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Detox Literário.

Angústia (Leandro Barreiros)

O terapeuta recomendou que escrevesse sobre o trauma. O psiquiatra receitou Prozac. O padre, orações. Começou pelo conselho do sacerdote, mas Deus não aquietou sua alma. Deveria saber. O algoz não poderia ser o salvador.

Então escreveu, dia após dia. Escreveu sobre a inércia na cama, sobre o berço frio; a quantidade de garrafas que o marido passou a consumir; a falta de apetite, a incapacidade de desmontar o quarto. Mas, no fim, escrevia apenas que queria morrer.  

Passou para as pílulas. Finalmente, uma noite o Prozac fez com que se sentisse bem.

Jamais se odiou tanto.

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84 comentários em “Angústia (Leandro Barreiros)

  1. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Achei bem triste, o texto ficou bom. Boa sorte.

  2. Victória
    27 de janeiro de 2017

    Gostei bastante do conto. A narrativa é muito boa, a escrita competente e consegui entender perfeitamente a angústia da personagem. Em que pese seja até normal depender de remédios hoje em dia, ainda assim é um tanto triste precisar deles para se sentir bem. Parabéns.

  3. Remisson Aniceto (@RemissonA)
    27 de janeiro de 2017

    OI, Indira. Como vai? Adorei como você foi unindo os retalhos, alinhavando os pedaços para tecer um conto tão bom. Alguns caminhos para escolher e, para não se decepcionarcom um apenas, passar por cada um deles para chegar ao objetivo. A vida é louca, nós somos loucos, a loucura é inerente ao ser humano. Abraço e boa sorte.

  4. Lohan Lage
    27 de janeiro de 2017

    Puta final. Que recorte fantástico de um acontecimento tão trágico.
    Obrigado, autor(a)!

  5. rsollberg
    27 de janeiro de 2017

    Uma mãe que perdeu o filho e não consegue aceitar o “destino escolhido por Deus”. Talvez, se tivesse rezado pelo prozac teria sido atendida com maior presteza. Talvez até alguns outros demiurgos de uma farmácia próxima. Contudo, como a dor era a sua cruz, a lembrança de tudo, ela jamais se perdoaria pelo alivio proporcionado. Triste, forte e real.
    Parabéns pela ideia e pelo conto!

  6. Estela Menezes
    26 de janeiro de 2017

    Apreciei muito a maneira com que você vai desdobrando a história, seguindo a trajetória absolutamente realista da personagem, a cada passo revelando mais um dado, oferecendo mais uma explicação coerente, até um final que, ainda assim, nos surpreende! Um dos contos cuja técnica mais apreciei. Já está na lista.

  7. Lee Rodrigues
    26 de janeiro de 2017

    Sabe, Indira, o vazio da sua personagem chega a ser uma dor física, que apesar de angustiante (como já avisa o título), foi evoluindo calmamente.
    Um enredo com progresso coerente, que apesar de não ter reviravoltas no fechamento, nos fisga pela empatia.

  8. Fil Felix
    26 de janeiro de 2017

    Bom conto sobre depressão, a dor da perda e como lidar com ela. O autor consegue colocar três camadas muito interessantes, destaco a pequena crítica a se apoiar em Deus, quando ele mesmo foi o responsável (ou seria) pela tristeza. Escrever sempre ajuda, mas nada como um remédio pra simplesmente fazer a dor ir embora, nem que momentaneamente, e se sentir “feliz”. Um mal dessa nossa sociedade contemporânea, não saber lidar com a própria dor, sendo mimada “farmaceuticamente”. Muito legal.

  9. Gustavo Aquino Dos Reis
    26 de janeiro de 2017

    Achei excelente.

    Só aplausos para esse trabalho.

    Duro como a vida. Sem sentido como a morte.

    Parabéns

  10. Sra Datti
    26 de janeiro de 2017

    Quanta ideia pode caber numa caixa tão pequena! Uma vida arrastada, a dor da perda do pequeno, angústia sem fim, ai que inferno na alma!: Outra morte em vida.;; Ai,.. que a arte da escrita não se faz de alegrias…Dores se transformam em arte: pergunto se pela facilidade, se pela matéria que adentra porta a dentro de nosso ser e vai arrastando tudo.
    Boa escrita que desperta um furacão intenso de emoções…
    Apreciado.

  11. Simoni Dário
    26 de janeiro de 2017

    Um texto triste, porém excelente. Transmitiu com mestria o sentimento dos personagens envolvidos na trama.
    Bom desafio!

  12. Rubem Cabral
    26 de janeiro de 2017

    Olá, Indira.

    Um conto muito bom e extremamente triste. Pelo que entendi, o bebê da mulher em questão morreu e ela luta contra o próprio luto. O remédio finalmente a ajuda, mas ele se odeia ao se sentir melhor.

    Nota: 9.

  13. Pedro Luna
    26 de janeiro de 2017

    Acredito que o fim se refira ao fato de que até a tristeza consegue se enlaçar a uma vida, e quando ela partem há quem sinta sua falta. Gostei principalmente dessa reflexão: O algoz não poderia ser o salvador..

    Uma reflexão simples, mas que não passa na cabeça de muitas pessoas. Irônico demais essa vida e nossas crenças. Gostei do conto.

  14. Felipe Teodoro
    26 de janeiro de 2017

    Angústia muito bem narrada. As consequências da morto de filho(a) foram muito bem descritas. Gosto do jogo que o autor faz, construindo todo o desenvolvimento do conto já nas primeiras linhas. Achei muito bem escrito e com um ótimo desfecho, apesar de extremamente triste. Mas me parece, que os melhores textos são esses, que exteriorizam nossas dores, sejam elas reais ou ficcionais. Sorte!

  15. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    25 de janeiro de 2017

    Olá Indira,

    Tudo bem?

    Mais que sobre angústia, seu texto é sobre depressão. Um mal profundo da alma, do cérebro, da falta de substâncias nele, mas, mesmo quando repostas via medicação a dor continua lá, latente. E você descreveu esse quadro muito bem.

    Nada aquieta um coração deprimido.

    Em seu caso, você colocou a escrita como possível caminho de solução. Ainda assim, nada amainou a dor da personagem.

    Um conto bem escrito e elaborado.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  16. Srgio Ferrari
    25 de janeiro de 2017

    Vi o titulo: Angustia. Já apertei os olhos, pensei: Lá vem chatice.

    BATATA!

    Mais cor por favor, escritor(a)

  17. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    E o Prozac fez com que ela parasse de escrever? Resolveu o problema do marido? Segundo o texto, era o segundo conselho da lista de três. Depois, ela tentou as orações do padre? Na parte técnica, acho que faltou uma amarra entre esses três remédios, começando pela oração, passando pela escrita e chegando no Prozac (que nem é um remédio tão forte assim, já existem outras drogas mais efetivas). E fica a pergunta: por que se odiou tanto? Porque a escrita dependia da tristeza? Ou porque não precisaria mais morrer, agora que o remédio fez efeito? Não sei, não compreendi a essência.

  18. Cilas Medi
    24 de janeiro de 2017

    Desolador. Um conto recheado de angústia, sim, parodiando o título, com um gosto amargo na solidão e imensidão da dor. Aconteceu a morte com o Prozac?

  19. vitormcleite
    24 de janeiro de 2017

    texto bem escrito mas que não me entusiasmou, talvez por ter muito dramatismo, este texto está demasiado carregado de cinzento

  20. Davenir Viganon
    24 de janeiro de 2017

    Bem direto e angustiante, como o título adianta. Uma espiral foi desenhada nessas linhas sem final feliz, nem esperança, ao menos no momento que compreende o conto.

  21. Miquéias Dell'Orti
    24 de janeiro de 2017

    Oi,

    Eu sou particularmente suspeito para tecer comentários sobre esse texto por que uma grande amiga minha perdeu recentemente a filhinha e eu acompanho com um aperto no coração a dor e o sofrimento dela e do marido. Não é nada fácil.

    Tudo se resumia à menina e, de repente, vazio. Até a união do casal se desestabiliza, é muito triste de ver. Ler sobre, então, nessas circunstâncias, me dá um aperto forte no peito.

    Isso é ponto para o autor, que soube colocar o tema de forma perfeita para o leitor imergir na história. Talvez se ele estivesse escrito de outra forma, não teria me remetido a essas sensações.

    Parabéns.

  22. Laís Helena Serra Ramalho
    24 de janeiro de 2017

    Gostei muito do conto, especialmente do final (ainda que seja um final bem triste). Está muito bem escrito, e me fez imergir na história e na personagem. Só me incomodou o uso do ponto e vírgula alternando com a vírgula, porque não vi necessidade. Acredito que só usando a vírgula ficaria melhor.

  23. Vitor De Lerbo
    24 de janeiro de 2017

    Pesadíssimo. O luto tem uma espiral negativa tão grande que até sentir-se bem por alguns momentos parece ser um pecado. Conto brutal, psicologicamente perfeito e muito bem escrito.
    Parabéns e boa sorte!

  24. Andreza Araujo
    23 de janeiro de 2017

    A narrativa é clara, profunda e comovente. A mulher se culpa de alguma forma pela perda do filho, e a gente fica sem saber se ela realmente tem ou apenas pensa se culpa. Claro que isto é apenas uma divagação, saber essa informação não é relevante para o conto. O título se adequou perfeitamente, e o final tem um contraste nas ideias (ódio X felicidade) que deixa a gente pensando. Parabéns, ótimo trabalho.

  25. Mariana
    23 de janeiro de 2017

    O desespero da ausência da criança. Um soco no estômago… As mães, ah, as mães… Sempre carregando o peso de tudo. Parabéns, o conto é comovente

  26. Sabrina Dalbelo
    23 de janeiro de 2017

    Texto denso, sobre algo extremamente triste, talvez a maior tristeza que alguém pode sentir: a perda de um filho.
    A narrativa foi muito bem, fluida, clara e interessante.
    Que perda horrível o texto retrata… quanto sentimento e mágoa envolvidos!
    Parabéns.

  27. Givago Domingues Thimoti
    23 de janeiro de 2017

    Triste e profundo. Foi incrível como, em poucas palavras, você conseguiu despertar em mim, uma certa simpatia, misturada com pena, pela personagem.
    Parabéns e boa sorte!

  28. Amanda Gomez
    23 de janeiro de 2017

    Olá,

    Bem o título define muito bem o conto. Retrata a angustia de uma pessoa, uma mãe que perdeu o filho. Dá um vislumbre de como anda sua vida, como o marido também está destruído.

    Achei as descrições muito boas, as cenas fortes. A descrença dela em Deus, quando diz que algozes não podem ser salvadores, demonstra que ela realmente não tem mais nenhum fio de esperança em voltar a viver. O texto toda retrata bem a rotina, as idas ao médicos, a necessidade de buscar um alivio.. e quando finalmente consegue, a sensação é pior. Devia sentir que estava traindo seu luto, por acalentar aquela dor, pois essa é uma prova viva da existência do seu filho.

    Forte, profundo…comovente. Acho que o autor conseguiu o objetivo.

    Boa sorte no desafio!

  29. Luiz Eduardo
    23 de janeiro de 2017

    Triste, mas profundo. Gostei da maneira como a personagem foi apresentada, me pareceu real. Parabéns, boa sorte!

  30. Thata Pereira
    23 de janeiro de 2017

    O que mais gostei do conto é que não chegamos nem a saber se o filho nasceu. Berço passa a ideia de criança, ou ele era novinho ou nem chegou a nascer.

    É um belo conto e muito bem escrito. Minha única sugestão é que a palavra “jamais” me incomodou um pouco, pois me passa a impressão que o conto foi escrito após a morte da mulher (ainda mais que o conto fala sobre essa vontade). Não sei muito bem como explicar: jamais me passa a ideia que o ciclo fechou e não há mais outras possibilidades porque tudo acabou.

    Eu apenas trocaria essa palavra, tirando isso, ótimo conto!

    Boa sorte!!

  31. Thayná Afonso
    23 de janeiro de 2017

    O que mais achei triste foi a personagem ter se odiado por finalmente conseguir se sentir bem. Algumas perdas são tão intensas e doloridas que não nos achamos no direito de voltarmos a nos sentir bem. Conto muito bem escrito, eu gostei bastante. Parabéns!

  32. Renato Silva
    23 de janeiro de 2017

    Gostei muito do modo como você construiu o texto, usando a religião (fé), as drogas (medicamentos) e a escrita como formas de superar a morte do bebê. Vê-se um casal desolado, pois o marido se tornou um alcoólatra também. A mulher que culpa Deus por “levar” seu filho, mas que se sente culpada por ter conseguido relaxar um pouco e esquecer de sua infelicidade, como se a dor da perda devesse durar para sempre. Muito bom mesmo.

    Boa sorte.

  33. Gustavo Castro Araujo
    22 de janeiro de 2017

    Bem sacado o conto. Demonstra, por meio de uma construção elegante e elaborada, a dependência do pessimismo que certas pessoas cultivam. Gostei da maneira como a ideia foi posta – cheguei a pensar que se tratava de mais um conto sobre suicídio, mas me vi agradavelmente surpreendido. Impossível não lembrar deste ou daquele amigo para quem nada está bom. Enfim, um bom texto, reflexivo e que flerta com boa psicologia.

  34. waldo gomes
    22 de janeiro de 2017

    Conto sobre a dor da perda.

    Bem escrito e envolvente, toca e conquista.

    Notei apenas uma confusão na frase “Finalmente, uma noite o Prozac fez com que se sentisse bem.” – Não seria melhor “numa noite”

    Outra coisa: não há pronome pessoal. Nenhum. só achei estranho.

  35. Thiago de Melo
    22 de janeiro de 2017

    Amiga Indira,

    Seu conto é muito bom, extremamente bem escrito, mas eu não tenho condições psicológicas para comentá-lo como deveria. Por favor me desculpe.
    Deixo apenas meus parabéns pelo bom trabalho.

  36. Anderson Henrique
    22 de janeiro de 2017

    Bom ritmo e um encerramento mordaz. Por fim, a culpa por livrar-se da culpa. É forte, humano e triste.

  37. Glória W. de Oliveira Souza
    22 de janeiro de 2017

    Sintomas depressivos. Tudo indica que a psicossomatia já havia se apoderado da personagem. Pelo texto pode-se inferior que diversos acontecimentos a levaria à doença: falta de apetite sexual; bebedeira do marido; morte de filho; descrença na religião; inapetência alimentar. E ao tomar o remédio, a única justificativa que possuía para justificar a situação fora retirada. A presença da morte já não mais existia.

  38. Tiago Menezes
    22 de janeiro de 2017

    Uma história pesada nesse conto. A perda do filho e a culpa que ronda sua mente. Foi muito bem estruturado, parabéns!

  39. Lídia
    22 de janeiro de 2017

    Ela não aceita a ajuda das autoridades porque sabe que eles jamais sentiram a dor da perda de um filho… o pior é quando elase vê incapaz de sair disso sem ajuda de medicamentos…
    Muito bem escrito, gostei bastante.
    Boa sorte!

  40. Juliano Gadêlha
    22 de janeiro de 2017

    Um belo conto. Não vejo problema no “culpar a Deus”, pois é algo bem comum do ser humano procurar uma razão superior para os seus sofrimentos, para aquilo que não pode controlar, ainda mais em um caso de perda de um ente querido. Eventualmente, acaba sobrando para Ele.
    Texto muito bem escrito e bem estruturado. Sutil e sensível. Parabéns!

  41. Matheus Pacheco
    22 de janeiro de 2017

    É triste mas a uma coisa que eu queria ressaltar como acho que alguns já até levantaram isso, pois ao dizer que “O algoz não poderia ser o salvador” realmente passa a ideia Dele ser o culpado pela enfermidade do filho.
    Está certo que devido a situação qualquer coisa que possamos culpar nós culpamos.
    Tocante o texto, um abração ao escritor.

  42. Wender Lemes
    22 de janeiro de 2017

    Olá! Ao chamar o Chefão de “algoz”, há a impressão de que a mulher o culpa pela morte prematura do filho. Por outro lado, todo o restante indica uma insatisfação absurda sobre si, não sobre Ele, uma consciência inerte de que a culpa estaria nela. Parece-me que o ódio final não é uma referência direta ao “sentir-se bem”, mas ao fato de que não foi capaz de lidar com a perda com suas próprias forças e, mais ainda, pela própria impotência ante a tragédia. É um conto que edifica o enredo em pequenas doses de tristeza (e vejo a angústia propriamente nessa construção, no esfarelar da vida da protagonista).
    Parabéns e boa sorte!

  43. Tatiane Mara
    21 de janeiro de 2017

    Olá…

    conto sobre perda e dor.

    Bem escrito e com boa narrativa, fluído e tocante.

    boa sorte.

  44. Vanessa Oliveira
    21 de janeiro de 2017

    Que triste. Não consigo imaginar essa situação, de perder um filho e tudo acabar ruindo logo em seguida por causa disso. Deve ser terrível. O conto é verdadeiro, profundo, demonstra os sentimentos da personagem em poucas palavras, nos faz entrar dentro daquela dor e pesar. Além disso, deixa aberto para imaginação, para pensar no que poderia ter acontecido, como as coisas chegaram aquele ponto. Gostei bastante. Boa sorte!

  45. Patricia Marguê Cana Verde Silva
    20 de janeiro de 2017

    Angústia que angústia…dor profunda… um berço vazio. Não sei como seria… Bom texto. Boa sorte!

  46. catarinacunha2015
    20 de janeiro de 2017

    MERGULHO de cabeça no lamaçal. Só encontrei a “angústia”, o conflito interno, na última frase; o que foi uma boa jogada. Uma baita depressão com IMPACTANTE autoflagelo. A construção é básica, simplória, deprimida e linear. Quero crer que foi proposital para passar o “climão”, logo um efeito especial.

  47. Luis Guilherme
    20 de janeiro de 2017

    Que triste! Pobre mãe.

    O texto tá bem emotivo e pesado, causou várias sensações, e acho que isso é um grande mérito.

    Acho que uma mãe que perde um filho nunca mais supera, né?

    Texto pesado, duro e emotivo, parabéns e boa sorte!

  48. Eduardo Selga
    19 de janeiro de 2017

    Às vezes o conto é ótimo porque nele há penumbras pedindo para serem alumiadas pelo leitor; ecos não sabemos exatamente de onde, mas audíveis. Noutras vezes ele é ótimo exatamente pelo contrário: tudo é de uma nitidez solar. A diferença é que há enredos que pedem sombra e outros, luz.

    Quando fica no meio-termo, costuma haver um gosto incipiente, uma sensação de falta.

    Acho que é o caso, aqui. O tema foi tratado das duas maneiras: claro até os dois últimos parágrafos, quando a penumbra se faz. Mas o suicídio (imagino que seja esse o tema) é resultado de um estado mental mórbido ou de algum desespero, o que provoca um comportamento sombrio, cheio de idas e vindas, ou, pelo contrário, uma decisão irrefreável, como entendo ter ocorrido no conto “Mergulho na escuridão”. Ambos os aspectos, juntos, me soa tão esquizofrênico quanto a personagem ter “se sentido bem” após o suicídio com Prozac e, ao mesmo tempo, ter se arrependido.

    No entanto, o Prozac é remédio usado contra a esquizofrenia, não apenas contra a depressão, e aí a coerência se faz.

    Pode ser, apesar disso, que ela não tenha se matado, e que, portanto, não haja relação esquizofrênica dela com o seu mundo. O “jamais se odiou tanto” pode ser um sentimento de punição por ter se aliviado da dor da perda do filho.

    Portanto, é um conto que segue uma vereda complexa (usar simultaneamente “colorações” opostas na linguagem), mas consegue, de modo parcial, dar conta do recado. Um melhor tratamento na linguagem seria necessário para tirar o insosso da boca do leitor.

  49. elicio santos
    19 de janeiro de 2017

    Texto bem elaborado. Forte. Nada otimista é verdade, mas arte é expressão, seja de que tipo for. Estará na minha lista. Boa sorte!

  50. Antonio Stegues Batista
    19 de janeiro de 2017

    Uma narrativa que vai revelando aos poucos todo um drama familiar. Foi bem escrito e mostrou a realidade de muitos casais. Só não gostei da falta de fé e a derrota para a Dor. Quando sai dela se arrepende?

    • mariasantino1
      19 de janeiro de 2017

      Talvez porque a dor humaniza ela, porque perder a dor faz dela uma mãe ruim, uma vez que é a morte do filho. Coisas de uma mente perturbada, de uma mãe perturbada (pelo menos foi assim que eu vi)

  51. Jowilton Amaral da Costa
    18 de janeiro de 2017

    Muito bom. Gostei de como foi conduzido, revelando aos poucos o motivo de tantas recomendações. O desfecho foi a cereja do bolo e nos faz sentir todo o sofrimento da família, mãe e pai, ao se perder um filho. Boa sorte.

  52. Tiago Volpato
    18 de janeiro de 2017

    Mesmo se sentindo bem ela se odeia. A força da depressão jamais pode ser subestimada. Conto forte e poderoso. Parabéns!

  53. Douglas Moreira Costa
    17 de janeiro de 2017

    Eita! Que conto maravilhoso, tem uma carga dramática gigantesca, tem muita coisa acontecendo ai e é contado com tanta sutileza. Eu gostei muito de “O algoz não poderia ser o salvador”, ela culpava Deus pela morte do filho? Se for isso que entendi, parabéns por colocar essa informação de forma tão brilhante. As descrições passam como cenas pálidas da casa quieta com um berço abandonado, um quarto vazio e sem vida, e a relação despedaçada do casal.
    Um dos melhores contos so far. Meus parabéns.

  54. juliana calafange da costa ribeiro
    17 de janeiro de 2017

    Uau! Q forte! Muito bem escrito, tem grande força psicológica, provoca um nó na garganta e no útero, trágico mesmo. Excelente conto. Gostei muito. Parabéns!

  55. Bruna Francielle
    17 de janeiro de 2017

    Um micro conto de drama
    Está bem escrito
    Só no fim, porém, fiquei com a pulga atrás da orelha.. a mãe teria tido alguma culpa na morte de bebê ?
    Não parece haver indícios disso no resto do texto
    Porque será q ela se odiou? Ficou a pergunta
    Talvez seja algum tipo de depressão, mesmo

  56. Leo Jardim
    17 de janeiro de 2017

    Minhas impressões de cada aspecto do microconto:

    📜 História (⭐⭐▫): uma triste realidade. Não conta o motivo da angústia, mas não faz falta, pois faz pensar. Dá pra perceber que tiveram uma perda, traduz do filho (o quarto ainda montado).

    📝 Técnica (⭐⭐▫): boa, não encontrei problema.

    💡 Criatividade (⭐▫): um tema comum.

    ✂ Concisão (⭐⭐): contou o necessário, acho que muitas explicações atrapalhariam o desenrolar.

    🎭 Impacto (⭐▫▫): apesar de ser um texto redondinho, não chegou a me impactar. É triste, mas infelizmente não chegou a me comover.

  57. mariasantino1
    17 de janeiro de 2017

    Cara, o que foi isso?

    Puxa vida, que inveja! O texto é pequenino em caracteres, mas é grande porque consegue contar o drama de uma vida toda, pautado na angústia. O sentimento angustiante está em cada sentença, em cada linha e não abandona o texto ao término da leitura, porque o leitor fica angustiado. Entendi que o bbzinho do casal morreu e a partir daí a vida tanto da mulher quanto do homem seguiu carreira abaixo, mas, veja só, no dia em que a dor a abandona ela se culpa. Lembrou-me Irvin Yalom, pela complexidade mental da mulher.

    Vou colocar o seu texto entre os meus favoritos.

    Boa sorte no desafio.

  58. José Leonardo
    17 de janeiro de 2017

    Olá, Indira.

    Relato enviesado, porém cruel, de uma perda. A atmosfera é de constante angústia, com nenhum paliativo fazendo efeito contra a inquietação de seu espírito. Deus é visto como algoz, uma vez que a raiva também vem de roldão na tensão psicológica e explode para qualquer lado.

    Texto bem escrito e que consegue, em poucas linhas, transmitir a incompreensão, a ineficiência no enfrentamento de um problema e o total sentimento de impotência.

    Boa sorte neste desafio.

  59. Marco Aurélio Saraiva
    17 de janeiro de 2017

    Forte… muito forte. Gostei. Este conto me pegou de surpresa. O fato que mais me tocou foi o ódio que a mãe sentiu por ter, finalmente, superado a perda. É um sentimento muito complexo, mas expressado aqui com maestria. Todas as palavras me pareceram muito bem escolhidas e em seu devido lugar, levando o leitor por uma jornada depressiva nos sentimentos de quem perde um filho recém-nascido.

    As fases pelas quais a mãe passa são reais. A fé, então a terapia e por fim, quando nada mais dá certo, os remédios.

    Muito boa reflexão e um texto muito bem escrito. Parabéns!

  60. Victor F. Miranda
    17 de janeiro de 2017

    Ótimo conto. Nem todos vão entender, mas está tudo aí. Nas palavras e nas entrelinhas. Parabéns.

  61. Bianca Machado
    17 de janeiro de 2017

    O título coube bem ao texto. E foi o que senti ao lê-lo. Essa mãe do conto infelizmente sofre a perda do filho de forma angustiante, não há dúvidas de que não vê saída para isso, apesar de procurá-la de diversas formas… Consegue passar nas palavras essa sensação. Lembrei de mim mesma porque passei por isso, a perda de um filho e fico aliviada por não ter seguido por esse caminho… Mas, de certa forma, cheguei a me odiar às vezes por conseguir me sentir bem, de continuar, apesar do que aconteceu. As pessoas julgam, sabe? Nem passa pela cabeça delas entender que eu precisava estar bem por ter outras filhas que dependiam de mim. Enfim, obrigada pela leitura e pelas reflexões.

  62. Fabio Baptista
    16 de janeiro de 2017

    Texto forte, bem escrito e com uma “ambiguidade” boa no final.

    Não é fácil a assimilação (pelo menos não foi pra mim, nessa maratona de leituras) e me exigiu três leituras que acabaram valendo a pena, pois algumas nuances passaram batido na primeira vez. Bem interessante essa questão de ficar triste (ou se odiar, no caso) por ficar bem, por ter “esquecido” o ocorrido, ou já não se importar o suficiente com ele (aqui, impulsionado pelo efeito do remédio).

    Bom conto!

    Abraço.

  63. Guilherme de Oliveira Paes
    16 de janeiro de 2017

    Achei excelente, carga dramática altíssima, linguagem clara mas com muita profundidade, irrepreensível na forma. Trata da morte como muitos outros contos, mas não da mesma maneira – a morte é realmente o pano de fundo sobre o qual se constrói uma narrativa mais independente; o foco é a dor da perda e não a perda em si. Possivelmente meu favorito até agora. Parabéns!

  64. Fheluany Nogueira
    16 de janeiro de 2017

    Que angústia mesmo! Narrativa cativante, as fases pelas quais a mãe passou no processo de recuperação da perda do filho, (o pai envolvido com o próprio sofrer). E, quando ela consegue alívio, mesmo através de medicamento, sente remorsos por acreditar que está se esquecendo da criança.

    Conto forte com pequenos deslizes formais embaçados pela emoção. Bom trabalho. Abraços.

  65. Ceres Marcon
    16 de janeiro de 2017

    Muito bom. Intenso. O sofrimento está quase palpável.
    Mesmo sendo clichê, a perda está bem trabalhada.
    E o final tem duplo sentido.
    Parabéns!

  66. Iolandinha Pinheiro
    15 de janeiro de 2017

    Adorei o seu conto, de verdade. Deus como algoz por ter matado o filho da protagonista e sendo assim, impossível salvador ficou perfeito. Lindo. Com o peito em caos ela procura saídas, mas se apega à dor, tanto que não desmancha o quarto do bebe, antes, mergulha nas lembranças que são suas mórbidas companheiras, então, quando finalmente ela tem algum alívio, ele é demonizado pela culpa. Como esquecer um filho morto? Como deixar de ser triste? Eu sei como é isso, tenho um filho. Parabéns, sua narrativa ficou bonita e o final foi surpreendente e brilhante. Estrelinha para vc.

  67. andré souto
    15 de janeiro de 2017

    A medicação parece ter liberado os demônios que querem falar.Um conto que narra uma depressão profunda,com maestria e objetividade,sem carregar nos adjetivos,o que é comum nesses casos.Gostei muito.Boa sorte.

  68. Tom Lima
    15 de janeiro de 2017

    É dessa intensidade que falo nos outros comentários!
    A culpa que aparece no final, todos os sentimentos que vem durante o texto, isso me agrada muito, mesmo sendo um conto que doí, sinto a dor da personagem e é isso que acredito que a literatura tem que fazer! Fazer sentir, se são dores ou alegrias não importa.

    Algumas frases me incomodaram, mas não atrapalharam.

    Muito bom, parabéns!

    Abraços.

  69. Evandro Furtado
    15 de janeiro de 2017

    O texto funciona como um drama social. A

    • Evandro Furtado
      15 de janeiro de 2017

      O texto funciona como um drama social. A narrativa é bem desenvolvida pelo autor, com uma cadência interessante bem desenvolvida pela pontuação e seu bom uso. O conteúdo é denso. O uso de sentenças curtas, mas cheias de significado, conseguem dar consistência à trama e aos personagens envolvidos.

      Resultado – Good

  70. Edson Carvalho dos Santos Filho
    15 de janeiro de 2017

    História que faz refletir o quanto queremos facilidade para esquecer nossas dores. Nesse sentido é positivo. Mas contos depressivos não fazem muito meu gosto.

  71. Fernando Cyrino
    15 de janeiro de 2017

    Nossa, achei bacana a história. Gostei do conto. Está bem redigido e a narrativa flui bem me levando para a surpresa final. Parabéns pelo seu belo conto, sucesso.

  72. Olisomar Pires
    14 de janeiro de 2017

    Bom conto. Fala sobre a perda de um filho pequeno, a revolta e dor consequentes.

    Bem escrito, com boa escolha das sequências: fé, terapia, medicamentos.

    O entorpecimento pelos remédios alterou sua dor, mas não a resolveu e, lógico, não resolverá esse tipo de questão.

    Quanto à estética notei um pequeno entrave no trecho “apenas QUE QUEria morrer” , soou feio, mas isso acontece o tempo todo, não tira o brilho do conjunto.

    Bom conto.

  73. Andre Luiz
    14 de janeiro de 2017

    Um conto emocionante e recheado de emoções tristes. Infelizmente, a realidade exposta em seu texto é vivenciada por muitas pessoas no mundo, que necessitam apenas de uma mão que as ajude a se reerguer. Você tocou fundo, Indira.

    -Originalidade(8,0): Um tema interessante, não necessariamente inovador, mas apresentado de uma forma inteligente.

    -Construção(8,0): Você evoluiu o conto ao passar das sentenças, e fez com que o leitor se envolvesse mais e mais na história. O final é triste e reflexivo, e foi muito bem moldado.

    -Apego(8,5): Como não se apegar à personagem? É só isso que tenho a dizer.

    Parabéns pelo conto!

  74. angst447
    14 de janeiro de 2017

    Triste isso! A depressão mais do que justificada pela perda do bebê. A falta de esperança em um amanhã que parece totalmente sem sentido. O marido voltou-se para a bebida, a mulher para a fé e os medicamentos. Não encontrou alento nas orações, já que acreditava que Deus havia levado seu filho, logo ele era o seu algoz e não seu salvador. Como não se revoltar neste momento de dor tão grande?
    O conto está bem escrito, focado nos sentimentos e reações da protagonista. Ela não suporta o alívio da própria dor, pois se sente culpada por qualquer melhora – se o seu bebê não estava ali, a culpa também era dela (as mães sempre têm um quê de culpa) e ela não deveria parar de sofrer.
    Triste, denso e provocante. Tô te odiando no momento, mas vai passar, autor.
    Boa sorte!

  75. Brian Oliveira Lancaster
    14 de janeiro de 2017

    GOD (Gosto, Originalidade, Desenvolvimento)
    G: Tem um subtexto bastante provocante neste enredo. Fala sobre a fé cega, pelo que entendi, além de demonstrar o dia a dia de quem luta com depressão. Mas, para isso, o leitor precisa saber o que é Prozac, um remédio anti-depressivo bem comum – gosto desses detalhes à mais, pena que nem todos se esforcem para fazer uma pesquisa. – 9,0
    O: Uma reflexão interessante, mas o que chamou a atenção foi justamente o não dito. A pessoa preferia que a fé a curasse, mas vendo que isso não funcionava, voltou-se para o remédio prescrito. Um bom cotidiano sem grandes pretensões, mas que prende a atenção. – 9,0
    D: O desfecho caiu bem ao que vinha sendo construído. – 9,0
    Fator “Oh my”: esse vai pra minha lista, não está no topo, mas a construção angustiante (título) salta aos olhos.

  76. Priscila Pereira
    14 de janeiro de 2017

    Oi Indira, pra mim que sou mãe de um bebê de um ano, seu conto foi bem desconfortável, incômodo mesmo. Não gostei, em especial, da frase: “Começou pelo conselho do sacerdote, mas Deus não aquietou sua alma. Deveria saber. O algoz não poderia ser o salvador.” Porque a culpa tem que ser de Deus? Mas deixando essas coisas de lado… o conto está muito bem escrito, é forte, tem consistência, você fez um ótimo trabalho. Parabéns!!

  77. Virgílio Gabriel
    14 de janeiro de 2017

    A dor da perda de um filho deve ser horrível. E o texto passou com perfeição esse sofrimento. O melhor é que o conto vai ficando mais intenso a cada frase, até o auge. Parabéns, ótimo trabalho.

  78. Nina Novaes
    13 de janeiro de 2017

    É de uma tristeza poética.

    A construção foi muito bem feita. O berço frio chega machuca. Me lembrou a relação de dor do filme “anti-cristo”. Não tem necessariamente nada a ver na construção, mas na dor pós-perda. No luto eterno.

    Me lembrou também outros filmes que vi do gênero onde existe culpa em se sorrir ou em minimamente se sentir bem. E é verdade, o lamento eterno é só o começo. 😦

    Ótimo conto, parabéns. 🙂

  79. Evelyn Postali
    13 de janeiro de 2017

    À medida que se lê, vai se redobrando a angústia. Ela cresce com o conto. Ela cresce e quase afoga. Mergulhamos até onde não se pode sentir. A parte mais dolorosa é sempre aquela na qual se sente culpa por deixar de sentir, ou se sentir bem, mesmo que por um momento. A vida segue e não há o que se fazer a não ser morrer um pouco a cada dia até o final dos dias. Bem escrito. Bem ambientado.

  80. Zé Ronaldo
    13 de janeiro de 2017

    Perfeição em forma de microconto. Aberto, não entrega de bandeja o seu significado, o leitor tem que ir juntando as peças do quebra-cabeça. O tema é profundo e doloroso. As etapas pelas quais passa a personagem são muito bem retiradas do mundo real. A sentença final é paradoxa e potente: verdadeiro murro na cara. Para uma mãe nessas condições, o repouso do espírito é inviável, por não quererem. Muito, mas muito bom mesmo!

  81. Anorkinda Neide
    13 de janeiro de 2017

    Ahh que pena. É instituído que as mães sofram eternamente se o filho morre.. é um desconhecimento completo sobre o que é a morte, enfim… um conto bonito, denso e emocionante.
    Parabens

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Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .