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Detox Literário.

Aula de Fada (Anorkinda Neide)

aula de fada

Ela voejou por todo lado, inquieta… à procura. Logo acima, bastava bater um cadinho mais suas asinhas, e ela o veria.

Andreto era tão esperto quanto brincalhão e amava vê-la ansiosa, procurando por ele.

– Ei, malandrinho, vamos… temos trabalho a fazer!

Barina viu, enfim, seu amigo lhe lançando rajadas de sorriso verde por sobre as folhas da amoreira. Aproveitou e colheu algumas amoras para oferecer a sua nova amiga.

– Bom dia, rapazinho! – Barina sorria grande. – Você sempre me fazendo perder tempo!

– Você é muito lerda pra procurar duendes, não é boa nisso não! – Andreto ria a valer.

– Eu sei, por isso mesmo, meu trabalho é outro. Vamos, vamos.

– Esta sua nova amiga é lenta também? Porque se não for, vocês não vão se acertar nunca! – Andreto ria, falava e corria velozmente para acompanhar o voo ligeiro de Barina.

Chegaram à clareira combinada com a moça humana, para que novos passos na experiência fossem dados. Antigos gnomos e moderníssimos cientistas estavam confiantes na fusão dos Reinos Elemental e Humano.

Barina seria a primeira Fada a unir-se a uma humana. Elas compartilhariam a mesma vida, os mesmos sentidos, até mesmo os sentimentos.

– Oi, Karina! Trouxe amoras pra você!

Cintilante e voando de um lado a outro, Barina cumprimentava a nova amiga, cheia de gás para um novo dia de exercícios.

Karina divertia-se com as caretas e estripulias que Andreto aprontava enquanto ela comia as amoras fresquinhas e doces como mel.

– Nunca comi frutas tão doces! – Karina estava com os lábios e dedos vermelhos, deliciada.

– Andreto, vá brincar com os mosquitos, vá… – Disse Barina de repente. – Ou para quieto para que possamos começar.

– Tá bem, D. Barina. Vou sentar ali no seixo mais confortável e ficar mudo o dia inteiro.

– Essa eu quero ver! – Gargalhou Karina cheia de carinho por seus minúsculos amigos.

A Fada Barina havia recebido todos os ensinamentos de seu mentor o gnomo Gulião… Ela e a moça humana precisavam ensaiar vários exercícios respiratórios e também movimentos, pois Karina viria a voar e precisava controlar aquele corpão humano pelos ares.

– Comecemos a respirar, inspirar e meditar e depois treinamos os voos baixos, aqui na clareira é seguro. Karina, você precisa conectar seu pensamento ao meu, como fizemos ontem.

– Ontem foi incrível! Eu vi com os seus olhos e  e percebi as coisas mais pequeninas que existem, tudo perfeitamente visível!

– Eu só quero ver é quando Barina for treinar na cidade dos humanos, lerda como ela é, será atropelada pela primeira pandorga que passar! – Andreto agora rolava no chão só de imaginar a cena.

As novas amigas decidiram lanchar e treinar o hábito de comer frutas silvestres, pois muita concentração elas não conseguiriam enquanto Andreto não se enjoasse do trabalho e fosse brincar noutro lugar.

– Agora você imagina que pensaram na possibilidade de fusão de humanos com duendes, disseram que poderia melhorar o humor da sociedade na Terra! Seria uma grande palhaçada isso sim! – Comentava Barina, tão pequenina e cheia de contentamento por terem escolhido as Fadas para aumentar a sensibilidade humana quanto aos assuntos da Natureza.

– Eu acharia muito divertido! – Karina lambusava-se com gosto comendo jabuticabas.

Andreto resolveu ajudar um pouco e preparava alguma coisa secreta detrás de um tronco de árvore. De vez em quando ele espiava, fazendo cara de mistério, uma cara tão esquisita que poderia significar qualquer coisa, menos que se tratava de um assunto sério.

– Pronto! Venham, isto vai ajudá-las no exercício de hoje! – Sorria de braços cruzados, totalmente orgulhoso de seu trabalho.

O duendinho havia modelado o barro numa escultura, até grande para o tamanho dele. Era um cogumelo, marrom, úmido e cheio de minhocas contorcendo-se a fugir dali.

– Ótimo, Andreto! Obrigada! – Gritou Barina, esfusiante com a modelagem do amigo.

A fadinha voejou em torno do cogumelo de barro e espalhou um pouco de pó de fada… A moça Karina inspirou fundo, fechou os olhos e viu. Viu com os olhos da nova amiga, o cogumelo vermelho, cheio de vida, como se fosse de verdade.

Era um ótimo exercício para acertar a visão sensível de Karina até que ela ficasse completamente conectada à visão da fadinha. Ainda, a moça aproveitou para conversar telepaticamente com as minhocas que sacolejavam sem parar a resmungar do atrevimento de Andreto. Ele revirou todo o solo onde elas tranquilamente viviam.

– Este moleque, veja que bagunça ele fez aqui!

– Desculpe, ele só quis me ajudar no exercício de hoje.

– Que nada! Ele gosta mesmo de aprontar com todo mundo! – E as minhocas refaziam o seu mundinho, cheias de pressa e saracoteios.

Andreto estava tão feliz com sua colaboração que saiu pela floresta tocando uma flautinha minúscula e saltitando cheio de energia.

– Agora podemos treinar o voo, Karina. – Disse a fada, enquanto observava seu amiguinho desaparecer pela mata adentro.

As amigas treinaram a tarde toda e quando Karina voltou pra casa sua mãe sorriu ao notar que um caminho etéreo de brilhos seguia os passos da mocinha.

– É… não demora nada, e a Fada Barina virá conviver conosco! – Pensava em voz alta a mãe que não cabia em si de contente… ela sempre sonhara com fadas.

7 comentários em “Aula de Fada (Anorkinda Neide)

  1. Neusa Maria Fontolan
    5 de maio de 2015

    Gostei

  2. Sidney Muniz
    17 de janeiro de 2015

    Um conto simples, inocente, sem muitas apostas, entretanto chamativo.

    Gostei, mas só mesmo lendo a continuação para ter uma noção maior de onde esse gancho poderá nos levar.

    Espero mais aventuras!

    Um forte abraço!

  3. Anorkinda Neide
    17 de janeiro de 2015

    hauhuia deveria avisar no titulo q é um conto infanto-juvenil? 🙂

    Gosto muito do filme A Mosca.. o primeiro, pq a continuação foi triste.. rsrsrs
    Simbora comer frutinhas silvestres, quem sabe a gente vê o Andreto por ae?

    abração

  4. Maria Santino
    17 de janeiro de 2015

    Gostei. Foi uma boa sacada essa de fundir humanos com fadas para aumentar a sensibilidade. Vi as cenas na floresta. Queria que o conto tivesse prosseguido um cadinho mais. Haha! Abraço!

    • Anorkinda Neide
      17 de janeiro de 2015

      hehehe é q terá continuação, acho q o gancho tá ali e vc percebeu!
      q bom q gostou, abraço!

  5. Fabio Baptista
    16 de janeiro de 2015

    Fala, Anorkinda! Tudo bem?

    Um conto simpático, que me deixou com vontade de comer jabuticabas 😀

    A inocência permanecendo até o final acabou me enganando, pensei que esse negócio de misturar os mundos seguiria um rumo tipo “A mosca” kkkkkkkkkk

    Abraço!

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Informação

Publicado às 16 de janeiro de 2015 por em Contos Off-Desafio e marcado .
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