EntreContos

Detox Literário.

Dias de Fevereiro o Ano Inteiro (Fil Felix)

Salvador (BA). Foto: Bento Viana *** Local Caption *** * Prazo indeterminado

Atabaques e baques do maracatu anunciam o amanhecer. Transpirando cajuína, carrego minha presença tão julgada pelos locais, mas almejada pelos turistas, ao espetáculo do qual sou atração principal. Atravesso portas, casarão adentro, com os clientes a esperar pela pele de morena tropicana. Do sabor cravo e canela.

Do primeiro, não nego. Gostei. Brotinho de ébano, cheirando cajá maduro, desses de sorriso largo, cândido. Vestiu a camisa de Vênus como que de força, tamanho M, desajeitada. Fogoso, puxou a anagua com os dentes. Levando o roçar dos corpos ao licor primordial.

Do último, nego. Meu suor já em conserva, travoso. A cachaça da pele, a má educação. A violência… A percussão da manhã vira lamento sertanejo, chorado pela mãe-da-lua. Fim do circo, mas que me dá o pão. E ao sair, os olhares turvos sussurram. Julgam.

Um dia será diferente. Mas já imagino os agogôs de amanhã, pedindo pelo meu trabalho…

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60 comentários em “Dias de Fevereiro o Ano Inteiro (Fil Felix)

  1. Fabio D'Oliveira
    29 de janeiro de 2016

    ௫ Dias de Fevereiro o Ano Inteiro (Osmar)

    ஒ Estrutura: Um toque bem poético. Poético até demais. Faltou um pouco de harmonia no estilo de Osmar, sendo possível categorizar como prolixo. O leitor que ama poesia pode gostar, porém. Todo estilo é válido na arte, mas é inegável que certos estilos demonstram superioridade em relação a outros. Mas Osmar escreve muito bem, sabe desenvolver a estória e manter uma boa estética. Se trabalhar um pouco mais o equilíbrio de seu estilo, poderá produzir obras belíssimas.

    ஜ Essência: O texto é belo em escrita, mas mundano em essência. Não representa muito para os profundos. Mas representa bastante para os ordinários.

    ஆ Egocentrismo: Não gostei muito. Pendeu de forma exagerada para a poesia, e o estilo me pareceu prolixo. Mas admiro o potencial de Osmar, que escreve bem e tem grande domínio da língua portuguesa.

    ண Nota: 7.

  2. Pedro Luna
    29 de janeiro de 2016

    Gostei.

    O mais interessante foi a forma como o autor ou autora faz para descrever os clientes da moça. O jogo de palavras usados, não deixa tudo tão óbvio.

    O fim deixa a mensagem. Um dia tudo muda, mas amanhã irão querer o meu trabalho. Um trabalho onde sempre haverá clientes. Sem oportunidades em outro meio, fica difícil largar.

    Belo conto.

  3. Swylmar Ferreira
    28 de janeiro de 2016

    O enredo regionalista é interessante, tem sua originalidade no conto muito bem escrito. Interessante a construção das frases.
    Boa sorte.

  4. Matheus Pacheco
    28 de janeiro de 2016

    Opa. eu senti algo relacionada a religião do Candomblé, e também uma excelente representação da cultura que as vezes não é aceita dentro do próprio pais.

  5. Kleber
    28 de janeiro de 2016

    Gostei do resultado!
    Conto meio que em prosa, meio que em verso(pelo menos para mim). Taí um estilo de escrita que me atraiu. O tema é conhecido(mas, realmente há algo de novo debaixo do sol?), mas foi abordado de uma forma interessante. Qualidade gramatical impecável. Gostaria de saber escrever assim.

    Sucesso!

  6. mkalves
    28 de janeiro de 2016

    Gostei. Parece sempre triste a sina de alugar o corpo, mas o misto de esperança e desencanto temperado de realidade funcionou muito bem. Apenas achei a menção a cravo e canela meio clichê.

  7. Nijair
    28 de janeiro de 2016

    .:.
    Dias de fevereiro o ano inteiro (Osmar)
    1. Temática: Prostituição. A carne pelo metal.
    2. Desenvolvimento: Sutil na textura, apesar de enxertado de sofrimentos descritos com discrição. A carne pelo vintém que sangra o corpo e a alma, alimentando o mundo desigual.
    3. Texto: Temática atual e universal. Em que mundo não há prostituição? Em todos! O interessante foi a sutileza da inclusão do tema ao texto.
    4. Desfecho: A perspectiva de esperança deixou tudo menos cruel, apesar de ainda existir a necessidade de se vender no dia seguinte. Até quando, senhor? Somos os autores da nossa história, sempre existem vários caminhos.
    Show

  8. harllon
    28 de janeiro de 2016

    Perveso, dolorido e inteligente.
    Muito bom!!!

  9. Nijair
    27 de janeiro de 2016

    Sutil na textura, apesar de enxertado de sofrimentos descritos com discrição. A carne pelo vintém que sangra o corpo e a alma, alimentando o mundo desigual. Show!

  10. Tamara Padilha
    27 de janeiro de 2016

    Olá!
    Gostei muito do seu conto.
    Em 150 palavras, ou menos, não contei, conseguiu transmitir com muito sucesso os dias de uma prostituta.
    Toda a descrição me deu uma vívida imaginação… A esperança dela de que um dia mude e ao mesmo tempo uma vida conformada.
    Parabéns!

  11. Lee Rodrigues
    26 de janeiro de 2016

    Apesar de a imagem remeter às lavagens do pelourinho, com suas baianas e guias, girando nos paralelepípedos do conjunto arquitetônico barroco, o texto me levou a meninice, onde levada pelos meus pais, assistia no Recife antigo os desfiles de Baque virado, com destaque para o Rei e sua Rainha, e toda uma corte fantasiada seguindo o cortejo, aumentando o ritmo do andor conforme a batida da percussão.

    Tinha também o Baque Solto, com os Caboclos erguendo suas lanças representando o corte da cana dos trabalhadores rurais.

    Mas aqui, vejo o Maracatu de Baque Virado e sua forte pegada religiosa, com a morena tropicana, das canções do Alceu Valença, e a sensual sertaneja de Jorge Amado, representadas pela Rainha, mal vista pela corte, mas desejada por seu Rei.

    Ri com a referencia “Camisa de Vênus”, porque era assim que eu ouvia sem saber do que se tratava. E a Cajuína então… e quando li anágua, lembrei da minha curiosidade em saber o que dava volume aquelas roupas de veludo bordadas.

    Voltando ao labor da sua persona, devo dizer que o tronco está para todos. Para o que o faz, para quem se beneficia de quem o faz, e de quem apenas assiste sem nada fazer.

    Caríssimo autor, findo meu comentário, que mais parece uma explosão nostálgica que a análise do que fora escrito, mas, devo agradecer-lhe por me trazer tão rica lembrança.

    Se quem escreveu não for pernambucano, certamente fez uma boa pesquisa, ou eu viajei legal rsrsrs

  12. Daniel Reis
    26 de janeiro de 2016

    Meu caro Osmar, axé pra você!

    TEMÁTICA: narrativa de uma prostituta sobre o seu cotidiano. Universo interessante, mas, pela narrativa, envolto numa espécie de folclorismo que realmente não teve muito apelo para mim.

    TÉCNICA: muito boa, a história está bem escrita e claramente delineada. Acho só que a narração na primeira pessoa personifica demais a opinião sobre os fatos vivenciados. Ou não, como diria Caetano…

    TRANSCENDÊNCIA: o texto é bastante significativo, mas pelo aspecto cultural e regional estabelecido, não consegui me envolver. Poderia ser o cotidiano de uma prostituta em Berlim, ou em Rio Branco, ainda sentiria falta de uma elaboração maior.

  13. Laís Helena
    23 de janeiro de 2016

    Não é o tipo de história de que costumo gostar, mas, ainda assim, está bem escrita. A leitura é fluída e você conseguiu mostrar, em poucas palavras, como ela se sente quanto ao julgamento alheio: tentando se manter forte, mas ainda assim sem conseguir deixar de reparar nos olhares (de pessoas que, muitas vezes, nem procuram compreender pelo que ela passa).

  14. Marcelo Porto
    22 de janeiro de 2016

    Massa!

    Precisei reler para captar a mensagem, e que mensagem!

    Nessa época de pré-carnaval aqui em Fortaleza e das festas de largo em Salvador, que antecedem o carnaval de lá, identifico a personagem em vários rostos na multidão enlouquecida atrás dos trios e das fanfarras. Sem distinção de sexo.

    Parabéns!!

  15. Piscies
    22 de janeiro de 2016

    Coisa linda de ler!

    Apesar do tema pesadíssimo, o autor consegue abordar a prostituição com certa beleza e, eu diria até, alegria. É a beleza de quem luta para ter o que precisa para sobreviver, custe o que custar. Quem mais depende do dinheiro que ela ganha com sua atividade? Cabe a quem julgá-la, senão ela mesma?

    Ao mesmo tempo, o texto também aborda o problema do turismo sexual. Por fim, nas entrelinhas e mais para o final, está a constatação: ela bem que gostaria que este tipo de vida terminasse mas…. de onde tiraria o seu ganha pão então? Este tipo de vida tem mesmo um fim?

    Tudo isto atrelado a uma escrita impressionante, MUITO bem trabalhada, com regionalismos no tom certo e o fluxo perfeitamente construído.

    Um excelente texto, talvez o melhor que li aqui!! Parabéns!!

  16. Mariana G
    22 de janeiro de 2016

    O ritmo é a melhor parte do micro-conto, as palavras realmente dançam pela leitura e bem sintonizadas com os sentimentos da personagem principal, ambos fazem a linguagem única. Gostei muito do seu micro-conto!
    Parabéns e boa sorte!

  17. Miguel Bernardi
    21 de janeiro de 2016

    Olá, Osmar! Tudo bem?

    Vamos lá… adorei o que criou aqui. Amei o modo como contou a história da personagem, e trouxe para dentro da obra seus pensamentos e angústias, preocupações e esperanças… gostei do tom que deu ao texto. Cru, mostrando a realidade. Achei muito legal o fato de ter dito que a personagem gostou do começo do dia. É um detalhe, sabe? Mas é um belo detalhe. Todos possuem coisas que não gostam sobre o trabalho.
    Bom conto!

    Grande abraço e boa sorte!

  18. Thales
    21 de janeiro de 2016

    Hmm.

    Osmar, seu conto está muito bem escrito. Senti uma certa musicalidade com suas descrições. Se o conto fosse grande, talvez eu ficasse entediado e tivesse dificuldade para terminar de ler, mas como todos os contos do desafio deste mês são curtinhos, a leitura acabou por ser fluida e prazerosa.

    Aparentemente, há muito mais prazeres ocultos entre suas linhas. Eu, todavia, sou um leitor simples, que tem dificuldade em compreender descrições poéticas. Mas é possível notar que o autor demonstra completo domínio na escrita, e é muito habilidoso.

    O conto em si não caiu muito no meu gosto, por não fazer parte do estilo que me agrada. Mas parabenizo o autor pela ótima escrito e desejo boa sorte no desafio.

  19. Anorkinda Neide
    21 de janeiro de 2016

    Olá!
    Temos aqui um escritor baiano, novato entre nós? ^^
    Parece que sim!
    Gostei muito do que trouxeste, esta protagonista está digna de um Jorge Amado, cheia de força e não de vitimismo… Negando-se e permitindo-se ao prazer como quem sabe de seu poder pessoal.
    As referências culturais da Bahia estão aí, casadas nas frases de forma agradável e inteligente.
    Parabéns

  20. Jef Lemos
    20 de janeiro de 2016

    Olá, Osmar.

    Conto bem escrito, com um estilo bem característico e um jeito de agarrar o leitor nas entrelinhas. Parece um pouco complicado de primeira, mas depois você entra no jogo e entende muito bem a intenção do autor. É apenas um trecho e não tem nada muito surpreendente, mas é justo. Um bom conto narrado como deve ser.

    Parabéns e boa sorte!

  21. Renato Silva
    20 de janeiro de 2016

    Vejo uma influência de Jorge Amado aqui? Pelo modo que você usa as palavras, as construções, penso que é algo com forte ligação com a Bahia.

    Eu dispensaria certas descrições, como o sexo com o moço “afrodescendente” de membro mediano (ou o tal M maiúsculo seria de “monstro?”). Não me interesso em ver nenhum “licor primordial”. Achei repugnante.

    Enfim, você fez um bom texto. O mais importante é conseguir se sair bem dentro daquelo que se propôs a fazer. Se a sua intenção foi narrar, em primeira pessoa, um pouco da rotina de uma prostituta soteropolitana, utilizando linguagem local, apontando inúmeras referências culturais locais, vejo que você fez isso muito bem. Realizou um ótimo trabalho.

    Boa sorte.

  22. mariasantino1
    19 de janeiro de 2016

    Hey, autor/a estão dizendo que o seu conto é meu. Que lisonjeiro pra mim, mas você deveria se defender lá no grupo, afinal o conto é bom. Li e depois falei “ CARAIO” muito phoda essa escrita.

    Eis aqui a prova de que se pode falar de tudo, do mórbido ao libidinoso sem ter a necessidade de chocar, nem ser chulo (salvo como recurso artístico, para dar credibilidade ao universo da criação). Gostei horrores da execução elegante, de como houve poesia ao mostrar a sina da prostituta. Passaria horas lendo sua narrativa saborosa.

    Muito bom. Trama simples e bem exposta, construções inspiradas.
    Queria o conto pra mim.

    Tá na lista.

    Parabéns.

  23. Tom Lima
    18 de janeiro de 2016

    Conforme vou lendo vou tendo a certeza de que um conto com esse tamanho tem que ser como uma combinação jab/direto. Um atrás do outro, sem tempo a perder, sem muito enfeite. Mesmo assim pode ser bonito.

    Esse foi muito bonito, trazendo beleza pra falar de uma vida dura e triste. As frases trazem o ritmo da leitura e da música.

    Muito bom! Parabéns!

  24. Brian Oliveira Lancaster
    18 de janeiro de 2016

    BODE (Base, Ortografia, Desenvolvimento, Essência)

    B: Numa primeira leitura, parece uma coisa. Depois, lendo com atenção, faz-se a luz. – 9
    O: Regionalismos na medida certa. Nem tão simples, mas fáceis de entender. Parágrafos bem construídos que enganam o leitor distraído. – 9
    D: Fui surpreendido pela troca de perspectiva ao compreender a história. Um evento “cotidiano”, mas bem enfeitado com várias camadas. – 9
    E: Trouxe uma história crua e direta, disfarçada de regional, com panos quentes. Excelente. – 9

  25. Lucas Rezende de Paula
    18 de janeiro de 2016

    Ficou muito fera a introdução de instrumentos musicais e ritmos no meio do conto, o cotidiano da prostituta narrado por ela mesma foi muito bem conduzido pela técnica do autor.

  26. Wilson Barros Júnior
    18 de janeiro de 2016

    Lembrei-me dos microcontos eróticos do Dalton Trevisan. A inversão da linguagem, os anacolutos, os zeugmas, criaram uma obra de arte literária e bastante original. Como diz o Leonardo, texto em destaque: “os olhares turvos sussurram”.

  27. Bruno Eleres
    17 de janeiro de 2016

    Embora o enredo seja comum, a beleza das construções e das imagens ganhou minha atenção.

  28. Evandro Furtado
    16 de janeiro de 2016

    Fluídez – 10/10 – texto bem escrito, sem aparentes problemas;
    Estilo – 7.5/10 – no geral, um texto que faz uso de muitas imagens soltas para formar o todo, o que nos leva à categoria a seguir;
    Verossimilhança – 7.5/10 – faltou concretude;
    Efeito Catártico – 7/10 – talvez por não gostar de carnaval, a coisa toda não me tocou.

  29. Fabio Baptista
    16 de janeiro de 2016

    Não tinha curtido muito numa primeira leitura que fiz logo que saiu o desafio. Agora, relendo antes de comentar, consegui apreciar melhor a beleza das construções de frase e a inteligência com que a história foi conduzida por esse caminho diminuto das 150 palavras.

    Gostei!

    Abraço.

  30. Andre Luiz
    16 de janeiro de 2016

    Achei interessante o roteiro e sua criatividade em descrever a cidade turística, com sua música e festa em contraste a uma vida marginalizada, o que realmente foi muito bom. Eu apenas retiraria alguns adjetivos, como já salientado pelos colegas. Boa sorte!

  31. Eduardo Selga
    16 de janeiro de 2016

    UM CONTO SONORO

    A princípio considerei inadequada a linguagem empregada pela narradora, bastante culta para uma prostituta. Mas, quem disse que apenas na pobreza se encontra a prostituição? Ademais, em cidades turísticas, sugerida pela ambientação, mais do que nas outras, é possível encontrar com facilidade profissionais do sexo bem escolarizados. Portanto, essa suposta mácula do texto não o é, na verdade.

    Uma vez excomungado meu preconceito (ou apenas “explicado”), ainda assim vejo problemas na linguagem. É que ao lado de expressões desatualizadas como “camisa de vênus” (camisinha), “anágua” e “brotinho”, temos a referência contemporânea “morena tropicana”, música de Alceu Valença dos anos 80. A expressão “sabor cravo e canela” pode ou não ser entendida como contemporânea. Se for em relação ao livro de Jorge Amado, não; se for quanto à telenovela, sim.

    No trecho “[…] carrego minha presença tão julgada pelos locais, mas almejada pelos turistas, ao espetáculo do qual sou atração principal”, o pronome relativo DO QUAL está mal empregado, pois significa AO ESPETÁCULO DO TURISTA, o que não faz sentido.

    No trecho “do primeiro, não nego. Gostei” há um problema com a pontuação. Não nega o quê? Que gostou? Então deveria ser “do primeiro não nego: gostei”, sem vírgula e com dois pontos.

    No excerto “vestiu a camisa de Vênus como que de força” o correto seria “como que à força”.

    Muito boa a constante referência a ritmos e músicas, inclusive no começo com uma repetição sonora em “tabaques e baques do maracatu”, o que acaba lembrando o som do tambor. Além disso e da já citada “morena tropicana” temos “percussão da manhã”, “lamento sertanejo” e “agogôs de amanhã”.

    • Osmar
      16 de janeiro de 2016

      Eduardo, obrigado pelo comentário minucioso! O conto não tenta ser verossímil, mas uma homenagem aos ritmos e ao ar nordestino, como que escutando uma música, mesmo. Por isso não me apeguei ao realismo da personagem ou do contexto, sendo mais alegórico.

      Quando cita a parte da camisa, ela é uma referência à camisa de força, não que tenha sido colocada à força. Então não sei se cabe a mudança. Fiquei um pouco confuso com a parte do espetáculo (leva sua presença ao espetáculo do qual é a atração principal). Acho importante essa troca de apontamentos, pra tentarmos ir melhorando, fico feliz que pegou o clima e referências!

  32. José Leonardo
    16 de janeiro de 2016

    Olá, Osmar.

    É inegável o talento do escritor, aqui, mas penso que “morena tropicana” e “sabor cravo e canela” estão tão batidos que poderiam ser substituídos por equivalências. A personagem se regozija nesse mundo de prostituição (ao menos, não vê a “profissão” como alternativa última contra a miséria), e esse é um ponto curioso no texto. Enredos assim não me prendem, mas parabéns pelo texto.

    Sucesso neste desafio.

  33. Leonardo Jardim
    15 de janeiro de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto antes de ler os demais comentários:

    📜 História (⭐⭐▫): uma garota de programa na Bahia. Não chega a ser uma grande trama, mas existe uma história. E ela é boa.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐): ótima, com palavras bem escolhidas, metáforas, sinestesias e paralelismos.

    💡 Criatividade (⭐▫▫): o tema é interessante, mas comum.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫): gostei do texto, mas faltou um pouquinho pra causar aquele impacto. Acho que talvez um final mais forte.

  34. Murim
    15 de janeiro de 2016

    Gostei. Um tema interessante – o dia de uma prostituta, narrado por ela. Mas parece que o limite de palavras pesou mais para este autor do que para vários outros do desafio. A introdução rápida e a enumeração dos clientes deixa transparecer que havia mais a ser dito. Um bom conto.

  35. vitormcleite
    15 de janeiro de 2016

    olá, este texto foi o primeiro que li e pareceu que devia continuar, não sei justificar. Na primeira leitura não gostei. Na segunda, sim, valeu bem o tempo de leitura e a reflexão. Muito bem escrito e desejo-te as maiores felicidades.

  36. Cilas Medi
    15 de janeiro de 2016

    Sempre tenho dificuldade em apreciar, melhor, a escrita feita na primeira pessoa, o autor sendo o personagem, explicando o que faz e os detalhes da ação. Romancear um dia de uma prostituta, um clichê, faz sempre parecer falso o que se escreve sobre ela. Independentemente de ser bem escrito, bem delineado e finalizado. Parabéns e boa sorte!

  37. Antonio Stegues Batista
    15 de janeiro de 2016

    Algumas frases são bem construídas, mostrando o lado regional e belo da cultura nordestina, mas outras não se casaram bem. Mas, gostei do enfoque poético na construção da personagem.

  38. Sidney Rocha
    15 de janeiro de 2016

    Deu vontade de continuar lendo sua escrita, porém acho que você pode melhorar a construção das frases e o casamento das palavras. Adorei.

  39. elicio santos
    15 de janeiro de 2016

    O texto atende aos requisitos da modalidade proposta. Apesar de brincar com as expressões regionalistas e metáforas, o autor não perde o controle da história nem peca na fluidez da narrativa. Não gostei da forma como o autor retrata a prostituição, mas este conto certamente estará entre os meus favoritos. Gostei muito!

  40. catarinacunha2015
    15 de janeiro de 2016

    O INÍCIO promete e cumpre. FILTRO poderoso, cada palavra tem sua função primordial. ESTILO rico com alto controle do vocabulário. A TRAMA nasce, cresce e morre aos pés do leitor inebriado pela PERSONAGEM apaixonante. FIM? Pra que fim?

  41. Gustavo Castro Araujo
    14 de janeiro de 2016

    Gostei bastante. Dos que li até aqui foi o que mais apreciei. Poderia dizer que foi por conta do tempo em que morei em Salvador, mas isso seria desonesto com o autor deste texto. A narrativa é bem construída, fluida e, como se espera de um bom micro conto, diz muito sem expor demais. Um dos maiores problemas sociais do Brasil — especialmente do Nordeste — é aqui tratado com maestria e sem adornos. Mais importante, sem romantizar demais a profissão. Tais aspectos ficam à mercê do leitor, acertando em cheio no objetivo de fazê-lo pensar. Em suma, um conto muito competente, belo e melancólico ao mesmo tempo e que oferece entrelinhas na medida certa. Parabéns!

  42. Marina
    14 de janeiro de 2016

    Não que seja a mesma personagem, mas me lembrou de alguma forma a Teresinha, de Chico Buarque. Mas, enfim: Um conto de carnaval, mostrando um lado do carnaval que a gente não vê. O lado de quem trabalha, as profissões perigosas, o preconceito. Mesmo assim, sendo leve e poético. Gostei.

  43. Simoni Dário
    14 de janeiro de 2016

    Bonito, triste, bem escrito e muito bem narrado. Gostei dos detalhes das emoções da prostituta, do gostei/não gostei da clientela. Ela tinha dias de prazer no trabalho e outros nem tanto. O título é curioso, deixa a sensação de orgulho quando descreve-se como atração principal para os turistas e ao mesmo tempo num circo quando o cliente não agrada, revela a frustração…ossos do ofício. Reconheço o talento do autor apesar de concordar com outro comentário sobre o conto parecer um emaranhado de referências regionais.
    Bom desafio!

  44. Leda Spenassatto
    14 de janeiro de 2016

    A espera de um dia diferente… Transmite um desejo de sobrevivência, enrustido no cotidiano do satisfazer. Leitura fácil.
    Boa Sorte!

  45. Jowilton Amaral da Costa
    14 de janeiro de 2016

    Pô, me desculpe, mas, não gostei tanto do texto como os outros leitores. Ao contrário deles, a construção das frases não me agradou. Pareceu-me uma colcha de retalhos de versos de músicas do Alceu valença. Não me empolguei muito. Boa sorte.

  46. Jowilton Amaral da Costa
    14 de janeiro de 2016

    Pô, desculpe, mas, não gostei tanto quanto os outros leitores. Ao contrário deles, a construção das frases não me agradou, me pareceu uma colcha de retalhos de expressões regionais e de músicas do Alceu Valença. Não me empolgou muito. Boa sorte.

  47. Pedro Henrique Cezar
    14 de janeiro de 2016

    Um conto muito rico, bem escrito e com elementos regionalistas. Retrata de maneira muito original a prostituição. Adorei! Parabéns!

  48. Claudia Roberta Angst
    14 de janeiro de 2016

    A vida de uma prostituta retratada com poesia e referências culturais regionais, como a canção Morena Tropicana de Alceu Valença e o romance Gabriela, cravo e canela, de Jorge Amado. Também me lembrei do grupo de rock, fundado em Salvador, Camisa de Vênus.
    Conto bem escrito, sem economia de beleza ou sentido.Palavras muito bem empregadas em um espaço deliciosamente ocupado.
    Boa sorte!

  49. Ricardo de Lohem
    14 de janeiro de 2016

    Contos sobre o prostituição costumam cair em clichês fáceis. Esse conseguiu escapar disso, uma história mínima, mas com narrativa agradável e divertida. Bom conto.

  50. Sidney Muniz
    14 de janeiro de 2016

    Excelente!

    Anagua – Anágua

    Fora esse deslize, uma escolha primorosa que mostra talento e nos faz dar uns palpites quanto ao autor do conto. Mas palpite cego demais ainda, se bem que palpite é cego mesmo… hehe

    Gostei por demais!

    A ambientação aqui foi a melhor parte, sustentada através de um regionalismo impecável.

    Parabéns e boa sorte!

  51. Daniel
    14 de janeiro de 2016

    O conto é tão bem escrito que a leitura é fácil e saborosa. Além disso, o enredo é espetacular. Parabéns!

  52. Thata Pereira
    14 de janeiro de 2016

    Show! Conto muito foda mesmo. Cara, que construções maravilhosas!! Não tem como selecionar uma frase preferida, simplesmente. O relato torna a história, que poderia ser triste, em algo até bonito e poético (que triste dizer isso, mas gosto dessas sensações). Parabéns!

    Boa sorte!!

  53. Rubem Cabral
    14 de janeiro de 2016

    Olá.

    Achei muito bom: é só um instantâneo, mas com grande carga sensorial, além de expressões criativas e outras “sacadas”, talvez, de “Morena Tropicana”.

    O enredo é simples e eficiente, e o mais impressionante foi a atmosfera montada com tão poucas palavras.

    Abraços e boa sorte!

  54. Daniel Vianna
    14 de janeiro de 2016

    Texto levemente escrito, com competência e fluidez. Tem a capacidade de nos transportar a outra atmosfera. Literatura na veia. Parabéns.

  55. rsollberg
    14 de janeiro de 2016

    O autor teve muito mérito em criar uma ambientação tão rica com tão poucas palavras. O regionalismo funcionou sobremaneira, nesta história da dama da noite que é circo para ganhar o pão.

    O conto não é só ação, afinal ela explica como é sua vida na localidade: “carrego minha presença tão julgada pelos locais”, “os olhares turvos sussurram. Julgam.” Aliás, sem qualquer prejuízo aparente, eu tiraria esse segundo “julgam” em tão curto espaço.

    A brincadeira o tempo todo com os sabores funcionou muito bem: “licor primordial”, “suor em conserva” ” cheirando a caju maduro” “cachaça da pele”. Conto gourmet, bom de comer e comer.

    Eu acho que “anágua!” tem acento, fora isso, o texto está muito bem escrito.

    Ótimo conto.
    Parabéns e boa sorte!

  56. Bia Machado
    14 de janeiro de 2016

    Adorei essa ambientação e a narração da personagem. Um texto poético, sim, com construções muito bonitas e equilibradas. Senti falta apenas de um acento na palavra “anáguas”. Talvez o micro conto bom seja aquele que nos dê tudo e, ao mesmo tempo, nos deixe com vontade de quero mais. Assim como esse. Parabéns!

  57. Davenir Viganon
    14 de janeiro de 2016

    A regionalidade não travou a leitura e deu personalidade ao conto. Gostei da ambientação e das situações variadas da personagem. Gostei bastante do conto

  58. Rogério Germani
    14 de janeiro de 2016

    O retrato do cotidiano de uma prostituta tendo como fundo a cultura afro.
    Parabéns!

  59. Renata Rothstein
    14 de janeiro de 2016

    Sensacional, hein? Adorei a leitura, a triste (ou nem sempre triste), situação da prostituta, em acordo com a resignação da vida.

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Publicado às 14 de janeiro de 2016 por em Micro Contos e marcado .