EntreContos

Detox Literário.

Terceiro Buraco (Dheikson)

Dor. Essa pequena palavra, aparentemente inofensiva é capaz de transformar as pessoas. Fazê-las prometer coisas que jamais cumprirão. Pessoas agonizantes são capazes de oferecer tudo o que possuem por uma promessa de melhora, porém ao estarem curadas pode ter certeza que não o farão.

Sei disso porque trabalho como enfermeiro em um hospital.

Todos os dias alguém promete algo, todos os dias finjo que acredito no que dizem e sigo minha vida indiferentemente.

A rotina é comum para gente que trabalha nessa profissão, tanto para médicos, quanto para as recepcionistas, todos fazem o que tem que fazer de forma automática. Sem pensar muito no que estão fazendo.

Nesse momento aplico uma injeção em uma senhora gorda, com algum tipo de alergia. A velha não para um minuto de falar, finjo que estou escutando e concordo com tudo o que ela fala. Retiro a agulha, insiro o algodão e digo para ela se encaminhar para a recepção.

Uma ambulância estaciona, som ensurdecedor da sirene ecoando nos corredores, gritos de desespero do acompanhante, correria de médicos e outros enfermeiros empurrando a maca para a mesa de cirurgia.

Por instantes vejo-me deitado na maca com o crânio rachado, sangue escorrendo sem parar, respiração forçada pelo sangue saindo do nariz. Instantes que parecem horas, gostaria de estar no lugar desse garoto.

Bato meu ponto e vou para casa, hora de ir embora.

Seis e meia da manhã, três noites de plantão no hospital sem dormir. O tempo parece distorcido, os carros passam com as luzes ainda acesas e lembro-me de quanto eu tomava ácido. Os flashes de luzes, as cores vibrantes, a distorção do tempo. O cérebro realmente prega peças, principalmente quando ainda está dentro do nosso crânio.

Compro pão e vou pra casa, abro a porta e vejo minha mulher saindo do banheiro, provavelmente foi evacuar sua sonda. Está pálida, fraca, sorri para mim dizendo que sentiu minha falta. Lentamente arruma a mesa e fico parado somente a observando.

Há um dois anos e meio Sônia descobriu que tinha câncer no intestino, começou com uma pequena dor ao ir ao banheiro e foi progredindo até não poder mais caminhar devido à dor.

Tratamento: Remoção dos intestinos e adaptação de uma sonda.

Condenada a passar a vida toda vendo suas fezes e urina encaminhar-se para um saco ao lado do seu corpo.

No início foi complicado, minha mulher não aceitava o novo modo de evacuação, passou alguns meses em depressão, mas aos poucos se adaptou e a vida voltou ao normal.

Algumas enfermeiras prestaram-me apoio durante esse período em que minha mulher não podia satisfazer minhas necessidades e devo admitir que foi uma experiência extremamente prazerosa.

O hospital foi meu playground durante esses meses em que minha mulher estava se recuperando. Tornei-me um viciado em sexo hospitalar, acredito que existem enfermeiras que somente exercem a profissão para satisfazer seus desejos.

Kelly era minha preferida, geralmente íamos à sala de cirurgias, enquanto transávamos, ela inseria instrumentos cirúrgicos em seu ânus. Costumava dizer que adorava a sensação do metal gelado enquanto eu a penetrava. Tentamos utilizar o bisturi, porém geralmente nos cortávamos fundo demais e os cortes demoravam muito para cicatrizar.

Aos poucos Sônia melhorou e reativamos nossa vida sexual.

Mas o tempo passa e as coisas que antes eram novidades logo começam a aborrecer. Parei com as orgias. Voltei a transar somente com minha mulher.

Ao contrário do que pensei, minhas taras tornaram-se diferentes. Enquanto comia minha mulher de quatro olhando aquele pequeno cano saindo de suas entranhas e alimentando aquela bolsa com sua merda, comecei a imaginar como seria comer o seu “terceiro buraco”.

Minha esposa sempre fora uma pessoa gentil, sempre fez de tudo para me agradar, mas quando sugeri penetrar em seu novo buraco a reação foi uma mistura de medo com espanto e ódio.

Por alguns dias fingi que esqueci o assunto, transamos mais algumas vezes até o dia em que a peguei pelo pescoço, imobilizei-a, arranquei seu caninho e introduzi meu pênis no seu orifício abdominal. Ela gritava, contorcia-se, chorava, e o prazer que eu sentia era algo indescritível. É mais ou menos como pegar um pedaço de carne aquecido e ficar esfregando no seu pau.

A última vez que fizemos isso foi há três dias.

Enquanto ela arruma a mesa e eu fico em pé observando, percebo que ela está mais pálida do que o normal, mais magra do que o normal, pergunto se está bem e trêmula me responde que sim.

Ao terminar de arrumar a mesa ela cai, o som seco de carne batendo ao chão. Passo ao seu lado e sento-me para tomar o café e comer alguma coisa. Percebo que seu abdome está inchado e encharcado de sangue negro.

Ligo para o hospital onde trabalho, digo para a recepcionista encaminhar uma ambulância com urgência, digo que tem algo errado com Sônia, que ela está desmaiada.

Em instantes a ambulância chega e a levam para o hospital.

Assim eu matei minha esposa, sei que ela não falou nada a ninguém, porém fiquei com essa vontade de quero mais.

Anúncios

9 comentários em “Terceiro Buraco (Dheikson)

  1. Cbrot
    2 de setembro de 2015

    Achei mais ou menos:
    Uma mistura entre Alexis St. Martin e seu Médico William Beaumont, só que com a falo em vez da cordinha e a carne.

  2. Agnaldo Souza
    26 de agosto de 2015

    Chocante! Parece que você tem a mesma capacidade de ser cru e chocante que o Nélson Rodrigues, mas com uma gota de perversão. Gostei. Diferente e audacioso.

  3. Silvano Filho
    20 de agosto de 2015

    É um texto forte. Acredito que daria para enxugar mais e eliminar o que foge do tema central: o desenvolvimento de um maníaco sexual. Gostaria de ver mais o aprofundamento dos personagens para poder sentir melhor o que está acontecendo. O conto choca o leitor e isso não é algo ruim.

  4. Fabio D'Oliveira
    19 de agosto de 2015

    ☬ Terceiro Buraco
    ☫ Dheikson

    ஒ Físico: O texto se encontra num estado medíocre. Os parágrafos curtos não existem motivos para existirem. Não há um apelo poético tão grande. Algumas frases não fluem muito bem e são estranhas. Como um cérebro pode pregar peças fora do crânio? O estilo pessimista cumpre muito bem com seu papel, isso é certo, mas não impressiona. Não existe inovação.

    ண Intelecto: Muitas vezes, a estória do texto revela o que o autor tem em mente. Um verdadeiro psicopata? Talvez. A personalidade do protagonista não é tão complexa assim. Ele joga limpo. Vale ressaltar que ele não inova. É o mais do mesmo, quando se trata de um personagem assim. Sem falar que a ideia é vulgar. A construção do texto também não é tão sólida. Acredito que o conto poderia ficar melhor com uma narrativa no passado, em forma de relato.

    ஜ Alma: A alma do autor me pareceu um tanto feia. Não impressionou, porém. Não chocou, pois a situação foi bem forçada. No decorrer da análise, vemos que o escritor continua sendo uma incógnita.

    ௰ Egocentrismo: O texto é tão cruel, tão vulgar, tão superficial, que foi impossível apreciá-lo como ele é. Com certeza irá agradar algumas pessoas, que gostam de alimentar esse lado, mas apenas o amor e a paz conquistam meu coração por completo.

    Ω Final: A habilidade medíocre do autor e a criatividade sádica não impressionam um leitor mais exigente. De fato, poderá atrair e até ganhar certa admiração daqueles que gostam da escuridão. No mais, o autor precisa ter foco no que ele quer fazer e na mensagem que quer passar. Se isso não existe, o conto se torna mero entretenimento. O que o torna descartável.

    ௫ Nota: 6.

  5. gabriel feigel
    17 de agosto de 2015

    kkkk. ficou foda. lembra um pouco os contos do rubem fonseca. abs

  6. Cristiano Zauza
    17 de agosto de 2015

    Muito foda, doentio demais!!! Parabéns \,,/

  7. mariasantino1
    17 de agosto de 2015

    Oi, tudo bem? Eu queria gostar mais desse conto. Não é o tipo de narrativa que me atrai, porque gosto de uma linguagem menos escrachada. Achei o conto é curto para repassar algo com maior clareza. Se a proposta era falar das taras humanas, nossos comportamentos (egoísmo e busca de satisfação só pra si, sem pensar no próximo), o texto não alcançou –de todo– o objetivo COMIGO. Mas se o autor desejou oferecer entretenimento e cutucar um pouco o leitor, então, pode se dizer que isso aconteceu quando li o texto.
    O que foi oferecido me causou certo nojo e pena, mas com um pouco mais da mente do personagem (sobretudo algumas divagações), teríamos uma maior ligação com ele.
    Você permite uma dica? Esqueca o lance de chocar o leitor, preocupe-se mais em construir os personagens. Gosto desses lances mais sujos e cínicos, mas o conto ficou meio a meio, beleza?
    Abraço.

  8. julianomarquesss3
    17 de agosto de 2015

    Que doente esse enfermeiro. bem interessante a sua história …. parabéns…

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 15 de agosto de 2015 por em Contos Off-Desafio e marcado .