EntreContos

Detox Literário.

Criança Modelo (Virgínia Barros)

Robertinha estava muito satisfeita em ser selecionada para o programa “Criança Modelo” de sua escola. Caso alguém tenha estado muito aéreo ultimamente, explicar-se-á do que se tratava. Em linhas gerais, era a versão júnior do programa “Profissional Modelo”, largamente utilizado nas empresas públicas, privadas e de economia mista deste globalizado planeta. A ideia era acompanhar o dia-a-dia de trabalhadores considerados exemplares, sem prejuízo de seu desempenho geral, para que todos os seus colegas tivessem certeza de que, se não produziam tanto quanto eles, era porque estavam fazendo corpo mole.

A tendência de preparar uma versão para jovens surgiu na Alemanha e foi logo copiada pelas universidades americanas. Logo, até os colégios de ensino médio aderiram à ideia, e até mesmo os centros de educação infantil não tardaram a se mexer, afinal, logo o ensino fundamental se tornaria ainda mais exigente.

Foi assim que o Jardim de Infância Sopa de Letrinhas, em 30 de março de 2051, anunciou aos atarefados pais e mães que uma criança do Jardim III seria “sorteada” para participar. O link do espaço reservado no site da escola foi espalhado como spam para a cidade inteira, e quem estivesse interessado (ou não) poderia, em breve, acompanhar o dia-a-dia do aluno contemplado.

Robertinha foi a escolhida, a dedo e em segredo, para ser acompanhada durante toda a importante rotina pelo mais avançado aparato tecnológico de filmagem disponível na época. A ideia por baixo dos panos era fortalecer padrões de consumo e comportamento interessantes aos patrocinadores, uma vez que as crianças gostam de ver outras crianças, e gostam mais ainda de ter o que as outras têm. E ainda mais de exibir que têm o que as outras não têm; mas essa é uma questão da psicologia infantil que não estamos preparados para discutir.

Diferente dos lamentáveis programas do início do século, que não tinham saída a não ser encher todos os cômodos da casa de câmeras e incômodos aparelhos, o “Criança Modelo” já dispunha da mais alta tecnologia de todas: a Selfie Bubble.

Seu ancestral havia sido o famigerado “pau de selfie”, que mantinha a câmera a uma distância considerável para se tirar fotos de si mesmo. A “Selfie Bubble”, por outro lado, era completamente automática e, uma vez configurada, praticamente não precisava mais de manutenção. Aparentemente, era um simples cordão leve que, uma vez colocado no pescoço do usuário, formava uma bolha transparente – daí o nome – ao redor de sua cabeça. O material havia sido desenvolvido através da mais avançada nanotecnologia; não impedia o usuário de respirar, comer, nem nada. Era quase invisível. Por outro lado, transmitia as imagens da pessoa, assim como todas as suas atividades, em tempo real para um determinado servidor.

Nada mais prático. E pensar que no início do século as pessoas precisavam ficar se incomodando em procurar o melhor ângulo para tirar uma foto! A Selfie Bubble registrava todos e escolhia automaticamente o mais adequado.

Certo é que os resultados com crianças ainda não se haviam provado muito satisfatórios. Afinal, elas nem sempre querem fazer o que é conveniente. Geralmente é preciso convencê-las. Mas sempre se podia contar com o auxílio dos pais e professores para que o programa fosse um sucesso.

Aos cinco anos de idade, Robertinha animou-se com a propaganda do material feita pela professora e pelo representante nacional da Selfie Bubble. Disseram-lhe que ela era a criança mais linda e inteligente do jardim; ficaria famosa na internet e todos os seus amigos iriam admirá-la ainda mais.

Por outro lado, ela também precisaria se esforçar um pouco mais. Apenas estudar de manhã e brincar a tarde inteira não seria o suficiente para os anunciantes que patrocinavam o programa. Também havia escolas de idiomas, hipismo e acupuntura que adorariam mostrar suas maravilhas através de uma criança tão adorável quanto ela. Claro que nada a dispensaria de estudar e continuar tirando as melhores notas na escola. Afinal, a editora de seus livros didáticos também estava patrocinando o programa e precisava registrar seu desempenho.

A mãe da menina, por sua vez, parecia encantada com a oportunidade. Não tinha muito tempo para ver a filha, mesmo que a escola já tivesse câmeras de segurança. Agora, até os filhos de outras pessoas se inspirariam na menina. Seria como passar o dia inteiro com Robertinha.

Talvez pareça um tanto exagerado para um programa que passaria apenas na internet. Porém, havia muito que os canais virtuais eram tão assistidos quanto os da TV a cabo. Além do mais, o programa era uma grande novidade, apesar da exposição das crianças já acontecer desde a era de ouro das redes sociais.

Robertinha não tinha idade para entender nada disso, mas concordou animadamente em fazer sua parte. Aceitou candidamente ser levada para cima e para baixo, vestir o que lhe mandavam, participar de dezenas de atividades e até tomar banho de maiô diante das câmeras.

Após a grande estreia do programa, uma enxurrada de comentários começou a aparecer no site da escola. A maioria era elogiosa; perguntavam aonde havia comprado tal camiseta, quanto era o curso de balé, onde era o haras tão lindo onde ela fazia hipismo. Era invejada por todos, e recebia de graça atividades pelas quais os outros precisavam pagar caro. O único valor que dava em troca era a sua exposição, o que não lhe incomodava nem um pouco.

Infelizmente, seu sucesso não veio sem detratores. Algumas semanas depois da estreia, um grupo de garotinhas da mesma sala que Robertinha a olhou com desdém quando passou por elas usando um tênis de uma marca nova.

– O pai da Patricinha é sócio da marca concorrente – ouviu mais tarde de um coleguinha.

A partir desse dia, o número de colegas que a desprezavam passou a aumentar. Não deixavam que participasse das rodinhas de brincadeiras, nem mesmo dos jogos virtuais em grupo. O tratamento permaneceu mesmo quando a campanha para a nova marca de tênis acabou. Afinal, ser invejada não parecia ser algo tão bom assim.

Os patrocinadores concordavam que um pouco de drama faria bem para a audiência. De fato, os comentários que pipocavam sobre o programa variavam muito. Muitos a apoiavam, é verdade, mas uma pequena conspiração começava a ganhar volume após a história do tênis. Surgiu até uma polêmica sobre o penteado que Robertinha usava. Muito infantil para uma menina de cinco anos. Outro grupo, geralmente escondido atrás de perfis falsos, atacava ferozmente os detratores, jurando amor e lealdade eterna à pequena aluna modelo.

Felizmente, ela ainda não era completamente alfabetizada e estava alheia a esse tipo de diatribe. Entretanto, não se podia mais dizer que participar do programa estava sendo saudável para ela. Já não era aluna modelo havia muito tempo; seu progresso nos estudos havia se tornado indiscutivelmente mais lento. Seu talento para a equitação podia ser definitivamente descartado, pois afinal de contas não existia.

Em reunião com os patrocinadores, a direção da escola de Robertinha finalmente admitiu o erro: Robertinha não era modelo algum e não compensava mais os gastos com a manutenção da Selfie Bubble. A decisão de retirá-la do programa foi comunicada a seus pais friamente, por e-mail. Sentindo-se lesada pela rescisão do contrato, a mãe da menina iniciou um cansativo processo na Justiça e providenciou imediatamente a transferência da filha para outra escola.

Robertinha não entendeu nada quando a chamaram na direção da escola e retiraram o colar que mantinha a Selfie Bubble funcionando. Ela sentia como se uma parte de seu próprio corpo lhe estivesse sendo tomada. Não houve estranhamento quanto à visão, ou ao peso que porventura carregasse. A sensação era praticamente a mesma, mas ainda assim havia algo estranho.

Era novamente apenas mais uma criança, como todas as outras. Sentia-se feliz em ter tempo para brincar sozinha durante a tarde, sem nenhum compromisso. Porém, algo dentro dela sentia falta da atenção com que havia sido cercada durante o tempo em que participou do programa.

Talvez isso se devesse ao fato da mãe passar ainda menos tempo em casa, agora que andava sempre irritada às voltas com o processo que iniciara contra a escola. A indiferença dos colegas na nova escola era mais uma mágoa. De alguma forma, sabiam que ela havia fracassado em uma chance que todos eles gostariam de ter, e não a perdoavam por isso.

Uma noite, depois que a babá foi para casa, a mãe de Robertinha saiu para falar com o advogado, pedindo para o porteiro do prédio “dar uma olhada” caso a menina saísse do apartamento. Talvez estivesse por demais acostumada à ideia de que a filha era filmada vinte e quatro horas por dia.

Robertinha assistia televisão quando bateram à porta. Ela levantou-se e foi abrir, contente por não estar mais sozinha. Era um vizinho do condomínio, mas ela não o conhecia e se decepcionou um pouco, pois ele já era velho e um pouco careca.

– Oi, Robertinha! Lembra de mim?

Ela não se lembrava, mas não quis ser mal-educada. Ele perguntou se ela estava sozinha e lamentou que ela não estivesse mais com a Selfie Bubble.

– Eu adorava o seu programa. Sabia que só me mudei para cá por sua causa? Você é uma menina muito especial.

Fazia muito tempo que Robertinha não recebia atenção de uma pessoa tão gentil e sorridente. Os adultos haviam parado de dizer que ela era bonita e inteligente desde que decidiram retirá-la do programa. Logo estavam conversando, muito animados, e ele a convidou para tomar um sorvete.

– Tem bastante na minha casa – ele piscou para ela.

A criança, que não tinha nada a perder, resolveu aceitar o convite.

…………………………………………………………….

Este texto foi baseado no tema “Distopia”, sujeito ao limite máximo de 2500 palavras.

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40 comentários em “Criança Modelo (Virgínia Barros)

  1. Thales Soares
    28 de abril de 2015

    Gostei, um pouco.

    Histórias narradas com crianças como foco sempre me cativam, por geralmente serem doces. Aqui eu não me senti extremamente empolgado, mas achei o conto até que agradável. A escrita me agradou e me prendeu na leitura. Só achei a história fugiu um pouco do tema… não senti muito da “distopia” do mundo criado pelo autor aqui.

  2. Tamara padilha
    28 de abril de 2015

    Ai, cadê o resto? Eu sei que ficou implícito e tudo mais mas eu quero ler mais! Que conto bom! Reflete perfeitamente o que já acontece hoje em dia e que só tende a piorar. A proposta daquele que indicou o tema foi muito boa junto com a sua criatividade. Fiquei aflita nesse final com o que o homem faria. Sem erros. Parabéns!

  3. André Lima
    28 de abril de 2015

    Fiquei um pouco frustrado quando li que o tema é “Distopia”. Achei que seu texto fugiu um pouco dele. Você tentou fazer uma relação com um tema completamente FILOSÓFICO para algo mais corriqueiro, cotidiano.
    Isso é um ponto negativo, ao meu ver.

    Mas o texto foi bem escrito e a gramática está perfeita. Isso conta pontos também.

  4. Wilson Barros Júnior
    28 de abril de 2015

    Ótimo conto de ficção científica, rigorosamente na sequência Asimov. Uma excelente idéia, a da “selfie bubble”, seguida das consequências sociais do invento. O triste fim é ao mesmo tempo criativo e trágico. Não há o que acrescentar neste conto clássico de ficção científica, que poderia figurar tranquilamente ao lado dos melhores de “Júpiter a Venda”, “Os Ventos da Mudança”, “A Terra tem Espaço” e outros livros de Asimov.

  5. Jefferson Reis
    28 de abril de 2015

    Apesar do tema do conto ser “Distopia”, a exposição infantil indevida está longe de ser um “sonho ruim”. É bastante comum, na verdade, e alguns debates sobre “propagandas para crianças” têm sido levantados. Assim como a narrativa anterior, “Criança Modelo” projeta no futuro um problema atual crescente. Não somente a exposição desmedida na mídia, mas também a manipulação e a “espionagem” de gostos e costumes.

  6. Bia Machado
    28 de abril de 2015

    Bem, pra mim o conto ficou fora do tema. Cadê o governo autoritário, as pessoas oprimidas pela situação? Não tinha visto qual era o tema antes de terminar a leitura e fiquei surpresa. Estava tentando imaginar qual seria, e pra mim faria mais sentido se fosse outro, sei lá, algo relacionado à infância hoje tão adultizada… O enredo podia ser melhor, também, dar mais emoção, surpreender mais.
    Emoção: 1/2
    Enredo: 1/2
    Criatividade: 2/2
    Adequação ao tema proposto: 0/2
    Gramática: 1/1
    Utilização do limite: 1/1
    Total: 6

  7. Swylmar Ferreira
    28 de abril de 2015

    Atende ao tema proposto. Conto muito bem escrito, linguagem simples facilitando a leitura. Trama bem planejada pelo autor, mostra em um futuro possível. Pena que a Robertinha aceitou o convite.
    Parabéns!

  8. Wender Lemes
    28 de abril de 2015

    Olá! A ideia do que pode ser feito com a cabeça das crianças em qualquer época é impactante. Você soube aproveitar bem este impacto e moldá-lo de acordo com o tema proposto (fora as suas invenções doidas que deram um ar diferente ao conto). Parabéns e boa sorte!

  9. mkalves
    27 de abril de 2015

    A linguagem é um pouco empolada e abunda em explicações desnecessárias. O futuro (? Quase presente, na verdade) narrado convenceria mais se uma data não fosse citada. No drama da menina vigiada senti falta de uma visão interna da garota. E achei a insinuação de pedofilia que resta no final um pouco caindo de paraquedas.

  10. Rodrigues
    27 de abril de 2015

    Achei o conto regular. O narração está distante dos personagens que, por outro lado, tem características bastante interessantes. Robertinha foi bem caracterizada como uma menina pequena, alheia a todo processo que se passava em seu redor, mas ficou faltando algum personagem a mais para dar vida ao conto. O final misterioso ficou a contento, mas não chegou a salva o resto da história.

  11. Fil Felix
    27 de abril de 2015

    Achei o conto morno, principalmente em relação ao tema (Distopia), caberia algo mais denso. A história passa sua mensagem, que nem está tão diferente assim da nossa realidade, tendo em vista as crianças-prodígio da TV. Se não fosse o aparelho-bolha, não ficaria tão distante assim de nós. O final dá uma balançada, o que foi bom.

  12. Anorkinda Neide
    26 de abril de 2015

    Gostei bastante! Conseguiste me conectar à menina e me envolver com sua história. Adequado ao tema e bem elaborado. Parabens.
    Como diria, Claudia Angst…e mais uma criancinha não foi poupada…rsrsrs

    Abração

  13. Pedro Luna
    26 de abril de 2015

    O que me incomodou foi que o conto tem muitos momentos explicativos. Muitos mesmo, e por isso não gostei muito. O relato se mistura com trama e o final, apesar de sinistro, destoou um pouco do que o conto parecia ser. Enfim, tem uma boa crítica por trás.

  14. vitor leite
    25 de abril de 2015

    história bem contada mas com pouca ficção. poucas novidades a nível de equipamentos tecnológicos o que é pena, pois dava outra dimensão à história, mas de qualquer modo parabéns, uma boa história.

  15. Pétrya Bischoff
    25 de abril de 2015

    Bueno, um texto que carrega todos os questionamentos e críticas da cada vez maior superesposição que estamos sofrendo, ou que nos está sendo imposta. Os louros podem ser dourados, mas não duradouros ou suficientes diante de todos os riscos e perdas que podem acarretar. A narrativa é simples e um tanto infantilizada, a escrita e descrições são simples. A temática está presente e acredito que o conto vença seu proposto. Boa sorte.

  16. Leonardo Jardim
    24 de abril de 2015

    ♒ Trama: (2/5) não gostei muito. Entendi a crítica à superexposição e a sugestão de pedofilia, mas a tema ficou simples e crua, sem nenhum outro atrativo.

    ✍ Técnica: (3/5) funcionou bem, sem erros aparentes, com leitura leve e narrativa fluida. Cumpre bem o papel, só não se destaca para uma nota maior.

    ➵ Tema: (0/2) tentei enxergar alguma distopia nesse texto, mas não vi. Faltou um governo autoritário, um ditador, perseguição e outros elementos desse gênero.

    ☀ Criatividade: (1/3) não achei muito criativo. O futuro é muito pouco diferente do mundo de hoje.

    ☯ Emoção/Impacto: (2/5) não gostei muito e os motivos creio que já foram apresentados.

  17. Felipe Moreira
    24 de abril de 2015

    Quando li que Robertinha ainda não era alfabetizada, não consegui evitar o trocadilho estúpido que me surgiu: “Uma distopia no jardim de infância”. Não dá pra ter certeza de que Robertinha será vítima de um crime hediondo, mas a julgar pelo teor da narrativa e o pseudônimo do autor, arrisco que o final dessa menina foi muito pior do que ser descartada desse sistema da bubble selfie. Ela tinha tudo a perder, mas era jovem demais para ter consciência disso.
    Vemos nesse conto o grau de problemas numa sociedade cada vez mais inadequada com o avanço tecnológico. Uma boa distopia, embora eu tenha achado o conto um pouco lento. O que mais gostei nele é a honestidade, quer dizer, a história se repete exaustivamente. O comportamento humano muitas vezes não muda nessas questões sociais. Não importa a revolução tecnológica que aconteça, pessoas sempre encontrarão uma maneira de estragar tudo.

    Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio.

  18. rsollberg
    23 de abril de 2015

    Gostei!
    Por um momento me peguei pensando um pouco em Boyhood. Ai fui avançando e logo me recordei do “A vida de Truman” do Jim Carey, que é absolutamente fantástico. Só que nesse filme o final é mais pra cima, aqui, neste conto, o desfecho é mais sombrio. Acho que ambos funcionaram bem, cada um com sua mensagem.

    Esse lance da publicidade infantil realmente tem um aspecto muito mendaz. Esse bombardeio de “propagandas”, criadas por gente que no fim das contas só quer vender é algo que me traz muita reflexão. Até que ponto, hoje, nesse modelo (maior dimensionado na sua obra), podemos verdadeiramente optar? Existe espaço para o famigerado consumo consciente? Sinceramente, não sei.
    Tem um livro muito interessante chamado Eu S/A, do Max Barry, que também “brinca” com essa faceta do consumismo em um futuro distópico. Lá ao invés de marketing de guerrilha, eles usam o Marketing da Guerra, criam assassinatos em massa para promover os produtos. Além disso, todos os sobrenomes foram abolidos e o trabalhador é obrigado a usar o nome do empregador, tipo John Nike. “Cara”, desculpe a digressão.

    Bem, curti a tal de Selfie Bubble! É, sem dúvidas, uma ótima sacada. Já patenteou? Costumo dizer que os escritores de ficção cientifica são os novos Nostradamus. Portanto, nada de dar mole.

    Percebi apenas algumas repetições próximas como “até” e “dia-a-dia” talvez colocasse “cotidiano” para dar uma arejada . E, por falar nisso, acho que esse hífen caiu depois do acordo. Tia Claudia, dá uma ajuda aqui!!!

    Parabéns e boa sorte no desafio!

  19. Andre Luiz
    22 de abril de 2015

    Nossa, caro Coração Gelado! Seu texto é muito reflexivo, principalmente quanto à “adultização” de nossas crianças atualmente, em que a mídia e a massa pressionam as crianças para serem adultas e agirem como tal, perdendo a inocência da infância. Além disto, discute sobre a exposição exagerada de nossas vidas como se realmente estivéssemos em reality-shows constantemente. Contudo, sinto que a distopia em si ficou em segundo plano, pois geralmente a sociedade distópica tende mais para o abandono e as mazelas sociais, o que no seu texto foi bem tênue. Fora isso, o conto é muito bom.

  20. Tiago Volpato
    21 de abril de 2015

    Muito bom. Você conseguiu retratar uma distopia não muito distante do nosso presente, acho que esse foi seu maior mérito, criar um universo ficcional 100% crível. Não acontece muito, mas me arrepiei com o final.
    Selfie Bubble…

  21. Ricardo Gnecco Falco
    21 de abril de 2015

    Achei um pouco fraca a história. Tempos verbais conflitantes, principalmente nos primeiros parágrafos. A crítica social à contemporaneidade fez-se ecoar com menos brandura do que o tema proposto que, este sim, ficou distópico. O final do conto prenunciando um trágico acontecimento também não me pareceu uma boa escolha. Não pela ideia, mas sim pelo posicionamento “tardio” na trama; como um tentáculo que mais sobra do que se transforma em membro da história.
    Mas não quero que o(a) autor(a) fique com raiva de mim. O texto vale sua concepção; apenas um desenvolvimento um pouco menos pretensioso (enquanto crítica social) talvez conseguisse dar um rumo mais ‘natural’ à prosa.
    Boa sorte no Certame e ‘Keep writing’!
    😉

    Paz e Bem!

  22. Carlos Henrique Fernandes Gomes
    20 de abril de 2015

    Tema bem abordado pelo conceito de exploração da estupidez das pessoas, uma das característica de uma sociedade distópica. E a aparição de um talvez pedófilo traz a discussão de volta para bem antes de 2051, a nossa época ou qualquer outro passado. A distopia é geralmente discutida como sendo um futuro provável, mas no presente conto, se ignorarmos o ano 2051 e suas tecnologias, podemos vê-lo com clareza de detalhes no nosso presente. É provável que me joguem tomates, mas na final do “concurso” de cantores de ontem (19.04), naquele programa “robusto”, da rede de TV mais assistida, mostrou esse tipo de distopia: não foi premiado o melhor cantor e sim o que mais se adequa ao mercado. Um dos jurados (dois cantores “da casa”) soltou algo do tipo: “ninguém aguenta um cantor de ópera o tempo todo” (com as minhas palavras, já que ele “imitou” um) aí as duas melhores cantoras (uma em cada ponta do palco) foram eliminadas. De fato, ninguém aguenta uma Tarja Turunen cantando o CD inteiro do Nightwish, nem a banda aguentou (é uma banda de heavy metal sinfônico; verdade mesmo, existe isso). Estranho é que todos os infinitos fãs da banda aguentavam… Se alguém quiser saber do que estou falando, procure o programa que falei na internet e ouça a banda Nightwish com a Tarja (pronuncia-se Taria) Turunem nos vocais (uma dica é o CD Wishmaster), até minha mãe de 80 aninhos é fã dela! Esse é só um grão de areia da nossa distopia desse presente futurístico. Voltando ao assunto, essa foi uma inteligente abordagem do tema, já abordado nesse desafio por outra pessoa de tanto talento como você.

  23. Gilson Raimundo
    18 de abril de 2015

    O texto é muito bom, lembrou um filme onde o cara vivia o tempo todo numa ilusão, sim aquele mesmo. Este seria um estranho BBB. Distopia, tema não tão simples mais foi feita uma boa analogia. Felicidades.

  24. Cácia Leal
    16 de abril de 2015

    Suas notas, que me esqueci de colocar junto com o comentário:
    Gramática: 10
    Criatividade: 10
    adequação ao tema: 10
    utilização do limite: 10
    emoção: 9
    enredo: 9

  25. mariasantino1
    16 de abril de 2015

    Olá!

    Seu texto tem algumas passagens boas, chamou atenção para um assunto que foi tema da redação do Enem (se não me falha a memória), “publicidade infantil”. No entanto, por mais que a ideia seja boa, a condução, a narrativa, o mau uso do espaço e a abordagem do tema não foram bons (em minha opinião). A Distopia, em meu (pouco) conhecimento, ficaria a cargo dos detentores midiáticos ávidos por audiência, mas, esses não tiveram tanto espaço assim na trama, e até a menininha também não foi bem construída, pois o leitor (eu) não se importa muito com ela, embora haja partes interessantes de alcance além das linhas>>>>> A ideia por baixo dos panos era fortalecer padrões de consumo e comportamento interessantes aos patrocinadores, uma vez que as crianças gostam de ver outras crianças, e gostam mais ainda de ter o que as outras têm. >>>>> Em reunião com os patrocinadores, a direção da escola de Robertinha finalmente admitiu o erro: Robertinha não era modelo algum e não compensava mais os gastos com a manutenção da Selfie Bubble. A decisão de retirá-la do programa foi comunicada a seus pais friamente, por e-mail. >>>>> A crítica é ótima, mostra a pessoa somente como um objeto descartável se já não é mais útil para os propósitos dos “grandes”, sem se importar com os danos que essa exposição toda e o que o corte brusco dessa mesma exposição, pode causar a uma pessoa tão jovem. Também é importante salientar que o comunicado foi feito via e-mal, mas, como dito antes, faltou mais. O clímax é fraco, a reviravolta, os sentimentos da garotinha quase não existem nas linhas. A narrativa segue nada fluida com algumas repetições >>>>> UMA VEZ configurada, praticamente… UMA VEZ que as crianças… UMA VEZ colocado no pescoço… Se deseja saber o que passava na mente da menina, o mundo dela também é importante, pois sem isso ela torna-se marionete, não se cativa, não se importa-se com ela. Fora que tudo é muito rápido. Em resumo, faltou mais profundidade ao texto, maior caracterização e repasse de sentimentos.

    Média – A nota para esse conto será: 5 (cinco)

    Abraço!

  26. Sidney Muniz
    16 de abril de 2015

    Olá autor(a),

    O texto é bem simples, mas um pouco cansativo em determinado momento, De repente virou uma novela, acho que o enredo deu algumas voltas desnecessárias quando poderia nos dizer mais da personagem em si, mas isso é apenas minha opinião e outros certamente se agradarão de sua conduta.

    Não há muitas observações a serem feitas por mim diante de sua obra, mas deixo aqui uma.

    Cuidado com as repetições, elas cansam um pouco o leitor. veja nesse parágrafo como usou repetidamente o “logo” 3X

    “A tendência de preparar uma versão para jovens surgiu na Alemanha e foi logo copiada pelas universidades americanas. Logo, até os colégios de ensino médio aderiram à ideia, e até mesmo os centros de educação infantil não tardaram a se mexer, afinal, logo o ensino fundamental se tornaria ainda mais exigente.”

    Em algum momento também senti que o texto me pareceu se perder entre um narrador digamos mais imparcial e em certas passagens um tanto parcial, já em outras algo mais jornalístico. Penso que isso pode ser revisto também.

    No mais o conto não é ruim, pelo contrário é um bom escrito.

    Desejo sorte no desafio e parabenizo a você pelo talento evidente.

  27. Jowilton Amaral da Costa
    15 de abril de 2015

    A narrativa nos primeiros parágrafos não me agradou. No segundo tem três “logo” um atrás do outro. Com o decorrer da leitura o conto fluiu melhor, fazendo-me ficar preso a estória. O desfecho foi inesperado para mim. No entanto, creio que apenas resvalou no tema distopia. Boa sorte.

  28. rubemcabral
    15 de abril de 2015

    A ideia do conto é muito boa e criativa, o Selfie Bubble também foi uma boa sacada. Só achei que o texto apenas resvalou no tema “distopia”, pois não há nada de governo repressor, espionagem ao cidadão, caçada aos subversivos, lavagem cerebral, etc.

    De qq forma, um bom conto!

  29. JC Lemos
    11 de abril de 2015

    Olá, autor(a)! Tudo em cima?

    Sobre a técnica.
    Não vi nenhum empecilho que atrapalhasse a leitura, nem nada que valha a pena ressaltar. Foi uma leitura agradável, rápida. Cheguei ao fim sem nem perceber.

    Sobre o enredo.
    É até interessante, mas para mim não teve nada a ver com distopia. Tudo bem que há forte influência de câmeras e vigilância e tudo mais, mas não é apenas isso que caracteriza uma distopia. Faltou o governo totalitário, as revoltas do povo, o controle opressivo da vida das pessoas e essas coisas.

    Sobre o tema.
    Muito bom, e o limite também. Uma pena o autor não ter se encaixado muito bem no tema.

    Nota:
    Técnica: 7,0
    Enredo: 6,0
    Tema: 5,0

    De qualquer forma, parabéns e boa sorte!

  30. José Leonardo
    11 de abril de 2015

    Olá, autor(a). O tema proposto a você nada tem de fácil. A distopia é essencialmente (embora não unicamente, ressalte-se) política, envolvendo governos/organizações que exercem controle máximo e que, em geral, possuem meandros de corrupção no interior de seus sistemas. Obviamente, o menu de tipos distópicos (suas abrangências) aumentou nas últimas décadas: uma orquestração de megacorporações com fins de forçar economicamente a aceitação de um modelo de beleza, por exemplo, pode levar a alguma classificação de utopia negativa. Se o texto flerta com padrões (no caso, lidando com mercado e psicologia infantil — bem explicado no quarto parágrafo do conto), posso aceitar a ideia de “algo que chegará a uma distopia”, embora o quesito “adequação ao tema” ainda esteja prejudicado.

    Mas se há aqui um elemento fortemente ligado ao tema imposto é a desesperança. Robertinha sente (ainda que não perceba cabalmente) o impacto de ter sido retirada do programa Criança Modelo. O desfecho (ou a projeção que ele faz) dá um nó na garganta do leitor.

    Em linhas gerais, achei seu conto interessante pela maneira equilibrada do desenvolvimento da trama (não houve “atropelamentos”, cortes bruscos, saltos temporais abruptos, nem aquela impressão de escola-de-samba-estourando-limite-do-temo, entende?), enfim, uma escrita bem dosada e inteligente. Se a nota final de minha parte não for excelente ou boa, realmente decorrerá ao peso da pouca adequação ao tema observada no texto.

    Abraços e boa sorte neste desafio.

  31. Claudia Roberta Angst
    10 de abril de 2015

    Ai, que terror o final. Para uma mãe, pelo menos. Esses concursos de Pequenas Misses e afins me dão medo e nojo. Alimentar o ego de uma criança com uma avalanche de atenção e elogios que não cabem não universo infantil é cruel. Porque claro, a criança vai ficar viciada nesta exibição para receber atenção. Gostei da ideia da Selfie Bubble, muito provável de existir em futuro próximo.
    Acho que o tema distopia foi desenvolvido dentro de outro grande tema, mas valeu.
    A leitura prendeu minha atenção. Boa sorte.

  32. simoni dário
    10 de abril de 2015

    O texto está bem escrito, e tem uma história angustiante, tadinha da Robertinha! É de cortar o coração. Você conseguiu mexer com os meus nervos, senti aflição, pena, raiva e vontade de matar o vizinho da menina. O final é impactante, mas parece que foi rápido demais para um texto que se desenrolou em banho-maria, dessa parte não gostei muito. Mas, é um bom conto, o autor tem talento e está de parabéns!
    Boa sorte!

  33. Marquidones Filho
    9 de abril de 2015

    Interessante a forma como a história se desenvolveu. Os personagens, acontecimentos, o fim triste. Realmente cai um pouco no tema da distopia, principalmente levando em conta essa tirania midiática. Sem falar que é uma ótima crítica ao que vemos hoje na televisão e mundo artístico. Bom conto, parabéns.

  34. Fabio Baptista
    8 de abril de 2015

    Olá,

    Tive mais ou menos o mesmo sentimento do texto Brasil Rosa Choque: uma leitura leve que fluiu bem, mas não sei necessariamente se houve adequação ao tema proposto.

    Sei que o cenário descrito não é dos mais animadores, mas acho que foi apenas a descrição estilizada da realidade atual, não necessariamente uma distopia. Ok… distopia também pode ser (e normalmente é) uma metáfora exagerada da atualidade, mas sempre imagino como algo mais caótico e pós-apocalíptico… onde criancinhas não têm chances de ir felizes para a escola.

    A crítica social é muito boa. E o final deu calafrios.

    NOTA: 6

  35. Neusa Maria Fontolan
    8 de abril de 2015

    Todo vez que leio algo sobre abuso com criança eu me choco, tenho que parar com isso, pois essa é uma triste realidade. O conto ficou bom. Boa sorte.

  36. Rafael Magiolino
    7 de abril de 2015

    Um conto muito inteligente e bem escrito. Outro texto que nos transmitiu uma versão futurista realista em certos aspectos e o final foi intrigante. Acredito que o limite de palavras foi um certo problema, pois o autor poderia ter desenvolvido ao menos um pouco mais a ideia.

    Abraço e boa sorte!

  37. Brian Oliveira Lancaster
    7 de abril de 2015

    E: Um enredo bem envolvente. Nota 9

    G: O final aberto e ao mesmo tempo imaginativo caiu muito bem. O texto consegue nos transportar para um futuro não muito distante, de forma clara e objetiva. O grande mal da mídia apareceu em peso nesses últimos contos. Gostei do tom mais leve e do estilo adotado para a narração. Nota 9.

    U: Notei que em certas frases o tempo verbal mudou de repente. Incomodou um pouco. De resto, tudo tranquilo. Nota 8.

    A: Aqui esbarramos num ponto delicado. Até que ponto é distopia e até que ponto é apenas um presente estendido? Em minha opinião, apesar de muito bem escrito, não se adequou tão bem ao tema. Afinal, daqui uns tempos, não duvido nada que não exista algo assim. E a exposição é algo até comum hoje em dia. Talvez fosse mais distópico se as crianças/jovens assumissem o programa, apenas para entreter os adultos, então teríamos uma inversão de valores. Novamente, reitero que gostei do texto, mas está é minha opinião. Nota 6.

    Média: 8.

  38. Eduardo Selga
    7 de abril de 2015

    O conto consegue mostrar bem algumas das grandes chagas produzidas pelo capitalismo, que muitas vezes não são vistas assim, como a adultização da infância (principalmente em relação às meninas), a ideia de haver um modelo a ser seguido, consumismo, o patrulhamento do indivíduo por câmeras, o produtivismo (para você ser bom é preciso ser muitos ao preço de um só, então tome escola, língua estrangeira, cavalinhos), o abandono da infância sob o disfarce de os pais serem muito ocupados, a erotização da menina, dentre outros aspectos.

    Há na linguagem uma ironia bastante mordaz, que se relaciona muito bem com a abordagem do tema, seca, contundente, e a escolha do narrador em terceira pessoa onisciente dá bem a dimensão de isolamento da protagonista transformada em mercadoria em vários níveis -inclusive o sexual, e da indiferença que a cerca. Observe-se que não há em nenhum momento qualquer personagem de fato preocupado com a menina, e mesmo a mãe preocupa-se mesmo é com o seu prejuízo.

    As relações entre personagens se dá conforme a lógica perversa do lucro, não por afeto, demonstrando o quanto a coisificação da pessoa consegue nos tornar inumanos. E veja que não disse “desumanos”, pois os “maus sentimentos” também pertencem à alma humana. preferi usar “inumano” para mostrar o quanto a gente vai nesse processo perdendo as características emocionais que nos individualizam na cadeia evolutiva.

    Sobre isso, o último parágrafo é exemplo perfeito (” A criança, que não tinha nada a perder, resolveu aceitar o convite”), ou seja, o narrador já leva em consideração o NÃO TINHA NADA A PERDER, como se fora a situação alguma banalidade.

  39. Alan Machado de Almeida
    6 de abril de 2015

    Esse texto me fez lembrar do tema da “adultização” da criança, como por exemplo usar meninas de cinco anos para desfiles de moda ou para apresentar programas de TV, como acontecia com a Maísa no SBT. Bom jeito de abordar o tema com tons fantásticos. Parabéns.

  40. Cácia Leal
    4 de abril de 2015

    Muito bom o conto! Muito bem escrito, um português impecável (pelo que percebi) e uma trama bem elaborada. Senti falta de algo que explicasse um pouco mais o final, ele a levou para abusar da menina ou a sequestrou? Porque existem várias possibilidades para tê-la levado para casa, até mesmo assassinato. De qualquer forma, gostei muito de como o tema Distopia foi tratado. Parabéns!

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Publicado às 4 de abril de 2015 por em Multi Temas e marcado .