EntreContos

Literatura que desafia.

Farrapos e Glória (Victor O. de Faria)

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A professora entrou na sala.    

Os raios de sol alaranjados, espalhados pelo chão, traziam lembranças de décadas passadas. Retirou calmamente os livros da pasta do magistério, os distribuiu sobre a mesa de mogno e sentou. Escolheu um pacote diferente, que silenciou por um momento a algazarra matinal.

A agenda marrom, velha e gasta pela ação do tempo, continha um emaranhado de documentos antigos, amarelos, quase da mesma cor dos móveis e assentos da quinta-série. Aquilo despertou o interesse de seus alunos. Olhou atentamente para os dois maços de papel e decidiu. Após um breve suspiro, começou.

—Bem…

 

I.

Jânio Rodrigues acordou ansioso. Olhou para a esposa, ao seu lado, e afagou seus cabelos sem acordá-la. Levantou-se devagar, em direção ao banheiro. O espelho refletia um rosto cansado e maduro, demonstrando os primeiros sinais de velhice naquele corpo alto e magro. Os cabelos brancos, acima das orelhas, já não combinavam com os fios espessos da barba. Pegou a tesoura e ajeitou o bigode. Lavou o rosto. A toalha estava próxima ao uniforme, na porta. Era digno daquelas estrelas e broches costurados na gola escura? Mais uma vez estaria representando os interesses de sua terra naquele dia tão importante.

Não era um homem como Bento Gonçalves, que ultimamente ganhava notoriedade com suas conquistas, como a tomada militar de Porto Alegre. Apenas desejava o melhor para sua família, apesar das cartas recentes trazerem notícias ambíguas e uma inesperada convocação. Espantou os devaneios e vestiu a farda completa.

Antes de sair, parou no quarto das meninas. Dormiam como anjos, sem preocupações naquela madrugada fria e escura. Desviou o olhar, pensativo. O suporte acima da enorme porta de carvalho guardava a espada angulada, de empunhadura brilhante, desenhada à mão pelos melhores ferreiros da região, com forte influência na esgrima europeia. Guardou o instrumento na bainha e saiu. Arquimedes, um cavalo malhado que memorizava rotas como nenhum outro, o aguardava. Passou a mão no dorso de seu fiel companheiro e acalmou o velho amigo de batalhas – embora muitas envolvessem apenas tinta e papel. Encilhou os alforjes e conferiu os mantimentos.

Partiu, sem olhar para trás.

Cavalgar pelos pampas trazia à tona lembranças de uma infância distante. Quando menino costumava se aventurar pelas matas fechadas, ignorando a grossa geada de inverno, a fim de recolher uma grande quantidade de pinhão, que ficavam excelentes quando sua falecida avó os preparava no fogão à lenha…

Não tivera coragem de mostrar a mensagem à sua família. Sabia, pelos relatos de seus companheiros, que o mês de Outubro de 1836 seria decisivo. Não havia despedidas fáceis, por isso, uma carta deixada sobre a mesa, pouco depois de encilhar seu amigo, explicava tudo. Elas mereciam saber. “Fui realocado para Bagé”, começava o relato em letras cuidadosamente desenhadas, revelando a natureza de um homem firme, mas gentil, encerrando a mensagem com caligrafia tremida e não tão confiante. “Voltarei o mais breve possível”.

Acostumado às resoluções diplomáticas, apesar de uma série de revoltas já ter acontecido, não questionou a decisão do coronel. Aquela seria sua primeira experiência no campo de batalha.

 

II.

Tornar o Rio Grande do Sul uma província independente – uma ideia tentadora. A viagem, um pouco mais longa, serviu para refletir em suas próprias convicções. Na primeira noite adormeceu suavemente, encostado em seu transporte, sob um teto de estrelas e sapos a coaxar. A natureza sempre lhe trouxera paz de espírito, mas os mosquitos insistiam em contrariar aquela verdade. Acordou e reforçou a fogueira, assando o outro lado da carne que não estava no buraco de terra, como faziam os tropeiros. O jantar estava pronto. Deixou o chimarrão de lado e cortou o primeiro pedaço.

A cavalgada prosseguiria na manhã seguinte, pois ainda faltavam dois dias. Felizmente, o tempo se manteve firme nas quarenta e oito horas seguintes…

Em meio às árvores frondosas e chão batido, Jânio avistou as tropas do coronel Neto, destacado por Bento Gonçalves. Atravessou a extensa planície esverdeada e começou a procurar seus conhecidos. Não estranharam sua presença, pois alguns o cumprimentaram de forma peculiar, estendendo a mão e batendo no peito. No entanto, aquela tropa não parecia ser suficiente. A primeira brigada, com 400 homens, devia atravessar o arroio Seival; conforme ordens vindas de cima. Do outro lado encontrava-se o comandante imperialista João da Silva Tavares.

O coronel pediu atenção. Em seguida fez um breve discurso, empunhou a espada e ordenou o início da travessia.

O horizonte, mesmo limpo, exibia uma estranha combinação de laranja e cinza. Esperavam que não chovesse, pois as tropas atolariam e o resultado seria um massacre. Apesar do crepúsculo matinal incomum, as águas permaneciam calmas. Agitaram-se apenas com a chegada da cavalaria. Ao longe, era possível reconhecer uma espécie de acampamento. Não demorou muito para que a tropa inimiga fosse identificada. A batalha derradeira se daria sobre a coxilha, cheia de pastagem rasa e macia, facilitando a investida inicial.

Neto não perdeu tempo. Deu a ordem. E as lascas de grama e terra voaram sobre o descampado como gafanhotos fugindo de uma tempestade. Os trovões eram gritos, e os raios, o reflexo das espadas. Os cavalos saltaram e o tão esperado encontro cessou o silêncio da manhã…

A turba violenta desenhou uma extensa faixa-limite entre os cavalos que caíam, as espadas que se encontravam e os tecidos coloridos que eram arremessados ao céu, enquanto o arroio era tingido de vermelho.

Uma espada sem dono rasgou a manga superior de Jânio, indo parar na região do peito. O cavalo empinou. Apesar disso, conseguiu controlá-lo. Seu ouvido zunia. O cheiro de terra, misturado a um odor não identificado, confundia os sentidos. Procurou atacar, mas sem muita experiência no combate corpo a corpo, foi empurrado pelas tropas inimigas. Arquimedes tombou, junto com ele. Retirou o sangue do rosto e percebeu que seus amigos o protegiam. Já não era tão veloz como os combatentes, cheios de vigor. Pareciam estar em maior número.

Seria uma batalha perdida se o cavalo do líder inimigo não resolvesse se desencilhar e fugir. Aquela era uma oportunidade única. Aproveitaram a confusão e investiram com tudo o que tinham.

Jânio se aproximou de Arquimedes. Estava ferido, mas vivo. Passou a mão em seu dorso. Seus companheiros, já em farrapos, se dispersaram e avançaram, mas não os acompanhou… O céu emitia uma luz fantasmagórica, assustadora. Seria um mau presságio? No entanto, se tivesse que acontecer, a hora era aquela. De onde vinha aquela sensação quente, ardorosa? Não, não era liberdade. Ergueu o colete lentamente. Seus olhos se detiveram nas misteriosas nuvens incandescentes. Arquimedes relinchou. Desmaiou em seguida.

— A cerimônia de Proclamação ocorreu apenas alguns dias depois. Todos irromperam em gritos de euforia e liberdade quando passaram a desfilar por entre seus companheiros a bandeira verde, vermelha e amarela da República Rio-Grandense, comemorando sua independência. Enquanto isso, Bento Gonçalves, que não pudera estar presente naquela batalha, decidiu levantar acampamento e unir suas tropas à do coronel Neto, cruzando o rio dos Sinos e Caí. Entretanto, para completar sua jornada, precisava atravessar a Ilha de Fanfa… Dezoito barcos de guerra inimigos, escunas e canhoneiras – percebidas somente um tempo depois – deram-lhe as “boas-vindas”.

 

III.

Jânio Rodrigues conhecia aquele toque suave em seu rosto. O que Martha fazia ali, no hospital? Tentou virar-se, mas foi impedido pelas longas faixas que atravessavam seu peito. Um dos braços estava imobilizado. Felizmente suas filhas não estavam ali, pois não gostaria que elas o vissem daquele jeito. Agradeceu sua esposa por ter vindo e contou-lhe em detalhes os acontecimentos recentes. Lembrou-se de Arquimedes, seu fiel escudeiro. O cavalo sofrera fortes escoriações, mas se recuperaria logo.

Permitiu-se relaxar, afinal, havia sobrevivido à sua primeira batalha. Ficaram em silêncio, durante um bom tempo.

Algumas horas depois, um mensageiro trazia a notícia de que as tropas de Bento Gonçalves resistiam ferozmente a uma emboscada. Fez menção de se levantar. Martha o impediu. O que poderia fazer, naquela situação? Pediu ajuda e foi até a janela. As árvores balançavam de forma incomum. A formação de nuvens alaranjadas não havia deixado o firmamento. Desta vez, pareciam diferentes. Muitos pacientes enfermos, incluindo auxiliares, se deslocaram às janelas.

Finalmente o céu se abriu. E trouxe consigo uma visão que jamais seria esquecida… Uma enorme rocha flamejante, seguida por uma infinidade de pedregulhos menores, atravessou a imensidão dos pampas…

Bento Gonçalves e suas tropas resistiam. Pedaços de terra eram lançados para o alto, enquanto os últimos farrapos desviavam das enormes bolas de chumbo lançadas pelas embarcações. O pequeno grupo avançava deixando para trás inimigos transpassados pelas “espadas da liberdade”. Era uma batalha perdida, mas não se entregariam tão facilmente.

Um barulho ensurdecedor acabou com o sonho de muitos, quando a segunda leva de tiros navais começou. Surdos e desorientados caíram de joelhos ao chão. Em meio à fumaça e gritaria, perceberam que as tropas restantes se aproximavam. Aquele era o fim do grande idealizador.

Todavia, um inesperado assobio estridente cessou a marcha final.

Farrapos e imperialistas observaram a fumaça se dispersar, sem motivo. O céu queimou, e o que veio a seguir, trouxe consigo um destino não planejado pelos homens. Os meteoritos atingiram as embarcações, perfurando-as em vários pontos. Milhares de fragmentos tiraram a vida das faces aterrorizadas das tropas inimigas. O castigo dos céus afundou as escunas, as canhoneiras, criou crateras na orla e deixou um rastro de brasa viva que se estendeu por quilômetros. Mas ainda faltava a rocha maior.

Quando ela tocou as águas profundas, um maremoto de proporções desconhecidas varreu a Ilha de Fanfa, extinguindo-a para sempre do mapa rio-grandense…

Jânio e os funcionários do hospital estavam boquiabertos. A explosão no horizonte havia deslocado as nuvens para longe, trazendo um frio congelante e assustador. Naquele dia, toda a região sulista presenciou o nascimento e a morte de um segundo Sol.

 

IV.

— Depois daquele fatídico Outubro de 1836, onde o legado do líder mais conhecido foi literalmente varrido do mapa, houve negociações de paz, apesar de revoltas isoladas ainda ocorrerem. Jânio esteve à frente de várias. Apesar de não ganhar nenhum título pomposo, tornou-se bem conhecido entre os generais restantes. Um tratado foi assinado, cessando as divisões internas. Alguns alegaram que o trauma causado pelo fenômeno, bem como lendas supersticiosas, foram os principais motivos para que muitos dos bravos soldados se afastassem dos campos de batalha. A província de Rio Grande do Sul estava oficialmente consolidada. Agora, um país propriamente dito. Suas divisas facilitaram a exportação de charque, bem como recursos naturais… Visionários, após alguns anos, sugeriram o estudo dos minérios responsáveis pela tragédia, o que exerceria um forte interesse comercial no exterior. Jânio, já em idade avançada, deixou o estudo acadêmico daquelas estranhas “pedras do céu” para a nova geração.

 

V.

Maria Clara Rodrigues e Esmeralda Anita Rodrigues tornaram-se adultas a olhos vistos. Aquela era uma sociedade que dava muita importância para a formação de grandes famílias, mas não podiam negar que os tempos eram outros. Maria Clara tinha um carinho especial por Arquimedes que, assim como seu pai, havia deixado os campos de guerra para trás. Mesmo com uma enorme cicatriz no dorso, ainda conseguia cavalgar livremente por entre os pinheiros e matas nativas. Esmeralda, por outro lado, era mais ligada aos estudos. Não se importava de ter nascido no interior, mas preferia passar mais tempo na cidade, onde o campo intelectual florescia.

Foi na recém-inaugurada universidade regional que encontrou Tito Lívio Zambeccari, um italiano conhecido por demonstrar interesses em estudos científicos, mas que também havia participado em algumas revoltas, influenciando manifestos assinados por Bento Gonçalves. Costumava dizer aos seus amigos que o trágico fenômeno salvara sua vida, senão, certamente estaria preso. E pior, morto. Esmeralda conhecera sem querer aquele senhor de porte altivo nos corredores frios, de pedras ametista e mármore colorido. Havia notado seu interesse pelas mesmas rochas incomuns. Aproximou-se, sabendo que seria reconhecida como filha de Jânio Rodrigues.

Não demorou muito para criarem um grupo de estudo sobre suas propriedades magnéticas, pois eram encontradas facilmente no que sobrara da Ilha de Fanfa – propriedades que poderiam ter uma aplicação significativa no ramo industrial.

Com a ajuda de Tito, Esmeralda e do próprio Jânio, o país passou a comercializar minérios para o Uruguai, Argentina, Paraguai e o restante do Brasil, tornando-se referência na exportação de matéria-prima. O Rio Grande do Sul finalmente se tornava a potência que seus idealizadores tanto sonhavam. No entanto, assim como o país evoluía, a saúde de Jânio se deteriorava com o passar dos anos…

Maria Clara foi a primeira a encontrar Esmeralda e dar-lhe a notícia: seu pai, já idoso, estava no fim de suas forças. Imediatamente pediu dispensa do campus e voltou ao interior à galope, em cima de Marie-Anne, sua égua preferida. Atravessar a cidade exigia atenção, pois a densidade demográfica havia aumentado muito nos últimos anos, ainda mais por saberem que moravam à apenas alguns quilômetros da “capital da magnetita”.

Os campos traziam uma paz constante. Esmeralda sentia falta do convívio, apesar de sua firme decisão de seguir outro caminho. A casa de seus pais transmitia uma sensação nostálgica, de tempos que não voltariam. As pedras retangulares da estrutura, as portas em formas de arco, o fogão à lenha, as cercas de madeira e o criativo portal de entrada (dois carvalhos praticamente se abraçavam, deixando um vão de passagem) lembravam-na de como era bom estar em contato com a natureza. Seu pai, em breve, “faria parte” daquele novo mundo que se desdobrava perante a nova geração. Reconheceu as filhas assim que entraram em seu quarto.

Deixaria um legado incontestável. Seu nome não estaria estampado nos livros de história, mas ele sabia que, ao tocar naqueles dois rostos macios de olhos castanhos, tinha finalmente concluído sua promessa. Um futuro melhor chegaria por meio de suas filhas.

(Remexeu os papeis, com nítido pesar estampado em seus olhos. Continuou, colocando algumas folhas, não lidas, de volta ao pacote).

 

VI.

Praga da Loucura. Nome informal para uma doença que afetaria grande parte da população masculina nos anos seguintes, tornando-se uma nova espécie de esquizofrenia. A Universidade do Rio Grande do Sul, pioneira em estudar seus efeitos, começava a ganhar fama através das Américas.

A equipe de exploração, liderada pela geóloga Esmeralda Anita Rodrigues e sua irmã, Maria Clara Rodrigues, formada em relações exteriores, buscava respostas mais concretas junto à origem histórica da doença incomum. Nenhum caso havia sido registrado antes da Tragédia dos Fanfas, fato que tornava aquele contexto um excelente ponto de partida. Tito havia voltado à sua terra natal, mas seus estudos apontavam para o único fator extraordinário dos anos anteriores – o fenômeno que ainda permanecia bem vivo na memória dos descendentes da Guerra dos Farrapos. Maria Clara detestava aquele título popular, mas pelo menos desviava o foco da tragédia.

Como um minério inofensivo, amplamente exportado para o Brasil, um país vizinho, podia tornar-se perigoso? Já o utilizavam na criação de várias ferramentas, bem como carroças mais equipadas que só faltavam andar sozinhas. Havia muita ciência e matemática por trás daquelas invenções, mas, para os leigos, tudo era obra das “pedras mágicas”. Se sua vó estivesse viva, com certeza colocaria várias em sua estante.

Descobriram, após alguns meses, que outros casos começavam a ocorrer na América Central. Péssimo para os negócios. Exportação de minérios era um dos principais motores por trás da posição privilegiada do país. Precisavam de ajuda externa.

As universidades americanas entraram na jogada, mas com fortes ressalvas. O Rio Grande do Sul seria obrigado a ceder parte do crédito caso encontrassem algo anormal nas rochas espaciais. Para a surpresa de todos, o resultado inesperado não demorou a sair. Os meteoritos, formados principalmente por carbono e magnetita, não vieram sozinhos naquele dia…

Uma pequena parcela de radiação nociva estava presente, embora passasse despercebida pelos mineradores, afinal, não dispunham dos meios tecnológicos que os países de primeiro mundo começavam a desenvolver. A Praga da Loucura estava ligada ao magnetismo radioativo liberado pelas rochas.

O assunto tornou-se tão sério que, a partir daquela data, todas as menções à Tragédia dos Fanfas foram consideradas confidenciais. Se todos os compradores soubessem o que havia no interior daquelas rochas, toda a árdua luta para tornar o país consolidado não teria valor algum. Os heróis de guerra, incluindo Jânio, teriam a memória manchada nos livros de história.

Então, o que se tornariam? Voltariam a ser apenas um estado anexado ao sul do Brasil? Jamais!

Era uma decisão egoísta, mas enquanto Esmeralda e Maria Clara estivessem vivas, a Guerra dos Farrapos estaria acesa em seus corações, como a brasa viva que aquecia os cavaleiros nas noites geladas da serra gaúcha.

E que um dia, por acaso, viera do céu…

***

— E assim terminam estes seis períodos esquecidos de nossa história, recuperados recentemente pela Fundação Martha Rodrigues de Ciência Política. Alguma pergunta? – disse Glória, retirando os óculos e secando os olhos.

— O que aconteceu depois? – perguntou Ana Cláudia.

— Bem, os Estados Unidos assumiram as pesquisas e encontraram uma cura para a estranha doença. O problema é que também retiraram do mercado todas as ferramentas e invenções revolucionárias baseadas naquelas rochas. Nosso país nunca mais se recuperou do estrago bilionário em seus cofres públicos.

— Mas o Brasil ainda gosta da gente? – indagou Pedro Henrique.

— Ainda somos bons exportadores de carne bovina, assim como outras matérias-primas que vem do solo. Felizmente nossas bisavós tinha mais visão do que os homens hoje em dia. Temos vários recursos naturais à disposição. Última pergunta!

— E se aquele meteoro não tivesse caído? – perguntou Gustavo Araújo, despertando a curiosidade de todos.

—É um ótimo tema para nossa próxima aula. Quero que vocês se reúnam em duplas e façam uma redação com o título “O que aconteceria se o Rio Grande do Sul não fosse um país?”.

O sino tocou. As crianças, antes interessadas nas conquistas de seus antepassados, transformaram-se em monstros desvairados, esquecendo tudo rapidamente, enquanto corriam para o pátio externo. Como farrapos num campo de batalha. Glória Rodrigues olhou pela janela e fitou o céu alaranjado, pensativa… “O que aconteceria?”.

Uma pergunta poderosa, que somente seu bisavô, Jânio, saberia responder.

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35 comentários em “Farrapos e Glória (Victor O. de Faria)

  1. Andreza Araujo
    3 de junho de 2016

    Suas descrições são limpas, fáceis de ler e acompanhar. É uma história muito bem narrada, pareceu tudo muito real, como se eu estivesse lá, acompanhando tudo.

    A cena dos meteoros foi interessante, mais interessante ainda o que se sucedeu, já que os meteoros não foram apenas uma “desculpa” usada para acabar com os navios, como também permaneceram em destaque no conto.

    Gostei bastante dos personagens, inclusive dos cavalos hehehe Achei que foi um tanto rápido demais a parte da doença e a descoberta da cura, gostaria de ter visto mais as consequências da radiação, de ter lido algo mais desesperador, sabe?

    Sua narrativa é impecável. Até mais e boa sorte!

  2. Pedro Luna
    3 de junho de 2016

    É um bom conto. O lance do meteoro, apesar de forçadíssimo, foi a melhor parte do conto pois tirou dele a cara de livro de história que ele estava ficando (ainda que, após a queda do meteoro, alguns parágrafos ainda tenham essa cara). Foi uma manobra louca do autor, mas que traz surpresa e vida ao conto. Também gostei da doença dos loucos, efeitos radioativos. Isso ficou bom, porque mostra que o meteoro foi aproveitado na história, e não só um elemento jogado ali.

    Bem escrito, apesar de cansativo em alguns trechos, devido, justamente, a certo didatismo. Também achei positivo as descrições das cenas da batalha no início.

    No geral, bom conto.

  3. Wilson Barros
    2 de junho de 2016

    O estilo é semi-clássico, Euclidiano. É como um Antõnio Conselheiro sulista. Aliás, o conto se parece com “A Casca da Serpente”, de JJ Veiga.O lance do meteoro entrou bem, dando um toque sobrenatural, futurístico, lovecraftiano. Muito divertido, parabéns.

  4. Swylmar Ferreira
    2 de junho de 2016

    Olá autor.
    Parabéns pela qualidade do conto que apesar de extenso foi envolvente. De excelente gramática e contexto de RHA bem interessante. Gostei também do nível de detalhamento que colocou no conto. Interessante também a ideia da “praga da loucura” que complementou bem a história ajudando a conclusão.
    Boa Sorte.

  5. Virginia Cunha Barros
    1 de junho de 2016

    Oii! Que legal teu conto sobre a Guerra dos Farrapos! Eu não sou muito boa em História, mas gostei de você ter dado um final diferente, mesmo que tenha sido um… meteoro que mudou o rumo das coisas. Eu achei que depois do meteoro cair a história ficou meio confusa, talvez muita informação pra minha cabecinha, mas o final com as crianças na sala de aula foi perfeito, achei genial inverter a situação e imaginar como seria se o Rio Grande do Sul “ainda” fizesse parte do Brasil! É isso então, bom trabalho, escreveste muito bem!

  6. Gustavo Aquino Dos Reis
    1 de junho de 2016

    Francisco,

    que escrita envolvente, detalhista e elegante. Muito bom, de verdade. Tudo se encaixou perfeitamente graças à uma condução narrativa perfeita. Entretanto, o meteoro – pelo menos na minha visão de leitor – desceu o nível da história. Ele parece fora de contexto, forçado. E essa é minha única ressalva para essa obra muito bem acabada. De resto, gostei. E gostei demais.

    Fiquei feliz que o Arquimedes sobreviveu no campo de batalha.

    Muito boa a sucinta homenagem ao mestre Gustavo. Haha!

    Desejo toda a sorte no desafio.

  7. Wender Lemes
    31 de maio de 2016

    Olá, Seu Francisco. Esta é minha sétima avaliação no desafio atual.

    Observações: sua técnica é bem empregada, o que facilita muito a leitura. Devo admitir que a primeira parte me cativou mais que a segunda. Você sempre deixa o final em aberto, o que nos prende na leitura, mas tal estratégia funciona muito mais no princípio. Estamos acompanhando uma guerra e sabemos que ela vai acabar em algum momento, então ficamos esperando para saber como isto ocorrerá. Na segunda parte, todavia, não sabemos o que esperar e a descrição das filhas, da economia, da magnetita etc. acaba sendo um pouco tediosa.

    Destaques: o protagonista da primeira parte é muito carismático. Gostei da composição da carta que ele deixa para família, com a caligrafia espelhando, simultaneamente, o caráter forte e bem definido do herói de guerra e a fragilidade emocional a que a situação o expõe ao final.

    Sugestões de melhoria: não sou contra a utilização do elemento “Deus Ex Machina” quando ele é sutil, mas a chuva de meteoros do seu conto me incomodou. Entendo que ela seja primordial ao conto do modo como o escreveu, entretanto continua sendo uma saída utilitária e pouco factível.

    No mais, parabéns e boa sorte no desafio.

  8. Daniel Reis
    31 de maio de 2016

    Prezado escritor: para este desafio, adotei como parâmetro de análise um esquema PTE (Premissa, Técnica e Efeito). Deixo aqui minhas percepções que, espero, possam contribuir com a sua escrita.

    PREMISSA: a vitória dos Farrapos foi devido a uma chuva de meteoros radioativos? Acho que seria uma intervenção indevida do autor (ou da natureza). Ainda se fosse o General Inverno, como na Rússia…

    TÉCNICA: texto bem escrito, principalmente no trecho da descrição da batalha. A escolha da sala de aula para dar explicações sobre a RHA me pareceu desnecessária e didática demais.

    EFEITO: um texto interessante, mas que com sua premissa inverossímil acabou prejudicado. Boa sorte!

  9. Simoni Dário
    30 de maio de 2016

    Olá Seu Francisco.
    Gostei muito da cena da batalha narrada com muito esmero, assisti quase como a uma cena de filme. Agora, se bem entendi, no seu conto o Rio Grande do Sul ganhou a independência do Brasil por conta de uma chuva de meteoros? Ah, um gaúcho jamais admitiria ganhar a Revolução por um acontecimento desses…não mesmo! Mas como o texto é seu e a alternativa é sua, é você quem manda! Mas reconheço que ainda assim é uma alternativa criativa, pois separar o RS do Brasil seria uma solução fácil no conto, só invertendo o que aconteceu de fato. Considero ousada a proposta do autor com o mérito de ser diferente, mas o texto começa a ficar desinteressante a partir dali, como já comentaram e eu concordo. Talvez se a história começasse a ser contada pelos gaúchos a partir da vitória com a chuva de meteoros de um jeito bem gaudério de forma divertida eu ia gostar mais, do tipo os gaúchos achando uma alternativa-justificativa “buena barbaridade” para explicar a vitória vinda dos céus. No mais, me perdoe a intromissão, você escreve bem e seu conto tem lá seus méritos. Parabéns!

  10. vitormcleite
    30 de maio de 2016

    Bem interessante este texto, mas penso que podia ter ficado muito melhor se tivesses mantido o centro da história num só ponto, porque neste tipo de texto, com um limite de palavras, o teu texto acabou por perder força, com muitas personagens e muitos acontecimentos em tão pouco espaço/tempo. Mas talvez tenhas aqui um belo ponto de partida para fazeres uma magnifica história, bem mais longa. Muitos parabéns principalmente pela descrição da batalha.

  11. Thomás
    30 de maio de 2016

    Conto perfeitamente inserido no contexto de RHA.
    Um bom texto, de muita qualidade!

    A chuva de meteoros é o ponto de quebra e não ficou como um fato isolado. O fenômeno fictício foi bem aproveitado ao longo do texto.

    Achei que a história perde um pouco do peso após a “saída” de Jânio do papel de protagonista. Ele é um personagem mais denso e carrega melhor as coisas.
    Quando a filha assume, as coisas ficam meio no ar.

    Ótimo conto, no geral.

  12. Thiago de Melo
    30 de maio de 2016

    Meu amigo, Seu Francisco (até rimou!),

    Pra quê meteoro, meu amigo??? Pra quê???
    Vc estava indo tão bem com o militar que enfrentava sua primeira batalha campal! Estava excelente!!!
    Como leitor, eu estava acompanhando animado a trajetória de Jânio e torcendo por ele. Sem falar que seu texto está impecável. Não vi nenhum erro de ortografia ou de gramática. Quando vi “boas-vindas” com hífen, confesso que uma lágrima escorreu no canto do meu olho!
    Mas aí veio aquele maldito meteoro que caiu no seu texto, extinguindo não os dinossauros, mas, sim, o pobre do Jânio, que era o fio da trama que eu, como leitor, vinha desenrolando.

    Como não tinha mais o Jânio, não tinha mais a guerra, não tinha mais um personagem em quem focar, fiquei meio perdido e o conto caiu muito do meio para o final.

    Um recurso muito usado em literatura e cinema é o “Deus ex Machina”: algo inesperado e até improvável acontece ou aparece para “salvar” os heróis da história.

    Infelizmente, seu meteoro foi um “Diabolus Ex Machina”: algo inesperado e improvável que aconteceu para apagar a sua trama.

    Parabéns pela cena de batalha! Ficou excelente! Vc já deve conhecer, mas se por acaso não conhecer, vc precisa ler os livros do Bernard Cornwell, na minha opinião, o mestre sagrado das cenas de batalha na literatura!

    Parabéns pelo seu conto!
    Um abraço!

  13. Leonardo Jardim
    29 de maio de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto (antes de ler os demais comentários):

    📜 História (⭐⭐⭐▫▫): confesso que não conheço muito sobre a Revolução Farroupilha (ou sobre História em geral), mas isso não pode afetar minha avaliação. A história contada é boa, as cenas de batalha de forma até poética. O problema é que abrange um período muito longo e o personagem do Jânio acaba ficando meio apagado, assim como suas filhas, que aparecem adultas de repente. Na parte da batalha, o surgimento dos meteoros, por mais que fosse uma solução possível, acabou ficando muito forçada (coincidência demais). Depois, a parte da exploração do minério e as consequências disso ficaram muito superficiais. A retomada à sala de aula ficou muito legal com suas referências (a do chefe ficou ótima).

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): muito boa, com uma bela visão poética das batalhas. A parte pós meteoro não teve a mesma qualidade do início, até porque contou muito e mostrou pouco. Faltou apego aos personagens, coisa que só funcionou bem com o Jânio no início.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): a parte criativa ficou por conta das consequências ao fenômeno dos céus.

    🎯 Tema (⭐⭐): o Sul conseguiu a independência após uma ajudinha do espaço.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): o texto é bom, mas é contado à distância e com pouca emoção. A parte final ficou divertida e me arrancou um sorriso.

  14. Gustavo Castro Araujo
    26 de maio de 2016

    Parabenizo o autor pela coragem. Descrever cenas de batalhas — especialmente essas travadas no século XIX — demandam uma boa dose de criatividade para não descambar para o enfadonho.

    Esse universo, aliás, é o que há de melhor no conto, especialmente porque elege um militar de segundo escalão como “guia”. Jânio está longe da perfeição. Tem limites e temores, aproximando-o do que conhecemos por homem comum. A antecipação do enfrentamento e o combate em si ficaram ótimos, construindo o arco inicial do texto com bastante competência. Só que aí vieram os meteoros e, com eles, a ladeira. O conto perdeu força e tornou-se um tanto descritivo, assemelhando-se a um relatório elaborado às pressas. Não ficou legal.

    Creio que se o foco fosse mantido em Jânio o resultado ficaria melhor. Por exemplo, ele poderia ter desbancado Bento Gonçalves e Garibaldi, enganado Caxias e se tornado o libertador do Rio Grande, o primeiro soberano dos Pampas. Ou seja, foco nele. A partir do momento em que se passou a explicar os motivos que levaram a economia gaúcha à estratosfera e depois, à bancarrota, abandonou-se o pessoal e investiu-se no geral. Perdemos nós, leitores, aquela referência próxima.

    No geral, portanto, um conto irregular, com ótimas passagens, mas que deixou um tanto a desejar ao se tornar por demais explicativo.

    Gostei do fecho, claro, já que vi nele uma homenagem ao nosso EC, uma metáfora bem sacada.

    Valeu!

  15. Pedro Teixeira
    26 de maio de 2016

    Olá, seu Francisco! É um bom conto, bem narrado e com personagens interessantes. As invenções deram um ar meio steampunk que poderia render algo muito bacana em uma narrativa mais longa. Os personagens são interessantes, mas acho que o enredo inclui informação e fatos demais, o que acabou resultando num conto mais “contado” e menos “mostrado” o que ora funciona bem ora nem tanto, já que há momentos que pedem descrições que transmitam mais as emoções e sensações daquele momento, como as da batalha. Enfim, um bom trabalho que poderia render muito mais num espaço maior. Parabéns e boa sorte no desafio!

  16. Fabio Baptista
    25 de maio de 2016

    Apesar da ortografia perfeita, o começo não foi dos mais empolgantes, com a narrativa parecendo que estava com o freio de mão puxado, abusando dos adjetivos e detalhes que em pouco agregaram à fluidez do texto.

    O “prólogo” já é um exemplo disso… muitos detalhes do que a professora estava tirando da pasta, mas nenhum deles me convenceu sobre o porquê daquele tal “pacote” (achei meio deslocado esse termo) com a tal agenda chamar a atenção dos alunos a ponto de silenciá-los, afinal.

    As descrições das cenas de combate são competentes e pensei que o conto focaria justamente nisso e nas consequências da guerra, tanto no contexto geral quanto na vida dos personagens. Acredito que teria surtido melhor efeito se assim o fizesse.

    Quando o meteoro foi mencionado, pensei (acho que quis acreditar, na verdade) que se tratava de uma metáfora para uma bala de canhão mais graúda, ou algo do tipo. Mas, infelizmente, era um meteoro mesmo, invadindo o cenário com seus filhotinhos. Daí, na minha opinião, o conto de perdeu, misturando muita coisa e perdendo completamente o foco, embora, devo dizer, essa parte pós-meteoro / efeitos da radiação, foi a que mais me prendeu a atenção. Mas não funcionou muito bem para formar uma peça coesa.

    Abraço!

  17. Leandro B.
    24 de maio de 2016

    Oi, Seu Francisco.
    Você demonstrou bastante segurança com o tema, mas achei o ritmo da narrativo um pouco arrastado, ainda mais por apresentar uma pequena campanha militar.

    Apesar da apresentação bacana da batalha, sinto que faltou um pouco o horror da guerra, ainda mais sob os olhos do personagem Jânio Rodrigues, que jamais vira uma batalha de verdade. A fome, o frio, o humor arrepiante antes da batalha, os corpos e os membros espalhados pelo campo… são alguns elementos que, creio, teriam enriquecido um pouco mais a cena.

    Não que esses elementos devam ser oferecidos de graça. Mas você recuperou a temática da guerra e a estranheza da primeira batalha. Por isso, acho que criei um pouco mais de expectativa sobre a desilusão.

    Também achei que faltou um pouco de desenvolvimento nos personagens. Talvez esse seja o meu maior problema com o conto. Quando o desenvolvimento aconteceu me pareceu um pouco artificial. Fica claro que você poderia ter intensificado os dramas pessoais, pois mostrou capacidade para tal. Ao invés disso, você acabou optando por explorar mais personagens. Quantos núcleos temos aqui? Jânio, Esmeralda, Maria Clara, Ana Cláudia… E, no meio de tudo isso, você ainda se dispôs a explicar o impacto econômico advindo do novo metal que caiu do céu, a doença que ele desenfreou, o posicionamento internacional sobre ela, o impacto econômico da doença… etc

    Aliás, vou deixar bem claro, no que diz respeito ao pano de fundo, acho que você arrasou. Se preocupou com detalhes e consequências desses detalhes. Apesar de ter achado a introdução dessas coisas um pouco didática (o que, me parece, também é culpa do espaço apertado) é fato que sua realidade histórica é muito rica.

    Mas justamente por ser rica e por você tentar trabalhar todas essas coisas ao mesmo tempo acredito que o envolvimento do conto acabou deixando um pouco a desejar. Você tinha apenas três mil palavras. Muitas vezes, menos é mais. Não acho que um autor precise explicar tudo o que se passa no seu universo. Dê pequenas dicas. A história, acredito, deve ser a ponta do iceberg e tudo o que você expôs a base. Algumas vezes conseguimos vislumbrar, outras apenas imaginamos o que está lá.

    É isso. Lembrando que tudo o que disse é baseado no meu senso leigo de leitor.

    Ah, achei fenomenal o uso dos cometas para mudar os rumos da batalha e da história.

    Enfim, parabéns pelo trabalho.

  18. Pedro Arthur Crivello
    22 de maio de 2016

    caro leitor o texto é muito legal, tem umas referências históricas bacanas ,usando a guerra dos farrapos, porem a verossimilhança se perde com a chuva de meteoros. um evento tão improvável que poderia ser considerado fantasia. mas não vamos nos atentar a isso. sua narrativa foi interessante , usou muito bem as palavras e consegui descrever o sul com muita riqueza, como você revelou a mudança histórica no final me impressionou, achei uma maneira bem criativa com a fala da professora. mas ainda bato nesta tecla, acho a história do meteoro totalmente exagerada e até um pouco irrelevante, o conto poderia ter se saído bem sem essa mudança repentina.

  19. Anorkinda Neide
    21 de maio de 2016

    Buenas, tchê! Vamos lá
    partimos de minha pré-indisposição ao enredo, pq eu detesto muito o ‘mito’ Rio Grande do Sul independente, muitos inclusive agem como se assim fosse, muita soberba por estes pagos, gosto não.
    Mas pensando no texto, eu gostei bastante do tom intimista, me lembrou O tempo e o Vento de Érico Veríssimo. Gostaria mais que ficasse neste tom, abordando detalhes da família de Jânio e suas emoções.
    Então, a partir do cap lV, a coisa correu e o texto perdeu o brilho. Não consegui afinidade com as filhas de Jânio e o lance do mineral radioativo me pareceu desfocado e mirabolante demais. Não o meteoro que até comprei para dar ganho à Guerra Farroupilha, mas o uso posterior do mineral não me soou verossímil.
    A professora voltando ao final com a homenagem ao Chefe, achei legal, embora tenha restringido o conto à participação deste certame.
    É isso, um texto bem estruturado em sua linguagem, mas que mudou de ritmo no meio do jogo, uma pena.
    Abração ae!

  20. Catarina
    18 de maio de 2016

    O COMEÇO não me apeteceu e o FLUXO lento, e muito detalhista, tirou um pouco do encanto da TRAMA; para o meu leigo gosto. Adorei a escolha da ALTERNATIVA e a inversão das possibilidades no FIM. Já fui à Festa Farroupilha em Porto Alegre e senti, de forma muito divertida, o quanto é orgulhosa a nação do Rio Grande. Povo admirável muito bem documentado e pesquisado pelo autor.

  21. Brian Oliveira Lancaster
    18 de maio de 2016

    LEAO (Leitura, Essência, Adequação, Ortografia)
    L: A quebra de ritmo no início do texto cria uma expectativa interessante, retomada no meio e depois somente no final. A primeira parte mais familiar é bem envolvente, descrevendo em detalhes a região.
    E: A intenção foi criar uma história diferente do acontecido, mas, apesar de entender a solução encontrada, achei a primeira parte melhor trabalhada que o desenvolvimento final. Sei que o espaço é curto, como já visto em alguns por aqui, mas talvez se as camadas continuassem mais intimistas, o resultado teria ficado melhor. O final, voltando à professora fechou bem o ciclo e nos remete ao trocadilho do título.
    A: Mais um texto sulista (já vi três). O pessoal quis fugir de Hitler e acabou se virando para o Sul. Conheço a história e digo que foi melhor mesmo se focar em apenas um personagem fictício para não exagerar o contexto com muitas informações. Agrada pela atmosfera em geral, mas a segunda parte destoou um pouquinho do restante, apesar de seus méritos.
    O: Não notei grandes erros, talvez mais alguns diálogos ajudassem no desenvolvimento, mas é eficiente em transmitir as emoções.

  22. JULIANA CALAFANGE
    16 de maio de 2016

    O mais difícil deste desafio é justamente imaginar as coisas muito diferentes do q elas são, em 3 mil palavras, sem cair em “furos” ou “excessos de explicações”. Por isso não vejo tb a necessidade de ficar explicando o porque de o texto ter sido apresentado assim ou assado. Quando a gente prepara um jantar e serve para os convidados, não é necessário ficar explicando que tal coisa ficou gordurosa demais porque o cozinheiro exagerou na manteiga ou que a carne não chegou no ponto prometido porque o tempo acabou antes.
    Imaginar o RS como país independente foi ótimo, mas concordo que o modo como isso foi contado ao leitor deixou a desejar. Também achei o meteoro meio “forçação” de barra, mas não foi o pior. Achei isso divertido. Pra mim, pior foi a solução em apenas um parágrafo para a tal doença da “loucura” (confesso q fiquei imaginando a doença da vaca louca atingindo os humanos, rs…): “os Estados Unidos assumiram as pesquisas e encontraram uma cura para a estranha doença. O problema é que também retiraram do mercado todas as ferramentas e invenções revolucionárias baseadas naquelas rochas. Nosso país nunca mais se recuperou do estrago bilionário em seus cofres públicos”. Achei essa explicação muito “lambona”, pouco esmerada… Mas é isso mesmo, o tema do desafio foi dureza e valeu pela coragem e pela escolha tratar de um pedaço tão interessante da nossa História! Parabéns!

  23. Davenir Viganon
    15 de maio de 2016

    RHA: O Rio Grande do Sul independentizou-se do Brasil.
    A ideia é interessante, porém, as escolhas para construir essa realidade alternativa nem tanto. Refiro-me precisamente a chuva de meteoros. Acho que algo mais viável para o um RS como país, seria parecido com o Uruguai (que se separou com a Guerra da Cisplatina)
    Quanto ao conto em si, a condução da estória contou muito e mostrou pouco.
    Faltou picos de emoção, o que tornou a leitura arrastada para mim. A descrição da guerra, que poderia guardar uma emoção ficou sem graça. Uma carga de cavalaria é algo muito violento e poderia ser aproveitado para dar alguma emoção no conto. Enfim, não consegui gostar muito do conto. Boa sorte.

    • Seu Francisco
      16 de maio de 2016

      Agradeço a sinceridade. O ponto de vista não são dos “heróis”, talvez por isso você sentiu que a história se arrastou. Falha minha, mas anotado para as próximas vezes. E no caso do elemento separador, se fosse outro, talvez demandaria muito mais texto e explicações desnecessárias.

  24. Olisomar Pires
    15 de maio de 2016

    RHA: Rio Grande do Sul se tornou um país em separado do Brasil;

    Tempo da ação:1833 – 1836

    Idioma: Pequenos erros de concordância, nada grave.

    Trama: A Guerra dos Farrapos tem um desfecho vitorioso para os separatistas em função de evento celeste inesperado que também ajuda no fortalecimento econômico do novo país, até que lhe descobrem efeitos colaterais.

    Ritmo e desenvolvimento: Ritmo lento em função da valorização descritiva ampla sem participação direta das personagens por meio de diálogos – o desenvolvimento do conto é bom, embora o desfecho revele certa urgência.

    Conclusão: Texto sensacional, com suas informações e descrições, muita criatividade e coerência – em contrapartida vem o tamanho do conto ( longo) e a solução encontrada para vencer a batalha, mas o texto é bom, ainda que não entusiasme imediatamente.

  25. Claudia Roberta Angst
    15 de maio de 2016

    Olá, autor! Desta vez, resolvi montar um esquema para comentar. Espero te encontrar no pódio.

    * Título – O título simples revela vagamente o assunto que será abordado. Isso não é ruim, uma vez que o leitor não familiarizado com a história do Brasil terá um recurso a mais para descobrir a RHA. Glória tanto pode ser o nome da professora quanto triunfo. Boa sacada!

    * Revisão – Pequenos enganos quanto à concordância verbal:
    (…) uma grande quantidade de pinhão, que ficavam excelentes quando sua falecida avó os preparava no fogão à lenha… > UMA grande quantidade de pinhão, que FICAVA excelente quando sua falecida avó a preparava no fogão à lenha. /
    “Felizmente nossas bisavós tinha mais visão (…)” > Felizmente, nossas bisavós TINHAM mais visão

    * Enredo – O conflito separatista no sul do Brasil ganhou novas cores e até uma chuva de meteoros. A narrativa apresenta-se bastante rica em detalhes, o que, às vezes, provoca o ralentar da leitura. O autor preocupou-se com a caracterização dos personagens e do cenário envolvidos, abrindo mão dos diálogos. E eu adoro diálogos, pois sempre agilizam a leitura. Estes só aparecem no começo e no final. Aliás, ocorreu uma homenagem ao chefe, Gustavo Araújo?

    * Tema – O conto abordou o tema proposto pelo desafio.

    * Aderência – A história em si é interessante, com o seu desdobramento diferente (alternativo) do seu rumo. Acredito que, pelo menos para mim, se o conto fosse um pouco menos longo e sem tantas voltas, agradaria mais. O problema é que o limite de 3.000 palavras, de certa forma, pressiona a detalhar demais as passagens. Alguns autores sentem-se bem à vontade com isso, outros nem tanto. O risco de se perder em descrições desnecessárias é enorme. O conto é bom, mas emperra em alguns momentos. Boa sorte!

    • Seu Francisco
      16 de maio de 2016

      Agradeço as sugestões e correções bem pontuadas. Tive de resumir muita coisa nesse contexto. Não sei se conseguiria fazer uma história menor. Quanto ao título, você captou bem a ideia!

  26. Evandro Furtado
    15 de maio de 2016

    Ups: Gaúcho detected? He, he brincadeirinha. No seu caso temos alguns aspectos bem interessantes a apontar. É claro que, pra quem tem um conhecimento histórico maior, o efeito que o texto vai causar será proporcional, mas, de forma alguma, aquele que desconhecem com profundidade o período ficam perdidos na trama. Gostei bastante das referências e da metalinguagem.
    Downs: Faltou aquela virada de jogo na trama, algo que levasse seu texto para a prateleira de cima, aquela frase final que fizesse a gente refletir, sabe? Talvez se eu fosse gaúcho como você o efeito pudesse ser diferente.
    Off-topic: Eu gostava daquela música que tocava nA Casa das Sete Mulheres.

    • Seu Francisco
      16 de maio de 2016

      Agradeço a leitura! Como são arquivos recuperados e dissertados pela professora, talvez tenha ficado um tanto comum. Tentei não colocar muita informação desnecessária, para, como você mesmo disse, quem não conhece, não se perder. Sim, falhei em criar mais impacto.

  27. Ricardo de Lohem
    14 de maio de 2016

    O Rio Grande do Sul, um país independente, um velho sonho de alguns que esta RHA tenta realizar, pelo menos no imaginário. Tenho que ser sincero: é uma história muito sem graça e insossa. Tudo é linear demais, certinho demais, guiado demais por certa ideologia ou fantasia do autor, sem verdadeiros conflitos, enfim, um texto que não brilha. Não há emoção, além do pouco interessante regionalismo patriótico. A narração da batalha é uma das piores que já vi: muito dura de ler. Depois a história ainda piora, a parte Sci-Fi foi terrível… Um cometa com “magnetismo radioativo” (?!) que causa esquizofrenia. Não seria melhor o cometa ter transformado as pessoas em zumbis? Pelo menos teria sido mais divertido. Acho que só fanáticos pela causa da separação do RS podem achar alguma graça nessa história. Um conto muito fraco, mas desejo muito boa sorte para o senhor, Seu Francisco, acho que vai precisar.

    • Seu Francisco
      16 de maio de 2016

      Agradeço as críticas e a leitura, afinal, para apontar tudo isso, você deve ter lido e tentado compreender todo o contexto. Quanto a narração da batalha, a verdade é essa: faltava espaço para incluir tudo o que a história pedia. Você pode notar que ali, dei preferência para a visão do protagonista, não dos heróis que prosseguiram, ao longe (ou seja, a descrição mesmo está nos livros reais). Agora, uma curiosidade: onde você viu sci-fi nesse texto? Tudo está dentro da normalidade, com elementos reais.

  28. Olisomar Pires
    14 de maio de 2016

    Considerei o texto sensacional, tanto pela trama como pelo conteúdo histórico, além de muito bem escrito. ENTRETANTO, e salvo engano, talvez seja um trote, mas me parece que o AUTOR SE IDENTIFICOU no campo destinado aos comentários, o que é proibido, de acordo com as regras estabelecidas. Com a palavra, os administradores.

    • Olisomar Pires
      14 de maio de 2016

      Peço que desconsiderem o comentário acima, equivoquei-me, NÃO HOUVE IDENTIFICAÇÃO nos comentários, falha de interpretação minha, ao autor e ao comentarista minhas mais sinceras escusas.

  29. Eduardo Selga
    14 de maio de 2016

    O fato histórico que o conto usa é a Revolução Farroupilha, cujo intento era principalmente fazer do Rio Grande do Sul um país separado do Brasil. Aliás, no imaginário regional essa vontade ainda vigora em alguns movimentos separatistas que, em minha opinião, aguardam o momento histórico adequado para acontecerem.

    A camada ficcional, além da efetiva criação de outro país, está na chuva de meteoritos que, caídos durante uma batalha decisiva e atuando em favor dos revolucionários no campo de guerra, passam a ser fundamentais para o desenvolvimento do novo país e, simultânea e paradoxalmente, elemento de seu atraso econômico.

    Essas ideias antagônicas situadas em um mesmo conto funcionaram muito bem por fazerem espelho a outro antagonismo: fatos e personagens reais ao lado de ficcionais. E é exatamente no tempero que une esses pontos onde vejo algum problema. Vejamos se consigo deixar claro.

    Podemos dividir o protagonismo do conto em duas partes: na primeira, os personagens Jânio (ficcional) e Antônio de Sousa Neto (histórico) comandam os fatos narrados. Ou seja, é um bloco narrativo masculino. Na segunda parte, esse protagonismo se torna predominantemente feminino, com as filhas de neto, com alguma participação de Tito Lívio Zambeccari (personagem histórico), e a bisneta de Jânio, a professora.

    Ocorre que os personagens de um bloco e de outro não têm a mesma dimensão, e não me refiro ao tamanho de suas participações. Jânio e Neto, por haver cenas de combate das quais participam, tem a grandiosidade heroica que é possível encontrar em textos que tratam das tradições e do orgulho gaúcho. No caso dos personagens da segunda etapa, há um empalidecimento. Note-se que não estou cobrando destes o heroísmo daqueles, e sim o mesmo brilho enquanto personagens.

    A princípio considerei a chuva de meteoritos uma solução intempestiva, um tanto fabulosa e que não parecia se encaixar muito bem em uma narrativa com fortes elementos bélicos. No entanto, no transcurso da narrativa, ao perceber a importância das “pedras do céu” para a economia do jovem país, a estranheza se desfez. Mas apenas um pouco. Ainda considero um tanto incompatível como construção cênica, talvez ficasse melhor se esses minerais surgissem na economia de outra maneira. Lembro que estou considerando os meteoritos uma construção ficcional, mas pode ser que a queda tenha de fato acontecido durante uma das batalhas da Revolução Farroupilha, embora eu não tenha conseguido obter registros a respeito.

    No trecho “A província de Rio Grande do Sul estava oficialmente consolidada. Agora, um país propriamente dito” me parece haver uma incoerência. Se passava a ser um país, o Rio Grande do Sul estar consolidado como província me parece estranho. A menos que “província” não tenha no trecho o significado geopolítico de parte de um todo, e sim o de conjunto de habitantes.

    Parece-me inadequada a expressão “entraram na jogada” ao se referir aos norte-americanos, pois é um termo gírio e no corpo textual desse conto não há espaço para a gíria, na medida em que é todo construído a partir da norma padrão.

    • Seu Francisco
      16 de maio de 2016

      Agradeço a crítica bem embasada, como sempre. Reconheço que o segundo bloco não ficou tão bem desenvolvido quanto o primeiro. O limite de palavras atrapalhou um pouco. Esse contexto é muito amplo e já foi quase impossível resumir toda a história. Há relatos de vários meteoritos nessa época, mas nada que esteja nos livros – peguei apenas um pouco da “lenda popular”, afinal, precisava de algo para criar uma cisão na realidade. Pode ter soado fantasioso demais, mas todo o tempo mantive os pés no chão. Quanto às gírias, foi falha minha mesmo.

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Publicado às 14 de maio de 2016 por em Realidade Histórica Alternativa e marcado .