafio!

  7. Cilas Medi
    29 de março de 2017

    Um bom e encantador conto de amor. A congada faz parte do folclore, por se tratar de uma festa muito antiga e de criação dos escravos, tornando-se nacional, apesar de possivelmente ter a sua origem do Congo e Angola. Baseado nela o autor soube permear corretamente a luta e os manejos para se conquistar e consolidar uma paixão. O final feliz é sempre de bom gosto.

  8. Gustavo Castro Araujo
    29 de março de 2017

    Não dá para negar que o conto está muito bem escrito, revelando um autor seguro, que conduz a trama com habilidade, que sabe muito bem o que faz. No contexto das Congadas, temos uma jovem que, a conselho da avó, busca o amor, descontente com seu atual momento. No fim, tudo dá certo e ela se casa. Pois bem, apesar da perícia em termos gramaticais e ortográficos, o texto peca pela falta de entusiasmo. Fiquei com a impressão de que o autor preocupou-se muito mais em descrever o evento, a festa, do que em focar nos dilemas da protagonista. Claro que a contextualização e a ambientação são necessárias, mas aqui esse aspecto ficou exagerado, inserido em demasia nas falas artificiais da avó. Também não me afeiçoei à personagem principal, que me pareceu um tanto “bela-recatada-e-do-lar”, alguém que busca o casamento a qualquer preço, que se submete ao anacronismo de nossas superstições mais vetustas. Por óbvio que há gente assim, mas neste texto essas características me fizeram torcer o nariz. Teria preferido que ela desse um pé na bunda do Carlos e descobrisse a si mesma, independente, segura, e não como alguém tão submissa e conformada. Outro aspecto que não curti é que inexistem obstáculos. Tudo dá certo, sem qualquer percalço, sem qualquer problema. Para conquistar, o conto precisa demonstrar que o protagonista passou por tempos difíceis. É isso que faz o leitor se identificar com ele. Do jeito que está, é mais fácil achá-la um tanto chata. Foi isso.

  9. Bruna Francielle
    29 de março de 2017

    tema: adequado

    pontos fortes: Eu tava achando que era festa junina, mas 6 de setembro, ai fui procurar e diz que é dia da Independência. Não lembro de nenhuma festa particular desse dia, mas deve haver algumas ai pelo Brasil. Gostei do tema porque conseguiu fugir um pouco dos monstros do folclore. Em partes, gostei do enredo também, moça conquista noivo em festa junina.

    pontos fracos: mas confesso que não gostei muito da abordagem. Até pro meio do conto eu tava sob forte impressão que o narrador era homem. Mas bem, o enredo foi legal, mas pouco fluído e muito travado. Tive dificuldade para fixar atenção no conto, se não fosse o desafio, teria perdido eu como leitora logo no começo.

  10. Vitor De Lerbo
    29 de março de 2017

    Interessante a utilização da Congada como o folclore de destaque. Eu, particularmente, não conhecia o significado da festa. Graças a esse texto, pesquisei e agora, ao menos, sei um pouco. Essa é uma das funções da arte – e um dos ótimos exercícios que os leitores podem realizar.
    Bem escrito, com descrições claras.
    Boa sorte!

  11. Iolandinha Pinheiro
    28 de março de 2017

    Faz simpatia e não fazem – oh céus!

  12. danielreis1973 (@danielreis1973)
    28 de março de 2017

    Texto inserido no contexto de uma manifestação cultural da qual eu conheço bem pouco, e achei muito interessante. O elemento de história, mais do que descrição da congada, conduziu a narrativa, apesar de não trazer surpresa ou reviravolta. Acho que um elemento surpresa, no final, poderia ter deixado a história mais impactante.

  13. Fabio Baptista
    28 de março de 2017

    O(a) autor(a) tem estilo marcante, isso é bem evidente e também um aspecto positivo, na minha opinião. Com essa premissa, reconheço que o texto está bem escrito, mas, infelizmente, não me agradou em nada.

    Eu li duas vezes, assim como fiz com quase todos os outros contos. Acabei de ler nesse exato instante e se me perguntarem qual é a história, não vou saber responder. Não tem uma trama, não tem um “putz, o que será que vai acontecer?”, apenas uma sucessão de descrições e eventos aleatórios. Não consegui gostar. Desculpe.

    NOTA: 7

  14. Rsollberg
    28 de março de 2017

    Então, Santa!
    Quando comecei a ler confesso que torci o nariz. Não é o tipo de conto que costuma me agradar. Porém, aos poucos o estilo foi me ganhando. Embarquei nesse sincretismo e nessa festa tão bem esmiuçada. Foi uma espécie de passeio detalhado nesse ritual que desconhecia. Muitas informações! Mas de modo algum com qualquer carga de pedantismo. Muitas delas naturalmente nos próprios diálogos. A jornada pessoal da protagonista não me fisgou tanto, Creio que o texto me fascinou mais pelo lado crônica do que pelo lado conto.
    Parabéns e boa sorte!

  15. felipe rodrigues
    27 de março de 2017

    É o conto que mais explica realmente o ritual folclórico e religioso, pois nos diálogos foram colocadas diversas informações sobre as congadas e até mesmo a maneira de dançá-las, enfim, por mais que esteja dentro da proposta, o excesso de informações e a história sem muitas surpresas acabaram por deixar o conto cansativo.

  16. Rafael Luiz
    27 de março de 2017

    Texto bem escrito, com uma boa alternância entre a tenra idade e a adulta. Mas a história me pareceu um pouco enfadonha, sem elementos que prendessem a atenção.

  17. Anderson Henrique
    27 de março de 2017

    O texto tá muito, muito bem escrito, mas começa com uma frase que não é tão feliz assim (“Seis de setembro, dia em que não pude abandonar-me ao abandono”). Poxa autor/autora, tudo certo, mas esse começo… Tá perdoado por conta da sequência, mas vamos arrumar isso, né? Conto muito bem escrito. Ritmo, sonoridade e significados. Sutilezas, tanto na narrativa quanto no uso do folclore, que não recorreu a uma figura mítica específica, mas a uma tradição. A conclusão é redonda, bem encaixada na narrativa. Gostei d+.

  18. Ricardo de Lohem
    26 de março de 2017

    Olá, como vai? Vamos ao conto! Um conto sem muito conto. O que eu achei é que havia muita descrição de coisas folclóricas, muita conversa, mas muito pouca história, quase zero mesmo, e nenhum personagem relevante, se é que se pode falar em personagens propriamente ditos. Acho que não ficou claro que o tema é Folclore Brasileiro, mas é preciso fazer um conto com esse tema, não uma espécie de ensaio discursivo sobre o tema. Realmente faltou conto nesse conto pra mim. Desejo Boa Sorte.

  19. Elias Paixão
    26 de março de 2017

    O conto traz elementos bem comuns da literatura nacional e não falo pelo tema folclórico, claro, mas pela forma com a história desenvolveu. A protagonista aqui mergulha na religação do “citadino incrédulo com o folclore”. Essa religação pode agir bem como uma metáfora do desejo do leitor de viver uma experiência com o fantástico, o que se dá no texto na forma de crendice. A narrativa se desenrola de forma coerente, embora eu tenha sentido falta de maior profundidade da protagonista.

  20. Iolandinha Pinheiro
    25 de março de 2017

    Conto fofinho onde garota fura-olho, conchavada com a avó matreira, fazem simpatia penosa para roubar o noivo de outra. A gente aprende é tudo sobre esse lance de congadas e tradições, pois o autor descreve cada suado passo da criatura pelas ruas da cidade, agarrada no mastro da bandeira e dançando sensualmente. Talvez se houvesse mais lances românticos e detalhes sórdidos sobre a trairagem eu tivesse curtido mais. Contos muito descritivos costumam cansar o leitor, e eu não escapei a esta sina. Entenda, você escreve bem, só precisa manter o foco na parte mais interessante e envolvente das suas histórias, mas preferiu entremear o pouco que disse sobre o caso com o relato pormenorizado do ritual todo. Tinha muita emoção a ser explorada em seu conto, mas ela foi deixada em segundo plano. De toda sorte, meus parabéns pela pesquisa bem feita e pela boa redação. Sorte no desafio.

  21. Marco Aurélio Saraiva
    25 de março de 2017

    Achei muito interessante a sua iniciativa em falar de um lado do folclore pouco explorado no desafio: as crendices, as “formulas do amor”, as festanças e a música. Nem todo folclore é história de bicho ou de terror: muitas outras coisas formam o nosso folclore nacional.

    Sua escrita é muito bela, com frases bem pensadas e uma narrativa musical interessante. Não vi erros, mas fiquei confuso com a leitura, que tive que repetir para ver tinha perdido alguma coisa.

    O conto tem pouca trama e foca mais na descrição completa do ritual e a da dança. Tive dificuldade em sacar qual era a festança… sou garoto de cidade, não estou acostumado com essas coisas. Na verdade, até agora não descobri, mas está valendo, hahahah!

    Gostei da leitura, apesar da confusão ocasional e da ausência de uma trama, clímax ou o que seja. Você escreve bem pra caramba.

    Parabéns!

  22. Evelyn Postali
    24 de março de 2017

    Oi, Santa,
    Gostei do seu conto. É leve, correto. Singelo. Está bem escrito e o roteiro, bem construído. Gostei de como você encaixou uma coisa na outra, aquelas inserções de música – versos. E o desfecho, muito amor.

  23. Miquéias Dell'Orti
    23 de março de 2017

    Oi.

    Gostei muito da forma como você montou esse conto, como um relato. Parece até um crônica… revelando aspectos reais de uma situação, com aquela pitada de poesia.

    As cantigas deram um toque especial à narrativa e não destoaram do desenvolvimento da história em momento algum. Parabéns.

  24. Olá, Santa Devoção,

    Tudo bem?

    Achei seu conto um mimo. Uma delícia de se ler, uma delicadeza que traz ao leitor uma lufada de ar fresco, transportando-o à Festa da Congada.

    Adoro Congada, Reisado, Pastoril. Uma vez fui parar em um Reisado em Rio das Flores, divisa entre Rio de Janeiro e Minas, foi uma das experiências mais fortes de minha vida, foi lindo. Seu conto me transportou para aqueles momentos, aquela festa do povo, com seus batuques e danças, sua força religiosa, o rito ancestral.

    Gostei da ideia da promessa feita e de como ela vai se desenrolando, esmiuçando os detalhes da festividade, desde as vestimentas, passando pelas bandeiras, as comidas, os versos, as danças, enfim, a tradição. A cultura popular.

    Parabéns por seu belíssimo trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  25. Matheus Pacheco
    22 de março de 2017

    Excelente conto, que demonstra uma tradição popular regional, a junção de festas cristãs e datas populares.
    Excelente conto mesmo, realmente me fez acha-lo o melhor que lí até agora.
    Um abração ao autor.

  26. Olisomar Pires
    22 de março de 2017

    As trovas inseridas no texto tem o poder de alongar bastante o conto. Não acredito que isso seja muito positivo no caso.

    No mais ´conto é bem escrito e traz uma aura meiga sobre o tema.

  27. Priscila Pereira
    21 de março de 2017

    Oi Santa, que legal você não escolher nenhuma lenda e focar nas festas! Ficou muito bom o conto, você conseguiu mostrar com as palavras, como se estivéssemos realmente vendo tudo, é muito difícil fazer isso, parabéns!! Achei bastante original!!

  28. Rubem Cabral
    21 de março de 2017

    Olá, Santa Devoção.

    Então, gostei da pesquisa ou conhecimento do autor: não sabia o tanto de detalhes mais que interessantes sobre a congada.

    Contudo, como conto, o texto deixa a desejar um tanto, pois não há muito enredo (o cumprimento de uma promessa para alcançar a graça de um casamento), ou desenvolvimento de personagens.

    Quanto à escrita, o conto está bem escrito e as descrições foram muito vivas.

    Nota: 7.5

  29. G. S. Willy
    20 de março de 2017

    A escrita é muito boa, realmente. Leve, explicando sem enfade, e quem já viu qualquer festa deste tipo deve ter recordado diversas lembranças. Porém tenho uma grande ressalva. Onde está o folclore? Sei que é uma questão discutível, mas tudo aí está mais para superstição. Muita coisa vem de outras culturas, europeias principalmente. Folclore para mim é tudo o que é genuinamente brasileiro, nosso, sem muita influência de fora, ou nenhuma. Portanto, para mim, festa cristã, embora faça parte da cultura brasileira, e muito, não é folclore brasileiro, da forma que eu entendo…

  30. Evandro Furtado
    19 de março de 2017

    Resultado – Weak

    Chegamos ao primeiro conflito de tema do desafio. Acho que isso passa pelo próprio conceito de folclore. Eu, particularmente, creio que existe uma linha entre folclore e tradição. É uma linha bem tênue, mas, ainda assim uma linha. Mas, ao considerar a própria etimologia da palavra folk+lore, ou seja, conhecimento do povo, eu tive que considerar, em parte, que o texto se encaixa dentro do tema. O que me incomodou mesmo, no entanto, foi o enredo em si. O conto de deteve muito mais na descrição de uma festa, com uma subtrama no meio que não foi forte o bastante apra segurar as pontas. Talvez tenha funcionado melhor para outras pessoas, para mim não.

  31. Antonio Stegues Batista
    18 de março de 2017

    O conto se refere a Congada, uma mistura de culto africano com católico. É uma tradição em Pernambuco. A narrativa faz uma descrição da festa. Uma escrita simples, uma enredo simples, sem grandes novidades, sem grandes emoções, sem mistério. Valeu pela referência. Não há muito o que avaliar.

  32. Neusa Maria Fontolan
    18 de março de 2017

    Lindo…
    Quando o desejo de algo é misturado com a fé, tudo acontece.
    Uma história linda de fé e tradição. Muito bem contada, gostosa de ler. Parabéns
    Destaque: “O apito do capitão puxou o fole da sanfona, a magia aconteceu… as caixas marcavam o ritmo acompanhadas por pandeiro, violão, tamborim, repique, e timbal. O bailado recomeçava, a energia envolvia os presentes. Eram cantos de fé, cheios de luzes e imagens:”
    “Eu agora vou saudar,
    Com prazer e alegria,
    Vou saudar as seis imagens,
    Do Rosário de Maria!”

  33. Roselaine Hahn
    17 de março de 2017

    Santa Devoção, gostei bastante do seu conto, a sua escrita é fluída e certeira. O tema escolhido difere dos demais do Desafio, uma boa novidade a questão da festa religiosa, e o assunto interessa-me bastante, pois sou estudiosa de cultos religiosos e suas manifestações. A história em si funcionou como uma narrativa, sem maiores rompantes de emoção ou conflitos, narrativa linear, o que talvez prejudique a pontuação no ranking, de qualquer forma, para os meus conceitos ele ficará bem situado. Um final surpreendente, a fuga do noivo, a morte da avó, talvez tivesse dado uma maior emoção, quem sabe, talvez….cabeça do autor versus expectativas do leitor, eterno embate. Siga em frente nos seus propósitos. Abçs.

  34. catarinacunha2015
    17 de março de 2017

    O Começo do conto é muito lento e descritivo, mas depois ele engata e gera empatia e beleza no gingado do bater das caixas. Depois perde fôlego na cena de fim de novela, o casamento. Com uma boa enxugada nas descrições da avó, mantendo o ritmo rápido conquistado no meio do conto, pode melhorar muito.

  35. Eduardo Selga
    17 de março de 2017

    Aqui no Espírito Santo há uma versão da congada que não recebe esse nome, apenas simplesmente “congo”, e guarda algumas diferenças para a congada que foi o mote dessa narrativa, com destaque para o uso de um instrumento feito pelos indígenas daqui, a casaca, uma espécie de reco-reco de madeira e com uma cabeça esculpida.

    Digo isso para ressaltar que nossa cultura é tão rica que várias manifestações populares se apresentam em mais de uma versão, assim como alguns mitos.

    O protagonismo do conto é todo feminino, por meio das protagonistas, duas gerações de uma mesma linhagem, demonstrando uma característica bem brasileira, de um modo geral: o apego à religiosidade no intuito de resolver um problema no plano material. E é interessante observar que, embora a neta em relação à avó tenha suas ressalvas, no essencial ambas convergem, resultando entre elas grande afeto. A tradição fala mais alto que o conflito geracional, no conto.

    São usados os versos “Eu andava perambulando / sem ter nada pra comer, / Fui pedir às almas santas / para vir me socorrer…” como Canto das Almas, que é uma cantoria popular e peditória de origem portuguesa, que certamente chegou ao território brasileiro. Entretanto, os versos usados, especificamente, são de um ponto de Preto Velho bastante utilizado nas cerimônias da umbanda. No panteão umbandista, essa faixa vibratória (Preto Velho) está ligada às almas dos desencarnados, assim sendo, não é impossível que esse ponto tenha sido, em sua origem, um Canto das Almas, conforme está apontado no conto. Como eu não encontrei comprovação disso, e a dúvida deve beneficiar o avaliado, em minha análise não vou tirar pontos nesse caso.

    No transcorrer da narrativa são utilizados outras estrofes. Três delas pertencem à música “Congada do Rei”, gravada por Moacyr Franco em 1993 no álbum “Inteligência é Loucura”. É comum, na música brasileira, o aproveitamento de cantigas populares, até mesmo para perpetuá-las, mas não parece ter sido esse o caso: é uma composição praticamente toda original do Moacyr Franco, que aproveitou a melodia própria de congada. Na letra, o autor usa dois versos da folia de reis do Sul de Minas (“antes do galo cantar” e “o galo do céu cantou”), sendo que no conto apenas um deles aparece.

    Passando essa informação para o universo ficcional, não me parece razoável que uma comunidade de hábitos tradicionais abra mão de suas melodias em prol de outra, gravada por um cantor.

    • Fheluany Nogueira
      1 de abril de 2017

      Olá, Eduardo. Quero convidá- lo a visitar Santo Antônio da Alegria (SP) para participar da Festa do Congo. É a cidade onde moro. Na época do encontro dos ternos de congadas, início de setembro, confirmo as datas. Abraços.

  36. marcilenecardoso2000
    17 de março de 2017

    Uma das coisas mais belas do folclore, as manifestações religiosas. Acho que acreditar em algo e fazer com que isso mova as pessoas e acrescente doses de esperança ao cotidiano é importante para a continuação da vida. outra coisa que faz bem ao ser humano é aceitar nos conselhos dos mais velhos, principalmente os entes queridos. A narração ficou cansativa porque a personagem repetiu-se muito. Faltou criatividade no desenvolvimento.

    • marcilenecardoso2000
      3 de abril de 2017

      Onde se lê aceitar nos conselhos dos mais velhos, leia-se acreditar nos conselhos dos mais velhos.

  37. M. A. Thompson
    17 de março de 2017

    Olá “Santa Devoção”. Parabéns pelo seu conto. Não foi o que mais me surpreendeu, mas gostei, porém o final – no meu ver – ficou mal resolvido, poderia ser melhor. Abçs.

  38. angst447
    15 de março de 2017

    O conto aborda uma festividade do folclore brasileiro – a Congada – manifestação cultural e religiosa afro-brasileira. Ponto para o autor que atingiu o primeiro objetivo proposto pelo desafio.
    Não encontrei falhas de revisão.
    Fiquei com a impressão de ter lido dois contos – o primeiro centrado nos detalhes da Congada, descrevendo todos os seus pormenores e apresentando avó e neta. Já, em um segundo momento, a narradora nos conta sobre Carlos, fornecendo pormenores da relação entre eles. Tudo certo até aí, mas achei desnecessária a justificativa “não gostava mais dela, não havia mais empolgação” para o moço estar traindo a noiva. Parece que o autor (ou autora) quis transformar em lícito o relacionamento, tipo o amor vence tudo, no jogo do amor vale tudo.
    No entanto, apesar da minha implicância com o tom “errei por amor”, essa segunda parte me agradou mais. Prendeu minha atenção o jogo de sedução entre os dois enamorados.
    Final de conto bonitinho, felizes para sempre e Santa Ifigênia ainda recebeu um belo buquê.
    🙂

  39. Fernando Cyrino
    11 de março de 2017

    Um conto leve, um conto agradável, uma história tão gostosa de se ler. Parece que ia escutando a cantoria, a batida das caixas, a dança… tudo muito visual e isto é muito bom. Gostei achando que não fosse apreciar essa sua história, sabia? É que esse “abandonar-me ao abandono” bem no início, primeira linha, pegou forte em mim. Bateu como aqueles fogos que espocam perto demais da gente e ficam reboando na cabeça. Parabéns pelo conto, a sugestão que faço é que reveja esse começo.

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Publicado às 10 de março de 2017 por em Folclore Brasileiro e marcado .