EntreContos

Literatura que desafia.

Angústia (Leandro Barreiros)

O terapeuta recomendou que escrevesse sobre o trauma. O psiquiatra receitou Prozac. O padre, orações. Começou pelo conselho do sacerdote, mas Deus não aquietou sua alma. Deveria saber. O algoz não poderia ser o salvador.

Então escreveu, dia após dia. Escreveu sobre a inércia na cama, sobre o berço frio; a quantidade de garrafas que o marido passou a consumir; a falta de apetite, a incapacidade de desmontar o quarto. Mas, no fim, escrevia apenas que queria morrer.  

Passou para as pílulas. Finalmente, uma noite o Prozac fez com que se sentisse bem.

Jamais se odiou tanto.

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84 comentários em “Angústia (Leandro Barreiros)

  1. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Achei bem triste, o texto ficou bom. Boa sorte.

  2. Victória
    27 de janeiro de 2017

    Gostei bastante do conto. A narrativa é muito boa, a escrita competente e consegui entender perfeitamente a angústia da personagem. Em que pese seja até normal depender de remédios hoje em dia, ainda assim é um tanto triste precisar deles para se sentir bem. Parabéns.

  3. Remisson Aniceto (@RemissonA)
    27 de janeiro de 2017

    OI, Indira. Como vai? Adorei como você foi unindo os retalhos, alinhavando os pedaços para tecer um conto tão bom. Alguns caminhos para escolher e, para não se decepcionarcom um apenas, passar por cada um deles para chegar ao objetivo. A vida é louca, nós somos loucos, a loucura é inerente ao ser humano. Abraço e boa sorte.

  4. Lohan Lage
    27 de janeiro de 2017

    Puta final. Que recorte fantástico de um acontecimento tão trágico.
    Obrigado, autor(a)!

  5. rsollberg
    27 de janeiro de 2017

    Uma mãe que perdeu o filho e não consegue aceitar o “destino escolhido por Deus”. Talvez, se tivesse rezado pelo prozac teria sido atendida com maior presteza. Talvez até alguns outros demiurgos de uma farmácia próxima. Contudo, como a dor era a sua cruz, a lembrança de tudo, ela jamais se perdoaria pelo alivio proporcionado. Triste, forte e real.
    Parabéns pela ideia e pelo conto!

  6. Estela Menezes
    26 de janeiro de 2017

    Apreciei muito a maneira com que você vai desdobrando a história, seguindo a trajetória absolutamente realista da personagem, a cada passo revelando mais um dado, oferecendo mais uma explicação coerente, até um final que, ainda assim, nos surpreende! Um dos contos cuja técnica mais apreciei. Já está na lista.

  7. Lee Rodrigues
    26 de janeiro de 2017

    Sabe, Indira, o vazio da sua personagem chega a ser uma dor física, que apesar de angustiante (como já avisa o título), foi evoluindo calmamente.
    Um enredo com progresso coerente, que apesar de não ter reviravoltas no fechamento, nos fisga pela empatia.

  8. Fil Felix
    26 de janeiro de 2017

    Bom conto sobre depressão, a dor da perda e como lidar com ela. O autor consegue colocar três camadas muito interessantes, destaco a pequena crítica a se apoiar em Deus, quando ele mesmo foi o responsável (ou seria) pela tristeza. Escrever sempre ajuda, mas nada como um remédio pra simplesmente fazer a dor ir embora, nem que momentaneamente, e se sentir “feliz”. Um mal dessa nossa sociedade contemporânea, não saber lidar com a própria dor, sendo mimada “farmaceuticamente”. Muito legal.

  9. Gustavo Aquino Dos Reis
    26 de janeiro de 2017

    Achei excelente.

    Só aplausos para esse trabalho.

    Duro como a vida. Sem sentido como a morte.

    Parabéns

  10. Sra Datti
    26 de janeiro de 2017

    Quanta ideia pode caber numa caixa tão pequena! Uma vida arrastada, a dor da perda do pequeno, angústia sem fim, ai que inferno na alma!: Outra morte em vida.;; Ai,.. que a arte da escrita não se faz de alegrias…Dores se transformam em arte: pergunto se pela facilidade, se pela matéria que adentra porta a dentro de nosso ser e vai arrastando tudo.
    Boa escrita que desperta um furacão intenso de emoções…
    Apreciado.

  11. Simoni Dário
    26 de janeiro de 2017

    Um texto triste, porém excelente. Transmitiu com mestria o sentimento dos personagens envolvidos na trama.
    Bom desafio!

  12. Rubem Cabral
    26 de janeiro de 2017

    Olá, Indira.

    Um conto muito bom e extremamente triste. Pelo que entendi, o bebê da mulher em questão morreu e ela luta contra o próprio luto. O remédio finalmente a ajuda, mas ele se odeia ao se sentir melhor.

    Nota: 9.

  13. Pedro Luna
    26 de janeiro de 2017

    Acredito que o fim se refira ao fato de que até a tristeza consegue se enlaçar a uma vida, e quando ela partem há quem sinta sua falta. Gostei principalmente dessa reflexão: O algoz não poderia ser o salvador..

    Uma reflexão simples, mas que não passa na cabeça de muitas pessoas. Irônico demais essa vida e nossas crenças. Gostei do conto.

  14. Felipe Teodoro
    26 de janeiro de 2017

    Angústia muito bem narrada. As consequências da morto de filho(a) foram muito bem descritas. Gosto do jogo que o autor faz, construindo todo o desenvolvimento do conto já nas primeiras linhas. Achei muito bem escrito e com um ótimo desfecho, apesar de extremamente triste. Mas me parece, que os melhores textos são esses, que exteriorizam nossas dores, sejam elas reais ou ficcionais. Sorte!

  15. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    25 de janeiro de 2017

    Olá Indira,

    Tudo bem?

    Mais que sobre angústia, seu texto é sobre depressão. Um mal profundo da alma, do cérebro, da falta de substâncias nele, mas, mesmo quando repostas via medicação a dor continua lá, latente. E você descreveu esse quadro muito bem.

    Nada aquieta um coração deprimido.

    Em seu caso, você colocou a escrita como possível caminho de solução. Ainda assim, nada amainou a dor da personagem.

    Um conto bem escrito e elaborado.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  16. Srgio Ferrari
    25 de janeiro de 2017

    Vi o titulo: Angustia. Já apertei os olhos, pensei: Lá vem chatice.

    BATATA!

    Mais cor por favor, escritor(a)

  17. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    E o Prozac fez com que ela parasse de escrever? Resolveu o problema do marido? Segundo o texto, era o segundo conselho da lista de três. Depois, ela tentou as orações do padre? Na parte técnica, acho que faltou uma amarra entre esses três remédios, começando pela oração, passando pela escrita e chegando no Prozac (que nem é um remédio tão forte assim, já existem outras drogas mais efetivas). E fica a pergunta: por que se odiou tanto? Porque a escrita dependia da tristeza? Ou porque não precisaria mais morrer, agora que o remédio fez efeito? Não sei, não compreendi a essência.

  18. Cilas Medi
    24 de janeiro de 2017

    Desolador. Um conto recheado de angústia, sim, parodiando o título, com um gosto amargo na solidão e imensidão da dor. Aconteceu a morte com o Prozac?

  19. vitormcleite
    24 de janeiro de 2017

    texto bem escrito mas que não me entusiasmou, talvez por ter muito dramatismo, este texto está demasiado carregado de cinzento

  20. Davenir Viganon
    24 de janeiro de 2017

    Bem direto e angustiante, como o título adianta. Uma espiral foi desenhada nessas linhas sem final feliz, nem esperança, ao menos no momento que compreende o conto.

  21. Miquéias Dell'Orti
    24 de janeiro de 2017

    Oi,

    Eu sou particularmente suspeito para tecer comentários sobre esse texto por que uma grande amiga minha perdeu recentemente a filhinha e eu acompanho com um aperto no coração a dor e o sofrimento dela e do marido. Não é nada fácil.

    Tudo se resumia à menina e, de repente, vazio. Até a união do casal se desestabiliza, é muito triste de ver. Ler sobre, então, nessas circunstâncias, me dá um aperto forte no peito.

    Isso é ponto para o autor, que soube colocar o tema de forma perfeita para o leitor imergir na história. Talvez se ele estivesse escrito de outra forma, não teria me remetido a essas sensações.

    Parabéns.

  22. Laís Helena Serra Ramalho
    24 de janeiro de 2017

    Gostei muito do conto, especialmente do final (ainda que seja um final bem triste). Está muito bem escrito, e me fez imergir na história e na personagem. Só me incomodou o uso do ponto e vírgula alternando com a vírgula, porque não vi necessidade. Acredito que só usando a vírgula ficaria melhor.

  23. Vitor De Lerbo
    24 de janeiro de 2017

    Pesadíssimo. O luto tem uma espiral negativa tão grande que até sentir-se bem por alguns momentos parece ser um pecado. Conto brutal, psicologicamente perfeito e muito bem escrito.
    Parabéns e boa sorte!

  24. Andreza Araujo
    23 de janeiro de 2017

    A narrativa é clara, profunda e comovente. A mulher se culpa de alguma forma pela perda do filho, e a gente fica sem saber se ela realmente tem ou apenas pensa se culpa. Claro que isto é apenas uma divagação, saber essa informação não é relevante para o conto. O título se adequou perfeitamente, e o final tem um contraste nas ideias (ódio X felicidade) que deixa a gente pensando. Parabéns, ótimo trabalho.

  25. Mariana
    23 de janeiro de 2017

    O desespero da ausência da criança. Um soco no estômago… As mães, ah, as mães… Sempre carregando o peso de tudo. Parabéns, o conto é comovente

  26. Sabrina Dalbelo
    23 de janeiro de 2017

    Texto denso, sobre algo extremamente triste, talvez a maior tristeza que alguém pode sentir: a perda de um filho.
    A narrativa foi muito bem, fluida, clara e interessante.
    Que perda horrível o texto retrata… quanto sentimento e mágoa envolvidos!
    Parabéns.

  27. Givago Domingues Thimoti
    23 de janeiro de 2017

    Triste e profundo. Foi incrível como, em poucas palavras, você conseguiu despertar em mim, uma certa simpatia, misturada com pena, pela personagem.
    Parabéns e boa sorte!

  28. Amanda Gomez
    23 de janeiro de 2017

    Olá,

    Bem o título define muito bem o conto. Retrata a angustia de uma pessoa, uma mãe que perdeu o filho. Dá um vislumbre de como anda sua vida, como o marido também está destruído.

    Achei as descrições muito boas, as cenas fortes. A descrença dela em Deus, quando diz que algozes não podem ser salvadores, demonstra que ela realmente não tem mais nenhum fio de esperança em voltar a viver. O texto toda retrata bem a rotina, as idas ao médicos, a necessidade de buscar um alivio.. e quando finalmente consegue, a sensação é pior. Devia sentir que estava traindo seu luto, por acalentar aquela dor, pois essa é uma prova viva da existência do seu filho.

    Forte, profundo…comovente. Acho que o autor conseguiu o objetivo.

    Boa sorte no desafio!

  29. Luiz Eduardo
    23 de janeiro de 2017

    Triste, mas profundo. Gostei da maneira como a personagem foi apresentada, me pareceu real. Parabéns, boa sorte!

  30. Thata Pereira
    23 de janeiro de 2017

    O que mais gostei do conto é que não chegamos nem a saber se o filho nasceu. Berço passa a ideia de criança, ou ele era novinho ou nem chegou a nascer.

    É um belo conto e muito bem escrito. Minha única sugestão é que a palavra “jamais” me incomodou um pouco, pois me passa a impressão que o conto foi escrito após a morte da mulher (ainda mais que o conto fala sobre essa vontade). Não sei muito bem como explicar: jamais me passa a ideia que o ciclo fechou e não há mais outras possibilidades porque tudo acabou.

    Eu apenas trocaria essa palavra, tirando isso, ótimo conto!

    Boa sorte!!

  31. Thayná Afonso
    23 de janeiro de 2017

    O que mais achei triste foi a personagem ter se odiado por finalmente conseguir se sentir bem. Algumas perdas são tão intensas e doloridas que não nos achamos no direito de voltarmos a nos sentir bem. Conto muito bem escrito, eu gostei bastante. Parabéns!

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Informação

Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .