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Detox Literário.

Ainda sobre o racismo – Artigo (Gustavo Araujo)

Como tantas famílias com filhos pequenos nós também temos o hábito de ler para as meninas ao colocá-las para dormir. Normalmente são histórias curtas, bem ilustradas, o que basta para prender-lhes a atenção até os olhinhos começarem a pesar.

Dia desses resolvi dar um passo adiante com a Sofia. Aos seis anos ela já ensaia os primeiros questionamentos sobre o enredo, sobre a trama e sobre os personagens. Talvez pudesse encarar um livrinho maior, pensei, cuja história se alongasse mais do que os quinze minutos usuais. Ou talvez não.

De todo modo, usei esse argumento como desculpa para apresentar a ela um dos meus livros favoritos quando garoto. O clássico “As Aventuras do Avião Vermelho”, escrito por Érico Veríssimo em 1935.

Em minha memória, a viagem de Fernandinho, de Chocolate e do Ursinho Ruivo a vários continentes, tripulando um aviãozinho de brinquedo, havia sido a mais incrível que eu já experimentara. Natural, então, que eu quisesse que minha filha passasse pelas mesmas emoções, que explorasse a África, os céus e o fundo do mar. Que se encantasse com o idioma falado na lua, onde tudo é dito de trás para frente. Que um dia, quando fôssemos à sorveteria, pedisse “etevros”.

Ela se comportou bem já nas primeiras páginas, acompanhando atentamente a história do Capitão Tormenta, o livro que Fernandinho ganhara do pai, e aprendendo como uma lupa pode aumentar ou diminuir as coisas a olhos vistos.

Então veio o trecho do livro – que eu não me lembrava – em que o menino, inspirado pelo herói, escolhe os companheiros de sua própria viagem.

Fernandinho olhou para os lados e viu em cima duma cadeira o seu Ursinho Ruivo. Era um bicho muito engraçado, feito de pano. Perto dele estava um boneco preto de louça. Era um negro de beiçola caída e dente arreganhado, parecido com um teclado de piano.

Não consegui ler essa parte. Travei. Enrolei e passei por cima da frase, continuando a leitura no parágrafo seguinte. O que se seguia, contudo, eram várias alusões ao “negro Chocolate” que eu simplesmente optei por editar à medida que apareciam.

“O que é beiçola?”, interrompeu a Sofia, um tanto intrigada. Como eu disse antes, havia pulado essa parte, mas ela, danada, já sabe ler há algum tempo e viu que minha leitura não seguira exatamente o que estava impresso no papel velho.

“O que é beiçola, papai?” insistiu. Um milhão de justificativas passaram na minha cabeça, mas eu não soube o que responder na hora. Ou como responder. Disse, enfim, que era um tipo de boca grande. E só. Para meu alívio, ela aceitou a explicação sem outras perguntas.

Logo, estávamos no trecho do livro em que Fernandinho e seus amigos chegam à África. O que se vê é uma sucessão de clichês que só fazem estereotipar a imagem dos africanos como negros atrasados, de má índole, enfim, selvagens na interpretação mais degradante do termo. A palavra “negro”, aliás, é usada sempre em acepções negativas, repetidas vezes.

Nesse ponto fechei o livro e desconversei. “Vamos dormir”, eu disse. “Amanhã a gente continua, tá bem?”. Sofia fez que sim, já bocejando. Deu-me um beijo e eu apaguei a luz. Guardei “As Aventuras do Avião Vermelho” de volta na estante, com certa indignação.

Sim, eu mesmo já disse que os clássicos devem ser absorvidos conforme o contexto em que foram escritos, considerando-se especialmente o momento histórico e cultural que o autor – e às vezes o país – atravessava.

Muito já se falou, nesse sentido, sobre o conteúdo racista que permeia grande parte da obra de Monteiro Lobato e como algumas propostas recentes tendiam a reescrever os trechos mais pesados. Confesso que acompanhei de longe esse embate, filiando-me, discretamente, junto àqueles contrários à mudança, sob a velha escusa de prevalência do contexto.

Porém, ao ler “As Aventuras…” para minha filha pude experimentar um constrangimento tão inesperado como amargo. Tive vergonha dela, de ter lido para uma criança algo que – nossa geração aprendeu há tempos (ou pelo menos deveria ter aprendido) – é obrigação rechaçar com toda a veemência possível.

Não, não sou um santo, um partidário do “politicamente correto”. Guardo comigo algumas posições que fariam corar grande parte de meus amigos. Mas nessa questão racial alinho-me com aqueles que consideram a obra infanto-juvenil de Monteiro Lobato – e por conseguinte de Érico Veríssimo –  datada e divorciada de qualquer noção de civilidade. Obras que envelheceram mal, para usar uma expressão que Luís Henrique Pellanda cunhou ao analisar o assunto.

“Ah, mas nem é tanto assim…” Há quem pense dessa forma. Mesmo que fosse. Não deixa de ser uma semente, um germe de preconceito plantado na cabecinha de alguém que está aprendendo a conhecer o mundo e que deve entender que as pessoas são iguais — ou melhor que não são tão iguais, mas que devemos sempre fazer o que estiver ao nosso alcance para restabelecer a igualdade. Tratar quem é diferente por meio de estereótipos pouco edificantes – ainda que sob a escusa de se fazer graça — é o primeiro passo numa jornada abjeta, um caminho em que eu jamais gostaria de ver minhas meninas.

Érico Veríssimo continua sendo um de meus autores favoritos. “O Tempo e o Vento” e “Olhai os Lírios do Campo”, só para citar dois exemplos, estão entre as obras que mais admiro. Porém, não tenho a intenção de voltar a ler alguma de suas histórias infantis para minhas filhas. Temos aqui – relíquias de minha infância – “Os Três Porquinhos Pobres” e “Outra Vez os Três Porquinhos”, livros que eu adorei quando menino, mas que, hoje tenho certeza, estarão impregnados de alusões pejorativas das quais quero manter minhas meninas distantes.

Deixarei-os guardados em uma seção imaginária de nossa biblioteca, junto com os livros e revistas que herdei de meu avô, escritos nas décadas de 1930 e 1940, que retratavam japoneses como macacos. Alastrar preconceitos sempre foi um pecado de todos nós. Melhor condenar ao ostracismo as obras que os enalteciam e valorizar aquelas que as repudiam.

Invariavelmente falamos do passado com um ar nostálgico, imaginando como a vida era melhor, como os nossos valores eram mais claros. A questão racial mostra a falácia desse argumento. Se algo se mostra mais evoluído nos dias atuais, é justamente essa percepção de que há, ainda muito a ser feito para que “um homem negro” seja descrito como “um homem”.

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9 comentários em “Ainda sobre o racismo – Artigo (Gustavo Araujo)

  1. catarinacunha2015
    1 de dezembro de 2015

    Quando falo “complicado” quero, sem ter o lastro dos estudiosos e sim a história de minha família contada de geração para geração, dizer que, como Gustavo lembrou muito bem, a história pertence ao poder. Eu, como descendente do povo pré colombiano (os Potiguar e os Caetés), dos africanos sequestrados na Guiné, dos invasores europeus holandeses, portugueses e espanhóis (tenho orgulho de todos), penso aqui com meus neurônios mestiços: apoio a história nas escolas contar, de forma neutra e enriquecedora, nossas origens.
    O que não podemos é nos fingir de mortos diante das aberrações disfarçadas de dialética. Grata Eduardo, Gustavo, Fabio e Davenir pela oportunidade de mexer no lodo.
    No fundilho mesmo estamos todos defendendo o mesmo rumo.

  2. Eduardo Selga
    1 de dezembro de 2015

    Não me parece razoável a noção de que depõe a favor de livro com mensagem racista o fato de que ao lê-lo a pessoa não se torna automaticamente racista, ou que ler algo sexista não faz o sujeito ser de imediato machista etc.

    A questão é que a sociedade brasileira e ocidental é formada pela ideia de que é legítimo haver grupos sociais postos à margem e grupos que têm à sua disposição as benesses dessa sociedade. Um dos mecanismo que faz essa separação chama-se preconceito. Existe no Brasil um “circulo higienizado”, lugar de toda a pureza, formado pela seguinte combinação: branco, rico, hétero, homem, adulto, habitante do Sudeste/Sul; na outra ponta, negro, pobre, homo, mulher, criança ou idoso, habitante do Norte/Nordeste/Centro-Oeste.

    Para legitimar o indefensável, apela-se para um processo de naturalização do preconceito, por meio de vários instrumentos que calam fundo no imaginário, como religião, ciência e mitos de origem.

    Para manter o indefensável usa-se a educação. Muito mais do que a instrução escolar, refiro-me ao termo em num sentido amplo, que engloba todas as atitudes que pretendem traçar um norte e dizer ao sujeito: “o caminho para a vida em sociedade é este”.

    Nesse contexto, a criança é uma presa fácil, dado que está em formação e os parâmetros comportamentais que lhe são apresentados não o são por obra do acaso: há uma orientação ideológica, cujo intento é manter a estrutura social vigente, essencialmente a mesma desde os primórdios do Estado brasileiro.

    Assim sendo, a questão não é o fato de a criança não se tornar um adulto racista em função imediata deste ou daquele texto. O racismo é inoculado aos poucos, homeopaticamente, da família ao trabalho, passando pela escola, entretenimento, literatura etc. É o processo de naturalizar do preconceito, que pretende criar a ilusão de que existe uma “ordem natural das coisas” e que está é excludente, que sustenta a existência de seres mais humanos do que outros. Logo, a miséria, a falta de escola, de acesso à saúde a que as populações negras e pobres são submetidas são entendidas no imaginário popular como naturais, uma vez que “naturalmente” falta a esse grupo a necessária capacidade e inteligência. Ao fim das contas, racismo não existe no imaginário. Assim sendo, uma piadinha aqui, outra ali é apenas retrato da verdade, não faz mal. Pelo contrário: tudo é divertido, tudo é engraçado porque, afinal, somos um povo unido e feliz.

    Está certo isso, Arnaldo? – nem perguntaria isso Galvão Bueno.

    A falaciosa “democracia racial” funcionou por longo tempo e ainda funciona em boa medida por causa da naturalização do racismo. O sujeito negro e pobre é convencido desde a infância de sua suposta inferioridade, mas não de modo apenas explícito, e sim didático e implícito (e os livros são ferramentas desse processo). Assim, quando alguém faz uma “piada” ela não é entendida como algo racista simplesmente porque “racismo não existe” no Brasil. e que sustentar o contrário terá decerto motivos escusos e antipatrióticos, ou qualquer bobagem nesse sentido. Não é inteligente a manobra? Bastante, e principalmente pelo seguinte: nosso sistema educacional não ensina adequadamente interpretação de texto.

    E daí?

    Daí que uma piada é um texto, ainda que falado, e como tal nele existe uma intencionalidade. Quem está costumado a ler sabe da existência de camadas textuais, e qualquer piada, racista ou não, machista ou não, sexista ou não, qualquer piada possui texto e subtexto. Veríssimo também. qualquer conto aqui publicado também. Todos os comentários referentes a esse artigo do Gustavo também.

    Ora, se interpretação de texto (e fundamentos da análise do discurso) não são devidamente ensinados nas escolas, todos os preconceitos são facilmente naturalizados, pois eles têm terreno fértil para acontecer na exata medida em que não encontram leitura (interpretação) que se lhe oponha.

  3. Fabio Baptista
    30 de novembro de 2015

    Acebei de ler essa “pérola” no Facebook, atribuída a Fernando Pessoa:

    “O caso do Brasil é típico. Confirma (…) que os territórios sujeitos a excessos climáticos, como o calor intenso e a humidade excessiva, não são aptos a criar raças autóctones susceptíveis de civilização. São estes os territórios que um imperialismo expansivo tem, absolutamente, direito de ocupar. (…) Por isso, nesses territórios por si incapazes de gerar uma raça civilizável tem, para que neles haja civilização, que aparecer um povo já civilizado (…). A escravatura é lógica e legítima; um zulu ou um landim não representa coisa alguma de útil neste mundo. Civilizá-lo, quer religiosamente, quer de outra forma qualquer, é querer-lhe dar aquilo que ele não pode ter. O legítimo é obrigá-lo, visto que não é gente, a servir os fins da civilização. Escravizá-lo é que é lógico.”

  4. catarinacunha2015
    30 de novembro de 2015

    Complicado.

  5. Gustavo Castro Araujo
    30 de novembro de 2015

    Esse é exatamente o cerne do problema. Onde fica exatamente a linha que separa a brincadeira da ofensa? Na minha época de garoto, era “normal” chamar os outros como “neguinho”, “negão”, fazer piada racista, rir, fazer troça. E sim, com o intuito de menosprezar, de ofender – crianças e mesmo adolescentes não têm medo de magoar. Eu mesmo fiz e me achava o máximo porque os outros, idiotas como eu, riam também. Na minha cabeça de meia tigela, achava que eles – os “neguinhos” – não se importavam, não se ofendiam, que era desse jeito que as coisas funcionavam. Hoje eu vejo, não sem um tanto de vergonha, o quanto eu estava errado e como me faltou orientação.

    Minha amiga Janaína Ricci falou no facebook algo muito importante: qual o impacto de uma leitura dessas por uma criança negra? Será que ela vai achar “normal”?

    Todo mundo sabe que o ser humano, as crianças principalmente, são moldadas pelo ambiente, o que inclui, pais, parentes, amigos, colegas de escola, livros, revistas, programas de TV e, hoje, internet. Na minha época de piá, pelo menos no Sul, onde cresci, o menosprezo por negros, nordestinos e até japoneses era encarado como algo normal e a própria cultura da época cuidava para que isso se mantivesse assim. Hoje, percebendo como há necessidade de se aparar arestas, exerço, sim, uma espécie de censura sobre o que minhas filhas leem e assistem. Sim, amei o livro do Veríssimo por conta dos lugares a que a história me levou, mas não posso fechar os olhos para o fato de que há, sim, algo abjeto nele. Minhas meninas já terão que elaborar seus próprios preconceitos quando a idade vier. Não quero reforçá-los por meio de uma leitura aparentemente inocente.

    Educação – essa dada nas escolas – sempre reflete o ideário do grupo no poder. Não por outro motivo, o MEC acredita, hoje, que é melhor as crianças aprenderem sobre povos pré-colombianos do que sobre Renascimento, ainda que toda nossa bagagem cultural e filosófica provenha da Europa.

    O que não se pode aceitar, sob qualquer escusa de cunho político ou ideológico, é que pseudo-explicações fundamentem ideias aparteístas. Ainda mais quando dirigidas a crianças.

    • Davenir Viganon
      30 de novembro de 2015

      Muita de nossa bagagem cultural veio da África também. De lá não vieram apenas a mão-de-obra. Por exemplo, durante o ciclo do ouro, no período colonial, pouco é falado que os portugueses não sabiam técnicas de mineração, mas sim estas foram trazidas da África pelos escravizados, onde no reino de Ghana extraía-se ouro.

      Trago esta informação, porque gostei muito de uma parte do teu comentário: “qual o impacto de uma leitura dessas por uma criança negra?”

      Qual o impacto de uma criança negra em descobrir que os escravizados não eram apenas a mão que extraiam o ouro, que não apenas, nos ensinaram a sambar e batucar, mas que trouxeram desenvolvimento tecnológico para o Brasil, naquele contexto. Essa dimensão é diminuída, sabe… Muitas vezes sem percebermos e por isso eu acho que fazer essa “edição em tempo real” foi um passo importante. O reconhecimento do problema. O que fazer, diante disso então é outro assunto,mas não reproduzir esse pensamento já é um bom começo.

      Se o Brasil foi formado por índios, africanos e portugueses é importante trazer a tona essas duas partes formadoras consideradas menos importantes, obviamente sem esquecer da que já se ensina nas escolas.

      Um abraço.

  6. Catarina Cunha
    30 de novembro de 2015

    Se você adorava esse livro e nunca teve atitude racista por que motivo sua filha teria? Acho que o segredo está na educação dentro de casa. Passei a infância recebendo lavagem cerebral nas escolas públicas em pleno regime militar através da ditadura que deturpou a história com a matéria “Educação Moral e Cívica” e distribuía cartilhas de como ser um “patriota”, nem por isso me tornei militarista ou fascista. Muito pelo contrário.
    Não se preocupe, sua filha está em boas mãos: as suas.
    Parabéns pelo artigo tão contundente nestes tempos bicudos.

  7. Fabio Baptista
    30 de novembro de 2015

    Cara, rachei o bico com a parte da edição em tempo real. Já passei por situação parecida kkkkkkkk.

    Coincidentemente, estava pensando em questões similares ainda ontem. Em outro contexto: o futebol.

    Costumo levar o Miguel aos jogos e estava pensando nas coisas que são gritadas (muitas vezes com minha própria voz fazendo coro) nas arquibancadas. Em 30 anos que frequento estádio, posso garantir que nunca presenciei nada relacionado a racismo.

    Bom, na verdade o pensamento era sobre expressões que podem ser consideradas racistas. É comum referir-se aos jogadores pela característica física mais marcante, tipo: “negão”, “neguinho”, “branquelo”, “baixinho”, “barbudo”, etc. Fiquei pensando até que ponto isso, a longo prazo, pode desenvolver algum tipo de segregação ou preconceito. Nunca vi nenhum “negão” ficar ofendido por ser chamado dessa forma e, por ora, mantenho a opinião de que implicar com isso (sim, já vi gente implicando no Facebook) é só exagero do politicamente correto.

    Porém, estendendo um pouco o assunto, o mesmo ambiente é incontestavelmente homofóbico. Expressões do tipo “viado” e “bixa” são usadas a granel, a todo instante, com intenções totalmente pejorativas. Também não sei até que ponto isso influencia… afinal, cresci nesse meio, cresci xingando e sendo xingado pelos adversários e não me tornei homofóbico (nem gay! kkkkkk) por causa disso.

    Da mesma forma que você leu o livro e não se tornou racista.

    Daí vem a questão que me pego refletindo com certa frequência: será que não superprotegemos nossos filhos?

    Na falta de resposta mais conclusiva, confesso que também optaria pela edição em tempo real e posterior abandono da leitura.

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Publicado às 30 de novembro de 2015 por em Artigos e marcado , , .