EntreContos

Literatura que desafia.

Com Licença Poética (Lídia Duarte)

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Namorados, quem diria!

Ela sempre teve um comportamento destoante, lera tanto Nietzsche e Schopenhauer que desacreditara no amor.

Questionava-se com frequência porque não terminava o relacionamento; a presença dele era aprazível e  era um “bom rapaz” de acordo com critérios socialmente determinados, entretanto ela gostava de ter um tempo para si… quiçá seja essa a razão: ele a deixava livre, permitia que seguisse seus próprios caminhos.

Mas um dia ele a propôs em casamento; disse ainda que deveria abandonar a faculdade quanto antes. E ela respondeu de prontidão: Tô fora! (Felizmente, também lera Simone de Beauvoir).

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86 comentários em “Com Licença Poética (Lídia Duarte)

  1. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Haha nossa, gostei bastante do seu conto, ficou muito legal. Parabéns e boa sorte.

  2. Thayná Afonso
    27 de janeiro de 2017

    Simone como uma bela representação de uma mulher feminista conseguiu mostrar a mulher do texto que ela não precisa ser submissa e pode sim trilhar seus caminhos. A referência ao Nietzsche foi bem clara também, até porque ele era um homem machista e pelo que eu li achei ele um pouco frio. Achei que ficou nítido que nem todo relacionamento precisa ser guiado por uma única ideia e que por mais que seja apenas UM relacionamento, são duas pessoas vivendo e construindo história e nem por isso precisam seguir um mesmo pensamento, até porque é ótimo quando a relação tem duas pessoas diferentes, que sabem se respeitam e podem trilhar o caminho com ainda mais conhecimento. Parabéns pelo conto!

  3. Pedro Luna
    27 de janeiro de 2017

    Não consigo deixar de sentir a falta de personalidade da personagem. Precisando ler de tudo para moldar os atos. Claro que isso acontece de vez em quando, pois somos entregues a influências externas, mas o que posso dizer, é que já conheci uma pessoa que a cada livro que lia, mudava as atitudes. Um inferno. Enfim, não consegui gostar da personagem, pois a achei fraca, e de quebra o conto não me conquistou. Desculpe.

  4. Lohan Lage
    27 de janeiro de 2017

    Boas referências, bem escrito. Mas acho que se estendeu um pouco além da conta, e o final não impactou tanto.
    Boa sorte!

  5. Remisson Aniceto (@RemissonA)
    27 de janeiro de 2017

    As menções a Nietzsche,Schopenhauer e Simone de Beauvoir foram importantissimas para a compreensão da trama. Quem leu algum deles ou, de preferência os três, saberá melhor a mensagem que a autora quis passar. Li três vezes para “namora”r mais o conto.

  6. Sra Datti
    27 de janeiro de 2017

    Os danos do intelectualismo sem moderação, rs… Nietzsche era um filho da mãe de um machista e Simone uma feminista da gema, Schopenhauer, pessimista: está aí um fim trágico para uma leitora.
    Ótima ideia, bem trabalhada em sua forma e conteúdo.

    PS: nem Beauvoir largou o “osso” por completo, rs. Boa sorte!

  7. Leandro B.
    27 de janeiro de 2017

    Oi, Dhélia.

    Eu nunca li nada do Nietzsche a respeito do amor, embora saiba de sua desnaturalização da moral. É curioso que ele admirasse o budismo.

    Sobre o conto, achei bacana, mas sem surpresa. A conclusão meio já era apontada pelo inicio e meio do texto, dado o amor a si mesma da personagem. Mesmo com as palavras duras no final, acabei lendo o micro com certa serenidade e creio que não era bem esse o intuito.

  8. Victória
    27 de janeiro de 2017

    Conto bem divertido com várias referências, em especial, a resposta final dada graças ao que aprendeu com Simone de Beavoir. Não entendi por que o rapaz pediu pra moça abandonar a faculdade, talvez isso tenha prejudicado o conto – que é muito bom, por ser em 99 palavras.

  9. Lee Rodrigues
    26 de janeiro de 2017

    Gostei do conto, achei bacana as referências, mas a evolução da trama apresenta incoerência. Veja, a personalidade dele foi inicialmente apresentada como um cara “tranquilão”, permissivo… e no dia que deveria ser cheio de “melas” e romantismo, o cara vira “Macho Alpha”. Esse rompimento abrupto cortou a linha do crível.

  10. rsollberg
    26 de janeiro de 2017

    Hahahaha, muito bom!

    O conto tem ótimas referências, as duas primeiras são Nini e Schop que realmente trazem esse lado mais sombrio do amor. A primeira vez que li Schopenhauer fiquei embasbacado, acreditando em tudo que o niilista sacana dizia, mas com o tempo fui moldando meu pensamento. Voltando ao conto, quando, quando a protagonista, assim como eu, parece estar vencendo esse preconceito, o fanfarrão surge com essa proposta sacana! Ainda bem que a mulher tinha lido Beauvoir!! Sem dúvida que é um conto que depende da bagagem do leitor, mas na minha opinião esse é um problema exclusivo de quem lê. O autor não tem que ficar facilitando a vida dos outros, mutilando suas ideias e criando algo raso, ou mais do mesmo. Por fim, nenhuma das personalidades é obscura, qualquer pesquisada com afinco pode dar uma ideia geral do que se trata.
    Pois bem, curti bastante!
    Parabéns!

  11. Simoni Dário
    26 de janeiro de 2017

    Um conto divertido e que mostra amplo conhecimento do escritor ao citar influentes autores. Gostei das fontes, da narrativa e me diverti lendo.
    Bom desafio!

  12. Fil Felix
    26 de janeiro de 2017

    Achei estranho o comportamento do namorado, que a deixava tão livre (e por isso gostava dele) de repente pedir para largar tudo. Mas vamos entrar na magia da licença poética! Gostei que o conto traz referências ao mundo mais acadêmico e pode funcionar muito bem numa aula de faculdade, pra apresentar Nietzsche ou a Simone de Beauvoir. Traz aquele tom irônico. É possível levantar algumas reflexões e a que mais me vem à mente é que quanto mais se afunda nesses autores, mas distantes ficamos do próximo, num sentido de isolamento ao crer num sistema falido de relacionamento. O que chega a ser cômico, já que a Simone de Beauvoir e o Sartre aprontavam poucas e boas no tempo livre. Acho que o único defeito não foi mergulhar mais fundo, trazer alguma crítica, não o fugir por fugir.

  13. Gustavo Aquino Dos Reis
    26 de janeiro de 2017

    Gostei!

    Recheado de referências! (Ahhhh, como amo referências!)

    Muito bem escrito e de uma qualidade narrativa impecável.

    Parabéns.

    Dá-lhe Beauvoir neles!!!

  14. Rubem Cabral
    26 de janeiro de 2017

    Olá, Dhélia.

    Bem divertido e simpático o conto. Achei um pouco estranho o comportamento do futuro marido: era liberal enquanto a namorava e transmutou-se num machista ao propor casamento? Sei que existem casos assim, mas é algo no mínimo curioso.

    Boa a escrita, boas as referências, não achei erros para apontar.

    nota: 8.5

  15. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    25 de janeiro de 2017

    Olá, Dhélia,

    Tudo bem?

    Seu conto é cheio de referências.

    Fico aqui pensando no quanto nossa bagagem cultural pode ou não influenciar em nossas decisões. Em especial as amorosas. Creio que seu conto, mais que falar de um romance, fala disso. Da influência da leitura e da filosofia na formação do caráter, e mais que isso, da personalidade de uma pessoa.

    É uma boa reflexão. Uma premissa criativa que daria mais “pano para manga”.

    O toque de humor ao final, também é um ponto forte de seu trabalho.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no certame.

    Beijos

    Paula Giannini

  16. vitormcleite
    25 de janeiro de 2017

    bom texto e com um final que me fez sorrir, parabéns pela mensagem. O texto é de fácil leitura, bem escrito e sem rodeios, apresentando uma boa mensagem, então desejo-te as maiores felicidades aí no desafio. Gostei do título também, parabéns

  17. Estela Menezes
    25 de janeiro de 2017

    Logo de saída, o que me chamou mais a atenção foi uma certa incoerência na composição dos personagens: se ela, em decorrência de leituras “sofisticadas”, já não acreditava no amor, por que estaria namorando alguém? Pelas razões tão “caretas” apresentadas? E ele? Se costumava deixá-la fazer o que quisesse, por que teria tomado uma iniciativa tão contraditória? Sem contar que ela, tão moderninha e independente, foi precisar da Simone de Beauvoir para dar o seu não? Enfim, ficou difícil me envolver com a história a partir daí…

  18. Tom Lima
    25 de janeiro de 2017

    Ótima idiea. Mostra um conflito ideológico que ainda é bem comum. Mas não gostei da forma. Esse final entre parênteses me incomodou muito. A personagem é muito boa, gerou empatia. Mas a forma escolhida pra “relevar” esse lado dela não funcionou bem.

    Boa sorte.
    Abraços.

  19. Srgio Ferrari
    25 de janeiro de 2017

    É bem escrito, mas muito cansativo, quem sabe se cortar 70% fique bem bom com o final disruptivo como um sacaneado e chique: “Tô fora”

  20. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    Garoto encontra garota. Mas a menina tinha tinta no cabelo. Essa versão agridoce de Eduardo e Mônica mostra um caso que não deu certo, e passa levemente pelos conceitos filosóficos do amor não-romântico. Eu gostei do geral, apesar da escolha óbvia de Simone de B. como a influência para a decisão final. Num formato maior, acho que essa história poderia ficar mais rica, mas isso não tira o mérito da atual versão.

  21. Cilas Medi
    24 de janeiro de 2017

    Um pouco pedante. Afinal, ninguém é obrigado a ler autores consagrados, louvados e de talento mais do que reconhecido para poder fazer uma comparação ao que tudo no conto procurou demonstrar. Um bom conto, entretanto, direto e objetivo. Boa sorte!

  22. Miquéias Dell'Orti
    24 de janeiro de 2017

    Oi,

    Muito boa a relação que vocês da sua narrativa com esses autores. Remete o pensamento de cada um ao do personagem e suas escolhas.

    O fato narrado também é algo que acontece bastante. Tudo é lindo no início de um relacionamento. De repente, um choque de responsabilidade e você é “obrigado” a deixar sua “liberdade” para trás.

    Sua escrita flui bem, é simples e direta.

    Gostei.

  23. Laís Helena Serra Ramalho
    24 de janeiro de 2017

    A narrativa não me fisgou. Achei que faltou mostrar mais, utilizar aqueles elementos narrativos que envolvem o leitor.

    O enredo me decepcionou. Citar outros livros foi um recurso interessante e o livro ainda quebra alguns clichês do romance, mas ao terminar a leitura fiquei sentindo falta de algo. Não parece o tipo de texto que pede uma reviravolta de fazer queixos caírem, mas ao mesmo tempo ficou previsível demais (o que talvez seja culpa da narrativa).

  24. Anderson Henrique
    24 de janeiro de 2017

    Gostei de conexão de Nietzsche e Schoppenhauer da parte inicial à Bevouir do encerramento. Mas acho que o problema foi que o texto é uma linha reta. A única ruptura ocorre no fim, mas ela já estava ensaiada na primeira frase e rascunhada no miolo. O texto tem potencial, mas falhou em criar o clímax, a tensão.

  25. Vitor De Lerbo
    23 de janeiro de 2017

    Gostei das referências literárias. Não sei nem se foi o objetivo, mas fica a questão: viver de palavras de outros, ainda que gênios, nos faz mais felizes? Ou mais vale fazer um churrasco na laje com os amigos?
    Boa sorte!

  26. Felipe Teodoro
    23 de janeiro de 2017

    Oi!

    Apesar das boas referências para representar os comportamentos dos personagens, o texto carece de emoção. E na minha opinião, mesmo que seja para representar uma situação do cotidiano ou (principalmente) para descrever relação humanas, o texto precisa ter emoção em suas palavras ou despertar sensações no leitor. Aqui, a única coisa que aconteceu, foi o riso com o canto da boca no fim da história, mas creio que faltou um pouco mais.

  27. Mariana
    23 de janeiro de 2017

    Fazer referência aos intelectuais é bastante clichê, mas ok… Linear, simples e simpático, mas não me cativou…

  28. Givago Domingues Thimoti
    23 de janeiro de 2017

    O conto tem um tema diferente e faz referências a grandes mentes da filosofia. É linear e fácil de ler.
    Boa sorte!

  29. Renato Silva
    23 de janeiro de 2017

    Esse negócio de “os opostos se atraem” pode funcionar bem na Física, mas nunca entre um casal. se os dois não andam juntos, pensam do mesmo modo, esse relacionamento está iminentemente ao fracasso. Eu, por exemplo, sairia correndo de uma mulher que tem Marx ou Simone de Beauvoir como exemplos a serem seguidos. Casar, então, nunca.

    Teu conto me lembrou a música “Eduardo e Mônica” e você conseguiu mostrar bem como estava andando esse relacionamento. No início, eles pareciam caminhar juntos, apesar das diferenças. O que levou à ruptura do relacionamento foi quando ele demonstrou um interesse que iria totalmente na contra mão dos interesses da moça. E ela, fazendo uso da sua LIBERDADE, disse “não” e foi viver sua vida.

    Boa sorte.

  30. angst447
    23 de janeiro de 2017

    Um conto bem singelo, com referências de autores conhecidos. A mocinha toda trabalhada na liberdade e vai namorar bem um sujeito que prefere amarrá-la ao invés de simplesmente amá-la. Pedir em casamento, tudo bem. Pedir para abandonar a faculdade parece bastante insensato da parte do rapaz, já que ele deveria conhecer bem a namorada.
    “Mas um dia ele a propôs em casamento (…)” – Ficou bem estranho isso ai, viu? Seria melhor – (…) ele propôs casamento A ela ou ainda (…) ele propôs-lhe casamento.
    Aprendemos com o microconto do dia que não devemos confiar em um homem apaixonado e nas suas propostas indecorosas.
    Leitura leve, com tom até divertido, mas faltou algo que tirasse o texto da ala “eu-quero-uma-ideologia-pra-viver”.
    Boa sorte!

  31. Leo Jardim
    23 de janeiro de 2017

    Minhas impressões de cada aspecto do microconto:

    📜 História (⭐⭐▫): uma boa personagem feminista que não quer se prender a ninguém. É, porém, uma trama bem simples e linear.

    📝 Técnica (⭐⭐▫): boa, sem entraves na leitura.

    💡 Criatividade (⭐⭐): achei criativo.

    ✂ Concisão (⭐▫): o texto é fechado, mas parece se estender demais sobre a mesma ideia. Poderia ter sido bem mais curto.

    🎭 Impacto (⭐▫▫): não tive um grande impacto, pois o texto acabou sendo muito linear. Eu já imaginava, pela personagem, o que aconteceria.

  32. Catarina
    23 de janeiro de 2017

    MERGULHO em águas calmas com boia de braço. Não correu riscos e escreveu um conto linear, que bem poderia ser parte de uma história maior. Sem IMPACTO, esperado até.

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Informação

Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .