EntreContos

Detox Literário.

Livrarte (Leandro Barreiros)

Ramon folheou o livro verde sem muito interesse nas páginas. Era um hábito que havia adquirido nos últimos meses daquele outono, quando tinha percebido a futilidade que era frequentar o colégio. Não importava o problema que passava, folhear as primeiras páginas de um livro aleatório era o convite para entrar em uma nova realidade, longe dos problemas cotidianos, fosse o tumor da mãe, ou a incongruência do mundo a sua volta.

Fazia quase um semestre desde que detinha aquela nova vida. Acordava pela manhã, se aprontava, agradecia à mãe pelo café, dava um beijo nas bochechas dela e do pai e ia até o ponto de ônibus. Lá, pegava o 352 como se fosse para a escola, mas saltava cinco quadras depois, andava até o metrô e seguia para a Cinelândia, onde encontrara uma bela livraria na esquina da Senador Dantas. As vitrines da loja mostravam um interior aconchegante, dividido em dois andares, com um conteúdo indizivelmente mais vasto do que a biblioteca escolar. Em um tom escarlate escrito na vertical da porta, a palavra LIVRARTE nomeava a loja.

Costumava passar ali as manhãs, se acomodando em algum sofá escuro para ler qualquer história que lhe despertasse a curiosidade. Quando tinha dinheiro, comprava uma ou duas edições que lhe tivessem agradado. Quando não tinha e se sentia particularmente audacioso, levava as obras do mesmo jeito. Ás quartas e quintas via sempre uma bela menina passeando nos corredores infanto-juvenis, geralmente segurando com delicadeza um volume de Jogos Vorazes, ou alguma coisa do tipo. Quando sentava para ler, não demorava em apertar as próprias têmporas, como se a vista não aguentasse a leitura por muito tempo. Tinha belas maças no rosto e os olhos eram de um azul tranquilo. Mas, não fossem os grandes e arredondados seios, é bem provável que ela não tivesse despertado sua atenção. Ou, ao menos, teria levado mais tempo para percebê-la.

À tarde, costumava ir ao cinema da Cinelândia, onde assistia a uma ou duas sessões. No início, Ramon assistia aos grandes lançamentos de ação, mas ao longo dos meses percebeu que todos eram, de certa maneira, a mesma coisa. Homens que se viam no meio de um problema e aprendiam a mexer em uma arma em poucos segundos, vilões que nunca acertavam um tiro, mocinhas em perigo…  Com o tempo, se habituou a assistir filmes independentes, não por compreender mensagens mais profundas neste gênero, mas justamente por não entendê-los sempre. Podia, ao menos, se perguntar do que se tratavam, sem as certezas rasas e reconfortantes de Hollywood. Pouco antes das ruas serem tomadas por milhares de carros e os ônibus invadidos por milhões de pessoas, Ramon voltava para a casa e se preparava para o dia seguinte.

Não levou muito tempo para que seu gosto literário também se transformasse. De início, buscava os best-sellers que cobriam as vitrines. Depois, por volta do terceiro mês, percebeu que, como os filmes de ação, as obras eram todas iguais: mocinhas virginais, vilões maléficos, adolescentes heróis, volúpia sem sexo… Naquelas semanas parecia que a livraria havia se tornado tão fútil quanto a escola. Mesmo assim, preferia a poltrona escura e macia da loja à cadeira dura da sala de aula.

Foi quando começou a ler autores como Bolaño, Márquez, Cortázar e Galeano.

Havia descoberto a literatura latina por ignorância e acaso. Em um dos dias em que estava sem dinheiro, avistou um livro com o nome de Roberto Bolaño destacado e se perguntou o que o autor de Chaves poderia colocar no papel. Precisou de pelo menos mais dois livros até perceber o mal entendido. Foi do Chile para o México, de lá para a Argentina e então para o Uruguai. Os autores latinos causavam um incomodo parecido com os filmes independentes.

Aprendeu mais ali do que jamais aprenderia no colégio. Decifrou as veias abertas da América Latina e viveu as ditaduras americanas e as lutas por independência.

No sétimo mês já conhecia algumas pessoas da loja, embora nem sempre lembrasse o nome de todos. A partir daí, ficou incomodado em roubar os livros, ainda que o fizesse de vez em quando. Havia abandonado de vez todos os romances, pois descobrira serem eles os alvos da cultura popular. Naquela época, se interessava apenas por contos e poesias. Os próprios leitores de romances (especialmente os de grandes sagas) começavam a lhe incomodar, simplesmente por não darem atenção aos contistas. Se os leitores fossem sensatos, dariam mais atenção às histórias do que ao mercado. Agora que você terminou este livro, deve comprar o a história continua. E então o outro. E o outro. Pessoas como a menina loira (que insistia em frequentar o lugar tão regularmente quanto ele, escolhendo uma obra da vitrine e apertando as têmporas) estavam apenas assistindo televisão em letras. Não eram leitores. Eram espectadores.

No oitavo mês sua mãe morreu.

Ramon não era idiota. Sabia o que estava por vir desde o início. O tumor no cérebro era maligno. Sua mãe não estava respondendo bem à quimioterapia. Às vezes, quando lia de madrugada, escutava o pai indo chorar baixinho na sala. Agora, ele chorava baixo no quarto, sozinho.

Passou uma semana em casa ajudando o pai, sem ir para lugar algum. Na semana seguinte, saiu uma vez de casa para ir ao cinema, sem vontade, como se cumprisse com uma obrigação que já evitava há um tempo. O filme era sobre uma prostituta francesa que apanhava no trabalho dos clientes e em casa da namorada. Depois, fazia amor com ela. A última cena do filme mostrava a mulher andando por vinte minutos sozinha em uma estação de metrô e terminava quando ela subia uma escada. Ramon também não havia entendido esse.

Voltou a frequentar a livraria na semana seguinte, mas ficou apenas sentado no sofá. Na quarta-feira a menina loira não apareceu. Na quinta, ele se descobriu lendo Edgard Alan Poe. Fazia tempo que não lia um americano. Pelo menos não era um romance. Está tudo bem?, A voz era suave e gentil. Quando abaixou o livro, primeiro viu os seios, depois a pessoa. Era a primeira vez que a menina lhe dirigia a palavra. Ora, até onde sabia era a primeira vez que a menina olhava para ele. O que?, ele perguntou surpreso. Você está bem?, ela repetiu. Por que está perguntando? Os olhos dela mostraram confusão e, por um instante, Ramon pensou que olhava para um espelho que exibia a sua própria surpresa. Porque você está chorando.

Ele levou a mão até o rosto e encontrou as lágrimas. Não havia percebido quando começaram. Provavelmente em meio ao corvo. Talvez no segundo ou terceiro “nunca mais”. Ele enxugou o rosto e, ao invés de falar que estava tudo bem, contou sobre a mãe.

A menina sentou no sofá próximo e deu seus sentimentos. Tudo bem, ele respondeu. A gente já esperava. Foi por isso que você sumiu, né? Sumi? Daqui, você parou de vir. Sim, eu tinha que resolver certas coisas. Ajudar meu pai. E como ele está? Está indo. E indo foi a conversa. A princípio, Ramon sentiu que estava usando a morte da mãe para se aproximar de Lilian (descobriu o nome dela naquela tarde), mas a culpa desapareceu em poucas semanas. E, quando dormiram juntos pela primeira vez em um motel próximo à livraria, Ramon estava em paz com a ausência da mãe.

Diferente dele, Lilian tinha gostos mais convencionais. Lia tão vorazmente quanto, mas ficava muito mais apegada aos best-sellers do que ele poderia aprovar. Já havia lido as sagas de Crepúsculo, Peter Jackson, True Vampire, Jogos Vorazes, Gossip Girl, O diário da princesa, Harry Potter e outros nomes que já não entravam em sua cabeça.

Ela estudava a tarde em um colégio da Glória cuja biblioteca estava em um processo de reforma infinito. Conhecia a livraria desde o ano anterior, e reservava pelo menos dois dias da semana para visitá-la. Como Ramon já havia visto, comprava os lançamentos populares quando tinha dinheiro. Na maior parte do tempo, lia os livros na loja. A avó havia fugido da Alemanha nazista e sonhava em morar no país de origem com a família, por isso Lilian estudava alemão em um curso particular no Flamengo, como a mãe também fizera. Havia praticado balé há uns anos (paixão de sua mãe), mas os saltos davam-lhe a impressão de piorar suas dores de cabeça recorrentes, o que fez com que abandonasse as aulas. No fim das contas, sobrou mais tempo para ler. Já havia publicado algumas fanfics, que para a surpresa de Ramon pareciam melhores do que as obras nas quais se baseavam.

Lilian adquiriu o hábito de faltar as aulas de quarta-feira para acompanhar Ramon no cinema. Não acreditava que ele havia simplesmente decidido não ir mais ao colégio. Mais estranho do que isso, que desistira do colégio para se dedicar a ler livros. Nunca tinha escutado história do tipo. Passou a faltar uma vez na semana para se sentir um pouco mais como ele. E gostou.

O primeiro filme que assistiram se chamava “Laços”. A história dizia respeito a dois primos franceses que descobriam estar apaixonados um pelo outro. A família, claro, não entendia a relação, assim como o resto da sociedade parisiense. No fim, ambos prometiam cometer suicídio. A menina foi a primeira, cortando os pulsos na banheira de casa. O rapaz, Jaques alguma coisa, desistia do ato. E assim acabava. Vou escolher o próximo, ela se limitou a dizer no fim. Escolheu “Batman: o cavaleiro das trevas” e, embora ele não admitisse, Lilian o viu balançando excitado na cadeira.

Estavam na cama quando decidiu pergunta-la sobre os livros. Naquela altura, já não sabia quantas vezes tinham dormido juntos. Ele rolou para fora dos lençóis e acendeu um Marlboro vermelho, como sempre fazia quando terminavam de transar. O décimo primeiro livro da série true blood escapava da bolsa dela, se projetando na cabeceira. Ela se ajeitou na cama, sentou-se, apoiando as costas no espelho, as pernas cobertas e os enormes seios à mostra. Fala, ordenou. O que? Você está com a cara que faz quando quer falar alguma coisa, mas fica constrangido. Eu não faço cara nenhuma, respondeu. Então você não quer perguntar nada? Ele tragou o cigarro, contrariado. Quero. Então fala. Como você consegue ler todos esses livros? Quero dizer, são todos a mesma coisa. Você já leu todos esses livros?, ela questionou. Não. Então como sabe que são todos a mesma coisa? Já li alguns. Alguns não são todos. Não precisa ficar chateada. Não é porque estou discordando de você que eu estou chateada. Mas eles não são iguais. Parecem, mas não são. Existem sutilezas. Existe sutileza naquele livro?, ele perguntou em tom irônico. Existem para quem se dispõe a encontrar, ela respondeu com a serenidade de sempre. Às vezes uma história só precisa ser uma história, ela disse por fim. E a isso ele não soube responder. Por isso terminou seu cigarro em silêncio, voltou para a cama e fez amor com ela novamente.

Com a paciência de um homem apaixonado voltou a ler romances. Mais do que isso, voltou a ler grandes sagas. Seus meses seguintes foram dedicados a Rowlings e Kings, Martins e Koontzes. Havia personalidades magistralmente construídas e histórias com narrativas graciosas. Havia também preciosismo e linguagem informal, personagens planos e histórias previsíveis. No fim, eram apenas isso, histórias, algumas boas, outras más, como os seus queridos contistas também escreviam por vezes. O esforço não o tornou um novo amante da arte pop, mas fez com que descesse da montanha e olhasse para todos no mesmo plano. Às vezes histórias só precisavam ser histórias, fossem previsíveis ou não.

De aniversário, Lilian lhe comprou o encadernado do “Cavaleiro das trevas”, de Frank Miller. O que ele acabou realmente gostando. Alguns meses depois, foi a sua vez de presenteá-la. Decidiu arriscar no certo, comprando o último livro das crônicas de fogo e gelo, pedaço que sabia faltar de sua coleção.

Fazia dois anos desde que havia passado a frequentar a livraria. Um ano e três meses desde que conversara com Lilian pela primeira vez. A Livrarte estava prestes a fechar as portas para dar lugar a um novo Mc Donalds. Lilian estava prestes a se mudar para São Paulo para receber tratamento especializado. Finalmente havia ido ao médico para averiguar as dores de cabeça cada vez mais fortes. O exame tinha chegado no início daquela semana. Choraram juntos no motel. Ramon praguejou contra o universo. Odiou deus e o acaso. Ela o acalmou com palavras gentis. Naquela noite, prometeram não perder contato. Pela primeira vez, não fizeram amor antes de dormir juntos.

Dois meses depois Ramon não teve mais notícias de Lilian. As mensagens pararam abruptamente. Discou inúmeras vezes para seu celular, mas uma voz insistia em lhe avisar que o aparelho estava fora da área de cobertura ou desligado. Nenhum dos dois possuía qualquer rede social ou amigos em comum. Mas ele tinha o endereço da casa em que estava ficando com os parentes.

A biblioteca que montara ao longo dos anos era respeitável. Vendeu os livros que pôde nos sebos e agradeceu pelos títulos populares que havia comprado (diferente do que esperava, foram os que lhe renderam mais dinheiro). Comprou uma passagem de ida para São Paulo. Lá, decidiria quando e se iria retornar.

No dia de sua viagem, beijou o pai, abraçou-o com força e pediu que um táxi lhe deixasse no aeroporto. No meio do caminho, mudou de ideia e fez com que o carro voltasse pela Avenida Brasil até alcançar o centro. Entregou setenta reais ao taxista e saltou na Cinelândia, onde procurou pela esquina da Senador Dantas. Ainda tinha tempo.

O nome da loja havia desaparecido da porta, bem como as vitrines que foram bloqueadas por placas de madeira. Como não poderia deixar de ser, a porta estava trancada. Mas a madrugada era silenciosa e cega. Ele forçou uma das placas de madeira que, depois de um considerável esforço, se desprenderam. O vidro já estava quebrado.

Ramon saltou para dentro da antiga loja e tateou as paredes até encontrar um interruptor. Ele olhou em volta e acendeu um cigarro, tragando com força. Se tivesse total consciência de si, saberia que as mãos tremiam. Ele tinha certeza que encontraria estantes empoeiradas e livros empilhados. Caixas e mais caixas, reboco e poeira. Um livro verde que lhe acalmasse os nervos depois de folheado. Ele tinha esperanças, mas não havia nada. Não havia mais nada.

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36 comentários em “Livrarte (Leandro Barreiros)

  1. Heitor
    15 de março de 2016

    Ficou bem leve a leitura, a trama tá com um desenvolvimento gosto e os personagens se relacionam de forma formidavel.

    Continue com o bom trabalho.

  2. Fabio D'Oliveira
    5 de janeiro de 2016

    ௫ Livrarte (Daniel Fol)

    ஒ Físico: Daniel tem uma escrita distante e apática, mas sabe escrever de acordo com as regras. O estilo desse conto me lembrou aqueles filmes onde um narrador fala sobre a vida dos personagens. Mas geralmente há alguma coisa a mais nesses filmes, no entanto, não é o caso desse texto. É talentoso para montar uma frase, desenvolver linhas de raciocínio. Mas Daniel precisa ser mais sensível. E entrar de verdade no mundo da escrita.

    ண Intelecto: No início, o leitor pode acabar pensando que o enredo tem alguma mensagem. Pelo estilo narrativo, é o que parece ser. Mas é apenas uma pequena estória de um ser humano também pequeno. Parece uma pessoa normal, com suas confusões. Perdido no mundo, o protagonista é apenas mais um. O maior problema disso é que acabamos a leitura e não entendemos o porquê da estória. Consegui relacionar esse texto com “Pergunte ao pó”, mas não explora o ser humano da mesma forma magistral que John Fante faz. Mas vi muito potencial no autor.

    ஜ Alma: O texto não tem foco algum na imagem do desafio. Basicamente, não existe uma biblioteca. É uma estória sobre a vida de um rapaz e suas confusões. É uma estória cíclica, sem fim, entediante. O autor demonstrou muito potencial, devo salientar isso mais uma vez, mas precisa se aprofundar mais na sua narrativa. O estilo ficou tão distante… E esse enredo exige exatamente o contrário!

    ஆ Egocentrismo: Não consegui gostar muito da estória, pois achei que o autor não chegou a lugar algum. Daniel explora apenas as opiniões do protagonista, sem colocar muita profundidade na questão. O estilo distante também não me agradou. Talvez ele tenha escolhido essa narrativa para este conto, tendo capacidade de fazer algo mais sensível, mais profundo, mais poético; mas preciso trabalhar em cima daquilo que é me dado.

  3. André Lima dos Santos
    2 de janeiro de 2016

    Olá autor!

    Achei o conto com uma boa carga emotiva!
    O fluxo é muito bom, a leitura flui leve, natural…
    O final foi bem previsível para mim, mas acho que não poderia ser diferente para a proposta inicial do conto!

    A ideia, embora seja um pouco clichê (Parece aquelas frases prontas que falamos para as pessoas não desanimarem, haha), ficou tão bem executada que eu curti o conto.

    Boa sorte!

  4. Jowilton Amaral da Costa
    2 de janeiro de 2016

    O conto é bom, mas, sinceramente, lendo alguns comentários, não achei tão emocionante não. As referências aos autores e aos filmes, aqui neste texto, me incomodou um pouco, achei que ficou descritivo demais, e acaba por tirar a atenção do conto, que segue num ritmo bom, sendo quebrado justamente pelas passagens de citações de livros e filmes. E, porra, caramba, o que diabos aconteceu com amenina dos peitões? Boa sorte.

  5. Bia Machado
    1 de janeiro de 2016

    Olha, eu gostei do conto, principalmente do começo e do final. Senti falta de mais diálogos que marcassem mais a personalidade das personagens. Talvez o meio possa ser enxugado, ao menos pra mim me pareceu ter coisas desnecessárias ali… Mas foi uma boa leitura.

  6. Simoni Dário
    31 de dezembro de 2015

    O autor tem muito talento, a história emociona, Entendi que Ramon repetiu a fuga das dores para os livros, antes na morte lenta da mãe e depois na perda de Lilian, mas dessa vez não achou mais nada (talvez só lhe reste escrever o próprio). Foi uma boa leitura, acho que se arrastou um pouco, mas pela quantidade de referências citadas e do ponto de vista que o autor queria expor, tinha que ser assim mesmo. O final ficou realmente muito bom.
    Bom desafio!

  7. Wilson Barros Júnior
    31 de dezembro de 2015

    O começo provocou-me reminiscências, quando eu passeava por Curitba e sempre me detinha nas extintas “Livrarias Ghignone”. Entretanto, eu nunca gostei muito de Galeano, e ao que parece, nem ele mesmo gostava. A sua história cheia de paixão tocou profundamente meu coração eternamente apaixonado, e foi isso o que eu mais gostei em seu belo e bem escrito conto. Meus sinceros parabéns.

  8. Phillip Klem
    30 de dezembro de 2015

    Boa noite.
    Você tem uma ótima escrita e um grande talento.
    Mas seu conto foi vazio, infelizmente.
    Gostei muito do começo. Sua técnica me encantou. Mas com o desenrolar da história percebemos que ela não chega à lugar nenhum.
    Gosto de histórias que tenham algo a acrescentar na vida do leitor. Que façam pensar e sofrer, ou rir.
    Mas, como você mesmo sabiamente citou: “As vezes histórias são apenas histórias.”
    Meu parabéns pela escrita e criatividade. Você definitivamente leva jeito pra coisa.
    Boa sorte.

  9. Evie Dutra
    30 de dezembro de 2015

    Sua escrita é tão leve que me manteve atenta e interessada o tempo todo mas, apesar disso, não gostei muito da história.
    Tenho um grande interesse por dramas familiares e, quando comecei a ler seu conto, pensei que seria algo desse gênero.
    Eu gostei bastante do início.. gostei do fato da mãe estar doente e do filho procurar refúgio dos problemas nos livros. No entanto, senti que houve pouco sofrimento após a morte da mãe… fiquei esperando algo mais dramático..
    Enfim.. parabéns pela sua escrita. Ela me encantou. Boa sorte 🙂

  10. G. S. Willy
    30 de dezembro de 2015

    A escrita é boa, bem pontuada e com boa escolha de palavras. Porém nunca gostei dessa ideia de que o amadurecimento faz com que se leia Bolaño e tal, e filmes independentes, e fume um marlboro depois do sexo, já parece um clichê do gênero. A morte da mãe pareceu gratuita, sem uma mudança perceptível no personagem. E ao final, ficou a impressão de não ter final, ele foi à livraria e? a menina parou de corresponder e? Enfim, um bom conto, mas que faltou algo.

  11. Pedro Luna
    30 de dezembro de 2015

    Esse conto parece com outro nesse desafio, no sentido de fazer referências e citar obras a medida que evolui a história e os personagens.. Por gosto pessoal, não gosto muito disso. Para mim, fica como algo gratuito. É previsível para mim associar amadurecimento de um personagem, por exemplo, ao tipo de livro que ele lê. Da mesma forma com os filmes. Não curti muito a crítica aos blocks.

    A escrita é boa, e o conto tem fluidez. Mas a trama não me agradou e não consegui comprar o relacionamento daqueles personagens, que em pouco tempo já estavam em um motel. Acredito que isso seja porque o início do conto me criou um clima mais juvenil, e esse clima foi quebrado no meio do texto. Entendo que a história é de evolução, mas senti essa quebrada de clima.

  12. Thiago Lee
    29 de dezembro de 2015

    História competente, apesar de previsível. Não chegou a me emocionar de verdade (talvez por minha predileção por textos mais situacionais do que relatos em si, como é o seu caso). Acho que você contou mais do que mostrou, e isso pra mim tira um pouco da ‘imersão’ do texto (mas é preferência pessoal, tá?)

    De qualquer maneira, como muitos aqui disseram, a questão principal do texto e como isso se conectou com a parte de Lilian foram muito bem trabalhadas. Parabéns!

  13. JULIANA CALAFANGE
    28 de dezembro de 2015

    A escrita é leve e me prendeu do começo ao fim. Realmente, não há muitas reviravoltas nem surpresas na trama, mesmo assim ela cativa o leitor. Esse debate sobre o “erudito” e o “popular” é antigo mas sempre será relevante, assim como o tema do preconceito e da intolerância com a opinião de quem discorda. A maneira como vc introduziu esse assuntos na história foi muito interessante e sensível. Parabéns!

  14. Piscies
    28 de dezembro de 2015

    Estou com os olhos marejados. O texto me fisgou e, quando terminou, deixou olhos trêmulos e o coração querendo mais.

    Nas palavras que o autor pôde usar, trabalhou Ramon de forma magistral. Com menos palavras ainda, trabalhou Lilian de forma ainda melhor. Ela passou de “garota gostosa com peitões, mas superficial por ler livros da moda” para “garota linda, charmosa, inteligente, forte e com suas próprias opiniões”. Exemplo claro de que não podemos julgar o livro pela capa.

    E o texto fala justamente disto. Quantas vezes vemos aquelas garotas ou garotos andando para lá e para cá com um exemplar de Crepúsculo (ou, mais recentemente, com um exemplar do livro da Kéfera) e pensamos: “mais um adolescente desmiolado”. Na realidade, como podemos pensar isso se não sabemos nada sobre aquela pessoa? Aquela famosa frase que vi no facebook torna-se clara e ganha força neste texto: “cada pessoa ao seu redor está travando uma batalha que você não sabe nada a respeito”.

    E a batalha que Ramon trava com a vida é cruel. No final, ninguém ganha. Como traçar um paralelo com a vida maior do que este? Quem disse que nossas vidas têm que ser felizes? Ramon é inteligente e culto, mas ao mesmo tempo perdido e confuso sobre quem ele realmente é. No meio da sua confusão – lidando com a morte da mãe e com um pai desconsolado – ele encontra Lilian para trazer o equilíbrio à sua vida e ao mesmo tempo desestabilizar toda a sua autoconfiança, fazendo com que ele descobrisse que ainda tem muito a aprender na vida.

    O conto é lindo. A escrita é primorosa. Ainda estou com os olhos marejados (rs). Não li todos os textos do desafio mas este é um dos melhores, com certeza. Poderia passar muito mais tempo aqui discutindo tudo o que este conto aborda, mas vou parar por aqui.

    Só não darei 10 para o conto por que achei o diálogo muito confuso. As falas de diferentes personagens intercaladas ficaram confusas, mesmo que diferentes e com um certo charme. Sugiro o uso do velho travessão ou, no mínimo, de aspas.

    Além disso, a narrativa por vezes é MUITO corrida. No mesmo parágrafo Ramon conhece Lilian e já dorme com ela dias depois.

    Outras possíveis pequenas falhas que notei:

    – Você falou “As crônicas de fogo e gelo” mas é “As crônicas de Gelo de Fogo” (nerd chato falando)

    – Você falou “True Vampire” mas acho que quis dizer “True Blood”.

    – Você falou que Ramon matava aula para ir à livraria. Ok, mas um fato interessante é que ele teria que esperar horas para a livraria abrir. Afinal, as aulas de manhã começam 7:30, geralmente, então ele deveria chegar na livraria umas 8:00, e os estabelecimentos abrem, geralmente, às 10:00.

    Parabéns autor!!!!

  15. Antonio Stegues Batista
    27 de dezembro de 2015

    Achei boa as citações de livros e filmes no texto, deram mais volume à estória e a doença da mãe ajudou mostrar a sensibilidade do rapaz. O romance dele com a jovem destinada a um fim trágico, causou tristeza. E foi sem dúvida um texto meio sombrio, onde a realidade se faz presente. Só achei a passagem de tempo muito abrupto.

  16. Fil Felix
    26 de dezembro de 2015

    O velho debate sobre livro cult VS livro pop em formato de conto, gostei de como trouxe pra cá essa discussão sempre presente nos grupos da vida, ainda se estendendo pro cinema. A história segue um fluxo dos casais de opostos, entregando entre um parágrafo e outro o ponto de vista de cada um.

    Não achei o conto “panfletário” demais, como alguns disseram. Não vejo como um autor defendendo com unhas e dentes sua visão, mas acho que algumas passagens ficaram explícitas demais, tudo muito bem explicado, com várias referências. Poderia ter colocado algumas informações nas entrelinhas, para que fôssemos desvendando aos poucos.

    Gostei do formato da narrativa. Achei estranho os diálogos, no início, mas depois me acostumei e ficou até interessante, dando uma certa personalidade ao texto. Agora… o nosso protagonista também dava um truque pra entrar no cinema, ou tinha dinheiro pra assistir tantos filmes na semana?!

  17. Andre Luiz
    25 de dezembro de 2015

    Gostei do conto, principalmente a melancolia presente em toda a sua extensão, com todas as nuances de uma vida monótona rompida pelo mundo da literatura em que Ramon, mesmo que por alguns momentos de seu dia, rompesse com a doença da mãe, as dificuldades que enfrentaria, e construísse uma sociedade em que ele era o rei. A chegada de Lilian marca sua vida, e os dois constroem juntos uma relação muito interessante.

    Questão de estilo, mas eu não colocaria as falas dos dois concatenadas como estão neste conto, pois induz ao leitor pensar que são uma só. Apesar disto, achei o texto muito bem formulado, com muito bom gosto e que tratou de um tema muito discutido aqui no EntreContos. Boa sorte no desafio!

  18. Daniel Reis
    23 de dezembro de 2015

    Gostei da narrativa e da temática, apesar do desenrolar previsível, telegrafado por detalhes como “Quando sentava para ler, não demorava em apertar as próprias têmporas, como se a vista não aguentasse a leitura por muito tempo” e “escolhendo uma obra da vitrine e apertando as têmporas”. O autor inseriu como matriz de discussão arte comercial x arte hermética, tanto na literatura quanto no cinema, e que essa história meio Eduardo e Mônica, em papeis inversos, defende a validade de ambas as expressões. Bom trabalho, boa sorte!

  19. Lucas Rezende de Paula
    23 de dezembro de 2015

    Pode parecer estranho, mas adoro quando a história não acaba no felizes para sempre. E esse conto acertou a mão nesse quesito.
    As argumentações durante a história não ficaram tão pesadas quanto me pareceram durante a leitura.
    A carga emocional do texto pega todos mesmo, como a Claudia disse. (E Fábio, não precisa ser tão duro consigo mesmo hahahaha).
    Boa sorte.

  20. Davenir Viganon
    23 de dezembro de 2015

    Para mim teve muita coisa explicada, defendida, e poucos elementos que me trouxessem emoção. Não consegui me prender nos personagens apenas com base nas opiniões que eles tem sobre literatura. Se as emoções fossem melhor trabalhadas (falo estritamente como leitor, pois não saberia como fazer melhor), a história simples teria passado batido. Mas o conto tem bons momentos, principalmente o final, que foi o que mais gostei.

  21. Rogério Germani
    21 de dezembro de 2015

    Olá, Daniel!

    Gostei da habilidade em usar os diálogos internamente nos parágrafos. Mesmo sem o recurso das aspas, as falas ficaram fáceis de identificar e, de brinde, ganharam em estilo escritas em itálico.

    Infelizmente, a trama não me envolveu. Muitos acontecimentos ficaram previsíveis numa estória repleta de citações de títulos literários e um romance inspirado nos moldes de A culpa é das estrelas. Foi justamente este paradoxo

    – literatura cabeça defendida por Ramon X amor juvenil libertário junto a Lilian-

    que tornou confusa a interpretação da real mensagem que o autor quis transmitir, já que o contista revela uma tendência maior para o modo de pensar e agir do protagonista devorador de livros cults.

    Boa sorte!

  22. Leonardo Jardim
    21 de dezembro de 2015

    Caro autor, seguem minhas impressões de cada aspecto do conto antes de ler os demais comentários:

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): a trama é simples e contada quase como um relato. Quando foi dito que a menina tinha dores de cabeça e reforçou na segunda vez, sabia que ela não sobreviveria. Talvez por isso a trama não tenha me arrebatado, mas não há de se negar que foi executada de forma emocionante.

    📝 Técnica (⭐⭐▫▫▫): é simples, mas funcional. Encontrei alguns erros e anotei alguns abaixo. Não gostei muito dos diálogos, acho que ficaria melhor se fossem marcados, mudando parágrafos ao alterar o interlocutor e usando travessões ou aspas. Do jeito que ficou, confundiu bastante. Fora isso, li o texto inteiro num só mergulho.

    🎯 Tema (⭐⭐): a livraria (e não uma biblioteca) é o cenário central da trama e, no fim, está destruída, mesmo que não da mesma forma que da foto.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): é um texto que narra situações comuns na vida de um adolescente, embora com nuances específicas, como é cada indivíduo.

    🎭 Emoção/Impacto (⭐⭐⭐▫▫): o texto prendeu e o final foi tocante, embora eu já estivesse preparado. Se a Lilian tivesse recebido mais personalidade e o final não fosse tão “contado”, a emoção teria sido maior. A cena final é muito boa.

    💬 Trecho de destaque: “Com o tempo, se habituou a assistir filmes independentes, não por compreender mensagens mais profundas neste gênero, mas justamente por não entendê-los sempre. ”

    🔎 Problemas que encontrei:
    ◾ *Ás* (Às) quartas e quintas
    ◾ Tinha belas *maças* (maçãs) no rosto
    No sétimo mês *vírgula* já conhecia algumas pessoas da loja
    Dois meses *vírgula* depois Ramon não teve mais notícias de Lilian

  23. Daniel I. Dutra
    21 de dezembro de 2015

    Num outro comentário disse que a tarefa mais árdua, na minha opinião, era escrever um conto em terceira com pouco ou nenhum uso dos diálogos e que poucos autores, como Clark Ashton Smith e Lord Dunsany, sabiam como fazer.

    Esse conto se saiu bem nessa tarefa. O autor consegue “puxar” o leitor para dentro da narrativa com o uso de poucos diálogos, embora acredite que alguns diálogos extras dariam um “sabor” extra a história.

  24. Neusa Maria Fontolan
    20 de dezembro de 2015

    Bom conto. Fácil de ler e entender. Prende a atenção. Gostei de ver livros populares sendo citados. Parabéns e boa sorte.

  25. catarinacunha2015
    17 de dezembro de 2015

    O TÍTULO ganha importância na conclusão do conto. O FLUXO é competente e gostei da ousadia em trabalhar os diálogos em “ponto contínuo”. Poucos conseguem de forma clara e você foi feliz na técnica. A TRAMA, aquela que não está escrita e se desenvolve dentro do leitor, fez do PERSONAGEM uma figura ímpar em sua evolução intelectual. O FINAL foi brilhante, escancarando todas as portas e janelas para o leitor escolher onde entrar. Só não vai levar a nota máxima porque enrolou muito no meio de campo.

  26. Cleber Duarte de Lara
    17 de dezembro de 2015

    CRITICA
    Uma única ressalvan que faço a de que realmente não houve a conexão com a mãe doente de Ramon, de repente a notícia da morte é acompanhada de um histórico um tanto frio e retrospectivo. A moça parece ser acometida por destino semelhante mas ele não faz a associação, apesar de haver umas pistas mínimas quando é mencionado as dores de cabeça. De modo geral, a importância evidente das personagens não repercute o que se esperia no rapaz a não ser de modo atrasado, quando a enfermidade se apresenta.

    PONTOS POSITIVOS
    O clima noir da narrativa, semelhante ao dos filmes indepentes que assiste, é envolvente. Gostei da forma como foram apresentadas as referencias que conheço. As que não conhecia, também suscitaram o interesse em conhecer. Confesso com certa vergonha minha ignorância diante dos autores de meu próprio continente, pretendo (re)descobrir suas veias abertas na primeira oportunidade que tiver. Seu texto é muito gostoso de ler, Parabéns e boa sorte no desafio!

    Curiosidade:Don Ramon (uma tradução do castellaño se não me engano é presunto rs) é o nome dado Bolaño (o chespirito) ao personagem que conhecemos por Seu Madruga aqui, e em uma entrevista Bolaño disse trata-se mesmo de seu personagem preferido, achei marcante essa referência algo que o leitor poderia associar e usar para apegar-se ao personagem.

  27. Eduardo Selga
    15 de dezembro de 2015

    O conto faz algumas provocações importantes em relação ao ato de produzir texto ficcional em prosa artística, como a antinomia arte-entretenimento, discussão frequentemente manifesta neste site e no perfil do Facebook. Ela é atravessada por alguns aspectos muito complexos, que muitas vezes relativizam essa polaridade. Afinal, arte pode sim ser entretenimento e entretenimento pode ser arte, mas para entender os meandros seria preciso compreender bem o porquê de os termos serem postos em polos distintos, o que não farei aqui por ser inconveniente, pois não se trata de uma aula de literatura.

    Vou citar dois momentos, demonstrando cada um dos lados da questão, por meio do trecho “[…] estavam apenas assistindo televisão em letras. Não eram leitores. Eram espectadores” e “às vezes uma história só precisa ser uma história, ela disse por fim”. Na primeira passagem, uma crítica ao lixo representado pelos best-sellers da indústria cultural; na segunda, uma posição conciliadora, aceitando que se uma história for uma história é tanto o quanto basta, ou, em outras palavras, admite que o entretenimento também pode ser considerado peça de arte na literatura.

    Mas em quais condições uma história é uma história? O que faz uma narrativa em prosa ser arte? O bom manejo do manual de instruções da produção textual? Se assim for, no conto a ação é o mais importante dos elementos, e os personagens e a linguagem são meros instrumentos dela. Logo, contos nos quais a prosa poética é dominante e a linguagem trabalhada se sobrepõe á ação seriam textos de qualidade menor, já que o senso comum é utilitarista, ou seja, entende que o texto precisa ser útil. Ser útil é ser facilmente compreensível, e nada melhor do que a ação para isso. Exercícios estilísticos não seriam, portanto, uma boa história, porque seriam inúteis, porque não teriam ação em dose bastante.

    Como disse, o buraco dessa discussão é bem mais embaixo, quase sem fundo, e há muitas nuances a respeito, mas quero fazer uma observação sobre colocar em discussão esses aspectos e outros da produção literária por meio de um texto ficcional: é preciso construí-lo de modo a não parecer uma tese. O enredo não pode ser um pretexto para considerações que têm relação com a feitura do texto artístico mas não se constitui em um texto artístico.

    O conto quase põe os dois pés nessa armadilha. Sua porção inicial é bem “conto-tese”, com algumas observações acertadas, inclusive sobre os autores latino-americanos. Aos poucos o trabalho artístico equilibra o cenário, e temos um conto focado na ação (mas não no espetáculo, felizmente), com personagens bem construídos, mas que, assim entendo, pedem um pouco mais de aprofundamento psicológico.

    SOBRE O USO DA PALAVRA

    “Fazia quase um semestre desde que detinha aquela nova vida”. O vocábulo DETER, embora possa de fato ser usado como TER CONSIGO, se aproxima mais de SUSTAR, ou ainda RETER. Portanto, a escolha não foi das melhores, levando em consideração o contexto em que se apresenta a palavra.

    “O filme era sobre uma prostituta francesa que apanhava no trabalho dos clientes e em casa da namorada”. A posição de certas palavras dá a entender que a prostituta levava um surra no ambiente de trabalho de seus cliente. Melhor ficaria se fosse APANHAVA DOS CLIENTES NO TRABALHO. Na sequência outra ambiguidade pode surgir: ela apanhava na casa da namorada ou apanhava da namorada em sua própria casa? A segunda possibilidade parece mais razoável, mas como o trecho vem de uma ambiguidade anterior, seria interessante refazer também.

  28. Fabio Baptista
    12 de dezembro de 2015

    Bom, vamos lá…

    A escrita está praticamente impecável (o “pergunta-la” eu trocaria por “perguntar a ela”) e todos os eventos são narrados com bastante clareza. Assim como o Brian, também não curti o esquema dos diálogos, mas não chegou a causar maiores transtornos.

    A trama, porém, não me agradou quase nada. Fiquei com a sensação de um “Eduardo e Mônica” na livraria só que meio (por favor não me odeie por causa dessa palavra)… insosso.

    O autor pareceu mais preocupado em citar a enxurrada de referências do que em desenvolver o vínculo do casal. Ao contrário do Gustavo, penso que o lance da mensagem “toda história é válida” foi colocado de modo panfletário sim. Veja, eu concordo com essa opinião, mas acho que ela poderia ser apresentada de modo mais sutil, talvez mais bem-humorado, tipo o cara lendo os livros escondidos e ser surpreendido chorando, ou rindo e depois não dar o braço a torcer (tipo no filme) ou algo do tipo.

    A ida da menina para São Paulo também foi muito repentina. Esse era outro elemento que poderia ser colocado no lugar das referências: essas queixas de dor de cabeça e tal.

    Gostei do final – como já foi falado, fugiu do clichê e salvou a adequação ao tema, ali aos 46 do segundo tempo. 😀

    Abraço!

    • Wilson Barros Júnior
      31 de dezembro de 2015

      Ou “perguntar-lhe”, não, mestre Fábio?

      • Fabio Baptista
        31 de dezembro de 2015

        Acredito que também estaria correto, Wilson.

        Mas o aval de mestre só pode ser dado pelas nossas professoras Claudia e Bia, ou pelo professor Eduardo Selga. (Não sei se há outros professores no grupo).

        Não falo isso por modéstia, mas porque essa regra do “lhe” me prega algumas peças de vez em quando. Recentemente levei uns belos puxões de orelha da Claudia por causa disso kkkkk.

        Abraço!

      • Claudia Roberta Angst
        31 de dezembro de 2015

        A forma aceitável é perguntar-lhe, pois o verbo perguntar pede um complemento indireto (preposicionado): «Quem pergunta… pergunta a alguém».Os pronomes pessoais átonos que podem ocupar a posição do complemento indireto são me (1.ª pessoa singular), te (2.ª pessoa singular), lhe (3.ª pessoa singular), nos (1.ª pessoa plural), vos (2.ª pessoa plural), lhes (3.ª pessoa plural).
        Ele perguntou à Maria [= perguntou-lhe]

  29. Claudia Roberta Angst
    11 de dezembro de 2015

    Hummm…. Meu conto preferido até agora. Apesar de longo (e não tenho sido implicante com isso, ultimamente), a leitura segue fácil, pois a atenção do leitor prende-se à trama quase que instantaneamente.
    A narrativa revela sensibilidade e conhecimento pessoal sobre livros clássicos e os mais populares. O romance entre Lilian e Ramon arrebata o mais frio dos corações. Tão bonitinhos esses dois, unidos pela paixão pelos livros!
    Tirando duas crases faltando e o “perguntá-la”, não vi maiores problemas de revisão.
    O tom delicado, intimista e arrastando-se para a melancolia adequou-se bem ao tema da imagem. O final foi particularmente bem trabalhado, fugindo do convencional desfecho e nos deixando aqui com os olhos parados sem esperança de um happy end. Parabéns!

    • Fabio Baptista
      12 de dezembro de 2015

      Putz… agora estou me sentindo com o coração mais frio do que o mais frio dos corações… rsrs.

  30. Brian Oliveira Lancaster
    11 de dezembro de 2015

    MULA (Motivação, Unidade, Leitura, Adequação)

    M: Uma atmosfera bem urbana, o que é um diferencial. As reflexões e sacadas do protagonista são excelentes. A ironia presente dá o ar cômico e realista necessários.
    U: Escrita leve e fluente. Me incomodou apenas os diálogos não conterem divisões específicas; parecem fluxos de pensamentos diversos e até esquizofrênicos (quem estava falando?).
    L: A introdução é ótima. O final também. O meio nem tanto. Houve um corte brusco de narração quando você apontou, sem aviso, o estado da mãe do protagonista. Depois dessa parte ele conhece a moça e já a transforma em parte de sua vida, sem nem um cafezinho antes. Eu gostei do texto. No entanto, esta parte ficaria melhor se fosse mais cadenciada. A reflexão sobre livros e contos dá um tom intimista muito bom.
    A: O clima urbano, aliado ao trocadilho do título, elevaram minhas considerações finais. A essência de biblioteca abandonada está toda aí, sem dúvida.

  31. Anorkinda Neide
    10 de dezembro de 2015

    Bah! Que lindo! De puxar as lágrimas… Parabéns…
    quase que a biblioteca devastada não aparece,.. rsrsrs ela deu um leve ar da (des)graça, né…
    Encontrei isto incorreto: pergunta-la , o correto é : perguntar-lhe, eu acho! 😛
    Abração e boa sorte!

  32. Gustavo Castro Araujo
    10 de dezembro de 2015

    Bom conto! Achei bem construída a trama. Chego a pensar que há traços autobiográficos aí. Essa experiência com literatura popular (especialmente os livros dedicados aos adolescentes) vesus literatura cabeça, e a mensagem subliminar que há gosto para tudo, ficou bem sacada. Poderia soar como uma bandeira ou mesmo algo panfletário, mas aqui casou bem com a proposta. Deu para perceber que Lilian teria algum problema no momento em que se falou sobre as aulas de balé. O fim confirmou isso. De todo modo, acho que ficou interessante porque deu à narrativa um sentido — justamente o que faz o contrapeso argumentativo com o embate de que falei. O final ficou excelente, quando Ramon abandona o táxi e decide entrar na biblioteca em ruínas. E não havia nada. Ótima sacada, fugindo do clichê. Melancólico e interessante na medida certa. Parabéns pelo bom trabalho!

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Publicado às 9 de dezembro de 2015 por em Imagem e marcado .