EntreContos

Detox Literário.

Herdeiros do Abandono (Cléber Duarte)

Tenho 14. Nenhum amigo. Porque mudei. Mudei pro mesmo lugar. O joão Honório quer a gente chamando ele de pai. A mãe é mais mãe dele do que minha. Estado diferente, escola diferente, lá fora tudo mudou pra pior. E a cozinha que não é mais azulejada do mesmo jeito, que é branca do chão ao teto como a mãe queria, só mudou na cor e no lugar dos móveis. Ainda tem faca lá e a mesa é um lugar onde a mãe vai chorar no dia depois que nós dois estamos com o corpo roxo, e o joão Honório saiu pra que eu tivesse a esperança e que a mãe desesperasse de ele não voltar. Tudo do mesmo jeito que tava lá.

Ele sempre bate com razão, por que ele não pode pedir desculpa, ele falou que homem tem que ser assim ou mulher não respeita. O que homem não pode é apanhar, por que ou revida ou mata ou fica desonrado. Se um homem apanha e aceita ficar em paz, nunca o respeitam depois e ele sempre vai apanhar depois disso. Coisa de homem pra homem, ele fala como se eu fosse um outro amigo do bar que ele gosta por enquanto, um amigo que tem que chamar ele de pai.

Eu faço questão de apanhar junto, quando tou. Ele gosta mais de bater nela. Mas esses dias eu esqueci de ver que tava calor, e a mãe usava roupa de frio, o olho estava normal, mas ela gemia quando andava. Esses dias eu esqueci mesmo. E ele gritou da sala pra cozinha pra mãe, Lizandra – Liz! Cadê? Vai congelar, o jogo já começou, mulher!… E quando ela pediu pra mim levar a cerveja dele na sala eu fui até de bom grado, e ele aproveitou pra achar que era meu pai me ensinado coisas de homem. Pegou a cerveja e falou no tom de um segredo nosso: – Vai, muleque. Toma um gole pra ver como é bom bem gelada! – Meu olho dançou e eu não queria dar motivo, e o joão Honório viu meu desejo pular da gota dourada no bico da lata e meu receio que cedia vendo a cara de pai que ele achava que fazia pra mim. Sentei no sofá menor que completava o L com o de três poltonas em que ele tava. a Tv grande de Tubo que era do pai dele, e tava adaptada pra digital com a minha ajuda. Seu orgulho por fazer uma coisa compensa tudo que puder tirar da mãe cinco vezes mais. Mas ela não diz quando paga a parte dele nas contas, e defende ele por que sabe que ele fala o futuro dela certo quando brigam. Ela sem ele vai ficar abandonada e seca, até eu vou arranjar uma mulher e deixar ela morrer vazia. Ele diz e ela acredita, como quem escutou a palavra do pastor, ou do cientista daquele filme que veio do futuro.

Hoje eu menti que ia mais cedo pra escola. – Come direito e leva uma blusa, que esse tempo é maluco, não é que nem lá meu filho. – Ela, enquanto as mãos deslizavam pela louça acumulada da janta e do café como num fluxo de peixes subindo e atravessando a cachoeira da torneira ligada.

Eu tenho saudade da cachoeirinha da nossa cidade.

Eu andava pela cidade e conhecia todos os matos que não tinham donos, os terrenos baldios. As casas e lugares abandonados. Aqui eu percebi uma verdade de que só uma pessoa ou um animal que se apega como a gente é que é abandonado. Quantas vezes ela fica abandonada com ele aqui, e eu finjo que abandono ela trancado no quarto por que ela não abandona ele.

As coisas ficam sem ocupação, mas não sentem o vazio. Se a pessoa não estiver ocupada ela sente a falta dos outros nela.

Eu tenho o nome do meu pai caminhoneiro. Ele é o cara perfeito. Porque abandonou de verdade a gente. Por que acho que ele morreu sem dar notícia. Ele não ficou abandonando a gente eternamente como o joão Honório, ele só foi. Um dia eu quero ir também. Quem sabe ele tá vivo por ai…

As ruas daqui parecem nos bairros a ruas do centro da minha cidadinha de lá. Eu acho graça. Aquelas pedras pretas e brancas. Minha prima Vanessa que todo mundo dizia lá, e deve dizer ainda mesmo eu não estando mais lá pra ouvir, que era o muleque de verdade dos dois. Ela pulava só nas pretas na ida e só nas brancas na volta. Quando ia pela pracinha da igreja catedral.

Tinha a história na cidade do velho que nunca teve ninguém depois dele e a herança ficou pra ser guerreada entre a prefeitura e os parentes que ele não conhecia, ou que dizia que não tinha. Meu tio pai da Vanessa falava pra ela que em muro onde a cal não é bem batida, as pelotas explodem por debaixo da casca do reboco depois que chove e seca no tempo. Os tijolinhos laranja foram tirados do lugar. E os bambus cobriam a entrada, colados no muro que dava para o jardim da casa do velho abandonado. A lápide dele dava quase boas vindas pra gente. Vanessa dizia boa tarde e eu me arrepiava e dali a pouco esquecia o morto. Ela levava umas velas e flores no dia de finados. As únicas que vi murchas de serem largadas lá. Os únicos cotocos de vela que queimavam lá eram os que ela trazia. Eu tinha medo. Ela falava que eu era tongo. Aquela chácara murada  toda da gente. Às vezes tinha outras pessoas lá, por isso nunca fomos lá de noite. A prima era mais velha e aprendia bem a ler, eu ficava espantado. Um dia a gente entrou numa sala onde tinha plateleiras e livros. A casca do teto caiu, deixando as ripas cruzando suspensas sem forro. A poltona macia, a cadeira e a mesinha nova que só fui ver igual na capital tempo depois e o chão todo salpicados da sujeira do desabamento. Ela mostrava a dó dos livros, as revistas todas fora das plateleiras já todas sem cor e coladas. A pilha de jornais uma pasta cinza única fundida. Os livros na beira do chão pretejaram e furaram todos de bolor e traça. A gente mexia e as bichas deslizavam com suas caudas parecendo antenas. Antes de passar na Tv, ela contou história do sitio do pica-pau pra gente lá! Era mais legal do que a que passava na tela e nem sempre dava pra assistir.

Na escola nova ninguém percebe quem que está abandonado. Só quem também tá, às vezes. Tem uns muleques e umas meninas lá que não falam com a gente. Tem uns que falam um pouco, mas brigam por qualquer coisa e gostam de fazer a gente passar por burro pra todo mundo rir. Lá na escola tem uns moleques pretinhos que esses meninos e meninas que sempre levam bolacha recheada e compram doce e refri na cantina todo dia não gostam muito. Mas só o Jorge eles falam que é o neguinho piolhento, por que os outros tem pai, mãe e às vezes levam lanche ou dinheiro pra comprar. Ele não.
Uma vez ele foi bem legal dai a gente conversa agora. Por que eu deixei cair o meu estojo na hora da saída e ele pegou pra me dar no outro dia se não os outros que não gostam de quem é novo e do interior, e de garotos com piolho, iam esconder ou jogar fora. Ele falou que fizeram xixi de propósito no dele e a professora ainda falou que foi ele que fez pra avó dele. Um dia ficaram chamando ele de piolho quando a gente passava no corredor pra ir pra sala. Falaram pra mim que eu ia pegar piolho. Ele olhou pra mim esperando eu fazer uma cara de nojo que as meninas que iam conversar com ele sem saber faziam quando acontecia aquilo.

– Você tem piolho? Não tem problema… –

– Eu não tenho! Você que tem! – Ele respondeu bravo de ódio, o olho brilhando molhado. Eu falei que é só passar Escabin, ou lavar com kwel.

– Eu passo o pente fino na camisa branca da escola e não cai mais nada.
É na casa dele que eu ia quando eu mentia que ia jogar bola na escola ou adiantar trabalho na biblioteca. Tinha um campinho de terra onde a gente jogava com os primos e vizinhos dele. Era perto de um laguinho, e tinha uma favela mas ele morava com a vó dele e a irmã mais velha.
Era um terrenão numa parte do bairro onde já tavam construindo prédio, afastando da favela já. Perto da BR e daonde passava o trem mais pra baixo. Contaram pra mim outro dia que era um ferro velho lá. Mas agora era só um lixão onde a assistente social deixava que eles morassem, enquanto não sabiam o que fazer com os papeis. Eu não entendi, mas acho que isso quer dizer que eles não podem morar lá, e vão ter que sair.
A mãe deles dois nasceu com problema e a cada dia ficava mais abandonada na dureza do corpo cheio de ossos. Estava cheia de ferida, largada num estrado com um colchão amassado num canto escondido na onde estavam. Ela não morava lá com eles, ela só estava lá até que acontecesse alguma coisa e o Deus ou a Nossa Senhora Aparecida Padroeira ajudasse ela. Falaram que ela ia ser internada. Mas toda vez que fui ela ainda tava lá, e gemia quando a cortina abria e dava pra ver os buracos fundos revirados dos olhos dela.

A vó dele fazia almoço e eu gostava da abóbora que ela fazia, e ela nem colocava sal gostoso que nem a mãe faz. Mas ela ficava tão feliz quando eu comia a abóbora dela que ela enchia o prato pra mim se matar de comer. Eu comia com a barriga doendo pra agradar.

Uma das coisas legais de lá ser um lixão era que as pessoas jogavam brinquedos e eu construía morros de lego e naves espaciais e tudo que eu conseguia copiar das caixas ou eles me ensinavam. Quando o irmão disse que eu sabia ler bastante mais do que ele, Jussara correu mostrar a caixa de papelão onde guardava os livros e gibis da Mônica, do Mickey e outros. Tudo coisa jogada fora boazinha! Os dois falaram e eu repetia vendo que era verdade. Eu vi, no fundo um livrinho com a metade só da capa, mas que sabia na hora, que era do Moteiro Lobato e da Narizinho! Lembrei da minha prima que era mais velha que eu e lia pra mim os livros, que a gente pegava do velho herdeiro sem nenhum herdeiro… Agora eu que tinha que ler pra Jussara que era mais velha que eu e o irmão dela. Eu já podia por que quase não gaguejava lendo, ao contrário do Jorge. Ela não foi pra escola igual o irmão mais novo, por que a mãe era doente e a vó era velha, ela tinha que ser a dona da casa. Ela estava indo agora em uma escola diferente, mais perto, por que estava muito atrasada. Estava na terceira série do primário repetida com 16 anos. Jorge tinha repetido uma vez também. Eu sabia que ninguém mais repetia de ano agora por causa do governo. Que coisa mais boa nós três pensamos. Por que era ruim repetir e ter que passar vergonha, grande no meio dos menores que nós. Nem dava mais vontade de ir pra escola, e daí repetia tudo de novo por causa disso.
Um dia ela tentou me beijar do nada. Eu fiquei sem saber o que fazer. Eu recuei. Por que na minha família não tinha aparecido ninguém negra pra casar que eu conseguia lembrar. Por que ela morava no lixão e por que meu amigo podia não gostar e achar que eu estava roubando ela dele, e ele já quase não tinha mais mãe. Eu só não tinha pai, mãe eu tinha. Eu não sei se achei essas coisas na hora. Na hora eu só fechei a cara e disse:

– Tá louca garota!? – Ela ficou me olhando com um espanto sem nome. Pensei que ia chorar mas só ficou respirando assustada. Eu saí pra ela não chorar.

Na outra semana eu fui mesmo pra biblioteca. Em casa eu ficava lendo pra achar um jeito de falar as coisas que eram certas pra minha mãe largar do joão Honório e pra ele ir embora e não ficar bebendo e batendo nela.

Eu xingava ele às vezes e mandava ele bater em mim e ele parava. Ele fazia que ficava triste, e falava: – Aí! Ó! O… Teu filho, isso que me deixa… …eu fico…– a boca mole e brilhando de baba encharcada de cachaça, terminava a careta e completava – fica jogando o muleque contra mim você, depois não qué que eu…
Ele saía, falando sozinho que ele não tinha filho mesmo, que Deus não quis que ele tinha filho já e não adiantava…

Eu lia palavras duras nos livros que trazia, e falava na cara dele um alfabeto: Abestado! Aloprado! Analfabeto! Acéfalo mesmo! Acéfalo!…

Eu falava sem descobrir tudo que era cada palavra, e ia pra próxima letra. Ia na Lan House perto da escola pra jogar em lan e pesquisar xingamentos no google. Brutamontes! Beligerante!
Eu fui até a letra J: Jagunço! Jumento!

E ele já ia ficando mais de dia fora de casa, eu sentia a vitória mesmo vendo a mãe chorar.

A gota d’água ela disse que foi aquele dia : uma semana depois de quando ele chegou com um filhote de cãozinho pra tentar me comprar. Eu falei que não queria vila-lata que ele pegou da rua pra poder bater em mulher que nem o covarde que ele era! Ela pegou o cãozinho, e eu fiquei morrendo de dó só dela e do cachorro. Eu queria que ele morresse, o joão Honório. Ele não me batia, ele não me xingava de volta!
Outro dia quando ele bebeu muito mesmo, ele saiu falando que se eu não queria o cachorro não era pra mãe cuidar nem ele ia ficar limpando coco do bicho.  Quatro dias depois tudo tava uma lama de bosta do coitado, e ele ficava chorando de fome e frio e sede, só pra mim ficar com dó e dar o braço a torcer. Uma noite eu gritei três vezes pros vizinhos que um maluco trouxe o cachorro e agora ia matar ele de fome. Depois da terceira vez que o cachorro voltou a ganir, ele levantou e deu com o martelo na cabeça do animal. Eu fui correndo chamar a polícia com medo que ele martelasse a mãe, sem saber o que podia acontecer.
A polícia chegou mas só conversou com ele e ameaçou levar se ele não se controlasse de novo. E que era pra gente ligar de volta caso ele surtasse outra vez. Os vizinhos que acordaram com o escândalo também podiam ligar.
Ele falava que não podia ter filho e o médico dessa firma tinha confirmado aqui também o que disseram pra ele na nossa cidade.
– Eu só quero um pai pra você, só isso… – Dizia, bêbado. Só dizia tudo bêbado. São era só silêncio. Sem tá chapado uma sombra deixava ele encolhido.
Passou uma semana fora e voltou. Tomou um banho, deixou umas roupas e levou outras. Quando cheguei do colégio ele tava indo com a sacola. Pensei que tava buscando as coisas, tinha arranjado lugar fixo.
A mãe disse que ele tava morando num lugar invadido. Numa casa que ia ser demolida ou que tinham demolido só uma parte.
– Não me interessa saber onde ele vai morar…
– Ele tá sem dinheiro. Se a polícia pega ele…
– Tomara que pegue! Quem mandou gastar em cachaça!…
– Fala com ele meu filho, pela sua mãe…
– Por que não deixa ele ir?! Por que você quer apanhar?!  Eu bato ni você se você quiser! Se você gosta…
– Cala boca muleque! Cala essa tua boca! Vai pro quarto agora! – Ela gritou numa altura que nunca tinha gritado.

Arrependi do que falei, mas não fiquei no quarto. Deixei a mochila, coloquei a blusa e saí.

Lembrei da Jussara, por estranho que fosse, antes de lembrar do Jorge. Eu não sabia mais se tava feliz. Eu não sabia mais se tinha mãe ainda…
Já fazia mais de algumas semanas que eu não via o Jorge no colégio. Não tinha feito mais nenhuma amizade e tinha jogado aquela fora, tinha abandonado eles também.

Fui no lixão que era ferro velho, depois de mais de meses sem ir.
O barraco estava abaixo, e as máquinas amarelas estavam laranja com a luz do fim do dia por detrás do portão novo cadeado. Não era um aterro sanitário, apenas haviam esquecido aquele lugar até ali. A notícia sobre as construções diziam. Agora iriam ocupar aquele espaço com prédio ou um condomínio onde pessoas como Jorge e Jussara não podiam morar. Um vento frio varreu a calçada levando areia dos montes na minha direção. Então eu senti.

Tudo estava enfim abandonado. Sempre e desde o começo, isso é o fazemos.

Anúncios

59 comentários em “Herdeiros do Abandono (Cléber Duarte)

  1. André Lima dos Santos
    3 de janeiro de 2016

    Olá autor!

    O conto, que inicialmente achei que seria infanto-juvenil, me surpreendeu quando li as questões que ele aborda. Ficou bem travada a leitura em algumas partes. O texto poderia ser melhor desenvolvido. A linguagem “jovem” me pareceu um pouco exagerada em alguns momentos.
    A trama é bem mediana e recheada de clichês.
    Achei um conto mediano.

    Boa sorte!

  2. Pedro Luna
    2 de janeiro de 2016

    Gostei. Por a responsabilidade no narrador de 14 podia ser a derrocada do conto, mas o autor foi feliz pela sua habilidade. Particularmente, a história não me emocionou como um todo, devido ao meu coração gelado, mas algumas frases separadas como:

    ”Eu faço questão de apanhar junto, quando tou.”

    Foram bem fortes. O drama de família já foi abordado por mim em outro desafio, e gostei da forma como veio nesse conto.

  3. vitormcleite
    2 de janeiro de 2016

    gostei muito de passear no interior daquele miúdo. Parabéns pelo texto, mas pelo que conheço dos comentários vais receber uma série de criticas pelos erros e blablabla. Eu digo-te que gostei muito deste texto e entendo-o como uma procura de identidade que não deves abandonar e todos aqueles “erros” sublinham o nosso dialogo com o rapaz que cresce… Aqui em Portugal cada pessoa que escreve procura sempre fazer qualquer coisa diferente do vizinho, isto não é muito bem aceite aqui no EC, mas tu já estás no patamar da diferença e consegues escrever muito bem, com algumas imagens muito interessantes. Por isso releva alguns comentários que vais receber, apesar de não ter lido os comentários já imagino o que vem. Podes melhorar o texto? claro, mas a vida não acaba amanhã. muitos parabéns e desejo-te as maiores felicidades neste desafio e pela vida fora. parece-me que tens muito potencial, força! e continua a surpreender-nos.
    Frase fantástica:
    “Ela sem ele vai ficar abandonada e seca, até eu vou arranjar uma mulher e deixar ela morrer vazia”

    • Cleber Duarte de Lara
      6 de janeiro de 2016

      Interessante notar que sempre há um preço buscar estabelecer um “estilo” próprio, mas valorizo mais a “boa luta” do que a vantagem do conforto dos modelos mais usuais. Obrigado pela troca interessante Luso-tupiniquim!

  4. Wilson Barros Júnior
    2 de janeiro de 2016

    Um conto sob o ponto de vista de um adolescente, muito imaginativo… Quer dizer, o estilo é jovem, para jovens, usando a linguagem dos adolescentes,ingênua, de quem desconhece o mundo ainda. Uma obra de arte, o autor devia escrever livros paradidáticos, a maioria dos que estão por aí não chega aos pés do seu conto.

    • Cleber Duarte de Lara
      6 de janeiro de 2016

      Valeu, Wilson, tento me desafiar quando escrevo contos. Guardo uma linguagem mais homogenia e formal para quando me arriscar em narrativas mais longas, enquanto isso vou experimentando o que posso nos contos, crônicas e poemas.

      • Wilson Barros Júnior
        8 de janeiro de 2016

        Você já leu o conto “Alguma coisa urgentemente”, de João Gilberto Nol, que virou filme?

  5. Thiago Lee
    2 de janeiro de 2016

    Confesso que a narrativa não me fisgou, por mais que eu me esforçasse para tal. Não curti o estilo de narrativa, apesar de diferente do lugar comum. Com parágrafos imensos, foi bem atravancada.
    Gostaria de ler outras cosias do autor, mas que tivessem um estilo diferente, ou uma revisão melhor, para refinar estes pontos descritos nos comentários (meu e dos outros colegas)
    Boa sorte no desafio!

  6. Lucas Rezende
    2 de janeiro de 2016

    Ficou bem legal essa forma de narrar a história na fala do adolescente (todos já disseram isso, mas tinha que reforçar).
    A história, no entanto, ficou um pouco confusa e poderia ser mais linear ou mais bem marcada. O fim deu uma corrida, mas no final acho que o saldo é positivo.
    Gostei da ambientação e da tristeza do texto.
    Boa sorte!

  7. Bia Machado
    2 de janeiro de 2016

    Gostei do texto, mas tenho que confessar que isso se deu mais pelas personagens do que pelo desenvolvimento, que também gostei, mas não o suficiente para que eu me cativasse por completo. Muito bom ver que colocou todo o jeito verossímil na narrativa de primeira pessoa do menino, foi um grande diferencial, ainda assim é preciso cuidar, algumas coisas ficaram meio que divergentes, o pessoal que comentou antes deve ter feito alusão a isso. Faltou destacar mais o tema do concurso, a meu ver. Enfim, foi uma boa leitura. Obrigada!

  8. G. S. Willy
    1 de janeiro de 2016

    A linguagem do conto é bem diferente do que encontramos por aqui, bem real, com bastante estilo. Por várias vezes tive que reler a frase pra entendê-la melhor, de tão estranho que é ler exatamente da forma que nós falamos.

    Sobre a escrita, a dica que dou é para não usar itálicos em palavras ‘erradas’. Primeiro que tira a beleza do texto, de que tudo que se está falando é de alguma forma errado por princípio. Segundo que algumas palavras estão mesmo erradas sem estar em itálico, como em “ela pediu pra mim levar”, entre outros. Fica parecendo que é erro do(a) autor(a), o que pode ser que seja mesmo.

    Sobre a narrativa, ela é um pouco inconclusiva, sem uma linha para seguir. Não há um arco, apenas acontecimentos passageiros, o que também não é ruim de todo. Porém o ponto principal, que é a biblioteca, quase não apareceu, e não teve um papel importante na trama, o que era o tema do desafio.

  9. Antonio Stegues Batista
    30 de dezembro de 2015

    No princípio, achei legal a linguagem com diferencial, mas depois a narrativa se perdeu em fatos irrelevantes, a trama se tornou insossa e o final ficou sem sabor. Há um grande potencial no texto, só precisa tirar um pouco da gordura e colocar o sal na dose certa.

  10. Davenir Viganon
    30 de dezembro de 2015

    Gostei do vocabulário e da escrita condizente ao personagem. Isso contribuiu para gostar dele que os diálogos. Algumas partes ficaram travadas e confusas, mas imaginei na frente do guri sem pegar tudo que ele fala. O balanço geral é positivo.

  11. Daniel Reis
    29 de dezembro de 2015

    Realmente, o começo com frases curtas e entrecortadas, no ritmo de soluços, não parecia muito promissor. Mas depois, a narrativa Holden Caulfield brasileiro melhorou bastante quanto ao ritmo. A temática é bem nacional, mas se a estética da miséria às vezes se torna usada e abusada, isso não é culpa do autor. Confesso que a história como um todo me cansou, mas fique preso até o final para saber o que acontecia com o menino – e isso é um bom indicador. Mas me decepcionei com o final abrupto e inconclusivo. E a biblioteca aparece só de passagem… Boa sorte!

  12. Leonardo Jardim
    29 de dezembro de 2015

    Caro autor, seguem minhas impressões de cada aspecto do conto antes de ler os demais comentários:

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): a história contada é até interessante, pois é algo real que ocorre com muitas pessoas no Brasil, mas o fluxo de pensamento do menino (nem tão novo assim) é muito confuso. Não tem uma linha de pensamento, são várias histórias paralelas e em tempos distintos. É bem difícil de acompanhar. Acho quer poderia ter sido mais linear, com flashbacks mais bem marcados (algo como “lá na minha cidade… ” pra começar e “lembrei disso enquanto minha mãe apanhava” pra retornar ao presente, por exemplo). O problema é que ele faz isso de novo com os amigos do lixão (que não é lixão, nem ferro velho, sei lá). Enfim, faltou organizar melhor as ideias. O fim também não fechou muito bem a história, ficou muito aberto, pois não sabemos o que aconteceu com o pai, com os amigos nem com a mãe. Mas passou bem a sensação de abandono.

    📝 Técnica (⭐⭐▫▫▫): é vacilante. Ainda não sei se foi intencional, por emular a escrita de um adolescente pobre ou foram erros do autor mesmo. De qualquer forma, mesmo se o objetivo fosse emular, acho que alguns erros poderiam ser evitados.

    🎯 Tema (⭐▫): a biblioteca é apenas parte do texto.

    💡 Criatividade (⭐▫▫): o texto conta uma história infelizmente muito comum.

    🎭 Emoção/Impacto (⭐⭐⭐▫▫): não gostei muito do texto, acho que em função da confusão da narrativa, mas também pelo final aberto. Ainda assim, senti a tristeza do protagonista e aflição por seus problemas. E isso é um ponto bastante positivo.

    💬 Trecho de destaque: “Ele não ficou abandonando a gente eternamente como o joão Honório, ele só foi.”

    🔎 Problemas que encontrei (não sei se foram intencionais ou não, em algum momento parei de anotar):
    ● *joão* (João) Honório  (em vários pontos)
    ● ela pediu pra *mim* (eu) levar a cerveja dele
    ● em que ele *tava*. a Tv grande de Tubo que era do pai dele, e *tava* adaptada (repetição próxima)
    ● Meu tio (vírgula) pai da Vanessa 
    mesinha (mezinha)
    ● enquanto não sabiam o que fazer com os *papeis* (papéis)
    ● prato pra *mim se* (eu me) matar de comer
    ● Jussara correu *para* mostrar a caixa de papelão onde guardava os livros e gibis da Mônica

  13. Fil Felix
    29 de dezembro de 2015

    Peguei a ideia de narrar pelo ponto de vista do garoto, como se ele estivesse conversando com a gente, com direito aos erros e tudo mais. Deu uma identidade ao conto, isso é bom. A história também é boa, gostei do cunho social e as personagens estão muito bem construídas, principalmente o padrasto.

    Em alguns momentos me lembrei do filme Preciosa, desse relacionamento conturbado com a família. A sacada de ir insultando por ordem alfabética também ficou muito legal. Não é o estilo que costumo gostar, mas o resultado final agradou! Um conto bastante diferenciado aqui no desafio.

  14. Rodrigues
    27 de dezembro de 2015

    Achei o texto muito confuso, embora apresente imagens e construções bastante interessantes. Acho que com uma reorganização das ideias, daria um bom conto.

  15. Andre Luiz
    25 de dezembro de 2015

    Gostei da adequação da linguagem de narração em primeira pessoa à característica da fala do garoto, demonstrando que ele é sim uma pessoa maltratada e de vocabulário deficitário, bem como sua aptidão para tratar do drama pessoal narrado em primeira pessoa e utilizando de variações na forma narrativa, em um modo bastante similar à linguagem falada, quase como se ele estivesse falando sobre sua história de vida, frente a frente com o leitor. A única coisa que eu não consegui perceber foi essa ligação com quem “escuta” a fala do garoto, ou seja, quem lê o texto, não conseguindo distinguir um motivo para ele ter contado essa história. Boa sorte!

  16. Catarina Cunha
    24 de dezembro de 2015

    TÍTULO envolve todos os tipos de abandonos encontrados no texto. O FLUXO poderoso é explorado ao extremo dentro de uma TRAMA densa. Retrata a pobreza e frustração profunda de todos os miseráveis PERSONAGENS, incluindo o cachorro. Quase me enganou, mas o texto precisa ser lapidado, como um diamante bruto. FINAL com frase de efeito bacana.

    • Clara Loppez
      24 de dezembro de 2015

      Que bom que “quase” te enganei, então rsrs
      Espero que os ajustes finais deem um tom mais homogêneo à experiência, que eu consiga “enganar” melhor com o texto revisado…
      Abraço, Catarina!

  17. Eduardo Selga
    22 de dezembro de 2015

    Não há muito mais a dizer desse conto bem escrito.

    Muito boa a manipulação da linguagem, de modo a refletir a maneira de se expressar de um menino adolescente ou pré-adolescente. Talvez possa soar exagerado o vasto uso do pronome de terceira pessoa do singular, mas é importante lembrar que o desenvolvimento linguístico do menino não acompanha a mesma velocidade riqueza da menina. Ademais, a linguagem é fortemente influenciada pela classe social a que o sujeito pertence, de modo que quanto mais baixa mais pobre tende a ser o vocabulário, e o protagonista não parece pertencer aos estratos mais elevados. Outro ponto importante que justifica a sintaxe inusual aos padrões normativos é a necessidade muito forte no adolescente de ser tanto mais objetivo quanto possível, eliminando o que se considera “firulas” e fazendo desabusado uso de redundâncias.

    Há muitos pontos relevantes tratados no conto, mas o abandono é particularmente destacável. Não o explícito, e sim o abandono estando o abandonador presente. Refiro-me ao padrasto, que abandona emocionalmente a esposa e o protagonista, por quem ele gostaria de ser chamado de pai. Pretensão descabida não por ser padrasto, e sim por abandonar o menino, dando a ele apenas agressão.

    Os abandonados emocionais costumam ter dificuldades de relacionamento interpessoal, como o caso do colega de escola e do próprio protagonista.

    O afeto é uma espécie de casa subjetiva, da qual todos necessitamos. Pois o protagonista a perde por estar, dentro da casa de alvenaria, abandonado. Nesse sentido, o colega de escola perder a casa adquire caráter simbólico, na medida em que de certa maneira o protagonista se enxergava nele, cúmplices na carência, súplices na ausência. Por isso o último parágrafo não é apenas impactante: é uma tradução desse abandono ( “Tudo estava enfim abandonado. Sempre e desde o começo, isso é o fazemos”).

    Por que ENFIM? Um dos sentidos desse advérbio liga-se à ideia de conclusão de um processo, arremate; também liga-se à ideia de acontecer algo que é há muito esperado. Em ambos os casos, que não são a mesma coisa, ENFIM traduz a atmosfera do conto: é a cereja do bolo do abandono, bolo que era só o que faltava.

    • Clara Loppez
      24 de dezembro de 2015

      Desnudou a alma do conto este teu comentário, agradeço muito a leitura atenta. Espero poder retirar os erros autorais sem alterar a essência dos elementos principais que dão vida aos personagens, a primeira pessoa impõe certos limites ao preciosismo como bem sabes.
      Abraço, e obrigada, novamente!

  18. Gustavo Castro Araujo
    21 de dezembro de 2015

    Vê-se nesta narrativa que o autor procura emular a maneira de um adolescente se expressar. O resultado é muito – não excelente, mas muito bom – eis que permite ao leitor “escutá-lo” como se estivessem conversando. Daí os erros, na minha concepção, propositais, refletindo a desesperança, o tédio e, de certa forma, a aceitação do protagonista.

    Nesse aspecto, creio que o uso de algumas palavras em itálico poderia ser dispensado. Não só elas estão erradas sob o prisma gramatical. Frases inteiras o estão e nem por isso utilizaram esse recurso gráfico. Para melhor imersão do leitor na mente e nos anseios propostos, o melhor seria, na minha opinião, deixar tudo “normal.” O texto é o que é e pronto: o retrato de uma existência diminuída pela ausência de chances.

    Quanto ao enredo, nada há de ineditismo (mas, como alguém disse, o que é inédito hoje em dia?), mas sim o bom aproveitamento de elementos conhecidos: cidade nova, submissão, violência e bebida. Sim, pode-se dizer que há clichês, mas isso está longe de ser um pecado, especialmente como aqui, quando são muito bem trabalhados.

    Gostei das referências aos amigos, especialmente à garota. Impossível não se afeiçoar a ela.

    O contexto foi bem reproduzido, deixando ao leitor um misto de alívio (por apenas testemunhar de longe essa realidade que se sabe existir), de repugnância e, até certo ponto, de indignação pelo fato de que a mãe se mostra covarde demais, resignada demais. Naturalmente desejamos que o narrador saia dessa situação, que vença, que se liberte e, de certa forma sua complacência nos cai como um banho frio.

    São esses sentimentos despertados pela excelente construção dos personagens que tornam o conto acima da média, na medida em que podemos, como leitores, estabelecer vínculos com eles, sejam positivos, sejam negativos.

    Enfim, um conto bem estruturado, melancólico e bem escrito. Ficou só devendo uma melhor alusão à biblioteca.

    Parabéns!

    • Clara Loppez
      21 de dezembro de 2015

      Muito bons os pontos que você abordou, espero aproveitar da maneira mas útil possível estas impressões acerca do texto, acredito que a experiência será menos destoante da proposta do conto. E espero que mais aberto e de leitura mais fácil para os que estiverem dispostos à ouvi-lo como você fez.

  19. Fabio Baptista
    17 de dezembro de 2015

    Bom… notei que praticamente todas as minhas impressões casam com o que já foi falado aqui e ali pelos colegas.

    Desisti logo no começo de anotar questões gramaticais, porque fiquei sem saber o que era proposital e o que era de fato erro.

    A narrativa é bem diferenciada. Quando começou com aquelas frases curtas, confesso que pensei “putz, lá vem bomba…”, mas não demorou muito para essa impressão passar e eu notar que se tratava de algo consciente, proposital, experimental, sei lá… kkkkkk

    Esse jeito de narrar funcionou em algumas partes, trazendo uma carga emocional talvez maior do que traria uma narrativa “normal” – quando descreve os “atos” do joão e quando faz amizade com o menino na escola, por exemplo.

    E só o fato de se arriscar a fazer algo fora do convencional já merece aplausos.

    Abraço!

    • Clara Loppez
      17 de dezembro de 2015

      Demorou mas chegou aqui hein, Fábio!
      Se já deu uma olhada nos comentários, este texto será reescrito (na verdade já foi!) com o auxílio das críticas, espero que o fluxo fique melhor e os leitores saiam beneficiados!

      Obrigada pela leitura atenta e empática!
      Abraços e boa sorte!

      • Fabio Baptista
        17 de dezembro de 2015

        The best for last!

        O Billie Joe sempre fala isso 😀

  20. Simoni Dário
    17 de dezembro de 2015

    Que história triste! Cheguei a sentir o abandono na pele porque você narra muito bem. É horrível ver um jovem impotente diante de uma situação abordada no texto, em plena fase de novas descobertas como a adolescência, deu vontade de entrar no conto e salvar o pobre! Mas ele até que se virou bem, do jeito que pode (gostei dos xingamentos, lavei a alma ali). Adorei a referência ao Sítio do Pica-Pau-Amarelo.
    Bom desafio!

    • Clara Loppez
      17 de dezembro de 2015

      Que bom que a essência do conto resistiu aos erros, espero que a versão final o torne mais convidativo e convincente ainda!
      Boa sorte pra ti, igualmente!
      Obrigada pela leitura aberta e disposta.
      Abraço!

  21. Claudia Roberta Angst
    16 de dezembro de 2015

    A narração na primeira pessoa, tendo um garoto de 14 anos como protagonista, já ganha a empatia do leitor, mesmo com o tom melancólico.
    Não comentarei nada sobre os lapsos de revisão porque não vou saber separar o que foi erro e o que foi proposital para se adequar ao linguajar do menino. Só acho que deveria haver uma coerência – ou ele peca na gramática, troca as letras ou fala como um jovem sábio.
    A biblioteca está presente no conto, até mesmo como um retrato do abandono sofrido pelo menino.
    Boa sorte!

    • Clara Loppez
      16 de dezembro de 2015

      Como deve ter notado, precisarei revisar mesmo. Os comentários aqui deram-me uma visão muito melhor do aspecto final que o texto pode ter.
      Quanto ao discurso vacilante do garoto, a intenção é mostrar os impactos em sua visão de mundo produzindo ecos “sábios” em sua fala mesmo, uma espécie de “envelhecimento” forçado pelas circunstâncias.
      Quanto à gramática, se não houver um trabalho focado neste aspecto, o conteúdo pode dizer coisas profundas sob uma forma errônea pela vida a fora das pessoas mais “humildes”.
      A sabedoria nem sempre é fruto de erudição, e nem sempre se mantém, pode mesmo surgir como uma percepção e desvanecer tal qual veio na vida de uma pessoa.
      Obrigada pela sua leitura, pelo tempo e empatia dispensados ao texto!
      Boa sorte no desafio pra ti, igualmente!
      Abraço, Cláudia!

  22. Rogério Germani
    13 de dezembro de 2015

    Olá, Clara!

    A ideia de entregar a narração do conto para uma criança de 14 anos é um terreno perigoso se não for bem aplicada. É verdade que conseguimos disfarçar diversos erros gramaticais pondo a culpa na autoria da criança…rsrs. Por outro lado, algumas situações e emprego de certas palavras se tornam inverossímeis por conta da pouca idade do narrador.
    Como exemplo:

    “Meu tio pai da Vanessa falava pra ela que em muro onde a cal não é bem batida,…”
    Achei estranho um menino saber que cal é um substantivo feminino, ainda mais que este menino fala “plateleiras”, “poltona”.

    “Ela mostrava a dó dos livros,..”
    Ocorre o contrário, quando a palavra dó erroneamente é escrita como substantivo feminino.

    A historia é interessante sobre o conflito familiar e social na realidade do menino. Pena que- fora as palavras destacadas em itálico que, de imediato revelam o linguajar errôneo, natural de uma criança que cresce cercada de violência- os parágrafos muito longos, as trocas abruptas sobre os tempos passado e presente, dificultaram a leitura em alguns momentos. As outras falhas de conexão, acredito serem de uma revisão apressada. (Comigo acontece sempre…rsrs)
    Quanto à biblioteca… encontrei-a em seu conto como um mero quadro exposto numa mansão repleta de cômodos: há tantos lugares para pousar os olhos que ela fica quase despercebida aos leitores/turistas.

    Boa sorte!

    • Clara Loppez
      13 de dezembro de 2015

      Sim, a revisão foi meu calcanhar de Aquiles nesse desafio.
      Agradeço suas impressões de leitura. Só aproveito pra responder que não há conhecimento gramatical certo ou errado por parte do personagem na construção das frases que você destacou, é simples transferência de discurso: O pai de Vanessa fala “a cal”, assim como ouviu e aprendeu de outros na profissão, repassa pra filha que repassa ao garoto, a concordância de gênero é mera casualidade, como é casualidade ele errar “na dó”. É igualmente improvável tanto falar cem por cento correto quanto o extremo oposto, e figuras de linguagem não são aprendidas por crianças (nem mesmo se seus pais forem lexicógrafos) pelo seu conteúdo semântico lato, e sim pelo contexto e uso particular. Caso contrário, palavrões e expressões chulas jamais seriam empregadas por elas como interjeição, por exemplo. Semiótica pode ser bem interessante.
      Boa sorte pra você também no desafio. E obrigada, mais uma vez, pela participação no aprimoramento do texto!
      Abraços!

  23. Neusa Maria Fontolan
    13 de dezembro de 2015

    Gostei, descreve bem o sofrimento de um menino diante de uma triste vida. O abandono que ele sente é tão grande que o faz acreditar que só existe isso no mundo. Abandono, só abandono.

    • Clara Loppez
      14 de dezembro de 2015

      Seu comentário deixou-me imensamente feliz! É bom saber que a essência da narrativa conseguiu achar o caminho até sua sensibilidade, apesar dos erros. Espero que a versão revisada deixe fluir mais facilmente a alma do personagem, e mais leitores compartilhem desta experiência.
      Boa sorte e um grande abraço, Neusa!

  24. Leandro B.
    12 de dezembro de 2015

    Oi, Clara. Tudo bem?

    Eu não achei o texto ruim, mas também não achei bom. Ele tem potencial, mas tenho a impressão de que não está bem amarrado. Não sei bem como colocar isso, mas o texto está muito grande (e essa história precisa mesmo ser grande), mas a impressão que fiquei é que a narrativa não ficou bem cadenciada. Falando de forma bem geral (beeeeeeem geral), acho que o conto precisa ser ampliado (pois é!) e mais cadenciado. Acho muito difícil essa história funcionar nesses limites de palavras.

    Questões mais específicas:

    Particularmente, acho um pouco “perigoso” fazer uma narrativa em primeira pessoa de uma criança. Perigoso no sentido de que é realmente difícil fazer isso de maneira convincente e interessante.

    Achei algumas atitudes e questionamentos do garoto não condizentes com a idade relatada. Em algum momento do texto havia esquecido sua idade, e imaginei uma criança de 11 ou 12 anos.

    O drama familiar é muito bom. O universo construído ali, o padrasto que abusa da mãe, mas não abusa do enteado, que busca aprovação por não poder ter filho, a angústia do garoto, a posição da mãe… Tudo ficou perfeitamente reconhecível e ao mesmo tempo fugiu completamente do clichê de narrativas que giram em torno de famílias com problemas. Acho que esse núcleo de tensão é o ponto forte do conto.

    O recorte para o passado não ficou legal, na minha opinião. Não me incomoda trocas abruptas de tempo em histórias, mas ali parece que ficou recortado, como se você primeiro tivesse escrito a passagem e, indecisa de onde colocá-la, jogou ali. Além disso, nesse parágrafo, você desenvolve um pouco a prima, conta algumas histórias e faz uma excelente descrição da biblioteca, mas tem tanta coisa no parágrafo que essa descrição se perdeu um pouco.

    Isso é outro ponto: você parece ter um ótimo talento descritivo, que eu nunca consegui desenvolver, e acho que deve ser investido. Me sinto meio bobo falando isso, porque pelo texto tenho a impressão de que você já escreve há um tempo e é possível que eu já tenha pegado muita dica contigo rs

    A interação entre o garoto e Jorge ficou muito boa, mas a dinâmica entre o menino e sua irmã na cena do beijo não me agradou muito. De novo, não me pareceu condizente com a idade.

    Acho que é isso, Clara. É sempre bom lembrar que eu não tenho gabarito nenhum para essas críticas rs. Todas elas são na posição de leitor comum e individual e, o que eu não gostei, outro camarada pode ter achado bom. Cabe a você pesar, ver se algo serve ou não.

    Boa sorte no desafio e parabéns pelo trabalho.

    • Clara Loppez
      12 de dezembro de 2015

      Obrigada pela sua opinião, foi muito útil saber de suas impressões sinceras.
      A questão da idade é um tanto relativa, pois supõe uma igualdade com o conceito de maturidade, capacidades socioafetivas, domínio de linguagem. Um rapaz do interior, com pouca ou nenhuma experiencia com mulheres além das de perfil dominante e da família… Enfim, inexperiência, apesar da idade. Geralmente, isso ocorre com garotos, com meninas, aos doze já são maduras, refletindo suas mudanças hormonais mais abruptas. Isso, claro, na média. Não estou desqualificando suas observações, apenas conversando sobre as possibilidades de perfis dado diferentes condições geográficas, históricos específicos, etc. O aprendizado aqui é mutuo, creio.
      Mesmo porque de nada adianta justificar o texto, se este não consegue falar pelos próprios méritos o que se pretende com ele.
      Novamente agradeço seu feedback, e desejo-lhe sorte no desafio.
      Abraços!

  25. JULIANA CALAFANGE
    10 de dezembro de 2015

    Eu gosto muito desse estilo de escrita, como se fosse a fala ou o pensamento do personagem. Nos coloca dentro da cabeça dele. Eu consegui enxergar uma grande beleza na história. A maneira como o garoto vê e sente o ambiente em que vive. Concordo que uma revisão mais bem feita evitaria alguns erros, como a omissão de palavras. Mas isso não comprometeu meu entendimento do texto. Achei sutil a relação dos livros na história, talvez minha única sugestão fosse nesse sentido, de vc colocar o livro como algo mais especial na vida dele, como algo que realmente pudesse salva-lo, mesmo que por alguns momentos, da miséria e do abandono do seu cotidiano. Trabalhei com meninos e moradores de rua, e também já acompanhei essa tragédia que são as remoções, ultimamente muito frequentes por causa dos eventos esportivos. Por isso mesmo o seu texto me tocou profundamente, vc conseguiu efetivamente chegar bem perto do ponto de vista dessas pessoas e o abandono é uma palavra muito relevante nesse contexto. Parabéns!!!

    • Clara Loppez
      12 de dezembro de 2015

      Agradou-me bastante o seu comentário. Fico feliz que goste deste tipo de narrativa!
      Suas sugestões serão avaliadas com carinho. Esse trecho aqui, aliás – “Achei sutil a relação dos livros na história, talvez minha única sugestão fosse nesse sentido, de vc colocar o livro como algo mais especial na vida dele, como algo que realmente pudesse salva-lo, mesmo que por alguns momentos, da miséria e do abandono do seu cotidiano. ” – foi bastante feliz! Servirá de material para reflexão e lapidação final do texto.
      Boa sorte pra ti também no desafio, abraços!

  26. Piscies
    10 de dezembro de 2015

    (NOTA: Eu comento sem ler os comentários anteriores, então perdoe-me se fui repetitivo).

    Sinto que o texto tem potencial, mas a execução foi bastante fraca. Eu até entendi a intenção da autora: escrever de forma informal, para nos sentirmos mais próximos do personagem principal. O problema é que a informalidade aqui foi exagerada. Senti como se estivesse lendo uma transcrição literal da fala da criança.

    Não sei se era justamente este objetivo mas, falando de forma imparcial, como leitor, a leitura não me agradou justamente por isso. O texto está corrido, com parágrafos muito grandes, palavras faltando, palavras escritas de forma errada e outras coisas mais que acabam travando a leitura.

    A história, por outro lado, é boa. Enxerguei diversas descrições magistrais que poderiam ser melhores com um texto mais formal. A história é intensa e um tanto deprimente, mas que nos faz refletir sobre diversas coisas. Os diálogos e as reações dos personagens são bem realistas, fazendo com que eu me identificasse com muitas delas. Nas poucas palavras do conto, você conseguiu trabalhar bem a maioria dos personagens.

    Boa sorte no desafio!

    • Clara Loppez
      12 de dezembro de 2015

      “Senti como se estivesse lendo uma transcrição literal da fala da criança.”

      Que bom, a intenção é esta. A falta da revisão, filtrar melhor erros de digitação que acabaram por somar-se a deficiência natural dele, isso estragou muito da experiência, realmente.
      Agradeço as análises, mas quis justamente treinar essa “encarnação” do personagem. Em outros textos escrevo com outros objetivos e procuro ser mais ou menos formal, pena que esta maneira de narrar não agrada algumas pessoas (isso não é uma indireta, apenas uma constatação em vista dos comentários).
      Talvez na próxima eu consiga atingir melhor os leitores, e os comentários são de muita valia nesse sentido.
      Igualmente, desejo boa sorte com seu texto (caso esteja participando)!
      Novamente, obrigada, abraços!

      • Piscies
        16 de dezembro de 2015

        Entendi. Foi um bom e válido experimento! Não estou falando que sou contra textos com este ponto de vista. Acho que com uma boa lapidada (como sempre acontece com os nossos textos do EC, rs), ele ficará bem mais fluido =)

  27. Phillip Klem
    10 de dezembro de 2015

    Boa noite.
    Confesso que seu texto me deixou bastante dividido. Gostei e não gostei.
    É uma história simples, despretensiosa. Um dia a dia surrado de uma criança do interior se debatendo entre as relações familiares e sociais.
    Amei esse lado do texto.
    A ideia que você quis passar ficou meio escondida, não muito clara. Quase não deu pra pegar. E acho que o que contribuiu para isso foi a linguagem que você escolheu usar.
    Ela nos distrai constantemente, tirando o foco do texto.
    Está claro que você tem talento e sabe criar a identidade de um personagem. Mas seu talento, se exagerado, pode também ser sua ruína.
    A forma que o menino falava, uma linguagem simples, de interior, salpicada de palavras mal pronunciadas e erros gramaticais é, ao mesmo tempo, o diferencial do texto e o que o deixou lento, confuso e monótono. Uma leitura difícil e pouco prazerosa.
    Foram erros demais, talvez propositais, talvez não. Muitas palavras comidas, frases mal estruturadas e trechos que tive de reler para compreender. Juro que tentei desculpar tudo isso usando como justificativa a maneira de falar do rapaz, até mesmo por que eu gostei e considerei um dos pontos ricos do texto, mas não consegui.
    Desculpa.
    Eu disse que você tinha me deixado dividido.
    Finalizando, você tem um grande talento em mãos e uma capacidade de captar sentimentos simples de uma maneira profunda. Sua escrita é rica e sua construção de personagens fascinante. Talvez, filtrando um pouco, essa linguagem diferenciada que você usou tone-se tão brilhante quanto merece ser.

    • Clara Loppez
      10 de dezembro de 2015

      Essa questão de ler rápido, ler direto, também valorizo. Julgo mais importante em alguns textos que em outros. Quando quero ler um conto policial rápido, vou ao Rubem Fonseca, ou outro mais direto. O Numero Zero do Eco tem essa pegada mais solta ao ler, estou lendo e amando. Mas se estou mais pra buscar reinos internos, conhecer regionalismos, descobrir linguagens, fico disposta a ler atenta e tranquila, e reler depois de um tempo. Por isso volto à Clarisse, ao Rosa, até ao Dalton vez ou outra. Que fique claro! Não estou comparando grandes autores e textos trabalhados e revisados com esmero e maestria ao meu pobre remedo porcamente revisado. Apenas cito tais diferenças para dizer que faço textos mais enxutos, para correr os olhos, geralmente em terceira.
      Nesse meu maior pecado talvez tenha sido juntar a experimentação com a revisão tão ruim, e não é desculpa o fato de não ter tido outras pessoas que pudessem ler e revisar a tempo, mas reler o próprio texto cega para os detalhes e creio que estes comentários resultarão em uma redação mais agradável (ou, no mínimo, menos desagradável) após reescrever sem os erros de digitação ora visíveis para mim.
      Assim como dividi, divido-me. Fico entre a gratidão pela revisão que me fazem e pela oportunidade de melhorar, e a vergonha de ter cedido ao impulso de enviar antes de mostrar a mais alguém, ou de reler mais atentamente mais vezes em busca de erros de digitação não propositais ou exageros de “maneirismos” e “cacoetes”, como foi dito.
      Enfim, peço desculpas por ter que explicar o texto quando o texto é deveria falar por si mesmo, talvez devidamente revisado atinja esse objetivo.
      Abraços!

  28. Clara Loppez
    10 de dezembro de 2015

    AGRADEÇO TODOS os comentários, e aproveito para esclarecer alguns aspectos.
    De fato, há um ou outro erro de digitação, especialmente por falta de revisar mais vezes, acabei omitindo conexões como no trechinho final que deveria ser “isso é o QUE fazemos” e tal. O resto é pra ser por conta do personagem, mesmo o nome do padrasto deveria estar em itálico mas só após enviado dei-me conta. Honório é desprezado de tal modo pela violência cometida contra Lizandra que o garoto só escreve seu nome com minúscula mesmo, por desprezo.
    Acerca do fato mencionado algumas vezes de que o tema biblioteca não aparecer, preciso discordar. A PRIMEIRA biblioteca na vida do garoto foi frequentada com a prima, Vanessa; a SEGUNDA era pequena coleção no lixão dos amigos, mais uma vez uma que também pode ser vista como vítima, literalmente, de abandono; a TERCEIRA biblioteca que eventualmente frequentou foi a da escola; a QUARTA foi a Lan House ou o Google, onde construiu seu arsenal moral contra o padrasto.
    Quanto a trabalhar mais pensamentos de outros personagens, como foi sugerido fazer com a mãe, tive que optar por não fazê-lo pois o narrador não é do tipo onisciente. A narração corre conforme o fluxo de consciência e as lembranças do personagem como bem foi colocado por alguns que comentaram, e deste modo as descrições (que poderiam ser mais detalhadas em detrimento do desenvolvimento cronológico do enredo, sim) ficaram restritas mais ou menos às percepções mais imediatas e ao nível de discurso do menino.
    Gostaria de agradecer, novamente, às críticas muito bem direcionadas e felizes e, em especial, ao carinho da Anorkinda Neide que notou bem minha procura por sugerir um “amadurecimento”, que vejo quase mais como um “endurecimento” do personagem ao longo das mudanças e abandonos sucessivos.
    Beijos aos de beijos e abraços aos de abraços!

  29. Anorkinda Neide
    10 de dezembro de 2015

    Ahhh, achei meigo, bonitinho! 🙂
    Tem este estilo ‘experimentação’ no texto, que estranho a princípio, mas depois a leitura me ganha e acabo gostando.
    Me pareceu que o protagonista vai crescendo no decorrer do conto, começa bem infantil e vai amadurecendo, virando um homenzinho.. adorei perceber isto enquanto lia teu trabalho, Parabéns!
    O único ponto negativo, pero no mucho, é a citação da biblioteca.. explico, está ótima como a casa abandonada, gostei da narração ali, mas… acho que esta poderia ser outra história, outro conto, sobre a casa abandonada e tal… para esta história, acho que a biblioteca abandonada apenas deu o ar da graça, e não figurou como elemento principal, embora faça-se a comparação com os ‘abandonos’ humanos… mesmo assim…
    vou pensar ainda sobre isso, pq o texto me agradou tanto que vou reler… hehehe
    Abração!

  30. Daniel I. Dutra
    9 de dezembro de 2015

    A história em si é interessante. Porém, creio ser este o tipo de conto onde o exercício de estilo (fluxo de consciência, monólogo interior, etc) é o foco principal.

    Tenho dúvidas do quanto o que poderia ser chamado de erro é realmente erro ou foi proposital para emular o pensamento do personagem (escrever “plateleiras” , etc) Por ex: “Meu tio pai da Vanessa falava pra ela que em muro onde a cal não é bem batida, as pelotas explodem por debaixo da casca do reboco depois que chove e seca no tempo.”

    Gramaticalmente falando, teria que ter uma vírgula antes e depois do “pai de Vanessa”. Porém estou inclinado a crer que os “erros” de gramáticas ao longo do texto foram propositais justamente com o intuito de aproximar o leitor da subjetividade do personagem, da forma rápida e desconexa das diferentes lembranças do narrador.

    • Clara Loppez
      12 de dezembro de 2015

      Você captou as intenções perfeitamente, Daniel! Apesar de haver sim erros de digitação, a maior parte é a simulação da fala e da expressão direta do personagem, ou pretende ser. A versão revisada final terá os conectivos e erros não expressados pelo garoto extirpados. Mas coisas mesmo sutis como a minúscula em joão Honório, é um ato falho que expressa desprezo, por exemplo.
      Mas há coisas que se explicadas demais perdem o seu motivo estético, viram meros caprichos. Deixo o texto falar por si, como deve ser!
      Boa sorte no desafio!
      Abraços!

  31. Evie Dutra
    9 de dezembro de 2015

    Olá, boa noite.
    Achei o tema bem interessante. Na verdade, tudo que é relacionado ao cotidiano e dificuldades das famílias me interessa bastante.
    Gostei do fato de o personagem principal ter 14 anos e, embora tenha captado que foi intencional o tipo de escrita que você utilizou, não me cativou muito.
    Percebi alguns errinhos de gramática e algumas palavras faltando.. compreendo que o tempo de elaboração do conto foi curto e, nessa época de fim de ano, a vida se torna um pouco mais corrida que o costume… mas deixo o meu alerta para que tenha mais atenção nas próximas vezes.
    Acho que você poderia ter explorado um pouco mais a violência no seu conto. Ter descrito mais os pensamentos e sentimentos da mãe e também do filho teriam ajudado bastante. Te aconselho também a ser um pouco mais específico na descrição dos personagens, para que, durante a leitura, possamos nos sentir mais apegados a eles.
    Enfim… parabéns pela criatividade e pela escolha do tema :).

    • Clara Loppez
      12 de dezembro de 2015

      Agradeço sua colaboração, Eve. Faltou revisar melhor e agora vejo melhorias que podem tomar forma na versão final do texto. Só adianto que descrever os pensamentos da mãe dele soaria artificial visto que o narrador não é do tipo narrativo, só é possível narrar o que ele percebe e pensa, no máximo posso expressar um diálogo mais revelador do caráter dela, mas isso tomaria o espaço de outras coisas no enredo e o limite de palavras dificulta isso aqui. Mas foi um ponto bem posto da sua parte, demonstra que houve empatia e curiosidade pela personagem, apesar de seu relativo “silêncio”.
      Boa sorte pra ti também, e obrigada, novamente.
      Abraços!

      • Clara Loppez
        16 de dezembro de 2015

        Corrigindo a gafe: O narrador não é do tipo ONISCIENTE…(Não sei de onde saiu esse narrativo!)

      • Clara Loppez
        16 de dezembro de 2015

        Não é do tipo ONISCIENTE ( Não sei de onde veio este narrativo!)

  32. Cleber Duarte de Lara
    9 de dezembro de 2015

    Prefiro começar pelo mais difícil e depois fazer o social, rsrs.

    CRÍTICAS:
    1) Em alguns trechos, você poderia ter diminuído a incidência dos advérbios repetidos. Como mencionado no primeiro comentário, o “cacoete” do personagem poderia ser minimizado um pouco sem perder o sentido, podendo ser evidenciado mais durante os diálogos, de modo a deixar claro que se trata de um vício de linguajem – dislexia – do personagem, de uma maneira mais agradável pra quem estiver lendo. Isso poderia ser alcançado substituindo a oposição de lugar pela de tempo no trecho:”do mesmo jeito que tava lá.”=> “do mesmo jeito que tava ‘ANTES'”(ou similar).
    2) Outra coisa que poderia ter sido melhor desenvolvida é caracterização geral, tanto das referencias geográficas, através da citação de localidades, arquitetura, etc. como em relação aos personagens que não foram descritos para além da “raça”. Talvez diminuir o tempo cronológico gerasse espaço para mais detalhes mas há o perigo de ficar denso e travado demais, sem nada acontecendo de fato, por isso esse recurso poderia ser melhor trabalhado em textos mais longos.

    PONTOS POSITIVOS:

    Você procurou dar voz ao personagem, e desenvolver seus conflitos internos e os aspectos de personalidade dos personagens de modo geral. Sem uma bagagem linguística e psicológica mínima é arriscado deixar o personagem falar por si, e é preciso ser inventivo (a) para não repetir figuras de linguagem, bordões e manias próprias a um personagem de modo geral ao reproduzir outras falas. Alguns casos é compreensivo que pessoas muito próximas partilhem dos mesmos maneirismo, podendo ser mesmo provável que tenham aprendido um do outro tais vícios. Foi corajoso da sua parte submeter esse estilo. Depois do impacto inicial da necessidade de adotar radicalmente a perspectiva do personagem, a narrativa fica bastante imersiva, e o impacto emocional cresce durante o desenrolar da trama, isso pode ser um ponto que dá vida aos personagens se bem empregado.

    • Clara Loppez
      12 de dezembro de 2015

      Agradeço as sugestões!

    • Clara Loppez
      12 de dezembro de 2015

      Dislexia: Dificuldade com símbolos, interpretação, leitura,etc. Quem poderia ter dislexia nesse contexto seria Jorge e Jussara.

      O problema na fala do personagem seria melhor associado ao termo DISLALIA.

  33. Brian Oliveira Lancaster
    9 de dezembro de 2015

    MULA (Motivação, Unidade, Leitura, Adequação)

    M: A tentativa de emular uma escrita infantil foi bem sucedida. A história, pendendo para o tom mais realista, comove. O final, vazio e triste, foi condizente com a proposta, apesar de deixar um amargo no canto da boca.
    U: Há pequenos deslizes em certas frases, como falta de pontuação e alguns nomes em minúsculo, mas nada que atrapalhe a essência do texto. Os erros propositais em itálico tem seu charme e avisam o leitor que aquelas são palavras do garoto.
    L: Textos melancólicos me atraem e, apesar de correr um pouquinho do meio para o final, conseguiu atingir o objetivo. Interessante que esse texto se encaixaria perfeitamente no desafio passado.
    A: Neste caso, a imagem serviu mais como inspiração para a desolação do que o uso do local em si. Está dentro do enredo como uma alegoria, passageira, mas ao mesmo tempo, transmite bem as nuances da imagem. Neste desafio a essência vai pesar mais.

  34. Jowilton Amaral da Costa
    9 de dezembro de 2015

    Um bom conto. A narrativa em fluxo de consciência do garoto deu uma atravancada na leitura algumas vezes. A história é boa e cativa, a relação das pessoas abandonadas com a biblioteca abandonada ficou interessante. Penso que a adequação foi boa, além de acontecer uma descrição quase literal da imagem. A infinidade de “lá” durante o texto me incomodou um pouco, apesar de saber que foi proposital, como se fosse um cacoete do garoto. Bem, é isso. Parabéns.

    • Clara Loppez
      12 de dezembro de 2015

      Sinto pela falta de fluidez de alguns trechos, os comentários ajudaram a visualizar pontos que podem melhorar. Agradeço a colaboração!

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 9 de dezembro de 2015 por em Imagem e marcado .