EntreContos

Detox Literário.

Uma Noite Qualquer (Claudia Roberta Angst)

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Quase hipnotizada, Marina encostou o nariz na janela. O contato frio despertou-lhe os sentidos já entorpecidos. O ar expelido pela respiração entrecortada embaçou a visão que antes transparecia. Afastou o rosto e tocou o vidro com as pontas dos dedos. Ouviu um sino distante e observou o craquelar do cristal. Vidro transformado em flocos macios, esvoaçantes, valsando sob um céu azul profundo.

Se Marina soubesse que a liberdade exigiria tão pouco esforço, teria se apressado no desfazer do destino. Livre, respirava o mundo que, um dia, também a fizera feliz. Lembranças, doces lembranças que faziam seu estômago doer. Ou seria apenas fome?

Era tudo o que lhe restava: a liberdade em uma noite qualquer sem luar. Ser livre para recordar um passado tão breve e divagar sobre um futuro que lhe parecia por demais distante.  Marina sacudiu a cabeça para dissipar a tontura que insistia em chegar. O balanço fez com que os negros cabelos cobrissem suas costas como um xale de espessa lã. Seus olhos adoçados em tons de mel ainda guardavam a essência de uma infância perdida.

Sacudido por uma súbita onda de tremor, o corpo diminuto encolheu-se, agarrado àquele nada que invadia a gélida madrugada. Marina esticou os braços para provocar algum movimento no ar como um maestro a reger intenções.

Por alguns segundos preciosos e fugazes, sentiu-se planar em solitário voo, ainda que desprovida de asas. Assim como em um delírio, parecia ter olhos de águia, ou talvez, a sabedoria de uma coruja. Mau agouro. Era tarde, muito tarde, ela repetiu para si mesma mais de uma vez.

– Não vamos falar disso agora.

Ela virou-se, espantada com a voz que não se apresentava como real. Os flocos de neve ainda caíam formando um manto aveludado. De repente, surgiram dorso, patas e uma bela cabeça ornada por um único chifre. Extremidade revelada como uma adaga sagrada dos muitos sonhos que Marina atrevia-se a guardar. Era dela, o unicórnio de maravilhosa crina, balançando com o vento gelado em noturna vigília.

– Ainda não vamos falar disso, menina.

Marina, seguindo impreciso instinto, fez-se amazona e no seu unicórnio encantado montou. O pouco peso não abalou nem crina, nem sina. Ela seguiu feliz, segurando-se nos pelos que lhe pareciam feitos de seda.

Depois de alguns minutos de êxtase, a música começou, invadindo a noite com o seu carrossel de compassos. Girando, girando, sem pausas, as notas subiam e desciam, acompanhando a risada infantil. Era ela, Marina, menina, que ali confundia o tempo com sorrisos.

– Não falemos mais disso, não mais.

Marina sorriu, concordando com o companheiro de viagem. Não ousou contestar aquela imagem que a distanciava cada vez mais da razão. Preferiu despir-se de qualquer desconfiança, embriagando-se da nova realidade com voracidade.

Com delicadeza, Marina controlava o ritmo do unicórnio. Parecia que qualquer movimento mais brusco faria aquele ser mágico sumir. Fechou os olhos e sentiu a neve cair sobre seu rosto, misturando-se às lágrimas.

Cansada, a menina permitiu-se viver aquela estranha passagem, dando as costas a qualquer receio. Viu-se coroada por um halo de delicadas flores entrelaçadas. Vestes muito alvas tocavam-lhe a pele, cobrindo seus últimos temores. Cristais pendiam de suas orelhas e pescoço como frias constelações brilhantes. Nunca fora tão rica, princesa munida de forças estelares.

Admirada com a beleza do momento e das sensações calmantes que lhe vinham, a garota pensou em despertar do transe. Estremeceu, abrindo os olhos com muita dificuldade. As pálpebras pesavam convidando ao adormecer. Talvez fosse o frio, a cauda do sono a lhe açoitar os pensamentos.

– Não precisamos falar sobre nada disso. Confie, apenas confie.

Os olhos de Marina vidraram, pontilhando uma mira que nunca existira. A flecha aguda da dor perfurou a pouca consciência, desfazendo-se em uma nuvem de torpor.

O unicórnio já amuado não mais falou. Silenciou a magia em galope solene. Marina, pequena, magra assombração do que pretendera ser, inclinou-se, abraçando o dorso do mágico animal. Não sentia mais frio. O contato macio do pelo em seda trançado serviu-lhe, enfim, de acalento. A coroa de flores caiu, deslizando pelos cabelos e na neve afundou. As pétalas espalhadas transformaram-se em pontos de luz. Talvez velas, chamas impossíveis no frio cortante da noite.

Diminuindo aos poucos o ritmo do seu trotar, o unicórnio concordou com o destino. Estancou, relinchando em descompasso fúnebre. O corpo da jovem tombou em lenta procissão sem anjos.

Na estática cena, a menina embriagava o solo com seu último desejo. Ainda que fosse aquela a única vez, Marina teve sua prece atendida. Encantada seria, na mais fantástica fantasia, para toda a eternidade jamais esquecida.

O unicórnio curvou-se em reverência à escolhida da noite. Não era mais uma invenção desenhada em sonhos. Já não precisava existir para aqueles olhos febris. Sua reluzente figura seguiu viagem, cobrindo de estrelas o caminho sem volta. A menina dormia no seu sono de mentira.

46 comentários em “Uma Noite Qualquer (Claudia Roberta Angst)

  1. Ricardo Gnecco Falco
    13 de janeiro de 2015

    Muito bom, Claudinha! 😉
    Parabéns!
    Vamos adentrando “a galope” nos derradeiros sentimentos da personagem. Lembrei muito de um conto que escrevi há milênios, chamado “Digressão Perigosa”, que narra exatamente os momentos (mágicos!) finais do protagonista da trama.
    Gosto de sua adjetivada — porém ágil — narrativa. E esta conjunção é sempre um grande desafio; mas não para você! Tudo — sempre — no devido lugar em seu(s) belo(s) texto(s). Precisa como uma cirurgiã. Ou como a Mo… Digo; como um Unicórnio Encantado!
    Pódio merecido, escritora-poetisa! 🙂
    Abração,
    Paz e Bem!

    • Claudia Roberta Angst
      13 de janeiro de 2015

      Sempre gentil nos seus comentários. Obrigada, Ricardo. Realmente, adjetivação é comigo mesmo desde a escola. Valeu!

  2. Wender Lemes
    10 de janeiro de 2015

    Texto sublime, sem dúvidas. A técnica é muito boa e as construções esbanjando metáforas e imagens oníricas nos transportam para um universo mais que fantástico. O tamanho do conto coube bem, também, porque não é muito longo, mas é extremamente denso (não durou o suficiente para ser cansativo, desta maneira). Parabéns e boa sorte.

  3. Swylmar Ferreira
    8 de janeiro de 2015

    Belíssimo conto.
    Triste, mas belo, prende a atenção do início ao fim. Tem boa criatividade e a linguagem impecável.
    Parabéns!

  4. Anorkinda Neide
    7 de janeiro de 2015

    Numa primeira leitura, nao saquei bem as nuances desse conto tao meigo e tao denso.. mas agora reli e me emocionei, muito.
    Pra mim, esse é o momento da morte da menina doente. Seu ultimo transe. Algo realmente tocante!
    Obrigada por esta leitura!

  5. Miguel Bernardi
    5 de janeiro de 2015

    Olá, Luiza!

    Devo dizer que sua escrita é impecável. É linda. O conto despertou em mim algumas emoções, gostei de lê-lo e, no final, voltar ao começo e ler novamente. As descrições são maravilhosas, as palavras escolhidas caem muito bem, como a neve que usaste.
    É cheio de poesia, de sensibilidade, de força! Seu domínio sobre a escrita é contagiante.

    Parabéns, boa sorte!

  6. JC Lemos
    26 de dezembro de 2014

    Sobre a técnica.

    Impecável! As palavras soam como música e bailam nos olhos no compasso da leitura. A fluidez é tão forte que nada fica perdido, tudo se encaixa e é impossível de se ver onde uma parte se remenda na outra.

    Sobre o enredo.

    A menina e o unicórnio em um galopar onírico. Talvez um pouco leve demais para o meu gosto. Prefiro contos mais densos, dotados medo e adrenalina. Porém, há magia no que é contado. O ser mágico está ali, a menina sonhadora também, e o desenrolar é satisfatório para a proposta do autor. Certamente um dos que estarão bem colocados.

    Tenho uma leve impressão de que sei quem é. Veremos ao final.

    Parabéns e boa sorte!

  7. daniel vianna
    25 de dezembro de 2014

    Admirável, tocante e irretocável. Isso. Prefiro não comentar mais, senão estraga. Parabéns.

  8. Laís Helena
    25 de dezembro de 2014

    Parece que a menina estava sonhando acordada, naqueles minutos que antecedem a vinda do sono, e que ao final finalmente adormeceu. Gostei do conto. Esses minutinhos que passo na cama, debaixo dos lençóis e aguardando o sono chegar muitas vezes são meus favoritos do dia, pois é quando minha mente finalmente fica livre para divagar e imaginar as mais incontáveis histórias.
    Retornando ao conto, gostei da linguagem mais poética. Poderia ter ficado muito cansativa se fosse em um livro, mas num conto curto como o seu foi muito bem utilizada e ajudou a me envolver na cena. Ademais, combinou com o tema proposto: as grandes fantasias de nossa mente.

  9. Silvio Ferreira
    22 de dezembro de 2014

    Gostei
    Pelo que compreendi, o conto fala de uma volta ou despedida da infância pelo aparecimento do unicórnio, A fantasia usada como uma volta a um mundo de imaginação e ingênuo me cativa, algo que tenho dificuldade em fazer. Certas percepções puras não voltam.
    O excesso de metáforas geralmente me aborrecem e me ”tiram” do texto, mas achei bem elegante e funcional o emprego nesse conto, principalmente na descrição da viagem com o unicórnio e nas sensações de Marina.

    Não Gostei
    Nenhum erro me saltou aos olhos, achei o conto um pouco ”frio”, mas foi pura sensação que não dá para explicar.
    Também não compreendi muito bem do que se tratava a ”liberdade” e o aparecimento do unicórnio para Marina, mas, melhor assim, literatura quanto menos ”mastigada” melhor.

    Parabéns pelo texto!

    Nota:8

  10. Gustavo de Andrade
    20 de dezembro de 2014

    Meu comentário acabou não caindo… bem: achei louvável a estética e bem interessantes as imagens levantadas pelo texto. No entanto — e isso corre o risco de cair em uma área de gosto pessoal, alheia a uma crítica mais ponderada — faltou algum concretismo. Claro, a intenção do texto é a subjetividade, mas penso que se a realizasse com contrastes objetivos e concretos, acharia o texto muito melhor. Em narrativa, acabo prezando (eu, euzinho) por histórias que tenham um decorrer instigante e objetivo mas que revele camadas subtextuais e subjetivas que embelezam e enriquecem. Assim, ao me deparar com “somente” a parte referente a subjetividade e lirismo, penso que a narrativa se empobrece em relação ao seu potencial.

  11. Letícia Oliveira
    19 de dezembro de 2014

    Um bonito conto, uma técnica impecável, mas não é meu enredo ou técnica de escrita preferida. Admiro quem escreve e entende tantas metáforas juntas, mas eu, como sempre, me senti perdida e só fui entender com uma rápida releitura. A história não me chamou muita atenção, mas as imagens criadas com a narrativa foram fortes e belas. Um ótimo conto. Parabéns!

  12. Eduardo Matias dos Santos
    19 de dezembro de 2014

    Um texto delicado e bem desenvolvido, mas me parece que falta um clímax que leve o desenvolvimento a um ponto de “decisão”.

    • Claudia Roberta Angst
      12 de janeiro de 2015

      O seu 4 não foi nada “delicado”, mas “desenvolveu” minha vontade de aprender a elaborar um clímax. Valeu! 🙂

  13. Sidney Muniz
    16 de dezembro de 2014

    Adorei! Tão bom que precisei reler.

    A trama não é algo tão maquinado com gosto, é bem enxuta por sinal, mas gostei demais.

    A revisão do texto é louvável, muito bem executada mesmo.

    Só posso parabenizar e desejar boa sorte!

    • Claudia Roberta Angst
      12 de janeiro de 2015

      Adorei o seu entusiamo e sua nota. Obrigada. 🙂

  14. mariasantino1
    11 de dezembro de 2014

    Opa, tá boa?

    Minha interpretação para o texto foi que a menininha, Marina, cresceu e já não irá mais ver seu unicórnio. Entendi que o conto fala dessa travessia entre a infantilidade/juventude/vida adulta. Gostei muito das imagens, ótimo vocabulário, conotações muito bem usadas. É como sonhar acordado (isso é bom). Particularmente, queria que o unicórnio fosse real, e de um clímax mais encorpado. Entretanto, alguém capaz de tal tessitura, sabe muito bem o que oferecer ou não. É o que se chama de estilo, certo? 😉

    Parabéns pela beleza do conto.
    Abraços!

    • Claudia Roberta Angst
      12 de janeiro de 2015

      Adorei as várias interpretações dadas ao meu conto. Foi um ótimo feedback, sem dúvida. O meu estilo não é nada discreto, né? Logo me denuncia! Obrigada pelo comentário, nota e incentivo. Beijão. 🙂

  15. Ana Paula Lemes de Souza
    11 de dezembro de 2014

    SIMPLESMENTE AMEI. É o tipo de texto que costuma me encantar: prosa poética da melhor estirpe. Ademais, simplesmente amo unicórnios e o texto é perfeito. Nada a acrescentar…!
    Meu favorito até então.

    • Claudia Roberta Angst
      12 de janeiro de 2015

      Obrigada pelo seu gentil comentário aqui e na votação. Na verdade, eu ia pular este desafio por falta de afinidade com o mundo fantástico, mas aí veio esse unicórnio na minha cabeça e tomou posse da criação. 🙂

  16. williansmarc
    11 de dezembro de 2014

    Olá, autor(a). Primeiro, segue abaixo os meus critérios:

    Trama: Qualidade da narrativa em si.
    Ortografia/Revisão: Erros de português, falhas de digitação, etc.
    Técnica: Habilidade de escrita do autor(a), ou seja, capacidade de fazer bons diálogos, descrições, cenários, etc.
    Impacto: Efeito surpresa ao fim do texto.
    Inovação: Capacidade de sair do clichê e fazer algo novo.

    A Nota Geral será atribuída através da média dessas cinco notas.

    Segue abaixo as notas para o conto exposto:
    Trama: 7
    Ortografia/Revisão: 10
    Técnica: 10
    Impacto: 7
    Inovação: 7

    Minha opinião: Técnica impecável, conforme comprovado em todos os demais comentários. Porém, a ausência de clímax me incomoda, ao meu ver, é um item essencial em qualquer conto. Além disso, acho que o elemento criatura fantástica foi pouco aproveitado, o texto tem um clima de fantasia, mas a presença do unicórnio não faz muita diferença para a trama, poderia ser o cavalo, cachorro ou gato da menina e a trama seria mantida.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

    • Claudia Roberta Angst
      12 de janeiro de 2015

      Li tanto “impecável” nos comentários, que estou pensando em pecar mais…rs. Gosto da forma como você comenta, claro e sempre contribuindo com dicas relevantes. Grata! 🙂

      • williansmarc
        12 de janeiro de 2015

        Você merece, Claudia. É uma honra poder aprender com os seus contos e seus comentários!

  17. Claudia Roberta Angst
    9 de dezembro de 2014

    Também me lembrei do conto da vendedora de fósforos. Talvez tenha sido por causa da neve, do frio e das velas no final. Prosa poética não encanta a todos, alguns sentem até um certo enjoo, mas eu ainda aprecio o estilo. Queria esse unicórnio pra mim, mas do que eles se alimentam? Tive outra interpretação em relação ao fim do conto, mas foi porque associei ao meu momento pessoal. Acredito que a intenção da autora tenha sido deixar o leitor livre para tirar suas próprias conclusões. Boa sorte!

  18. Jowilton Amaral da Costa
    9 de dezembro de 2014

    Ah, contaço, não é a minha praia, mas, está excelente. Poético e metafórico, com passagens sensacionais. “…Silenciou a magia em galope solene. ” destaco esta como uma das muitas frases fodonas do texto. E, sim, lembra, a vendedora de fósforos. Boa sorte.

    • Claudia Roberta Angst
      12 de janeiro de 2015

      Obrigada pelo comentário e pela ótima nota, ainda mais porque o meu estilo não é a sua praia. Depois do conto pronto, eu também achei que lembrava bem a vendedora de fósforos. No entanto, na minha concepção, Marina era um pouco mais velha ou muito mais velha…rs. 🙂

  19. simoni dário
    9 de dezembro de 2014

    Adorei a leitura, tem uma beleza envolvente de tirar o fôlego, me prendeu.
    A escrita é elegante e doce e o conto delicado e tocante. Dá pra entender perfeitamente numa única leitura, mas convida à releitura por gosto mesmo. E porque o drama dessa menina não seria um enredo? Claro que é, fica a dúvida de onde viria o conflto, a menina pode ser uma órfã ou o que o leitor puder imaginar, essa eu acredito, seja a verdadeira magia desse tipo de conto, viramos coautores e o texto faz cada um acreditar numa hipótese diferente para o mesmo personagem. O Unicórnio na mitologia representa a pureza e a força, e as mulheres virgens teriam mais facilidade para tocá-los. Na astronomia é o nome de uma constelação (Monóceros) “Sua reluzente figura seguiu viagem, cobrindo de estrelas o caminho sem volta.”
    Gostei muito! Parabéns!

  20. Andre Luiz
    9 de dezembro de 2014

    Pessoalmente senti que a beleza da escrita acabou sendo ofuscada pela melancolia dramática que permeou minha leitura. Senti-me tocado de tal forma que me embolei em algumas palavras e me confundi com outras, algo que não costuma acontecer. Como opinião pessoal, sugiro que dê um motivo para tudo o que acontece com a garota e com seu unicórnio, deixando mais claras todas aquelas falas dos personagens e o emissor de cada uma delas. Consegui entender, porém ficou difícil fazê-lo. Parabéns e sucesso!

  21. rubemcabral
    9 de dezembro de 2014

    Bonito conto! Lembrou-me aqueles contos de fadas antigos, feito os de Andersen, como o da menina e os fósforos. Narração poética, sem erros que eu tenha notado. Seria talvez interessante conhecer um pouco mais da protagonista, saber o porquê de sua penúria e abandono.

    • simoni dário
      9 de dezembro de 2014

      Nossa, linda história! Tocante, ainda mais nessa época de vésperas de esperanças e sonhos. Obrigada por ter postado!

  22. Fil Felix
    9 de dezembro de 2014

    Esquema do comentário + nota: 50% Estética/ Tema e 50% Questões Pessoais

    = ESTÉTICA/ TEMA = 4/5

    Um conto bonito de se ler, poético e com ótimas construções. Percebi quase nada que vale comentar (em relação à erros). Adorei essa passagem: “a cauda do sono a lhe açoitar os pensamentos.”, incrível. Em relação à estética, foi muito bem conduzido. O tema, apesar das aparições fantásticas óbvias (como o unicórnio), meio que ficou flutuando. Acho que por você não adotar um fio condutor na narrativa, sair do “começo-meio-fim”, deixou isso no ar. Se é bom ou ruim, vai de cada um.

    = PESSOAL = 3/5

    Apesar da leitura ter sido boa, também senti que faltou coisa. Não sei se foi a falta desse fio condutor, ou de algo que realmente atingisse o leitor. As imagens passaram pela minha imaginação, bonitas, mas não deixaram nada para trás. Talvez tenha sido sua intenção que houvesse um entendimento mais íntimo do leitor com o conto. Em certos momentos imaginei uma sessão de hipnose (principalmente pelos diálogos, que ainda não peguei direito kkk), mas gostei mais da ideia de que essas passagens são aquelas que nos ocorrem quando estamos quase dormindo, entre a fina camada da realidade com o onírico, onde tudo se mistura.

  23. Pétrya Bischoff
    9 de dezembro de 2014

    Que escrita doce e narrativa envolvente! Senti as descrições do texto e também quis estar com esse unicórnio. Mesmo que pareça uma morte óbvia, ainda sinto mais forte uma metáfora para a perca da inocência; de maneira dolorosa e delirante, com vislumbres do que fora outrora ao passo que se entrega ao sedutor futuro desconhecido. Foi tão delicado quanto instigante. Parabéns e boa sorte.

  24. rsollberg
    8 de dezembro de 2014

    Ótimo conto.
    As lacunas deixadas exatamente do jeito que tanto curto.

    Realmente, não há uma ação frenética, mas há muita beleza. Aliás, as sentenças bem construídas compensam o ritmo mais cadenciado.

    A trama não é óbvia, mas o autor deixa várias dicas espalhadas pelo texto.
    Posso estar completamente enganado, mas enxerguei um acidente.: a buzina, o vidro quebrado, o voo… O último suspiro no chão.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  25. Brian Oliveira Lancaster
    8 de dezembro de 2014

    Belo conto, com imagens vívidas e escrita leve. Sem erros aparentes e a simplicidade combinou com o tom de sonho se desvanecendo. Veio-me a imagem daquele desenho antigo, Cavalo de Fogo. Nota-se que a escritora(o) se preocupa com sentimentos – gosto muito desse estilo, apesar do texto ser desprovido de um conflito por qual toda personagem “deve” passar.

  26. Sonia Rodrigues
    8 de dezembro de 2014

    correção gramatical – 10
    técnica – 5. O autor parece falar de uma passagem – transe, janela, libertar-se são termos que remetem o leitor a uma espécie de ritual interno. O problema é que essas metáforas todas não se consolidam, fica tudo muito confuso, o unicórnio insistindo em não falar disso simplesmente deixou o conto todo muito hermético.
    Um pouco mais de clareza seria desejável. nota – 6
    impacto – muito pequeno, o unicórnio está lá, a menina está lá, e aí? não há uma peripécia, uma reviravolta na história, a ação não acontece, o unicórnio concorda com a decisão da personagem. nota – 5
    inovação – nenhuma. existe uma unicórnio e uma menina sonhando, pensando ou falando com ele, e daí? nota – 5
    trama – como disse, parece nào haver trama nenhuma, os personagens simplesmente estão lá. A linguagem é muito boa, uma descrição poética muito bela, mas no meu modo de ver não consegue ser uma história, com enredo e seus elementos narrativos. Além disso, o unicórnio é uma figura de enfeite na crise da menina. Nota – 4

    • Claudia Roberta Angst
      12 de janeiro de 2015

      Poxa, pensei que as notas tinham o mesmo peso. Fiz até conta e achei que ia ficar com 5,8. Arredondei pra baixo – 5,0, mas recebi um 4. Já sei, foi um flash de vidência: quarto lugar. Vou refletir sobre a minha falta de inovação, impacto e trama. Valeu! 🙂

  27. bellatrizfernandes
    8 de dezembro de 2014

    Gostei muito da linguagem, muito enriquecedora. E essa aura de magia foi deliciosa (não sei por que, mas me lembrou a música Once Upon a December no filme Anastasia e a música Children of The Night).
    A história, porém, não entendi muito. Talvez o objetivo fosse que todos poderiam tentar imaginar a partir das lacunas… Mas não teve muito para ajudar. Para mim, Marina era uma paciente psiquiátrica. Talvez. Não dá para saber.

  28. Douglas Moreira
    7 de dezembro de 2014

    Bom, é fato que o domínio da língua é algo marcante no autor. A forma como narra é belíssima. Porém não posso dizer o mesmo da desenvoltura da estória. A criatura fantástica, o desenvolvimento de uma trama, a construção da personagem, todos em segundo plano. Não posso dizer que foi um texto ruim, uma vez que o tom poético me afligiu, porém não foi tão feliz no resto.
    Resta-lhe meus parabéns e boa sorte!

  29. Jéssica Stewart
    7 de dezembro de 2014

    Apesar de não haver uma trama, a delicadeza da obra e o tom poético da mesma tornaram-no belo. Contudo, não fluiu muito bem, uma vez que alguns parágrafos ficaram cansativos e tiveram que ser lidos mais de uma vez para que eu captasse a essência da passagem. As descrições, mesmo que prejudicando a leitura, foram muito bem feitas e a narrativa bem segura. O que pecou mesmo, na minha opinião, foi só o ritmo meio arrastado, mas ainda assim, uma bela narrativa. Boa sorte!

  30. Tiago Volpato
    6 de dezembro de 2014

    O texto é muito bonito, conseguiu tocar meu coração de gelo 😛
    Também foi muito bem escrito, não tenho nada de ruim pra falar dele.
    Parabéns, excelente!

  31. Ledi Spenassatto
    5 de dezembro de 2014

    Uma história romântica, contada certamente, por uma pessoa muito meiga.
    Desafiou-se a si mesma e conseguiu embriagar os desafios aqui propostos.
    Apesar de bem escrito, faltou um quezinho de desafios para prender a respiração dos leitores.
    Quero ler mais alguns contos seus.
    Parabéns pela proposta.

  32. piscies
    5 de dezembro de 2014

    TRAMA: 4/5

    Pelo que sorvi da leitura, Marina está passando por uma despedida da infância. Está ficando mais velha e mais adulta. Talvez este tenha sido seu último momento de fantasias infantis, uma despedida épica, montada em seu unicórnio que finalmente entendeu que não mais cavalgaria com ela. Ela tenta, de todas as formas, postergar essa “coisa estranha” que é ser adulta: responsabilidades, reflexões, sabedoria. “Assim como em um delírio, parecia ter olhos de águia, ou talvez, a sabedoria de uma coruja. Mau agouro” e “Ser livre para recordar um passado tão breve e divagar sobre um futuro que lhe parecia por demais distante”. E muitas outras passagens.

    Ou então ela é uma criança sofrendo uma morte prematura, onde o conto são suas últimas visões de um mundo de fantasia onde ela sempre encontrou aconchego. Talvez suicídio. “Se Marina soubesse que a liberdade exigiria tão pouco esforço, teria se apressado no desfazer do destino”. A frase “Livre, respirava o mundo que, um dia, também a fizera feliz” dá a entender que ela já não é mais feliz. No final, enfim, existem algumas passagens um tanto mórbidas: “Não sentia mais frio. O contato macio do pelo em seda trançado serviu-lhe, enfim, de acalento. A coroa de flores caiu, deslizando pelos cabelos e na neve afundou” e “Diminuindo aos poucos o ritmo do seu trotar, o unicórnio concordou com o destino. Estancou, relinchando em descompasso fúnebre. O corpo da jovem tombou em lenta procissão sem anjos”. Finalmente, a referência a “olhos febris” e “últim desejo” dão alguma base para esta interpretação.

    Gosto muito de textos assim, que nos fazem pensar bastante e refletir sobre o tema abordado. Gostei demais da leitura.

    O único deslize é que, em um conto sobre Criaturas Fantásticas, o unicórnio aqui tem um papel muito secundário e metafórico. O conto não é sobre ele, e sim sobre Marina.

    NOTA: Não existe “trama” aqui. Considerei o “tema” no conto, ao invés de trama.

    TÉCNICA: 5/5

    Tem como dar 6? rs.

    O texto é belíssimo de ler. Um poema em prosa, gostoso e que nos faz realmente viajar para outro mundo por alguns minutos. Cada parágrafo tem tantas formas de ser lido e refletido que dá para comentar este texto o dia inteiro.

    Parabéns!!!

    Boa sorte no desafio!

  33. Leonardo Jardim
    5 de dezembro de 2014

    O texto é poético, as frases são um deleite e as cenas são intrigantes. O autor (ou autora) domina as palavras e nos brinda com a beleza desse conto. O problema, porém, é que achei um pouco confuso. Precisei ler duas vezes para entender o que estava sendo passado. Saber dosar a beleza das sentenças com a fluidez da narrativa é algo realmente complicado, é comum escapulirmos para um dos lados. Nesse texto, a fluidez acabou prejudicada. Além disso, infelizmente não vi uma trama. Faltou uma introdução para que a cena final fizesse mais sentido.

    Sem dúvidas, porém, que é um conto muito bonito. Meus parabéns e boa sorte!

  34. Lucas Rezende
    5 de dezembro de 2014

    O conto, como já comentado pelo grande Fábio, pareceu ser o desfecho de uma história. Mas, a beleza da escrita é realmente impressionante.
    A trama não prende, não há conflito ou algo do tipo. Pontos para o domínio da escrita que cumpriu o papel de segurar o leitor.
    Boa sorte!!!

  35. Fabio Baptista
    5 de dezembro de 2014

    ======== TÉCNICA

    Excelente.

    O texto é conduzido com maestria poética.

    – Seus olhos adoçados em tons de mel ainda guardavam a essência de uma infância perdida.
    – que ali confundia o tempo com sorrisos
    >>> Exemplos de belíssimas construções! O texto está cheio delas.

    ======== TRAMA

    Fiquei mais com impressão de ter lido mais uma grande poesia do que um conto.

    O cenário e as imagens criadas são fantásticas, mas faltou um ponto de tensão, algo que ajudasse o virtuosismo narrativo a prender a atenção do leitor.

    Não há algo com começo/meio/fim. Parece mais um recorte, a cena final de uma longa história.

    Uma cena final muito bem feita, diga-se, mas que deixa a sensação de que “faltou algo antes disso”.

    ======== SUGESTÕES

    – Tentaria criar alguma tensão antes do salto. Cavocar mais o passado da Marina, talvez. Despertar no leitor o sentimento de “não faça isso!!!”

    ======== AVALIAÇÃO

    Técnica: *****
    Trama: ***
    Impacto: ****

  36. Virginia Ossovsky
    4 de dezembro de 2014

    A história é bonita e contada com sensibilidade. Gostei da linguagem poética e delicada, apesar de em alguns pontos ter ficado um pouco cansativa. O autor, ou autora, provou ter pleno domínio da escrita com esse conto tocante. Ah, lembrei do conto da pequena vendedora de fósforos. Parabéns e boa sorte!

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Informação

Publicado às 4 de dezembro de 2014 por em Criaturas Fantásticas e marcado .