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Detox Literário.

Pés Descalços (Fellipe Mariano)

pesuando eu era menino costumava pensar em me tornar um peregrino, viajar por todo o mundo conhecido, desbravar novos horizontes, conhecer pessoas importantes, acumular tesouros… Mas a vida nem sempre toma os rumos que queremos. Hoje, já adulto, sou dono de uma pequena pousada localizada em um vilarejo menor do que um estábulo. Se não fosse o fato desse ser um local a beira de uma grande estrada, acho que já teria morrido de fome.

Mesmo com a minha vida comum e rotineira, ainda sonho com grandes jornadas e com riquezas esquecidas de reis que já se foram há muitos séculos. Ainda pergunto aos viajantes que por aqui passam como andam as coisas pelas outras bandas. Ainda me vejo olhando para minha antiga espada, agora presa em uma estante do outro lado do balcão. Mas acima de tudo, ainda ouço a voz da aventura, sussurrando desejos em minha mente, e fomentando inquietação em meu coração.

Algumas vezes me transporto em memórias para os tempos de criança. Correndo descalço nas ruas, esperando encontrar dragões, orcs, diabretes e todo tipo de seres habitando o bosque dos fundos de minha casa. Eu enfrentaria essas criaturas com nada além de minha coragem, e as derrotaria com a força de minha voz… Porque é assim que os grandes heróis fazem sua fama, não com espadas e escudos, muito menos com artimanhas, eles a fazem usando nada além da pura coragem. Essa coragem ainda reside em mim, e quem sabe um dia ela possa reavivar um pedaço meu esquecido há muito tempo.

Quando esse dia chegar, não importa a idade que eu possua, eu me lembrarei dos sonhos de criança e me lembrarei dos meus pés descalços sobre as pedras.

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8 comentários em “Pés Descalços (Fellipe Mariano)

  1. mariasantino1
    22 de agosto de 2015

    Oi, tudo bem?

    Gostei da ideia de recordação, de mistutar a fantasia ao cotidiano de alguém, mas, como é um conto curto, acho que caberia uma modificada na forma de expor as ideias, apostar mais no insólito. Quem sabe o contraste dos sonhos, frente a resolver contendas de bêbados (daí ele teria que ser dono de um bar e não de uma pousada), então poderíamos ter o personagem divagando sobre o que ele queria e o contraste do que alcançou = brigas com os pinguços que se recusam a pagar o consumo no bar, e briga entre os próprios consumidores.
    O que quero dizer é que ficou algo genérico, sem riscos por parte do autor.
    Percebi as rimas e gostei do ar saudosista, mas sinto que poderia gostar mais, se tivesse mais.
    Abç!

    • Fellipe Mariano
      22 de agosto de 2015

      Concordo que faltou, talvez, alguma substância adicional ao texto. Os pontos que você ressaltou são interessante, mas acredito que para o que eu quis com esse conto acabaria ficando algo menos “infanto-juvenil” e mais “uma noite na taverna”.

      Com relação as rimas. Nas primeiras duas frases foi algo natural (ando lendo muito Romance de Cavalaria). No restante, onde pude, tentei construir algo próximo a versos aliterativos.

      Obrigado pelo comentário.

      • Fellipe Mariano
        22 de agosto de 2015

        ” No restante, onde pude, tentei construir algo próximo a versos aliterativos.”
        Sem muito sucesso (obviamente)

  2. Fabio D'Oliveira
    21 de agosto de 2015

    ☬ Pés Descalços
    ☫ Fellipe Mariano

    ஒ Físico: O texto está muito bom, em linhas gerais. O estilo ainda está um pouco indefinido, mas está no caminho certo, caro Fellipe. Peço que preste mais atenção na construção das frases. Tente podá-las como um bonsai; com carinho, atenção e cuidado. Um conto é uma obra de arte, afinal.

    ண Intelecto: A ideia não impressiona. As lamúrias de um velho sonhador. A aplicação também não foi inovadora. De fato, é um breve relato dos pensamentos do narrador, que chora palavras por não ter tido a coragem, ou oportunidade, de realizar seus sonhos. Poderia ficar melhor numa abordagem diferente.

    ஜ Alma: No fundo, talvez, o autor tenha talento nessa área. A sensibilidade que o texto carrega é muito grande. E me pareceu verdadeiro. O narrador consegue transmitir, de verdade, todo seu pesar por não conseguir realizar seus sonhos. É triste. Mas também é belo.

    ௰ Egocentrismo: É impossível não gostar do texto já que trata de um tema tão delicado. Adoro esse tipo de estória. Além disso, foi agradável descobrir um autor que possui tanto potencial.

    Ω Final: Um texto que revela um autor com potencial para muito mais. Como nada é perfeito, precisa de algumas melhorias, como uma poda mais cuidadosa na construção das frases. Fora isso, o leitor se delicia facilmente com as emoções expostas no texto, indicando o sucesso do escritor.

    ௫ Nota: 8.

    • Fellipe Mariano
      22 de agosto de 2015

      Fantástica a análise do texto. Ao final do seu comentário, o dono da pousada deve ter se sentido pelado. Concordo com todos os pontos, em especial a questão de estilo indefinido (meu grande problema na realidade).

      Obrigado pelo tempo que dispôs para ler, analisar e comentar meu texto.

  3. Fabio Baptista
    20 de agosto de 2015

    Olá!

    Até gostei da escrita, mas, meu… foi curto demais! 😦

    • Fellipe Mariano
      20 de agosto de 2015

      A ideia era ser curto mesmo…

      Obrigado pelo comentário! Pretendo enviar mais contos, a maior parte deles é maior do que esse. (risos).

  4. Esther
    20 de agosto de 2015

    Muito bom. Deus te abencoe.

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Publicado às 19 de agosto de 2015 por em Contos Off-Desafio e marcado .