EntreContos

Literatura que desafia.

Fora do Trem (Bruna Francielle)

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Massas de pessoas corriam, pela linha do trem, em meio a tropeços e pisoteios.

Enorme e assustador, “O Trem da Verdade” avançava. Dele, fugiam desesperadas.

Fios saiam das massas ligados a algo que guiava-as como marionetes. Nas leis, nas páginas dos livros e na televisão, um outro mundo, onde nada era real.

Quem aceitaria que a Verdade não era igualitária e democrática, mas soberana?

“Prendam esse trem!”, gritavam, ensanguentados e feridos.

A propaganda colocava inocentes no altar do sacrifício; no pensamento criava raízes.

Obstruídos de transformar sua realidade na ausência da fidedignidade do saber, sangravam cada vez mais.

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82 comentários em “Fora do Trem (Bruna Francielle)

  1. Lohan Lage
    27 de janeiro de 2017

    Me remeteu a Lumiére e a fuga do cinema. Achei meio nebuloso o desenvolvimento, enfim.
    Boa sorte!

  2. Thayná Afonso
    27 de janeiro de 2017

    Uma quantidade de metáforas precisas e muito bem utilizadas. Um texto repleto de ideias originais e que me encantaram do início ao fim. Acredito que a ideia possa ser ainda mais desenvolvida, pois o espaço pareceu pequeno por um momento. Parabéns!

  3. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Gostei da escrita, bom conto. Boa sorte!

  4. Sra Datti
    27 de janeiro de 2017

    A princípio, lembrou-me de “Admirável Gado” novo, do Zé Ramalho, os cegos, do Saramago. Uma crítica a nossa sociedade ainda inconsciente de seu verdadeiro papel humano. A massa dócil, fácil de se conduzir, de se seduzir. Mas um rolo compressor, um Trem da “Verdade” vem sobre nós: ele tem fios, e ninguém pode se mover a não ser por eles. Daí encontro o Mito da caverna, de Platão, com suas imagens manipuladoras, gerando luz nas paredes escuras dessa caverna: “Eis a “Verdade” soberana que se dissolve em mentes que não sabem agir com discernimento. Mas alguns já começam a perceber que há algo errado. “Essas imagens não são o real!”, “Prendam esse trem!”, mas seria preciso muita força, muita coragem, muito conhecimento – e sabedoria, para transformar a realidade.
    Então enfraquecidos, sangravam ainda mais (e continuavam em sua zoninha de conforto, deixando-se levar por uma vida banal).
    Nosso Mito da Caverna, 2400 anos depois.
    Acho que você me fez viajar, autor, obrigada…

  5. Simoni Dário
    27 de janeiro de 2017

    Conto curioso e para se refletir. Gostei das análises, apenas o formato narrativo não me agradou muito.Temos que buscar a verdade nos fios das entrelinhas e como a verdade é relativa creio que a interpretação é pessoal. Queria ter curtido mais.
    Bom desafio!

  6. Leandro B.
    27 de janeiro de 2017

    Oi,Fathima.

    Um conto interessante, cujo significado estou longe de compreender, mas como acredito em verdades relativas, tentarei mesmo assim.

    Tenho a impressão que as construções fazem referência às verdades falsas que sustentam e orientam a vida das massas. Essas verdades são ilusões, transmitidas através das leis, da mídia ou mesmo da ciência. Todas servem como válvula de escape de uma verdade objetiva e concreta.

    Que verdade é essa? Não faço ideia. Como se trata de UMA verdade, vou abandonar uma pretensão política e tomar uma postura niilista e apostar que a existência em si não importa (independente do que digam as leis, a religião ou mesmo a ciência). Vamos todos morrer sozinhos sem um impacto genuíno no universo e ignorar isso é ser atropelado pelo trem.

  7. Victória
    26 de janeiro de 2017

    Quem aceitaria que a Verdade não era igualitária e democrática, mas soberana?

    Conto bem escrito que rende várias reflexões. É cheio de metáforas e, por isso, ficou um pouco nebuloso, mas nos prende na segunda leitura e nos faz questionar sobre alienação, manipulação das massas e como todos temem a verdade.

  8. rsollberg
    26 de janeiro de 2017

    Oi, oi o trem, vem surgindo…
    Um conto que se constrói por intermédio de boas metáforas, massas e marionetes.
    Creio que o autor não quis se referir ao conceito de verdade lógica, imutável por excelência, mas sim em relação a tal da pós-verdade. onde a subjetividade toma de assalto qualquer fato objetivo, Aquele papinho de que cada um tem sua verdade, em uma espécie de salvo-conduto de puro egoismo onde o umbigo é o centro do universo.
    Um texto forte que desperta reflexão.
    Parabéns

  9. Jowilton Amaral da Costa
    26 de janeiro de 2017

    Bom conto. Com a imagem do trem e a priemira frase da narrativa, imaginei algo bastante diferente do que li. Imaginei algo referente ao holocausto, lembrei-me do filme A Lista de Shindler. Contudo, o texto fala de manipulação de ideias e do caos moral em que vivemos hoje em dia. E o trem da verdade vem para passar por cima de todo mundo, porque a Verdade é soberana. Boa sorte.

  10. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    25 de janeiro de 2017

    Olá, Fathima,

    Tudo bem?
    Seu conto é complexo e cheio de camadas.

    Uma história contada por um narrador observador que a tudo vê e de tudo sabe, de fora, como um Deus, presenciando aquilo que sua verdade devora.

    A imagem do trem é perfeita, pois pode ser analogia para a vida, para a verdade em si, para a globalização, para a “verdade” que nos fazem engolir a seco.

    Parabéns por seu trabalho.

    Boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  11. Lídia
    25 de janeiro de 2017

    Tenho um mineirês carregado, uso “trem” pra me referir a tudo! O “trem” da verdade seria a personificação da expressão idiomática? Não sei…
    É um micro atemporal, e aberto a inúmeras análises.
    Gostei bastante.
    Boa sorte!

  12. Andreza Araujo
    25 de janeiro de 2017

    Esse texto é uma coisa meio Matrix, meio ficção, e ao mesmo tempo tão contemporâneo e verdadeiro. Vemos que, no fundo, todos somos parte da massa, todos somos marionetes, mesmo quando nos sentimos livres, mesmo quando a gente pensa que pensamos por conta própria! Hehehehe Excelente crítica.

  13. vitormcleite
    25 de janeiro de 2017

    texto com uma boa carga poética mas que deu para sentir a falta de espaço para desenvolver uma prosa tão carregada de metáforas e outras imagens. Parabéns

  14. Fil Felix
    25 de janeiro de 2017

    O texto me causou um misto de coisas. Adorei a maneira alegórica como conduz o Trem da Verdade pelo micro-conto, é o principal destaque, A crítica em cima da sociedade, da mídia, dos golpes que vemos por aí, de como tudo é bastante manipulado. Também levanta uma reflexão sobre a verdade, sobre a democracia. Um ótimo conto, com uma narrativa e imagens fantásticas. Por outro lado, penso que ainda não consegui absorve-lo totalmente, o que não é ruim. Muito bom.

  15. Gustavo Aquino Dos Reis
    25 de janeiro de 2017

    Fathima,

    seu conto é maior que esse desafio.

    Ele é fidedignamente assustador, atemporal em tudo. E traz uma verdade esmagadora para os leitores.

    Gostei demais e lhe dou os parabéns.

  16. Tiago Menezes
    25 de janeiro de 2017

    Uma mensagem aos leitores sobre o que a alienação pode nos causar, e o quanto as pessoas odeiam a verdade. Muito bom seu texto, apesar de ter achado que o final foi de difícil compreensão. Boa sorte no desafio.

  17. Renato Silva
    25 de janeiro de 2017

    Narrativa interessante. Cheia de figuras de linguagem, me pareceu tratar de uma sociedade atormentada por um governo opressivo que persegue opositores (os que conduzem o trem?). A maioria vive alienada ou se aliena propositalmente para fingir que vive feliz, ao mesmo tempo que sabe não poder enfrentar o “sistema”.

    Gosto do modo como foi escrito, você tem bom domínio de ortografia e fez um bom uso das figuras de linguagem.

    Boa sorte.

  18. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    Um texto avant garde, que utiliza como referência, acho eu, a primeira exibição dos filmes dos irmãos Lumière (A chegada do trem na estação, se não me engano). Porém, ao longo de seu desenvolvimento, a narrativa se torna delirante e onírica, até chegar ao ponto da interpretação difícil, como “na ausência da fidedignidade do saber”. Não achei bonito, mas nem toda arte é para se admirar. Ao autor, desejo sucesso!

  19. Pedro Luna
    24 de janeiro de 2017

    Achei interessante a ideia de Trem da Verdade, que afugenta as pessoas acostumadas a uma existência falsa e alienada. No entanto, o conto ficou meio nebuloso, pois não consegui visualizar bem certos detalhes, como: “Fios saiam das massas ligados a algo que guiava-as como marionetes.”. Soou algo meio futurista e distópico, que não compactuou com o cenário que me foi desenhado no início do conto.

  20. Douglas Moreira Costa
    24 de janeiro de 2017

    É uma crítica social muito boa, ainda mais tendo em vista os tempos que passamos no país atualmente. A metáfora do trem soberano que ameaça atingir a todos é muito boa, uma pena que na realidade a verdade não seja como um trem, porque dai seria mais fácil de ser enxergada pelos olhos ignorantes.
    É uma metáfora poderosa, com um significado muito grande. Diz muito em poucas palavras. Parabéns.

  21. Lee Rodrigues
    24 de janeiro de 2017

    É uma forte crítica social, mas toda verdade absoluta não deixa de ser uma forma de alienação. Gostei da metáfora explorada, mas diminuiria a mão na massificação.
    Como conto não funcionou comigo,

  22. Srgio Ferrari
    24 de janeiro de 2017

    Esse trem ia pra Busan. SAQUEI! 😉

  23. Tom Lima
    24 de janeiro de 2017

    Muito boa a forma escolhida. Totalmente fantasiosa pra falar do real. Grande beleza nas escolhas e profundo em conteúdo, em reflexões possíveis.
    Usar a imagem do trem deu força, ele segue uma linha, e não é possível desvios, sua marcha pode ser lenta, mas é praticamente impossível de parar.

    Parabéns.

    Abraços.

  24. catarinacunha2015
    24 de janeiro de 2017

    MERGULHO em um poço de metáforas bem sobrepostas. Há força na construção pelo significado, mas o vocabulário não ajudou na intensidade do fluxo gerando algumas travas. IMPACTO mais intelectual, pela ousadia crítica, do que pela sedução literária.

  25. Wender Lemes
    23 de janeiro de 2017

    Olá! As pessoas buscam a Verdade mas não querem andar na linha. Melhor dizendo, buscamos uma verdade que nos convenha, que nos satisfaça. Talvez essa verdade não exista, talvez não exista verdade – se cada um olhar o mundo só do seu ponto de vista. Pelo que entendi da analogia, não estamos preparados para a brutalidade da Verdade, pois somos iludidos constantemente com uma realidade falsa. Legal que tenha optado por um caminho mais tortuoso.
    Parabéns e boa sorte.

  26. Felipe Teodoro
    23 de janeiro de 2017

    Oi!

    Me parece que o autor tinha muito o que falar e o espaço não foi o suficiente, a ideia do Trem da Verdade e a relação da informação com a alienação social é muito interessante, a massa é movida pelo trem? Quem são os feridos? São aqueles que negam a verdade? Mas qual seria a verdade nesse mundo tão relativo, ainda mais quando falamos de ideais. Enfim, um texto que trata de assuntos importantes, mas que acaba parecendo um mix de pensamentos fora de ordem, um trem fora do trilho.

  27. Miquéias Dell'Orti
    23 de janeiro de 2017

    Oi Fathima,

    Gosto muito de críticas sobre o conformismo e a cegueira social de um conglomerado de pessoas (que você denomina como massa).
    Infelizmente, a política do pão e circo ainda permanece, mesmo velada e sob aspectos diversos, presa por fios sobre as cabeças das pessoas. A degradação da formação de conhecimento em detrimento do entretenimento sem objetivos é uma questão muito abordada e pouco combatida, o que me faz pensar: será que faz mesmo algum sentido construirmos insights e mais insights sobre o tema sem tomar uma atitude prática diante da situação?

  28. Mariana
    23 de janeiro de 2017

    Cerebral e com uma ponta de ficção científica. A ideia de um “Trem da Verdade” rende um bom debate

  29. Cilas Medi
    22 de janeiro de 2017

    Um texto correto, mas difícil de interpretação. Entendi depois de uma segunda leitura, ou acho que tenho essa pretensão, nesse trem perseguidor da humanidade em dia de juízo final. Sempre o terror e a morte, dessa vez, vou ter boa vontade e não reclamar. Boa sorte!

  30. Estela Menezes
    22 de janeiro de 2017

    Mais uma vez, uma boa ideia é atropelada por problemas na pontuação, na colocação de pronomes, na ortografia, na escolha inadequada de certas palavras… Que pena! Sua alegoria é forte, bem construída, atual, mas acho que não podemos esquecer nosso compromisso com a correção da linguagem e a preservação de nossa língua tão maltratada ultimamente…

  31. Amanda Gomez
    20 de janeiro de 2017

    Olá, Fathima!

    Um conto que chama a atenção, tanto pela forma como foi contado- através de metáforas, quanto pela linguagem.

    Eu gostei muito de algumas coisas e outras nem tanto.

    A ideia do Trem que vem a toda velocidade para passar por cima, pois é a verdade e, a verdade é soberana é uma ótima metáfora. O mundo realmente está submerso na alienação, inversão de valores, estamos caminhando para um futuro assustador, as teorias de conspiração nunca fizeram tanto sentido.

    Mas… o que é a verdade? Em uma questão politica social, em questões filosóficas do ser ou não ser, do certo e o errado, o que é a verdade?

    Temos verdade objetiva, subjetiva, fatos e realidade..

    Não existe verdade absoluta ( minha opinião) para tais contextos, são meias verdades, uma versão para cada um. Seu conto tanto serve para um lado como para o outro, só munda quem a estar proferindo. Tanto, que acredito que pessoas com posições politicas/sociais distintas sobre o assunto o apreciam da mesma forma. Será que autor tem um alvo especifico ao contar essa historia?

    ” Trem da verdade” Se fosse da realidade me parecia mais lógico, e como foi dito, menos pretensioso. Por mais que eu tentasse, eu não consegui deixar de imaginar um maquinista dentro do trem o controlando. A forma como o narrador conta o drama das ”massas” é distante, superior, como se fosse ele o único detentor da verdade.

    Algumas escolhas de palavras não foram muito felizes, o último parágrafo quebra um pouco o clima. Gosto de textos rebuscados, mas há um excesso aqui.

    Mas acredito que o objetivo principal foi alcançado: a reflexão. A cenas estão bem construídas e narradas. O trem é assustador, as pessoas correm dele mesmo sabendo que a verdade liberta; mas faz sangrar também.

    As vezes é muito , mas MUITO mais fácil fechar os olhos, tapar a boca e os ouvidos. ou simplesmente deixar a correnteza te levar, mesmo que seja para o precipício.

    Parabéns pelo conto e, boa sorte no desafio.

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Informação

Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .