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Literatura que desafia.

Seu Próprio Deus Ex Machina (Fil Felix)

conto

Foi um gesto de afirmação. Ah, se foi. Seguido por um clarão imenso, sem zoom ins ou outs, sem longa-metragens: 16 mm. Tudo muito rápido, a cidade inteira num borrão technicolor. Viu Celine, a marqueteira do 1309: desempregado mais uma vez? Desde quando havia limite? Viu Clemente do 607, o vizinho que sempre o esnobou: não faz meu tipo. Sujeito ancho. Foi um vórtex cósmico-depressivo. Uma romaria sem volta, salubre groove inconfundível ao beijar o assoalho frio, encarando o hall de entrada, ovacionado pelos gritos do concierge. Enfim, notado. Um flume escarlate dissolvendo questionamentos, mas permitindo afirmações dos espectadores.

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85 comentários em “Seu Próprio Deus Ex Machina (Fil Felix)

  1. Felipe Teodoro
    27 de janeiro de 2017

    Uma cena muito bem escrita, gostei das imagens que você construiu durante o desenvolvimento e as levas reflexões inseridas no conto. Pra mim faltou um pouco mais sobre motivação para tal ato, acho que nesse tipo de coisa, além da descrição do suicídio em si, a possível justificativa mexe ainda mais com o leitor, do que a morte em si. Entende?

    Enfim, parabéns pelo trabalho e como dica: Um conto grande nesse estilo, com um pouco mais de abordagem psicológica ficaria muito bom!!! Sorte!

  2. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Foi bem escrito, ficou bom até. Boa sorte.

  3. Victória
    27 de janeiro de 2017

    Eu gostei da psicodelia, das imagens criadas, até mesmo da imagem que ilustra o conto. O texto é de difícil compreensão, mas acho que era pra ser assim. Boa sorte.

  4. Remisson Aniceto (@RemissonA)
    27 de janeiro de 2017

    Ficou devendo na narrativa, na composição, no desenrolar do texto. Não vi muito no que me basear para opinar. Mas ainda assim valeu.

    • Shivas
      27 de janeiro de 2017

      Vixe, vou mandar direto pro Serasa!

  5. rsollberg
    27 de janeiro de 2017

    Um texto bastante enigmático, que mescla vários elementos e cria algo inovador de um tema ordinário. Criou um filme onde ele era o próprio deux ex machina, deixando todo mundo sem saber ao certo de onde aquilo veio e quais eram as suas motivações. Pela habilidade de narrar o autor nos coloca dentro do prédio tal qual um personagem, observando o esplendor da coisa toda.
    Parabéns e boa sorte!

  6. Gustavo Aquino Dos Reis
    27 de janeiro de 2017

    Bem original, mas faltou mais competência na narrativa.

    Temos frases boas, mas algumas ficaram sobrando no contexto.

    É um trabalho bom, inteligente, mas, para mim, faltou algo mais para se destacar.

  7. Lee Rodrigues
    27 de janeiro de 2017

    Eita, trem! Um suicídio psicodélico!
    Me fez lembrar um conto do Davenir, pra lá de anfetamínico.
    Sabe, eu gostei da jogada de cores, do bom uso da imagem, porque acabei caindo junto também, da coisa dos últimos segundos passar como um filme e invés de filosofia ou remorso ou qualquer outros desses sentimentos de ultima hora, a figura se sente empoderada, triunfante por chamar a atenção dos vizinhos.

  8. Leandro B.
    27 de janeiro de 2017

    Oi, Shivas.

    Bom, se a temática não é original (e sejamos francos, que tema hoje é original?) a forma certamente surpreende.

    Se isso é uma coisa boa, ou ruim, depende muito do que o autor tem como proposta do texto. Quando vejo textos como o seu, sempre tenho a impressão que a ideia é se expressar e/ou tirar o leitor da zona de conforto, chacoalhar um pouco as coisas. É ousado e respeito isso.

    Tive que perguntar ao oráculo vários palavras do micro.

    Enfim, um texto ousado, dando um fôlego a mais para a questão do suicidio.

  9. Estela Menezes
    27 de janeiro de 2017

    Linguagem moderna e sofisticada, técnica apurada, uma abordagem inovadora ao tratar do velho e bom suicídio. Impossível deixar de reconhecer a qualidade do texto, mas o uso de termos não corriqueiros e/ou pertencentes a algum campo específico é sempre uma decisão ousada e arriscada que, no meu caso, provocou um misto de respeito e cerimônia que não me permitiu maiores aproximações com a história…

  10. Vanessa Oliveira
    26 de janeiro de 2017

    Bem, tive que ler mais de uma vez para entender, talvez por causa da linguagem. Entendi que ele s suicidou, no fim. E que queria ser notado, mas ninguém o notava. Como muitos disseram, foi difícil de entender. Mas é aberto, cada um tem a interpretação que quer. Boa sorte!

  11. Simoni Dário
    26 de janeiro de 2017

    Um texto de difícil compreensão para mim. Nota-se o domínio do autor com as palavras, porém não me cativou. Gostaria de ter entendido melhor.
    Bom desafio!

  12. Srgio Ferrari
    26 de janeiro de 2017

    Em breve em algum cinema da avenida paulista por 34 $ pilas. Só entra na sessão quem for descoladão. Eu? Eu prefiro Velozes e Furiosos à queda de mais um barbudo deprê midiático saudoso da velha MTV.

  13. Rubem Cabral
    26 de janeiro de 2017

    Olá, Shivas.

    Muito bacana o conto. O tema é o velho suicídio, não? O protagonista cai e observa o mundo. A “roupagem” foi bem diferente do usual, dando muita cor a causando muitas sensações.

    Nota: 9.5

  14. Vitor De Lerbo
    26 de janeiro de 2017

    Já esperamos um texto psicodélico apenas ao ler o título – e é exatamente isso que é entregue. Curti as alusões ao cinema. Um momento tão tenso, nas telonas, daria uma cena filmada por vários ângulos e muito bem trabalhada. Mas na vida real esse romance não existe.
    No conto ele existe sim, e essa maneira de narrar um suicídio foi bem criativa.
    Boa sorte!

  15. Anderson Henrique
    26 de janeiro de 2017

    Achei um texto difícil de entender. É de se ler com paciência para aproveitar. E quer saber, vale. Vale sim. O conto tem uma linguagem toda própria que remete ao cinema, talvez desconhecida para alguns. Mas eu gostei desse groove psicodélico. Tecnicamente muito bem construiído.

  16. Davenir Viganon
    25 de janeiro de 2017

    Interessante , como apesar das referências aos métodos audiovisuais, o conto não é roteirizado. Tem um mundo próprio criado pela perspectiva do personagem e se o leitor tiver preguiça de captar vai patinar no conto. O suicídio não surge do nada, é um resultado de toda uma situação. A distância e o isolamento, mostrado pelos elementos comuns (a cidade borrão – de fumaça poluente?) e dimensionados pelos elementos do audiovisual, que tem um lirismo que me fez lembrar de William Gibson. Resumindo tudo: Gostei pra caralho!

  17. Cilas Medi
    25 de janeiro de 2017

    De novo a morte, o suicídio, um autor querendo nos fazer lembrar que devamos nos socializar e não deixar os nossos preconceitos nos pirar e derrubar, definitivamente. Um bom conto, mas, não gosto do tema.

  18. Pedro Luna
    25 de janeiro de 2017

    O diferencial desse conto em relação ao tema de suicídio, lugar comum, são os pensamentos do protagonista. Digo, esse conto também abusa da descrição padrão desse tema, como: tudo muito rápido, a cidade é um borrão, um zoom, e se ficasse só nisso, seria ruim. Mas o autor (a) ainda consegue arrumar palavras para descrever um pouco o protagonista, a visão que ele tem dos outros moradores, a visão que os moradores tem dele, e no fim, sabemos um pouco mais do que o motivou: “Enfim, notado.”,

    Por isso o conto ficou acima da média. Achei bom.

  19. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    25 de janeiro de 2017

    Olá, Shivas,

    Tudo bem?

    O suicídio de seu personagem, como algo inesperado para chamar a tenção sobre si é uma ótima premissa. O conto é bem escrito, embora um pouquinho rebuscado demais, talvez, a olhos de leitores desavisados. Há que se saber aqui, para que público se destina e, obviamente, o leitor focado nele são os escritores do desafio.

    Ao ler seu título, fiquei intrigada, seria o seu personagem metalinguístico? Seria a solução do suicídio uma morte dentro da ficção, como se poderia esperar daquilo que chamamos de “uma solução Deus Ex Machina”?

    Sobre a questão do texto em si, o suicídio e tudo que passa frente aos olhos daquele que pula, é muito bem elaborado. Você consegue passar os últimos segundos de alguém que em vida era frustrado, revoltando-se contra o que lhe é imposto, de maneira imagética e bem construída.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  20. Amanda Gomez
    25 de janeiro de 2017

    Olá, Shivas!

    Definiria como um suicídio psicodélico, a história aqui não é o que chama atenção, e sim os elementos usados pra criar a cena, eu vi muitas cores, muita energia. Geralmente a cena em si da morte é rápida, banal. Mas aqui ficou bem feito, devo dizer. Ficou algo em câmera lenta e deu até pra imaginar os personagens dos apartamentos vizinhos, o conto ganha ponto pela abordagem e não pela originalidade.

    Eu acho que fiz umas escolhas bem estranhas, pois os 5 últimos contos que li eram sobre suicídio, então estou meio vazia de impressões pra dar ao seu texto, pois já me espremi ao extremo pra falar sobre esse assunto haha.

    É um bom conto, com uma ótima abordagem. Não liguei muito para o personagem e sim para a ” beleza” de sua morte. A frase final ficou muito boa.

    Parabéns, boa sorte no desafio.

  21. Givago Domingues Thimoti
    25 de janeiro de 2017

    Não sou fã de contos sobre suicídio. Acho muito batido, além de ser muito mórbido para o meu gosto.
    Mesmo assim, eu consegui ver o talento do autor. Gostei do uso de palavras rebuscadas.
    Parabéns!

  22. Glória W. de Oliveira Souza
    25 de janeiro de 2017

    Parece-me que o tema aborda vivência em condomínio e a falta de empatia entre moradores. Simbologicamente a narrativa faz uso de termos do universo filmográfico e assim estabelece linques entre os personagens. O narrador, como personagem principal, desempenha o papel de um roteirista/diretor e, desta forma, transcreve o universo humano no edifício. Entre indas e vindas, ocorre uma espécie de apresentação pública, e nesta exposição, todos acabam por serem ‘notados’. Fim dos conflitos e nascimento de empatias?. Creio que não. Tudo volta para o escurinho do ‘cinema’ com projeções das carências, necessidades e sonhos de cada morador. Há pouca dramaticidade cênica na descrição e a conclusão, salvo melhor juízo, soou inodoro.

  23. Miquéias Dell'Orti
    25 de janeiro de 2017

    Oi,

    Confesso que li seu texto 6 vezes para captar todas as imagens que você quis mostrar. Felizmente, isso deu muito certo. Uma forma inusitada e inteligente de narrar um suicídio. A linguagem rebuscada, depois que você compreende o significado do texto, faz todo o sentido. Cada trecho vai completando a trama até o final. Parabéns.

  24. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    Um salto no escuro. Tem sido o método predileto dos autores nesse desafio. Mas aqui, nesse texto, a motivação está bem clara – um gesto da afirmação, autossuficiencia, mas ao mesmo tempo um grito para ser notado. E o que passou pela cabeça da personagem durante a queda foi: “o que os vizinhos vão pensar? Dane-se”. Tecnicamente bem executado, o texto prende a atenção até o fim, onde a construção “permitindo afirmações dos espectadores” destoa de todo o resto.

  25. Thiago de Melo
    24 de janeiro de 2017

    Amigo Autor,

    Seu texto foi muito sutil e efetivo. Gostei. Confesso que precisei ler pela segunda vez para entender a metáfora da “cidade inteira num borrão technicolor”. Na segunda leitura eu tive um momento “eureka” e finalmente entendi do que se tratava. Isso não tira o brilho do seu texto. Eu tenho consciência de minha ignorância e imagino que os colegas tenham pegado a ideia de primeira. De todo modo, o seu texto é muito bom. Meus parabéns!

  26. Laís Helena Serra Ramalho
    24 de janeiro de 2017

    O conto é bem escrito, e embora eu não seja muito fã do uso extensivo de metáforas, não ficou cansativo: ficou bem dosado para o tamanho do conto. Foi interessante o recurso de mencionar os vizinhos conforme ele passa pelas janelas em seu salto.

    O enredo não é exatamente original, mas em uma história de suicídio não há muitas possibilidades. O diferencial normalmente fica na motivação, e senti falta de saber um pouco mais: não sei se um conto tão curto foi suficiente para explorar isso a fundo.

  27. vitormcleite
    24 de janeiro de 2017

    bem escrito e consegues que o leitor sinta essa claustrofobia que tão bem retratas

  28. Matheus Pacheco
    24 de janeiro de 2017

    Me pareceu uma ficção cientifica misturada com o filme “O show de Truman”, e eu achei sensacional, por mais que tenha um sentido de “drogas”, eu achei muito interessante o uso das palavras estrangeiras no meio. Por mais que eu deteste esse tipo de linguagem que misturam as línguas mas nesse contexto foi bem aproveitado.
    Um abração ao escritor.

  29. Thata Pereira
    24 de janeiro de 2017

    O conto é uma viagem assim como a que o cara fez. Sentia tontura dele, caindo e se foi a intenção do autor, perfeito, conseguiu. A imagem também ajudou no processo. Os termos estrangeiros me desagradaram, pois não há indícios do que se trata, mas ok, porque colaboraram com a tal sensação do personagem e admiro muito quem consegue transmitir isso com tamanha perfeição.

    Adorei a frase que fecha o conto.

    Boa sorte!

    • Shivas
      24 de janeiro de 2017

      Olá, Thata! Aproveitando, em outros comentários também citam os “termos estrangeiros”, fiquei com a impressão de ter colocado muitos. Mas as palavras em itálico (zoom in, zoom out, technicolor) são do universo cinematográfico, assim como longa-metragem e 16 milímetros (que é um formato). O groove e os demais foram para acompanhar e encorpar a viagem. Espero que tenha gostado e conto com o nome na lista! haha

  30. Sabrina Dalbelo
    24 de janeiro de 2017

    Eu vim bem rápido para a área de comentário sem ler os anteriores porque quero ser sincera sem ser “maria vai com as outras”.
    Esse texto narra uma viagem… seja a imediatamente anterior à morte, com a queda da pessoa, seja imediatamente após o uso de uma droga super potente, em grande quantidade.
    Confesso que não entendi de primeira. Acho que termos rebuscados truncam a leitura fluida. Essa é a minha opinião, mas provavelmente não a de críticos conceituados e experientes.

    Na segunda leitura eu vi a viagem. E viajei junto.
    Eu adotei a versão da droga.
    Há muito tempo eu vi o filme “traisnpotting”. Me remeteu direto pra ele.
    Gostei muito, como não?
    Isso é ter domínio da escrita.

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Informação

Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .