EntreContos

Detox Literário.

Fábula de destruição e caos (Tiago Volpato)

(i)

Prenda a respiração e…

Atire.

Exploda a cabeça.

Recarregue.

Respire.

Atire.

Exploda a omoplata.

Recarregue.

Atire e exploda o torax e recarregue e respire e escolha o próximo alvo.

[…]

Quantos você matou?

Atire.

Não!

Não na sua cabeça!

(i2)

É tudo muito simples.

Bem contra Mal.

De um lado os transgressores da moral. Aqueles que acabam com a pureza desse mundo, que destroem e corrompem tudo o que é belo.

Do outro lado Você.

Não seria grandioso se todos eles fossem mortos? Se ninguém mais pudesse macular a perfeição que é a vida?

A vida que Você escolheu.

Então vamos lá. Prepare seu grande plano e parta para o extermínio. Você vai ser o grande herói, aquele que será lembrado para sempre como salvador.

(i3)

No fim a ordem sempre vence.

O vermelho no metal. O caos silenciado.

O mar limpa a areia carregando os detroços para longe.

Cedo ou tarde tudo acaba.

E nada mais vai existir.

Apenas o fim.

…………………………………………………………….

Este texto foi baseado no tema “Guerra”, sujeito ao limite máximo de 200 palavras.

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42 comentários em “Fábula de destruição e caos (Tiago Volpato)

  1. Tamara padilha
    28 de abril de 2015

    Parabéns! Você teve meio que se virar nos trinta para escrever algo de duzentas palavras. O que indicou o tema pegou super pesado. Não entendi bem o que seria o conto. Não achei tão narrativo, não sei se seriam memórias… Mas em fim, eu gostei da sensação que ele causou. Foi mais algo reflexivo sobre a guerra. A escrita está boa, só achei uma falta de acento. Com duzentas palavras era impossível causar emoção, parece só ser o thriller de um filme que quando você se empolga acaba. Mas gostei mesmo assim.

  2. Thales Soares
    28 de abril de 2015

    Parabéns cara!!

    Você mostrou ser um escritor surpreendente! Superou o maior de todos os desafios literários que eu já vi… 200 palavras?! Caramba……

    Sinceramente, fico triste com esse tipo de coisa. Acho que o cara que sugeriu esse limite fez isso por pura sacanagem. Você foi sacaneado. Sabotaram sua participação neste certame. E o que você fez em relação a isso? Permaneceu de cabeça erguida, e usou as poucas palavras que tinha para escrever um conto profundo e incrível! Parabéns… não sei ainda quem vc é, mas já sou seu fã.

  3. Wender Lemes
    28 de abril de 2015

    Olá, Álvares! Parabéns pelo que conseguiu fazer com tão poucas palavras. Foi praticamente como ler uma poesia (uma sangrenta e amarga). Não sei se há realmente algo que pudesse mudar, pois eu mesmo não me imagino construindo algo satisfatoriamente significativo com o limite de espaço que você teve. Enfim, parabéns e boa sorte!

  4. Wilson Barros Júnior
    28 de abril de 2015

    Gostei muito do poema estilo Bukowski, existencialista, que faria as delícias de Sartre. Você falou muito em menos de 200 palavras, e demonstrou conhecimento de técnicas de aliterações em imagens, como em “exploda a omoplata”, “recarregue e respire” e “vermelho no metal”. O poema parece uma versão moderna da Ilíada traduzida por Haroldo de Campos. Tanto você como ele são poetas que poderiam muito bem dirigir filmes em Hollywood, graças à capacidade de criar cenas. Muito bom, parabéns.

  5. mkalves
    27 de abril de 2015

    O limite era mais que desafiante, e o autor ainda ficou quase 40 palavras abaixo. Delírios de guerra, o ritmo entrecortado de disparos e nonsense. Funciona. Não chegou a me tocar profundamente porque faltou ser mais claro e incisivo, mas considerando o tema x limite, merece parabéns

  6. vitor leite
    25 de abril de 2015

    nesta história parece que falta o impacte da guerra, não se cheira a morte, mas está bem descrita e bem desenvolvida. eu não senti muito o efeito desta guerra, mas gostei.

  7. Leonardo Jardim
    24 de abril de 2015

    ♒ Trama: (3/5) muito bom o que você conseguiu escrever com tão poucas palavras! Deu pra sentir bem o clima de guerra. Difícil dar uma nota de trama pra um conto tão curto…

    ✍ Técnica: (4/5) muito boa, conseguiu escrever bem no pouco espaço disponível.

    ➵ Tema: (2/2) guerra (✔).

    ☀ Criatividade: (2/3) tratou a guerra de forma como costuma ser tratada. Não quer seja ruim, mas não é pra nota máxima nesse quesito.

    ☯ Emoção/Impacto: (3/5) fiquei satisfeito com o resultado. Com o limite apresentado, conseguiu passar a emoção da guerra.

    ● Bônus: +1 ponto por ter conseguido um resultado tão satisfatório num limite tão curto (e cruel).

  8. Pedro Luna
    21 de abril de 2015

    O limite foi terrível, e infelizmente não gostei. Tudo muito solto e didático. O final foi a melhor parte, mas acabar com ”nada mais vai existir, apenas o fim”, sei lá, me soou igual a muitas coisas que já li. Quem sabe em outro texto? O autor pegou uma dificuldade brutal aqui. Parabéns por não ter desistido. Tomara que outros gostem.

  9. Ricardo Gnecco Falco
    21 de abril de 2015

    Com um limite desse, e um tema desse, até que o autor conseguiu produzi uma história rica em poesia e que causa reflexão. Um história curta em palavras, mas rica em infinito!
    Parabéns!
    🙂

  10. Swylmar Ferreira
    20 de abril de 2015

    O texto atende ao tema e está dentro do limite estipulado.
    Bem escrito ( um pequeno erro, digitação por certo), a trama linear e reconheço a dificuldade escrever um conto com o limite estipulado (200 palavras) e também a competência do autor(a) em conseguir.
    Parabéns!

  11. Pétrya Bischoff
    18 de abril de 2015

    Ah, um limite tão baixo prejudica o autor… Mas acredito que ficou bem clara a intenção do conto. Não há narrativa, não me senti conduzida, mas a escrita está correta. Eu tentaria outra abordagem, talvez algo menos compacto nas primeiras linhas, talvez somente uma ou duas frases de desabafo… Enfim, não consegui me conectar mas entendo que a culpa não é do autor. Boa sorte.

    P.S. Eu pensei em CS ou Call of Duty, haha.

  12. Cácia Leal
    16 de abril de 2015

    Suas notas, que eu não coloquei junto com o comentário:
    Gramática: 10
    Criatividade: 9
    adequação ao tema: 10
    utilização do limite: 10
    emoção: 8
    enredo: 7

  13. Carlos Henrique Fernandes Gomes
    16 de abril de 2015

    Duzentas palavras pra falar de uma coisa dessas? Tá de brinkeition uiti mi? E você teve que fazer um poema para dar conta do recado! Deus salve a poesia! Isso me parece a visão de um idealista cansado de acreditar no próprio ideal, o que ficou ótimo. Parabéns pelo trabalho de se adequar a uma caixinha de fósforos.

  14. Rodrigues
    15 de abril de 2015

    Com o limite oferecido, achei mais do que bem aproveitadas estas 163 palavras e caracteres. Poderia estar escrito na sequência, achei a divisão em versos desnecessária, pois não funciona como uma poesia, mas sim como prosa poética. Gostei muito da crítica à polarização de ideais, há um respingo de totalitarismo nas ordens que esse soldado recebe do autor, que o manipula.

  15. Sidney Muniz
    14 de abril de 2015

    Difícil isso, hein?

    Olha, o limite aqui foi curto, muito curto, curtíssimo, e aí está o mérito do autor(a) que se desvencilhou dos limites e foi para guerra contra aqueles que são mais numerosos.

    Somos um exército de um homem só.

    Essa batalha será dura, e resta saber se suas táticas de guerra, ousadas sim, mas será que vitoriosas?

    Autor(a) afirmo que sim, independente da vitória você conseguiu, pois seu conto é grande!

    Parabéns e boa sorte!

  16. Felipe Moreira
    14 de abril de 2015

    Tive a sensação de estar lendo Endgame, the calling. Acredite, toda a trama é narrada basicamente nesse ritmo. Mas não estou comparando os trabalhos. O seu texto sobre guerra(até que subjetivo) limitado a apenas duzentas palavras pode ser considerado um real desafio.
    O conto causou um efeito visual, frases que podem preencher diversar formas de conflitos, seja físico, seja moral. Gostei da maneira que você escolheu narrar isso, pois coube a mim determinar a trama que eu desenvolvi e preenchi com o que você contou com tão pouco.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  17. Jefferson Reis
    12 de abril de 2015

    Pequeno conto hermético que precisei reler e reler. No fim, decidi apenas senti-lo.
    Um trecho que me orientou em um possível entendimento foi:
    “Quantos você matou?
    Atire.
    Não!
    Não na sua cabeça!”
    Devo estar imensamente distante do imaginado pelo autor, do proposto pelo criador de tal texto, mas imaginei dois soldados em uma trincheira atirando nos adversários. A fala imperativa (e explicativa, nos outros trechos) talvez caiba a um oficial. Alguma coisa me diz que o personagem que se recusou a atirar cometeu suicídio: “Não na sua cabeça!”.
    O (i2) me levou para um entendimento mais existencialista, como se a guerra fosse interna ao ser humano. O pronome de tratamento “Você”, com letra maiúscula, referencia-se ao leitor, o humano em questão. O (i3) reforça minha interpretação de que o pequeno conto é uma metáfora para a vida, que sempre culmina na morte:
    “Cedo ou tarde tudo acaba.
    E nada mais vai existir.
    Apenas o fim.”

  18. Virginia Ossovski
    11 de abril de 2015

    Acho que você fez um bom trabalho dentro do possível. Apenas alguns deslizes quanto à ortografia, mas conseguiu transmitir emoção e se adequar ao tema. Parabéns e boa sorte !

  19. mariasantino1
    11 de abril de 2015

    Bom desafio para você.

    Que pepino que você pegou, hein? Não vejo isso como desafio (não quero polemizar), vejo até com maus olhos, como um antidesporto, como se quisesse retirar o parceiro do certame. Quando o mérito seria se destacar usando as mesmas ferramentas (ou quase as mesmas, numa discrepância menos absurda que essa). Bem, fico chateada com esse tipo de coisa, e não me importo muito com o que vão dizer.

    Você se saiu bem, mesmo com tais limitações. A tensão é visível do começo ao fim e ainda ofereceu uma crítica como bônus. Parabéns por isso, de verdade.

    Obs – Num conto curto os deslizes são mais evidentes (e eu sei disso. Ô! Se sei!) — carregando os detroços (DESTROÇOS) para longe. — Atire e exploda o torax (TÓRAX) e recarregue.

    Média – Pelo limite e pelo que conseguiu mostrar, a nota para esse conto é: 8 (oito)

  20. rsollberg
    7 de abril de 2015

    Sinceramente, não sei como alguém poderia ter feito melhor com esse limitadíssimo número de palavras.

    Seu texto traz reflexão Na minha opinião, acertou em cheio ao deixar sua obra lacônica, aberta para várias interpretações. Enxerguei como uma mistura entre FPS,e uma preparação para uma guerra. Ou então, a própria origem de um combate futuro.

    No meu entendimento é um conto com inicio, meio e fim. A preparação, a justificativa e o resultado. “O mar limpa a areia carregando os ´detroços´ para longe.”, uma frase simples que conseguiu gerar em mim, leitor, várias imagens de inúmeras batalhas. E ao mesmo tempo, ela é simbólica, pois mostra a água limpando – ou purificando – o terror.

    E quando o fim chegar o que realmente vai importar? O que terá valido a pena?
    A inevitabilidade do fim foi muito bem empregada, fechando com maestria esse tratado sobre a guerra.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  21. Bia Machado
    5 de abril de 2015

    Eu nem sei o que faria se tivesse 200 palavras pra esse tema. Acho que você conseguiu se virar bem. Durante a minha leitura, as imagens do que você colocou aqui ficaram passando em minha mente. Vi um homem pensando e vivendo essas emoções, em uma conversa com ele mesmo. Pra mim foi muito bom!

    E seguindo com a parte técnica:

    Emoção: 1/2
    Enredo: 1/2
    Criatividade: 2/2
    Adequação ao tema proposto: 2/2
    Gramática: 1/1
    Utilização do limite:1/1
    Total: 8

  22. Cácia Leal
    3 de abril de 2015

    Confesso que o tema e o número de palavras são bastante desafiadores. Sua ideia de colocar a guerra como se fosse um poema, com pausas e colocações que deixam o leitor preencher as lacunas foi bastante criativa e dão uma noção do sentido de guerra. Ficou bem escrito e você conseguiu cumprir sua meta. Parabéns!

  23. simoni dário
    31 de março de 2015

    Complicado, 200 palavras para o tema “Guerra” ?? Você conseguiu fazer um texto interessante. Eu gostei, dá até pra dar uma filosofada aí. A parte final está muito boa, conclui muito bem um texto tão pequeno.
    Parabéns e boa sorte!

  24. williansmarc
    31 de março de 2015

    Olá, autor(a). Primeiro, segue abaixo os meus critérios:

    Trama: Qualidade da narrativa em si.
    Ortografia/Revisão: Erros de português, falhas de digitação, etc.
    Técnica: Habilidade de escrita do autor(a), ou seja, capacidade de fazer bons diálogos, descrições, cenários, etc.
    Impacto: Efeito surpresa ao fim do texto.
    Inovação: Capacidade de sair do clichê e fazer algo novo.

    Todas as notas vão de zero a dez, sendo zero a nota minima e 10 a nota máxima.

    A Nota Geral será atribuída através da média dessas cinco notas.

    Segue abaixo as notas para o conto exposto:
    Trama: 7
    Ortografia/Revisão: 10
    Técnica: 7
    Impacto: 6
    Inovação: 7

    Minha opinião: Pegaram pesado com esse limite de palavras, apesar disso, acho que o autor saiu-se bem dessa enroscado e conseguiu expor o assunto proposto, tentando fazer o leitor refletir sobre o tema.

    Boa sorte no desafio.

  25. rubemcabral
    31 de março de 2015

    Nossa, que limite castrante, não? Gostei do miniconto, acho que o(a) autor(a) foi feliz em elegir esta abordagem poética. Está bem escrito tbm, só vi um “torax” sem acento. Gostei em especial do (i2), que lembrou-me um continho do Neil Gaiman, sobre uma agência de assassinos que dava descontos progressivos para trabalhos por atacado.

  26. Andre Luiz
    30 de março de 2015

    Olha, cara, com um limite destes nem sei o que faria… Decerto que o tema é bem geral, e você poderia ter feito sobre alguma guerra famosa no sentido histórico, sobre pessoas que travam guerras com alguma coisa(doença, situação ruim, entre outros) ou então a guerra pura e simples, como da forma que você fez. Para mim, o que surpreende é o limite. Duzentas palavras são relativamente pouco, mas segundo o dito popular, “para um bom entendedor, meia palavra basta”. Vou me conter com minhas impressões sobre este micro-conto. Como nosso caro Selga já indicou estar produzindo uma “dissertação” sobre o conto, apenas tenho a dizer que achei alguns altos e baixos. Nos altos, destaco a filosofia que você emprega, de forma a trazer o leitor para o texto, mesmo que este não desenvolva uma história propriamente dita. Bom. Nos baixos, primeiramente alguns errinhos de português(como ” torax” e “detroços”, que infelizmente, em um conto tão pequeno, são quase inadmissíveis de aceitar) e também a falta de uma linha de narração típica de conto. Sei que o limite é apertado, contudo, o que me chamou a atenção foi esta falta de “conto” e um excesso de “auto-ajuda com múltiplas interpretações”. Mesmo assim, reforço a ideia que o limite foi cruel com você, fazendo criar uma guerra interna que talvez tenha desandado para ambos os lados.

  27. Jefferson Lemos
    28 de março de 2015

    Olá, autor(a)! Beleza? Você fez mágica, hein!

    Sobre a técnica.
    Rápida e precisa, engatilhando em cada ato. O limite foi um tiro no ombro, mas ainda assim, você conseguiu mirar e acertar o alvo. Mandou muito bem!

    Sobre o enredo.
    Cru e real. Lembrei-me do filme Sniper Americano. Gostei de você ter conseguido colocar realidade nas ações, mesmo elas sendo fugazes.

    Sobre o tema.
    Guerra é um tema fantástico e que pode render muito. Mas esse limite quebrou as pernas. Ao término do desafio, deveríamos pegar quem sugeriu e colocar uma maça na cabeça, fazendo um tiro ao alvo. hahaha

    Nota:
    Técnica: 8
    Enredo: 8
    Tema: 8

    Parabéns pelo ótimo trabalho!
    Boa sorte!

  28. Fil Felix
    28 de março de 2015

    Um tema tão vasto e um limite tão pequeno ^^ Conseguiu fazer um belo trabalho, expondo um texto de construção e estética interessante. Por mais que não haja uma “história”, do ponto de vista tradicional, faz com que o leitor mergulhe no conceito e até leia mais uma vez. Dá pra criar várias leituras, uma que fiz relaciona ao fanatismo religioso.

  29. Anorkinda Neide
    27 de março de 2015

    Casca grossa esse limite, hein!!
    Você conseguiu elaborar um conto e fugir de torná-lo um poema…rsrsrs
    Parabens
    Claro q eu poderia gostar mais se houvesse mais recheio, mas dadas as circunstâncias, ficou bacana, ficou sim.

    abração

  30. Neusa Maria Fontolan
    26 de março de 2015

    Arrasou! Mostrou que tem imaginação dentro de qualquer limite. Meus parabéns e boa sorte.

  31. José Leonardo
    25 de março de 2015

    Olá, autor(a). É patente que o limite de palavras foi determinante, aqui (uma “sacanagem”, mas são essas barreiras desafiantes que nos fazem crescer ainda mais). Dentro do proposto, foi muito bem executado. Não tenho condições de escrever algo em 200 palavras, portanto, seu esforço já angaria pontos comigo. O personagem precisa sobreviver num mundo em que está praticamente isolado (e nessas condições, só há uma maneira de fazê-lo). Não deixa de ser uma antifábula, considerando que o leitor já sabe o objetivo da destruição no meio do texto e, também, que o autor não pretende dar um arremate moralizante. Abraços e boa sorte neste desafio.

  32. Eduardo Selga
    25 de março de 2015

    Do ponto de vista formal o conto é muito bem realizado, e não apenas em função da exiguidade que podem representar 200 palavras. Digo “podem” porque é uma questão de domínio de técnica narrativa conseguir narrar bem algo em 200 ou 20.000 palavras.

    Mas eu dizia da forma.

    Do modo como as enunciações foram dividas, em três blocos, pode causar pelo menos dois modos distintos e válidos de recepção textual: no primeira, cada um deles é o espaço de “fala” (mesmo sem travessão ou aspas) de um personagem sem nome, porém identificado por i1, i2 e i3. Assim, cada bloco não seria espaço de diálogo, e sim de monólogo ou apenas de enunciações que, sem uma explícita coesão entre elas, formam um enorme tecido textual por causa do leitor, se ele costurar os alinhavos que estão dados no conto. E isso não é difícil, pois o(a) autor(a) deixou os subentendidos bastante fáceis de serem captados, na medida em que ele (ela?) não tratou a guerra de modo inusitado, quanto ao conteúdo.

    Um segunda possibilidade de interpretar i1, i2 e i3 é entender não como identificação de personagem, e sim como “capítulos” dentro do micro-conto, indo da preparação da guerra (a nível individual ou de inconsciente coletivo) ao vislumbre do “fim dos tempos”.

    Essa possibilidade segunda me atrai mais, porque percebo em algumas passagens certa dicção de narrador, e noutras de “fala”, e essa mescla invalidaria a primeira possibilidade (i1, i2 e i3 serem personagens). Apesar disso, é impossível afirmar que de fato existe um narrador não-personagem. Na terceira parte, especialmente, há uma forte dicção que lembra um narrador, como, por exemplo, em “O mar limpa a areia carregando os destroços para longe”. Não há espontaneidade da fala. Apesar disso, volto a dizer, é impossível afirmar que o trecho não seja de um personagem não narrador.

    Essa nebulosidade eu achei muito positiva no conto. Não se trata da nuvem-adorno, nem da nuvem-inabilidade: é a nuvem proposital, a que problematiza a narrativa, não a que a torna um problema.

    O minimalismo das frases, junto com seu tom imperativo é algo que espelha a pós-modernidade, ou seja, dialogamos muito pouco e quando o fazemos é do modo como está aqui, fragmentado, estilhaçado, e não permitindo a plena manifestação do outro. Quando o fazemos é para “ganhá-lo”. E a gente percebe isso no conto. Na primeira parte o imperativo predomina (não é o imperativo gramatical, mas o tom de ordem é perceptível), enquanto que na segunda há um amaciamento visando a convencer.

    O(a) autor(a) trabalha com maniqueísmo estereótipos do discurso socialmente dominante, por isso é fácil preencher os “espaços vazios”. Claro: de certa maneira a estória já está contada porque já a lemos ou a assistimos ou a ouvimos muitas vezes. Por isso a palavra “fábula” no título vem muito a propósito. O conto fala, por exemplo, de “Bem contra Mal”, de moral transgredida, corrupção do belo, heroísmo e ordem. Ao mesmo tempo, o narrador (também personagem?) mostra volúpia ao falar da guerra e da destruição, onde, mais dia menos dia, sempre deságua a intransigência desse discurso.

    Parabéns.

  33. Marquidones Filho
    25 de março de 2015

    A estrutura e forma da “história” ser contada me parece estranho. Parece um trecho solto de algo maior. Não me agradou.

  34. Jowilton Amaral da Costa
    24 de março de 2015

    Gostei muito. Escreveu em duzentas palavras um texto impactante e conseguiu passar de forma excelente o tema guerra nessas poucas linhas. “… Lembre-se sempre que deus está do lado de quem vai vencer…” A Canção do Senhor da Guerra”, legião Urbana. Ótimo. Parabéns.

  35. Claudia Roberta Angst
    24 de março de 2015

    Parabéns por lidar tão bem com um limite tão curto de palavras. A essência da guerra foi bem construída na narrativa. O final é quase um poema, ou talvez seja mesmo um. O impacto das palavras alcançou o alvo: o interesse do leitor. Valeu. Boa sorte!

  36. André Lima
    24 de março de 2015

    Acho que você fez um bom texto com o limite de 200 palavras. Confuso, é bem verdade. Tive que ler umas 3 vezes para começar a compreender o que você realmente quis dizer com o conto. Mas ainda não sei se entendi muito bem, haha.

    Foi um conto mediano em minha opinião.

  37. Alan Machado de Almeida
    24 de março de 2015

    Não sou muito apreciador de poemas, nem sei bem como avaliá-los, mas esse ficou legal. Só 200 palavras para escrever um conto é crueldade.

  38. Rafael Magiolino
    24 de março de 2015

    Gostei da ideia colocada no texto. O estilo de escrita mais pessoal e a reflexão me agradou bastante.

    Abraço e boa sorte!

  39. Gilson Raimundo
    24 de março de 2015

    Certamente o texto não parece uma fábula, mas confesso, que sacanagem, Guerra em 200 palavras pôs a prova toda a capacidade de criação do autor que transmitiu muito bem o que foi proposto, bom de verdade apesar de injustiçado pelo limite de palavras.

  40. Fabio Baptista
    24 de março de 2015

    Um soco no estômago, como todo bom conto deve ser.

    Pouco a se falar, além de parabenizar o autor pelo espírito de participar do desafio mesmo com uma restrição tão “violenta” como essa.

    Esse limite de 200 palavras foi de… doer…

    NOTA: 8

  41. Brian Oliveira Lancaster
    24 de março de 2015

    E: Outro que captou muito bem a ideia em pouquíssimas frases. Bota desafio nisso! Nota 10.

    G: Tem um quê de poesia, misturado com prosa. Complicado dizer se gostamos ou não de um texto que quase não tem história e sim o peso do contexto. Mas isso não desmerece em nada a grande habilidade em transformar o tema em algo palatável. Nota 9.

    U: Acho que encontrei apenas uma palavra incorreta no parágrafo final “detroços”. Nota 9.

    A: Não tenho dúvidas quanto a isso. De uma forma prática e talvez única possível, deu forma ao título mexendo com o inconsciente coletivo dos leitores. Nota 9.

    Média: 9

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Publicado às 24 de março de 2015 por em Multi Temas e marcado .