EntreContos

Detox Literário.

Zona Sul (Gustavo Aquino)

Peruíbe

 

Debaixo do chuveiro escangalhado, Peruíbe cantou funks, teceu rimas, deu vazão a sua verve poética-mobral sob o correr da água fria.

Depois, de banho tomado e devidamente enxugado, dirigiu-se ao quarto atravessando todos os cômodos da casa numa única passada de perna. Fechou-se ali, sintonizou o som na faixa que mais gostava e, apontando os indicadores na direção de algum alvo invisível, ensaiou passinhos enquanto a melodia estrambótica fazia tremer os madeirites e os telhados de zinco dos barracos vizinhos.

 

 Deixa elas passar,

deixa elas passar,

essa é as minas zicas da balada.

 

Aliando a ação ao refrão, Peruíbe girou nos calcanhares e parou diante do espelho. Quedou-se ali em silêncio; observou o seu reflexo, deslizando o olhar por toda a extensão de sua miscigenada cútis, até que finalmente foi tomado por uma alegria juvenil com o que não viu. Nenhuma espinha maculara seu rosto de ontem para hoje: tudo concorria a seu favor naquela noite de sexta-feira.

Satisfeito com o resultado da inspeção facial, vestiu-se com as melhores roupas que a sua imensa vaidade poderia adquirir: uma camisa da Hollister, uma bermuda estampada com um “Oakley” em letras garrafais, uma bombeta snapback azul bebê da New York e um crucifixo de prata. Calçou o escalafobético Puma Disc Ferrari, perfumou-se exageradamente com uma versão genérica de 212, pegou as chaves de casa que estavam aos pés de um Menino Jesus e se preparou para estourar a boa.

Desceu as escadas de madeira podre com eufórica rapidez e ali, rente ao portão que fazia a fronteira entre o quintal de sua casa e as vielas enlameadas da Favela da Olaria, viu o próprio pai espojado no chão de terra. Rodeado por algumas garrafas vazias espalhadas em profusão, com as mãos insensíveis segurando uma fotografia contra o peito, o homem roncava devido à pesada bebedeira.

Peruíbe praguejou alto. Aproximou-se lentamente e, num ímpeto de desmesurada violência, retirou a fotografia das mãos do ébrio adormecido. Erguendo-a contra a réstia de luz que dardejava dos barracos à sua volta, mirou aquela imagem que já conhecia tão bem: no centro do papel fotográfico, posicionados em um cenário monocromático constituído por barracas, carrosséis e roda gigante, via-se um casal em destaque.

Num átimo, ao reter-se sobre a figura dos amantes que se abraçavam, olhos prometeram lágrimas. Porém, Peruíbe resistiu firme. E, preso ao próprio paradigma cavernoso de que homem que é homem não chora – nem mesmo quando a saudade da falecida mãe vem à tona e atesta que o alcoolismo descontrolado do pai derivava de uma amarga lacuna deixada por aquela que fora a sua única companheira na miséria – ele meteu a fotografia no bolso da bermuda, ignorou o bêbado aos seus pés e ganhou as ruas na direção do baile funk.

 

Poeta

 

Poeta apoiou o plexo contra o muro e, após certificar-se de que não iria sujar a camisa branca, fez a alavanca. Suspirando, limpando superficialmente a palma das mãos, sentou-se confortavelmente.

Numa morosidade maciça, afastando o caderno para o lado, acochou o beck nos lábios grossos enquanto murmurava um daqueles sambas antigos:

 

Morro és o encanto da paisagem,

suntuoso personagem

de rudimentar beleza.

 

Deu um trago demorado, conservando a marofa na boca antes de expeli-la pelas narinas dilatadas. Suspirou novamente, os olhos retidos na paisagem que se abria em milhares de circunferências à sua frente. Daquela distância, podia ver claramente os barracos que serpenteavam morro abaixo e, à esquerda, além dos córregos e dos terrenos baldios, o campo de terra do Águia onde seu pai costumava levá-lo aos domingos.

Despertou o olhar do cenário ao evocar a lembrança do pai. Coçou o nariz, prendeu o choro e deu mais um catranco.

─ Tá pensando em quê, viado? ─ soou a voz inconfundível às suas costas.

Poeta manteve-se na mesma posição, toda a sua atenção voltada apenas para a fumaça do baseado. Finalmente, permitiu-se olhar de soslaio, por cima do ombro direito, na direção da figura volumosa que agora encostava a moto no muro.

─ Nada, Janjão! ─ respondeu, afinal, voltando-se para o seu interlocutor.

Os dois se olharam em silêncio por alguns instantes, um silêncio significador de abraço, aperto de mão e disposição para matar ou morrer um pelo outro. Depois, sem nenhuma razão aparente, gargalharam; o som de suas risadas agitando a favela inteira.

─ Passa bola vai, Romário… ─ disse o recém-chegado, desligando a moto.

Poeta sorriu e passou o beck

─ Porra! De onde é essa, tio?

─ Gostou?

─ Hã-ram! ─ atestou Janjão enquanto devolvia a bagana. ─ Vamos cair para onde?

─ Eu até quero fazer um rolê, tio  ─ desabafou Poeta, finalizando o baseado. ─ Mas tenho aula.

─ Falta! Vamos chegar naquela festa que vai ter na 13, na casa do Fuvinho. Geral vai dar uma raspada lá!

Poeta digeriu as informações e, mecanicamente, verificou a hora no relógio digital. Jogou o olhar na rua, agora já movimentada com o fluxo dos estudantes que cursavam o período noturno, e pensou: “Que se foda, tio, já perdi uma porrada de aula mesmo!”.

─ Bora! ─ anunciou, saltando do muro e derrubando o caderno até então esquecido ao seu lado.

─ Bagulho caiu, moscão! ─ apontou Janjão, inclinando-se para apanhar o caderno do chão. Puxou-o pela capa surrada e, atendendo a um pedido de sua curiosidade, folheou as páginas atulhadas de frases. ─ Que porra é essa que você fica escrevendo aqui?

Poeta arregalou os olhos, atônito.

─ “É que arrisco a prosa mesmo com balas atravessando os fonemas” ─ declamou Janjão, simulando a voz do amigo e macaqueando os seus trejeitos. ─ “É o verbo, aquele que é maior que o seu tamanho. Aqui ele cambaleia, baleado! Palavra massacrada ensanguentando o destino suburbano: cante-me agora, irmão, do seu cotidiano!

Janjão, ao ler aquilo, quedou-se calado. Alternou o olhar do papel para o Poeta, de Poeta para o papel.

─ Mano… Você precisa comer alguém.

─ Cala boca! ─ respondeu Poeta apanhando o caderno e aprumando-se na garupa.

A moto roncou e eles saíram cantando pneu. Janjão, num impulso de exibicionismo, gargalhando, empinou a roda dianteira na intenção de se mostrar para a rapaziada que tomava uma cerveja na birosca do Ceará. Poeta riu e, ao cruzar com um grupo de colegas que eram da mesma classe que ele, gritou:

─ Molecadinha, fala lá para a professora que a soma do quadrado dos catetos é igual ao caralho da hipotenusa o meu pau! ─ o som da penúltima sílaba do predicativo se perdendo na salva de tiros que saiu do escapamento enferrujado.

 

Fumaça

 

Fumaça bocejou e esfregou o rosto. Olhou novamente o vermelho-sangue do farol, já muito puto da vida com aquela demora. Apoiou o queixo prognata no punho, entediado. De súbito, escutou algo vibrar. Rápido, apanhou o celular e, ao deslizar o dedo na extensão da tela, viu a mensagem da Neném ─ aquela preta gostosa com a qual tinha passado metade da noite num motel da Raposo ─ anunciando que queria mais.

O vermelho-sangue do semáforo desmanchou-se num verde-escuro e Fumaça, gargalhando consigo mesmo como se o mundo fosse uma cômica anedota, acelerou. Fez uma curva ousada, a destra firme no volante e a direita aumentando ainda mais o volume daquele rap que troava dos alto-falantes:

 

Eu vim devolver o seu sorriso favela,

leve e solta para cantar.

Nunca esquecer como sua paz é bela,

dá força para continuar.

 

Quebrou à direita, rasgou no descidão das Palmas num embalo espaçado e estacionou habilmente numa vaga que improvisara em cima da calçada, bem no começo da 13. Desligou a chave da ignição, os olhos inspecionando a escuridão que se alastrava pelos automóveis acotovelados ao longo da rua estreita. Pegou o maço de cigarros, o três oitão escondido no porta-luvas e, ao sair do carro, subindo a gola da camisa, ajeitando a guia de Ogum trançada no pescoço, seguiu na direção do fluxo.

─ Achei que ia ramelar no bang, tio? ─ disse Fuvinho, muito louco de lança-perfume, cambaleando pela rua na sua direção.

─ É nóis, cachorro! ─ respondeu Fumaça, abraçando-o carinhosamente.

─ Os moleques tão lá, tio. Janjão e o Poeta tão no fervo. O Peruíbe sumiu faz um tempo. Cola lá! ─ enfatizou o anfitrião, conduzindo-o até a entrada da casa.

Lá dentro, tudo era festa. Uma balbúrdia de cores, cheiros, música alta, drogas e bebida. Fumaça, gingando os quadris com aquele andar malemolente tão característico dos malandros, cumprimentou a rapaziada enquanto ia olhando as mulheres que passavam. No meio da improvisada pista de dança, trombou com o Poeta e o Janjão observando, boquiabertos, a competência das novinhas rebolando a sensualidade de seus quinze anos.

─ Mano! ─ exclamou Janjão no instante em que bateu o olho em Fumaça. ─ Quanto tempo, viado! Se liga, Poeta!

Abraçaram-se efusivamente. Abraçaram-se como se fosse uma última vez. Poeta apanhou três copos com uísque e energético de uma das bandejas e serviu os amigos. Fumaça virou metade da bebida numa golada só, estalou a língua, afastou momentaneamente aquela sensação funesta que teimava em azucrinar o seu íntimo desde que havia chegado e tentou em vão olhar o baile com renovado interesse.

─ Eai, Poetinha? Suave? ─ indagou Fumaça olhando para o amigo, o copo à meia altura dos lábios.

─ Suave, negro! ─ afirmou Poeta, tomando um gole e jogando o corpo levemente para a esquerda.

Fumaça sorriu. Inclinou-se para o lado e viu o caderno de Poeta encostado no sofá.

─ Ainda tá escrevendo umas merdas?

Riram. A gargalhada dos três amigos mesclando-se com o refrão daquela música que prometia dinheiro, carro e a ostentação brilhando nos olhos de todas as gostosas desse mundo.

─ Vou vazar… ─ falou Fumaça estranhamente inquieto, sem mais nem menos, olhando o fundo do copo de plástico.

─ Qual foi, tio? Acabou de chegar? ─ questionou Janjão

─ É aquela fita na Grota, né? Falaram que o Juruna te jurou e que os caras…!

─ Esquece isso, Poeta. Vamos falar nessa parada, não. Vou vazar. ─ disse Fumaça, silenciando o amigo no meio da frase e entregando-lhe o copo vazio. Olhou para os lados, aquela estranha sensação avolumando-se cada vez mais. ─ Logo mais dou um salve em vocês.

Ao sair de dentro do ambiente abafado, Fumaça sentiu a brisa noturna agitar suas roupas enquanto descia a rua a passos lentos. Subitamente, gemidos soaram ao seu redor. Intrigado, olhando para o lado direito, viu Peruíbe, encostado no capo de um Palio, totalmente alheio à sua presença, dando uns amassos numa garota. Fumaça abriu um sorriso e deu as costas sem dizer nada, achando melhor não embarreirar o amigo com um inapropriado adeus. Já próximo do seu carro, olhando a lua lá longe, tocou a guia de Ogum e cantou baixinho um ponto de proteção.

 

Ogum com sua lança

afasta o inimigo, abre os caminhos

e protege do perigo.

 

Nesse momento, um Golf vermelho acendeu os faróis e arrancou das sombras. Os disparos ecoaram alto, quebraram nas encruzilhadas iluminadas por velas de sete dias, berraram em discursos prolixo-ensanguentados pelas vielas e fizeram Fumaça tombar de joelhos.

Seguiram-se os gritos, o tropel acelerado de passos. Fumaça abriu os olhos com dificuldade e pôde ver a tentativa frustrada de Janjão, Poeta e Fuvinho no momento em que os amigos tentaram soerguê-lo do chão. Inclinando-se a um lampejo de humor, sorriu diante da atitude dos companheiros; tarde, ele sabia que já era tarde demais. Toda uma vida e mais seis meses se esvaiam junto com o sangue que escorria pela calçada.

No entanto, antes que tudo se apagasse, uma tristeza absoluta tocou o âmago de sua alma quando ele pôde ver de relance que Peruíbe, também caído, com a íris esquerda despedaçada por um dos projéteis, agonizava sob o soluçar da garota que velava os seus últimos estertores de vida.

Acabaram-se as festas, acabaram-se as risadas, a alegria de todas as horas.

Tudo o que restara, agora, era somente a voz grossa de Ogum, com hálito de fogo e ferro, anunciando por todos os terreiros que havia avisado…

… Que havia avisado.

Soberana de Todas as Horas

 

Estou aqui…

Desolado diante da certeza de que nunca mais ouvirei as suas risadas. Estou aqui, consciente da irreparável perda, emputecido com o meu voluntário ateísmo que me faz enxergar a vida de uma forma dura, sem a muleta espiritual necessária que me faça crer que toda essa porra vivida não foi em vão. Estou aqui, ainda sem acreditar que vocês se foram levando uma parte valiosa da minha história. Estou aqui tentando escrever epitáfios, tentando vomitar homenagens, louco para me apegar a alguma coisa que me conforte no meio dessa guerra que se fez soberana de todas as horas – aquela que se alastrou em todas as arestas da nossa miserável existência, aquela que se insinuou nas madrugadas, aquela que veio para lançar chumbo quente em crânios párvulos, obrigar bala perdida a se achar em corpos juvenis e enlutar famílias inteiras. Estou aqui, implorando, num último lampejo de religiosidade africana, para que Exu, com suas pernas de vento, atravesse as florestas de Oxóssi, as montanhas de Oloroke, os mares de Iemanjá, as nuvens de Iansã e vá correndo avisar lá para Oxalá que mais um de seus filhos está desesperado na terra.

 

Ano de Xangô

 

Fuvinho ajeitou a gola esgarçada da camisa branca. Jogou o olhar para o lado, na direção do assento mais próximo, e seu riso canalha de bêbado rebentou mais uma vez com a renovada série de provocações que Janjão e Poeta, com as cabeças investidas para fora das janelas do ônibus, lançavam aos transeuntes a cada nova esquina.

─ Sua mãe foi soltar balão e queimou o bigode!

─ Pega na mangueira, oh o-o-o-oh!

─ Chega de zueira, tio! ─ disse Fuvinho, controlando a gargalhada. Apanhou a garrafa prensada entre as coxas, abriu a tampa com o dente, deu uma bicada e passou para Janjão. ─ É a nossa última breja, cuzão! Tamo chegando já!

Janjão sorveu metade da cerveja, a volumosa barriga movendo-se espasmodicamente com o sacolejar do ônibus.

─ E esse pico que nóis tá indo? É da hora, viado?

─ Hã-ram!

─ E quem trouxe da preta? ─ perguntou Poeta, apanhando a bebida das mãos de Janjão e entornando o resto do conteúdo num gole só. Soltou um arroto estrepitoso, varejou a garrafa janela afora em algum dos cruzamentos da vida e, soluçando, arrematou. ─ Quem trouxe do bom?

Ao ouvir aquilo, Fuvinho arregalou os olhos. Tateou os bolsos abruptamente, o semblante cafuzo denotando uma insofismável surpresa. Fixou o olhar nos amigos, observando, com dissimulado divertimento, o laivo de preocupação pairar no interior castanho-escuro daquelas íris. Pouco a pouco, viu a apreensão dos dois diluir-se em súbita felicidade no instante em que o punho fechado de sua mão esquerda, erguida à meia altura, desabrochou a revelação de uma trouxinha envolta num plástico transparente.

─ Qual é, Poetinha?! Comigo não tem melisquência na virada do ano, não, menor! ─ disse Fuvinho arremessando a trouxinha na direção dos amigos.

─ De onde é essa, tio? ─ perguntou Janjão ao apanhar o objeto com inusitada destreza no ar. Deslizou os dedos balofos ao longo da superfície retangular da maconha prensada, quase como uma carícia. Levou a trouxinha na direção das narinas, cheirando-a por alguns momentos. Depois, apregoou num tom doutoral:

─ É do Sapê!

─ Caralho, gordão! Como soube?

─ Vem com nóis! ─ respondeu Janjão, abrindo um sorriso perfeito no rosto redondo.

O som de suas risadas juvenis reboou em todos os assentos daquele ônibus vazio. Embrenharam-se em conversas desconexas, promoveram brincadeiras obsoletas, assobiaram fados impossíveis, meteram as cabeças para fora das janelas e, sob o olhar da noite iluminada, largaram voz por todas as ruas desse mundo:

 

Os maloqueiro vem, os vagabundo tão.

As minazinha tem, atrasa lado não.

Cê sabe qual é? Mô satisfação!

Simples, direto, de coração.

A rua é nóis, tio!

 

─ Qual é, motorista? ─ gritou Fuvinho ao perceber que deveriam descer já no próximo ponto. ─ Vai descer aqui, primão!

Saltaram do ônibus aos berros, na altura da Paulista com a Haddock Lobo. Seguiram em fila indiana, à passos trôpegos devido ao avançado estado de embriaguez em que se encontravam, movimentando-se por entre a multidão que se acotovelava ao longo da avenida no aguardo da chegada do novo ano. Quebraram a primeira direita, na direção do Baixo Augusta. Pararam em uma das biroscas, tomaram três chamadas de conhaque e, ali mesmo, dichavaram a maconha e fumaram um baseado do tamanho de um bonde.

Prosseguiram descendo cada vez mais a rua naquela retardada romaria, mexendo com os travestis que exibiam sua nudez rente aos muros pichados, passando a mão na bunda das putas escanchadas nas mesas de alumínio dos botecos de esquina. Janjão quedou-se para trás, estancou em um dos postes e tirou do bolso da bermuda um pino de plástico contendo cinco gramas da branca em seu interior. Poeta e Fuvinho, ao notar aquilo, retornaram correndo. Rindo por tudo, trabalharam a cocaína com profissional esmero em cima de um cartão telefônico, pouco se fodendo para os olhares curiosos que os fulminavam; delineados pelo brilho multicolorido do néon das casas noturnas que margeavam as calçadas, fizeram nevar em pleno verão paulistano.

Fuvinho deu o primeiro quebra. Ergueu a cabeça, espirrou quatro vezes, esfregou o nariz com as duas mãos e jurou por tudo de mais sagrado que aquela brizola era boa a pamparra. Chupou o ar, fingindo ter algo entre os dentes, e olhou ao redor. Soltou um berro quando reconheceu que finalmente haviam chegado.

Irromperam puteiro adentro sem cerimônia, o pensamento em desalinho, o diabo no corpo. Fumaram mais uma bagana lá dentro, velados pelas luzes oscilantes. Derrubaram copo de cafetão, pisaram no pé de vagabundo, beijaram boca de mulher de zona, fizeram batucada de partido-alto e, na confirmação do primeiro minuto do Ano-Novo, no romper da meia-noite, abraçaram-se vociferando votos da mais equidistante felicidade enquanto as prostitutas, totalmente despidas, esparziam pétalas de rosa branca em tudo e todos para criar uma destoante primavera naquele ambiente abafado que cheirava a bodum, sexo e lavanda.

No paroxismo da algazarra, um dos convivas, afastando-se dos abraços suados de uma das mulheres, ergueu a taça de plástico no alto. Sua voz grossa ribombou nos quatro cantos do puteiro, calando a música ensurdecedora que explodia das caixas de som e atraindo momentaneamente atenção de todos os olhares para si.

Kawó Kabiesilé! Salve o Ano de Xangô ─ gritou o desconhecido, a voz denotando curiosa sobriedade e a camisa aberta, desabotoada até o umbigo, revelando uma guia marrom caída ao longo do plexo peludo. ─ Salve o Rei da Justiça!

Fuvinho escutou tudo calado, sem entender nada, a mente tão atrapalhada que já não se lembrava do que pensara no minuto anterior. Viu aquele homem entornar a taça, sustentar-se com cômica desenvoltura nos ombros finos da prostituta por alguns instantes e depois desabar no chão. Riu. Procurou os amigos com o olhar completamente enevoado e, lá do outro lado do salão, pôde ver Janjão e Poeta, recostados contra a uma parede espelhada, sugando desbragadamente a ponta dos seios redondos de uma morena.

A gargalhada rebentou mais uma vez, impregnou-se com a música e ganhou coro em outras bocas. Naquela noite não houve brigas, tiros e nem mortes. Quem era de fumar, fumava. Quem era de cheirar, cheirava. Quem era de beber, bebia.

Tudo na santa paz do ano de Xangô que se iniciava.

 

Janjão

 

O dia cumprira seu rito, fizera rastros, aglutinara lembranças e fora sucedido pelo entardecer que, por sua vez, deixou as esperanças morrerem desamparadas em cada beco, em cada quebrada. A noite baixou soberana, fez-se a dona do pedaço, dissolveu-se em madrugada, espalhou-se na indecisão das encruzilhadas e deu forma ao vento-sinistro que varria o conchavo das vielas mudas.

Janjão tinha acabado de realizar a última entrega. Conferiu o troco atentamente e, ao certificar-se de que não recebera uma mísera caixinha, praguejou. Estralou os dedos das mãos, suspirou desoladamente. Ajeitou o corpo obeso no assento da moto, girou a chave na ignição e ganhou o descidão das Palmas sob a tutela macabra daquela escuridão sem lua. Com o visor ensebado do capacete transformando tudo à sua frente num borrão impreciso, fitou absortamente as luzes de mercúrio que se derramavam dos postes.

Ninguém nas ruas.

Ao desviar da primeira lombada, inspirou-se a um lampejo de humor e projetou o corpo para empinar a moto; porém, sem nenhuma razão aparente, desistiu logo em seguida. Dobrou a primeira esquerda, entrou na terceira direita, evadiu-se de outra lombada.

Lembrou-se de Fumaça.

Seguiu pela Rua do Meio com o coração estranhamente pesando no peito. Percorreu com olhos assombrados o cenário familiar que agora deslizava diante de si. À esquerda, além dos terrenos baldios, viu o bruxulear das luzes dos barracos de madeirite e zinco da Favela da Olaria.

Lembrou-se de Peruíbe.

Nova lombada. Dessa vez Janjão não quis jogar a moto rente ao meio-fio como sempre fizera. A eloquência do silêncio que se espalhava além do rosnar do motor o fez olhar para trás. Não viu nada, apenas um clarão espocando da escuridão profunda acompanhado de um estampido. Algo o atingiu na altura do ombro, levando-o ao chão.

Lembrou-se de Fuvinho.

Tentou levantar, mas não conseguiu. Sangue escorria copiosamente, um buraco rombudo na omoplata que nem mesmo Deus querendo iria cicatrizar. Julgou ouvir passos cada vez mais fortes aproximando-se de sua direção. Sentiu um aperto forte no peito. Girou o corpo para a esquerda com dificuldade, descansou o braço quebrado numa elevação irregular da calçada e pôde ver três homens encapuzados, emoldurados por um céu saturado de nuvens escuras, olhando-o com divertida curiosidade.

Lembrou-se da mãe, do pai que morreu cedo.

As mais vivas cores da madrugada assumiram expressões significantes de significados, a qualidade das coisas tornando-se superlativa. Uma tranquilidade sem sentido estabeleceu-se em sua consciência; o sorriso quase abstrato que agora resplandecia em seu rosto gordo parodiava o barulho do engatilhar das pistolas. Sentiu aquele estranho júbilo abrir-se em horizontes infinitos, sentiu a felicidade das tardes, dos risos, dos amigos, da paz que sempre buscou nas linhas marginais de sua curta existência periférica.

Lembrou-se de Poeta.

Morreu com doze tiros do pescoço para cima.

 

Poeta

 

Gotas de suor porejavam de sua testa. Sentiu um frio opressor na boca do estômago, as pernas em visível tremedeira. Trouxe o caderno para mais perto dos olhos estressados, folheou as páginas nervosamente até que, finalmente, encontrou o que queria.

Pigarreou e pôs-se ler:

 

É que arrisco a prosa mesmo com balas atravessando os fonemas.

É o verbo, aquele que é maior que o seu tamanho.

Aqui ele cambaleia, baleado!

Palavra massacrada ensanguentando o destino suburbano:

cante-me agora, irmão, do seu cotidiano.

 

Ao finalizar a declamação, Poeta, envergonhado, aguardou o esmorecer das poucas palmas que reverberaram dentro daquele boteco improvisado em sarau diurno. Fechou o caderno, recebeu do próximo participante um tapinha de consolação nas costas e desceu do púlpito. Despediu-se das poucas pessoas que estavam ali, não se sentindo confortável o suficiente para aguardar o resultado do desafio. Atravessou o bar e ganhou as ruas de terra batida.

Fazia calor naquela tarde julho.

Resolveu entrar no campo de terra do Águia. Olhar cravado no chão, pernas fazendo e desfazendo sombras pelo caminho. Sentou-se no alambrado semidestruído que ladeava as laterais, colocou o caderno amarfanhado de lado e deixou a cabeça desabar pesadamente nas mãos abertas.

─ Testa? ─ soou uma voz infantil.

Poeta levantou o olhar marejado e viu Tigrinho, na magreza de seus sete anos, mirando-o com aqueles olhos de criança sonhadora.

─ Só você mesmo para me chamar assim, Tigrinho! Tranquilo?

─ Ajuda eu colocar meu peixinho no alto?

Poeta sorriu. Levantou-se do alambrado, balançou a cabeça como alguém que afasta uma triste saudade, e se dirigiu ao centro do campo de mãos dadas com a criança. Arrumou o peixinho de Tigrinho, fez o cabresto, desembaraçou a rabiola e colocou-o no alto para cruzar com os outros que ensaiavam voos ousados no céu azul.

Era tempo de pipa na zona sul.

47 comentários em “Zona Sul (Gustavo Aquino)

  1. Fabio D'Oliveira
    5 de novembro de 2015
    Avatar de Fabio D'Oliveira

    ☬ Zona Sul – Final
    ☫ Testa

    ஒ Físico: O texto continua perfeito em sua estrutura geral. O autor conseguiu determinar seu estilo. E digo que ele quase acertou. O texto, muitas vezes, acaba caindo no prolixo, mas se recupera muitas vezes também. É necessário encontrar o ponto de equilíbrio, Testa!

    ண Intelecto: Achei a primeira parte excelente, mas senti uma decaída na segunda parte. O maior problema é que o texto não segue uma linha de raciocínio. Existem muitas subtramas, completamente ocultas, e isso prejudica muito o leitor. Um conto precisa ser conciso.

    ஜ Alma: Bem, acredito que o texto fugiu um pouco do tema. As situações abordadas tratam, com raras exceções, de situações que não fazem parte da rotina das pessoas. No fundo, bem no fundo, é possível encontrar um pouco do cotidiano. Mas o foco não é esse. Está tão distante que é impossível senti-lo. Além disso, parece que a segunda parte não é uma continuidade direta da primeira parte. Sinceramente, o autor se perdeu um pouco.

    ௰ Egocentrismo: Gostei da leitura, mas fiquei decepcionado… Esperava um desfecho que inspirasse o que a primeira parte não inspirou. No entanto, o autor tem um potencial enorme. Basta ter foco. E encontrar sua verdadeira essência.

    Ω Final: Texto excelente com uma estória incompleta. O autor precisa saber o que ele quer passar para o leitor e ter foco. Entre a primeira e segunda parte, o texto parece ter duas partes distintas. Não segue a mesma lógica. Além disso, fugiu um pouco do tema.

    ௫ Nota: 7.

  2. Pedro Luna
    5 de novembro de 2015
    Avatar de Pedro Luna

    Pesado e brutal. Assim é o conto. Sinceramente, nem tenho muito a dizer. O desfecho dos personagens foi totalmente possível e não achei nada forçado o pessimismo envolvido. A escrita deu show. A parte da curtição dos caras no reveillon foi muito bem posta antes da próxima parte, triste pra dedéu. E o efeito que causou foi devastador. O texto brincou de ser bom. Parabéns.

  3. G. S. Willy
    5 de novembro de 2015
    Avatar de G. S. Willy

    O conto continuou no mesmo ritmo e forma, o que me fez querer continuar a leitura, porém senti que faltou algum ponto no futuro do texto para me fazer prosseguir. Algo que o leitor esperasse que acontecesse. Em determinado momento senti como se estivesse apenas lendo sobre o dia a dia do personagem, sem qualquer ideia de que algo estivesse para acontecer.

    Mas a linguagem do conto foi totalmente fiel e acertada, colocando o leitor realmente em contato com esta realidade tão presente no brasil, e tão negligenciada.

  4. Bia Machado
    5 de novembro de 2015
    Avatar de Amana

    O conto está muito bem escrito, não achei nada sobrando ou fora do lugar. Com
    essa estrutura, arrisco que seja do Rubem. Inegável a qualidade da escrita. Infelizmente, essa qualidade, pra mim, não foi suficiente para que eu me cativasse pelo texto e pelas personagens. Queria ter gostado muito, mas para o meu gosto foi apenas “ok, bem escrito”. Mas parabéns por mais um conto impecável.

  5. Thata Pereira
    4 de novembro de 2015
    Avatar de Thata Pereira

    Mais um conto que, na minha opinião, expressa bem a questão do cotidiano. Eu adorei os versos mesclados na prosa e também achei perfeito os apelidos para descrever os personagens. Não sei se deixei passar, mas gostaria de saber o motivo dos rapazes serem mortos. Apesar que realmente fiquei com a sensação de “quantos desses meninos realmente morrem e nem sabemos quem fez isso, independente de quem sejam ou do que fazem”. Achei o fim muito bonito.

    Boa sorte!!

  6. Tiago Volpato
    4 de novembro de 2015
    Avatar de Tiago Volpato

    Ótimo texto, agradável de ler, o texto flui fácil. Você criou um universo bem rico e cheio de detalhes. É um forte candidato a vencer esse desafio, parabéns.
    Boa sorte!

  7. Gustavo Aquino dos Reis
    2 de novembro de 2015
    Avatar de Gustavo Aquino dos Reis

    Tenho muitas saudades de todos eles.

    Sim, muitas. Tenho saudades do Peruíbe, que na vida real se chamava Leonardo Esteves e era o meu melhor amigo. Tenho saudades do Janjão, que foi o apelido do João quando estávamos no Fundamental. Tenho saudades do Fumaça, conhecido como Jefferson, e do seu sorriso branquinho.

    Tenho saudades, muitas saudades, e queria infinitamente que estivessem aqui para ler esse texto, mas, infelizmente, eles foram baleados pelo destino traiçoeiro das vielas escuras da deselegância.

    Gostaria que esse conto fosse, de fato, uma obra de ficção. Gostaria que as minhas amizades infantis não houvessem sido esfaceladas e espalhadas aos quatro ventos. Gostaria que a minha adolescência não houvesse sido permeada de crisântemos, coroas de flores, cruzes e lágrimas.

    Por um cotidiano mais ameno em todas as quebradas do mundo.

    • Piscies
      6 de novembro de 2015
      Avatar de Piscies

      Você fez o que ninguém faria: fez a memória deles perdurar em nossos corações. Eu quero este conto impresso e na minha estante. Quero falar para todos sobre ele.

      Quero fazer a memória de Leandro, João e Jefferson perdurar enquanto eu tiver forças para passar este texto para frente.

      • EntreContos
        6 de novembro de 2015
        Avatar de Gustavo Araujo

        Já está selecionado para a Terceira Antologia!

      • Piscies
        6 de novembro de 2015
        Avatar de Piscies

        Com louvor!

    • Leonardo Jardim
      6 de novembro de 2015
      Avatar de Leo Jardim

      Caramba, Gustavo!

      O texto ganha tons ainda mais tristes sabendo que eram reais. Comentei sem saber disso.

      Parabéns pelo excelente texto, mereceu muito o primeiro lugar. Como disse o Piscies, foi a maior homenagem que você podia fazer para eles. Você mostrou com louvou a crueldade do cotidiano de muitos em nosso país.

      Que eles descansem em paz!

    • Bia Machado
      6 de novembro de 2015
      Avatar de Amana

      Quisera eu ter sabido disso tudo antes, para uma releitura com menos pressa, com mais cuidado. E que gostasse dele como obra de ficção. Grande homenagem que fez aos amigos, e com sua escrita impecável, valorizando tudo o que escreveu. É de emocionar, e essa é uma das coisas para o qual a literatura serve! Parabéns!

  8. Gustavo Castro Araujo
    2 de novembro de 2015
    Avatar de Gustavo Castro Araujo

    Não faz muito tempo eu li o clássico “Capitães da Areia” do Jorge Amado. Confesso que tenho um pouco de vergonha por ter feito isso já depois dos 40. Como se sabe, o romance conta a história de um grupo de menores abandonados que vivem em um trapiche na orla de Salvador e que praticam furtos para sobreviver. É exatamente sobre isso o livro: sobrevivência e amizade. Escrito originalmente no final dos anos 1930, o romance levanta a incômoda indagação: como seria retratado o cotidiano de Pedro Bala, Sem Pernas, Gato, Volta Seca nos dias de hoje? A realidade apresentada por Jorge Amado parece bastante pueril e inocente quando comparada com o contexto em que vivemos atualmente. Certo é que no contexto hodierno, a realidades dos meninos seria temperada e até mesmo orientada pelo tráfico; do mesmo modo, o trapiche seria substituído pelas ruas apertadas de uma favela. O Querido de Deus seria transformado em um traficante talvez… Enfim, é interessante imaginar aqueles como aqueles meninos seriam atingidos pelas incongruências das nossas metrópoles.
    O mérito deste conto – Zona Sul – é exatamente esse. Quer tenha sido intencional, quer não, o fato é que o autor conseguiu transpor toda a atmosfera opressora e ao mesmo tempo melancólica e esperançosa que se vê no livro de Jorge Amado para a São Paulo de 2015. Estamos na favela – em qualquer favela – e os garotos cresceram um pouco, é verdade, mas ainda mantêm entre si um laço de amizade indissolúvel. Têm seus medos, seus desejos e seus segredos. Amam, sofrem, sonham e se resignam com um destino já traçado. Não há como não se afeiçoar a eles. Peruíbe, Poeta, Fumaça, Janjão representam muito bem a esperança e a indignação que já caracterizava a natureza de seus pares baianos. Assim como os meninos, foram construídos de forma verdadeira, franca, honesta, capazes de atos de bondade, de ignorância e até de indiferença. O leitor se sente ao lado deles, quase um confidente.
    Assim como Jorge Amado, o autor deste conto soube criar um ambiente fiel, sem parecer caricato, com os sons da favela, com o cheiro da favela, do baseado, da pólvora, do medo. Isso por causa do uso inteligente das gírias entremeadas por observações sarcásticas, irônicas e certeiras. A narração, em suma, é extremamente ágil, fluida e convidativa. Embora saibamos, de início, que nem todos terão um final feliz, não deixamos de torcer por eles. E o final coroa com maestria a narrativa fantástica e também incômoda. Ao voltar à realidade do Poeta – uma homenagem ao Professor dos Capitães – permite ao leitor algo próximo de um final feliz. Impossível não terminar a leitura com um sorriso nos olhos.
    Parabéns, caro autor. Um dos melhores textos que já vi por aqui.
    Nota: 10

  9. catarinacunha2015
    29 de outubro de 2015
    Avatar de Catarina Cunha

    TÍTULO marcante, geográfico, periferia de São Paulo na veia (2/2). TEMA de um cotidiano sem certezas básicas (2/2). O FLUXO tem força visceral e o autor (a) manteve total controle entre o estilo do narrador e o dialeto local aplicado nos diálogos. Isso não é para qualquer um (2/2). A TRAMA gera suspense constante diante de uma realidade instantânea muito bem retratada (2/2). O FINAL foi um respiro de liberdade, nitidamente proposital. Total 10! Nota 10!

  10. Felipe Moreira
    28 de outubro de 2015
    Avatar de Felipe Moreira

    Zona Sul é um texto muito bom. Gostei da narrativa, ainda que em algumas partes tenha achado um pouco demorada. Os POV’s são bem explorados, os diálogos bem estruturados. Num todo, o texto é muito bom. Posso dizer que uma personagem ou outra não me despertou lá o mesmo entusiamos, como Janjão em relação ao Poeta, mas não dá pra desconsiderar a qualidade do texto.

  11. Fabio Baptista
    26 de outubro de 2015
    Avatar de Fabio Baptista

    Olá,

    Vou falar algo que talvez soe contraditório, mas foi o meu sentimento: a escrita está perfeita, mas essa perfeição toda não casou com a história contada, gerou uma sensação de estranhamento no leitor (em mim, pelo menos).

    A história (os as histórias) envolve e cria vínculo do leitor com os personagens, o que é muito bom.

    Essa frase “Morreu com doze tiros do pescoço para cima.” foi especialmente marcante.

    Ótimo conto.

    NOTA: 9

  12. Anorkinda Neide
    21 de outubro de 2015
    Avatar de Anorkinda Neide

    Que texto emocionante!
    Geralmente não gosto do tema ‘favela’, mas vc fez uma obra de arte aqui. Parabéns.
    pensando se lhe tiro alguns décimos por ter achado a continuação um pouco sem objetivo, sabe? Nem eu.. tô matutando… rsrs

    Amei o término com o Poeta vivo e vivendo poesia. Obrigada por isso, até arrepiei aqui qd escrevi isso… 🙂
    Abração

  13. Brian Oliveira Lancaster
    21 de outubro de 2015
    Avatar de Victor O. de Faria

    EGUAS (Essência, Gosto, Unidade, Adequação, Solução)

    E: Todo o cenário foi construído com cuidado, denotando grande destreza e habilidade por parte do autor. – 9,0.
    G: Não faz meu estilo, mas é um cotidiano muito bem retratado, com todas as suas gírias e manias. A ambientação foi o ponto altíssimo desse texto. E o final poético, combinou perfeitamente com o restante. – 9,0.
    U: Escrita leve e complexa ao mesmo tempo. Palavras bem desconhecidas, mas que dão um ar intelectual ao humilde. Recurso interessante. – 9,0.
    A: Total, sem dúvida. – 9,0.
    S: Uma transição bem tranquila entre uma fase e outra, alterando pontos de vista, sem cair no marasmo. – 9,0.

    Nota Final: 9,0.

  14. Rubem Cabral
    21 de outubro de 2015
    Avatar de Rubem Cabral

    Olá, Testa!

    Então, achei muito bom o conto, coisa de profissional mesmo, cheio de ginga e gíria da favela, que devem ser resultado de algum tipo de pesquisa.

    Como crítica construtiva, sugeriria “aliviar” a mão na narração, que muitas vezes faz uso de palavras muito eruditas, causando certa estranheza ao restante da construção. Algo como misturar trufas francesas a um rico sarapatel.

    Muito bom. Nota 9!

  15. Claudia Roberta Angst
    20 de outubro de 2015
    Avatar de Claudia Roberta Angst

    Se o som de fundo era funk, ignorei. O autor trabalhou muito bem os elementos de caracterização. Achei interessante a referência aos orixás, dando mais raízes culturais à trama.

    O ritmo da narrativa obedece a uma certa cadência das palavras. Apesar da realidade crua, o enredo revela poesia.

    A linguagem foi bem trabalhada no sentido de retratar o linguajar dos personagens. Precisei reler para entender certas passagens,pois algumas gírias eu desconheço.

    Não encontrei deslizes de revisão.

    A morte de Janjão lembrando de cada um dos amigos foi bem dramática e funcionou bem.

    O final ficou bastante poético, mistura de tristeza, saudade e alegria infantil. A pipa no céu, um novo tempo para a zona sul?

    Boa sorte! 🙂

  16. Rogério Germani
    20 de outubro de 2015
    Avatar de Rogério Germani

    “Parapapapapapapapapa
    Paparapaparapaparaclackbum
    Parapapapapapapapapa”

    Olá, Testa!

    A receita 1 pitada do clássico da série Vaga-lume, Tonico e Carniça, mais doses cavalares de Cidade de Deus tinha tudo para virar um bolo loco. Só deu pra trás por um único motivo: o narrador.

    Daora saber que que vc pesquisou a fundo toda a gíria e mandinga que existe na Favela da Olaria. Pena que vc deu um tiro no pé ao querer enfeitar a narração com palavras que dificilmente seriam adequadas para um texto onde a realidade dos personagens ignoram o léxico. Olha isto, mano:

    “uma insofismável surpresa.” “… laivo de preocupação”

    Ficou parecendo socialite que vem trajada com casaco de pele para defender os animais…

    Bia sorte!

    • Rogério Germani
      20 de outubro de 2015
      Avatar de Rogério Germani

      Errata: Invés de Bia, leia-se Boa. Culpa de Xangô que quis comer caviar…rsrs

  17. Ricardo Gnecco Falco
    30 de setembro de 2015
    Avatar de Ricardo Gnecco Falco

    Conto muito bem escrito. O contraste da majestosa escrita do narrador com a realidade “socio-econômica-educacional” das personagens abordadas é um dos maiores atrativos deste belo trabalho. Parabéns ao autor deste conto que, certamente, conhece bem do riscado! 😉
    Abrax,
    Paz e Bem!

  18. Pedro Luna
    30 de setembro de 2015
    Avatar de Pedro Luna

    Bem escrito, coisa de quem sabe. A apresentação dos personagens pra mim foi perfeita, assim como os diálogos. Só não gostei muito do final, pois apesar de deixar gosto de quero mais, também deixou gosto de que poderia ter sido melhor. Sei que tem um conto 2, mas apesar da apresentação brilhante dos personagens, não foi suficiente para criar laços que me permitiram sofrer com os coitados baleados no final. Achei um conto bem real, com situações do cotidiano desses jovens.

  19. vitormcleite
    29 de setembro de 2015
    Avatar de vitormcleite

    história que se lê bem, mas pareceu muito longa e perde um pouco o ritmo, desejo que passes para a 2ª fase para ver se fico mais ligado a esta trama. este é um texto que perde porque lhe falta um fim, penso que ninguém morre ao deixar de viver, mas somente quando ninguém fala dele. não o deixes morrer ou então mata-o. este texto merece ser acabado são esses os meus votos que consigas mostrar um fim nesta história. não o deixes morrer, mas mata-o. boa sorte

  20. Wilson Barros Júnior
    29 de setembro de 2015
    Avatar de Wilson Barros Júnior

    O conto começa bem e engraçado, descrevendo os passos de dança do Peruíbe. As descrições minuciosas valorizam bastante o conto, como preceitua Francine Prose em seu espantoso livro “Para Ler como um Escritor”, que dedica um capítulo inteiro ao tema “detalhes”. O estilo é muito parecido com o dos primeiros contos de Marques Rebelo, “Oscarina”, “Stella me abriu a porta”, entre outros. Entretanto, é um estilo modernizado, contemporâneo, vigoroso, bem ao estilo “violência urbana” de Rubem Fonseca e Daniel Galera. Um dos contos mais originais deste desafio, o que por si só já o valoriza.

  21. rsollberg
    29 de setembro de 2015
    Avatar de rsollberg

    Caro (a), Testa.

    Porra! Esse conto é qualquer coisa! Ele é dinâmico, apesar das construções belíssimas e mais rebuscadas. É Ricamente ambientado, sendo possível enxergar toda a atmosfera que cerca o destino dos personagens. É foda!!!

    E por falar em personagens, o autor aqui dá uma aula em como apresentar personagens tão complexos, em tão pouco espaço. Sabiamente, usa detalhes para construir a personalidade única de cada um. O cotidiano de uma comunidade, contado por diversas perspectivas, ainda que não tão distintas assim.

    Os diálogos são criveis e diretos, completando muito bem o texto carregado de miudezas. As letras, destacadas no conto, mostram a pluralidade de características existentes em um grupo, que de fora parece tão homogêneo. Destaque especial para as frases do poeta entonadas por Janjão: “É que arrisco a prosa mesmo com balas atravessando os fonemas”.

    É perceptível a influência dos nossos ótimos filmes na composição da história, até porque o sucesso deles muito se dá pela representação fiel da realidade, o que certamente aconteceu aqui.

    A meu ver já é um conto completo. Pela frase final, acredito que agora o autor vai contar a primeira parte do fumaça e seu aviso. Confesso que fiquei com gostinho de quero mais, ainda que um pouco apreensivo, pois não será nada fácil manter a qualidade dessa primeira fase. Certeza que o autor tem competência de sobra pra isso…

    Parabéns e boa sorte!

    • rsollberg
      5 de novembro de 2015
      Avatar de rsollberg

      Então, esse texto é impecável. Confesso que achei que ele iria por um caminho diverso, no sentido de oferecer algumas respostas. Nesse diapasão, quando li a segunda parte, fiquei um pouco decepcionado. Contudo, reli mais uma vez, juntando as duas partes e entendi perfeitamente o propósito de tudo. Compreendi que as explicações não interessam, elas não tem importância, diante desse cotidiano brutal e real tão bem retratado. A fatalidade está no ar, ela acontece porque precisa acontecer.

      Fiquei impressionado com a facilidade do autor em criar esse ambiente e dar credibilidade para esse enredo. O prólogo da segunda parte é fantástico, é um daqueles trechos que devem ser lidos várias vezes.
      O final é ótimo, revelando Testa, o sobrevivente dessa guerra urbana.

      Mais uma vez, parabéns ao autor!!!! Seu texto ficará na memória do E.C.

  22. Lilian Lima
    29 de setembro de 2015
    Avatar de Lilian Lima

    Gostei da estrutura do conto apresentando inicialmente cada personagem e depois os juntando em um único evento desencadeando o fatídico final que retrata a realidade do dia-a-dia das periferias. A escrita é cativante e os versos são muito bons. Ótimo conto.

  23. Maurem Kayna
    28 de setembro de 2015
    Avatar de Maurem Kayna

    o excesso de fragmentação na apresentação dos personagens, somada a um certo exagero de adjetivos e termos um pouco destoantes do cenário descrito atrapalham um pouco (bem pouco) a leitura, mas a narrativa vai melhorando em direação ao final, quando as peças se juntam e o final é duro e bom.

  24. Davenir Viganon
    27 de setembro de 2015
    Avatar de Davenir Viganon

    Muito bom! Eu gostei da história. Não curti alguns termos prolixos que me travaram a leitura. Mas no geral me agradou bastante.

  25. Anorkinda Neide
    27 de setembro de 2015
    Avatar de Anorkinda Neide

    Vim pra dizer que lhe daria 10!
    que bom de ler isso aqui!
    A cena do Peruíbe dançando funk no quartinho é impagável! Pude me afeiçoar a este personagem pela eficiência que vc teve ao desenvolvê-lo.
    O poeta tb é show e o tio dele:
    ─ Tá pensando em quê, viado? kkkkk
    toda a relação deles… é meu ex-cunhado e meu ex-marido ae descritos. Vc fez personagens muito reais. muito legal! 🙂
    Parabéns!
    Abraço

  26. G. S. Willy
    23 de setembro de 2015
    Avatar de G. S. Willy

    Conto muito bem escrito, com o vocabulário e ritmo apropriado, mostrando o cotidiano sob diversas perspectivas. Aliás, o uso de diversos pontos de vista foi uma escolha acertada.

    Curioso pela continuação.

  27. Evandro Furtado
    21 de setembro de 2015
    Avatar de Evandro Furtado

    Tema – 10/10 – adequou-se à proposta;
    Recursos Linguísticos – 10/10 – escrita rica e brilhante;
    História – 10/10 – execução perfeita;
    Personagens – 10/10 – física e psicologicamente bem construídos;
    Entretenimento – 10/10 – eu normalmente não gosto de qualquer coisa que fale sobre favela, mas esse texto ultrapassa qualquer conceito estabelecido;
    Estética – 10/10 – o contraste entre a riqueza da narrativa com o linguajar populesco dos diálogos é a obra de um artista. Um texto riquíssimo, em todos os aspectos.

    • Evandro Furtado
      26 de outubro de 2015
      Avatar de Evandro Furtado

      Notas Parte 2

      Tema – 10/10 – adequou-se à proposta;
      Recursos Linguísticos – 10/10 – texto bem escrito, sem problemas;
      História – 10/10 – separada em arcos muito bem construiídos;
      Personagens -10/10 – densos, verossímeis, reais;
      Entretenimento -10/10 – as vezes você consegue captar o leitor pela arte. Esse texto é um exemplo disso;
      Estética – 10/10 – já disse que é fantástica essa mistura de linguagens que você utiliza. Nessa segunda parte isso ficou ainda mais notável. É um texto que toca a gente de forma diferente. Essa beleza marginal…

  28. Leonardo Jardim
    21 de setembro de 2015
    Avatar de Leo Jardim

    Zona Sul (Testa)

    ♒ Trama: (3/5) a forma como o autor escreve e as imagens criadas fizeram com que a história agradasse e gerasse muita expectativa. Quando vi que seria quebrado por personagens, fiquei imaginando como seria a junção entre as histórias. Por fim, as histórias se conectaram de forma um pouco superficial, mas o desfecho não me convenceu, pois não entendi muito bem o motivo do tiroteio. Acho q teria funcionado melhor se desse dicas de quem eram as pessoas que mataram os protagonistas. Sou da teoria de que quando um protagonista morre em um conto, o leitor tem que sentir um motivo para isso. Nesse conto, eu não vi um muito claro.

    ✍ Técnica: (5/5) o autor tem um vocabulário impressionante e consegue destilar frases e acontecimentos comuns, mas muito bem escritos. Não vi nenhum motivo para descontar pontos nesse quesito.

    ➵ Tema: (2/2) cotidiano de moradores de favela (✔).

    ☀ Criatividade: (2/3) tem sido comum histórias de favelados nos últimos anos, mas vi elementos criativos nessa aqui.

    ☯ Emoção/Impacto: (3/5) gostei de ler as histórias, mas nem tanto do desfecho.

    ➩ Nota: 8,5

    Problema que encontrei:
    ● a destra firme no volante e a direita aumentando ainda mais o volume (destra = direita)

    • Leonardo Jardim
      19 de outubro de 2015
      Avatar de Leo Jardim

      Numa releitura, eu entendi melhor o motivo da morte de Fumaça (estava jurado) e Peruíbe (bala perdida). Ganharia meio ponto a mais se já não tivesse enviado a nota. Foi mal.

    • Leonardo Jardim
      3 de novembro de 2015
      Avatar de Leo Jardim

      Zona Sul (Testa) – Segunda Fase

      📜 Trama: As histórias foram ainda mais isoladas que a primeira parte, recortes da vida dos rapazes. Naquele problema de não entender a morte de um protagonista, desta vez não saquei o motivo da morte de Janjão. Como estava devendo pela interpretação errada na primeira fase, darei um bônus aqui. (+0.5)

      📝 Técnica: manteve o ótimo nível. Sem dúvidas, este é o diferencial deste conto! (0)

      🔧 Gancho/Conexão: os personagens eram os mesmos e havia uma passagem temporal, mas a desconexão entre as partes me incomodou um pouco. (0)

      🎭 Emoção/Impacto: as sensações aqui foram boas, mas desconexas, como já disse. Acho que não gosto muito de micro histórias dentro de um mesmo conto. No fim, ficou no mesmo nível da primeira fase, o que não é ruim. (0)

      ⭐ Nota: 9.0

  29. Fil Felix
    20 de setembro de 2015
    Avatar de Fil Felix

    Gostei do padrão que criou no conto, esteticamente, dá um ar a mais ao texto e uma certa personalidade. Esse estilo, de apresentar os personagens em momentos distintos e culminando num encontro, também acho interessante, principalmente quando é bem desenvolvido. E nesse caso, a escrita está muito boa!

    Outro ponto legal é como tratou os personagens, sem estereótipos e de maneira bem natural, sem julgamentos ou algo do tipo, deixando bastante realista. As descrições e o desenvolvimento são os pontos altos do texto.

    Apesar destes pontos, a trama não me empolgou muito, principalmente pelo rumo tomado, não muito diferente do que vemos por aí. Não que seja um problema, mas acho que poderia ter sido um pouco diferente.

  30. Piscies
    17 de setembro de 2015
    Avatar de Piscies

    Isso aqui é uma obra de arte. Fiquei até arrepiado durante a leitura! Um dos melhores contos deste desafio, com certeza.

    A escrita é divina. Cada personagem é muito bem construído, cada situação muito bem caracterizada, cada momento muito vívido em minha mente de leitor.

    GOSTEI DEMAIS! PARABÉNS!

    • Piscies
      3 de novembro de 2015
      Avatar de Piscies

      Meus olhos estão molhados. Foi uma jornada e tanto até o final deste conto. Um dos melhores textos que já li.

      Quem quer que tenha escrito, tem invejável maestria com as palavras. Escrevi duas páginas de notas sobre palavras que poderei usar em outros contos meus no futuro.

      A construção dos personagens… os poemas de Poeta… tudo é muito profundo e realista. Gostei. GOSTEI!

      Melhor conto do desafio. Espero que fique em primeiro!!

  31. Jefferson Lemos
    16 de setembro de 2015
    Avatar de Jefferson Lemos

    Olá, autor (a)!

    Seu conto é muito bem escrito. Gostei de como você separou as histórias e uniu os personagens no último quadro, mesmo achando que deveria ter tido um pouco mais sobre cada um. Esse final poderia ser na segunda parte, com essa primeira terminando no abraço que parecia ser a última vez. Ficaria bem legal.
    Em alguns momentos achei que a narração ficou muito rebuscada, enquanto em outras ficou no ponto certo. As personagens também ficaram boas, bem características. Gostei.

    Parabéns e boa sorte!

    • Jefferson Lemos
      22 de outubro de 2015
      Avatar de Jefferson Lemos

      Olá de novo!

      Confesso que a segunda parte não me agradou muito. A qualidade continuou indiscutível, no entanto, esperei algo diferente.
      A narração prende a todo momento, mas o que acontece na história, principalmente naquele momento em que os três saem, não me chamou muito a atenção. A morte do Janjão, porém, foi muito bem descrita. O ponto mais alto dessa segunda etapa, ao meu ver.

      De qualquer forma, seu conto foi muito bem escrito. Parabéns pela habilidade!
      Boa sorte!

  32. Fabio D'Oliveira
    14 de setembro de 2015
    Avatar de Fabio D'Oliveira

    ☬ Zona Sul
    ☫ Testa

    ஒ Físico: O texto está praticamente perfeito em sua estrutura física. O autor sabe narrar uma estória. E com qualidade! O desenvolvimento ficou ótimo, assim como a narrativa. Demonstrou, também, ter um dicionário extenso. Mas acredito que o autor se empolgou um pouco ao demonstrar isso. Ou simplesmente é o estilo dele. É necessário encontrar um ponto de equilíbrio, inclusive na narrativa e no estilo. Às vezes, é uma artimanha para esconder a falta de conteúdo. Às vezes, é só para aparecer. No fundo, todos gostamos de uma leitura leve com conteúdo. Por que será?

    ண Intelecto: É um enredo interessante. Acredito que o autor poderia ter explorado melhor o mundo da favela, apresentando outros personagens. Todos aqueles que foram apresentados possuem consistência, mas seguem a mesma linha de raciocínio: a malandragem. O leitor já chega cansado na terceira parte. Mas não se preocupe, o texto tem seu charme; só aconselharia trocar o nome para algo mais pessoal aos personagens, já que não abrange a região por completo.

    ஜ Alma: O texto se encaixa no tema. Não existem dúvidas em relação a isso. E o texto se sustenta sozinho. Mas não consegui encontrar o gancho para uma boa continuação. Talvez uma vingança. Ou a estória dos assassinos. Não sei. Agora, vou destacar o que encontrei no autor. Um talento nato para a escrita! Ele precisa se focar nessa área, pois certamente produziria muitos trabalhos de qualidade. O estilo dele pode não ter me conquistado, mas é inegável que provém de uma mente talentosa.

    ௰ Egocentrismo: Apreciei a leitura, achei o texto engraçado, mas não gostei muito do enredo. Não impressionou, como pensei que aconteceria. Mas assim que a tetra do Fumaça entrou em jogo, percebi que iria acontecer algo com ele. Se não no final, seria na continuação. Enfim, fiquei dividido, haha.

    Ω Final: Um texto de qualidade, onde o autor demonstra seu talento nato com excelência. O enredo bem desenvolvido se limita ao mundo dos malandros. Está dentro do tema, mas uma continuação talvez não seja atraente para alguns leitores. É um autor muito bom.

    ௫ Nota: 8.

  33. Brian Oliveira Lancaster
    14 de setembro de 2015
    Avatar de Victor O. de Faria

    EGUA (Essência, Gosto, Unidade, Adequação)
    E: Cotidiano baseado em “periferia” sempre traz muitas histórias consigo. Quase nem precisou descrever muito. O inconsciente coletivo é ativado na hora e dá conta do recado. – 9,0.
    G: Não sou fã desse tipo de texto, mas procuro sempre ser imparcial. As histórias contadas em turnos formaram de forma altamente criativa o ápice; ponto alto para a destreza do autor. O palavreado escolhido e as descrições de cada vida, mesmo que brevemente, explicaram muito bem todo o contexto e ambiente inserido. – 9,0.
    U: Está muito bem escrito. Cada fala soa realmente como um personagem diferente. Apenas algumas frases (duas ou três) não tiveram o ponto final aplicado. – 9,0.
    A: Apesar de o gancho ficar meio escondido, toda a construção do cenário se encaixa no tema. – 8,0.
    [8,8]

  34. Claudia Roberta Angst
    13 de setembro de 2015
    Avatar de Claudia Roberta Angst

    O tema foi bem desenvolvido baseado no cotidiano no moro, uma vida com os seus altos e baixos: bebedeira e poesia.
    Gostei da caracterização do ambiente e dos personagens. A cumplicidade entre Peruíbe, Poeta e Fumaça não termina tão bem, quer dizer, nem termina, pois há uma segunda parte, né?
    Não encontrei problemas de revisão. Algumas palavras empregadas fizeram com que eu pensasse em determinados autores. Narrativa bem elaborada, sem pontas soltas.
    Aguardo a segunda parte, mas sem som de funk, por favor.

  35. Antonio Stegues Batista
    13 de setembro de 2015
    Avatar de Antonio Stegues Batista

    O autor narra o cotidiano na periferia das grandes cidades. Diálogos perfeitos com o linguajar dos jovens de hoje, jovens que querem viver o máximo que podem, pois sabem que vida é curta onde impera a violência e que nem todos os sonhos para uma vida simples e honesta, são realizados. Ótimo enredo.

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Publicado às 12 de setembro de 2015 por em Contos Campeões, Cotidiano, Cotidiano Trevisan e marcado .