EntreContos

Detox Literário.

de Paz (Högen Nicht) (Vinícius Aureliano)

O violão é tocado. Simples e concreto. Os dedos brincam com as cordas como se o mundo os pertencesse. As notas flutuam pelo ar sem direção. Como se já não fosse o suficiente, o violino acompanha presencialmente o caminho do violão. Gemidos gostosos vindos da fricção. Sutilmente as notas saem entrelaçadas, contempladas pela voz que inicia a letra. Um dó laranja seguido de um sol azul claro. Claro como o Sol e azul como o céu. Primeira e quinta entornadas suaves como veludo. A maestria da harmonia desliza pelos céus como o canto dos pássaros adornando o espaço.

A flauta é soada no primeiro refrão causando júbilo e o fechar dos olhos. Os troncos balançam levemente, junto aos troncos as cabeças oscilam se deixando levar pelo suave movimento. Não é preciso mais ver as notas, apenas seguir o fluxo que embala suas mentes. O sopro é aquele afagar de cabelos na cama em um domingo de manhã. Aquele roçar de narizes sorridentes. É aquele desejo proibido e eterno.

As cordas vibram como pequenas ondas em um lago escuro, ondas causadas pelo vento. Vento que traz consigo o cheiro de manhã nova, de pão quentinho, de beijo molhado. O arrepio é certo. O som envolve a todos como a água morna de uma piscina em uma casa de campo em meio ao breu da madrugada.

Os dedos continuam a harmonia prodigiosamente enquanto a voz para de súbito.

Mi dedilhado

Mi com sétima valsado

A voz volta enlaçando o vazio deixado pelo intermédio calado. O infinito prossegue infinitindo em sua infinitude, infinituando a canção.

A voz já parou com sua sonoridade, agora é a descida após o júbilo da vista após a dor da subida. Agora é a saída das flautas. Do violão. E o violino chora pressentindo o fim.

O silêncio.

A vida continua e nos sonhos dos presentes será cantada aquela canção novamente, pois não há nada no mundo que se perpetue como uma canção.

No fim tudo acaba.

Um comentário em “de Paz (Högen Nicht) (Vinícius Aureliano)

  1. Fabio Baptista
    4 de maio de 2015

    Achei bem legal a sonoridade e a cadência do conto (quase uma poesia).
    Bem poético e musical.

    Só não entendi o porquê de não respeitar a pontuação em alguns momentos.

    Bom texto!

    Abraço.

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Informação

Publicado às 2 de maio de 2015 por em Contos Off-Desafio e marcado .
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