EntreContos

Literatura que desafia.

Agora e para sempre (Claudia Roberta Angst e Thiago de Melo)

1277456-1440x900-[DesktopNexus.com]

− Agora, quero que você se vista e vá embora.

Hilda olhou para o homem como se tivesse ouvido o quarto segredo de Fátima. Deslocou-se na cama, puxando o lençol que lhe cobria parte do corpo e, já sentada, suspirou para disfarçar a raiva que começava a sentir.

− Poderia agilizar o processo? − O tom mecânico demonstrava total descaso com a surpreendida nudez.

Ela já sabia que Ivo não era um homem gentil, longe disso. Nem mesmo educado parecia ser. Desde o início, revelara-se assim: o avesso de um cavalheiro. Por mais descolada que Hilda fosse, aquela atitude sempre lhe atingia como uma afronta pessoal. E não era a primeira vez que se sentia assim. Uma marginal a ser expulsa depois do gozo. Uma prostituta sem pagamento. Ninguém.

Em breve, tudo seria esquecido. Nada mais teria sentido. Por isso, Hilda manteve-se calada enquanto se vestia de forma lenta e sensual. O rito gestual produzia uma estranha calma, um descansar de ameaças. E quanto mais peças ela deslizava sobre a pele, mais se desnudava de qualquer incerteza.

Ao calçar os sapatos, coturnos pesados, deixou o cabelo cair como uma cortina de seda, escondendo seu rosto do anfitrião impaciente. Se tivesse de chorar que fosse agora. Mas não era a hora. Concentrada nos cadarços dos calçados, sentiu os dedos de Ivo tocarem os fios acobreados.

− Se não fosse tão bonita, eu te daria uma surra.

Ela levantou a cabeça e sorriu para ele como se fosse beijá-lo, mas por dentro, armava-se de toda a fúria de uma tempestade. Afastou-se estrategicamente para que Ivo pudesse vislumbrar sua figura desconcertante, quase andrógina. Não era exatamente uma mulher de curvas generosas, nem primava pela delicadeza, mas ostentava uma sensualidade em estado bruto que sempre despertava os instintos mais primitivos.

− Valeu!

Sem mais palavras, despediu-se indiferente, enquanto fechava o casaco de couro. Apanhou a mochila pendurada na maçaneta da porta, sem olhar para o homem que permanecia concentrado na indefinição de suas formas.

Hilda desceu as escadas do sobrado, mascando chiclete e tentando assobiar uma canção de despedida. Sentiu um soluço tremular em seu peito e tentou se segurar, esbarrando o corpo contra o corrimão. Precisava de um motivo. Um motivo para xingar. Um motivo para matar.

Ouviu passos na escada um pouco atrás de si e imaginou que fosse Ivo, apressado para iniciar sua enfadonha rotina diária. Não deveria estar arrependido de qualquer palavra dita ou do modo como a tratara. Fosse como fosse, ele nunca se desculpava por nada.

Quase ao pé da escada, Hilda sentiu vontade de voltar e dizer tudo o que lhe sufocava o desejo. Não se virou, apenas tropeçou nos últimos degraus e minutos. Caiu, em câmera lenta, entregue a um desmaio assintomático, desfalecida sem o resguardo de um tapete macio.

− Hilda!

A voz ecoava de longe, infiltrada em um túnel com paredes cobertas de musgo. As palavras seguintes derreteram-se no ar e ela pensou que perderia, de fato, os sentidos. Qualquer sentido.

− Porra, o que vou fazer com você agora, sua putinha?

Com dificuldade, Ivo ajoelhou-se tentando apoiar a cabeça acobreada sobre suas pernas. As mãos, geladas pelo repentino pavor, deslizaram sobre as faces cobertas de sardas. Hilda parecia ainda mais jovem, envolta pela luz que entrava pelas janelas. Jovem demais para morrer ali, assim, de repente.

Enquanto esfregava os pulsos da menina, ele censurou-se pelo impulso emotivo. Precisava se acalmar e pensar direito. Estava exagerando o quadro todo. Aquela encrenca teria de ser despachada com um adeus, até nunca mais. Estava certo disso, pensou, tentando respirar e dominar o temor.

Ivo focou a atenção na própria respiração, buscando desacelerar os batimentos cardíacos. Olhou para Hilda e sentiu os olhos inundados de lagrimas e receios. Decerto, ela logo despertaria. Logo, logo, logo… Mas por que não despertava?

− Meu Deus! O que aconteceu, Dr. Mattos?

A voz estridente vinha da porta de entrada. Janice, carregando pastas e flores, aproximava-se esbaforida, produzindo um tilintar irritante de saltos.

− Quem é essa… menina?

− Ora, deixe de ser abelhuda e trate de chamar uma ambulância ou uma funerária. O que for mais rápido.

Ivo Mattos levantou-se, fazendo uma careta pelo esforço dispendido. Acomodou a cabeça de Hilda sobre a almofada que a secretária lhe oferecia como solução mais imediata. Olhou irritado para o relógio de pulso, enquanto Janice tentava, em vão, encontrar o celular no fundo da bolsa. Que dia seria aquele?

− Parece que ela está acordando, doutor.

Ivo suspirou entre aliviado e aborrecido. Só faltava essa para começar o dia. Escutou o barulho de um carro estacionando ao lado do jardim da frente e concluiu que era a sua primeira paciente chegando para a consulta.

− Segure quem for do lado de fora, Janice. Preciso de alguns minutos aqui.

Janice girou nos saltos altos como uma boneca de corda e dirigiu-se para a porta a fim de impedir a entrada da indesejada testemunha.

Hilda tentou se levantar, mas a cabeça doía e pesava de forma descomunal. Talvez tivesse exagerado na performance. A tontura lhe embaçava a vista como uma neblina de outono.

− Venha. – Disse Ivo oferecendo-lhe os braços como apoio e logo depois a sustentando em um abraço desajeitado.

− Não me sinto bem.

Ele, sem saber mais o que fazer, pegou a moça no colo, estranhando a leveza macia de seu corpo. O perfume doce dos cabelos misturado aos odores do sexo penetrou em suas narinas e o dentista teve vontade de largá-la ali mesmo. Aquela garota era mesmo a antítese de um ser angelical.

Hilda fechou os olhos e se deu conta de que, em algum momento, havia engolido o chiclete. Grudaria nas tripas como sua avó dizia? Fingiu desmaiar novamente, cansada de fingir ser aquela personagem sem nexo.

Ivo subiu as escadas de forma mais lenta do que pretendia. Faltava-lhe fôlego diante da visão do dia que teria e qualquer carga tornava-se imensa naqueles degraus sem prumo. O que poderia fazer? Livrar-se do corpo?

Empurrou com o pé a porta entreaberta do quarto e entrou com Hilda ainda em seus braços. O esforço, aliado ao nível de adrenalina ainda alto, provocou-lhe gotículas de suor na fronte.

− Vou te deixar aqui. E por favor, pare de fingir que não tenho tempo nem saco para isso… – Disse despejando Hilda na cama, sem o menor cuidado.

Ela reprimiu um sorriso e a vontade de cravar as unhas no braço de Ivo. O homem passou as mãos pelos cabelos grisalhos, tentando se livrar de qualquer sensação de culpa. Reclamou da suposta encenação, mas decidiu que não era hora de dar uma lição à garota. Trocou de camisa e vestiu o jaleco branco enquanto observava Hilda aninhar-se felinamente em seus lençóis.

− Depois, conversamos.

Estúpido, como todos os homens que havia conhecido. Não que tivesse tanta experiência assim, mas o suficiente para entender que a natureza masculina sucumbia à presença de um corpo de mulher. Ou se culpavam ou se escravizavam pelo sexo. Não era diferente com o doutorzinho.

Pretensioso, Ivo era mesmo o pior dos amantes. Não pela falta de habilidade na cama, mas pela insensibilidade demonstrada ao lidar com a situação. O que lhe sobrava em experiência, faltava-lhe em delicadeza. Sabia que era um homem livre, não por decisão própria, mas pelo abandono da mulher que, enfim, parecia ter se cansado das constantes escapulidas do renomado dentista.

Hilda fazia-se de tonta, de vadia sem inteligência, mas sabia de tudo. Tudo mesmo. Inclusive dos telefonemas anônimos recebidos pela Sra. Mattos. Marcela, instruída por Hilda, até se divertira bastante com aquela ideia de trote. Não faria mal, garantiu-lhe a prima, entre risos carregados de malícia e vingança.

Ivo logo percebeu a vulnerabilidade do seu estado civil indefinido e tratou de se defender contra as investidas femininas. De forma calculada, armou-se de toda frieza possível, desprezando qualquer detalhe romântico. Agindo assim, conseguia evitar o envolvimento emocional, que julgava temerário e desnecessário. Não poderia ceder aos encantos de uma mulherzinha qualquer, pois um dia, Diana voltaria e seriam de novo o casal sorridente nas colunas sociais do jornal local.

Assim que se viu sozinha, Hilda esticou-se, livrando-se da dolorosa inércia dos músculos. O espreguiçar era um despertar dos sentidos, uma preparação para o que viria depois. Não havia tempo para preguiça ou hesitação. Teria de antecipar um pouco os planos para que coubessem no cronograma imposto pelas atitudes de Dr. Mattos. Doutorzinho de merda!

Sacudiu a cabeça e sentiu o perfume que o movimento liberava. Algo entre a colheita de maçãs e uma bela torta de pêssego. Pessoalmente, gostaria de algo mais amadeirado ou uma nota cítrica, mas o doutor preferia esse odor de infância na casa da vovó. Era sempre melhor agradar à vítima.

Levantou-se e foi até a velha cômoda que recendia a sândalo envelhecido pelos anos de esquecimento. Uma antiguidade de Madame Mattos, talvez, pensou Hilda, enquanto abria as sucessivas gavetas com cuidado para não produzir ruído.

Tudo parecia perfeitamente dobrado, alinhado, encaixado em metódicas seções. Reconheceu Ivo nas proporções geométricas, no labirinto sistematicamente organizado e limpo. Segurou os palavrões que lhe vinham à mente e, antes de prender os dedos na última gaveta, avistou um brilho metálico sob os tecidos alvos. Sorriu. Lá estava ela.

Hesitou por um minuto ou dois. Finalmente pegou o objeto. Era mais pesada do que imaginara. Fria. Ela fantasiara aquele momento tantas vezes nos últimos tempos. Finalmente estava ali. Não havia mais volta. O coração acelerado fazia suas mãos tremerem. Hilda podia ouvir o dentista no consultório abaixo, fazendo mil elogios àquela primeira cliente do dia. Será que era bonita? Maldito.

Nunca tinha segurado uma arma antes. Ao mesmo tempo em que sorriu, sentiu os olhos se encherem de lágrimas. “Você vai ver só, desgraçado! Vai ver!” Encenou o que havia imaginado e apontou a arma para a porta do quarto. Quando estendeu o braço, as mãos trêmulas e suadas fizeram a arma escorregar. A pistola caiu fazendo um barulho alto ao bater no chão de madeira.

No andar de baixo fez-se um silêncio rápido. Todos olharam para o teto do consultório. O dentista disse à Secretária: – Janice, eh… por gentileza, vai lá em cima no meu escritório ver se está tudo bem com a minha… hum… com a minha sobrinha.

Hilda percebeu que o barulho alto a havia delatado. Correu para pegar a arma no chão. Secou as mãos na roupa e apontou a arma para a porta. Os olhos da jovem se alternavam rápidos da arma nas mãos para a porta e de volta. Apesar do esforço para se manter concentrada, a mira da arma ia de um lado a outro.

Ouviu passos lentos na escada. Seria o doutorzinho? No momento seguinte, ouviu a voz de Ivo no andar de baixo voltando a falar com a cliente e dando uma gargalhada despreocupada. Enfiou a arma na jaqueta de couro e correu para a cama. Tirou os coturnos e cobriu todo o corpo, deixando apenas o rosto à vista. Fechou os olhos e respirou fundo.

A secretária bateu na porta de leve com os nós dos dedos e entrou.

– Oi, querida, como você está se sentindo?

– Hã? Ah! Oi, tia. Acho que peguei no sono.

– Está tudo bem, criança?

– Está, sim. Estou só um pouco zonza. Acho que preciso descansar um pouco.

A secretária se aproximou da cama e colocou a mão na testa de Hilda.

– Minha Nossa, você está suando frio, menina. Vou falar com o Dr. Mattos para vir aqui ver você. Ele já está quase terminando com a paciente. Já já ele sobe.

– Obrigada – forçou um sorriso. A Secretária saiu do quarto devagar, encostando a porta.

Hilda decidiu não se levantar. Os últimos 12 meses começaram a se repetir em sua memória. Aquela sexta-feira à noite parecia tão distante agora. O coroa bonitão na boate, o jeito como ele olhava pra ela, as coisas que ele dizia ao ouvido dela. Como ele fazia aquilo? Quando percebeu, já estava dominada por aqueles olhos verdes. Aquele sorriso. Em pouco tempo já não conseguia mais se afastar daquela boca, não queria se afastar. Ela não era nova demais pra ele. Ele a via como ela era de verdade: uma mulher.

Lembrou-se da primeira vez em que fizeram amor naquela mesma cama em que estava agora. Amor bruto, forte, adulto. Quando já não aguentavam mais, ela se deitou colando o corpo ao dele e pousando a cabeça em seu ombro tatuado. Ivo apoiou um cinzeiro no peito e os dois fumaram um cigarro ainda suados.

Ficaram naquele flat sobre o consultório o final de semana inteiro. Faziam amor, assistiam televisão, pediam alguma coisa para comer e faziam amor novamente. Ela zanzava pelo flat descalça e vestida apenas com uma camisa dele. Na madrugada de sábado para domingo ouviram um barulho no andar de baixo. Ivo pulou da cama e foi para a janela ver o que acontecia na entrada do consultório. Viu dois homens batendo com força na porta. Abriu uma gaveta da cômoda e puxou uma arma. Quando abriu a janela, ouviu:

– Eu te falei, Zé, que num dava pra ir no dentista agora! Hahahaha – os dois bêbados caíram na gargalhada e seguiram abraçados pela rua.

Ivo se voltou para a garota assustada na cama. – São só dois bêbados querendo uma consulta – e sorriu um sorriso luminoso.

Hilda nunca se sentira tão protegida como naquele instante. Só de cueca ao lado da janela, segurando uma arma na mão e sorrindo, Ivo era seu príncipe encantado. Ele era um homem de verdade para uma mulher de verdade. Ele a completava de todas as formas, como nenhum daqueles moleques de antes jamais poderia. Naquele instante, ela poderia morrer por ele. Até onde se lembrava, aquele havia sido o final de semana mais feliz de sua vida. Ficariam juntos para sempre.

Suando frio embaixo do edredom a garota mordeu o lábio quando se lembrou da manhã de segunda-feira daquele primeiro final de semana juntos, de como ele a dispensou:

– Olha só, agora você precisa se vestir e ir andando. Tenho que buscar minha esposa no aeroporto daqui a uma hora.

– Esposa? Você é casado?

– Casado, e muito bem casado, graças a Deus.

– Mas… Mas e esse final de semana? E tudo o que a gente fez? Você nem usa aliança!

– Menina, se eu uso aliança, ou não, é problema meu. Esse final de semana foi legal, a gente repete a dose qualquer dia desses, mas agora você tem que ir.

– Mas e…

Ele respirou fundo e olhou para o teto. – Pega suas coisas! Não estou com saco pra discutir logo cedo.

– Eu só vou se você me prometer que a gente vai se ver de novo.

– Eu te ligo.

Não ligou.

Duas semanas depois, o último paciente do dia estava atrasado. Dr. Mattos dispensou a secretária: – Janice, pode ir. Acho que esse César não vem mais. Eu fecho tudo aqui – momentos após a saída da secretária, Hilda entrou no consultório com uma roupa provocante. Ivo avaliou a garota dos pés à cabeça.

– Eu tenho hora marcada – ela disse.

– César? – ele perguntou sorrindo. Ela sorriu de volta e o encarou com luxúria.

Nos meses seguintes passaram a se ver com frequência. Por ordem de Ivo, a garota aprendeu a ser invisível. Não poderiam jamais ser vistos juntos, e não só pelo casamento dele. A idade dela poderia trazer complicações com a Justiça, ele dizia, mas ele não era um criminoso. Não. Ele era o homem dela. Um monte de corruptos fazedores de leis jamais entenderia o que é amor de verdade. Aquilo era amor e se amavam sem limite. O único problema era a esposa dele, mas Hilda sabia o que fazer.

Depois que Diana pediu o divórcio, o dentista saiu do apartamento no centro e passou a morar no flat sobre o consultório, até então apenas um refúgio para aventuras extraconjugais. O conto de fadas de Hilda finalmente estava completo. Seriam apenas ele e ela. Ela não precisaria mais dividir Ivo com ninguém! Ficariam felizes e juntos para sempre, mas ele só falava da ex-esposa. Faziam amor raramente, brigavam muito. Ivo foi ficando cada vez mais distante, mais mecânico. Só a procurava para saciar seu desejo. A indiferença doía mais que uma surra.

– Você acha que eu sou um pedaço de carne para você usar de vez em quando e jogar fora?

– Se está achando ruim, indo embora faz dois favores: um pra você e um pra mim – mas ela nunca iria embora, ambos sabiam disso.

À medida que ele se distanciava e se mecanizava, pensando apenas na ex-esposa, ela construía sua própria muralha. Saíram os vestidos justos, as saias curtas. Entraram a jaqueta e os coturnos. Saíram os perfumes adocicados, entraram os amadeirados e o cheiro pungente e ácido dos cítricos. Raspou metade da vasta cabeleira vermelha. Apenas penteava o cabelo para os dois lados, cobrindo a parte raspada, quando se encontrava com o doutorzinho.

− Se não fosse tão bonita, eu te daria uma surra agora por ter feito essa merda com seu cabelo – foi o que disse quando a viu tosquiada.

– Eu continuo sendo a sua bonequinha, não está vendo? – falou segurando o cabelo com as duas mãos ao lado da cabeça.

No andar de baixo, o dentista terminou a consulta e pediu que Janice fizesse o próximo cliente aguardar um pouco. Precisava resolver logo aquele problema lá em cima. E resolver de vez.

Ainda entrincheirada sob o edredom, Hilda ouviu passos na escada. Passos firmes, rápidos, decididos. Era o amor de sua vida.

Ivo entrou e bateu a porta com força. Estava cansado das infantilidades dela. Já deveria ter terminado essa relação há muito tempo. E agora ela estava fingindo desmaio para não ir embora? Tentando manter o tom de voz sob controle, falou:

– Que porra foi aquela agora há pouco? Ficou maluca?

– Eu não me senti bem.

– Ah! Que conversa fiada. Eu sei que você estava fingindo pra poder continuar aqui e me atazanar ainda mais a vida. Estou de saco cheio das suas criancices, menina. Pra mim, chega! Não aguento mais suas frescuras e essa babaquice toda. Pega suas coisas e vai embora daqui de vez. E não precisa voltar como uma cadela no cio.

– Você vai voltar para sua preciosa Diana, vai? – a menina falou com a voz começando a falhar.

– Não te interessa, sua puta. SOME! – ele gritou.

– Eu tirei ela de você uma vez, E TIRO DE NOVO! – ela gritou de volta.

– Você o quê? – as sobrancelhas dele se arquearam num misto de surpresa e ódio.

– Eu fiz a minha prima ligar pra ela várias vezes até ela te largar! Você é só meu! A gente vai continuar junto agora e vai ficar junto para sempre! – disse apertando o edredom com força – EU FIZ ELA TE LARGAR ANTES E FAÇO DE NOVO! – explodiu.

Ivo avançou pra cima da garota, os olhos ardendo de fúria. Deu um tapa no rosto da menina com toda a força do corpo, tão forte que quase a fez perder os sentidos. Hilda puxou o edredom para cobrir o rosto e se proteger da chuva de socos que começou a receber.

– Vai embora daqui AGORA, sua vagabunda!!! – falou enquanto socava a massa desforme sob o edredom. Ele urrava. A respiração acelerada o fazia babar por entre os dentes cerrados. A menina se debatia e gritava debaixo do cobertor, tentando se proteger com os braços.

Ivo sentiu que a garota o chutou com força no estômago. A menina devia estar pensando que conseguiria lutar com um homem adulto. Ele diminuiu um pouco o ritmo dos socos. Até que ela era bastante forte para o tamanho. O dentista sentiu uma queimação na garganta e depois um gosto metálico na boca. O fôlego faltou e ele parou com os socos. Quando se afastou um pouco para tentar respirar fundo, percebeu um buraco escuro no edredom. Olhou para a própria barriga e viu um buraco no jaleco branco, que começava aos poucos a se tingir de vermelho. Uma pontada mais forte na barriga o fez dobrar as pernas e cair de joelhos, soltando um gemido.

Ofegante, Hilda emergiu do edredom, arma na mão. O rosto cheio de sardas trazia o decalque exato dos dedos de Ivo em alto relevo.

– O que você fez, sua filha da puta? – um golfo de sangue vermelho-vivo veio à boca quando falou. Estava sem ar. Tentou se levantar para ir em direção à porta, mas as pernas não obedeceram e se estatelou no chão.

Hilda jogou a arma no chão e correu para o amado. Ela se ajoelhou ao lado dele e pôs a mão no ferimento que minava sangue. – Ivo! Ah, meu Deus! O que eu fiz? Ivo, fala comigo! – dizia. O dentista se esforçava para respirar.

A menina correu para pegar o celular na mochila. Quando se virou para a porta do quarto ouviu um estalo e sentiu uma pancada forte no peito. Caiu para trás com o impacto.

Ivo largou a pistola ao lado do corpo e tentou pegar algo no bolso do jaleco. A respiração vinha em movimentos curtos e rápidos. Se esforçava pra se manter acordado. A vista já escurecia quando encontrou o que queria. Aquela era a foto mais bonita que tinha da ex-esposa. Sorriu com saudade.

 

Anúncios

74 comentários em “Agora e para sempre (Claudia Roberta Angst e Thiago de Melo)

  1. Thiago Rodrigues de Melo
    25 de agosto de 2016

    Eu sou meio contra dar explicações sobre produção literária. Acho que o autor escreve um texto, mas que o leitor lê outro. O ideal é que esses dois extremos consigam “conversar” através do texto, mas isso é sempre muito subjetivo.

    Contudo, ontem, uma amiga leu o texto “Agora e para Sempre”, que Cláudia iniciou e que eu concluí no desafio “Duplas”, e veio me questionar alguns pontos. Como eu já tive que escrever muita coisa pra ela pra mostrar as ideias por trás do caminho pelo qual levei os personagens do conto, e como estou com tudo na cabeça, estou deixando esse textão aqui no grupo para, quem sabe, fomentar um debate.

    Bem, vamos lá…

    O conto recebeu um mix de comentários, alguns muito positivos, outros nem tanto, estes últimos, no geral, diziam que era uma história cliché. Parte dos comentários negativos também mencionaram a “idiotização” do personagem masculino e que a personagem feminina, que no início da história era cheia de força e vigor, virou uma menininha assustada.

    Muito bem. Eu, Thiago, acredito que ninguém “nasce” bom ou mal, corajoso ou covarde, forte ou fraco. Acredito que vamos nos moldando ao longo da vida a partir das nossas experiências e que, nem sempre, quem nos vê fortes e cheios de vigor a certa altura da existência tem a real noção do que está por trás disso.

    O início da história que a Cláudia criou estava extremamente bem escrito, mas dava muito poucas referências de como aqueles personagens haviam chegado até aquele ponto, até aquela manhã. Houve uma referência à personagem feminina fazendo a prima ligar para a esposa do dentista e que isso havia feito o casal se separar. Fora isso, a coisa se desenrolou ali mesmo naquele consultório/quarto. Além disso, vemos que a menina já havia estado outras vezes naquele quarto, tendo em vista que ela já sabia que o cara tinha uma arma, e mais, que ela sabia exatamente onde essa arma estava guardada. Ou seja, no mínimo, eles tinham uma história de médio/longo prazo juntos ou ela não saberia tantos detalhes assim.

    Quando recebi o conto, eu quis mostrar um pouco da caminhada que levou aqueles dois personagens até aquele fatídico dia. Partindo da minha premissa de que ninguém nasce pronto, não achei que a menina era uma máquina programada para matar. Muito pelo contrário, quis mostrar que, por trás daquela máscara de força que ela usava no início da história, havia muita dor e muita mágoa, mas também amor… Se cozinharmos esses três ingredientes (dor, mágoa e amor) por tempo suficiente e dermos calor e pressão suficientes (indiferença e violência, mesmo que verbal), chegamos a uma pessoa quase insensível, protegida por uma carapaça a qualquer novo insulto. Na minha visão, essa é a pessoa que conhecemos no início do conto.

    Contudo, uma coisa é planejar, outra completamente diferente é fazer. Me lembro de ver o grande Luciano Pavarotti dizendo em uma entrevista que “qualquer cantor ou ator que disser que não sente medo, muito medo, antes de subir no palco para uma apresentação, estará mentindo”. Voltando à nossa menina, por mais que ela estivesse cheia de ódio e com tudo planejado na cabeça, no momento em que ela pega a arma pela primeira vez na vida, ela está prestes a subir naquele palco, e é o palco no qual ela vai matar o cara que ela ama, ou amou. É claro que ela iria ficar balançada nessas circunstâncias. (claro, contanto que ela não fosse uma máquina programada para matar).

    Já com o nosso amigo dentista, a pegada foi completamente outra. Eu apresentei uma antítese do cliché, mas muita gente só conseguiu ver o estereótipo do “coroa machão comedor de ninfetas”, e quando o dentista mostrou que tinha mais camadas do que esse rótulo, alguns acharam que não ficou “crível”.

    Em “O Auto da Compadecida”, temos um casal de personagens. A mulher do padeiro, que dá pra todo mundo, e o padeiro corno, que se faz de valente com uma arma na mão. No final da história, esses dois personagens estão prestes a serem assassinados pelo cangaceiro e têm o seguinte diálogo (viva a internet):

    “Dora: Por mais que eu goste de viver, eu sempre me perguntei se eu queria que me vida se espichasse além da sua. Agora eu sei! Eu num ia aguentar ver você morrer. Eu quero morrer primeiro, Eurico!
    Eurico: Oh, Dora, por que que você me traiu esse tempo todo?
    Dora: Acho que foi por isso mesmo, trair você era lhe matar um pouquinho dentro do meu coração. Eu tinha tanto medo de lhe perder de vez, que eu ia tentando lhe perder aos pouquinhos.
    Eurico: Tenha cuidado não. Agora a gente vai ficar junto pra sempre!”. E então pedem para morrer juntos.

    Com o dentista, eu segui o mesmo caminho de Dora, justamente para não me render ao cliché do “coroa comedor”. O início do conto mostrou que, depois que a mulher se divorciou dele, ele não quis envolvimento emocional/romântico com mais ninguém, e mais, que ansiava pela volta da esposa: “Não poderia ceder aos encantos de uma mulherzinha qualquer, pois um dia, Diana voltaria e seriam de novo o casal sorridente nas colunas sociais do jornal local”.

    Eu tentei imaginar o que estava por trás dessa violência verbal dele, dessa indiferença para com as outras mulheres que ele comia. Além disso, me intrigou essa firmeza dele em não se envolver emocionalmente, em “não ceder aos encantos de uma mulherzinha qualquer”, mesmo que o casamento dele já tivesse acabado. Nessa hora, o que me veio à cabeça foi a mulher do padeiro. Imaginei que ele tinha pela esposa um amor tão grande que era demais para ele, que fazia com que ele tentasse “matá-la dentro dele” a cada nova traição, em vão.

    Eu tentei mostrar que amor não está amarrado a fidelidade (como no caso de Dora) e nem mesmo está ancorado em usar ou não uma aliança. Gostaríamos que amor e fidelidade andassem de mãos dadas, claro, mas nem sempre é assim, e algumas pessoas que comentaram o texto conseguiram captar essa nuance: “Ivo é um bom personagem: a saudade que sente da ex-mulher contrasta com a forma como ele a traía e como trata suas amantes. É assim também no mundo real.” (Marco Aurélio Saraiva)

    Sei que é difícil ver além do estereótipo do garanhão. Já estamos saturados de frases como “Homem é tudo assim mesmo!”; “Fulano come todo mundo porque é um galinha”; “Todo homem é galinha”; e por aí vai. Mas, desde o início da história, vemos pistas de quais são os reais sentimentos dele (amor pela esposa/ indiferença por Hilda).

    Ao final do conto, eu tive um problema, eu não tinha ali presente a ex-mulher para que ele pudesse, na hora da morte, finalmente declarar o amor que ele tinha por ela e que, paradoxalmente, o afastou dela para sempre. (ao contrário do final de “O Auto da Compadecida”).

    Eu já fui socorrista da Cruz Vermelha e dei ao pobre Ivo um rompimento de diafragma acompanhado de forte hemorragia interna causados por um tiro. Isso deu a ele muita dificuldade para respirar e incapacidade de fugir. Era o fim dele, ele estava morrendo, e, sendo da área de saúde, ele sabia disso. Ele sabia que estava morrendo. Nesse momento final, os pensamentos dele se voltaram para a única pessoa que ele amou de verdade: Diana.

    (Hilda amava Ivo, que amava Diana, que estava curtindo a vida na praia)

    Cláudia abriu o conto com uma frase ríspida do Ivo para a amante. Eu quis fechar o grande arco dessa história, e fazer um contraponto com o início, terminando o conto com o dentista, na hora da morte, sendo “carinhoso” com a ex-esposa, que era quem ele amava de verdade. Não acho que isso faz dele uma pessoa “boa” ou “ruim”. Aliás, não acho sequer que existem pessoas simplesmente “boas” ou “ruins”. Dei a ele, na hora da morte, uma oportunidade de se redimir, de pedir perdão à pessoa que ele amava. Isso tudo ficou condensado em segurar uma foto com as mãos ensanguentadas e sorrir com saudade enquanto morria.

    Claro, podemos simplificar toda essa história ao cliché do coroa comedor vs. a adolescente possessiva. Mas se for pra simplificar mesmo, seria mais fácil dizer as pessoas apenas “nascem, crescem e morrem” (muitos nem chegam a se reproduzir).

    Alguém já disse que, de longe, todo mundo é normal e, de perto, todo mundo é louco. A minha ideia foi mostrar no final do conto um pouco mais de perto essa loucura complexa que é o amor. Nas palavras de Vinícius de Moraes:

    “Maior amor nem mais estranho existe
    Que o meu, que não sossega a coisa amada
    (…)
    E que só fica em paz se lhe resiste” (Soneto do Maior Amor)

  2. angst447
    20 de agosto de 2016

    Putz, se eu ganhasse $ cada vez que leio “tragédia”aqui, estaria menos pobre. Mas acho que vocês têm mesmo razão – a tragédia se anunciou desde o princípio.
    Que bom que você gostou da forma como a narrativa foi conduzida.
    Obrigada pelo comentário.
    🙂

  3. apolorockstar
    19 de agosto de 2016

    o conto é bastante emocionante e eletrizante como mostra o titulo , o texto é fluido e a linguagem é bem aplicada, e o mais importante ele veio em uma crescente, em um começo morno para um final bem arrepiante

    • angst447
      20 de agosto de 2016

      Obrigada pelo comentário. Torci um pouco o nariz para “um começo morno” , mas acho que o segundo autor, Thiago de Melo, soube dar uma esquentada geral no conto.

  4. Gustavo Castro Araujo
    19 de agosto de 2016

    Gostei muito da primeira parte do conto. Os sentimentos conflitantes de Hilda são descritos de forma simples mas profunda. É possível sentir o que ela sente, sua frustração, sua raiva, seu amor não correspondido. Isso dá o tom: um conto intimista, melancólico até, com sentimentos se extravasando em todos os parágrafos – tudo escrito com acerto e esmero.
    A segunda parte também está bem escrita. Porém, o psicológico deu lugar ao novelesco. Não que esteja ruim – muito pelo contrário – mas fiquei com a sensação de que não era bem isso que o primeiro autor tinha em mente. A abordagem no estilo vingança mexicana ficou até interessante (claro que eu li o fim com ansiedade, para saber se Hilda ia mesmo dar cabo do dentista), mas creio que o conto teria sido melhor se a pegada melancólica tivesse sido mantida. Coisas de gosto pessoal mesmo…

    • angst447
      20 de agosto de 2016

      Pois é, Gustavo, você percebeu muito bem o tom que eu quis dar ao conto – nada leve. Talvez porque eu não saiba mesmo escrever de outro jeito. Na minha cabeça, haveria uma morte, mas banhada em melancolia…rs.
      Obrigada pelo comentário.

  5. Thales Soares
    19 de agosto de 2016

    Não gostei…

    Achei o enredo desinteressante e meio chato. Porém, a primeira parte ficou muito bem escrita e me prendeu na leitura. O segundo autor, porém, deu algumas vaciladas. Ele puxou a história por uma linha ainda mais desinteressante e enjoativa. Acabou por descaracterizar as personagens e o final, para mim, não ficou nada a ver. Terminei a leitura com um gosto ruim na boca, por ler algo que tentou ser excessivamente dramático mas acabou ficando forçado.

    • angst447
      20 de agosto de 2016

      Olha, se eu consegui prender um pouco da sua atenção na primeira parte do conto, já estou satisfeita. Carregamos no drama, né?
      Obrigada pelo comentário.

  6. Wilson Barros Júnior
    19 de agosto de 2016

    “Avesso de um cavaleiro”, “antítese de um ser angelical”, “sucumbir a um corpo de mulher” e outros são termos para a coleção Catarinorkinda. O conto é interesante, parece uma sátira aos contos eróticos em que o dentista seduz a paciente. A segunda parte é um pouco mais violenta que a primeira, e o segundo autor idiotizou mais o doutor, mas tudo bem. A unidade foi conseguida com o estilo e até com frases “se não fosse tão bonita, etc.” realmente, à altura de um drama do Nelson Rodrigues, parabéns.

    • angst447
      20 de agosto de 2016

      Que bom que gostou dos meus termos e achou que merecem um lugar na coleção Catarinorkinda. Sim, Dr. Ivo já não valia nada na primeira parte, mas era mais frio do que imbecil. Quanto a Nelson Rodrigues… quem mandou meus pais deixarem uma garotinha ler A Vida como ela é – nas páginas da revista O Cruzeiro?

  7. Pedro Luna
    19 de agosto de 2016

    Um conto sobre crimes de paixão. Não fugiu dos clichês do gênero, mas tudo bem, acho que ambos os autores souberam contar a história, fazendo flashbacks para explicar a situação. Ainda assim, foi tudo muito previsível, inclusive, quando a garota acha a arma, já se desenha a tragédia. Não gostei do parágrafo final, com Ivo olhando a foto da ex-esposa, deixando no ar que ele podia ser uma pessoa diferente, mas indo totalmente contra a personalidade dele. Não ficou crível.

    • angst447
      20 de agosto de 2016

      Apesar de ter ficado satisfeita com a continuação do meu conto, concordo com você que o lance do retrato da ex-esposa não me agradou muito. Ivo não era um sujeito legal, bom marido ou sentimental. Ivo era só um doutorzinho de merda…rs.
      Obrigada pelo comentário.

  8. mariasantino1
    19 de agosto de 2016

    Putz 😦

    Então, não gostei do conto não, viu. A primeira parte é até legal, bem dosada nas descrições e fazem a personagem parecer misteriosa e ter personalidade forte, mas a segunda… Ah! A segunda faz a Hilda parecer vulgar, baixa (periguete!). O argumento de vingança é clichê, mas poderia haver destaque na condução (afinal, não há nada de novo sob o sol). A narrativa também não me foi muito agradável na segunda parte pela repetição de “menina”, mas a descrição do tiro foi muito boa.
    Enfim, o conto perdeu pontos pela descaracterização da personagem principal que de Lisbeth Salander, acabou como alguma personagem das novelas que passam no SBT. Acontece. Um lance ruim é só um lance ruim e o que pode não me ser bacana, talvez seja a última bolacha do pacote para outros.

    Boa sorte no desafio

    Nota: 6

    • angst447
      20 de agosto de 2016

      Maria, Maria, Maria, que bom que voltaste, Maria. Sendo eu a autora da primeira parte, devo dizer que você está certa. Hilda não era uma menina bobinha, apaixonada, muito menos periguete. Mesmo assim, seguiu seu destino (de assassina) com a ajuda do nosso colega Thiago de Melo.
      Obrigada pelo seu comentário.

  9. Simoni Dário
    19 de agosto de 2016

    Olá
    Os dois textos se complementam, a narrativa de ambos os autores é fluida e o autor complementar está de parabéns por ter se utilizado bem das ferramentas dadas pelo autor inicial que acabou entrando e saindo despercebido. O enredo em si deixa a desejar, mas teve o mérito de prender minha atenção sem tropeços.
    Parabéns à dupla.
    Abraço

    • angst447
      20 de agosto de 2016

      Obrigada pelo seu comentário, Simoni. Abraço.

  10. Daniel Reis
    19 de agosto de 2016

    Prezados Autores, segue aqui a minha avaliação:
    PREMISSA: “A Vida como Ela É” se encontra com Rubem Fonseca.
    INTEGRAÇÃO: muito boa, apesar do segundo autor pesar um pouco mais a mão nos diálogos.
    CONCLUSÃO: uma boa história, contada com naturalismo mas ainda guardando alguns aspectos exagerados, como a mecânica do crime passional.

    • angst447
      20 de agosto de 2016

      Interessante essa junção “A Vida como Ela É” se encontra com Rubem Fonseca. Li muito “A Vida como Ela É” quando muito jovem. Deu nisso!
      Obrigada pelo comentário, alter ego. 😉

  11. vitormcleite
    19 de agosto de 2016

    uma boa história de suspense que me deixou agarrado na trama e na leitura.A primeira parte é muito inspiradora e quem continuou o conto estava inspirado. Muitos parabéns à dupla, se é verdade que não tem nenhuma novidade explosiva, porém apresenta uma leitura que envolve completamente o leitor sendo quase impossível parar a leitura. Parabéns para os dois.

    • angst447
      20 de agosto de 2016

      Que bom que você gostou da nossa história, Vitor. Só planejamos assassinato, nada de explosões (acho que essa ideia era do Daniel Reis em N.D.A). Você dizer que foi que impossível parar a leitura foi o máximo. O conto deve a parte mais eletrizante ao Thiago de Melo
      Obrigada pelo comentário.

  12. Renata Rothstein
    18 de agosto de 2016

    Uau! Sem fôlego aqui. Bom demais da conta,excelente. Tema um pouco batido, mas explorado de forma única.
    Nota 9,5

    • angst447
      20 de agosto de 2016

      Eu é que estou sem fôlego aqui com o seu gentil comentário, Renata. O Thiago não deixou ninguém pegar no sono, né? Obrigada pelo comentário.

  13. Jowilton Amaral da Costa
    18 de agosto de 2016

    Contaço. A narrativa é fluida e nos prende totalmente. A interação da dupla foi muito boa, muito boa mesmo. Não tem como saber onde o primeiro escritor termina e o segundo começa. Além do mais, por ser dentista e morar onde eu trabalho, a história me pegou de jeito, kkkkkkk. Os personagens foram bem trabalhados e a trama se desenrolou com competência. Gostei bastante. Boa sorte.

    • angst447
      20 de agosto de 2016

      Olha lá, hein. Jowilton, nada de se identificar muito com o Dr. Ivo. O cara não vale (valia, coitado, morreu) nadinha.
      Que bom que Thiago e eu conseguimos misturar nossos estilos e disfarçar a emenda.
      Obrigada pelo comentário.

  14. Luis Guilherme
    18 de agosto de 2016

    Uau, muito bom! Uma das melhores até agora.
    Primeiro que o texto tá muito bem escrito. Gramatical e sintaticamente impecável. Segundo, o enredo tá muito bem amarrado e tramado. Gostei muito, tá envolvente e interessante. Consegue criar um clima legal, conduz bem a história, tudo ótimo. O fim também tá super legal e convincente.
    Achei legal, inclusive, a descrição do momento da morte. Não é fácil descrever tal situação, e ficou bem verossímil.
    Outro ponto positivo é a transição entre os autores, que tá impecável, o coautor conseguiu manter o padrão e a qualidade em alto nível.
    Parabéns aos dois!

    • angst447
      20 de agosto de 2016

      Também achei que o Thiago de Melo mandou bem na transição do conto, viu? E fiquei muito contente por você ter apreciado o nosso trabalho.
      Obrigada pelo comentário. 🙂

  15. Bia Machado
    18 de agosto de 2016

    Um conto Ok, de uma temática que não me anima muito. A primeira parte é menos dramática, mais sólida, parece ter uma firmeza maior na estrutura narrativa. A segunda parte segue bem, mas dá para ver a mudança de rumo e também as personagens um pouco alteradas do que eram no início, chegando a um final meio previsível e não muito original. Se tem algum erro, não me incomodou, ou seja, nada que uma revisão não resolva tranquilamente. Um bom conto, no geral.

    • angst447
      20 de agosto de 2016

      Quem diria que uma mulher seria menos dramática do que um homem, né? Thiago caprichou na dose de drama, suspense e sangue na segunda parte. Mas sabe que eu gostei? Quanto à alteração das personagens, você tem razão. O final, se fosse meu, também não teria sido muito original e cairia mesmo no previsível.
      Obrigada pelo comentário.

  16. angst447
    17 de agosto de 2016

    Autor(a), gostei da continuação que deu ao “nosso” conto. Só não imaginei Hilda realmente apaixonada pelo Ivo, doutorzinho de merda. A relação entre eles não era bem romântica. Mas que a morte viria, viria. De uma forma ou de outra, o sangue jorraria. 🙂

  17. Leonardo Jardim
    17 de agosto de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto (li inteiro, sem ter lido a primeira parte antes):

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): um conto sabrinesco a lá Nelson Rodrigues. Fiquei com uma sensação de conto muito bom, mas quando analisei com calma a trama, reparei em alguns problemas importantes: personagens estereotipados e um final dentro do previsto. Apesar disso, como já adiantei, é um conto muito agradável de se ler.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐⭐): a principal qualidade do texto, e talvez o motivo de eu ter gostado tanto, foi a técnica apurada de ambos os autores. Uma narração profissional e, apesar do erro apontado abaixo, com flashbacks bem encaixados e praticamente sem defeitos.

    ▪ falou enquanto socava a massa desforme (disforme) sob o edredom

    💡 Criatividade (⭐▫▫): como já disse, os personagens e o próprio relacionamento é um tanto clichê. O próprio final com morte dupla é bastante comum.

    👥 Dupla (⭐⭐): perfeita combinação de ótimos autores, que se não fosse um desafio de duplas, eu não saberia que eram dois.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): um texto agradável de se ler, personagens que cativam e poderiam de fato existir. O único ponto negativo aqui é o final previsto e dentro do esperado.

    • angst447
      20 de agosto de 2016

      Ah, Leo, você sempre descobrindo meu lado sabrinesco. E eu que jurava que tinha escapado disso neste conto.
      Quanto ao final previsível, eu não teria feito nada muito diferente.
      Obrigada pelo comentário. 🙂

  18. Marco Aurélio Saraiva
    17 de agosto de 2016

    Cadê o segundo autor? O entrosamento da dupla foi tão grande que nem vi a diferença entre um e outro!

    É um bom conto, com descrições interessantes e inteligentes. As sensações de levar um tiro foram muito bem narradas. Os sentimentos dos personagens – desde a paixão obsessiva de Hilda até o desapego quase que desesperado de Ivo – são muito bem retratados. Ivo é um bom personagem: a saudade que sente da ex-mulher contrasta com a forma como ele a traía e trata suas amantes. É assim também no mundo real.

    Um conto verossímil, muito bem escrito e bom de ler. Um exemplo de evolução e profundidade de personagens. Não vi falhas na escrita. Parabéns aos autores!!

    • angst447
      20 de agosto de 2016

      Sim, há muitas Hildas e muitos Ivos por aí, perto de nós.
      O que mais dizer? Só agradecer pelo gentil comentário.

  19. Ricardo de Lohem
    15 de agosto de 2016

    Olá, como vão? Vamos ao conto! De novo um conto que terá um comentário que bem curto de minha parte, pois não possui defeitos graves perceptíveis em nenhum nível, e ao mesmo tempo não se destaca por nada que seja especialmente empolgante ou maravilhoso; um típico Conto Médio Padrão,
    na minha opinião. Temos aqui uma história de ciúme e paixão, que lembra uma mistura de Nelson Rodrigues, Rubem Fonseca e Raymond Chandler. O segundo autor seguiu totalmente a linha do segundo, mas não vou dar mais nota por causa disso. Um bom conto, parabéns, desejo para vocês muito Boa Sorte!

    • angst447
      20 de agosto de 2016

      Você sabe bater, hein? Conto Médio Padrão… Puxa, doeu..rs. Mas vou superar.
      Estou adorando que todos estão associando o conto a Nelson Rodrigues.
      Obrigada pelo comentário, Rich.

  20. Andreza Araujo
    15 de agosto de 2016

    O ponto forte do texto pra mim é a própria narrativa. Ambos os autores demonstraram exímia habilidade com as palavras, e não notei nenhum erro grave de revisão ou na estética do conto. Não me perdi nem quando as cenas alternaram presente e passado, deu pra entender tudo perfeitamente.

    A história, por outro lado… não sei. Assim, é uma história bem real, com personagens reais, mas de algum modo eu não comprei a vida deles. Não é questão de não me convencer enquanto leitora, acho que eles tiveram as suas motivações, mas eu não fiquei curiosa com a leitura, não foi um texto que me prendeu.

    Só fiquei realmente entusiasmada até antes da menina cair na escada. Até esta parte eu estava me perguntando qual era a história dela, então a conheci e não gostei muito da personagem que se revelou a partir de então…

    • angst447
      20 de agosto de 2016

      Hilda não te agradou, né? Bom, essa moça nunca foi muito simpática mesmo. Depois que começou esse caso com o doutorzinho de merda, piorou muito.
      Que bom que apreciou a nossa habilidade com as palavras. Ponto nosso.
      Obrigada pelo comentário, Andreza. 🙂

  21. catarinacunha2015
    14 de agosto de 2016

    Todos os contos foram avaliados antes e depois da postagem da 2ª parte; daí a separação:

    1ª PARTE: Narrativa e vocabulário de gente grande. Aqui temos um exemplo perfeito de como enxugar um texto sem perder trama e nem qualidade.

    PIOR MOMENTO: “ Ninguém” – Não entendi o sentido: Hilda é uma ninguém ou ninguém paga ela?

    MELHOR MOMENTO: “E quanto mais peças ela deslizava sobre a pele, mais se desnudava de qualquer incerteza.” – Além de uma construção primorosa, dá a dica do baita gancho.

    PASSAGEM DO BASTÃO: Presente de mãe, bastão com lacinho.

    2ªPARTE: Pegou o bastão com as duas mãos e apresentou uma boa narrativa que só poderia desembarcar em tragédia. Só fiquei chateada com a mudança radical na personalidade da ruiva; antes poderosa virou uma garotinha ciumenta e frágil.

    PIOR MOMENTO: “– Você acha que eu sou um pedaço de carne para você usar de vez em quando e jogar fora?” – Frase batidíssima e que não cabe na boca de uma adolescente.

    MELHOR MOMENTO: “− Se não fosse tão bonita, eu te daria uma surra agora por ter feito essa merda com seu cabelo – foi o que disse quando a viu tosquiada.” – Frase bem construída, eloquente com a personalidade do dentista.

    EFEITO DA DUPLA: Houve harmonia do desenvolvimento da trama.

    • angst447
      20 de agosto de 2016

      Quer dizer que tenho narrativa e vocabulário de gente grande? Fiquei até vermelha.
      O “ninguém” foi no sentido de que Hilda sentia-se ignorada pelo amante. Como se não existisse. E nós sabemos que a indiferença dói mais do que o desprezo.
      Que bom que você gostou do resultado da junção das partes. Eu também curti.
      Obrigada pelo comentário. 🙂

  22. Wender Lemes
    13 de agosto de 2016

    Domínio da escrita: conto bem escrito, sem questões gramaticais severas a serem apontadas, o enredo é sólido em torno da “tragédia grega” que o conduz. É o que considero um conto fechado (sem possibilidade/necessidade de melhora).
    Criatividade: tudo é baseado em um drama romântico (alguns estereótipos como o cafajeste e a jovem revoltada), então a trama em si não é muito complexa, mas foi narrada com esmero do começo ao fim e isso vale muito.
    Unidade: gostei do texto como um todo. O início prepara o leitor para o final infeliz que esperava o triângulo amoroso. O segundo autor captou bem o que se projetava e soube desenvolver e explicar os pontos que teriam levado Hilda e Ivo ao ponto de se assassinarem.
    Parabéns e boa sorte!

    • angst447
      20 de agosto de 2016

      Que bom que você gostou da nossa tragédia grega. Os estereótipos foram inevitáveis para a caracterização dos personagens. Curti a parceria do Thiago, também acho que captou bem o que projetei, com algumas modificações, claro, mas seguiu o “plano”.
      Obrigada pelo comentário.

  23. Danilo Pereira
    12 de agosto de 2016

    O conto tem um enredo que é a típica tragédia Brasileira… O Adultério. A paixão e loucura de Ivo e Hilda. Uma observação que eu faço é a dualidade desse casal, não apenas na idade, porém nos ideias de vida, pensamento e modo de viver. Ivo é cirúrgico semelhante a sua profissão, ele é exato. O nome Ivo, significa “Deus Perdoa”. Não sei se o escritor quis brincar com essa analogia, mas nome melhor não caberia tão bem nessa tragédia. Hilda já é o posto de Ivo. Ela é inconstante, rebelde, apaixonada, iludida e perdida em seus seus pensamentos. Nota-se em uma cena que lembra muito o “complexo de Electra” Quando Ivo pega a arma pra defender-se, nas falas de Hilda “nunca se sentira tão protegida. Meu questionamento é como foi a infância dessa personagem??. E por final, Hilda significa “a lutadora, a combatente”… e realmente a personagem lutou até o final pelo seu amor (ou seria pela sua loucura???) NOTA:9

    • angst447
      20 de agosto de 2016

      Que bom que você gostou da nossa tragédia brasileira. Você definiu bem os personagens. E o detalhe do nome Ivo não foi intencional. Era para se chamar Daniel, mas acabei optando por Ivo. E pelo jeito, acertei sem querer. Adorei saber sobre o significado dos nomes. Foi tudo intuitivo e direto no alvo, hein?
      Obrigada pelo comentário!

  24. A conexão entre os dois escritores foi perfeita.

    O conto parece, realmente, ter sido escrito por uma só pessoa e lembra as histórias que causavam uma verdadeira comoção entre as leitoras dos anos 80.

    A trama foi muito bem amarrada. Gostei!

    Parabéns para ambos os autores.

    • angst447
      20 de agosto de 2016

      Fico contente por você ter apreciado o conto, Paula. Também acho que a conexão das duas partes funcionou bem.
      Obrigada pelo comentário.

  25. Júnior Lima
    11 de agosto de 2016

    Olha, primeiramente gostaria de dizer que a história está muito bem escrita em sua totalidade, quase totalmente sem erros e fluindo.

    Apesar do tema um pouco “novela”, o estilo da escrita foi cativante e prendeu minha atenção, me deixando com curioso para saber no que ia dar. Porém, não gostei do “prequel” Hollywoodiano que aparece no meio da história, explicando o que não precisava, e achei o desfecho sem nenhuma emoção ou surpresa.

    Mas está muito bem escrito, mesmo!

    • angst447
      20 de agosto de 2016

      Apesar da novela – mexicana? – o conto conseguiu prender sua atenção, e isso é muito bom. O final, o meu final, não teria sido muito diferente do que o desfecho dado pelo Thiago de Melo.
      Obrigada pelo comentário.

  26. Amanda Gomez
    8 de agosto de 2016

    Olá, autores!

    Gostei bastante do conto, uma narrativa fluida que nos faz ler sem parar. Houve uma forte sincronia entre a dupla, tive dificuldades para saber onde estava a ‘’ emenda’.

    Um conto que me lembrou outro do desfio, a mesma pegada ‘’ romântica e sensual’’ Com dois personagens complicados, até mesmo o final foi semelhante, só que este me agradou mais, com algumas ressalvas.

    Ivo é um personagem marcante, suas atitudes e personalidade despertam sentimentos a quem lê. E esse perfil foi mantido até o fim, embora tenha acontecido alguns exageros no final, que acabou descaracterizado a imagem inicial. Como na parte em que ele agride Hilda sem pudor, a forma como ele ‘’ cuida’’ dela antes, deixou essa cena meio sem nexo, ou no mínimo desconfortável. Ele podia ser bruto, mal educado e todas essas coisas, agora covarde ao ponto de agredir ela dessa forma, foi uma surpresa desagradável… Talvez o autor quisesse justificar as atitudes de Hilda, transformando o cara e um monstro.

    Já Hilda, despertou mina simpatia no início, se fazendo de forte e destemida, mesmo que estivesse sofrendo, achei que ela daria esse ‘’ troco’’ de outra forma. Ver ela se mostrando uma louca apaixonada me fez perder um pouco o encanto.
    O que me surpreendeu no conto foram as amarras feitas, tudo foi muito bem casado, não deixando pontas soltas. Quem deu seguimento ao conto, fez questão de usar praticamente todas as ‘’ deixas’’ do colega, e isso foi bacana.
    Senti fala de uma separação entre os parágrafos, tendo e vista que os pontos e vista eram intercalados, os flashbacks também ficaram soltos no texto, fazendo o leitor voltar algumas vezes pra entender.

    O final deixou um pouco a desejar, mas isso não tira o mérito do conto, que ficou muito bem escrito e sincronizado.

    Parabéns!

    • angst447
      20 de agosto de 2016

      Pois é, você tem razão – na minha concepção – Hilda não era uma bobinha apaixonada, fraca e ciumenta. Louca, talvez. Mas entendo que o colega Thiago tenha preferido seguir esse caminho para justificar o assassinato.
      Como já disse antes, meu final não seria muito diferente do escrito pelo Thiago.
      Obrigada pelo comentário. 🙂

  27. Wesley Nunes
    8 de agosto de 2016

    O autor tem domínio da escrita e através dela envolve o leitor em um ritmo dinâmico, onde a leitura do seu conto é rápida e sempre permeada de expectativa. As descrições, principalmente as do inicio, conseguem transmitir uma enorme carga dramática, gerando um envolvimento emotivo com a obra.

    A escrita é cuidadosa e prática, aonde o autor mostra o cenário e os personagens, mas nunca deixa de impulsionar a história. A construção também deve ser elogiada. Tanto em relação ao ódio que o leitor sente de Ivo como a mudança de Hilda. De inicio a personagem é mostrada como uma vítima aprisionada e conforme o enredo se desenrola, o leitor descobre sua personalidade obsessiva.

    O jogo entre aquilo que o personagem mostra e aquilo que o personagem sente, é feito com maestria e enriquece a personagem Hilda. Chama a atenção como a obra esmiúça em detalhes a questão “Ser usada”.
    Um conto construído através de uma escrita criativa a qual não encontrei nenhum falha ou motivo para criticas.

    Confessor que não sei quando termina a parte um e inicia a parte dois. Sendo assim, dou parabéns aos dois autores.

    • angst447
      20 de agosto de 2016

      Gostei muito da sua análise do conto, Wesley. Eu mesma ainda não tinha compreendido tão bem a mudança de Hilda (na minha concepção, ela não tinha nada de vítima bobinha, mas sim deixava-se ser usada). Vou reler agora com um novo ponto de vista.
      Obrigada pelo comentário. 🙂

  28. Evandro Furtado
    7 de agosto de 2016

    Complemento: mesmo nível

    Trama bastante consistente nas duas partes. O segundo autor conseguiu manter o tom do primeiro, desenvolvendo muito bem a história. De fato, para um leitor menos avisado, o texto parece ter sido escrito por apenas uma pessoas, tamanha a harmonia entre as partes. A escrita também foi muito bem desenvolida e os personagens bem apresentados.

    • angst447
      20 de agosto de 2016

      Gostei que você não tenha percebido a mudança de autor durante a narrativa. Acho que ambos lidamos bem com os personagens e tiramos deles o melhor.
      Obrigada pelo comentário.
      🙂

  29. Anorkinda Neide
    7 de agosto de 2016

    Comentário primeira fase:
    Um ótimo texto, pouca coisa acontece mas a leitura não ficou arrastada, ao contrário, está no ponto. Deixou um gancho e ao mesmo tempo pode-se ter fechado a história ali mesmo. É daqueles que não se tem nada a comentar, apenas parabenizar.
    .
    Comentário segunda fase:
    O texto seguiu bem escrito, no ritmo, digamos assim, mas o enredo decaiu, eu acredito. A relação do dentista com a menina foi montada numa certa sutileza e segredo, claro, como gancho mas o continuista transformou esta relação num clichezão e não simpatizei mais com os personagens, principalmente com o final, achei muito chato.
    .
    União dos textos:
    O texto flui, não se percebe a separação das partes, mas o enredo decaiu, a meu ver. Não seguiu o padrão de qualidade do inicio, embora eu perceba que ficou mais confortável para o começador desta historia, onde ele deixou sutilezas que o continuador pegaria ou não, e acho q ficaram entrelinhas perdidas no conto.
    Boa sorte, autores. Abraços

    • angst447
      20 de agosto de 2016

      Obrigada, Kinda, pelo comentário. Fico orgulhosa por você ter gostado da minha parte do conto. Claro que o Thiago seguiu o caminho que achou melhor, mas fiquei satisfeita com o trabalho dele.
      🙂

  30. Fabio Baptista
    6 de agosto de 2016

    Imitando descaradamente nosso amigo Brian, utilizarei a avaliação TATU, onde:

    TÉCNICA: bom uso da gramática, figuras de linguagem, fluidez narrativa, etc;
    ATENÇÃO: quanto o texto conseguiu prender minha atenção;
    TRAMA: enredo, personagens, viradas, ganchos, etc.;
    UNIDADE: quanto o texto pareceu escrito por um único autor;

    ****************************

    Conto: Agora e para sempre

    TÉCNICA: * * * * *

    Praticamente perfeita. A primeira parrte, mais cadenciada, com várias construções de rara beleza.
    A segunda, sem tanta poesia, mas compensando com mais fluidez, sem deixar a peteca cair.

    – Se não fosse tão bonita, eu te daria uma surra
    >>> 50tonsdecinzaesco

    – Se está achando ruim, indo embora faz dois favores
    >>> muito boa!

    – desforme
    >>> disforme
    >>> único problema de revisão que encontrei

    ATENÇÃO: * * * *
    Prendeu bem minha atenção.

    TRAMA: * * * *
    Batida? Novelesca? Clichê?
    Ora, a vida é clichê!

    Gostei bastante, principalmente dos personagens. O dentista “machão”, a mulher obcecada, se fingindo de boba e frágil na frente, mas executando planos malignos pelas costas.

    Muito bom.

    UNIDADE: * * * * *
    É possível notar a transição, mas foi de um modo que se complementou perfeitamente.
    Talvez o estilão poético da primeira etapa acabasse perdendo fôlego depois de ter criado a ótima ambientação. Daí veio o arremate mais acelerado e o conto respirou.

    NOTA FINAL: 9

    • angst447
      20 de agosto de 2016

      Clichê? Sim, agora e para sempre!
      Hilda de boba e frágil, só tinha mesmo a mochila…rs.
      Estilão poético, é? Acho que foi praga de alguma fada madrinha despeitada na hora do meu batizado, viu?
      Thiagão mandou bem, né?
      Obrigada pelo comentário.
      🙂

  31. Matheus Pacheco
    4 de agosto de 2016

    Então no final tudo se virou para e inveja de uma amante sobre seu amado?
    Eu achei genial, quando eu li pela primeira vez eu jamais imaginaria que se tornaria em um homicídio “Por amor”. Ainda mais por saber que Ivo era casado depois de tudo isso chega a ser “justificável”.
    Abração amigos

    • angst447
      20 de agosto de 2016

      No final, tudo virou uma boa tragédia, cheia de sangue e sentimentos contraditórios. Bom que não podem dizer que foi um final morno.
      Obrigada pelo comentário, Matheus.
      🙂

  32. Gilson Raimundo
    4 de agosto de 2016

    Uma leitura interessante e fluida, não teve entraves. Os dois autores se completaram plenamente, parecia um só, não consegui distinguir a divisão, a história é bem instigante apesar de não ser muito do meu gosto, mas é uma das melhores que li, o final é dramático e previsível, o que me impede de dar um 10. Boa sorte.

  33. Thomás Bertozzi
    4 de agosto de 2016

    Uma boa tragédia amorosa.
    Muito bem contada e envolvente.
    A leitura vai muito rápida.

    Nem notei a “passagem” de um autor para outro.
    Gostei bastante!

    • angst447
      20 de agosto de 2016

      Que bom que gostou da nossa humilde tragédia, Thomás.
      Obrigada pelo comentário.
      🙂

  34. Bruna Francielle
    3 de agosto de 2016

    Hmm.. Bem, de positivo, digo que essa história não foi massante. Cheia de ação, fluída, que faz o leitor ler em uma ou poucas patotadas, sem ficar parando. Prende a atenção. Algo que me incomodou, foi que no inicio, Hilda não parecia uma criança ou adolescente..algo em que presumo que o autor complementador a transformou-a. Não combinou a Hilda 1 com a Hilda 2. A ideia do casaco e d coturno, lembram mais alguém mais velha e decidida. E assim parecia a personagem no começo, alguém forte, e na segunda parte, parecia uma menininha fraca e amendrontada. Sim, a pessoa citou a mudança de roupas na segunda parte, mas simplesmente não colou, não convenceu. Eu gostei da segunda parte também, o texto todo está interessante, mas isso me incomodou, essa falta de combinação, a mudança drástica na protagonista. Gostei do final, o dr ainda pega a foto da ex esposa.. os diálogos ficaram interessantes. Mas, aí, outra coisa me incomodou.. no fim. A menina ia pedir ajuda, porq naquele momento o dr acabaria com ela, impedindo que ele mesmo fosse salvo ? Não parecia ser do tipo depressivo para se “matar” assim. Ele poderia se livrar dele posteriormente, e não arrisca a própria vida. Enfim, diria que tem uma narrativa boa, as 2 partes, mas os erros de concordância e lógica na história, nao passam despercebidos e não conseguem se fazer ignorados, e prejudicam a história como um todo, afinal lógica e coerencia é necessário.

    • angst447
      20 de agosto de 2016

      Bruna, minha ideia inicial para a composição de Hilda era alguém bem jovem, mas não uma menina. Uma garota entre 19 e 22 anos, mas forte e decidida. No entanto, todos nós temos um lado mais vulnerável e contraditório, daí que acho que a segunda parte não pecou nesse ponto – não era a minha visão, mas é possível que Hilda tivesse mesmo esse lado mais frágil.
      Obrigada pelo comentário! 🙂

  35. Olisomar Pires
    3 de agosto de 2016

    Muito bom. Um conto com cara de conto. As personagens são bem desenvolvidas no curto espaço. As partes do desafio se complementam, embora não seja uma obrigação, mas dá um ar de cumplicidade importante e, claro, talento. Texto rápido, dinâmico, flui com naturalidade, é denso sem se tornar sufocante ou deprimente.

    • angst447
      20 de agosto de 2016

      Um conto com cara de conto já começa bem! Que bom que você gostou do texto e não achou tudo sufocante ou deprimente.
      Obrigada pelo comentário!

  36. Brian Oliveira Lancaster
    3 de agosto de 2016

    CAMARGO (Cadência, Marcação, Gosto) – 1ª leitura
    JUNIOR (Junção, Interpretação, Originalidade) – 2ª leitura

    – Agora e para sempre (Alea Jactaest)
    CA: Texto bem cotidiano, simples, mas eficiente. A história prossegue de modo bastante fluente, com um gancho no lugar certo, apesar de não revelar do que se trata. – 8,5
    MAR: O desenvolvimento foi suave, sem muita enrolação ou camadas desnecessárias. Os personagens convencem, assim como suas reais intenções e máscaras escondidas. – 8,5
    GO: Não é muito meu estilo preferido, mas lembrou muito os esquetes de novela, provando que o autor conhece bem e domina o gênero escolhido. Bem escrito. – 8,5
    [8,5]

    JUN: Imperceptível. Continuação muito bem feita, no mesmo tom e com mesma atmosfera. – 9,0
    I: Um texto “Romeu e Julieta” às avessas, mais moderno e cheio de complicações. Esbarra em vários campos polêmicos, suprimidos (e resolvidos) com o “deus-ex-veneno”, a arma. Cotidiano e atual. Ainda com o clima de novelão. – 8,5
    OR: Nada de muito novo, mas as sensações transmitidas conseguem ser bem intensas. – 8,0
    [8,5]

    Final: 8,5

    • angst447
      20 de agosto de 2016

      “Romeu e Julieta” às avessas – Gostei disso!
      Que bom que a emenda ficou imperceptível. Sinal de que o Thiago mandou bem!
      Uma pura tragédia cotidiana redigida em dupla. Nada mau, né/?
      Obrigada pelo comentário.
      🙂

  37. Davenir Viganon
    1 de agosto de 2016

    Olá. Uma autêntica tragédia, com personagens bem construídos e uma estória bem conduzida, apesar de bem comum. Não notei quando o continuador começou, ou seja, ele manteve o tom da linguagem e abraçou a proposta. Apesar do final ser o esperado (acabar em morte) foi interessante a forma como foi feito. A descrição do tiro foi bacana. Foi um bom trabalho dos dois.

    • angst447
      20 de agosto de 2016

      Putz, se eu ganhasse $ cada vez que leio “tragédia”aqui, estaria menos pobre. Mas acho que vocês têm mesmo razão – a tragédia se anunciou desde o princípio.
      Que bom que você gostou da forma como a narrativa foi conduzida.
      Obrigada pelo comentário.:)

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 5 de julho de 2016 por em Duplas e marcado , .