EntreContos

Literatura que desafia.

Praga, meu amor (Evandro Furtado e Sérgio Ferrari)

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As luzes tremeluzentes dos postes ofuscaram uma visão mais precisa da estrada. Mas àquela velocidade, eu realmente não me importava.

Eu acelerei o carro que respondeu cantando pneus no asfalto liso naquele vazio do leste europeu. Ali, dentro do veículo, eu pude sentir em que direção a minha vida seguia. Rápida, cheia de luzes brilhantes. E ao mesmo tempo tão oca.

Parei em um desses restaurantes de beira de estrada para comer alguma coisa. Comida rápida, artificial, sem gosto. Naquele projeto de refeição, vi o reflexo da minha existência.

Deixei o estabelecimento, seu exterior ainda mal iluminado. Olhei ao redor, procurando por não sei o que naquele pedaço de fim de mundo. Então meus olhos encontraram aquela moça, ruiva, de face rosada, fumando, sentada no capô do meu carro.

Me aproximei sem saber exatamente o que fazer. Ela girou o rosto em minha direção, e naquela pose Marlene Dietrich, sorriso de escárnio nos lábios, perguntou:

– O carro é seu?

– Sim. Na verdade já estava de saída.

– Pra onde está indo?

– Pra… – hesitei. Na verdade não fazia ideia. – Pra onde o ar soprar mais forte.

– Mesmo? – ela jogou o cigarro de lado. Curiosamente não tinha aquele cheiro de tabaco amargo no hálito. Exalava um cheiro forte, adocicado, perfume francês ou coisa do tipo. – É um carro grande. Será que cabe mais alguém?

Desconfiado das práticas daquela senhorita, vacilei. Uma noite de peripécias sexuais me preencheria como a um urso de pelúcia, privado de suas espumas, cheio de papel machê.

– Perdão, moça, mas não estou procurando por diversão hoje.

Perplexa, ela levantou o pescoço, apertou os olhos e desapareceu com aquele maravilhoso sorriso do rosto, o que deixou a noite mais escura.

– Vou deixar passar seu insulto porque provavelmente esse é o tipo de comportamento ao qual está acostumado. Mas está enganado. Não sou, por assim dizer, uma mulher da noite.

– Me desculpe, eu não quis… – encabulado tentei me desculpar.

– Não faz mal. Está aberto? – disse ela, entrando no carro.

Surpreso, fiquei parado contemplando aquela bela imagem. Aquela dama misteriosa, emoldurada na janela de meu carro, sentada, fitando o horizonte, aguardando que eu próprio a seguisse, entrasse no veículo e saísse dirigindo. Foi naquela moderna tradução dos sonhos de algum poeta que encontrei uma nova razão pra continuar existindo.

Com as janelas de ambos os lados abertas, o vento correndo livremente por entre nossas faces, nossa trajetória prosseguiu.

A misteriosa mulher ao meu lado alternava o olhar entre a estrada a sua frente e breves meneares de cabeça em minha direção, o sorriso torto no canto esquerdo da boca sempre presente.

– Elas brilham de um jeito especial, não? – ela perguntou.

– As estrelas?

– Não. As luzes da estrada. Já percebeu como elas ondulam conforme os carros passam? É como se fossem líquidas e vulneráveis ao vento.

– Talvez seja apenas o reflexo.

– Não importa. É um espetáculo.

– Bem, você ainda não me disse seu nome.

– Alexia.

– Eu sou Stepan. E você é daqui mesmo?

– Daqui, dali. Depende de onde estou.

– Sim, eu sei. Quero dizer onde nasceu?

– Não faço ideia, e não acho que importe.

– Não acha que importa o lugar de onde veio?

– Não. É até melhor, impede que você possa ter pensamentos equivocados sobre a real natureza de sua liberdade.

– Bela colocação. É poeta?

– Só quando tenho as palavras certas.

Pensei em algo para rebater aquela epifania e descobri que o silêncio era seu melhor complemento. Como um garoto bobo, me notava enfeitiçado por aquela mulher, sentindo como se pudesse ouvi-la falar a noite inteira. Ou mesmo ficar ali, parado, contemplando o movimento de seu diafragma enquanto ela respirava.

Nos arredores de Praga, a expressão dela se alterou pela primeira vez, como se memórias ocultas pudessem modificar a própria natureza de seu ser. Alexia parecia refletir em seu olhar a tensão do ar, o cheiro da vegetação local, o barulho dos pássaros nativos. Mais parecia um camaleão transcendental. E que réptil belíssimo era aquele.

Cada elemento de sua face parecia perfeitamente escolhido por um artista pintando sua obra prima. Mas não creio que Leonardo, Picasso ou Monet pudessem ser capazes de conceber uma criatura tão bela.

Parei o carro em uma avenida qualquer e descemos juntos. Ela olhou ao redor, depois veio em minha direção, agarrou minha mão e me levou junto a ela. Não que eu me importasse com o lugar ao qual Alexia me levaria.

Ela ia a minha frente, dançando como um anjo. Os cabelos rubros balançando sobre o rosto. De vez em quando, entre aquele belo sacudir de cabeça, era possível contemplar duas órbitas azuis fitando, hipnotizando, fazendo apaixonar.

Sem hesitar, agarrei Alexia entre meus braços e a beijei como um homem que beija a mulher que conhece há dez anos, mesmo tendo sido poucas as horas em que nos conhecíamos.

Nossos lábios se encontraram como dois amantes sem há muito se ver, unindo os corpos e dançando a mais bela das valsas. Minhas mãos logo encontraram no corpo dela os pontos corretos para tornar ainda mais íntimo aquele gesto de amor. Depois de alguns segundos, afastei o rosto para fitar nos olhos dela sua reação. Teria eu sido demasiado afoito? Encontrei em seu sorriso a tranquilidade de meu espírito.

– Perdão, moço, mas não estou procurando por diversão hoje. – ela disse e gargalhou. Foi o mais doce e terno som que ouvi em toda a minha vida. Em seguida, beijou-me a bochecha e saiu correndo pelas ruas escuras como uma levada menininha. Corri atrás dela, quando estava, na verdade, correndo atrás de meu amor.

Fui tomado de assalto, no entanto, quando notei que Alexia corria em direção a um beco em que um homem de toca e casaco de couro parecia aguardar. Antes que pudesse gritar, o meliante a agarrou e tentou beijá-la a todo custo.

Corri em sua direção, tentando ser herói de mim mesmo. Não foi preciso. Alexia sacou por entre as roupas uma grande faca e a inseriu na garganta do homem. O bandido vacilou e começou a ceder em direção ao chão. A bela moça continuou a atacá-lo. Eu me detive em meio à rua, contemplando a bizarra cena. Quando ela acabou, estava repleta de sangue. A imagem de seu rosto era outra, diferente de qualquer que eu houvesse contemplado até então, e o exato oposto da doce menina que tinha me beijado instantes atrás. Logo, mesmo aquela máscara cruel desapareceu, dando lugar a uma faceta assombrada, inocente e banhada de sangue.

Alexia olhou-me e se aproximou. Quando se deteve diante de mim, esticou o braço para tocar meu rosto. Inconscientemente, dei dois passos para trás e isso fez com que ela recolhesse a mão.

Triste ela olhou para o chão, uma lágrima rolando em seu rosto deixando uma linha branca em meio à máscara de sangue que havia se tornado.

Alexia se afastou e seguiu em direção à noite. Eu a vi partir, e com ela minha vida. A última lembrança que tenho é de ver meu reflexo em seus olhos.

O jovem de bigode farto fechou o livro suspirando. Olhou para o relógio escovado no pulso, em seguida encarou a pessoa sentada à frente de sua mesa.

― Ah, como eu devo dirigir-me a você?

― Andrômeda está bem.

― Pois bem, Andrômeda… Há uma continuação?

O dedão dela escapuliu do salto como a sputinik 1 pela estratosfera. A saliva chegou à glote e extinguiu-se.

― Praga, meu amor é uma trilogia.

― Hum…

― Dez anos, Sr. Zéfiro.

Ele esmurrou o tampo.

― Dez anos pra terminar de escrever!?

Andrômeda viu as pontas da franja de nylon dobrando lentamente para o alto. As mãos enroscaram-se no vestido limão.

― Não, não. É o período que abranjo na trilogia.

― Tudo bem, senhorita. Gostei do teu talhado com a escrita. Segue bem nossa linha editorial. A história tem apelo.

Ventilou. A voz da autora subiu duas notas em um “viva” infantil, masculino.

― Você é transgênero?

― Transpraga, meu amor.

― Ótimo. Fantástico. Dedicada. Que seja um exemplo de grande conquista conosco. Vamos estar em todas as bancas de jornal do país. Papel jornal, capa de Emilio Buzzcarette, o escambau.

― Espera! Escrevo para estar nas grandes livrarias…

― Então olhe pela janela, veja os trovões da terceira guerra mundial. Acha que vai sobrar alguém pra entrar numa livraria pra ler melosos romances sanguinolentos?

― Eu estou com fome de sucesso.

― Coma o pãozinho com queijo aí na mesa.

― Você é Stepan eu sou Alexia, fingiremos, vamos para Praga escrever in loco um quarto volume.

― Uma quadrilogia?

― Uma saga para livrarias.

― Mas a guerra…

Ele apontou para o céu estrelado.

― Dane-se a guerra. ― Andrômeda cuspiu longe.

― Esqueça as livrarias, você escreve…

― Escrevo o quê?

Descolou um veio na testa vermelha.

―  Apenas, esqueça.  E ainda não li suas continuações.

Ele recuou no trato.

― Sabe o que tenho aqui, comigo? ― Ela bateu os dedos de leve na virilha.

― Uma faca.

Ela mordeu o lábio.

― Oras, como sabe?

― Sua peruca ruiva, sua roupa camaleônica, seu nome estranho.

― Estou emulando?

― Está. Eu gosto.

― Estou convencendo?

― Está.

― Te excito?

Tal qual uma cegonha pensando se era seu trabalho entregar bebês ou continuar uma vida livre e selvagem, com tamanha dúvida cruel, apenas por ter entreouvido uma conversa entre madames num parque aquático no verão de 75, o jovem Stepan titubeou na hora H de um bote do qual os dois não queriam escapar.

― Sabe tocar berimbau?

Ele fez que procurava algo (um berimbau) numa pequena sacola.

― O que isso tem a ver, Stepan? Falemos de Praga.

Tamanha sensatez da parte dela deu charme à continuação daquele quadro de tons quentes. Qualquer abóbada apequenar-se-ia diante da pincelada  que a alma de ambos dava na tela da vida.

― Tem tudo a ver com o Brasil. Você já foi para Praga?

― Vi muitos filmes.

― Tipo?

― Missão Impossível.

Ela cantarolou com voz de Tony Bennett a trilha famosa. Parou um pouco pra sentir a reação de seu par, pensando se voltava para o puro Business-to-business ou avançava como dama fatal escritora pródiga brega de Praga.

― Droga, este foi bom mesmo.

Ela aliviou-se ao ponto de gotinhas molharem sua cueca de plástico.

― Então?

― Então você, escritora. Papel jornal, tiragem de vinte mil.

Ele parou de falar, coçou o bigode e retornou.

― O quê está fazendo?

Ela esfregava uma massa vermelha nas bochechas covas. Tão natural quanto um recheio de canelone poderia abraçar o presunto com mussarela, destinados ao mais tórrido dos fornos. Que lhe custasse a vida, “Ztratil jsem se”, na Tcheca.

― Retocando o rosto.

― Uma mascara? Parece o ato final do que acabei de ler.

― É, mas espero ir embora com um adiantamento.

― E eu sem estar morto. Não posso ser um editor morto. Falido sim, morto?  Nietzsche!

― Seu escritório é num beco.

― Por que veio então? Literatura não dá grana.

― É o beco mais Praga que já vi. Suas botas furadas, seu cheiro de mijo, homem trabalhador.

Andrômeda começou a dançar uma valsa solitária, ao mesmo tempo em que tentava triscar um isqueiro na ponta do cigarro torto.

― Não tem medo que a policia confisque este seu carrinho velho do Carrefour?

― Por onde acha que eu ando, meu amor? A policia não se importa comigo.

― Tua trilogia veio no carrinho?

― Coloque mais papel neste tambor. Que o fogo arda.  Vamos quebrar a quarta parede.

― Viu minha guerra da janela?

Ela debruçou-se num quadro de luz e esticou o pescoço até um facho de luz inundar seu rosto, o editor fez até mesmo um paralelo visual com Marlene Dietrich. “Será possível?”, ponderou.

― Estou vendo. Um chinês gordo fatiando um pato e muita gente na fila de espera.

― Queria estar lá dentro?

― Meu negócio é Praga.

― Vou te lançar agora, daqui do Pari.

― Daqui para o mundo?

― Mas só tenho as bancas.

Chutou um rato que bamboleava numa poça.

― Eu aceito, sem escárnio, apenas aceito.

― Se soubesses como eu gosto do teu cheiro, teu jeito de flor, não negavas um beijinho a quem anda perdido de amor.

― Vinicius de…

― Tom Jobim, pelo amor de Medusa.

― Deite sua língua no céu da minha boca.

― Acabaste de comer pãozinho.

― Tira de canto esse teco. Tira (sussurro), tira (sussurro).

As bocas-desejo enroscaram-se entre barbas e a dança incerta daquela noite transcorreu com um aroma delicioso de corpos apaixonados.  O livreto dobrado e gasto de Praga, meu amor, até mesmo ele, foi esquecido, pisado, chutado para dentro do bueiro. A carreira de outrem chegara ao fim nas mãos de amantes mendicantes, sonhadores de uma fantasia tão distante quanto o que sobrara da Europa pós guerra. Andrômeda beijava de olhos abertos, atenta ao seu companheiro, pois esperava sua vez de poder ver o reflexo das luzes tremeluzentes. Certamente, jamais voltaria a escrever.

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40 comentários em “Praga, meu amor (Evandro Furtado e Sérgio Ferrari)

  1. Gustavo Castro Araujo
    19 de agosto de 2016

    O mais interessante deste desafio é ver como autores com estilos diferentes encaixam seus argumentos quando confrontados com enredos que desgostam. Foi o caso aqui. A primeira parte do conto nos leva a divagações de um homem solitário que se vê surpreendido com a chegada de uma garota amalucada e também assassina. Esse trecho foi concebido de forma competente, ainda que para o meu gosto flerte com passagens bastante piegas. O gancho deixado foi bem interessante – eu mesmo teria gostado de completar este conto.
    Aí veio a segunda metade e a evidente destruição do primeiro argumento. Não foi um sonho, mas um projeto de livro logo deixado de lado. Uma saída Deus-ex um tanto conveniente para que o segundo autor escolhesse não se adaptar ao estilo do primeiro, mas subvertê-lo com sua própria maneira de escrever. Muda-se da água para vinho, abandonando-se completamente a proposta original e, se entendi bem, nas entrelinhas formulando uma inteligente crítica (embora dela eu discorde) quanto ao estilo alheio. Também a segunda metade foi concebida de maneira competente, isenta de erros, mas ao que parece o segundo autor preocupou-se mais em destilar sua frustração por pegar um conto indesejado do que em produzir algo realmente impactante.
    O resultado do conjunto não poderia ser outro. Um conto fraco.

  2. Wilson Barros Júnior
    19 de agosto de 2016

    A linguagem é fácil, bem trabalhada, faz querer “ler mais” e tem humor. O conto de mulheres misteriosas sempre atrai. “ser poeta quando tem as palavras certas” é uma frase antológica. As respostas da Alexia são espevitadas e boas. A continuação mais uma vez não foi das que continuam, o que, em minha opinião, não era o objetivo do desafio, mas o segundo autor também escreve bem. Parabéns aos dois.

  3. Marco Aurélio Saraiva
    19 de agosto de 2016

    Escolho ignorar solenemente a continuação do conto. Muita sacanagem isso de fazer com que toda a primeira parte do conto nada mais era do que um trecho de um livro. Pouca criatividade!

    O que ficou na boca foi um gosto amargo. Um conto belíssimo, escrito por um escritor muito competente, que ficou pela metade. Queria saber mais!! É uma pena.

    Nada contra o segundo autor, que também escreve bem. O que realmente quebrou as pernas do conto foi o fato de ter mudado completamente todo o enredo trabalhado com maestria na primeira metade. Nada a ver.

    RIP, “Praga meu amor”!

  4. Leonardo Jardim
    19 de agosto de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto (li inteiro, sem ter lido a primeira parte antes):

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): a primeira parte é muito boa e deixa as expectativas nas alturas, mas a quebra e a loucura da segunda me deixou bastante confuso. Por uma obra do acaso, esse é último conto que comento (havia pulado ele sem querer) e, por isso, estou bastante cansado para me forçar a entender as nuances da segunda parte. Desculpe-me por isso.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): achei excelente na primeira parte, poética até, mas sem que esse fosse o foco do texto e sem deixá-lo cansativo por isso. A segunda parte é basicamente um diálogo sem erros, mas sem a mesma pegada poética. Encontrei esse erro aqui, ainda na primeira parte:

    ▪ Perdão, moço, mas não estou procurando por diversão hoje *sem ponto* – ela disse e gargalhou

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): um texto que possui alguns clichês, mas não deita em cima deles.

    👥 Dupla (▫▫): o segundo autor utilizou do artifício de que a primeira parte era uma história sendo lida e, ao contrário do “A chama e o chamado”, que usa o mesmo artifício, respeitou menos a história, fazendo apenas algumas referências soltas.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): não gostei da segunda parte e isso me deixou bastante chateado com o texto. Estou dando três estrelas, porém, pela ótima impressão da primeira parte.

  5. Thiago de Melo
    19 de agosto de 2016

    Amigos escritores,
    Achei que o conto de vocês foi bem escrito no que tange à correção ortográfica e gramatical. Não encontrei erros e, no início do conto, isso ajudou muito a me transportar para dentro da história. Gostei muito da primeira parte até o momento em que a história deixa de ser sobre o primeiro casal e passa a ser uma história escrita dentro da história de vocês. Infelizmente essa mudança não me agradou muito. Eu estava gostando do tom inusitado do primeiro casal. Gostei da química entre os dois e “comprei a ideia” de que algo assim seria mesmo verossímil. Por que não?
    Infelizmente essa primeira parte passou a ser um detalhe dentro da história maior, e a história maior, na minha opinião de leitor, caiu muito na qualidade. Não que esteja mal escrito. É que tive dificuldades em sentir a química entre os dois personagens falando ao mesmo tempo de guerra, livros em papel jornal em banquinhas de revista e sonhos de grandes livrarias. A mistura ficou muito grande para um conto de 4 mil palavras no máximo.
    No final das contas, ou no final do conto, fiquei meio perdido nas conversas dos personagens e tive dificuldades de entender o que estava acontecendo, para tudo terminar num beijo que veio não se sabe de onde.
    Não sei se posso fazer alguma sugestão de melhoria, mas talvez seja melhor não misturar situações demais em um conto relativamente curto. Boa sorte aos autores. Um abraço

  6. Pedro Luna
    19 de agosto de 2016

    Hum. Não gostei muito. O início me pareceu clichê demais, com a típica mulher misteriosa, femme fatale, cheia de segredos, com olhos bonitos, gestos divinos, que encantam e enfeitiçam o personagem. Quando ela mata o cara, achei que daí partiria para algo melhor, mas daí tudo muda, e não gostei da mudança. Logo que uma certa ação que pareceria dar um norte ao conto começa, a cena muda para um longo diálogo, cheio de referências, que sinceramente, não me ganhou, além de minimizar consideravelmente a primeira parte. Bem escrito, mas não gostei da história.

  7. Daniel Reis
    19 de agosto de 2016

    Prezados Autores, segue aqui a minha avaliação:
    PREMISSA: a narrativa mezzo HQ/mezzoPulp prometia, principalmente nos diálogos ágeis e no ambiente sombrio. Mas aí veio a segunda parte e mudou a rota completamente, criando um ambiente de loucura e irracionalidade, e anulando a história anterior.
    INTEGRAÇÃO: há um vão enorme entre as duas narrativas e linguagens, mas o efeito final acabou sendo interessante.
    CONCLUSÃO: não foi um dos meus preferidos, mas pelo menos manteve a curiosidade até o final, que eu considerei deceptivo.

  8. Evandro Furtado
    19 de agosto de 2016

    Gostei bastante do tom transgressor aqui. E transgressor mesmo. Gosto quando alguém ousa com tabus, eu não teria feito melhor. Confesso que a primeira vez que li fiquei com um pé atrás na escolha de recurso para a continuação. Agora acho que gosto muito mais. Também curti os elementos de prosa poética que eu, parcamente, tentei imprimir na primeira parte e que o segundo autor – ou autora, o mais provável – conseguiu aqui. Palmas, palmas, e adiante com o próximo desafio.

  9. vitormcleite
    18 de agosto de 2016

    enredo com tons negros, bem interessante de ler, a mulher não está muito retratada na primeira parte e ganha um maior protagonismo na continuação, animando o texto. A dupla manteve o ambiente bem interessante, e de leitura empolgante até final do texto. Parabéns

  10. apolorockstar
    18 de agosto de 2016

    o conto estava excelente na primeira parte, porem quando o coautor esquece a primeira história e a transforma em somente um livro acho que sinceramente isso é uma escapada muito fácil para escrever o que quiser e não sei se essa é a proposta do desafio. as duas histórias estão bem estruturadas,embora a continuação do coautor ainda tenha um final vago e uma linha de pensamento meio confusa

  11. Luis Guilherme
    18 de agosto de 2016

    Esse conto tá muito bem escrito! Tá tudo impecável tecnicamente. Isso torna a leitura agradável e fluente. Por outro lado, o tema não é algo que tenha me prendido muito nem apaixonado. Isso me deixou um pouco dividido na hora da nota.
    Porém, acho que a riqueza técnica, gramatical e estrutural do texto tão incríveis, e isso acaba roubando a cena.
    As referências, a fluência dos diálogos – que tão absurdamente convincentes, – e o domínio da escrita que os autores demonstraram tão acima da média do que li até agora (esse é o último texto que estou avaliando).
    Sobre o enredo, a princípio não gostei muito da forma como a segunda metade (acredito que o trecho em que muda a perspectiva da cena pro homem finalizando a história seja o ponto de transição, certo?) foi iniciada. Nunca fui muito a favor da utilização desse tipo de recurso, ainda mais nesse desafio. Mas acabou se mostrando supreendentemente interessante.
    Queria deixar claro que preferia que tivesse seguido a linha da primeira metade, mas acabou me surpreendendo.
    Resumindo, o balanço geral tá bem positivo, parabéns!

  12. Jowilton Amaral da Costa
    17 de agosto de 2016

    São dois contos distintos. Os dois são bem escritos. Não achei muito criativo a segunda parte fazer da primeira a leitura de um livro. (Não li os contos antes, caso isso não tenha acontecido, ignore.) estou dando mais valor aos contos onde a continuação se insere sem que se perceba, ou que a diferença entre histórias e estilos seja mínima. Se eu fosse votar separadamente, os dois contos teriam uma boa nota, como é um conto só, a nota não será tão alta. No entanto, os dois autores escrevem bem. Boa sorte.

  13. Andreza Araujo
    16 de agosto de 2016

    Então, a impressão que tive é a seguinte: são duas ótimas histórias… separadamente falando. Não gostei da segunda como complemento da primeira. O segundo autor fez uma espécie de releitura da metade original, recriando os personagens como se eles fossem aqueles da história inicial.

    Foi interessante, criativo? Foi… mas realmente senti falta da continuação! Teve um outro autor neste desafio que fez o mesmo, transformou o início em um conto da segunda história. Foi um grande risco, e aqui novamente noto isto.

    Realmente gostei das histórias separadamente, as li com atenção, gostei do modo de narrar dos autores. Inclusive, algumas frases são belíssimas. Mas se funcionou para o desafio “duplas”… aí são outros 500.

  14. Anorkinda Neide
    16 de agosto de 2016

    Comentario primeira fase
    Alexia, uma personagem forte, maior que o conto, eu diria. Mas a execução do mesmo ficou a desejar. Há frases mal elaboradas q até confundem a leitura. Na verdade, o enredo não chegou a lugar algum, sei q pensamos na continuação, mas mesmo em termos de deixar um gancho, acho que ficou tudo muito no ar. Assim como o protagonista não sabia onde ia, tb eu, leitora, viajei sem destino… rsrs
    .
    Comentario segunda fase
    Troca brusca na continuação, mas nao faz mal, tb fiz isso! Só que não degustei o diálogo, FC né? Não alcanço o raciocínio FC… acho q por isso, entendi quase nada alem da pegação do editor com a escritora? acho q eu vi isso…kkk
    .
    Uniao dos textos
    Achei que nao encaixou simplemente pq nao entendi a continuação e ja estava meio voando no inicio entao alcei voo plenamente pra longe do conto.. infelizmente. Boa sorte autores e abraços

  15. Fabio Baptista
    16 de agosto de 2016

    Imitando descaradamente nosso amigo Brian, utilizarei a avaliação TATU, onde:

    TÉCNICA: bom uso da gramática, figuras de linguagem, fluidez narrativa, etc;
    ATENÇÃO: quanto o texto conseguiu prender minha atenção;
    TRAMA: enredo, personagens, viradas, ganchos, etc.;
    UNIDADE: quanto o texto pareceu escrito por um único autor;

    ****************************

    Conto: Praga, meu amor

    TÉCNICA: * * *
    Consegue segurar bem a narrativa, tanto na primeira parte, mais descritiva, quanto na segunda, mais baseada em diálogos.

    Achei só um pouco adjetivado em excesso, principalmente quando fazia a inversão adjetivo / substantivo como em: “grande faca”, “bizarra cena”…

    Algumas boas construções, outras que ficaram meio… sei lá… esquisitas. Tipo:
    – Uma noite de peripécias sexuais me preencheria como a um urso de pelúcia, privado de suas espumas, cheio de papel machê

    Essa frase lembrou aquela música sertaneja (deixei minha querida, deixei minha própria vida, 60 dias apaixonado :D), mas ficou muito boa:
    – Eu a vi partir, e com ela minha vida

    Talvez seria melhor o conto acabar aí.

    ATENÇÃO: * * *
    As boas descrições e a surpresa do comportamento da moça vão prendendo a atenção. Porém, tudo desaba no recurso “foi apenas um sonho”, aparecendo aqui na vertente “foi apenas um livro”.

    TRAMA: * *
    A trama proposta é muito boa. Uma cidade exótica, uma mulher misteriosa, várias possibilidades.
    Infelizmente, acredito que o coautor tenha escolhido a pior.

    UNIDADE: * *
    Esse recurso de continuação não caiu legal.

    NOTA FINAL: 5

  16. Ricardo de Lohem
    15 de agosto de 2016

    Olá, como vai? Vamos ao conto! O começo me agradou bastante, uma história bem misteriosa, que faz o leitor querer saber o que vai acontecer na linha seguinte. Notei algumas frases meio esquisitas: “Sem hesitar, agarrei Alexia entre meus braços e a beijei como um homem que beija a mulher que conhece há dez anos, mesmo tendo sido poucas as horas em que nos conhecíamos”. Tendo sido poucos? Eles se conheceram (talvez biblicamente…) poucas vezes, ou se conhecer há poucas horas? Está meio confuso o sentido disso. “O bandido vacilou e começou a ceder em direção ao chão”. Ele começou a cair? Achei um pouco sujeito a ambiguidades isso de “ceder em direção ao chão”. “― Praga, meu amor é uma trilogia”. O nome do livro ë “Praga, Meu Amor”? Ou o nome do livro é “Praga”, e você esqueceu de colocar a vírgula no vocativo? Colocar a vírgula não eliminar a dúvida, o título poderia ainda ser “Praga”, ou “Praga, meu amor”. Acho que o melhor seria separar o nome do livro usando aspas, simples ou duplas: “― “Praga, meu amor” é uma trilogia”. A cena do ataque na primeira parte me lembrou o início do filme “A Dama de Xangai”, de Orson Welles. Você se inspirou nela? A transição da primeira para a segunda parte, tornando a primeira um trecho de um livro que Zéfiro estava lendo, foi muito boa, aliás, muito parecida com a que eu fiz em “A Chama e O Chamado”. O diálogo da segunda parte foi um pouco confuso, preferia que a história tivesse continuado numa linha mais de mistério. A segunda parte foi diferente, mas mesmo assim respeitou o espírito da primeira, acho isso melhor que uma emulação completa. Gostei do conto, a dupla foi bem, desejo para vocês muito Boa Sorte!

    • Evandro Furtado
      20 de agosto de 2016

      Olá, Ricardo. Baita comentário, hã? Eu não sei como você conseguiu se atentar a tamanhos detalhes, eu não consigo, kkkk. Em relação ao filme, não assisti não, mas fica a dica. Aliás, creio ter escrito esse conto antes de ter assistido a qualquer filme do Welles, mas sem dúvida é uma cara do qual eu quero tirar algumas coisinhas em futuros textos.

  17. Bia Machado
    13 de agosto de 2016

    – Conflito: 2/3 – Existe na primeira parte, que por sinal gostei bem mais do que a segunda. A segunda me desapontou demais…

    – Clímax: 2/3 – Também acontece na primeira parte e prendeu minha atenção. Já a segunda não teve. Foi, digamos, apenas uma conversa.

    – Estrutura: 2/3 – Chateou-me um pouco essa questão de serem no início um livro, depois a segunda parte com a vida real. Tenho a impressão de que o primeiro autor não imaginava que a continuação seria dessa forma…

    – Espaço (ambientação): 1/2 – Na primeira parte é bacana, dá pra imaginar bem o espaço com as descrições. Agora, a segunda parte, se bem entendi, é meio incoerente, porque o cara é um editor, daqueles raríssimos hoje em dia, que leem o original junto com o autor, já fecham o negócio na hora, tiragem de 20.000 e com direito a adiantamento… E o local parece que não condiz com toda essa maravilha? Se bem entendi, foi isso…

    – Caracterização das personagens (complexidade psicológica): 2/3 – Não se aprofunda muito, mas o narrador-personagem da primeira parte é interessante, Alexia também, tem umas construções engraçadas Tem um excesso de “eu” no início do texto. Já a segunda parte não foi nada de mais pra mim. Parece até que o segundo autor tentou seguir o estilo do primeiro e não soou natural.

    – Narração (Ritmo): 1/2 – A primeira parte, como já disse, é interessante. A segunda já não funcionou pra mim.

    – Diálogos: 1/2 – Na primeira parte ajudaram a causar empatia e dar estilo ao personagem. Já na segunda parte, alguns trechos ficaram bacanas, mas no geral transmitem certo descuido na elaboração.

    – Emoção: 1/2 – Gostei da primeira parte, quanto à segunda, comigo não funcionou.

  18. Gilson Raimundo
    13 de agosto de 2016

    “Belas palavras lançadas ao vento”… A primeira parte contém uma bela escrita que é desperdiçada numa história simplista, comunzinha. O autor usa um cenário europeu tentando valorizar erroneamente um conto sem clímax com um desfecho comum em dramas românticos, o desfecho poderia ser melhor fugindo da previsibilidade (pensava que a mulher fosse uma ladra ou vampira), ESCREVI ISTO ANTES DA SEGUNDA PARTE FICAR PRONTA e resolvi manter. Se ficasse só nisso sentiria que o meu tempo dedicado à leitura foi roubado inutilmente… O segundo autor parece ter percebido a barca furada que era o conto e como alguns outros deu um novo ritmo magistralmente a algo fadado a monotonia, este segundo autor merece os créditos de uma boa obra, pois juntando os cacos deu uma coisa até boa… Parabéns segundo autor.

  19. Wender Lemes
    13 de agosto de 2016

    Domínio da escrita: percebi um bom domínio da escrita no texto inteiro, sem problemas de revisão em destaque, com a primeira parte explorando mais a narrativa intimista e a segunda apelando aos diálogos para a construção das cenas.
    Criatividade: embora a passagem da parte inicial para a complementar não seja a mais criativa, o desenvolvimento individual é bem feito e cativa o leitor. O modo de narrar a partir da segunda parte é muito dinâmico, sem se preocupar muito em frisar quem está falando o quê. Isto é bom no sentido de dar fluidez ao conto, mas confesso que fiquei meio perdido em alguns trechos, tendo que voltar para me situar. Sendo assim, a estratégia acaba funcionando de modo oposto ao que se propõe.
    Unidade: é interessante como as duas partes são exatamente opostas em estilo de narrativa. Enquanto a segunda usa os diálogos para a criação do cenário, a primeira usa do cenário para a construção dos protagonistas (o modo como a cidade os afeta, ou as luzes e a velocidade modificam o comportamento de cada um). Penso que a unidade aqui não seja através da continuidade, mas do complemento.
    Parabéns e boa sorte!

  20. A impressão que tive, ao ler este conto, foi que se tratavam de dois textos distintos, embora o segundo contenha, claramente elementos do primeiro… (ambos buscam a sensualidade da narrativa e ambos bem escritos).

    De alguma forma o todo me remeteu à “Se Um Viajante em Uma Noite de Inverno”, de Ítalo Calvino. A obra, para quem não leu, contém várias histórias que param subitamente, no momento de seu ápice. No final, claro, trata-se de uma trama justamente sobre editoração de livros.

    Parabéns aos participantes.

  21. Simoni Dário
    10 de agosto de 2016

    Olá
    Ainda estou tentando entender e conectar as duas partes, mas acho que não entendi. Fiquei em dúvida se eram dois homens e sobre todo o conto. A parte inicial está melhor escrita do que a complementar. Desculpe autores, tentei compreender numa releitura e ainda fiquei a ver navios, Enfim, o texto não fluiu comigo.
    Abraços

  22. Júnior Lima
    10 de agosto de 2016

    Um conto um tanto esquisito, devido à segunda metade! Ambas as partes foram muito bem escritas, exceto por alguns errinhos aqui e ali (como sputinik). Mas, no geral, a história ficou bastante elegante e gostosa de ler.

    O tipo de mudança que foi feita na metade do conto geralmente não é do meu agrado, mas me parece que funcionou perfeitamente e, diferentemente de alguns outros do desafio, resultou em uma história coesa. Na verdade, não é imediatamente notável que ela foi escrita por duas pessoas, uma vez que a segunda parte foi uma continuação crível da primeira.

    O diálogo da segunda parte é um dos pontos altos, pulando pra lá e pra cá com ideias surpreendentes, que causam estranhamento.

    Parece um pouco sem pé nem cabeça e aleatório em algumas coisas, mas isso também funciona a favor do texto.

    É um conto que li algumas vezes e pretendo reler mais, sempre notando novidades por conta da riqueza de conteúdo.

  23. Renata Rothstein
    8 de agosto de 2016

    Gostei muitíssimo do conto, como um todo, muito embora a “saída” escritor(a) e editor em restaurante, diálogo com segundas intenções etc, tenha sido, até certo ponto, não tão criativa, o desenrolar foi muito bom, envolvente, bem escrito. Fiquei com algumas dúvidas, não sei se não entendi, ou se foi proposital a possibilidade de vários finais possíveis.
    No conjunto realmente achei muito bom.
    Nota 9,5

  24. catarinacunha2015
    7 de agosto de 2016

    Todos os contos foram avaliados antes e depois da postagem da 2ª parte; daí a separação:

    1ª PARTE: O ar depressivo do personagem dá uma áurea fantástica à ruiva. Uma pegada filosófica entre a beleza do mal e a feiura do bem, traduzido através do vocabulário ágil e intimista. Sugere uma virada com crescimento de intensidade para a 2ª parte.

    PIOR MOMENTO: Várias repetições de referências (aquela, àquela, aquele, naquele, naquela, etc)

    MELHOR MOMENTO: “Uma noite de peripécias sexuais me preencheria como a um urso de pelúcia, privado de suas espumas, cheio de papel machê.” A imagem fixou lindamente o sentimento do personagem.

    PASSAGEM DO BASTÃO: Passagem azeitada, cheia de promessas de ação.

    2ªPARTE: O truque da primeira parte do texto ser de um livro com outra história não me agrada. Mas os novos personagens são interessantes e o último parágrafo ficou maravilhoso.

    PIOR MOMENTO: “Ela aliviou-se ao ponto de gotinhas molharem sua cueca de plástico…” – Como assim? Que cueca? Essa mijada foi destrambelhada.

    MELHOR MOMENTO: “Tal qual uma cegonha pensando se era seu trabalho entregar bebês ou continuar uma vida livre e selvagem,…” – Belíssima construção para o dilema.

    EFEITO DA DUPLA: Sonhos do glamour à decadência. Os estilos são bem distintos, mas funcionou; embora eu prefira o estilo e história anterior.

  25. Olisomar Pires
    4 de agosto de 2016

    Bons diálogos, poderia ter mais pujança, ficou um pouco cansativo. As partes parece que se ajustaram. Revisão básica em alguns parágrafos. É isso.

  26. mariasantino1
    3 de agosto de 2016

    Olá, autores!

    O conto ganha pontos por conseguir manter o clima melancólico, de desesperança, em todo o texto, e a sacada de usar a primeira parte como conteúdo de um livro foi ótima porque o autor complementador fez permanecer os personagens mesmo eles não existindo mais. A primeira parte parecia que iria descambar para algo vampiresco, mas ficou somente na promessa e isso foi bom, porque poderia haver algo mais.
    A segunda parte é mais subjetiva (e melhor), tem diálogos inteligente e ágeis. O meio sujo que os rodeia também corroborou para o climão de melancolia e ainda é bonito mesmo sujo. Achei interessante também como na primeira parte o moço está desiludido da vida e na segunda parte ambos estão, e os diálogos (da segunda) faz parecer como os últimos suspiros de esperança que no fim deságua numa resignação do insucesso.
    Queria ter gostado mais do conto. Boa narrativa, enfim. Nota: 7

    • mariasantino1
      20 de agosto de 2016

      Depois de ler todos os contos, percebi que o seu merecia um ponto a mais pela conduta e diálogos inteligentes.

  27. Matheus Pacheco
    2 de agosto de 2016

    Então… A primeira parte do conto foi a leitura da obra de alguém?
    Se sim, então seria o/a transexual que a escreveu?
    Perdoem minha confusão, mas eu realmente não compreendi a mudança da narração.
    Abração amigos.
    (Me expliquem depois por favor)

  28. Brian Oliveira Lancaster
    2 de agosto de 2016

    CAMARGO (Cadência, Marcação, Gosto) – 1ª leitura
    JUNIOR (Junção, Interpretação, Originalidade) – 2ª leitura

    – Praga, meu amor (Stepan Chvátal)
    CA: Clima noir muito bem produzido. Os acontecimentos são rápidos, porem constantes e condizem com a atmosfera. – 9,0
    MAR: A parte inicial achei um tanto deslocada do padrão restante. Talvez, por ter sido a primeira parte a ser escrita, está com alguns erros gramaticais e falta de conectivos. Mas o clima de suspense e ares de noite boemia caíram bem no contexto. – 8,0
    GO: Gostei da atmosfera criada e da mudança final, aliás, duas mudanças. Dá para sentir a tristeza da protagonista, mesmo sendo acometida por “algo” inexplicável. – 8,0
    [8,3]

    JUN: Um quebra bem dramática. Foi no susto, mas, analisando o contexto, ficou bem interessante. Depende muito do ponto de vista, mas a surpresa, sem a utilização de subterfúgios, causa uma confusão mental espontânea, diferente. – 8,0
    I: O texto gira em torno de vários gêneros, começa romântico, enreda-se pelo fantástico, e termina metafórico e surrealista. Se mantivesse apenas o contexto de editor-escritor, talvez ficasse mais fácil compreender o enredo. Do jeito que está (o final) não me agradou tanto por ser “viajante” demais. – 7,0
    OR: O ponto de quebra foi original. O clima noir, nem tanto, mas a atmosfera estava bem melhor no começo. – 7,5
    [7,5]

    Final: 7,9

  29. Amanda Gomez
    1 de agosto de 2016

    Meu cérebro deu um nó depois que ‘’ senti’’ o complemento chegando… Acho que foi uma forma mais diferenciada de usar a desculpa do ‘’ sonho’’ e tudo mais.

    O começo não faz meu estilo de leitura, o amor à primeira vista, o protagonista carente tentando se encontrar, e etc. Mas foi bem escrito, e o final deixou um bom gancho para algo a mais que um simples romance, ou qualquer outro clichê.

    Mas essa expectativa foi por água a baixo, quando somos apresentados a Andromedra (?) Em algum canto do Brasil, mostrando seu livro para um agente mal intencionado. Foi meio perturbador, fiquei totalmente perdida na leitura, não entendi os diálogos, as descrições ou o enredo. Fiquei me perguntando se o problema era comigo, mas tenho que dizer que não foi não. Os textos não se casaram, não combinam…. Até pensei em certo momento que o complemento foi ‘’colado” no conto errado.. rsrsrs.

    Terminou que, o leitor (no caso eu) ficou sem saber qual a ideia dos dois autores para os personagens. Uma ruiva misteriosa e assassina da primeira parte, a Moça que usa uma peruca ruiva e demorou alguns nos para escrever um livro da segunda. Realmente, não foi minha melhor leitura até agora. O conto não tem química, e ainda estou tentando entender o tipo de escrita do complemento. Tem que se ler várias vezes, para interpretar.

    Err. Não sei dizer, mais que isso. Mas parabéns aos autores, que mesmo nas dificuldades conseguiram fazer uma conclusão.

  30. Wesley Nunes
    1 de agosto de 2016

    Analise parte 1:

    Em toda leitura me agradou o olhar de Stepan em relação ao mundo. É um olhar atento e ao mesmo tempo poético. O autor apresenta um homem de alma romântica, que enxerga em uma mulher desconhecida a imagem de uma musa. Stepan vê beleza e sensualidade em cada gesto de Alexia. O texto consegue transmitir a imagem desta mulher para o leitor e isso é digno de nota. Achei interessante essa visão romântica, tão relacionada com tempos antigos, colocada em um contexto atual e em um dia banal. A ideia e a execução são dignos de elogios. O ar de mistério da personagem foi bem construído e desperta curiosidade não só em Stepan como também no leitor. Em relação a escrita, destaca-se os diálogos, que são fluidos, interessantes e ajudam tanto a desenvolver a história e moldam a personalidade dos personagens.

    O autor conduziu muito bem o enredo, as cenas e a narração mantém um equilíbrio, porém, no momento em que Alexia e Stepan se separam, logo em seguida a personagem está sendo forçada por um homem e o mata. Tudo isso ocorreu depressa demais e poderia ser melhor elaborado. Esse trecho diverge de todo o ritmo do conto e me gerou desconforto.

    Analise parte 2:

    De inicio achei surpreende a virada no rumo da história. Na segunda parte é evidente o excelente uso da linguagem. O autor leva o texto em uma crescente, onde no inicio a loucura da conversa é tímida, mas presente. Com o desenrolar da troca das palavras, tudo fica mais maluco e o leitor anseia por saber qual será a próxima frase dita pela personagem ou pelo personagem. O autor é corajoso, tanto em relação a praticamente conduzir todo o conto somente com diálogos e não fazê-los de uma forma comum.

    Em relação as críticas, menciono que elas serão mais de caráter pessoal e não estão relacionadas a qualidade do texto. Vamos a elas:
    Senti dificuldade em identificar o propósito do texto. Em um momento, pensei que ele estaria na publicação do livro, mas este argumento não é citado no fim. Conclui que o texto tinha a intenção de levar ao maximo o dialogo e a loucura dos personagens. Entretanto, eu gosto mais de um texto tradicional.

    Senti falta de mais algumas quebras nos diálogos, nem que fosse algo mínimo. A quebra ajuda o leitor refletir o que está sendo discutido ou até mesmo pode ser o momento de uma reflexão ou opinião do personagem sobre o que está sendo falado. Esse meu incômodo me foi gerado mais no final do conto.

    Mais uma vez elogio o excelente uso da linguagem e também menciono o belo trabalho em equipe.

  31. Bruna Francielle
    1 de agosto de 2016

    Nossaaa.. chocadíssima ! Estou boquiaberta.. Não lembro se tinha lido inteiro esse antes da segunda parte do desafio mas, percebi que fizeram aqui o mesmo que fizeram no meu conto, praticamente. =S (creio q no momento posso citar isso, afinal não será revelado até o final..) Não sei se era pra achar maravilhoso a segunda parte.. mas achei extremamente confusa. Sim, até que ficou engraçadinho, mas me perdi em diálogos e descrições, algumas não estavam claras e alguns dialogos não dava pra perceber na hora quem estava falando. Notei que o autor q iniciou usou uma narrativa romantica e elaborada,se esforçando para ser poética.. e o q complementou simplesmente ignorou tudo e começou outra coisa, outro tipo de narrativa. Diria que a seguda parte foi uma surpresa.. Bem, posso dizer q , pensando bem, gostei sim do rumo q tomou, pois, a primeira parte realmente parece ter sido tirada d um livro, Isto combinou.. Mas a narrativa mudou totalmente, 100%. Apenas algumas citações à parte inicial. Enfim, diria que este conto té o momento é o que mais me chocou. Talvez tenha ficado mais interessante mesmo, do q se tivesse continuado a história anterior, foi uma repaginada completa. parabéns ..

  32. Danilo Pereira
    31 de julho de 2016

    Achei o conto com uma pegada mais cotidiana, um encontro… ai veio o complemento… tipo: “que loucura é essa”; mas de loucura não tem nada!! O autor usou algumas das principais características do Modernismo: fragmentação da realidade, flashes cinematográficos, ilogismo e humor… NOTA:9

  33. Thomás Bertozzi
    31 de julho de 2016

    Ótimo conto.
    Muito colorido, em ambas as partes.

    O início prende bastante a atenção e a “dança” entre realidade e delírio da segunda parte transmite certa perturbação, mas sem ser confusa. Isso, na minha opinião, acontece pelos diálogos muito bem construídos, tanto na primeira quanto na segunda metade.

  34. Claudia Roberta Angst
    31 de julho de 2016

    Para este desafio, adotei o critério T.R.E.T.A (Título – Revisão – Erros de Continuação – Trama -Aderência)
    T – Título simples, mas com um toque poético. Revela o local onde se desenvolve a trama.
    R – Não encontrei erros na primeira parte do conto. Pequenos lapsos a seguir:
    teu talhado com a escrita > teu TRABALHO com a escrita
    O quê está fazendo? > O que está fazendo?
    Uma mascara? > Uma máscara?
    E – Outro autor que torceu o nariz para o estilo do coleguinha. Entendo que o tom poético da primeira parte tenha sido um tanto assustador para alguém que, aparentemente, se sente melhor nos domínios da ficção científica. Utilizou-se do recurso história-dentro-de-outra-história para fugir da cena surreal de Praga. Nada de dar continuidade ao romance respingado de sangue. Obviamente, não era o final que o primeiro autor havia planejado, mas… Mesmo porque, o conto parecia estar terminado na primeira etapa. Logo, o colega sentiu-se livre para dar outros ares ao enredo. Cumpriu o trato, mesmo que ignorando completamente o estilo anterior.
    T – O enredo inicial foca-se em um clima mais denso, caminhando entre o mistério, o romance e um inusitado banho de sangue. O ritmo apresentado era mais lento, com pegadas sutis em um lodo de poesia. Então, o conto abriu-se para outras possibilidades com o ataque da ruiva em Praga. A continuação seguiu outro rumo, com a conversa entre a transpraga e o editor. Em alguns momentos, tive a impressão de que o autor2 ficou impaciente e começou a jogar palavras em diálogos sem muito nexo.
    A – Desenhando um cenário envolvendo literatura e seus percalços, o conto pode despertar o interesse dos leitores/escritores. Não foi o que aconteceu comigo, mas pode acontecer com todos os outros colegas. Fiquei esperando algo mais surpreendente, talvez. Não foi, contudo, uma leitura ruim, longe disso.
    🙂

  35. Jefferson Lemos
    31 de julho de 2016

    (Parte Um) O conto começou muito bem. Os diálogos ágeis e toda a ambientação criada ao redor do casal foi bem confortável. Fez com que eu me lembrasse de alguns contos do King, principalmente Willa, e isso é bom – é uma história muito boa.

    Até o meio da história eu estava embalado com casal, e em Alexia principalmente, por ser uma criatura bem interessante. O final, no entanto, foi uma rachadura severa numa parede lisa de gelo. O tom da narrativa parece ter mudado, e a história seguiu um rumo inesperado. Não para o lado bom, infelizmente. Foi brusco demais.

    (Parte dois) Ainda não sei o que pensar, pois toda essa ambientação é muito bem construída e com diálogos críveis, bem interessantes. No entanto, de certa forma invalidou um pouco do trabalho da primeira parte, Eu esperava ver a continuação dos personagens principais, mas me deparei com uma certa descaracterização deles. Acho, que, no geral, o resultado não foi muito satisfatório por deixar de lado a história e criar uma outra, completamente diferente, englobando-a.

    De qualquer forma, ambos os escritores apresentaram talento, e fizeram textos bem escritos. Merecem os parabéns!

    Boa sorte!

  36. Davenir Viganon
    31 de julho de 2016

    Olá. Gostei muito da interação entre Stepan e Alexia, o continuador fez uma separação abrupta (o recurso do “tudo é um sonho” não ficou legal aqui) e pouco levou do início do conto, pois eu realmente queria saber o que aconteceu com os dois. Os personagens legais viraram personagens de um livro e sumiram (não consegui ver Alexia e Stepan na Andrômeda) depois ficou surreal demais para meu gosto. Não consegui curtir muito a continuação.

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Publicado às 28 de junho de 2016 por em Duplas e marcado , .