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Literatura que desafia.

Reconhecimento (Fabio Baptista)

Dentro da minha casa, ninguém vai usar essa merda, disse Mauro, arrancando o brinco e um pedaço da orelha de Rafael.

Não fez mais que obrigação, disse Mauro, ao ver a cabeça raspada e o sorriso estampado no rosto cheio de tinta.

Você não é mais meu filho, disse Mauro, quando Rafael confessou a verdade sobre Renato.

Sim, é o meu filho, disse Mauro, com um mundo de remorso na voz, ao ver o corpo estirado na gaveta de alumínio.

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84 comentários em “Reconhecimento (Fabio Baptista)

  1. Lohan Lage
    27 de janeiro de 2017

    Fodástico! O reconhecimento do corpo… da paternidade, do amor, o arrependimento pulsante… que lindo, viu? Parabéns e boa sorte!

  2. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Ficou bom, mas daquele jeito… não em agradou muito. Boa sorte.

  3. Sra Datti
    27 de janeiro de 2017

    O comportamento impositivo e agressor do pai esmaga o relacionamento entre ele e o filho. Escrita forte. Muito real. Leva-nos à várias reflexões. Triste fim de um jovem cujo algoz está ao seu lado. Têm poderes sobre si. Ambos vítimas dos pré-conceitos não diluídos de um homem amargo e de uma sociedade que não perdoa. Infelizmente, há muitas vidas se enveredando por esse caminho.
    Ótimo arremate, embora infeliz.
    Apreciado!

  4. Pedro Luna
    27 de janeiro de 2017

    O conto acerta por tocar o real. Conheço pais desse jeitinho. Alguns ficaram velhos e agora tem uma boa relação com os filhos, outros continuam sisudos e cheios de razão. Pena, só tempo perdido no fim das contas. A máxima humana: só dá valor quando perde. Gostei.

  5. Remisson Aniceto (@RemissonA)
    27 de janeiro de 2017

    Independente da opção sexual/religiosa ou outra de qualquer pessoa, de que adianta mudar nossa opinião sobre esta pessoa somente depois que ela morre? Arrependimento? E com relação às que continuam vivas, manteremos nosso asco, nossa repulsa? Um conto que aborda de forma clara até onde pode levar a homofobia entre pai e filho . Abraço.

  6. Leandro B.
    27 de janeiro de 2017

    Oi, Rê.
    Gostei mais do texto em uma segunda leitura. Ia comentar algo que falei em outro conto, sobre como a maior parte dos textos que abordam a homofobia se expressam na forma de denuncia, mas li um comentário aqui bastante acertado.

    O micro não se funda na questão da homofobia, mas no autoritarismo e arrependimento. Simples (de forma positiva) assim.

    A forma foi bastante original e bem executada. Especialmente o final, mesclando arrependimento e reconhecimento (do corpo, do erro).

  7. Victória
    27 de janeiro de 2017

    Título muito apropriado e conto muito bom sobre a homofobia e relações familiares. Incrível como a opinião de algumas pessoas mudam por causa da morte. Boa sorte no desafio

  8. rsollberg
    26 de janeiro de 2017

    Ponto positivo: Cruel tal qual a realidade. Triste, hodierno. Nesse sentido, foi muito fácil visualizar toda a história.

    Ponto negativo: A estrutura é simples, recortes sem muita argamassa, Repetição desnecessária dos nomes em tão curto espaço, cansando o leitor e consequentemente afastando. O que é um grande problema, especialmente em um conto que demanda empatia para alcançar sua plenitude.

    De qualquer modo, parabéns e boa sorte!

  9. juliana calafange da costa ribeiro
    26 de janeiro de 2017

    Uau! Q porrada seu texto. E saber q são assim tantas famílias… o título é muito bem escolhido. A construção do conto é muito boa, intercalando a violência, a indiferença, a negação, a truculência do pai, até q já é tarde demais. Belo conto! Parabéns!

  10. Simoni Dário
    26 de janeiro de 2017

    Um conto muito profundo e verossimil. Quantos pais não reconhecem o mérito de seus filhos ao tirarem boas notas ou passarem no vestibular, por exemplo? Aqui foram vários momentos de desaprovação. O impacto no final do texto com pai reconhecendo o corpo do filho foi chocante. Em vida, era uma decepção. Já na morte…..
    Bom desafio!

  11. Fil Felix
    26 de janeiro de 2017

    Um bom conto que usa de uma estrutura diferente pra narrar toda uma vida, desde a adolescência à morte do rapaz. Bem escrito, só acho que sobrou um pouco de “Mauro”. Trata-se de remorso, do quanto podemos nos arrepender e também levanta a questão da homofobia. Deve ser bom para quem é pai/ mãe. Particularmente, o que me incomodou é o final trágico. Entendo que estava em seus planos (e eu também sou meio trágico ao escrever), mas acho uma constante usar da morte de um LGBT para poder falar dessas questões e gerar um “remorso” nos héteros e/ ou preconceituosos. Algo que, enquanto crítica, me incomoda pois tira a crítica de cima da comunidade LGBT e a coloca como apenas vítima das circunstâncias.

  12. Gustavo Aquino Dos Reis
    26 de janeiro de 2017

    Achei muito bom em termos de enredo.

    Porém, achei que as pontuações deixaram o texto truncado demais.

    É um conto que choca, que diz muito sobre a nossa sociedade, mas que não ficou bem executado em termos gramaticais.

    No entanto, lhe deixo os parabéns.

  13. Felipe Teodoro
    26 de janeiro de 2017

    Pesado, bem escrito e com uma forte crítica as relação familiares. Achei o conto excelente, é muito bom ver que em tão pouco espaço, o autor reuniu situações tão tristes do nosso cotidiano. Às vezes é tarde demais para se arrepender. Um conto com uma mensagem muito importante e com cenas vivas. Gostei muito, meus parabéns!

  14. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    25 de janeiro de 2017

    Oi, Rê,

    Seu conto é muito, muito, muito forte. Ao menos para quem é mãe. A última frase doeu fundo.

    A opção de construção do conto, em frases curtas, a princípio me pareceu estranha, mas no final a história fechou redondinho e a organização fez todo sentido.

    Você optou por uma narrativa direta, com narrador distante do que acontece, como uma câmera. Ficou interessante.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  15. Lídia
    25 de janeiro de 2017

    Ai… foi um conto bem doloroso pra mim…
    O tema do micro não é necessariamente a homofobia, mas sim o abismo entre um pai autoritário e um filho carente de afeto… nucleos familiares assim são muito comuns na contemporaneidade. A ausência de uma ponte entre essas gerações é um exemplo de desestruturação familiar, e esta não fornece bases sólidas para o desesvolvimento físico e psicologicamente saudável de crianças e adolescentes… Não ficaria assustada se o personagem se envolvesse com a criminalidade.
    As causas da morte do filho não foram claras, portanto pode ser mais uma vítima da homofobia ou de alguma enfermidade, o fato é que o reconhecimento da paternidade só aconteceu após sua morte… :/

  16. vitormcleite
    25 de janeiro de 2017

    Muito interessante este pequeno texto, com um final em grande. Gostei muito do esquema que recorreste para desenvolver este conto.

  17. Estela Menezes
    25 de janeiro de 2017

    Já comecei apreciando a ambiguidade dada ao título; foi muito bem sacada! Em cada um dos quatro momentos do conto, um desencontro diferente na relação pai e filho descrito de forma concisa e seca, deixando as emoções a critério do leitor. Texto sofisticado, bem construído nos menores detalhes, coisa de quem sabe aonde quer chegar… Vai pra lista!

  18. Srgio Ferrari
    25 de janeiro de 2017

    Meu deus, muitos nomes numa sequência tão curta e tudo confuso, plastificado e com passagem de diálogo temporalizada de forma mal feita. Mais esmero. Sobre enredo, ele é ok, mas mal posto.

  19. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    Pais e filhos, a dificuldade sobre a aceitação e remorso são sensivelmente tratados nessa narrativa. O ritmo é constante, cada frase uma cena, cada cena um momento. Construção de personagens clara e objetiva. Enfim, um texto muito bem entrelaçado, parabéns ao autor.

  20. Tom Lima
    25 de janeiro de 2017

    Muito bom! Intenso. A forma ajuda a contar uma grande história em poucas palavras.
    Toca esse distanciamento causado pelo preconceito, mais um conto, infelizmente, real de mais. O conto não conta, mas imaginei que a morte foi causada por homofobia.

    Muito bem escrito, parabéns!!

    Abraços.

  21. Rubem Cabral
    24 de janeiro de 2017

    Olá, Rê.

    Muito bom! Típico microconto: mantém a estrutura das frases, apresenta recortes das vidas de Rafael e Mauro e deixa passar em tais momentos vários sentimentos.

    Nota: 9.

  22. Laís Helena Serra Ramalho
    24 de janeiro de 2017

    A forma como você dispôs os diálogos, sem usar aspas ou travessão, me incomodou um pouco, embora não tenha causado confusão em nenhum momento.

    Eu gostei do enredo, da forma como você conseguiu mostrar o preconceito do pai e até as cobranças, enquanto que os acertos não são percebidos ou, quando são, não são valorizados.

    O final não é exatamente surpreendente, mas não é o tipo de conto que pedia um final assim. Também não achei que omitir a causa da morte tenha prejudicado o enredo.

    Só tenho duas ressalvas quanto à escrita. A primeira é sobre a frase “com um mundo de remorso na voz”: acho que deveria ter sido omitida, pois esse remorso já ficou implícito na fala de Mauro. A outra é sobre o pedaço de orelha. Achei que ficou meio forçado; talvez ficasse melhor se você tivesse mencionado apenas sangue.

  23. Tiago Menezes
    24 de janeiro de 2017

    Os momentos mostrados no conto dizem que o pai não mudou em nada com relação as atitudes com o filho. Além de não se preocupar ou se importar com o filho, ainda era preconceituoso, e apenas o reconheceu como filho na última frase porque foi necessário. Ótimo conto, nos passa bem a mensagem do preconceito com os homossexuais e também dos pais relapsos com seus filhos. Parabéns!

  24. Renato Silva
    24 de janeiro de 2017

    Acho que você poderia ter passado sua mensagem de outra maneira. Ficou uma narrativa muito simplória, quase panfletária. Ao invés de colocar falas tão diretas do pai, poderia ter construído alguma breve situação que mostrasse ao leitor a não aceitação paterna da homossexualidade do filho. Procure reescrever este conto, use sua imaginação e procure novas formas de contar a mesma estória.

    Boa sorte.

  25. Miquéias Dell'Orti
    23 de janeiro de 2017

    Olá Rê,

    Mais um conto com o tema homofobia. Nesse, o filho sofre preconceito do pai, que é um agravante diante da proximidade da relação. O pai, em aspectos socialmente “aceitáveis” elogia o filho e o apoia, mas naquilo que não lhe é correto dentro de sua própria ética é motivo de recalcamento.

    Por fim, o homem chora a perda do filho e não somos apresentados ao real motivo da sua morte, o que nos apresenta uma diversidade de opções para a causa do falecimento.

    Abre novamente a discussão sobre a repressão social diante da escolha de gênero.

    Abordagem direto ao ponto e narrativa precisa. Parabéns.

  26. Andreza Araujo
    23 de janeiro de 2017

    A melhor parte do conto é a mensagem que ele passa. Ah, o título também é interessante, pois a princípio podemos pensar que o filho apenas quer o reconhecimento do pai, quando ao final do texto o pai reconhece (literalmente) o corpo do filho falecido. Pelo menos houve remorso da parte do pai, por mais que seja um final triste. Parabéns pelo trabalho.
    De negativo, a pontuação poderia ser melhor trabalhada a fim de diferenciarmos com melhor clareza o que é fala do personagem e o que é narração.

  27. Vitor De Lerbo
    23 de janeiro de 2017

    Gostei do estilo do conto, tão bruto e truncado quanto o Mauro. Pequenos momentos que têm grandes consequências.
    Boa sorte!

  28. Cilas Medi
    23 de janeiro de 2017

    Difícil sentir empatia por um conto truncado, mesmo dando a mensagem de um pai homofóbico e o triste fim do filho depois de uma possível apresentação do seu namorado. Não costumo e não vou fazer como seria melhor transmitir essa mensagem. Boa sorte!

  29. Thayná Afonso
    23 de janeiro de 2017

    Contos com essa temática mexem bastante comigo e eu gostei da maneira que você abordou o assunto. Algumas famílias tem uma aceitação muito tardia e muitas vezes nem chegam a isso. Reações como essa moldam quem acabamos nos tornando e às vezes trazem consequências drásticas. É um peso esmagador não ser aceito, assim como deve ser esmagador estar no papel de Mauro, que dali em diante terá muita culpa para carregar. Parabéns pelo conto!

  30. Jowilton Amaral da Costa
    23 de janeiro de 2017

    Achei um conto médio. O conto deixa nas entrelinhas que o filho morreu por culpa do pai. Será que foi mesmo? Um pai pode deserdar, digamos assim, um filho por muitos outros motivos e não só a homofobia. Sei que o conto levanta uma bandeira importante, mas, soou-me forçado, desculpe. Boa sorte.

  31. catarinacunha2015
    23 de janeiro de 2017

    MERGULHO num poço de arrependimentos. O autor, ao repetir sistematicamente “disse Mauro”, valorizou imensamente as verdades absolutas do personagem e suas consequências. IMPACTO digno de Nelson Rodrigues.

  32. Wender Lemes
    22 de janeiro de 2017

    Olá! Quatro passagens de uma tragédia ensaiada. Embora a abordagem não seja tão original, é muito verossímil, fora a escolha inteligente dos momentos mais simbólicos. Pelos quatro períodos, é possível supor um pai totalmente avesso ao diálogo, que pagou muito caro por tamanha ignorância.
    Parabéns pela sensibilidade, boa sorte.

  33. Davenir Viganon
    22 de janeiro de 2017

    Gostei da forma que abordou o tema da homofobia. A opção pela narração ser a voz do pai mostra o espaço que ela ocupa e esmaga a relação entre o pai e o filho. Vejam como a preocupação do pai é com influências externas no seu filho e todas as ações dele são influências sociais que o tornam preconceituoso. Gostei bastante o seu conto.

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Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .