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Literatura que desafia.

O Cemitério sem Fim – Os Que Perseguem Suas Caudas AKA O Cemitério sem Saída II (Ricardo de Lohem)

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Uma Microtetralogia

PROSPERO

 

Os cemitérios são as cidades dos que não mais existem. Odeio esses antros de finitude, só vim neste para o enterro de William. Depois de caminhar por uma neblina, finalmente cheguei, mas era tarde demais: tudo já havia terminado. Vestida de preto, lá estava a viúva.

Lenora.

Cheguei no cemitério na hora certa, mas me perdi dos outros: nunca vi um cortejo caminhar tão rápido, como se o morto tivesse pressa em alcançar a eternidade.

Lenora fez gestos para que eu a siga. Caminhamos até nos afastarmos dos outros. Constrangido pelo silêncio, falei o que me veio:

– Ele foi feliz.

A viúva parou de caminhar, eu a imitei. Ela perguntou:

– Prospero, foi mesmo um acidente?

– Claro, por que essa pergunta?

– Ele me contava tudo. Sabe o que quero dizer? Eu sei dos problemas na empresa, das brigas…

– Lenora, vou ignorar essas insinuações, você está perturbada. William era o meu melhor amigo, você sabe disso.

Para minha surpresa, do nada ela apontou um revólver para mim.

– Ficou louca? – disse eu, assustado.

– Prospero, você matou meu marido? Fale!

– Juro que não! Por favor, pare com isso!

– Se não foi você, quem foi? Fale!

O ruído de um tiro cortou o ar.

– Lenora! – gritei com toda a força.

Caída no chão, em vez de pedir socorro, ela fez algo muito estranho para quem estava com a vida em perigo: tirou um caderninho do bolso, pequeno como um bloco de notas, e um lápis, escreveu alguma coisa e guardou tudo com cuidado. Não entendi nada, não tentei entender. Peguei Lenora nos braços e fui atrás de socorro.

Por mais que andasse, não encontrei ninguém. Lenora tinha perdido a consciência, eu não conseguia mais sentir a respiração dela. Sentei com a cabeça tonta, acabei adormecendo.

 

*****

Acordei bem disposto, apesar de ter dormido num cemitério. Odeio esses lugares! Os cemitérios são as cidades dos que não mais existem. Odeio esses antros de finitude, só vim neste para o enterro de William. Depois de caminhar por uma neblina, finalmente cheguei ao local, mas era tarde demais: o enterro já havia terminado. Vestida de preto, lá estava a viúva.

Lenora.

 

CAMILA

 

O tempo é uma linha reta do nascimento ao túmulo. Que importa como William morreu? Ele está morto, pronto, não se fala mais nisso. Lenora acha que o conhecia muito bem: nem sabe quanto está iludida… É só ninguém falar nada! Acho que posso confiar em Prospero… Não posso dizer o mesmo do meu marido. Falando nisso, onde foi parar esse idiota?

– Estou aqui – disse Julius, aparecendo de repente.

– Shhhhhh! – respondi, irritada. Escondida pelo mato, eu observava eles conversarem.

Lenora e Prospero.

Lágrimas escorriam pela face de Julius.

– Que foi? – perguntei.

– Meu irmão morreu! Eu amava ele.

– Agora não temos tempo pra isso. Veja!

Ele olhou para os dois com cara de idiota.

– Do que eles tão falando?

– Não sei. Se Prospero contar tudo, é o fim.

– Ele não vai contar!

– Vamos atrás deles! – disse eu.

Começamos a seguir os dois.

Lenora apontou uma arma para Prospero. Julius se apavorou, quis fugir, deixei. Covarde!

Prospero não pode contar. Não pode! Eu também tenho uma arma.

 

*****

 

Não podem me ver com essa arma… Eu vagava pelo cemitério pensando o que fazer quando Julius apareceu de repente na minha frente.

– Que é isso?! – ele balbuciou, olhos arregalados.

– Pegue! – ordenei. Julius sempre me obedece. – Suma com isso!

E se ele não sumir direito com a arma? Dane-se! Não vão achar minhas digitais.

Eu usava luvas.

– O que você fez?! – perguntou Julius, apavorado.

– Matei Lenora.

Ele saiu correndo. Caminhei até me acalmar. De repente, tudo estava bem. Andei até que vi que não estava sozinha; me escondi atrás de uma moita pra ver quem era sem ser vista.

– Estou aqui – disse Julius, aparecendo de repente.

– Shhhhhh! – respondi, irritada. Escondida pelo mato, eu observava eles conversarem.

Lenora e Prospero.

 

JULIUS

 

A morte é a ausência irreversível da presença. O que eu queria é meu irmão vivo. Vivo! Não era pra nada daquilo ter acontecido. Não tive culpa!

Preciso me livrar da arma. Jogo por aqui mesmo? Não: ainda está muito perto…

Caminhava eu em busca de um local para desovar aquela ferramenta de morte, quando, de trás de uma árvore, surgiu ela.

Lenora.

– Lenora, você está viva! – gritei, assustado.

Ela me olhou com raiva e apontou uma arma pra mim.

–Jogue isso longe!

Obedeci.

– Julius, por que você atirou em mim?

– Não fui eu! Foi Camila!

– Por quê?

– Me desculpe, não posso contar, pergunte pra ela, por favor…

– Estou perguntando pra você!

– Por favor, não posso te contar, não suportaria o olhar dela!

Fiquei de joelhos e chorei.

– Você é um fraco, Julius. Responda só uma coisa: Camila sabe alguma coisa sobre a morte de William?

Não pude negar: fiz que sim com a cabeça.

– Talvez da próxima vez você fale mais. Agora vá! Sai da minha frente!

Andei pelo cemitério até avistar Camila. Ela estava atrás de uma moita, espiando algo.

 

*****

 

Eu amava William. O que eu mais queria é que meu irmão estivesse vivo; não era pra nada daquilo ter acontecido. Eu não tive culpa!

Preciso me livrar da arma. Jogo por aqui mesmo? Não: ainda está muito perto…

Caminhava eu em busca de um local para desovar aquela ferramenta de morte, quando, de trás de uma árvore, surgiu ela.

Lenora.

LENORA

 

Os bebês deveriam nascer nos cemitérios: talvez assim as pessoas percebessem que a vida e a morte podem formar um círculo, em vez de uma linha reta.

William era a alma de minha alma. Ele era a razão do meu sentir, pensar e viver. Amor é uma palavra fraca demais para exprimir a força que nos une. Só existo para descobrir a verdade. Não foi acidente! Vou descobrir o que aconteceu, de qualquer jeito, e já sei quem acho que vai me contar tudo.

Cadê ele? Estava com a gente há pouco… Chegou. Atrasado, como sempre.

Prospero.

Passei por ele e fiz gestos para que me seguisse. Caminhamos até nos afastarmos dos outros.

– Ele foi feliz – disse ele, de repente.

Palavras vazias de quem nada tem a dizer. Ou quer esconder o que sabe. Peguei meu caderno e li minha última anotação. Então disse:

– Prospero, me siga, não saia de perto de mim!

Corri meio em ziguezague. Parei em frente a uma árvore; em volta, arbustos. Impossível nos observarem de longe. Ofegante, Prospero quis falar algo, eu fiz:

– Shhhhhh!

Pequenos sons e movimentos numa moita próxima. Puxei a arma.

– Saia com as mãos pra cima!

Camila apareceu, com a cara cínica de sempre.

– Comece a falar. O que você sabe da morte de Wiliam?

Ela sorriu e gritou:

– JULIUS!

Ele apareceu com uma arma na mão, tremendo de medo de usá-la, mais medo de desobedecer a mulher.

Só pude rir.

– Julius, você nunca teria coragem. Solte essa arma, senão te mato.

– Por favor, não atire! – pediu ele, choramingando.

Covarde.

Atirei na cabeça. Ele caiu. Camila se lançou sobre a arma que caiu da mão dele; atirei de novo, errei.

 

*****

 

Acordei confusa. Deitada no chão, o que houve… Lembrei! Estava tudo no meu caderno. Nem sempre me lembro; nem sempre ainda está lá.  Cedo ou tarde vou descobrir que aconteceu com William. Tenho tempo: todo o tempo.

Mas… E se já descobri? Impossível! Eu nunca esqueceria.  Levada por um impulso, virei a página seguinte do caderno, lá estava escrito:

 

Descobri tudo!

Não posso esquecer.

NÃO ESQUEÇA!

 

Meu riso patético se misturou com lágrimas. Andei sem rumo até me acalmar. De repente, tudo estava bem. Andei mais um pouco e cheguei ao local do enterro. Estão todos, menos com quem quero falar primeiro, quem acho que vai me contar tudo. Cadê ele? Estava com a gente há pouco… Chegou. Atrasado, como sempre.

Prospero.

 

O FINÍCIO

 

Prospero, Camila e Julius estavam às portas do cemitério.

– Por que tinha que ser esse cemitério? – perguntou Camila.  – Fica tão longe…

– Ela fez questão – disse Prospero.

Por um instante eles hesitaram.

– Vamos logo! – disse Camila.

Entraram. Após alguns passos, um arco de passagem. Parecia antigo, marcado com símbolos. No topo, se podia ver um círculo formado por uma cobra mordendo a ponta da própria cauda.

Além do arco, Lenora aguardava.

 

*****

 

O cortejo seguia, quando apareceu um cachorro vira-lata. O cão resolveu cismar com a própria cauda. Sem piedade, perseguiu sua própria extremidade como se fosse seu maior inimigo. Ou sua mais deliciosa presa. Logo a vontade passou, a brincadeira perdeu a graça e a criaturinha seguiu alegre seu caminho.

– Que animal idiota! – disse Camila, com desprezo.

– Será mesmo? – disse Lenora. – Eu acho que os animais podem, às vezes, ser mais espertos que nós.

Camila fez cara de desprezo.

– Por acaso você já viu alguém perseguir a própria cauda?

Lenora respondeu:

– Já. Muitas vezes nós perseguimos nossas próprias caudas, como os animais. A diferença entre nós e eles é que eles sempre sabem a hora de parar.

Eles sempre sabem.

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67 comentários em “O Cemitério sem Fim – Os Que Perseguem Suas Caudas AKA O Cemitério sem Saída II (Ricardo de Lohem)

  1. Fil Felix
    14 de outubro de 2016

    Buguei AKA Deu Tilt AKA Erro 404

    GERAL

    O ponto principal deste conto é sua estrutura. Aposta na simbologia do Ouroboros para entregar uma história focada no looping eterno, na repetição dos momentos. Pessoas presas num cemitério sem fim que (talvez e aí é puramente especulação) estão condenadas a refazerem esse dia pela eternidade. Nesse aspecto, o conto é interessante e foge totalmente dos clichês do tema cemitério. Até mesmo foge dos clichês que envolvem esse estilo narrativo, enganando o leitor que imagina que a cena é contada por diferentes ângulos. Ela é, na verdade, contada em diferentes versões. Com diferentes finais. Não é uma novidade, mas é menos usual. Corra Lola Corra e Os 7 Suspeitos (meu preferido) são filmes que trabalharam essa questão das múltiplas escolhas.

    ERROR

    Achei o modo como desenvolveu um pouco confuso. Muitas divisões e repetições de parágrafos inteiros que poderiam ser utilizados para outro fim. Também achei um pouco forçado repetir a todo momento a fonte de inspiração. O próprio título e imagem já sugerem o looping, acho que não precisaria reforçar dentro do texto então. Gostaria de ter curtido mais, as pessoas sacando as armas ficaram ótimas, me lembraram os filmes mais antigos do Almodovar.

  2. Daniel Reis
    14 de outubro de 2016

    26. O Cemitério sem Fim – Os Que Perseguem Suas Caudas AKA O Cemitério sem Saída II (Edgar O Corvo)
    COMENTÁRIO GERAL (PARA TODOS OS AUTORES): Olá, Autor! Neste desafio, estou procurando fazer uma avaliação apreciativa como parte de um processo particular de aprendizagem. Espero que meu comentário possa ajudá-lo.
    O QUE EU APRENDI COM O SEU CONTO: experimentalismo narrativo em múltiplos pontos de vista – não necessariamente é um recurso original, mas que pode ser bastante inventivo, tal como o Autor prova aqui. O texto tem camadas de citações e referências, mas os diálogos são diretos, brutos, algumas vezes até inesperados.
    MINHA PRIMEIRA IMPRESSÃO SUBJETIVA DO SEU CONTO, EM UMA PALAVRA: Loopado.

  3. Jowilton Amaral da Costa
    13 de outubro de 2016

    Achei o conto médio. A leitura é fácil e simples, destoando do pomposo título. Ganha pontos pela originalidade e perde por conta da confusão, ao menos para mim, que ficou na minha cabeça após o término da leitura. Fiquei sem entender os acontecimentos. Se vou ler dez vezes para entender? Eu mesmo respondo: Infelizmente não. Tem mais tantos outros para ler e comentar. boa sorte.

  4. Anderson Henrique
    13 de outubro de 2016

    Achei o texto confuso na primeira leitura, mas fez sentido na segunda. Acho bacana o recurso das camadas, a literatura que vai se desdobrando nas releituras. Meus autores preferidos (Borges é um exemplo) possuem essas características. Ponto positivo.

    Vamos às minhas interpretações, que podem estar equivocadas. Logo no primeiro bloco, Lenora é assassinada, mas deixa um recado para quando “despertar”. Mais para frente, o recado é revelado, mas ele não parece dizer muita coisa. Diz basicamente “não esqueça do que descobriu”. Mas o que exatamente ela descobriu, e por que isso não está anotado no caderno? O leitor já sabe a verdade nesse ponto da revelação, mas se o objetivo era anotar algo para seu retorno, por que escrever uma mensagem tão vaga? Se nessa “dinâmica do retono” a memória não é preservada (por isso a necessidade de anotar), a mensagem não poderia ser vaga, certo?

    Outro ponto que gostaria de abordar: qual o objetivo de Lenora? Ela queria apenas descobrir a verdade ou também deseja se vingar? Como não fica claro qual é o gatilho para o retorno (Leonora tem o controle?), vingar-se ali no cemitério pode não ter efeito, uma vez que haverá um novo retorno. Talvez a resposta esteja no cão, que sabe quando parar de perseguir a cauda. Lenora saberá quando interrromper o ciclo? Ou será que ela está nesse looping só para descobrir a verdade, mas irá se vingar apenas posteriormente? São questionamentos interessantes, mas que acho que ficaram sem resposta por faltar clareza à dinâmica do cemitério (posso simplesmente não ter entendido). Talvez se o “mecanismo” fosse claro, seria mais fácil buscar um desfecho, mesmo que ele ficasse para o leitor fazer. De qualquer forma, gostei d+. O que fiz como leitor foi preencher essas lacunas (apesar de achar que algumas poderiam estar explícitas) e completar o texto à minha maneira. Muito bom.

  5. Bia Machado
    12 de outubro de 2016

    Tema: Totalmente adequado ao desafio.

    Enredo: Um enredo muito interessante, criativo em sua estrutura e isso foi positivo. Porém, acho que pecou pela rapidez com que tudo foi surgindo na trama. Queria ter saboreado mais essa história, esse verdadeiro drama de folhetim, mas não houve tempo, o ritmo apressado me levou mais rápido do que eu queria ter ido na leitura.

    Personagens: Interessantes, me deixaram curiosa, porém, não foram desenvolvidos o suficiente justamente por conta da rapidez da narrativa.

    Emoção: Gostei do texto, me despertou curiosidade, mas não me senti cativada o tanto quanto gostaria.

    Alguns toques: Eu gostaria de ver essa trama mais desenvolvida, os personagens mais bem delineados. Valeu a leitura!

  6. Luis Guilherme
    11 de outubro de 2016

    Amigo Corvo, boa tarde!
    Achei que o texto ficou na linha divisória entre pretensioso e brilhante. É bem claro que o autor domina absurdamente a escrita e a fluência do texto. O enredo é bom e um tanto intrigante, e deixa (acho que propositalmente) várias dúvidas no ar.
    Além disso, o capricho e dedicação ao conto são palpáveis.
    Tudo isso, pra mim, compensam uma certa pretensão velada no texto. Enfim, muito provavelmente vai figurar no top 10.

  7. Simoni Dário
    10 de outubro de 2016

    Olá Edgar

    O conto é divertido, lembrei do jogo “Detetive”em vários momentos.

    O texto deixa a curiosidade aflorada e termina com uma bonita simbologia. Tem cara de sessão da tarde, um excelente quebra-cabeça que vale o entretenimento. Gostei.

    Bom desafio.
    Abraço

  8. Gustavo Castro Araujo
    9 de outubro de 2016

    Um conto bem engenhoso na estrutura, em que diferentes pontos de vista da mesma história demonstram como os fatos podem ser interpretados de formas diversas dependendo de quem os testemunha. Nesse aspecto, o autor ganha pontos pois consegue emular diferentes personalidades sem parecer artificial. Bem sacado também o final, que na verdade une o arremate ao início da narrativa, com a alusão à cobra e ao cachorro. É só no fim que se percebe a exatidão do título (ou títulos), eis que a história jamais termina, ou se preferir, os personagens jamais deixarão o cemitério. Como pontos negativos, notei certo desleixo com algumas concordâncias, além da necessidade quase fundamentalista demonstrada pelo autor em identificar sua fonte de inspiração. Também não me afeiçoei aos personagens, apesar das diferentes características apresentadas.

    No geral, em todo caso, trata-se de um conto criativo, no estilo quebra-cabeças, que foge à linearidade e que, se por um lado cativa o leitor pela estrutura, falha ao se revelar raso na construção dos protagonistas.

  9. vitormcleite
    8 de outubro de 2016

    Estrutura do texto original e merecedora da nossa atenção, embora, na minha opinião, sem força para agarrar o leitor. Apesar de bem escrito faltou algo, talvez uma trama mais forte, ou uma melhor escolha de palavras para produzir mais impacte na leitura. Será de repetir a experiência, mas sem limite de tempo nem de palavras, para ver se o resultado melhora. Caso faças essa revisão ao teu texto gostaria muito de o voltar a ler. Parabéns.

  10. Marcelo Nunes
    7 de outubro de 2016

    Olá Corvo. Boa escrita e a leitura não foi travada, foi fluida até o final. Gostei da forma que estruturou o texto.

    Gostei da ambientação e dos detalhes. Em alguns momentos dava para sentir a emoção nos personagens. Mas a confusão mental venho forte, tentei ler mais uma vez e desisti. “Fatal Error” na memória. Confusão se repetiu. Rsrsrsrs

    Boa sorte no desafio.

  11. Pétrya Bischoff
    5 de outubro de 2016

    Olá, Corvo! Creio que eu tenha compreendido tua intenção, ao criar esse universo de acontecimentos cíclicos, e o que fica evidente é essa sensação de sufoco e confusão experimentada pela personagem de Lenora, sempre tão próxima de descobrir e, ainda assim, sempre sem saber ao certo o que está por vir. Entretanto, ao contrário dos colegas, não penso que tenhas obtido sucesso aqui.
    A escrita é simples e deveria facilitar a compreensão, mas a narrativa e a estrutura são extremamente confusas, o que acaba por contribuir negativamente até mesmo com a ambientação. Devo alertar que, muito provavelmente, o mairo problema aqui seja do leitor, no caso, eu não sou muito boa em compreender essa estrutura. Portanto, não funcionou comigo. De qualquer maneira, parabéns e boa sorte.

  12. Maria Flora
    5 de outubro de 2016

    Olá! Seu conto chama a atenção pela narrativa entrecortada, com vários ângulos da mesma história. Bastante interessante, principalmente a reflexão do cachorro. Os personagens parecem seguir por cenas repetidas, situações sem fim. Representa o ciclo infinito.

  13. catarinacunha2015
    5 de outubro de 2016

    QUERO CONTINUAR LENDO? TÍTULO + 1º PARÁGRAFO:
    Os cinco títulos cansaram, salvo pela intrigante primeira frase do conto.

    TRAMA fraquinha, óbvia até, sustentada pela técnica talentosa e várias premissas bem construídas. Lendo suas respostas aos comentários, peço, como sugestão, que pense nisso: Quem muito se explica pode estar com dificuldade de demonstrar.

    AMBIENTE um pouco caótico adolescente. Pode ser estilo. Tudo bem. Parece um curta.

    EFEITO sessão da tarde. Entrei no cinema para ver suspense inteligente e saí com a sensação de vazio.

  14. Gustavo Aquino Dos Reis
    4 de outubro de 2016

    Mestre Corvo,

    eu gostei da escrita, da maneira não-linear que você conduz a narrativa. O simbolismo do Ouroboros é latente aqui – assim como é na vida – e confere ao conto uma estética de profundo misticismo e eterno recomeço.

    Porém, mestre Corvo, a história não me arrebatou. A narrativa sim, a história em si, infelizmente, não. O assassinato, o cemitério como eterno começo e recomeço no ciclo de Kundalini foi interessante, mas não o suficiente.

    No mais, um trabalho excelente. Capaz de infindas releituras.

  15. Pedro Teixeira
    2 de outubro de 2016

    Olá, Edgar! Gostei do conto. Fiquei com uma ideia de purgatório, ou de um lugar com propriedades místicas em que as situações se repetem, para o qual Lenora levou o marido morto a fim de descobrir quem o tinha matado. O ritmo é bom e a escrita concisa e instigante. Lembra um pouco o teatro, especialmente com essas situações onde alguém se esconde atrás de alguma coisa – me veio à cabeça uma cena de “Hamlet”. Achei que bem no início algumas frases não funcionaram bem:
    depois de caminhar por uma neblina – acho que “pela neblina” cairia melhor;
    Lenora fez gestos para que eu a siga – não seria ” para que eu a seguisse”? Há outras mencionadas pelo colega Thiago que tiraram um pouquinho do brilho, mas nada muito sério. É um belo trabalho.Parabéns e boa sorte no desafio!

  16. Thiago Amaral
    2 de outubro de 2016

    Gostei do conto. O título sugere algo grandioso, complexo e pretensioso, mas a escrita é simples e agradável. O grande trunfo foi o estilo cortado, as idas e voltas…

    Gosto de histórias com um conceito, algo a dizer, e essa é uma delas. O conto não só passa a mensagem, mas nos obriga a vivênciá-la. Muito bem.

    Apenas uma coisinha que o autor queira evitar da próxima vez: “observava eles”, “surgiu ela”. Fica feio. Por que não ordenar melhor as palavras? “Os observava”, “ela surgiu”. Mais elegante.

    Os comentários foram um entretenimento à parte e geraram certo debate. Mas estes não sou obrigado a julgar, felizmente.

    No geral, gostei bastante. Pela originalidade e construção, é bem possível que apareça no meu ranking.

    Até mais!

  17. mariasantino1
    2 de outubro de 2016

    Grande Edgar! (Batizei meu gato, todo preto, de Edgar em homenagem ao Poe. O Bichano se acha 😛 )

    Li e reli seu conto, não por não ter entendido (o que, na verdade, não é de todo mentira), mas porque eu gostei do que li. Textos onde cabem mais de uma interpretação vale muito ser lido, porque instiga, faz o leitor fundir a cuca, e eu dou valor a isso, bem como dou valor a quem busca se diferenciar.
    O conto, além das referências aos personagens do POE tem um lance de olhar outra vez por outro angulo, como se cada passagem fosse uma câmera e a cada revisitada na cena pudéssemos ver novos elementos que nos passaram batidos. O cemitério com a gravura pode ser uma falha na linha do tempo/espaço, que faz os personagens fazer e refazer tudo repetidas vezes (mesmo que essa não tenha sido a sua intenção, eu vi por esse prisma).
    Não tenho nada mais a dizer, só que o texto vai estar na minha lista.

    Boa sorte no desafio.

    Off: Vi isso nos outros desafios onde o Rubem, o Rodiguez (quem esquece o/a Kelly do desafio Cinema?), o Fábio, o Sid e a Catarina vestiam um personagem e respondiam aos comentários. É legal, mas acho que esse aqui foi chatinho. Esse lance de pedir pra colocar na lista é feínho, feínho.

  18. phillipklem
    1 de outubro de 2016

    Boa noite Edgar!
    Cara, um dos melhores contos que li até agora neste certame.
    A escrita é simples mas muito envolvente. Em nenhum momento perdi a concentração. Na verdade, eu não conseguia parar de ler porque estava muito curioso para ver o que ia rolar.
    A escolha da imagem me chamou muito a atenção. Ficou perfeita.
    Cheguei no final querendo que não tivesse acabado (e, de certa forma, não acabou né).
    Sem dúvida entrará na minha lista dos top 10!
    Parabéns e boa sorte.

  19. Iolandinha Pinheiro
    1 de outubro de 2016

    Vamos fazer uma tentativa de analisar este trem aqui, mas não espere muita coisa. O primeiro texto, narrado por Próspero, dá uma ideia de recomeço infinito, o que combina com a gravura escolhida pelo autor e o título do conto – O Cemitério sem Fim – Os Que Perseguem Suas Caudas AKA O Cemitério sem Saída II. No segundo texto o autor dá uma pista sobre o assassinato de William, e uma conspiração entre Camilla, Prospero e Jullius. Neste segundo texto o autor dá a conhecer a autoria do tiro contra Lenora. A partir daí o conto começa a girar em torno de si mesmo e pessoas que deveriam estar mortas aparecem conversando como se o conto tivesse não apenas sido contado de trás para frente mas que a trama ia e voltava causando prejuízo à compreensão do texto. Gostei da ousadia no estilo, gostei muito das referências e dos diálogos sem firulas criados pelo autor. Gostei de os personagem estarem numa espécie de loop infinito, onde todos estão mortos, ou vivos, ou ambos, menos William que está definitivamente morto. O que eu menos gostei nem está no conto, foram os comentários engraçadinhos do autor, além de desnecessários ainda me fizeram antipatizar com a figura. Mas isso não interfere no meu julgamento, que fique claro. Abraços e boa sorte.

  20. Davenir Viganon
    29 de setembro de 2016

    Olá Corvo
    Não tenho muita leitura de narrativas não-lineares e fiquei fundindo a cuca tentando ligar os pontos e gostei de descobrir que as coisas voltam ao início num ciclo ou espiral. O não-dito pode não levar a lugar nenhum, ainda que seja divertido inventar teorias. Por exemplo, eu acho que o caderninho na verdade contém o próprio conto e que William seria o próprio autor. Não importa se é, a graça e imaginar.
    Viagens a parte vamos ao conto em si.
    Leio menos Poe do que deveria, então me perco nas referências, e só entendi lendo os comentários. O ritmo da leitura é fluido, pois ficar juntando as peças é um deleite. Gostei das frases que, abrem cada capítulo, falam de cada personagem. Eles são bem marcados e a habilidade nessa construção é inegável.
    Tem um pouco de “Ubik” no seu conto. Tu conhece o autor, Philip K. Dick? Ele curtia umas paradas cíclicas e insólitas também.
    Como disseram, daria um ótimo curta, com clima noir e tudo.
    Gostei bastante.
    Um abraço.

  21. Fheluany Nogueira
    28 de setembro de 2016

    Um jogo de palavras desde o título. A trama se desenvolve como uma mola espiralada que vai criando posições diversas, versões personificadas em relação ao fato narrado. Cada parte existe em função das outras; e elas se conjugam num todo. O texto é construído como uma rede. Gosto muito destas experiências textuais que vão nos enriquecendo. Leitura instigante e agradável

    Parabéns pela criatividade e originalidade, pelas referências clássicas, pela simbologia empregada com destreza, pela linguagem dramática. O texto tem um tom artesanal. O “novo” sempre traz consigo muita crítica; é a estranheza. Abraços.

  22. Amanda Gomez
    27 de setembro de 2016

    Olá,
    Que conto, massa!

    ( Momento raiva, – quando você termina um comentário, da erro e, você o perde, então já peço desculpas, por não transparecer mais a empolgação do comentário original, que era muito melhor.)

    O conto é uma roda gigante, que deixa o leitor tonto e excitado pela forma como é levado pelo autor. E bem verdade, que o enredo em si, não é o mais original e, a escrita é falsamente simples, digo isso, porque detrás da aparente simplicidade dos diálogos, descrições e personagens, vemos todo a mente do autor arquitetando cada detalhe, para que essas palavras que parecem que não levam a lugar algum, serem de fundamental importância para se entender o texto.

    O ponto alto do conto é a ousadia e destreza com a qual o autor nos faz rodar junto com os personagem nesse eterno infinito. O entra e sai de cena é muito bem feito, e deve ter dado um certo trabalho, me parece um castelo de cartas em que tudo poderia dar errado, por apenas um detalhe, mas não deu.

    Gostei demais de cada finício apresentado. Senti que o autor forçou no emprego das frases poéticas, a maioria não causou o feito desejado em mim.

    Falando mais especificamente dos personagens, apesar de serem pouco descritos e, o que se passa antes do episódio se um mistério, o leitor tem as emoções e a voz deles bem nítidas, possibilitando indagar sobre o passado recente que os levou até ali.

    Detalhes, como o ouroboro na ”fachada” do cemitério não passam despercebidos Lenora sabia o que os esperava ali? O que aconteceu de fato com willam?

    FATO: Lenora, precisa ser mais esperta, e dar pistas melhores para si mesma, quando for escrever naquele caderninho.

    Ainda sim, senti que muitas coisas passaram despercebidas por mim, mas tudo bem, quem sabe faço uma nova leitura.

    Parei de ler os comentários, para que a antipatia ou, personalidade fanfarrona fictícia do autor não me fizesse desgostar da experiência de ler e comentar, sem me deixar contaminar por essas, bobagens ai embaixo. Saia do personagem, cara.

    Ah, o parágrafo final, é excelente.

    E lá vem Prospero, atrasado novamente….

    • Edgar O Corvo
      30 de setembro de 2016

      Amanda Gomez, sabia que “Amanda” vem de “Amor”? Cê gostou du meu conto, mas não du meu euzinho-personagem? Melhor, né? Imagina se tivesse gostado do Corvo, mas desgostado do meu Cemitério sem Fim.. Daí ia magoa meu coração! Muito, muitíssimo brigado pelos elogios! Me coloca no pódio, que juro te amar pra vida toda. Palavra de Edgar O Corvo. Voei.

  23. Evandro Furtado
    27 de setembro de 2016

    Fluídez – Outstanding

    Texto corre super bem, sem problemas com a sintaxe ou com a ortografia. As divisões internas também são bem pontuadas e contribuem para a cadência do conto.

    Personagens – Outstanding

    Ao contrário dos outros comentários, não vou fazer um estudo dos personagens porque o texto já faz isso e com maestria, descrevendo cada um e explorando muito bem suas relações.

    Trama – Outstanding

    Criada de forma circular, gira e gira continuadamente. Muito bem amarrada. Gostei da não-linearidade empregada. Não existe uma sequência de acontecimentos, tudo está inter-conectado.

    Verossimilhança (Personagens + Trama) – Outstanding

    Estilo – Outstanding

    O autor imprime um caráter surrealista no texto, com os acontecimentos sempre voltando ao seu ponto inicial. Normalmente eu questiono a mudança de tempo verbal em um curto espaço do tempo, mas nesse conto em particular ela contribuiu para a construção do estilo. Fica como sugestão a leitura do mangá Uzumaki, espirais do terror, de Junji Ito e do filme La Ronde, de Max Olphus. Ambos brincam com a ideia de circularidade de diferentes formas, pode interessar ao autor.

    Efeito Catártico – Outstading

    Sem dúvidas um conto que nos leva por uma espiral maluca. É escrito com muita competência pelo autor. Qualidade estética inquestionável.

    Resultado Final – Outstanding

    • Edgar O Corvo
      30 de setembro de 2016

      Evandro Furtado, essa crítica que cê escreveu é… Outstanding. Conto com tua pessoa pra levar O Corvo à glória do pódio. Edgar O Corvo voou.

  24. Wilson Barros
    27 de setembro de 2016

    Um excelente conto, que apesar de moderno resgata Poe e sua “lenore”, mas principalmente “the ring and the book” de Robert Browning. O estilo, bastante catarínico, mantém o leitor intrigado. Eu acho que a Catarina, ou se for outro autor, alertou em uma resposta a um comentário para algo importante: é preciso experimentar, não simplesmente repetir. Só lembro ao autor, respeitosamente, que este desafio é de favoritos, não de notas, algo que ele parece não ter entendido ainda.

  25. Claudia Roberta Angst
    26 de setembro de 2016

    Olá, autor!

    Gostei da forma ousada de tecer a narrativa. O bom é que a leitura não ficou nada cansativa. Na verdade, me senti bem à vontade passeando entre os corredores do seu cemitério sem fim. Parece que sobrou espaço entre as visões de cada personagem.

    A melhor parte foi a final – a filosofia baseada no cachorro e sua cauda. O símbolo do anel, da aliança, da serpente mordendo a própria cauda, agora substituída por um cão brincando com o próprio rabo. Um círculo é uma linha sem começo nem fim. Como o cemitério sem fim. Quantos pontos eu ganhei?

    O tema proposto pelo desafio foi abordado com sucesso.

    Não encontrei lapsos quanto a revisão. O ritmo do conto é bom, os diálogos ventilam a trama.

    Não achei a história em si muito interessante, precisava de mais suspense, sei lá, mas valeu a brincadeira de ligar os pontos.

    Boa sorte!

    • Edgar O Corvo
      27 de setembro de 2016

      Claudia Angustiada, teu sobrenome me deixa intrigado: que acontecido se passou com tua família pra brotar esse Angst? Olha, cê merece um milhão de pontos pela tua crítica justíssima e superblastercompetente! Se gostou mesmo da minha humilde historinha circular, me põe na tua listinha de tops que ‘já fico na alegria. E muito brigado! O Corvo voou!

  26. Brian Oliveira Lancaster
    26 de setembro de 2016

    VERME (Versão, Método)
    VER: Foi utilizado um conceito interessantíssimo, e altamente criativo, mas que, infelizmente, confunde. Temos uma história ao modo labirinto aqui, que deve ser lida mais de duas vezes para ser possível captar todas as nuances.
    ME: Gostei da forma e estilo, mas geralmente ao utilizar isso, a história perde força e se dilui. É bem complicado brincar de “caixa do mistério” e ainda deixar o texto compreensível (já tentei fazer isso no desafio Enigma). Aqui faltou um pouquinho mais de compreensão e detalhamento. A ideia é excelente, no entanto, me senti perdido. Se essa era a real intenção, funcionou, mas como enredo, bem ao pé da letra, é apenas a história de um crime no cemitério sob quatro pontos de vista.

    • Edgar O Corvo
      26 de setembro de 2016

      Vamu lá, Brian, deixa eu dar uma olhada nesse Vermão lindo que cê tem aí. Não concordo com o teu “como enredo, bem ao pé da letra, é apenas a história de um crime no cemitério sob quatro pontos de vista”: 1) O crime principal, que levou à morte de William, não tem ocorrência no cemitério, se deu antes da entrada no mesmo. 2) Não são só pontos de vista, eles estão presos num círculo, a cada volta o círculo é diferente, a cada volta eles se aproximam da verdade, e nós também. Brigadão por tudo, tua cabeça é clara, se tiver precisão lê 10 vezes pra entender tudo que puder, depois, se te caiu no gosto, dá um 10zinho pro Corvo levar pra casa. Chegou a hora deu dar um voo nos Cemitérios sem Fim deste Universo de Vida e Morte. O Corvo levanta voo, que a Escuridão da Noite dê Paz pra Você.

  27. Gilson Raimundo
    26 de setembro de 2016

    Achei que o título também não teria fim. Brincadeira. O estilo é interessante, não sei se tão eficaz, os luppers as vezes me entediavam e as vezes dava um que de genial a um enredo bem simples (Intrigas familiares, duvidas sobre a morte do marido, traições) uma questão que ficou no ar (para mim) eles estavam vivendo aquela situação ou estavam no purgatório?

    • Edgar O Corvo
      26 de setembro de 2016

      Gilson Raimundo, te respeito demais Brother. Cê é o grande cara do Terror Regionalista Brasileiro. A Boneca Vudu manda o Chuck prus quintos sem nem usá 10%, tu é o cara! Deixa eu discorda um tiquitio de nada da tua opinião História simples? Tá, mas que história que não é simples? Dois caras atrás da mesma girl, político corrupto, vingança pra tudo que é lado, criança morrendo de fome, mulher sofrida que descasca cebola e chora (bom, esquece esse último: até que foi bem original). As histórias são quase tudo igual, captou minha ideia da cabeça? Coisa diferente é muito do raro mesmo. Se eles estavam vivendo aquilo ou não? Não sei? Pra eles era real, isso é que importa. Brigado pelos elogios, vindo de cê é por demais pra mim, tô aguardando teu 10 zão na maior ansiedade, brother, agora o Corvo vai voar!

  28. mhs1971
    25 de setembro de 2016

    Olá
    Não gosto de destilar meu mau humor em leituras, mas do tipo que demosntrou nesse conto, é um dos que mais detesto, que é a pretensão descomedida em narrativa entrecortada por diálogos curtos e rasos.
    Uma coisa é se valer do recurso de contar uma história através de diálogos. Mas que esse recurso tem sua graça quando há um conceito narrativo incutido e poética para abrilhantar.
    É um texto que soou muito seco, quase sem descrições, somente ações e sem aprofundamento. Um compêndio de diz-que-me-diz que não trouxe nada de história.
    Sugiro que leia mais do próprio Poe e capte suas nuances poéticas e narrativas. Afinal um mestre como ele não é só um nome cult a ser desfilado em fóruns de fans.
    Boa sorte

    • Edgar O Corvo
      26 de setembro de 2016

      E ai, mhs1971? Cê é daquelas gentes que colocam o ano que nasceram no nick? Argh! Acho isso tão… Esquece. Aqui é o Corvo falando, como vai o mau humor aí? Vamo falá de uma coisa; cê me deu um conselho, te dou outro. Então diálogos é coisa sem história? Tipo, um jeito raso de contar as coisas? Já ouviu falar em uma coisa chamada.. “Teatro”? Se escreve assim: T-E-A-T-R-O. Googleia aí, que cê acha. E procura por um tal de Shakespeare: S-H-A-K-E-S-P-E-A-R-E. O brother era inglês e só escrevia com diálogo, sem descrições além das fornecidas pelos seus personagens. Estuda um pouquinho mais antes de falar de histórias escritas com diálogos, acertado? Senão tu acaba falando besteira e passando vexame. Pesquisa essas duas palavras, e depois a gente conversa. Então tá.

      • Marcia Saito
        26 de setembro de 2016

        OLá Seu Corvo, o Edgar.
        Ou é o contrário?
        Não sei pois seu comentário pareceu um crocitar de magoadinho, sem ideia e atacando meu nickname.
        Mas enfim…
        Estou extremamente feliz que tenha se manifestado pois revelou-se quem é pelo teor de seu comentário.
        E interessante que defendeu que seu conto seja teatro mas só vi uma emulação triste do imaginou ser uma obra teatral.
        O tal do “brother” inglês sabia como descrever os diálogos e mesmo em uma peça de teatro, o texto é estruturado para que haja coesão no entendimento geral; quem tem a pretensão de emular uma obra literária, sai falho.
        Parabenizo também pela sua atitude pois quem está fazendo um espetáculo de atuação canhestra é você e atraindo a atenção de leitores que queiram pão e circo.
        Da próxima, escreva melhor e não destila seu ódio em quem comenta e não gosta do seu estilo de escrita.
        Falo numa boa pois é natural quem não tem experiência ter esse tipo de reação.
        Mas vivendo e aprendendo não é?
        Portanto, toma uma maracujina, desaperta essa sua cueca de couro e viva a vida!
        Um abraço e tenha dias melhores.

    • Edgar O Corvo
      27 de setembro de 2016

      mhs1971, Demorou todas essas horas pra uma tréplica e veio isso? Só ódio e ofensas sem sentido? Não te ensinaram que quando alguém te ofende, a receita é responder com lógica e educação, que isso desarma a pessoa? Você devia ter estuda mais lógica e argumentação pra não passar esse vexame… Esse teu textinho de quem vomita ódio só mostra o teu nível, não o meu. Mostra uma pessoa infeliz e vazia, cheia de frustrações a vida, que só sabe vomitar ódio porque não tem coisa melhor pra fazer. Toma um calmante, acho que no teu caso só ópio resolve, e arranja outra coisa pra fazer, um passatempo, sei lá. De gente cheia de ódio o mundo tá cheio, é gente assim que explode os outros como bombas quando não pensam igual a elas, não seja uma dessas pessoas, ok? Agora esclarecendo: você não fez uma crítica construtiva, nem manifestou opinião. Leia seu próprio texto, se tiver coragem: “Não gosto de destilar meu mau humor em leituras, mas do tipo que demosntrou nesse conto, é um dos que mais detesto, que é a pretensão descomedida em narrativa entrecortada por diálogos curtos e rasos… É um texto que soou muito seco, quase sem descrições, somente ações e sem aprofundamento. Um compêndio de diz-que-me-diz que não trouxe nada de história.” É cristalino que seu objetivo foi só agredir, ofender, não foi em nenhum momento fazer uma crítica construtiva ou simplesmente dar sua opinião. Você queria destruir, agredir, dar patada, eu tenho direito de me defender quando agredido, certo? Então, deu patada,levou de volta, teve o que mereceu, é a justiça, entende? E ainda se ofende e escreve uma resposta, sendo que você agrediu primeiro… Parece até criancinha, que não percebe que quem começou foi ela. Amadureça um pouco, sua resposta foi tão infantil que você ficou parecendo uma menininha de 4 aninhos de idade. Aprenda a se livrar de seu ódio, ou você pode acabar envenenada por ele. O Corvo agora vai voar.

  29. José Geraldo Gouvêa
    24 de setembro de 2016

    Olha, eu não acredito que a gente deve elogiar um texto só porque ele nos impressionou e confundiu. Há certa humildade que nos move a elogiar o que não entendemos, assim funciona a cabeça do ser humano e é por isso que inventamos deuses. Mas precisamos ter o cinismo de pensar que a complexidade pode ser só uma ostentação. Muito da pior literatura que se faz no mundo tinha tempestades de estilo, mas muito pouco valor enquanto diversão ou reflexão. Não me agrada esse tipo de exercício formal, embora agrade a muita gente.

    Como eu ainda não consegui me acercar realmente de seu texto, vou suspender meu julgamento até uma segunda leitura. Até lá ficam o desconforto e o distanciamento, e a forte impressão de que o autor está muito preocupado em impressionar pela forma.

    • Edgar O Corvo
      26 de setembro de 2016

      José Geraldo Gouvêa, fico no aguardo da tua opinião completa. Por enquanto, te digo uma coisa: melhor impressionar pela forma e pela estrutura, que não ter forma nem conteúdo, não ter nada além de palavrinhas porcamente enfileiradas uma depois da outra, feito porquinhos indo pro abate. Moral da história: melhor a ostentação que o nada… Porque muitos escrevem historinhas bobas cheias de clichês, tudo sempre igual, casalzinho morrendo de amor e um coronel malvado no meio, tudo escrito errado, em nome do “regionalismo’ e tal, e depois dizem que tem conteúdo, quando o autor nem usar crase sabe… E depois chegam os críticos que se impressionam com essas histórias repetitivas e ainda escrevem reviews dizendo que a história tinha um monte de conteúdo, mas muitas vezes nem sabem separar forma de conteúdo. Pensa nisso, brother! O Corvo voou.

  30. Anorkinda Neide
    24 de setembro de 2016

    Olá!
    Buenas, o conto é bom. Você foi ousado porque este formato difere tanto do usual que pode afastar o leitor, à primeira vista não gostei e não entendi. Mas voltei pra reler e achei melhor, observei o texto q está bom, com as falas diretas, como um filme, mas sem deixar de ser literário.
    Quis entender que Lenora sofre de algum problema na memoria, Alzheimer? oh ceus! lá vem ele de novo.. hehe
    Entao todas as repetições seriam o que ela lembrava, da forma que lembrava, em cada vez q repassava a historia em sua mente.
    Viajei? rsrs
    Dae nao gostei da última parte do cachorrinho em diante, pq ficou um final didático ali, querendo explicar o símbolo mas acho q nao tem a ver com o enredo, ao menos assim ‘não’ entendi!
    Enfim, eu acho q vc é doido e como tal merece uma boa sorte ae no desafio!
    Abraço

    • Edgar O Corvo
      26 de setembro de 2016

      Fala aí, Anorkinda Neide! De onde que vem esse “Anorkinda?” Não parece pra eu nome de gente humana… Não é de língua nenhuma que eu tenha tido conhecimento. Já sei! Anorkinda deve ser um nome chubianês. Deve ser um nome lá dos chubs, acertei certinho? Mudando de assunto, sim, viajaste em demasia. Não tem demência na minha história, essa interpretação eu não endosso, porque a história é narrada de muitos pontos de vista, cinco na verdade: quatro dos personagens, e um em terceira pessoa. Então não pode ser o ponto de vista só dela, de Lenora, estar tudo só na cabeça dela é por demais impossível da conta, tendeu? Finalmente, com assim, o finício não tem a ver com o enredo? Ele é o final e o inicio, ele mostra quando os quatro entraram no cemitério e abandonaram o tempo linear iniciando o looping de cada um e de todos, tem tudo com o enredo aí. Obrigado pelos elogios, também gosto do teu estilo. Tô esperando um 10 teu… Não vai frustrar o Corvo, moça! Beijos, o Corvo Voou!

    • Edgar O Corvo
      26 de setembro de 2016

      Anorkinda, O Corvo is back! Só queria te dizer que “Desordenada a mente” é pra mim um dos GRANDES contos do Entrecontos, coisa fina mesmo, lembro até hoje como gostei, parabéns de novo! O Corvo Voou!

      • Anorkinda Neide
        16 de outubro de 2016

        Olha, nao tinha visto aqui.. Valeu, Rich! Fico feliz, mesmo!! 😉

  31. Pedro Luna
    23 de setembro de 2016

    Fala autor (a). Sem dúvida um conto que faz todo sentido na cabeça do autor. Até mesmo se no fim não fizer sentido nenhum. Esse tipo de construção arriscada é algo corajoso, pois o leitor pode não se identificar. Eu, particularmente, não entendi nada. Senti, ao ler, aquela confusão que alguns filmes te deixam. Nem sempre essa confusão é ruim, e aqui foi esse caso. Mas como a trama não se desenhou para mim, não houve identificação. Vi pontos de vista que no início achei que iam contar uma história, mas de repente eles não eram mais os mesmos. humm. sei não. A cena do caderno me lembrou o filme Memento. Muito bem escrito, não gostei muito por uma simples questão de gosto. Teve algo que não peguei. Abraço.

  32. Felipe T.S
    23 de setembro de 2016

    Olá Edgar O Corvo!

    Seu título chamou minha atenção e acabei pulando alguns textos só pra ler o seu. E me surpreendi com sua produção, de verdade. A história tem muitos elementos que eu gosto, mas além disso, a forma de construção me agradou muito. Foge do padrão, é bem articulada e vai além das palavras aqui escritas. Acredito que uma das nossas funções (novos autores/escritores iniciantes/amadores) é buscar quebrar certos padrões e além disso, desafiar o leitor e ao mesmo tempo, nós mesmos com a escrita.

    Provavelmente foi um desafio muito divertido para você escrever esse conto, assim como foi um desafio legal a leitura, pelo menos para mim.

    Vamos a história, me parece aqui que o tema que conecta as 4 pequenas obras é a Existência e quando digo existência me refiro a ela como um todo. A perspectiva de existência aqui exposta é baseada na ideia de Ciclos, mas ao meu ver, analisando os pontos de vistas sobre o tema expressados em cada personagem, é possível perceber que não são apenas ciclos, mas uma espiral de eternos retornos, que são evolutivos e reconstrutivos. Todos os personagens estão preso nesse sistema (até mesmo o cachorro), alguns parecem progredir durante o desenvolvimento, outros parecem optar por continuar presos (mesmo que nenhum deles tenha a noção real desse movimento da roda, já que isso é maior que todos nós). O morto, que é um dos personagens chaves aqui na trama está “como se tivesse pressa em alcançar a eternidade.” mas na realidade, essa não é função dos vivos? Vivos que estão correndo cada um atrás de suas próprias caudas, caudas, causas, amores e medos.

    Enfim, percebemos aqui comportamentos parecidos, para visões sobre a realidade e os fatos do cotidiano diferentes. É legal estabelecer paralelos entre os personagens, eles funcionam de certa forma como espelhos, e isso eu achei genial. Por isso ao fim da leitura seu conto, lembrei, além da figura do Ouroboros, a imagem de um caleidoscópio e lembrei um pouco do conceito de KA do King (Sei que a ideia da Roda da Existência é muita mais antiga que ele, mas pelo fato desse texto ter alguns elementos do terror, senti como se os personagens aqui do conto fosse um ka-tet – Um que é composto de muitos).

    Acabei enxergando o espaço do cemitério como um lugar muito especial, já que parece que esse momento nele vivido é essencial para dar outro tipo de sequência na própria vida dos personagens. Mas creio que já falei demais.

    O Fim início fechou (ou não fechou kkkk) muito bem a história.

    Gostei muito do conto, como eu disse, ele lembra muito autores que gosto de ler. Parabéns pelo trabalho Edgar!

    • Edgar O Corvo
      26 de setembro de 2016

      Felipe T.S, como que cê vai indo? Que bom que tudo gostou, e entendeu muita coisa, obrigado pelos elogios, obrigado mesmo! Sabia que alguém com tua cultura livresca ia pegar muita coisa na hora. Foi muito divertido escrever esse conto, ele é o II porque existe um outro, passado no mesmo cemitério, que sai até o final do ano, fiquem atentos! Felicidades, Edgar, O Corvo, agora vai voar.

  33. Fabio Baptista
    23 de setembro de 2016

    Bom… o conto ganha pontos pela estrutura intrigante.

    A escrita é boa e só me incomodou um “fez gestos para que eu a siga” lá no começo.

    Pensei que seguiria um estilo quebra cabeça, com o cenário todo sendo revelado no final. Mas os diferentes pontos de vista não contam a mesma história (pelo menos não vi dessa forma) e acabei encarando como cenas isoladas com o mesmo pano de fundo.

    Dizem que o inferno é a repetição… estariam todos no inferno, talvez?

    Bom, seja como for… minha parte preferida foi a do cachorro.

    Abraço!

    • Edgar O Corvo
      23 de setembro de 2016

      Fabito, Fabito, que decepção… Não entendeu nada do conto, brother? Justo um sujeito tão esperto? Os diferentes pontos de vista não contam a mesma história? Sim, claro que contam. Mas não… A história é uma grande espiral que se abre e possibilidades infinitas em torno do acontecido, de forma alguma são cenas isoladas, cada um conta seu ponto de vista de uma versão de uma história que se repete, mas não de um jeito igual, não é nada isolado, é entretecido. Cê tá é precisando ler uns autores menos lineares, sair do feijão cum arroz, tá ligado? Não dá pra ficar vivendo só de Machado de Assis, ele é o grande, mas não é único. Revelar o cenário todo no final, tipo, “quem foi o culpado?”, nunca foi a intenção, se é isso que se quer dizer com estilo quebra cabeça. Mas só que é um quebra cabeça… Os melhores são aqueles que não tem solução, porque duram para sempre. A brincadeira nunca que termina, captou? Abre mais essa cabeça, e um grande abraço do Corvo! Tchau!

  34. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    22 de setembro de 2016

    Olá Corvo,
    Tudo bem?

    A melhor parte de participar desse tipo de desafio, é que aprendemos com todos. Aprendemos ao ler, aprendemos ao ser lidos e criticados.

    Gostei da ideia da técnica que você empregou, utilizando uma espécie de narrativa de “onicisência seletiva múltipla”, enfocando a história de vários ângulos, bem como à partir da visão de personagens diversos.

    O retorno, sempre ao mesmo ponto, é algo que também gosto muito.

    Ao ler seu conto entendi o motivo de muitos participantes utilizarem métodos de avaliação constantes em cada texto e, à partir do próximo, farei o mesmo (com um método meu, é claro).

    Digo isso porque, ao passo que a técnica escolhida é muito rica, a história deixou, para mim, algumas lacunas. Precisamos lembrar que seremos lidos, ao escrever e, por isso, precisamos “sair” um pouco do contexto para ver se o leitor entenderá o que quisemos passar com nossas histórias.

    Agora algo para descontrair: Quem, pelo “santo cemitério sem fim”, apanha uma pessoa desfalecida no colo e adormece em pleno campanário?

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

  35. Ricardo Gnecco Falco
    21 de setembro de 2016

    Olá, autor(a)!
    Vou utilizar o método “3 EUS” para tecer os comentários referentes ao seu texto.
    – São eles:

    EU LEITOR (o mais importante!) –> Leitura difícil, não por uma escrita ruim, mas por uma narrativa em espiral que, sinceramente, não me agradou. O que mais curti foi o final, com a sacada da mensagem do ‘nunca nos damos por satisfeitos’. Daria nota 6 ao conto, devido a originalidade, porém ficou confuso demais para mim.

    EU ESCRITOR (o mais chato!) –> Escrita fluída, quase toda construída em diálogos. Gerou uma visualização bem forte na mente, como se assistisse um daqueles filmes que ficam repetindo e repetindo e repetindo a mesma cena, através de diferentes câmeras. O(a) autor(a) entende do riscado! 😉

    EU EDITOR (o lado negro da Força) –> Daria um bom roteiro para um curta.

    Boa sorte,
    Paz e Bem!

    • Edgar O Corvo
      21 de setembro de 2016

      Gnecco, gostei do teu nome, muito original. Notei uma coisa na crítica que cê fez: só falou a nota do primeiro? Não tinha que ser das três? Como que eu tirá uma média assim? Cê gostou, não pode ser só um seiszinho, porque além de original, o conto do Corvo tem mais coisa: personagens, ambientação, trama e mais coisas que não sei lembrar. Pelo menos um 8 redondo, é só minha ideia, mas gostei da tua crítica tríplice, muita Paz e Bem do Corvo pra Você!

  36. Wender Lemes
    21 de setembro de 2016

    Olá! Pensei que seria uma “tetralogia de cinco”. Em todo caso, são cinco partes, mas apenas quatro compõem os ciclos do cemitério sem fim. Na verdade, esses ciclos estão mais para espirais, pelo que entendi, com começo e fim (que não se alcança) fora do ambiente fantástico, variando em suas “repetições”. Um elemento me pareceu chave para entender a trama: o caderno. Ele, aparentemente, não é afetado pelo giro, pois traz mensagens de existências anteriores, mas também não traz nada muito explicativo – provavelmente porque Lenora sempre está à beira da morte quando descobre o que procura, então não há tempo para escrever um conto, por assim dizer, ali. O caderno também me parece essencial porque a única pessoa com mínima noção do que está acontecendo é justamente sua portadora. Assim, a quinta parte faria jus ao nome, pois sugere o início e o fim: Lenora começa a repetição em busca de uma cauda que nunca conseguirá morder, e ela é a única que poderia levar ao fim das repetições, mas nunca o faz. Provavelmente, viajei muito aqui, mas gostei do conto. Parabéns pela criatividade e pela técnica. Boa sorte.

    • Edgar O Corvo
      21 de setembro de 2016

      Wender Lemes, brigado pelo comentário. Pensei em fazer o subtítulo ser “Uma Microtetralogia com um Finício”, mas não fiz pra dar uma economizada nas palavras, só tinha 1500, meio mixaria, melhor fazer casa uma contar, não acha não? Como cê gostou espero uma boa notinha, conto contigo? Vou indo, e brigado de novo.

  37. Eduardo Selga
    20 de setembro de 2016

    Um texto tetralógico, assim dizem minhas consultas, num sentido mais estrito é formado por três tragédias e uma sátira, referindo-se aos primórdios do texto dramático (peça teatral), na Grécia; num sentido amplo, é o grupo constituído por quatro obras de um mesmo autor, perpassadas por um tema comum.

    Acho importante esclarecer isso porque este conto apresenta pontos de proximidade com ambas as concepções, da seguinte forma: ele é organizado em cenas, como no texto teatral, nas quais há muito de trágico e um leve toque satírico como, por exemplo, na cena do cachorro (mas não a sátira no sentido do teatro grego, e sim como jocosidade). Por sinal, em minha opinião, esse elemento muito levemente satírico é o que sustenta a cena do cachorro, faz com que ela não seja uma inutilidade no todo narrativo, embora possa parecer a princípio.

    Não se trata, contudo, apenas do fato de haver um mesmo tema ou de as partições do texto terem as características acima comentadas: a costura do conto se dá por meio da alusão ao ouroboros enquanto símbolo, no corpo do texto, e explicitamente na imagem que o ilustra. Essa serpente, ou dragão, é o infinito que une princípio e fim, o nascimento e a morte. É sintomático, nesse sentido, o seguinte trecho do conto: “Os bebês deveriam nascer nos cemitérios: talvez assim as pessoas percebessem que a vida e a morte podem formar um círculo, em vez de uma linha reta”.

    Mas não é um círculo qualquer, e isso é bem interessante. É como se houvesse um dentro de outro, conforme a ilustração sugere. Esse segundo círculo, assim me parece, está representado por um recurso que lembra o videoteipe, ou o replay: a repetição de pequenos trechos nos “capítulos” dedicados a cada personagem. Alguém certamente irá questionar sobre a necessidade ou utilidade (palavrinhas complicadas essas, em se tratando de ficção) do recurso, ou coisa parecida, mas se trata fundamentalmente de um conto de exercício estético, não é a contação de uma estorinha: ele tenta, até certo ponto, fugir de fórmulas consagradas e das quais parecemos gostar tanto, como se para narrar uma estória apenas fossem legítimas as ferramentas A, B ou C.

    No conto em tela o enredo não importa o mesmo que importaria se fosse escrito tomando-se por bases certas fôrmas tradicionais e alguns de seus pressupostos, como a necessidade imperiosa de narrativa linear e lógica. Não seguir essas regras, entretanto, não significa poder ignorar a literariedade. No tipo de narrativa aqui apresentada, o que é realmente fundamental é ela ser construída de modo a permitir dois fenômenos no texto: a circularidade e a demonstração de múltiplos pontos de vista narrativos, ao fim e ao cabo duas ferramentas básicas deste conto.
    Apesar dessa característica em relação ao enredo, este se sobressai nesta narrativa, em função de haver uma pitada de insólito. No cemitério se mesclam um dos indicadores típicos dessa escola estética – a neblina – junto a atitudes pouco comuns num cemitério, como emboscada e tiroteio. Os campos-santos, da maneira como demonstrado na narrativa, de fato não passam de “[…]cidades dos que não mais existem”, sem nenhuma aura especial. Além disso, ao fim da narrativa, é possível concluir que a personagem Lenora, morta, é fantasma. Quando ela diz “acordei confusa” pode ser a consciência do espírito começando a se manifestar, e “Cedo ou tarde vou descobrir que aconteceu com William. Tenho tempo: todo o tempo” pode ser a indicação do tempo eterno.

    Os pontos de vista são vários, sendo cada cena um retalho de uma grande colcha que a pouco e pouco vai sendo tecida. Há, entretanto, um detalhe que merece ser notado: o discurso dos personagens são muito parecidos entre si, quanto à sintaxe. Entendo que se trata de um elemento que ajuda na construção da circularidade, como se os personagens fossem quatro fragmentos de um discurso maior, de uma persona maior. Este seria o narrador em terceira pessoa do último “capítulo” –“O finício”. Por outro lado, pode abrir espaço para o leitor entender que houve má construção dos personagens, que evidentemente ficam individualizados pelo conteúdo das falas, mas não pela “dicção”. Como interpretar um texto ficcional significa muitas vezes fazer escolhas dentre vários caminhos interpretativos, prefiro a primeira opção.

    Assim, considerando que o modo como se expressam os personagens não é fruto do acaso ou de inabilidade do(a) autor(a), parece-me nítido o fato de haver uma relação simétrica entre alguns deles, a começar pelo fato de serem dois homens e duas mulheres. Outro ponto é o domínio delas sobre eles, muito visível na relação entre Camila e Julius, mas também presente entre Lenora e Prospero. No primeiro caso, o comportamento do homem beira o ridículo (e aqui temos outro elemento de sátira); no segundo caso, o domínio não se dá pelo medo que a mulher causa, e sim pela pressão exercida por ela em função na tentativa descobrir uma possível verdade que ele pretende ocultar.

    Assim sendo, eu diria que o texto peca um tanto em coerência narrativa e em personagem; tem boa coesão textual; a linguagem é desequilibrada, com bom uso de figuras de linguagem, mas, como disse, com certo descuido após um bom início; o enredo, inserido no discurso do insólito, é relativamente previsível.

    Ficamos assim: coerência narrativa, personagens e enredo (muito bom); coesão textual (boa, afora alguns usos de pronomes oblíquos); linguagem (excelente).

    • Eduardo Selga
      20 de setembro de 2016

      Autor(a), por favor desconsidere o penúltimo parágrafo. Pertence a outro texto.

    • Edgar O Corvo
      21 de setembro de 2016

      Grande Eduardo Selga! Tem gentes por aí que fala que cê é metido de gênio, e tal, mas eu não acho não, acho que cê é bom mesmo, sabe das coisas! Raro olha por aí e enxerga uma cabeça cheia de ideias das boas feito a tua. Essa tua análise foi melhor do que eu , O Corvo, era capaz de fazer. Só não gosto muito da interpretação que diz estarem todos mortos: pra mim, é a mais fácil e bobinha que pode ter. Mas o resto tá de 10, adorei seu comentário. brigadaço, brother!

  38. Taty
    20 de setembro de 2016

    Interessante os recortes no tempo e visão dos personagens. Bons textos.

    Leitura fácil e tranquila, instigante. Gostaria de ter visto o final, a conclusão, digamos assim.

    Bom conto

  39. Evelyn
    20 de setembro de 2016

    Oi, Edgar,
    Eu me senti em uma ciranda. Um matando o outro. Um lapso no tempo, no tempo deles. Ad aeternum.
    Meu Alzh me fez não entender muito bem. Dá zero para mim. Mas enfim, William está morto e sabe lá quem o fez.
    Apesar do não entendimento, está bem escrito e dentro do tema.
    Parabéns.
    Abraço.

  40. Olisomar Pires
    20 de setembro de 2016

    Olá, uma boa sacada essa estória com ângulos diversos, lembrou-me o filme Ponto de Vista, onde os takes mostravam a visão distinta de muitos personagens.

    O texto é fluído, possui bons diálogos e faz da leitura algo leve e curiosa, deixo a análise ortográfica para outros. Somente uma construção que notei ficou meio estranha:” …e já sei quem acho que vai me contar tudo.” –

    A última parte ( do cachorro vira-lata) seria dispensável, mas aí é opção do autor.

    O gatilho da repetição é bom, sob o risco de se tornar enfadonho, um hora será preciso romper o círculo.

    Boa sorte.

    • Edgar O Corvo
      20 de setembro de 2016

      E aí, O Liso Mar, explica pra eu uma coisa. Como que o O Mar é Liso, se é cheio de onda? Num entendo teu nome, brother… E a última parte não acho que dá pra dispensar muito não, já que ela dá o sentido do título, “Os Que Perseguem Suas Caudas”, captou? Pra mim é a cereja do pacote, ou o último biscoito do bolo, o que der. Mas tudo de maravilha, cê gostou, isso que me importa. A gente se vê por aí, pelos cemitérios da vida e da morte.

      • Olisomar Pires
        20 de setembro de 2016

        Desconfio que meu nome seja um anagrama com partes dos nomes de meus pais e irmã, mas não tenho certeza. rsrsrsrs….

        Sim, eu captei o negócio com o título e os cachorros, só acho que se aplica também aos personagens, mas não se preocupe comigo não, nem com meu nome, afinal Deus sabe de tudo, não é ?

      • Edgar O Corvo
        20 de setembro de 2016

        Olisomar, é isso aí! A cauda dos cães; das pessoas; da cobra. Mais que tudo, o tempo. Todos perseguindo as próprias caudas; todos numa prisão sem paredes. Cê tem o meu olho pras coisas, gostei!

  41. Priscila Pereira
    19 de setembro de 2016

    Oi Edgar, que história!! Eu amei!! Pelo que eu entendi o cemitério era mágico, voltava sempre no tempo, por isso Lenora o escolheu, para poder descobrir a verdade! Agora me conta, quem matou o William?? Genial seu conto!!

    • Edgar O Corvo
      19 de setembro de 2016

      Oi, PP, e aí, belê? Bom que cê amo, entendeu uma parte. Mas essa história não é entende toda ela de uma vez não. Vai lendo de novo, quem sabe cê não entende mais um tiquito? Muito obrigado, agradecimentos de Edgar O Corvo pra você!

      • Priscila Pereira
        20 de setembro de 2016

        Que marra heim seu corvo… Tá mascarando sua real identidade né… kkk
        O que entendi, entendi, o que não entendi jamais entenderei…kkkk 😉

  42. Ricardo de Lohem
    19 de setembro de 2016

    Olá, como vai? Vamos ao conto! História muito estranha essa sua, em? Eu me senti em um filme dirigido por David Linch com roteiro de Takashi Miike baseado num argumento de Luis Buñuel e direção de arte de Salvador Dali. Pra falar a verdade não entendi muita coisa, talvez por ser a primeira vez que leio uma microtetralogia(?), mas não é preciso entender para gostar: é tudo uma grande prisão, um labirinto no qual todos estão presos como um cão perseguindo o próprio rabo, com a diferença que ele pode parar quando quiser, como você disse. Acho que é mais ou menos isso, certo? De onde veio essa ideia? E por que o número dois no título, existe algum outro conto seu com esse tema? De qualquer forma, é um conto totalmente diferente dos outros, isso não posso negar, ainda vou ler mais vezes para ver se descasco essa cebola metafórica. Parabéns! Desejo para você muito Boa Sorte no Desafio!

    • Edgar O Corvo
      19 de setembro de 2016

      Quem bom ce gostou, Ricardo. No último desafio, ce me deu uma nota bostial: melhora desta vez, tá, certo, brother? A ideia pra esse conto é uma danada de uma história da boa, você é o primeiro a me comentar, vou aproveitar e vou falar pra todos vocês aí. Primeiro as primeiras coisas, como fala quem fala inglês, e primeiro nasceu Edgar O Corvo. Aconteceu quando eu estava relendo tudo que o nosso Mestre das Trevas, Edgar Allan Poe, escreveu. Eu tava assim, tentando fazer alguma coisa no estilo do cara, mas não saía nada, prisão de ventre mental total, eu tava nessa, quando dormi. Sonhei que era um Corvo, e voava em um cemitério. Por mais que voasse, não achava a saída, sempre voltava pros mesmo lugares. Daí me veio a luz: a vida é um cemitério sem saída, e todos nós estamos presos em ciclos eternos de dor, prazer e vazio. Quando acordei, eu tava chorando, com lágrimas nos olhos pela beleza terrível dos meus sonhos. Olhei no espelho do meu quarto e fiquei chocado, vi que eu já não era eu, era outro mano, totalmente em outra. Adotei o nome Edgar O Corvo, esqueci meu nome cristão, e passei a viver só de noite, fugindo desse sol que nos dá a vida, mas também a morte, e a me vestir só de preto, roxo e vermelho. Agora eu sou Edgar O Corvo, Aquele Que Voa Pelos Cemitérios, Aquele Que Conhece Os Círculos do Tempo. Escrevi muitas histórias sobre o grande Cemitério sem Fim, essa é a primeira a ser publicada, outras virão, inclusive, lá pelo final do ano, o Cemitério sem Saída, o I, que tem uma outra história, passada no mesmo Universo. Por enquanto é isso, quem quiser saber mais de Edgar O Corvo, perguntem pra mim, porque ele sou sou, minha gente. Que o grande Poe fique com

      • Edgar O Corvo
        19 de setembro de 2016

        Concluindo, que o grande Poe fique com vocês todos e encha seus corações. A gente se vê tudo no Cemitério sem Fim.

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Publicado às 19 de setembro de 2016 por em Retrô Cemitérios e marcado .