EntreContos

Literatura que desafia.

Lua de Cristal (Fil Felix)

MOON CONCEPT1

1 – MURILO

O céu estava nublado. Espelhado. Como se uma cortina estivesse cobrindo a cidade, embaçando-a. Uma garoa fina caía e banhava o teto das casas da capital, mais um daqueles dias cinzas onde até o rosto das pessoas nas ruas empalideciam, a fachada das residências perdia sua cor e tudo parecia ser mais triste do que realmente era. Do que sempre era.

A única cor para muitos, em dias como esses, eram as vistas nos programas televisivos. O pequeno Murilo conhecia bem isso. Habituado a acordar cedo e ir à escola, os tons de cinza iniciou-se no momento em que entrou na perua escolar, adaptada às suas necessidades especiais. Alguns colegas não gostavam de esperar o descer e subir da plataforma. Mas Murilo tentava não se importar, afinal de contas estava no 6º ano, época de grandes descobertas e de inúmeras disciplinas para distrair-se.

Ao chegar em casa, o mesmo procedimento. Mas desta vez com um adicional: mesmo recebendo sobre a cabeça alguns pingos d’água, Murilo acelerou com sua cadeira em direção a porta de casa, jogando a mochila para o lado, colocando ração para Augusto e partindo para a sala, seu ambiente preferido, onde assistiria sua programação de desenhos animados preferida. Ficaria entretido com a televisão durante as próximas duas horas, colorindo um pouco seu dia.

Seus pais trabalhavam em ramos diferentes. Sua mãe, uma secretária, e seu pai, um professor. Desde os 8 anos que Murilo aprendera a se virar em casa, quando sua avó materna faleceu e, sendo assim, não podia mais lhe auxiliar. Felizmente, a casa passou a ser mais adaptada, com uma estrutura melhor. Depois de sua programação animada, esquentaria o almoço e daria uma estudada até os pais chegarem. Conversaria sobre as atividades do dia durante o jantar, talvez assistiria a novela ou algum filme em família. Dormiria e se prepararia para a manhã seguinte.

Que certamente não seria diferente dessa, ou das anteriores. Como não é diferente da maior parte dos vizinhos. Ou dos próprios pais. Dos professores e colegas. Uma roda-gigante de atividades, girando sem parar e sem alterações.

Mas algo nesse dia fez com que Murilo saísse desta roda-gigante, partindo para uma verdadeira montanha-russa.

 

2 – AUGUSTO

Assistindo uma animação com heróis pouco ortodoxos, envolvendo mutações e discriminações, Murilo podia esquecer um pouco da realidade lá fora. Adentrar um novo universo, talvez esquecer possíveis dificuldades que possuía. O gato preto, em seu colo, o confortava, era seu melhor amigo. No fundo, talvez Augusto também fosse um fã de X-Men.

A programação foi interrompida por um chiar incessante na televisão. Murilo pensou ser o tempo chuvoso, mas a imagem passou a contorcer-se e pixelar. Augusto estranhou o ocorrido, desceu do colo e parou em frente ao móvel, observando a tela, atraído pelos movimentos. Alguns instantes depois, o chiar cessou e passou a exibir um céu bastante azul, com uma lua no alto. Uma grande lua cheia cuja superfície parecia brilhar e refletir cada partícula ao seu redor.

Augusto fitou a lua, esticando suas patas dianteiras sobre o móvel, tentando agarrá-la.

– Hey, vem pra cá seu danado! Daqui a pouco o desenho volta. – Mas ele não prestou muita atenção e, num súbito, pulou em direção a tela e acabou por entrar nela, deixando Murilo boquiaberto. Num instante estava ali dentro de casa, já no outro estava dentro da TV, observando Murilo com sua cara de gato. – Augusto, como você fez isso? Volta pra cá!

Mas ele também não deu ouvidos e correu, saindo do enquadramento. Murilo aproximou-se da TV, dando dedadas no vidro e olhando por detrás dela. Nenhum sinal do animal. Em seu rosto estampava uma mistura de medo e curiosidade.

Olhando a tela mais de perto, assustou-se com o surgimento de uma figura bastante peculiar: um homem de sorriso largo e acolhedor, de pele lisa e brilhosa. “Acho que vai precisar de uma ajuda pra recuperar sua mascote”, disse ao encarar Murilo.

– Nossa, quem é você? O que está acontecendo?

– Eu sou quem irá te ajudar! Seu gatinho pulou diretamente para a Lua de Cristal, acho que vai precisar de um auxílio pra descer! – Apontava para a grande Lua Cheia no céu. Incrível como seu rosto parecia não ter marcas e ser inteiramente uniforme, como de um boneco. Destacando-se entre o macacão de cores saturadas.

– Mas como vou fazer isso? – respondeu ansioso, mas ao mesmo tempo receoso por não poder ir.

– Só preciso saber se tem coragem de vir comigo nessa. De resgatar Augusto! O que me diz?

Murilo olhou para a janela, encarando o dia cinzento, pensou o que sua mãe diria se soubesse de tudo isso. Será que chegaria antes do anoitecer?

– Mas moço, não posso sair daqui! Mas também não posso abandonar meu gato… E agora, o que eu faço? – Fechou os olhos, como se para concentrar-se mais, quando abriu viu aquele sorriso mais uma vez ocupando boa parte da tela. Murilo também sorriu. – Eu vou!

 

3 – APOLLO

Nem mal respondeu e Murilo já se via dentro da televisão, frente a frente com a estranha figura sorridente. Agora ele podia olhar com maior clareza o ambiente, um enorme deserto composto por nada além de areia alaranjada. Não havia portas por onde pudesse ter entrado, muito menos alguma para que pudesse sair. Apenas os dois em meio a uma imensidão, iluminados pela clareza da grande Lua.

– Sei o que pode estar pensando, mas não pense muito! Estamos na borda da realidade. Não sei se sabe, Murilo, mas os gatos são seres bastante especiais. Eles conseguem ver o que pessoas comuns não veem. Não acredito que ele tenha vindo para cá a toa. Eles são os olhos dos sonhos. Te ajudarei a chegar até ele.

– Acho que é muita informação, preciso de um tempo pra  poder entender tudo isso… num instante estava em casa, agora estou perdido por aqui. Pra completar, minha cadeira está emperrada na areia. Desculpa perguntar, mas… porque está me ajudando? Aliás, tudo está muito estranho…

– Ah, isso não é algo para se perguntar à mim. E sim para si mesmo! – Disse, apontando com o dedo a testa de Murilo. – Agora, prepare-se para decolar!

– Mas como vamos subir até lá? Não tem nada por aqui!

– Mas que criança esquisita! Como acham que pisaram na Lua? De elevador certamente que não! Eles foram numa Apollo! Nós também iremos de foguete. Gostou da roupa?

Assim como entrou na televisão, os dois agora estavam com trajes espaciais aperolados, olhando através do vidro do capacete.

– Ual! Como você faz isso? Preciso muito aprender pra usar na escola! – Gargalhou, com a voz saindo abafada.

– Ah, criança… se soubesse quem realmente realizou isso… – Sussurrou pra si mesmo, mas voltando a colocar um sorriso no rosto. – Deixa que te ajudo a subir em nosso foguete.

– Mas qual…!

Um pequeno foguete cromado o esperava num espaço próximo. Não estava ali antes, disso Murilo podia ter certeza, mas parou de tentar racionalizar a situação e seguiu o fluxo da aventura. Seu parceiro segurou a cadeira de rodas e o ajudou a ir em direção a rampa que acabara de baixar da espaçonave. Pararam um pouco antes de entrar na máquina.

– Olhe lá pra cima, pequeno. Está vendo aquele pontinho preto na Lua? Augusto está te esperando!

Os dois entraram no foguete, deixando para trás areia e poeira. Com o grande satélite de cristal a observá-los.

 

4 – CAMILA

Murilo ficou embasbacado com a quantidade de botões à sua frente, observando através do visor da nave o deserto sendo deixado para trás.

– Aprendi um pouco sobre foguetes uma vez, quando fui num museu. Foi bastante divertido.

– Então não terá muitas surpresas. É só apertarmos este botão vermelho e… pronto! Já estamos em direção à Lua!

– Mas que incrível, nem escutei explosões! Como isso foi possível?

– Você pensa muito, realmente é uma criança esquisita! O que importa é que em breve chegaremos ao nosso destino. Agora, Murilo… conte-me mais sobre você.

– Ah, não há muito o que falar… Tenho 11 anos…

– Não, não, não! Sobre você!

– Como assim?

– Tenho certeza que você não é um número.

– Sobre mim, então… Gosto muito de pudim! E de poder sair e me divertir em dias ensolarados! Quando meus pais podem, claro…

– Ah, eu também amo pudim! Mas quando eu posso comer, claro…

– Acabei esquecendo, mas… Qual o seu nome?

– Ah, me chamo Camila.

– Camila? Mas é um nome de menina! – Comentou, rindo alto.

– Isso é o que dizem. – Respondeu, também rindo.

– Mas você é menino, tem que ter um nome de menino. Murilo é um nome de menino. E Camila é um nome de menina!

– O mundo não é assim tão categórico, criança. Ou não percebeu que estamos dentro da sua TV?!

– É, isso é bastante estranho…

– Há um momento, Murilo, em que precisamos ser o que somos. Nomes, roupas, acessórios e expectativas que nos são entregues desde o nascimento não é o que somos. É o que nos programaram pra sermos. E somos programados pra muitas coisas. Mas nunca para o que realmente somos. – Deu uma pausa, observando o menino reflexivo. – Agora sim algo pra você pensar. Olha lá, já estamos chegando na Lua. Vamos nos preparar pra descer e voltar a nossa roupa tradicional, porque esta aqui já está esquentando…

 

5 – LUA DE CRISTAL

O foguete pousou cuidadosamente sobre a superfície da Lua. Uma rampa desceu da lateral da espaçonave e de dentro saíram Murilo e Camila. Augusto foi o primeiro a receber os dois, correndo em direção ao dono e pulando sobre seu colo.

– Augusto! Nossa, imaginei que ela fosse de cristal mesmo mas é de vidro! E olhe, há uma cidade aqui embaixo! Na verdade ela é um globo, como não percebi antes?

– Sim, ela é feita de um material bastante distinto. Interessante, não?

– Mas porque a chamam de Lua de Cristal?

– O nome, assim como todos os nomes, é uma metáfora.

– Metáfora? Que é isso?

– É quando algo diz ser aquilo que não é. Estamos cercados de metáforas.

– Incrível essa metáfora, então. E essa cidade. – Ficou observando por um instante o teto das casas, as ruas, os postes, pequenos pontos caminhando de um lado ao outro. Seu sorriso, entretanto, esvaiu-se. – Mas, Camila… como voltarei pra casa?

– Ah, uma boa pergunta! Como falei, os gatos não mentem. Acho que Augusto gostaria de te mostrar algo e sei exatamente o quê é. Estamos no exterior da Lua de Cristal. Mas olhe atentamente o seu interior. Está vendo aquele ponto amarelo movimentando-se em direção a casinha verde? É a perua que te deixa em casa. Em breve você descerá, entrará em casa, colocará ração para Augusto, assistirá alguma coisa na TV, tirará um tempo para lamentar-se… e por aí vai. Seguindo sua vida, dia após dia. Você não perguntou, mas desde o momento em que entrou aqui, você consegue andar.

O coração de Murilo palpitou, as pernas começaram a tremer. Algo que sempre o perseguiu todos esses anos, que o diferenciava dos demais, não deixando encaixar-se. Lembranças de colegas e parentes dizendo como seria incrível se pudesse ser normal… Lágrimas percorreram suas bochechas.

– Agora que encontramos Augusto, cabe a você decidir o rumo das coisas.

Murilo apoiou as mãos sobre a cadeira, tomando um impulso para levantar e… Voltou a sentar-se.

– Não. Isso não é quem eu sou. Eu sou eu, por mais que digam o contrário… que tentem me programar… este aqui sou eu. Acho que agora entendi, Camila. – Ganhou um olhar destemido, observando o chão de vidro abaixo, a perua parando em frente à sua casa.

– Que ótimo, criança! – Camila, sorrindo como de costume, agachou-se sobre a superfície da Lua, segurando um martelo na mão direita. – Preparado, então?

Anúncios

21 comentários em “Lua de Cristal (Fil Felix)

  1. Renato Silva
    30 de setembro de 2015

    Olá
    Conto bacana, bem escrito. Não sei se foi sua intenção em criar um conto infantil/ infanto-juvenil (um tema do qual entendo bem pouco), mas achei bem interessante por não ser mais uma daquelas estórias bobas e retardantes. Concordando ou não com tudo o que disse o Camila (que estranho isso!), ele convida o leitor a pensar e questionar o mundo a seu redor. O final me lembrou um pouco Matrix, mas numa versão infantil. Também achei legal a analogia com os X-Men. Espero ver uma continuação disso tudo.

    Boa sorte.

  2. Gustavo Aquino dos Reis
    30 de setembro de 2015

    Conto que beira ao irreal e ao realismo mágico. Gostei da ousadia do autor e tentar passar essa realidade fantástica no certame que, a priori, se adequaria melhor em uma narrativa mais verossímil. Parabéns.

    Não mais olharei uma televisão da mesma forma.

  3. catarinacunha2015
    30 de setembro de 2015

    TÍTULO é apenas adequado (1/2) e o TEMA ficou interessante. Nada melhor do que um cotidiano a ser quebrado (2/2). A literatura infanto-juvenil não me encanta, acho o FLUXO enfadonho até; opinião pessoal, não técnica (1/2). O que não compromete a TRAMA de aventura fantástica (2/2). O gancho está bem colocado e merece continuação (2/2). 8

  4. Lucas Rezende
    30 de setembro de 2015

    Olá,
    O conto tem uma pegada de sessão da tarde, mas é um conto muito bom. Toda a aventura de Murilo é uma grande lição de moral, diria que é um texto infantil (isto não é uma crítica).
    Fiquei interessado no desfecho da história, que provavelmente se dará na segunda parte. Gostaria de ver no que a lição que Murilo aprendeu acarretará em sua vida. Parabéns.
    Boa sorte!

    Nota: 9

  5. Thata Pereira
    28 de setembro de 2015

    Eu estava lendo esse conto e pensando: poxa, será que não fugiu do tema cotidiano? Mas acontece que, assim como fala na história, minha cabecinha também está padronizada e, muitas vezes, acostumada a entender apenas o que é oferecido. Mas momentos como esses, que foram narrados, fazem parte do cotidiano de toda criança. Fez parte até mesmo do meu, quando entrava em caixas de papelão e imaginava que fossem casas, carros, castelos. Adorei o conto, aguardo a continuação!

    Boa sorte!!

  6. Tiago Volpato
    28 de setembro de 2015

    Não gostei. Não que você não escreva bem, você consegue fazer uma frase agradável, tem um bom olho pra descrever as coisas e colocar no papel de forma legal, mas achei o texto desinteressante. Os diálogos me soaram muito artificiais, a sensação que eu tive era de estar lendo um texto escrito por alguém e não de mergulhar na história. Também não vi muito do cotidiano, talvez seja o cotidiano de uma brincadeira de uma criança, mas acho que você deveria ter explorado mais isso, ao invés de uma aventura, que me desculpe, é bem genérica.
    Do ponto de vista da escrita, o texto está ótimo, só não gostei do enredo mesmo.
    Abraços.

  7. Bia Machado (@euBiaMachado)
    28 de setembro de 2015

    Emoção: 1-2 – Desculpe, mas não consegui me envolver com o conto. Para mim não funcionou.

    Enredo: 1-2 – Não achei interessante, parece que faltou algo no desenvolvimento que me cativasse mais.

    Construção das personagens: 1-2 – Achei rasos, não houve empatia suficiente para que me cativassem. E pra mim os diálogos soaram desinteressantes, podia ter trabalhado mais. Não conseguia ver um menino de 11 anos de hoje em dia pelo menos…

    Criatividade: 2-2 – só tendo muita criatividade pra pensar nisso tudo que o conto explorou. Uma criatividade “mirabolante”, rs.

    Adequação ao tema proposto: 1-1 – Acredito que sim, é uma quebra de cotidiano, e que quebra!

    Gramática: 0,5-1 – Algumas escorregadas, de concordância e de pontuação, principalmente.

    Trecho destacado: “Agora ele podia olhar com maior clareza o ambiente, um enorme deserto composto por nada além de areia alaranjada.”

  8. Gustavo Castro Araujo
    26 de setembro de 2015

    Bacana a fábula, e o melhor é que não tem lição de moral – pelo menos nesta fase. Gostei da viagem de Murilo, do tom infantil sem exageros do conto e da maneira como tudo foi contado. Torci o nariz para algumas construções frasais e para alguns erros, mas isso não comprometeu a ideia, que é muito boa. Certamente é uma história que posso contar às minhas filhas. Enfim, o texto cumpre bem o objetivo a que se propôs, distorcendo o conceito de cotidiano, mas sem ousar. Vejamos o que espera por nossos heróis na fase que vem.
    Nota: 7,5

  9. Pedro Viana
    23 de setembro de 2015

    Conto muito bom!

    Me lembrou aqueles filmes de aventura “in dream” que eu era viciado quando pequeno, como Pequenos espiões, Sharkboy e Lavagirl, e vários outros cujos nomes agora me escapam.

    O início, com a leitura do cotidiano apenas como rotina, atrapalhou o ritmo do conto. Estava morno, entediante (talvez até tenha sido proposital), mas acredito que em seu desenrolar recuperou o fôlego.

    Ponto pelas mensagens que pretendeu passar, como superação de barreiras por deficientes e uso do nome social. Parabéns!

    Vou lhe dar nota 8 e acender uma vela para que, caso consiga chegar na próxima fase, não termine sua história com um deus ex machina clássico (“e tudo foi um sonho”). Prometo distribuir meu primeiro 0 se você fizer isso, rs.

    De qualquer modo, pelo que vi na condução desta primeira parte, confio na mão do autor ou da autora, e torço por seu sucesso! Um enorme abraço!

  10. Anorkinda Neide
    23 de setembro de 2015

    Ai, gostei e não gostei deste conto!
    Está muito bem escrito , com uns probleminhas nos dois primeiros parágrafos, na estrutura das frases. Mas a história é ótima até certo ponto. No que ela quis passar, é que eu fico em dúvida e com os dois pés atrás.
    O palhaço é um ótimo personagem… pq não dizes que ele é um palhaço? Toda a pegada psicológica, me faz pensar que o garoto está sonhando, mergulhando em sua própria mente e resgatando ‘o colorido’ da vida. Isto é ótimo.
    Mas entrou ali o tal discurso de gênero, que, meu… sorry, eu não compro de jeito nenhum. E mesmo, destoou da história, todas as ‘explicações’ que o palhaço deu são ruins, a meu ver. Metáfora é algo que diz ser aquilo que não é? Poxa, baita distorção do conceito aqui!
    busquei no site significados. com:
    ‘A metáfora é uma ferramenta linguística muito utilizada no dia-a-dia, sendo importantíssima na comunicação humana. Seriamente praticamente impossível falar e pensar sem recorrer à metáfora. Uma pesquisa recente demonstra que durante uma conversa o ser humano usa em média 4 metáforas por minuto. Muitas vezes as pessoas não querem ou não conseguem expressar o que realmente sentem. Então falam frases por metáforas onde seu significado fica subentendido.’
    Dae no final, o garoto decidiu por continuar paraplégico, pq este aqui ‘sou eu’, sei lá.. acho q eu não entendendo os novos conceitos da Nova Sociedade, não entendi o que aconteceu ali na mente do personagem. Quem sabe com a segunda parte da historia eu compreenda, nao é?
    Como eu estou dando importância aos ganchos, acho que vc deixou um belo final ae, pedindo uma continuação, ao mesmo tempo em que tb fecha o conto, se ele permanecesse sem continuação. Parabéns por isso!
    Abração

    • Fil Felix
      6 de novembro de 2015

      Oi, Anorkinda! Sei que viajo muito nos contos, mas a ideia principal aqui é da autoaceitação. Pensei muito sobre a cena de levantar da cadeira e ficaria subentendido que só podendo andar que uma criança pode ser feliz, toda essa viagem só valeria a pena se ela voltasse a andar ou algo do tipo. Ideia que não sou muito fã. Além do autoconhecimento, também passa pela autoafirmação.

      E da Camila, foi um cutucão sim, e através dela que usei a explicação dos nomes e metáforas (por isso os capítulos). Mas não há algo sexual ou de gênero, e fico até surpreso que alguns levaram pra esse caminho (ou do politicamente correto) e por isso não gostaram. Trabalho com criança e há muito dessa coisa menino/ menina, rosa/ azul, carrinho/ boneca e sempre vejo vontades que algumas se “auto-negam” por conta desse sistema, por medo da exclusão. A ideia de trocar o nome, que é até simples, simboliza essa coisa de por pra fora como você se vê, sem se preocupar se é “culturalmente aceitável” ou não, se a sociedade ou família aprova ou não. Um nome não significa nada, que não para o próprio dono dele, taí nossos nomes artísticos. E aí entra a ideia da metáfora, que talvez eu tenha dado uma escorregada em como incluir na frase. Mas penso do mesmo jeito, usamos metáforas ou até sentido figurado, não pra falar necessariamente daquilo que está na fala, mas de uma outra coisa (que fica subentendido, como disse).

      De novo, viajo muito nessas coisas haha Obrigado pelo ponto de vista, vamos tentando melhorar ^^ Nova Sociedade? Já quero pedir minha entrada no clube, porque a Era de Aquário tá demorando muito.

  11. pythontrooper
    22 de setembro de 2015

    Conto baseado em fantasia infantil e me pareceu mais adequado para crianças, pois o texto é pobre, tem repetições sonoras em um mesmo parágrafo, erros de concordância e de pontuação.
    Aparentemente buscou explorar temas mais polêmicos como o defeito físico do garoto e a suposta assexualidade de seu amigo para conquistar simpatizantes. Não funcionou comigo.

  12. Maurem Kayna
    22 de setembro de 2015

    Um conto fantástico onde o cotidiano é mera referência para sublinhar seu próprio despropósito (do cotidiano). Aparentemente a narrativa visa denunciar e romper, mas faltou força suficiente para alcançar o intento. O final é muito bom, assim como algumas provocações de Camila, mas acredito que o/a autor(a) pode melhorar o ritmo e, especialmente, os diálogos, que soaram muito artificiais.

  13. Brian Oliveira Lancaster
    21 de setembro de 2015

    Já viu o anime (e o jogo) Persona 4? Tem uma ideia bem parecida, com esse toque de conto de fadas – naquele caso está mais para uma história de detetive. Você conseguiu aplicar uma leveza infantil a uma atmosfera dramática. A lacuna do final é preenchida com a figura do título, o que foi bem criativo.

  14. Felipe Moreira
    18 de setembro de 2015

    Um conto muito bem escrito, tem uma temática semelhante a livros como pequeno príncipe. Digo isso mais pelo aspecto filosófico mesmo, não pela viagem e etc. Ele traz uma reflexão interessante, tem personagens convincentes. Gostei do seu texto e deu vontade de ler a continuação, ou o complemento.

    Parabéns e boa sorte.

  15. Fabio D'Oliveira
    16 de setembro de 2015

    ☬ Lua de Cristal
    ☫ João da Graça

    ஒ Físico: Que texto gostoso de ler! O estilo simples é capaz de conquistar qualquer leitor. Juntando isso com a sensibilidade do autor, temos um conto bem bonito. Oriento apenas uma coisa: implemente o estilo com alguma coisa. Eu assumi um estilo semelhante. Prezo muito pela simplicidade, sem muita enrolação. Mas também tento colocar um tom poético em tudo que escrevo. Cria um diferencial. Enquanto um estilo mais prolixo tende a ser superficial, um estilo mais simples tende a ser muito frio e sem graça. Às vezes, é necessário jogar um pouco mais de tempero para deixar o texto mais delicioso para os leitores.

    ண Intelecto: O conceito por trás de tudo é muito interessante. Murilo está numa busco pelo autoconhecimento. Adoro esse tipo de estória! Camilo é o personagem guia, mas tente disfarçar isso. Está muito descarado. É bom lembrar que o guia apenas aponta para a direção que o indivíduo deve tomar, mas nunca o acompanhará pelo caminho; pois ele tem o dele.

    ஜ Alma: O texto cita o cotidiano de Murilo no início, mas esse não é o foco da estória. Na realidade, mais da metade do conto se trata da viagem em busca de Augusto. Que é uma quebra da rotina! Da forma como está, fica difícil relacionar o texto com o tema. Adianto: não tem problema na aplicação da quebra do cotidiano, contanto que essa situação esteja intimamente ligada com o tema principal. O final brusco também prejudica o texto, porém, o gancho é interessante.

    ௰ Egocentrismo: Adorei o conto. Trata de um tema que gosto muito e que, sinceramente, aplico muito nas minhas estórias. A autodescoberta é um assunto gigantesco.

    Ω Final: Um texto singelo e puro, com uma estória belíssima de autodescobrimento. Apesar do cotidiano estar presente no início do texto, esse não é o foco principal. O final brusco é ruim, mas, para compensar, o gancho ficou excelente.

  16. Fabio Baptista
    16 de setembro de 2015

    Gostei!

    Um conto infantil bem narrado, que instiga a curiosidade e faz pensar na vida.
    Se tivesse uma pitada a mais de humor eu chutaria que esse conto é do Thales! 😀

    Até quase o final eu estava com a pulga atrás da orelha por causa do tema… o cotidiano mesmo só havia se mostrado lá no começo, depois tudo virou uma aventura surreal. Mas daí com as explicações e aproposta do Camila as coisas se encaixaram. Acho que esse foi o texto que melhor se aproveitou do recurso do “gancho” até aqui.

    A escrita está muito boa, tudo muito claro e fluído. Só peguei umas bobeirinhas:

    – os tons de cinza iniciou-se
    >>> iniciaram-se ?

    – cadeira em direção a porta / em direção a tela
    >>> à

    NOTA: 8

  17. Rubem Cabral
    15 de setembro de 2015

    Olá, João da Graça.

    Achei o texto bonitinho, com jeito de conto de fadas. Quanto à adesão ao tema do desafio, achei que você só o atendeu parcialmente.

    Não gostei muito da quebra em “capítulos”. Achei que a escrita, em especial quanto à concordância, precisa de acertos, mas está, em linhas gerais, bem feita.

    O conto parece “namorar” com o politicamente correto e o inclusivo, ao apresentar o personagem “Camila”, que poderia talvez ser a projeção de um(a) transexual no mundo por trás da tela.

    Enredo: 3,5 (0-6)
    Escrita: 2,5 (0-4)

    Abraços.

    • Fil Felix
      6 de novembro de 2015

      Oi, Rubem! Sobre a Camila, tentei expor nela aquilo que somos ou desejamos ser sem a intervenção dos outros, até onde seríamos o que somos hoje se não houvesse pressão, falação ou preconceito de parentes, amigos etc? Nesse caso, apenas o nome já causou um efeito, mesmo que o personagem não seja LGBT. E dos capítulos, quis fazer uma ligação com a ideia dos nomes e o que representam. Brigadu!

  18. Ruh Dias
    14 de setembro de 2015

    Finalmente um conto fantástico! Gostei do começo ao fim. Acredito, apenas, que o (a) autor (a) poderia requintar um pouco a escrita, pois as frases ficam com o ritmo “cortado” com o excesso de pontos finais. Fora isso, achei o tema ótimo e fiquei feliz de ver um pouco de fantasia por aqui.

  19. Rogério Germani
    12 de setembro de 2015

    Olá, João da Graça!

    Seu texto é esmerilhado num cotidiano cinza e triste que ganha força- novas cores- no instante em o menino Murilo, fanboy de X-Men, espelha-se nas semelhanças dos mutantes para, assim também fugir da realidade. Até aqui, tranquilo: quem nunca na vida sentiu ao menos uma leve discriminação( se é que existe discriminação leve!) que atira a primeira carta explosiva escondida na manga. O estranho nos sonhos/devaneios do personagem é que a realidade paralela apresentada surge repleta de lições intrínsecas, filosofia adulta demais até para um menino tão questionador quanto Murilo é descrito no enredo.
    A trama ganha pontos por quebrar a rotina. Mas perde por deixar um final aberto, com uma menina segurando um martelo na mão direita… ficou parecendo com os desenhos de heróis que finalizam com o bordão “Não percam as emoções do próximo capítulo…”

    Nota 5

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 12 de setembro de 2015 por em Cotidiano Meireles e marcado .