EntreContos

Literatura que desafia.

Doce Tango Argentino (Ana Paula Lemes)

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Tanto medo de encarar

Em outra face,

Um novo eu

Como quem vive a delatar

Meus segredos

Em um museu.

Aberto à visitação

Em um fim de domingo

Sonhos ressentidos escancarados,

E nos quadros eu não estou sorrindo,

Pedindo

Ou fugindo

Fugindo

Ou pedindo

No reflexo do espelho, sou eu, ou você,

Que me vive sem receios?

Um escritor não escreve porque ama escrever. O legítimo escritor escreve porque precisa. É assim: o personagem não é inventado. Ele nasce em algum momento e implora que alguém lhe dê voz. Ele precisa do escritor e, como um obsessor, não desiste enquanto não tem seus desejos realizados. Ele lhe tira as noites de sono, implora pelas palavras não-ditas, exclama pelas entrelinhas e sufoca os sentimentos desse pobre ser, que, como um deus, deve fazê-lo nascer pro mundo dos homens.

O autor é como uma mãe, cuja gestação terá como fim o nascimento de um filho, ficando cicatrizes eternas do parto. Uma mãe nunca é a mesma depois de seu filho, pois um escritor nunca se acomoda enquanto durar a vida de seu personagem. Ele sente suas dores, esmorece por seus percalços e sofre. Nesse sofrimento, transforma-se, transmuta-se, perdendo um pouco de si em cada um deles e ganhando um pouco deles em cada despedida. Por isso, muitas vezes, um personagem deve ter o mesmo fim que os próprios homens: a morte. O escritor, sôfrego, trôpego, fóbico, sem poder mais viver sua própria vida, deve manchar suas páginas de sangue. Ou é ele, ou o personagem, então o criador acaba matando a sua criação, insuportável que é que se viva em um a vida de dois. Alguém tem que fenecer: se o escritor ou a personagem, um deles deve assumir as rédeas direcionais da existência.

Ai, meu deus, como tenho medo de escrever. Pois sei que, a cada momento, um novo caminho a me levar por breus imensos. Não sei para onde seguir. Há anos eu, fugidia, como quem engana seu próprio rebento, fujo dela. Ela é assim: uma flor dourada à luz do sol. Não quero conhecê-la, pois tenho medo de onde ela me levará. Ela é o meu próprio abismo, o silêncio que rompo em cada espaço, as palavras que deixo de dizer no meu silêncio inoportuno. Sofro por medo, pois ela é o meu oposto. Ela é a lembrança de tudo aquilo que escondo fundo dentro de mim. É, pois, tudo que eu deveria ser, mas, por covardia, não consigo. Quando ela invadir minha vida e suspirar seu primeiro suspiro, temo que me anularei. Quando se tornar intolerável a suportabilidade de sua não-existência, devo fazê-la nascer. Mas eu não quero e, não querendo, vou lutando com minha crista levantada e minha reverberante e esmagadora vontade de não ser mais ninguém: quero ser somente eu, no silêncio confortante de se viver na sombra. Que se calem meus personagens e que deixem ser eu mesma a guia em meu caminho!

Ela, neste momento, engana-me, sussurrando em meus ouvidos as entrelinhas de minha criação. Ela me logra e me deseja, ela quer me ser, para me tomar de minha vida. Mas desta vez não a deixarei, pois, decidida que estou, não mais me mancharei de sangue e não mais cederei horas a soltar palavras que não são minhas, mas que indubitavelmente se tornaram minhas.

Eu sempre me sacrifiquei pelos meus personagens. Luto com eles e defendo suas causas até não haver mais tempo para viver minha vida. Chego a tal ponto de muitas vezes defender causas que desconheço, ou que simplesmente não fazem parte de meu arcabouço mental. Foi assim com Diego Vantesier. Ele era um sueco envolvido em fraudes imobiliárias, mas deixei-me ludibriar por seu perfume francês e, aos poucos, fui saboreando a sua existência em palavras. Ele queria que eu escrevesse um romance sobre ele, que lhe desse uma família e um enredo magnífico. Quando dormia e com ele sonhava, despertava-me em suor e, sonâmbula, ia saltear por sílabas tortas. Ele enveredou-se por caminhos oblíquos em sua empresa Garrah, com planos de uma grande Joint venture com outra empresa sueca. O motivo, obviamente, só poderia ser uma baita fraude operacional, envolvendo falsificação de documentos, papelotes consorciais inexistentes e toda espécie possível de golpes baixos.

Um belo dia, Diego me deixou, deve ter ido vampirizar outro pobre autor. Quando ele saiu e me dei por mim, encarei-me frente a frente no espelho e já não era mais a mesma. Meus olhos estavam cheios de olheiras, por culpa das inúmeras noites sem dormir. Ao final, eu tinha somente um romance inacabado e uma solidão como quem perde parte de si. A inspiração havia partido com ele e o que sobrou foi só um corpo vazio, sem alma. O poder criativo me abandonara e, muito aos poucos, passo a passo, fui me apoderando novamente de mim, pois o que antes achara fortuito e tristonho, depois se revelou como um presente que não poderia ter sido melhor.

Eu, escritora apaixonada, não podia ver falhas em seu caráter. Eu já o respirava e era apenas uma sombra vaga de Diego. Ele havia roubado a minha voz e tudo que eu falava respingava a sua embaraçada visão de mundo. Perturbada que me tornei, peguei-me em conversas banais defendendo pontos de vista que jamais foram meus. Por exemplo, no escritório onde trabalho, em uma conversa que estava tendo com um amigo que fora me visitar, que por um acaso é um historiador, comecei a defender algo que jamais pensei que poderia defender. Eu, marxista por minha própria essência, comecei a defender o regime econômico capitalista, destacando sua Laissez-faire e sua capacidade de desenvolvimento econômico, dentre outras características que somente uma visão um tanto equivocada poderia defender. Meu amigo, obviamente, não podia deixar barata tal mudança em mim. Passou a listar inúmeros pontos que eu mesma havia listado em todas as conversações pretéritas, citando efeitos perversos do capitalismo, tais como: completa alienação social, distribuição desigual de renda, má distribuição de poder, imperialismo, exploração econômica, disseminação de uma cultura única, desemprego estrutural e instabilidade econômica globalizada. Eu, alheia ao mundo, só pude notar, como quem enxerga de fora, que algo de muito estranho havia me acontecido. Meu amigo, desde então, jamais voltou a me visitar. A partir desse episódio, deixei de discutir política, economia e tudo o mais que fazia parte dos focos discussionais de Diego, eis que já não podia mais dele me distinguir.

Não poderia, portanto, continuar escrevendo, doravante seria mais eu. Eu quase havia me anulado de um modo irretornável com esse tumultuoso e emblemático encontro com Vantesier. Não havia inspiração deixada e nem tempo para me dedicar aos outros. A partir de então, embora o dom de escrever fosse realmente um dom, pra mim não era mais: era um fardo. Fardo difícil de ser carregado. É assim: você tem que se negar em suas essências. É como se deus te desse um presente e você respondesse: não, não quero.

Foi assim com Diego: um tempo eu fiquei em crise criativa. Dormia quase em paz celestial enquanto meu corpo se recuperava. Até esse momento, imaginei que minhas súplicas tinham sido finalmente atendidas: eu poderia ser finalmente eu, sem mais nem menos, exatamente como havia pedido. Tive tempo de me analisar e os pontos mais exagerados eu já havia conseguido separar, vagarosamente, como uma cozinheira que, cuidadosamente, separa os grãos bons dos ruins: o que sempre foi meu e o que era de Diego. Certa vez, escrevi minha última despedida a ele, arrematando todos os pontos e demonstrando minha gratidão por sua partida. Eu tinha um livro inacabado, é certo, um best-seller que nunca saíra de minha cabeceira. No entanto, eu me tinha novamente.

Até que então, em uma noite assim que não nos pede pra entrar, ela me apareceu. A primeira visão que dela tive foi como uma rosa: uma rosa bailando à primeira luz da manhã. E eu, acostumada que estava com a branquidão da mente, fiquei encantada com a doce e sutil lembrança de sua dança. Ela tentava me envolver em sua paz de personagem ainda não inventada, que, em retalhos e fragmentos, passei a ignorar. Mas, aos poucos, sem pedir, ela foi ganhando face e voz, invadindo minha vida sem permissão.

Venham cá, se aproximem. Vou mostrar a minha personagem, mas preciso que ela não nos escute. Preciso simplesmente que ela sinta que ignoro sua existência, o que, embora não seja verdade, é uma mentira que preciso manter para seguir minha vida. Shhh. Ela está em um tango argentino, mas ouvi dizer que tem habilidades sobrenaturais de saber quando falamos sobre ela, então, por favor, evite murmúrios, preciso apenas que me escutem. Vou narrá-la, somente para que saibam que não minto, e que ela é toda verdade. Minha personagem é morena, rosada, tem vinte e poucos anos. Ouvi dizer por Antoine que ela é dançarina. É uma dançarina que dança nesse exato momento em que escrevo, e que, nessa volúpia constante, insiste em roubar minha vida. Ela é neta de judeus, mulher graciosa e perseverante. Órfã, foi criada pela avó paterna, que lhe passou modos de uma doce moça. Desde então, decidiu nascer, e quer tomar a minha voz, fazendo-a sua. Seu nome pronunciarei bem baixinho: é Ágata.

Uma personagem nunca escolhe por um acaso o seu escritor. Todos vocês já devem ter percebido que não existem meras fatalidades nessa vida: existem é livros escritos por deus. Deus faz seu roteiro e graciosamente se diverte, assim como eu outrora fiz. Mas, como o criador é responsável por sua criatura, já não suporto mais meus personagens. Deus é grande e suporta a todos nós. Eu, pobre criatura cheia de enredos, tenho ajudado deus nessa desventura, e já não tenho suportado um sequer, muito menos Ágata, peso fatal que ela é pra mim.

Deus deve ter me anulado quando nasci. Deve ter assim me dito: – Escreva, dê voz aos filhos que fogem a minha criação, deixa aflorar aqueles que querem nascer, mas que estupidamente me escapam! E então eu, que mal me nasço e mal me crio, tenho que ser deus dos indolentes que vivem no lado escuro do mundo da criação! Mas deus me diz que sou sua continuação e que tudo que crio também é criação Dele. Ele tem suas criaturas, e tudo o que eu faço são criações. Então, cometo um crime, o crime do aborto. Não a deixarei respirar nessa vida, vivendo uma meia-vida que é própria dos personagens. Não quero criá-la para, quando finalmente se tornar maior que eu, em minha vaidade de escritora que precisa ser maior que o mundo, entregá-la para a sombra da não-existência. Não me entregarei à vertigem da autocontemplação que, quando me escapa, simplesmente termina a história: em assassínio ou silêncio, quase sempre silêncio, pelo menos no meu caso particular. Existem escritores que são lembrados por seus personagens. Eu sequer serei eu após o nascimento de Ágata… Serei sim a sombra da não-existência. É, pois, matar ou morrer.

Ela agora sussurra em meus ouvidos seu plano. Ela quer que eu escreva um grande romance, o qual ela intitula As Quatro Estações. Quer ser, obviamente, a grande estrela deste romance. Ela é tão ousada que ousa inclusive em seu nome: Ágata, que vem do grego Agathos, que significa “Deus”. Será que tem ela a pretensão de me criar? Se quiser, pode desistir. Não começarei seu enredo. Não trabalharei um minuto sequer em sua história. Deixo Ágata como a pedra a qual compartilha o nome: à deriva, à mercê do tempo e tempestividades. Porquanto meu trabalho é como de um operário, eu escrevo mecanicamente, pois escrevo como respiro. Não escolhi escrever e só o faço mesmo porque preciso. Minha necessidade não é econômica, sequer fisiológica. Deus simplesmente me fez assim. Também romperei com deus…

Sei que vocês devem estar curiosos sobre o romance o qual não irei escrever. Deixarei aqui a sua ideia para que algum escritor com tempo e alma possa aproveitá-la. Mas Ágata não poderá buscar este outro autor para sua história. Ela está atrelada psicologicamente a mim, eis que nunca foi criada. Seu romance é assim: ela é alguém que nasce, pois alguém vai morrer. E é alguém que vai morrer para alguém nascer. Ela quer contar em histórias o que é o próprio mistério da natureza: o ciclo da vida, a que todas as pessoas estão inevitavelmente sujeitas. Ela nasce e quer fenecer e, fenecendo, sua história será o espelho da história de cada ser vivo. Será um enredo bastante complexo, mas creio que, se assim quisesse, poderia trabalhá-lo bem. Ágata pensa através de mim, pois represento a crise criativa de Ágata em um romance que ela nunca pôde escrever. Mas não quero, não quero, não quero…

O movimento literário começa na sua dança. Em rotação, ela quer significar os inúmeros movimentos que a vida assim faz. Vou contar-lhes de uma maneira demasiadamente resumida, apenas para que saibam que essa história certa vez existiu.

Vamos às estações:

Inverno – Tempus Hibernus

Período de hibernação. Esse é o capítulo que retratará a infância de Ágata na Rússia: a perda dos pais e a enorme dificuldade em encarar a si mesma e adaptar-se em um país que nunca fora seu. É o tempo da beleza adormecida, onde vivemos em uma espécie de lucidez sonambúlica. É a perda dos pais simbolizando vidas que se perderam para dar início a vidas novas, como se tudo estivesse predestinado para o nascimento de Ágata: um novo ser que se torna a possibilidade do impossível. É tempo de negação, mas de muitas novas oportunidades que surgem com a primeira brisa primaveril e o inverno que se vai com o amor da avó.

Primavera – Prima Vera

Nasce Ágata na lucidez plena, como uma flor nascida de uma seiva salutar. É nesse ponto o desabrochar da primeira adolescência. Esse período se estende desde a plantação em plena fertilidade até o que se antecede à colheita. É o tempo do frescor, onde a aceitação de Ágata a levará às festivas danças. Novas oportunidades abrolham, revelando o ponto chave para o encontro consigo mesma. Será o tempo da maternidade e da recuperação de tudo o que ela perdera no inverno de si mesma. Será o seu reencontro: uma mulher que, em plena maturidade, se reconhece ao olhar no espelho. É o tempo da promissora carreira de bailarina, dos encontros e de tantos desencontros, e da espera por Joseph, presente lhe dado ao acaso dissimulado.

Verão – Tempus Veranus

É o tempo da frutificação. Representará a maternidade e seus frutos: Joseph, seu filho, que houvera nascido, dando significação à vida de Ágata. É tempo de calor e das chuvas que abrandam a vida, acalmando os sentimentos. Representará o envelhecimento de Ágata e a sensação de plenitude, dever cumprido, que só o sol, com o calor e dias intermináveis, poderá responder.

Outono – Tempus Autumnus

Esta será a queda final de minha personagem. O outono representa o ocaso – o crepúsculo de Ágata. É o fim de sua dança e o início da dança de todo universo, pois, com o fechar dos seus olhos, sua vida se perde, ganhando um sentido a sua dança, como uma folha que, delicadamente amarelada, deixa a árvore da existência. Ela só estava cumprindo a sina que era sua, como é de todos os homens. A vida em fulgurantes avarias e frutos, representando o renascer que é próprio das estações. É o corpo que alimenta a terra, e a terra fértil e abundante que alimenta a vida. Nesse ponto, nascerá uma linda flor, que representará a contribuição de Ágata no universo. Nada poderá ser resumido em ganho ou perda, pois tudo será um ciclo, ciclo de eterna renovação e sofrimento. E é mais um inverno que aí vem… E Ágata que voltará no sopro do vento que carrega a semente para a colheita de uma nova primavera. E assim a natureza se reinventa nas quatro estações.

Pronto! Pararemos por aqui. Não quero me prolongar para que ela não perceba que a sua história está latente em mim. Repito: devo evitar o mais leve murmúrio, para que eu não me perca ou me jogue na incrível tentação de contar a sua história. Ademais, creio que seu tango já terminou. Ela deve voltar em breve para minha desgraça e, então, devemos sobrestar antes que seja tarde, eis que ela assumirá minha voz se sentir que respiro seu mesmo ar. Mas olha! Acabo de notar que ela ainda não terminou seu dueto soturno, pois continua dançando e dança, pois, com uma outra mulher. Olhe bem! Eis que sou eu que danço com ela em Buenos Aires, em ritmo infausto de quase aleluia! Céus?!

Sim, sou eu mesma. Nessa síncope binária, vivemos o drama que é nosso. O tango é a forma da arte de expressar em gestos a mais pura tristeza e dançar um tango é sempre tão melancólico! Por que estaremos tristes? Dividimos em uma o que é a vida de duas. E sabemos que fatalmente, embora nos amamos de um modo tão profundo em nossas densidades de mulher, devemos nos separar tão em breve. Uma ou outra fenecerá. E devemos escolher: ou serei eu ou será ela. Então dançamos nossa última dança, lôbrega, em medonho adeus, enquanto lhes escrevo. Pois não poderemos nos suportar eternamente, eis que a fusão não é regra permitida na escrita da vida. Estamos em enlace do abraço colaborado, visto que um tango jamais se dança sozinho: ele é a arte da beleza da síntese por breves instantes. Uma de nós marca e a outra segue nesse êxtase em dança. Quem dita os passos e quem somente acompanha?

Não queria lhes contar, eis que omiti em um ponto dessa nossa história. Prometo que minha explicação será bem simples e breve e perdoem-me se vos traí em confiança. Vamos direto ao assunto: Ágata, minha personagem, é meu outro eu. Explico.

Ágata é o nome de uma pedra de incrível preciosidade. Tal pedra, quando cortada de modo transversal, permite-nos a verificação de variáveis camadas de minerais, de diversas nuances, sedimentadas. Esses são os diversos personagens de histórias, ou, como um psicólogo poderia dizer, a formação de diversos “eus”, em várias formas sobrepostas. Representam, pois, as fases da vida. Quase todas as ágatas são ocas, já que a sedimentação não costuma ser completa, em virtude da deposição de minérios, que é bastante demorada para o tempo dos homens. Geralmente, a ultima camada é cristalina, muitas vezes uma ametista ou quartzo, cujos cristais invariavelmente apontam para o alvéolo. Todo escritor é como uma ágata, que carrega um buraco no peito, um oco que precisa ser insistentemente preenchido.

Dizem que minha Ágata é também escritora. E que feneceu assim que nasci. Quem é quem nesta vida? Feneço e, das minhas cinzas, fertilizo a terra dos sonhos dos homens.

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43 comentários em “Doce Tango Argentino (Ana Paula Lemes)

  1. Jowilton Amaral da Costa
    13 de junho de 2015

    Vou ser repetitivo. Os primeiros parágrafos são ótimos, muito bons mesmo, apesar de eu não me identificar tanto com as angustias descritas. Não sofro nem metade do que foi descrito, e muito bem descrito, diga-se de passagem. Claro que, muitas vezes uma história fica martelando na cabeça e eu só sossego quando a escrevo, mas, não é tão dolorido não. No decorrer da leitura senti que a qualidade existente no início diminuiu, inclusive tecnicamente. Acabei achando cansativo no final. Boa sorte.

  2. Wilson Barros
    13 de junho de 2015

    Belo poema. A introdução do conto demonstra força, solidez. As ideias são muito profundas. Parafraseando, com um pequeno acréscimo, um dos autores, eu diria que “escrever não passa de uma fobia que é preciso exorcizar”. A história das estações, e de ágata, está simplesmente fantástica. Um conto espetacular. Se você colocasse ao lado de algo de Jorge Luís Borges seria impossível distinguir.

  3. Bia Machado
    13 de junho de 2015

    Gostei muito do texto, principalmente a primeira metade. Já a segunda metade me pareceu um tanto cansativa. É um texto que não se encaixa como conto, na forma mais tradicional, e nem esse seria o motivo de eu não ter gostado tanto dele ao final da leitura como achei que gostaria no início, quando as palavras me levaram. Aqui, no caso, pesou um pouco pra mim o fato dos argumentos para a fobia não se sustentarem. Acho que o escritor tem um medo, sim, como tantos outros medo que existem. Mas um escritor que sofresse de fobia nessa relação autor x personagem passaria por dificuldades bem maiores, talvez nunca escrevesse, em minha opinião. Sempre, ao começar, se perguntaria: “E se…?”, e não daria nunca vez às personagens. Mas parabéns pelo texto!

    • Escritorfóbico
      13 de junho de 2015

      Prezada Bia, honrado pelo seu comentário!
      Realmente meu objetivo foi ousar. Se fosse uma fobia no sentido ordinário da coisa, creio que travaria um pouco a poesia que permeia como em passo de valsa. A fobia é um temor irracional, nesse caso, de se perder nos passos da dança de um tango argentino, ser mera sombra de outro alguém. Ou de perder-se de si mesma dentro de suas próprias criações. Concordo com suas ponderações, mas entenda que foi apenas uma escolha que eu tive que sacrificar, com o receio óbvio de isso incomodar algumas pessoas!
      Obrigado mesmo por suas ponderações! Abraço!

      • Bia Machado
        13 de junho de 2015

        Entendi perfeitamente, e acho que deve ser assim mesmo, escrever o que se quer, venha o tipo de resposta que vier. Mais uma vez, parabéns pelo texto!

  4. Laís Helena
    13 de junho de 2015

    1 – Narrativa, gramática e estrutura (1/4)
    Não gostei do tom de relato da narrativa. O texto passou a impressão de um diário, e não de um conto com começo, meio e fim, com uma história. Isso deixou o conto um tanto enfadonho. A gramática, porém, está impecável (ao menos nenhum erro me saltou aos olhos durante a leitura). Quanto ao poema, é possível compreender como se relaciona com o texto ao final deste, apesar de ele não fazer tanto sentido na primeira leitura. Não ficou muito clara qual a fobia retratada. Em alguns trechos, parece ser do próprio ato de escrever, em outros, dos livros inacabados, mas, a julgar pelos últimos parágrafos, sua personagem parece ter medo de perder a si mesma.

    2 – Enredo e personagens (1/3)
    Apesar do tom de relato, gostei da relação que você traçou entre escritor e escrita e escritor e personagem. Porém, devido ao estilo escolhido, o conto não parece ter um enredo, propriamente. Ele provavelmente seria mais interessante se você tivesse narrado algum acontecimento envolvendo escritora e personagem, e que ainda assim exprimisse todo o medo que você quis passar.

    3 – Criatividade (2/3)
    A maneira como você traçou a relação entre personagem e escritor foi interessante e original, com os personagens quase dominando a escritora. Entretanto, isso perdeu o brilho devido ao tom da narrativa.

  5. Carlos Henrique Fernandes Gomes
    13 de junho de 2015

    Caro amigo Fóbico, saiba que compartilho dessa dualidade indesejada com vários de meus personagens. Escrevi um conto chamado “Uma cabeça no congelador” onde um guitarrista mata a moça para fazer um suporte para sua guitarra com os ossos dela. Após escrevê-lo, vi várias moças cujos ossos dariam para fazer um belo suporte para o meu contrabaixo. Imaginei-me parafusando um osso no outro, instalando uma dobradiça aqui outra ali, colando uma borrachinha naquela parte para não arranhar o instrumento, as mãos amparando o braço do baixo. Senti até o cheiro ferroso do sangue da menina, a carne dela na minha mão enquanto “descascava” os ossos. Outros personagens também roubaram minha vida até surgirem outros mais apaixonantes e quando foram substituídos por outros que me abandonaram ou magoaram, aqueles anteriores viraram saudade. É tudo maravilhoso demais dentro desse sofrimento alegre que é a rara arte de escrever. Falando do seu conto, senti uma angústia profunda com essa possível dualidade, onde a entidade “não real” pode sobrepor-se à “real”, mas não senti nisso uma fobia em si. Pareceu mais uma “loucura” (fobia também o é), talvez pela forma como a escritora acaba convivendo com seus personagens como um “deus” que os cria e perde o controle sobre eles, e mesmo assim, coloca-se no mesmo nível de “mortal” que eles. Num desafio de “dupla identidade” cairia como uma luva. Posso até estar errado (humano sou), mas foi minha impressão. O conto é brilhante, com um vocabulário rebuscado sem exageros, a narrativa é densa, mas não dá para parar de ler; é tão densa que dá a impressão de que passou do limite de palavras estabelecido para o desafio. Essa é a característica de contos desse naipe, cujo conteúdo é vasto e profundo em pouco espaço. E o poema ficou bem como introdução ao assunto. Dou-lhe os parabéns e aplaudo de pé pelo excelente trabalho; o mais extenso em pouco espaço que li até agora (comecei as leituras lá do último).

    • Escritorfóbico
      13 de junho de 2015

      Carlos, seu comentário me arrepiou, de verdade. Bom saber que outros dividem essa insanidade como eu! Pois é… minha intenção foi criar uma fobia nova, sem nome ainda, para essa sensação de ser roubado pelos próprios personagens. Não é algo paralisante, mas é um medo irracional, desmotivado, que é o que fobia significa etimologicamente.
      Curvo-me pelos seus aplausos e mais uma vez agradeço pela honra de receber seu comentário!
      Um abraço.

  6. catarinacunha2015
    12 de junho de 2015

    TÍTULO . O “doce” e “Argentino” não vi nenhuma relação com o texto. O texto não me traduziu nenhum respiro, nada doce; ainda bem. Senti até um leve amargor trágico, como um tango.
    O POEMA segue a verve carnal do texto intimista, chave azeitada na fechadura apertada.
    FLUXO DO TEXTO. O monólogo poético, denso como um tango, me pareceu uma ótima sinopse para um romance, conforme sugestão de sua Ágata. Mas, na minha opinião, não é um conto.
    TRAMA ficou fraca, assim como “escritor com fobia a escrever” porque não é um conto e sim o esqueleto de um romance.
    FINAL . Se fosse um conto seria um fim emotivo e delicado. Que grande talento para a catarse você tem, menina (só pode ser uma menina ou uma alma menina!). Mas como não é um conto, não deu liga.

  7. Felipe T.S
    12 de junho de 2015

    Eu achei o conto interessante, com algumas passagens excelentes, outras nem tanto. O poema tem uma ideia boa, mas a construção dele, o jogo de palavras, não me conquistou, mas nisso você não tem culpa, afinal acredito que poucos aqui são poetas de verdade. Algumas sentenças soaram estranho, por exemplo essa construção não soou muito bem: “Quando ele saiu e me dei por mim”.

    Houve alguns parágrafos onde o autor repetiu algumas palavras, por exemplo “defender”, isso incomoda um pouco na leitura, mas é uma coisa difícil de se acertar, eu por exemplo tenho um sério problema com isso.

    Sobre o desfecho, também achei que muitas coisas que já estavam subentendidas, não precisavam ser explicadas, afinal as palavras finais, são de certa forma um resumo de todo o resto da escrita.

    Parabéns e boa sorte!

  8. Renato Silva
    11 de junho de 2015

    Olá, tudo bem?

    Um bom texto reflexivo, mas não é exatamente um conto. Um conto conta alguma coisa e seu conto (aparentemente) não contou história alguma.

    Não consegui ver a fobia no texto. O poema se encaixa com o restante do texto. É a reflexão de um escritor (ou escritora) e suas angústias e dificuldades.

    Algo que achei interessante foi a analogia que você usou entre as quatro estações do ano e a vida de uma personagem. Tem uma estória que venho bolando há 15 anos e ainda não escrevi uma única linha, dividida em 4 partes; neste caso, a história começaria no verão (juventude dos personagens), outono (momentos de tensão, que culmina na morte de uma personagem importante), inverno (separação dos amigos, redenção de alguns personagens, guerra) e primavera (algo como um epílogo, a guerra terminou e uma nova geração aparece).

    Você domina perfeitamente a língua, tem ótimo vocabulário e escreve belas frases de efeito, no entanto, este conto não me empolgou. Talvez seja pelo fato de eu ter lido esperando uma narrativa mais convencional. Como não sou expert em literatura, comento como simples leitor que sou.

    Boa sorte.

  9. mariasantino1
    11 de junho de 2015

    Olá!

    Gostei, Gostei & Gostei.

    ↑↑ Acho ótimo quando percebo escritos assim. Pareceu-me alguém que não quer agradar a ninguém, seguir essa ou aquela regra referente à estruturação de contos, e eu prezo muito por isso. Sinto que seu texto é na verdade uma catarse. Adorei o belíssimo jogo de palavras, ótimas construções frasais, imagens e reflexões: “Você tem que se negar em suas essências”, “um personagem não escolhe por acaso o seu escritor” (e tantas outras que me peguei lendo e relendo). Sinto muito não poder oferecer qualquer auxílio para melhoria do seu texto, porque eu fiquei com inveja e sei que ninguém curte essas rasgações de seda, mas exponho aqui como o texto chegou a mim. Foi certeiro. Gostei da estrutura e conduta.

    Parabéns! Abraço e Boa Sorte.

    • Escritorfóbico
      12 de junho de 2015

      Muito honrado e extremamente feliz por sua delicadeza em vir comentar o meu conto!
      Fico emocionado por uma moça tão talentosa como você sentir tamanho apreço pelo meu escrito.
      Romper com esses paradigmas nem sempre agrada, como dá pra notar pelos comentários que se seguem ao meu escrito.
      Muitas pessoas não gostaram por motivos de não ser um conto comum e ordinariamente estruturado, justamente o que te encantou. Mas você acertou na mosca quando diz que eu não quero agradar ninguém… Escrevo como respiro, escrevo por amor ao ofício e por mais nada.
      Ter tocado o seu coração e de pessoas que eu tanto admiro, como o Gustavo, já é um baita presente nesse desafio!
      Obrigado por vir comentar, mesmo não estando participando dessa vez.
      Abraço forte, saiba que teu comentário fez do meu dia mais feliz.

  10. vitor leite
    9 de junho de 2015

    apesar de ser uma temática que não me interessa muito e que (pareceu-me) acaba por se diluir – a independência das personagens, gostei muito do texto e encontrei muitas situações já vivênciadas por mim. ficou bem a conversa do autor com o leitor. Parabéns e só mais uma pequena coisita: retrabalhe o texto para ficar “fabulástico”, para ti é fácil e o conto merece.

  11. rsollberg
    5 de junho de 2015

    A primeira parte do conto é absolutamente deliciosa.

    É quase como uma trapaça escrever algo nesse sentido! Nós, ou ainda como eu, um pseudo-escritor, ficamos impossibilitados de não sentir uma ligação imediata. Não vale, rs. Falando sério, os primeiros parágrafos são sublimes. Lembrei me imediatamente de uma frase do Douglas Adams “Escrever é fácil. Tudo o que você tem a fazer é ficar olhando fixamente para uma folha de papel em branco até a sua testa começar a sangrar.”

    O Poema também casou perfeitamente com a história. Bem como o título e a imagem. Fluidez e ritmo ótimos. Estilo peculiar reforçando as passagens que merecem “vivendo-vida” “suspiro-suspirar”.

    Percebi, não sei ao certo o motivo, algo de Budapest, e isso funcionou legal comigo. Adoro quando escritores contam sobre escritores.

    No que tange a adequação, gostaria de ter sentido mais a fobia. Sei que a intenção era fazer algo mais filosófico, reflexivo e menos biológico. Porém, penso que com a habilidade que o autor tem, dava para mesclar algo nesse sentido.

    De qualquer modo, é um conto sensacional que merece todos os elogios!
    Parabéns e boa sorte no desafio.

    • Escritorfóbico
      9 de junho de 2015

      Que honra receber seu comentário, rsollberg, tão gentil e bonito. Fico realmente agradecido e honrado pelos seus elogios.
      Tenho uma certa dúvida. Você fala de Budapeste, do Chico? Se for, saiba que seu comentário é recebido com muito carinho, sou maior fã.
      Um abraço e mais uma vez obrigado!

      • rsollberg
        9 de junho de 2015

        Isso, Escritorfóbico! Budapeste do Chico. Achei esse livro sensacional. Por essa razão, renovo meus parabéns.

  12. Gustavo Castro Araujo
    2 de junho de 2015

    O tom reflexivo, quase confessional, é o ponto forte deste conto. Aliás, nem sei se chega a ser um conto do sentido clássico do termo, mas isso não apresenta relevância porque o texto é muito bem escrito. Todo escritor que se preza sabe que não é “dono” de seus personagens, de sua criação. O autor apenas dá à luz. A partir daí, é como se o personagem criasse asas e resolvesse voar por conta. Nesse aspecto, a narrativa aqui presente ganha pontos porque o autor usa precisamente esse rompimento como ponto de partida para falar de fobia.

    Em outras palavras, o escritor tem medo de criar porque sabe que uma vez liberto, o personagem tomará conta de sua (do escritor) existência. Por isso, sufoca a criação, preferindo unicamente confessar sua fraqueza a quem quiser saber (nós), expondo, no máximo, um resumo esquemático sobre a personagem do próximo romance que nunca sairá.

    Isso, na verdade, ocorre não só com os personagens, mas também com as histórias que criamos. Quem nunca imaginou um enredo e, na hora de transpô-lo para o papel terminou derivando para um caminho totalmente diferente? Dá medo? Claro, mas é isso que faz o ato de escrever tão apaixonante. E você, caro escritor-fóbico, soube transcrever essa agonia que termina por nos viciar.

    Quanto à parte gramatical deste texto, nada há a apontar. É realmente um prazer ler um conto bem redigido, acompanhar o raciocínio de quem o escreveu por todos os lados. E olha que neste caso nem estamos falando de uma história no sentido tradicional da coisa. Apesar da viagem (ou talvez por causa dela), o texto não caiu no enfadonho. Ao contrário, me cativou porque em diversos momentos me senti como o próprio escritor-fóbico.

    Como senão, eu apenas eliminaria os três últimos parágrafos. Essas explicações no fim foram, a meu ver, totalmente desnecessárias. O brilhantismo do texto está justamente no fato de que quem lê chega às suas próprias conclusões sem precisar de qualquer tipo de ajuda. Explicar que Ágatha e quem escreveu são a mesma pessoa soou mais como uma espécie de muleta para nós, que as acompanhávamos de longe. Não precisava, até porque todo mundo sabe que o escritor É todos os personagens que cria. Isso, aliás, ficou bem demonstrado antes.

    De todo modo, um texto muito bom, acima da média e que me cativou sobremaneira. Parabéns!

    • Escritorfóbico
      8 de junho de 2015

      Bingo, chefe!
      Prometi pra mim mesmo que não iria comentar mais como autor no meu conto, porque sempre cometo deslizes. Mas o seu comentário não consigo evitar… Você e seu talento incrível de decifrar nossos contos por completo! Fiquei extremamente honrado com o seu parecer sobre o meu texto. Lisonjeado mesmo. Agradeço enormemente.
      Sobre os últimos parágrafos, não é a primeira vez (e acredito que nem a última) que eu cometo esse estilo de gafe. Você sempre comenta algo no estilo em meus contos. Rs! Eu não consigo me livrar dessas muletas, acho que é minha alma muito didática e professoral…
      Um abraço e obrigado!

  13. Virginia
    2 de junho de 2015

    Muito boa a técnica, ótima escrita! a história é boa e muito criativa, dá para se identificar com os dramas de um escritor kkk… olha, não vi muito da fobia, mas entendi o medo da escritora de se envolver na história e vou considerar isso. Parabéns pela habilidade com as palavras, muito bom mesmo !

  14. Fabio D'Oliveira
    2 de junho de 2015

    ❂ Doce Tango Argentino, de Escritorfóbico ❂

    ➟ Enredo: Fantástico! A história é muito boa, apesar de, pessoalmente, preferir uma narrativa comum — com início, meio e fim sólidos —, gostei bastante da narração metalinguística. Não achei muito criativo, apesar da fobia aplicada ser bem interessante, é comum encontrarmos na literatura discussões dessa natureza. E escrever sobre escritor ou escrita é um assunto extremamente desgastado. Vejo potencial nesse conto!

    ➟ Poema: Muito bom. Poderia falar muitas coisas, mas irei me prender numa breve observação: compatível com o texto. Excelente!

    ➟ Técnica: Talento nato, talvez. Sua escrita é deliciosa. O conto é relativamente longo. O enredo, apesar de muito bom, não tem muitos atrativos que fazem o leitor se prender nele. Tinha tudo para ser uma tragédia da metade para o final, porém, por causa de suas talentosas mãos, foi possível degustar cada parágrafo. Uma pequena dica, se me permite, evite enrolar muito. Isso é desgastante.

    ➟ Tema: O medo está aí. E não está, ao mesmo tempo. A narradora não me pareceu ter uma fobia, como é a proposta do desafio. Pareceu-me mais como um trauma. Ela sabe o motivo de tudo e por isso evita. É como o medo do segundo casamento depois da tragédia do primeiro. Que pena, isso prejudicou bastante a avaliação do texto…

    ➟ Opinião Pessoal: Não sou muito fã de metalinguagem. É um estilo desgastante, geralmente. Porém, pela sua forma de escrever, que é deliciosa — frisando mais uma vez, hahaha —, consegui gostar bastante do conto. Parabéns!

    ➟ Geral: Enredo bom, execução e técnica fantásticas. Porém, não compatível com o desafio. Que pena!

    ➟ Observação: Estou honrado em ler este conto!

  15. Leonardo Jardim
    1 de junho de 2015

    Minha avaliação antes de ler os demais comentários:

    ♒ Trama: (3/5) é um pouco confusa e prolixa, com alguns trechos desnecessários (nada em um conto deve sobrar), mas é legal. A forma como o personagem toma a vida do autor e a dúvida se ele próprio é um personagem ficou interessante.

    ✍ Técnica: (4/5) é muito boa, com algumas reflexões interessantes, ritmo e boas metáforas. Fiquei um pouco incomodado, porém, com a voz do narrador, que parece a do próprio autor em vários momentos, principalmente na parte prolixa.

    ➵ Tema: (1/2) não cheguei a ver nenhuma fobia explícita no texto, não é o principal ponto do conto. Só não ganhou zero, pois pude perceber um medo da narradora de fenecer e ceder sua vida para sua personagem.

    ☀ Criatividade: (1/3) uso de metalinguagem não é muito criativo, muitos escritores abusam dessa figura. Ganhou ponto pelo ciclo contínuo entre autor e personagem.

    ✎ Poema: (2/2) é bonito, reflexivo e tem tudo a ver com o texto.

    ☯ Emoção/Impacto: (2/5) dito tudo isso e por não ser muito fã de metalinguagem, não gostei muito do texto 😦

    Problemas que encontrei:

    ● – Escreva, dê voz aos filhos que fogem (…) (diálogo estranho, o travessão no início fica melhor em um novo parágrafo e faltou a separação por travessão da fala de Deus para a inserção do narrador: “Mas deus me diz…” )

    ● *Deus* (em maiúsculo quando referido diretamente)

  16. Brian Oliveira Lancaster
    29 de maio de 2015

    EGUA (Essência, Gosto, Unidade, Adequação)

    E: A poesia caiu muito bem no início, e gostei do estilo crônica, com um inusitado texto justificado.
    G: As muitas metalinguagens me agradaram, apesar de não se encaixar muito bem no gênero em questão. É diferente, mas palatável eflui muito bem. Não gosto muito de parágrafos extensos demais (a síndrome dos parágrafos colados), mas isso é mania. A história envolve com seu ar de desabafo de escritor. As passagens das estações quebraram um pouco o ritmo, mas gostei da estética apresentada. Infelizmente, apesar de gostar, o texto cansa um pouco com o excesso de explicações.
    U: Não notei nada fora do comum. O escritor(a) é bem competente e mesmo as frases mais simples soaram poéticas.
    A: Um pouco confuso. O temor está embutido, mas não consegui captar a fobia plenamente. A poesia não teve tanto impacto, talvez, se estivesse no meio, quem sabe. Não me leve à mal, a escrita é perfeita, mas a história não me cativou por completo.

  17. Rubem Cabral
    27 de maio de 2015

    Olá, autor(a).

    Este conto tem potencial de ser excelente, mas no momento está apenas muito bom.

    A premissa é ótima, a escrita idem. Porém o tema “fobia” diluiu-se aos poucos, a guinada do personagem sueco para Ágata foi um tanto estranha e o final deixou a desejar, pois surgiu meio deus-ex-machina e não foi muito convicente.

    O poema de abertura é ótimo e instigante, mas o conto prometeu muito, elevou minhas expectativas e apenas entregou algo bom quando eu esperava mais.

    Minhas sugestões: retrabalhe do meio para o final, acentue o drama do autor que tem fobia, pois fobia não é apenas um medo ou receio; é terror paralisante. Se optar em usar o final aqui esboçado, estique um pouco mais, dê-nos características da personalidade de Ágata para que ao menos possamos enxergar a possibilidade dela ser uma faceta da alma da escritora.

    Resumindo: muito bom conto, que com alguns ajustes pode ficar fabuloso.

  18. Fil Felix
    26 de maio de 2015

    Difícil de comentar esse aqui >:o

    Num outro desafio, com um outro contexto, eu teria gostado muito. Adoro esse estilo de escrita, mais intimista, mostrando os dramas pessoais da personagem quase que como um monólogo, pra tocar algumas feridas do leitor. Neste caso, nós que também escrevemos sentimos esses anseios na criação de uma história, uma personagem ou situação. Essa conexão acontece e de forma primorosa, principalmente no início.

    Mas… o conto ficou muito grande, tratando do mesmo assunto, cansando um pouco a leitura, alguns momentos tive a impressão de ler algo que já tinha lido no início. Preciso confessar, também, que não enxerguei como uma fobia este medo do escritor. Inclusive terminei de ler, gostei mas senti pelo conto não entrar no contexto do desafio, só lendo os comentários que percebi esta parte do medo. Mesmo assim, acho que poderia ter aparecido de outra forma.

  19. Anorkinda Neide
    26 de maio de 2015

    Gostei do poema! Mas tive que lê-lo sem as pontuações e o fato de formatá-lo na lateral tb prejudicou a leitura

    Tanto medo de encarar

    Em outra face,
    Um novo eu
    Como quem vive a delatar
    Meus segredos
    Em um museu
    Aberto à visitação
    Em um fim de domingo
    Sonhos ressentidos escancarados
    E nos quadros eu não estou sorrindo
    Pedindo
    Ou fugindo
    Fugindo
    Ou pedindo
    No reflexo do espelho, sou eu ou você
    Que me vive sem receios?

    O poeta e o espelho sempre dão ótimas reflexões e ótimos poemas. Por isso mesmo, ele prometeu algo e o texto que se segue não cumpriu o prometido.
    Parecia que o conto ia engrenar num viés filosófico sobre o criador e as criaturas, e foi por aí.,mas sem eficiência.
    Achei os pensamentos jogados uns sobre os outros e as informações tb.
    Se era pra levar o texto para uma fobia dos proprios personagens, tb não foi feliz, justamente por causa das divagações.
    Parece que vc não teve foco na narrativa.

    Preocupou-se com o ritmo do tango inserido no texto? Penso pelos comentários, pq eu não percebi isso ao ler. O final é ótimo, mesmo.
    Acho q num texto mais enxuto e sem a necessidade de trazer a fobia mas apenas o questionamento escritor/personagem tudo se encaixaria melhor, principalmente esta ótima sacada do final.
    😉

    Abração

  20. Cácia Leal
    25 de maio de 2015

    Nossa, no início achei o texto excelente, extremamente empolgante. Ele está muito bem escrito e a ideia de um escritor que tem medo de escrever sobre seus personagens me pareceu interessante, mas no desenrolar da história o enredo foi me desestimulando. A história da Ágata enrolou demais e a repetição excessiva de Deus e suas vontades perderam a ideia de vontade do escritor. As descrições excessivas cansaram muito. Creio que se tivesse parado no primeiro parágrafo sobra a Ágata, onde diz: “Seu nome pronunciarei bem baixinho: é Ágata” e resumisse os demais sobre ela, já seria o suficiente. Em 3 parágrafos, você fala 10 vezes o nome de Deus!!!! E em 5 delas está grafado em minúsculas. Nada contra Deus, mas creio que ficou meio exagerado.
    Algumas observações:
    Gramática: pequeníssimos deslizes gramaticais, como : “não podia deixar barata”, nesse caso, “barato” é advérbio e não flexiona. Algumas repetições, como “eu/eu”. “deus”, com letra minúscula. O correto É: “embora nos amemos”… (subjuntivo). E mais outras pequenas coisas.
    Criatividade: Boa, mas o modo como o final se desenrolou, não me agradou. Acho que a ideia de revelar que o autor e Ágata eram a mesma pessoa poderia ter sido feita de outro modo.
    Adequação ao tema: Não me parece uma fobia, parece uma pessoa viciada em procrastinação, que vai sempre deixando pra amanhã, embora esse amanhã nunca chegue. Porque a pessoa chegou a escrever, veja o que o autor disse: “Certa vez, escrevi minha última despedida a ele”. Isso não é medo de escrever.
    Riqueza textual: Excelente. Muito bem escrito. Essa parte, confesso, apesar dos deslizes apontados, o autor escreve muito bem.
    Emoção: Não me pareceu que o autor soube trabalhar muito bem essa questão. Acho que faltou algo.
    Enredo: Pouco trabalhado, acho que deixou um pouco a desejar. A ideia valeu a pena, mas faltou trabalhar mais o enredo.

    No geral, o texto está excelente, mas alguns aspectos precisariam ser revistos. As críticas feitas foram para melhorias, que, quem sabe, elevariam o texto para uma nota 11!

  21. Claudia Roberta Angst
    24 de maio de 2015

    Gostei do poema e fiquei imaginando se a intenção do autor era criar uma imagem concreta. Não sei bem o porquê da minha sensação do conto ter uma vocação para romance, um esquema muito bem trabalhado para algo maior. Não sei, talvez o enredo tenha se estendido demais e forçado um pouco a atenção do leitor.
    Não considero a angústia do escritor como fobia. Claro que me identifiquei com a necessidade de escrever e a relação com os personagens. No entanto, para mim, uma fobia implica em entrar em pânico descontrolado, algo que foge de qualquer ação racional. Assim, considero que o tema não foi de fato abordado.
    O conto está muito bem escrito, com domínio da linguagem e imagens bonitas, quase uma poesia.
    Em alguns momentos, a narrativa perdeu o ritmo, arrastando-se um pouco.
    Boa sorte!

  22. Evandro Furtado
    24 de maio de 2015

    Olá, caro amigo escritor

    De inicio fiquei um pouco temerário de que o texto se adequaria nos critérios, mas conforme a narrativa foi avançando, fui tranquilizado.

    Você realmente tem uma técnica de escrita muito interessante, personagens bastante complexos e uma história bem construída.

    Talvez pelo tipo de texto que optou em escrever, em certos momentos se torna um pouco lento e monótono, mas isso é compensado por uma chuva de indagações que o texto lança contra a gente. Essa perspectiva do que escritor enquanto um ser de múltiplas personalidades é realmente impressionante.

    Abraços.

  23. Wallace Martins
    23 de maio de 2015

    Olá, meu caro Sidney.

    Rapaz, começo meu comentário dizendo que invejo, de forma boa e positiva, a sua escrita, realmente é magnífica, tem um domínio da gramática e da manipulação de seus jogos que é impecável e magnífico, parabéns, de verdade, é um dos pontos mais altos que pude perceber em seu conto. A narrativa, como esperado, é muito boa, contudo, em alguns pontos, senti que, por ter um domínio muito amplo da língua, acaba por deixar algumas descrições difíceis de se entender, elas poderiam ser mais simples e diretas, menos rebuscadas, compreende? Isso faz com que o texto se torne mais dinâmico, mais fluído, que se torna “a pegada” de um conto. Também senti falta de um maior trabalho no protagonista, pois a Ágatha acaba por roubar a cena, criando mais empatia, ao meu ver.
    Outro quesito foi que a Fobia me pareceu muito branda, muito controlada, o que se torna algo muito atípico, afinal, para que um medo se torne fobia, é porque ele está em um nível muito elevado e irracional, por isso causa tantos sintomas nas pessoas, sendo assim, acredito que poderia ter trabalhado mais nas reações que ele teria, ao se deparar com este medo dele.
    O poema traz uma ritmicidade e beleza ao texto que me deixou impressionado também, muito bem feito, parabéns, realmente, lembrou-me um bom tango.
    No fim, fora um ótimo conto, parabéns pelo seu escrito!

  24. Jefferson Lemos
    21 de maio de 2015

    Olá, Escritorfóbico! Tudo bem?

    Olha, você escreve muito bem. Não há como negar. A parte das estações foram as que mais me agradaram no texto, pois criaram uma vida inteira naqueles pequenos trechos. Entretanto, o restante do conto, apesar de bem escrito, não me agradou.

    Senti falta da fobia, pois mesmo caracterizando esse medo dos personagens como a fobia, eu não consegui ver assim. Não me parecia um medo daqueles entranhados na pessoa, que faz do céu um inferno e leva o indivíduo à fossa. Gostaria de ter visto isso, já que o certame se trata desse assunto.

    Além disso, a história mesmo não conseguiu me alcançar. Ágata foi a personagem que mais me chamou atenção, até mesmo mais do que a escritora.

    Certas explicações também não ficaram muito boas para a dinâmica do texto, assim como algumas repetições.

    É um texto muito bem escrito, mas que não me atingiu como eu gostaria.
    Ainda assim, o autor está de parabéns.

    Boa sorte!

  25. Tiago Volpato
    20 de maio de 2015

    Um texto bem ousado, talvez ousado até demais. Gostei muito disso, de você ter feito algo completamente diferente de tudo que lemos (e que ainda vamos ler) por aqui, seu texto pode ser considerado único. Acho que todo mundo aqui já esteve nessa situação, inúmeros textos inacabados, romances, contos e tudo o mais, então acho que vamos nos identificar totalmente. Não sei, mas pra mim o tema do desafio ficou apagado, você faz algumas referencias a ele, mas me pareceu que foi só pra constar, não sei.
    Agora o que não gostei no texto foi que você se alongou muito, não no tamanho do texto em si, mas nas frases. Em muitas vezes fiquei perdido em pensamentos e quando vi tinha passado por um parágrafo e não fazia ideia do que ele tratava, infelizmente isso estragou bastante seu texto pra mim.
    Mas não fique triste por isso, essa é só a minha opinião e provavelmente ela não vale muita coisa, mas espero que de minhas tolas palavras consiga extrair algo que te ajude na escrita.
    Enfim…. um forte amplexo!

  26. Ana Paula Lemes de Souza
    20 de maio de 2015

    Uau, que conto, perdi o fôlego lendo… Parabéns mesmo!

    Pontos fortes:
    – O diálogo que é estalecido com o expectador realmente é algo que me fascinou. Especialmente porque o emblema aqui no EntreContos é que somos autores e orgulhosamente leitores… Portanto, todos os leitores (digo isso por mim e pelos comentários que li dos colegas abaixo) irão se identificar e/ou se aproximar da história. Primeiro, pelo tom convidativo, segundo, pela temática. Amei.
    – O tango é permeado com o conto como um todo, o que indica a singeleza e a sensibilidade do autor. Ao lê-lo, senti que estava em uma dança que é bela e ao mesmo tempo triste. O tom poético foi fenomenal, e casou perfeitamente com o tango.
    – Gostei do foco dado à fobia. Ao contrário de alguns colegas, vejo a perfeita adequação ao tema, já que o conto fala justamente sobre a fobia do escritor de ser “engolido” pelos próprios personagens e que, por essa razão, evita escrever, com medo de se perder. Afinal, fobia é um medo persistente e irracional de um determinado objeto, atividade ou situação, que represente pouco ou nenhum perigo real. Creio que o medo de ser absorvido no ato de escrever por um personagem que sequer existe, seja uma fobia bastante perigosa (e talvez comum) para um escritor! Que inclusive pede para que Deus pegue de volta o dom e que aborta seus próprios personagens… Arrepiei-me. Será que essa fobia existe de fato ou tem um nome? Acho que deveria ter! Repito que gostei mesmo do foco dado à temática. Como sempre falo aqui, a criatividade e o dom de sair do lugar comum são coisas muito valorizadas por mim na hora da pontuação. É o que mais valorizo, além daquele algo inexplicável que eu chamaria de “tocar o meu coração”.
    – Ao contrário da Pétrya, achei indispensável a inserção de Diego na trama, que me localizou no drama vivido pela autora e no porquê de evitar Ágata.

    Pontos fracos:
    – A poesia do início parece ter sido feito às pressas, sem o lapidamento do restante do texto. Embora seja bonitinha, teria passado sem ela.
    – Embora em termos gerais o português esteja irretocável, achei dois errinhos nos trechos:
    * “Todos vocês já devem ter percebido que não existem meras fatalidades nessa vida: existem é livros escritos por deus.” Inadequação verbal…
    * “também é criação Dele” – Dele deveria ter vindo em letra minúscula, já que Deus é tratado em minúscula durante todo o texto. Houve um tropeço do autor nesse trecho.
    – Será que Deus maiúsculo não soaria melhor?!

    Conclusão: O texto me fez arrepiar, ao pensar em quantos personagens se tornam tão maiores que os autores… e em quantas vezes mudamos em decorrência de nossa criação. Esse jogo de criação x criador às vezes também me dá medo.
    Fiquei com uma pulguinha atrás da orelha quanto ao final do conto. É impressão minha ou temos aqui um final aberto? Quem é verdadeiramente a escritora, Ágata, que deu a voz para a autora ou vice-versa? Digo que cheguei a essa conclusão pelo seguinte fato: a personagem nos conta que o nome de Ágata quer dizer Deus, o que denota esse jogo de criador e criação. Tenho a impressão que o nome foi meticulosamente escolhido… Estou errada?! Esse trecho também me deixou à deriva: “Ágata pensa através de mim, pois represento a crise criativa de Ágata em um romance que ela nunca pôde escrever.”
    Quem será que feneceu? Ágata ou a escritora personagem? Se for isso mesmo que desconfio, o final é genial!

    Parabenizo o autor pelo conto, de verdade, e faço votos de boa sorte nesse desafio!

  27. Pétrya Bischoff
    20 de maio de 2015

    Buenas, escritor(a)!
    Começo, como tu, pelo poema. Infelizmente, não me agradou tanto quanto o resto do texto, acredito que tenha faltado estética e leveza que costumam me encantar em poesias.
    Quanto ao conto, havemos de concordar que explicitaste noss’alma nele. O primeiro parágrafo está especialmente perfeito. Faço dele minhas palavras. Conforme vais desenvolvendo as angústias de um escritor/criador/senhor de algo que lhe foge às rédeas, é possível conectar-se com algo maior. Perceber que essa sensação é recorrente em outras pessoas. Gostei muito disso.
    A escrita é simples e de fácil acesso e a narrativa conduz a leitura bailando com essas angústias, algo meio chiaroscuro que, acredito, sintetiza o tango.
    Eu não teria inserido a menção ao personagem Diego, achei desnecessário. Ágatha agradou-me e a fusão dela com a própria autora foi como um estalo para mim. Todos temos esse personagem ID, eu mesma o tenho. às vezes ele me assusta…
    Não sei se isso seria uma fobia como as doenças, mas entendi a sensação de sufoco que a situação causa, portanto, acredito que está dentro do proposto. Parabéns e boa sorte.

  28. simoni dário
    19 de maio de 2015

    Olá Escritorfóbico

    O seu conto é bem tocante e muito bem escrito. Gostei de tudo, apenas fiquei pensando no tema, pareceu mais um conflito do escritor com o próprio talento.
    O tango não é uma dança fácil, precisa sintonia de quase fusão entre duas pessoas. Na verdade a dança a dois é um diálogo que transmite emoções intensas.
    No texto parece que o autor tem medo de se perder na própria escrita, fundir-se nela, e a fobia pode estar justamente aí. Destaque para a frase “quero ser somente eu, no silêncio confortante de se viver na sombra. Que se calem meus personagens e que deixem ser eu mesma a guia em meu caminho!”. Essa passagem é reveladora.
    Muito lindo e o tom poético do conto foi muito gostoso de ler. Parabéns autor!

  29. Fabio Baptista
    19 de maio de 2015

    *****************************
    >>>>>>>>>>TÉCNICA – 3/3
    (Pontos de avaliação: Fluidez narrativa, correção gramatical, estrutura da história, estética)
    *****************************
    Acho que aqui não tem muito o que discutir. A técnica empregada foi de muita qualidade, com uma beleza estética quase poética, tornando rápida e agradável a leitura.

    Achei apenas um “ultimo” sem o agudo, quase no final.

    *****************************
    >>>>>>>>>> TRAMA – 2/3
    (Pontos de avaliação: Motivações dos eventos, verossimilhança, desenvolvimento dos personagens)
    *****************************
    A abordagem do mote foi bastante criativa: essa relação entre escritor/personagem, criador/criatura, essa invasão que certas histórias e personagens promovem em nossas vidas.

    Acabei me identificando muito, pois, como comentei em outras oportunidades, ao escrever uma história (principalmente em 1º pessoa), eu “incorporo” os personagens e enquanto o bendito do ponto final não aparece na folha eu preciso me policiar para não falar igual os caras aqui na “vida real”.

    Achei, porém, que a história foi extensa demais para o enredo. Poderia ficar mais conciso. E também senti falta de uma trama mais elaborada.

    *****************************
    >>>>>>>>>> POESIA – 2/2
    (Pontos de avaliação: a poesia em si e a relevância para a trama)
    *****************************
    Achei essa a melhor até agora.
    Darei nota máxima, apesar de a poesia não ter necessariamente um vínculo direto com a história contada a seguir (a história “viveria” sem ela).

    *****************************
    >>>>>>>>>> PESSOAL – 1/2
    (Pontos de avaliação: 0 – Não gostei / 1 – Gostei / 2 – Gostei pra caralho!
    *****************************
    Apesar de ser um ótima narrativa, não me agradou em cheio.

    *****************************
    >>>>>>>>>> ADEQUAÇÃO AO TEMA x 0,5
    (0 – Não se adequou / 0,5 – Parcial / 1 – Total
    *****************************
    Autor, me desculpe, mas aqui não terei como evitar… não senti a presença da fobia em momento algum. Coloquei o parcial ainda levando em conta o medo do escritor em ser absorvido pelo próximo personagem, mas…
    Aguardarei os demais comentários, caso alguém revele algo que não vi, mudarei essa avaliação.

  30. Rogério Germani
    19 de maio de 2015

    Olá, autor(a),

    Seria uma fobia social circunscrita o tema de seu conto? Medo de escrever? Bom, de qualquer modo, fobias trazem aversão a alguém ou alguma coisa e, pelo que foi exposto em seu texto, a escrita lhe traz apenas insegurança e não pânico. Senão, vejamos:

    “Eu, escritora apaixonada, não podia ver falhas em seu caráter.”

    Quando se afeiçoa ao seu “algoz”, o nome do distúrbio psicológico é outro. Chama-se Síndrome de Estocolmo.

    Agora, depois desta curiosidade que aprendi com uma amiga que morria de medo de escrever o nome dela em público, vamos à análise do conto.

    Pontos fortes:

    1-O poema inicial é perfeito para o enredo aplicado.

    2- Percebe-se, claramente, que o/a autor(a) possui um léxico refinado e vasto, pronto para desfilar eloquência em diversos assuntos.

    3-Por se tratar de um conto ao ritmo do tango, o diálogo criado entre o narrador do texto e o leitor ficou bem elaborado, permitindo uma contradança fiel.

    Pontos negativos:

    1- Talvez pela autoconfiança em seu amplo vocabulário, o/a autor(a) extrapolou no preciosismo das descrições, tornando, de certo modo,monótonos vários trechos no conto deveras extenso.

    2-Também concordo com o comentário do amigo Sidney: realmente, não há necessidade de vírgula no poema.

    3- Há um erro de grafia neste trecho:

    “Todos vocês já devem ter percebido que não existem meras fatalidades nessa vida: existem é livros escritos por deus.”

    Se nesta situação “deus” não é um nome próprio, digno do uso de letra maiúscula em seu início, resta-lhe o papel de substantivo comum. Assim sendo, falta o artigo “o” antes de deus.

    Grato por oferecer uma narrativa culta e boa sorte!

    • Escritorfóbico
      19 de maio de 2015

      Prezado Rogério, gostei bastante de suas ponderações. Agradeço imensamente. Nesse desafio vou evitar me estender nas respostas, até para velar o sigilo do autor.
      De qualquer forma, uma resposta merece ser mencionada. Deus, para o autor (talvez um ateu, quem sabe), foi escolhido em sua letra minúscula não como um substantivo comum, mas como um deus desumanizado que não precisa da maiúscula para se sentir grande. Simplesmente “deus”… um nexo causal na história da humanidade, que adora a singeleza de sua pequenez, como em uma fórmula da matemática. Perdão se eu o ofendi, mas é apenas o meu modo de ver o universo, que quis trazer para o conto.

      • Rogério Germani
        19 de maio de 2015

        De modo algum senti-me ofendido pelo texto lapidado, caro Escritorfóbico…
        Novamente, desejo-lhe boa sorte e agradeço pela resposta.

  31. Sidney Muniz
    19 de maio de 2015

    Olá, autor(a),

    Eu ainda estou formulando algumas coisas. Difícil dizer o que penso. Isso é bom, mas também é ruim.

    repetição de “silêncio” no segundo parágrafo.

    Não entendi o porquê do “Dele” maiúsculo, talvez tenha sido ignorância minha.

    Outras repetições como “eu” “Ela”, acredito que propositais para narrativa dançante que o autor(a) adotou.

    O conto é bem complexo, assim como o próprio tango e suas variáveis. É triste como a própria dança em si, e possui um passo não ritmado. Da voltas, faz floreios leves, nos distancia e de repente nos puxa de volta. Tem eus méritos por essa similaridade.

    As repetições me deixaram um pouco tonto e os rodeios, idem.

    Acredito que para essa proposta o conto poderia ficar mais enxuto, visto que acabamos rodeando demais para voltar ao mesmo lugar da estória.

    A pontuação nos versos desagrada um pouco, tanto as vírgulas como a interrogação. Não vi necessidade, nem mesmo na interrogação. A poesia e bem simples e direta, nada sensacional porém atende ao enredo e tem certa singeleza que agrada e compactua com a imagem escolhida. Ponto para o autor(a).

    No mais eu não sei dizer se gostei ou não do conto, não amei, isso é certo, mas os devaneios não me pareceram favoráveis, e algumas escapadas deixaram a desejar.

    Acredito que é uma boa escrita, e o autor(a) tem méritos, mas sinceramente não captei o que eu queria, e ainda acho que, por enquanto, a veia do tema dessa edição ainda não foi encontrada, contudo fiquei feliz em ver que não se propôs a escrever terror, pois mesmo sendo um amante do gênero, já estava na hora de ler algo mais ousado, e ousadia não faltou por aqui.

    A princípio desejo sorte no desafio. Espero que outros gostem mais do que eu, que diria que repito achei uma proposta ousada, porém não eficiente o bastante para me fisgar, mas valeu a leitura de verdade.

    Não vi tantos erros com o português, e esclarecendo o porquê de não gostar, concluo que de fato a leitura no geral se torna em demasia cansativa em grande parte do conto.

    Um forte abraço!

    • Sidney Muniz
      19 de maio de 2015

      Ah, continuando, acho que se não tivesse esticado tanto após as estações, poderia ter ficado melhor, pois esse trecho foi o mais atrativo.

      Parabéns mais uma vez!

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Publicado às 19 de maio de 2015 por em Fobias e marcado .