EntreContos

Detox Literário.

Os Estranhos (André Luiz)

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A mulher chorava, os olhos estavam vermelhos. Eles a olhavam com expressões veladas e inexistentes. Um olhar vago e vazio. As cabeças tortas como de aves curiosas. Tinham um jeito paciente, um modo calmo e perturbadoramente sereno. Pareciam estar distantes… Quando na realidade estavam a apreciar o horror pungente.

Com voz chorosa, ela questionou:

-Por que estão fazendo isto com a gente?

***

Os estranhos

A noite começara de forma inusitada. Kristen chorava, encolhida em um canto, porém ainda não sabia o real motivo pelo qual brigara com seu namorado, James. Estavam tão bem há poucos segundos, até que uma discussão boba e simplória alavancou o ódio contido nos corações do casal apaixonado. É triste como a vida dá reviravoltas, tingindo o universo de cinza e negro, tons sombrios de solidão e amargura e que desfazem a felicidade em pó.

O céu estava nublado como era comum no inverno, contudo, não estava chovendo. Esta atmosfera nauseabunda angariava melancolia à emoção fluida de Kristen, ainda acocorada rente à lareira, o fogo crepitando ao seu lado. Observava as labaredas cálidas dançando na escuridão, iluminando pensamentos tenebrosos em sua mente e pirilampando mórbidas sensações oriundas da vida ao lado de James. Ele, que por sinal havia se calado totalmente, bebia goladas de um uísque barato, sentado no sofá com a camisa entreaberta revelando o peito musculoso. Se acaso refletia sobre a briga naquele momento, não demonstrava nada para a namorada; aliás, não esboçara muita reação após o ocorrido.

Do lado de fora, os grilos chirriavam apoiados nas árvores, peladas com o inverno que esfriava até mesmo o coração dos amantes mais calorosos se estes não tomassem cuidado. Aliás, cautela era algo valioso naqueles tempos, visto que a onda de violência havia aumentado assustadoramente na cidade. Ali na área rural, contudo, as pessoas tinham certo sentimento de segurança, e costumavam não se preocupar com os fatos ocorridos no meio urbano. Sendo assim, as portas comumente ficavam destrancadas; as janelas, abertas para deixar entrar a brisa invernal e os corações, amolecidos em um sentimento de cumplicidade mútua que cativava a todos.

Kristen enfim reuniu forças para se livrar da inércia. Levantou-se e caminhou silenciosamente em direção ao banheiro, onde tomaria um banho relaxante e usaria alguns sais para tentar esquecer-se de tudo, recompor sua vida.

Amava James. Não entendia o porquê de tudo aquilo. Despiu-se vagarosamente e mergulhou o corpo magro na banheira de água quente, deixando que um arrepio percorresse a espinha em direção aos confins de sua mente, fechando os olhos e respirando pausadamente. Queria pensar em algo feliz, porém não encontrava motivos para tal. Então, apenas não pensou em nada – como se fosse possível fazer esta proeza. Afundou-se no líquido perfumado e afogou-se em seus pensamentos.

 *****

 Do outro lado do município, três pessoas percorriam a estrada em busca de uma vítima em potencial. Não sabiam o porquê ou o quê, apenas buscavam. Seria sorte se encontrassem uma pessoa sozinha, vagando pela noite, àquela hora da madrugada. Não se sabe se teriam motivos para aquilo…

Três mentes pensantes, corpos sãos e faces sobre máscaras. Era assim que se mostravam. Ou melhor, se escondiam. Adquiriram codinomes ao longo do tempo, passando a cometer assassinatos em série pelo puro ato de matar, já que não havia crime algum na face da Terra que não lhes desse esta sensação prazerosa. Certa vez, entretanto, tentaram o canibalismo; não gostaram do sabor da carne humana, dura e gordurosa.

O pai costumava ser chamado por “O homem”. Era alto, porém gordo e flácido, pensamentos fluidos dissolvidos em meio aquele corpo grandioso. Sua máscara era composta de um saco de batatas cortado ao meio, dois buracos para os olhos tenebrosos e linhas negras ao lado da cabeça ressaltando o terror escondido por ela. A mãe, magra e esguia, possuía o codinome “Pin-Up Girl”, devido à sua máscara assustadoramente macabra, uma mistura de olhos gigantes e um cabelo desgrenhado. Fria e calculista, passara o gene da maldade para sua filha, a “Dollface”, uma singela representação de boneca ao estilo Anabelle, porém com um espírito mais parecido com o próprio Chucky – o boneco assassino.

O pai dirigia um Ford F-1000, uma caminhonete potente e terrivelmente barulhenta, sem se preocupar em chamar ou não a atenção dos transeuntes que poderiam estar na rua.

Contudo, apenas as criaturas da noite perambulavam pela escuridão naquele momento.

Kristen acalmou-se um pouco com o banho, o suficiente para tentar ouvir um pouco de música.

A vitrola avançou tocando noite adentro, reverberando melodias tristes e melancólicas no já pesado sentimento de amor guardado no coração da mulher. Abraçou-se ao travesseiro macio, porém frio, lembrando-se do calor de James quando se amavam naquela cama. Agora, nada mais lhe restara além do aroma amadeirado do perfume dele, o suficiente para deixá-la ainda mais sentida com a briga. Essa seria mesmo a solução para os problemas do mundo?

James arregaçou as mangas e pegou o celular.

-Preciso falar com você.

Kristen ouviu quando ele iniciou a conversa. Apurou a audição e, mesmo escondida, conseguiu escutar o que o namorado dizia com a pessoa do outro lado da linha.

-Não, eu apenas preciso desabafar. Estou de saco cheio de tudo, cara. A Kris, digo… – Hesitou. – Não, não. Apenas brigamos.

Parou, provavelmente escutando o interlocutor ao telefone.

Ela ouviu os passos apressados percorrendo o corredor silencioso da casa. Viu o homem que amava aparecer à porta, tomado de remorso e arrependido por tudo que havia feito.

-Vou comprar cigarros. – Disse, apanhando a carteira no criado ao lado da cama.

-A esta hora da noite?

-Sim. – Pegou também as chaves do carro.

-Não demore, por favor.

Deslocando o corpo para fora do quarto, saiu de longe da mulher e alcançou a sala de estar, o primeiro cômodo da entrada da casa. A chave já estava encaixada na porta pesada de madeira quando ele ouviu três batidas ocas, alguém do lado de fora solicitando atenção.

-Quem é? – O coração do homem disparou ao ser assustado àquela hora da madrugada.

-Tamara está em casa? – Questionou-lhe uma garota de voz infantil.

-Não mora nenhuma Tamara aqui. – A voz de James soava assustada por detrás da porta, assim como a da menina do lado de fora, que parecia não esboçar reação ao conversar com o homem.

A esta altura, Kristen já havia se levantado na cama, com o coração nas mãos e o lençol enrolado no corpo. Vestira rapidamente uma calcinha e uma camisola branca de linho, que ganhou do namorado no último aniversário de compromisso. Seguindo o mesmo caminho de James, aportou rapidamente na sala da lareira, ainda quente pelo fogo que não se extinguira. O casal se entreolhou, desconfiado.

-Tem certeza? – Questionou a estranha do lado de fora.

Não abra a porta”, sussurrou Kristen. Sua expressão era de espanto. James concordou com a cabeça.

-Tenho. – Respondeu.

A garota abandonou a sacada vagarosamente, dando meia volta silenciosamente em movimentos fluidos parecendo um fantasma de filmes de terror. James não se conteve, e abriu a porta repentinamente, esperando surpreendê-la. Mas o que encontrou, no entanto, deixou-o perplexo: Nada. A rua estava deserta, e nenhum sinal de vida percorria o asfalto mal iluminado.

-Onde ela está? – Era uma pergunta óbvia demais para o momento, porém necessária que Kristen, no entanto, não pôde conter.

-Realmente não sei. – James abriu mais a porta, colocando o pé direito para fora na menção de sair e prosseguir com a ida à loja para comprar cigarros.

-Não. –Ela segurou-o pelo braço. – Fique aqui comigo…

Não trocaram mais palavras. Ele apenas partiu, enquanto ela era deixada sozinha no meio do nada. Quem dera algum dia pensar que o fim do mundo fosse tão calmo assim… Sim, aquilo era o fim do mundo, um local bem afastado do centro da cidade, porém com algumas casas distribuídas pela vizinhança extremamente pacata. Kristen e James formavam um casal desbravador, arisco e selvagem; mas, assim como todo início tem um fim, todo fim merece ter uma história por trás de si.

A história dos dois, no entanto, seria escrita com letras de sangue.

Dollface, por onde esteve? – Questionou-lhe O homem.

-Ah, pai. Por aí. – Riu por detrás da máscara tenebrosa. – Sabe como é o gene de nossa família, não sabe? – A menina trajada em rosa escuro colocou uma das mãos no capô do carro e mexeu no retrovisor para conferir o cabelo. Distanciou-se um pouco do pai, avulsa à situação que se procedia no momento. Segurou a faca que carregava no bolso, limpa em virtude da falta de uso.

Pin-Up Girl chegou carregada de sacolas neste momento. Colocou-as em cima da mesa e começou a retirar o furto do roubo. A garota, de não mais do que dezessete anos, acompanhou tudo com atenção.

-Gosto do cheiro doce do sangue. – Dollface riu, apanhando um pedaço de chocolate do pacote que a mãe trouxera.

-Quem de nós não gosta? – A família riu como se estivessem sentados à mesa em um dia de domingo.

A noite transcorrera, até o momento, calma demais para saciar os instintos selvagens dos três criminosos.

-Pai? – A garota não retirava a máscara nem para comer, então sua voz saiu abafada pela cera do objeto.

-Oi, meu amor?

-Como é matar alguém? – Parecia que Dollface não esperava resposta, visto que sempre a negavam uma explicação para tal ato.

-Maravilhoso, minha filha. – Respondeu a mãe, curiosamente. – O cheiro do sangue subindo em nosso nariz, nosso feromônio maligno à flor da pele. A alma sedenta pela morte. É delicioso matar alguém, docinho.

O homem concordou com a esposa.

-Por que a pergunta, querida?

-Eu estava pensando… Já estou acostumada com a morte. Convivo com ela há muito tempo, junto a vocês. – Retirou a máscara delicadamente na intenção de mostrar sua real feição a seus pais, tentando soar convincente. – E acho que estou pronta para matar.

Pin-Up Girl e O homem mostraram-se orgulhosos, dando tapinhas gentis no ombro da filha. A mãe sorria quando também retirou a máscara. Um sorriso diabólico, no entanto, longe de demonstrar felicidade.

-Está pronta sim, filha. – O pai abraçou-a carinhosamente.

-Mas é difícil encontrar a vítima perfeita. – Pin-Up Girl completou a fala do marido. – É preciso cautela e dedicação, preparar o cenário perfeito, a hora perfeita. É preciso jogar com a mente da vítima.

-E este jogo é detalhado, querida. Tem regras. – O homem sorriu e retirou a máscara, olhando no fundo dos olhos de Dollface. – Está pronta para começar a jogar?

-Claro, pai.

-Então precisamos encontrar mais jogadores.

Dollface se levantou. Estavam os três em uma clareira no meio da mata, sentados na carroceria da caminhonete F-1000 e descansavam os corpos fadigados de matar. A menina sempre acompanhara os pais na matança, uma verdadeira orgia funesta e sórdida.

-Eu já tenho dois jogadores perfeitos! – Ela estava ansiosa.

-Sabe nos levar até lá?

-Com certeza. – Pensou um pouco antes de prosseguir. Queria transparecer confiança, mas, na verdade, em sua mente não cabiam emoções, apenas instintos. – Já tramei tudo e, inclusive, comecei o jogo.

-Começaste sem nós?

-Não aguentei. Tive de começar.

-E a vítima?

-Provavelmente está sozinha neste momento. É hora de agir. – Sorriu e arregalou os olhos negros. – Espera-nos em casa. Será mais fácil do que eu pensava.

Os três desceram da carroceria e entraram na cabine da caminhonete, a filha ao meio e o pai no volante. Puseram as máscaras novamente e voltaram a ser anônimos.

-Não vejo a hora de sentir o cheiro de sangue em minhas mãos. – Dollface gargalhou, transbordando uma psicopatia fervente em sua mente perturbada.

O veículo partiu em direção à casa de Kristen e James. A mulher estava sozinha e vulnerável. Antes, entretanto, os três estranhos queriam se divertir um pouco. A morte é um ritual de prazer.

 

 

A vitrola engasgava notas ao som do vinil arranhado. Kristen, no entanto, estava assustada demais para esboçar reação alguma. Seguiu abraçada ao travesseiro, enterrando os dedos no tecido- fazendo seus nós embranquecerem-, rezando para que James não demorasse muito mais.

Uma batida na janela do quarto do casal cortou o silêncio, indo como uma flecha ao coração agora gelado da mulher.

-Quem é? – Gritou e apertou ainda mais o travesseiro, como se pudesse entrar nele, esconder-se do mundo, paralisada em um terror frio que lhe eriçava os pelos e a arrastava a calafrios angustiantes.– O que querem de mim? – Um resvalo de desespero saiu esganiçado.

Não encontrou respostas.

-Quem é? – Questionou novamente.

A porta da sala estava trancada? Não se lembrava de tê-la travado.

Não pode ser…” Pensou consigo mesma. “Não pode ser…” As palavras martelavam em sua mente. As linhas da face se juntavam e faziam um canal estreito para que as lágrimas se precipitassem.

Teve de ser forte para erguer-se da cama, o suor tomando conta do corpo. O corredor que antes ligava praticamente todos os cômodos da casa agora parecia muito mais extenso do que realmente era. Kristen caminhava lentamente, as pantufas de ursinho arrastando-se no carpete marrom, fazendo o mínimo de barulho possível. Exatamente por causa deste silêncio emocional é que ela conseguiu enfim alcançar a vitrola, parando o equipamento ao afastar a agulha do vinil.

Correu em direção à porta assim que pode, e encontrou-a entreaberta.

-Quem está aí? – Tentou dizer algo, porém as lamúrias pareciam mais resmungos de uma pessoa muda.

Um vulto transpassou a luz do abajur da sala, deixando-a de coração apertado. Sem perceber, estava de rosto molhado, desta vez eram lágrimas que escorriam pela face alva.

Por favor…”, pensava. Nunca suplicara tanto por ter James a seu lado.

Acabou virando a trava da porta, por fim. Conseguiu se esgueirar sorrateiramente até a cozinha, agarrando uma faca peixeira com tanta força que a pressão fez escorrer um filete de sangue por suas mãos. Estaria segura apenas com uma faca nas mãos, se no coração guardava tanto medo?

Tremia tal qual um parkinsoniano.

Tentou não pensar no pior e concentrou-se na volta para o quarto, onde se sentia segura. As luzes da casa completavam este sentimento de conforto, mas eram ínfimas aquietações para sua mente, já viajando para motivos distantes… A família que pretendia formar ao lado de James… A viagem programada para as Bahamas ao fim do ano… A velhice e a aposentadoria… Tudo isto seria cortado de suas vidas.

Deitou-se na cama macia bem a tempo de ouvir alguém batendo à porta. Neste momento, um turbilhão de coisas girava na mente de Kristen, e ela ansiou por James ao seu lado.

Ouviu passos no corredor.

Estavam distantes ainda, mas se aproximavam.

Aproximavam-se mais e mais.

Até que pararam a um palmo da porta da mulher.

-Quem está aí? – Berrou, totalmente descontrolada.

-Sou eu, meu amor. – James apareceu na porta, acendendo um cigarro entre os dentes.

Ao observar o estado da namorada, largou-o ao chão antes de tê-lo acendido, e foi ao seu auxílio; dando-a um tenro e confortante beijo.

-Nunca mais me deixe, por favor… – Kristen implorava.

-Não, não vou te deixar.

-Prometa! – Beijou-o.

-Eu prometo!

-Mesmo? – Precisava ter certeza.

-Sim. Prometo amar-te para a vida inteira. – Percebeu a faca nas mãos da garota e o sangue escorrendo pela palma da mão direita. – O que foi que te aconteceu?

-Foram eles… – Sussurrou nos ouvidos de James.

-Eles quem?

-Os estranhos.

-Estranhos?

-Sim. Bateram na porta, na janela. Atormentaram-me. Estou com medo. – Soluçava em meio às lágrimas. – MUITO MEDO!

A luz acabou repentinamente, assustando a ambos. Kristen berrou de susto.

-Acalme-se, por favor.

Os olhos dela se esbugalharam.

-São eles. Vieram nos pegar. Os estranhos…

-Acalme-se. Não há ninguém. É ilu…

Três batidas na porta.

-Tamara? – Uma voz feminina, quase infantil, ecoou na casa para desespero do casal. – É você, Tamara?

James se levantou e agarrou a peixeira ainda suja de sangue.

-Deixe-nos em paz!!! – Gritou para sabe-se lá o que lhe esperava ao fim do corredor, atrás da madeira.

-Não disse que mais tarde voltaria para te ver novamente?!

O homem se aproximou ainda mais da entrada, Kristen seguindo-o pelas costas, agarrada à sua cintura.

-Hmm… Sinto cheiro de sangue. Sangue novo. Adoro sangue! – A voz feminina do outro lado da porta disse em tom apático, não esboçando sentimentos. -Saia daqui! Não falarei novamente! – James levantou a faca em posição de ataque.

A voz se emudeceu e o casal se entreolhou.

Onde está? – Sussurrou a mulher para o namorado.

Não sei… – Respondeu, ainda olhando para a porta de madeira.

O silêncio desta vez invadiu o ambiente, interrompido às vezes pela respiração sôfrega dos dois, parados ali à porta.

Subitamente, os passos no corredor retornaram. Toc. Toc. Toc. Toc…

O homem apareceu no corredor, oriundo da escuridão. Sua máscara estava mais feia do que sempre, os olhos cor de piche revelando que um ser humano estava por detrás da fantasia. Parou a cinco metros do casal, que se virou vagarosamente. Kristen pode ver uma lágrima translúcida descer pelo rosto de James.

“Não…”, tencionou pensar a garota, mas foi interrompida pela imagem de Dollface sentada em uma cadeira na sala, a face encoberta pela máscara de cera. A menina com rosto de boneca virou-se repentinamente, assustando Kristen, que soltou um grito esganiçado. Balançou o rosto em desaprovação, vendo O homem apontar para a faca nas mãos de James.

-Não vou soltá-la. –A ambiguidade divertia os jogadores do tabuleiro da morte.

-Na, não…Pin-Up Girl emergiu das trevas empunhando ironia nas mãos. Sarcástica, riu maliciosamente e abraçou O homem, que continuava a apontar para a peixeira.

Dollface riu para si mesma. Estava começando a sentir o prazer de ver o desespero estampado no rosto das vítimas. Já havia brincado de “Gato e rato” quando mais jovem. Sempre era o rato, miúda. Agora era a vez de ser o gato, um felino faminto e sedento. – San… gue… – As sílabas saíram como um sussurro infantil.

James foi obrigado a deixara arma branca cair em queda livre, produzindo um barulho abafado ao encontrar o carpete. Dollface se abaixou e pegou o objeto, orientada mentalmente pelos outros dois estranhos. Feito isto, levantou-se e começou a girá-la na mesa de jantar da casa de veraneio, produzindo um som nauseante.

A menina parou a faca com um soco na mesa. Pegou-a pelo cabo e empunhou-a de forma semelhante ao assassino de “Psicose”. James ficou afobado.

-Kristen, fuja! – Gritou, se jogando em direção ao O homem, derrubando-o no chão. Kristen realmente tentou, porém foi interceptada por Pin-Up Girl, parada na soleira da porta de saída. A única forma de tentar escapar era por alguma janela.

Correu para a janela do quarto e bateu a porta ao seu encalço. James ainda gritava na sala enquanto ela esmurrava a janela, entretanto, o vidro temperado não cederia tão fácil.

-Kristen, fuja! – Berrava.

Tudo ficou em silêncio inopinadamente.

-Querido! – Vociferou. Não obteve resposta. – Querido?

Aproximou-se da porta.

-James?!

Foi surpreendida por O homem, que a empurrou e fê-la bater com a cabeça no chão, agarrando seu pescoço com força. Ela conseguiu apenas balbuciar de forma medonha.

-Por que estão fazendo isto conosco?

O homem retirou a máscara e, olhando-a nos olhos, disse-a com uma expressão aterrorizante.

-Porque vocês estavam em casa.

Kristen desmaiou, uma expressão de horror congelada na face branca; as lágrimas se misturando ao sangue que escorria em filetes. Isto, não sem antes perceber que estava sendo arrastada, vendo o teto passar sobre sua cabeça e tentando se agarrar pelas paredes, sujando-as de um líquido rúbeo e espesso. “Sua história seria escrita com letras de sangue. Letras tortas, por sinal.” A escuridão tomou conta do lugar.

-Bom trabalho, querida. – Sorriu O homem para a filha.

Dollface gargalhou ao observar os corpos do casal no chão, contente por ter matado; o coração aliviado de adrenalina, mas ainda sentindo os efeitos da endorfina em seu corpo. Sentira prazer, muito prazer. Gostara do sangue sujando suas mãos com a morte, entupindo sua alma de pecado. Mas, se o pecado é uma criação da mente humana, uma penalização moral do homem com ele mesmo – e a garota não sentia remorso -, aquilo que ela fizera não era lá tão ruim assim.

-Na verdade, é maravilhoso! – Completou. – O cheiro pungente de hemácias jorrando do peito aberto. As feridas abertas esvaindo-se em luto, veladas por três estranhos contemplando os dois corpos estirados no chão. Éramos como narradores de nossa própria história, telespectadores ávidos e alienados, uma experiência extracorpórea sedutoramente mortal. – Lambeu os dedos sujos de vermelho. – Mas… agora que parei para pensar… eu quero mais.

-Mais? – O homem questionou a filha.

-Sim! – Sorriu de forma psicótica, arrancando a máscara do rosto antes angelical, agora tomado pela demência. – Eu quero mais. Mais. Mais!!! – Impulsionou o corpo para frente e para trás. – Preciso matar. Quero cheirar sangue. Mais sangue, mais sangue, mais sangue! SANGUE!

Pin-Up Girl acudiu Dollface.

-Acalme-se querida. Vamos providenciar mais sangue para você.

-Tem certeza, mãe?

-Sim. O que não fazemos por você?

Abraçou-a. Não porque a amava, mas porque queria parar com aquela cena da filha iniciada. Não sentia nada por ela, nem pelo marido. Apenas se gostavam no ritual da morte. Todavia, precisaria de mais cuidado, ser mais cautelosa. Matar era algo metódico, calculado; não apenas uma ação cotidiana. Precisava controlar Dollface o quanto antes.

O homem ligou a caminhonete e os três embarcaram rumo ao desconhecido. Pelo caminho, passaram por diversas vidas esperando para serem ceifadas, como uma gigantesca exposição de almas em um museu monumental – a Terra. Dois garotos, no entanto, pedalavam no acostamento, contentes. Não perceberiam os psicopatas passando no carro ao lado; apenas mais tarde se dariam conta do que acontecera naquela casa de seus vizinhos, Kristen e James Mollison. Abririam a porta, curiosos com uma poça vermelha que se formara embaixo da porta, acreditando ser refresco de groselha. A infantilidade seria suplantada pelo medo, o pavor de encarar a morte antes mesmo de encarar os prazeres da vida. Se a morte fosse mesmo um ritual, era decerto obra de seres inumanos. Não! Morrer não é normal. Não daquela forma…

-9-1-1. Qual a sua emergência?

Ninguém respondeu do outro lado da linha.

-9-1-1. Qual sua emergência? Está aí?

Alguém colocou a boca no telefone, respirando sofregamente.

-Tem gente aqui!

A atendente se assustou com o desespero do interlocutor.

-Muito bem. Acalme-se!

A respiração ofegante não dava sinais de melhora, no entanto.

-Onde você está? Qual seu endereço?

-Não sei.

Era um garoto, de no máximo onze anos.

-Está correndo perigo?

-Sim, sim. – Estava aflito.

-Como se chama?

-Jordan. – Parou por um instante, raciocinando frente ao que era obrigado a encarar. – Precisamos de ajuda… – Implorou com lágrimas correndo por sua face alva.

-Muito bem. Pode ao menos me dizer em que rua estão?

-Eu não sei onde estamos.

-Jordan, com quem você está?

O garoto hesitou por um momento, engasgado em seu terror.

-Entramos em uma casa… Encontramos gente.

– QUEM ENCONTRARAM?! – Falava próximo ao telefone. – Jord…

-Há sangue nas paredes. Meu Deus!É…

-Jordan… – A respiração ofegante cessara repentinamente. – Jordan? Jordan! Oh, não! – Não obteve resposta. – Jordan! Jordan, acalme-se! – A voz tremia.

-Está por todo lado! – Seu tom era distante; sua voz, desolada e afiada.

-Jordan, o que aconteceu?!

-Há sangue por todos os lados! – Um tom áspero tomou a voz, como desespero prestes a explodir em lágrimas. – Em tudo… – A voz falhava e a ligação também. – É horrível! Morte…

O menino então se calou, a mulher pensou ter ouvido um sussurro ao fundo e…

A ligação se encerrou.

***

Os dois garotos permaneceram ali, parados perante o terror da cena de assassinato. Contemplavam a parede de tom pêssego, manchada de gotas de sangue que, ao escorrer, deixavam um rastro de morte. Na lateral, em letras de cor rubro, coaguladas na vida do casal, uma mensagem que amedrontava:

Queriam saber por que fazíamos aquilo contigo?

Porque estavam em casa.

BASEADO EM FATOS REAIS

O filme utilizado para a produção é “The Strangers”, sob a direção de Bryan Bertino.

Trailer

41 comentários em “Os Estranhos (André Luiz)

  1. Andre Luiz
    18 de novembro de 2014

    Obrigado pelos comentários e pela votação, que me enobreceram bastante. O meu favorito ganhou!!! Graças a Deus KKK

  2. Wender Lemes
    17 de novembro de 2014

    Procedeu bem com a narrativa, a linguagem começou “excessivamente” simbólica e depois isso diminuiu, o que me agradou. As personagens não me pareceram muito profundas, por outro lado (principalmente Kristen e James). Ficou parecendo um dos episódios de meio de temporada de Dexter em que ele mata por matar (isto é um elogio e uma crítica). Continue neste caminho. Parabéns e boa sorte.

  3. Fil Felix
    17 de novembro de 2014

    Percebi que boa parte achou o conto meio clichê. Não sei se foi porque já assisti o filme (e gostei) que consegui absorver melhor a história o.O

    Tirando um errinho ali em cima onde juntou as palavras (deixara – deixar a) e um parágrafo com dois diálogos ao mesmo tempo, não percebi outros erros. A escrita está bonita e flui muito bem. Apesar de relativamente grande, não achei uma leitura cansativa.

    A história é praticamente o filme Os Estranhos. Inclusive a cena final, com os garotinhos passando perto da família é parecida. Porém gostei como resolveu tratar, também, da família (já que no filme não tem). A Dollface me lembrou a Dollface do jogo Twisted Metal ^^. Gostei de como a história se desenvolveu, aquele clima de suspense quando batem na porta (mais uma vez, acho que porque já assisti o filme e imaginei com outros olhos). Porém o assassinato deixou a desejar, não é falado como eles morrem. As crianças se assustam, mas não sabemos com o quê. Se foi sua intenção que nós, leitores, imaginássemos a situação, tudo bem. Mas acho que ficaria melhor se você tivesse narrado. De toda forma, achei uma leitura legal.

  4. Gustavo Araujo
    16 de novembro de 2014

    O culpado é o primeiro parágrafo. Quando o li, tive a impressão de que o conto seria estupendo, elevando as expectativas. Deu para perceber, já no início, que o autor possui um domínio excelente da escrita, sabe como articular os argumentos e como construir os cenários. O problema foi a trama. Putz, cara, é duro dizer isso, especialmente porque você escreve bem, mas o enredo, como um todo, não ficou legal. Culpa, como eu disse, da expectativa levantada pelo primeiro parágrafo. O que quero dizer é que a partir daí a narrativa entra num declínio, mergulhando num poço de clichês. Bem, a relação entre James e a namorada até que não ficou ruim, mas a família-mórbida, os “Estranhos”, não me convenceram nem um pouco como emissários do terror – ao contrário, parecem uma sátira despropositada e sem graça da Família Addams, especialmente a garotinha Dollface, uma emulação pouco inspirada de Christina Ricci. Não há “horror” algum no texto, nada que faça arrepiar. O trecho em que o casal finalmente é apanhado até gera uma expectativa sobre o que virá, enfim. Mas, o que se vê é um salto no tempo – a garotinha Dollface feliz por ter matado – sem que o leitor saiba, exatamente como o assassinato se deu. Aliás esse fator é outro que ficou muito a dever: a construção psicológica dos personagens. Vê-se que o autor arrisca um pouco nesse quesito ao descrever o casal, mas a família assassina simplesmente quer matar e pronto.

    Enfim, peço a você, autor, que não leve a mal estas considerações. É que quando percebo que há potencial – especialmente um potencial mal aproveitado – costumo ser mais chato. Sua habilidade é louvável, mas a história, infelizmente, ficou muito aquém do que você seguramente pode produzir.

  5. Thiago Mendonça
    15 de novembro de 2014

    Olha, serei sincero. Você não escreve mal. De verdade. Mas a história e os acontecimentos foram um tanto artificiais. Você poderia ter sido mais psicológico, mas acbou ficando um pouco raso.

    Acho que você poderia dar um estudada melhor na diferença entre “show, don’t tell”, traduzida para”mostre, não diga”. O início do conto, por exemplo, é apenas a descrição dos personagens, explicando o quão mal eles são. Mas nada melhor do que a ação propriamente dita pra passar ao leitor a maldade dos personagens. Ao invés de descrever que eles são maus, você poderia já começar na ação, demonstrando aos poucos o psicológico do trio.

    Parabéns e boa sorte!

  6. Gustavo de Andrade
    14 de novembro de 2014

    Cara, é facilmente perceptível que cê esteve na intenção de dar uma cara que você queria aos personagens (suposto centro da trama, pois o enredo em si é um tanto clichê), mas acho que falhou nela porque:
    1- Artificialidade. As coisas não parecem ocorrer como deveriam, e alguns comportamentos dão a impressão de só serem daquela forma a fim do curso da história contada. Sendo assim, qualquer caráter verossímil (que pode ser visto como o centro de uma narrativa que trate de assassinato e relações) é perdido. Ainda, a artificialidade não é feita de uma forma honesta como se os personagens estivessem forçados a uma festa que requirisse a manutenção de aparências, ou qualquer situação do gênero. Um dos núcleos é uma família, e o outro, um casal (onde a naturalidade deveria ser ainda maior que por questões de verossimilhança).
    2- “Quadradismo”: A narrativa acaba ficando quadrada por demais, com o leitor ou a leitora só permitido a sentir o que o escritor ou escritora quer que seja sentido através de seu texto — isso, unido aos pontos gramáticos levantados por Pisces num comentário abaixo, leva a uma certa desonestidade textual, no sentido de que o texto não se dá além do texto; a narrativa não pula do papel, não prende quem lê (porque é escrito de uma forma “quadrada” demais).

    Finalmente: “por que o casal brigou? Como se conheceram, e se apaixonaram tanto? Qual a procedência da família assassina? Por que a menina nunca havia matado ninguém?” são questões que em muito, a mim, enriqueceriam a trama, e, ao não serem respondidas, acabam empobrecendo :/

    Bom vocabulário, sim senhores!

  7. Rodrigues
    13 de novembro de 2014

    não gostei. pude pular partes sem perder o fio da meada de tao previsivel que é o conto. essa construção da familia nao esta nada boa, senti como se do nada uma familia normal que come Doriana resolvesse sair matando por aí, um tanto forçado. achei as três primeiras frases desnecessarias e algumas descrições bem ruins. como mérito, o texto consegue gerar certa apreensão em alguns momentos, mas aí faltam traços mais estranhos e psicoticos na relação dessa familia, menos descricao, mais suspense, o medo – pelo q o trailer mostra – vem mais pelo que não se vê.

  8. Felipe Moreira
    13 de novembro de 2014

    Curioso, porque esse conto acabou me lembrando de funny games. E o texto é dominado por uma boa narrativa, mas devo dizer que ela só me prendeu na segunda parte, quando os criminosos são apresentados. Os primeiros parágrafos que abordaram Kris e James se arrastaram, muitos adjetivos, quando eu esperava algo mais dinâmico aos acontecimentos, claro, ainda sem deixar de sentir alguma profundidade de cada personagem. Explorar o convívio conturbado do casal e misturá-lo ao plot foi muito bom; apenas transbordou em partes.

    No geral, eu gostei, porque o final foi da maneira que eu esperava, e talvez ele tenha colaborado pra que eu lembrasse de funny games. HAHA

    Parabéns e boa sorte.

  9. williansmarc
    11 de novembro de 2014

    Gostei de como o conto foi escrito, realmente eu senti o que o casal estava sentindo, tendo isso em mente, acredito que o(a) autor(a) deve investir fortemente em escrever mais contos de terror.

    Entretanto, acho que o conto ficou extenso demais, sendo que o começo e o fim poderiam ser cortados tranquilamente para que fosse dado mais foco ao assassinato do casal ou alguma outra ideia que não me ocorre no momento.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  10. piscies
    10 de novembro de 2014

    Vou discordar da maioria dos comentários e falar que não gostei da forma que o conto foi escrito, nem da trama. Como a maioria concorda que este é um bom conto, sinto-me compelido a explicar. Lembrando que o que escrevo abaixo são apenas meus pontos de vista como leitor. Desde já, também peço perdão pela extensão do comentário.

    Falarei primero sobre a técnica. O autor tem um vocábulário excelente, com um vasto leque de palavras, algumas bonitas, outras elegantes, a maioria muito bem empregadas. Porém, ele repete demais as conjunções “contudo”, “no entanto”, “porém” e “entretanto”. Estas conjunções cansam a leitura e não permitem que ela flua bem. Os advérbios também são usados em demasia. Além disso, abaixo listo algumas das frases que me fizeram torcer o nariz. Existem outras, mas não peguei todas devido a extensão do conto.

    “Kristen chorava, encolhida em um canto, porém ainda não sabia o real motivo pelo qual brigara com seu namorado, James.” – Muita informação em uma frase só. O “porém” atrapalha, como já falei anteriormente.

    “Ele, que por sinal havia se calado totalmente…” – Por sinal? O narrador está na terceira pessoa, no famoso papel todo-poderoso. Narradores assim têm certeza absoluta de tudo e não narram um fato por que ele “parece” ser real.

    “…não demonstrava nada para a namorada; aliás, não esboçara muita reação após o ocorrido.” – Acho estranho empregar o termo “aliás” como narrador. Isso funcionaria em uma narrativa diferente, como uma espécie de diálogo entre narrador e leitor, mas aqui fica claro que o narrador transmite a história em uma via de mão única, então o “aliás” fica estranho. E ele é usado outra vez no texto.

    “Era alto, porém gordo e flácido, pensamentos fluidos dissolvidos em meio aquele corpo grandioso” – É uma boa descrição física do personagem, mas a parte dos “pensamentos fluidos” ficou estranha. Não me diz nada, e ainda se mistura com a descrição física, confundindo-me.

    “Agora, nada mais lhe restara além do aroma amadeirado do perfume dele, o suficiente para deixá-la ainda mais sentida com a briga. Essa seria mesmo a solução para os problemas do mundo?” – Problemas do mundo? Aqui eu entendo que ela possa estar falando do mundo exclusivo dela, mas de qualquer forma, de que solução ela estava falando? Não identifiquei.

    “saiu de longe da mulher e alcançou a sala de estar…” – Sair de longe para mim é ir para perto. Se ele foi para mais longe, ficaria melhor se fosse algo do tipo “saiu da soleira da porta e alcançou a sala de estar…”.

    “que parecia não esboçar reação ao conversar com o homem…” – Aqui, mesmo que o narrador seja todo-poderoso, é mais plausível que ele narre a cena de dentro da casa, de onde Kristen e James não possam enxergar o que há além da porta. Então não haveria como saber das reações da menina, nem como ela saiu andando para fora, como mais tarde é narrado.

    “-Onde ela está? – Era uma pergunta óbvia demais para o momento, porém necessária que Kristen, no entanto, não pôde conter.” – Aqui, além do combo “porém/no entanto”, o autor parece estar se desculpando pela fala da personagem. Se ela falou, falou. Não precisa dizer que era uma pergunta óbvia: deixe isso para as reflexões do leitor.

    Agora, a trama. Entendo que “os estranhos” são perversos simplesmente por que gostam de ser, entendo que eles são a essência do mal e era isto que o escritor queria passar, mas acho esta ideia fraca. A maioria dos leitores, ao meu ver, gosta de motivações, história de background ou ao menos alguma complexidade que adicione vida aos personagens, mesmo que estes sejam antagonistas. Existe uma breve menção a alguma história de fundo quando Pin-up Girl reflete sobre como ela não nutre amores pela filha, mas fica por aí. A ideia geral é que eles são maus e pronto. Isto não me satisfaz. Eu sei que é plausível que existam pessoas assim, mas mesmo estas pessoas viveram anos e mais anos antes do momento narrado no conto. Tiveram infância, têm opiniões formadas sobre assuntos, possuem manias e lembranças, tanto boas quanto ruins. Não explorar o lado humano de um personagem, mesmo que este personagem não tenha um comportamento humano, me deixa frustrado.

    A trama ia bem até que Kristen vê a porta da sala aberta, então vê um vulto na sala, e ao invés de sair pela porta aberta, tranca-a e vai até a cozinha pegar uma faca. Franzi o cenho nessa parte. Ela já tinha a confirmação de que algum desconhecido estava dentro da casa, e mesmo assim ela tranca a casa por dentro e vai pra cozinha se armar?

    Em seguida, ela fica desesperada por saber que tinha alguém na casa e já começa a pensar que iria morrer (achei as reações gerais dos personagens muito extremas e prematuras. Ela nem sabe ainda o que está acontecendo e já acha que vai morrer?) então caminha até o quarto com uma faca na mão e deita na cama? Não me parece normal que uma pessoa que acha que vá morrer assassinada a qualquer momento deite-se na cama, “onde ela se sentia segura”.

    Achei a seguinte fala de Kristen forçada demais: “Eles vieram nos pegar… os estranhos…”. Ela ainda nem sabe o que está acontecendo, mal viu um vulto, nem sabe se são mais de uma pessoa, e fala que “os estranhos vieram nos pegar”? Seria mais plausível falar algo do tipo “acho que tem alguém aqui em casa. Eu encontrei a porta da sala aberta” ou “bateram na janela… acho que tem alguém aqui.”.

    Por que James foi obrigado a deixar a faca cair no chão? Os Estranhos não estavam munidos de armas de fogo. A peixeira era a única coisa que o protegeria.

    Kristen estava tentando abrir a janela quando parou de ouvir os gritos de James. Então ela voltou para ver como ele estava? Não faz sentido. Suicídio?

    Garotos jovens o suficiente para achar que sangue era refresco de groselha entram na casa e discam 911 antes de ver o cenário do crime. Segundo a transcrição da ligação, a ordem dos fatos para mim foi muito estranha, até meio engraçada.

    1- Eles avistam refresco de groselha saindo debaixo da porta principal da casa e resolvem… pedir um pouco?

    2- Eles provavelmente batem na porta e a encontram destrancada, entrando em seguida. Eles não vêem os corpos dos vizinhos ainda, o que é estranho por que o sangue estava saindo pela porta da frente.

    3- Eles ouvem algum barulho que os assusta, e um deles resolve ligar para 911 antes mesmo de ver a cena do crime.

    4- Quando a mulher da emergência atende, ele fica quieto por que acha que tem alguém na casa dos vizinhos… o que deveria ser natural, visto que os vizinhos moravam ali e deveriam estar em casa, e eles ainda não tinham visto os corpos dilacerados.

    5 – Finalmente, eles vêem a cena do crime e o garoto com o telefone descreve o que viu.

    E eles não sabem onde moram? Antes, o texto diz que Kristen e James são seus vizinhos.

    Enfim, por causa disto tudo, ficou óbvio para mim que o conto precisava de bastante lapidação ainda, mas como a maioria está concordando que o conto é de boa qualidade, resolvi expor meus pontos de forma completa. Perdoe se pareci rude de qualquer forma, apenas quis expressar o que pensei sobre o conto.

    Boa sorte!

    • Pin-Up Girl
      10 de novembro de 2014

      Sem problema, Piscies, não foi rude. Entendo sua opinião e reconheço que ainda tenho muito a melhorar. De qualquer forma, obrigada!

  11. Brian Oliveira Lancaster
    10 de novembro de 2014

    Meu sistema> essência. Pirilampando e chirriavam – só por essas palavras incomuns já desconfio quem seja o autor. Gostei do suspense metafórico imersivo, com escrita cuidadosa. O clima de filme de terror caiu muito bem. Apenas a construção de algumas frases (poucas) me incomodou de leve. Mas a essência está aí. Os personagens-vilões me lembraram do jogo Twisted Metal. O uso de dois finais, a meu ver, ficou muito interessante. Adendo: “Éramos como narradores de nossa própria história” – esta parte me deixou confuso sobre quem era, de fato, o narrador. Onisciente ou a doida?

    • Pin-Up Girl
      10 de novembro de 2014

      Quem achas que sou? (As aparências enganam…) KKK De qualquer forma, obrigada pelo comentário!

  12. rubemcabral
    10 de novembro de 2014

    Humm, não gostei… Achei muito adjetivado e os diálogos dos maníacos estão bem teatrais. Alguns detalhes, como grilos cantando em pleno inverno, ficaram ruins, expressões equivocadas feito “furto do roubo” tbm não ficaram boas.

    Enfim, embora bem escrito, não me agradou…

  13. JC Lemos
    7 de novembro de 2014

    Olá autora, tudo bem?

    Já ouvi falar desse filme, e baseado no que li agora, parece ser realmente muito bom!
    Você trabalhou bem em alguns trechos elevando o suspense no momento correto e causando o desconforto no leitor, já em outros, achei que se perdeu. Em minha opinião, algumas passagens poderiam ser menos extensas, pois não tirariam o foco da narração. Mas é questão pessoal…

    Está bem escrito e bem narrado, não me agradou o tanto quanto eu queria, mas ainda assim foi bom.
    Parabéns e boa sorte!

  14. Virginia Ossovsky
    7 de novembro de 2014

    Não vi o filme, mas já tinha ouvido falar, parece que vão fazer uma versão brasileira. Então, já comecei a ler meio apavorada. As cenas estão bem escritas e atendem às expectativas. Senti pena do casal e aversão pela família de psicopatas. Só achei algumas expressões meio estranhas, mas nada que prejudique a leitura.

  15. Andre Luiz
    6 de novembro de 2014

    Primeiramente, meus critérios complexos de votação e avaliação:
    A) Ambientação e personagens;
    B) Enredo: Introdução, desenvolvimento e conclusão;
    C)Proposta: Tema, gênero, adequação e referências;
    D)Inovação e criatividade
    E)Promoção de reflexão, apego com a história, mobilização popular, título do conto, conteúdo e beleza e plasticidade.
    Sendo assim, buscarei ressaltar algumas das características dentre as listadas acima em meus comentários.
    Vamos à avaliação.

    A)Os personagens são misteriosos. Os Estranhos dão vida à trama, mesmo que eu tivesse achado inicialmente que eram Kristen e James, porém, quando a narração centrou-se no trio de maníacos matadores, pude ver que eram eles os principais. Parece mesmo, assim como foi comentado, que Kristen é um pouco fraca, mas posso sentir que ela está apavorada com os jogos mentais causados pelos mascarados.

    B)O enredo é sólido, e as passagens de narração, ora dentro da casa, ora nos momentos “em família”, compõem a trama, dando um sentido para tudo. Como vi em diversos comentários, parece-me que para tudo acham que deve haver um motivo; todavia, não penso assim, e o autor deixa claro que matar é apenas um ritual na visão dos maníacos, carregado de símbolos dentro dela. Logo, não vejo motivos para tanto alarde, visto que, acham que alguém que é capaz de assassinar 12 crianças em uma escola no Rio de Janeiro ou mandar aniquilar 6 milhões de pessoas durante o Holocausto têm muito de diferente dos Estranhos? Com certeza não. Matar é matar, não importa se for 1 ou 1.000.000. Então, concordo com a história dos três.

    Considerações finais: Kristen me tocou profundamente; senti pena dela. Os psicopatas, frios e metódicos, deixaram a cena do crime e partiram para uma nova caçada. Como usam máscaras, são difíceis de identificar. (Só para completar, estimativas oficiais, 4% da população dos EUA é psicopata, sendo 1% mulheres e 3% homens. Isto daria tantas pessoas que, o comum seria vermos crimes psicopáticos a todo momento na televisão. Mas não vemos.) Assim, conclui-se que o ritual de matar é sofrido, por isso, mesmo dentro de mentes maquiavélicas, é difícil de ocorrer. Logo, é preciso frieza, coisa que seres humanos e emocionais dificilmente desenvolvem. No mais, o conto é muito bom e consegue prender a leitura do início ao fim. Parabéns e sucesso no desafio!

  16. Claudia Roberta Angst
    5 de novembro de 2014

    Parece ser bem tenebroso, mas não assisti ao filme no qual foi baseado o conto. Não é o tipo de narrativa que me atraia, mas está bem trabalhada. Achei um tanto longo, o que dificulta a manutenção do suspense. Nos primeiros anos da juventude, teria lido o conto tremendo e contente. Infelizmente, envelheci e mudei de gosto. O autor sabe e aprecia lidar com as palavras. Isso é evidente. Boa sorte!

  17. daniel vianna
    5 de novembro de 2014

    Achei o texto muito forçado, muito unidirecional, com pouca trama. Certamente foi esse o motivo que levou a autora a se utilizar de tantas palavras, quando o texto poderia ter a metade do tamanho (e seria melhor, bastava cortar figuras de linguagens desnecessárias, que serviram apenas para inflacioná-lo). Poderia ter investido mais na trama, com a inclusão de novos elementos, de atitudes distintas por parte do casal. Algo poderia dar errado na noite do trio, tudo ficou fácil demais para eles, que parecem os verdadeiros protagonistas da história, ou seja, eles não tiveram obstáculos, praticamente.

    • Pin-Up Girl
      5 de novembro de 2014

      Os Estranhos são mesmo os protagonistas, Daniel. Mesmo assim, obrigado pelo comentário!

  18. Wallisson Antoni Batista
    5 de novembro de 2014

    Cara, particularmente eu não sou amante de terror – em nenhuma ocasião – não foi ruim, foi razoável. Acho que a violência não foi exagerada até porque é terror e violência no terror tem que ser “punk” mesmo. Mas em um contexto geral, ficou razoável.

  19. Jefferson Reis
    5 de novembro de 2014

    Primeiro, um comentário geral: É um bom conto. Eu o encaixaria na tag “ficção para entreter”.
    Ao contrário do que muitos chatos dizem por ai, não há nada de errado com esse tipo de ficção.

    Os contos inscritos no desafio não precisam ser necessariamente Literatura, não é?

    Sobre o conto: A narrativa prende a atenção e pode agradar a quem gosta desse tipo de leitura. Eu mudaria o clímax e apostaria mais no terror psicológico.

    Sociopatia é um assunto que me interessa.

  20. Fabio Baptista
    5 de novembro de 2014

    ====== TÉCNICA

    O autor tem talento no trato com as palavras e sabe construir um cenário de tensão.
    Porém achei que alguns trechos (principalmente no começo) ficaram rebuscados demais, prejudicando desnecessariamente a fluidez do texto.

    Mais um texto que abusou dos mais que perfeitos.

    – Então, apenas não pensou em nada – como se fosse possível fazer esta proeza.
    >>> Isso ficou estranho… afinal, ela conseguiu ou não? (pensar em nada)

    – faces sobre máscaras
    >>> sob

    – mas, assim como todo início tem um fim, todo fim merece ter uma história por trás de si.
    >> Outra construção que não ficou legal

    – transbordando uma psicopatia fervente em sua mente perturbada
    >>> Não acho legal quando o narrador “entrega o jogo” dessa forma. Prefiro descrições do tipo:
    “A voz feminina do outro lado da porta disse em tom apático, não esboçando sentimentos”
    Onde posso concluir que a menina era psicopata sem o narrador me falar

    – Correu em direção à porta assim que pode
    >>> pôde

    – disse-a
    >>> Acho que isso não existe

    ======= TRAMA

    Sem grandes inovações. Não assisti o filme em questão, mas o mote é bem conhecido. Lembrei particularmente do filme “Rejeitados pelo diabo” do Rob Zombie.

    Até a metade estava tudo indo muito bem. O clima de tensão criado foi muito bom, cheguei a ficar apreensivo (não sou psicopata, mas ultimamente tem sido difícil um texto me despertar qualquer tipo de sentimento :D).

    Porém, depois da invasão da casa a coisa desandou. O efeito surpresa foi embora e as cenas narradas não transmitiram a agonia do casal.

    O final, com a ligação para a polícia, é desnecessário na minha opinião.

    Pecou pelo excesso.

    ======= SUGESTÕES

    – Deixar o texto mais conciso
    – Acabar a história ali na casa mesmo, talvez trabalhando melhor a crueldade dos assassinos.

    ======= AVALIAÇÃO

    Técnica: ****
    Trama: ***
    Impacto: ***

  21. Eduardo Selga
    4 de novembro de 2014

    O conto segue os parâmetros de um modismo literário chamado fanfiction que, se de um lado é interessante por estimular a leitura e a produção textual, por outro pode fazer com que o universo ficcional, a ambientação, os personagens, os diálogos, fiquem demasiadamente iguais a um padrão norte-americano, e também aos filmes produzidos pelo Tio Sam. Neste conto, por exemplo, os personagens são batizados de Kristen, James Mollison, Jordan, Dollface e Pin-Up Girl; quanto aos diálogos, a atendente do 911 (serviço de emergência da polícia dos Estados Unidos) usa a mesma dicção de personagens idênticas em filmes policiais, quando diz “Muito bem. Pode ao menos me dizer em que rua estão?” (sim, sempre tem alguém tão desesperado ligando para o 911 que o atendente precisa fazer quase exatamente a mesma pergunta); Oh, my god, é preciso tanta subserviência, tanta colonização cultural a um padrão estético que não condiz com a narrativa brasileira?

    Fazer literatura também é um ato ideológico, além de estético.

    O padrão estético a que me referi, e que está presente em qualquer best-seller listado no estranho gênero chamado pela indústria editorial de “aventura”, gosta muito de se concentrar na ação, em detrimento de um TRABALHO LINGUÍSTICO e CONSTRUÇÃO DE PERSONAGEM. E tome porrada, carros capotando, killers cada vez mais seriais, etc. Nisso, o trabalho artístico com a palavra, o esculpir com vocábulos, fica de fora. Personagens densos? Nem pensar. Afinal, o que se quer é ENTRETER e não PRODUZIR LITERATURA, essa coisa chata, esse monte de palavras que ninguém entende.

    Essa escolha pela ação em prejuízo de todo o resto eu vejo neste conto.

    No primeiro parágrafo há uma superabundância de adjetivos. Não que o uso dessa classe de palavras deva ser decretada proibida em textos literários. Há vários textos que os usam em larga escala, porém adequadamente, sem redundância quanto aos pesos semânticos ou inexpressividade. Diz o parágrafo:

    “A mulher chorava, os olhos estavam vermelhos. Eles a olhavam com expressões VELADAS E INEXISTENTES. Um olhar VAGO E VAZIO. As cabeças tortas como de aves curiosas. Tinham um jeito PACIENTE, um modo CALMO e perturbadoramente SERENO. Pareciam estar distantes… Quando na realidade estavam a apreciar o horror pungente.”

    As expressões são VELADAS, sim, pois estão ocultas, mas não INEXISTENTES. Elas existem, apenas estão ocultadas, e mesmo uma máscara é uma expressão.

    No parágrafo em questão, VAGO E VAZIO ocupam o mesmo campo semântico, próximo a INDETERMINADO. O mesmo caso de ocupação do território similares ocorre com PACIENTE, CALMO E SERENO. A mínima diferença semântica existente entre essas palavras não justifica apresentá-las, as três, praticamente juntas.

    Noutra altura do texto encontramos o seguinte trecho: “vagarosaMENTE e mergulhou o corpo magro na banheira de água quENTE, deixando que um arrepio percorresse a espinha em direção aos confins de sua MENTE, fechando os olhos e respirando pausadaMENTE.”. Como é possível notar, é muita repetição sonora, isso é desagradável àquele leitor preocupado com o texto.

    Há uma incoerência em “Puseram as máscaras novamente e voltaram a ser anônimos”, porque os personagens mascarados estavam, na cena, sozinhos, e entre eles não há anonimato. Cada um deles sabe perfeitamente quem é pai, mãe e filha. Só caberia falar em anonimato em relação a um quarto personagem que não participasse do grupo homicida.

    Outra inconsistência em “Exatamente por causa deste silêncio emocional é que ela conseguiu enfim alcançar a vitrola, parando o equipamento ao afastar a agulha do vinil”. O que vem a ser “silêncio emocional”? Pelo contexto, o autor quis dizer que a personagem estava em silêncio por causa de uma forte emoção (no caso, o medo), mas a expressão usada não cabe, porque EMOCIONAL significa “que produz emoção”. Ora, o silêncio não produziu a emoção, e sim o medo; ao contrário, ela, a emoção, produziu o silêncio. Além disso, continuando no mesmo trecho, não é por causa desse “silêncio emocional” que ela consegue chegar até a vitrola. Teria chegado, com ou sem ele, já que a ameaça estava do lado de fora.

    O seguinte trecho está mal elaborado: “Kristen, no entanto, estava assustada demais para esboçar reação alguma”. REAÇÃO ALGUMA significa NENHUMA REAÇÃO. Ocorre que isso não faz sentido no texto, e provavelmente o autor quis dizer que ela “estava assustada demais para esboçar QUALQUER reação”. Com esse significado, a construção presaria mudar para ALGUMA REAÇÃO. Uma “simples” mudança na posição das palavras que altera completamente o sentido.

    Em algum ponto temos: ‘”Não…’, tencionou pensar a garota […]”, e também aí algo está equivocado. TENCIONAR é TER INTENÇÃO DE. Então a garota “teve a intenção de pensar”? Ou se pensa ou não. Ninguém pensa em pensar e depois desiste, mesmo porque se desistir é porque já pensou.

  22. Anorkinda Neide
    3 de novembro de 2014

    Um texto bem escrito, com alguma coisinha que passou na revisão, mas nada grave. Gostei muito desta frase aqui , que pra mim, é um verso… 🙂

    Afundou-se no líquido perfumado e afogou-se em seus pensamentos.

    Eu não gosto de histórias assim, lamentavelmente. De matar por matar, assisti vários filmes deste tipo qd havia tempo pra gastar inutilmente.. rsrsrs não leve a mal. Mas não me atrai mesmo. Porém, tu dizes que neste, específico, o diretor tem um olhar diferenciado, isso é um ponto bem positivo, pq há q sair da mesmice de alguma forma, não é!

    Não vi este filme, mas pelas respostas aos comentários e pelo texto mesmo, observo que não inovastes muito, reproduzindo o filme, praticamente. Dissestes que os dialogos da familia de dementes é o fator original e justamente ele, eu não vi propósito ou brilho, sei lá.. é questão de gosto mesmo, não digeri… rsrsrs

    Mas boa sorte, ae!
    Abração

    • Anorkinda Neide
      3 de novembro de 2014

      ahhh esqueci!
      gostei bastante do final em itálico.. o telefone das crianças, poderia bem ser um micro-conto.. achei ele muito bom e tenso.
      hummm por ele, eu elevarei a nota do conto.. hehehehe

    • Pin-Up Girl
      3 de novembro de 2014

      Anorkinda, o filme foi sim uma base bastante forte para meu conto. Contudo, minhas cenas são inovadoras dentro das perspectivas dos personagens e, se algum dia, vierem a assistir ao filme, verás que não reproduzi nenhuma parte da obra de Bertino. Quanto aos psicopatas, matam sim sem motivos, porém apreciam o ritual da morte quase como uma religião. Deixei portanto, minha marca no filme, visto que nele não se mostram cenas da intimidade dos três e muito menos conversas entre eles. Os jogos mentais são as únicas reflexões. Obrigado por seu comentário!

  23. simoni c.dário
    3 de novembro de 2014

    Comecei a ler o conto, confesso, mais por obrigação, já que o filme escolhido, a princípio eu jamais assistiria.
    Fui lendo querendo terminar logo, e aí me dei conta que eu já estava presa na trama. Com as mãos suando frio, fui descendo o texto cada vez mais devagar, A descrição dos personagens ficou maravilhosa. Psicopatas são assim mesmo, não sentem, são frios, matam por puro prazer, a doença em si é a justificativa. E o pior é que são extremamente inteligentes, conseguem imobilizar a vítima sem tocar nela,
    Enfim, entrei na história pela excelente narrativa do autor que me conquistou, envolveu e impactou (chega a dar náusea) e ainda fiquei curiosa pelo filme.
    Parabéns pelo excelente trabalho, e boa sorte!

    • Pin-Up Girl
      3 de novembro de 2014

      Simoni, aprecio que tenha gostado, pois também sofri fazendo o conto. Uma história curiosa: Estava digitando tudo, ainda fazendo modificações e adequações quando a luz aqui em minha casa se acabou. Fiquei assustado de início, pois foi exatamente quando eu escrevia a parte do primeiro encontro com os psicopatas. Enfim, tudo transcorria bem até que começaram a piscar – neste ponto, meu coração parecia querer pular de meu corpo. Continuei a escrever, afobado com o conto e tenso pela situação que vivia. Tudo ficou normal depois, e cerca de quatro horas mais tarde a luz foi restabelecida em minha rua. Contudo, juro que vi Dollface me espiando pela janela! KKK Obrigado pelo comentário e sucesso no concurso!

  24. Douglas Moreira
    1 de novembro de 2014

    Primeiro que assisti o filme, e me decepcionei, uma vez que não falam o motivo de tamanha crueldade e tal. Mas o seu conto, magnífico, me mostrou o que realmente eram esses caras. Ter-me-ia ainda mais feliz com este conto se não fosse o fato de estarmos concorrendo (brincadeira). Que bela narração, execução, descrição… Enfim, que talento. Gostei muito. Parabéns.

  25. Sonia Regina
    30 de outubro de 2014

    leia-se referência…

  26. Sonia Regina
    30 de outubro de 2014

    Tenso, pena eu não conhecer o filme para ter uma referância melhor. Bem escrito.

  27. Pin-Up Girl
    29 de outubro de 2014

    Aos que ainda lerão meus textos, peço que considerem que a comentada “parte repetida” foi corrigida pelo moderador do concurso, que gentilmente atendeu a meu pedido, visto que foi uma espécie de erro no wordpress. Enfim, não há mais este erro. Obrigado.

  28. Pin-Up Girl
    29 de outubro de 2014

    O exagero é proposital, Lucas. Como sugestão pessoal, deve-se acompanhar a desumanidade dos psicopatas desde seu amadurecimento nos confins da mente humana (Neste texto, um perfil idealizado na figura de Dollface). Enfim, esta insanidade é característica de maníacos psicopatas, uma categoria bem mais elevada de loucura.
    Aprecio muito seu comentário e também espero aprender com você. Obrigado!

    • Pin-Up Girl
      29 de outubro de 2014

      Esta resposta é ao comentário de Lucas Resende, o primeiro a ser postado.

  29. Leonardo Jardim
    29 de outubro de 2014

    Muito boa a narrativa e o texto foi muito bem escrito. Cria um clima de filme de terror com psicopatas, onde já sabíamos que eles iam morrer, mas ficamos tensos ao ver (ler) acontecer.

    Não vi o filme (e nem consegui ver o trailer), então imagino que os assassinos sejam exatamente desta forma no filme (matam simplesmente pelo prazer de matar). Essa motivação não é absurda, mas a forma como o conto mostra a família de psicopatas intimamente sem emoções, apenas assassinos, incomoda pela explicação simples. Sei lá, acho que todo louco tem um motivo para ser e não apenas “gostar de matar”.

    Além disso, encontrei dois problemas textuais que me incomodaram: o primeiro, você deve ter visto, é que o primeiro parágrafo ficou repetido no final do segundo; o segundo é no trecho “corpos sãos e faces sobre máscaras”, quando o correto seria “sob” máscaras. No primeiro caso achei que fosse uma repetição intencional nas primeiras frases e no segundo fiquei tentando entender a metáfora de “faces sobre máscaras” até perceber que era um erro. Mas nenhum desses atrapalhou muito.

    Um bom conto que me prendeu do início ao fim. Abraço, parabéns e boa sorte!

    • Pin-Up Girl
      29 de outubro de 2014

      Bom, gostei muito de sua crítica e trabalharei para solucionar todos os erros apontados. De coração, obrigado pelo comentário.Enfim, aquela repetição de período não foi intencional, foi um erro mesmo… Se possível, tentarei consertá-lo. Se não, infelizmente terei de deixar assim aqui no concurso. Aos leitores, saibam que revisei bastante o texto, porém alguns errinhos sempre passam despercebidos (como é o caso do “sobre máscaras”).

      Com relação ao filme em si, recomendo assistirem, tanto para entender -mais a fundo – a história que se passa em meu conto, além de ser uma ótima oportunidade de conhecer melhor o trabalho do diretor, que é novo no ramo e trouxe uma linha nostálgica à suas produções. A parte mais interessante, em meu ver, são os jogos psicológicos dos serial-killers do filme, que imobilizam suas vítimas dentro da própria casa e, inicialmente, sem nem ao menos tocar nelas. Diante disso, reforço minha reles intenção de salientar que é interessante assistir ao filme, visto que o considero uma ótima produção. Óbvio que algumas cenas são fictícias em meu caso, porém o filme é sim baseado em fatos reais; e somente imaginar que isto já aconteceu realmente com duas pessoas torna o enredo do conto e da obra de Bertino um verdadeiro horror.

      Logo, agradeço o comentário e desejo-lhe sorte caso for um participante do concurso; afinal, antes de tudo, estamos aqui para valorizar estas relíquias da literatura brasileira que estão cada vez mais aprimoradas aqui no EntreContos. Obrigado!

  30. Maria Santino
    29 de outubro de 2014

    Boa Tarde autor/a!

    Sabe, autor/a, eu adoro ler contos de terror, gosto de vários estilos de terror, mas, sobretudo do terror psicológico, e acho que você poderia ter mergulhado mais nesse sentido, no terror psicológico e oferecido mais suspense ao invés de cenas bizarras (também gosto delas, mas queria mais gritos, mais convulsões, mas urina de pavor antes de me dar sangue). Mas, como um esquartejador, vamos por partes 😛

    Não entendi o porquê do repeteco que começa com essa parte em negrito.
    Pra mim vago e vazio são sinônimos, acho que inexpressivo e vazio ficaria melhor, ou colocar uma vírgula entre as palavras para dá ideia de reforço e não de complemento.
    Estranhei o posicionamento de algumas vírgulas e acho que o conto foi extenso além da conta, tanto que quando achei que ia acabar, lá veio mais uma chuva de palavras (algumas, com todo respeito, não acrescentaram em nada).
    Os nomes estrangeiros não me agradam, mas compreendo deve ser do filme, que, aliás, não conheço (sim,parei no tempo) mas vi esse trailer aí.
    Se me permite, diria para deixar a família nas sombras, cortar essa parde explicadinha ir mesclando quando eles estivesse junto do casal. Por exemplo: Como seria interessante se a moça (Kristen) se visse diante desses caras e houvesse as descrições deles para que o leitor visse as cenas em conjunto, mas você explicou antes, então esse choque não houve. Acho a parte dos garotinhos dispensável e algumas contrições frasais exageradas, sobretudo pelo uso de: Perturbadoramente, assustadoramente, silenciosamente, vagarosamente, pausadamente, terrivelmente, repentinamente… Tente mesclar as palavras, por exemplo, use “de modo perturbador, de modo silencioso…” ou até, repense, pois algumas palavras por si só já bastam.
    Essas contrições eu gostei: Gritou e apertou ainda mais o travesseiro, como se pudesse entrar nele, esconder-se do mundo […] As linhas da face se juntavam e faziam um canal estreito para que as lágrimas se precipitassem. Acho que essa frase seria ótima para começar o seu conto: “Matar era algo metódico, calculado; não apenas uma ação cotidiana”
    Seria bom tem um propósito maior para o conto, repassar alguma critica, alguma visão, mas eu gostei do entretenimento e acho que seu trabalho pode brilhar muito mais.
    Um abraço e boa sorte! (Putz! Isso ficou loongo)

    • Pin-Up Girl
      29 de outubro de 2014

      Maria, vago neste sentido está simbolizando ausente, distante e disperso. Vazio significa sem esperanças, sem emoções. Logo, foram intercalados dois adjetivos sinônimos com funções semânticas distintas. O terror psicológico em si é uma forma usada pelos três Estranhos para adentrar na mente das vítimas e utilizar o mínimo possível de força bruta. (Recomendo assistir ao filme). Apesar disto, não ter visto o filme não exclui a possibilidade de entender o conto, porém aumenta as chances de se incluir dentro dele. Sentir uma obra é essencial e, infelizmente, não são todas as pessoas que se incluem em todos os textos. Enfim, o ritual de matar é mais importante que a morte em si – isso explica o porquê de pular a parte da carnificina. O filme, no entanto, é extremamente tenebroso e muito mais manipulador, de forma que você fica fissurado nos personagens desde a primeira vez que assiste. Sendo assim, a parte das conversas entre Dollface, O homem e Pin-Up Girl ficam por minha conta – Não fazem parte do enredo do longa. Espero ter agradado, como vi pelo seu comentário…

      Ah, quanto à crítica do conto, é realmente a questão de “Até que ponto somos racionais? Há limites para a loucura humana?” Não quis fazer perguntas durante o texto, induzindo a uma reflexão sobre o tema, porque já vi duras críticas a este recurso aqui no site EntreContos. O uso de advérbios também enfatiza esta progressão pretendida, conduzindo a um raciocínio lógico. Esta era a intenção. Se não foi correspondida, erro meu.

      Desde já, obrigado pelo comentário e pela crítica, que absorvi com segurança e tentarei modificar a obra para torná-la melhor e fazer-me crescer. Obrigado novamente e boa sorte no concurso!

    • Maria Santino
      4 de novembro de 2014

      Eu fico olhando pro que escrevi nesse comentário e me perguntando de onde tirei essa palavra “constrição”. Ai ai… é CONSTRUÇÃO ou CONSTRUÇÕES. :/

  31. Lucas Rezende
    29 de outubro de 2014

    Vamos lá.
    Achei o conto exagerado, não que seja algo ruim. A loucura dos assassinos me pareceu algo não humano. Achei bom que tenha ficado assim, dá um tom mais macabro.
    Ficou bom, mas não ficou extraordinário.
    Uma história bem executada, ótimo vocabulário e metáforas. Talvez aprenda um pouco com você 🙂
    Boa sorte!!!

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Publicado às 28 de outubro de 2014 por em Filmes e Cinema e marcado .