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Detox Literário.

Apenas mais um dia (Gustavo Araujo)

Bosnia4

Dražen viu quando os veículos começaram a chegar à fazenda. Dezenas deles. Antigos ônibus escolares, repletos de prisioneiros. Homens, velhos e crianças. Todos Muçulmanos.

Seriam mortos. Uma bala na testa. Fim.

Nunca quis ser soldado, mas que escolha tinha? Suas ordens eram incontestes. Se não as acatasse, sua própria família se tornaria vítima do exército sérvio que ele, agora, integrava.

O que transforma um homem comum em um assassino? Há justificativa para isso?

Pureza da terra

O primeiro sujeito, ajoelhado diante dele, aparentava setenta anos. Estava vendado. Não houve vacilo. Em três segundos tudo terminou.

E assim se seguiu.

O último era um garoto. Quinze anos, no máximo. Não usava venda.

Reconheceu-o. Fora seu vizinho em Tuzla. Dava para ver que tinha apanhado. Os olhos estavam inchados de tanto chorar. Talvez o tivesse reconhecido também.

Dražen pensou no próprio filho. Merda de guerra.

Um novo disparo.

Apenas mais um dia.

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63 comentários em “Apenas mais um dia (Gustavo Araujo)

  1. Swylmar Ferreira
    28 de janeiro de 2016

    Um conto com o tema: guerra. Bem ambientado mostra os dilemas e entorpecimento do personagem principal.
    O que mais gostei é que tem o início, desenvolvimento e fim. Esta bem escrito e dependendo do ponto de vista é criativo.
    Parabéns.

  2. Kleber
    28 de janeiro de 2016

    Olá, Cidadão balcanico(maldito teclado!)!

    Gostei da forma, da técnica e do enredo. Só achei estranho muçulmanos com ‘M’. Quanto ao restante gostei de verdade. Gostei da frase final. Frisa com perfeição a rotina, por mais terrível que seja. Eu imaginei o título como o começo daquele dia, e a repetição no final como um desejo da personagem e ao mesmo tempo sua frieza e embrutecimento.

    Sucesso!

  3. Murim
    28 de janeiro de 2016

    Achei que tivesse comentando nesse aqui, não sei o que aconteceu com meu comentário… Mas eu tinha um backup:

    Um bom conto, bem desenvolvido. Apenas achei que poderia ser melhor desenolvido o tormento psicológico do personagem. Matar um jovem deve levar a um sentimento de culpa grave, ainda mais porque a justificativa (defesa da família) não é exatamente imediata. No mais, inconteste não é exatamente sinônimo de incontestável. “Inconteste” é o que não foi contestado e “incontestável” é o que não pode ser contestado, acho que no texto você queria se referir ao segundo deles.

  4. mkalves
    28 de janeiro de 2016

    Acho que nem precisava a última frase. O fato de já estar no título pareceu-me suficiente. De resto… Bem, senti falta de ver mais nitidamente o conflito do soldado. Por outro lado, talvez ele já estivesse mesmo tão amortecido… É um bom conto, porém não chegou a desacomodar-me.

  5. Nijair
    28 de janeiro de 2016

    .:.
    Apenas mais um dia (Petrovic)
    1. Temática: guerra e submissão aos status quo. ‘Sempre pergunte a uma ideia: a quem serves?’
    2. Desenvolvimento: No tempo certo, na medida certa.
    3. Texto: limpo, sem erros evidentes e respeitando as normas linguísticas.
    4. Desfecho: Muito bom, deixando reflexões.
    O autor soube prender o leitor, caminhando no conto e provocando várias reflexões.
    Show!

  6. Nijair Araújo Pinto
    27 de janeiro de 2016

    Tema recorrente. Existem milhares de pessoas falando sobre isso – mudam apenas os nomes, mas valeu a tentativa. Nos textos que lerei, buscarei concisão e originalidade, mesmo que alguns não compreendam as mensagens. Afinal, nem todos precisam captar a arte que existe na arte.

  7. Daniel Reis
    26 de janeiro de 2016

    Meu caro Petrovic, aqui estão minhas impressões:

    TEMÁTICA: guerra, limpeza étnica e consciência suja – achei muito interessante, rica em possibilidades.

    TÉCNICA: narrado com primor, coloca o leitor frente a frente com o dilema do protagonista.

    TRANSCENDÊNCIA: acho que a história me cativou por colocar a decisão além da emoção, mas no pragmatismo. Daquelas histórias que a gente se pergunta: “e depois, será que ele se arrependeu?”. Eu, não.

  8. Piscies
    24 de janeiro de 2016

    Um conto cru – como a realidade.

    Por vezes nos pegamos lendo histórias e pensando “poxa, bem que o personagem poderia ter feito ISSO ao invés DAQUILO, ou bem que ele poderia ser ASSIM ao invés de ASSADO”. Enfim: queremos ver no conto o que sabemos que seria difícil demais na vida real.

    Na vida real, as pessoas são como Drazen. Gostaríamos que fosse diferente: que ele se rebelasse, se envergonhasse e gritasse para que parassem de matar inocentes. Que tomasse alguma decisão para mudar o rumo da sua vida. Mas não: ele fez o que todos fariam. Ficou aflito e amargurado mas cumpriu a sua função.

    Isto empresta uma profundidade única ao conto. A crueza é também a sua beleza. Vemos aqui que o autor não é tímido na escrita, mas usa uma narrativa mais direta para relacionar-se melhor com a realidade da trama narrada.

    Parabéns, um belo conto que fala sobre algo nem um pouco belo da nossa realidade.

  9. Tamara Padilha
    24 de janeiro de 2016

    Oi. Então… gostei do conto, retrata muito bem o que o título indica, mas… eu não consegui sentir emoção. Penso que se tratando de guerra uma escrita mais dramática poderia impactar mais.

  10. Laís Helena
    23 de janeiro de 2016

    O conto está bem escrito, mas uma frase me incomodou: “O que transforma um homem comum em um assassino? Há justificativa para isso?” Acho que explicitá-la tirou o impacto do conto, teria sido muito melhor se tivesse ficado subentendida (acredito que os leitores teriam pegado a pista quando ele reconheceu o garoto que tinha sido seu vizinho e depois pensou no filho). Afora isso, não vi nenhum outro problema.

  11. Marcelo Porto
    22 de janeiro de 2016

    Contundente.

    Nesse desafio, recebi três socos no estomago, esse é o terceiro, e último, já que por aqui termino a minha avaliação.

    Por sorte termino em grande estilo, com um que vai para o pódio.

    Parabéns!!

  12. Mariana G
    21 de janeiro de 2016

    Olá, Petrovic.

    Gostei do micro-conto, sua escrita é ótima e adoro esse tema de guerra e como ela muda ou externaliza a natureza humana. Porém, seu micro-conto não me trouxe novidade, mesmo sendo pelo ponto de vista de quem pratica a violência. O que é compreensível, já que esse tema é amplamente explorado, sendo realmente complicado sair do comum.
    Enfim, boa sorte!

  13. Jef Lemos
    20 de janeiro de 2016

    Olá, Petrovic.

    É um conto triste, e isso o faz ser bom. Bom porque é tocante e nos faz pensar nas coisas que fazemos por aqueles que gostamos. Sejam os gestos mais extremos, ou os mais fúteis, bobos, pequenos…
    Você conseguiu dar vida ao personagem e no brindou com um ótimo texto. Pela forma de escrita, parece coisa do Gustavo, se não, saiba que isso é um baita elogio.

    Parabéns e boa sorte!

  14. Helder Miranda
    20 de janeiro de 2016

    Uma realidade triste: o que transforma homens em assassinos? Acredito que relatou bem essa transição, mas não me prendeu, talvez por questão de gosto ou pelo horror da cena.

  15. Vitorino
    19 de janeiro de 2016

    Achei o “pureza da terra” meio deslocado, mas gostei de como o autor conduziu o conto, revelando um protagonista anestesiado pelo dever.

  16. Pedro Luna
    19 de janeiro de 2016

    Olá, desculpas ao autor, mas achei um pouco mais do mesmo. Tanto pela narrativa de guerra, como pela situação do soldado que se torna frio e vai matando pessoas no dia dia, pois precisa cumprir ordens. Claro que o texto é bem escrito, bem ambientado, mas o conteúdo não me despertou fortes emoções justamente por eu já estar um pouco saturado disso tudo.

  17. mariasantino1
    19 de janeiro de 2016

    Um pitaco, Petrovic. Terminar o conto com o disparo seria ideal, a frase seguinte para casar com o título, sobra (opinião).

    Muito bom seu conto. Sinto que o desafio este mês está mais desafiador para os textos repassarem emoção e ainda ambientar a trama. Você conseguiu fazer isso muito bem e se sente na pele o drama do narrador personagem.

    Narrativa rápida, clima tenso, imagens tristes, críveis, bom uso do espaço. Bom conto, enfim.

    Muitos parabéns!

  18. Renato Silva
    18 de janeiro de 2016

    Uma pequena cena, o que é esperado em um micro conto, mas algo bem descrito. Mesmo narrado em terceira pessoa, conseguiu transmitir os sentimentos do personagem principal. Nem herói, nem vilão, apenas um homem, dividido entre questões morais e familiares. Não percebi nenhum erro ortográfico. Tema bacana. Vejo um texto que se encaixou bem na proposta do desafio. Ótimo trabalho.

    Boa sorte.

  19. Eduardo Selga
    18 de janeiro de 2016

    APENAS A CRUEZA da linguagem ou o seu oposto, o embelezamento, não bastam para que um conto tenha qualidade literária. É preciso, além evidentemente de um enredo visível ou sugerido, ir além da palavra pela palavra, ser mais do que um relato. Ser a representação da realidade, sem apontar o que normalmente não se enxerga, é recusar a literatura. Ou, como já foi dito por alguém cujo nome não me lembro, é a literatura que nos salva (ou será a arte?).

    Há duas expressões em itálico, separadas por vários parágrafos, cuja função estética para mim não ficou muito clara. Como “Pureza da terra…” e “Merda de guerra” rimam entre si, têm a mesma quantidade de palavras e impacto sonoro, isso me sugeriu haver uma relação entre elas para além da sonoridade, mas não conseguir provar minha hipótese. Apesar disso, é possível ver que a primeira frase se refere à limpeza étnica e a segunda à repulsa à guerra.

    Repulsa? Nem tanto, a considerarmos o fim do conto, a indiferença do narrador-personagem.

  20. Brian Oliveira Lancaster
    18 de janeiro de 2016

    BODE (Base, Ortografia, Desenvolvimento, Essência)

    B: Chegar até aqui não foi fácil, mas eis um texto com atmosfera excelente. – 9
    O: Nada do que reclamar. Somente nomes em alemão e nenhuma palavra desconhecida. Simples, eficiente, transmitindo bem os sentimentos. – 9
    D: Cotidiano opressor, bem delineado pela condução do enredo. – 9
    E: Não havia como se alongar muito, mas o que foi dito, foi suficiente para compreendermos as difíceis decisões de uma época sombria. – 9

  21. Lucas Rezende de Paula
    18 de janeiro de 2016

    O cotidiano da guerra e da crueldade
    Muito bem retratado pelo autor no limite de palavras.
    Parabéns

  22. Jowilton Amaral da Costa
    18 de janeiro de 2016

    Muito bom. Bem ambientado, dá para se envolver no clima do conto. A narração também é muito boa. Boa sorte.

  23. Tom Lima
    17 de janeiro de 2016

    Banalidade do mal.

    O conto consegue emocionar e contar a pequena história (ou recorte de historia) que pretente. Faz sentir o frio que o personagem principal deve sentir, um embotamento das emoções causado pela nececidade

    Muito bom.

    PS.: Começando muito bem as leituras 🙂

  24. Bruno Eleres
    17 de janeiro de 2016

    Gostei da cena e acho extremamente interessante a imersão nesse tipo de cenário realista/ditatorial. Acabei de ler um livro de Herta Müller que se passa em um governo comunista dos anos 80, embora o enfoque seja bem diferente. Embora não ocorra nada de espetacular durante esse enredo, não acho que seja necessário.

  25. André Gonçalves
    17 de janeiro de 2016

    Desculpem o e-mail que coloquei estava errado. segue o email correto.

  26. André Gonçalves
    17 de janeiro de 2016

    Cara, não sei se é permitido aqui, mas se não for me perdoem os moderadores e pode excluir esse comentário. Vamos ao ponto. Caro autor, se puder ou tiver interesse leia o conto O Assassino da Babi Yar (http://www.recantodasletras.com.br/contosdeterror/5442912) de minha autoria e que senti uma identificação muito forte com o seu texto, o qual desde já declaro que gostei muito. Um abraço.

    • Anorkinda Neide
      17 de janeiro de 2016

      Claro que pensei no teu conto no momento em que li este aqui… hehe
      Muito parecido, embora muito diferente!

  27. Anorkinda Neide
    16 de janeiro de 2016

    Muito bem escrito, por quem entende do ofício escrever, emocionar em um enredo que faz refletir pq bem atual e nada fictício.
    Mas como microconto, faltou um tantinho de sensibilidade ou de impacto, uma reviravolta, uma surpresa…
    Embora seja um ótimo relato.
    Parabens

  28. Fabio Baptista
    16 de janeiro de 2016

    Gostei bastante da escrita e da ambientação.
    Mas não tive o impacto emocional que precisava ter para levar o conto a um dos favoritos.

    Acredito eu que, com mais palavras certamente o texto se destacaria, pois o autor parece entender do riscado. Mas nesse bendito formato de microconto, as coisas dependem muito do impacto (pelo menos para mim)…

    Abraço!

  29. Simoni Dário
    15 de janeiro de 2016

    O narrador transmite bem a emoção e tormenta psicológica do protagonista. Fica claro o “beco sem saída” do soldado. A cena de guerra foi bem narrada, ouvi até os batimentos cardíacos do cara. Destaque para o tom comovente do final. Apenas penso ser uma história já contada em filmes, livros, falo aqui da situação semelhante a que o soldado é submetido. Mas fazer o leitor entender tudo isso em 150 palavras realmente é mérito do autor. Um bom texto.
    Parabéns!

  30. Sidney Rocha
    15 de janeiro de 2016

    Eu curti muito o enredo e a forma como você conduz o desfecho. Acho que soube abrir, mostrar as nuances e fechar com todo o brilhantismo para que o leitor possa ser arrebatado. Parabéns!

  31. Andre Luiz
    15 de janeiro de 2016

    Eu adoro esta temática de guerra, e principalmente os sombrios dias vividos durante o regime nazista. Toda essa ambientação deu um ar especial ao conto, e seu desfecho, demonstrando que o coração do personagem ‘quase’ está duro como pedra – impassível ao extermínio do qual ele mesmo participa – foi muito bem planejado e executado pelo autor.

  32. Leonardo Jardim
    14 de janeiro de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto antes de ler os demais comentários:

    📜 Conteúdo (⭐⭐⭐): uma história de guerra bem contada, bons personagens e com gosto de história completa. Um trabalho difícil de se conseguir.

    📝 Técnica (⭐⭐▫): muito boa, mas carece de um maior trabalho linguístico.

    💡 Criatividade (⭐▫▫): guerra é sempre um bom tema, mas bastante comum.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫): o texto é forte, fiquei apreensivo com o desfecho. Faltou só um pouquinho pra me arrebatar, aquele final mais chocante que textos pequenos precisam ter.

  33. elicio santos
    14 de janeiro de 2016

    Conto bem escrito e direto. A não resolução do conflito cabe perfeitamente aos relatos de atmosfera, estilo o qual entendo que ele pertence. A banalização da violência está explícita, mas falta à narrativa mais apuro com relação ao subentendido, tão necessário às narrativas curtas. Boa sorte!

  34. vitor leite
    14 de janeiro de 2016

    olá, parece-me uma historia bem contada, conseguindo passar as imagens, muitos parabéns. No final, questionei-me: onde já li isto? Não li, mas a história não deixa nada de novo que nos marque. Não deixa de ser apenas mais um dia!, desejo-te boa sorte mas parece que falta qualquer coisa, é, já nem os tiros nas testas nos agarram!

  35. elicio santos
    14 de janeiro de 2016

    Fluidez 10/10 O texto não apresenta obstáculos à leitura.

    Estilo 10/10 A história é relatada de um modo direto e objetivo.

    Abertura 07/10 A história não apresenta muito subtexto, o que favoreceria uma ampliação dos significados da narrativa.

    Verossimilhança 10/10 O conto demonstra pesquisa e um encaixe ideal ao contesto histórico.

    Efeito 10/10 Creio que o microconto se trata de uma narrativa de atmosfera, logo a não resolução do conflito cabe perfeitamente ao exigido.

    Gostei do trabalho do autor. Falta-lhe apenas um pouco de desejo de arriscar. Boa sorte!

  36. Gustavo Castro Araujo
    14 de janeiro de 2016

    Narrativas sobre guerra estão um tanto saturadas por aqui. Este conto, apesar de abordar um conflito pouco explorado, a guerra da Bósnia e a luta fratricida entre bósnios, sérvios e croatas, não vai muito além do que se denota em outros textos do gênero.

    A questão filosófica levantada é até interessante, mas também está longe de ser novidade em escritos dessa matiz.

    Acredito que o autor preferiu se manter em sua zona de conforto a explorar outros temas.

    Não enxerguei problemas quanto ao uso de “inconteste”, eis que a expressão se refere a “aquilo que não foi contestado”. Logo, se Drazen cumpriu ordens incontestes, cumpriu ordens que não foram contestadas. Está adequado com o restante do parágrafo.

    Também não entendi muito bem o por que do “Muçulmanos” em maiúsculas. Seria por que Drazen os considerava como uma entidade, ou melhor, como uma etnia apartada e independente da dele?

    Enfim, um conto que cumpre o que promete, mas que poderia ter ido além disso.

  37. Marina
    14 de janeiro de 2016

    Gosto de narrativas curtas e cruas. A crueza dá uma chacoalhada de realidade na gente. Este conto foi assim. Não li muitos ainda, mas está entre os melhores.

  38. Wilson Barros Júnior
    14 de janeiro de 2016

    Um conto triste, chocante, mostrando os horrores da humanidade. Conseguiu atingir o propósito de mostrar a inutilidade absurda de matar os semelhantes na guerra. Bem escrito, em frases curtas e incisivas, e adequado ao tamanho. Parabéns.

  39. Evandro Furtado
    14 de janeiro de 2016

    O primeiro comentário é sempre o mais difícil. Mas vamos às considerações:

    Fluídez – 10/10 – não há obstáculos à leitura, de forma geral. É claro que a ideia do microconto vai favorecer muita gente nesse critério;
    Estilo – 8/10 – sinto que é uma escrita clara e direta, mas que infelizmente não se arrisca. Talvez uma metáfora aqui outra ali pudesse melhorar as coisas;
    Verossimilhança – 10/10 – você deu nome aos bois e a coisa toda ficou bem mais realística. Para quem conhece o contexto histórico a coisa toda fica ainda mais clara;
    Efeito Catártico – 9/10 – belo gancho no final com o título. Trabalhou bem a ideia de naturalização do assassinato.

  40. José Leonardo
    14 de janeiro de 2016

    Olá, Petrovic.

    Vemos um personagem preso na situação terrível de executar inocentes, mas também percebe-se que não há um mínimo remorso dele. É como Adolf Eichmann, cujo caso inspirou Hannah Arendt em sua teoria da banalidade do mal. O narrador onisciente até tenta indagar (quarto parágrafo), e o personagem diz: “Merda de guerra” e lembra de um rosto pretérito. No entanto, o leitor (meu caso) não confia totalmente nesse desabafo.

    É um bom microconto utilizando um substrato terrível.

    Sucesso neste desafio.

  41. JULIANA CALAFANGE
    14 de janeiro de 2016

    Gostei bastante. Também questiono o uso do “incontestes”, pra mim a única coisa q ficou meio destoante no conto. Deu um nó na garganta quando ele vê o garoto q foi seu vizinho, “Dava para ver que tinha apanhado. Os olhos estavam inchados de tanto chorar.” Pensei se a morte às vezes não é mesmo a melhor coisa que poderia nos acontecer. Acho q em certas circunstâncias, talvez seja. parabéns!

  42. Fil Felix
    14 de janeiro de 2016

    O texto gera uma imagem bastante nítida da cena, mesmo com poucas descrições, isso é bom. O uso do pseudônimo como protagonista, também levanta questões. Também gostei de como pegou um fragmento do dia a dia do soldado, em como linkou isso às guerras, deixando isso mais dramático.

    Só acho que poderia ter sido um pouco mais ousado, histórias de guerra são bem comuns nos desafios, muçulmanos também.

    Não entendi muito bem o uso do “incontestes”.

  43. Ricardo de Lohem
    14 de janeiro de 2016

    Não aprecio muito histórias que tentam convencer/comover com dramas sociais, apenas para se blindarem contra críticas. Mas conseguiu contar sua história com coerência, em tem suas qualidades.

  44. Claudia Roberta Angst
    14 de janeiro de 2016

    Conto claro, resume uma história que poderia precisar de muitas palavras, mas não precisou. Preciso o corte! Bom emprego da linguagem e imagens.
    Causou impacto e apesar do tema guerra não me agradar, gostei bastante.
    Boa sorte!

  45. Sidney Muniz
    14 de janeiro de 2016

    Olá, autor(a),

    incontestes – o autor(a) tentou passar, a meu ver, e eu posso estar enganado quanto a isso, mas é necessário explicar que incontestes não é a mesma coisa que incontestável. na verdade é algo que discorda de algo. Sendo assim, pareceu-me que foi aplicada errada.

    Gostei do uso de Dražen Petrović, o pseudo do autor(a) e o nome do persona. boa escolha e uma bela homenagem, imagino que seja um amante da modalidade. Ou seria só para encaixe pela escolha da nacionalidade e do conflito?

    Nota-se a pesquisa ao colocar os Muçulmanos junto com os Croatas. os atos nazistas, após a invasão pela Alemanha.

    Pureza da terra – Entendi certo? Eles chamavam de pureza da raça, então aqui você unificou tudo. Deixar uma única raça para manter a pureza. Poxa, cheio de pesquisa e símbolos ocultos.

    Um trabalho esplêndido e colocar um ídolo como um assassino é reforçar como é tênue a linha que separa heróis de vilões.

    Meus parabéns pela excelente escolha!

    O final é isso, aquele tapa de luva, pois demonstra que a consciência está lá, e isso só me deixa mais triste, pois é assim mesmo, infelizmente.

    Parabéns e obrigado pela viagem que me proporcionou!

  46. Daniel
    14 de janeiro de 2016

    Bom conto. O soldado reflete sobre estar na posição em que está, e não sobre fazer o que tem obrigação de fazer. Achei esse aspecto o mais interessante do texto, até porque, realça a frieza da situação.

    Boa sorte!

  47. Antonio Stegues Batista
    14 de janeiro de 2016

    Conto ambientado na guerra é comum por aqui e este não trás nenhuma originalidade, o drama do protagonista não dá força à estória.

  48. Leda Spenassatto
    14 de janeiro de 2016

    Horrorizada com a frieza e crueldade da narrativa, mesclando com o que deve ser a indignação de um soldado em ter que optar entre morrer e matar.
    150, ou menos, palavras dizem tudo sobre os horrores de uma guerra.
    Bom texto! Boa Sorte!

  49. Catarina Cunha
    14 de janeiro de 2016

    O INÍCIO já ambienta a ação sem perder tempo com preliminares. FILTRO soube dizer apenas o necessário. ESTILO de vocabulário simples onde a intensidade reside somente na ação. TRAMA cometeu um deslize sério para um texto rápido: entregou o final no 2º parágrafo: “Seriam mortos. Uma bala na testa. Fim.” Não houve no PROTAGONISTA nada que nos fizesse imaginar uma surpresa no FIM; que realmente não houve.

  50. Thata Pereira
    14 de janeiro de 2016

    E começamos o desafio com um conto de guerra… elas acabam com o meu emocional. A frieza do conto combinou com o limite de 150 palavras, acho difícil manter o mesmo tom em um conto de mais de 1.000, por exemplo. Mas o que faz o conto ser comovente é que ele trabalha, infelizmente, com um cenário real. Não entendi o próposito de muçulmanos estar com letra maiúscula…

    Boa sorte!

  51. Cilas Medi
    14 de janeiro de 2016

    Um conciso modo de expressar o horror de ser obrigado a fazer algo contra a vontade, de querer ser melhor. Infelizmente a guerra provoca o sentimento (ou a falta dele) para quem está fora da família. Compreensivo e bastante firme, conciso, em descrever o sentimento de mártir e carrasco ao mesmo tempo em poucas palavras. Fiquei armado e dei o tiro. Fiquei desarmado e morri com o tiro. Parabéns e boa sorte!

  52. rubemcabral
    14 de janeiro de 2016

    Um bom conto, um instantâneo na vida de um soldado sem opções. O enredo é simples e enxuto, e o conto termina abrupto como um tiro.

    Apesar dos limites draconianos do desafio, penso que seria possível inserir algo diferente em termos de escrita, alguma frase que agarre à memória.

    Boa sorte!

  53. Daniel Vianna
    14 de janeiro de 2016

    Eugenia, genocídio. Recordo-me daquelas imagens de judeus massacrados por nazistas que costumamos ver nos filmes, e penso em como essas histórias se repetem. Triste, mas valeu a leitura. Um abraço.

  54. Fabio D'Oliveira
    14 de janeiro de 2016

    ௫ Apenas mais um dia (Petrovic)

    ஒ Estrutura: Como esperado de um microconto, esse texto é objetivo. Petrovic escreve bem e consegue desenvolver uma narrativa firme e constante. Não há floreios, direto ao ponto, como um tiro na nuca. A estética também está bonita e um leitor mais atento nota o cuidado do autor. Ele merece os parabéns por isso.

    ஜ Essência: O microconto é cruel. É narrado um dia da vida de um executor, um carrasco, um assassino. Sua história é clara. E o protagonista é conciso. Mas o texto é só isso. Acredito que o maior desafio dessa vez será fazer um microconto com uma essência gigantesca. Não impressiona. Qualquer escritor que saiba escrever bem consegue fazer o mesmo. É medíocre.

    ஆ Egocentrismo: Petrovic escreve bem, mas não parece ser muito criativo. Tantas coisas para escrever… E ele faz um pouco mais do mesmo. Pena, pois ele parece ter potencial para muito mais. O que admirei, porém, foi a objetividade. Ele merece mais parabéns por isso.

    ண Nota: 7.

  55. Pedro Henrique Cezar
    14 de janeiro de 2016

    Bom, o texto passou de maneira bem direta a crueldade que certos seres humanos são forçados a fazer em prol de um bem maior (família). E denota como esse ser humano se sente frente a essa imposição. Ele sofre, mas caso ele não o faça, alguém o fará para sua família. O fato dos muçulmanos é um quebra de paradigma muito grande, e enriqueceu o conto. Meus parabéns!

  56. Thales
    14 de janeiro de 2016

    Nossa cara!! Isso até me desanima…. comecei o desafio lendo o seu conto. Fiquei surpreso ao me deparar com tamanha qualidade!! Estou até desanimado pois estou com medo de todos os outros contos estarem no nível do seu… se esse for o caso, tenho certeza de que ficarei em último lugar desta vez :/

    Kkkkkk. Parabéns Petrovic. Ótimo conto. Me fez começar as leituras para este desafio com o pé direito. Você com certeza conseguiu executar a verdadeira mágica presente neste desafio: criar um universo com começo, meio e fim, com climax, com personagens bem trabalhados, TUDO, em apenas 150 palavras!!

    Realmente, muito bom.

  57. Miguel Bernardi
    14 de janeiro de 2016

    E aí, Petrovic. Tudo bem? Gostei da crueza apresentada. Interessante a natureza humana que demonstrou, matar um para salvar a própria pele (mesmo que, no caso, fosse a família). Ali, ele não teria escolha. O que transforma um homem num assassino? Gostei desse elemento de dúvida que lançou. É algo recorrente, ainda mais nos dias de hoje, dentro da sua temática… A cena foi bem construída, e seu texto conto várias histórias ao mesmo tempo. Parabéns pelo primor em escrever tanto em tão pouco espaço.

    Abraços e sucesso.

  58. rsollberg
    14 de janeiro de 2016

    Um conto bem definido. Com inicio, meio e fim, sem muito espaço para interpretações. Interessante que o autor fugiu do mais habitual e buscou uma guerra onde os muçulmanos são as vítimas.

    Bem escrito e direto, exceto pelo “pureza da terra”, que admite interpretação. Talvez um lembrete da eugenia tão presente nesse conflito, somada também ao sentimento de autopreservação, tão alardeada por Hobbes em seu Leviatã.

    Sem dúvida é uma boa história, mas gostaria de ter visto mais novidade. Não apenas um soldado obrigado, com suas óbvias reflexões, acostumando-se (ou acostumado) com a rotina da guerra.

    Nesse desafio vou dar maior destaque para força (presente nesse conto), surpresa/reviravolta e para as entrelinhas (e as camadas escondidas).

    No final das conta, um bom texto.
    Parabéns e boa sorte no desafio

  59. Rogério Germani
    14 de janeiro de 2016

    A crueza da guerra ficou bem encaixada neste texto curto. Só não ficou claro o motivo de duas questões:

    1- “Todos Muçulmanos.” O uso de letra maiúscula para muçulmanos extrai a imparcialidade do texto.

    2- A busca de respostas para as indagações de guerra na opinião do leitor.

    O conto é intenso. Realmente, o “perfume” do extermínio está no ar.
    Parabéns!

  60. Bia Machado
    14 de janeiro de 2016

    Gostei do enredo, conseguiu definir bem a personagem, suas dúvidas, seus propósitos e deixou passar bem os questionamentos que o atormentaram naquele instante. Foi bastante coisa em poucas palavras! Tive dó do homem e do garoto… Parabéns!

  61. Davenir Viganon
    14 de janeiro de 2016

    O formato curto favoreceu a crueza da guerra que o autor passou. Ficou muito bom. Parabéns!

  62. Renata Rothstein
    14 de janeiro de 2016

    O melhor que li, até agora. Me senti na cena do extermínio.

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Publicado às 14 de janeiro de 2016 por em Micro Contos e marcado .