EntreContos

Detox Literário.

Aberrações de Titã (Davenir Viganon)

titan

— Tem visto o “pálido ponto azul” com que frequência? — Pergunta Omaírp, debruçado em suas sombrias anotações clínicas.

— Quase diariamente, nos meus sonhos. — Responde Ardnassac deitada no divã.

— Fale-me sobre o que vê.

— O sol cresce. Nossas cinzas no vazio.

— E o ponto azul?

— Acinzenta-se depois desaparece.

— Sim, entendo.

— Não acredita?!

— Você acredita?

— Acontecerá, eu sei!

— Não há provas que suporte suas… alucinações.

— Previsões!

— Aberrações!

Ardnassac se encolheu. Olhou pela escotilha e viu o horizonte de Titã, alaranjado e brilhante como o pomo de Éris.

— Aberro para surdos.

Um alarme toca. Ardnassac sorri.

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84 comentários em “Aberrações de Titã (Davenir Viganon)

  1. Oremoh
    1 de fevereiro de 2016

    Confesso que fiquei decepcionado com minha posição, (35) mas não pretendo largar a FC por conta disso. pago o preço por isso, mas obviamente minha escrita que tem muito a melhorar. Em minha auto critica, acredito ter enxugado demais o texto e algo ficou nesse processo. Não vou reclamar das leituras apressadas, pois foi uma constante no desafio. Também pequei em algumas leituras, principalmente os com poesia que pedem uma calma que nem sempre pude dar. Já a FC pede imaginação e algum conhecimento prévio que não ofereci no conto. Enfim, sobre o texto em si. gostei de ter deixado um mistério sobre os habitantes de Titã. Tentei no texto fazer uma mistura de FC com Mitologia grega. A protagonista previu que o sol engoliria a terra com vida, ponto azul. O sol se tornar uma gigante vermelha não é a previsão. Segundo, uma teoria quando isso acontecer a terra não terá mais vida, então a previsão era que isso aconteceria antes do previsto.

    • Davenir Viganon
      1 de fevereiro de 2016

      Esqueci que não preciso mais do pseudonimo kkkk

    • Brian Oliveira Lancaster
      1 de fevereiro de 2016

      “Não pretendo largar a FC”… Como era o nome daquele bicho? Ah, “Tâmujuntu”!

      Falando sério, muitos levaram um tempo considerável para subir, porque foram aprendendo no caminho. Meus primeiros textos também ficavam lá embaixo, mas com o tempo, vamos nos aprimorando e assimilando novas formas, tanto estéticas quanto de enredos.

      • Davenir Viganon
        1 de fevereiro de 2016

        Enquanto a minha obra prima não chega, Keep Calm and Write né kkkkk

  2. harllon
    29 de janeiro de 2016

    A lerdeza apesar de proposital não cai bem diante de diálogos pouquíssimos interessantes.

    Boa sorte!!!

  3. Nijair
    29 de janeiro de 2016

    .:.
    Aberrações de Titã (Oremoh) – Grande Homero!
    1. Temática: Dialogal. Entendi assim, Homero, seu Príamo e sua Cassandra.
    2. Desenvolvimento: Melancólico demais.
    3. Texto: Há coerência, estruturalmente falando.
    4. Desfecho: Esse paciente Freud não explica! Valeu pelo divã, mas adormeci.
    Boa sorte!

  4. Tamara Padilha
    29 de janeiro de 2016

    Então, como já comentei aqui nesse desafio, não sou a maior fã de contos desenvolvidos em torno de planetas e essas coisas, mas tenho que confessar que o desenvolvimento da sua história ficou bom e ela ficou bem escrita.

  5. Thales
    29 de janeiro de 2016

    É aquele tipo de história que se desenrola através de um diálogo. Aqui o autor soube usar muito bem essa técnica. A narração está fluida e bem escrita.

    Não gostei muito da ideia na qual o conto girou em volta. Me pareceu morna e sem atrativos. Mas o desenvolvimento ficou bom.

    A imagem me lembrou daquele planeta do Dragon Ball Z que o Goku luta com o Freeza, e explode!

  6. Tom Lima
    29 de janeiro de 2016

    Bem interessante. Ficção científica me parece difícil de fazer em espaços pequenos, masa qui ficou legal.

    A forma de diálogo foi pertinente, mas o cliché do psicanalista não soou bem. Talvez os psicanalistas de Titã sejam diferentes, mas isso precisaria de mais espaço… Da forma que esta, principalmente no fim, com as acusações de alucinação e aberração, ficaria melhor se a conversa fosse entre amigos, ou conhecidos que discordam.

    Tem alguns erros de revisão, mas nada muito grande.

    Parabéns.

  7. Pedro Luna
    28 de janeiro de 2016

    Olha, acho que não entendi nada, mas direi o que achei entender.

    A personagem do divã fala sobre a destruição do ponto azul (terra?) pela expansão do sol? O Nossas Cinzas no Vazio também retrata a destruição do próprio lugar? Acho que sim pois no fim um alarme começa a soar.

    Não gostei muito porque no fim, a incompreensão não gerou um sentimento bacana de: putz, tem coisa aí. E sim, gerou mais confusão por achar que não há o que se cavar no texto.

    De ponto positivo, o diálogo em divã, sempre me deixa ligado.

    • Oremoh
      29 de janeiro de 2016

      Em resposta a tuas interrogações: sim, sim e sim. Agora, tu pode gostar do texto, porque tuas impressões sobre o que leu estavam corretas.

      • Pedro Luna
        29 de janeiro de 2016

        Ah, agora sim, heim.

  8. Fil Felix
    28 de janeiro de 2016

    Conto bem escrito, o título trabalhou em conjunto com a imagem, gosto muito das histórias que pegam Titã. Sem contar na Cassandra e até mesmo dos “titãs” da mitologia grega, algo bem pensado. Ou Homero, o grande escritor. Adoro anagramas, numa história que venho bolando o protagonista é o Ricardo (Criador). Nesses pontos, o texto tem várias qualidades.

    Porém tenho grandes problemas com histórias que envolvem psicólogos. Todos me parecem grandes clichês estereotipados, sempre fazendo retóricas e perguntando o óbvio. O final, com o sorrisinho, também achei que caiu num lugar comum.

  9. Wilson Barros Júnior
    28 de janeiro de 2016

    Uma releitura das profecias não escutadas de Cassandra, condenada a “aberrar” para surdos o resto da vida. Aliás gostei muito do Guimaranzismo aberrar, ou seja, berrar aberrações. Há um cavalo de tróia oculto nesse misterioso conto – o pomo de éris, que está causando discórdia quanto às interpretações. Para não ser devorado, eu já decifrei todos os mistérios, mas ao que vejo o autor/a deseja ainda que sejam mantidos os enigmáticos véus que recobrem o conto, portanto manter-me-ei em silêncio.

    • Oremoh
      29 de janeiro de 2016

      Não se furte de partilhar tuas teorias sobre o conto, por favor. Metade da graça está em bolar teorias e interpretações. Compartilhe conosco. Um abraço!

  10. Miguel Bernardi
    28 de janeiro de 2016

    E aí, Oremoh. Tudo bem?

    Caraca, que conto bom! Adorei a abordagem ao tema, o modo como inverteu o ponto de vista. Bastante forte o texto. A técnica utilizada me agrada pouco, mas, pela temática, aqui ela me agradou. Nunca havia visto dessa forma. E essa nova visão valeu o texto, e valeu muito.

    Parabéns, caro(a). Abraços!

    • Oremoh
      29 de janeiro de 2016

      Tudo bem. Agradeço o comentário e fico feliz que tenha apreciado. Um abraço!

  11. mkalves
    28 de janeiro de 2016

    Não teria me dado conta do anagrama se não tivesse visto outros comentários, o que precisei fazer porque fiquei muito perdida na leitura. Mas mesmo que tivesse sacado antes, isso não melhoraria muito minha reação ao conto. Talvez só funciona mesmo como referência a outra obra ou em um desenvolvimento mais longo, onde o leitor sem essa referência consiga se situar melhor.

  12. Nijair
    28 de janeiro de 2016

    Esse paciente Freud não explica! Valeu pelo divã, mas adormeci. Boa sorte!

  13. Mariana G
    27 de janeiro de 2016

    GosteI da técnica que usou, deixou bastante fluida e simples de se entender, o que é um ponto bastante positivo. Mas o fim foi comum, o que é compreensível, pois a previsão acontece ou não. Então o final morno nem acaba sendo algo desagradável.
    Boa sorte!

    • Oremoh
      29 de janeiro de 2016

      Agradeço a compreensão com o final, coloquei meus esforços em provocar reflexões e a emoção ficou em segundo plano.
      Um abraço.

  14. Swylmar Ferreira
    26 de janeiro de 2016

    Boa técnica, bom enredo e é criativo. Aprecio FC e o diálogo é legal. Penso que o final podia ser mais elaborado, mas isso é critério do autor.
    Parabéns.

    • Oremoh
      29 de janeiro de 2016

      Não vi muitas saídas para o final, como o Gustavo comentou, ou ela está certa ou não esta. Mas não é porque não vi, que não existe, não é?
      Obrigado e um abraço!

  15. rsollberg
    26 de janeiro de 2016

    Uma releitura moderna de Príamo e Cassandra. Tal qual uma análise em um divã.
    Achei os diálogos muito interessantes, fugindo do óbvio.

    Ao final, imediatamente me lembrei do “Melancolia” do Lars Von Trier, onde o personagem da Kirsten Dunst parece já saber o que vai acontecer, enquanto sua irmã, Charlotte Gainsbourg permanece cética até quase o final.

    Todavia, acho que os nomes originais poderiam ser usados sem qualquer prejuízo, gerando mais agilidade para o texto.

    Parabéns e boa sorte!

    • José Leonardo
      26 de janeiro de 2016

      Caramba, era o filme cujo nome não estava lembrando quando reli este microconto. O final faz uma bela alusão à chegada de Melancolia. Valeu, Sollberg!

      • Oremoh
        29 de janeiro de 2016

        uma alusão involuntária, mas ela está ali certamente, pois gosto muito deste filme.

  16. Jowilton Amaral da Costa
    26 de janeiro de 2016

    Gostaria de saber o porquê dos nomes ao contrário. Foi só pirraça mesmo? Ou tem algo oculto para o entendimento do conto? Os nomes complicaram a leitura, os diálogos são bons, mas, a temática me agrada mais em cinema do que em livros. Boa sorte.

    • Oremoh
      26 de janeiro de 2016

      Apenas a amante gosta de pirraça. Já eu apenas fiz uma tentativa de não deixar tão claro que os personagens foram baseados na Mitologia Grega (Ardnassac/ Cassandra e Omaírp/Príamo). Eu falei mais sobre isso no comentário que o Murim deixou aqui.
      Obrigado!

  17. Daniel Reis
    26 de janeiro de 2016

    Caro Oremoh:

    TEMÁTICA: ficção científica não é o meu forte. E tudo o que que eu vejo nessa linha acaba parecendo algo que eu já li ou vi antes, no “Além da Imaginação”.

    TÉCNICA: realmente, não gostei do diálogo como condutor da história e acho que faltou clareza, principalmente sobre a motivação e o final da história. E o recurso dos nomes ao contrário também me pareceram bastante previsíveis.

    TRANSCENDÊNCIA: não encontrei nenhuma transcendência, nada que me conectasse com o universo em questão. Sinto muito!

  18. Renato Silva
    24 de janeiro de 2016

    Eu não tinha sacado os nomes invertidos, até ler num dos comentários. Boa ideia, você escapou de ser acusado (a) de plágio ou qualquer coisa do tipo. Relatou uma pequena passagem da Ilíada, onde Cassandra prevê a iminente destruição de Troia, mas foi punida por falar “besteiras”. Príamo era seu pai e rei, que errou ao proteger o mimadinho Páris, quando este se meteu com a mulher de Menelau.

    É uma Ilíada moderna. Só não entendi bem o que seria Titã. Por acaso, é uma das luas de Saturno, então habitadas pelos terráqueos, num futuro longínquo?

    Não chega a ser uma ideia absurda, se considerarmos centenas de milhares e até milhões de anos, tempo suficiente para alcançarmos a mais alta tecnologia e povoarmos todo o sistema solar. Há teorias de que um dia a Terra será engolida pelo Sol, que irá se tornar uma gigante vermelha; mas será daqui há alguns bilhões de anos. Tenho a absoluta certeza de que não haverá mais Humanidade até lá. Posso supor, então, que Cassandra e Príamo nem sejam mais humanos, mas algo que surgiu e evoluiu muitos milhões de anos depois do nosso desaparecimento.

    Por isso que gosto de FC; me fazem viajar em teorias malucas.

    Boa sorte.

    • Oremoh
      29 de janeiro de 2016

      Se Ardnassac viu um pálido ponto azul ser varrido pelo sol, e não uma rocha seca e sem vida que será a Terra (segundo teorias recentes), esse pode ser o motivo de ser entrevistada e considerada louca por Omairp.
      Gostei da sua teoria, fico feliz de ter as despertado com este conto.
      Um abraço.

  19. vitormcleite
    24 de janeiro de 2016

    olá, se tens apresentado um final com mais impacte seria um texto fantástico, parece que falta algo neste teu diálogo. Tens um bom diálogo, que funciona na perfeição, mas o final ficou muito aberto, mas isso é só a minha opinião. Desejo-te as maiores felicidades neste desafio, e parabéns pelo texto apresentado

  20. Andre Luiz
    23 de janeiro de 2016

    Achei os diálogos um pouco confusos, e o final ‘misterioso’ demais, o que prejudicou o entendimento completo do conto. Achei muito interessante a proposta, ao mesclar história e ficção científica, passado, presente e futuro, contudo, o desenvolvimento foi prejudicado pelos diálogos, certamente. Boa sorte!

  21. elicio santos
    23 de janeiro de 2016

    Eu entendi que o personagem que tinha as visões previu algo, mas estava numa conversa com um psiquiatra, talvez, que denomina as previsões do seu paciente como alucinações. Bom diálogo. Só não entendi a parte ” – aberro para surdos” o autor poderia ser mais claro na abordagem. Boa sorte!

  22. Marina
    22 de janeiro de 2016

    Não entendi a necessidade da inversão dos nomes. Será que era para insinuar uma repetição da guerra de Tróia, só que acontecendo com a Terra, num futuro distante? Os nomes soariam futuristas ou mesmo alienígenas? Eu viajando mais uma vez. Gosto de contos em diálogos, mas acho que perdi alguma coisa.

  23. Cilas Medi
    22 de janeiro de 2016

    Príamo e Cassandra, em um diálogo sem sentido, sem conteúdo para um conto, apesar de bem escrito e definido. Enfim, não gostei, dentro do que se espera para o desafio de conto. Não deu certo a mitologia e a conversa de pai e filha.

  24. Catarina
    22 de janeiro de 2016

    INÍCIO até me motivou: “Oba, lá vem diálogo legal de FC!”. Mas no decorrer do conto senti o FILTRO fazendo um estrago tremendo em uma TRAMA bacana. Você tinha espaço para desenvolver a narrativa (só usou 92), mas não quis. Ok. Fora a criatividade em dar nomes aos PERSONAGENS, achei o ESTILO bem simples. FIM: gostei muito do neologismo “— Aberro para surdos.”. Tive que ir ao dicionário para entender.

  25. Pedro Henrique Cezar
    21 de janeiro de 2016

    Gosto de sci-fi e sei como é complicado escrever sobre o tema. Ao meu ver pode ser uma colônia de humanos ou outros seres quaisquer (não fica específicado) em Titã, lua de Saturno. O homem prediz o dia da morte do nosso Sol, talvez, ou quando este sofrer uma expansão das suas camadas mais externas, se tornando uma gigante vermelha. Neste dia, a Terra (o “pálido ponto azul”) será destruído como o conhecemos hoje. Isso que a história me parece querer passar. A história é criativa e põe uma perspectiva muito interessante e até realista de onde podemos estar em tantos milhões de anos. Gostei muito! Parabéns!!!

    • Oremoh
      29 de janeiro de 2016

      Apenas cabe ressaltar que Ardnassac é uma mulher.
      No mais, fico feliz que tenha gostado.
      um abraço!

  26. Simoni Dário
    21 de janeiro de 2016

    Começou bem e me perdi pelo meio. No final Cassandra estava certa, é o que parece. De alguma coisa gostei e de outras não gostei e não sei descrever uma e outra. O enredo tem umas elevações e umas quedas e ainda não entendi direito. O que entendi foram os nomes ao contra’rio, a começar por Homero. Desculpe, autor, mas de FC não entendo nada e sinto que serei injusta com qualquer comentário. Um conto com esse tema pra me conquistar precisa ter uns toques pra leigos, se é que me entende, Mas você escreve bem, e quando o assunto é Universo, de alguma forma estamos todos inseridos.
    Bom desafio!

    • Oremoh
      29 de janeiro de 2016

      O formato não me forneceu o espaço para ajudar os iniciantes na FC. Entendo que realmente era necessário, mas uma vez que não foi possível, decidi escrever deste jeito mesmo.

  27. Antonio Stegues Batista
    21 de janeiro de 2016

    Logo que comecei a ler, já vi que os nomes estavam ao contrário. Entendi que no enredo são nomes estranhos de personagens de um futuro distante, valeu como originalidade e também os diálogos foram legais. Vida Longa e Próspera!
    Oinotna.

  28. Leonardo Jardim
    21 de janeiro de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto antes de ler os demais comentários:

    📜 História (⭐⭐▫): gosto de FC e estava animado com o conto, mas achei a história um pouco nebulosa e confusa.

    📝 Técnica (⭐⭐▫): boa, bom diálogo.

    💡 Criatividade (⭐▫▫): exceto se eu perdi alguma coisa, não vi muitos elementos novos nessa FC.

    🎭 Impacto (⭐▫▫): gostei do diálogo, mas o impacto foi reduzido pela não compressão total do texto. O fim que entendi (fim da Terra) não fez muito sentido pra mim… 😦

  29. Eduardo Selga
    20 de janeiro de 2016

    O CONTO ESTRUTURADO exclusivamente no diálogo, sem narração nenhuma ou quase isso precisa ter um diálogo imagético, ou seja, ter potencial para provocar durante a leitura a construção de imagens para além daquilo que está sendo dialogado. Isso faz as vezes da narração. Quem já leu peças de teatro sabe o que eu tento dizer. Nas passagens centrais, o leitor imagina a cena e ela provoca outras possíveis, por meio das quais o leitor tenta antecipar o fim da ação em curso (a delícia de quem assiste telenovela está aí). Não é exclusivo do texto dramático (teatro), mas uso como exemplo porque nesse gênero é bem marcante.

    Neste conto, o potencial imagético de que falo não é elevado, talvez porque as “falas” são telegráficas e construídas de modo a conduzir ao desfecho, apenas. O diálogo aqui é apenas ferramenta de condução do enredo. Tentando fazer uma comparação, é como o personagem que parece uma marionete condutora de enredo, vem vida própria.

    A frase “aberro para surdos” apresenta um neologismo interessante. Aberro é a primeira pessoa do presente do indicativo do verbo aberrar, que significa fugir às regas. Mas na frase não está como verbo e sim substantivo. Entretanto, esse substantivo não está dicionarizado. Nenhum problema: o neologismo é a invenção de palavras. Assim, a palavra funciona no mesmo campo semântico das palavras erro ou disparate, além de ser um bom tocadilho com a palavra berro, não escrita mas presente de certa maneira no fato de o alarme tocar.

    Em “não há provas que suporte suas… alucinações” há um erro de concordância. deveria ser SUPORTEM.

    • Oremoh
      29 de janeiro de 2016

      Acredito que sintetizaste bem o que se perdeu com o enxugamento para a adequação ao desafio. Obrigado pelas considerações. Um abraço.

  30. Evandro Furtado
    20 de janeiro de 2016

    Fluídez – 10/10 – texto dinâmico e rápido, com bons diálogos servindo como base;
    Estilo – 10/10 – ficção científica clássica, narrativa bem trabalhada;
    Verossimilhança – 10/10 – trama bem construída, assim como os personagens;
    Efeito Catártico – 8/10 – o final ficou um pouco meehh. Sinto que se houvesse mais espaço você brilharia.

  31. Gustavo Castro Araujo
    19 de janeiro de 2016

    Enxerguei este conto muito mais como uma homenagem aos contos de FC do que como uma história em si, dado o nome dos personagens que, invertidos, remetem a homônimos mais famosos.

    O conto instiga no início, com a alusão ao “pálido ponto azul” — a Terra, assim descrita por Sagan — que mais parece ser uma lenda para os personagens do que algo real. O diálogo é ágil e interessante, do tipo que se veria numa discussão que envolvesse o sobrenatural.

    O problema foi o final, pelo menos para mim. O alarme tocando significou que Cassandra estava certa? Eles viram a Terra? Se a resposta fosse positiva, soaria conveniente demais. Do contrário, o sorriso dela seria infundado. Em qualquer dos casos, o fecho não ficou à altura da atmosfera criada.

    No frigir dos ovos, porém, o conceito é positivo. Bom trabalho!

    • Oremoh
      29 de janeiro de 2016

      Não foi pensado como uma homenagem aos contos de FC, mas como uma mistura de FC com Mitologia Grega, do cientifico com o místico. Como falei em outro comentário, o foco foi a reflexão e a emoção acabou prejudicada.
      Um abraço.

  32. Matheus Pacheco
    19 de janeiro de 2016

    Amigo, eu realmente não consegui entender, mas isso não quer dizer que o texto está ruim, eu imagino que isso seja um trecho de algo maior e que pelo limite de palavras foi forçado a ser cortado.

  33. Daniel
    19 de janeiro de 2016

    Acho que o maior problema desse conto fui eu enquanto leitor: sem referências prévias (não conheço a história de Cassandra e Príamo), fiquei perdido na história e só encontrei o significado nos comentários.

  34. Thata Pereira
    19 de janeiro de 2016

    Eu pulei os nomes quando percebi que ia ficar perdida, por isso acabei não reparando que estavam ao contrário e acabou me prejudicando na hora dos diálogos também. Por isso, li mais de uma vez. Diálogos tão diretos não me agradam, mas aqui foi necessário para criar a rapidez de uma entrevista ping-pong, por exemplo. Mas confesso que não ser fã de FC e não conhecer a história Cassandra e Príamo foi o que prejudicou a leitura para mim. Entendo que não é preciso conhecê-los para compreender o conto, mas ler os comentários e ver que tinha muito mais a ser descoberto me deixou um pouco decepcionada comigo mesma.

    Boa sorte!

  35. Murim
    18 de janeiro de 2016

    Eu gostei desse conto. Apesar de pequeno, com boas referências ao mesmo tempo mitológicas e a Carl Sagan. A ideia de usar outras transformar os nomes mitológicos é interessante, mas acho que anagramas ficaram mais elegantes do que a mera inversão das letras ou, para um conto desse tamanho, onde não há espaço para um desenvolvimento maior, usar os nomes corretamente. Apesar de ter gostado da prosa e da forma como você construiu o conto quase exclusivamente em diálogos, faltou algo. Apenas transferir as profecias de Cassandra a um cenário interplanetário, com um final óbvio, não foi suficiente. Acho que com linhas a mais você desenvolveria algo mais interessante para ser contado.

    • Oremoh
      19 de janeiro de 2016

      Eu penso que os anagramas seriam mais elegantes, porém fiquei temeroso de que ninguém os compreendesse, ainda assim, alguns não entenderam mesmo sendo apenas invertido. Quanto ao uso dos nomes originais, não o fiz por receio de que os leitores imaginassem que fosse algo do tipo Percy Jackson.

  36. Kleber
    18 de janeiro de 2016

    Olá, Oremóh.

    Ficção Científica é um dos meus temas prediletos. Mas, como eu comentei antes, escrever é como fazer uma receita. Se erramos a mão, dá tudo errado.
    Por sua complexidade e necessidade de explicações adicionais para criar verossimilhança, FC sempre será algo que precisará de muuuuito mais palavras. Então, a “massa” transbordaria a “forma”.
    Seja como for, gostei da sequência de diálogos; rápidos e direto ao ponto.

    Sucesso!

  37. Rubem Cabral
    18 de janeiro de 2016

    Olá.

    O enredo é interessante, mas não creio que fosse adequado às limitações de miniconto. Sei que Cassandra só tinha premonições de desgraças vindouras, mas a mescla das citações dos nomes invertidos com o cenário exótico de Titã, não foi, ao menos para mim, das mais felizes. Creio que o mote necessitaria de muito mais palavras.

    Abraço e boa sorte.

  38. Leda Spenassatto
    18 de janeiro de 2016

    Uma pessoa deprimida em seu divã, confessa ao seu médico
    suas premunições ou previsões e, este por sua vez não acredita.
    Simples assim. Até que, considerando a simplicidade do diálogo,
    seu conto me cativou, marcando e definindo tempo e espaço,
    paisagens e personagens!
    Sucessos!

    • Oremoh
      20 de janeiro de 2016

      Despiste meu conto da Ficção Cientifica e da Mitologia e rendeu uma leitura interessante. Obrigado pelo comentário.

  39. Bia
    17 de janeiro de 2016

    Juro que engasguei, estava tomando água quando comecei a leitura e ao ver esses nomes ao contrário tossi, espantada. Não peguei o significado disso, desculpe aí. Também pode ser que tenha algo a ver com Príamo e Cassandra, mas confesso que não conheço sobre esse mito (se há um, claro, mas talvez exista, por isso você o usou), talvez por isso o conto não tenha funcionado pra mim. Gostei do diálogo, bem ágil.

  40. Piscies
    17 de janeiro de 2016

    Os diálogos são bem escritos e diretos – como têm que ser para um conto baseado neles com tão poucas palavras.

    O impacto é pequeno. Sinto-me lendo novamente sobre a mesma coisa: a destruição da terra por causa da morte do sol. Este é assunto recorrente… não sei se apenas aqui, no Entre Contos, mas, de qualquer forma, ficou aquela sensação de “ué, de novo?”.

    Mesmo assim, o conto tem aquele gostinho de ficção científica que é sempre gosto de sentir.

    Boa sorte!

  41. Sidney Rocha
    16 de janeiro de 2016

    É interessante, sem dúvida. Eu gostei dos diálogos e consegui visualizar o trecho. Talvez faça parte de algo maior, porque pareceu um trecho. Mesmo assim, me senti confortável e viajei no seu texto

    • Oremoh
      29 de janeiro de 2016

      Se o leitor viajou no texto com sua imaginação, então eu acredito que não há necessidade de “completar” a história.
      Um abraço.

  42. mariasantino1
    16 de janeiro de 2016

    Hey, autor.

    Acho que meu comentário só vai fazer coro com a galera que não curtiu muito. Nomes ao contrário atravancaram a leitura, se a intenção era mostrar um acontecimento como se fosse um espelho (de trás pra frente), então acho que só instigou, mas não pude concluir de fato se era isso ou não.

    Bacana imaginar observar o espaço. Provavelmente seu conto poderia se sair melhor em uma outra abordagem (sobretudo com mais palavras).

    Boa sorte no desafio.

  43. Sidney Muniz
    16 de janeiro de 2016

    Um conto interessante mas não gostei o bastante.

    Na verdade Cassandra é filha de Príamo, e personagem muito interessante que prevê a aguerra de Tróia, mas que foi desacreditada e considerada louca.

    Cassandra – Ardnassac
    Príamo – Omaírp

    Um conto muito bem montado, mas que não mostra originalidade em relação a história, mas sim a forma de contar, por meio de códigos.

    Desejo boa sorte a você e lhe dou os parabéns!

  44. Rogério Germani
    16 de janeiro de 2016

    O mais interessante foi a fluidez do texto ao utilizar diálogos curtos para narrar os moradores de Titã. Ainda assim, soou mais como um fragmento de uma trama maior.

  45. Anorkinda Neide
    16 de janeiro de 2016

    Olá!
    Gosto de diálogos, estes estão com frases curtas demais, mas passou o seu recado e economizou palavras para poder transmitir todo o recado. Muito bem! hehe
    Achei que o final não foi impactante, faltou algo que mexesse com os nervos do leitor, uma tensão.. sabe?
    Mas o resultado geral foi bacana, foi sim.
    Parabéns!

    • Oremoh
      29 de janeiro de 2016

      Concordo com tua crítica. Acabei encurtando demais as frases e o todo perdeu algo com isso. Apostei mais na reflexão, menos na emoção.
      Um abraço.

  46. Laís Helena
    16 de janeiro de 2016

    A tentativa de passar toda uma história por meio de diálogos foi interessante, apesar de o texto precisar de uma revisão melhor. Apesar deles, porém, você conseguiu deixar muitas coisas implícitas, que devem ser preenchidas pela imaginação do leitor. Gostei.

  47. Claudia Roberta Angst
    15 de janeiro de 2016

    FC não é o meu forte, sou muito ignorante mesmo quanto a isto. O diálogo entre Cassandra e o terapeuta agilizaram ainda mais a narrativa curtíssima. Desculpe, mas não vi muita graça, mas por uma questão de gosto mesmo.
    Não encontrei erros e se não fosse pelos demais comentários, nem teria percebido os nomes escritos ao contrário. Só acharia que erram estranhos, muito estranhos.
    Boa sorte!

  48. Bruno Eleres
    15 de janeiro de 2016

    A mistura entre mitologia grega e sci-fi foi bem executada e a união disso com um texto construído quase que inteiramente por diálogo o tornou único. Não vi motivo nem acréscimo no uso dos nomes invertidos (cassandra, príamo, homero).

  49. Davenir Viganon
    15 de janeiro de 2016

    Adoro Ficção Científica e a mistura com Mitologia Grega ficou legal. Os nomes invertidos, as teorias científicas que o Marcelo Porto já pontuou, e o mistério sobre quem são esses personagens, “refugiados ou alienígenas?”. Vou ler novamente para ver se acho mais significados, mas depois de ler todos.

  50. Daniel Vianna
    15 de janeiro de 2016

    Complexo. Seriam habitantes originais de Titã ou refugiados da Terra? No segundo caso, por quê a dúvida do analista? Intrigante. O tipo de leitura que traz à tona o leitor-detetive, e nos faz reler e “debater”, ouvindo o que os outros têm a dizer. Acontece quando quem escreve realmente embarca na história como se a estivesse vivendo. Muito legal. Parabéns e boa sorte.

  51. Jef Lemos
    15 de janeiro de 2016

    Olá, Oremoh.

    Gosto de contos sci-fi, e aqui, apesar dos diálogos sem descrição tirarem um pouco da emoção, não foi diferente. Os habitantes de titã observando a destruição da terra. Gosto das possibilidades que isso traz.
    Bom conto.

    Parabéns e boa sorte!

  52. Fabio Baptista
    15 de janeiro de 2016

    Os diálogos lembraram aquele climão dos contos do Asimov.

    Achei criativa a abordagem. Seriam humanos refugiados em Titã em um futuro tão distante que já se esqueceram da vida na Terra? Ou alienígenas nascidos lá? É o tipo de dúvida que gosto de ficar ao terminar de ler.

    Gostei!

    Abraço.

    • Oremoh
      29 de janeiro de 2016

      Fico satisfeito com as boas dúvidas que o conto te deixou.
      Um abraço!

  53. Marcelo Porto
    14 de janeiro de 2016

    Uma excelente alegoria sobre o destino do Sol e por consequência da Terra. Algumas teorias afirmam que quando o Sol se tornar uma supernova, Titã será um planeta habitável.

    Colocar Cassandra da mitologia grega nisso foi uma grande sacada, mesmo com o disfarce tosco.

    Muito bom, parabéns!

    • Ricardo de Lohem
      15 de janeiro de 2016

      Não entendi. Por que habitantes avançados de Titã não saberiam que um dia o Sol vai se expandir? Sejam eles humanos ou não, se não vivem mais na Terra, porque se importariam se ela vai acabar ou não? Deviam se importar apenas com Titã. Confuso, e a inversão dos nomes foi um recurso um pouco tolo. Mas os diálogos até que foram bons. Conto razoável.

    • Ricardo de Lohem
      15 de janeiro de 2016

      O Sol nunca vai se tornar uma supernova: seu destino será terminar como uma anã branca.

      • Oremoh
        16 de janeiro de 2016

        Olá Ricardo.
        Pretendo responder tuas perguntas e as outras que mais surgirem no fim do desafio, sem o véu do disfarce. Até lá, não quero quebrar nenhuma parte do mistério que faz parte do conto.
        Um abraço!

  54. Brian Oliveira Lancaster
    14 de janeiro de 2016

    BODE (Base, Ortografia, Desenvolvimento, Essência)

    B: Um texto inusitado em sua abordagem, formado quase somente por diálogos. O contexto todo é extraído dali. Eu gosto, mas nem todos estão acostumados com a atmosfera ‘pronta’ do sci-fi. – 8
    O: Escrita simples, mas competente em transmitir a ideia. – 8
    D: É interessante acompanhar o divã de Cassandra, apesar de faltar alguns porquês. O enredo se focou mais no momento da descoberta, um tanto vazia, mas o final com o alarme compensou. – 7,5
    E: O clima de vida em outros planetas cativa quem gosta do gênero. Assimilei rapidamente a atmosfera. – 8

    • Oremoh
      19 de janeiro de 2016

      Grato pelos apontamentos, talvez tenha exagerado no enxugamento na execução e tenha levado algo importante.

  55. José Leonardo
    14 de janeiro de 2016

    Olá, Oremoh (ou Homero?).

    Achei um tanto confuso. Não entendi a inversão dos nomes (Cassandra, Príamo), a não ser que a mensagem do texto seja algo que ainda não depreendi, o que é bem possível e devo voltar aqui ao longo do prazo de votação. É necessário ter certa noção da história de Cassandra (suas previsões e a consequência do descrédito que sofreu) para enveredar entendimento, e quem tiver, se dará melhor ou deve pesquisar.

    Sucesso neste desafio.

    • José Leonardo
      16 de janeiro de 2016

      Voltei, Oremoh. E confesso que a releitura alçou seu conto aos meus olhos e no entendimento pleno. Parabéns.

      • Oremoh
        18 de janeiro de 2016

        Agradeço a segunda chance.
        Um abraço!

  56. Renata Rothstein
    14 de janeiro de 2016

    Diálogo com nomes de difícil memorização e grafia, “faltou liga”, e é meio obvio.

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Informação

Publicado às 14 de janeiro de 2016 por em Micro Contos e marcado .