EntreContos

Literatura que desafia.

Cravo (Cláudia Roberta Angst)

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Nunca se viram, nem de longe, nem de perto. Apenas trocaram fotos e silêncios. Ela sempre muito gentil. Ele, um enigma.

Marcaram um encontro na pracinha. Ali, em frente à velha igreja.

Era domingo, dia de festa. Ela espiou o céu pela janela e sorriu. Pôs o cravo vermelho nos cabelos, toda faceira. Sentiu-se mais feliz do que nunca, com o seu mundo a dançar. Encontraria seu grande amor, na próxima hora, sem mais tardar.

No espelho, ele conferiu a vida. Não era homem para ela. Nem para mais ninguém. Olhou a pá encostada na porta. Vestiu luto.

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87 comentários em “Cravo (Cláudia Roberta Angst)

  1. Felipe Teodoro
    27 de janeiro de 2017

    Achei o conto bem escrito, com boas descrições. O perfil da personagem é bem traçado e o homem, realmente bem enigmático, como tbm é o desfecho da história. Na minha leitura a possibilidade de um serial-killer é a mais barata, preferi encarar o sujeito como um homem que não pode ser de ninguém, como o próprio texto diz, um sujeito que ao tentar se relacionar com mulheres, sempre veste luto. Um grande amor perdido no passado? Talvez.

    A pá remeteu a ideia dele ser um coveiro e caso fosse, imagine se o mesmo enterrou a própria esposa. Nossa, mais triste ainda. Enfim, um trabalho bem interessante.

  2. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Não gostei muito não, o texto não me agradou. Boa sorte.

  3. Victória
    27 de janeiro de 2017

    Eu gostei do conto em geral, mas não entendi bem o final. Pode ser realmente mais um conto que começa bonitinho e termina com um homicídio, mas pode ser também que ela estava apaixonada e, quando viu de verdade o homem pela janela, o encanto passou. Gostei mais da segunda interpretação, mas nenhuma das duas chega a ser muito estimulante.

  4. Remisson Aniceto (@RemissonA)
    27 de janeiro de 2017

    Olá, Juno
    Em alguns momentos perdi o foco da leitura, por não conseguir entrelaçar os fatos que, apesar do pouco espaço. há no texto.
    Há partes com as quais não me identifiquei, como o encontro na velha igreja (que não aconteceu) e a pá. Ainda assim gostei do conto, ou seria poesia? Abraço.

  5. rsollberg
    27 de janeiro de 2017

    Um texto muito bem escrito, com descrições que geram uma narrativa bem visual.
    Lembrou-me de uma parodia de Hugh Laurie, que guardada as proporções possui o mesmo mote.

    Enfim, gostei do conto.

  6. Leandro B.
    27 de janeiro de 2017

    Oi, Juno.
    Alguns elementos do texto acabaram me afastando da leitura. Por exemplo, o trecho que fala que suas conversas se limitavam a silêncios e fotos me causou estranhamento, já que de certa forma limita uma conversa na qual uma pessoa pode se mostrar gentil, ou mesmo enigmática.

    É possível, e até provável, que eu tenha tomado essa parte exageradamente de forma literal.

    Outro trecho que me incomodou foi a rima entre dançar e tardar, achei meio do nada e um tanto deslocada.

    Mesmo assim, achei interessante o jogo de contradições, o que mostra talento.

  7. Estela Menezes
    26 de janeiro de 2017

    Já observei que posso reler um conto pq me encantou e quero curtir mais uma e outra vez; porque faço questão de voltar e verificar que não perdi nada; porque algum detalhe chamou particularmente a minha atenção; até porque ache que vale a pena apreciar uma história separadamente da técnica, ou vice-versa… Só não gosto de ficar lendo e relendo na tentativa de chegar até onde o autor possa ter pretendido me levar… Neste caso, foi exatamente o que aconteceu, e não por causa da narrativa, que é bem correta e bem feita…

  8. Gustavo Aquino Dos Reis
    26 de janeiro de 2017

    Juno,

    Teu conto é bem bonito.
    Mas, na minha humilde opinião, enveredar para tragédia não casou bem com o contexto.
    Havia a escrita esmerada, a ambientação bem feita, a narrativa… E tudo descambou no final.

    De todo o modo, parabéns.

  9. Simoni Dário
    26 de janeiro de 2017

    Confesso que já saturei de textos que começam bonitinhos, com um toque de poesia e terminam com um psicopata matando na base da pá. Noto que o autor é criativo e talentoso, pena que o final não foi de meu agrado.
    Bom desafio!

  10. Givago Domingues Thimoti
    26 de janeiro de 2017

    Por mais que tenha sido bem escrito e a narrativa foi desenvolvida bem, eu não gostei do conto. O texto ficou muito aberto para mim. Gosto pessoal mesmo.
    Boa sorte!

  11. Srgio Ferrari
    26 de janeiro de 2017

    as vezes eu fico lento pra entender as coisas. Boa escrita, acho que não saquei o “todo”. Parece tudo muito bom. Queria ter sacado mais o final, nebuloso.

  12. Rubem Cabral
    26 de janeiro de 2017

    Olá, Juno.

    Pelo que entendi a moça era casada e matou o marido e o enterrou. Ela sairá com um namorado a seguir.

    Conto misterioso e com surpresas discretas. Bacana a imagem do cravo, da flor no cabelo e a associação da mesma à cerimônias fúnebres.

    Nota: 8.5

  13. Vitor De Lerbo
    26 de janeiro de 2017

    Há muito subtexto nesse conto, e as analogias falam mais alto que as palavras escritas. A construção é boa e o final em aberto deixa o leitor pensando nas diversas variáveis possíveis.
    Boa sorte!

  14. Anderson Henrique
    26 de janeiro de 2017

    Trama simples, mas muito bem conduzida. O final é sutil, deixa em aberto na medida certa. Eu tomei minha decisão e fui por ela. A minha versão? Fica enterrada por aí. Bom conto.

  15. Cilas Medi
    25 de janeiro de 2017

    Tudo bem até ler a última frase, e, com ela na minha mente martelando: não entendi o final apesar de entender, perfeitamente, as palavras. Não quero e não vou decidir sobre o tema morte, a pá, o luto e o que quer que tenha havido entre eles.

  16. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    25 de janeiro de 2017

    Olá, Juno,

    Tudo bem?

    Seu conto é bem escrito e envolvente, mas peca, ao menos para mim, por ser um tantinho aberto demais. Finais abertos são ótimos, mas é preciso que o autor deixe a chave com o leitor.

    O encontro às escuras, via internet, creio, é uma ótima premissa. O cravo nos cabelos, a diferença entre ambos. Tudo muito bem construído.

    Creio que o assassino declinou de se encontrar com ela e dessa forma, a personagem foi poupada da morte, não é?

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  17. angst447
    25 de janeiro de 2017

    O que temos aqui? Uma mocinha ingênua, um homem enigmático, um cravo, uma pá. O cenário é de uma cidade do interior, com a sua praça e igreja tradicional. Um encontro às cegas, não se sabe se arranjado pela internet ou por cartas. Imaginei o homem mais velho, simples, ligado à terra (talvez pela menção à pá), mas pode ser mesmo um coveiro. Mas há outras possibilidades de interpretação: um serial killer, um rapaz com baixa autoestima, uma mulher que esperará o amado até o cravo murchar em seus cabelos.
    Bem escrito, com uma rima acidental lá pelo meio, mas que não me incomodou. Ritmo de passeio na praça. Sem entraves ou falhas.
    Boa sorte!

  18. Glória W. de Oliveira Souza
    25 de janeiro de 2017

    Temática que remete ao tempo atual de redes sociais, onde o real e o irreal se misturam. Neste sentido, uma leitura possível é que o personagem masculino tenha transtorno de identidade de gênero e, assim, o encontro construído e desejado poderia se transformar em situações inimagináveis. Com medo, e sentindo falta de perspectiva, somente a morte (suicídio, talvez) seja a sua companheira. Sem praça, sem igreja. Apenas a infelicidade. Narrativa com início bem descrito, mas escorrega no desenvolvimento por falta de dramaticidade cênica, apesar da conclusão provocar certo impacto.

  19. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    Já no começo, encasquetei com o “Nunca se viram”. Seria o mesmo que “Nunca haviam se visto”? E a história da pá, no final, eu procurei e não descobri o que significa. Será uma simpatia? De qualquer forma, a narrativa flui muito bem construída, e a ação em dois planos diferentes torna a história de cada um deles muito interessante. Um texto bem escrito, que só por aqueles dois detalhes me incomodou. Boa sorte!

  20. Davenir Viganon
    24 de janeiro de 2017

    Conto já larga uma pista, quando diz que ele é um enigma. Um cara misterioso que acaba sendo atraente para a moça. O contraste da inocência dela e desse “?” que é o rapaz, fazem o conto valer a pena. Gostei.

  21. Laís Helena Serra Ramalho
    24 de janeiro de 2017

    Não sei se interpretei certo o final: ele ia matá-la? Depois de tantos contos românticos que enveredaram por esse caminho, não sei se isso foi exatamente uma surpresa para mim. Ainda assim, foi bem construído. A escrita me agradou, exceto por contar um pouco em vez de mostrar e das rimas no segundo parágrafo. Elas deram um ritmo que, ao menos para mim, soou um tanto fora de lugar.

  22. vitormcleite
    24 de janeiro de 2017

    boa história com múltiplas leituras e uma boa estrutura, lamento só poder escolher vinte textos…

  23. Thiago de Melo
    24 de janeiro de 2017

    Amiga Juno,

    Gostei de 85% do seu conto. Achei que toda a parte envolvendo a moça apaixonada ficou muito boa. É muito fácil imaginar uma cidadezinha com “a velha igrejinha” no centro da cidade. Para um brasileiro basta meia palavra para conseguir ter essa imagem viva na mente e eu estava lá com ela, esperando o amor da vida.

    Só que na sua última frase o mundo virou de uma forma que eu acabei me perdendo. Não entendi mais se a mulher morreu porque o cara não apareceu, se ele a matou, se ela já estava morta e ele era o coveiro, se ela ficou esperando por ele a vida toda e ele com receio de ir adiante… e por aí vai. Apesar desse comentário, acredito que o seu texto está bem escrito. Suspeito que seja o horário, o cansaço ou a minha simples ignorância que não me permitem captar tudo o que está no conto, bem diante da minha cara.

  24. Matheus Pacheco
    24 de janeiro de 2017

    Uma tristeza, não só para a jovem que estava disposta a tentar uma vida com esse homem, mas também para o homem que a deixou desconfiado de alcançar uma felicidade que julgava não merecer.
    Um abração ao escritor.

  25. Miquéias Dell'Orti
    24 de janeiro de 2017

    Oi Juno,

    Percebi muita delicadeza nas palavras colocadas no seu conto. Uma história simples mas que fez o seu papel em trazer o leitor (nesse caso, eu) para dentro da cidadezinha onde o casal morava.

    O final está bem aberto e nos deixa com dúvidas até demais. Além de outras coisas, o cara pode ser um simples homem da roça que não se sente digno o bastante para desposar a linda moça. Ou talvez se ache velho demais para ela. Ou talvez ele seja um coveiro ou um assassino.

    Bem… Talvez se vc tivesse fechado ele só um pouquinho, um “tiquinho” que fosse, não ficaria com essa impressão de que algo está completamente perdido. Mesmo assim é uma história triste e bonita a seu modo e qualquer que seja a real interpretação não vai desabonar esse fato.

  26. Mariana
    24 de janeiro de 2017

    Não consegui me conectar com a história, sinto muito. Ela está bem escrita, questão de gosto pessoal mesmo

  27. Sabrina Dalbelo
    24 de janeiro de 2017

    O conto é sobre a chance de um amor, que acaba não acontecendo porque o cara é um assassino? Ou porque é bloqueadão para o amor?
    Puxa, que pena, a moça estava tão contente!

    Parabéns, a atmosfera do conto é boa e está bem escrito.

  28. Luiz Eduardo
    24 de janeiro de 2017

    Gostei de todo o conto, mas não enetndi o final. Faltou clareza, boa sorte

  29. Lee Rodrigues
    24 de janeiro de 2017

    Aqui não foi uma “balde de água”, foi uma pá mesmo.
    Uma pá, sete palmos de amor com direito a flor. Tá vendo? Até rimei pra você.
    Juno, brinquei com a rima, mas é um recurso que não me apetece.

  30. Lohan Lage
    23 de janeiro de 2017

    O final traz uma dúvida: seria a pá uma metáfora? Teria o homem assassinado o ”antigo amor” literalmente? Ou ele estaria planejando matar a moça?

    Sob esse ponto de vista, eu curti!

  31. Gustavo Castro Araujo
    23 de janeiro de 2017

    Muito bom o conto. Fala de nossas expectativas, dos sonhos que gostamos de alimentar mas que nunca temos coragem de vivenciar. Aqui essa ideia foi aproveitada de forma sensível, sem alardes e sem grandes pretensões. Há, é claro, certa melancolia no ar, que é polvilhada por uma sensação de frescor juvenil pela metáfora do cravo nos cabelos da moça. Pude sentir o perfume e o nervosismo devorando-a, tudo para ver-se frustrada. Triste mas verdadeiro. Belo conto. Parabéns!

  32. Thata Pereira
    23 de janeiro de 2017

    Não tem como saber o que aconteceu com os personagens. A única coisa que temos certeza é que ele já amou alguém, mas isso não é o suficiente para entender se ele mata ou não ela.

    O último parágrafo é muito direto, sendo que o que faz referência a ela é bastante poético. Isso pode querer indicar traços de personalidade, mas não temos como saber se de forma intencional.

    Boa sorte!

  33. Thayná Afonso
    23 de janeiro de 2017

    É fácil deduzir que tenham se conhecido na internet, mas devido ao que o restante do conto me transmitiu, preferi imaginar que tenham trocado cartas, sem importar como isso tenha começado. O final é bastante intrigante, fiquei na duvida sobre um possível assassinato ou se a pá e o “vestir luto” se tratava de um simbolismo sobre a baixa auto-estima do homem. Parabéns pelo conto!

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Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .