EntreContos

Literatura que desafia.

Flak! (Kleber Macedo)

Thunderbolt.

Boooom!

Um milhão de pedras que caem sobre um telhado de zinco. Surdez momentânea. Fumaça negra invadindo a nacele. O avião vira de cabeça pra baixo num instante.

Primeiro instinto: “Estou ferido?” Segundo: “Solte o cinto, abra o canopy. Rápido!” O nariz do caça aponta direto para baixo. Solto-me, bato contra o painel de instrumentos. O vento gelado corte-me como navalha. Tusso freneticamente, inalando a fumaça oleosa.

Em posição, projeto-me para fora. O vácuo suga-me. Leveza. Inércia. Flutuo no ar em meio ao tiroteio – rodopiando como peão – abandonando meu Thunderbolt à sua própia sorte. Um vazio indescritível me invade.

Não tenho tempo para considerações. “Mil e um… mil e dois… mil e três…  Agora!”

O solo se aproxima rapidamente. Da floresta saem correndo na direção onde atingirei o solo dois homens com metralhadoras. Caio de cara na neve. Armo a pistola quando ouço, aliviado:

“Siete inglese o americano?”

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65 comentários em “Flak! (Kleber Macedo)

  1. harllon
    29 de janeiro de 2016

    O ritmo do conto é bem intenso e parcialmente frenético, rementendo a um cenário de guerra.

  2. Nijair
    29 de janeiro de 2016

    .:.
    Flak! (Soloviev)
    1. Temática: ‘Causo’
    2. Desenvolvimento: Truncado, mas prendeu minha atenção.
    3. Texto:
    a) Não seria nacela?
    b) corta-me
    c) Tusso, freneticamente, inalando a fumaça oleosa.
    4. Desfecho: Alívio aos quarenta e cinco dos segundo tempo. Eram aliados, que bom!
    O texto não decolou – tive essa impressão.
    Valeu!

  3. Tamara Padilha
    29 de janeiro de 2016

    Ótimo! A descrição da queda do avião foi a melhor! Parabéns, um conto cheio de adrenalina,.

  4. Thales Soares
    29 de janeiro de 2016

    Conto muito bem escrito!!! A imersão do leitor no conto chega a um nível espetacular, devido as suas belas descrições. O autor com certeza é alguem muito experiente e que domina completamente a escrita!!

    Eu gosto de histórias de guerra. Mas aqui, o enredo não me atraiu muito. Acho que esse foi o único ponto fraco do conto, ao meu ver. Eu entendo que o autor não quis fazer uma história mirabolante pois esse não era o objetivo do conto. O foco aqui é a imersão do leitor. E nisso o autor mandou muito bem.

    Parabéns. Conto acima da média!!

  5. Tom Lima
    29 de janeiro de 2016

    Muito bom!

    Li como se um veterano estivesse me contando, foi bem interessante esse pondo de vista. Flui muito bem e fica tudo tão claro!

    Só o fim que me deixou uma duvida estranha: ele tem razão pra estar aliviado?

    Ele pilotava um Thunderbolt, mas foi recebido por alguém falando italiano…

    Parabéns.

  6. Wilson Barros Júnior
    29 de janeiro de 2016

    O conto é narrado no estilo do primeiro, e provavelmente mais bem escrito, romance de guerra. Por exemplo, notei muita semelhança estilística com o texto abaixo:

    “A vez de Ajax. A lança horrível finca-se no escudo reluzente. Heitor se esquiva, ilude a morte. Investem-se, crus leões famintos. Espadas resvalam nos escudos. Com um salto Ajax perfura o círculo. Sangue escorreu da nuca escuro.”

    Além da semelhança com a Ilíada, achei o final parecido com “O Poço e o Pêndulo” de Poe, “Um braço estendida agarrou o meu, quando eu, já quase desfalecido, caía no abismo. Era o braço do General Lassalle.”

    Um conto realmente estilizado, muito bem escrito.

    • Soloviev
      29 de janeiro de 2016

      Nossa!

      Que incrível a comparação deste humilde micro conto com dois clássicos da literatura universal! Sinto-me lisonjeado de verdade!
      Fico feliz que gostou. Muito obrigado pelos elogios e considerações.

      Grande abraço e desejo-lhe sucesso neste desafio!

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Informação

Publicado às 14 de janeiro de 2016 por em Micro Contos e marcado .