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Detox Literário.

Reconhecimento (Fabio Baptista)

Dentro da minha casa, ninguém vai usar essa merda, disse Mauro, arrancando o brinco e um pedaço da orelha de Rafael.

Não fez mais que obrigação, disse Mauro, ao ver a cabeça raspada e o sorriso estampado no rosto cheio de tinta.

Você não é mais meu filho, disse Mauro, quando Rafael confessou a verdade sobre Renato.

Sim, é o meu filho, disse Mauro, com um mundo de remorso na voz, ao ver o corpo estirado na gaveta de alumínio.

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84 comentários em “Reconhecimento (Fabio Baptista)

  1. Lohan Lage
    27 de janeiro de 2017

    Fodástico! O reconhecimento do corpo… da paternidade, do amor, o arrependimento pulsante… que lindo, viu? Parabéns e boa sorte!

  2. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Ficou bom, mas daquele jeito… não em agradou muito. Boa sorte.

  3. Sra Datti
    27 de janeiro de 2017

    O comportamento impositivo e agressor do pai esmaga o relacionamento entre ele e o filho. Escrita forte. Muito real. Leva-nos à várias reflexões. Triste fim de um jovem cujo algoz está ao seu lado. Têm poderes sobre si. Ambos vítimas dos pré-conceitos não diluídos de um homem amargo e de uma sociedade que não perdoa. Infelizmente, há muitas vidas se enveredando por esse caminho.
    Ótimo arremate, embora infeliz.
    Apreciado!

  4. Pedro Luna
    27 de janeiro de 2017

    O conto acerta por tocar o real. Conheço pais desse jeitinho. Alguns ficaram velhos e agora tem uma boa relação com os filhos, outros continuam sisudos e cheios de razão. Pena, só tempo perdido no fim das contas. A máxima humana: só dá valor quando perde. Gostei.

  5. Remisson Aniceto (@RemissonA)
    27 de janeiro de 2017

    Independente da opção sexual/religiosa ou outra de qualquer pessoa, de que adianta mudar nossa opinião sobre esta pessoa somente depois que ela morre? Arrependimento? E com relação às que continuam vivas, manteremos nosso asco, nossa repulsa? Um conto que aborda de forma clara até onde pode levar a homofobia entre pai e filho . Abraço.

  6. Leandro B.
    27 de janeiro de 2017

    Oi, Rê.
    Gostei mais do texto em uma segunda leitura. Ia comentar algo que falei em outro conto, sobre como a maior parte dos textos que abordam a homofobia se expressam na forma de denuncia, mas li um comentário aqui bastante acertado.

    O micro não se funda na questão da homofobia, mas no autoritarismo e arrependimento. Simples (de forma positiva) assim.

    A forma foi bastante original e bem executada. Especialmente o final, mesclando arrependimento e reconhecimento (do corpo, do erro).

  7. Victória
    27 de janeiro de 2017

    Título muito apropriado e conto muito bom sobre a homofobia e relações familiares. Incrível como a opinião de algumas pessoas mudam por causa da morte. Boa sorte no desafio

  8. rsollberg
    26 de janeiro de 2017

    Ponto positivo: Cruel tal qual a realidade. Triste, hodierno. Nesse sentido, foi muito fácil visualizar toda a história.

    Ponto negativo: A estrutura é simples, recortes sem muita argamassa, Repetição desnecessária dos nomes em tão curto espaço, cansando o leitor e consequentemente afastando. O que é um grande problema, especialmente em um conto que demanda empatia para alcançar sua plenitude.

    De qualquer modo, parabéns e boa sorte!

  9. juliana calafange da costa ribeiro
    26 de janeiro de 2017

    Uau! Q porrada seu texto. E saber q são assim tantas famílias… o título é muito bem escolhido. A construção do conto é muito boa, intercalando a violência, a indiferença, a negação, a truculência do pai, até q já é tarde demais. Belo conto! Parabéns!

  10. Simoni Dário
    26 de janeiro de 2017

    Um conto muito profundo e verossimil. Quantos pais não reconhecem o mérito de seus filhos ao tirarem boas notas ou passarem no vestibular, por exemplo? Aqui foram vários momentos de desaprovação. O impacto no final do texto com pai reconhecendo o corpo do filho foi chocante. Em vida, era uma decepção. Já na morte…..
    Bom desafio!

  11. Fil Felix
    26 de janeiro de 2017

    Um bom conto que usa de uma estrutura diferente pra narrar toda uma vida, desde a adolescência à morte do rapaz. Bem escrito, só acho que sobrou um pouco de “Mauro”. Trata-se de remorso, do quanto podemos nos arrepender e também levanta a questão da homofobia. Deve ser bom para quem é pai/ mãe. Particularmente, o que me incomodou é o final trágico. Entendo que estava em seus planos (e eu também sou meio trágico ao escrever), mas acho uma constante usar da morte de um LGBT para poder falar dessas questões e gerar um “remorso” nos héteros e/ ou preconceituosos. Algo que, enquanto crítica, me incomoda pois tira a crítica de cima da comunidade LGBT e a coloca como apenas vítima das circunstâncias.

  12. Gustavo Aquino Dos Reis
    26 de janeiro de 2017

    Achei muito bom em termos de enredo.

    Porém, achei que as pontuações deixaram o texto truncado demais.

    É um conto que choca, que diz muito sobre a nossa sociedade, mas que não ficou bem executado em termos gramaticais.

    No entanto, lhe deixo os parabéns.

  13. Felipe Teodoro
    26 de janeiro de 2017

    Pesado, bem escrito e com uma forte crítica as relação familiares. Achei o conto excelente, é muito bom ver que em tão pouco espaço, o autor reuniu situações tão tristes do nosso cotidiano. Às vezes é tarde demais para se arrepender. Um conto com uma mensagem muito importante e com cenas vivas. Gostei muito, meus parabéns!

  14. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    25 de janeiro de 2017

    Oi, Rê,

    Seu conto é muito, muito, muito forte. Ao menos para quem é mãe. A última frase doeu fundo.

    A opção de construção do conto, em frases curtas, a princípio me pareceu estranha, mas no final a história fechou redondinho e a organização fez todo sentido.

    Você optou por uma narrativa direta, com narrador distante do que acontece, como uma câmera. Ficou interessante.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  15. Lídia
    25 de janeiro de 2017

    Ai… foi um conto bem doloroso pra mim…
    O tema do micro não é necessariamente a homofobia, mas sim o abismo entre um pai autoritário e um filho carente de afeto… nucleos familiares assim são muito comuns na contemporaneidade. A ausência de uma ponte entre essas gerações é um exemplo de desestruturação familiar, e esta não fornece bases sólidas para o desesvolvimento físico e psicologicamente saudável de crianças e adolescentes… Não ficaria assustada se o personagem se envolvesse com a criminalidade.
    As causas da morte do filho não foram claras, portanto pode ser mais uma vítima da homofobia ou de alguma enfermidade, o fato é que o reconhecimento da paternidade só aconteceu após sua morte… :/

  16. vitormcleite
    25 de janeiro de 2017

    Muito interessante este pequeno texto, com um final em grande. Gostei muito do esquema que recorreste para desenvolver este conto.

  17. Estela Menezes
    25 de janeiro de 2017

    Já comecei apreciando a ambiguidade dada ao título; foi muito bem sacada! Em cada um dos quatro momentos do conto, um desencontro diferente na relação pai e filho descrito de forma concisa e seca, deixando as emoções a critério do leitor. Texto sofisticado, bem construído nos menores detalhes, coisa de quem sabe aonde quer chegar… Vai pra lista!

  18. Srgio Ferrari
    25 de janeiro de 2017

    Meu deus, muitos nomes numa sequência tão curta e tudo confuso, plastificado e com passagem de diálogo temporalizada de forma mal feita. Mais esmero. Sobre enredo, ele é ok, mas mal posto.

  19. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    Pais e filhos, a dificuldade sobre a aceitação e remorso são sensivelmente tratados nessa narrativa. O ritmo é constante, cada frase uma cena, cada cena um momento. Construção de personagens clara e objetiva. Enfim, um texto muito bem entrelaçado, parabéns ao autor.

  20. Tom Lima
    25 de janeiro de 2017

    Muito bom! Intenso. A forma ajuda a contar uma grande história em poucas palavras.
    Toca esse distanciamento causado pelo preconceito, mais um conto, infelizmente, real de mais. O conto não conta, mas imaginei que a morte foi causada por homofobia.

    Muito bem escrito, parabéns!!

    Abraços.

  21. Rubem Cabral
    24 de janeiro de 2017

    Olá, Rê.

    Muito bom! Típico microconto: mantém a estrutura das frases, apresenta recortes das vidas de Rafael e Mauro e deixa passar em tais momentos vários sentimentos.

    Nota: 9.

  22. Laís Helena Serra Ramalho
    24 de janeiro de 2017

    A forma como você dispôs os diálogos, sem usar aspas ou travessão, me incomodou um pouco, embora não tenha causado confusão em nenhum momento.

    Eu gostei do enredo, da forma como você conseguiu mostrar o preconceito do pai e até as cobranças, enquanto que os acertos não são percebidos ou, quando são, não são valorizados.

    O final não é exatamente surpreendente, mas não é o tipo de conto que pedia um final assim. Também não achei que omitir a causa da morte tenha prejudicado o enredo.

    Só tenho duas ressalvas quanto à escrita. A primeira é sobre a frase “com um mundo de remorso na voz”: acho que deveria ter sido omitida, pois esse remorso já ficou implícito na fala de Mauro. A outra é sobre o pedaço de orelha. Achei que ficou meio forçado; talvez ficasse melhor se você tivesse mencionado apenas sangue.

  23. Tiago Menezes
    24 de janeiro de 2017

    Os momentos mostrados no conto dizem que o pai não mudou em nada com relação as atitudes com o filho. Além de não se preocupar ou se importar com o filho, ainda era preconceituoso, e apenas o reconheceu como filho na última frase porque foi necessário. Ótimo conto, nos passa bem a mensagem do preconceito com os homossexuais e também dos pais relapsos com seus filhos. Parabéns!

  24. Renato Silva
    24 de janeiro de 2017

    Acho que você poderia ter passado sua mensagem de outra maneira. Ficou uma narrativa muito simplória, quase panfletária. Ao invés de colocar falas tão diretas do pai, poderia ter construído alguma breve situação que mostrasse ao leitor a não aceitação paterna da homossexualidade do filho. Procure reescrever este conto, use sua imaginação e procure novas formas de contar a mesma estória.

    Boa sorte.

  25. Miquéias Dell'Orti
    23 de janeiro de 2017

    Olá Rê,

    Mais um conto com o tema homofobia. Nesse, o filho sofre preconceito do pai, que é um agravante diante da proximidade da relação. O pai, em aspectos socialmente “aceitáveis” elogia o filho e o apoia, mas naquilo que não lhe é correto dentro de sua própria ética é motivo de recalcamento.

    Por fim, o homem chora a perda do filho e não somos apresentados ao real motivo da sua morte, o que nos apresenta uma diversidade de opções para a causa do falecimento.

    Abre novamente a discussão sobre a repressão social diante da escolha de gênero.

    Abordagem direto ao ponto e narrativa precisa. Parabéns.

  26. Andreza Araujo
    23 de janeiro de 2017

    A melhor parte do conto é a mensagem que ele passa. Ah, o título também é interessante, pois a princípio podemos pensar que o filho apenas quer o reconhecimento do pai, quando ao final do texto o pai reconhece (literalmente) o corpo do filho falecido. Pelo menos houve remorso da parte do pai, por mais que seja um final triste. Parabéns pelo trabalho.
    De negativo, a pontuação poderia ser melhor trabalhada a fim de diferenciarmos com melhor clareza o que é fala do personagem e o que é narração.

  27. Vitor De Lerbo
    23 de janeiro de 2017

    Gostei do estilo do conto, tão bruto e truncado quanto o Mauro. Pequenos momentos que têm grandes consequências.
    Boa sorte!

  28. Cilas Medi
    23 de janeiro de 2017

    Difícil sentir empatia por um conto truncado, mesmo dando a mensagem de um pai homofóbico e o triste fim do filho depois de uma possível apresentação do seu namorado. Não costumo e não vou fazer como seria melhor transmitir essa mensagem. Boa sorte!

  29. Thayná Afonso
    23 de janeiro de 2017

    Contos com essa temática mexem bastante comigo e eu gostei da maneira que você abordou o assunto. Algumas famílias tem uma aceitação muito tardia e muitas vezes nem chegam a isso. Reações como essa moldam quem acabamos nos tornando e às vezes trazem consequências drásticas. É um peso esmagador não ser aceito, assim como deve ser esmagador estar no papel de Mauro, que dali em diante terá muita culpa para carregar. Parabéns pelo conto!

  30. Jowilton Amaral da Costa
    23 de janeiro de 2017

    Achei um conto médio. O conto deixa nas entrelinhas que o filho morreu por culpa do pai. Será que foi mesmo? Um pai pode deserdar, digamos assim, um filho por muitos outros motivos e não só a homofobia. Sei que o conto levanta uma bandeira importante, mas, soou-me forçado, desculpe. Boa sorte.

  31. catarinacunha2015
    23 de janeiro de 2017

    MERGULHO num poço de arrependimentos. O autor, ao repetir sistematicamente “disse Mauro”, valorizou imensamente as verdades absolutas do personagem e suas consequências. IMPACTO digno de Nelson Rodrigues.

  32. Wender Lemes
    22 de janeiro de 2017

    Olá! Quatro passagens de uma tragédia ensaiada. Embora a abordagem não seja tão original, é muito verossímil, fora a escolha inteligente dos momentos mais simbólicos. Pelos quatro períodos, é possível supor um pai totalmente avesso ao diálogo, que pagou muito caro por tamanha ignorância.
    Parabéns pela sensibilidade, boa sorte.

  33. Davenir Viganon
    22 de janeiro de 2017

    Gostei da forma que abordou o tema da homofobia. A opção pela narração ser a voz do pai mostra o espaço que ela ocupa e esmaga a relação entre o pai e o filho. Vejam como a preocupação do pai é com influências externas no seu filho e todas as ações dele são influências sociais que o tornam preconceituoso. Gostei bastante o seu conto.

  34. Anderson Henrique
    22 de janeiro de 2017

    Bastante parecido com outro conto do desafio. Gostei bastante, principalmente da ironia no encerramento: não teve jeito a não ser reconhecê-lo como seu filho. Bom conto. Reconheço.

  35. Anorkinda Neide
    22 de janeiro de 2017

    Bem dura a narrativa de um pai insensível. Exagerou no fato de tirar metade da orelha do garoto junto com o brinco,nao? rsrs
    Geralmente, claro q há exceções, um filho criado assim torna-se bastante travado, infeliz e medroso, principalmente frente ao pai, que já lhe arrancou metade da orelha!Entao a alegria de passar no vestibular, me soou um tanto destoante e depois ele revelar sobre Renato, tb, q coragem pra enfrentar o pai desta forma!
    Mas, claro há jovens assim, destemidos haja o que houver, ele pode ter uma mae que compensava as barbaridades do pai, e mais montes de nuances sobre sua personalidade e relações familiares q o microconto nao pode abordar.
    Foi bacana a experiência de , enfim, ter que reconhecer o filho que ele nunca reconheceu em vida.
    Concluindo, acho q vc abordou um tema (uma vida) muito ampla para caber em 99 palavras. Não me satisfez.. rsrs abraço

  36. Givago Domingues Thimoti
    22 de janeiro de 2017

    Um tema polêmico. Para mim, esse conto, de uma forma bem interessante, tem uma ligação com o conto A M O R. Requer ousadia e coragem escrever sobre homofobia, já que, eventualmente, você irá se deparar com pessoas que acham que é “mimimi” ou a “mesma choradeira de sempre”.
    Parabéns!

  37. Matheus Pacheco
    21 de janeiro de 2017

    Esse texto parece um complemento para um outro conto do desafio, o conto A M O R, coisa que eu achei extremamente interessante, porque realmente parece a visão de um outro personagem.
    Bom texto e um abraço ao escritor.

  38. Lee Rodrigues
    21 de janeiro de 2017

    E eu fiquei aqui pensando… caramba! O cara em nada (re)conhecia o filho.
    Algumas pessoas só enxergam as outras depois que as marcas não respiram mais.

    Eu gostei assim, cru, sem rodeios.

  39. Thiago de Melo
    21 de janeiro de 2017

    Amigo Autor,

    Poucos contos nesse desafio me emocionaram. O espaço é muito pequeno para isso. Mas o seu texto tem uma profundidade quase indescritível. Acredito que os melhores textos de literatura são aqueles que nos deixam em silêncio quando terminamos de ler, que fazer a nossa mente entrar em parafuso e, depois de conseguir voltar mais ou menos para realidade, a primeira coisa que conseguimos dizer é: “putz, é assim mesmo”.

    Meus parabéns. Seu trabalho foi primoroso!

    Parabéns!

  40. Eduardo Selga
    21 de janeiro de 2017

    Foi usado um recurso interessante: o(a) autor(a) “delegou” a narrativa da estória exclusivamente às falas do pai, com pequenas intervenções do narrador nelas, todas iniciadas com o verbo “dizer”, deixando claro que no universo do personagem Mauro declarar aos quatro ventos é muito importante. É preciso exteriorizar seu preconceito, como se não fizesse sentido ser homofóbico apenas para si: todos precisam saber. Talvez para que ele, próprio, Mauro, se convença disso.

    Estando Rafael vivo, o personagem não o considera seu filho; morto, muda de ideia. Mas na verdade, nada muda: não é mais o filho dele, pois está morto. Um “mundo de remorosos na voz”, na mesma voz que sempre fazia questão de dizer? Sim, mas as vozes sociais preconceituosas entraram em Mauro e venceram. No grito.

  41. Glória W. de Oliveira Souza
    21 de janeiro de 2017

    A narrativa é composta de frases típicas de homem machista, preconceituoso, inadequado aos tempos atuais. Cada frase possui início, meio e fim. Mas cria-se, pela escolha, um fosso entre as mesmas. Tornam-se lampejos de uma história, já a partir da primeira, indica qual será a última: final trágico com remorso tardio. Toda a cena do conto é factível e convencional em grande parte nas famílias. Apesar do final nada impactante, gostei da narrativa.

  42. Juliano Gadêlha
    21 de janeiro de 2017

    Gostei da estrutura, especialmente do jogo de palavras que levou ao desfecho. Um tema bastante explorado, mas que deve sim ser pauta constante, deste que traga algo artisticamente relevante, não se limitando à mera crítica vazia. Vejo aqui um bom trabalho. Parabéns!

  43. Gustavo Castro Araujo
    21 de janeiro de 2017

    Pode parecer clichê, mas creio que a boa literatura tem a obrigação de enfrentar certos temas. Aqui vê-se o pai truculento que afasta o filho de seu convívio por meio de atitudes arbitrárias e cheias de preconceito. É uma realidade muito presente em nossas famílias, fruto de herança arcaica baseada em dogmas de toda sorte. O conto permite um breve vislumbre da tentativa do filho em manter-se próximo do pai, especialmente no trecho em que revela o amor que sentia por outro rapaz. O pai é insensível a isso e, provavelmente baseado na educação puritana e tradicional que recebeu, não aceita nada que seja diferente.

    O contexto, vê-se, foi muito bem delineado, mas não curti muito a maneira como o conto ganhou forma, lembrando um jogral. O diálogo que abre o conto é muito bom, natural, mas daí em diante dá para perceber onde tudo vai parar em função das repetições a cada parágrafo. A constatação final ligada ao título do conto, contudo, foi uma boa sacada, o que deixa uma impressão favorável no ar.

  44. waldo gomes
    20 de janeiro de 2017

    Conto “meu pai é um monstro, mas morri só pra me vingar” sobre gay e sua luta familiar.

    Os lances das lembranças é boa técnica, mas como o tema é pra lá de chato, não me disse nada esse conto, só a choradeira de sempre.

    Um conto que mostrasse a angústia do pai seria interessante.

  45. Douglas Moreira Costa
    20 de janeiro de 2017

    Um conto com bastante impacto, um tema muito necessário de ser tratado. Tem uma carga dramática bastante grande no final, e nos traz à tona como a realidade ainda está longe do ideal. Gostei do fato de ter abordado um tema como esse, uma vez que muitos tratam dessa questão com tanto descaso e ignorância.
    O seu texto tem níveis, e a cada frase vai ficando mais intenso e no final a tragédia encerra de modo a não deixar lacunas, apenas algumas duvidas no ar.
    Ótimo conto.

  46. Mariana
    20 de janeiro de 2017

    Sobre como estamos tão longe dos belos discursos de ser pai e mãe. Sobre como podemos ser podres, mesquinhos, cruéis. A construção ficou um pouco confusa, mas a mensagem é forte. Muito forte.

  47. Luiz Eduardo
    20 de janeiro de 2017

    Forte, curto, direto ao ponto. Algumas cenas são dificeis, mas necessárias. Enfim, trata-se de um conto duro, cru, quase cruel em certos aspectos. um ponto sem volta. Parabéns, boa sorte

  48. Patricia Marguê Cana Verde Silva
    19 de janeiro de 2017

    Direto. Trágico. Exposto. São cenas que incomodam imaginar… uma orelha cortada desse jeito e todo mais… Boa sorte!

  49. Luis Guilherme
    19 de janeiro de 2017

    Uia, bem bom!

    Acho que a pointuação tá um pouco prejudicada, mas não atrapalhou a fluidez da leitura.

    A trama é ótima! Excelente conclusão e tem até clímax, o que é raro em micro conto.

    É pra refletir, né? Intolerância em pleno século 21 é de foder.

    Parabéns e boa sorte!

  50. Amanda Gomez
    19 de janeiro de 2017

    Olá, Rê.

    O conto tem um único objetivo ao meu ver…Causar comoção, o que veio antes nada importa, e sim a última frase para fechar com chave de ouro. Não funcionou comigo.

    Achei forçado, e meio previsível. O pai um vilão arrependido, o filho a vítima. Eu particularmente estou meio saturada dessa fórmula, acho que a “temática gay” pode ser abordada de outra forma, que não somente essas trágicas é porque não dizer : clichês.

    No mais, boa sorte no desafio. 😉

  51. Claudia Roberta Angst
    19 de janeiro de 2017

    Mandou ver nas frases – sentenças declaradas pelo personagem Mauro – e terminou com uma afirmativa cheia de remorsos.
    Forma diferente de conduzir um microconto que me agradou pela agilidade e pelo impacto. Economia de palavras, mas não de talento.
    Não encontrei erros e quase me perdi na sequência dos fatos, mas encontrei a saída.
    Boa sorte!

  52. Thata Pereira
    18 de janeiro de 2017

    Contos com esses acontecimentos me pegam mais quando há uma composição mais emocional, menos direta, porque acho que vai preparando a gente para a última frase. Mas isso é um gosto pessoal, que você não deve levar em consideração.

    Tanto que o que me impactou no texto foi mais a frase “Você não faz mais que a sua obrigação” e não é porque deixei a questão da homossexualidade de lado, mas porque me pareceu que tudo aconteceu no mesmo período de tempo.

    Claro, você não precisa, de forma alguma, enquadrar seu texto em um estilo mais emocional. Vejo que muitos gostaram e se para você transmitiu o desejado, já valeu e muito!

    Boa sorte!

  53. Tatiane Mara
    18 de janeiro de 2017

    Olá…

    texto com temática homossexual.

    São recortes de eventos que unidos passam a estória de um pai magoado pelo fato do filho ser gay e ter morrido.

    Estilo interessante, mas é quase anestésico, segue a fórmula de causar por emoção.

    Boa sorte.

  54. Marco Aurélio Saraiva
    18 de janeiro de 2017

    Curti. O parágrafo final foi impactante, especialmente sendo antecedido pelo terceiro parágrafo, onde Mauro diz que ele não é o seu filho. Um conto sobre homofobia, que é um tema batido, mas escrito de forma inteligente, inovadora e que prende a atenção, fazendo o leitor refletir no final.

    Gostei! A escrita é desprovida de floreios, sem grandes destaques no uso das palavras, mas a construção das frases foi muito bem pensada, remetendo o leitor para cada momento da vida de Mauro que ele provavelmente lembrou ao ver o filho no necrotério.

    Pesado e impactante. Parabéns!

  55. Fheluany Nogueira
    17 de janeiro de 2017

    Gostei da trama e da execução. O formato da narrativa deu-lhe ênfase: diálogos corriqueiros e que pesam nos relacionamentos. Situação comum em muitas famílias. Acho que o uso de travessões traria maior fluidez à leitura e estética ao texto.O desfecho retomando e explicando o título trouxe impacto e revolta.

    Bom Trabalho. Parabéns. Abraços.

  56. Antonio Stegues Batista
    17 de janeiro de 2017

    Ficou meio truncado o diálogo emendado com a narração. Deveria ter separado com um travessão, assim fica mais compreensível e estético. Ficou legal o texto e a história é triste. Um pai que rejeita o filho e depois se arrepende de seus atos, ao reconhecer o corpo dele num necrotério. Bom conto.

  57. Sabrina Dalbelo
    17 de janeiro de 2017

    Eu gostei muito.
    Não é a coisa mais lírica, nem mais metafórica que já li, mas isso não é requisito para ser bom. É direto, é seco e conta uma história, muito bem contada.
    É um relato sobre a hipocrisia.
    Amei em especial a parte “com um mundo de remorso na voz”.

  58. Evandro Furtado
    17 de janeiro de 2017

    Há um certo paralelismo entre os parágrafos que montam a história como se fosse um castelo de Lego. Os personagens são densos e interessantes, muito bem desenvolvidos no pouco espaço. A trama aposta na brincadeira da forma, usando a estrutura para criar o efeito final no leitor. O pai, nega (a)o filho por toda a vida. Sua única afirmação é diante do reconhecimento do corpo.

    Resultado – Good

  59. Vanessa Oliveira
    17 de janeiro de 2017

    Ah, Mauro. Vai se arrepender pelo resto da vida, Mauro. Quantos Mauros não existem por aí, não é? Triste, não queria que o preconceito vencesse no final. Mas é a realidade… gostei da escolha do tema, e achei que foi bem executado. O fim é triste, mas não surpreende, já que, para uma pessoa dessas, apenas a morte para trazer um pouco de consciência. Enfim, gostei. Boa sorte!

  60. Tiago Volpato
    17 de janeiro de 2017

    Ótimo texto. Os parágrafos de tempo foram bem pensados. Construiu bem a história. Parabéns.

  61. Iolandinha Pinheiro
    17 de janeiro de 2017

    O que mais gostei foi a estrutura textual utilizada. A medida que vamos lendo as frases tão corriqueiras em pessoas preconceituosas, vamos criando mais repulsa ao personagem do pai de Renato. O final foi bem impactante e combinou perfeitamente com o título do texto. Gostei. Estou me decidindo se vale uma estrelinha.

  62. Victor F. Miranda
    17 de janeiro de 2017

    Adorei o fato de que a vida fez com que ele dissesse o que disse na última frase, na pior circunstância possível, por mais que sempre se recusasse a aceitar isso. Mandou muito bem, parabéns.

  63. Fabio Baptista
    17 de janeiro de 2017

    Muito bom.

    Usando aquela metáfora que diz que “o conto deve vencer por nocaute”, aqui foram 3 jabs de esquerda e um cruzado de direita.

    Só ficou a dúvida se Rafael se matou devido à opressão do pai, ou morreu por algum outro motivo. De qualquer forma, isso não altera o resultado. Gostei!

    Abraço!

  64. Bianca Machado
    16 de janeiro de 2017

    Parabéns. Apesar de serem frases bem diretas, me emocionei ao imaginar isso acontecendo e o implícito, acho que até as frases diretas se explicam porque são ditas pelo pai, que parece uma pessoa tão dura. Outro que me fez suar pelos olhos hoje… Obrigada pela leitura.

  65. Bruna Francielle
    16 de janeiro de 2017

    A história é contada de form quase indireta, momento relevante a momento relevante para seu entendimento final, que geralmente é sempre idêntico em histórias desse tipo. Aqui mesmo nesse desafio já vi um similar.
    Entendi que o Rafael acabou se matando no fim, e o pai ficou como sendo o culpado por isso.
    A história não me cativou

  66. Priscila Pereira
    16 de janeiro de 2017

    Oi Rê, que conto triste, Mauro não dava o devido reconhecimento ou atenção ao filho, até nega que seja seu pai ao descobrir que ele é gay(?), mas no final teve que reconhecer que era o seu filho, tarde demais. Fiquei intrigada se a morte foi acidental ou um suicídio induzido pelas atitudes do pai… Forma interessante de escrever, nebulosa, mas eu gostei. Parabéns e boa sorte!!

  67. elicio santos
    16 de janeiro de 2017

    Confuso. Quem é Renato? O microconto perde a unidade de tempo e espaço, características fundamentais do gênero. A ideia é boa, mas faltou qualidade técnica; Boa sorte!

  68. Brian Oliveira Lancaster
    16 de janeiro de 2017

    GOD (Gosto, Originalidade, Desenvolvimento)
    G: Uma construção um pouco confusa, mas com entrelinhas interessantes. Parece-me que o pai descobriu “algo” do filho que ele queria esconder e o resultado foi um funeral. Será mesmo? – 8,0
    O: Difícil de acompanhar, mas trata-se de um cotidiano até comum: briga de família. Os diálogos poderiam ter melhor marcação, pois mesmo relendo várias vezes, ainda ficou um tanto nebuloso para mim a ideia que você quis transmitir. – 7,0
    D: O segundo parágrafo dá a entender que é outra pessoa falando, mas parece que não, pelo “disse Mauro”. Meu chute final é que o protagonista estava falando sozinho com alguém, mas esse alguém não tem participação ativa na conversa. – 7,0
    Fator “Oh my”: se a marcação de diálogos for melhor trabalhada, o texto ganhará muito mais força pelas entrelinhas quase “polêmicas” expostas.

  69. Ceres Marcon
    15 de janeiro de 2017

    Uma sequência de fatos, como se fossem retirados de um diário pessoal.
    Gostei da linguagem e da forma.
    Parabéns!

  70. Andre Luiz
    15 de janeiro de 2017

    Um conto direto e impactante, principalmente porque utiliza do quesito “show, not tell” de forma magistral. Você conseguiu fazer com que o leitor criasse suas expectativas antes do final do texto, e terminou com chave de ouro.

    -Originalidade(8,5): O tema é comum na sociedade atual, porém a forma que você escolheu para contar a história foi inovadora para mim, algo indireto e que gera maior impacto.

    -Construção(8,5): Gostei do estilo escolhido, além de marcante foi direto e fluido. Eu também marcaria melhor estas falas de Mauro, com travessão ou aspas.

    -Apego(8,5): O tema é delicado e o final trágico revela a tristeza do pai em ver o filho naquela situação. Infelizmente.

    Parabéns pelo conto!

  71. Fernando Cyrino
    15 de janeiro de 2017

    Um bom conto. Consegue causar impacto, trazer criatividade a um tema que tem sido tão batido. Gostei da condução da narrativa e o final ficou bem legal. Abraços de parabéns e sucesso.

  72. Guilherme de Oliveira Paes
    15 de janeiro de 2017

    Achei excelente! Intenso, bem concluído, bem desenvolvido. Há emoção, profundidade, se atém ao essencial.

  73. Edson Carvalho dos Santos Filho
    14 de janeiro de 2017

    Interessante e relevante, parabéns. Na “gaveta de alumínio” talvez seja tarde demais para se arrepender pela falta de carinho, tolerância e compreensão a um filho. Algo para se refletir. Bom conto!

  74. andré souto
    14 de janeiro de 2017

    Um tema tragicamente banal,bem abordado, bem contado.Boa sorte.

  75. olisomar pires
    14 de janeiro de 2017

    Bom conto.

    Tema recorrente da homossexualidade reprimida pelo pai, o que não é raro, pois nenhum pai/mãe deseja que o filho seja gay, na verdade, todos temem isso, mas depois aceita-os com o tempo, o amor não acaba, se amolda.

    Bem escrito, utilizando uma técnica perigosa mostrando quatros vislumbres do cotidiano em momentos diversos, o que não agrada a muitos, pois exige um esforcinho a mais.

    Bom conto.

  76. mariasantino1
    14 de janeiro de 2017

    Oi, tudo de boas?

    Pois bem. A estética do seu texto poderia ser melhorada, quero dizer, você poderia ter facilitado mais a vida do leitor inserindo uns travessões ou aspas para separar a fala ou fluxo de pensamento do pai. Isso não impede de compreender, é só uma observação.
    Seu conto é pautado na difícil tarefa de se educar, porque se vê puxa muito a corda, acaba virando um ditador, e se afrouxa, corre o risco de criar um babacão incapaz de lidar com suas derrotas e atitudes. Vc fechou no remorso, mas o remorso vem pra quem tem a certeza de fracasso.
    Gostei do conto, mas sinto que poderia ter gostado mais.
    Boa sorte no desafio.

  77. Leonardo Jardim
    13 de janeiro de 2017

    Minhas impressões de cada aspecto do microconto:

    📜 História (⭐⭐▫): simples, infelizmente comum, mas interessante. Muitos devem passar por isso, perder o contato com filhos por preconceito.

    📝 Técnica (⭐▫▫): não gostei muito da forma direta em que os diálogos foram escritos. Talvez o uso de travessão ou aspas melhorasse essa percepção.

    💡 Criatividade (▫▫): um tema bastante válido, mas muito comum.

    ✂ Concisão (⭐⭐): toda a história está contida no conto.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐): um texto que me fez pensar, pois já fui um desses que pensou em dar porrada se meu filho ele for gay. Ainda bem que repensei e vejo o mundo de outra forma agora.

  78. Virgílio Gabriel
    13 de janeiro de 2017

    Interessante a divisão do texto em quatro partes. Apesar de cada parte ter apenas duas linhas, o conto não ficou aos trancos. O conteúdo é uma realidade nos dias de hoje, os pais não valorizam os filhos por pleno orgulho, e quando os perdem, percebem a falta que faz e quão tolo foram. Parabéns.

  79. Evelyn Postali
    13 de janeiro de 2017

    Ui! Eu me senti arrebatada por ele. Essa construção estanque de parágrafos delimitando o tempo. Essa verdade dolorosa, essa separação cardíaca. Esse tabefe no amor. Tenso. Triste. Uma verdade cruel. Dura. Li uma vez um artigo que dizia que homens são mais relutantes em aceitar os filhos do jeito que são porque não existe vivência de doação. Mulheres são e estão mais propensas a entenderem e aceitarem o outro como ele é do que homens. Estranho e comprometedor porque é ainda a mulher que cumpre a maior parte do papel da criação – não estou me remetendo ao sustento. Um conto para refletir bastante.

  80. Keynes Aynaud
    13 de janeiro de 2017

    Utilização de falas como forma de descrever a situação vivida em cada parágrafo foi uma ótima idéia. Simples, mas objetivo. Bom trabalho! Boa sorte com o desafio.

  81. Nina Novaes
    13 de janeiro de 2017

    Conseguiu, em 99 palavras não somente criar um conto mas um roteiro com enquadramentos e cortes bem distintos.

    As quatro fases distintas em que Mauro se relaciona, de algum modo, com Rafael, são excelentes e bem diferentes também. Da negação ao remorso, um pai que tentou não aceitar seu filho, por fim, o fez.

    Um tema atual e recorrente.

    Ótimo conto. Parabéns. 🙂

  82. Zé Ronaldo
    13 de janeiro de 2017

    Conto fechado, se houvesse dito a última frase sem explicitar o estado do filho, seria um típico microconto, aberto, deixando o leitor com suas próprias dúvidas decodificar o texto. Porém é um excelente texto mesmo assim, tocante, diálogos bem estruturados. O patriarcalismo sendo posto em xeque. Muito bom mesmo!

  83. José Leonardo
    13 de janeiro de 2017

    Olá, Rê.

    Composição interessante, um conto estruturado unicamente nas falas de um personagem em relação a um único outro, em diferentes fases da vida deste último. O título se explica no último parágrafo. Essa técnica de enxergarmos a vida de Rafael através da palavra do pai, Mauro, me remete a “O som e a fúria”, de Faulkner.

    A mensagem social também é percebível.

    Boa sorte neste desafio.

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Informação

Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .