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Literatura que desafia.

Sacrifício (Marcelo Porto)

arvore

A sombra da imensa gameleira que plantei domina o pátio das ruínas. Os galhos prolongam-se como uma teia prestes a me trancafiar num abraço mortal, pela intensa folhagem observo a criança brincando.

O tronco retorcido, as raízes à mostra, se fincam na terra com uma vitalidade anormal para um vegetal de 450 anos.

Com o coração dilacerado chamo o menino, o amor transborda num abraço sincero. O encaro com lágrimas nos olhos.

– Você tá chorando papai?!

O aconchego carinhosamente, enquanto caminho em direção ao fosso que se abre nas raízes tortas. Mantenho o rosto angelical preso ao meu peito arfante.

Do buraco escancarado sinto os cadáveres dos meus filhos me confrontando.

A arvore diabólica o arranca dos meus braços sem me dar chance de arrependimento.

Tremendo de êxtase, me dirijo para o carro tentando abafar o choro angustiante atrás de mim.

Aumento o som e sigo em frente.

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58 comentários em “Sacrifício (Marcelo Porto)

  1. ricardoescreve
    23 de julho de 2016

    Marcelo, gostei do conto. conseguiu um belo efeito de terror e dor com tão poucas palavras.

  2. harllon
    29 de janeiro de 2016

    O texto está muito preenchido de palavras que dão um ar poético ao texto. O final causa uma certa estranheza, mas a narrativa e a escolha das palavras faz jus ao enredo.

  3. Miguel Bernardi
    29 de janeiro de 2016

    E aí, tudo bem?

    Não gostei muuito porque as cenas, apesar de bem escritas e descritas, não fizeram muito sentido para mim (como história). A fala do filho é boa, mostra o desespero/angústia/tristeza do pai de maneira bboa. As crianças, afinal, percebem a realidade muito bem e de uma forma singela, englobada pela inocência da fala.

    Mas é legal.
    Abraços!

  4. Nijair
    29 de janeiro de 2016

    Sacrifício (Garcia D’Avila)
    1. Temática: Transcendental.
    2. Desenvolvimento:
    3. Texto:
    Sugestões:
    a) num abraço mortal. Pela intensa folhagem, observo a criança brincando.
    b) O tronco estava retorcido. As raízes, à mostra, fincam-se na terra com vitalidade anormal para um vegetal de 450 anos.
    c) Com o coração dilacerado, chamo o menino – o amor transborda num abraço sincero. Encaro-o com lágrimas nos olhos.
    d) – Você tá chorando, papai?!
    e) Eu o aconchego, carinhosamente, enquanto…
    f) Tremendo de êxtase, dirijo-me até o carro, tentando abafar o choro angustiante que persiste atrás de mim.
    4. Desfecho: O final quebrou o clima do texto – tive essa impressão, pois soou muito descompromissado com o restante da construção.

  5. Tamara Padilha
    29 de janeiro de 2016

    Gostei muito! Parabéns… meio chocante o pai oferecer o filho para a árvore mas é criativo. Poderia ter explorado um pouquinho mais o choro angustiante da criança, olha meu lado dramática falando mais alto.

  6. Thales Soares
    29 de janeiro de 2016

    Achei bacana a ideia do conto da árvore maligna. Na verdade, o que eu realmente queria era ver esse surrealismo mais explorado! Mas o conto optou por focar na parte do terror seco e sombrio.

    A estrutura do conto está fabulosa! Parágrafos bem divididos. Narração fluida. Boas descrições. A leitura ficou prazerosa.

    Só não gostei muito do choque mesmo. Quer dizer… eu adorei a mudança de tom da história. Mas não gostei da atitude do pai em oferecer suas crianças para a árvore… argh! Enfim, isso é bom até. Pois você conseguiu me provocar uma reação.

    Conto acima da média. Parabéns.

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Informação

Publicado às 14 de janeiro de 2016 por em Micro Contos e marcado .