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Literatura que desafia.

Bela (Catarina Cunha)

bela

Hoje é meu aniversário. Mamãe me enfeitou de vestido branco com moranguinhos desenhados. O laço de fita nos cabelos me deixou bem mocinha com os sapatos emprestados da Cinderela.  Meu príncipe encantado me procura neste salão enfeitado de flores recebendo convidados de mansinho.   Será que vai ter refresco de pêssego?  Gosto mais de presente surpresa,  como a cama branca da Bela Adormecida.

Mas que gente sem graça, vamos animar esta festa dançando meu vestido.  Mamãe, tira meus sapatos para não sujar o lençol. Não chora, prometo nunca mais deitar de sapato. Não fecha a cama, papai, fica escuro. Papai?

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90 comentários em “Bela (Catarina Cunha)

  1. Catarina
    29 de janeiro de 2017

    “Bela” nasceu de uma cena que vi da janela de um prédio de frente para o Cemitério São João Batista. Um cortejo fúnebre de um pequeno caixão branco. Destoando das roupas pretas das pessoas havia uma menininha acompanhando o caixão com um vestido branco com pequenos desenhos coloridos e uma fita no cabelo. Ela não poderia estar lá sem ninguém segurando sua mão. O que estaria pensando?

    “Dançar o meu vestido” é uma forma de se mostrar: “Vejam como é lindo o meu vestido novo”. “Levar o terno novo para passear”. Ouvi muito expressões assim no sertão nordestino, onde se dá vida a objetos que se gosta.

    Observem a vírgula: “Mamãe, tira meus sapatos para não sujar o lençol.” Ao lembrar que está deitada, Bela pede à mãe para tirar seus sapatos e acha que a mãe chora porque ela sujou o lençol da cama nova. Dramalhão.

    Agradeço imensamente todo os comentários que muito me ajudam a entender melhor os leitores, o nosso conturbado mundo e, principalmente, eu mesma.

    Grande abraço!

  2. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Ficou muito bem escrito, um conto bem triste, não me chamou muito a atenção mas ficou bom. Boa sorte no desafio!

  3. Felipe Teodoro
    27 de janeiro de 2017

    Muito bom, o conto ganha pontos comigo pela forma que foi construido. A narração é sensível, inocente e as pistas que o autor deixa durante o caminho, junto ao desfecho, trazem a tona a realidade. A última cena é extremamante triste. Claro que do ponto de vista narrativo, eu não gosto tanto da escolha pela criança morta contar a história, ainda mais em tempo presente como foi feito, mas ainda assim, um excelente trabalho. Parabéns mesmo.

  4. Victória
    27 de janeiro de 2017

    Seu texto foi o primeiríssimo que li e, como só fui comentar tempo depois, fiquei ansiosa para reler. A narrativa é muito bem construída e a imagem é forte, com a reviravolta final. Parabéns!

  5. Thayná Afonso
    27 de janeiro de 2017

    Surpreendente. Fui lendo com calma e rapidamente comecei a suspeitar do que se tratava, mas ainda assim, o desfecho mexeu comigo. Muito bem escrito, parabéns!

  6. Remisson Aniceto (@RemissonA)
    27 de janeiro de 2017

    Triste e revelador, mas achei que faltou um pouco de força narrativa. A dor dos pais é um fator que enternece e valoriza muito o conto. Abraço.

  7. Gustavo Aquino Dos Reis
    27 de janeiro de 2017

    Gostaria de ter gostado mais desse conto.

    Infelizmente, embora ele denote uma escrita sólida, a premissa é muito batida. A revelação no fim é um choque, mas não foi um suficiente para ressuscitar o meu interesse.

    Triste, verdadeiro, mas um pouco clichê…

  8. Lee Rodrigues
    27 de janeiro de 2017

    Valei-me, Rosa!

    Quando terminei a primeira leitura, corri para ler de novo, porque achei que tivesse viajado mais que o de costume. Mas a verdade é que você me fez enveredar para o lado oposto, para só depois me mostrar o que eu não estava enxergando.

  9. Estela Menezes
    27 de janeiro de 2017

    Quanto mais eu lia e relia, mais ia ficando difícil entender como e em que momento quase todos os colegas perceberam que se tratava de um enterro… O texto, que até então me deixara apenas intrigada e levemente motivada a tentar descobrir a intenção do autor, revestiu-se, de repente, de um alcance assustador. E agora está difícil fazer mais qualquer comentário, porque, se não me é mais possível negar o poder do conto, por outro lado não tenho a menor ideia de como o autor terá conseguido isso…

  10. Leandro B.
    27 de janeiro de 2017

    Oi, Rosa.

    Achei a abordagem bem original e a surpresa no impacto não foi gratuita, sendo bastante comovente, não apenas pela revelação de morte, mas pelo sentimento de solidão ao se separar da família.

    É ótimo quando elementos do texto recriam seus significados após o final. Isso, foi feito com maestria.

    Pra piorar gosto muito de contos de fadas, e as diversas referências que dão significado ao título (bela adormecida) me conquistaram.

    Enfim, gostei bastante. Parabens.

  11. Vanessa Oliveira
    26 de janeiro de 2017

    Caramba, li e reli pra ver se era aquilo mesmo. Adorei. Uma perspectiva de criança inocente, que não sabe o que aconteceu com ela; já pensou se um morto consegue ver, ouvir e sentir, mesmo estando morto? Espero que ela descanse em paz e não fique atormentada sem entender o que aconteceu.
    Boa sorte!

  12. Srgio Ferrari
    26 de janeiro de 2017

    Palmas pra você. Depois de tantos contos morosos e piegas eu já estava pronto pra dizer: suquinho de pêssego é o C#$%@…mas eis que o ponto de vista se abre e impacta, como deve ser.

  13. Glória W. de Oliveira Souza
    26 de janeiro de 2017

    A história me remeteu a um enterro de uma menina, ainda criança e cujo pais trataram o féretro como de um anjo. A personagem trava diálogo em forma de pensamentos e a narrativa é descritiva, sem contudo, ter apelo dramático. A finalização da história não tem grande impacto, mas surpreende pelo fato de tratar a morte de uma criança de forma sutil, respeitosa e não violenta. Me agradou.

  14. Rubem Cabral
    26 de janeiro de 2017

    Olá, Rosa.

    Um bom conto. O tema é um tanto batido, mas funcionou bem a comparação entre cama e caixão, entre o baile e a cerimônia fúnebre.

    Nota: 7.

  15. Vitor De Lerbo
    26 de janeiro de 2017

    Que pesado. O conto sob o ponto de vista da criança, com toda a sua inocência, deixa a trama ainda mais densa. Reli algumas vezes para entender tudo, mas quando entendi, foi quase um soco no queixo. Ótimo.
    Parabéns e boa sorte!

  16. Davenir Viganon
    25 de janeiro de 2017

    Agonia de se descobrir morto já é por demais apavorante, descobrir isso quando a tampa do caixão está baixando. PQP, que imagem forte! Você não deixa em aberto o final, mas o prosseguimento do sofrimento é jogado no colo do leitor e o terror continua sendo contado em nossa cabeça. Esse efeito é o coração do seu conto. Muito bom!!!

  17. Cilas Medi
    25 de janeiro de 2017

    Um texto particularmente confuso e sem saber, realmente, do que se trata. Um final mais intrigante ainda. Enfim, não tenho como comentar, que seria minha obrigação, por mais esforçado que fui e não conseguir entender nada. Faço a minha confissão que só entendi com a leitura de outros comentários, mas a minha opinião prevalece.

  18. Anderson Henrique
    25 de janeiro de 2017

    Porrada esse conto. Fui lendo, meio distraído, já sem esperar algo acontecer… Mas acontece. Reviravolta que não vi chegando. Mandou bem. Gostei das palavras no diminutivo, condizentes à fala de uma menina e das referencias de Cinderela e etc. Tudo muito bem arrumado. Parabéns.

  19. Simoni Dário
    25 de janeiro de 2017

    Um conto bem escrito e triste. Final impactante. O autor é talentoso e sabe fazer bom uso das palavras. Durante a leitura do conto, fui compreendendo seu objetivo, então fiz uma releitura do texto para, enfim, ler o final impactante.
    Bom desafio!

  20. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    25 de janeiro de 2017

    Oi Rosa,

    Tudo bem?

    Seu conto dói. Com sua frase final você consegue causar no leitor, ou ao menos em mim, uma dor quase física. Arrepiante. Uma daquelas frases que nos toca em algum lugar recôndito.

    Ao ler o fim, precisei voltar ao conto a fim de descortinar a inocência da criança morta, pensando estar em uma festa, e, ainda pior, de aniversário. Muito triste. Um trabalho de alguém maduro e seguro no manejo das palavras, da prosa.

    Parabéns por seu texto e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  21. Givago Domingues Thimoti
    25 de janeiro de 2017

    Conto forte e triste. A narrativa foi bem construída.
    Gostei da criatividade do autor.
    Parabéns!

  22. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    Parabéns, autor(a)! Um texto opressivo, envolvente, manipulador até. Apesar do desfecho não ser imprevisível, o choque para o leitor é inevitável – pela construção da personagem, a quem a gente, em poucas linhas, já vai se apegando… Como questão unicamente de estilo, a pergunta da última frase poderia ser uma expressão mais enfática de desespero se fosse uma súplica, reforçando o pedido anterior… Mas isso é só a minha opinião. Um trabalho excelente!

  23. Amanda Gomez
    25 de janeiro de 2017

    Olá,

    Eu imaginei que seria esse o desfecho já na primeira frase, o tom melancólico deu a pista, mesmo que a personagem narradora esteja feliz, como uma criança deve ser.

    Não sei se o impacto seria diferente se isso fosse demonstrado só no fim, mas mesmo assim eu gostei do texto, da forma que o autor resolveu contá-lo. As imagens são tristes e bem nítidas. A mãe aprontando a filha, escolhendo o vestido predileto, arrumando a filha amada pela ultima vez. É realmente comovente.

    A parte em que a menia se vê presa, sem entender nada, dá uma agonia… mesmo que soe estranho ela está no corpo sem vida, a história não perde o brilho.

    Parabéns, e boa sorte no desafio.

  24. Pedro Luna
    25 de janeiro de 2017

    Penso que se trata de um velório, pois a cama fechada no final me remeteu a um caixão, e o zango da personagem com a festa sem graça ajudou a reforçar que não tinha nada de festa ali. Achei interessante, mas as nuances do texto no primeiro parágrafo não ficaram claras como a do segundo. O aniversário, vestido de moranguinhos, sapatos emprestados da cinderela, meu príncipe encantado… interpretei esses termos como uma pessoa adulta contando uma história para a criança, disfarçando o horror da morte. Mas se a personagem está morta, então isso não faz sentido. Me deixou confuso..rs

    É um bom texto, mas que tem um início meio nebuloso que não condiz muito com o final. Minha opinião.

  25. Gustavo Castro Araujo
    24 de janeiro de 2017

    Confesso que não entendi de primeira. Imaginei que se tratava de uma festa infantil ou algo assim. Somente no fim me dei conta de que havia algo de errado. Voltei, li de novo. Putz, um velório… A garota morta é quem narra o conto. O terror mistura-se à candura, tudo se encaixa. O vestido, o lençol, os sapatos. A tristeza. A arrebatadora tristeza de descobri-la sem vida, incomunicável para sempre. Um conto muito, muito bom. Parabéns ao autor pela maneira como contou a história. Excelente!

  26. Laís Helena Serra Ramalho
    24 de janeiro de 2017

    Gostei de como você construiu a narrativa. É simples no início, tanto que achei que fosse voltada ao público infantil, até que você fez a revelação. Foi de forma sutil, e não exatamente inovadora (afinal, histórias narradas por mortos não são grande novidade), mas ainda assim foi um ótimo final para o conto, que encaixou muito bem. A narrativa me agradou bastante, foi eficiente em me levar até o final da história, dando o tom adequado a ela.

  27. Thiago de Melo
    24 de janeiro de 2017

    Amigo autor,

    seu conto é muito triste e está muito bem escrito. é o segundo conto neste desafio que me leva a um lugar para onde eu não quero ir. As metáforas foram suficientes para passar a sua mensagem. você tem talento. parabéns.

  28. vitormcleite
    24 de janeiro de 2017

    excelente conto que deixa o leitor a procurar segurança, parabéns

  29. Matheus Pacheco
    24 de janeiro de 2017

    Lindo, lindo e tocante, demostrando a inocência de uma criança que não entendeu sua morte, no final mostrando ligeiramente a dor dos pais.
    Isso me lembrou que uma das vezes que eu passei na frente do velório da minha cidade e vi um pequeno caixão rodeado de flores, eu não conhecia a pequena que foi enterrada mas se para mim que não tinha ideia de quem era me pesou os ombros, imagine os pais.
    Um grande abraço ao escritor.

  30. Miquéias Dell'Orti
    24 de janeiro de 2017

    Oi,

    Reli algumas vezes sua história pois achei o final de uma densidade muito peculiar. Adorei o início do conto, a beleza com que a garota é vestida pela mãe. Você achou as palavras certas e as colocou do jeitinho que elas deveriam. Foi como uma foto, bem nítida.

    A reviravolta inicia quando a cama aparece e aí a leitura fica mais densa, com a tensão do desfecho aumentando até descobrirmos que a festa na verdade era seu enterro. Você fez as coisas se unirem com muita habilidade. O resultado ficou ótimo.

    Parabéns.

  31. Thata Pereira
    24 de janeiro de 2017

    Confesso que só entendi quando busquei respostas nos comentários, pois algumas coisas atrapalharam minha compreensão, a principal delas foi a mãe retirando os sapatos da menina. Ela foi sepultada sem os sapatos? Como nunca vi algo do tipo, imaginei que ela realmente estava sendo levada para dormir e a conclusão que tirei disso foi um caso de violência sexual.

    Quando li que o presente que ela estava mais aguardando era a cama branca da Bela Adormecida, temos a impressão, também, de que não está deitada ainda.

    O termo “dançando meu vestido” também me levou a entender que a menina estava brincando e dançando com o próprio vestido, portanto, nunca deitada, sem poder se movimentar.

    O que me fez imaginar: que ela estava ali em espírito e não deitada no caixão, mas o ato de fechá-lo e ela falar que é escuro remete que ela está sim deitada.

    É um lindo conto, apesar do tema, uma criatividade gigantesca. Contudo, esses pontos que citei acima pecaram na sua construção, para mim, infelizmente,

    Boa sorte!

  32. Mariana
    24 de janeiro de 2017

    Triste, muito triste, é errado os pais enterrarem seus filhos..

    Acredito que “dançando meu vestido” deve ter sido algum erro que acabou passando batido… Realmente, não consegui entender o sentido da frase que me parece ser a única falha do texto

  33. Luiz Eduardo
    24 de janeiro de 2017

    Muito bem escrito. Demorei um pouco para entender que a personagem estava morta, mas realmente se trata de uma narrativa bem construida. Parabéns, principalmente pela criatividade. Boa sorte

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Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .